IRACEMA – José de Alencar (1865)
A Independência do Brasil: “Minha terra tem palmeiras”. <ul><li>A corte de D. João VI no Brasil (1808-1821) </li></ul><ul>...
Romantismo: Cultura e Estética Burguesa <ul><li>Individualismo </li></ul><ul><li>Liberalismo </li></ul><ul><li>Culto ao No...
Romance Romântico: o Gênero Burguês <ul><li>Narrativa longa </li></ul><ul><li>Narrativa em Prosa </li></ul><ul><li>Estrutu...
O Folhetim Histórico-Indianista: formação da identidade nacional <ul><li>Ambientação Histórica: </li></ul><ul><li>O Brasil...
Iracema, José de Alencar Martim Iracema Perfeição Moral Perfeição Ética Perfeição Estética Dote: Colonizador e Guerreiro P...
Narrador: História x Estória <ul><li>3ª Pessoa: </li></ul><ul><li>Onisciência </li></ul><ul><li>A História: Realidade </li...
A Prosa-Poética: Linguagem e Nacionalidade <ul><li>Analogias: Heróis x Natureza-Pátria </li></ul><ul><li>Comparações: Hero...
Enredo: História e Lenda <ul><li>História: </li></ul><ul><li>Formação do Brasil e da Brasilidade </li></ul><ul><li>Coloniz...
Enredo: História e Lenda <ul><li>Lenda: </li></ul><ul><li>A Virgem dos Lábio de Mel </li></ul><ul><li>A Formação do Ceará ...
A Temática Histórico-Indianista: <ul><li>O Pitoresco do Brasil: Lírico e Poético </li></ul><ul><li>Historiografia e Geogra...
Ambiente: Paraíso Tropical <ul><li>O Paraíso Tropical Histórico </li></ul><ul><li>Século XVI / Início da Colonização </li>...
Personagens: Estereotipação e Identidade Nacional <ul><li>Iracema: Heroína – Tabajara / Sacerdotisa / Segredo da Jurema / ...
Personagens: Estereotipação e Identidade Nacional <ul><li>Poti: Ajudador / Amigo de Martim / Guerreiro Pitiguara </li></ul...
Personagens: Estereotipação e Identidade Nacional <ul><li>Jacaúna: Chefe-Guerreiro Pitiguara / Irmão de Poti </li></ul><ul...
Personagens: Estereotipação e Identidade Nacional <ul><li>Araquém: Pai de Iracema / Pajé Tabajara </li></ul><ul><li>Andira...
IRACEMA Martim Soares Moreno  Araquém Andira Irapoã Caubi Batuirité Poti Jatobá Jacauna TABAJARAS PITIGUARAS MOACIR IRACEM...
IRACEMA – Cap. I <ul><li>“ VERDES MARES BRAVIOS de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; </li><...
IRACEMA – Cap. II <ul><li>Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. </li></ul><ul><li>...
IRACEMA – Cap. XV <ul><li>-Vai e torna com o vinho de Tupã! </li></ul><ul><li>Quando Iracema foi de volta, já o Pajé não e...
IRACEMA – Cap. XV <ul><li>Quando veio a manhã, ainda achou Iracema ali debruçada qual borboleta que dormiu no seio do form...
IRACEMA – Cap. XVII <ul><li>-Iracema te acompanhará, guerreiro branco, porque ela já é tua esposa. </li></ul><ul><li>Marti...
IRACEMA – Cap. XX <ul><li>A lua cresceu. </li></ul><ul><li>Três sóis havia que Martim e Iracema estavam nas terras dos pit...
IRACEMA – Cap. XXIII <ul><li>Travou da mão do esposo e a impôs no regaço: </li></ul><ul><li>-Teu sangue já vive no seio de...
IRACEMA – Cap. XXIV <ul><li>O estrangeiro, tendo adotado a pátria da esposa e do amigo, devia passar por aquela cerimônia,...
IRACEMA – Cap. XXVII <ul><li>Como o imbu na várzea, era o coração do guerreiro branco na terra selvagem. A amizade e o amo...
IRACEMA – Cap. XXVIII <ul><li>-O que espreme as lágrimas do coração de Iracema? </li></ul><ul><li>-Chora o cajueiro quando...
IRACEMA – Cap. XXX <ul><li>Estreitou-se com a haste da palmeira. A dor lacerou suas entranhas; porém logo o choro infantil...
IRACEMA – Cap. XXXII <ul><li>-Iracema! ... </li></ul><ul><li>A triste esposa e mãe soabriu os olhos, ouvindo a voz amada. ...
IRACEMA – Cap. XXXIII <ul><li>(...) Veio também um sacerdote de sua religião, de negras vestes, para plantar a cruz na ter...
“ Tudo passa sobre a terra”.
Iracema, mais perfeita eu nunca vi Iracema heroina de outrora Chorou, chorou de dor porque Iracema, achou que o Martim foi...
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Aula definitiva iracema

  1. 1. IRACEMA – José de Alencar (1865)
  2. 2. A Independência do Brasil: “Minha terra tem palmeiras”. <ul><li>A corte de D. João VI no Brasil (1808-1821) </li></ul><ul><li>O Sentimento Nativista </li></ul><ul><li>Independência Política </li></ul><ul><li>A Construção do Império </li></ul><ul><li>O II Império </li></ul><ul><li>IHGB - Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro </li></ul><ul><li>Independência Cultural: Imagem e Auto-Imagem </li></ul>
  3. 3. Romantismo: Cultura e Estética Burguesa <ul><li>Individualismo </li></ul><ul><li>Liberalismo </li></ul><ul><li>Culto ao Novo </li></ul><ul><li>Cristianismo </li></ul><ul><li>Materialismo </li></ul><ul><li>Subjetivismo </li></ul><ul><li>Liberdade de Expressão </li></ul><ul><li>Imaginação Criadora </li></ul><ul><li>Espírito Absoluto, Lirismo Intenso, Moral </li></ul><ul><li>Materialização da Alma e da Emoção </li></ul>
  4. 4. Romance Romântico: o Gênero Burguês <ul><li>Narrativa longa </li></ul><ul><li>Narrativa em Prosa </li></ul><ul><li>Estrutura: 01 Núcleo Narrativo </li></ul><ul><li>Núcleo: Folhetim </li></ul><ul><li>Superficialidade e Tipificação </li></ul><ul><li>Espaço e Identidade / Heroísmo </li></ul>
  5. 5. O Folhetim Histórico-Indianista: formação da identidade nacional <ul><li>Ambientação Histórica: </li></ul><ul><li>O Brasil: Descobrimento e Colonização </li></ul><ul><li>O Herói colonizador </li></ul><ul><li>Indianismo </li></ul><ul><li>O Brasil: Paraíso Tropical </li></ul><ul><li>O Índio: Beleza, Origem e Heroísmo </li></ul><ul><li>O Mito: Casal Original </li></ul>
  6. 6. Iracema, José de Alencar Martim Iracema Perfeição Moral Perfeição Ética Perfeição Estética Dote: Colonizador e Guerreiro Perfeição Moral Perfeição Ética Perfeição Estética Dote: Natureza Amor Idealizado Impedimentos Sociais: Tradição: Civilização x Primitividade Família: Tabajara x Pitiguara   Final Trágico Final Feliz   Poti: Ajudador Irapuã: Antagonista
  7. 7. Narrador: História x Estória <ul><li>3ª Pessoa: </li></ul><ul><li>Onisciência </li></ul><ul><li>A História: Realidade </li></ul><ul><li>A Estória: Ficção e Mito </li></ul><ul><li>1ª pessoa: </li></ul><ul><li>Identificação </li></ul><ul><li>Narrador x Terra-natal </li></ul><ul><li>Narrador x Heróis </li></ul>
  8. 8. A Prosa-Poética: Linguagem e Nacionalidade <ul><li>Analogias: Heróis x Natureza-Pátria </li></ul><ul><li>Comparações: Heroísmo x Natureza-Pátria </li></ul><ul><li>Prosopopéias: Natureza-Pátria como Espelho de Estados de Alma e Heroísmo </li></ul><ul><li>Língua: Identidade Nacional </li></ul><ul><li>Anagrama: IRACEMA x AMÉRICA </li></ul>
  9. 9. Enredo: História e Lenda <ul><li>História: </li></ul><ul><li>Formação do Brasil e da Brasilidade </li></ul><ul><li>Colonização: século XVI </li></ul><ul><li>Miscigenação: Etnia / Língua / Cultura </li></ul>
  10. 10. Enredo: História e Lenda <ul><li>Lenda: </li></ul><ul><li>A Virgem dos Lábio de Mel </li></ul><ul><li>A Formação do Ceará </li></ul><ul><li>O Mito do Casal Original </li></ul><ul><li>O Mito do Paraíso Tropical </li></ul>
  11. 11. A Temática Histórico-Indianista: <ul><li>O Pitoresco do Brasil: Lírico e Poético </li></ul><ul><li>Historiografia e Geografia x Lendário </li></ul><ul><li>Bom Selvagem: Felicidade Primitiva </li></ul><ul><li>Amor da Índia por um Estrangeiro </li></ul><ul><li>A Ameaça da Civilização à Natureza Original </li></ul><ul><li>A Morte da Beleza Nativa </li></ul><ul><li>Conflito: Velho Mundo Civilizado x Novo Mundo Primitivo </li></ul>
  12. 12. Ambiente: Paraíso Tropical <ul><li>O Paraíso Tropical Histórico </li></ul><ul><li>Século XVI / Início da Colonização </li></ul><ul><li>Ceará / Litoral </li></ul><ul><li>Visão Histórica e Geográfica </li></ul><ul><li>O Paraíso Tropical Lendário </li></ul><ul><li>Mito, Comoção e Idealização </li></ul><ul><li>Visão Lendária, Lírica e Poética </li></ul>
  13. 13. Personagens: Estereotipação e Identidade Nacional <ul><li>Iracema: Heroína – Tabajara / Sacerdotisa / Segredo da Jurema / Beleza Natural / América </li></ul><ul><li>Martim: Herói – Português / Cristão / Colonizador / Guerreiro Coatiabo / Beleza Natural / Europa </li></ul><ul><li>Moacir: mestiço nascido do amor entre Martim e Iracema; o brasileiro (cearense); filho da dor. </li></ul>
  14. 14. Personagens: Estereotipação e Identidade Nacional <ul><li>Poti: Ajudador / Amigo de Martim / Guerreiro Pitiguara </li></ul><ul><li>Caubi: Ajudador / Irmão de Iracema / Guerreiro Tabajara </li></ul>
  15. 15. Personagens: Estereotipação e Identidade Nacional <ul><li>Jacaúna: Chefe-Guerreiro Pitiguara / Irmão de Poti </li></ul><ul><li>Irapuã: Chefe-Guerreiro Tabajara / Anti-Herói / Pretendente de Iracema </li></ul>
  16. 16. Personagens: Estereotipação e Identidade Nacional <ul><li>Araquém: Pai de Iracema / Pajé Tabajara </li></ul><ul><li>Andira: Irmão de Araquém / Velho Sábio Tabajara / Pacifista </li></ul><ul><li>Jatobá: Pai de Poti e de Jacaúna / Velho Guerreiro Pitiguara / Sábio na Arte da Guerra </li></ul><ul><li>Batuireté: Avô de Poti e de Jacaúna / Velho Sábio Pitiguara / Prenuncia a Chegada do Europeu </li></ul>
  17. 17. IRACEMA Martim Soares Moreno Araquém Andira Irapoã Caubi Batuirité Poti Jatobá Jacauna TABAJARAS PITIGUARAS MOACIR IRACEMA MARTIM
  18. 18. IRACEMA – Cap. I <ul><li>“ VERDES MARES BRAVIOS de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba; </li></ul><ul><li>Verdes mares, que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros; </li></ul><ul><li>Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas.” </li></ul>
  19. 19. IRACEMA – Cap. II <ul><li>Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. </li></ul><ul><li>Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira. </li></ul><ul><li>O favo da jati não era doce como o seu sorriso; nem a baunilha rescendia no bosque como seu hálito perfumado. </li></ul><ul><li>Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas. </li></ul>
  20. 20. IRACEMA – Cap. XV <ul><li>-Vai e torna com o vinho de Tupã! </li></ul><ul><li>Quando Iracema foi de volta, já o Pajé não estava na cabana; tirou a virgem do seio o vaso que ali trazia oculto sob a carioba de algodào entretecida de penas. Martim lho arrebatou das mãos e libou as gotas do verde e amargo licor. </li></ul><ul><li>Agora podia viver com Iracema e colher em seus lábios o beijo, que ali viçava entre sorrisos como o fruto na corola da flor. Podia ama’la e sugar desse amor o mel e o perfume, sem deixar veneno no seio da virgem. </li></ul><ul><li>O gozo era vida, pois o sentia mais forte e intenso; o mal era sonho e ilusão, que da virgem não possuia senão a imagem. </li></ul><ul><li>(...) </li></ul>
  21. 21. IRACEMA – Cap. XV <ul><li>Quando veio a manhã, ainda achou Iracema ali debruçada qual borboleta que dormiu no seio do formoso cacto. Em seu lindo semblante acendia o pejo vivo rubores; e como entre os arrebóis da manhã cintila o primeiro raio do sol, em suas faces incendidas rutilava o primeiro sorriso da esposa, aurora de fruído amor. </li></ul>
  22. 22. IRACEMA – Cap. XVII <ul><li>-Iracema te acompanhará, guerreiro branco, porque ela já é tua esposa. </li></ul><ul><li>Martim estremeceu. </li></ul><ul><li>-Os maus espíritos da noite turbaram o espírito de Iracema. </li></ul><ul><li>-O guerreiro branco sonhava, quando Tupã abandonou sua virgem. A filha do Pajé traiu o segredo da jurema. </li></ul><ul><li>-O cristão escondeu as faces à luz. </li></ul><ul><li>-Deus!... Clamou seu lábio trêmulo. </li></ul><ul><li>Permaneceram ambos mudos e quedos. </li></ul><ul><li>Afinal disse Poti : </li></ul><ul><li>-Os guerreiros tabajaras despertam. </li></ul>
  23. 23. IRACEMA – Cap. XX <ul><li>A lua cresceu. </li></ul><ul><li>Três sóis havia que Martim e Iracema estavam nas terras dos pitiguaras, senhores das margens do Camocim e Acaracu. Os estrangeiros tinham sua rede na vasta cabana de Jacaúna. O valente chefe guardou para si o prazer de hospedar o homem branco.(...) </li></ul><ul><li>A sombra já se retirou da face da terra e Martim viu que ela não se retirava ainda da face da esposa, desde o dia do combate. </li></ul><ul><li>-A tristeza mora nálma de Iracema! </li></ul><ul><li>-A alegria para a esposa só vem de ti; quando teus olhos a deixam, as lágrimas enchem os seus. </li></ul><ul><li>-Por que chora a filha dos tabajaras? </li></ul><ul><li>-Esta é a taba dos pitiguaras, inimigos de seu povo. A vista de Iracema já conheceu o crânio de seus irmãos espetado na caiçara; seu ouvido já escutou o canto da morte dos cativos tabajaras; a mão já tocou as armas tintas do sangue de seus pais. </li></ul>
  24. 24. IRACEMA – Cap. XXIII <ul><li>Travou da mão do esposo e a impôs no regaço: </li></ul><ul><li>-Teu sangue já vive no seio de Iracema. Ela será Mãe de teu filho. </li></ul><ul><li>-Filho, dizes tu? Exclamou o cristão em júbilo. </li></ul><ul><li>Ajoelhou ali e cingindo-a com os braços, beijou o seio fecundo da esposa. </li></ul><ul><li>Quando ele ergueu-se, Poti falou: </li></ul><ul><li>-A felicidade do mancebo é a esposa e o amigo; a primeira dá alegria, o segundo dá força. O guerreiro sem a esposa é como a árvore sem folhas nem flores: nunca ela verá o fruto. O guerreiro sem amigo é como a árvore solitária que o vento açouta no meio do campo; o fruto dela nunca madurece. A felicidade do varão é a prole, que nasce dele e faz seu orgulho. </li></ul>
  25. 25. IRACEMA – Cap. XXIV <ul><li>O estrangeiro, tendo adotado a pátria da esposa e do amigo, devia passar por aquela cerimônia, para tornar-se um guerreiro vermelho, filho de Tupã. </li></ul><ul><li>(..) </li></ul><ul><li>-Coatibo (corpo pintado)! exclamou Iracema. </li></ul><ul><li>-Tu disseste: eu sou o guerreiro pintado; o guerreiro da esposa e do amigo. </li></ul><ul><li>Poti deu a seu irmão o arco e o tacape, que são armas nobres do guerreiro. Iracema havia tecido para ele o cocar e a araçóia, ornatos dos chefes ilustres. </li></ul>
  26. 26. IRACEMA – Cap. XXVII <ul><li>Como o imbu na várzea, era o coração do guerreiro branco na terra selvagem. A amizade e o amor o acompanharam e fortaleceram durante algum tempo, mas agora, longe de sua casa e de seus irmãos, sentia-se no ermo. O amigo e a esposa não bastavam mais à sua existência cheia de grandes desejos e nobres ambições. </li></ul>
  27. 27. IRACEMA – Cap. XXVIII <ul><li>-O que espreme as lágrimas do coração de Iracema? </li></ul><ul><li>-Chora o cajueiro quando fica tronco seco e triste. Iracema perdeu sua felicidade, depois que te espearaste dela. </li></ul><ul><li>-Não estou eu junto de ti? </li></ul><ul><li>-Teu corpo está aqui; mas tua alma voa à terra de teus pais e busca a virgem branca, que te espera. </li></ul><ul><li>Martim doeu-se. Os grandes olhos negros que a indiana pousara nele o tinham ferido no íntimo. </li></ul><ul><li>-O guerreiro branco é teu esposo; ele te pertence. </li></ul>
  28. 28. IRACEMA – Cap. XXX <ul><li>Estreitou-se com a haste da palmeira. A dor lacerou suas entranhas; porém logo o choro infantil inundou sua alma de júbilo. </li></ul><ul><li>A jovem mãe, orgulhosa de tanta ventura, tomou o tenro filho nos braços e com ele arrojou-se às águas límpidas do rio. Depois suspendeu-o à teta mimosa; seus olhos o envolviam de tristeza e amor. </li></ul><ul><li>-Tu és Moacir, o nascido de meu sofrimento. </li></ul>
  29. 29. IRACEMA – Cap. XXXII <ul><li>-Iracema! ... </li></ul><ul><li>A triste esposa e mãe soabriu os olhos, ouvindo a voz amada. Com esforço grande, pôde erguer o filho nos braços e apresentá-lo ao pai, que o olhava extático em seu amor. </li></ul><ul><li>-Recebe o filho de teu sangue. Era tempo; meus seios ingratos já não tinham alimento para dar-lhe! (..) </li></ul><ul><li>Iracema não se ergueu mais da rede onde a pousaram os aflitos braços de Martim. O terno esposo, em quem o amor renascera com o júbilo paterno,a cercou de carícias que encheram sua alma de alegria, mas não a puderam tornar à vida: o estame de sua flor se rompera. </li></ul><ul><li>-Enterra o corpo de tua esposa ao pé do coqueiro que tu amavas. Quando o vento do mar soprar nas folhas, Iracema pensará que é tua voz que fala entre seus cabelos. </li></ul><ul><li>O doce lábio emudeceu para sempre; o último lampejo despediu-se dos olhos baços. </li></ul>
  30. 30. IRACEMA – Cap. XXXIII <ul><li>(...) Veio também um sacerdote de sua religião, de negras vestes, para plantar a cruz na terra selvagem. </li></ul><ul><li>Poti foi o primeiro que ajoelhou aos pés do sagrado lenho; não sofria ele que nada mais o separasse do seu irmão branco. Deviam ter ambos um só deus, como tinham um só coração </li></ul><ul><li>Ele recebeu com o batismo o nome do santo cujo era o dia e o do rei a quem ia servir, e sobre os dois o seu na língua dos novos irmãos. Sua fama cresceu e ainda hoje é o orgulho da terra, onde ele primeiro viu a luz. </li></ul>
  31. 31. “ Tudo passa sobre a terra”.
  32. 32. Iracema, mais perfeita eu nunca vi Iracema heroina de outrora Chorou, chorou de dor porque Iracema, achou que o Martim foi embora Iracema, ela só dizia (Martim) Por amor abandonou a sua cultura A Ará chamava, mas a virgem não me escutava não Iracema você partiu com o loirão. E hoje ela vive num livro só seu. Ela entregou tudo ao colonizador De lembranças guardo só uma edição e fatos Iracema, você perdeu seu recato.

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