Kevin tucker a reprodução da produção

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MATERIAL COMPLEMENTAR - Geografia Cultural - Sociologia

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Kevin tucker a reprodução da produção

  1. 1. A Reprodução da Produção Classe, Modernidade e Identidade Kevin TuckerAnti-Anti-Copyright Edições Versus Capitalismus
  2. 2. Edições Versus Capitalismus À medida que a vida perde sentido. À medida que a terra está aEdi.vs.capitalismus@gmail.com ser destruída. Eu advogo uma guerra primordial. Mas isto não é uma forma deA Reprodução da Produção luta de classes anti-civilização. Não é uma ferramenta para aClasse, Modernidade e Identidade organização, mas um termo para a raiva. Um tipo de raiva sentida a cada etapa do processo de domesticação. Um tipo deAutor: Kevin Tucker raiva que não pode ser traduzida por palavras. A raiva de um si primordial submetido pela produção e coerção. Um tipo de raivaTítulo Original: The Reproduction of Production; Class, Modernity andIdentity que não será comprometida. Um tipo de raiva que pode destruir a civilização. É uma questão de identidade. És um produtor, distribuidor, proprietário ou um ser humano? Mais importante, queres reorganizar a civilização e a sua economia ou irás contentar-te com nada menos do que a sua completa destruição? Texto retirando do site http://www.insurgentdesire.org.uk/ e traduzido do inglês em Abril de 2009
  3. 3. mais real e a força dos estados nucleares para manterem essaspessoas na linha é algo que a maioria de nós provavelmente nemimagina. Mas mesmo que a revolta fosse bem sucedida, de que A Reprodução da Produçãoserviriam os campos de monocultura e os locais de trabalho Classe, Modernidade e Identidadeescravizantes? O problema é mais profundo do que aquele quepoderia ser alcançado através da reestruturação da produção. A classe é uma relação social. Desnudada até aos seus fundamentos, trata-se de economia. Trata sobre ser produtor,Mas, em termos das nações industrializadas, o problema vai distribuidor ou possuidor dos meios e dos frutos da produção.ainda mais a fundo. O espírito da modernidade é extremamente Não importa a categoria de cada pessoa, trata de identidade.individualista. Ainda que por si só esteja a destruir tudo o que Com quem é que te identificas? Ou melhor ainda, com o que ésignifica ser humano, isso é aquilo com que nos defrontamos. É que te identificas? Cada um de nós pode ser posto numacomo a lotaria do capitalismo: acreditamos que é possível que qualquer categoria sócio-económica. Mas essa não é a questão. Écada um de nós enriqueça. Procuramos apenas o número da o teu trabalho a tua identidade? É o teu nicho económico?sorte. Ficaremos mais do que felizes se enriquecermos ou semorrermos a tentá-lo. Vamos dar um passo atrás. O que é a economia? O meuO ethos pós-moderno, que define a nossa realidade, diz-nos que dicionário define-a como: “a ciência da produção, distribuição enão temos raízes. Alimenta o nosso niilismo passivo que nos consumo de bens e serviços.” É justo. A economia existe mesmo.relembra que estamos fodidos, mas não há nada que se possa Em qualquer sociedade onde existe um acesso desigual àsfazer em relação a isso. Deus, Smith e Engels disseram-no, agora necessidades da vida, onde as pessoas estão dependentes umasos filmes, a música e os mercados relembram-no. das outras (e mais importante, de instituições) a economiaA verdade é que neste contexto a identidade proletária tem existe.pouco significado. As classes ainda existem, mas em nenhumcontexto revolucionário. Estudo atrás de estudo mostra que os O objectivo dos revolucionários e reformistas tem quase sempreAmericanos considera-os de classe média. Nós julgamos pelo sido o de reorganizar a economia. A riqueza deve serque possuímos mais do que através dos cartões de crédito que redistribuída. O capitalismo, comunismo, socialismo,temos. O dinheiro emprestado e imaginado alimenta a sindicalismo, o que te tem, trata-se de economia. Porquê?identidade, o compromisso, de que estamos dispostos a vender Porque a produção tem vindo a ser naturalizada, a ciência podeas nossas almas por mais coisas. sempre distinguir a economia e o trabalho é apenas um malA nossa realidade é mais profunda do que uma identidade necessário. Trata-se do retorno à queda do Éden onde Adão foiproletária possa responder. A crítica anti-civilização aponta para condenado a trabalhar o solo por desobediência a Deus. Trata-seuma fonte primordial da nossa condição. Não aceita mitos de da ética do trabalho Protestante e dos avisos do pecado dasprodução ou trabalho necessário, mas olha para uma forma de ´mãos ociosas`. O trabalho torna-se o fundamento davida em que essas coisas não estavam somente ausentes, mas humanidade. Essa é a mensagem inerente da economia. Oonde eram intencionalmente rejeitadas. trabalho “é a primeira condição básica para toda a existência humana, e isto em tal grau que, em certo sentido, temos queCanaliza algo que pode ser cada vez mais sentido à medida que dizer que o trabalho criou o próprio homem.” Isto não é Adama modernidade automatiza a vida. À medida que o Smith ou Deus a falar (pelo menos desta vez), isto é Friedrichdesenvolvimento atropela os ecossistemas remanescentes. À Engels.medida que a produção gera uma vida completamente sintética. Mas algo está muito errado aqui. E então os Outros para lá do muros do Éden? E os selvagens a quem os agricultores e
  4. 4. conquistadores (se é que podem ser separados) viam apenas alguma forma é só um de dois problemas principais. O outroenquanto preguiçosos por não trabalharem? problema é a negação da modernidade.A economia é universal? A modernidade é a face do capitalismo mais tardio. É a face queVamos voltar a olhar para a nossa definição. se tem primariamente propagado durante os últimos 50 anosA essência da economia é a produção. Então, se a produção não através de uma série de expansões tecnológicas que tornaram aé universal, a economia não o poderá ser. Estamos com sorte, economia global, que agora conhecemos, possível. É identificadanão é. Os Outros selvagens para lá dos muros do Éden, dos como hiper-tecnologia e hiper-especialização.muros da Babilónia e dos jardins: caçadores/ recolectoresnómadas, não produziam. Um caçador não produz animais Sejamos claros; os capitalistas sabem o que estão a fazer. Noselvagens. Um recolector não produz plantas selvagens. Eles período que levou à I Guerra Mundial e durante a II Guerrasimplesmente caçam e recolhem. A sua existência é dar e Mundial a ameaça da revolução proletária nunca foi,receber, mas isso é ecologia, não economia. provavelmente, tão fortemente sentida. As duas guerras foramQualquer um numa sociedade caçadora/ recolectora é capaz de feitas em parte para quebrar este espírito revolucionário. Masconseguir o que precisa por si próprio. Que não o façam é um não acabou aí. Nos períodos pós-guerra os capitalistas sabiamcaso de apoio mútuo e de coesão social, não de força. Se não que qualquer tipo de reconstrução de maior importância teria degostam da sua situação, mudam-na. São capazes disso e trabalhar contra aquele nível de consciência de classe. Quebrar aencorajados a fazê-lo. A sua forma de troca é anti-económica: capacidade de organização era central. A nossa economia globalreciprocidade generalizada. Isto significa simplesmente que as fazia sentido não só em termos económicos, mas também empessoas dão algo a alguém quando assim o querem. Não há termos sociais. As realidades concretas da coesão de classeregistros, etiquetas, taxas, e nenhum sistema de medição ou foram abaladas. Mais importante, com a produção global, amérito. Partilha com os outros e eles assim partilharão. revolução proletária não se podia alimentar nem sustentar a siEstas sociedades são intrinsecamente anti-produção, anti- própria. Isto foi uma das primeiras causas para o ´falhanço`riqueza, anti-poder, anti-economia. São simplesmente das revoluções socialistas na Rússia, China, Nicarágua e Cuba,igualitárias na sua essência: anarquia primordial e orgânica. para nomear apenas algumas.Mas isso não nos diz como nos tornamos pessoas económicas.Como o trabalho se tornou uma identidade. Olhar para as A estrutura da modernidade é contra a consciência de classe.origens da civilização diz-nos. Nas nações industrializadas, a maioria da mão-de-obra encontra-A civilização está baseada na produção. A primeira instância da se no sector dos serviços. As pessoas poderiam facilmenteprodução é a produção excedentária. Os caçadores/ recolectores tomar um qualquer número de lojas e Wal-Marts, mas onde iriaconseguiam o que necessitavam quando havia necessidade. Eles levar-nos isso? A periferia e o núcleo do capitalismo modernocomiam animais, insectos e plantas. Quando um número de espalharam-se através do mundo. Uma revolução teria de sercaçadores/ recolectores assentava, ainda caçavam animais e global, mas seria de alguma forma diferente no fim? Seria aindarecolhiam plantas, mas não para comer. mais desejável?Pelo menos não imediatamente. Nas nações industrializadas, que providenciam quase tudo o queNa Mesopotâmia, o berço da nossa civilização global, grandes o núcleo necessita, a realidade da consciência de classe écampos de cereais selvagens podiam ser colhidos. Os cereais, ao bastante real. Mas a situação é em grande parte a mesma. Temoscontrário da carne e da maioria das plantas selvagens, podem polícia e entramos na linha; eles têm uma realidade quotidianaser armazenados sem uma tecnologia intensiva. Eram colocados de intervenção militar. A ameaça de retaliação do estado é muito
  5. 5. exercido contra nós, é justificado. Sobre como comprometer as em grandes celeiros. Mas os cereais são colhidos sazonalmente.nossas vidas como seres livres para nos tornarmos À medida que as populações aumentavam, tornavam-se maistrabalhadores e soldados se tornou um acordo que estamos dependentes de celeiros do que aquilo que estava livrementedispostos a aceitar. disponível. Entra a distribuição. Os celeiros eram possuídos por elites ouÉ sobre as condições materiais da civilização e as justificações pelos anciãos das famílias que tomavam conta do racionamentopara tal, porque é assim que poderemos vir a compreender a e da distribuição às pessoas que enchiam o seu lote. Acivilização. Então podemos compreender quais são os custos da dependência significa compromisso: esse é o elemento centraldomesticação, para nós próprios e para a terra. Para que a da domesticação. Os cereais deviam ser armazenados. Ospossamos destruir de uma vez por todas. proprietários dos celeiros armazenavam e racionavam os cereais em troca de um aumento no seu estatuto social. O estatutoIsto é o que a crítica anarco-primitivista da civilização tenta social significa poder coercivo. Esta é a forma como o Estado sefazer. É sobre a compreensão da civilização, sobre como é criada levantou.e mantida. O capitalismo é uma fase tardia da civilização e a lutade classes, enquanto resistência a essa ordem, é extremamente Noutras áreas, tais como aquilo que é hoje a costa nordeste dosimportante tanto para a compreensão da civilização como para Estados Unidos até ao Canadá, armazéns encheram-se de peixeo seu ataque. seco ao invés de cereais. Reinados e vários clãs foram estabelecidos. Os sujeitos do crescente poder foram aqueles queHá uma rica herança de resistência contra o capitalismo. É uma encheram os armazéns. Isto deve parecer familiar. Redes deoutra parte da história da resistência contra o poder que comércio em expansão formaram-se e a domesticação dasremonta às suas origens. Mas devemos ser cautelosos para não plantas e dos animais seguiu-se à expansão das populações. Atomar qualquer fase como a única fase. As abordagens anti- necessidade de mais cereais transformou os recolectores emcapitalistas são simplesmente isso, anti-capitalistas. Não são agricultores. Os agricultores iriam precisar de mais terras eanti-civilização. Preocupam-se com um certo tipo de economia, foram feitas guerras. Soldados foram recrutados. Escravosnão com a economia, produção e a própria industrialização. foram capturados. Caçadores/ recolectores nómadas eUma compreensão do capitalismo só é útil se estiver horticultores foram expulsos e mortos.historicamente e ecologicamente enraizada. As pessoas fizeram tudo isto não porque chefes e reis lhesMas o capitalismo tem sido o maior alvo dos últimos séculos de disseram, mas porque os seus deuses criados o fizeram. Oresistência. Como tal, o alcance da luta de classes é, sacerdote é tão importante para a emergência dos estados comoaparentemente, difícil de ir para além disso. O capitalismo os chefes e os reis. Em alguns casos eles ocupavam a mesmaglobal tornou-se bem enraizado por volta de 1500 AD e posição, noutros não. Mas alimentavam-se uns dos outros. Acontinuou através das revoluções tecnológica, industrial e verde economia, a política e a religião sempre foram um só sistema.dos últimos 500 anos. Com o aumento da tecnologia, espalhou- Hoje em dia a ciência tomou o lugar da religião. É por isso quese através do planeta até ao ponto de que existe agora uma Engels pôde dizer que foi o trabalho que fez evoluir o homemcivilização global. Mas o capitalismo não é ainda universal. Se do macaco. Cientificamente isto poderia facilmente ser verdade.virmos o mundo como um palco para a luta de classes, estamos Deus proibiu os descendentes de Adão e Eva de trabalhar aa ignorar as várias frentes de resistência que estão terra. Ambos são apenas um produto da fé.explicitamente a resistir à civilização. Isto é algo que osapologistas da luta de classes tipicamente ignoram, mas de
  6. 6. Mas a fé aparece facilmente quando surge da mão que dá de fábricas enquanto a ´alta sociedade` burguesa cheirava, mascomer. Então, antes de estarmos dependentes da economia, não provava.comprometemo-nos com aquilo que as plantas e os animais nosdizem, aquilo que o nosso corpo nos diz. Ninguém quer Se acreditavas em Deus, Smith ou Engels, o trabalho era a tuatrabalhar, mas é assim mesmo que é. Assim o vemos na visão de essência. Fazia-te humano. Roubarem-te o trabalho seria o piortúnel da civilização. A economia necessita de ser reformado ou dos crimes. Os trabalhadores faziam trabalhar a máquina erevolucionada. O fruto da produção necessita de redistribuição. estava dentro do seu alcance apoderarem-se dela. Podiam ver-se livres do patrão e substitui-lo por um novo ou por um conselhoEntra a luta de classes. de trabalhadores.A classe é uma de muitas relações que a civilização nos trouxe.Foi frequentemente afirmado que a história da civilização é a Se acreditavas que a produção era necessária, isso erahistória da luta de classes. Mas eu argumentaria de outra forma. revolucionário. E ainda mais porque era inteiramente possível.A relação entre o camponês e o rei e entre o chefe e o comum Algumas pessoas tentaram-no. Algumas tiveram sucesso. Muitasnão pode ser reduzida a um estabelecimento de categorias. não o tiveram. A maioria das revoluções foram acusadas deQuando o fazemos, ignoramos as diferenças que acompanharam falharem com os ideais daqueles que as criaram. Mas emvários aspectos da civilização. A simplificação é simples e fácil, nenhum lugar a resistência do proletariado acabou com asmas se queremos compreender como a civilização surgiu para relações de domínio.que a possamos destruir, devemos estar dispostos acompreender as diferenças subtis e significantes. A razão é simples: ladravam para a caravana errada. OO que poderia ser mais significante do que a forma como o capitalismo é uma forma de dominação, não a sua origem. Apoder é criado, mantido e afirmado? Isto não é feito para produção e o industrialismo são partes da civilização, umadepreciar a resistência real que a “classe baixa” teve contra as herança mais antiga e mais enraizada do que o capitalismo.elites, longe disso. Mas para dizer que a classe ou a consciênciade classe são universais que ignoram particulares importantes. Mas a questão é realmente sobre a identidade. Os lutadores deA classe tem que ver com o capitalismo. Tem que ver com um classe aceitaram o seu destino como produtores, massistema globalizante baseado numa mediação e especialização procuraram tirar o máximo partido de uma má situação. É umaabsoluta. Emergiu das relações feudais através de um fé que a civilização requer. É um destino que eu não aceito. É ummercantilismo capitalista para um capitalismo industrial, agora destino que a terra não irá aceitar. A conclusão inevitável da lutamodernidade. de classes está limitada porque está enraizada na economia. AProletários, burgueses, camponeses, pequeno-burgueses, todas classe é uma relação social, mas está amarrada à economiaestas são classes sociais no que toca às relações de produção e capitalista. Os proletários estão identificados como pessoas quedistribuição. Particularmente na sociedade capitalista, isto é vendem o seu trabalho. A revolução proletária tem que ver comtudo. Tudo isto não poderia ser mais aparente do que durante a tomada do trabalho. Mas eu não estou a comprar os mitos deos mais importantes períodos da industrialização. Ou se Deus, de Smith ou de Engels. O trabalho e a produção não sãotrabalhava numa fábrica, ou se a possuía, ou se vendia os universais e a civilização é um problema.produtos provenientes desta. Este era a época áurea da O que temos de aprender é que essa ligação entre as nossasconsciência de classe porque não havia qualquer questão em próprias relações de classe e aquelas das civilizações anteriores,relação a isso. Os proletários estavam nas mesmas condições e não é sobre quem vende o trabalho e quem o compra, mas sobrena maioria das vezes sabiam que era nessa posição que a existência da própria produção. Sobre como chegámos ahaveriam sempre de estar. Passavam os dias e noites nas acreditar que levar as nossas vidas a construir um poder, que é

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