Atlas histórico

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Atlas histórico

  1. 1. atlas histórico escolar
  2. 2. Brasil. Fundação Nacional de Material Escolar.B823a Atlas histórico escolar [por] Manoel Maurício de Albuquerque, Arthur Cézar Ferreira Reis [e] Carlos Delgado de Carvalho. 7. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro, FENAME, 1977 160p. ilust. 31,5 cm. 1. Atlas. 2. Geografia histórica - Mapas. I. Albuquerque, Manoel Maurício de, 1927- .II. Reis Arthur Cézar Ferreira, 1906- .III. Carvalho, Carlos Delgado de, 1884- .IV. Titulo.77-002 MEC/FENAME/RJ CDD-911
  3. 3. atlas históricoescolar 7a edição revista e atualizada Manoel Maurício de Albuquerque Arthur Cézar Ferreira Reis Carlos Delgado de Carvalho 1977 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURAFENAME - FUNDAÇÃO NACIONAL DE MATERIAL ESCOLAR
  4. 4. ©1960Direitos autorais exclusivos daFENAME — Ministério da Educação e Cultura1ª edição -19601ª edição/2ª tiragem - 19612ªedição - 19653ª edição - 19674ª edição - 19685ª edição - 19696ª edição -1973 Impresso no Brasil Esta edição foi publicada pela FENAME - Fundação Nacional de Material Escolar, sendo Presidente da República Federativa do Brasil Ernesto Geisel Ministro de Estado da Educação e Cultura Ney Braga Secretário-Geral do MEC Euro Brandão Secretário de Apoio Administrativo do MEC Hélio Pontes Diretor Executivo da FENAME Augusto Luiz Duarte Lopes Sampaio
  5. 5. AUTORESHISTÓRIA DO BRASILManoel Maurício de Albuquerque — Professor de História Econômica do Brasil da PontifíciaUniversidade Católica do Rio de Janeiro — Ex-Professor do Instituto Rio Branco do Minis-tério das Relações Exteriores.HISTÓRIA DA AMÉRICAArthur Cézar Ferreira Reis — Catedrático de História da América da Faculdade de Filosofia,e de História Política e Social do Brasil da Escola de Sociologia e Política da Pontifícia Uni-versidade Católica do Rio de Janeiro — Professor de História da América da Faculdade deFilosofia, Ciências e Letras de Petrópolis.HISTÓRIA GERALCarlos Delgado de Carvalho — Professor Emérito e Catedrático de História Contemporâneada Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro — Catedrático de So-ciologia do Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro — Representante do Minis-tério da Educação e Cultura no Diretório do Conselho Nacional de Geografia (atual FundaçãoI.B.G.E.). COLABORADORES DO PROJETO O R I G I N A L Américo Jacobina Lacombe Carlos Goldenberg João Alfredo Libânio Guedes Martinho Corrêa e Castro Miridan Brito Knox Nemésio Bonates Therezinha de Castro ILUSTRAÇÃO Ivan Wasth Rodrigues
  6. 6. sumarioPrefácio 7História do Brasil 9História da América 41História Geral 71índice 160
  7. 7. prefácio A Fundação Nacional de Material Esco-lar, em continuidade ao trabalho de assis-tência ao estudante, na área de materialde apoio pedagógico, apresenta esta 7 aedição do Atlas Histórico Escolar, revista eatualizada em face dos recentes fatoseconômico-sociais que vêm atuando naevolução da História. Trata-se de trabalho originariamentepioneiro da linha editorial da Fundação,considerado nos meios educacionaiscomo fonte indispensável de consulta ereferência para o estudante. Constituído de três partes distintas,História do Brasil, História da América eHistória Geral, apresenta mapas que sãocomplementados por textos e ilustraçõesartísticas de cenas e épocas históricas,representativas do panorama cultural. A temática e os critérios que nortearama elaboração do Atlas Histórico Escolarsão apresentados por seus autores, Pro-fessores Arthur Cézar Ferreira Reis, Carlos Delgado de Carvalho e Manuel Maurício de Albuquerque. Destinada ao Ensino de 1 o e 2° Grausesta edição mereceu a aplicação de novosrecursos visuais, de forma a aliar ospadrões de qualidade, preço acessível emelhor utilização, de acordo com as nor-mas editoriais que esta Fundação vemimplantando com a colaboração do par-que gráfico nacional.Rio de Janeiro, maio de 1976Augusto Luiz Duarte Lopes SampaioDiretor Executivo daFundação Nacional de Material Escolar
  8. 8. história do Brasil Na realização do presente trabalho procuramos satisfazer exa-tamente aos objetivos previstos no próprio titulo da obra: AtlasHistórico Escolar. Assim, tendo como base elementos geográficos,desenvolvemos um plano cronológico capaz de fornecer aos estu-dantes, através de mapas, um elemento auxiliar na fixação dosconhecimentos históricos. Evitamos o que poderia exceder esta finalidade, contentando--nos com o que nos pareceu mais objetivo e essencial dentro doque exigem os programas escolares atuais. Serviu-nos de roteiro inicial a planificação anteriormente apre-sentada pelo Prof. João Alfredo Libânio Guedes. Permitimo-nosdesenvolver e modificar aquilo que poderia esclarecer certos as-pectos menos divulgados de nossa História. É o caso dos mapasreferentes às capitanias hereditárias e reais, dos que fixam aevolução econômico-povoadora do Brasil ou os relativos ao pro-blema da mão-de-obra, à fixação de nossas fronteiras ou â atua-ção brasileira na Segunda Guerra Mundial. Quanto às ilustrações, excluímos propositadamente os retratos,não só pelo que poderiam pressupor de escolha injusta como,também, por muitos deles, principalmente os coloniais, seremidealizações de fraco valor informativo, prejudiciais mesmo. Prefe-rimos, num critério cultural mais amplo, homenagear os grandesgrupos que construíram o Brasil atual, através de uma visualiza-ção em que â beleza se aliasse a veracidade documental. Manoel Maurício de Albuquerque
  9. 9. D I S T R I B U I Ç Ã O DOS GRUPOS I N D Í G E N A S As formações sociais indígenas representavam diversos está- cas de trabalho coletivo, como o mutirão, ou o emprego da redegios da comunidade primitiva, que entrou em processo de desa- de dormir ou de técnicas de caça e pesca. A mesma reflexão devegregação a partir dos contatos com os representantes da expan- ser feita no estudo das transformações dos procedimentos alimen-são mercantil européia. O avanço das frentes pioneiras promoveu, tares ou das contribuições ao universo folclórico brasileiro. Elasucessivamente, a diminuição das áreas de mobilidade espacial e também nos permite compreender como a difusão de elementostambém o decréscimo quantitativo dessas populações cuja impor- tupis, apropriados pelos agentes da colonização, resultou na falsatância numérica atual é bastante reduzida. noção de que este fora o único grupo indígena a contribuir na Deste relacionamento, pacifico ou conflitante, resultaram a estrutura social brasileira.mestiçagem e a incorporação de várias experiências daquelas Observe-se no mapa a distribuição primitiva das formaçõescomunidades à Formação Social Brasileira. Estes elementos fo- sociais indígenas, tendo como base a classificação lingüística e,ram transformados na medida em que se articulavam em outra em tom mais forte, os remanescentes atuais.estrutura social, diferente daquela que organizava as populaçõesindígenas. É neste novo contexto que deve ser analisado o apro-veitamento econômico da mandioca, do milho, do algodão, dabatata e de numerosas outras espécies vegetais, além das práti-
  10. 10. Fumo ou Milho Mandioca tabaco MatePlantas indígenas — As comunidades primitivas in-dígenas produziram técnicas para o aproveitamentoeconômico do milho, da mandioca, do fumo e domate. Também já utilizavam outros vegetais, como oalgodão, o cacau e o guaraná, mas nio atribulamainda a esses produtos um valor comercial. índio cambeba — Os Cambebas, índios do Amazo- nas, foram os descobridores da borracha. Com ela fabricavam vários utensílios, inclusive bolsas para carregar água: as "seringas". Os Cambebas defor- mavam artificialmente a cabeça, de onde lhes veio o nome que, em tupi, significa "cabeça chata". (Dese- nho segundo o original da Viagem Filosófica, séc. XVIII, de Alexandre Rodrigues Ferreiro, Biblioteca Nacional.)Casa rural — Nas construções sertanejas articulam- se elementos de origem diversa. A estrutura dahabitação é européia, mas nela se aproveitam tam-bém elementos da experiência indígena: a coberturade palha, as paredes de galhos entrançados, o em-prego do barro. Habitação indígena — Nas malocas, como também em casas do interior do Brasil, encontram-se utensí- lios comuns: redes, bancos, cuias, o tipiti (espreme- dor de mandioca) e cestaria. Exemplificam setores da atividade produtiva indígena incorporados á For-Cerâmica dos Carajás — Os Carajás habitam, princi- mação Social Brasileira.palmente, a ilha de Bananal, em Goiás. Possuemuma técnica de cerâmica muito adiantada e de gran-de beleza artística. (O desenho reproduz uma peçada coleção do Museu do índio, no Rio de Janeiro.)
  11. 11. PERÍODO PRE COLONIZADOR podiam realizar as trocas rudimentares do escambo.1 500-1530 O expansionismo espanhol e francês forçou o Estado Português a consolidar o seu domínio colonial no Brasil. 0 controle do litoral era imprescindível para a segurança das rotas comerciais do Atlântico que davam acesso aos centros comerciais africanos e, Na etapa que antecedeu à instalação da agromanufatura do através do Indico ou do Pacífico, à Ásia.açúcar, o extrativismo do pau-brasil constituiu a principal ativida- O arrendamento do pau-brasil, as feitorias dispersas pela orlade econômica. No entanto, não atendia aos interesses comerciais marítima, a doação da Capitania Hereditária da Ilha de São João,dominantes na expansão portuguesa: a busca de intercâmbio com em 1504, e as práticas repressivas das esquadras de guarda-cos-formações sociais em estágio mercantil, capazes de oferecer pro- tas eram iniciativas de âmbito limitado. A instalação de unidadesdutos exóticos, metais preciosos e em condições de consumir produtoras de açúcar foi a solução adequada, porque nela conver-gêneros importados. Esses requisitos não podiam ser atendidos giam vários elementos favoráveis: a expansão do mercado consu-pelas comunidades primitivas indígenas, com as quais somente se midor europeu, a experiência técnica aperfeiçoada nas ilhas do
  12. 12. Trecho do fac-símile da Carta de Pero Vaz de Caminha. . .do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe.Porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo. E poisque. Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outraqualquer cousa que de Vosso serviço for. Vossa Alteza há de ser de mim muitobem servida, a Ela peço que por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de SãoTome a Jorge de Osório, meu genro — o que dEla receberei em muita mercê. Beijo as mãos de Vossa Alteza. Deste Porto-Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro diade Maio de 1500. s. Pero Vaz de Caminha. Besteiro português — A besta, arma dos séculos XV e XVI, ainda persiste em algumas regiões do Nordeste como brinquedo infantil. Quarenta homens armados desta forma acompanharam Pero Lobo e Francisco Chaves numa entrada ao interior do Brasil em 1531. (Desenho segundo uma escultura africana do século Carta de Pero Vaz de Caminha — 0 primeiro e mais importante documento XV existente no Museu Britânico.)sobre o Brasil está no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Portugal. Ele nosinforma sobre a viagem de Cabral, os objetivos que organizavam o expansionismoportuguês, a permanência no litoral da Bahia e os primeiros contatos com ascomunidades primitivas indígenas. Durante a Exposição do IV Centenário de SãoPaulo, a Carta foi exibida e depois retornou á Europa. Atlântico e o concurso de capitais estrangeiros, notadamente os flamengos. Como suporte econômico, o açúcar podia financiar a defesa do litoral, superava a insegurança das rendas do comércio do pau-brasil e oferecia condições para o conhecimento das possi- bilidades minerais do Brasil. Este último objetivo, dominante no projeto expansionista português, recebeu novos estímulos a partir da conquista espanhola do México e posteriormente do Peru. O mapa resume os resultados da ação portuguesa nessa etapa dominada pelo extrativismo vegetal: o conhecimento litorâneo e a fundação de feitorias para o armazenamento do pau-brasil. Caravela redonda — A caravela, de origem moura e aperfeiçoada pelos portugue- No primeiro encarte, o roteiro de Cabral, segundo a Carta de ses, empregava velas triangulares ("latinas") e era própria para navegar com Caminha; o outro, de autoria de Jaime Cortesâo, mostra o local qualquer vento. Isto a tornou um elemento de grande eficiência nas explorações dos principais sucessos do Descobrimento. marítimas.
  13. 13. AS PRIMEIRAS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS século XVIII, quando foram abolidas nos reinados de D. João V e de D. José I. No encarte, a expedição de Martim Afonso de Sousa, que, além Associando particulares â colonização do Brasil, o Estado Por- do reconhecimento do litoral e do interior, da defesa do monopó-tuguês buscava consolidar o seu domínio sem prejuízo dos inte- lio comercial do pau-brasil, realizou também a fundação das vilasresses prioritários de outras áreas como a África e, sobretudo, a de São Vicente e de Piratininga e a instalação do Engenho doÁsia. O sistema das donatárias organizou as atividades produtivas, Senhor Governador, pertencente a Martim Afonso.notadamente as da agromanufatura do açúcar e da pecuária,propiciou a fundação das primeiras vilas e o exercício das ativida-des jurídico-pollticas e culturais. Os privilégios concedidos aoscapitães-mores eram limitados pelo Estado Absolutista e tinhamseu exercício articulado à estrutura econômica dominantementeescravista cuja produção era destinada quase toda ao setor deconsumo externo. As capitanias hereditárias permaneceram até o
  14. 14. Brasão de Duarte Coelho — O Rei D. João III conferiu-lhe este brasão, em 1545,como prêmio aos serviços prestados no Oriente e em Pernambuco. Os cincocastelos lembram as cinco povoações por ele fundadas, das quais conhecemosapenas Igaraçu, Olinda e Paratibe. (Desenho segundo a descrição existente no vol.III da História da Colonização Portuguesa do Brasil.) Colono português — Após a doação das primeiras capitanias começaram a chegar os povoadores atraídos pela doeção de terras e demais incentivos concedidos pelo Estado. Na maioria, provinham das áreas rurais, mas a sua experiência agrária teve de ser ajustada é atividade produtora de base escravista, em regime de grande propriedade agroexportadora. (Desenho composto segundo a obra de Alberto de Souza: 0 Traje Popular em Portugal nos Séculos XVI e XVII.) Mapa do Brasil no século XVI — Deve-se observar que, apesar de certas impreci- sões e desproporções do desenho, o contorno da costa brasileira já era bastante conhecido. Isto se deve ê relativa freqüência e ao interesse geogréfico des diversas expedições que visitaram o Brasil. (Mapa de fins do século XVI existente ne Biblioteca da Ajuda em Lisboa.)
  15. 15. O GOVERNO-GERAL NO SÉCULO XVI Salvador, que permaneceu como capital até 1763. O mapa informa as modificações resultantes da iniciativa cen- Para a instalação do Governo-Geral concorreram diversos ele- tralizadora de D. João III, o povoamento simultâneo português ementos: o desigual resultado das donatárias, a permanência dos espanhol de terras atualmente brasileiras e, no encarte, a divisãoconcorrentes estrangeiros e o declínio das rendas comerciais da temporária do Estado do Brasil. Esta mudança resultou do agrava-África e da Ásia. A implantação desse órgão coordenador das mento da ameaça de dominação francesa em Cabo Frio e nopráticas coloniais no Brasil foi também estimulada pelo descobri- litoral do Leste e do Nordeste.mento e exploração de minerais no Cerro Potosf, na atual Bolívia,e pela expansão promissora da produção açucareira. Os govema-dores-gerais tinham a sua autoridade extensiva a todo o Estadodo Brasil, que então passou a compreender as antigas e novascapitanias hereditárias às quais se acrescentaram as capitaniasreais. Destas últimas a primeira foi a da Bahia, onde foi fundada
  16. 16. Índio tamoio — Os Tamoios, divisão do grande grupo Tupi. foram aliados dos franceses invasores do Rio de Janeiro. Após a expulsão destes, refugiaram-se em Cabo Frio, de onde os expeliu definitivamente o Governador Antônio Salema (Desenho composto com elementos do livro de Léry: Viagem â Terra do Brasil.) Soldado francês do século XVI — Além do comércio do pau-brasil, que permane- ceu ativo em áreas não ocupadas do litoral, a ação colonialista francesa ensaiou ocupar a Guanabara. 0 projeto teve a sua realização interrompida pela expulsão dos invasores em 1567. (Desenho composto com elementos do livro de Léry: Viagem à Terra do Brasil.)Vila fortificada — No século XVI, as cidades e vilas brasileiras defendiam-se dosataques dos índios e dos corsários com muros de taipa e cerca de madeira.(Desenho adaptado de uma reconstituiçáo de São Paulo, no século XVI. da autoriade José Wasth Rodrigues.)
  17. 17. A ECONOMIA NO SÉCULO XVI terras de Garcia dÁvila, em que a criação de gado já era au- tônoma. A agromanufatura do açúcar forneceu a base econômica para a Até 1 580, o comércio realizou-se com relativa liberdade, espe-valorização colonial do Brasil e a ela se subordinavam o extrativis- cialmente a concedida aos flamengos. A partir da União Ibéricamo do pau-brasil e a pecuária. A utilização em larga escala de estabeleceu-se o regime de monopólio, inicialmente controladotrabalhadores escravos, a disponibilidade de terras e a expansão por frotas anuais.do setor de consumo externo concorreram para o enriquecimentoda classe proprietária e da burguesia comercial portuguesa e fla-menga. Apesar disso, persistiam os interesses metalistas, como odemonstram as numerosas entradas. 0 mapa mostra ainda apecuária em sua etapa inicial, ainda como atividade dependentedo açúcar. Faz exceção a área entre Salvador e São Cristóvão, nas
  18. 18. Brasão do Estado do Brasil — É interessante observar os símbolos que procuram. mostrar as duas designações que recebeu o Brasil. (Desenho reproduzido do que ilustra o artigo de Hélio Vianna, no Anuário do Museu Imperial, vol. X. 1949. 0 original se encontra no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Portugal.)Igreja da Graça, em Olinda — Esta fachada é a única que nos resta do século XVI.Graças aos estudos efetuados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e ArtísticoNacional do MEC, podemos ter uma idéia, através desta igreja, do que seriam osprimeiros templos brasileiros. Engenho de Megalpe — Muito embora datando do início do século XVII, este engenho nos dé uma idéia, graças ao seu aspecto de fortaleza, da insegurança dos primeiros tempos de nossa história. (Desenho adaptado da aquarela existente no Documentário Arquitetônico de José Wasth Rodrigues.)
  19. 19. A CONQUISTA DO NORDESTE E DO os missionários e a classe escravista. EssaNORTE oposição de interesses constitui um dos fundamentos da Revolta de Beckman, no Maranhão (1684/85). A instalação do Governo-Geral conferiu 0 encarte ilustra a entrada de Pedroà defesa do domínio colonial português a Teixeira, que estabeleceu comunicaçõesnecessária coordenação e eficiência. Ao entre o Estado do Maranhão e as áreasterminar o século XVI, ele já era continuo mineradoras do Vice-Reino do Peru, alémdesde Salvador (1549) a Natal (1599). de assegurar a posse portuguesa de gran- No entanto, o Extremo Norte permane- de parte do vale amazônico.ceu isolado devido às dificuldades de co-municação entre a Costa Leste-Oeste e oEstado do Brasil e à impossibilidade deexpandir a produção açucareira em solospobres e arenosos. Esse isolamento favo-receu tentativas de ocupação estrangeira:franceses no Maranhão, mais tarde noAmapá, e holandeses e ingleses que trafi- Missionário jesuíta — As ordens religiosas colabora-cavam drogas do sertão no estuário ama- ram, de maneira decisiva, na fixação do elementozônico. indígena. Graças a isso, o povoamento das terras do Norte pôde ser efetuado com maior rapidez. (Dese- A vigência da União Ibérica — nho composto segundo o retrato do Padre Ma/agri-1580-1640 — agravou essa competição da, existente no vol. VIII da História da Companhiacolonialista e teve como efeito o estimulo de Jesus no Brasil, do Padre Serafim Leite.)às iniciativas de colonização do ExtremoNorte. Em 1621 foi instituído o Estado doMaranhão (mais tarde do Grào-Pará eMaranhão), separado do Estado do Brasile cujos limites se estendiam da CapitaniaReal do Ceará ao Vice-Reino do Peru. Du-rante o século XVII, nele dominou a ativi-dade extrativa das drogas do sertão, àqual se articulavam a criação de gado e aagromanufatura do açúcar. 0 litoral entreNatal e São Luis permaneceu praticamen-te desabitado, exceção feita do núcleo mi-litar que deu origem á atual Fortaleza. Para facilitar a tarefa colonizadora, oEstado distribuiu sesmaria, doou capita-nias hereditárias e instituiu outras reais eestimulou a catequese. Nesta prática co-lonizadora distinguiram-se os jesuítas, osfranciscanos, os carmelitas e os merce-dários. A exploração do trabalho escravo indí-gena produziu contínuos conflitos entre
  20. 20. índio militarizado — 0 Ihdio foi muito solicitado como guerreiro contra estrangeiros e selvagens re- belados. Observe-se o emprego do couro na indu- mentária, como conseqüência da expansão da pe- cuária, fator essencial no povoamento do sertão. (Desenho segundo um códice do século XVIII exis- tente no Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro.) Soldado do século XVII — A ocupação do Nordeste e do Norte foi feita, sobretudo, em base militar. Para tornar efetivo o domínio português naquelas terras, os colonos tiveram que lutar contra estrangeiros e índios. (Desenho segundo elementos da indumentá- ria militar do século XVII.) Aldeia missionária — As missões eram povoados em que se reuniam populações indígenas sob a direção de religiosos. Sua estrutura econômica, onde se articulavam elementos feudais, já se organizava em base mercantil. (O desenho de Zacarias Wagner, da comitiva do Conde João Maurício de Nassau Siegen, serviu de base a esta reconstituição de um estabelecimento missionário em Pernambuco.)índio tupinambé do Maranhão — Para fortalecer oseu domínio no Maranhão, os franceses procuraramaliar-se aos Tupinambés. Vários desses índios estive-ram na Europa onde foram tratados com grandeshomenagens, batizados a cumulados de presentes.0 desenho mostra um deles com traje francês, usa-do por ocasião de seu batismo e primeira comu-nhão. (Desenho tirado do original que ilustra o livrode Claude dAbbeville: História da Missão dos Pa-dres Capuchinhos na Ilha do Maranhão.
  21. 21. BANDEIRAS DOS SÉCULOS XVII E dos sertanistas vicentinos frustraram a diversificação social e a qualificação doXVIII ação desses representantes do colonialis- Brasil como o centro econômico dos do- mo espanhol. mínios portugueses. O sertanismo de contrato articulou-se 0 primeiro encarte informa as áreas de As bandeiras, organizadas pelos pro- aos interesses dos produtores de açúcar, conflito entre as bandeiras escravizadorasprietários do planalto de Piratininga, aten- ameaçados pelos quilombos de Palmares, de índios e as frentes pioneiras espanho-diam inicialmente á busca de escravos in- e dos fazendeiros de gado, cuja atividade las nos atuais territórios do Paraná, Riodígenas, já que os rendimentos locais não exigia novas terras para se desenvolver. Grande do Sul e Mato Grosso. 0 outro,suportavam os gastos com a importação Numerosos bandeirantes deslocaram-se segundo estudos de Sérgio Buarque dede africanos. A ocupação de portos ne- para o Leste e o Nordeste, onde mais tar- Holanda, ilustra o Caminho das Monções,greiros na África pelos comerciantes ho- de se fixaram nas terras que receberam que articulava São Paulo e Cuiabá.landeses conferiu a essa atividade regio-nal da Capitania de São Vicente um estí- como retribuição àqueles serviços em Pal-mulo mercantil poderoso: a exportação mares e reprimindo a Confederação dosde escravos indígenas para as áreas açu- Cariris.careiras do Rio de Janeiro, Bahia e mes- Outros sertanistas aceitaram os estímu-mo de Pernambuco. los do Estado português dedicando-se à A caça ao índio provocou conflitos com pesquisa mineral. Em 1695 descobriu-sea frente pioneira hispano-jesuítica, que, a ouro em Minas Gerais. O extrativismo dopartir de Assunção, buscava alcançar o ouro e do diamante impulsionou o povoa-Atlântico (Guairá, Uruguai e Tape) e arti- mento da Região Centro-Sul, disto resul-cular-se ao Alto Peru (Itatín). Os ataques tando a ampliação da rede urbana, maior
  22. 22. Mapa de D. Luis de Céspedes Xeria — Este governa- dor espanhol do Paraguai viajou por terra de São Paulo a Assunção e traçou o primeiro mapa da região. (O original se encontra no Arquivo de índias, em Sevilha.) Candeeiro, adaga e espada dos séculos XVII e XVIII.Bandeirante — Observe-se o uso do "escupil" feitode couro, acolchoado e que protegia contra as fle-chas dos índios. (Desenho segundo as descriçõesdos jesuítas, especialmente Montova, narrando osataques às missões espanholas feitos por bandeiran-tes vicentinos.)Casa da Câmara da Vila de São Paulo — As câmarasmunicipais foram um dos primeiros núcleos de resis-tência és imposições do governo português. (0 dese-nho reproduz a reconstituiçào feita por José WasthRodrigues, segundo o original do mapa de D. Luis deCéspedes Xeria.)
  23. 23. A ECONOMIA NO SÉCULO XVII em direção ao Prata. Esta última atividade econômica serviu de base á tentativa de acesso terrestre ao comércio com Buenos A pecuária, antes limitada aos enge- Aires e os centros mineradores do Vice-nhos, expandiu-se, valorizando as terras Reino do Peru. Esse intercâmbio, o co-do interior em que era antieconômica a mércio peruleiro, já se realizava por viaprodução de açúcar. Não exigindo grande marítima e articulava o Rio de Janeiro ecapital inicial, oferecia condições aos que Buenos Aires e constituiu um dos deter-não dispunham de recursos para investir minantes para a fundação da Nova Colô-nas regiões produtoras de açúcar. Na cria- nia do Santíssimo Sacramento, em 1680.ção de gado desenvolveram-se relaçõesde produção que se assemelham às daetapa de declínio do feudalismo: o vaquei-ro era juridicamente livre e participava doproduto. A agromanufatura do açúcar desenvol-veu-se sob o estimulo de condições favo-ráveis, embora entrasse em crise na se-gunda metade do século XVII. Esta mu-dança foi em grande parte determinadapela retração do mercado consumidor eu-ropeu e pelo desenvolvimento de centrosconcorrenciais nas Antilhas. A penetração no vale amazônico e no Maranhão foi impulsionada pelo extrati- vismo das drogas do sertão, coletadas por escravos indígenas. No entanto, o povoa- Negra — As necessidades econômicas, sobretudo mento regular teve para apoiá-lo a produ- as da produção de açúcar, provocaram a intensifica- ção da escravidão africana do Brasil. Por esta razão, ção de açúcar, a pecuária e a agricultura o litoral do Nordeste possui uma grande densidade não organizada para a exportação. A utili- de população negra e mestiça, além de numerosas zação de escravos indígenas, sobretudo contribuições africanas na culinária, na música e na nos engenhos, e a insuficiência de recur- religião. (Desenho segundo original de Frans Post.) sos para a importação de africanos tive- ram como efeito o levante de proprietá- Engenho — A expansão da agromanufatura do açú- rios conhecido como a Revolta de car no Nordeste atraiu a cobiça de estrangeiros, Beckman. notadamente dos holandeses. Apesar das crises que periodicamente ocorriam, as exportações de açúcar O mapa também assinala a exploração foram as dominantes até a primeira metade do do ouro de lavagem na Capitania de São século XIX. (Desenho baseado em uma tela de Frans Vicente e a expansão da criação de gado Post e pertencente é coleção de J. de Souza Leão.)
  24. 24. EXPANSÃO TERRITORIAL A ação de diversas frentes pioneiras, apartir do século XVI, excedeu o meridianode Tordesilhas e incorporou ao domínioportuguês territórios que deveriam perten-cer à Espanha. Uma das principais áreasde atrito localizava-se no Rio da Prata,onde estava situada a Nova Colônia deSantíssimo Sacramento, em terras atual-mente uruguaias. A outra era o Amapá,pretendido pelos franceses, sem que essareivindicação tivesse qualquer apoio paralegitimá-la, salvo o interesse em ocupar amargem esquerda do Amazonas. Pelo Tratado de Utrecht de 1713, aFrança reconheceu o Oiapoque como limi-te entre a sua Guiana e o Brasil. Com aEspanha foram assinados os Tratados deMadri (1750) e o de Santo lldefonso(1777). 0 primeiro legalizava as incorpo-rações territoriais luso-brasileiras, definin-do praticamente o contorno atual do Bra- Guarani da Missão de San Juan Bautista — Estasil. Em compensação, a Espanha assegu- missão espanhola, em terras gaúchas, foi erguidarava a posse da maior parte da bacia Pla- pelo Jesuíta Antonio Sepp. Chama-se atualmentetina, a Colônia do Sacramento e as Filipi- São João Velho. No traje da figura, o poncho, as esporas, a cruz. Juntamente com os detalhes arquite-nas. 0 primeiro mapa ilustra essas infor- tônicos. configuram a nova estrutura social missio-mações e mostra também o alcance má- neira, bem diferente da comunidade indígena que aximo do expansionismo colonial, o Uru- precedeu. (Desenho segundo o mapa figurado exis-guai (1821/28). tente em Simancas, Espanha.) 0 segundo mapa indica as regiões inva-didas por estrangeiros, como efeito dadisputa colonialista que se desenvolveu a índio minuano — Este subgrupo dos Charruas per-partir do século XVI. 0 terceiro esclarece maneceu independente, reagindo à dominação colo-a tentativa de ocupação mais ambiciosa: nial. O desenho permite compará-lo com os guara- nis aldeados pelos missionários. Observem-se a co-a holandesa. bertura de pele, a lança muito comprida e as bolea- 0 último mapa destaca as transforma- deiras, depois utilizadas pelos vaqueiros gaúchos.ções dos limites de acordo com as deci- (Desenho composto com elementos do Diário do Dr.sões estabelecidas em 1750 e 1777. A José de Saldanha. 1787.1perda definitiva da Colônia do Sacramen-to e o limite Extremo Sul no arroio Chuí,que resultaram do Tratado de Santo llde-fonso, e os Sete Povos das Missões, cedi-dos a Portugal pelo Tratado de Madri. Noentanto, a sua incorporação definitiva sóocorreu em 1801, após a guerra peninsu-lar entre Portugal e Espanha. Sargento holandês com alabarda — A Nova Holan- de estruturou-se na base da exploração comercial do açúcar, no controle dos centros urbanos e na ocupação militar. Durante o governo do Conde, de- pois Príncipe, João Maurício de Nassau Siegen. houve relativa paz que favoreceu a recuperação eco- nômica do Nordeste. Durante a sua administração, ergueu-se o Pelãcio das Torres ou Friburgo, que se vã no segundo plano. (Desenho de acordo com Barleus e pintores holandeses da época.)
  25. 25. A ECONOMIA E MOVIMENTOS NATI- lação aos mercados europeu, africano e deiros pela articulação com o extrativismoVISTAS NO SÉCULO XVIII rio-platense. Como efeito desta hegemo- salineiro no Nordeste e no Sul. nia econômica, a capital do Estado do O mapa também localiza os conflitos Brasil foi transferida de Salvador para o de interesse coloniais e metropolitanos. O extrativismo mineral do ouro e do Rio de Janeiro, em 1763. Esta oposição manifestou-se em revoltasdiamante transformou o Centro-Sul em A crise econômica determinada pelo e conspirações, estas últimas já progra-área dominante, â qual se subordinaram declínio da mineração, na segunda meta- mando a emancipação política do Brasil.outros centros produtores, notadamente de do século XVIII, foi atenuada pela res-os do açúcar e os pecuaristas. A formação surreição agrícola, que valorizou o açúcarde um setor de consumo interno nas Ca- e o algodão, principalmente. Também apitanias de Minas Gerais, Goiás e Mato pecuária passou a figurar nas exportaçõesGrosso, ainda que temporário, diminuiu a de couro e de sola, além de registrar oexcessiva dependência econômica em re- desenvolvimento das charqueadas e sala-
  26. 26. Bateia, almocafre (enxada empregada em minas) emáquina de cunhar moedas —A descoberta das mi-nas teve grande influência na economia brasileira. 0uso da moeda fa do desenho data de D. Maria I) me-tálica tornou-se maior, embora, em certas regiões,continuasse a troca comercial baseada em produtoscomo o cacau, o algodão etc.Palácio dos Governadores, em Ouro Preto — Amineração forneceu a bese econômica para que VilaRica constituísse um centro de produção artísticabarroca. Um bom exemplo desta atividade é a atualEscola de Minas, que o desenho mostra com seuaspecto primitivo. (Desenho segundo a reconstitui-ção do Prof. J. Wasth Rodrigues, publicada na Re-vista do Serviço do Patrimônio Histórico e ArtísticoNacional, nº 4.) Cabocla do Amazonas — Até o século XVIII, o indígena foi o trabalhador mais importante na Re- gião Norte, como escravo, servo nas missões e juridicamente assalariado após a libertação decreta- da pelo Marquês de Pombal, em 1755. Sua partici- pação, embora fundamental, sofreu a ação modifica- dora de outros agentes sociais, sobretudo a de imigrantes europeus e dos escravos africanos. (De- senho segundo o que ilustra a Viagem Filosófica, de Alexandre Rodrigues Ferreira — século XVIII.)
  27. 27. O IMPÉRIO DO BRASIL— 1822-1889 A instalação das Províncias do Amazo-nas e do Paraná aumentou as unidadesadministrativas que se haviam constituí-do nas Etapas Colonial (1500-1808) ede Transição para o Estado Nacional(1808-1822). 0 número restrito de novasdivisões territoriais resultava principal-mente do declínio ou da insuficiência dasrendas de certas atividades econômicasinterioranas, como a mineração e a pe-cuária, respectivamente. A importânciadas exportações de açúcar, de algodão esobretudo do café acentuou o desequilí-brio demográfico em benefício da orlamarítima. Um dos efeitos dessa mudançafoi a transferência das capitais das Provín-cias do Piauí, Alagoas e Sergipe para lo-calidades mais próximas do litoral. 0 ou-tro foi o agravamento da carência de co-municações terrestres que chegou a pro-duzir problemas internacionais. A articula-ção de Mato Grosso com o Rio de Janeirorealizava-se através da bacia do Prata e Casa residencial — A partir da Abertura dos Portos,esta dependência produziu conflitos, dos a Formação Social Brasileira articulou-se diretamen-quais o mais grave foi a Guerra da Tríplice te aos grandes centros mundiais, entre eles Paris.Aliança (1864-1870). Cm 1816 chegou ao Rio de Janeiro a Missão Artísti- ca Francesa, cuja orientação estética neoclássica 0 mapa mostra a permanência do con- tornou-se, então, a dominante.torno territorial já fixado no século XVIII,exceção feita das áreas litigiosas. Destas,somente a da fronteira com o Paraguai foifixada pelo Tratado de Assunção, que en-cerrou diplomaticamente a Guerra da Trí-plice Aliança. As demais foram resolvidasna Etapa Republicana, quando tambémfoi incorporado o Acre, depois de entendi-mentos com a Bolívia e o Peru. Observem-se, também, os locais daGuerra da Independência e os dos confli-tos produzidos pela oposição de interes-ses entre a hegemonia do Sudeste e asdemais regiões brasileiras, desde a Confe-deração do Equador (1824) á RevoluçãoPraieira (1848). Soldado de 1823 — A Guerra de Independência desenrolou-se principalmente na Bahia e nela inter- vieram tropas populares. O traje do soldado ilustra a importância da pecuária na economia e na indumen- tária sertanejas. (Desenho tirado do livro Uniformes do Exército Brasileiro, G. Barroso e J. Wasth Rodri- gues.) Dama da corte do Primeiro Reinado — 0 traje, de inspiração francesa, foi reinterpretado ao gosto na- cionalista, presente nas cores do manto verde comFarroupilha — Segundo um quadro existente no bordados a ouro. (Desenho segundo o original deMuseu de Bolonha, Itália. Debret.)
  28. 28. A E C O N O M I A NO SÉCULO XIX Embora a economia permanecesseagrária e escravista, subordinada ao setorde consumo externo, a partir da segundametade do século começaram a se imporas atividades econômicas em regime capi-talista. O café, cujas exportações supera-ram o algodão e o açúcar, manteve suahegemonia apesar da mudança do traba-lho escravo pelo assalariado. Em sua pri-meira etapa, enriqueceu os proprietáriosfluminenses, mineiros e paulistas. Foitambém na Província de São Paulo que ocafé passou a ser produzido por trabalha-dores livres e assalariados, nacionais e es-trangeiros. No Extremo Norte iniciou-se oextrativismo da borracha, realizado princi-palmente por imigrantes nordestinos. As exportações de café destinadas prin-cipalmente ao setor de consumo nor-te-americano aumentaram a receita e di-minuíram a dependência comercial em re-lação à Inglaterra. Um dos efeitos dessanova situação foi o protecionismo alfan-degário, adotado em 1844, que dificulta-va as importações estrangeiras. Essesdois elementos, articulados à abolição dotráfico negreiro, em 1850, e aos investi- Fazenda fluminense — Na antiga Província do Riomentos estrangeiros, produziram condi- de Janeiro localizou-se o centro dominante da pro- dução escravista do café, posteriormente superadoções para que se ampliasse a rede bancá- pelas fazendas capitalistas de São Paulo.ria, as facilidades de crédito para a aplica-ção em serviços urbanos, ferrovias e nasprimeiras indústrias. Nessa conjuntura si-tuam-se as múltiplas iniciativas capitalis-tas do Barão e Visconde de Mauá, dasquais e mais ambiciosa foi a tentativa deimplantação do Estaleiro da Ponta daAreia, em Niterói. Nessas novas condições, o trabalho es- Escudo do Brasil Império — Os ramos de fumo e decravo tornou-se antieconômico pela sua café mostram duas das principais riquezas do Brasilpequena capacidade consumidora. Os se- imperial; as estrelas, as províncias; a cruz de Cristo etores capitalistas, constantemente refor- a esfera armilar, a herança lusitana.çados, aumentaram a pressão abolicionis-ta, que produziu a Lei Visconde do RioBranco, a Saraiva-Cotegipe e, finalmente,a Lei Áurea, em 1888. Negra mina — A influência árabe é sensível neste traje de baiana. O turbante, os balangandãs, o pano listrado, o uso da cor branca resultaram dos contatos comerciais entre as formações sociais norte-africa- nas e outras partes do continente.A "Baronesa" — O nome homenageia o Barão eVisconde de Mauá, cuja ferrovia pioneira inaugurou- se em 1854. A ampliação das estradas de ferroresultou principalmente no aumento das exporta-ções, sobretudo as do café.
  29. 29. Lanceiro de Rosas, segundo um desenho de CarlosMorel. Relíquias guerreiras — No alto, um estandarte brasi- leiro de regimento de cavalaria, bandeiras do Para- guai, da Argentina (no tempo de Rosas) e a uru- guaia, e flâmulas do Brasil e do Paraguai. Embaixo, armas diversas, tambor paraguaio, couraça de lan- ceiro de Rivera e as barretinas dos regimentos para- guaios Acá Verá e Acá Carayà. Estes nomes guara- nis significam, respectivamente, "cabeça brilhante" e "cabeça de macaco"
  30. 30. 1 OCUPAÇÃO DA BANDA OCIDENTAL REVOLUÇÃO CISPLATINA E GUERRA 2 CONTRA AS P. UNIDAS DO RIO DA PRATA 3 GUERRAS DE ORIBE E OE ROSAS 4 GUERRAS DE AGUIRRE E DO PARAGUAI 5 GUERRA DO PARAGUAI 6 A DEZEMBRADA E A CAMPANHA DAS CORDILHEIRASGUERRAS NO SÉCULO XIX o maior conflito armado da América do Sul. 0 encarte destaca a Dezembrada, com as vitórias obtidas sob o comando de Os conflitos internacionais localizaram- Caxias, e a Campanha da Cordilheira,-se principalmente na região platina, cujos onde foram derrotadas as últimas forçasrios garantiam as comunicações com Ma- de Solano López.to Grosso. Este e outros problemas resul-taram em guerras das quais a mais impor-tante foi a da Tríplice Aliança (1864- 1870), contra o Paraguai. 0 primeiro mapa mostra a intervençãoluso-brasileira na Banda Oriental do Uru- Gaúcho brasileiro — Devido à posição limítrofe, osguai, que foi anexado ao Brasil como Pro- habitantes da antiga Província de São Pedro do Piovíncia Cisplatina, em 1 8 2 1 . 0 seguinte Grande do Sul foram muito solicitados nas lutas em que o Brasil se envolveu no Rio da Prata. No unifor-ilustra a Revolução Cisplatina e a guerra me deste soldado foram aproveitados diversos ele-contra as Províncias Unidas do Rio da mentos da indumentária dos vaqueiros das es-Prata. Delas resultou a independência do tâncias.Uruguai, que foi reconhecida em 1828pelo Tratado do Rio de Janeiro. As campanhas contra Oribe e seu alia-do Rosas podem ser estudadas no mapaseguinte. Os últimos informam a guerracontra Aguirre e a da Tríplice Aliança, esta
  31. 31. AS TRANSFORMAÇÕES DA MÃO- res assalariados, e na pecuária, o vaquei- sas, como ocorreu nas entradas amazôni--DE-OBRA ro tinha direito a uma parte menor do cas e maranhenses ou nas bandeiras vi- produto, como no sistema econômico centinas. De forma menos freqüente, con- feudal. seguiam-se escravos pela prática do es- O emprego de trabalhadores escravos No entanto, a reprodução da estrutura cambo, isto é, troca de prisioneiros deresultou da organização de uma estrutura econômica era determinada basicamente guerras intertribais por produtos forneci-econômica subordinada aos interesses do pela exploração do escravo indígena e dos pelos proprietários escravistas. Váriassetor de consumo externo. No entanto, africano. O primeiro era obtido por apre- vezes proibida, outras tantas permitida, aembora fosse dominante a participação samento direto e não através de um inter- escravidão indígena foi oficialmente extin-dos escravos, também se desenvolveram câmbio regular, como ocorria com os tra- ta pelo Marquês de Pombal, em 1755.outros tipos de relações sociais de impor- balhadores importados da África. Comu- A escravidão de africanos permaneceutância mais limitada. Na agromanufatura mente era capturado depois de ataques até o século XIX. Em 1850, sob pressãodo açúcar, por exemplo, havia trabalhado- às aldeias indígenas, às missões religio- dos interesses capitalistas nacionais e es-
  32. 32. trangeiros, notadamente da burguesia in-glesa, o tráfico negreiro foi abolido. Comisso, a reprodução do trabalho escravo fi-cava condicionada ao crescimento vege-tativo no Brasil. A manutenção do traba-lhador escravo tornou-se gradativamenteantieconômica, na medida em que se de-senvolviam as formas de produção capita-listas. A última grande área de manuten-ção da economia escravista foram as fa-zendas de café. O seu declínio, sobretudono final do século XIX, fortaleceu a cor-rente abolicionista, que se tornou vitorio-sa em 1888. Já então as relações de tra-balho assalariado se haviam imposto, in-corporando trabalhadores nacionais e imi-grantes estrangeiros. No encarte, segundo Aroldo de Azeve-do e Renato Mendonça, as linhas do tráfi-co negreiro e as áreas lingüísticas africa-nas que interessam ao Brasil. Negro escravo — As fugas, a organização de qui- lombos e as revoltas urbanas foram práticas de reação dos africanos e dos seus descendentes à dominação escravista. O colar de ferro identificava os escravos capturados depois de uma tentativa frustrada de evasão. (Desenho segundo Debret, sé- culo XIX.) Índia — A escravidão indígena coexistiu com e de africanos até o século XVIII. Ela foi a relação de trabalho mais importante na Amazônia, no Mara- nhão e em São Vicente, principalmente. (Desenho segundo Frans Post, século XVII.) Vista de Petrópolis em 1870 — Petrópolis, Nove Friburgo, Blumenau, São Leopoldo, e outras cidades brasileiras são resultado da colonização estrangeire. Graças a esses imigrantes ampliou-se o trabalho livre em nossa pátria. (Desenho segundo fotografia de Marc Ferrez.)Vaqueiro — Na pecuária, as relações de trabalhoassemelhavam-se ás do sistema feudal. Elementosmedievais, sobretudo portugueses, permanecemreinterpretados na produção folclórica das áreas decriação de gado no Nordeste. (Desenho segundouma aquarela de Landseer.)
  33. 33. QUESTÕES I N T E R N A C I O N A I S Na Etapa Republicana, anterior à Revo-lução de 1930, foram solucionadas asquestões de fronteira que ainda se manti-nham. Optando pelo arbitramento, o Go-verno brasileiro pôde resolver satisfatoria-mente as divergências com a Argentina ea França. Na defesa dos direitos do Brasilatuou o Barão do Rio Branco, mais tardeMinistro das Relações Exteriores. Apenaso território litigioso do Pirara, disputadopela Grã-Bretanha, recebeu uma decisãoarbitrai menos favorável, apesar dos es-forços de Joaquim Nabuco. A questão mais grave foi a do Acre.Trabalhadores nordestinos que buscavamnovas reservas de seringueiras penetra-ram pelos rios Purus, Juruá e Javari, poronde alcançavam territórios pertencentesà Bolívia e ao Peru. A ocupação dessasáreas por frentes pioneiras do Brasil tevecomo resultado choques armados comforças bolivianas. Os efeitos desses confli-tos foram limitados pela abertura de ne-gociações diretas dirigidas pelo ChancelerBarão do Rio Branco. Pelo Tratado de Pe- Seringueiro — O desbravamento e ocupação detrópolis, o Governo da Bolívia concordou várias áreas da Amazônia foi estimulado pelo extrati-em ceder a região contestada, recebendo vismo da borracha, realizado principalmente por tra-em troca uma indenização e o compro- balhadores nordestinos. Sua presença foi tambémmisso da abertura da Estrada de Ferro marcante na incorporação do Estado do Acre ao Brasil.Madeira—Mamoré. Posteriormente, oTratado do Rio de Janeiro, assinado como Peru, completou a incorporação do atualEstado do Acre ao Brasil. Além de participar constantemente dasdiversas etapas da política pan-america-na, o Brasil também interveio nas duasGuerras Mundiais. Especialmente na Se-gunda, a colaboração com os aliados ma-nifestou-se no fornecimento de recursoseconômicos, em facilidades ao aproveita- Soldado da FEB — O "pracinha" tornou-se motivo de orgulho na contribuição brasileira em prol damento estratégico do litoral brasileiro e democracia. Seu heroismo granjeou-lhe a estime e ano envio de tropas á Itália. O mapa da admiração de nossa gente, dal o apelido carinhosoSegunda Guerra Mundial assinala as prin- com que se popularizou.cipais operações militares, entre elas asvitórias de Monte Castelo e de Montese. Paisagem amazônica.
  34. 34. te-americanos e de nossas próprias concepções, procuramos seguir os programas, visando proporcionar aos estudantes os ele- mentos indispensáveis para que obtenham, nessas peças carto- gráficas, os dados necessários a uma melhor compreensão do pas- sado americano. Partimos dos grupos pré-colombianos e das culturas mais im- portantes que elaboraram, registrando o que nos pareceu funda- mental para caracterizá-los. A conquista e o domínio dos euro- peus foram indicados em várias cartas, em que procuramos distin- guir as empresas de colonização uma das outras, de maneira a permitir uma informação mais nítida do que cada uma represen- tou. No particular da ação da Espanha, tivemos a preocupação de estudar separadamente a conquista, a colonização e a organiza- ção do domínio. É que numa carta única seria difícil assinalar oshistória da América episódios de maior importância. A conquista por si é uma página distinta, como o capítulo seguinte tem também sua esfera própria. Era necessário, ademais, fixar, além da atuação dos governantes civis, a que convencionamos chamar de conquista espiritual, efe- tuada pelas Ordens Religiosas, e a dos homens de negócio, que foram motivação fundamental na operação do Novo Mundo. A aproximação, a vinculação entre os povos americanos, temsido incentivada na base de entendimentos comerciais, que pro- A independência está apresentada em vários mapas de maneiraduzem realmente um resultado positivo, mas não suficiente para a permitir uma idéia precisa dos vários movimentos que ocorre-assegurar a compreensão política e cultural. Restringindo-se a ram, nas suas diferenças de tempo, de espaço e de processos,certas áreas, essa vinculação não tem sido levada a todas as inclusive as marchas dos exércitos libertadores.camadas da humanidade continental, de maneira a criar um espí- Dos Estados Unidos figuram, além da parte relativa à indepen-rito efetivamente americano. Tem faltado a esse esforço apreciá- dência, os episódios da guerra de Secessão e da formação davel a revelação, aos povos que compõem o quadro político do base física, isto é, a ampliação de seu território, bem como de suaNovo Mundo, do que eles são, do que valem, do que estão efe- projeção exterior, nas Antilhas e no Pacífico.tuando e de como se vêm comportando no andar dos anos. Os conflitos militares posteriores às jornadas da independênciaRevelação que deve partir das raízes coloniais para chegar aos foram cartografados num mínimo de detalhes. Tivemos, assim, onossos dias, quando as conferências, os acordos e os órgãos de propósito de evitar o avivamento de fatos que, se não podem serelevados objetivos tentam a grande tarefa da solidariedade mais esquecidos pelo que representam nos fastos nacionais de váriospositiva. países, devem ser menos utilizados quando porfiamos para elabo- Há toda uma imensa necessidade de, através da História, escla- rar uma consciência de americanismo que se deve afirmar emrecer a América a propósito da conveniência, cada dia mais impe- sentimentos pacifistas e nâo em hegemonias resultantes de açõesrativa, de integrar-se num conjunto fraterno, essencial ao seu drásticas.desenvolvimento e à sua dignificação, pondo-se termo às diferen- O mapa relativo à América em nossos dias inclui o Canadá comças que encontram seu maior destaque no que chamamos hoje de certo relevo, pelo que ele representa como realização atual nosubdesenvolvimento. Não se poderá criar a grande família ameri- campo do progresso. Foi nosso propósito mencionar todos oscana enquanto os povos que a devem formar se ignorarem e, grandes momentos em que os povos americanos, em conferên-portanto, não se puderem estimar. cias e assembléias pacíficas, procuraram dar sentido pragmático O ensino da História da América, por isso mesmo, impõe-se, aos projetos e anseios de solidariedade. Igualmente, os movimen-como um dos melhores instrumentos para essa obra de tamanha tos migratórios que trouxeram nova seiva ao desenvolvimentosignificação, levando a um máximo de indivíduos a lição admirável continental e a contribuição das Américas nos sucessos militaresdas gerações de ontem. Ensino da História realizado com a preo- que, em duas épocas do século XX, determinaram modificaçõescupação de indicar as fases mais decisivas do processo de forma- profundas na vida universal.ção e de crescimento dos países que resultaram da aventura Por fim, queremos explicar que o Brasil, por haver parte espe-européia, iniciada pelos portugueses, continuada pelos espanhóis, cial a ele consagrada, apenas é referido no essencial para umapelos franceses, pelos ingleses e pelos holandeses, e assegurada, compreensão, em termos de comparação, da sua presença nana continuidade temporal, pelo trabalho construtivo de seus na- comunidade americana.cionais. Nos mapas que organizamos, servindo-nos da experiência deconsagrados mestres portugueses, espanhóis, franceses e nor- Arthur Cézar Ferreira Reis
  35. 35. M I G R A Ç Õ E S E D I S T R I B U I Ç Ã O GEOGRÁFICA DOS P R I N C I -PAIS G R U P O S I N D Í G E N A S A origem do primeiro habitante da América não se encontra aindadefinitivamente assentada. Afirmam alguns historiadores que o ho-mem da América é originário do próprio território americano. Asse-veram outros estudiosos que foi em virtude de movimentos migra-tórios oriundos do Pacífico que se operou a vinda dos seres huma-nos para o nosso continente, através de vias marítimas ou terrestre(estreito de Bering). Os principais grupos indígenas encontrados pe-los descobridores europeus foram os seguintes: Esquimó, Algonqui-no, Sioux, Shoshone, Nahua, Asteca, Pano, Araucano, Pampa, Je,Diaguita, Guaicuru, Chiquito, Guató, Maia, Chibcha, Aruaque, Quí-chua, Aimara, Bororó e Tupi-Guarani.
  36. 36. A AMÉRICA PRÉ-COLOMBIANA As culturas primitivas americanas são geralmente classificadas terceiro no México — distinguiram-se dos demais pela organiza-em quinze grupos, como se vê no mapa maior. Para tal classifica- ção política, religião, monumentos materiais e espirituais, sistemação foram observados os tipos de habitação, remos de embarca- de vida, comércio, produção artística e literária, conhecimento dações, alimentação, vestuário, cultura da mandioca, obtenção do matemática e da astronomia. A cidade de Cuzco era a capital dofogo, tecido, uso de trombeta. Três Impérios — Inca, Maia e Império Inca, e Tenochtitlán, a do Império Asteca. À chegada dosAsteca, o primeiro no Peru, o segundo na América Central e o espanhóis, o Império Maia estava em decadência.
  37. 37. V I A G E N S DOS E S P A N H Ó I S As quatro viagens de Cristóvão Colombo acham-se indicadasnos roteiros ao lado como também a da primeira volta ao mundorealizada por Fernão de Magalhães e Sebastião Elcano, que subs-tituiu o navegador português a serviço dos reis da Espanha. Os roteiros das viagens de outros navegantes espanhóis, no 1º século do achamento da América, Vicente Yãnez Pinzón, JuanDias de Solis, Alonso de Ojeda e Diogo de Lepe encontram-seigualmente assinalados em outro mapa e constituem uma contri-buição ponderável para o esclarecimento da dúvida se Colombochegou às índias por um caminho que não aquele encontradopelos portugueses, ou a um outro continente.
  38. 38. C O N Q U I S T A ESPANHOLA tos militares, ao longo da costa, marca- ram a vitória e a permanência dos con- quistadores, cuja atuação drástica provo- A conquista da América pelos espa- cou campanha contra Espanha, contidanhóis começou pela região das Antilhas. no que se denominou de "lenda negra". AA ilha de Híspaniola foi a primeira terra superioridade de armas e de técnica naocupada. ação militar explicam a rapidez e o êxito Em seguida os conquistadores espraia- da conquista. Missões religiosas realiza-ram-se continentes afora, após duros e ram então obra de pacificação e de con-cruéis combates com os indígenas. Distin- quista espiritual dos gentios, pondo fimguiram-se na façanha militar: Hernão Cor- ao conflito armado. As principais Ordenstez, no México; Francisco Pizarro, no Pe- Religiosas foram: Jesuítas, Mercedários,ru; Diego de Almagro e Pedro de Valdívia, Franciscanos, Agostinianos, Capuchinhosno Chile. Nos territórios que são hoje a e Dominicanos. As missões mais impor-Venezuela, Colômbia e na região do Rio tantes foram no Paraguai, em Chiquitos,da Prata, a penetração e conquista do es- Mojos, Maynas, no Orenoco e na Califór-paço fez-se menos violentamente e nela nia. As missões jesuíticas do Paraguai al-se distinguiram: Rodrigo de Bastidas, Se- cançaram fama mundial. O Pacífico, reve-bastião de Benalcazar, Nicolas Federman, lado em 1513 pelo navegante espanholD. Pedro de Mendonza, Martínez de Irala Vasco Nunez de Balboa, foi denominadoe Juan de Gara. Cidades e estabelecimen- Mar del Sul.
  39. 39. COLONIZAÇÃO PORTUGUESA e culturais do Brasil colonial, empresa em ram a fronteira e estabilidade interior e que se distinguiram os bandeirantes pau- litorânea da Colônia. O Tratado de Tordesilhas atribuiu a Por- listas e os sertanistas de Pernambuco,tugal, na América do Sul, um território ao Bahia e Amazônia. As missões religiosas,longo do Atlântico. A ocupação do litoral em particular as da Companhia de Jesus,realizou-se no primeiro século da desco- especialmente na Amazônia e no Nordes-berta, começando pelo sistema das capi- te, asseguraram a contribuição pacíficatanias hereditárias. A colheita dos produ- do elemento indígena. Os Tratados detos florestais na Amazônia, a criação de Madri e S. Ildefonso, celebrados respecti-gado nos sertões nordestino e no Extremo vamente em 1750 e 1777, legalizaram aSul, a cultura da cana e a fabricação do expansão bandeirante. Núcleos urbanos,açúcar no Nordeste úmido, a extração do fortificações e administrações locais, re-ouro em Minas, Mato Grosso e Goiás le- presentadas em capitanias-gerais e capi-varam à ampliação do território e à forma- tanias subordinadas, controladas em Lis-ção das várias áreas sociais, econômicas boa pelo Conselho Ultramarino, assegura-
  40. 40. COLONIZAÇÃO ESPANHOLA Os espanhóis, à medida que aumenta-vam suas responsabilidades com a am-pliação da conquista, estabeleceram a se-guinte organização para o domínio dasterras americanas sob sua soberania: 4Vice-Reinados, 4 Capitanias-Gerais, Inten-dências, "Gobernaciones" e, em relação àordem judiciária, Audiências. Em cada nú-cleo urbano funcionava uma edilidade,denominada Cabildo. Os Vice-Reinadosforam: Nova Espanha (México), Peru, No-va Granada (Colômbia e Equador), Prata(Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia).As Capitanias foram: Cuba (Cuba, Flórida,S. Domingos e Porto Rico), Guatemala(América Central), Venezuela e Chile. AsAudiências eram em número de 14. Paraa direção da vida espiritual havia 4 arce-bispados e 31 bispados. 0 controle políti-co e econômico do Império processava-seatravés do Conselho das índias, sediadoem Sevilha, e da Casa de Contratação,sediada em Cádiz. As relações de comér-cio, a principio limitadas de acordo com oregime de monopólio vigente, perderam,no século XVIII, o seu caráter rígido. Omapa indica os principais caminhos docomércio interno e externo.
  41. 41. COLONIZAÇÃO FRANCESA cesa teve menos expressão. Nas Antilhas, a colonização baseou- se na mão-de-obra negra e na produção de gêneros tropicais, Foi pela Terra Nova e pela Acádia, que os franceses principia- principalmente no Haiti, Martinica e Guadalupe. Na América doram, na América do Norte, sua empresa colonial. Prosseguiram-na Sul, além das tentativas no Rio de Janeiro e Maranhão, ocuparamatravés da exploração do rio São Lourenço, onde fundaram Que- a ilha de Caiena, na região das Guianas.bec, Montreal e Porto Real. Samuel de Champlain, Jean Talon,Conde de Frontenac, Marquês de Montcalm distinguiram-se namontagem e na defesa do Império, contestado pelos ingleses.Como o Padre Marquette, Joliet, La Salle, Iberville distinguiram-sena expansão pela Luisiana. Colbert foi o impulsionador da criaçãodo império. Alcançaram depois a região dos grandes lagos é che-garam à bacia do Mississípi e ao golfo do México. A guerra comos ingleses fez com que perdessem os domínios do litoral atlânti-co e os territórios interiores. Na Flórida, a empresa colonial fran-
  42. 42. COLONIZAÇÃO INGLESA Os ingleses iniciaram sua empresa co-lonial na América durante o reinado daRainha Isabel I, estabelecendo-se na TerraNova e, a seguir, na Virgínia, na ilha deRoanoke. As Companhias de Londres e dePlymouth, beneficiárias de doações regiasao longo da Costa Norte da América, de-ram então começo á ocupação de seusterritórios. Em dezembro de 1620, os pe-regrinos, que vieram da Inglaterra pelobarco Mayflower, atingiram Cape Cod,fundando Plymouth, na Região Norte, de-nominada Nova Inglaterra. As demais co-lônias foram: Maryland, Carolina do Nor-te, Carolina do Sul, Geórgia, New Hamp-shire, Massachusetts, Rhode Island, NovaIorque, Nova Jérsei, Pensilvânia e Dela-ware. Ingleses, escoceses e irlandeses,premidos por motivos religiosos e políti-cos, constituíram a grande imigração ini-cial que deu segurança às colônias entãoestabelecidas. No Norte, elaborou-se umaeconomia urbana, enquanto, no Sul, asgrandes propriedades e uma lavoura tropi-cal constituem o fundamento maior dacolonização. Em todas essas colônias ogoverno era constituído pelos próprios co-lonos, sem interferência maior da Coroa,representada por um governador. As as-sembléias locais regulavam a vida re-gional. Os suecos e os holandeses pretende-ram criar áreas coloniais, fundando NovaSuécia e Nova Holanda, mas os inglesesos atacaram e dominaram. A cidade deNova Amsterdã, holandesa, em conse-qüência, passou a ser Nova Iorque.
  43. 43. AS TREZE COLÔNIAS E OS E.U.A. ATUAIS 1 _ Massachusetts 2 _ N. Hampshire3 _ R h o d e Island4 _ Connecticut 5 _ N o v a Iorque 6 _ Nova Jérsei 7 _ Penailvània8 _ Delaware 9 _ Maryland10 _ Virgínia11 _ Carolina do N o n t e12 _ Carolina do Sul13 _ Geórgia
  44. 44. OS ESTADOS UNIDOS NA ÉPOCA DA INDEPENDÊNCIA A mudança da política fiscal, seguida pela Inglaterra sobre as 13 colônias que possuía na América do Norte, determinou o protesto de Filadélfia (5-9-1774). Os in- gleses tinham determinado uma nova tri- butação que não se enquadrava no costu- me constitucional. Os "colonos" reuni- ram-se em Assembléia, lavraram seu pro- testo e fizeram a Primeira Declaração de Direitos, que tiveram repercussão mundial e levaram a pronunciamentos contrários na própria Europa. Os patriotas locais, sob o comando de George Washington, travaram os primei- ros choques armados com as forças regulares. O encontro de Lexington (19-4-1775) iniciou as lutas militares que terminaram em Yorktown (19-10-81), com a rendição final das forças inglesas. Os patriotas norte-americanos tiveram nessa fase da luta o auxílio de forças mili- tares francesas, comandadas por Lafayet- te e Rochambeau, e da Espanha, que lhes proporcionou facilidades materiais. Geor- ge Washington, no comando supremo das forças patrióticas, revelou-se um ex- cepcional chefe militar. A passagem das tropas sob seu comando pelo rio Delawa- re é considerada uma invulgar proeza mi- litar. Um Segundo Congresso Continental, reunido em 4 de julho de 1776, ainda na Filadélfia, aprovou a célebre DeclaraçãoT e a t r o de g u e r r a nas colônias da Independência, redigida por Thomasdo Leste e Centro 1 7 7 5 - 1 7 8 0 Jefferson.
  45. 45. INDEPENDÊNCIA DO MÉXICO E AMÉRICA CENTRAL No México a luta pela independência iniciou-se em Dolo-res (1810-1811), sob a chefia do Padre Miguel Hidalgo, econtinuou-a outro padre. José Morellos y Pavón (1811-1812). Foi uma luta extremamente violenta. Um Congressoreunido em setembro de 1813, na cidade de Chilpancingo,proclamou, a 6 de novembro do mesmo ano, a independên-cia, que veio a ser alcançada, de fato, somente em setembrode 1821, ao fim da dominação espanhola. A América Cen-tral, que se incorporara ao México, proclamou-se indepen-dente, formando, então, as Províncias Unidas do Centro daAmérica. Em 1838, a Federação rompeu-se. Uma a uma, ascinco regiões políticas se foram declarando soberanas: Hon-duras (1838), Costa Rica (1838), Nicarágua (1838), SãoSalvador (1841), Guatemala (1847-48). O Panamá, provín-cia da Colômbia, desligou-se em 1830 daquela república,voltando a incorporar-se a ela no mesmo ano. Em 1903, po-rém, separou-se definitivamente da Colômbia, constituindo--se então, em nação soberana.
  46. 46. EMANCIPAÇÃO O Haiti, colônia francesa, foi a segunda a alcançar a indepen- A luta armada pela independência de Cuba começou emPOLÍTICA DAS ANTILHAS dência. A população escrava, chefiada por Baouckman, Toussaint 19-5-1850, com a tentativa de Narciso Lopes. Carlos Manoel de Louverture e Dessalines, caminhou para a independência sem Cespedes proclamou a independência em 10-10-1868, iniciando brancos a orientá-la, agitada pelos princípios de liberdade, igual- a guerra dos dez anos. Em 1895, começou em Oriente a terceira dade e fraternidade da Revolução Francesa. guerra, que terminou com a intervenção norte-americana, devido Em 23-8-1 793, Santhonax proclama livres os escravos da ilha. A ao afundamento do Maine (15-2-1898) e a destruição da es- independência foi finalmente obtida em 1-1-1804. São Domin- quadra espanhola em Santiago de Cuba (3-7-1898). Chefiou o gos, em 1801, foi dominada pelos haitianos; de 1802 a 1806, movimento, com a pregação libertadora, o intelectual José Marti, esteve em poder dos franceses; Nunez de Cáceres proclamou a morto logo no início do movimento. A empresa militar foi conti- independência (1-2-1820), e, em 1822, voltou ao domínio do nuada por Antonio Maceo e Maximo Gomes. As forças norte-ame- Haiti. Francisco Sánchez, em 1844, reproclamou a independência; ricanas deixaram o país em 1901, quando assumiu o governo o em 1861 voltou ao domínio espanhol; em 1865, com Juan Pablo primeiro presidente da República, Tomaz Estrada Palma. Duarte, a independência tornou-se realidade.
  47. 47. ram organizadas juntas fiéis à Espanha, San Martin, que atravessou os Andes, sain- travada na Bahia (Batalha de Pirajá), noEMANCIPAÇÃO POLÍTICA ante a ameaça francesa ao território sul- do vitorioso, em 1818, na batalha de Mai- Piauí, no Maranhão e no Uruguai (Cisplati-DA AMÉRICA DO SUL americano. A primeira República da Vene- pu. A seguir, San Martin dirigiu-se ao Peru, na). zuela foi proclamada pelo General Miranda, em cuja capital entrou em julho de 1821. A antiga Guiana Inglesa foi declarada in- A ideologia revolucionária, visando a in- em 2-3-1811, mas teve de capitular, em ju- Na Bolívia, as expedições enviadas pelos dependente a 25-5-1966, com o nome dedependência do império espanhol, toma ex- nho de 1812, perante as forças espanholas. argentinos não haviam obtido êxito. A vi- Guiana. A Guiana Holandesa, recentementepressão no século XVII, com a penetração Simon Bolívar iniciou sua vitoriosa campa- tória foi alcançada pelo exército do General declarada independente, adotou o nome dedas idéias do "iluminismo", já nos séculos nha de libertação em Cartagena no mês de Sucre. O Paraguai, vencidos os argentinos, Suriname, permanecendo apenas a GuianaXVI e XVII se haviam registrado pronuncia- outubro de 1812. Os territórios da Colôm- desligou-se da comunidade platina e isolou- Francesa na condição de colônia.mentos de natureza política que podem ser bia e Venezuela foram inicialmente o teatro se. No Uruguai, o General Artigas lutouconsiderados como expressões: de descon- da grande luta. Mais tarde, o movimento li- pela independência contra os espanhóis,tentamento contra a Espanha e de aspi- bertador estendeu-se ao Equador. Em An- argentinos e portugueses. Incorporado aorações liberais. gustura, foi proclamada, em 17 de de- Brasil, em 181 7, a sua independência só foi Em 1806, o General Francisco de Miran- zembro de 1823, a Grã-Colômbia, que alcançada em 1828.da tentou obter a independência da Vene- compreendeu a Venezuela, a Colômbia e o Em Junin e em Ayacucho, no ano dezuela. Em 1810, em face da invasão france- Equador, que por fim romperam a unidade, 1824, os espanhóis sofreram as derrotassa à Espanha e da destituição de seus go- constituindo-se Estados soberanos. que puseram fim ao seu domínio navernantes reais (Carlos IV e Fernando VII), No Chile, a luta foi comandada por Ber- América do Sul.em várias cidades da América espanhola fo- nardo OHiggins e pelo genetal argentino No Brasil, a guerra da Independência foi
  48. 48. EXPANSÃO TERRITORIAL DOS ESTADOS U N I D O S ferrovias, ligando o Atlântico ao Pacifico, facilitaram o povoamen- to desse vasto território, alimentado pelas correntes migratórias européias. A expansão alcançou, no Atlântico, as Antilhas Dane- A expansão territorial dos Estados Unidos começou durante a sas e Porto Rico, hoje Estado Associado; no Pacifico, o arquipéla-Guerra da Independência, quando os colonos ocuparam terras go do Havaí, as Filipinas, Wake e Midway. O canal do Panamásituadas a leste do Mississípi. A Luisiânia foi comprada à França encerrou o movimento de ampliação da base física norte-america-em 1803, por 60 milhões de francos. A Espanha cedeu-lhe a na. A história do deslocamento de fronteira constitui, em conse-Flórida, mediante indenização de 5 milhões de dólares. Através de qüência, o motivo central do processo norte-americano de forma-meios diplomáticos, obteve da Grã-Bretanha o território de Ore- ção. À medida que avançam a fronteira, nas áreas incorporadasgon, as montanhas Rochosas e o rio Santa Cruz, no Maine. A eram criados territórios federais, mais tarde elevados à condiçãoguerra contra o México proporcionou, pelo tratado de paz de de Estados.1848 e mediante a indenização de 15 milhões de dólares, novasáreas: Texas, Novo México, Arizona, Colorado, Califórnia superior.Em 1853, por outra indenização de 10 milhões de dólares, obtevenova retificação da fronteira com o México. Em 1867, comprou daRússia, por 7 milhões de dólares, o que é hoje o Alasca. As
  49. 49. GUERRA CIVIL — 1861-1865 União foram comandadas pelo General Grant, e as da Confedera- ção, pelo General Lee. 0 Presidente da República, Abraão Lincoln, As diferenças entre as colônias do Norte e as do Sul datam do que proclamou a emancipação dos escravos e dominou o conflitoperíodo colonial. A mão-de-obra escrava, no Sul, era o esteio do armado, conseguiu restabelecer a unidade política da nação. Emsistema econômico-social. A eleição de Abraão Lincoln, em 1860, Appomatox (9-4-1865), o General Lee, confederado, rendeu-se ao General Grant, da União. Estava terminada a luta militar. Cincofavorável ao fim da escravatura, favoreceu o rompimento da uni- dias após, Lincoln era assassinado.dade nacional. A Guerra de Secessão foi iniciada pela tomada doForte Sumter, pelos confederados, em 12-4-1861. Os Estados doSul, que inicialmente se separaram da União, eram os seguintes:Carolina do Sul, Geórgia, Flórida, Texas, Luisiana, Mississípi, Ala-bama (4-2-1861). Posteriormente, a Carolina do Norte, Arkansas,Tennessee e Virgínia Oriental aderiram à Confederação. Os Esta-dos de Maryland, Virgínia Ocidental, Kentucky e Missúrirecusaram-se a participar da Confederação. A luta foi longa ecruenta, tendo havido importantes batalhas. As forcas militares da
  50. 50. CONFLITOS A R M A D O S Bolívia ( 1 8 3 6 - 1 8 3 9 ) ; Brasil—ArgentinaNA A M É R I C A DO SUL — guerra contra o ditador Rosas ( 1 8 5 1 - 1 8 5 2 ) ; Espanha contra Chile e Peru (1886); Chile contra a Bolívia e Peru Os anos que se seguiram à conquista (guerra do Pacífico) (1879-1883); Brasil,da independência dos países hispa- Argentina, Uruguai contra Paraguaino-americanos foram muito difíceis. A lu- (1865-1870) e Paraguai—Bolívia (Chaco,ta pelo poder, com o aparecimento de 1932-1935). As lutas do Pacífico e do Pa-candidatos civis e militares, retardou-lhes raguai revestiram-se de aspectos épicosa unidade, dando origem a conflitos inter- em seus encontros terrestres, marítimos enos que lhes puseram em perigo a exis- fluviais, destacando-se os combates detência normal, ameaçando o bem-estar de Angamos, Arica, Riachuelo e Tuiuti. Osuas populações. Dos conflitos armados conflito de Letícia (1932-1933), entre oque perturbaram a paz da família ameri- Peru e a Colômbia, não gerou uma guerra.cana, os mais importantes foram os se-guintes: Brasil—Argentina (1825-1828);Peru—Colômbia ( 1 8 2 8 - 1 8 2 9 ) ; Chile eArgentina contra a Confederação Peru—
  51. 51. A AMÉRICA NO MUNDO de assembléias continentais (do Panamá, em 1826, a Punta del Este, em 1962), pronunciamentos contrários ao regime colonialis- A América alcançou uma posição especial nos quadros do mun- ta (Monroe, 1823), princípios de cooperação e solidariedadedo, marcada principalmente pela estruturação de uma ordem co- (Pan-Americanismo), esforço pelo melhor desenvolvimento econô-mum, a Organização dos Estados Americanos (OEA), e emanada mico (OPA) e acolhimento de multidões de imigrantes, vindos da
  52. 52. Europa e da Ásia. A América participou dos grandes conflitosinternacionais (1914-1918 e 1939-1945), da Sociedade das Na-ções e faz parte da Organização das Nações Unidas (ONU). Seuobjetivo maior é o desenvolvimento econômico, com o aproveita-mento local de seu potencial de solo e subsolo.
  53. 53. ORGANIZAÇÃODOS ESTADOS AMERICANOS
  54. 54. O R G A N I Z A Ç Ã O DOS ESTADOS A M E - dos tempos. De certo modo, vem satisfa- problemática econômica, que se pretendeRICANOS zer os anseios de criação de uma coletivi- solucionar através de mercados comuns e dade continental harmônica, cuja necessi- legislação apropriada, regulatória dos sis- A Organização dos Estados Americanos dade, logo nos inícios da experiência de- temas de produção e de comercialização.resultou da IX Conferência Interamerica- mocrática e soberana que começava a vi-na, realizada em Bogotá, no ano de 1948, ver, era considerada fundamental. O Orga-e tem como sede a cidade de Nova Ior- nograma indica a estrutura e o funciona-que. Sua função é ampla e abrange os mento da OEA.mais variados aspectos das conjunturas No quadro há informação sobre os or-que as Américas enfrentam no decorrer ganismos destinados a ocupar-se da

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