A MENINA GIGANTE
Ana Grande era uma menina que talvez tivesse a tua idade. Que ia à escola, como tu,que brincava no recreio quando chegava ...
Ana    Grande,   porém,era um bocadinho maiordo que tu. Era mesmomuito maior do que tu, dotamanho, mais ou menos,de uma pe...
Tão comprida que nãopodia         jogar       àsescondidas,      nem      àscaçadinhas, pois nuncaconseguia       esconder...
Na verdade, Ana Grande não só não podia brincar com os amigos da escola,  como também se transformou em objecto de maldade...
Na       escola     osmeninos                                         Foi ela!apontavam-na          decada        vez     ...
Porque é que eu sou assimtão grande ? Porque é que                                  Porque é que só eu sou  não consigo fa...
Como se isso não bastasse,Ana era também um bocadotrapalhona e desengonçada, oque por certo se devia ao seutamanho excessi...
Por isso, quando Ana se virava de repente para fazer isto ou aquilo, era quasecerto que uma parte do seu corpo ia, sem que...
E acontecia-lhe mesmoachar que era um monstro,pois em todas as históriasque conhecia os gigantessão todos monstros e sãoto...
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Ana Grande, porém, já não quis escutar mais nada. Foi-se deitar sem lavaros dentes e, como de costume, dormiu com os pés f...
Como te                       Olá!   chamas? Que    E,    no    dia           idade tens? Oseguinte, em vez              q...
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Se quiseres, eu   levo-te a conhecer outros meninos como  tu. E, se gostares dejogar, podes vir para a                    ...
E foi assim que Ana Grande   começou a jogar basquetebol. Tão   bem que hoje é quase uma   profissional.  Tem um monte de ...
Texto deManuel Jorge Marmelo eMaria Miguel MarmeloIlustrações deSimona TrainaTrabalho realizado peloN.A.E (Núcleo de Apoio...
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A menina gigante

  1. 1. A MENINA GIGANTE
  2. 2. Ana Grande era uma menina que talvez tivesse a tua idade. Que ia à escola, como tu,que brincava no recreio quando chegava a hora, que fazia os trabalhos de casa sem muitavontade, que gostava de ver televisão e que nunca ia tomar banho sem antes inventar mil euma desculpas para não o fazer. Que gostava de vestidos com flores e de fazer compras nocentro comercial. Que fazia birras na hora de comer a sopa. Que protestava, de manhã,quando, no Inverno, tinha que sair da sua cama quentinha para ir para a escola.
  3. 3. Ana Grande, porém,era um bocadinho maiordo que tu. Era mesmomuito maior do que tu, dotamanho, mais ou menos,de uma pessoa crescida,embora o seu rosto e osseus modos fossemexactamente iguais aosdos meninos e meninasda idade dela, que é a tuaidade. Ana era tão grande que,nas aulas, tinha que ficarsentada na fila de trás dasala, para não estorvar oscolegas que queriam ver oque a professora escreviano quadro.
  4. 4. Tão comprida que nãopodia jogar àsescondidas, nem àscaçadinhas, pois nuncaconseguia esconder-sesem que uma parte do seucorpo ficasse demasiadovisível, nem lhe custavanada agarrar os outrosmeninos, quando estestentavam fugir-lhe, vistoque lhe bastava dar umpasso e esticar o braçopara que qualquer umficasse ao seu alcance.
  5. 5. Na verdade, Ana Grande não só não podia brincar com os amigos da escola, como também se transformou em objecto de maldade dos outros meninos, que corriam à sua volta, gozando enquanto lhe chamavam: Menina de andas! Menina deMenina de andas! andas!
  6. 6. Na escola osmeninos Foi ela!apontavam-na decada vez quealguém fazia umaasneira. E se a Foi a Anaprofessora, de Grande!castigo, lhe marcava Bemmais trabalho de feita!casa, os colegasainda se juntavam àsua volta para Bem feita!gritarem: Bem feita!
  7. 7. Porque é que eu sou assimtão grande ? Porque é que Porque é que só eu sou não consigo fazer nada tão grande e os outros são direito? Porque é que todos baixinhos? Porque é ninguém gosta de mim? que os meus pais não são maiores do que os pais dos outros meninos? Se sou grande e sou filha deles, eles deviam também ser grandes como eu. Se eu sou gigante, a minha família também tinha que ser uma família de gigantes. Nessas ocasiões, Ana Grande sentia-se triste, confusa e envergonhada. Chorava com a cabeça encostada aos joelhos e punha-se a pensar: Ou então:
  8. 8. Como se isso não bastasse,Ana era também um bocadotrapalhona e desengonçada, oque por certo se devia ao seutamanho excessivo e ao factode, por dentro, ser ainda umamenina como tu. Percebeste?Não? Então imagina que calçasos sapatos do teu pai e a roupado teu pai – ou os sapatos desalto alto da tua mãe e osvestidos da tua mãe. Agoratenta andar, tenta mexer-te,agarrar nos objectos à tuavolta, pois suponho que éassim que ela se sentia:incómoda e incapaz decontrolar totalmente osmovimentos.
  9. 9. Por isso, quando Ana se virava de repente para fazer isto ou aquilo, era quasecerto que uma parte do seu corpo ia, sem que ela o quisesse, esbarrar contra algoque estivesse quieto, como uma jarra de vidro que logo caía no chão e se partia,ou um livro que tombava sobre um copo que, por sua vez, se inclinava atéderramar o leite que tinha dentro. Desmiolada! Mas quando é que tu cresces e paras de fazer asneiras? E isto era tanto verdade na escola como em casa. Aqui os pais ralhavam- lhe e chamavam-lhe:
  10. 10. E acontecia-lhe mesmoachar que era um monstro,pois em todas as históriasque conhecia os gigantessão todos monstros e sãotodos maus. Todos menos oGulliver, que é um gigantebom, embora no princípiodessa história os anõestambém pensem que ele éum gigante mau. Mas oGulliver é um gigante bom e,na verdade, Ana Grandenem sequer sabia muitobem quem era o Gulliver,pois preferia vertelenovelas, ou, então,histórias com princesasbondosas e príncipesapaixonados.
  11. 11. E os pais de Certo dia, depois de ver no telejornal da Ana, olhando umtelevisão uma notícia sobre meninos para o outro umadoptados, Ana Grande ficou a pensar que bocadotalvez os seus pais não fossem seus pais de atrapalhados,verdade. Foi a correr para a sala e baixaram os olhosperguntou: para o chão e confirmaram: Sim, és! Mas nós gostamos muito de ti. Pai? Mãe? Eu sou adoptada?
  12. 12. Ana Grande, porém, já não quis escutar mais nada. Foi-se deitar sem lavaros dentes e, como de costume, dormiu com os pés fora da cama, embora nãotenha realmente chegado a adormecer, pois esteve toda a noite a pensarnaquilo que tinha descoberto.
  13. 13. Como te Olá! chamas? Que E, no dia idade tens? Oseguinte, em vez que estás aqui ade ir para a escola, fazer? Porquepegou na mochilae foi sentar-se estás tão triste?num banco dejardim, disposta anão regressar acasa, nem nessedia nem nunca Era umamais. senhora que lhe Estava assim, sorria e que, detriste e a chorar, repente, lheabraçando as pareceu muitopernas para se alta. Sentou-seaquecer (pois jáera Outono e tinha ao seu lado noestado a chover), banco do jardimquando sentiu que e perguntou-alguém lhe tocava lhe:no ombro e lhedizia:
  14. 14. Sabes?... Quando eu era da tua idade tinha o mesmo problema e também pensava que ninguém gostava de mim. Depois, conheci outras pessoas como eu e como tu, grandes, e descobri que o meu tamanho podia ser útil em algumas coisas. Foi assim que comecei a jogar basquetebol… E, quando Ana Grande lhe explicoutudo, a senhora altíssima começou adizer:
  15. 15. Se quiseres, eu levo-te a conhecer outros meninos como tu. E, se gostares dejogar, podes vir para a A sério? nossa equipa. Sério. Mas tens que me prometer que voltas para casa. Depois eu vou lá explicar tudo aos teus pais. Depois, vendo que a Ana se animava, continuou:
  16. 16. E foi assim que Ana Grande começou a jogar basquetebol. Tão bem que hoje é quase uma profissional. Tem um monte de amigos do seu tamanho, que são os seus colegas de equipa e queadmiram o modo como ela escapa com a bola por entre os adversários, depositando-a, quasesem esforço, no cesto. Os pais, que não perdem um jogo, ficam inchados de tanto orgulho e,no fim, correm para serem os primeiros a abraçá-la e a dar-lhe os parabéns. E os meninos daescola até têm um bocadinho de inveja quando a vêem jogar na televisão.
  17. 17. Texto deManuel Jorge Marmelo eMaria Miguel MarmeloIlustrações deSimona TrainaTrabalho realizado peloN.A.E (Núcleo de Apoio Educativo)

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