Os ovos misteriosos

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Os ovos misteriosos

  1. 1. OS OVOS MISTERIOSOS
  2. 2. Era uma vez uma galinha que todos os dias punha um ovo. E todos os dias vinha a dona, com uma cestinha tirar-lho.
  3. 3. - Já pus 1000 ovos. Podia ser mãe de mil filhos. Mas não tenho nenhum por causa da gente gulosa. Vou fugir!
  4. 4. Quando a dona abriu a porta para entrar na capoeira, ela fugiu para a mata. Fez um ninho muito bonito e pôs um ovo muito branquinho.
  5. 5. A galinha saiu do ninho para comer. Quando voltou, qual não foi o seu espanto ao ver o ninho cheio de ovos de todos os tamanhos e feitios.
  6. 6. -Na minha capoeira tiravam- me os ovos, aqui oferecem-mos. Mas que sorte. A galinha aninhou-se e ficou a chocar os ovos. Daí por diante, mal saia do choco.
  7. 7. O tempo foi passando. Até que o primeiro ovo estalou. Ai, mas que filho Eu até desmaio! Em vez de ser pinto É um papagaio.
  8. 8. No dia seguinte outro ovo se abriu. Ai, mas que filho Como ele é diferente! Em vez de ser pinto É uma serpente.
  9. 9. Nessa mesma tarde, o maior de todos os ovos partiu-se ao meio. Ai, mas que filho Este é de truz! Em vez de ser pinto É uma avestruz.
  10. 10. A galinha ia caindo para o lado quando viu o próximo a nascer. Ai, mas que filho Deve vir do Nilo! Em vez de ser pinto É um crocodilo.
  11. 11. A galinha ia caindo para o lado quando viu o próximo a nascer. Ai, mas que filho Diz o meu instinto! Que este finalmente É mesmo um pinto.
  12. 12. As amigas diziam à mãe galinha para ela só tratar do pinto e não ligar aos outros bichos. Mas como podia ela abandoná-los depois de os ter chocado com tanto amor? Que outra mãe havia de tratar deles?
  13. 13. Era feliz mas vivia num desassossego. O papagaio voava para as árvores e ela não sabia voar.
  14. 14. O crocodilo só estava bem dentro da água e ela não sabia nadar.
  15. 15. A serpente metia-se por todos os buracos e ela era gorda demais para a poder ir buscar.
  16. 16. A avestruz, essa, devorava tudo, não havia comida que lhe chegasse.
  17. 17. Só o pinto, naturalmente, se portava como um pinto.
  18. 18. Mas ela de todos gostava. De todos cuidava.
  19. 19. Coçava a serpente quando ela tinha cócegas, porque à pobrezinha faltavam as patas.
  20. 20. Enrouquecia de tanto tagarelar com o papagaio, que queria sempre conversa.
  21. 21. Cansava-se a carregar petiscos para a comilona da avestruz.
  22. 22. Esgravatava o chão em busca de sementes para o pinto.
  23. 23. E nos intervalos lavava as dentuças do crocodilo.
  24. 24. Tudo parecia correr bem até que apareceu no bosque um rapaz. Que belo frango! Vou assá-lo para o jantar.
  25. 25. Cocorococó! A mãe galinha refilou.... o que na sua língua quer dizer “Não lhe toques, senão pico-te”.
  26. 26. A serpente, ao ver o que se passava, pôs-se à sua frente a assobiar, mostrando os dentes de veneno. O rapaz atirou-se ao lago para lhe escapar.
  27. 27. Foi a vez do crocodilo avançar de boca aberta. Ai, que este me come!
  28. 28. Depois apareceu o papagaio a gritar:
  29. 29. O rapaz pensou que era a polícia. Logo atrás de si começou a ouvir passos, primeiro distantes, depois cada vez mais próximos. Era a avestruz. Pensando que um polícia o perseguia, largou a ave e só parou na aldeia.
  30. 30. Às costas da irmã avestruz, o frango voltou para casa. Para festejar, a galinha juntou todos os filhos e fez-lhes um bolo com vários andares.
  31. 31. Outro, ratos para a serpente. Outro, fruta para o papagaio. Outro, peixe para o crocodilo. Um tinha milho para o frango. E por cima, a enfeitar, sete berlindes, um martelo e vinte pregos, porque a avestruz só gostava de pitéus extravagantes.
  32. 32. Depois do jantar, os filhos fizeram uma roda à volta da galinha e puseram-se a cantar: Somos todos irmãos, Somos todos diferentes: Há uns que têm bico, Outros que têm dentes, Há uns que têm escamas, Outros que têm asas, Na terra e na água Fazemos nossas casas. Eu só tenho pescoço. Eu voo pelo ar. Eu nado a quatro patas. Eu cá gosto de andar. Somos todos diferentes, Mas todos queremos bem À boa da galinha Que é a nossa mãe.
  33. 33. Fim

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