Zine oficial numero40_rock_cerrado_2012

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A edição impressa numero 40 do do Zine Oficial, com tiragem de 1.000 exemplares registra depoimentos de que o mais importante festival de rock do DF na Região do Entorno Sul, pode não acontecer mais após anos proporiconando espaço para bandas se apresentarem.

Remanescente do grupo que criou o Rock Cerrado do Gama em 1986, Carlos Trindade, ao divulgar a programação para a 11ª edição do festival no dia 28 de outubro de 2012, apontou dificuldades e falta de apoio para continuidade do Projeto

Gilmar (banda ARD), Ricardo (banda Kábula), Amarildo (OSubversivoZine) e Ari de Barros (Ferrock) analisam sob pontos de vistas diferentes os motivos que levaram ao anúncio do fim do Rock Cerrado.

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  • Olá, Flávio! Agradecemos pelas palavras de elogio ao trabalho do Zine Oficial. O espaço aberto para opinião de vários produtores sobre a notícia do fim do Rock Cerrado do Gama foi a forma que encontramos para reacender o debate as melhores formas de conduzir a política de incentivo cultural no DF. A Rádio Comunitária do Gama, especialmente o programa Cultura em Cena ( http://www.facebook.com/culturaemcenadf ) , são canais de suma importância para esse debate.
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  • Flavio Pinheiro :: Programa CULTURA EM CENA »»»»»»»»»»»»»»»»» Parabenizo primeiramente o ZO pelo caráter de isenção na abordagem dos fatos. Analisei cada depoimento e pude captar várias lições contidas nas experiências de cada produtor e de cada guerreiro da cena independente. Também estou fazendo parte e por opção tenho procurado manter o meu trabalho livre de amarras com políticos. Nem apoio da iniciativa privada tenho considerado viável, para manter o espírito de independência. Como o programa é novo - 2 anos - a solidez que quero conquistar. primeiramente, é contar com o reconhecimento por parte dos tantos artistas de todas as vertentes e tipos de manifestação cultural. Não é fácil encontrar parceiros comprometidos que acreditam em uma causa apenas por amor a ela. Sei que existem e espero identificá-los. no mais vou tocando o barco na esperança de dias melhores. O ROCK CERRADO, tem história. Consolidado já está. Certamente, os verdadeiros parceiros não permitirão o seu fim!
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Zine oficial numero40_rock_cerrado_2012

  1. 1. Rock Cerrado 2012 SERÁ O FIM?2012 nº 40www.zineoficial.com.br
  2. 2. Tatuagens Camisetas de Rock Acessórios Piercingswww.facebook.com/headmetal.gama headmetal15@gmail.com8542-9411 / 8273-8532 Ed. Alternativo Center - Loja 15 Setor Central - Gama/DF
  3. 3. DOMINGO Dia 28 de outubro de 2012 Praça do Cine Itapuã, Gama Leste, a partir das 16 horas. O mais tradicional festival de rock do DF na Região do Entorno Sul, em sua 11º Edição.Patrocínio:
  4. 4. Abertura do 11º Rock Cerrado com ROBERVAL(relembrando a banda Qualquer Coisa)às 16 horas do dia 28 de outubro de 2012, domingo.Na sequência, apresentações das seguintes bandas:RA IIA banda foi formada em janeiro de 2011, reunindo experientes músicos dacidade do Gama, com a intenção de fazer versões de grandes hits do rocknacional. Influências de bandas como Legião Urbana, Ira, Titãs, Ultraje àRigor, Capital Inicial e Roberto Carlos também se fazem presentes nascomposições próprias da banda.CÁLIDA ESSÊNCIAFormada como banda cover da Legião Urbana, sem sombra de dúvidas amaior referência da Cálida Essência, logo pós as garras de fora e começou acompor material próprio, o que culminou no lançamento do 1º CD, batizadode “O nome da rosa, a primeira partida”, trabalho que proporcionou umatour pelo nordeste, onde dividiram o palco com Paralamas do Sucesso, ORappa e Jota Quest. Em 2011 nasceu “Caderno da esperança”, um novoCD, muito bem recebido pela mídia especializada. Nele continuam asinfluências de Renato Russo e de toda a turma da colina, ou seja, rockbrasiliense com forte apelo lírico, que desde 1996 vem conquistando umespaço cada vez maior junto ao exigente público roqueiro.MADRE NEGRAImpossível desassociar a figura da Madre Negra da extinta Sem Destino,afinal, o poeta e frontman de ambas são a mesma pessoa: MarceloMarcelino. Nicko Roriz e Leandro formam uma potente cozinha, enquantoos riffs de Devan conduzem o turbilhão de influências roqueiras dessacontestadora e inquieta Madre Negra, banda que volta a colocar o nome dacidade de Luziânia (GO) na rota do rock alternativo brasileiro mais uma vez.As principais apresentações da banda foram no FERROCKSTOCK, Porão doRock e Os Insetus Contra Atacam (GO).KÁBULAToda a experiência conquistada ao longo de tantos anos de dedicação eparticipações em uma enorme quantidade de festivais, a banda vê suatrajetória coroada com um DVD gravado em 2012 e com previsão delançamento para o início de 2013. Em 2012 a Kábula também gravou o clipe“Lendas”, que contou com a participação especial do incomparávelroqueiro Serguei. Os CDs “Papilon” e “Na estrada” tiveram tiragemesgotada e os fãs agora devem se contentar com cópias de ambos ostrabalhos, enquanto o DVD (que teve a ilustre participação do tecladistaAndré, ex-Narcoze) não chega. Fernando (da thrasher Black Skull) é o novoguitarrista da Kábula, uma aquisição que deve colocar mais influênciasheavy-metal na bela mistura de hard-rock e de rocknroll feita pela banda.
  5. 5. DEATH SLAMNa ativa desde 04/10/1990 a Death Slam segue vestindo a camisa da naçãounderground com o mesmo entusiasmo e mesma disposição do início dacarreira. Nessa jornada de persistência e teimosia, a banda passou porincontáveis formações e um bom número de shows, sejam eles de pequeno, demédio ou de grande portes. A banda já lançou diversos tipos de materiais (fitasdemos, 7 ep, LP coletâneas e CD) e prepara-se para o lançamento de seu 1º DVDr, ,gravado no Gama (DF), o 2º CD solo e um novo compacto, dessa vez ao lado dabanda santista No Sense. A Death Slam já teve o privilégio de tocar ao lado debandas como Napalm Death (a maior influência da banda), Vulcano, Suffocation,RDP Cannibal Corpse, Torture Squad, Krisiun, ROT, Scum Noise, Ação Direta, ,Violator, Genocídio, entre quase uma infinidade de outras. Adélcio, Fellipe CDC,Itazil e Juliano movem a máquina que tem o utópico sonho de esmagar o poder!BRUTOFormada em 2004, a Bruto vem batalhando o seu espaço no cenário metálicobrasileiro e, graças a muito trabalho duro e amor pela camisa vestida, estáalcançando um ótimo retorno por parte do público amante da música pesada. ABruto já tocou ao lado de bandas como Torture Squad, RDP Krisiun, Simphony X e ,Matanza, tendo participado de grandes festivais como o Forcaos (CE), Porão doRock, Marrecos Fest, Rolla Pedra, Tattoo Rock Fest (GO), entre muitos outros.Enquanto divulga o seu 1º CD, “Mundo destruído”, a Bruto não perde tempo esegue firme compondo novos sons que comporão o próximo álbum. Após muitasalterações, Kbça, Sávio, Rodrigo, Léo e Henrique assumem a responsabilidade dedar continuidade ao trabalho o death e o thrash-metal sob uma única sonoridade.ARDAo lado da Elffus, a ARD, que começou a vida sob o complicado nome deStuhläpchen Von N (época que lançou o LP ao lado da BSB-H, em 1986), é abanda de rock mais em antiga em plena e franca atividade. Desde 1984 a bandaespalha seus gritos de protesto sob o mundo, seja em forma de fita cassete,compacto, LP ou CD. Com o passar dos anos o hardcore ríspido e comprometidoda ARD foi ganhando adornos e influências do universo do heavy-metal,sobretudo devido às novas formações. Em 2008 a veterana ARD ganhou umtributo em forma de CD, onde 13 bandas do Distrito Federal (DFC, Galinha Preta,Terror Revolucionário, Nomes Feios, etc) gravaram uma música cada para essasingela e merecida homenagem. Mais uma vez resumida a um quarteto (Gilmar,Juliano, Rafael e Ricardo), a After Radioactive Destruction segue colocando a suamúsica em prol de um mundo melhor ou pelo menos não tão violento!LÚPULO E CEREAIS NÃO MALTADOSQuem se lembra do Lucky sempre faz a ligação de sua pessoa com as bandasMantra (primeira banda de metal da Cidade Ocidental/GO) ou Desce a Heepa(cover da Uriah Heep). Entretanto a Lúpulo e Cereais Não Maltados, a nova paixãodo “garganta de ouro”, segue outra trilha. Na verdade, outras trilhas, visto aenorme gama de influências que passam por estilos como o bom e velho rocksetentista, o soul music, o reggae e o blues, tudo acentuado com uma forte dosede pop. O caldeirão musical produzido pela Lúpulo já possibilitou à banda aparticipação em diversos festivais. Moto Capital, Aniversário de Brasília e RockCerrado foram os maiores palcos onde essa numerosa banda já se apresentou.
  6. 6. Entrevista comCarlos Trindade,o Carlinhos doRock Cerrado.Carlos Trindade é um dos responsáveis pela idealização e produção dofestival Rock Cerrado e é com ele que falaremos agora.Fellipe CDC, Zine Oficial - Em 1986 um aglomerado de amigos se juntou e fundou o GrupoParasitas. Dessa união nasceu o Rock Cerrado, o primeiro grande festival de música do Gamavoltado ao rocknroll. Caso pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo?Carlos Trindade (Carlinhos, produtor do Rock Cerrado) - Faria tudo de novo, sim, se o tempovoltasse. Mas digo hoje que se for para contribuir com a cultura, bicho, é foda. O governo, porexemplo, que deveria fomentar, dificulta demais. Se for para produzir com intenção de ganhargrana é diferente, porque você teria todo seu tempo para tal e consequentemente mais acesso aosincentivos públicos. Agora, para quem quer difundir a cultura sem intenções financeiras, oDESGOVERNO não ajuda em nada. É muita burocracia.Fellipe CDC, Zine Oficial - Ao longo do tempo, com as muitas dificuldades encontradas para seproduzir cultura no DF e no Brasil, o Grupo Parasitas foi vendo o seu quadro de ativistas ficarreduzido em número quantitativo. Nessa hora também bate certo desânimo? Como contornouisso durante todo esse tempo?Carlos Trindade (Carlinhos, produtor do Rock Cerrado) - Sim, realmente é muito ruim ver que oscolegas de muitas lutas em prol da cultura se debandaram. O Rock Cerrado teve início com umagalera muito grande, porque todo mundo que curtia rock em nossa comunidade queria participardos Parasitas (grupo que deu início ao Projeto). A euforia deu-se até 1992. Depois, fui morar naCidade Ocidental por questões trabalhistas. Nesse período ficou difícil encontrar a galera. Passei15 anos fora do Gama.Fellipe CDC, Zine Oficial - Dentro do contexto sócio cultural – e, por favor, sem nenhuma modéstia-, como você avalia a importância de um festival como o Rock Cerrado para a cultura de suacidade, o Gama?Carlos Trindade (Carlinhos, produtor do Rock Cerrado) - O Rock Cerrado nunca foi um projetopara se ganhar dinheiro, mas sim para abrir espaços a bandas que estavam iniciando e também
  7. 7. viabilizar uma integração com bandas já existentes, que participaram das edições anteriores. Em2007 resolvemos promover a volta do Rock Cerrado e fizemos tudo com recursos próprios. Areceptividade do público foi enorme! Com isso, em 2008 e 2009 obtivemos emendasparlamentares que custearam a realização do evento. Em 2010 ocorreram vários problemas quenão tive tempo para contornar, pois minha atividade profissional não é a de produtor. Por causa dotrabalho, não consegui dar continuidade em 2010 e 2011. Bicho é foda falar isso, masinfelizmente, digo que por diversas vezes propuseram-me levar o Rock Cerrado para o Plano Piloto(Brasília), mas se você inicia uma ideia em sua cidade e essa ideia dá certo, porque mudar delugar? Lógico que se o projeto acontecesse na Capital Federal, com certeza, atrairia maior respeitode políticos e empresários. O Projeto Rock Cerrado do Gama, na minha visão jamais se venderia aqualquer que fosse proposta política.Fellipe CDC, Zine Oficial - Quantas bandas, em média, já passaram pelos palcos do RockCerrado?Carlos Trindade (Carlinhos, produtor do Rock Cerrado) - Cara, é difícil dizer ao certo agora. Masacho que umas cem bandas passaram pelo Rock Cerrado.Fellipe CDC, Zine Oficial - Sei que é difícil escolher, ter que citar nomes, mas peço a gentileza deque mencione seis apresentações inesquecíveis de todas essas bandas que já foram abençoadaspelo Rock Cerrado.Carlos Trindade (Carlinhos, produtor do Rock Cerrado) -ARD (quando era Stuhläpchen Von N)fez um show foi muito bom em 1986; BSB-H, também em 1986, foi outra apresentaçãoinesquecível: os caras chegaram em cima da hora e fizeram o público levantar a poeiraliteralmente; O show da banda BSB da Ceilândia (o vocalista era o Ariston), foi do caralho; Nãoesqueço também da banda Torino (puro rock´n roll); Mel da Terra (1992); Banda Kábula (o Ricardoé uma cara que não pode sair da cena); banda P .U.S, do Ronan...Fellipe CDC, Zine Oficial - Você promoveria outro evento musical que não fosse voltado aorocknroll?Carlinhos: Cara, não sei... Talvez sim, talvez não...Fellipe CDC, Zine Oficial - Previu, por algum momento, o quão penoso seria produzir shows de rock?Carlos Trindade (Carlinhos, produtor do Rock Cerrado) - Velho, se você quer fazer, meta ascaras. É complicado, mas no final vem o prazer, embora seja complicado relevar certas críticas.Muitos não sabem das dificuldades que enfrentamos... Então que se danem essas pessoas.Fellipe CDC, Zine Oficial - Qual foi a primeira banda de rock que ouviu e quais são as suas trêsbandas de coração?Carlos Trindade (Carlinhos, produtor do Rock Cerrado) - A primeira banda foi Pink Floyd. PinkFloyd, Legião Urbana, Plebe Rude são minhas bandas preferidas.Fellipe CDC, Zine Oficial - O Rock Cerrado foi realizado religiosamente de 1986 até 1992, quandoresolveram dar um tempo. Como foi chegar a essa decisão? Qual foi a parte mais dolorida dessa
  8. 8. dissolução? A volta em 2007 foi outro marco na história do Rock Cerrado. Por que houve essademora para um retorno tão esperado?Carlos Trindade (Carlinhos, produtor do Rock Cerrado) - Já falei sobre esse assunto em umapergunta anterior, mas vou acrescentar alguns detalhes ao responder de novo. Passei 15 anos forado Gama, minha cidade natal. Quando voltei em 2006, após muitas interlocuções com minha esposa(pastora evangélica), do quão era importante dar continuidade ao projeto, ela disse o seguinte: “Eunão apoio” (por conta da religião dela), “porém Deus sabe o que faz”. Seguindo essa lógica, "Deus"fez acontecer o retorno. E foi muito massa juntar aquela turma que há muitos anos não se via.Fellipe CDC, Zine Oficial - Mais uma vez foram obrigados a parar, dessa vez em 2010, e acontinuar em silêncio em 2011. Por que tanto descaso com a cultura em nosso país? Voltaramem 2012 com uma bomba nas mãos: esse será mesmo o último Rock Cerrado? Não dá paramudar de ideia?Carlos Trindade (Carlinhos, produtor do Rock Cerrado) - Acho que o Rock Cerrado não deveriaacabar, mas a idade chega. Não sou o mesmo moleque de 1986. As ideologias são outras,decepções acontecem. A falta de tempo e dinheiro são as maiores dificuldades. A “burocracia”do GDF também é uma desgraça. Os caras nem sabem o que exigem. Mas como o sangue quecorre na veia é mais forte a gente enfrentou tudo até o limite máximo. Após muita reflexão, decidirealizar a 11º edição, anunciando o final de um ciclo na minha vida.Fellipe CDC, Zine Oficial - Como era o processo de escolha do cast do Festival e como foi definiros nomes das atrações para a derradeira edição do já saudoso Rock Cerrado?Carlos Trindade (Carlinhos, produtor do Rock Cerrado) - As bandas se inscreviam através dematerial (fitas cassetes, CDs, etc...) e uma comissão escolhia quem participava. Neste último, euescolhi as bandas sozinho e desde já agradeço a participação delas , pois não haverá cachê. Asbandas e pessoas que estarão neste Rock Cerrado têm muito a ver com o projeto: Gilmar, da ARD;Luck, da Lúpulo e Cereais Não Maltados; Marcos Paulo, da RA II; Kbça, da Bruto; Felipe CDC, daDeath Salam; Ricardo, da Kábula; Sérgio, da Cálida Essência; e ainda Tomaz, do Zine Oficial; VéiDé; Vlá e Neve; Guto; Fred; Fogoió; Mariano; Neto Bidê; Inrabas; Hulk; Bigode e tantos outros queminha mente e a emoção impedem de relacionar assim, no momento. Nunca diga nunca, masessa deve ser a última edição do Rock Cerrado do Gama. Aprendi muitas coisas com aempreitada, por isso repito: quem quer iniciar com o propósito de executar eventos desta naturezadeve ter muita paciência, principalmente se o evento não tiver intenção de angariar lucros.Fellipe CDC, Zine Oficial - Espaço aberto para as suas considerações finais.Carlos Trindade (Carlinhos, produtor do Rock Cerrado) - É complicado dizer adeus, comoprodutor do Rock Cerrado. Tenho muita saudade do início do Projeto, até mesmo das dificuldadesenfrentadas e da força para superá-las. O maior legado é que conheci muitas pessoas boas,envolvidas com o mesmo propósito, de dar continuidade a Projetos semelhantes. Agradeço,particularmente, a todos que de uma forma ou de outra, contribuíram para o sucesso do Projeto.E viva PARASITAS DO SUCESSO! Dia 28 de outubro de 2012 nos reunir na Praça do Cine Itapuã,no Gama Leste, é o melhor dos presentes!
  9. 9. A notícia sobre o fim do Rock Cerrado do Gama, detalhadanas páginas anteriores em entrevista concedida peloprodutor Carlos Trindade, o Carlinhos, certamente vaidespertar um ‘‘clik’’ ou levar à escuridão o cérebro deamantes do rock no DF e Entorno... Atônito, pedi ao amigoFellipe CDC (bandas Death Slam e Terror Revolucionário)que coordenasse uma série de outras entrevistas para estaedição impressa do Zine Oficial, com tiragem de 1.000exemplares, a qual certamente será disputada aos tapas.Infelizmente porque registra depoimentos de que o maisimportante festival de rock do DF na Região do Entorno Sul,pode não acontecer mais após 2012!Remanescente do grupo que criou o Rock Cerrado doGama em 1986, Carlos Trindade, ao divulgar aprogramação para a 11ª edição do festival no dia 28 deoutubro de 2012, em tom emocionado, apontoudificuldades e falta de apoio para continuidade do Projeto,ao mesmo tempo em que demonstrou esperança em umarenovação da cena do DF e Entorno, torcendo para queiniciativas semelhantes àquela que culminou com acriação do Rock Cerrado sejam mais valorizadas.Nas páginas seguintes Gilmar (banda ARD), Ricardo(banda Kábula), Amarildo (OSubversivoZine) e Ari deBarros (Ferrock) analisam sob pontos de vistas diferentesos motivos que levaram ao anúncio do fim do RockCerrado. Por fim, em nome do Zine Oficial, eu, TomazAndré, respondo à perguntas do amigo Fellipe CDC,registrando minha opinião sobre o mesmo tema.
  10. 10. ‘‘Tenho gravada em VHS a nossa participação (Stuhlzäpchen Von N) na primeira edição do Rock Cerrado (1986)...’’Fellipe CDC, Zine Oficial - Gilmar, você foi o músico que mais vezes se apresentou no RockCerrado, logo, gostaria de saber como recebeu a notícia de que a edição de 2012 será a última?Gilmar, vocalista da banda ARD: Não acredito que esta seja a última edição. acho que o CarlinhosParasita tá usando uma estratégia para lotar, mas como todos sabem, os maias disseram que omundo ia acabar até o fim do ano, então, se o mundo acabar mesmo, este será o último RockCerrado, assim como já aconteceu o último Marreco´s Fest.Fellipe CDC, Zine Oficial - Quanto perde a cultura do Gama com o fim do festival Rock Cerrado?Gilmar, vocalista da banda ARD: O mundo inteiro perde, pois todos morrerão, só haverá o caos,morte e destruição. Cara isso é parte de uma letra do ARD, só pode.Fellipe CDC, Zine Oficial - A Stuhlzäpchen Von N (primeiro nome da ARD) tocou na 1ª edição, em1986, e agora a ARD tocará na última edição da produção. Como equilibrar emoções tão distintas?Gilmar, vocalista da banda ARD: Cara, a única emoção que vai ficar é que tenho gravada em VHSa nossa participação na primeira edição do Rock Cerrado, cuja parte mais legal foi a farra quefizemos com cachorro quente e refrigerante no quintal de um dos "Parasitas", com uma dezena depunks esfomeados do Stuhlzä e BSH-H juntos e agora imagino que teremos uma dezena depessoas filmando em seus celulares e enviando pra rede no dia seguinte.Fellipe CDC, Zine Oficial - Por qual razão você acha que o produtor Carlos Trindade, responsávelmaior pelo Rock Cerrado, resolveu jogar a toalha após tantos anos de luta?Gilmar, vocalista da banda ARD: Releia minha primeira resposta nesta entrevista. Se eu estivererrado, é porque deve ter chegado a hora do Carlinhos cuidar de outras prioridades. Um ronin serásempre um ronin: apesar de ter muitos seguidores, todos ficam de longe, ninguém se envolve emsuas batalhas. Manter um festival como o Rock Cerrado, ou o Ferrock por exemplo, exigemdistribuição de tarefas e apoio de empresários, pois o governo na verdade, merece é merda nacara.. Enquanto muitos se iludem com o pão e circo que eles tentam nos enfiar goela abaixo, nossurpreendemos com o fato de que banheiros químicos e tendas, custam mais que o cachê"cobrado" por guerreiros do rock neste cenário de falsos moralistas que ora vivemos. E o que épior, uma tenda ou um banheiro químico, nunca precisarão comprovar atividade artística, servempara merda, urina e sol escaldante, nada mais...Fellipe CDC, Zine Oficial - Tem uma máxima que diz: “ninguém é insubstituível!”. Para o caso doRock Cerrado, isso se aplicaria?Gilmar, vocalista da banda ARD: Respondo com uma pergunta baseada em outra máxima: vocêacredita que nada no mundo se cria, tudo se copia? Sempre haverá um louco decidido a criar umafesta dentro de uma garagem que um dia pode virar um festival, como muito tem rolado mundoafora.
  11. 11. ‘‘Sinto grande alegria e honra em subir, mais uma vez, no palco. Ao participar do Rock Cerrado fiz muitos amigos...’’Fellipe CDC, Zine Oficial - Ricardo, quando o Rock Cerrado decidiu retornar à ativa em 2007, vocêfoi um dos principais entusiastas. Porquê resolveu vestir a camisa do Festival?Ricardo, vocalista da banda Kábula - Eu já havia ouvido falar muito bem do Rock Cerrado. Em2007, o Tomaz me disse que a galera que organizava o Festival havia entrado em contato paradivulgar o evento no Zine Oficial... Fui com o Tomaz ao Gama e conheci o Carlinhos, o Guto e oFred... Senti que o pessoal era apaixonado pelo Rock Cerrado. Os caras contavam detalhes detodas as edições, interrompidas há quinze anos: amigos, bandas e de todo mundo que haviacontribuído para superação de dificuldades. O retorno do Festival foi dedicado à memória doGenival (Dragon), grande amigo e companheiro do pessoal do Rock Cerrado, sempre lembradocomo um dos ícones do evento... Como não se sentir sensibilizado? Como não vestir a camisa?Fellipe CDC, Zine Oficial - Será a 3ª vez que a Kábula, banda na qual você canta, participa doFestival. Cantar no canto dos cisnes deixa um nó na garganta? Acredita que o Rock Cerrado possaressurgir com uma nova equipe, tipo os filhos dos idealizadores ou algo assim?Ricardo, vocalista da banda Kábula - Na verdade, será a 4ª vez em que o Kábula tocará no evento.Cheguei a declinar do convite para dar oportunidade a outros grupos, mas a organização bateu opé, talvez por considerar que esta seja a despedida. Quando lembro dessa possibilidade, sintomuita tristeza.... Mas também sinto grande alegria e honra em subir, mais uma vez, no palco. Aoparticipar do Rock Cerrado fiz muitos amigos... Em 2009 esteve presente a banda Mostarja... Ogrupo não conta mais com o guitarrista Alisson, falecido recentemente... Decidimos dedicarnossa apresentação a essa grande figura, que assim como o pessoal do Rock Cerrado, sempreamou muito o rocknroll. O Carlinhos, principal mentor do Rock Cerrado, infelizmente acha que nãotem mais jeito de continuar à frente a organização. Na minha opinião outro cara que se envolveumuito com Festival após o retorno em 2007 foi o Marcos Paulo (banda RAII)... Percebo que o caratambém ama muito o Festival e que poderia seguir adiante!Fellipe CDC, Zine Oficial - Com o anunciado fim de mais um festival independente no DistritoFederal, quais as perspectivas poderia nutrir para o cenário musical roqueiro local?Ricardo, vocalista da banda Kábula: Se realmente o Rock Cerrado acabar, vai deixar um lacunaenorme... Estou preocupado, pois outras iniciativas que servem de referência para a cena do DFtambém podem deixar de existir por falta de dinheiro... Todo mecanismo que alavanque a músicaautoral deve ser considerado de relevância... O governo local talvez tenha percebido isso e lançouum edital do FAC estimulando festivais... foi um grande passo, mas ainda existem muitos aspectosrestritivos e burocráticos... É preciso estabelecer políticas que estimulem do Porão do Rock, RollaPedra, Ferrock, ao Sarau Psicodélico, Headbanger Atack, Quaresmada, Retina Rock... Ospequenos festivais e festivais de médio porte não estão longe de parar de respirar... Nossogoverno local deveria acompanhar tudo de perto... Ajudar a gerenciar os recursos... O dinheiro nãoé pulverizado, é centralizado na produção de poucos eventos... Isso tem que mudar!
  12. 12. ‘‘Só tenho boas lembranças do Rock Cerrado. Foi uma escola pra mim, vendo os caras da produção na correria...’’Fellipe CDC, Zine Oficial - Amarildo, em todos esses longos anos que você participa e acompanha acultura, especialmente no Gama, quais os maiores problemas que você enxerga na Secretaria de Cultura.Amarildo, agitador cultural e editor do OSubversivoZine - O problema não está só dentro da SECULT.Fora dela vejo falta de vontade de conhecer os tramites legais que o Governo estabelece para contratarartistas. Não podemos esquecer que o GDF esta lá pra servir o povo e cabe a nós modificar o que achar deerrado. A Ficha Limpa veio através de um Projeto de Lei de iniciativa popular. Muitos produtores e bandasdesconhecem o FAC por exemplo, principal instrumento que apóia financeiramente projetos culturais viaEdital Público. Cara, festivais com mais de 5 anos podem conseguir verba de 250 mil, com mais de 10anos, 500 mil... Imagine o Rock Cerrado, o Headbangers Attack, Marreco´s Fest, com uma verba dessas.Fora gravação de CD, DVD pra bandas. A SECULT até faz seminários sobre como escrever projetos.Fellipe CDC, Zine Oficial - Por que é tão difícil para a cultura sair da chave de perna que a Administração(?) Pública (?) sempre a aplica?Amarildo, agitador cultural e editor do OSubversivoZine - Por causa da ignorância e da preguiça demuitas bandas e produtores em agilizar sua documentação... Ouço muita banda reclamar que nunca échamada pra tocar em eventos do Governo, no entanto os integrantes nem mesmo sabem o nome dopróprio Administrador, tão pouco o nome do Gerente de Cultura, da existência dos Conselhos de CulturaRegionais, não sabem que nas Administrações sempre tem verba pra cultura, não vão lá reclamar essaverba pública... Aqui no Gama sempre que há alguma mudança na Administração vamos lá nosapresentar e saber sobre o calendário de eventos bancados pelo Governo. Também nos articulamos praagilizar documentação que é exigida dos artistas da cidade, dessa burocracia não tem como fugir. Épreciso que Administração saiba que você tem uma banda, que é produtor cultural... Tem que botarpressão porque políticos falam fino quando tem mobilização popular, eles dependem do nosso voto.Fellipe CDC, Zine Oficial - Com a desistência do Rock Cerrado, quantas produções voltadas para o rockresistirão no Gama e qual a sua melhor lembrança do Rock Cerrado?Amarildo, agitador cultural e editor do OSubversivoZine - É um pecado um festival com históricogrande desses acabar, não acredito que isso se perpetue, até porque o Rock Cerrado ficou parado umtempo e voltou... Tenho lembranças da primeira edição em 1986, com palco pequeno montado em umcampo de futebol de terra batida, no Setor Sul. Lembro-me do BsbH recém formado... ARD e outrasbandas do Gama; um monte de punks pogando e a poeira subindo, subindo muito cara, encobrindotodos, moicanos amarelos de tanta poeira. O Gama nessa época era totalmente punk... Só tenho boaslembranças do Rock Cerrado. Foi uma escola pra mim, vendo os caras da produção na correria comdeterminação, fiz muitos amigos e acho que o Rock Cerrado ainda poderia ser grande se assimquisessem seus produtores. Com relação a outros festivais, temos o Hard Chaos (ex Face do Chaos), queteve sua primeira edição em 1994 e retornou em 2005; 12 horas de Rock; Dinossauros Fest; FMPG,festival que acontece desde 1979 e abre espaço pro rock sem discriminação; Duelo de Bandas; Festrockno aniversário do Gama; festas de motociclistas que são frequentes e só toca rock. Na cidade existemdois bares que têm agenda de shows de rock quase toda semana... Não deixaremos o Gama sem rock,mas o Rock Cerrado vai fazer falta. Pena que o "Rock Brasília" ignora o que é e o que foi feito nas cidadessatélites. Aos olhos do "Rock Brasília" não temos história, somos apenas público.
  13. 13. ‘‘Vimos com muita alegria o nascimento (1986) e depois o ressurgimento do Rock Cerrado (2007)...’’Fellipe CDC, Zine Oficial - Ari, o Ferrock – que é o festival de rock mais antigo da Região Centro-Oeste - eo Rock Cerrado são contemporâneos. Como você avalia o anúncio do fim do Rock Cerrado?Ari de Barros, produtor do Ferrock - Sinto muito mesmo. A ideia de ser o último é bastante triste.Inúmeras vezes fazíamos o Ferrock mais cedo e corríamos para o Gama para prestigiar os irmãos doRock Cerrado. É uma amizade e respeito mútuos que os dois festivais alimentaram durante os anos. Ofato de ter um festival no Gama nos incentivou, nos obrigou a manter um na Ceilândia. Vimos com muitaalegria o nascimento e depois o ressurgimento do Rock Cerrado e agora com extrema tristeza a notíciadessa ser a última edição do maior festival de rock do Gama.Fellipe CDC, Zine Oficial - O que fazer para que festivais como o Rock Cerrado e outros não se tornemreféns da politicagem?Ari de Barros, produtor do Ferrock - Para não se tornar presa da politicagem é necessário que a produçãonão esteja vinculada a partidos políticos.Temos que separar a política cultural da política partidária.Quando isso se mistura a capacidade de indignação fica diluída, o produtor se torna refém.Fellipe CDC, Zine Oficial - O alto custo de vida no Plano Piloto está levando mais pessoas e empresaspara as cidades satélites e para os entornos. Até que ponto essa reversão pode ser boa para a cultura(cultura aqui entendida em modo ampliado) desses locais mais afastados do centro do DF?Ari de Barros, produtor do Ferrock - A própria sociedade deve cobrar essa descentralização. Com ofortalecimento das indústrias nessas áreas é natural e óbvio que haja investimento da parte da iniciativaprivada e do governo nas cidades, não só no Plano Piloto, o que fará todos ganharem, inclusive a cultura.Fellipe CDC, Zine Oficial - Assim como o Ferrock, o Rock Cerrado também teve uma expressiva baixa nonúmero de pessoas que começaram com o grupo. Com uma política cultural séria e comprometida com osocial por parte dos governos, você acredita que essas baixas seriam menos intensas?Ari de Barros, produtor do Ferrock - Sim, porque se você tem uma política cultural séria, onde osmovimentos sociais tenham incentivos, como, por exemplo, comprar suas próprias sedes (terrenos ounão), financiadas em longo prazo, já seria uma maneira das entidades se sustentarem. Sabemos que asigrejas (e são muitas!) recebem terrenos de graça. E não é isso que as entidades culturais querem(receber lotes de graça)! Outra forma de política cultural: se os impostos que pagamos - que são muitos ealtos - fossem revertidos para as ações culturais e sociais, a beneficiária seria a própria comunidade, quenão receberia só entretenimento, mas, principalmente, geração de empregos e renda, tirando jovens,muitas das vezes, das mãos de indivíduos de índole duvidosa.Fellipe CDC, Zine Oficial - Quais os momentos que você já pensou em desistir de ser um nobre guerreiroda cultura e desistir das produções?Ari de Barros, produtor do Ferrock - Teve um momento em que eu pensei em jogar tudo para o alto, jogaro boné mesmo, foi após o Ferrock 20 anos. Ao voltar para a casa, às três da madrugada, do centro daCeilândia para o P Sul, andando sozinho pela estrada deserta, pensei realmente em parar com tudo, mas oamor pelo rocknroll foi maior e a partir desse momento decidi que não existiria só o Ferrock 20 de anospara trás, mas outros muitos Ferrocks que viriam, vieram e ainda virão.
  14. 14. Visão do Zine Oficial sobre dificuldadesEstamos, literalmente, vendo a caveira do rock!Fellipe CDC, Zine Oficial - Até por motivos financeiros, não é todo festival de música que pode seragraciado com a publicação do Zine Oficial. Sendo assim, por que você resolveu acreditar eapostar na volta do Rock Cerrado, em 2007.Tomaz André, editor - Custa caro produzir um zine impresso, mas ao saber que o Rock Cerrado iriarolar em 2007, depois de 15 anos de abstinência e peregrinação dos Parasitas, o antigo grupo degarotos que criou o festival, decidi conferir. Em princípio, quando o já pai de família Carlos Trindade(Carlinhos) entrou em contato para divulgar o Rock Cerrado no Zine Oficial eu pensei que fossetrote. E olha que ele citou uma referência forte, pois havia conseguido o número do meu telefonecom o Marcos Paulo, então na banda Black Bulldog. O Rock Cerrado do Gama, assim como oConcerto Canta Gavião, no Cruzeiro, o Ferrock, em Ceilândia, e o Concerto Cabeças, no PlanoPiloto, são referências seminais para mim. Desses movimentos, apenas o Ferrock manteve-seininterruptamente em atividade. Tive a honra de participar ativamente da organização do CantaGavião na década de 1980, no Cruzeiro. Portanto, mesmo achando que era trote o telefonema doCarlinhos dizendo que o Rock Cerrado iria ser reativado, resolvi ir ao Gama conhecer a galera maisde perto. Registrar essa volta no Zine Oficial número 11 foi uma honra.Fellipe CDC, Zine Oficial - O que diferencia festivais como o Ferrock, o “Poerão” do Rock (queacontece no Recanto das Emas) e o próprio Rock Cerrado dos festivais realizados no Plano Piloto?Tomaz André, editor - O rock não é um patrimônio somente de Brasília, é um patrimônio de todo DFe do Entorno, de onde parte o público que prestigia eventos na chamada Capital do Rock. Amaioria dos eventos realizados fora do Plano Piloto tem pouco ou nenhum investimento dogoverno. Talvez com maior conhecimento e renovação do público esses eventos perdurassem pormais tempo. Nesse ponto, cabe uma cobrança pertinente ao estado. Não estou falando somenteno investimento direto na cultura, especificamente no incentivo a trabalhos autorais, mas tambémem infraestrutura. A logística da região favorece eventos no centro de Brasília: maior acesso paracobertura da imprensa e melhores condições de transporte partindo e voltando para outrascidades, por exemplo. Portanto, para democratizar a cultura, o governo deveria melhorar otransporte entre todas as cidades do DF e Entorno, já que a região é integrada economicamente. Aprodução do Rock Cerrado do Gama informou ter confeccionado 1.000 cartazes e 20.000panfletos para o festival de 2012. A colagem e a distribuição do material foram concentradas nopróprio Gama e em cidades mais próximas. Mesmo assim o transporte público é deficiente entreessas cidades. No tocante ao patrocínio direto do governo do DF a eventos de rock, em muitoscasos, quando há pedido de análise para liberação de verba, começa um círculo vicioso, oumelhor, odioso. Cumpridas as exigências documentais, aparece uma cortina de fumaça que nãodeixa claro o critério final de pontuação dos projetos. Pessoalmente, penso que existe, sobretudo,conveniência dos serviços de segurança e transporte público. Nesses dois pontos, e também nacobertura midiática, o Plano Piloto é favorecido.
  15. 15. enfrentadas pelo rock no DF e EntornoFellipe CDC, Zine Oficial - Dentro do Gama, qual outro evento que você acredita possa tentarpreencher a grande lacuna que será deixada pelo Rock Cerrado?Tomaz André, editor - Existem muitos eventos no Gama, uma cidade que respira rock. OAmarildo, do OSubversivoZine, citou vários na entrevista dele, todos de inegável importância:Hard Chaos (ex Face do Chaos); 12 horas de Rock; Dinossauros Fest; Duelo de Bandas;Festrock; e até mesmo o FMPG, festival de música popular que abre espaço para o rock. Nenhumdesses eventos, a meu ver, preencherá a lacuna do Rock Cerrado. O Valor do Festival vai além desua produção. O Rock Cerrado tem legado histórico e a história não pode ser remendada.Fellipe CDC, Zine Oficial - Será que as mesmas razões que fizeram o Rock Cerrado anunciarprecipitadamente o próprio fim são as mesmas que o deixam revoltado e reflexivo quanto aofuturo do Zine Oficial?Tomaz André, editor - Você se refere às inúmeras vezes que confidenciei minha intenção de nãomais publicar o Zine Oficial. Ultrapassamos, com recursos próprios e de anunciantes dainiciativa privada, mais de 120.000 exemplares impressos, somadas as 40 edições lançadas atéo momento. Tenho consciência de que um veículo de comunicação independente deve buscarsustentabilidade. Porém existem verbas destinadas à fomentação cultural as quais nãoconseguimos ter acesso. Eu não desanimaria com isso, se não procurasse captar tais recursosde forma profissional e visse que outras publicações, sem o menor compromisso com a difusãocultural, conseguem inserção publicitária de campanhas do estado. Por mais que se busquemoutros caminhos, o apoio do estado para iniciativas de difusão cultural é fundamental no DF.Fellipe CDC, Zine Oficial - Você que circula em muitos shows de rock que acontecem nas cidadessatélites e nos entornos, acredita que a realidade e as dificuldades de todos são semelhantes?Tomaz André, editor - Eu praticamente só andava no Cruzeiro, Plano Piloto, Taguatinga e Ceilândiade meados dos anos 1980 até o final dos anos 1990, apesar de conhecer muita gente do Gama,inclusive fiz curso de diagramação na mesma sala do Marquinhos The Who em 1990, inesquecívelfigura. O Raulzito do Gama eu conheci em uma das edições do Canta Gavião no Cruzeiro, mais oumenos em 1986. Até meados da primeira década dos anos 2000, passei a frequentar outrasquebradas. A partir da criação do Zine Oficial em 2006, sim, passei a circular com frenquência porquase todas as cidades do DF e outras da Região do Entorno. As dificuldades são semelhantes paraprodução de shows de rock no Distrito Federal ou nas cidades goianas e até cidades mineiraspróximas: falta de apoio dos órgãos competentes e, pior ainda, perseguição. Em 2012 estouparticularmente triste. Putz! Não sei nem mais o que falar com tanta notícia ruim chegando. Primeiroo Fábio Marreco anunciou que este ano seria a última edição do Marrecos Fest, realizado no PlanoPiloto, depois o Carlos Trindade falou que o Rock Cerrado do Gama de 2012 será o último... Por fim,o Blues Pub possivelmente fechará as portas em Taguatinga, segundo confidenciou, alegandomotivos pessoais, a guerreira Lázia, proprietária dessa casa que por muitos anos se constituiu emuma referência para inúmeras bandas e para o público. A se confirmar tudo isso, mesmo que omundo não acabe e que haja uma renovação da cena, 2012 dá a sensação de ser o fim de tudo...
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