Passo a Passo: o Caminho em poemas e reflexões

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Este livro é uma coletânea de dez poemas, todos e cunho filosófico/espiritual, acompanhados de suas respectivas interpretações. Esses poemas foram escritos no período de 2008 a 2010 e encerram, de forma simples e concentrada, um vasto conhecimento a respeito das Leis do Universo. Os poemas foram, de certa forma, “apresentados” ao autor em resposta a seus questionamentos sobre a vida e sobre as Leis do Divinas. Não se trata de modo algum de uma obra psicografada, nem mesmo ditada por espíritos desencarnados ou manifestação sobrenatural, mas, sim, a materialização de percepções obtidas do Plano Superior de Ideias. As reflexões foram acrescentadas como forma de garantir a correta e precisa interpretação de cada poema. O livro não está atrelado a nenhuma religião ou doutrina, apesar de que muitos dos conhecimentos nele escritos podem ser encontrados em obras esotéricas e na Bíblia Sagrada.

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Passo a Passo: o Caminho em poemas e reflexões

  1. 1. Passo a Passo: O Caminho em poemas e reflexões Por Wilson Pailo Capa: Wilson Pailo Editoracão: Wilson Pailo Copyright©2011 by Wilson Pailo Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida ou transmitida, por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou sistema de armazenamento de informação, sem a expressa autorização do autor ou editor, salvo quando seja permitido por lei.
  2. 2. DEDICATÓRIA Este livro é dedicado a todos aqueles que com amor, humildade e perseverança buscam a Sabedoria Divina.
  3. 3. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pelos ensinamentos recebidos. A meus pais, irmãos, meus filhos, e a todas as pessoas que fizeram e fazem parte de minha vida e que, de uma forma ou de outra, foram instrumentos para realização desta obra.
  4. 4. PREFÁCIO Por que o homem foi feito de barro? Uma breve explanação sobre a vida Dizer que Deus fez o homem a partir do barro é obviamente uma metáfora. Física ou quimicamente falando-se, talvez até fosse possível. Porém, a explicação se refere, na verdade, à questão espiritual. A argila é moldável, assim como o homem o é aos olhos de Deus. Em princípio, Deus nos dá liberdade para moldarmos a nossa própria personalidade através da Lei do Livre Arbítrio. Somos livres para escolher o que queremos ser, o que queremos fazer, como fazer, etc. Deus nos dá a capacidade de, à medida que avançamos em nossas experiências, construirmos nosso próprio destino. Contudo, nossa liberdade não nos exime de responsabilidade. Toda ação tem um reação, e toda causa tem um efeito. Nossos atos têm consequências e devemos responder por eles. Assim, dependendo do que fazemos na vida presente, encontraremos uma reação correspondente em um futuro imediato ou distante. Começa aí o papel de Deus em nossa modelagem. Através das diversas Leis que regem o Universo, Deus trabalha moldando as pessoas, oferecendo constantemente oportunidades de aprendizado e aprimoramento. Isso não anula de forma alguma a Lei do Livre Arbítrio, através da qual temos sempre a opção de escolher o caminho que quisermos, até mesmo o de chegar ao ponto extremo e raro de sermos considerados como causa perdida. Através da Lei de Causa e Efeito, verdadeiras boas ações e bons pensamentos geram efeitos positivos. Maus pensamentos e ações geram seus efeitos correspondentes. O processo é bastante dinâmico, porém, nem sempre conseguimos discernir boas de más ações pois, embora seja paradoxal, existe sempre um bem oculto em todo mal. A razão dessa dificuldade de discernimento é que, com o passar dos séculos, o acúmulo de ações e reações geraram uma verdadeira trama de karmas que devem ser saldados no momento e medida exatos, independentemente se a pessoa acredita nisso ou não. Karmas que estão para serem colhidos surgem na nossa vida das mais diversas formas: ao nascermos para a vida física, recebemos um corpo determinado; nascemos em uma especificada família, em época determinada, no local e nas condições perfeitas para que tenhamos os meios dos quais necessitaremos para o pagamento ou usufruto de nosso(s) karma(s). À medida que vamos crescendo, vamos tendo a chance de saldar karmas maduros, bem como poderemos incorrer na criação de novos. Sendo assim, o karma nada mais é do que uma oportunidade de aprendizado. É o mecanismo pelo qual nos deparamos com um obstáculo que nos obriga a repensar nossa trajetória. A expectativa Divina é de que mudemos em direção ao aprimoramento. Porém, se essa mudança não ocorrer na direção correta, com certeza teremos nova chance mais adiante. O que conta não é quantas vezes erramos ou quanto tempo levamos para aprender, mas, sim, o que finalmente aprendemos em si.
  5. 5. Porém, o aprendizado se torna mais fácil e rápido quando damos “permissão” a Deus para que Ele nos modele. Essa permissão significa “colocarmos nossa vida à disposição de Deus”. Isso não quer dizer que assumiremos uma postura de passividade absoluta, onde passamos a crer que tudo “cairá do céu”, ou que não somos responsáveis por nossos atos ou destino. Pelo contrário: quanto mais ativa nossa participação, mais rápida será nossa evolução. “Deus coloca diante de nós a estrada, mas o trabalho de caminhar é nosso!”. Permitir ser modelado incorre em aceitar os testes aos quais seremos submetidos. Esses testes colocarão em prova nossas virtudes, nosso conhecimento sobre a Sabedoria Divina, e nossa fé. Portanto, é preciso saber que tanto as dificuldades como as bem- aventuranças são oportunidades de aprendizado e que devem ser benditas e agradecidas! É certo que há situações em que se torna quase impossível para a mente humana, no atual estágio de desenvolvimento espiritual em que nos encontramos, compreender como é possível alguém nascer ou estar em determinadas condições aonde a dor e a privação vão além de qualquer limite imaginável, e qual seria o bem oculto nisso. Contudo, mesmo assim, as Leis de Deus se aplicam. Devemos lembrar sempre de que nenhuma prova é maior que a capacidade de cada um em superá-la. A permissão para a “modelagem” é ratificada à medida que nos desapegamos das coisas terrenas, sejam elas bem materiais ou pessoas, e mantemos nosso foco nas questões Divinas. Isso não quer dizer que devemos nos tornar alienados ao mundo material ou, então, que não nos importaremos mais com as pessoas que nos rodeiam. Pelo contrário, a responsabilidade se torna maior, pois há que se saber que tudo o que temos nos foi emprestado por Deus. Tudo o que temos são como instrumentos fornecidos por Ele para que possamos dar prosseguimento a nossa caminhada. Da mesma forma, como parte da permissão para apressar o processo de “modelagem”, é trabalho nosso buscar o conhecimento a respeito da Sabedoria Divina. Além disso, é necessário exercitar esses conhecimentos em nosso dia-a-dia. De nada adianta ter o conhecimento e não empregá-lo. Seria como “acender uma lâmpada e colocá- la debaixo de uma tigela; é preciso colocá-la em um lugar onde a luz se propague e ilumine todo o ambiente”. É preciso, assim, colocar o conhecimento adquirido em prática, através de atos, palavras e pensamentos. A busca pelo crescimento e aperfeiçoamento físico, mental e espiritual depende do esforço de cada um. Por isso, estudamos, trabalhamos, nos alimentamos, nos relacionamos, nos emocionamos, etc., como forma de coletarmos experiências que irão servir em nosso desenvolvimento. Porém, quando esse esforço é direcionado de maneira correta, ou seja, apoiado na Sabedoria Divina, o progresso físico, mental e espiritual é recompensado por certo. Não necessariamente essa recompensa vem em forma material (se assim o fosse, o necessário desapego aos bens materiais não faria sentido), mas, por certo, vem como capacidade de conhecer e compreender a própria Sabedoria. Qual a vantagem disso? É a real felicidade, o verdadeiro estado de paz de espírito, o amor puro e sublime, a consciência cósmica; a verdadeira liberdade, onde já não existe sofrimento, pois não somos mais atados a nenhum sentimento de posse, vaidade, egoísmo, orgulho ou ganância. Tornamo-nos instrumentos de manifestação da Luz, da Graça e da Beleza de
  6. 6. Deus. O caminho para se chegar a esse estado não é tarefa fácil, pois requer devoção, abnegação, disciplina, amor e fé; exercícios diários de compaixão, humildade e sentimento de gratidão para com Deus, mesmo nas horas mais difíceis. Porém, o prêmio é compensador, ao ponto de ser praticamente impossível a sua transcrição em palavras. Somente aqueles que acreditaram e se dedicaram à Senda conhecem o significado dessa vitória. Wilson Pailo, 15 de março de 2010.
  7. 7. INTRODUÇÃO Este livro busca apresentar, em forma de poemas e reflexões, um pequeníssimo fragmento do vasto universo que envolve a Sabedoria Divina. Acreditamos que esta obra poderá ser de proveito tanto ao principiante quanto ao leitor de conhecimento aprofundado. De forma alguma é intenção do autor esgotar tal assunto, nem se ocupa este em buscar suporte em outras referências literárias. O leitor poderá notar que cada poema é acompanhado de uma explicação de seu significado, de acordo com as palavras do próprio autor. Em alguns casos, é feita uma correlação com passagens Bíblicas, uma vez que sentimos ter sido oportuno traçado de um paralelo. Porém, acreditamos que para muitos essas explicações são opcionais, uma vez que os próprios poemas poderão ser suficientemente elucidativos. Além disso, não nos consideramos detentores de todo o conhecimento necessário para o aprofundamento em cada questão. Porém, cremos ser este livro uma oportunidade em colaborar com o estudo e entendimento dos assuntos de Deus. O poema Passo a Passo é o tronco desta obra, uma vez que descreve de modo geral os passos para se chegar á Sabedoria Divina. Os demais poemas são complementos, mas nem por isso de importância diminuída. Conforme o leitor irá notar, muitas vezes as explicações são de certo modo repetitivas. A razão para isso é que não é uma tarefa fácil a separação completa dos assuntos dada o grande inter-relacionamento entre eles. Alguns desses poemas representam um vasto conhecimento extremamente condensado, porém, de relativamente simples leitura e entendimento. Como sugestão, esses poemas podem ser usados como referência em situações do dia-a-dia, onde a leitura e declamação de cada um deles podem auxiliar no entendimento do Conhecimento Divino e na criação de hábitos que contribuirão para uma vida verdadeiramente feliz. 
  8. 8. PASSO A PASSO Passo a passo Sobre uma tênue linha Assim é a vida De quem com Deus caminha A estrada é estreita E pisar em falso é fácil Pois a cada instante Tu podes estar diante De uma outra trilha Ou variante Que te levará em um rumo Tal como um barco errante Mas que a volta existe Pois a qualquer momento Tu podes demarcar um ponto E recomeçar o seguimento
  9. 9. A jornada inicia Por uma escolha tua Deixarás para trás Tudo o que possuas Pois, em cada etapa De teu aprendizado O que tu necessitares A ti te será dado E não estarás sozinho Pois terás a teu lado A presença do Mestre Por quem serás guiado Mas, se acaso sentires O chão ausente E receberes o convite Para seguir em frente Podes estar seguro E avançar confiante Pois estarás em prova De o quanto tu és crente E passado o teste Perceberás então Que cruzaste uma ponte Que não se via o vão
  10. 10. E assim continuarás Embora em mesmo caminho A seguir teu traço Nobre peregrino Que busca a verdade Como teu destino Porém, um degrau acima Nessa longa estrada Que te leva ao topo Como suave escada Onde não importa o tempo Ou quanto percorreste Mas, sim, a chegada E o que aprendeste E ao chegares, enfim No cume da escalada Receberás, então Os louros da empreitada E entenderás, por fim De tudo isso a razão Que apesar de estares Na altura mais elevada Sentir-te-ás, assim Como um grão de mostarda Pois, embora sejas A menor semente Conterás o universo Em teu consciente. Wilson Pailo, Novembro 2008.
  11. 11. REFLEXÕES SOBRE O POEMA “PASSO A PASSO” Este poema foi inspirado por uma pessoa de uma beleza exuberante. Ao observar sua trajetória em busca de Deus, percebi que a vida de quem com Deus caminha pode ser comparada à arte de um equilibrista. Um exímio equilibrista que hoje caminha em uma corda bamba com tamanha destreza, um dia também teve que aprender a dar seus primeiros passos. Quantas vezes não teve ele que se levantar das incontáveis quedas, até que um dia ele já não necessitou mais da rede de proteção e nem mesmo da ajuda de uma haste para equilibrar-se? Quantas vezes pessoas apontaram para ele e remeteram suas críticas e questionamentos a respeito de seus objetivos e métodos? Porém, quantas dessas mesmas pessoas hoje não se admiram com as habilidades por ele adquiridas? Do mesmo modo, conhecer a Deus requer abnegação, trabalho, perseverança, e incorre em erros e acertos. Buscar a Sabedoria Divina não nos faz perfeitos da noite para o dia. É uma longa trilha, a qual não há outro modo de percorrer a não ser passo a passo. Observe que o texto do poema foi escrito propositalmente com as letras diminuindo de tamanho à medida que avançamos a leitura. Assim é o que acontece com nossa personalidade (ou nosso “eu”) à medida que evoluímos espiritualmente: ela (nossa personalidade) torna-se “menor”. Em contrapartida, nossa consciência espiritual se expande. Diminuímos gradativamente a preocupação com o “eu” e passamos a nos preocupar com o todo. Aprimoramos, assim, nossa capacidade cognitiva, de modo que nossa consciência torna-se capaz de assimilar e entender cada vez com maior clareza as Leis que regem o Universo. Somos paulatinamente elevados a um patamar onde, apesar de estarmos conscientes de nosso avanço, percebemos que não somos nem superiores nem inferiores a nenhum outro ser humano. Passamos, sim, a ter a sensação de que somos, na verdade, “o menor dos grãos de areia de uma praia”; porém, ao mesmo tempo, somos capazes de conter em nós mesmos todo conhecimento do Universo. Portando, desenvolver-se espiritualmente envolve um processo paradoxal: necessitamos de “encolhimento” para que possamos nos “expandir”. E, um dos principais exercícios que devem ser praticados para que esse processo de encolhimento ocorra é o desapego. Para tornar-se “maior”, é preciso primeiro “perder”: necessitamos perder nossos apegos, nosso orgulho, nossas preocupações, nossa vaidade, medos, egoísmo, avareza, preguiça, inveja, ganância, arrogância, etc., e exercitarmos nossa compaixão, amor e altruísmo. Através do desapego e da perda, esvaziamos nosso consciente de nossas preocupações e opiniões, abrindo espaço para recebermos o verdadeiro conhecimento, a Sabedoria Divina. A título de ilustração, imaginemos que somos o referido equilibrista a caminhar sobre uma corda bamba. A corda representa o caminho da vida e, devido às proporções de tamanho entre o equilibrista e o diâmetro da corda, percebe-se que caminhamos por uma linha bastante estreita. Torna-se, assim, muito fácil pisarmos fora do caminho e, consequentemente, cairmos. Contudo, imaginemos que, mantendo-se as dimensões da corda constantes, vamos paulatinamente diminuindo o nosso próprio tamanho até que nos transformemos em um ponto extremamente diminuto. Podemos observar agora que a
  12. 12. corda, que antes era uma tênue linha, passou a ser uma larga avenida. A nossa caminhada torna-se, deste modo, muito mais fácil e segura. É somente pela diminuição de tamanho de nosso “eu” que conseguiremos “passar pelo buraco da agulha”. Recomendamos que o leitor faça a seguinte experiência: feche os olhos e imagine a si mesmo. Tente imaginar-se diminuindo de tamanho; veja a menor dimensão a que você consegue chegar. Repita essa experiência de tempos em tempos e observe se você obteve algum progresso. Quando estiver bastante “pequeno”, imagine-se caminhando sobre uma corda estirada. Agora, substitua a corda pelo fio de uma navalha e repita o mesmo processo de “encolhimento”. Outro ponto que merece esclarecimentos é o fato de que o crescimento espiritual está relacionado ao retorno de nossa personalidade ao estado puro inicial (porém, acrescido das experiências que pudemos colher ao longo de nossas vidas). Lembremo-nos de que nossa personalidade (formada gradualmente desde o princípio da criação da raça humana) é “envolta” hoje por diferentes “filtros” ou “lentes”. Estes “filtros” foram construídos ao longo de uma sequência de encarnações e reencarnações, graças as nossas experiências e à liberdade que nos foi dada em conduzir nossas vidas de acordo com nossas vontades (a esta liberdade chamamos de Livre Arbítrio). O Livre Arbítrio representa a “separação” entre nossa personalidade e a Divindade pura (a qual chamamos de Mônada ou Centelha Divina, que é uma pequena parte de Deus, permanente em cada um de nós, feita à Sua imagem e semelhança; porém, nossa consciência ainda não está desperta nesse nível, por isso a “separação”; por isso, também, dizer que “o Reino de Deus está próximo” é uma verdade, pois se a Mônada é uma parte do próprio Deus dentro de nós, ele está realmente próximo; cabe a nós o trabalho de, através do crescimento espiritual, fazê-lo aflorar em nossa vida, ou seja, “vir a nós o Vosso Reino”). O Livre Arbítrio está relacionado, também, ao conceito de “pecado original”. Através desses referidos filtros, vemos, percebemos e interagimos com o mundo e com o universo. O trabalho de evolução espiritual promove a eliminação gradual de cada um desses filtros. Cada vez que eliminamos um filtro, damos um passo em direção à Mônada, à Verdade, até que, um dia, chegaremos novamente a um estado de consciência de nível equiparável com o estado puro inicial. Passemos à explanação do poema, ao longo da qual voltaremos a dar mais esclarecimentos a muitos dos pontos mencionados anteriormente. Passo a passo, sobre uma tênue linha, assim é a vida, de quem com Deus caminha... A estrada é estreita, e pisar em falso é fácil Pois a cada instante, tu podes estar diante De uma outra trilha, ou variante Que te lavará em um rumo, tal como um barco errante Mas, que a volta existe, pois em qualquer momento Podes demarcar um ponto, e recomeçar o seguimento Como já dito, o processo de crescimento espiritual é feito passo a passo. “Ninguém dorme pagão e acorda santo!”. Lembremo-nos de que não somos pecadores, mas, sim, aprendizes. Aprender não é uma tarefa fácil. Requer disciplina, determinação e abnegação. E, inevitavelmente, incorreremos em erros e acertos.
  13. 13. ... quem com Deus caminha... Significa mantermos nossa mente voltada à vontade de acertar, de descobrir a Verdade, de progredir física, mental e espiritualmente para o bem; de aprender e de saber que existe algo superior que é detentor dessa Sabedoria e Verdade Absoluta; de ter o bem como meta principal; de pensar no bem coletivo, no altruísmo e progresso geral da humanidade. Acertar sempre não é fácil, pois caminhamos sobre uma tênue linha, uma estrada estreita. Tomamos decisões com base naquilo que temos em mãos: conhecimentos acumulados, nossa “lógica” de raciocínio, nossos objetivos, nosso modo de ver e perceber o mundo (afinal, vemos tudo através de nossos “filtros”). Por isso, nosso julgamento é passível de erros e falhas. Temos, ainda, o Livre Arbítrio (outra trilha ou variante), que nos oferece opções de escolha daquilo que acharmos ser mais conveniente ou “correto” em nossa trajetória. Há momentos em que nos deparamos com opções que nos parecem igualmente corretas, ou ainda, deixamo-nos levar por nossas vontades baseadas em orgulho, vaidade, ganância, egoísmo, arrogância, etc. Seja por ignorância de não saber discernir entre o certo e o errado ou por decisão deliberada em seguir determinado caminho, as escolhas que fizermos, mais tarde, sempre nos trarão consequências oportunas ao aprendizado. Desse modo, consciente ou inconscientemente, somos responsáveis por nossas decisões, e estamos sujeitos à Lei de Causa e Efeito que, juntamente com o Livre Arbítrio, torna-nos “senhores e servos de nosso próprio destino”. Porém, um dia poderemos chegar à conclusão de que tomamos o caminho errado e que perdemos, assim, nosso rumo. Contudo, sempre temos a chance de recomeçar o seguimento. Temos o poder de decisão de parar de caminhar em um sentido e mudar de direção. O retorno começa pelo reconhecimento de nossos erros, seguido pelo arrependimento. Isso é um ato que requer humildade e coragem. É importante sentir-se responsável por nossos atos, porém, sem que nos deixemos tomar pelo sentimento de culpa. É preciso diferenciar responsabilidade de culpa, pois culpa nos direciona a um sentimento de inferioridade e insignificância, os quais desencadeiam ainda mais malefícios. Sermos humildes e responsáveis pela reparação de nossos erros é muito mais proveitoso para si mesmo e para a humanidade. Consequências de nossos erros haverá certamente, sendo, então, a oportunidade de exercitarmos nossa humildade, determinação, disciplina e a abnegação. Requer-se também, um profundo comprometimento e esforço sincero de mudança, uma vez que necessitaremos provar que somos dignos de confiança outra vez. Para as pessoas ao nosso redor, o retorno de alguém que estava “perdido” é uma oportunidade para que elas exercitem o perdão e a compaixão, não fechando as portas ao irmão arrependido através do julgamento e condenação (lembremo-nos da passagem bíblica do “Filho Pródigo” e de “Maria Madalena”). Devemos nos regozijar ao ver alguém que decidiu tomar o caminho de volta. Há que se lutar, também, contra o hábito de usarmos os erros cometidos por outros como escudo, justificando nossas atitudes e erros pelos erros alheios. Ou, ainda, ao invés de nos sentirmos felizes, sentimo-nos mal ao ver que, quando aquele que errava começa buscar o caminho de volta. É quando vemos desvendada nossa hipocrisia.
  14. 14. ...a jornada inicia, por uma escolha tua... Existem diferentes formas de se chegar ao mesmo destino. Cada pessoa tem Existem diferentes formas de se chegar ao mesmo destino. Cada pessoa tem seu nível ou estágio atual de desenvolvimento espiritual. Enquanto alguns ainda estão focados em suas necessidades mais primitivas de sobrevivência, como alimentar-se, vestir-se, socializar-se, etc., outros buscam conhecer as Leis de Deus e do Universo. Para cada um terá uma hora apropriada. Porém, a Jornada inicia a partir do momento em que, declaradamente, “desistimos” (nos desapegamos) de nós mesmos e nos colocamos à disposição de Deus. Significa que estamos deliberadamente dando a “permissão” a Deus para que redirecione nossa vida. É um ato de renúncia a nós mesmos e predisposição para com Deus. Começa, assim, um processo de transformação em nós. Devemos estar preparados, pois quase sempre teremos que enfrentar mais desafios que bem-aventuranças, sendo essas dificuldades, na verdade, oportunidades para superarmos nossas próprias limitações. Estaremos sendo “destruídos” para, posteriormente, sermos moldados de acordo com um novo projeto. Humildade, amor, abnegação, devoção e despego devem estar sempre na mente de quem se inicia por este caminho. É importante acreditarmos piamente que esses desafios vêm para o bem, agradecermos e louvarmos a Deus, pois tudo representa uma oportunidade. Porém, no momento em que despertamos nossa ânsia pela busca da Verdade, somos responsáveis, também, por procurá-la. Somos nós que devemos ter a iniciativa e o trabalho de buscar o conhecimento. Assim como um garimpeiro escava a terra em busca de algo precioso, devemos do mesmo modo encarar a busca pela Sabedoria Divina (com a diferença que não estaremos sendo movidos pela ganância, mas, sim, pelo amor à Verdade). Tentar iniciar essa Jornada sem buscar o conhecimento é como iniciarmos uma viagem a um determinado lugar sem consultarmos nenhuma fonte de informação, um mapa sequer. É possível que cheguemos ao destino, porém, quantos caminhos equivocados poderiam ter sido evitados! Há uma grande vantagem para aqueles que conscientemente buscam o Verdadeiro Conhecimento, pois evitarão muitos trajetos desnecessários, tarefas árduas de reconstrução e a perda de tempo. Ressaltamos, mais uma vez, que não se pode iniciar a Jornada tendo como motivação sentimentos de ganância, vaidade, arrogância, egoísmo ou orgulho. A busca deve ser baseada em amor, compaixão, humildade e altruísmo, caso contrario incorreremos em mais erros que acertos! Contudo, deparamo-nos aqui com uma importante questão: aonde buscar o conhecimento? O primeiro ponto de busca está em nós mesmos. É o autoquestionamento. Quais são os nossos fundamentos? Tomamos decisões baseadas em que, altruísmo ou egoísmo, ganância, avareza ou desapego material? Vaidade? Vingança? Orgulho? Amor? Compaixão? Qual é o nosso conceito de certo e errado? É importante buscar com sinceridade as raízes que governam nossos pensamentos e, principalmente, os motivos pelos quais buscamos o Saber, pois, o acesso à Sabedoria nos é permitido à medida que
  15. 15. elevamos nosso nível moral. Para isso, é preciso estar nos auto-avaliando constantemente e purificando nossos pensamentos e atos. A purificação inicia pelo reconhecimento de nossos erros, seguido pela confissão de nossos sentimentos a Deus e pelo arrependimento. Devemos, também, buscar o sentido nas coisas que vemos e ouvimos, não nos deixando “acreditar por acreditar” ou acreditar porque faz parte de uma tradição. Devemos nos manter alertas e não abrir mão do livre pensamento, não nos deixando dominar por dogmas e pensamentos incutidos em nossas mentes através da simples repetição. É triste ver que muitas organizações a seitas usam da religiosidade e a boa fé das pessoas como instrumento de manipulação e controle. A literatura é outra fonte, onde encontramos conhecimentos e experiências vividas por outras pessoas. Porém, como mencionamos, manter o pensamento livre é primordial, de modo que se permitam comparações e compilações daquilo que faz algum sentido para nós. A leitura “cega”, sem reflexão e questionamento pode ser tão ou mais prejudicial do que a própria ignorância! É importante, também, aprender a dosar a quantidade de informação com nossa capacidade de apreensão do conhecimento. Lembremos de que cada expansão de nosso nível espiritual deve ser acompanhada por uma contrapartida mental. A busca pelo conhecimento é um caminho de duas vias e o aprendizado requer tempo. Existe um tempo de “cura” entre a aquisição de um conhecimento e sua incorporação em nosso modo de ser. Esse intervalo deve ser preenchido pela prática e exercício, pois, afinal, está corretíssimo o dizer que “o hábito faz o monge”. Há, porém, que se cuidar para não cairmos na armadilha da hipocrisia, pois o importante é agirmos e pensarmos por ser esse o nosso modo de ser (e no qual realmente acreditamos), e não por que simplesmente seguimos parâmetros ditados por uma religião, organização ou seita, ou por que queremos impressionar a outrem. Devemos realmente ser aquilo que cremos. A meditação é outro meio de acesso ao conhecimento, através da qual nos conectamos com nosso “Eu” superior. Contudo, apenas a citaremos como importante ferramenta, pois não é o objetivo dessa obra entrar em detalhes sobre este assunto. Lembremos de que a decisão final sobre qualquer assunto é sempre nossa responsabilidade. Podemos consultar opiniões, livros, meditar a respeito... Mas, no final de tudo, em qualquer questão, por mais importante ou banal que seja, a melhor resposta será sempre aquela que nós mesmos concluímos ou que, no “fundo” de nossa consciência, acreditamos ser a correta. E, reiterando, nossa busca deve estar fundamentada em razões tão somente de crescimento espiritual e de glorificação de Deus. É imperativo não utilizar dos conhecimentos adquiridos para benefício próprio, sejam eles materiais ou intelectuais, como, por exemplo, os relacionados à ganância, vaidade, poder, etc. Deixarás para trás tudo o que possuas... Entender o significado de desapego é, para a maioria de nós, extremamente confuso. Como seria possível vivermos com obstinação pela vida, porém, sem nos apegarmos a nada? Seríamos capazes de abrir mão de algo que nos traz tantas alegrias e
  16. 16. “felicidade”? Qual seria a nossa reação ao ver tudo o que construímos em nossa vida desaparecer diante de nossos olhos (a exemplo da passagem bíblica no livro de Jó)? A explicação não é fácil, pois o entendimento desse conceito envolve um estado de espírito. Porém, em linhas simplificadas, desapego não se trata de modo algum abandonarmos nossa casa, bens, família, negócios, etc., e sairmos vagando pelo mundo em peregrinação ou nos tornarmos ermitões. Ou, então, deixarmos de ser zelosos pelas coisas que temos. Refere-se ao desligamento de tudo que nos rodeia, porém, sem perdermos a noção de responsabilidade. É saber que tudo que é “nosso” está, na verdade, apenas sob nossos cuidados. Nossa casa, bens etc., são frutos de nosso trabalho, é certo, mas devemos encará-los como ferramentas que a nós foram confiadas e que auxiliarão em nosso progresso espiritual, mesmo que amanhã venhamos a perdê-los. Não possuímos nada: nossos bens são apenas parte dos instrumentos que utilizamos em nossa jornada. Sendo assim, por exemplo, nossos filhos não nos pertencem, mas sim, foram confiados a nós por Deus, para que tomássemos conta deles. Por essa ótica percebe-se quão importante é a tarefa de educar nossos filhos! O mesmo princípio se aplica á esposa ou esposo, parentes, amigos, à família como um todo, etc. Quando conseguirmos entender o significado de desapego, entenderemos o significado de amar a Deus sobre todas as coisas. Pois a cada etapa de teu aprendizado, o que tu necessitares, a ti te será dado... As coisas não caem do céu, mas, sim, são frutos do nosso trabalho! Mas as portas da vida se abrem ou se fecham de acordo com o que necessitamos aprender. É importante mantermos o foco no objetivo principal de nossa existência: aprender e evoluir espiritualmente com base no bem e na devoção a Deus. Sendo assim, os meios propícios ao nosso aprendizado serão criados. Lembremos que nossa trajetória é controlada através das Leis Cármicas, e que um Karma nada mais é do que uma oportunidade de aprendizado. Toda vez que chegamos ao ponto de saldar um Karma, podemos ter o rumo de nossa vida modificado drasticamente. Por isso, ao invés de lamentarmos o infortúnio, devemos agradecer a oportunidade. Cabe aqui esclarecermos o “milagre da multiplicação dos pães”. A multiplicação dos pães é um estado de espírito. Refere-se ao alimento espiritual, não ao alimento físico em si (“nem só de pão vive o homem”). Está intimamente relacionado ao desapego. É sabermos que, uma vez que nos propusemos iniciar a jornada, não importa o tamanho do desafio que teremos pela frente, sempre encontraremos as condições necessárias e suficientes para o aprendizado; é o sentimento da presença Divina em nós, o que nos eleva a um estado de plenitude, paz e extrema harmonia, não importa as condições físicas, materiais ou emocionais em que nos encontramos. Passamos, assim, a entender plenamente o significado do “esplendor dos lírios do campo e das aves do céu.” ...e não estarás sozinho, pois terás a teu lado, a presença do Mestre, por quem serás guiado...
  17. 17. Àqueles que iniciam a busca pelo conhecimento com perseverança e abnegação, é despertada a atenção de um Mestre que o estará acompanhando. Não necessariamente o Mestre tem sua presença percebida pelo discípulo, pelo menos de início. É tarefa do discípulo realizar o trabalho, não do Mestre. Sendo assim, não esperemos que a cada desafio haja alguém nos dizendo o que fazer. A decisão é nossa, e cabe a nós buscar o embasamento para decidir que caminho tomar. O Mestre auxilia propiciando as condições para que seu aprendizado se realize de modo mais efetivo, seja fornecendo-lhe recursos, propiciando situações ou, mesmo, por meio de pequenos avisos que muitas vezes confundimos com nossa própria intuição. ...Mas, se acaso sentires, o chão ausente, e receberes o convite, para seguir em frente, podes estar seguro, e avançar confiante, pois estarás em prova, de o quanto tu és crente; e passado o teste, perceberás então, que cruzaste ponte, que não se via o vão. Há momentos em nossa vida que se assemelham a estarmos à beira de um precipício, onde somos convidados a dar um passo adiante, porém, sem vermos uma ponte ou algo aonde pisar. Esses momentos ocorrem quando nosso senso comum e convicções são colocados em cheque. Vemos claramente em nossa frente dois caminhos a escolher: um é o que a maioria faria, o do senso comum; o outro, é aquele que envolve o rompimento com o convencional, um passo em direção ao desconhecido. É o confronto entre “o que todos dizem, inclusive nós mesmos” versus “o que nos é apresentado como alternativa”. A situação nos desafia a romper com nosso próprio “eu”. Algo nos diz qual é a resposta correta, porém, optarmos por ela incorre em rompermos com nossas próprias convicções, crenças e “bom senso”. Somos desafiados a fazer algo aparentemente impossível, como “caminhar sobre as águas”. Estamos, na verdade, mais uma vez nos deparando com a questão do desapego. Desapego é um passo importante e decisivo, porém, nem sempre fácil de ser dado. Temos a tendência de acreditar que “somos aquilo que somos”, “meus problemas são parte de mim”, minha vida, meus negócios, etc. Por isso a decisão de desapegarmo-nos de nosso “eu” parece tão dolorosa. Sentir o chão ausente é o medo de abandonarmos a nós mesmos e recomeçar um novo “eu”. Nossos conhecimentos ainda não são suficientes para ter uma visão clara daquilo que virá pela frente caso optemos pelo caminho alternativo. Por não termos todo o conhecimento, nossa decisão será baseada na fé (torna-se oportuno esclarecermos aqui o significado de “fé”: é agir com base em algo que ainda não conhecemos ou entendemos, apenas acreditamos; uma vez revelada a verdade, adquirimos o conhecimento e a sabedoria, não necessitando mais, assim, da fé.). A questão proposta é: confiamos ou não confiamos no que nos está sendo ensinado? Temos a coragem de dar esse passo adiante, em direção ao precipício, onde aparentemente não se pode ver nenhuma ponte? Será possível “caminhar sobre as águas”? É uma questão de confiança, de acreditar em algo que não compreendemos. Vemos diante de nós o choque entre a “lógica” e a Verdade. Nesses momentos, buscamos ajuda na oração, na meditação, na leitura, porém, parece que “Deus virou as costas para nós”, recusando-se a mostrar-nos qual a resposta correta. Isso acontece por que cabe a nós decidirmos, é o nosso momento de provarmos o que aprendemos até então, e o quanto acreditamos nisso. Importante se faz alertar o leitor de que estamos aqui falando sobre sensação: não estamos de modo algum dizendo para ninguém ir a beira de um abismo e dar um passo adiante, esperando que nada de mal irá acontecer! A menos que a pessoa
  18. 18. domine plenamente as técnicas de levitação, existem leis da física que darão conta do trabalho de fazê-lo voltar ao chão! Estamos falando de experiências em nível espiritual! Mais uma vez devemos analisar os fundamentos os quais usaremos para tomar nossa decisão: honestidade ou desonestidade; legal ou ético (nem sempre o que é legal é ético); egoísmo ou altruísmo; arrogância ou humildade; vaidade ou virtude; ganância ou partilha; e assim por diante. Quando se decide pelo caminho alternativo, uma vez entrado por ele, se revelará a ponte ou as pedras que estavam escondidas. Cai, assim, a cortina ou o véu que nos impedia de ver a Verdade. E assim continuarás, embora em mesmo caminho, a seguir teu traço, nobre peregrino, que busca a Verdade, como teu destino; mas, um degrau acima, nessa longa estrada, que te leva ao topo, como suave escada... Uma vez quebrada a barreira do medo de perdermos nosso “eu”, vemo-nos em outra dimensão. Apesar de tudo continuar o mesmo (vida do dia-a-dia, trabalho, tarefas domésticas, necessidade de alimentar-se, tomar banho, problemas que vão e vêm, etc.), o que mudou é o nosso ponto de vista a respeito da vida (pois estaremos um degrau acima). ...onde não importa o tempo, ou quanto percorreste, mas sim a chegada, e o que aprendeste. Apesar de estarmos preocupados em fazer o certo, nem sempre tomamos a decisão correta. Devemos entender que teremos sempre consequências de nossas decisões, e que, mesmo que essas sejam equivocadas, ainda assim representam uma nova chance de aprendermos. Por isso, não importa quantas vezes erramos ou quanto tempo levamos: o que vale é a intenção de acertar e o que finalmente aprendemos. E ao chegar, enfim, no cume da escalada, receberás, então, os louros da empreitada; e entenderás, por fim, de tudo isso a razão, e que apresar de estares, na altura mais elevada, sentir-te-ás, assim, como um grão de mostarda, que, embora seja, a menor semente, conterás o Universo, em teu consciente. Iniciar-se no Caminho requer crer que existe algo além daquilo que entendemos hoje por realidade. É acreditar na ideia de libertação de todo e qualquer sentimento de posse, vaidade, egoísmo, orgulho ou ganância; é a real felicidade. É tornar a nós mesmos um instrumento de manifestação da Luz de Deus, através de nossos atos e pensamentos. É trazer nosso consciente de volta à imagem e semelhança do Criador, sem que nos tornemos por isso melhor do que ninguém. É entender como a oferta de nosso trabalho a Deus é a nossa própria recompensa (ou seja, amar a Deus sobre todas as coisas!). Deste modo, embora nos tornemos detentores de todo o Conhecimento do Universo, seremos ao mesmo tempo “a menor das sementes”, “o menor dos grãos de areia”. 
  19. 19. PERFEITO IMPERFEITO Se o bem sempre traz alegria?! Basta olhar para a boa intenção Pois às vezes o que sobra é agonia De um “bom” gesto, palavra ou ação Se o mal também traz seu efeito Onde está seu benefício, então? Seria ele o perfeito imperfeito? Qual seria do mal a razão? Se fizeste tua casa na areia Por que queres mantê-la, então? É melhor refazê-la na pedra Que oferece melhor fundação Por isso não julgues aos outros Pois não sabes qual foi a intenção Protege-te do que não é certo Mas entendas do mal a lição Pois, o imperfeito é a chave da porta Pra chegares até a perfeição Mas, ver o bem que no mal se oculta Requer-se de sábia visão É preciso ter fé no Divino Há que crer na Lei do Perdão Pois as pedras que vêm no caminho Estão lá por alguma razão Por isso agradece ao espinho Não reclames nem mesmo da dor Faz tudo com muito carinho Coloca em tudo o amor Tornarás, assim, água em vinho E no fim deste mesmo raminho Tu irás encontrar uma flor. Wilson Pailo 20 de Janeiro de 2010.
  20. 20. REFLEXÕES SOBRE O POEMA “PERFEITO IMPERFEITO” Existe sempre um bem oculto em todo mal. Este poema trata de como os momentos difíceis em nossas vidas são, na verdade, oportunidades de reorientação, aprimoramento espiritual e superação de nossas limitações. Por isso, chamamos o mal (o “imperfeito”) de perfeito. Seja ele proveniente de pessoas, seja ele consequência de nossos próprios atos, o “mal” deve ser visto sempre como oportunidade de exercitarmos o amor, a compaixão e o perdão. Não quer dizer que não devemos nos proteger daqueles que intencionalmente desejam de algum modo nos prejudicar (sejamos bons, mas não ao ponto de destruirmos a nós mesmos!). Referimo-nos às situações da vida em que as coisas acontecem independentemente de nossa vontade, nosso controle. Às vezes, estamos prevendo uma situação a qual gostaríamos de evitar, porém, parece que todas as soluções que tentamos são em vão. O fato é que, por ainda não sermos perfeitos, estamos sempre “construindo nossa casa sobre a areia”. Usamos como fundação o apego, o egoísmo, a vaidade, a ganância, a vingança, a arrogância, o orgulho, a ignorância, etc. Mesmo que uma vida seja construída com amor e dedicação, ainda assim pode haver resquícios de algum tipo de apego. Assim, não importa se por bem ou por mal, sempre que colocamos em primeiro lugar algo que não seja a Deus, estamos passíveis de receber uma oportunidade de aprimoramento. Nosso foco deve estar no entender que existe um processo de constante “destruição- reconstrução”, que ocorrerá até que um dia alcancemos a perfeição. Lembremo-nos, também, do princípio de que nada nos pertence; tudo que temos são instrumentos colocados à disposição para nosso trabalho e progresso! Entender “como o mal pode trazer algum bem” é, para a maioria de nós, algo ainda bastante complexo. Por isso, se por hora não temos condições para compreender esse paradoxo, devemos nos valer da fé em que as Leis de Deus são perfeitas e que devemos praticar o perdão, a compaixão e o amor. Coloquemo-nos à disposição da vontade de Deus, permitindo assim que sejamos “modelados” por Ele, assim como um ceramista modela a argila. De qualquer modo, entendendo esse significado ou não, sejamos gratos por tudo que temos na vida, cada oportunidade, boa ou “ruim”. Concentremo-nos no momento presente com amor e dedicação, e no fato de que “nenhuma prova é maior do que aquilo que somos capazes de suportar”. E entendamos que nossos problemas são apenas um pequeno raminho comparado à árvore majestosa que forma a grandiosidade do Universo e a Sabedoria Divina. E, se seguirmos esse “raminho”, com amor e abnegação, até a sua extremidade, por certo encontraremos lá uma flor – o nosso crescimento espiritual. 
  21. 21. DOCE NAUFRÁGIO Sonho após sonho Eu vi naufragar Nesse mar de ilusões Eu não soube nadar Quais pesados grilhões Atados em mim Os sonhos que eu tinha Levavam-me ao fim Sonhar não é errado O que é errado, sim É a razão por que sonhamos O que nos move, enfim Por querer tanto ouro Fiz meu barco pesar Foi assim que a ganância Me fez afundar A vingança e o rancor Eram pedras que eu trazia E, por mais que nadasse Mais ao fundo eu ia Com braçadas bem largas Nadei com orgulho Mas, acabei encoberto Por ondas e entulho A arrogância me fez Crer que eu era capaz De navegar pelo mundo Já sabendo de tudo Sem olhar para trás Pelo meu egoísmo Socorro eu neguei A quem se afogava A mão eu fechei E por esse motivo Também me afoguei
  22. 22. A vaidade me fez Trocar os pés pelas mãos Perdi o compasso, A vela e o timão Como barco sem leme No mar eu fiquei No primeiro rochedo Bati e quebrei Após tantos desastres Resolvi não sonhar Despi-me de meus sonhos E atirei-me ao mar Ao sabor das marés Deixei-me levar Sem destino ao certo Sem mapa ou certeza O mar que me mostra Aonde chegar Hoje sinto em minha alma Que fiz-me parte do mar E, mesmo sendo uma gota Eu me faço contar Pois, se um segundo faz um ano Eu - um oceano E qual em ponto e reponto Ganho e perco terreno Se hoje estou eu revolto Amanhã sou sereno Comparado a mim, O meu sonho é pequeno Das pedras que encontro As abraço primeiro E com incontáveis afagos As transformo por inteiro E, assim, vou seguindo Em quão doce peleia Onde eu continuo água Mas, a pedra... Vira areia
  23. 23. Mas, um grãozinho que tiro É a minha felicidade Pois, com muito carinho Mais cedo ou mais tarde Vou fazendo uma praia Pra poder, na verdade Ver a mais bela sereia Quão linda beldade! Deitar-se na areia Onde venho depois Passear em seu corpo Num encontro a dois E, por fim, nessa hora Minha alma se extasia Pois, meu sonho de amor Só assim se sacia. Wilson Pailo Outubro 2008.
  24. 24. REFLEXÕES SOBRE O POEMA “DOCE NAUFRÁGIO” Após ver um a um de meus planos para a vida, meus sonhos e realizações se esvanecerem diante de mim devido a diversas circunstâncias, eu fiz as seguintes perguntas a mim mesmo: o que estou fazendo de errado? Por que todos os sonhos que tive até agora em minha vida não se realizaram? Eu trabalhei tão duro, pensando em estar fazendo o correto, para quê? Apesar de que supostamente eu deveria estar tomado por um sentimento de frustração total, lembro-me que ao fazer essas perguntas uma paz serena tomava conta de mim. A resposta para minhas perguntas veio em forma deste poema. Todos nós temos sonhos. Sonhar faz parte da vida. É difícil viver sem ter um sonho. Muitos desses sonhos se realizam, muitos não. Muitas pessoas conseguem alcançar seus objetivos, enquanto outras parecem ver seus sonhos cada vez mais distantes. Há aqueles que parecem tratar a vida com extrema objetividade, hierarquizando com precisão o que lhes é primordial e o que é secundário, enquanto outros vivem em um mundo de ilusões. É importante sabermos diferenciar sonho de ilusão: enquanto o sonho é algo atingível, viável, a ilusão envolve engano, ignorância e falta de compreensão da realidade. Porém, uma coisa é verdade: entre um sonho e a realidade existe o trabalho; entre a ilusão e a realidade existe o devaneio. Neste poema referimo-nos a sonhos e ilusões quase que como sinônimos. O motivo é que, independentemente se nosso sonho é viável ou não, o mais importante é em que esse sonho é fundamentado, ou seja, a razão pela qual sonhamos. Felizes são aqueles que perseguem seus sonhos com o coração puro, com desapego ao material, fazendo as coisas por amor ao certo e ao que é justo, não importando a quem. Felizes são aqueles que não fundamentam seus sonhos na ambição, na ganância, no egoísmo, no orgulho, na vaidade e na arrogância, pois, assim fazendo, não correm o risco de transformarem seus sonhos em seus próprios cárceres. Felizes são aqueles que conseguem entender que seus sonhos não são eles próprios, pois assim, não tornarão seus sonhos maiores que a si mesmos (“sonhar, mas conservar-te acima de teu sonho!”). Felizes são aqueles que buscam seus objetivos com perseverança e determinação, porém, são capazes de manterem-se erguidos mesmo vendo todo o trabalho perdido. Há momentos que necessitamos “libertar a quem nos prende”, ou seja, abrir mão de nossos sonhos antes que eles nos levem à destruição. Por isso devemos procurar pela Verdade, o Conhecimento Divino, para que, quando escolhermos nossos sonhos, tenhamos condições de evitar o trabalho em vão, as ilusões e os devaneios. Procurar saber o que é certo aos olhos de Deus, pois, nem sempre, o que é certo perante as leis do homem, é certo perante Deus. Fazendo isso, estaremos evitando “construir nossas casas sobre a areia”.
  25. 25. É preciso coragem para abandonar nossos sonhos, pois quase sempre acabamos por confundir nossos sonhos com nós mesmos. Há que se entender que existe uma corrente, uma força que governa o Universo, e que, apesar de sermos “senhores e servos de nosso próprio destino”, essa força nos direciona ao aprimoramento, à perfeição. Assim como que se quiséssemos atravessar um rio caudaloso, é muito mais fácil atravessá-lo nadando a favor da correnteza, chegando-se ao outro lado em um ponto rio abaixo, do que nadar em linha reta tentando a distância mais curta entre as margens. Nem sempre o caminho mais curto é o mais rápido! É preciso compreender que a vida é feita de altos e baixos, que nós oscilamos entre o positivo e o negativo, assim como as marés o fazem. Por isso, teremos épocas de abundância e épocas de escassez, épocas de alegria e épocas de tristeza, de bons e de maus momentos. Se hoje lutamos bravamente para atravessar o rio caudaloso, amanhã estamos com nossos pés em terra firme e segura. Por isso, nossos sonhos e realizações muitas vezes vêm e vão. Essa oscilação nos faz mover, mudar, buscar o crescimento. Se não existisse o negativo, não necessitaríamos nos mover para nada. É preciso que haja essa oscilação para que possamos evoluir. Se pensarmos assim, chegaremos à conclusão de que não existe o mal, somente o bem. O mal vem para bem, para fazer com que nos movamos, que aprendamos. É preciso compreender, também, que todos nós fazemos parte de um grande plano que governa todo o Universo, e que cada um de nós tem um papel importante na consecução desse plano. Assim como cada segundo é essencial na formação de um minuto, uma hora, um ano, e assim por diante, somos também nós importantes no Plano do Universo. Embora ainda não sejamos capazes de compreender todas as leis que regem a vida, o amor e a compaixão devem ser o fundamento de nossas ações. Através deles, passamos a ver o mundo sob uma diferente ótica: ao invés de vermos alguém como um tirano, enxergamos, sim, uma alma caída, merecedora de piedade. É nosso dever nos protegermos contra a tirania, porém, já não somos capazes de alimentar nenhum sentimento de ódio ou vingança, de modo que não iremos nos tornar iguais àquele que nos ameaça. E, tendo isso como modo de pensar e agir, seremos capazes de, aos poucos, mostrar àqueles que nos ofendem a outra face, a outra face da vida! Observemos o trabalho paciente que a água do mar faz ao bater em uma pedra. Apesar de esta ser áspera e muito mais dura que a própria água, com o passar do tempo acaba por mudar de forma e, até mesmo, deixar de existir, transformando-se em areia. De forma análoga, de grãozinho em grãozinho, construiremos nossa praia, ou seja, estaremos nos preparando para o nosso encontro com a perfeição, o reencontro com nossa própria Mônada, o Reino de Deus, a real Felicidade. 
  26. 26. EU Se tu queres saber quem eu sou A mim me pergunto também No momento tu vês o que estou Mas desejo ir muito além Já não creio naquilo que eu era Mas naquilo que eu quero ser Não ando em compasso de espera Pois eu tenho um mundo a correr A minha ambição é singela A minha ganância é crescer Meu rumo quem mostra é a vela Meu leme é o que devo aprender Não carrego comigo bagagem Assim, nada tenho a perder O que levo é só de passagem O que trago é um pequeno saber Sei que já percorri muitas milhas Sei que há muitas por percorrer Mas antes do fim dessa trilha O certo é o que espero fazer Agradeço a cada momento Não guardo nem mágoa ou revolta Pois na vida a vitória ou o lamento Como um dia e uma noite é uma volta Fazem parte de um ensinamento Mas, daqui minha marcha eu prossigo Vou seguir meu caminho outra vez Deixo um forte abraço ao amigo Desejo boa sorte a vocês Que Deus esteja sempre contigo E que a fé que tenho comigo Em ti se multiplique por três Ándale pues. Wilson Pailo 5 de Novembro de 2009.
  27. 27. REFLEXÕES SOBRE O POEMA “EU” “Eu” Pelo nome dado ao poema, “Eu” não se refere ao autor, mas, sim, a qualquer pessoa que venha a ler esse título. Ao seguir, então, sua leitura, descreve-se o que o autor acredita ser, em termos bastante sucintos, as linhas que guiam, ou deveriam guiar, cada ser humano:  Questionar quem somos;  Entender que estamos em constante transformação, por isso, não somos: estamos;  Que não há limite aonde podemos chegar (Deus é infinito);  A dinamicidade da vida, por isso, não devemos viver apegados ao passado; devemos entender quem somos e projetarmos o futuro;  Não nos deixarmos acomodar, pois há muito que conhecer e aprender. Nós nos tornamos velhos o dia em que achamos que sabemos de tudo!  Ter ambição pela vida, porém, por ser esta uma oportunidade de aprendizagem;  Ganância pelo crescimento espiritual;  Ao mesmo tempo em que criamos nosso próprio destino, estamos condicionados a ele (somos senhores e servos de nosso próprio destino); por isso, apesar de manipularmos a vela de nosso barco, o barco como um todo se move por que há vento, e o vento segue uma só direção à qual estamos sujeitos;  As situações (obstáculos) da vida nos proporcionam oportunidades de aprendizado; por isso devemos manter nosso leme voltado ao aprendizado;  Não devemos “carregar bagagens”, ou seja, nos apegarmos a nada (material e emocional). Devemos encarar o que temos como instrumentos sob nossa responsabilidade, pelos quais devemos zelar com amor e abnegação. Porém, entendamos que não possuímos nada, nada nos pertence. Sendo assim, não se pode perder o que não é nosso;  As coisas são temporárias, dinâmicas e em constante transição;  Por mais que conheçamos, ainda assim nosso conhecimento é pequeno comparado ao Universo; por isso, há que se manter a humildade e a vontade de aprender;  Ter vontade de acertar, de fazer o bem;  Agradecer e louvar a Deus a cada momento, seja este bom ou ruim, pois tudo vem para o bem; entender que o bem e o mal fazem parte de uma mesma moeda, de um mesmo ensinamento;  Prosseguir em sua marcha, ou seja, significa não acomodar-se, continuar sempre em busca de seu aperfeiçoamento físico, mental e espiritual, com passos firmes e determinação;  Um forte abraço nos mantém conectados com as pessoas com quem nos relacionamos. Mesmo que estejamos distantes fisicamente, manteremos a conexão, porém, sem o sentimento de posse;  Desejo sincero de que cada um seja feliz em sua busca;  Que a luz de Deus acompanhe a cada um, provendo sabedoria, paz e harmonia;  Seja firme na crença de que as Leis de Deus são perfeitas, mesmo que por hora não tenhamos capacidade de compreendê-las; por isso nos valemos da fé. Ándale pues, ou seja, coloque isso em prática! 
  28. 28. MINHA JANELA De minha janela Vi a vida passar Vi o sol se por Vi estrelas no céu Vi a lua brilhar Vi a cidade dormir Vi a chuva molhar Vi a flor se abrir Vi a terra secar Vi a folha cair Vi o dia raiar Vi a menina sorrir Vi um brilho no olhar Vi um menino a correr Vi uma pipa no ar Vi um amigo partir Vi uma mão acenar Vi o verão acabando Vi o inverno gelar Vi um cachorro latir Vi o bem-te-vi a cantar Vi o silêncio ruir Vi o vento soprar Vi um casal namorando Vi a vizinha espiando Vi um pai esperando Vi uma filha chegar Vi uma criança nascer Vi uma luz se apagar Vi uma vela acender Vi uma mãe a rezar Vi o tempo passando Vi o mundo a girar Vi você se mostrando Vi você se guardar Vi você ir Vi você voltar Que linda aquarela! A vida é tão bela! Se um dia eu pudera Uma tela pintar! Mas, um dia mudei-me Fui pra outro lugar E a minha janela...
  29. 29. Eu trouxe comigo. Wilson Pailo Lavras, MG, Março de 1994. Re-editado em 6 de Novembro de 2009.
  30. 30. REFLEXÕES SOBRE O POEMA “MINHA JANELA” Este trabalho foi inspirado durante o período de 1991 a 1994, quando então eu era estudante de pós-graduação em Lavras, Minas Gerais. Da janela de meu quarto eu podia ver a rua e parte da cidade, uma vez que eu morava em um bairro situado em uma região mais elevada. Eu gostava de manter a janela toda aberta, mesmo nos dias de frio, para que o ar fresco pudesse entrar. De dia, durante meus estudos, às vezes parava para observar o movimento na rua. Muitas pessoas da vizinhança passavam por ali, pois a rua dava acesso a uma avenida. Havia uma vizinha, uma menina de cerca de quatorze anos de idade, que sempre que passava pela rua olhava para mim e sorria. Um dia, ela trouxe um caderno de recordações para que eu escrevesse algo. Foi aí que surgiu a primeira versão de “Minha Janela”, na qual ela era a menina que eu via “ir e voltar”. Durante as várias noites que passei em claro estudando, às vezes ia até a janela e observava a cidade “a dormir”. Recordo-me do silêncio da noite (pois a cidade, naquela época, não era muito grande: tinha cerca de sessenta mil habitantes), e das poucas luzes acesas que podiam ser vistas nas casas ao longe. Observava, também, as estrelas e a lua no céu. Após esses poucos minutos de relaxamento, voltava, então, aos estudos. Lembro-me de pequenos momentos que vi no dia-a-dia da vida da rua; crianças a empinar pipas, compadres e comadres que paravam no meio da rua para conversar; o cachorrinho que gostava de latir e correr pela rua à uma hora da manhã de segunda feira; o velório do vizinho; a família que morava do outro lado da rua, cuja filha casou-se aos quinze anos de idade, com o namorado de dezessete; o bebezinho que nasceu seis meses depois do casamento da menina; o desgosto de um pai sendo substituído pela alegria de um avô; o leiteiro que percorria as ruas a cavalo, vendendo o leite de porta em porta; as três roseiras plantadas no pequeno canteiro de flores na frente de minha casa; o amigo que partiu; as “Ave Marias” que todos os dias tocavam no alto-falante da torre da igreja às seis horas da tarde; a menina bonita que um dia quase me atropelou com sua bicicleta, e que, quinze anos depois, foi a inspiração do poema que dá o nome a este livro. Muitas doces lembranças, muitos doces momentos, alguns momentos tristes. Mas, todos, momentos da vida. Talvez, a mesma paisagem vista de outras janelas não pareça tão doce assim. É que cada um de nós pode ver as coisas sob uma diferente ótica. O que é uma rotina sem graça para uns, pode significar a beleza e Graça de Deus para outros. Porém, pelo modo de enxergar as coisas nos tornamos capazes de transformar água em vinho. Nossos olhos são nossas janelas; mas, nossa alma é que traduz aquilo que vemos. 
  31. 31. FELICIDADE Onde está a felicidade? Procurei-a por tempo e em vão Talvez nem mesmo sabia Se ela existia ou não Procurei-a em minha infância Nas doces recordações Mas com o tempo e a distância Não passaram de ilusões Procurei então em lugares Nas ruas, no trabalho, nos bares Subi até as montanhas Desci por esguias entranhas Nos confins da Terra cheguei Mas nada por lá encontrei Procurei então na riqueza Tive carros, barcos, mansões Vivi rodeado de amigos Em festas e reuniões Mas um dia o dinheiro acabou De repente sozinho fiquei Felicidade ali não estava Nas coisas nas quais confiei Procurei então companhia De uma linda e encantadora mulher Mas um dia ela se foi Sumiu com um outro qualquer Fui atrás, então, de magia Poções e feitiçaria Mas, quando vi minha alma em prisão Minha vida estava vazia Felicidade ali não havia Coloquei minha busca em questão Já tinha até desistido Maltrapilho, cansado, ferido... Mas decidi levantar-me do chão E reconquistar tudo o que perdi
  32. 32. Lutei como um bravo leão E até que enfim consegui Mas quando me dei por mim mesmo Em prantos eu percebi Que estava de novo, de volta No ponto de que parti Parei então de andar Sentei-me e pus-me a pensar E contrito comecei a rezar Aonde buscaria agora? E em mim concentrei meu olhar Meu erro estava em achar Que felicidade vinha de fora Neste novo lugar Mais vasto e profundo que o mar Encontrei minha alma esperando O momento de nos reencontrar Se eu soubesse que ali ela estava Não teria tanto tempo perdido! Mas ao fundo ouvi as palavras De um Mestre muito querido “Que minha busca não havia sido em vão Que, afinal, valeu a lição E pelo fato de eu haver tentado Meu erro estava, assim, perdoado” Parecia ter achado, enfim O que por muito havia buscado Não sonhava estar perto assim Felicidade estava dentro de mim. Wilson Pailo, Fevereiro 2008
  33. 33. REFLEXÕES SOBRE O POEMA “FELICIDADE” Três chaves para a felicidade: amor, desapego, e louvor. Felicidade está em nós mesmos, a partir do momento em que nos propomos a fazer tudo com amor. E o amor vem de dentro de nós. Amor ao certo, ao bem, a Deus. Façamo-nos instrumentos às obras de Deus. Deixemos de lado o egoísmo, a ganância, a vaidade, e todo qualquer sentimento que signifique “vantagem para nós”. Façamos por ser o correto e justo. Felizes são aqueles que encontram a si mesmo, pois a felicidade está em cada um de nós, em compreendermos quem somos e entendermos o caminho de nossas vidas. Porém, para que isso ocorra, necessitamos do desapego, dar “aquele passo adiante”, deixando nosso “eu” egoísta para trás. Enquanto procuramos a felicidade em coisas externas, corremos o risco de nos decepcionarmos, pois tudo é passível de transformação. Devemos entender que nada nos pertence, tudo que temos hoje nos foi dado como instrumento de aprendizagem. Tudo é consequência de nosso trabalho, porém, amanhã tudo pode desaparecer. Há que se crer nisso e continuar caminhando, mesmo que hoje isso pareça um absurdo, algo incompreensível. Chegará um dia em que seremos capazes de entender esse princípio. Lembremo-nos de que, para o crescimento espiritual, necessitamos de uma contrapartida em nosso corpo material. Assim como quando estamos na escola e, de início, temos dificuldade em entender o que nos é ensinado. Porém, com exercícios e o tempo, passamos a compreender a lição. Cada pessoa a seu passo, tudo a seu tempo. Somos o que somos e não o que temos. Se conseguirmos entender isso, estaremos entendendo parte do significado de “amar a Deus sob todas as coisas”. Agradeçamos a Deus a cada momento, tanto as bem-aventuranças como os infortúnios, pois tudo na vida vem para o bem. Não importam as condições, sejam elas materiais ou emocionais, não importa onde vivemos, ou as pessoas com quem convivemos. Agradeçamos sempre a oportunidade de estar aprendendo. 
  34. 34. LIBERDADE Se liberdade não existisse Também não existiria prisão Pois para o bem existe o mal E para o sim existe o não Se ser livre é não ser escravo O que é ser escravo então? Ser “dono do teu nariz” Talvez te faça feliz Mas, quem é dono da razão Se só Deus sabe se sim ou se não? Chegar sempre antes da hora Não te faz senhor do tempo Não deixar de levar à forra Não muda a direção do vento Pagar em dia o tributo Ser mais esperto ou astuto Poder fazer o que quer Poder ir aonde quiser Conquistar o teu espaço Ser dono do fogo e do aço Estar em posição de mandar Ser senhor, escravizar Ser cidadão do mundo Ou ser mero vagabundo Se ser ou não ser é a questão Se tu tens essa preocupação O que é liberdade então? Tua busca já se fez em vão Pois a resposta não esta em ser, ter ou poder Mas, sim, em entender Que a essência de viver Está na compreensão De que a vida é como uma escola Que cada coisa tem sua hora Que cada qual tem sua vez Que o objetivo não é vencer Mas, sim, o mero aprender Que a fome, a dor e o prazer
  35. 35. Cada qual tem sua função Que assim como em uma caminhada A vida segue uma estrada Que nos ensina uma lição Hora com curvas, buracos ou ladeiras Hora com sol, hora com chuva Hora com flor ou espinho E que ao final deste caminho Poderás olhar para trás E se tu fores de entender capaz Que nunca nada lhe pertenceu Que o ser, o poder e o dinheiro Fizeram parte de um passeio... Que foram apenas como pedras de uma calçada E que a cada passo de deste Tu as usaste para avançar… Mas, carregá-las ou não Fez parte de tua opção. Wilson Pailo, Fevereiro 2008.
  36. 36. REFLEXÕES SOBRE O POEMA “LIBERDADE” Assim como a verdadeira felicidade, a liberdade também envolve desapego. Enquanto nos preocuparmos com o “ter” e com o “ser”, não podemos ser verdadeiramente livres. O entendimento do conceito de liberdade requer uma condição espiritual elevada, que nos permita compreender que ao mesmo tempo em que estamos vivendo no mundo físico, temos responsabilidades e obrigações por nossos atos e pensamentos. Portanto, não somos “livres” para fazer o que bem entendemos. Porém, na verdade, não pertencemos a este mundo, e nem este nos pertence. Vivemos e trabalhamos aqui com o objetivo principal de aprender e evoluir, devendo fazer tudo com dedicação e amor, sem, contudo, nos apegarmos a nada. As coisas que temos como fruto de nosso trabalho são, ao mesmo tempo, consequências do que fazemos e instrumentos para nosso aprendizado. Devemos zelar por tudo o que temos, devemos buscar progresso e desenvolvimento físico, mental e espiritual, porém, sabendo que tudo é útil somente para o momento de agora: se amanhã esses instrumentos já não forem mais necessários ao que devemos aprender, eles poderão ser retirados de nossos cuidados. Devemos entender que a única fonte de real felicidade e liberdade está em Deus: o restante pode “desaparecer diante de nossos olhos” em uma fração de segundo, se assim for necessário. Esse conceito pode parecer difícil de ser compreendido de princípio. Porém, enquanto não temos essa capacidade de entendimento, podemos nos valer da fé, acreditando que esta é uma verdade e que faz parte das Leis do Universo. Em termos práticos, saibamos que enquanto estamos em um determinado estágio de nossa vida, seja de privação ou bem-aventurança, devemos encarar sempre a situação, nossos bens e as pessoas que nos rodeiam com o máximo de responsabilidade, zelo e amor. O importante é saber que tudo é uma oportunidade de aprendizado e que teremos um proveito muito maior e rápido dessa chance se confiarmos na perfeição e justiça Divinas. 
  37. 37. INSPIRAÇÃO DIVINA De onde vem a inspiração? Talvez ela venha do céu Assim como a flor faz o perfume E a abelha fabrica o mel Talvez venha da alma Mas, a alma de onde vem? De uma paz serena e calma Ou da musa que se quer bem Talvez ela já exista, vagando por aí. Assim como fruta em beira de estrada Esperando ser apanhada Ela se cria por si Caberia só então ao poeta O trabalho de colher? De fazer a escolha certa Qualquer um poderia ser A inspiração não se encontra no ser Mas, sim, vem de algo Divino Basta o ser digno De deixar a poesia escorrer. Wilson Pailo, Fevereiro 2008
  38. 38. REFLEXÕES SOBRE O POEMA “INSPIRAÇÃO DIVINA” Existem diferentes modalidades de poesia e diferentes modos de escrevê-las. Contudo, quando, mesmo que por um relance, temos acesso ao conhecimento existente no Plano Mental Superior, percebe-se que a obra já está lá completa, tem forma e, mesmo, segue uma “equação matemática”. As ideias são colocadas de forma precisa, não formando um texto, mas, sim, uma imagem. Essas obras são compostas a partir da Sabedoria Divina, são baseadas na Verdade. Reconhece-se uma obra literária ou musical originadas neste plano pela sua essência, precisão e harmonia. Todos nós somos capazes de compor poemas, canções, melodias, porém, quando temos acesso a esse magnífico manancial de conhecimento e beleza, cabe a nós apenas a mera transcrição, pois querer acrescentar algo nosso a tão magníficas obras, no estágio atual em que nos encontramos, apenas serviria para macular tão perfeitas composições. 
  39. 39. VERSO E INVERSO Se o mundo fosse ao inverso Felicidade não valeria a pena Poesia não teria verso Paisagem não teria cena Chorar, somente por alegria Sorrir seria por tristeza A dor nem pranto traria A dúvida seria certeza A água subiria o morro A chuva secaria a terra A morte pagaria o socorro A hora seguiria a espera Viver não faria sentido Morrer seria um pedido A paz seria um tormento A vitória seria um lamento A volta precederia a ida A pressa estenderia a vida O depois seria o antes O ódio moveria os amantes O breu iluminaria o dia A estrela não seria guia Esses versos seriam meus No mundo não haveria Deus. Wilson Pailo, Fevereiro de 2008.
  40. 40. REFLEXÕES SOBRE O POEMA “VERSO E INVERSO” Verso e Inverso foi a primeira das obras escritas por mim. Descreve como a Natureza tem uma ordem e uma harmonia através das quais se revela a existência de Deus, de uma Sabedoria Superior e Universal, a qual devemos buscar compreender. Observe-se que, ao final, faz-se uma menção à existência do Plano Mental Superior, como verdadeira origem da inspiração, quando se diz “esses versos seriam meus”. 
  41. 41. MENTIRA A mentira é uma sombra Que faz de tua vida um tormento Que consome a tua alma Que te traz só sofrimento Que te faz ser um escravo Do que disseste primeiro E daquilo que ainda dirás Que faz de ti prisioneiro De quem sabe o teu segredo Que te faz viver com medo De a verdade aflorar Que te cobra o teu caráter Que te custa a tua paz Que à noite se deita ao teu lado Que te aguarda ao despertar Que te faz perder amigos Que impede alguém te amar Que mesmo que dita mil vezes Passa a ser apenas crença Pois, existe uma diferença Que depende só do tempo Porque a verdade é real Pois, seja qual for a razão Loucura, vergonha, omissão Mentir é sempre fatal Mas, tu morres mais lentamente Quando tu mentes ao hipócrita Que passa a ser conivente Que, de mãos dadas com quem mente, Só faz aumentar o cordão Do império de fantasia Que espalha dor, tristeza, agonia Egoísmo, crueldade e opressão Mas, a quem a verdade defende Mesmo parecendo impotente Vale a indignação É melhor não fingir-se ausente Pois, aquele que se cala – consente Mas, fazer do certo questão E mostrar seu grito insistente É crer na justiça Divina
  42. 42. Que acima dos homens governa E que por sua Sabedoria Eterna De um modo ou de outro ensina Pois tudo que vai também volta E errar por excesso ou por falta Faz parte do aprendizado Mas, lembra-te do sábio ditado Que “àquele que muito foi dado muito lhe será cobrado...” Portanto Se tu sabes entre o certo e o errado Mentir passa a ser opção Que se o preço não vier nessa vida No exato momento e medida Vem na próxima encarnação É a Lei de Causa e Efeito Que faz esse mundo perfeito Ao propósito da Criação. Wilson Pailo Novembro 2009. Dedico a todos que defendem a Verdade.
  43. 43. REFLEXÕES SOBRE O POEMA “MENTIRA” Certa vez alguém me perguntou: “É possível viver sem medo?” Dentre as muitas respostas a esta pergunta, lembro-me que o primeiro pensamento que me veio à mente foi dizer: “Sim, é só não dizer mentiras!”. O saber popular já diz: quem diz a verdade não necessita ter boa memória! Este poema enfoca dois aspectos da mentira: o primeiro é direcionado àqueles cujo ato de mentir tem cunho psicológico, sendo usado como meio de fuga, vergonha de si mesmo, necessidade de aceitação, etc.; o segundo é direcionado àqueles que usam da mentira para fins egoístas, desonestos, por ganância e por vaidade. O primeiro aspecto traz como resultado o medo e o tormento àquele que mente. No segundo aspecto, o indivíduo já não se importa com as consequências caso as mentiras sejam descobertas, uma vez que ele se sente protegido por uma rede de influências e pessoas que colaboram com a manutenção da mentira e do poder. São, por exemplo, pessoas que ocupam importantes papeis no meio político e econômico de um país, e que trazem consigo uma legião de coniventes que participam da mentira por conveniência. Tanto um aspecto como o outro trazem consequências, pois não se pode fugir da Lei de Causa e Efeito. Em geral, pessoas envolvidas no primeiro aspecto acabam recebendo respostas a seus atos de forma mais imediata, seja pela perda de amigos e afastamento de entes queridos, perda de emprego, etc. Já as do segundo aspecto, muitas vezes terminam a vida de modo muito “tranquilo”, aparentemente sem nenhuma consequência pelos seus delitos, uma vez que o sistema corrompido já não os alcança. Contudo, mesmo assim, as Leis Divinas se aplicam, cabendo a nós confiar em que as coisas vêm e vão, que em todo mal há um bem oculto, e que o resultado final sempre é a aprendizagem. 
  44. 44. CONCLUSÕES O caminho para se chegar até a real felicidade e real liberdade é feito passo a passo. É somente pelo exercício diário e perseverante do amor, da devoção e do desapego é que chegaremos a este estado. Se por hora ainda não somos capazes de entender muitas das Leis do Universo, nos valemos da fé para prosseguir nosso caminho. Lembremo-nos de que, apesar de ser um dever buscar o conhecimento Divino, necessitamos também saber que tudo vem a seu tempo. Há que se entender que nossa evolução espiritual deve ser realizada em equilíbrio com nossa capacidade física e mental. É um processo de “polimento” diário que pode levar muitas encarnações até chegarmos a nossa forma mais pura e sublime. Porém, sejamos conscientes de que o importante não é quanto tempo levaremos, mas, sim, o fato da chegada em si, ou seja, o que de fato aprendemos. A seguir, colocamos em linhas simplificadas e práticas o que foi tratado neste livro:  Coloquemo-nos a disposição de Deus para que Ele faça de nós instrumento da vontade Dele;  Entendamos que seguir a Deus não significa que nós não encontraremos nenhuma dificuldade em nossa vida; caso estejamos diante de algum infortúnio, agradeçamos a oportunidade de podermos estar aprendendo e saldando nossos karmas, procurando, ao mesmo tempo, não criar novos;  Nunca tentemos consertar um erro com outro; a situação nunca irá melhorar se fizermos coisas ruins deliberadamente;  Agradeçamos a tudo, de bom e de não bom, que acontece em nossas vidas, pois tudo representa uma oportunidade de aprendizado e evolução;  Procuremos fazer sempre o bem, principalmente para o benefício coletivo;  Façamos tudo com amor e por amor, sem esperar reconhecimento, recompensas, ou criar sentimentos de posse;  Tenhamos o hábito de sorrir;  Vigiemos os fundamentos os quais usamos para tomar qualquer decisão, evitando nos basear na ganância, vingança, orgulho, egoísmo, arrogância e vaidade;  Pratiquemos o amor e a compaixão, porém, protegendo-nos do que não é certo e da maldade intencional. Na prática, ter compaixão significa apiedar-se daquele que faz o mal por este estar degradando seu próprio espírito. Por outro lado, proteger-se, tomando-se as medidas necessárias e cabíveis que impeçam ou dificultem a reincidência do mal;  Procuremos não apontar e julgar os erros alheios;  Protejamo-nos das coisas que não são corretas, porém, entendamos que algumas delas estão fora de nosso controle; procuremos, sim, aprender com a situação;  Pratiquemos o desapego, porém, lembremo-nos de não abrir mão de nossas responsabilidades sobre as pessoas e coisas que estão sob nossos cuidados;
  45. 45.  Procuremos o Conhecimento Divino e pensemos sobre o que vemos, sentimos, ouvimos e lemos; procuremos usar esses conhecimentos em nosso dia-a-dia, com a melhor das intenções; porém, lembremo-nos que sempre a decisão final é nossa e que, às vezes, incorrer em erros faz parte do aprendizado;  Entendamos que não somos perfeitos, e que errar faz parte da vida; mas que existe sempre um caminho de volta; há que ter humildade, vontade e predisposição para recomeçar;  Cuidemos de nosso corpo físico através de alimentação e exercícios físicos; evitemos o tabaco, o álcool e as drogas; enriqueçamos nossa alimentação com vegetais, frutas, verduras e grãos, substituindo, na medida do possível, carnes e derivados; optemos por atividades ao ar livre e contato com a natureza sempre que possível; dêmos preferência às atividades diurnas sobre as noturnas;  Cuidemos de nossa mente através do desenvolvimento intelectual; alimentemos nossas mentes com boas leituras e atividades que explorem a lógica, a memória, e o raciocínio; evitemos nos expor aos meios de comunicação que exploram emoções de baixo nível, como violência, promiscuidade sexual, difamação e banalidades;  Cuidemos de nosso espírito, através de nossos atos, pensamentos e palavras; pratiquemos a meditação como forma de expansão de nossa consciência; mas lembremo-nos de manter a humildade e usar nosso progresso para fins altruístas; não utilizemos nossos conhecimentos espirituais para fins egoístas, de vaidade, ganância, ou obtenção de poder; lembremo-nos de que “aos que muito foi dado, muito será cobrado”;  Lembremo-nos de que não estamos aqui para ganhar ou perder, mas, sim, para aprender;  Confiemos nas Leis de Deus, pois elas são perfeitas; concentremo-nos no presente, em cada minuto, pois o futuro será consequência do que fizermos hoje. Que a Luz de Deus acompanhe a todos que dedicaram seu tempo à leitura desta obra. 

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