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Nacionalização dos bancos americanos: A única saída? Por Alexsandro Rebello Bonatto
 
Exemplos de nacionalização A solução foi adotada na Suécia em 1991 e 1992, quando o país nórdico também enfrentou uma grave crise bancária. Com a estatização, o governo assumiu os créditos podres, limpou os balanços das instituições financeiras e, em seguida, vendeu o controle a investidores privados. O custo dessa intervenção, à época, doi de quase 10% do PIB sueco.
Recentemente a Alemanha aprovou uma lei abrindo o caminho para a estatização. O alvo é o banco Hypo Real State Holding, que é a principal instituição financeira alemã com foco no crédito imobiliário. Ela recebeu aportes oficiais superiores a US$ 63 bilhões do governo alemão, mas não para de apresentar prejuízos, da ordem de US$ 4 bilhões por trimestre. Se a nacionalização vier a se confirmar, será a primeira desde 1930. Exemplos de nacionalização
Especula-se — apesar das frequentes negativas por parte do primeiro-ministro britânico Gordon Brown — que o governo britânico planeja nacionalizar o Lloyds Banking Group ou o Royal Bank of Scotland (RBS), cuja participação acionária do governo é de 43% e 70%, respectivamente. Há um ano apenas, o R.U. nacionalizou o Northern Rock, um dos primeiros bancos a ter prejuízos catastróficos com a exposição de hipotecas lastreadas pelo crédito subprime nos EUA. Exemplos de nacionalização
O próprio presidente Barack Obama disse recentemente a ABC News que é preciso cautela em relação ao modelo sueco de nacionalização dos bancos tendo em vista a dimensão da indústria bancária americana. “A escala da economia americana e dos mercados de capitais vastos demais, assim como [...] os problemas próprios da administração e do controle de qualquer coisa dessa magnitude” exigiriam procedimentos tão complexos, disse Obama, “que simplesmente não fariam sentido. Além disso, temos outras tradições neste país.” A situação americana
Nos EUA, país onde o sistema financeiro tradicionalmente esteve sob controle privado, a situação está se tornando insustentável. Só em 2009, já foram fechados 14 bancos. Desde o início da crise, 39 instituições financeiras encerraram as atividades. É pouco perto dos 8 mil bancos dos EUA, mas é quase oito vezes a média histórica de quatro ou cinco por ano, desde 2000. Supõe-se que muitos bancos não consigam chegar ao fim de 2009, por causa da recessão e do aumento da inadimplência. No total, 314 instituições já cederam parte de suas ações ou outros papéis ao Tesouro americano, em garantia a US$ 350 bilhões em ajuda governamental. A situação americana
Há dois grandes bancos americanos especialmente ameaçados: o Citigroup, que recebeu US$ 300 bilhões do pacote de ajuda do governo — em boa parte sob a forma de garantias a empréstimos concedidos no final do ano passado — e o Bank of America (BofA), beneficiário de um programa semelhante no valor de US$ 120 bilhões concedidos no início deste ano. Numerosos especialistas acreditam que os dois resgates concedidos, apesar do enorme volume de dinheiro envolvido, pouco adiantaram para tirar os bancos da beira da insolvência, e o governo federal pouco pode fazer agora sem se tornar acionista majoritário   A situação americana
Para Alan Greenspan o governo americano pode ser obrigado a nacionalizar alguns bancos americanos de maneira temporária para evitar o aprofundamento da crise financeira e para a normalização do crédito. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, Greenspan, que sempre foi tido como um dos principais defensores do liberalismo econômico, afirmou que a nacionalização de parte do sistema financeiro pode ser a "opção menos ruim" a ser tomada pelos governantes americanos.  Posições a favor da nacionalização
O prêmio Nobel de Economia Paul Krugman publicou artigo no New York Times julgando correta a opção pela nacionalização. A opinião de Krugman fundamenta-se em três pilares. Primeiramente, "alguns bancos estão perigosamente perto do limite - na realidade, eles já teriam falido se os investidores não esperassem pelo socorro governamental em caso de necessidade". Além disso, o colapso do Lehman Brothers praticamente ruiu o sistema financeiro mundial e seria muito arriscado permitir algo semelhante com instituições do porte de Citigroup e Bank of America. Para completar, muito embora os bancos precisem de fato do resgate, o governo dos EUA não poderia, fiscal e politicamente, dar grandes benefícios aos acionistas dos bancos.   Posições a favor da nacionalização
Nouriel Roubini escreveu recentemente um artigo sobre o assunto no Washington Post em parceria com o colega Matthew Richardson. Eles dizem que poderá parecer “blasfêmia” para economistas que acreditam no sistema de livre mercado defender a aquisição de bancos por Washington, mas não viam alternativa em vista do prognóstico de prejuízos espantosos por parte dos bancos da ordem de US$ 1,8 trilhão, superando seu patrimônio líquido de US$ 1,4 trilhão.  Posições a favor da nacionalização
O economista ganhador do prêmio Nobel de Economia em 2001, Joseph Stiglitz, também se mostrou a favor da nacionalização: "Na verdade, os bancos não se encontram de boa saúde. O governo americano injetou centenas de bilhões de dólares, sem qualquer efeito prático. Os bancos estão falidos. Os americanos são atualmente donos de um número bastante grande dos principais bancos. Mas não possuem qualquer controle no funcionamento dos mesmos, e qualquer sistema em que exista uma separação entre a propriedade e o controle, só pode conduzir ao desastre. A nacionalização é a única solução para estes bancos falidos." Posições a favor da nacionalização
Ben Bernanke, atual presidente do FED, disse numa audiência no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados dos EUA, que: "Nacionalização, no meu ponto de vista, é quando o governo assume os bancos, zera a posição dos acionistas e começa a gerenciar e controlar o banco, e nós não planejamos fazer nada parecido com isso". Posições contra a nacionalização
Economistas da consultoria First Trust Advisors publicaram relatório mostrando-se contrários à nacionalização. Para eles, a opção mais adequada seria a suspensão da obrigatoriedade de marcar a mercado os títulos das instituições financeiras. Com a deterioração contínua dos preços dos ativos tóxicos, a regra obriga um agravamento constante da folha de balanço dos bancos. Sem ela, os bancos poderiam esperar um melhor momento no mercado para então marcar o valor de seus papéis. De acordo com os economistas, essa seria uma solução mais rápida e menos custosa aos contribuintes. Posições contra a nacionalização
Revista da Semana, edição 78 de 12 de março de 2009 Revista Isto É Dinheiro, edição 594 de 25 de fevereiro de 2009 Revista Época, edição 563 de 28 de fevereiro de 2009 Portal InfoMoney, notícia publicada em 23 de fevereiro de 2009 Portal Terra, notícia publicada em 25 de fevereiro de 2009 Site wharton.universia.net, artigo publicado em 25 de fevereiro de 2009 Site www.adital.com.br, entrevista publicada em 18 de fevereiro de 2009 Bibliografia
MUITO OBRIGADO Contato:  [email_address] www.venturacorporate.com.br

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  • 2. Nacionalização dos bancos americanos: A única saída? Por Alexsandro Rebello Bonatto
  • 3.  
  • 4. Exemplos de nacionalização A solução foi adotada na Suécia em 1991 e 1992, quando o país nórdico também enfrentou uma grave crise bancária. Com a estatização, o governo assumiu os créditos podres, limpou os balanços das instituições financeiras e, em seguida, vendeu o controle a investidores privados. O custo dessa intervenção, à época, doi de quase 10% do PIB sueco.
  • 5. Recentemente a Alemanha aprovou uma lei abrindo o caminho para a estatização. O alvo é o banco Hypo Real State Holding, que é a principal instituição financeira alemã com foco no crédito imobiliário. Ela recebeu aportes oficiais superiores a US$ 63 bilhões do governo alemão, mas não para de apresentar prejuízos, da ordem de US$ 4 bilhões por trimestre. Se a nacionalização vier a se confirmar, será a primeira desde 1930. Exemplos de nacionalização
  • 6. Especula-se — apesar das frequentes negativas por parte do primeiro-ministro britânico Gordon Brown — que o governo britânico planeja nacionalizar o Lloyds Banking Group ou o Royal Bank of Scotland (RBS), cuja participação acionária do governo é de 43% e 70%, respectivamente. Há um ano apenas, o R.U. nacionalizou o Northern Rock, um dos primeiros bancos a ter prejuízos catastróficos com a exposição de hipotecas lastreadas pelo crédito subprime nos EUA. Exemplos de nacionalização
  • 7. O próprio presidente Barack Obama disse recentemente a ABC News que é preciso cautela em relação ao modelo sueco de nacionalização dos bancos tendo em vista a dimensão da indústria bancária americana. “A escala da economia americana e dos mercados de capitais vastos demais, assim como [...] os problemas próprios da administração e do controle de qualquer coisa dessa magnitude” exigiriam procedimentos tão complexos, disse Obama, “que simplesmente não fariam sentido. Além disso, temos outras tradições neste país.” A situação americana
  • 8. Nos EUA, país onde o sistema financeiro tradicionalmente esteve sob controle privado, a situação está se tornando insustentável. Só em 2009, já foram fechados 14 bancos. Desde o início da crise, 39 instituições financeiras encerraram as atividades. É pouco perto dos 8 mil bancos dos EUA, mas é quase oito vezes a média histórica de quatro ou cinco por ano, desde 2000. Supõe-se que muitos bancos não consigam chegar ao fim de 2009, por causa da recessão e do aumento da inadimplência. No total, 314 instituições já cederam parte de suas ações ou outros papéis ao Tesouro americano, em garantia a US$ 350 bilhões em ajuda governamental. A situação americana
  • 9. Há dois grandes bancos americanos especialmente ameaçados: o Citigroup, que recebeu US$ 300 bilhões do pacote de ajuda do governo — em boa parte sob a forma de garantias a empréstimos concedidos no final do ano passado — e o Bank of America (BofA), beneficiário de um programa semelhante no valor de US$ 120 bilhões concedidos no início deste ano. Numerosos especialistas acreditam que os dois resgates concedidos, apesar do enorme volume de dinheiro envolvido, pouco adiantaram para tirar os bancos da beira da insolvência, e o governo federal pouco pode fazer agora sem se tornar acionista majoritário A situação americana
  • 10. Para Alan Greenspan o governo americano pode ser obrigado a nacionalizar alguns bancos americanos de maneira temporária para evitar o aprofundamento da crise financeira e para a normalização do crédito. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, Greenspan, que sempre foi tido como um dos principais defensores do liberalismo econômico, afirmou que a nacionalização de parte do sistema financeiro pode ser a "opção menos ruim" a ser tomada pelos governantes americanos. Posições a favor da nacionalização
  • 11. O prêmio Nobel de Economia Paul Krugman publicou artigo no New York Times julgando correta a opção pela nacionalização. A opinião de Krugman fundamenta-se em três pilares. Primeiramente, "alguns bancos estão perigosamente perto do limite - na realidade, eles já teriam falido se os investidores não esperassem pelo socorro governamental em caso de necessidade". Além disso, o colapso do Lehman Brothers praticamente ruiu o sistema financeiro mundial e seria muito arriscado permitir algo semelhante com instituições do porte de Citigroup e Bank of America. Para completar, muito embora os bancos precisem de fato do resgate, o governo dos EUA não poderia, fiscal e politicamente, dar grandes benefícios aos acionistas dos bancos. Posições a favor da nacionalização
  • 12. Nouriel Roubini escreveu recentemente um artigo sobre o assunto no Washington Post em parceria com o colega Matthew Richardson. Eles dizem que poderá parecer “blasfêmia” para economistas que acreditam no sistema de livre mercado defender a aquisição de bancos por Washington, mas não viam alternativa em vista do prognóstico de prejuízos espantosos por parte dos bancos da ordem de US$ 1,8 trilhão, superando seu patrimônio líquido de US$ 1,4 trilhão. Posições a favor da nacionalização
  • 13. O economista ganhador do prêmio Nobel de Economia em 2001, Joseph Stiglitz, também se mostrou a favor da nacionalização: "Na verdade, os bancos não se encontram de boa saúde. O governo americano injetou centenas de bilhões de dólares, sem qualquer efeito prático. Os bancos estão falidos. Os americanos são atualmente donos de um número bastante grande dos principais bancos. Mas não possuem qualquer controle no funcionamento dos mesmos, e qualquer sistema em que exista uma separação entre a propriedade e o controle, só pode conduzir ao desastre. A nacionalização é a única solução para estes bancos falidos." Posições a favor da nacionalização
  • 14. Ben Bernanke, atual presidente do FED, disse numa audiência no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados dos EUA, que: "Nacionalização, no meu ponto de vista, é quando o governo assume os bancos, zera a posição dos acionistas e começa a gerenciar e controlar o banco, e nós não planejamos fazer nada parecido com isso". Posições contra a nacionalização
  • 15. Economistas da consultoria First Trust Advisors publicaram relatório mostrando-se contrários à nacionalização. Para eles, a opção mais adequada seria a suspensão da obrigatoriedade de marcar a mercado os títulos das instituições financeiras. Com a deterioração contínua dos preços dos ativos tóxicos, a regra obriga um agravamento constante da folha de balanço dos bancos. Sem ela, os bancos poderiam esperar um melhor momento no mercado para então marcar o valor de seus papéis. De acordo com os economistas, essa seria uma solução mais rápida e menos custosa aos contribuintes. Posições contra a nacionalização
  • 16. Revista da Semana, edição 78 de 12 de março de 2009 Revista Isto É Dinheiro, edição 594 de 25 de fevereiro de 2009 Revista Época, edição 563 de 28 de fevereiro de 2009 Portal InfoMoney, notícia publicada em 23 de fevereiro de 2009 Portal Terra, notícia publicada em 25 de fevereiro de 2009 Site wharton.universia.net, artigo publicado em 25 de fevereiro de 2009 Site www.adital.com.br, entrevista publicada em 18 de fevereiro de 2009 Bibliografia
  • 17. MUITO OBRIGADO Contato: [email_address] www.venturacorporate.com.br