Fernanda Scur
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TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E
COMUNICAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO
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Pesquisa integrante do Programa Conexões Científicas do
AcessaSP, realizado pelo Observatório da Cultura Digital do
NAP Es...
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Resumo/Palavras-Chaves						 4
Introdução									 5
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Resumo:
Este trabalho propõe um modelo para a análise dos sistemas sociais formados por
parceiros de projetos de tecnolo...
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Introdução
Este estudo examina os processos de comunicação dos sistemas sociais formadas
entre parceiros (institucionais...
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A partir dessas premissas, são desenvolvidos os instrumentos (métodos e
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Metodologia
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Os principais instrumentos de coleta de dados a serem utilizados são observação
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b. Padrões de comportamento
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II. Objeto
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Referências Bibliográficas :
BANKS, Marcus. (2001). Visual Methods in Social Research. London, SAGE 		
Publications.
BA...
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FRIEDMAN, T. L. (2005). The World is Flat - The Globalized World in the twenty-
first century.
GIDDENS, A. (1990). The ...
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OECD / IEA. (1999). International Collaboration in Energy Technology: A Sampling of
Success stories. Paris, OECD. (Aces...
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WEHN, R. M. a. U. (1998). Knowledge Societies: Information Technology for
Sustainable Development. New York, Oxford Uni...
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Este trabalho propõe um modelo para a análise dos sistemas sociais formados por parceiros de projetos de tecnologias de informação e comunicação (TIC’s) para o Desenvolvimento. Apoiado numa abordagem com enfoque na segunda geração de pesquisadores cibernéticos de teoria de sistemas (ver por exemplo Eigen,1971; Bertalannfy, 1977; Bateson,1979; Maturana e Varela,1980; Luhmann,1984; Prigogine,1989; Rasch e Wolfe, 2000), o estudo visa empregar uma metodologia sistêmico-hermêueutica desenvolvida a partir de noções propostas por Gregory Bateson (1979), Fritjof Capra (2004), o Modelo Integrado de Comunicação para Mudança Social (The Integrated Model of Communication for Social Change - Figueroa et al, 2002) e a estrutura de trabalho para parceiros de projetos de TIC’s para o Desenvolvimento (Framework for ICT4D Partnership – Unwin, 2005). Com base nessa proposta, trabalha-se sobre dois principais centros: 1) a estrutura (a saber: a forma do sistema social) e 2) o nível de diálogo (a saber: os processos de comunicação do sistema social). Por fim, este estudo é um trabalho de reflexão crítica a ser integrado ao Programa Conexões Científicas desenvolvido pelo Observatório de Cultura Digital do NAP Escola do Futuro para o Programa AcessaSP bem como um projeto piloto para experimentações da metodologia proposta em minha tese de doutoramento.

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Observatório da Cultura Digital - Conexões Científicas 2010: Dinâmica da Comunicação em Projetos de Tecnologia de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento Uma Análise de Sistemas Sociais e de seus Processos de Comunicação

  1. 1. Fernanda Scur DINÂMICA DA COMUNICAÇÃO EM PROJETOS DE TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO Uma Análise de Sistemas Sociais e de seus Processos de Comunicação
  2. 2. Pesquisa integrante do Programa Conexões Científicas do AcessaSP, realizado pelo Observatório da Cultura Digital do NAP Escola do Futuro, da Universidade de São Paulo (USP) Coordenação Científica: Profa. Dra. Brasilina Passarelli DINÂMICA DA COMUNICAÇÃO EM PROJETOS DE TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO Uma Análise de Sistemas Sociais e de seus Processos de Comunicação Fernanda Scur, Doutoranda em Geografia (ICT4D Collective da Royal Holloway University of London)
  3. 3. 3 Índice Resumo/Palavras-Chaves 4 Introdução 5 Estado da Arte 6 Metodologia 14 Referências Bibliográficas 22
  4. 4. 4 Resumo: Este trabalho propõe um modelo para a análise dos sistemas sociais formados por parceiros de projetos de tecnologias de informação e comunicação (TIC’s) para o Desenvolvimento. Apoiado numa abordagem com enfoque na segunda geração de pesquisadores cibernéticos de teoria de sistemas (ver por exemplo Eigen,1971; Bertalannfy, 1977; Bateson,1979; Maturana e Varela,1980; Luhmann,1984; Prigogine,1989; Rasch e Wolfe, 2000), o estudo visa empregar uma metodologia sistêmico-hermêueutica desenvolvida a partir de noções propostas por Gregory Bateson (1979), Fritjof Capra (2004), o Modelo Integrado de Comunicação para Mudança Social (The Integrated Model of Communication for Social Change - Figueroa et al, 2002) e a estrutura de trabalho para parceiros de projetos de TIC’s para o Desenvolvimento (Framework for ICT4D Partnership – Unwin, 2005). Com base nessa proposta, trabalha-se sobre dois principais centros: 1) a estrutura (a saber: a forma do sistema social) e 2) o nível de diálogo (a saber: os processos de comunicação do sistema social). Por fim, este estudo é um trabalho de reflexão crítica a ser integrado ao Programa Conexões Científicas desenvolvido pelo Observatório de Cultura Digital do NAP Escola do Futuro para o Programa AcessaSP bem como um projeto piloto para experimentações da metodologia proposta em minha tese de doutoramento. Palavras-chave : Desenvolvimento, Tecnologias da Informação e Comunicação, AcessaSP.
  5. 5. 5 Introdução Este estudo examina os processos de comunicação dos sistemas sociais formadas entre parceiros (institucionais e individuais) do programa de oficinas Metaprojeto do Parque da Juventude, parte integrante da Rede de Projetos do programa de inclusão digitalAcessaSP.Tem como focoodiálogo corrente entre osparceiros, e ainterpretação que estes fazem desses processos, através de métodos qualitativos como Análise de Redes Sociais, grupos de discussão e entrevistas individuais semi-estruturadas. A pergunta estruturante na qual esse estudo se baseia é a seguinte: “Como os processos de comunicação de um sistema social formado por parceiros de projetos de tecnologias de informação e comunicação para o desenvolvimento influenciam no desempenho desses projetos?” Este é um estudo exploratório, apoiado em uma abordagem de Teorias de sistemas de segunda geração e nas seguintes premissas: Comunicação é um dos processos que dá forma a um sistema social,1. através da construção de significados; O processo de união dos parceiros individuais no início do desenvolvimento2. de um projeto é caótico (emergente) e comunicação é um processo facilitador na construção de consenso (significados) que formarão o contexto (fronteiras) deste sistema social, que é parte de um sistema social maior e mais estruturado (a saber: ordenado e hierárquico) de parceiros institucionais (estados, terceiro setor, iniciativa privada). É através destes processos de comunicação que tais sistemas tenderão a3. uma maior estabilidade (ordem) Equilíbrio caórdico: Se um sistema social perde gradativamente suas4. características de criatividade e inovação inerentes à sistemas emergentes ao tornar-se um sistema social mais estruturado (Capra, 2002) ao longo do desenvolvimento de um projeto, é possível que este mesmo sistema se mostre apto a equilibrar características comuns à tal sistema estruturado, com regras de comportamento e estabilidade próprias, e ainda assim manter a criatividade de sistemas emergentes na produção / geração de conhecimento e conteúdo cultural através de uma apropriação criativa da tecnologia?
  6. 6. 6 A partir dessas premissas, são desenvolvidos os instrumentos (métodos e procedimentos de pesquisa) para mapear e analisar os fatores que influenciam a comunicação entre os integrantes dos sistemas e o seu impacto sobre a execução dos objetivos de cada projeto. O presente estudo é um trabalho de reflexão crítica a ser integrado ao Programa  Conexões Científicas desenvolvido pelo Observatório de Cultura Digital da Escola do Futuro para o Programa Acessa SP bem como um projeto piloto para experimentações da metodologia proposta em minha tese de doutoramento. A seguir segue uma descrição do estado da arte na qual este estudo se baseia. Estado da Arte I. “O caráter multi-facetado de parcerias de projetos de Tecnologias de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento” O conceito de ‘multi-stakeholder partnerships’ (parcerias multi-facetadas1) tem se tornado bastante popular no cenário internacional durante os últimos anos, seguindo a popularidade do conceito de parcerias público-privadas (GKP, 2003). Iniciativas e relatórios a respeito da facilitação e vantagens de tais parcerias não são difíceis de encontrar (uma busca no Google por ‘multi-stakeholder partnerships’ feita em 25.05.2010 apontou 758,000 resultados). Exemplos típicos incluem o compacto UN Global (http://www.unglobalcompact.org acesso em 25.08.2009); a ‘Global Knowledge Partnership’ (http://www.globalknowledgepartnership.org acesso em 25.08.2009); a Iniciativa de parcerias para educação (http://www.pfore.org/ acesso em 25.08.2009) ou a Agência de Parcerias Multi-facetadas das Nações Unidas (http://www.unmsp. org/ acesso em 25.08.2009). Tal quantidade de informação sobre este conceito aponta um consenso no que diz respeito à indicadores de sucesso de tais parcerias (ex. coesão da rede, expressões de compreensão mútua, padrões de comportamento, capacidade coletiva, entre outros: ver pg.21). Porém, a análise e avaliação de tais indicadores são feitas em sua maioria em nível institucional, e não através de pesquisa empírica (Martens, 2007 ; Draxler, 2008). Este estudo, portanto, visa a análise de tais indicadores de forma empírica através de noções propostas por Gregory Bateson (1979), Fritjof Capra (2004), o Modelo Integrado de Comunicação para Mudança Social (the Integrated Model of Communication for Social Change - Figueroa et al, 2002) e a estrutura de trabalho para parceiros de projetos de TIC’s para o desenvolvimento (Framework for ICT4D Partnership – Unwin, 2005) (ver seção metodológica, pg. 15). Tradução livre da autoraI.
  7. 7. 7 Parcerias multi-facetadas são compostas por instituições que possuem cada uma sua própria organização cultural (Capra, 2001) ou, de acordo com Draxler (2007), diferentes objetivos e interesses, bem como maneiras de trabalhar. Portanto, essas instituições encaram e compreendem a estrutura de parcerias no que diz respeito a como estas operam de formas variadas (tais como responsabilidades, questões de transparência ou riscos e benefícios de cada parceiro). Não há uma definição geral de um design de parcerias multi-facetadas (ver Unwin, 2005 ; Martens, 2007 ; Draxler, 2008). O que existe são definições formais dentro de tais acordos de parcerias ou organizações ; às vezes, nem isso. Porém, conforme dito acima, existe um número de iniciativas voltadas para a construção mais formal de uma definição destes tipos de parcerias com o intuito de introduzir estudos de caso de sucesso neste campo. A ‘Global Knowledge Partnership’, por exemplo, definiu parcerias multi-facetadas para projetos de TIC’s para o desenvolvimento da seguinte forma : ‘Alianças entre as partes provenientes de setores governamentais, privados e sociedade civil que estrategicamente agregam seus recursos e competências para resolver os desafios das TIC’s como facilitadoras de desenvolvimento sustentável e que se apoiam em princípios de riscos, custos e benefícios mútuos’ (GKP, 2003, p.13) Uma definição de como a parceria é estruturada deve ser seguida e acordada entre as partes, pois assim é possível definir indicadores particulares de uma parceria de sucesso. De acordo com Unwin (2005, p.33), ‘  »Parceria  » associada com outros termos como «  multi-facetado  » e «  público- privado », pode ser usado para definir um arranjo contratual puro, um acordo informal entre as diferentes partes para que colaborem entre si, uma estrutura altamente governada e super-estruturada, ou simplesmente um termo indicando uma atitude de reciprocidade em programas de desenvolvimento entre doadores e receptores’ A intenção deste estudo não é contribuir para o debate de uma definição geral de parcerias multi-facetadas (para discussões mais profundas sobre o tema ver por exemplo Unwin, 2005 e 2008 ; Draxler 2007 ; Martens, 2007). Procura-se aqui definir contextos específicos e analisar os processos de comunicação destes processos em particular. Neste trabalho a tipologia empregada será a que carrega um consenso mais amplo neste campo de discussão (Unwin, 2005) : Setor Público Instituição de pesquisa Setor Privado Sociedade Civil Instituição governamental Universidade Organização com fins lucrativos Organizações não-governamentais Comunidade ou lado da demanda do projeto Tipo de parceiro Exemplo
  8. 8. 8 O papel de cada uma dessas organizações pode ser distinto de acordo com cada projeto (por exemplo, doadores podem vir tanto dos setores públicos, privados ou sociedade civil). O enfoque é o tratamento dessas diferentes estruturas como um sistema social. O suporte desenvolvido através da seção metodológica que este estudo visa estabelecer procura compreender a realidade dos envolvidos. O objetivo maior é auxiliar no desenvolvimento das habilidades reflexivas dos indivíduos envolvidos à respeito do projeto, enquanto indivíduos dentro de organizações (nível individual x nível coletivo). Dentro do recorte do presente estudo, será feita uma análise da coesão da rede de determinado projeto bem como uma descrição do nível de diálogo recorrente entre os parceiros individuais. A seção metodológica estabelece mais detalhes e indicadores sobre a análise a ser conduzida (ver pg. 15) A seguir, a abordagem sobre a qual a análise de tais parcerias e questões discutidas até agora se apoia. II. Em busca de uma visão holística e integrada O presente trabalho visa um maior entendimento da dinâmica recorrente entre parceiros de programas de TIC’s para o desenvolvimento através de uma perspectiva de Teoria de sistemas focada no caráter multi-facetado dos sistemas sociais formados por tais parceiros e suas interações. As noções de Teorias de sistemas empregadas neste estudo vêm de pensadores que Rasch e Wolfe chamaram de ‘segunda geração de pesquisadores cibernéticos’ (2000:12) (ver por exemplo Eigen,1971; Bertalannfy, 1977; Bateson,1979; Maturana e Varela,1980; Luhmann,1984; e Prigogine,1989 ). A abordagem da Teoria Geral de Sistemas possibilita uma visão holística e integrada das multi-camadas formadas por sistemas sociais que integram parcerias multi-facetadas para projetos de TIC’s e suas interações. Gregory Bateson (1979) discute que até 1979 ‘não havia maneira convencional de explicar ou descrever o fenômeno da (...) interação humana’; Ludwig von Bertalannfy (1977) comenta que a visão mecanicista da ciência não tem sido satisfatória frente aos avanços tecnológicos em diversas disciplinas, e que se pode notar uma reorientação científica em muitas dessas disciplinas, onde um enfoque sistêmico têm sido cada vez mais solicitado, onde não há um olhar sobre uma parte, mas sobre o todo. Isto é dizer que mudanças em um componente do sistema irão afetar outros de maneiras variadas bem como imprevisíveis (ver Bateson, 1979; Escobar, 1992; Chambers, 1997; Pamlin, 2002; Capra, 2002; Slater et al, 2003; Meadows et al., 2004). Ainda segundo Bertalannfy (1977:38), ‘o problema metodológico da teoria de sistemas consiste em preparar-se para resolver problemas que, comparados aos problemas analíticos e somatórios da ciência clássica, são de natureza mais geral’. Portanto, uma vez que o enfoque deste estudo são os sistemas sociais de parcerias multifacetadas e como seus processos de comunicação afetam os objetivos dos projetos de TIC’s para o Desenvolvimento, tais como apropriação de tecnologia por usuários finais, serão utilizadas metodologias qualitativas em oposição à abordagens
  9. 9. 9 mais analiticas (positivistas) de construções mais objetivas e sistemáticas da realidade. Porém, por mais que necessitemos de abordagens como essa, onde a realidade é construída por seus próprios atores, ainda há a necessidade de uma metodologia que possa ser replicada e que leve em consideração a circularidade frequente de tais estruturas. Uma Teoria Geral de Sistemas preenche essa lacuna, uma vez que tem como um de seus objetivos a projeção de padrões similares em sistemas similares . A partir de tal abordagem, as estruturas similares (as parcerias multi-facetadas de projetos de TIC’s para o Desenvolvimento), serão diferenciadas através de indicadores e variáveis estabelecidas na seção metodológica deste estudo (ver pg. 15). Os padrões de comportamento de tais sistemas (Bateson, 1979; Giddens, 1990; Capra, 2002; Lévy, 2009) serão examinados não apenas através da observação dos componentes de tais sistemas (abordagem hermenêutica) mas também através da análise de suas interações e conectividade (comunicação) usando metodologias de análise de redes. A próxima seção se ocupa de descrever a abordagem de teoria geral de sistemas empregada neste estudo. III. Notas sobre uma abordagem de Teoria Geral de Sistemas: Uma Teoria Geral de Sistemas visa estabelecer uma metodologia de análise integrada, que busca uma visão transdisciplinar. Um ‘programa transdisciplinar de pesquisa’, conforme colocam os pensadores Rasch e Wolfe (2000:10), é agora mais do que necessário,já que “pesquisadores em todos os campos necessitam estar aptos à situar seus trabalhos em um mundo de “redes híbridas” e firmemente entrelaçadas (...) de sistemas humanos, tecnológicos, orgânicos, e informacionais’ (ver também Latour, 1994; Kothari, 2005). Conforme já dito acima, a Teoria Geral de Sistemas empregada aqui vem de noções desenvolvidas por pesquisadores da segunda geração da cibernética. No final da década de quarenta, início da década de cinquenta, a primeira geração de pesquisa cibernética, criada por Norbert Wiener (Bertalannfy, 1977) focava na emergência de estabilidade e equilíbrio sistêmico através da causalidade circular, que ele chamou de retroação. A segunda geração, entretanto, focou-se na emergência imprevisível de sistemas complexos através da mesma causalidade circular, agora nomeada de recursividade (Rasch e Wolfe, 2000:12). De acordo com essa segunda noção, sistemas não alcançam um equilíbrio final ou uma ‘estabilidade’, mas são, pelo contrário, sistemas complexos, imprevisíveis e em constante evolução (para discussões mais aprofundadas ver por exemplo Bertalannfy, 1977; Bateson, 1979; Luhman, 1984; Maturana e Varela, 1987; Nicolis e Prigogine, 1989; Rasch e Wolfe, 2000; Capra, 2002). É portanto com essa visão que as parcerias multi-facetadas analisadas neste estudo serão vistas: como sistemas complexos de comunicação. É significativo notar que o sociólogo Niklas Luhmann (1984) foca nas interações e conectividades de sistemas sociais e não os considera sistemas vivos, em oposição à sistemas biológicos (ver Maturana e Varela, 1987. Fritjof Capra (2002) por sua vez, critica essa visão quando coloca que ‘sistemas sociais não apenas envolvem
  10. 10. 10 seres humanos vivos, como também linguagem, consciência e cultura (...)’ (Capra, 2002:82). Gregory Bateson (1979), por sua vez, encara isso tudo como parte de um todo maior (o mundo vivo), e em contraste com a visão de Capra que ‘significado’ (meaning) pertence apenas aos sistemas sociais humanos, ele sugere que esta é, de fato, uma característica inerente de todo sistema vivo (seja ele social ou biológico). Essas visões não são vistas aqui como opostas, mas como complementares e o que se pretende estabelecer nesse estudo é um diálogo entre elas. Enquanto Luhman (1984) foca nas interações do sistema e Capra (2002) em seus nós (em seu caso, os seres humanos), Bateson tem uma visão ainda mais holística: ele foca na dialética entre os elementos acima e implementa uma estrutura semiótica bastante complexa quando constrói sua própria estrutura de análise de sistemas sociais (ver p.18). Além disso, os sistemas analisados aqui são considerados abertos, ou seja, sofrem influência do ambiente. Isso quer dizer que o ambiente pode impulsionar instabilidade no sistema, mas não irá necessariamente determinar o que irá acontecer com a organização do sistema em si, uma fez que isso não depende apenas desse fator externo específico, mas também de variados fatores internos, como seu histórico de desenvolvimento, sua abertura inicial à perturbações, seus fluxos, feedbacks e interconexões (Bertalannfy, 1977; Capra, 2002). O que é previsível, no entanto, é seu caráter recursivo; uma nova ordem emergente a partir da instabilidade (por exemplo, novas configurações do sistema, nós adquirindo status distintos) e que esta não é uma característica estática, mas envolve processos altamente dinâmicos, não-lineais, subjetivos e constantemente em evolução (Bertalannfy, 1977; Bateson, 1979; Capra, 2002eMeadowetal.,2004).Esseprocessoéimprevisível,um‘sistemadecomunicação vasto’ que irá controlar o ‘crescimento e diferenciação’ (Bateson, 1979:10) daquele sistema através do desenvolvimento de formas distintas e randomicamente em curso. Um processo no qual somos incapazes de controlar. a. Padrões: uma caminho através da imprevisibilidade A noção de imprevisibilidade descrita acima pode ser desconcertante; entretanto, assim como Bertalannfy (1977:76) declara que ‘o total de acontecimentos observáveis apresenta uniformidades estruturais, que se manifestam por traços isomórficos de ordem nos diferentes níveis ou domínios’, é fácil observar fenômenos biológicos e encontrar certos padrões. É ainda possível uma analogia com fenômenos de ordem social se pensarmos, por exemplo, em comportamento social. Encontram-se meta- padrões de contextos organizacionais de comportamento (Bateson, 1979) através de diferentes sistemas sociais. Além disso, assim como padrões são características estéticas da natureza, nós, como parte dela, possuímos também um senso inerente de estéticas proporcionais (Ostrower, 1998). Sistemas sociais apresentam padrões de comportamento intrínsecos que remetem controle de um sistema a outro (Capra, 2002; Chomsky, 1997) tais como grupos de confiança (‘clusters of trust’), uma construção social da subjetividade, e uma redução de complexidade via consenso social (Giddens, 1990). Além do mais, esses padrões de controle estão presentes em muitas parcerias multi-facetadas de projetos de TIC’s para o desenvolvimento (Chambers, 1997; Tacchi, xxxx; Scur, 2005). Finalmente, padrões são uma característica de sistemas em geral, que replicam certos
  11. 11. 11 mecanismos mesmo quando estes podem ser prejudiciais à algumas partes desse sistema ou mesmo ao sistema como um todo (ex. Seleção natural). A próxima seção relata alguns dos padrões encontrados em sistemas sociais, baseado principalmente nas idéias de Capra (2002) e Bateson (1979) que são de particular importância à este estudo. b. Estrutura de sistemas e abordagem hermeneutica A representação de sistemas feita por Capra (2002) fornece uma visão global de algumas das idéias complexas exploradas neste estudo. Para Capra, sistemas envolvem três dimensões básicas: forma (a estrutura do sistema); processo (comunicação) e matéria (conteúdo). ‘Veja, por exemplo, o metabolismo de uma célula. Consiste de uma rede (forma) de reações químicas (processo), que envolvem a produção dos componentes dessa célula (matéria) (...)’ (Capra, 2002:72). Este trabalho adota um esquema similar para os sistemas sociais examinados aqui. Entretanto, a produção do sistema não se limita apenas à incorporações materiais, mas também às não-materiais como idéias formadas em nossa mente; um fator não-físico (Varela et al., 1991). Indo mais além, a Teoria Geral dos Sistemas será aqui combinada com uma abordagem hermenêutica, considerando a ‘relativização da observação’ (Rasch e Wolfe, 2000:12). A interpretação dos parceiros é crucial dentro do escopo deste estudo, além de tocar na questão da dinâmica entre pesquisador/sujeito (o objeto de pesquisa). Essa relação é, também, um sistema social. Não obstante, essa noção introduz a ‘observação do outro’, que acontece dentro de sistemas sociais. De acordo com a abordagem de Capra, não há mais o conhecimento objetivo, ‘tudo que é dito, é dito por alguém’ (Maturana e Valera, 1992:135) e os contextos são formados através da interação observador/observado (Bateson, 1979; Rasch e Wolfe, 2000; Capra, 2002; Chambers, 1997; Slater et al., 2004). Este estudo parte, portanto, desta premissa; ela trabalha com ‘afirmações de conhecimento’ (Giddens, 1990 :54) formadas pelos parceiros envolvidos através de nossa habilidade em formar imagens mentais (Bateson, 1979; Capra, 2002; Giddens, 1990; Ostrower, 1984). Essas abordagens discutidas até o momento englobam uma visão transdiscliplinar bem como uma realidade construida a partir dos atores envolvidos no estudo, sendo mais apropriadas na pesquisa envolvendo questões de sistemas de comunicação complexos (Bertalannfy, 1977 ; Bateson, 1979).Apretensão deste estudo é, como colocado por Rasch e Wolfe (2000 :17) ‘repensar nosso suporte representacionalista’. c. Estruturas rígidas vs. estruturas emergentes Bateson (1979) discute dois tipos de mudanças em sistemas: o que acontece a nível coletivo e a nível individual. Em uma instituição como o Governo do Estado de São Paulo, por exemplo, o nível coletivo é a própria organização como um todo, englobando indivíduos pertencentes à ela. As mudanças que acontecem em ambos os níveis
  12. 12. 12 são, para Bateson, estocásticas por natureza. Isso significa que para o indivíduo, as mudanças que ela/ele irão aceitar virão através do aprendizado resultante de eventos randômicos que os afetam, através de uma habilidade de auto-correção (dentro de um ato de aprendizagem) e ele/ela irá escolher seletivamente que mudança irá fazer uma diferença para si, de acordo com sua própria história/contexto. O governo do Estado de São Paulo, como uma instituição, será afetado por eventos randômicos também, mas será mais rígido comparado ao nível indívidual e consequentemente levará mais tempo para que mudanças efetivas ocorram. Entretanto, quando isso ocorrer, alguns indivíduos serão desagregados e outros agregados, de acordo com seu novo estado. O desafio é entender como esses dois sistemas se combinam e como eles se influenciam mutuamente, uma vez que suas percepções e classificações de eventos são muitas vezes divergentes e que às vezes essas ‘percepções e classificações’ são hierarquicamente super impostas à outras, criando o que Bateson (1979) chama de ‘erros de tipagem lógica’. Pode ser que o que parece lógico em um nível perde seu ‘significado’ em outro, criando assim mudanças consideradas nocivas? Giddens (1990) utiliza o termo ‘sistemas especializados’ (expert systems) em seu discurso sobre pós-modernidade de maneira semelhante à definição de Capra (2002) sobre ‘estruturas desenhadas’ (designed structures) e ao ‘rigor’ de Bateson (em oposição à imaginação) (1979). Essas estruturas serão consideradas neste estudos relativamente; por exemplo, uma instituição governamental será considerada uma estrutura rígida em relação à comunidade local de um projeto de TIC’s para o Desenvolvimento. A comunidade local como um todo, por sua vez, será um sistema rígido para um grupo de professores que fazem parte da mesma, e assim por diante. Em seu livro ‘Limits to Growth’, Meadows et al.(2004) argumentam que as falhas de nossos sistemas são dos próprios sistemas e não de indivíduos participantes dos mesmos. A complexidade exacerbada dos mecanismos de funcionamento de nossa sociedade exemplifica essa premissa. É ainda por causa da confiança de indivíduos nesses sistemas que eles existem (Giddens, 1990) e, conforme Bateson (1979:45) argumenta, “importa qual indivíduo agiu como núcleo de uma mudança (...) é precisamente isso que faz da história imprevisível no futuro’. De acordo com Giddens (1990), mecanismos de confiança se estabelecem com base na crença que esses sistemas irão funcionar como devem; porque são formados através de um tipo de conhecimento ao qual o indivíduo comum é ignorante. Esse argumento é similar aos ‘erros de tipagem lógica’ de Bateson através das camadas do sistema, o que ainda podemos relacionar com as idéias semióticas de representações. Os sistemas rígidos impõem sua tipagem lógica a outros níveis de sistema, criando um comportamento relacionado à poder. Quão mais claras as relações de poder de um sistema social, mas estável (rígido) este sistema é (Capra, 2002). Emboraessessistemasmoldemasimagensmentaisdosdiferentesníveisdossistemas que ainda comporta, haverão núcleos capazes de impulsionar mudanças, uma vez que estas são intrínsecas à evolução cultural. Conforme Giddens (1990:38) coloca, ‘praticas sociais são rotineiramente alteradas através de descobertas recorrentes que
  13. 13. 13 são apresentadas à elas’. Essas práticas são os processos de aprendizado dentro do sistema (Bateson, 1979); ou seja, seu lado criativo. Criatividade corresponde ao processo de gerar novas formas, ou seja, nova ordem emergindo da instabilidade. Quando nova informação entra em um sistema, essa informação irá mudar o sistema de tal forma que irá fazer uma diferença. As novas formas desse sistema estão constantemente sendo modeladas em novos contextos (Bateson, 1979), e são os processos de comunicação que alimentam esses contextos ao sistema. Sem contexto, não há ‘significado’ (Bateson, 1979). O processo de ‘significado’, portanto, dentro de sistemas sociais, é dar o nome à ‘coisa-em-si’ (ding an sich). Ou seja, a estrutura emergente se molda contextualmente, classificando os processos analógicos que ocorrem mais rapidamente do que em estruturas mais rígidas. Trazendo esses conceitos para o âmbito de projetos de TIC’s para o Desenvolvimento, cada nova informação alimentada ao sistema não é percebida como são (ding-an- sich); mas são percebidas através dos processos de comunicação que moldarão aquele contexto, as classificações de contextos e significados dentro daquele sistema em particular. Deste ponto de vista, é necessário considerar a ambiguidade/ diversidade do contexto de significados formados nos diferentes sistemas que irão, em algum ponto, se conectar dentro de um projeto e estabelecer padrões daquele sistema em particular a serem analisados. Esse aspecto subjetivo, não-material é um dos processos mais complexos que podem ser estruturados (Ostrower, 1984) e do qual não temos conhecimento completo. O que se busca aqui portanto é evitar a homogeneização e quantificação de indivíduos com o intuito de ‘facilitar’ processos (Chambers, 1997) como de avaliação e impacto; ao invés, trazer a noção que estes indivíduos são diversos, vívidos e criativos, construindo realidades dentro dos sistemas aos que pertencem. Esse estudo analisa os contextos de aprendizagem dos diferentes níveis dentro e entre os sistemas envolvidos. Esses contextos não são vistos aqui como absolutos e únicos, mas o foco são alguns traços dessas experiências de aprendizado recorrentes nos sistemas envolvidos no processo. Busca-se ainda um padrão maior dentro das dinâmicas dos diferentes cenários (níveis do sistema) a ser observado, levando em consideração que serão de diferentes tipagens lógicas. Estando conscientes de tais processos, talvez seja possível construir uma estrutura de colaboração entre estruturas rígidas e emergentes que trarão à tona as vantagens de cada uma.
  14. 14. 14 Metodologia Confome já exposto na seção inicial deste relatório, este estudo faz uma análise empírica de indicadores formulados através de noções propostas por Gregory Bateson (1979), Fritjof Capra (2004), o Modelo Integrado de Comunicação para Mudança Social (the Integrated Model of Communication for Social Change - Figueroa et al, 2002) e a estrutura de trabalho para parceiros de projetos de TIC’s para o desenvolvimento (Framework for ICT4D Partnership – Unwin, 2005). O objetivo desta pesquisa piloto é a evolução destes indicadores de acordo com as interpretações dos próprios participantes durante o campo de pesquisa, com o propósito de afinar a metodologia para a aplicação final, que tem, por sua vez, o objetivo de ser replicada e adaptar-se à diferentes cenários de parcerias e o ao contexto formado pelas mesmas. O presente estudo foca em três dimensões de acordo com a representação de sistemas feita por Capra (2002): A estrutura (considerando a forma da rede);1. O nível de diálogo (considerando os processos de comunicação da rede);2. Produção e troca de conhecimento (considerando novos significados3. gerados durante o processo). Para este piloto, por questões de tempo, foi acordado que este para este relatório específico o foco se manterá nos dois primeiros parâmetros acima, servindo como pesquisa- iloto para teste da metodologia: A estru1. tura (considerando a forma da rede); O nível de d2. iálogo (considerando os processos de comunicação da rede) Os métodos e técnicas de pesquisa a serem aplicados serão etnográficos e qualitativos, com o objetivo de compreender a força e atuação dos atores sociais frente ao impacto das Tecnologias da Informação e Comunicação, e de construir uma atmosfera colaborativa tendo em vista os laços na rede já formados a que possam vir a se formar ao longo da pesquisa de campo. Uma vez que o objeto principal deste estudo são sistemas sociais e a análise de como os processos de comunicação dessas redes possam estar afetando alguns fenômenos sociais (por exemplo, a apropriação tecnológica dos usuários finais de projetos de inclusão digital e vice-versa), basear-se em métodos mais qualitativos e participativos, como hermenêutica, é mais adequado para a observação destes fenômenos sociais em oposição à métodos mais sistemáticos e objetivos de construção da realidade como em metodologias mais positivistas.
  15. 15. 15 Os principais instrumentos de coleta de dados a serem utilizados são observação participante, entrevistas individuais semi-estruturadas e grupos de discussão. Para a análise dos dados será utilizada uma abordagem de Análise de Redes Sociais. Para este estudo, o interessante é a formulação de padrões dentro do sistema que estará sendo analisado e análise de redes oferece a possibilidade de visualização desses padrões. Ambas teorias, de sistema e de redes focam na interação entre as partes (ref.) e isso possibilita estabelecer um diálogo entre as mesmas. Além disso, será feita a análise qualitativa dos relatos coletados a partir de indicadores pré-definidos. I. Design conceitual da metodologia e operacionalização As dimensões a serem analisadas neste estudo são vistas aqui como componentes de um todo (o sistema) e compõem um processo recursivo, ao invés de um processo lineal2 . Por essa razão eles não são tratados separadamente, mas simultaneamente. Essa pesquisa se apóia em uma pragmática batesoniana. Bateson (1979) estava interessado na formação de contextos de sistemas sociais através de um mecanismo dialético entre tipologias (formas) e classificações (processos), onde um determina o outro e vice-versa, criando assim o que ele chamou de uma ‘escada em zigue-zague da dialética entre forma e processo’ (1979:211). Seus processos de investigação eram pontuados por uma alternância entre o estudo das tipologias e a descrição dos processos de classificação dessas tipologias. (ver fig.1): 2. ‘Um modelo lineal pode ser exemplificado pela situação “duas unidades” na qual fomos ensinados a pensar como aprendizado: O Professor “ensinava” e o estudante “aprendia”. Lineal descreve uma relação entre uma séria de causas ou argumentos de maneira que a sequencia nunca volta ao ponto de partida. Quando aprendemos sobre circuitos cibernéticos de interação, esse modelo se torna obsoleto. O oposto de lineal é recursivo’. (Bateson, 1979) Escala de Bateson Forma Tipo de Interação Tipologia Processo Interação de Temas Interações determinando Tipologia Descrição das Ações Figura 1. Escada de Bateson
  16. 16. 16 A idéia de Bateson era analisar os erros de tipagem lógica entre um nível e outro (ver pg. 18) . Para este estudo, ‘forma’ e ‘processo’ estão classificados como a estrutura do sistema e o nível de diálogo, respectivamente. A escada em zigue-zague de Bateson é usada aqui para examinar a relação entre essas duas dimensões através da evolução do projeto. A escada ilustra a calibração e feedback recorrente de um lado a outro, ou o movimento dialético com o qual este estudo está preocupado (ver fig. 2 abaixo) Escala de Calibração de Feedback Forma Estrutura de Rede Estrutura de Rede Estrutura de Rede Processo Nível de Dialogo/ Produção e Troca de Conhecimento Nível de Dialogo/ Produção e Troca de Conhecimento Feedback Feedback Foco Principal de Pesquisa Formação de redes estruturadas Ex.: Governo, Setor Privado, Comunidade, Instituição de Pesquisa Formação da Rede Emergente a. Indicadores e Variáveis das dimensões analisadas neste estudo i. A estrutura do sistema (forma) Esta dimensão refere-se à definição organizacional e individual dos parceiros envolvidos nos projetos que são parte do contexto da pesquisa. O propósito é analisar o nível de cultura individual e organizacional em como podem estar influenciando os processos de comunicação no sistema que está emergindo. Os atributos e relações de classificação de parceiros para análise posterior estão definidos abaixo, através do estado da arte apresentado acima. Figura 2. Escada de Calibração e Feedback
  17. 17. 17 b. Padrões de comportamento a. Definição de parceiros a. Expressões de compreensão mútua i. Tipos de parceiros ii. Parceiros enquanto organizações iii. Parceiros enquanto indivíduos iv. Visão dos objetivos do projeto v. Visão das responsabilidades de cada um vi. Benefícios compartilhados vii. Riscos compartilhados viii. Transparência ix. Obstáculos / Suporte ao projeto x. Resultados imprevistos do projeto i. Relações de poder ii. Identificação de normas sociais iii. Capacidade coletiva Estrutura do Sistema Nível de diálogo b. Coesão da rede ii. Nível de Diálogo O diálogo é visto dentro deste estudo como o processo de comunicação através do qual o sistema constrói seu contexto. Portando, o objetivo desta dimensão é identificar o nível de diálogo recorrente que molda os valores e regras comportamentais que delimitam as fronteiras desse sistema (Capra, 2002). Será principalmente através de grupos de discussões com representantes de diferentes grupos de interesse (identificados na dimensão exposta acima) que o nível de consenso entre os diferentes parceiros será identificado e medido. Eles irão expor suas opiniões sobre o projeto, na tentativa de analisar indicadores que para eles, são princípios que indiquem sucesso / falhas na evolução do projeto. Os grupos de discussão conduzidos durante a evolução do projeto são um esforço em trazer aos participantes uma reflexão crítica esses processos de comunicação e portanto, buscar o consenso. A intenção é diminuir os erros de tipagem lógica (Bateson, 1979; ver também acima). Além disso, de acordo com Figueroa et al.(2002), quanto mais comunicação entre os diferentes membros de um sistema, mais compreensão dos pontos de vista do outro existirá. Diálogo tem portanto, a função de balancear os interesses dos indivíduos dentro do grupo. Os atributos e relações de classificação de parceiros para análise posterior estão definidos abaixo, através do estado da arte apresentado acima.
  18. 18. 18 II. Objeto O objeto deste estudo piloto é o MetaProjeto, iniciativa pertencente à Rede de Projetos do Programa Acessa São Paulo, que tem o objetivo de servir como um espaço de oficinas para o público do Parque da Juventude na área de manutenção e montagem de computadores, experimentação e desenvolvimento de tecnologia, a partir de computadores reciclados. O espaço foi criado para atender ao público e servir como modelo modelo experimental de implantação da metodologia Metareciclagem de oficina permanente de inclusão digital a partir de computadores doados e máquinas recicladas. O projeto trabalha ainda em parceria com as instituições presentes no Parque, bem como sua administração local, e visa criar uma rede de instituições que apóiem ações concretas na disseminação de tecnologia, formação, experimentação e construção acompanhada do saber-fazer em tecnologia computacional. O MetaProjeto tem por objetivo: Construir um espaço de laboratório para reciclagem e realização de oficinas com•• computadores doados. Oferecer oficinas de manutenção e montagem de computadores, bem como•• princípios básicos da computação por meio de profissionalização e interação com a tecnologia. Criar uma rede de colaboração com os projetos do Parque da Juventude, com o•• objetivo de auxiliar e construir coletivamente programações de oficinas e eventos que apóiem as atividades da juventude. Interagir com o Programa AcessaSP de forma a auxiliar suas demandas em•• tecnologia, experimentação e construção de oficinas que possam ser replicadas em outros espaços de interesse do programa. III. Considerações Finais O Estado da Arte sobre a dinâmica da Comunicação em Projetos de Tecnologias de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento deve fundamentar pesquisas futuras a respeito dos processos de parcerias entre o governo, instituições privadas e não-governamentais, utilizando metodologias de base etnográfica, bem comoAnálises de Redes Sociais, favorecendo a compreensão das diferentes formas de interação e comunicação entre as diversas instancias dos processos de formação de redes estruturadas e emergentes. Para isso, coloca-se como sugestão o prosseguimento dos passos metodológicos descritos, mapeando a estrutura dos sistemas, e o nível de diálogo.
  19. 19. 19 Referências Bibliográficas : BANKS, Marcus. (2001). Visual Methods in Social Research. London, SAGE Publications. BATESON, Gregory. (1979). Mind and Nature: A necessary Unity, New York BENJAMIN, Walter. (1936). The Work of Art in the Age of Mechanical Reproduction (acessed Mai 20, 2004 http://www.marxists.org/reference/subject/philosophy/ works/ ge/benjamin.htm) Booth, W., Colomb G. and Williams, J. (1995) The Craft of Research. Chicago, The University of Chicago Press. CAPRA, F. (2002). The hidden connections: A science for sustainable living. New York, Anchor Books. CASTELLS, Manuel. (1996). The rise of the network society (the information age: Economy, Society and Culture, vol. 1). UK, Blackwell Publishers. CHAMBERS, Robert. (1997). Whose reality counts? Putting the first last. London, Intermediate Technology Publications. CREECH, H. and WILLARD, T. (2001). Strategic Intentions: Managing Knowledge networks for sustainable development. Winnipeg, IISD. (Acessed August, 22 2004 http://www.iisd.org/pdf/2001/networks_strategic_intentions.pdf). MEADOWS, Donella; RANDERS, J.; MEADOWS, Dennis. (2004). The limits to Growth - The 30-year update. London, Earthscan. FLORES, F. et WINOGRAD, T. (1987). Understanding Computers and Cognition. Norwood, Ablex Corporation. OSTORWER, Fayga. (1984). Criatividade e Processos de Criação. Rio de Janeiro, Ed. Vozes. FIGUEROA, M.E.; KINCAID D. Lawrence; RANI, Manju et LEWIS, Gary. (2002). Communication for Social Change Working Paper Series. Communication for Social Change: An Integrated Model for Measuring the Process and Its Outcomes. New York, The Rockefeller Foundation and Johns Hopkins University Center for Communication Programs. (Acessed December 14, 2004 http://www.rockfound.org/Documents/540/ socialchange.pdf)
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