Contenção física em doentes ventilados mecanicamente em uci

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  • Indicar proveniência!
  • Tema que suscita muitas dúvidas. Sobre como abordar, sobre como agir, sobre como atuar
  • Pode parecer cruel…trata-se de limitar os movimentos espontâneos de alguém. O que levanta algumas questões. Questões éticas? Enquadramento legal? O beneficio é superior ao risco?
  • Assim, tentei esquematizar esta apresentação sobre o paradigma do bem e do mal, das… “ vozes da consciência ”
  • Existem certas palavras que, comummente, estão associadas à restrição física
  • Contenção física em doentes ventilados mecanicamente em uci

    1. 1. XVI Congresso daventilação: contenção física em doentes ventilados mecanicamente em UCIAbílio Cardoso Teixeira (RN | MsC Nursing Science)Serviço de Cuidados Intensivos 1, Centro Hospitalar do Porto - Hospital de Santo AntónioVogal de Enfermagem da APNEP | Coordenador do Grupo de Trabalho de Enfermagem da APNEP
    2. 2. ?
    3. 3. a abordar:introduçãomitos (ou não?)estudo PRICEclinical practice guidelinesrazões para o seu usoimplicaçõesfuturo
    4. 4. Decisão para o seu uso:complexa e influenciada porinúmeros fatoresMion LC (2008). Physical restraint in critical care settings: will they go away?. Geriatric Nursing, 29(6). pp. 421-3.
    5. 5. Restrição de movimentos: dano físico epsicológico e, em casos extremos, morte(JBI,2002;Evansetal,2003;Saufl,2004;Fariñaetal,2009)
    6. 6. FDA (2003): estima em 100 mortes/ anoFogel, J; Berkman, C; Merkel, C (2009) Efficient and Accurate Measurement of Physucal Restraint Use in Acute Care. Care Managment Journals 10(3). p. 100-11
    7. 7. Implicações éticas e legais: liberdade,dignidade e autonomia(Saufl,2004;Brayetal,2004;Mohr,2010)
    8. 8. Forma de controlo?
    9. 9. na 1ª pessoa“As minhas mãos estavam amarradas desde que me tornei consciente. Claro, eu não quero seramarrado. Senti como se fosse um cão. Devem-me tratar comoum ser humano... As minhas mãos e costas estão doridas. Você não pode entendertamanha dor” (M, 71 anos)“Não amarrem as minhas mãos. Estar doente era lamentável o suficiente e a pior partefoi amarrar minhas mãos. Eu poderia suportar toda a dor e apenas não amarremas minhas mãos. Não era razoável. Eles podiam falar comigo ou dizercomo cooperar com eles. O Enfermeiros não devem usar a contenção como umaferramenta para forçar os pacientes a cooperar com eles” (F, 68 anos)Chang, CW; Chen, YM; Su, CC (2011). Care needs of older patients in the intensive care units. Journal of Clinical Nursing, 21, p. 825–832, doi: 10.1111/j.1365-2702.2010.03611.x
    10. 10. mito 1 (ou não?)Restringir os movimentos a doentes com entubação traqueal, previnea auto-extubaçãoNum estudo comparativo (n= 100) entre EUA e Noruega (Martin & Mathisen, 2005):•restrição física apenas na amostra dos EUA•exteriorização acidental de dispositivos: apenas na amostra dos EUARevisão (Kiekkas et al., 2013):• como fatores responsáveis pela extubação acidental: inexperiência da equipa, inadequada fixação do tubo(restrição física mantém-se controversa)Martin, B; Mathisen, L. (2005). Use of physical restraints in adult critical care: a bicultural study. American Journal of Critical Care, 14. p. 133 -142
    11. 11. mito 2 (ou não?)Doentes com restrição de movimentos têm um maiortempo de internamentoDoentes com restrição física têm maior tempo de internamento (Cohen & Alexander, 2011; Fogel,Berkman & Merkel, 2009)
    12. 12. mito 3 (ou não?)Aumento da conscencialização dos profissionais poderesultar em mudanças na práticaDiversos estudos têm-se focado na percepção do enfermeiros sobre as restrições físicasEstudos sobre planos educativos e mudanças comportamentais, aumentando a segurança ediminuindo o recurso à restrição física (Cohen & Alexander, 2011)
    13. 13. Fenómeno cultural?Martin, B.Mathison, L. 2005 Use of physical restraints in Adult Critical Care: A bicultural study. American Journal of Critical Care, 14: 133 -142
    14. 14. estudo PRICE (Benbenbishty J ; Adam S ; Endacott R, 2010)Benbenbishty J ; Adam S ; Endacott R (2010). Physical restraint use in intensive care units across Europe: the PRICE study. Intensive & CriticalCare Nursing, 26 (5), pp. 241-5.
    15. 15. estudo PRICE (Benbenbishty J ; Adam S ; Endacott R, 2010)9 países Europeus e 1 UCI da Austrália (34 UCI’s)545 doentes (restrição física e/ou química)tamanho médio das UCI’s: 14 camas (4-24)média de admissões por mês: 63 doentes (15-143)
    16. 16. estudo PRICE (Benbenbishty J ; Adam S ; Endacott R, 2010)
    17. 17. estudo PRICE (Benbenbishty J ; Adam S ; Endacott R, 2010)
    18. 18. estudo PRICE (Benbenbishty J ; Adam S ; Endacott R, 2010)
    19. 19. Sem base científica e sembenefícios comprovados(Hine, 2007; Fogel, Berkman & Merkel, 2009)
    20. 20. Clinical practice guidelines for the maintenance ofpatient physical safety in the ICUMaccioli, GA; et al. (2003) Clinical practice guidelines for the maintenance of patient physical safety in the intensive care unit: Use of restraining therapies— American College of Critical Care Medicine TaskForce 2001–2002. Crit Care Med, 31(11). p. 2665-76Recomendação Nível de evidênciaDeverão ser criados ambientes menos restritivos, mas o mais seguro possível (evitar uso de restrições) CRestrições físicas não devem ser usadas como rotina ou como terapia CO doente deverá ser devidamente avaliado, evitando o uso de restrição física CA escolha das restrições deverá ser o menos invasivo, capaz de otimizar a segurança, conforto e dignidade dodoenteCDeverão ser documentados dados relativos ao início, razão e duração da restrição física; esta deverá ter umperíodo limitado de 24h: reavaliar 8/8h (no minimo)CDeverá ser monitorizado o doente de 4/4h, ou mais frequentemente, em caso de agitação CDoentes e familiares deverão receber informação sobre esta terapia CTerapia farmacológica usada para o tratamento da dor, ansiedade ou disturbios psiquiátricos, poderá ser usadacomo adjuvante, evitando ou minimizando o uso de restrição físicaC
    21. 21. Clinical practice guidelines for the maintenance ofpatient physical safety in the ICUMaccioli, GA; et al. (2003) Clinical practice guidelines for the maintenance of patient physical safety in the intensive care unit: Use of restraining therapies— American College of Critical Care Medicine TaskForce 2001–2002. Crit Care Med, 31(11). p. 2665-76
    22. 22. Clinical practice guidelines for the maintenance ofpatient physical safety in the ICUMaccioli, GA; et al. (2003) Clinical practice guidelines for the maintenance of patient physical safety in the intensive care unit: Use of restraining therapies— American College of Critical Care Medicine TaskForce 2001–2002. Crit Care Med, 31(11). p. 2665-76Estudo de caso; Pouca qualidade prognóstica
    23. 23. razões para o seu usoTurgay AS ; Sari D ; Genc RE (200 9) Physical restraint use in Turkishintensive care units. Clinical Nurse Specialist, 23(2). p. 68-72.190 Enfermeiras de UCI (7 hospitais na Turquia):86,8% justificam o uso de restrições para evitar a exteriorização de dispositivos médicos;68,9% referem a melhoria do estado mental para a remoção da restrição;84,7% reportam que os locais mais comuns para restringir movimentos são os punhos etornozelo;84,7%: uso sem prescrição médica (verbal ou escrita)
    24. 24. razões para o seu usoLangley, Gayle ; Schmollgruber, Shelley ; Egan, Anthony (2011). Restraints inintensive care units—A mixed method study. Intensive &Critical Care, 27 (2): 67-75.219 doentes (3 UCI’s): 106 (48,4%) com restrição de movimentosmédia de dias com restrição de movimentos: 9 (1-53)47 dos doentes com restrição de movimentos: sedados e analgasiadosRazão para o uso de restrições:•segurança do doente.
    25. 25. razões para o seu usoLane, C; Harrington, A. (2011). The factors that influence nurses’ useof physical restraint: A thematic literature review. InternationalJournal of Nursing Practice, 17. p. 195–204Segurança e prevenção de danosConforto e segurança (enfermeira)Carga de trabalho e ratio• Rotina
    26. 26. implicaçõesPérez de Ciriza Amatriain AI, Nicolás Olmedo A, Goñi Viguria R, Regaira Martínez E, MargallCoscojuela MA, Asiain Erro MC. (2012). Physical restraint use in critical careunits. Perceptions of patients and their families. Enfermaria Intensiva23(2). p. 77-86. doi: 10.1016/j.enfi.2011.12.004. Epub 2012 Mar 16.72% dos individuos: restrição de movimentos por um período < 12h; 28% dos individuos:restrição de movimentos por um período > 12hDa análise das entrevistas:aos doentes: aceitação da restrição, condicionada pelas crenças e informação fornecida, ...aos familiares: impato causado pelo uso de restrição de movimentos, alternativas ao uso derestrição...Conclusão: sem repercussões futuras; necessidade de mais estudos.
    27. 27. implicaçõesKandeel, NA; Attia, AK. (2013). Physical restraints practice in adultintensive care units in Egypt. Nursing & Health Sciences, 15(1): 79-85.275 doentes internados em UCI e 153 enfermeiras (11 UCI’s): formulário para registo deobservação e questionário.Restrição de movimentos visam a segurança do doenteComplicações observadas:•eritema•equimoses•edema
    28. 28. implicaçõesAumento do tempo de internamentoAumento da incidência de delírioAumento da incidência de confusãoDiminuição da segurançaDesconfortoÚlceras de pressãoInfeções nosocomiaisMorte (estrangulamento e asfixia)Cohen, L; Alexander, K (2011) EB110 Shifting the Culture: Charting a Course to Eliminate Use of Restraints While Maintaining a Safe Environment. Critical Care Nurse, 31(2)Fogel, J; Berkman, C; Merkel, C (2009) Efficient and Accurate Measurement of Physucal Restraint Use in Acute Care. Care Managment Journals 10(3). p. 100-11
    29. 29. implicaçõesAumento da agitaçãoAumento da confusãoDesgaste cognitivoNegaçãoApatiaCohen, L; Alexander, K (2011) EB110 Shifting the Culture: Charting a Course to Eliminate Use of Restraints While Maintaining a Safe Environment. Critical Care Nurse, 31(2)Fogel, J; Berkman, C; Merkel, C (2009) Efficient and Accurate Measurement of Physucal Restraint Use in Acute Care. Care Managment Journals 10(3). p. 100-11
    30. 30. futuroEducação e formação (política de segurança)Cohen, L; Alexander, K (2011) EB110 Shifting the Culture: Charting a Course to Eliminate Use of Restraints While Maintaining a Safe Environment. Critical Care Nurse, 31(2)
    31. 31. futuroEducação e formação (política de segurança)Ocorrência de eventos adversosTaxa de auto-extubação: < 3% (apenas 5 doentes necessitaram de re-entubação)Quedas (por 1000 dias doente): decréscimo para 1,65Cohen, L; Alexander, K (2011) EB110 Shifting the Culture: Charting a Course to Eliminate Use of Restraints While Maintaining a Safe Environment. Critical Care Nurse, 31(2)
    32. 32. futuro
    33. 33. futuroImportante:Decisão;Formação;Política institucional.

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