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Trabalho realizado por:
Ana Paula Peixoto de Lima
E-mail: anapaula-fisio-edfisica@hotmail.com
Monografia apresentada à Faculdade de
Educação Física, do Campus de Cuiabá,
Universidade Federal de Mato Grosso.
Orientador: Prof. Esp. Roberto Jaime dos Santos
OS EFEITOS DO MÉTODO PILATES EM MULHERES NA FAIXA ETÁRIA
DE 25 A 30 ANOS COM LOMBALGIA CRÔNICA
RESUMO
O presente estudo visa analisar os efeitos do método Pilates em mulheres na faixa etária de
25 a 30 anos com lombalgia crônica. A lombalgia é a dor localizada na região lombar, que
pode ser aguda, resultado de alguma injúria tecidual, ou crônica, quando já não tem a função
de alerta do organismo frente a uma lesão e já está presente a mais de 03 meses. A sua
origem está relacionada com distúrbio mecânico crônico, relacionados aos esforços
excessivos, má postura, alterações funcionais ou em decorrência a um movimento brusco da
coluna. O tratamento inicial é analgesia, em seguida, na fase crônica, reeducação postural
através de exercícios de alongamento, fortalecimento, alinhamento e reestruturação corporal.
Nesta pesquisa foi avaliado o nível de dor crônica na região lombar em 10 mulheres e dividido
aleatoriamente em dois grupos, o controle e o experimental. Então foi aplicado o Método
Pilates individualmente nas participantes do grupo experimental durante 08 semanas,
totalizando 16 horas aula. O Método Pilates, objetiva, com a execução dos seus exercícios e
fidelidade aos seus princípios, proporcionar um bom condicionamento físico e mental,
integrando o corpo e a mente, ampliando a capacidade de movimentos, aumentando o
controle, a força, o equilíbrio muscular e a consciência corporal. É um sistema de exercícios
que trabalha o corpo como um todo, corrige a postura e realinha a musculatura,
desenvolvendo a estabilidade corporal necessária para uma vida mais saudável e longeva.
Sendo assim, os resultados com a pesquisa foram favoráveis, havendo uma diminuição de
80% nos níveis da lombalgia crônica das participantes.
Palavras-chaves: método pilates, lombalgia,dor crônica.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Evolução Cronológica da Coluna Vertebral com Adição das Curvaturas Lordóticas
(Knoplich, 2003).
Figura 2 - Formação do Ângulo Lombossacro (Cailliet, 1988).
Figura 3 - Músculos Anteversores e Retroversores da Pelve (Tribastone, 2001).
Figura 4 - Os Músculos que Equilibram a Pelve (Tribastone, 2001).
Figura 5 – Reformer (Becker, 2003).
Figura 6 - Cadillac ou Trapézio (Becker, 2003).
Figura 7 - High Barrel (Becker, 2003).
Figura 8 - Chair (Combo), (Becker, 2003).
Figura 9 - Chair (Wunda) (Becker, 2003).
Figura 10 - Equipamentos auxiliares (Becker, 2003).
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Resultados do Pré-teste no Grupo Controle.
Tabela 2 - Resultados do Pré-teste no Grupo Experimental.
Tabela 3 - Tabela 3 - Resultados do Reteste no Grupo Controle.
Tabela 4 - Resultados do Reteste no Grupo Experimental
Tabela 5 - Comparação do Pré-teste e o Reteste do Grupo Controle
Tabela 6 - Comparação do Pré-teste e o Reteste do Grupo Experimental.
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 - Escala Comportamental; Avaliação Unidimensional da Dor (Serrano, 2003).
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 - Resultados do Pré-teste no Grupo Controle.
Gráfico 2 - Resultados do Pré-teste no Grupo Experimental.
Gráfico 3 - Comparação dos Pré-testes do Grupo Controle e do Grupo Experimental.
Gráfico 4 - Resultados do Reteste no Grupo Controle
Gráfico 5 - Resultados do Reteste no Grupo Experimental.
Gráfico 6 - Comparação do Reteste no Grupo Controle e no Grupo Experimental.
Gráfico 7 - Comparação do Pré-teste e o Reteste do Grupo Controle.
Gráfico 8 - Comparação do Reteste no Grupo Controle e no Grupo Experimental.
1- Introdução
O corpo humano é uma máquina maravilhosa e complexa. A partir de duas células
provenientes dos pais, desenvolvem-se milhões de células que formam o sangue, os ossos, os
músculos, os nervos, a pele, além de outros sistemas e órgãos. Começamos a envelhecer
bem cedo. A vitalidade física começa a decrescer por volta de 20 anos e depois continua num
ritmo muito mais rápido, dependendo da mudança de hábitos do indivíduo à medida que
envelhecem (Allsen; Harrison; Vance, 2001).
Segundo Araújo (apud Grorayeb; Barros, 1999), um estilo de vida sedentário pode ter
influência no início, no desenvolvimento e na recuperação de vários problemas vasculares e
metabólicos. Em contrapartida, a atividade física regular é amplamente reconhecida como
medida capaz de diminuir os níveis de risco desses problemas.
De acordo com o mesmo autor, a atividade física traz benefícios à maior parte dos
componentes estruturais e funcionais do sistema musculoesquelético, aumentando a
capacidade funcional, e consequentemente, melhorando a qualidade de vida. Boa parte do
declínio da capacidade funcional relacionado à idade deve-se mais a atividade física
insuficiente do que a idade.
Conforme Allsen; Harrison; Vance (2001), para que a mudança de hábito ocorra com
eficiência, deve-se inicialmente optar por uma atividade física prazerosa e com bons
resultados fisiológicos e psiquicosociais. Existem vários métodos de prática de exercícios para
atingir um estilo de vida saudável.
O Método Pilates é um exemplo.
Pilates é um método de condicionamento físico que integra o corpo e a mente,
restaura o corpo, elimina as dores musculares, amplia a capacidade de executar movimentos,
aumentando o controle, a força, o equilíbrio muscular e a consciência corporal. Trabalha o
corpo como um todo, corrige a postura e realinha a musculatura, desenvolvendo a estabilidade
corporal necessária para uma vida mais saudável e longeva. (Camarão, 2004)
Seu criador foi Joseph Humbertus Pilates, nascido em 1880 na Alemanha. Durante a
sua infância sempre teve uma saúde frágil e dedicou-se a melhora da sua condição física,
praticando vários esportes. Foi um autodidata que aprofundou seus conhecimentos em
anatomia, fisiologia e medicina tradicional chinesa desenvolvendo seu método com amplas
influências da yoga, artes marciais e estudo do movimento dos animais. Joseph Pilates faleceu
aos 87 anos com insuficiência respiratória, em conseqüência do incêndio em seu estúdio.
(Abrami; Browne, 2003)
Segundo Joseph Pilates (apud Camarão, 2004), os benefícios do método Pilates só
dependem da execução dos seus exercícios com fidelidades aos seus princípios, denominado
Contrologia, onde a respiração, concentração, fluidez, precisão e controle do movimento,
somado ao centro de força, o abdômen, devem estar relacionados.
O método é utilizado por educadores físicos, focalizando a adaptação do indivíduo a
um novo estilo de vida através da prática de exercícios e por fisioterapeutas que trabalham a
reabilitação e prevenção de lesões do sistema musculoesquelético. O método pode ser
aplicado de forma interdisciplinar, visto que ambas as profissões tem objetivos em comum,
que é o de proporcionar a melhoria na qualidade de vida do ser humano. (Craig, 2005)
A prática de exercícios pode influenciar positivamente na qualidade de vida do
indivíduo. Porém, um aspecto importante deve ser levado em consideração: a presença de
dores crônicas nas atividades de vida diária.
Dor é uma qualidade sensorial complexa, puramente subjetiva, difícil de ser definida e
frequentemente difícil de ser interpretada. É, atualmente, definida, como resposta
desagradável à estímulos associados com real ou potencial dano tecidual. É extensivamente
influenciada por ansiedade, depressão, expectativa e outras variáveis psicológicas.
Desempenha papel de alerta, comunicando ao indivíduo que algo está errado. Gera
acentuados estresses e incapacidades. É a maior causa de afastamento no trabalho, gerando
um enorme ônus para a nação (Grorayeb; Barros, 1999).
A dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, podendo ser
consequente a estímulo virtual ou potencial lesivo aplicado aos nociceptores (dor nociceptiva
ou somática), à lesão do sistema nervoso (dor por injúria neural, neuropática), a fenômenos da
natureza puramente psíquica (dor psicogênica) ou a uma associação desses mecanismos. É,
essencialmente, uma manifestação subjetiva, variando sua apreciação de indivíduo para
indivíduo. Dependendo de sua duração, pode ser classificada em aguda ou crônica (Guyton;
Hall, 1996).
Dor aguda: é um sintoma biológico de um estímulo nocicepetivo aparente, como dano tecidual
devido á doença ou trauma. A dor pode ser altamente localizada e pode irradiar. É descrita em
caráter de pontadas e persiste enquanto houver patologia tecidual. A dor aguda tem função de
alerta, é autolimitada e, geralmente, desaparece com a resolução do processo patológico. Nos
casos em que o controle do processo patológico não é satisfatório, a dor pode tornar-se
crônica (Guyton; Hall, 1996).
Dor crônica: é um processo de doença. Difere significativamente da dor aguda por ter
duração maior que o curso usual de uma doença aguda ou lesão. Essa dor pode estar
associada com a continuação da patologia ou pode persistir após a recuperação da doença ou
lesão. Como ocorre na dor aguda, se a dor crônica for devido à doença orgânica, ela é
efetivamente curada ao se tratar a desordem de base. Geralmente não é bem localizada e
tende a ser difusa, dolorida, contínua ou recorrente (Guyton; Hall, 1996).
A dor crônica afeta negativamente o cotidiano de uma pessoa e os fatores psiquicosociais e
emocionais são influenciados. De acordo com Knoplich (2003), o estado emocional está ligado
com a atitude postural do indivíduo.
Ainda de acordo com o mesmo autor, os problemas emocionais agem através da tensão
nervosa e da tensão muscular, restringindo e agredindo as estruturas da coluna vertebral
danificadas, alterando posturas corporais.
A boa postura está associada com a saúde e vigor físico e, obviamente, a má postura com
doença e mal-estar. A má postura está ligada a fatores musculares inadequados, posições
inadequadas, repetitivas, de trabalho ou repouso, que, com o passar dos anos, podem causar
distúrbios musculoesqueléticos. (Gaiarsa, 1988)
Segundo Feldenkrais (apud Knoplich, 2003), os maus hábitos e vícios de postura
podem levar as dores nas costas, em qualquer lugar, desde o pescoço até o final da coluna
vertebral. Nesta pesquisa será dado ênfase a dor na região lombar, cuja a denominação é
lombalgia.
De acordo com Cailliet (1988), a lombalgia é a dor que ocorre nas regiões lombares inferiores,
lombossacrais ou sacroilíacas da coluna lombar. Ela pode ser acompanhada de dor que se
irradia para uma ou mais nádegas ou para as pernas na distribuição do nervo ciático.
Os fatores que levam ao início da dor lombar, bem como a natureza e a duração da dor,
propiciam importantes pistas para a busca da provável causa.
A lombalgia pode ser causada por esforços repetitivos, excesso de peso, pequenos traumas,
condicionamento físico inadequado, erro postural, posição não ergonômica no trabalho (essa é
a causa mais comum para a torção e distenção dos músculos e ligamentos que causam
lombalgia), osteartrose na coluna, osteofitose e osteoporose, lesão e degeneração do disco
intervertebral, caracterizando hérnia de disco. (Greve; Amatuzzi, 1999)
A classificação da lombalgia é em aguda e crônica. Ambas podem ser altamente incapacitante
para as atividades da vida diária, do trabalho, do lazer e do esporte. Tornam-se mais
complicada se há concomitância de fatores predisponentes, como defeitos de posturas,
alterações das vértebras, degeneração dos discos e fraquezas musculares. (Knoplich, 2003)
Lombalgia aguda: é uma dor de início súbito, seguido de injúria no local, de curta duração, de
dor intensa e obriga a pessoa adquirir posição antálgica. (Knoplich, 2003)
Lombalgia crônica: tem o início impreciso, é menos intensa, com períodos de melhora e
piora. (Knoplich, 2003)
A lombalgia deve ser tratada direcionando o alívio das causas e pode incluir perda de peso,
exercícios para melhorar o tônus e a resistência musculares e melhora da postura. Atividade
física é benéfica e as pessoas que praticam diminuem o grau de dor mais rápido e têm
menores chances de recidivas futuras. (Greve; Amatuzzi, 1999)
Objetivo principal do tratamento das lombalgias crônica, é a correção postural, através de
alongamentos e o fortalecimento dos músculos abdominais (Kisner; Colby, 1992).
Com aplicação do método pilates, a pessoa estará se exercitando, melhorando seu
condicionamento físico, sua postura e adotando um estilo de vida saudável, proporcionando
bem-estar físico e mental. (Dillman, 2004)
Diante disso, esta pesquisa experimental visa detectar os efeitos do método Pilates em
mulheres com lombalgia crônica.
2- Revisão Literária
2.1 Método Pilates
Estando 50 anos a frente de seu tempo, o método pilates atingiu seu sucesso somente a partir
da década de 1990 e no início do século 21. Faz sentido, já que a atual tendência do exercício
físico é a busca de qualidade de vida através de soluções holísticas, que harmonizem corpo e
mente (Craig, 2005).
A teoria e prática do método pilates ficou bem explicada pelo próprio criador, Joseph Humberts
Pilates, em seu livro Return to Life Trought Contrology, no qual definia a sua técnica como a
completa interação entre corpo, mente e espírito. Uma de suas máximas era: “Nem muito
pouco, nem em excesso” (Camarão, 2004).
O pilates é um método revolucionário que fortalece e alonga o músculo sem causar qualquer
lesão à pessoa que pratica. Não são feitos exercícios localizados. A cada aula, o corpo como
um todo é trabalhado (Becker, 2003).
Segundo Joseph Pilates (apud Camarão, 2004): “Estes exercícios são o que as pessoas vão
querer e precisar no novo milênio”. Com o passar do tempo e o progresso da tecnologia, a
vida de todos nós se tornou menos ativa e consequentemente menos sadia. Muitas pessoas
têm este conhecimento e buscam atividades físicas que lhe dêem prazer e resultados e que
garantam uma vida de melhor qualidade e bem estar, embora ainda haja muitas pessoas
sedentárias e que não se preocupam com estes fatores.
É um método de condicionamento físico e mental, com exercícios de baixo esforço, de forma
geral, usando diferentes aparelhos e equipamentos, como o objetivo de fortalecer e alongar a
musculatura corporal, resultando na melhora da postura e da forma corporal (Fernandez,
2006)
De acordo com Joseph Pilates (apud Abrami; Browne, 2003), o condicionamento físico
atingido no método pilates caracteriza-se pela obtenção e manutenção de um corpo
uniformemente desenvolvido, que nos permite executar tarefas diárias de maneira mais fácil e
natural. A integração entre corpo e mente ocorre na medida em que esse condicionamento
adquirido faz com que realizemos nossas atividades com prazer e entusiasmo.
“É a mente que constrói o corpo”. Já dizia Frederich Von Shiler, poeta e filósofo alemão (apud
Camarão, 2004). O corpo treinado e controlado de forma ativa através da mente. A meta de
Joseph Pilates era tornar as pessoas mais conscientes de si mesmas, transformando o corpo
e a mente numa entidade única.
Segundo Joseph Pilates (apud Craig, 2005), forçar o corpo em posições desequilibradas ou
em fortes tensões, empurrando ou carregando o corpo em sucessivos movimentos até a
exaustão é igual a executar exercícios artificiais.
A filosofia central de Joseph Pilates era: a percepção da capacidade física, a correção dos
desequilíbrios e fraquezas e a realização dos movimentos com economia de energia (Dillman,
2004).
2.1.1- Histórico de Joseph Humberts Pilates
Joseph Humbertus Pilates nasceu em 1880, nos arredores de Düsseldorf, na Alemanha.
Desde criança muito doente, teve raquistismo, febre reumática e asma. Para superar sua
debilidade física resolveu dedicar-se a esportes como ginástica, esqui, boxe e luta romana,
para adquirir força muscular e corpo saudável. Aos 14 anos, já exibia invejável boa forma e
dedicou-se ao fisiculturismo chegando a posar para cartazes de anatomia (Panelli, 2006).
Segundo Dillman (2004), em 1912, Pilates mudou-se para a Inglaterra, onde exerceu várias
atividades: lutador de boxe, performance em circo e instrutor de autodefesa. Quando a
Primeira Guerra Mundial (1914-1918) explodiu, Pilates, por ser alemão, foi confinado em um
campo de prisioneiros, com outros compatriotas. Nesse período ele desenvolveu exercícios
para manter a si e aos companheiros saudáveis. Usou as camas e outros artefatos para
construir os protótipos dos aparelhos, que são encontrados ainda hoje nos estúdios de pilates.
Anos depois, pilates atribui a esses exercícios a sobrevivência dos prisioneiros que não
pegaram a epidemia de Influenza em 1918, que matou milhares de ingleses. Foi também o
excelente condicionamento físico que os protegeu, inclusive, de outras doenças comuns em
locais onde existe uma grande concentração de pessoas em condições desfavoráveis.
No final da guerra, Pilates voltou à Alemanha, onde continuou a desenvolver seu método, que
chamou a atenção, em primeiro lugar, de membros do mundo da dança, como Rudolf Von
Laban, Martha Graham e George Balanchine. Mas, quando foi chamado para treinar a nova
polícia da Alemanha, com seu método, Pilates resolver sair do país e escolheu os Estados
Unidos para viver (Abrami; Browne, 2003).
Isso, em 1926, no navio, indo para Nova York, conheceu a enfermeira Clara, e logo
descobriram afinidades: o interesse pela saúde e em como manter o corpo saudável. Mais
tarde acabaram se casando. Durante a viagem, eles resolveram que iriam abrir um estúdio de
fitness juntos, o qual veio a ser instalado no mesmo prédio de bailarinos famosos no New York
City Ballet (Becker, 2003).
Na América, o método criado por Pilates continuou atraindo bailarinos, por complementar o
treinamento tradicional deles. Mas também caiu no gosto de atores, atrizes, atletas, socialites
e pessoas comuns, todos querendo praticar o único método que fortalece o corpo, sem deixá-
lo excessivamente musculoso (CDOF, 1999).
Craig (2005) afirma que o método original trabalhava com a retificação da coluna, contração
do abdômen, dos glúteos e do assoalho pélvico, que Pilates chamava de Power House. Ele
dizia que todo movimento deve sair do abdômen. Estava correto. Só que, a partir do momento
em que faz uma retificação de coluna, você está forçando a sua fisiologia. Com a evolução
científica, o Pilates moderno não trabalha mais com a coluna retificada, procura preservar e
restaurar as suas curvas fisiológicas, com a posição neutra da coluna.
Pilates estava 50 anos à frente de seu tempo. A definição de Pilates para o condicionamento
físico ideal é: obtenção e a manutenção do desenvolvimento uniforme do corpo, da saúde
mental e ser capaz de executar com facilidade, naturalidade e espontaneidade nossas várias
tarefas diárias (Camarão, 2004).
2.1.2- Criação do Método
O alemão Joseph Pilates passou a sua infância e parte da sua adolescência lutando contra
sua saúde frágil. Sua determinação levou a transformar-se em atleta praticante de várias
modalidades esportivas (Mamber; Sgarioni, 2002).
Mas ao mesmo tempo em que se exercitava, o jovem Pilates passou a se interessar pela
anatomia e fisiologia humana, em especial a musculatura corporal.
Pilates estudou as várias formas de movimento, tanto ocidentais quanto orientais, incluindo
yoga, zen. Foi buscar inspiração inclusive nas técnicas Gregas e Romanas. As combinações
de todas essas práticas o tornaram capaz de mais tarde formular seu método (Craig, 2005).
No período que deflagrou a 1ª Guerra Mundial e Pilates ficou detido, aplicou seu método de
ginástica aos outros internos, que desenvolveram a musculatura, ficaram mais fortes e não
foram contaminados pela epidemia da época. Pilates aplicou também seu método em pessoas
mutiladas, incapacitadas e enfermas. Para isso adaptou as camas e as cadeiras da
enfermaria, desenvolvendo máquinas que ajudaram na reabilitação dessas pessoas. Aquelas
máquinas são modelos dos equipamentos usados até hoje (Panelli, 2006).
Portanto, o alemão Joseph Pilates criou um método revolucionário de se exercitar, integrando
corpo, mente e espírito.
2.1.3- Princípios
Segundo Joseph Pilates (apud Camarão, 2004), os benefícios do método pilates só dependem
da execução dos exercícios com fidelidade aos seus princípios.
O método pilates é a fusão da abordagem oriental e ocidental. Através das técnicas orientais
que visam o relaxamento, respiração, concentração, controle e flexibilidade somados a técnica
ocidental visando a ênfase no movimento com força. Surgiu então a essência dos princípios do
método pilates (Craig, 2005).
A mente molda o corpo e o corpo bem preparado dá condição da mente transcender. Que por
sua vez geraria um corpo ainda melhor. Estes conceitos orientais e a necessidade do
fortalecimento corporal e as definições e contornos musculares, visão ocidental, fez com que
Joseph Pilates definisse os seis princípios básicos do seu método, denominado Contrologia
(Abrami; Browne, 2003).
A execução de qualquer movimento tem início na ativação do centro de força, que através da
respiração e concentração, somado ao controle, a precisão e fluidez realizam o exercício com
perfeição (Peixoto; Ribamar, 2002).
2.1.3.1- Concentração
Seu corpo e sua mente trabalham juntos. A cada movimento realizado você se concentra no
que e como está fazendo o exercício. Desenvolve maior consciência do espaço que você
ocupa e o que você está fazendo com cada parte do seu corpo (Craig, 2005).
A concentração em cada movimento do seu corpo evita que os exercícios sejam realizados de
forma automatizada e repetitiva.
2.1.3.2- Respiração
A respiração é o grande diferencial para se obter um resultado profundo com os exercícios do
pilates. A respiração eficiente está diretamente ligada à saúde. Ela estimula as células,
aumenta a oxigenação do sangue, elimina os gases nocivos e, junto com os exercícios, ajuda
a relaxar os músculos, diminuindo o nível de tensão, ajudando no controle dos movimentos
(Camarão, 2004).
Inspire pelo nariz e expire pela boca. Na inspiração você leva o ar para a parte lateral da sua
caixa torácica; na expiração você ativa o transverso abdominal, usando a imagem do umbigo
colado a sua coluna. Essa contração deverá ser mantida durante todos os exercícios,
ajudando na estabilização da região lombar e pélvica (Craig, 2005).
Respire o mais profundo e consciente possível. A respiração está ligada a concentração.
2.1.3.3- Centro de Força
É formado pelo abdômen, região lombar e as nádegas. São responsáveis pela sustentação
dos órgãos internos, da coluna e pela postura (Dillman, 2004).
Segundo Abrami; Browne (2003), o ponto focal do método pilates é o centro de força. Para
iniciar qualquer exercício, deve ser ativado o centro de força para a estabilização do tronco. O
fortalecimento é uma conseqüência natural no método.
Os exercícios devem ser feitos com postura correta para que possa restaurar seu equilíbrio
muscular, devolvendo ao corpo, maior mobilidade e um funcionamento saudável. O método
restabelece as curvaturas fisiológicas da coluna acionando o centro de força. (Peixoto;
Ribamar, 2002).
A respiração e a concentração estão diretamente ligadas com a ativação do centro de força.
2.1.3.4- Controle ou Coordenação
O controle é fundamental para a eficiência, eficácia e a segurança na execução dos
exercícios.
Se o exercício for do nível avançado e não for capaz de executá-lo até o fim com perfeição,
este deve ser fragmentado para níveis iniciais de aprendizado, conforme orientação de
instrutor capacitado, para que possa ser praticado com excelência como determina o Método
Pilates (Craig, 2005).
O movimento deve ser controlado e coordenado pela mente, justificando a ligação com a
concentração. O controle do movimento o torna harmonioso, sem sobrecargas e
compensações musculares (Camarão, 2004).
2.1.3.5- Precisão
O controle está diretamente ligado com a precisão.
A precisão é a perfeita comunicação entre a mente e o corpo. É a mente com total controle
sobre o corpo e os dois trabalhando simultaneamente (Dillman, 2004).
Segundo Craig (2005), a precisão define a perfeição do movimento. Para isso é necessário
que o centro de força esteja acionado, que o praticante esteja concentrado e com total controle
do corpo.
A execução de movimentos precisos inicia com um bom alinhamento corporal e
posicionamento postural. Dessa forma, os músculos corretos estão sendo ativados e o
desenvolvimento da musculatura e do corpo em geral estão equilibrados. (Abrami; Browne,
2003).
2.1.3.6- Fluidez
Fluidez, harmonia e beleza: esta tríade define o que devemos buscar ao executar os
movimentos durante a prática do método pilates (Camarão, 2004).
Os movimentos devem ser executados harmoniosamente, no ritmo respiratório, de forma
lenta, com leveza e com o máximo de amplitude articular (Barreto, 2006).
Segundo Joseph Pilates (apud Craig, 2005): “Não interessa o que você faz e, sim, como você
faz”.
Sendo assim, o método pilates deve ser praticado com foco voltado aos princípios de Joseph
Pilates.
2.1.4- Objetivo
O Método Pilates é um programa de condicionamento corporal que promove a harmonia entre
o corpo e a mente (Souza, 2006).
O objetivo principal do método é proporcionar aos seres humanos um aprofundamento na
compreensão de seus corpos. Desse modo, todos poderão usá-los de forma mais eficiente,
aprimorando seu desempenho nas atividades de vida diária e profissional (Bergamo;
Hayashida, 2003).
Alcançar o condicionamento físico ideal está relacionado diretamente com a prática de uma
atividade física, assim como a nutrição e controle de peso, a composição corporal a resistência
cardiovascular (Allsen; Harrison; Vance, 2001).
Portanto, o Método Pilates é uma opção de treinamento que contribui no processo para
alcançar um estado de condicionamento físico.
A capacidade de trabalhar com vigor e prazer sem se sentir cansado indevidamente, e adquirir
um estilo de vida que produza saúde e felicidade é um dos objetivos do Método Pilates (Craig,
2005).
2.1.5- Indicação e Contra-Indicação
A vantagem do método pilates está no fato de ser um sistema que atende à realidade de
praticantes de qualquer idade, sexo ou nível de aptidão, dando bons resultados se a pessoa
for um completo iniciante, um amador de exercícios físicos ou mesmo um atleta profissional
(Dillman, 2004).
Segundo Camarão (2004), independente da idade, qualquer pessoa pode ser beneficiada com
este método que melhora a qualidade de vida e oferece resultados rápidos. Mas para obter os
benefícios do Pilates é preciso ser disciplinado.
De acordo com Abrami; Browne (2003), o interessante é que a atividade possa ser
desenvolvida atendendo as necessidades específicas de cada praticante. Os exercícios são
adaptados conforme as condições físicas do praticante, não havendo contra indicações. Há os
exercícios que podem ser evitados, mas existem outros que se encaixam nas necessidades
físicas do praticante. Cada praticante é visto como um ser diferente, não há um programa
rígido que deve ser seguido a todos que entram no estúdio. As aulas são adequadas com o
biotipo, estado de condicionamento e a capacidade do praticante.
Para alguns praticantes, o respeito aos seus limites de esforços físicos é importantíssimo. O
interessante é que não sintam o corpo desgastado por uma atividade física extenuante, onde
os músculos são sobrecarregados. O ideal a esse público é sentir os benefícios do
treinamento em sua flexibilidade, postura, força, alívio das dores crônicas de forma agradável
(Tribastone, 2001).
Já outros praticantes, acostumados a exercícios fortes e a esportes de ação, a princípio
estranham a leveza e fluidez dos movimentos do Método Pilates. Mas logo se surpreendem
com a intensidade do treinamento e com os profundos ganhos em equilíbrio, alinhamento,
elasticidade, eficiência na realização de potenciais de força muscular e proteção contra lesões
(Abrami; Browne, 2003).
Para Craig (2005), nas recuperações de lesões, o método apresenta características de baixo
impacto, proteção das articulações, bom estímulo à recuperação de tecidos musculares e
correção da postura e respiração, além da melhora da auto-estima.
Segundo Becker (2003), este método de condicionamento corporal promove harmonia e
balanço muscular em todas as idades, sem contra-indicações, condicionando e energizando
seu corpo através dos exercícios.
Conscientizando alinhamentos e encaixes, o Método põe a coluna vertebral em prumo,
sustentada por um suporte muscular central firme e eficiente, corrigindo sobrecargas indevidas
em outras regiões do corpo e liberando-as para desenvolverem suas próprias potencialidades
em harmonia e com equilíbrio (Dillman, 2004).
Os exercícios podem ser praticados por qualquer indivíduo, desde atleta até o sedentário, do
idoso ao adolescente, da grávida a pacientes em fase de reabilitação, podendo ser
recomendado como condicionamento para prevenção de lesões (Barreto, 2006).
Segundo Joseph Pilates (apud Camarão, 2004), o método deve ser aplicado em crianças a
partir de 12 anos de idade por acreditar que crianças mais jovens, não apresentam capacidade
e maturidade para concentração suficiente para a execução dos exercícios.
Antes de iniciar qualquer tipo de atividade física, o ideal é que seja procurado um médico para
ser feito uma avaliação. Isso é fundamental para evitar riscos que comprometam a saúde do
praticante, a qualidade na execução do método e o profissional que está aplicando a atividade
física (Craig, 2005).
2.1.6- Aplicação
Em aproximadamente 500 exercícios realizados no solo ou nos aparelhos criados por Joseph
Pilates, o método visa à obtenção de ótimo condicionamento físico através do
desenvolvimento uniforme de corpo e mente, de forma que qualquer ser humano seja capaz
de executar todas as suas tarefas e ocupações diárias com facilidade, naturalidade e
espontaneidade (Abrami; Browne, 2003).
A prática do método é baseada em exercícios rítmicos de força e alongamentos e com
bastantes trabalhos concêntricos e excêntricos de abdômen e músculos lombares.
Os exercícios são executados sempre de forma ativa pelo praticante, nada passivamente.
O praticante controla os equipamentos executando os exercícios e assim fortalece, alonga e
massageia o corpo, evoluindo de acordo com a capacidade individual. Durante os exercícios,
as molas dos aparelhos, as cordas, os elásticos e os acessórios proporcionam assistência e
resistência aos movimentos. Os aparelhos facilitam e reeducam o movimento (Becker, 2003).
Muitos dos exercícios foram baseados nas técnicas do Hatha Yoga, exercícios gregos e
romanos e a respiração profunda eliminam a tensão e aumenta a histamina no organismo
(Craig, 2005).
Ao iniciar as aulas, o praticante passa por uma anamnese, avaliação física e então os
exercícios são planejados de acordo com as necessidades físicas e interesses do cliente
(Camarão, 2004).
Há três níveis de aprendizado: básico, intermediário e avançado. Todos os exercícios podem
ser modificados e segmentados para adequar com as condições do praticante. Após perfeita
execução os exercícios vão evoluindo acompanhando a sincronia da mente e do corpo
(Abrami; Browne, 2003).
Segundo Camarão (2004), as aulas são intercaladas com exercícios no solo e nos
equipamentos, começando com solturas das articulações, é uma espécie de espreguiçar, e
são finalizados com um relaxamento.
Para Dillman (2004), o ambiente deve ser confortável, agradável e atrativo. Deve-se ter uma
música relaxante, temperatura ideal, nem muito calor e nem muito frio, a sala sempre muito
limpa e higienizada, os materiais organizados.
A sala deve ter um espelho para que durante a execução dos exercícios o praticante possa
corrigir a postura, ajudando a criar ou melhorar a consciência corporal (Tribastone, 2001).
O praticante deve usar roupa apropriada, de malha que facilite a sua mobilidade, sem
calçados, usando apenas meias (CDOF, 1999).
Os exercícios devem ser efetuados em média de 06 a 08 repetições, ou seja, baixas
repetições e alta concentração, pois o que se busca não é a massa física, mas sim a execução
de forma lenta, para que se tenha tempo de organizar o tronco, trabalhando a musculatura de
forma pensada. Segundo Joseph Pilates (apud Camarão, 2004), a quantidade ideal de
exercícios não é nem muito pouco, nem em excesso, diz ainda que não interessa a quantidade
de repetições, mas a qualidade da execução.
A variedade de exercícios possibilita as poucas repetições das séries, a diversificação durante
as aulas, que devem ser realizadas no mínimo duas vezes na semana, evitar a monotonia,
podendo adaptar os exercícios a qualquer pessoa. A prática é livre de impactos e não causa
sobrecarga, o que torna rara a ocorrência de lesões e de dores musculares. É imprescindível o
controle dos movimentos e a individualidade no trabalho (Craig, 2005).
Durante a aplicação dos exercícios é comum por parte do professor o uso de figuras de
imagens, visando facilitar o entendimento do aluno para que este associe com o seu corpo e
possa executar os exercícios perfeitamente. Exemplo usado para acionar a musculatura
abdominal é pedindo para o praticante imaginar o teu umbigo encostando-se à região lombar
(Abrami; Browne, 2003).
Os exercícios devem ser praticados de forma agradável, relaxante e com facilidade na
execução, já que devem ser modificados para adaptar as necessidades do praticante.
Portanto, a execução não pode causar dores, exaustões, grandes tensões e nem sobrecargas.
O aluno tem que sentir prazer em praticar o método. Jamais a conseqüência do dia seguinte
deve ser a dor muscular, fadigas e aumento do estresse. Por isso o aluno deve estar bem
instruído e não praticar o método em grupos maiores de 04 pessoas. O ideal é a
individualidade no atendimento, pois o comando verbal, através das figuras de imagens e o
contato manual na região que deve ser acionada a musculatura garantem a qualidade e
precisão na execução do método (Dillman, 2004).
Porém, a garantia da eficiência do método pilates está na execução dos exercícios seguindo
os seus princípios básicos, a contrologia.
A aplicação do método só tem resultado com a fidelidade aos seus princípios (Camarão,
2004).
2.1.6.1- Dicas para Instruir a Prática dos Exercícios de Forma Perfeita
As instruções de um profissional capacitado interferem diretamente na execução dos
exercícios com perfeição (Craig, 2005).
A fidelidade aos princípios e a perfeita execução garante os resultados do método pilates e o
diferencia dos demais modos de praticar uma atividade física (Abrami; Browne, 2003).
Segundo Camarão (2004), segue algumas dicas para que o praticante seje bem orientado à
alcançar a perfeição dentro dos seus limites.
1. Respeite os limites do seu corpo;
2. Pare imediatamente ao sentir dor. Modifique o movimento para continuar ou pule este
exercício. Caso a dor persista, procure o médico;
3. Pilates é a qualidade de movimento, e não a quantidade. Faça menos repetições;
4. Procure a perfeição em cada movimento;
5. Execute movimentos com precisão;
6. Respeite sempre o número máximo de 08 repetições;
7. Faça os exercícios lentamente e com controle para ganhar força e resistência muscular;
8. Faça os movimentos de forma relaxada, com graça e fluidez;
9. Concentre-se nos movimentos que está executando;
10. Busque a integração do seu corpo com sua mente;
11. Respire a cada movimento;
12. Mantenha sempre seu abdômen profundamente contraído. Imagine seu umbigo cada vez
mais colado à sua coluna;
13. Verifique se você está fazendo os exercícios com a postura correta;
14. Mude de nível somente após executar os exercícios do nível em que está com facilidade.
2.1.7- Benefícios
O método oferece um programa de exercícios que estimulam a circulação e oxigenação do
sangue, melhora o condicionamento físico geral, a flexibilidade, a amplitude muscular e o
alinhamento postural adequado. Além disso, promove melhoras nos níveis de consciência
corporal, da coordenação motora e do controle muscular (Souza, 2006).
Todos esses benefícios citados ajudam a prevenir e reduzir o risco de lesões e proporcionam
o alívio das dores (Dillman, 2004).
Segundo Camarão (2004), para a coluna vertebral, o método fortalece, alonga e equilibra toda
a musculatura, alinhando e descomprimindo tensões. Ajuda aliviar pinçamentos e
compressões de disco, o que facilita a circulação de sangue nessas regiões.
Os exercícios são executados com estabilização da pelve e a coluna em posição neutra, e
conforme Craig (2005) o respeito as curvaturas fisiológicas, é importante para que a
musculatura tenha ganhos com o alongamento, fortalecimento e equilíbrio, proporcionando um
perfeito alinhamento corporal.
Com a certeza, de que os músculos devem ser fortes e flexíveis para se manterem bonitos e
saudáveis, o método pilates através dos seus exercícios, fortalece os músculos fracos, alonga
os encurtados e aumenta a mobilidade das articulações. Movimentos fluentes são feitos sem
pressa e com muito controle para evitar estresse. O alinhamento postural é importante em
todos os exercícios ajudando na melhora da postura global do indivíduo (Bergamo; Hauashida,
2003).
O método proporciona ainda uma melhoria no desempenho sexual e na incontinência
urinárias, pois trabalha a musculatura do assoalho pélvico (Craig, 2005).
O diferencial do método está na visão holística do seu criador, de mente sã e corpo são.
Através disso, o praticante se beneficia da integração do corpo e da mente, do
condicionamento mental, do alívio do estresse e dores crônicas, melhora da auto-estima, da
conscientização corporal, promovendo o relaxamento (Mamber; Sgarioni, 2002).
Através da respiração, a capacidade respiratória e mobilidade da caixa torácica e
diafragmática melhoram (Campignion, 1998).
O método promove o auto-conhecimento e a harmonia dos movimentos necessários para a
qualidade nas atividades da vida diária, proporcionando um estilo de vida saudável.
2.2- Aspectos Anatômicos da Região Lombar
A função do segmento lombar é o de sustentação da cabeça, membros superiores e tronco,
movimento, além de proteção da medula espinhal. A coluna lombar é composta por 05
vértebras articuladas entre si pelo disco intervertebral e por 02 pares de articulações
interapofisárias. O corpo vertebral ocupa a porção ventral da coluna e se articula com o
adjacente através da interposição do disco intervertebral (Greve; Amatuzzi, 1999).
O disco intervertrabral é composto por um núcleo pulposo e externamente pelo o anel fibroso.
A matriz do núcleo pulposo contém aproximadamente 80% lâminas fibrocartilaginosas
dispostas em diferentes direções. A perfeita integridade do disco é fundamental para a
biomecânica da coluna, pois participa da sua estabilização e flexibilidade e, juntamente com o
corpo vertebral, resiste às forças de compressão (Rasch; Burke, 1977).
A conformação do disco intervertebral também participa da gênese da lordose lombar devido a
menor altura de sua porção posterior. Para a estabilidade do compartimento anterior da
coluna, concorrem os ligamentos longitudinais anterior e posterior, que recobrem
respectivamente a face anterior e posterior do corpo vertebral, e do disco intervertebral (Greve;
Amatuzzi, 1999).
As articulações interapofisárias são diartrodiais, possuindo cartilagem, membrana sinovial e
líquido sinovial. São estabilizadas pelas cápsulas articulares e por ligamentos. Tem a função
de orientar e limitar o movimento da coluna, o que é feito de acordo com a direção de suas
facetas articulares (Sobotta, 1995).
O arcabouço ósseo e o disco intervertebral dão forma ao canal vertebral, que contém e
protege a medula espinhal, raízes nervosas e sua meninge, e aos forames intervertebrais,
trajetos das raízes. O canal é recoberto anteriormente pelo ligamento longitudinal posterior e
posteriormente o ligamento amarelo (Kapandji, 2000).
Eminências ósseas (um processo espinhoso e dois transverso por vértebra) ancoram o
ligamentos e músculos e são submetidas a forças de tração. Encontram-se ai o ligamento
supra-espinhoso, que recobre longitudinalmente os ápices dos processos espinhosos, e os
processos intertransversos adjacentes. A musculatura participa importantemente da
estabilização e forma da coluna e é responsável pelos movimentos de flexão, extensão,
lateralização e rotação (Kendal, 1995).
Segundo Greve; Amatuzzi (1999), a coluna lombar é irrigada pelas artérias segmentares
oriundas da aorta. A drenagem venosa depende das veias vertebrobasilares e intercostais e
plexos venosos. A inervação se faz por ramos dos nervos espinhais: nervos meníngeos
recorrentes e ramos da divisão primária posterior. A nocicepção origina-se de terminações
nervosas livres localizadas no periósteo, cápsulas articulares, anel fibroso, vasos sanguíneos,
músculos e ligamentos.
2.3- A Postura Ereta
A posição ereta bípede do homem resultou da evolução da espécie em milhões de anos da
seleção natural, segundo a concepção darwiana, pela qual as espécies que apresentavam
variações favoráveis são preservadas e as que apresentam mudanças desfavoráveis tendem
a ser destruídas (Knoplich, 2003).
O homem é da família dos primatas, que inclui, entre outros, os macacos, e é de aparecimento
tardio na evolução, estando incluída na classe dos mamíferos.
Os primeiros mamíferos apareceram na terra 90 – 50 milhões de anos atrás, depois da queda
dos répteis e eram pequenos comedores de insetos que, graças aos seus membros móveis,
podiam se manter na água e se arrastar na terra. A pronação, desenvolvida durante a vida
aquática, já era natural para eles, e com o passar do tempo se adaptaram a subir em objetos
no chão e em árvores. Gradualmente, os membros posteriores se adaptaram para sustentar o
peso do corpo, as mãos para apanhar comida e segurar objetos interessantes para melhor
examina-los (Knoplich, 2003).
Nesse período, os mamíferos tiravam a sua alimentação das árvores altas, e assim tinham de
desenvolver agilidade e destreza. Através da seleção natural, da sobrevivência do mais apto,
ocorreu que os olhos se deslocaram mais para a frente, permitindo uma visão tridimensional,
em profundidade, e com isso o cérebro foi aumentando de tamanho, até atingir seu ápice nos
macacos, que correspondem na evolução da espécie aos seres que surgiram há milhões de
anos atrás (Cailliet, 1988).
Os cinco dígitos se desenvolveram em cada um dos membros, que posteriormente se
tornaram móveis; surgiu a clavícula, que serviu de suporte, quando os braços se moviam
lateralmente (Rasch; Burke, 1977).
Segundo Erhast (1996), talvez por condições climáticas desfavoráveis, as vegetações altas
diminuíram e desenvolveu-se a vegetação rasteira, e esses macacos tiveram de competir com
animais quadrúpedes, rápidos e adaptados por milhões de anos à tarefa de caçar e comer
carne. Outra vez sob a pressão da seleção natural, nossos ancestrais tiveram que adotar uma
postura mais ereta, para continuar apanhando a alimentação vegetariana nas árvores e melhor
se defender, para caçar, para comer e digerir a carne.
A adoção da postura ereta esteve associada à libertação dos membros superiores da
locomoção para a fabricação de objetos e instrumentos de caça, além de aumentar o campo
de visão (Knoplich, 2003).
Devido a necessidade de apreensão dos galhos para se alimentar, o polegar ficou afastados
dos outros dedos, o mesmo ocorrendo com os pés. A medida que o homem foi deixando as
árvores e passando a andar no chão, o grande artelho dos pés foi perdendo essa função de
apreensão e passou a colaborar no equilíbrio do corpo e, na evolução de milhões de anos,
veios para frente como os outros dedos, como atualmente (Knoplich, 2003).
Quando o homem ficou apoiado sobre os dois pés, a função da pélvis ficou mais complexa,
porque teve que sustentar todo o peso do corpo. De início houve a necessidade de aumentar a
eficiência do assoalho pélvico. O glúteo maior se deslocou para trás da articulação do quadril
para se tornar extensor, tornando-se assim possível a posição ereta e o andar (Rasch; Burke,
1977).
Uma grande adaptação muscular ocorreu na região lombar para manter a posição ereta. Os
músculos que ligam a coluna lombar com o fêmur, iliopsoas, permaneciam encurtados para
manter a flexão do quadril na posição quadrúpede. Estes tiveram que se estender para a
manutenção da posição bípede. O mesmo ocorreu com os isquiotibiais. Tiveram que agir para
manter o tronco para trás, ereto, pois vivia flexionado para frente (Cailliet, 1988).
Os paravertebrais se tornaram um importante músculo antigravitacional, assim como glúteo
máximo, tríceps sural, tibial anterior, quadríceps, iliopsoas, abdominais e flexores do pescoço
(Kapandji, 2000).
Portanto o homem adquiriu uma postura bípede, mudando o centro da gravidade, e
dependendo das estruturas musculares para se manter nessa posição e conseguir se
movimentar. Para isso as estruturas devem estar equilibradas.
2.3.1 A Formação da Curvatura Lordótica da Coluna Vertebral
Segundo Knoplich (2003), a posição ereta do homem só foi possível pelas modificações que
surgiram na coluna. A cabeça teve de se equilibrar na porção superior da coluna e, assim,
permitir que os olhos pudessem ficar voltados para frente; a cabeça e o tronco tiveram de se
equilibrar sobre os membros inferiores, por meio da cintura pélvica; e o corpo todo teve de se
apoiar no espaço ocupado pelas plantas dos pés, com isso modificando o centro de gravidade.
Essas manobras só foram possíveis pelo aparecimento das curvas lordóticas secundárias, na
região cervical e na lombossacra, e nisso desempenhou papel fundamental a massa muscular,
por desenvolver uma força antigravitacional poderosa, que permitisse aos primitivos seres
antropóides erguer-se do chão, adquirir a postura ereta, mantê-la e andar. Esses atos eram
voluntários, comandados pelo sistema nervoso central, e, com o passar dos séculos,
transformaram-se em atos regulados pelo sistema nervoso involuntário e pelo sistema fuso
muscular; ou sistema gama (Cailliet, 1988).
O feto da espécie humana encontra-se, no útero, numa posição de flexão total, com a coluna
em “C” cifótica. O único músculo de inervação voluntário que está em atividade é o ílio-psoas,
que permite ao feto dar pontapés. Este, porém, não pode dar cabeçadas. Na vida pós-natal, a
criança consegue, logo nas primeiras semanas, levantar a cabeça, o que é feito pela presença
da musculatura antigravitacional do pescoço e resulta na formação da lordose cervical.
Durante os dois primeiros anos de vida, as vértebras lombares crescem rapidamente, com
conseqüente alongamento lombar e aumento das nádegas, resultantes da posição ereta
(Ascher, 1976).
A adição das duas curvaturas lordóticas representa primariamente o efeito antigravitário dos
músculos eretores que se desenvolvem na criança quando tenta e finalmente consegue
adquirir a postura ereta em pé. As curvas lordóticas originam-se da força dos músculos
antigravitacionaise a fraqueza da musculatura oposta, tal como os abdominais e os flexores do
pescoço (Caillet, 1988).
Figura 1 - Evolução Cronológica da Coluna Vertebral com Adição das Curvaturas Lordóticas
(Knoplich, 2003).
De acordo com Roaf (apud Knoplich, 2003), a lordose lombar é causada grandemente pela
incapacidade dos flexores do quadril de estirarem-se e alongarem-se. Na posição fetal, os
quadris e joelhos estão fletidos. Como os quadris se estendem para assumir a postura ereta, a
extensão das articulações coxofemurais causa tração simultânea da coluna lombar através da
inserção do psoas, causando convexidade anterior ou lordose.
O adulto ereto exibe curvas fisiológicas equilibradas. A configuração estática da coluna pode
ser considerada uma “boa postura”, não cansativa e indolor para o indivíduo, que pode
permanecer ereto por períodos de tempo razoáveis, e apresentar uma aparência
esteticamente aceitável (Greve; Amatuzzi, 1999).
A postura de pé é um dos alinhamentos esqueléticos aperfeiçoados como um arranjo relativo
das partes do corpo em um estado de equilíbrio que protege as estruturas de suporte do corpo
contra lesões ou deformidades progressivas.
2.3.2 Definição de Postura
O termo postura deriva da síncope da palavra positura que, modernizando-se, não só perdeu
uma vogal, mas complicou notavelmente o seu significado original de posição, atitude ou
hábitos posturais (Cailliet, 1988).
Segundo Tribastone (2001), por postura podemos entender, que é a posição otimizada,
mantida com característica automática e espontânea, de um organismo em perfeita harmonia
com a força antigravitacional e predisposto a passar do estado de repouso ao estado de
movimento. Funcionalmente, pode ser considerada o conjunto de relações existentes entre o
organismo como um todo, com as várias partes do corpo e o ambiente que o cerca.
Substancialmente, vai de acordo com um complexo sistema de muitos moldes, no qual
intervém, além do caráter biomecânico, um conjunto de variáveis.
De acordo com Cailliet (1988), a postura é expressão somática de emoções, impulsos e
regressões. Cada um reflete, inconscientemente, no movimento exterior, a condição interior e
a sua personalidade. Assim, a postura é considerada uma verdadeira e própria forma de
linguagem, uma vez que cada um se move assim como se sente: por exemplo, uma pessoa
cansada e deprimida apresenta ombros caídos, o dorso encurvado e o colo deprimido. A
postura exprime o que experimenta um organismo na situação atual, como ele a vive, e é, por
isso, uma resposta global de acomodação ao ambiente, uma correlação entre os aspectos
corporais e mentais do comportamento.
Grorayeb; Barros Neto (1999) definem como postura, a posição do corpo no espaço que dá
um bom relacionamento entre as partes, com o menor esforço, evitando fadiga. É óbvio que,
com isso, pode-se admitir que existam posturas melhores e uma ideal.
Para Kendall e col. (apud Knoplich, 2003), postura é a posição do corpo que envolve o mínimo
de estiramento e de estresse das estruturas do corpo, e com o menor gasto energético para se
obter o máximo de eficiência no uso do corpo.
Segundo Kapandji (2000), há uma aceitação geral de que, quando temos uma postura “boa”
ou ideal, a linha da gravidade deve passar pelos seguintes pontos: apófise mastóide,
extremidade do ombro, quadril e anteriormente ao tornozelo.
Segundo a Academia Americana de Ortopedia (apud Knoplich, 2003), a postura é usualmente
definida como o arranjo relativo das partes do corpo. Uma boa postura é o estado de equilíbrio
muscular e esquelético, que protege as estruturas de suporte do corpo, os músculos e ossos,
contra lesões ou deformidades progressivas, independente da atitude na quais estas
estruturas estejam trabalhando ou descansando. Sob tais condições, os músculos funcionarão
mais eficientemente e posições ótimas são proporcionadas aos órgãos torácicos e
abdominais. Uma postura pobre é uma relação defeituosa das várias partes do corpo, que
produz um esforço aumentado sobre as estruturas de suporte e na qual há um equilíbrio
menos eficiente sobre a base de suporte.
De acordo com Feldenkrais (apud Tribastone, 2001), há também fatores orgânicos, doenças
tais como cifose, escoliose, espondilite, coxa vara, coxartose, discartose, cujas dores obrigam
a pessoa adquirir uma postura viciosa para aliviá-las. E há fatores emocionais que influem na
postura corporal adequada. Platão já dizia que movimentos corporais harmônicos se traduzem
em satisfação mental. A consciência corporal está associada à autoconsciência mental e
psíquica: em certas desordens mentais, o indivíduo dissocia a sua consciência de seu corpo e
passa a mutilá-lo, como se fosse outrem.
Mello Filho (2000), afirma que o relacionamento psiquismo-corpo é, na realidade, um triplo
problema:
1- Má relação consigo próprio, em relação ao seu próprio organismo e sua vida interior.
2- Má relação com a realidade física, em relação ao espaço.
3- Má relação com os outros, entrando aí a vida de relação social e sexual.
Segundo Cailliet (1988), há muitos fatores que influenciam a postura adulta, mas existem três
que suplantam todos os outros em sua prevalência e freqüência. O primeiro é as posturas
familiares hereditárias, tal como uma coluna dorsal cifótica, uma notável hiperlordose e outros.
O segundo são as anormalidades estruturais que influenciam a postura. Tais anormalidades
podem ser congênitas ou adquiridas, podem ser esqueléticas, musculares ou neurológicas, e
podem ser estáticas ou progressivas. Mas, insidiosos em sua influência e admitidamente mais
controverso em sua aceitação é o terceiro, que revela a postura de hábito e o treinamento.
A postura é em alto grau um hábito, e por treinamento e repetição pode tornar-se um hábito
subconsciente da postura manifestada não apenas na postura estática, mas muito também
nos padrões cinéticos. A repetição de uma ação imperfeita pode resultar em uma função
cinética imperfeita, e padrões posturais imperfeitos e repetidos podem tornar-se arraigados,
assim como o oposto, repetições de movimentos perfeitos gerando padrões posturais perfeitos
(Greve; Amatuzzi, 1999).
2.4 O Desvio Postural
Os problemas posturais têm sido considerados como um problema sério de saúde pública,
tendo em vista a sua grande incidência sobre a população, incapacitando-a, definitivamente ou
temporariamente, de suas atividades profissionais (Allsen; Harrison; Vance, 2001).
Em se tratando de desvios da coluna vertebral, a mesma possui curvas fisiológicas, Lordose
Cervical, Cifose Dorsal, Lordose Cervical e Lombar. As alterações das curvas da coluna
vertebral são as: hipercifose, hiperlordose (Rasch; Burke, 1977).
Há diversas causas para as alterações das curvaturas fisiológicas, mas a principal é a
sobrecarga diária sobre um organismo anormal ou despreparado para suportar os impactos
(Cailliet, 1988).
2.4.1 A Hiperlordose
A lordose é a curva que se observa no perfil de uma coluna vertebral, na convexidade da
região cervical e da região lombar.
Na coluna estática, a maioria dos estados dolorosos da região lombar podem ser atribuídos a
um aumento do ângulo lombossacro, com uma conseqüente acentuação da lordose lombar.
Este aumento na lordose lombar é comumente chamado de “hiperlordose”. Pode-se afirmar
com segurança que 75% de todas as lombalgias posturais derivam desta hiperlordose (Cailliet,
1988).
Segundo Farfan (apud Knoplich 2003), a lordose lombar está diretamente relacionada com a
obliqüidade pélvica, que deve estar em torno de 20 graus. Se ela for superior a esse valor
haverá um aumento da lordose lombar e haverá um conseqüente deslocamento do centro de
gravidade e realinhamento de todas as curvas para uma compensação.
O ângulo lombossacro forma-se quando a base horizontal do ângulo está paralela ao nível do
solo, e a hipotenusa do ângulo é traçada no nível da borda superior do sacro. O plano do
sacro forma a base da qual parte a coluna lombar em sua ascensão, e na qual ele adquire seu
estado de equilíbrio (Cailliet, 1988).
Figura 2 - Formação do Ângulo Lombossacro (Cailliet, 1988).
A quinta vértebra lombar está pousada sobre o sacro como uma caixa sobre um plano
inclinado. Quando o ângulo sacral aumenta, também aumenta a inclinação do plano inclinado,
assim, há a possibilidade de uma ação de deslizamento da vértebra para baixo, o que constitui
o aumento da tensão de cisalhamento.
A tensão de cisalhamento é proporcional ao ângulo de inclinação sacral e diferente para as
vértebras lombares. A tensão de cisalhamento da última vértebra sobre a sacral difere das
tensões de cada vértebra suprajacente. A cada nível intervertebral superior o ângulo do plano
inclinado diminui, e assim a tensão de cisalhamento e sua direção também (Cailliet, 1988).
Além do aumento do ângulo sacral, caracterizado na hiperlordose, o que poderá resultar em
cisalhamento, as facetas articulares estão numa posição de frenagem do deslizamento das
vértebras e, este esforço de frenagem comprime ainda mais os revestimentos articulares
sinoviais (Greve; Amatuzzi, 1999).
A dor derivada da hiperlordose, pela aproximação do segmento posterior da unidade funcional,
foi atribuída em parte a choque e irritação das facetas. A aproximação articular posterior
também pode causar dor por irritação da raiz nervosa em seu ponto de emergência através do
forame intervertebral, resultando na manifestação de dor na região do dermátomo. Pode
ocorrer espasmo muscular na região lombar (Kapandji, 2000).
A hiperextensão do segmento vertebral pode irritar mecanicamente a raiz nervosa, e causar
dor por compressão do nervo recorrente. Esta reação pode ocorrer na presença de um disco
normal, mas é comum ocorrer em associação o aumento da angulação lombossacra e uma
diminuição do espaço discal posteriormente. Essa combinação pode acarretar uma protusão
discal. O disco intervertebral protuso é caracterizado como hérnia de disco, o que provoca
irritação das regiões periaticulares sensíveis, principalmente o ligamento longitudinal posterior
(Guyton; Hall, 1996).
O equilíbrio da cintura pélvica, o que evita compensações de modo a aumentar o ângulo
lombossacro, depende diretamente da ação das massas musculares que nela se inserem e
que podem induzir, entre outros, aos movimentos de anteversão e retroversão, comportando-
se com um par de forças (Tribastone, 2001).
Os músculos anteversores são formados posteriormente pelos músculos lombares e
anteriormente pelo retofemural e iliopsoas. Os músculos retroversores da pelve são o glúteo
máximo e os extensores da coxa posteriormente e o retoabdominal anteriormente.
Figura 3 - Músculos Anteversores e Retroversores da Pelve (Tribastone, 2001).
Se esses músculos trabalham sinergicamente contribuem pelo equilíbrio da cintura pélvica. Se
prevalece a ação dos músculos anteversores, determinam um aumento do ângulo
lombossacro, causando a hiperlordose lombar. Se prevalece a acão dos músculos
retroversores, determina uma retificação lombar pela diminuição do ângulolombossacro
(Tribastone, 2001).
Figura 4 - Os Músculos que Equilibram a Pelve (Tribastone, 2001).
Caillet; Daniels e col. (apud Knoplich, 2003), referem que a obliqüidade do sacro depende de
um desequilíbrio no balanço muscular entre os músculos eretores da coluna e os glúteos de
um lado, e os abdominais e iliopsoas de outro; conforme o domínio de um dos dois grupos
teremos a acentuação ou não da lordose.
Conforme Cailliet (1988), as lombalgias atribuídas a postura estão relacionados à hiperlordose.
2.5- A Lombalgia
A lombalgia é a dor que ocorre na região lombar, seja de causa nervosa ou muscular, podendo
ser causado por estresse. É extremamente comum e, entre 65% a 80% da população
desenvolverão dor nas costas em alguma etapa das suas vidas. É a maior causa de
afastamento do trabalho em indivíduos abaixo de 45 anos, sendo que aproximadamente 50%
das pessoas com dores crônicas retornam ao trabalho (Rezende, 2006).
De acordo com Cailliet (1988), a maioria das lombalgias atribuídas à postura está relacionada
com o aumento do ângulo lombossacro e concomitante aumento da lordose lombar.
Segundo Pericé; Riambau; Paloma (1989), a lombalgia pode ser favorecida por um desvio das
curvaturas fisiológicas.
A lombalgia gravídica está relacionada a um aumento da lordose. O útero grávido causa um
pequeno deslocamento anterior. Além disto a uma fadiga durante a gravidez que desencoraja
a os bons hábitos e esforços, juntamente com uma frouxidão ligamentar hormonal que
completa o quadro (Cailliet, 1988).
Conforme Doreto (2006), as dores em órgãos abdominais ou pélvicos também podem ser
referidas unicamente por dor lombar, como por exemplo, cálculo renal e a tensão pré-
menstrual.
O diagnóstico da lombalgia varia com a causa, pois a dor é somente um sintoma, portanto as
características da dor serão muito importantes para o diagnóstico; como iniciou, o que melhora
ou piora, se apareceu após trauma, exercícios ou movimentos bruscos, se é noturna ou diurna
ou se é acompanhada de outros sintomas como febre, emagrecimento, dormência, etc.
(Tribastone, 2001).
As características da dor associada aos exames complementares devem levar ao diagnóstico
e ao tratamento adequado, que poderá ser a associação de medicamentos e fisioterapia, às
vezes cirurgia e posteriormente a prevenção das causas (Greve; Amatuzzi, 1999).
2.5.1- Classificação
2.5.1.1- Lombalgia Aguda
A dor aguda é relacionada temporalmente a lesão causadora, isto é deve desaparecer durante
o período esperado de recuperação do organismo ao evento que está causando a dor
(Kapandji, 2000).
Aparece uma dor intensa, brusca, geralmente enquanto a pessoa realiza um esforço. Pode
apresentar antecedentes de dor lombar pouco intensa. Na ocasião, a pessoa permanece em
uma posição semiflexionada da coluna lombar, sem ser possível a extensão e nem prosseguir
a flexão, já que com qualquer movimento agrava a dor (Pericé; Riambau; Paloma, 1989).
Uma primeira crise costuma desaparecer em até 05 semanas com repouso e medicação
analgésica. Deve-se então iniciar a profilaxia de novas crises. Geralmente, o paciente não dá
uma excessiva importância a esta primeira crise, pelo qual não adota nenhuma medida em
especial (Tribastone, 2001).
Conforme Konrad (apud Knoplich, 2003), não há limite preciso estabelecido para a duração
final da dor aguda e início da dor crônica, variando de 3 a 6 meses, limite máximo em que a
maioria dos autores passa a considerar como crônica.
Segundo Cailliet (1988), frequentemente, um desconforto agudo da coluna lombar não permite
um exame imediato. Apenas a anamnese pode ser feita. A vítima apresenta flexibilidade
limitada, possível escoliose com a postura antálgica, sensibilidade da musculatura na região
lombar, e limitada elevação da perna esticada.
De acordo com Greve e Amatuzzi (1999), a dor da fase aguda diminui com medicação,
repouso e fisioterapia. Nesse sentido vale observar que diz a respeito Konrad (2004), onde a
dor aguda pode ter duração extremamente curta, desde alguns minutos, até a algumas
semanas e diminuir pela reação do próprio organismo, mas é preciso o suporte terapêutico
para diagnosticar a causa desencadeante da dor.
Segundo Ghorayeb; Barros Neto (1999), a lombalgia aguda pode ser interpretada como um
sinal de alerta, a crônica já no tem mais essa função. Uma dor pode tornar-se crônica por
vários motivos, mas não tem mais a função de alerta e defesa. Esta merece uma atenção
maior por afetar o estilo de vida das pessoas e por ter abordagem física, cultural, social e
emocional.
2.5.1.2- Lombalgia Crônica
A pessoa queixa-se de dor lombar de forma intermitente de um período de tempo que vai
desde três meses a anos. A sensação de dor aumenta com o esforço e pelas posturas
prolongadas em pé. Pode apresentar uma irradiação difusa às extremidades inferiores. A
evolução é lenta apresentando fases de remissão e outras que pioram podendo chegar a
adotar a forma de uma lombalgia aguda (Pericé; Riambau; Paloma, 1989).
Segundo Knoplich (2003), a lombalgia crônica é considerada por alguns autores aquela com
duração maior que 03 meses ou que ultrapasse o período usual de recuperação esperado
para a causa desencadeante da dor. Alguns autores consideram o limite para se tornar dor
crônica a partir de 06 meses.
Para Tribastone (2001), a lombalgia crônica merece maior atenção por afetar negativamente a
qualidade de vida, limitar a movimentação, agilidade. Além de ter envolvimentos emocionais.
2.5.2- Etiologia
As dores atribuídas à coluna vertebral têm mais do que 50 etiologias, porém, em cerca de 80%
das vezes, a causa é praticamente impossível de determinar, com certeza. Na grande maioria
dos casos, a identificação anatômica precisa das estruturas que produzem a dor é muito difícil
por se tratar de uma dor difusa. Muitas das denominações como estiramento e defeitos
posturais são de difícil comprovação etiológica (Cortet et al., apud Knoplich, 2003).
Segundo Greve; Amatuzzi (1999), pode-se admitir que a postura inadequada agrida três
estruturas da coluna: o disco intervertebral, através das pressões intradiscais, a vértebra,
mudando-lhe a forma, e as apófises intra-articulares, que resulta na diminuição do forame
agredindo a raiz nervosa.
De acordo com Cailliet (1988), há estruturas na unidade funcional da coluna lombar que
podem causar dor.
Inicialmente será feito uma análise com a coluna lombar estática, em seguida a lombalgia
causada pela irritação dos tecidos sensíveis a dor através dos movimentos da coluna lombar.
Conforme Guyton; Hall (1996), na posição estática, o disco intervertebral não é sensível à dor,
portanto é livre de terminações nervosas sensitivas. A dor discal deve-se a irritação de tecidos
adjacentes.
Um disco normal tem elasticidade e capacidade de recuperação rápida, que suportam
aumento da pressão interna, o que impede uma irritação edemaciada dos tecidos contíguos. A
degeneração de um disco diminui sua capacidade de recuperação e resistência ao aumento
da pressão interna, permitindo a compressão dos tecidos adjacentes (Kapandji, 2000).
Para Cailliet (1988), disco degenerado é a fragmentação do anel fibroso e desidratação do
núcleo pulposo, o que provoca aumento na pressão intradiscal, irritando o ligamento
longitudinal posterior, o qual é sensível a dor.
O revestimento sinovial das facetas e a cápsula articular das articulações da unidade funcional
da coluna lombar são ricamente supridos por nervos sensitivos, bem como vasomotores.
Sendo assim responde aos estímulos inflamatórios que resultam em inchaço e tumefação dos
revestimentos sinoviais e aumento da viscosidade do fluido sinovial, o que causa um espasmo
muscular periarticular, limitando progressivamente os movimentos. A inflamação das
articulações sinoviais produz dor severa, dependendo da intensidade e extensão da
inflamação (Erhast, 1996).
O espasmo muscular que acompanha a disfunção da coluna é por si só capaz de produzir dor,
por causar isquemia no tecido. Segundo Knoplich (2003), os problemas emocionais
(depressão, dificuldade sexuais, ansiedade, fobias, etc) têm influência sobre a musculatura,
deixando-a tensa, dolorida. Esta acaba agredindo ainda mais o disco e articulações já
danificadas, diminuindo o orifício e comprimindo a raiz nervosa.
Outro fator é a raiz do nervo ciático que emerge do forame intervertebral e, é sensoriomotor,
sensível a dor e que causa dor no local e irradiada no seu dermátomo (Guyton; Hall, 1996).
As causas das lombalgias cinéticas podem se dar por três maneiras básicas: (1) Tensão
anormal sobre uma coluna normal; (2) Esforço normal sobre uma coluna anormal; e (3)
Esforço normal sobre uma coluna normal, porém despreparada para esforço. A palavra normal
aplicada à tensão refere-se a um esforço razoável manipulado sem desconforto. Uma coluna
dita normal refere-se a uma coluna lombar estruturalmente sadia e funcionalmente apta
(Cailliet, 1988).
Tensão Anormal sobre uma Coluna Normal
Uma coluna normal, pela contração muscular pode sustentar um peso sobreposto durante um
período de tempo razoável. Porém manter um peso razoável a uma distância razoável do
corpo por um período de tempo muito longo causará fadiga muscular e exaustão.
Quando a contração muscular necessária para manter uma discreta flexão da coluna for
exaurida, simulada pela postura profissional ao manter-se em pé flexionado por quinze
minutos ou mesmo sentado fletido anteriormente, o impacto de esforço recai sobre os
ligamentos, que têm a elasticidade limitada e são capazes de produzir dor. Nestas posturas há
também um aumento da pressão intradiscal, que podem desencadear dor.
Os músculos eretores da coluna, assumindo uma contração isométrica poderosa,
eventualmente fadigam-se, geram isquemia e também se tornam dolorosos. Essa tensão
excessiva na fixação miofascial do periósteo também pode causar dor (Ghorayeb; Barros
Neto, 1999).
Quando a contração muscular for exaurida, o impacto do esforço cai sobre os ligamentos, e
uma vez que estes cedem, a tensão recai sobre as articulações, do que pode resultar em
luxação. Enfim, a dor pode manifestar-se muitas vezes durante está seqüência de eventos
(Cailliet, 1988).
Esforço Normal sobre uma Coluna Anormal
O uso normal de uma coluna anormal implica no uso correto de uma coluna estruturalmente
defeituosa. Este defeito pode ser encontrado nas estruturas ósseas, nas porções articulares
da coluna, nos ligamentos, nos tecidos musculares ou em qualquer combinação destes
elementos (Cailliet, 1988).
Na escoliose estrutural, as facetas articulares estão assimétricas devido a rotação e inclinação
da vértebra, com isso durante a flexão e extensão da coluna lombar ocorre um choque ósseo
e as facetas são comprimidas gerando dor. O ligamento longitudinal posterior e a cápsula
articular acompanham o alinhamento curvo da escoliose e durante o mesmo movimento
sofrem um estiramento excessivo e desenvolve um mecanismo de dor (Cailliet, 1988).
Durante a flexão e extensão da coluna com um aumento lombossacro, pode haver um
cisalhamento da unidade funcional e este associado a uma degeneração discal, pode
acarretar um pinçamento do disco posteriormente, irritando a ligamento longitudinal posterior,
podendo gerar hérnia de disco (Ghorayeb; Barros Neto, 1999).
Com os músculos isquiotibiais encurtados, o movimento de flexão e extensão da lombar ficam
limitados, pois este músculo se insere na tuberosidade isquiática. Para alcançar a flexão
máxima, a inclinação anterior da pelve deve-se ao aumento da curvatura lombar, que
sobrecarrega o ligamento longitudinal posterior e essa insistência resultará em dor por
estiramento ligamentar ou até ruptura da fixação ligamento periosteal ou do próprio ligamento
(Kapandji, 2000).
Caso a coluna lombar esteja retraída, durante a flexão não haverá uma completa rotação
anterior da pelve e esta limitação também sobrecarregará o ligamento longitudinal posterior e
os músculos paravertebrais encurtados (Guyton; Hall, 1996).
Esforço Normal sobre uma Coluna Normal Despreparada
A imposição de um esforço usualmente normal sobre uma coluna mecanicamente normal, em
um momento em que a coluna não está preparada para recebê-lo, sendo observado na
velocidade de reação do organismo para se defender de uma suposta injúria. Como exemplo,
ocasião em que a pessoa escorrega e reagi rapidamente para se equilibrar e não cair no chão,
evitando a injúria de micro lesões teciduais e lesões como ferimentos. Ocorre ainda, quando a
pessoa está deitada em decúbito ventral e com velocidade de reação levanta-se
repentinamente por um susto, de forma aumentar o choque facetário (Cailliet, 1988).
Qualquer atividade neuromusculoesquelética é precedida por antecipação e preparação. Sob
condições normais, uma ação iminente evocará uma ação apropriada. O movimento
antecipado gradua a intensidade da contração, a velocidade da ação e extensão da contração
necessária ao tempo e á distância (Erhast, 1996).
Entretanto, a contração pode causar uma movimentação excessiva, excedendo então os
tecidos capsulares e articulares, que resulta em dor e incapacidade.
Deve-se considerar ainda a direção dos movimentos. Na postura fletida, a rotação da unidade
funcional está restringida pela os anéis fibrosos do disco e pelos ligamentos longos. Portanto,
flexão e rotação que excedem os limites fisiológicos são provavelmente a maior causa de
ruptura das fibras dos anéis fibrosos (Cailliet, 1988).
2.5.3- Fatores de Risco
Segundo Gallinella; Andreasi (2006), o envelhecimento, a degeneração e o desgaste das
estruturas da coluna vertebral (vértebras, discos e ligamentos) parecem ser a principal causa
da lombalgia. Porém, na distribuição aproximada dessas causas, verifica-se que as posturas
inadequadas no trabalho são as grandes responsáveis pela doença, aparecendo em 25% dos
casos. No geral, as causas são muitas e freqüentemente existem várias levando ao que se
conhece por etiologia multifatorial. A lombalgia não é causada por fatores isolados, mas sim
pelo conjunto de vários fatores. Os fatores de risco para a dor lombar estão em geral
associados com:
1. Ocupação Profissional
São as chamadas lombalgias ocupacionais. Os principais fatores são:
a) Levantar, carregar ou empurrar peso exagerado (enfermeiros que manipulam doentes
acamados; trabalhadores braçais; demolição de estruturas com brocas vibrátórias);
b) Posturas ERRADAS prolongadas nas posições sentadas ou de pé (operador de
computadores; trabalho em escritório; desenhista em prancheta; dentista; motoristas
profissionais; cirurgião).
2. Condicionamento Físico e Saúde Geral
a) Vida sedentária, falta de preparo físico;
b) Excesso de peso concentrado na ''barriga'' (Obesidade abdominal) associado à flacidez da
musculatura abdominal;
c) Escorregões e quedas que produzem distensões e espasmos musculares;
d) Sequelas de fraturas na coluna;
e) Desvios da coluna vertebral.
3. Personalidade e Estado Psíquico
a) ''Stress'' psicológico, tensão emocional;
b) Insatisfação com o trabalho;
c) Problemas econômicos e familiares;
d) Problemas psiquiátricos;
e) Abuso de drogas;
4. Outros fatores:
a) Neoplásias (tumores);
b) Inflamatórias (ex. artrite reumatóide);
c) Metabólicas (ex: osteoporose);
d) Infecciosas (ex: brucelose, salmonelose);
e) Genéticas
2.5.4- Tratamento
Antes de discutir os diferentes tipos de tratamento para a dor na coluna, deve-se admitir que a
causa de 70 a 80% das pessoas com lombalgia é desconhecida, e por isso os tratamentos são
sintomáticos (Nachemson; Jonsson, apud Knoplich, 2003).
Portanto, 70% ou mais dos portadores de dores crônicas na coluna, frequentes ou não,
deverão ser submetidos a um tratamento sem diagnóstico preciso (Knoploich, 2003).
Greve; Amatuzzi (1999) analisam a abordagem terapêutica e reabilitacional do portador de
lombalgia sendo especialmente muito difícil, devido à gama de diagnósticos diferenciais
possíveis, bem como pelos múltiplos fatores constitucionais, ambientais (ergonômico),
psicológicos e socioeconômicos envolvidos.
Segundo Rothman (apud Knoplich, 2003), o tratamento deve visar a três objetivos: 1) sedar a
dor o mais depressa possível; 2) retorno do paciente à atividade funcional anterior revendo as
posturas no trabalho; 3) evitar novas agressões à coluna que possam trazer uma piora ao
quadro clínico no futuro.
A fase de analgesia inclui o tratamento fisioterapeutico utilizando os meios físicos como a foto-
termo-eletroterapia. Pode associar o relaxamento e alongamento. Logo, deve-se iniciar
exercícios de correção postural, reestruturação e consciência corporal, e de reforço da
musculatura, principalmente abdominal e extensora da coluna (Kisner, 1992).
No tratamento deve estar incluso repetidas explicações das possíveis causas e conseqüências
das agressões as estruturas funcionais, ensinando novas posturas físicas e novo
comportamento mental, garantindo-lhe a segurança no seu retorno ao trabalho (Rezende,
2006).
2.5.5- Profilaxia
A forma ideal de colocar em prática a prevenção de lombalgias é recorrendo a prática de
atividades físicas, pois têm tanto atuação na diminuição da intensidade e da velocidade da
implantação das disfunções musculoesqueléticas, quanto nas disfunções neuromusculares e
cardio-respiratórias, além de atuar positivamente nos transtornos psíquicos (Salles, 2005).
Segunda a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (2006), algumas vezes as dores
nas costas são causadas por vícios posturais e maus hábitos que podem ser prevenidos:
- Sente-se com as costas apoiadas no encosto, não sente torto;
- A mesa de trabalho deve estar na altura dos cotovelos;
- Levante-se da cama sempre de lado apoiando-se nos cotovelos;
- Durma de lado, com apoio entre os joelhos, a cabeça alinhada com o auxílio de um
travesseiro baixo;
- Evite carregar peso;
- Ao abaixar-se para pegar algum objeto, use o joelho e não faça flexão da coluna para
alcançar o chão;
- Ao varrer não incline o corpo para frente, aumente o cabo da vassoura;
- Para executar tarefas como passar roupas ou lavar pratos, coloque uma caixa no chão para
apoiar os pés alternadamente;
- Ao calçar sapatos ou vestir roupas, faça-o sentado;
- Use sapatos de salto baixo.
2.6- Aspectos Psico-Sociais da Dor Crônica
A percepção de estímulos dolorosos pode ser modificada quantitativa e qualitativamente em
função de uma série de fatores internos e externos aos indivíduos (Guyton; Hall, 1996).
As dores crônicas, que causam um sofrimento contínuo ou intermitente por longo período,
fazem os doentes tornarem-se mais sensíveis e sofrerem mais com o passar do tempo,
produzindo uma degradação física e mental que varia de uma pessoa para outra, em função
de diferenças de personalidade (Varella, 2006).
A cronicidade dolorosa traz efeitos devastadores na personalidade do paciente, criando um
círculo de evolução e persistência da dor, que é independente de uma possível lesão orgânica
inicial, fazendo desaparecer os limites em dores agudas e crônicas (Allsen; Harrison; Vance,
2001).
Os portadores de dores crônicas da coluna são os exemplos mais típicos de distúrbio
associado com perturbações somáticas, psíquica e social (Guyton; Hall 1996).
As pessoas com neuroses de ansiedade, associada aos problemas de dores nas costas têm
um largo espectro de queixas somáticas de outras áreas, tais como alterações respiratórias,
hipertensão, cefaléia e digestivas (Tribastone, 2001).
As dores de coluna crônica provocam um estado depressivo que acaba se refletindo
sobre a musculatura e conseqüentemente sobre a postura do próprio organismo. As pessoas
com distúrbios no sono, também ficam com os músculos tensos gerando dores nas costas e
alterações posturais. (Fordyce, apud Knoplich, 2003).
2.7 Efeitos da Dor Crônica na Qualidade de Vida
As dores crônicas repercutem sobre a qualidade de vida de uma pessoa sob três aspectos
principais (Greve; Amatuzzi, 1999):
1- Aspectos Físicos
- Diminuição da capacidade funcional;
- Diminuição da força e da resistência;
- Náusea e perda de apetite;
- Transtornos do sono causando irritabilidade, fadiga e dependência em
medicamentos e álcool em uma tentativa de facilitar o sono;
- Dependência química.
2- Aspectos Psicológicos
- Diminuição da alegria e do humor;
- Aumento da ansiedade e do temor;
- Depressão, sofrimento;
- Dificuldade de concentração;
- Somatização;
- Perda do controle pessoal;
- Perdas sociais (emprego, credibilidade no mercado de trabalho e amizades);
- Diminuição das relações sociais;
- Diminuição da atividade sexual e afetiva;
- Aumento da necessidade de cuidados;
- Tensão financeira, resultado de contas médicas, medicamentos, tratamentos
conservadores e profiláticos e a perda de renda devido ao tempo fora do trabalho.
3- Aspectos Espirituais
- Aumento do sofrimento;
- Descrença;
- Mudança de interesses.
A dor crônica interfere na qualidade de vida das pessoas e segundo Allsen; Harrisom; Vance
(2001), os exercícios é benéfico na redução de ansiedades, depressões e estresse,
produzindo um efeito favorável sobre o estado psicológico, além dos benefícios fisiológicos ao
organismo.
3- OBJETIVO
Verificar os efeitos do Método Pilates em mulheres de 25 a 30 anos acometidas de lombalgia
crônica.
4- MATERIAIS E MÉTODOS
Esta pesquisa do tipo experimental, quantitativa, de caráter descritivo e do tipo longitudinal,
teve como objetivo analisar o efeito do Método Pilates em mulheres com lombalgia crônica,
comparando a intensidade da dor, no início e após o tratamento.
A pesquisa foi desenvolvida durante 08 semanas, sendo duas aulas semanais com duração de
1 hora cada, de açor com o horário livre disponível das participantes.
Participaram da pesquisa 10 mulheres na faixa etária de 25 a 30 anos, com lombalgia crônica
a mais de 06 meses.
Deste total de participantes, 05 formaram o Grupo Controle, que não sofreram nenhum tipo de
intervenção no período da pesquisa e as outras 05 formaram o Grupo Experimental, no qual
foi aplicado o método Pilates, individualmente. As variáveis externas influenciaram sobre os
dois grupos de trabalho e, portanto, as diferenças se darão apenas pelos efeitos do método.
As participantes não realizaram nenhum tipo de tratamento, nem com medicamento
analgésico, no período em que estava ocorrendo a pesquisa.
É importante ressaltar que a rotina da vida diária, ir para o trabalho e cuidar dos afazeres
domésticos não foram alterados durante a pesquisa.
Os instrumentos para mensurar a dor podem ser unidimensionais ou multidimensionais. Por
ser uma pesquisa quantitativa, foi aplicada a escala unidimensional, que avalia somente as
dimensões das experiências dolorosas.
Segundo a Fundação Antonio Prudente; Centro de Tratamento e Pesquisa do Hospital do
Câncer ; Heinz (2002), a escolha de um instrumento para mensurar a dor deve, antes de tudo,
ser de fácil aplicabilidade e adequar-se ao nível de compreensão da pessoa.
O instrumento unidimensional avalia a dor através da Escala Visual Numérica (EVN),
graduada de zero a dez, nas quais zero significa ausência de dor e dez a pior dor imaginável;
e a Escala Visual Analógica (EVA), que consiste de uma linha reta, não numerada, indicando-
se em uma extremidade a marcação de “ausência de dor”, e na outra, “pior dor imaginável”.
Sem dúvida, ambas as escalas têm a vantagem de facilitar o contato do aluno-educador físico,
ao compartilhar-se a intensidade da dor, e ao aluno um instrumento para se fazer entender
(Serrano, 2003).
Segundo Serrano (2003), outra forma de graduação da dor baseia-se na avaliação
comportamental do aluno através da Escala Comportamental (EC). Ao comportamento álgico
é atribuído uma nota, questionando-se diretamente a sua lembrança da dor em função de suas
atividades da vida diária, sendo:
Quadro 1 - Escala Comportamental; Avaliação Unidimensional da Dor (Serrano, 2003).
Nota Característica da Dor e Relação com Atividade da Vida Diária
Zero Dor ausente ou sem dor
Três Dor presente, havendo períodos em que é esquecida.
Seis A dor não é esquecida, mas não impede exercer atividades da vida diária.
Oito A dor não é esquecida, e atrapalha todas as atividades da vida diária, exceto
alimentação e higiene.
Dez A dor persiste mesmo em repouso, está presente e não pode ser ignorada, sendo o
repouso imperativo.
Foi aplicada nesta pesquisa a Escala Comportamental, por ser uma informação fidedigna da
realidade diária das participantes.
As participantes foram avaliadas antes de iniciar as aulas de Pilates e no final da 8.ª semana
de intervenção. O grupo controle passou pela mesma avaliação.
A avaliação foi feita individualmente, com a participante tendo a posse da escala nas mãos,
com o tempo livre para análise e em seguida responder.
A pesquisa foi realizada em uma clínica de fisioterapia particular em Cuiabá – MT. Os
materiais utilizados pertenciam a esta clínica e foram todos cedidos no período da intervenção.
Os materiais utilizados foram os equipamentos criados por Joseph Pilates e são apropriados
para execução do método (Figuras 5, 6, 7, 8 e 9).
Figura 5 – Reformer (Becker, 2003).
Figura 6 - Cadillac ou Trapézio (Becker, 2003).
Figura 7 - High Barrel (Becker, 2003).
Figura 8 - Chair (Combo), (Becker, 2003).
Figura 9 - Chair (Wunda) (Becker, 2003).
Também foram utilizados equipamentos auxiliares como, a bola suíça, faixa elástica,
colchonete, rolo de espuma, magic circle e outros, conforme Figura 10.
Figura 10 - Equipamentos auxiliares (Becker, 2003).
A pesquisa foi realizada com pessoas voluntárias e inicialmente foi esclarecido o objetivo e a
importância da pesquisa, em seguida assinado um termo de consentimento e compromisso
com o trabalho.
Para seleção das participantes, foi realizada anamnese com 16 mulheres, através de um
questionário (Anexo I), para verificar o perfil das participantes. Com esses dados, foi realizada
a seleção, onde 10 participantes foram escolhidas, por apresentarem semelhanças nas
características físicas, sociais, psíquicas e emocionais.
Após selecionadas as dez participantes, foi realizada uma avaliação postural, estando as
participantes de sutian e calcinha.
Seguindo, foi aplicado o pré-teste através da Escala Comportamental para analisar o nível de
dor das participantes, relacionado com as atividades de vida diária.
Por último, foi feito a divisão aleatoriamente do Grupo Controle e do Grupo Experimental.
Após isso, foi aplicado o método Pilates no Grupo Experimental durante 08 semanas,
totalizando 16 aulas, com a duração de 60 minutos. As aulas foram ministradas
individualmente, conforme agendamento prévio das participantes, após o expediente diário de
serviço. Com a programação das aulas antecipadamente, não houve problemas com ausência
das participantes.
Após a intervenção, foi realizado o reteste da avaliação da dor, através da Escala
Comportamental, nos dois grupos da pesquisa.
5- RESULTADOS
Com os dados adquiridos através do pré-teste e o reteste, foi feita a análise, de forma
quantitativa, verificando o nível da dor lombar baseada na Escala Comportamental e então,
feita a comparação do Grupo Controle e o Grupo Experimental.
Para melhor apresentação dos dados, as participantes do Grupo Controle foram denominadas
C1, C2, C3, C4 e C5 e as participantes do Grupo Experimental, E1, E2, E3, E4 e E5. Os dados
foram representados em gráficos e tabelas, facilitando a compreensão.
No Grupo Controle foi realizado um pré-teste, através da Escala Comportamental da dor,
segundo Serrano (2003), sendo que 60% tiveram a nota oito, apresentando dor que não é
esquecida e atrapalha todas as atividades da vida diária, exceto alimentação e higiene e 40%
tiveram a nota seis, apresentando dor que não é esquecida, mas não impede de exercer
atividades da vida diária. Esses resultados seguem melhor apresentados na Tabela 1 e no
Gráfico 1.
Tabela 2 - Resultados do Pré-teste no Grupo Controle.
Participantes Nota
C1 Oito
C2 Oito
C3 Seis
C4 Oito
C5 Seis
Gráfico 2 - Resultados do Pré-teste no Grupo Controle.
No Grupo Experimental foi observado que 60% das participantes obtiveram a nota oito,
caracterizando que a dor não é esquecida e que atrapalha todas as atividades da vida diária,
exceto alimentação e higiene, e que 40% estavam com a nota seis, sendo que a dor não é
esquecida, mas não impede de exercer as atividades da vida diária. A representação
esquemática dos resultados do Grupo Experimental é demonstrada na Tabela 2 e Gráfico 2.
Tabela 2 - Resultados do Pré-teste no Grupo Experimental.
Participantes Notas
E1 Oito
E2 Oito
E3 Seis
E4 Oito
E5 Seis
Gráfico 2 - Resultados do Pré-teste no Grupo Experimental.
Observa-se que a média dos resultados obtidos com a Escala Comportamental foi idêntica em
ambos os grupos. Portanto, a diferença nos resultados com o reteste foi em virtude da
aplicação do Método Pilates, já que os fatores externos exerceram influência sobre os dois
grupos, não havendo diferenças nas variáveis.
O Gráfico 3 compara o Pré-teste entre os Grupos Controle e Experimental, facilitando a
visualização da semelhança dos resultados.
Gráfico 3 - Comparação dos Pré-testes do Grupo Controle e do Grupo Experimental.
Conforme explanado na metodologia, foi realizada uma anamnese em 16 mulheres e, então
selecionadas 10 mulheres com semelhanças físicas, sociais, psíquicas e emocionais. Justifica-
se por esta seleção a coincidência nos dados coletados nos Grupos Controle e Experimental,
já que a divisão dos grupos foi feita aleatoriamente.
Após oito semanas de intervenção utilizando o Método Pilates, perfazendo um total de 16
aulas com duração de 1 hora, foi aplicado novamente o reteste, através da Escala
Comportamental, segundo Serrano (2003), no Grupo Controle e no Grupo Experimental.
No Grupo Controle, 40% das participantes apresentaram a nota oito, que condiz com dor que
não é esquecida, e atrapalha todas as atividades da vida diária, exceto alimentação e higiene,
os outros 60% com nota seis, caracterizando que a dor não é esquecida, mas não impede
exercer atividades da vida diária. Os resultados do reteste do Grupo Controle podem ser
melhor observados na Tabela 3 e no Gráfico 4.
Tabela 3 - Resultados do Reteste no Grupo Controle.
Participante Nota
C1 Oito
C2 Oito
C3 Seis
C4 Seis
C5 Seis
Gráfico 4 - Resultados do Reteste no Grupo Controle
Através do reteste no Grupo Controle, percebe-se que não houve melhoria no nível da dor em
80% dos avaliados e que em 20% houve uma pequena melhoria, onde a participante deixou
de ter dor que atrapalhava as atividades de vida diária, para uma dor que não impedia de
exercer as atividades de vida diária.
Após a coleta dos dados do reteste aplicado no Grupo Experimental, levantou-se que 80% das
participantes tiveram um decréscimo importante nos níveis de dor conforme a Escala
Comportamental, onde deste total 75% diminuíram relevantemente a dor saindo de estágios
em que sua presença não poderia ser esquecida, para o estágio de dor em que poderia ser
esquecida ou até mesmo ausente e 25% diminuíram discretamente, pois saíram de estágio de
um nível de dor que não podia ser esquecida e que atrapalhava as atividades de vida diária
para um estágio de dor que não impedia de exercer as atividades de vida diária, mas também
não era esquecida. De acordo com o reteste dos 20% restantes deste grupo foi observado que
não houve diferença comparado ao resultado do Pré-teste.
A Tabela 4 e o Gráfico 5 demonstram os resultados obtidos com o reteste do Grupo
Experimental.
Tabela 4 - Resultados do Reteste no Grupo Experimental
Participante Nota
E1 Seis
E2 Três
E3 Três
E4 Zero
E5 Seis
Gráfico 5 - Resultados do Reteste no Grupo Experimental.
Os resultados do Reteste do Grupo Controle e do Experimental apresentaram uma diferença
importantíssima, ilustrada no Gráfico 6, o comparativo dos grupos facilitando a interpretação.
Gráfico 6 - Comparação do Reteste no Grupo Controle e no Grupo Experimental.
Para melhor demonstrar os resultados da pesquisa, que visa comparar a aplicação do Método
Pilates em lombalgia crônica, segue a Tabela 5 e o Gráfico 7, comparando o Pré-teste e o
Reteste do Grupo Controle.
Tabela 5 - Comparação do Pré-teste e o Reteste do Grupo Controle
Participantes Resultado
PRÉ-TESTE
Grupo
Resultado
RETESTE
Grupo
Controle Controle
C1 Oito Oito
C2 Oito Oito
C3 Seis Seis
C4 Oito Seis
C5 Seis Seis
Gráfico 7 - Comparação do Pré-teste e o Reteste do Grupo Controle.
A Tabela 6 e o Gráfico 8 representam os resultados do pré-teste e o Reteste do Grupo
Experimental, para análise e comparação.
Tabela 6 - Comparação do Pré-teste e o Reteste do Grupo Experimental.
Participantes Resultado
PRÉ-TESTE
Grupo
Experimental
Resultado
RETESTE
Grupo Experimental
E1 Oito Seis
E2 Oito Três
E3 Oito Três
E4 Seis Zero
E5 Seis Seis
Gráfico 8 - Comparação do Reteste no Grupo Controle e no Grupo Experimental.
Portanto, esta pesquisa apontou resultados interessantes, apresentados de forma objetiva e
clara através de tabelas e gráficos, facilitando a visualização e comparação dos dados
coletados no pré-teste e o reteste dos grupos Controle e Experimental.
6- DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Segundo Allsen; Harrison; Vance (2001), o corpo humano foi feito para o exercício e quando
nos tornamos inativos as articulações incham, os músculos enfraquecem, o aumento de
gordura afeta o sistema circulatório, o coração perde força e, consequentemente, ficamos mais
expostos a doenças.
Nota-se que a aplicação do método Pilates em mulheres com lombalgia crônica, com idade
entre 25 e 30 anos, apresentou resultados relevantes na diminuição do nível da dor, analisado
através da Escala Comportamental, segundo Serrano (2003).
Percebe-se ainda que a maioria das participantes do Grupo Controle mantiveram os níveis de
dor e uma pequena parcela aumentoaram o estágio da sua dor lombar.
De acordo com Grorayeb; Barros Neto (1999), a atividade física pode adiar ou evitar doenças
musculoesqueléticas importantes, como lombalgia de origem mecânica, dores no ombro e no
pescoço, osteoporose e as fraturas relacionadas a ela.
Na maioria das doenças crônicas de evolução lenta, associadas com a idade e o desgaste
causado pelo trabalho, como as dores da coluna, é recomendado uma intervenção preventiva.
Segundo Knoplich (2003), existe uma prevenção primária para as dores da coluna lombar, que
são os cuidados que as pessoas sadias fazem para evitar ter futuras dores, tais como: evitar
carregar pesos por muito tempo, não abaixar com as costas e sim flexionando os joelhos,
evitar sobrecargas no trabalho e incentivar a prática de exercícios. A prevenção secundária é
realizada com pessoas que já tiveram manifestações de dor, e o objetivo é a conscientização
dos fatores de riscos e as mudanças de hábito que previnem recidivas de crises lombares.
Os exercícios podem ajudar na prevenção, reabilitação, na volta ao trabalho e as atividades
normais (Kisner; Colby, 1992).
Segundo Nachemsom e col. (apud Knoplich, 2003), existe uma forte evidência de que a
terapia pelos exercícios é eficiente no tratamento das dores crônicas da lombar. Nesse
sentido, vale ressaltar o que diz Cailliet (1988), onde os exercícios são treinamentos e devem
ser integrados em todas as atividades da vida diária para obter resultados íntegros, já que a
postura é uma função do corpo em período integral. Portanto, exercitar-se apenas uma hora
por dia e permanecer em postura incorreta não levará a nenhuma melhora e nem diminuição
da dor com o treinamento. Por isso a importância da conscientização das medidas educativas
que evitam o desencadeamento de dores lombares, além de se exercitar.
Conforme Allsen; Harrison; Vance (2001), o exercício produz um efeito moderadamente
favorável sobre o estado psicológico, melhora o desempenho no trabalho e reduz os riscos de
doenças crônicas.
A prática de exercícios melhora a qualidade de vida. Não importa qual o exercício irá praticar,
o importante é que funcione. (Kisner; Colby, 1992).
Para Joseph Pilates, segundo Camarão (2004), a busca da saúde e da boa forma não era
apenas uma responsabilidade física e emocional, era igualmente uma responsabilidade moral.
Pela prática de seu método as pessoas podiam “voltar à vida”, recuperando harmonia e
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Os efeitos do método pilates em mulheres na faixa etária de 25 a 30 anos com lombalgia crônica

  • 1. www.fisioweb.com.br Trabalho realizado por: Ana Paula Peixoto de Lima E-mail: anapaula-fisio-edfisica@hotmail.com Monografia apresentada à Faculdade de Educação Física, do Campus de Cuiabá, Universidade Federal de Mato Grosso. Orientador: Prof. Esp. Roberto Jaime dos Santos OS EFEITOS DO MÉTODO PILATES EM MULHERES NA FAIXA ETÁRIA DE 25 A 30 ANOS COM LOMBALGIA CRÔNICA RESUMO O presente estudo visa analisar os efeitos do método Pilates em mulheres na faixa etária de 25 a 30 anos com lombalgia crônica. A lombalgia é a dor localizada na região lombar, que pode ser aguda, resultado de alguma injúria tecidual, ou crônica, quando já não tem a função de alerta do organismo frente a uma lesão e já está presente a mais de 03 meses. A sua origem está relacionada com distúrbio mecânico crônico, relacionados aos esforços excessivos, má postura, alterações funcionais ou em decorrência a um movimento brusco da coluna. O tratamento inicial é analgesia, em seguida, na fase crônica, reeducação postural através de exercícios de alongamento, fortalecimento, alinhamento e reestruturação corporal. Nesta pesquisa foi avaliado o nível de dor crônica na região lombar em 10 mulheres e dividido aleatoriamente em dois grupos, o controle e o experimental. Então foi aplicado o Método Pilates individualmente nas participantes do grupo experimental durante 08 semanas, totalizando 16 horas aula. O Método Pilates, objetiva, com a execução dos seus exercícios e fidelidade aos seus princípios, proporcionar um bom condicionamento físico e mental, integrando o corpo e a mente, ampliando a capacidade de movimentos, aumentando o controle, a força, o equilíbrio muscular e a consciência corporal. É um sistema de exercícios que trabalha o corpo como um todo, corrige a postura e realinha a musculatura, desenvolvendo a estabilidade corporal necessária para uma vida mais saudável e longeva. Sendo assim, os resultados com a pesquisa foram favoráveis, havendo uma diminuição de 80% nos níveis da lombalgia crônica das participantes. Palavras-chaves: método pilates, lombalgia,dor crônica. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Evolução Cronológica da Coluna Vertebral com Adição das Curvaturas Lordóticas (Knoplich, 2003). Figura 2 - Formação do Ângulo Lombossacro (Cailliet, 1988). Figura 3 - Músculos Anteversores e Retroversores da Pelve (Tribastone, 2001). Figura 4 - Os Músculos que Equilibram a Pelve (Tribastone, 2001). Figura 5 – Reformer (Becker, 2003). Figura 6 - Cadillac ou Trapézio (Becker, 2003). Figura 7 - High Barrel (Becker, 2003). Figura 8 - Chair (Combo), (Becker, 2003). Figura 9 - Chair (Wunda) (Becker, 2003). Figura 10 - Equipamentos auxiliares (Becker, 2003). LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Resultados do Pré-teste no Grupo Controle. Tabela 2 - Resultados do Pré-teste no Grupo Experimental. Tabela 3 - Tabela 3 - Resultados do Reteste no Grupo Controle. Tabela 4 - Resultados do Reteste no Grupo Experimental Tabela 5 - Comparação do Pré-teste e o Reteste do Grupo Controle Tabela 6 - Comparação do Pré-teste e o Reteste do Grupo Experimental. LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Escala Comportamental; Avaliação Unidimensional da Dor (Serrano, 2003). LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Resultados do Pré-teste no Grupo Controle. Gráfico 2 - Resultados do Pré-teste no Grupo Experimental. Gráfico 3 - Comparação dos Pré-testes do Grupo Controle e do Grupo Experimental.
  • 2. Gráfico 4 - Resultados do Reteste no Grupo Controle Gráfico 5 - Resultados do Reteste no Grupo Experimental. Gráfico 6 - Comparação do Reteste no Grupo Controle e no Grupo Experimental. Gráfico 7 - Comparação do Pré-teste e o Reteste do Grupo Controle. Gráfico 8 - Comparação do Reteste no Grupo Controle e no Grupo Experimental. 1- Introdução O corpo humano é uma máquina maravilhosa e complexa. A partir de duas células provenientes dos pais, desenvolvem-se milhões de células que formam o sangue, os ossos, os músculos, os nervos, a pele, além de outros sistemas e órgãos. Começamos a envelhecer bem cedo. A vitalidade física começa a decrescer por volta de 20 anos e depois continua num ritmo muito mais rápido, dependendo da mudança de hábitos do indivíduo à medida que envelhecem (Allsen; Harrison; Vance, 2001). Segundo Araújo (apud Grorayeb; Barros, 1999), um estilo de vida sedentário pode ter influência no início, no desenvolvimento e na recuperação de vários problemas vasculares e metabólicos. Em contrapartida, a atividade física regular é amplamente reconhecida como medida capaz de diminuir os níveis de risco desses problemas. De acordo com o mesmo autor, a atividade física traz benefícios à maior parte dos componentes estruturais e funcionais do sistema musculoesquelético, aumentando a capacidade funcional, e consequentemente, melhorando a qualidade de vida. Boa parte do declínio da capacidade funcional relacionado à idade deve-se mais a atividade física insuficiente do que a idade. Conforme Allsen; Harrison; Vance (2001), para que a mudança de hábito ocorra com eficiência, deve-se inicialmente optar por uma atividade física prazerosa e com bons resultados fisiológicos e psiquicosociais. Existem vários métodos de prática de exercícios para atingir um estilo de vida saudável. O Método Pilates é um exemplo. Pilates é um método de condicionamento físico que integra o corpo e a mente, restaura o corpo, elimina as dores musculares, amplia a capacidade de executar movimentos, aumentando o controle, a força, o equilíbrio muscular e a consciência corporal. Trabalha o corpo como um todo, corrige a postura e realinha a musculatura, desenvolvendo a estabilidade corporal necessária para uma vida mais saudável e longeva. (Camarão, 2004) Seu criador foi Joseph Humbertus Pilates, nascido em 1880 na Alemanha. Durante a sua infância sempre teve uma saúde frágil e dedicou-se a melhora da sua condição física, praticando vários esportes. Foi um autodidata que aprofundou seus conhecimentos em anatomia, fisiologia e medicina tradicional chinesa desenvolvendo seu método com amplas influências da yoga, artes marciais e estudo do movimento dos animais. Joseph Pilates faleceu aos 87 anos com insuficiência respiratória, em conseqüência do incêndio em seu estúdio. (Abrami; Browne, 2003) Segundo Joseph Pilates (apud Camarão, 2004), os benefícios do método Pilates só dependem da execução dos seus exercícios com fidelidades aos seus princípios, denominado Contrologia, onde a respiração, concentração, fluidez, precisão e controle do movimento, somado ao centro de força, o abdômen, devem estar relacionados. O método é utilizado por educadores físicos, focalizando a adaptação do indivíduo a um novo estilo de vida através da prática de exercícios e por fisioterapeutas que trabalham a reabilitação e prevenção de lesões do sistema musculoesquelético. O método pode ser aplicado de forma interdisciplinar, visto que ambas as profissões tem objetivos em comum, que é o de proporcionar a melhoria na qualidade de vida do ser humano. (Craig, 2005) A prática de exercícios pode influenciar positivamente na qualidade de vida do indivíduo. Porém, um aspecto importante deve ser levado em consideração: a presença de dores crônicas nas atividades de vida diária. Dor é uma qualidade sensorial complexa, puramente subjetiva, difícil de ser definida e frequentemente difícil de ser interpretada. É, atualmente, definida, como resposta desagradável à estímulos associados com real ou potencial dano tecidual. É extensivamente influenciada por ansiedade, depressão, expectativa e outras variáveis psicológicas. Desempenha papel de alerta, comunicando ao indivíduo que algo está errado. Gera acentuados estresses e incapacidades. É a maior causa de afastamento no trabalho, gerando um enorme ônus para a nação (Grorayeb; Barros, 1999). A dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável, podendo ser consequente a estímulo virtual ou potencial lesivo aplicado aos nociceptores (dor nociceptiva ou somática), à lesão do sistema nervoso (dor por injúria neural, neuropática), a fenômenos da natureza puramente psíquica (dor psicogênica) ou a uma associação desses mecanismos. É, essencialmente, uma manifestação subjetiva, variando sua apreciação de indivíduo para indivíduo. Dependendo de sua duração, pode ser classificada em aguda ou crônica (Guyton; Hall, 1996).
  • 3. Dor aguda: é um sintoma biológico de um estímulo nocicepetivo aparente, como dano tecidual devido á doença ou trauma. A dor pode ser altamente localizada e pode irradiar. É descrita em caráter de pontadas e persiste enquanto houver patologia tecidual. A dor aguda tem função de alerta, é autolimitada e, geralmente, desaparece com a resolução do processo patológico. Nos casos em que o controle do processo patológico não é satisfatório, a dor pode tornar-se crônica (Guyton; Hall, 1996). Dor crônica: é um processo de doença. Difere significativamente da dor aguda por ter duração maior que o curso usual de uma doença aguda ou lesão. Essa dor pode estar associada com a continuação da patologia ou pode persistir após a recuperação da doença ou lesão. Como ocorre na dor aguda, se a dor crônica for devido à doença orgânica, ela é efetivamente curada ao se tratar a desordem de base. Geralmente não é bem localizada e tende a ser difusa, dolorida, contínua ou recorrente (Guyton; Hall, 1996). A dor crônica afeta negativamente o cotidiano de uma pessoa e os fatores psiquicosociais e emocionais são influenciados. De acordo com Knoplich (2003), o estado emocional está ligado com a atitude postural do indivíduo. Ainda de acordo com o mesmo autor, os problemas emocionais agem através da tensão nervosa e da tensão muscular, restringindo e agredindo as estruturas da coluna vertebral danificadas, alterando posturas corporais. A boa postura está associada com a saúde e vigor físico e, obviamente, a má postura com doença e mal-estar. A má postura está ligada a fatores musculares inadequados, posições inadequadas, repetitivas, de trabalho ou repouso, que, com o passar dos anos, podem causar distúrbios musculoesqueléticos. (Gaiarsa, 1988) Segundo Feldenkrais (apud Knoplich, 2003), os maus hábitos e vícios de postura podem levar as dores nas costas, em qualquer lugar, desde o pescoço até o final da coluna vertebral. Nesta pesquisa será dado ênfase a dor na região lombar, cuja a denominação é lombalgia. De acordo com Cailliet (1988), a lombalgia é a dor que ocorre nas regiões lombares inferiores, lombossacrais ou sacroilíacas da coluna lombar. Ela pode ser acompanhada de dor que se irradia para uma ou mais nádegas ou para as pernas na distribuição do nervo ciático. Os fatores que levam ao início da dor lombar, bem como a natureza e a duração da dor, propiciam importantes pistas para a busca da provável causa. A lombalgia pode ser causada por esforços repetitivos, excesso de peso, pequenos traumas, condicionamento físico inadequado, erro postural, posição não ergonômica no trabalho (essa é a causa mais comum para a torção e distenção dos músculos e ligamentos que causam lombalgia), osteartrose na coluna, osteofitose e osteoporose, lesão e degeneração do disco intervertebral, caracterizando hérnia de disco. (Greve; Amatuzzi, 1999) A classificação da lombalgia é em aguda e crônica. Ambas podem ser altamente incapacitante para as atividades da vida diária, do trabalho, do lazer e do esporte. Tornam-se mais complicada se há concomitância de fatores predisponentes, como defeitos de posturas, alterações das vértebras, degeneração dos discos e fraquezas musculares. (Knoplich, 2003) Lombalgia aguda: é uma dor de início súbito, seguido de injúria no local, de curta duração, de dor intensa e obriga a pessoa adquirir posição antálgica. (Knoplich, 2003) Lombalgia crônica: tem o início impreciso, é menos intensa, com períodos de melhora e piora. (Knoplich, 2003) A lombalgia deve ser tratada direcionando o alívio das causas e pode incluir perda de peso, exercícios para melhorar o tônus e a resistência musculares e melhora da postura. Atividade física é benéfica e as pessoas que praticam diminuem o grau de dor mais rápido e têm menores chances de recidivas futuras. (Greve; Amatuzzi, 1999) Objetivo principal do tratamento das lombalgias crônica, é a correção postural, através de alongamentos e o fortalecimento dos músculos abdominais (Kisner; Colby, 1992). Com aplicação do método pilates, a pessoa estará se exercitando, melhorando seu condicionamento físico, sua postura e adotando um estilo de vida saudável, proporcionando bem-estar físico e mental. (Dillman, 2004) Diante disso, esta pesquisa experimental visa detectar os efeitos do método Pilates em mulheres com lombalgia crônica. 2- Revisão Literária 2.1 Método Pilates Estando 50 anos a frente de seu tempo, o método pilates atingiu seu sucesso somente a partir da década de 1990 e no início do século 21. Faz sentido, já que a atual tendência do exercício físico é a busca de qualidade de vida através de soluções holísticas, que harmonizem corpo e mente (Craig, 2005). A teoria e prática do método pilates ficou bem explicada pelo próprio criador, Joseph Humberts Pilates, em seu livro Return to Life Trought Contrology, no qual definia a sua técnica como a completa interação entre corpo, mente e espírito. Uma de suas máximas era: “Nem muito pouco, nem em excesso” (Camarão, 2004).
  • 4. O pilates é um método revolucionário que fortalece e alonga o músculo sem causar qualquer lesão à pessoa que pratica. Não são feitos exercícios localizados. A cada aula, o corpo como um todo é trabalhado (Becker, 2003). Segundo Joseph Pilates (apud Camarão, 2004): “Estes exercícios são o que as pessoas vão querer e precisar no novo milênio”. Com o passar do tempo e o progresso da tecnologia, a vida de todos nós se tornou menos ativa e consequentemente menos sadia. Muitas pessoas têm este conhecimento e buscam atividades físicas que lhe dêem prazer e resultados e que garantam uma vida de melhor qualidade e bem estar, embora ainda haja muitas pessoas sedentárias e que não se preocupam com estes fatores. É um método de condicionamento físico e mental, com exercícios de baixo esforço, de forma geral, usando diferentes aparelhos e equipamentos, como o objetivo de fortalecer e alongar a musculatura corporal, resultando na melhora da postura e da forma corporal (Fernandez, 2006) De acordo com Joseph Pilates (apud Abrami; Browne, 2003), o condicionamento físico atingido no método pilates caracteriza-se pela obtenção e manutenção de um corpo uniformemente desenvolvido, que nos permite executar tarefas diárias de maneira mais fácil e natural. A integração entre corpo e mente ocorre na medida em que esse condicionamento adquirido faz com que realizemos nossas atividades com prazer e entusiasmo. “É a mente que constrói o corpo”. Já dizia Frederich Von Shiler, poeta e filósofo alemão (apud Camarão, 2004). O corpo treinado e controlado de forma ativa através da mente. A meta de Joseph Pilates era tornar as pessoas mais conscientes de si mesmas, transformando o corpo e a mente numa entidade única. Segundo Joseph Pilates (apud Craig, 2005), forçar o corpo em posições desequilibradas ou em fortes tensões, empurrando ou carregando o corpo em sucessivos movimentos até a exaustão é igual a executar exercícios artificiais. A filosofia central de Joseph Pilates era: a percepção da capacidade física, a correção dos desequilíbrios e fraquezas e a realização dos movimentos com economia de energia (Dillman, 2004). 2.1.1- Histórico de Joseph Humberts Pilates Joseph Humbertus Pilates nasceu em 1880, nos arredores de Düsseldorf, na Alemanha. Desde criança muito doente, teve raquistismo, febre reumática e asma. Para superar sua debilidade física resolveu dedicar-se a esportes como ginástica, esqui, boxe e luta romana, para adquirir força muscular e corpo saudável. Aos 14 anos, já exibia invejável boa forma e dedicou-se ao fisiculturismo chegando a posar para cartazes de anatomia (Panelli, 2006). Segundo Dillman (2004), em 1912, Pilates mudou-se para a Inglaterra, onde exerceu várias atividades: lutador de boxe, performance em circo e instrutor de autodefesa. Quando a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) explodiu, Pilates, por ser alemão, foi confinado em um campo de prisioneiros, com outros compatriotas. Nesse período ele desenvolveu exercícios para manter a si e aos companheiros saudáveis. Usou as camas e outros artefatos para construir os protótipos dos aparelhos, que são encontrados ainda hoje nos estúdios de pilates. Anos depois, pilates atribui a esses exercícios a sobrevivência dos prisioneiros que não pegaram a epidemia de Influenza em 1918, que matou milhares de ingleses. Foi também o excelente condicionamento físico que os protegeu, inclusive, de outras doenças comuns em locais onde existe uma grande concentração de pessoas em condições desfavoráveis. No final da guerra, Pilates voltou à Alemanha, onde continuou a desenvolver seu método, que chamou a atenção, em primeiro lugar, de membros do mundo da dança, como Rudolf Von Laban, Martha Graham e George Balanchine. Mas, quando foi chamado para treinar a nova polícia da Alemanha, com seu método, Pilates resolver sair do país e escolheu os Estados Unidos para viver (Abrami; Browne, 2003). Isso, em 1926, no navio, indo para Nova York, conheceu a enfermeira Clara, e logo descobriram afinidades: o interesse pela saúde e em como manter o corpo saudável. Mais tarde acabaram se casando. Durante a viagem, eles resolveram que iriam abrir um estúdio de fitness juntos, o qual veio a ser instalado no mesmo prédio de bailarinos famosos no New York City Ballet (Becker, 2003). Na América, o método criado por Pilates continuou atraindo bailarinos, por complementar o treinamento tradicional deles. Mas também caiu no gosto de atores, atrizes, atletas, socialites e pessoas comuns, todos querendo praticar o único método que fortalece o corpo, sem deixá- lo excessivamente musculoso (CDOF, 1999). Craig (2005) afirma que o método original trabalhava com a retificação da coluna, contração do abdômen, dos glúteos e do assoalho pélvico, que Pilates chamava de Power House. Ele dizia que todo movimento deve sair do abdômen. Estava correto. Só que, a partir do momento em que faz uma retificação de coluna, você está forçando a sua fisiologia. Com a evolução científica, o Pilates moderno não trabalha mais com a coluna retificada, procura preservar e restaurar as suas curvas fisiológicas, com a posição neutra da coluna. Pilates estava 50 anos à frente de seu tempo. A definição de Pilates para o condicionamento
  • 5. físico ideal é: obtenção e a manutenção do desenvolvimento uniforme do corpo, da saúde mental e ser capaz de executar com facilidade, naturalidade e espontaneidade nossas várias tarefas diárias (Camarão, 2004). 2.1.2- Criação do Método O alemão Joseph Pilates passou a sua infância e parte da sua adolescência lutando contra sua saúde frágil. Sua determinação levou a transformar-se em atleta praticante de várias modalidades esportivas (Mamber; Sgarioni, 2002). Mas ao mesmo tempo em que se exercitava, o jovem Pilates passou a se interessar pela anatomia e fisiologia humana, em especial a musculatura corporal. Pilates estudou as várias formas de movimento, tanto ocidentais quanto orientais, incluindo yoga, zen. Foi buscar inspiração inclusive nas técnicas Gregas e Romanas. As combinações de todas essas práticas o tornaram capaz de mais tarde formular seu método (Craig, 2005). No período que deflagrou a 1ª Guerra Mundial e Pilates ficou detido, aplicou seu método de ginástica aos outros internos, que desenvolveram a musculatura, ficaram mais fortes e não foram contaminados pela epidemia da época. Pilates aplicou também seu método em pessoas mutiladas, incapacitadas e enfermas. Para isso adaptou as camas e as cadeiras da enfermaria, desenvolvendo máquinas que ajudaram na reabilitação dessas pessoas. Aquelas máquinas são modelos dos equipamentos usados até hoje (Panelli, 2006). Portanto, o alemão Joseph Pilates criou um método revolucionário de se exercitar, integrando corpo, mente e espírito. 2.1.3- Princípios Segundo Joseph Pilates (apud Camarão, 2004), os benefícios do método pilates só dependem da execução dos exercícios com fidelidade aos seus princípios. O método pilates é a fusão da abordagem oriental e ocidental. Através das técnicas orientais que visam o relaxamento, respiração, concentração, controle e flexibilidade somados a técnica ocidental visando a ênfase no movimento com força. Surgiu então a essência dos princípios do método pilates (Craig, 2005). A mente molda o corpo e o corpo bem preparado dá condição da mente transcender. Que por sua vez geraria um corpo ainda melhor. Estes conceitos orientais e a necessidade do fortalecimento corporal e as definições e contornos musculares, visão ocidental, fez com que Joseph Pilates definisse os seis princípios básicos do seu método, denominado Contrologia (Abrami; Browne, 2003). A execução de qualquer movimento tem início na ativação do centro de força, que através da respiração e concentração, somado ao controle, a precisão e fluidez realizam o exercício com perfeição (Peixoto; Ribamar, 2002). 2.1.3.1- Concentração Seu corpo e sua mente trabalham juntos. A cada movimento realizado você se concentra no que e como está fazendo o exercício. Desenvolve maior consciência do espaço que você ocupa e o que você está fazendo com cada parte do seu corpo (Craig, 2005). A concentração em cada movimento do seu corpo evita que os exercícios sejam realizados de forma automatizada e repetitiva. 2.1.3.2- Respiração A respiração é o grande diferencial para se obter um resultado profundo com os exercícios do pilates. A respiração eficiente está diretamente ligada à saúde. Ela estimula as células, aumenta a oxigenação do sangue, elimina os gases nocivos e, junto com os exercícios, ajuda a relaxar os músculos, diminuindo o nível de tensão, ajudando no controle dos movimentos (Camarão, 2004). Inspire pelo nariz e expire pela boca. Na inspiração você leva o ar para a parte lateral da sua caixa torácica; na expiração você ativa o transverso abdominal, usando a imagem do umbigo colado a sua coluna. Essa contração deverá ser mantida durante todos os exercícios, ajudando na estabilização da região lombar e pélvica (Craig, 2005). Respire o mais profundo e consciente possível. A respiração está ligada a concentração. 2.1.3.3- Centro de Força É formado pelo abdômen, região lombar e as nádegas. São responsáveis pela sustentação dos órgãos internos, da coluna e pela postura (Dillman, 2004). Segundo Abrami; Browne (2003), o ponto focal do método pilates é o centro de força. Para iniciar qualquer exercício, deve ser ativado o centro de força para a estabilização do tronco. O fortalecimento é uma conseqüência natural no método. Os exercícios devem ser feitos com postura correta para que possa restaurar seu equilíbrio muscular, devolvendo ao corpo, maior mobilidade e um funcionamento saudável. O método restabelece as curvaturas fisiológicas da coluna acionando o centro de força. (Peixoto;
  • 6. Ribamar, 2002). A respiração e a concentração estão diretamente ligadas com a ativação do centro de força. 2.1.3.4- Controle ou Coordenação O controle é fundamental para a eficiência, eficácia e a segurança na execução dos exercícios. Se o exercício for do nível avançado e não for capaz de executá-lo até o fim com perfeição, este deve ser fragmentado para níveis iniciais de aprendizado, conforme orientação de instrutor capacitado, para que possa ser praticado com excelência como determina o Método Pilates (Craig, 2005). O movimento deve ser controlado e coordenado pela mente, justificando a ligação com a concentração. O controle do movimento o torna harmonioso, sem sobrecargas e compensações musculares (Camarão, 2004). 2.1.3.5- Precisão O controle está diretamente ligado com a precisão. A precisão é a perfeita comunicação entre a mente e o corpo. É a mente com total controle sobre o corpo e os dois trabalhando simultaneamente (Dillman, 2004). Segundo Craig (2005), a precisão define a perfeição do movimento. Para isso é necessário que o centro de força esteja acionado, que o praticante esteja concentrado e com total controle do corpo. A execução de movimentos precisos inicia com um bom alinhamento corporal e posicionamento postural. Dessa forma, os músculos corretos estão sendo ativados e o desenvolvimento da musculatura e do corpo em geral estão equilibrados. (Abrami; Browne, 2003). 2.1.3.6- Fluidez Fluidez, harmonia e beleza: esta tríade define o que devemos buscar ao executar os movimentos durante a prática do método pilates (Camarão, 2004). Os movimentos devem ser executados harmoniosamente, no ritmo respiratório, de forma lenta, com leveza e com o máximo de amplitude articular (Barreto, 2006). Segundo Joseph Pilates (apud Craig, 2005): “Não interessa o que você faz e, sim, como você faz”. Sendo assim, o método pilates deve ser praticado com foco voltado aos princípios de Joseph Pilates. 2.1.4- Objetivo O Método Pilates é um programa de condicionamento corporal que promove a harmonia entre o corpo e a mente (Souza, 2006). O objetivo principal do método é proporcionar aos seres humanos um aprofundamento na compreensão de seus corpos. Desse modo, todos poderão usá-los de forma mais eficiente, aprimorando seu desempenho nas atividades de vida diária e profissional (Bergamo; Hayashida, 2003). Alcançar o condicionamento físico ideal está relacionado diretamente com a prática de uma atividade física, assim como a nutrição e controle de peso, a composição corporal a resistência cardiovascular (Allsen; Harrison; Vance, 2001). Portanto, o Método Pilates é uma opção de treinamento que contribui no processo para alcançar um estado de condicionamento físico. A capacidade de trabalhar com vigor e prazer sem se sentir cansado indevidamente, e adquirir um estilo de vida que produza saúde e felicidade é um dos objetivos do Método Pilates (Craig, 2005). 2.1.5- Indicação e Contra-Indicação A vantagem do método pilates está no fato de ser um sistema que atende à realidade de praticantes de qualquer idade, sexo ou nível de aptidão, dando bons resultados se a pessoa for um completo iniciante, um amador de exercícios físicos ou mesmo um atleta profissional (Dillman, 2004). Segundo Camarão (2004), independente da idade, qualquer pessoa pode ser beneficiada com este método que melhora a qualidade de vida e oferece resultados rápidos. Mas para obter os benefícios do Pilates é preciso ser disciplinado. De acordo com Abrami; Browne (2003), o interessante é que a atividade possa ser desenvolvida atendendo as necessidades específicas de cada praticante. Os exercícios são adaptados conforme as condições físicas do praticante, não havendo contra indicações. Há os exercícios que podem ser evitados, mas existem outros que se encaixam nas necessidades físicas do praticante. Cada praticante é visto como um ser diferente, não há um programa rígido que deve ser seguido a todos que entram no estúdio. As aulas são adequadas com o
  • 7. biotipo, estado de condicionamento e a capacidade do praticante. Para alguns praticantes, o respeito aos seus limites de esforços físicos é importantíssimo. O interessante é que não sintam o corpo desgastado por uma atividade física extenuante, onde os músculos são sobrecarregados. O ideal a esse público é sentir os benefícios do treinamento em sua flexibilidade, postura, força, alívio das dores crônicas de forma agradável (Tribastone, 2001). Já outros praticantes, acostumados a exercícios fortes e a esportes de ação, a princípio estranham a leveza e fluidez dos movimentos do Método Pilates. Mas logo se surpreendem com a intensidade do treinamento e com os profundos ganhos em equilíbrio, alinhamento, elasticidade, eficiência na realização de potenciais de força muscular e proteção contra lesões (Abrami; Browne, 2003). Para Craig (2005), nas recuperações de lesões, o método apresenta características de baixo impacto, proteção das articulações, bom estímulo à recuperação de tecidos musculares e correção da postura e respiração, além da melhora da auto-estima. Segundo Becker (2003), este método de condicionamento corporal promove harmonia e balanço muscular em todas as idades, sem contra-indicações, condicionando e energizando seu corpo através dos exercícios. Conscientizando alinhamentos e encaixes, o Método põe a coluna vertebral em prumo, sustentada por um suporte muscular central firme e eficiente, corrigindo sobrecargas indevidas em outras regiões do corpo e liberando-as para desenvolverem suas próprias potencialidades em harmonia e com equilíbrio (Dillman, 2004). Os exercícios podem ser praticados por qualquer indivíduo, desde atleta até o sedentário, do idoso ao adolescente, da grávida a pacientes em fase de reabilitação, podendo ser recomendado como condicionamento para prevenção de lesões (Barreto, 2006). Segundo Joseph Pilates (apud Camarão, 2004), o método deve ser aplicado em crianças a partir de 12 anos de idade por acreditar que crianças mais jovens, não apresentam capacidade e maturidade para concentração suficiente para a execução dos exercícios. Antes de iniciar qualquer tipo de atividade física, o ideal é que seja procurado um médico para ser feito uma avaliação. Isso é fundamental para evitar riscos que comprometam a saúde do praticante, a qualidade na execução do método e o profissional que está aplicando a atividade física (Craig, 2005). 2.1.6- Aplicação Em aproximadamente 500 exercícios realizados no solo ou nos aparelhos criados por Joseph Pilates, o método visa à obtenção de ótimo condicionamento físico através do desenvolvimento uniforme de corpo e mente, de forma que qualquer ser humano seja capaz de executar todas as suas tarefas e ocupações diárias com facilidade, naturalidade e espontaneidade (Abrami; Browne, 2003). A prática do método é baseada em exercícios rítmicos de força e alongamentos e com bastantes trabalhos concêntricos e excêntricos de abdômen e músculos lombares. Os exercícios são executados sempre de forma ativa pelo praticante, nada passivamente. O praticante controla os equipamentos executando os exercícios e assim fortalece, alonga e massageia o corpo, evoluindo de acordo com a capacidade individual. Durante os exercícios, as molas dos aparelhos, as cordas, os elásticos e os acessórios proporcionam assistência e resistência aos movimentos. Os aparelhos facilitam e reeducam o movimento (Becker, 2003). Muitos dos exercícios foram baseados nas técnicas do Hatha Yoga, exercícios gregos e romanos e a respiração profunda eliminam a tensão e aumenta a histamina no organismo (Craig, 2005). Ao iniciar as aulas, o praticante passa por uma anamnese, avaliação física e então os exercícios são planejados de acordo com as necessidades físicas e interesses do cliente (Camarão, 2004). Há três níveis de aprendizado: básico, intermediário e avançado. Todos os exercícios podem ser modificados e segmentados para adequar com as condições do praticante. Após perfeita execução os exercícios vão evoluindo acompanhando a sincronia da mente e do corpo (Abrami; Browne, 2003). Segundo Camarão (2004), as aulas são intercaladas com exercícios no solo e nos equipamentos, começando com solturas das articulações, é uma espécie de espreguiçar, e são finalizados com um relaxamento. Para Dillman (2004), o ambiente deve ser confortável, agradável e atrativo. Deve-se ter uma música relaxante, temperatura ideal, nem muito calor e nem muito frio, a sala sempre muito limpa e higienizada, os materiais organizados. A sala deve ter um espelho para que durante a execução dos exercícios o praticante possa corrigir a postura, ajudando a criar ou melhorar a consciência corporal (Tribastone, 2001). O praticante deve usar roupa apropriada, de malha que facilite a sua mobilidade, sem calçados, usando apenas meias (CDOF, 1999). Os exercícios devem ser efetuados em média de 06 a 08 repetições, ou seja, baixas
  • 8. repetições e alta concentração, pois o que se busca não é a massa física, mas sim a execução de forma lenta, para que se tenha tempo de organizar o tronco, trabalhando a musculatura de forma pensada. Segundo Joseph Pilates (apud Camarão, 2004), a quantidade ideal de exercícios não é nem muito pouco, nem em excesso, diz ainda que não interessa a quantidade de repetições, mas a qualidade da execução. A variedade de exercícios possibilita as poucas repetições das séries, a diversificação durante as aulas, que devem ser realizadas no mínimo duas vezes na semana, evitar a monotonia, podendo adaptar os exercícios a qualquer pessoa. A prática é livre de impactos e não causa sobrecarga, o que torna rara a ocorrência de lesões e de dores musculares. É imprescindível o controle dos movimentos e a individualidade no trabalho (Craig, 2005). Durante a aplicação dos exercícios é comum por parte do professor o uso de figuras de imagens, visando facilitar o entendimento do aluno para que este associe com o seu corpo e possa executar os exercícios perfeitamente. Exemplo usado para acionar a musculatura abdominal é pedindo para o praticante imaginar o teu umbigo encostando-se à região lombar (Abrami; Browne, 2003). Os exercícios devem ser praticados de forma agradável, relaxante e com facilidade na execução, já que devem ser modificados para adaptar as necessidades do praticante. Portanto, a execução não pode causar dores, exaustões, grandes tensões e nem sobrecargas. O aluno tem que sentir prazer em praticar o método. Jamais a conseqüência do dia seguinte deve ser a dor muscular, fadigas e aumento do estresse. Por isso o aluno deve estar bem instruído e não praticar o método em grupos maiores de 04 pessoas. O ideal é a individualidade no atendimento, pois o comando verbal, através das figuras de imagens e o contato manual na região que deve ser acionada a musculatura garantem a qualidade e precisão na execução do método (Dillman, 2004). Porém, a garantia da eficiência do método pilates está na execução dos exercícios seguindo os seus princípios básicos, a contrologia. A aplicação do método só tem resultado com a fidelidade aos seus princípios (Camarão, 2004). 2.1.6.1- Dicas para Instruir a Prática dos Exercícios de Forma Perfeita As instruções de um profissional capacitado interferem diretamente na execução dos exercícios com perfeição (Craig, 2005). A fidelidade aos princípios e a perfeita execução garante os resultados do método pilates e o diferencia dos demais modos de praticar uma atividade física (Abrami; Browne, 2003). Segundo Camarão (2004), segue algumas dicas para que o praticante seje bem orientado à alcançar a perfeição dentro dos seus limites. 1. Respeite os limites do seu corpo; 2. Pare imediatamente ao sentir dor. Modifique o movimento para continuar ou pule este exercício. Caso a dor persista, procure o médico; 3. Pilates é a qualidade de movimento, e não a quantidade. Faça menos repetições; 4. Procure a perfeição em cada movimento; 5. Execute movimentos com precisão; 6. Respeite sempre o número máximo de 08 repetições; 7. Faça os exercícios lentamente e com controle para ganhar força e resistência muscular; 8. Faça os movimentos de forma relaxada, com graça e fluidez; 9. Concentre-se nos movimentos que está executando; 10. Busque a integração do seu corpo com sua mente; 11. Respire a cada movimento; 12. Mantenha sempre seu abdômen profundamente contraído. Imagine seu umbigo cada vez mais colado à sua coluna; 13. Verifique se você está fazendo os exercícios com a postura correta; 14. Mude de nível somente após executar os exercícios do nível em que está com facilidade. 2.1.7- Benefícios O método oferece um programa de exercícios que estimulam a circulação e oxigenação do sangue, melhora o condicionamento físico geral, a flexibilidade, a amplitude muscular e o alinhamento postural adequado. Além disso, promove melhoras nos níveis de consciência corporal, da coordenação motora e do controle muscular (Souza, 2006). Todos esses benefícios citados ajudam a prevenir e reduzir o risco de lesões e proporcionam o alívio das dores (Dillman, 2004). Segundo Camarão (2004), para a coluna vertebral, o método fortalece, alonga e equilibra toda a musculatura, alinhando e descomprimindo tensões. Ajuda aliviar pinçamentos e compressões de disco, o que facilita a circulação de sangue nessas regiões. Os exercícios são executados com estabilização da pelve e a coluna em posição neutra, e conforme Craig (2005) o respeito as curvaturas fisiológicas, é importante para que a musculatura tenha ganhos com o alongamento, fortalecimento e equilíbrio, proporcionando um perfeito alinhamento corporal.
  • 9. Com a certeza, de que os músculos devem ser fortes e flexíveis para se manterem bonitos e saudáveis, o método pilates através dos seus exercícios, fortalece os músculos fracos, alonga os encurtados e aumenta a mobilidade das articulações. Movimentos fluentes são feitos sem pressa e com muito controle para evitar estresse. O alinhamento postural é importante em todos os exercícios ajudando na melhora da postura global do indivíduo (Bergamo; Hauashida, 2003). O método proporciona ainda uma melhoria no desempenho sexual e na incontinência urinárias, pois trabalha a musculatura do assoalho pélvico (Craig, 2005). O diferencial do método está na visão holística do seu criador, de mente sã e corpo são. Através disso, o praticante se beneficia da integração do corpo e da mente, do condicionamento mental, do alívio do estresse e dores crônicas, melhora da auto-estima, da conscientização corporal, promovendo o relaxamento (Mamber; Sgarioni, 2002). Através da respiração, a capacidade respiratória e mobilidade da caixa torácica e diafragmática melhoram (Campignion, 1998). O método promove o auto-conhecimento e a harmonia dos movimentos necessários para a qualidade nas atividades da vida diária, proporcionando um estilo de vida saudável. 2.2- Aspectos Anatômicos da Região Lombar A função do segmento lombar é o de sustentação da cabeça, membros superiores e tronco, movimento, além de proteção da medula espinhal. A coluna lombar é composta por 05 vértebras articuladas entre si pelo disco intervertebral e por 02 pares de articulações interapofisárias. O corpo vertebral ocupa a porção ventral da coluna e se articula com o adjacente através da interposição do disco intervertebral (Greve; Amatuzzi, 1999). O disco intervertrabral é composto por um núcleo pulposo e externamente pelo o anel fibroso. A matriz do núcleo pulposo contém aproximadamente 80% lâminas fibrocartilaginosas dispostas em diferentes direções. A perfeita integridade do disco é fundamental para a biomecânica da coluna, pois participa da sua estabilização e flexibilidade e, juntamente com o corpo vertebral, resiste às forças de compressão (Rasch; Burke, 1977). A conformação do disco intervertebral também participa da gênese da lordose lombar devido a menor altura de sua porção posterior. Para a estabilidade do compartimento anterior da coluna, concorrem os ligamentos longitudinais anterior e posterior, que recobrem respectivamente a face anterior e posterior do corpo vertebral, e do disco intervertebral (Greve; Amatuzzi, 1999). As articulações interapofisárias são diartrodiais, possuindo cartilagem, membrana sinovial e líquido sinovial. São estabilizadas pelas cápsulas articulares e por ligamentos. Tem a função de orientar e limitar o movimento da coluna, o que é feito de acordo com a direção de suas facetas articulares (Sobotta, 1995). O arcabouço ósseo e o disco intervertebral dão forma ao canal vertebral, que contém e protege a medula espinhal, raízes nervosas e sua meninge, e aos forames intervertebrais, trajetos das raízes. O canal é recoberto anteriormente pelo ligamento longitudinal posterior e posteriormente o ligamento amarelo (Kapandji, 2000). Eminências ósseas (um processo espinhoso e dois transverso por vértebra) ancoram o ligamentos e músculos e são submetidas a forças de tração. Encontram-se ai o ligamento supra-espinhoso, que recobre longitudinalmente os ápices dos processos espinhosos, e os processos intertransversos adjacentes. A musculatura participa importantemente da estabilização e forma da coluna e é responsável pelos movimentos de flexão, extensão, lateralização e rotação (Kendal, 1995). Segundo Greve; Amatuzzi (1999), a coluna lombar é irrigada pelas artérias segmentares oriundas da aorta. A drenagem venosa depende das veias vertebrobasilares e intercostais e plexos venosos. A inervação se faz por ramos dos nervos espinhais: nervos meníngeos recorrentes e ramos da divisão primária posterior. A nocicepção origina-se de terminações nervosas livres localizadas no periósteo, cápsulas articulares, anel fibroso, vasos sanguíneos, músculos e ligamentos. 2.3- A Postura Ereta A posição ereta bípede do homem resultou da evolução da espécie em milhões de anos da seleção natural, segundo a concepção darwiana, pela qual as espécies que apresentavam variações favoráveis são preservadas e as que apresentam mudanças desfavoráveis tendem a ser destruídas (Knoplich, 2003). O homem é da família dos primatas, que inclui, entre outros, os macacos, e é de aparecimento tardio na evolução, estando incluída na classe dos mamíferos. Os primeiros mamíferos apareceram na terra 90 – 50 milhões de anos atrás, depois da queda dos répteis e eram pequenos comedores de insetos que, graças aos seus membros móveis, podiam se manter na água e se arrastar na terra. A pronação, desenvolvida durante a vida aquática, já era natural para eles, e com o passar do tempo se adaptaram a subir em objetos no chão e em árvores. Gradualmente, os membros posteriores se adaptaram para sustentar o
  • 10. peso do corpo, as mãos para apanhar comida e segurar objetos interessantes para melhor examina-los (Knoplich, 2003). Nesse período, os mamíferos tiravam a sua alimentação das árvores altas, e assim tinham de desenvolver agilidade e destreza. Através da seleção natural, da sobrevivência do mais apto, ocorreu que os olhos se deslocaram mais para a frente, permitindo uma visão tridimensional, em profundidade, e com isso o cérebro foi aumentando de tamanho, até atingir seu ápice nos macacos, que correspondem na evolução da espécie aos seres que surgiram há milhões de anos atrás (Cailliet, 1988). Os cinco dígitos se desenvolveram em cada um dos membros, que posteriormente se tornaram móveis; surgiu a clavícula, que serviu de suporte, quando os braços se moviam lateralmente (Rasch; Burke, 1977). Segundo Erhast (1996), talvez por condições climáticas desfavoráveis, as vegetações altas diminuíram e desenvolveu-se a vegetação rasteira, e esses macacos tiveram de competir com animais quadrúpedes, rápidos e adaptados por milhões de anos à tarefa de caçar e comer carne. Outra vez sob a pressão da seleção natural, nossos ancestrais tiveram que adotar uma postura mais ereta, para continuar apanhando a alimentação vegetariana nas árvores e melhor se defender, para caçar, para comer e digerir a carne. A adoção da postura ereta esteve associada à libertação dos membros superiores da locomoção para a fabricação de objetos e instrumentos de caça, além de aumentar o campo de visão (Knoplich, 2003). Devido a necessidade de apreensão dos galhos para se alimentar, o polegar ficou afastados dos outros dedos, o mesmo ocorrendo com os pés. A medida que o homem foi deixando as árvores e passando a andar no chão, o grande artelho dos pés foi perdendo essa função de apreensão e passou a colaborar no equilíbrio do corpo e, na evolução de milhões de anos, veios para frente como os outros dedos, como atualmente (Knoplich, 2003). Quando o homem ficou apoiado sobre os dois pés, a função da pélvis ficou mais complexa, porque teve que sustentar todo o peso do corpo. De início houve a necessidade de aumentar a eficiência do assoalho pélvico. O glúteo maior se deslocou para trás da articulação do quadril para se tornar extensor, tornando-se assim possível a posição ereta e o andar (Rasch; Burke, 1977). Uma grande adaptação muscular ocorreu na região lombar para manter a posição ereta. Os músculos que ligam a coluna lombar com o fêmur, iliopsoas, permaneciam encurtados para manter a flexão do quadril na posição quadrúpede. Estes tiveram que se estender para a manutenção da posição bípede. O mesmo ocorreu com os isquiotibiais. Tiveram que agir para manter o tronco para trás, ereto, pois vivia flexionado para frente (Cailliet, 1988). Os paravertebrais se tornaram um importante músculo antigravitacional, assim como glúteo máximo, tríceps sural, tibial anterior, quadríceps, iliopsoas, abdominais e flexores do pescoço (Kapandji, 2000). Portanto o homem adquiriu uma postura bípede, mudando o centro da gravidade, e dependendo das estruturas musculares para se manter nessa posição e conseguir se movimentar. Para isso as estruturas devem estar equilibradas. 2.3.1 A Formação da Curvatura Lordótica da Coluna Vertebral Segundo Knoplich (2003), a posição ereta do homem só foi possível pelas modificações que surgiram na coluna. A cabeça teve de se equilibrar na porção superior da coluna e, assim, permitir que os olhos pudessem ficar voltados para frente; a cabeça e o tronco tiveram de se equilibrar sobre os membros inferiores, por meio da cintura pélvica; e o corpo todo teve de se apoiar no espaço ocupado pelas plantas dos pés, com isso modificando o centro de gravidade. Essas manobras só foram possíveis pelo aparecimento das curvas lordóticas secundárias, na região cervical e na lombossacra, e nisso desempenhou papel fundamental a massa muscular, por desenvolver uma força antigravitacional poderosa, que permitisse aos primitivos seres antropóides erguer-se do chão, adquirir a postura ereta, mantê-la e andar. Esses atos eram voluntários, comandados pelo sistema nervoso central, e, com o passar dos séculos, transformaram-se em atos regulados pelo sistema nervoso involuntário e pelo sistema fuso muscular; ou sistema gama (Cailliet, 1988). O feto da espécie humana encontra-se, no útero, numa posição de flexão total, com a coluna em “C” cifótica. O único músculo de inervação voluntário que está em atividade é o ílio-psoas, que permite ao feto dar pontapés. Este, porém, não pode dar cabeçadas. Na vida pós-natal, a criança consegue, logo nas primeiras semanas, levantar a cabeça, o que é feito pela presença da musculatura antigravitacional do pescoço e resulta na formação da lordose cervical. Durante os dois primeiros anos de vida, as vértebras lombares crescem rapidamente, com conseqüente alongamento lombar e aumento das nádegas, resultantes da posição ereta (Ascher, 1976). A adição das duas curvaturas lordóticas representa primariamente o efeito antigravitário dos músculos eretores que se desenvolvem na criança quando tenta e finalmente consegue adquirir a postura ereta em pé. As curvas lordóticas originam-se da força dos músculos
  • 11. antigravitacionaise a fraqueza da musculatura oposta, tal como os abdominais e os flexores do pescoço (Caillet, 1988). Figura 1 - Evolução Cronológica da Coluna Vertebral com Adição das Curvaturas Lordóticas (Knoplich, 2003). De acordo com Roaf (apud Knoplich, 2003), a lordose lombar é causada grandemente pela incapacidade dos flexores do quadril de estirarem-se e alongarem-se. Na posição fetal, os quadris e joelhos estão fletidos. Como os quadris se estendem para assumir a postura ereta, a extensão das articulações coxofemurais causa tração simultânea da coluna lombar através da inserção do psoas, causando convexidade anterior ou lordose. O adulto ereto exibe curvas fisiológicas equilibradas. A configuração estática da coluna pode ser considerada uma “boa postura”, não cansativa e indolor para o indivíduo, que pode permanecer ereto por períodos de tempo razoáveis, e apresentar uma aparência esteticamente aceitável (Greve; Amatuzzi, 1999). A postura de pé é um dos alinhamentos esqueléticos aperfeiçoados como um arranjo relativo das partes do corpo em um estado de equilíbrio que protege as estruturas de suporte do corpo contra lesões ou deformidades progressivas. 2.3.2 Definição de Postura O termo postura deriva da síncope da palavra positura que, modernizando-se, não só perdeu uma vogal, mas complicou notavelmente o seu significado original de posição, atitude ou hábitos posturais (Cailliet, 1988). Segundo Tribastone (2001), por postura podemos entender, que é a posição otimizada, mantida com característica automática e espontânea, de um organismo em perfeita harmonia com a força antigravitacional e predisposto a passar do estado de repouso ao estado de movimento. Funcionalmente, pode ser considerada o conjunto de relações existentes entre o organismo como um todo, com as várias partes do corpo e o ambiente que o cerca. Substancialmente, vai de acordo com um complexo sistema de muitos moldes, no qual intervém, além do caráter biomecânico, um conjunto de variáveis. De acordo com Cailliet (1988), a postura é expressão somática de emoções, impulsos e regressões. Cada um reflete, inconscientemente, no movimento exterior, a condição interior e a sua personalidade. Assim, a postura é considerada uma verdadeira e própria forma de linguagem, uma vez que cada um se move assim como se sente: por exemplo, uma pessoa cansada e deprimida apresenta ombros caídos, o dorso encurvado e o colo deprimido. A postura exprime o que experimenta um organismo na situação atual, como ele a vive, e é, por isso, uma resposta global de acomodação ao ambiente, uma correlação entre os aspectos corporais e mentais do comportamento. Grorayeb; Barros Neto (1999) definem como postura, a posição do corpo no espaço que dá um bom relacionamento entre as partes, com o menor esforço, evitando fadiga. É óbvio que, com isso, pode-se admitir que existam posturas melhores e uma ideal. Para Kendall e col. (apud Knoplich, 2003), postura é a posição do corpo que envolve o mínimo de estiramento e de estresse das estruturas do corpo, e com o menor gasto energético para se obter o máximo de eficiência no uso do corpo. Segundo Kapandji (2000), há uma aceitação geral de que, quando temos uma postura “boa” ou ideal, a linha da gravidade deve passar pelos seguintes pontos: apófise mastóide, extremidade do ombro, quadril e anteriormente ao tornozelo. Segundo a Academia Americana de Ortopedia (apud Knoplich, 2003), a postura é usualmente definida como o arranjo relativo das partes do corpo. Uma boa postura é o estado de equilíbrio muscular e esquelético, que protege as estruturas de suporte do corpo, os músculos e ossos, contra lesões ou deformidades progressivas, independente da atitude na quais estas estruturas estejam trabalhando ou descansando. Sob tais condições, os músculos funcionarão mais eficientemente e posições ótimas são proporcionadas aos órgãos torácicos e abdominais. Uma postura pobre é uma relação defeituosa das várias partes do corpo, que produz um esforço aumentado sobre as estruturas de suporte e na qual há um equilíbrio menos eficiente sobre a base de suporte.
  • 12. De acordo com Feldenkrais (apud Tribastone, 2001), há também fatores orgânicos, doenças tais como cifose, escoliose, espondilite, coxa vara, coxartose, discartose, cujas dores obrigam a pessoa adquirir uma postura viciosa para aliviá-las. E há fatores emocionais que influem na postura corporal adequada. Platão já dizia que movimentos corporais harmônicos se traduzem em satisfação mental. A consciência corporal está associada à autoconsciência mental e psíquica: em certas desordens mentais, o indivíduo dissocia a sua consciência de seu corpo e passa a mutilá-lo, como se fosse outrem. Mello Filho (2000), afirma que o relacionamento psiquismo-corpo é, na realidade, um triplo problema: 1- Má relação consigo próprio, em relação ao seu próprio organismo e sua vida interior. 2- Má relação com a realidade física, em relação ao espaço. 3- Má relação com os outros, entrando aí a vida de relação social e sexual. Segundo Cailliet (1988), há muitos fatores que influenciam a postura adulta, mas existem três que suplantam todos os outros em sua prevalência e freqüência. O primeiro é as posturas familiares hereditárias, tal como uma coluna dorsal cifótica, uma notável hiperlordose e outros. O segundo são as anormalidades estruturais que influenciam a postura. Tais anormalidades podem ser congênitas ou adquiridas, podem ser esqueléticas, musculares ou neurológicas, e podem ser estáticas ou progressivas. Mas, insidiosos em sua influência e admitidamente mais controverso em sua aceitação é o terceiro, que revela a postura de hábito e o treinamento. A postura é em alto grau um hábito, e por treinamento e repetição pode tornar-se um hábito subconsciente da postura manifestada não apenas na postura estática, mas muito também nos padrões cinéticos. A repetição de uma ação imperfeita pode resultar em uma função cinética imperfeita, e padrões posturais imperfeitos e repetidos podem tornar-se arraigados, assim como o oposto, repetições de movimentos perfeitos gerando padrões posturais perfeitos (Greve; Amatuzzi, 1999). 2.4 O Desvio Postural Os problemas posturais têm sido considerados como um problema sério de saúde pública, tendo em vista a sua grande incidência sobre a população, incapacitando-a, definitivamente ou temporariamente, de suas atividades profissionais (Allsen; Harrison; Vance, 2001). Em se tratando de desvios da coluna vertebral, a mesma possui curvas fisiológicas, Lordose Cervical, Cifose Dorsal, Lordose Cervical e Lombar. As alterações das curvas da coluna vertebral são as: hipercifose, hiperlordose (Rasch; Burke, 1977). Há diversas causas para as alterações das curvaturas fisiológicas, mas a principal é a sobrecarga diária sobre um organismo anormal ou despreparado para suportar os impactos (Cailliet, 1988). 2.4.1 A Hiperlordose A lordose é a curva que se observa no perfil de uma coluna vertebral, na convexidade da região cervical e da região lombar. Na coluna estática, a maioria dos estados dolorosos da região lombar podem ser atribuídos a um aumento do ângulo lombossacro, com uma conseqüente acentuação da lordose lombar. Este aumento na lordose lombar é comumente chamado de “hiperlordose”. Pode-se afirmar com segurança que 75% de todas as lombalgias posturais derivam desta hiperlordose (Cailliet, 1988). Segundo Farfan (apud Knoplich 2003), a lordose lombar está diretamente relacionada com a obliqüidade pélvica, que deve estar em torno de 20 graus. Se ela for superior a esse valor haverá um aumento da lordose lombar e haverá um conseqüente deslocamento do centro de gravidade e realinhamento de todas as curvas para uma compensação. O ângulo lombossacro forma-se quando a base horizontal do ângulo está paralela ao nível do solo, e a hipotenusa do ângulo é traçada no nível da borda superior do sacro. O plano do sacro forma a base da qual parte a coluna lombar em sua ascensão, e na qual ele adquire seu estado de equilíbrio (Cailliet, 1988). Figura 2 - Formação do Ângulo Lombossacro (Cailliet, 1988).
  • 13. A quinta vértebra lombar está pousada sobre o sacro como uma caixa sobre um plano inclinado. Quando o ângulo sacral aumenta, também aumenta a inclinação do plano inclinado, assim, há a possibilidade de uma ação de deslizamento da vértebra para baixo, o que constitui o aumento da tensão de cisalhamento. A tensão de cisalhamento é proporcional ao ângulo de inclinação sacral e diferente para as vértebras lombares. A tensão de cisalhamento da última vértebra sobre a sacral difere das tensões de cada vértebra suprajacente. A cada nível intervertebral superior o ângulo do plano inclinado diminui, e assim a tensão de cisalhamento e sua direção também (Cailliet, 1988). Além do aumento do ângulo sacral, caracterizado na hiperlordose, o que poderá resultar em cisalhamento, as facetas articulares estão numa posição de frenagem do deslizamento das vértebras e, este esforço de frenagem comprime ainda mais os revestimentos articulares sinoviais (Greve; Amatuzzi, 1999). A dor derivada da hiperlordose, pela aproximação do segmento posterior da unidade funcional, foi atribuída em parte a choque e irritação das facetas. A aproximação articular posterior também pode causar dor por irritação da raiz nervosa em seu ponto de emergência através do forame intervertebral, resultando na manifestação de dor na região do dermátomo. Pode ocorrer espasmo muscular na região lombar (Kapandji, 2000). A hiperextensão do segmento vertebral pode irritar mecanicamente a raiz nervosa, e causar dor por compressão do nervo recorrente. Esta reação pode ocorrer na presença de um disco normal, mas é comum ocorrer em associação o aumento da angulação lombossacra e uma diminuição do espaço discal posteriormente. Essa combinação pode acarretar uma protusão discal. O disco intervertebral protuso é caracterizado como hérnia de disco, o que provoca irritação das regiões periaticulares sensíveis, principalmente o ligamento longitudinal posterior (Guyton; Hall, 1996). O equilíbrio da cintura pélvica, o que evita compensações de modo a aumentar o ângulo lombossacro, depende diretamente da ação das massas musculares que nela se inserem e que podem induzir, entre outros, aos movimentos de anteversão e retroversão, comportando- se com um par de forças (Tribastone, 2001). Os músculos anteversores são formados posteriormente pelos músculos lombares e anteriormente pelo retofemural e iliopsoas. Os músculos retroversores da pelve são o glúteo máximo e os extensores da coxa posteriormente e o retoabdominal anteriormente. Figura 3 - Músculos Anteversores e Retroversores da Pelve (Tribastone, 2001).
  • 14. Se esses músculos trabalham sinergicamente contribuem pelo equilíbrio da cintura pélvica. Se prevalece a ação dos músculos anteversores, determinam um aumento do ângulo lombossacro, causando a hiperlordose lombar. Se prevalece a acão dos músculos retroversores, determina uma retificação lombar pela diminuição do ângulolombossacro (Tribastone, 2001). Figura 4 - Os Músculos que Equilibram a Pelve (Tribastone, 2001). Caillet; Daniels e col. (apud Knoplich, 2003), referem que a obliqüidade do sacro depende de um desequilíbrio no balanço muscular entre os músculos eretores da coluna e os glúteos de um lado, e os abdominais e iliopsoas de outro; conforme o domínio de um dos dois grupos teremos a acentuação ou não da lordose. Conforme Cailliet (1988), as lombalgias atribuídas a postura estão relacionados à hiperlordose. 2.5- A Lombalgia A lombalgia é a dor que ocorre na região lombar, seja de causa nervosa ou muscular, podendo ser causado por estresse. É extremamente comum e, entre 65% a 80% da população desenvolverão dor nas costas em alguma etapa das suas vidas. É a maior causa de
  • 15. afastamento do trabalho em indivíduos abaixo de 45 anos, sendo que aproximadamente 50% das pessoas com dores crônicas retornam ao trabalho (Rezende, 2006). De acordo com Cailliet (1988), a maioria das lombalgias atribuídas à postura está relacionada com o aumento do ângulo lombossacro e concomitante aumento da lordose lombar. Segundo Pericé; Riambau; Paloma (1989), a lombalgia pode ser favorecida por um desvio das curvaturas fisiológicas. A lombalgia gravídica está relacionada a um aumento da lordose. O útero grávido causa um pequeno deslocamento anterior. Além disto a uma fadiga durante a gravidez que desencoraja a os bons hábitos e esforços, juntamente com uma frouxidão ligamentar hormonal que completa o quadro (Cailliet, 1988). Conforme Doreto (2006), as dores em órgãos abdominais ou pélvicos também podem ser referidas unicamente por dor lombar, como por exemplo, cálculo renal e a tensão pré- menstrual. O diagnóstico da lombalgia varia com a causa, pois a dor é somente um sintoma, portanto as características da dor serão muito importantes para o diagnóstico; como iniciou, o que melhora ou piora, se apareceu após trauma, exercícios ou movimentos bruscos, se é noturna ou diurna ou se é acompanhada de outros sintomas como febre, emagrecimento, dormência, etc. (Tribastone, 2001). As características da dor associada aos exames complementares devem levar ao diagnóstico e ao tratamento adequado, que poderá ser a associação de medicamentos e fisioterapia, às vezes cirurgia e posteriormente a prevenção das causas (Greve; Amatuzzi, 1999). 2.5.1- Classificação 2.5.1.1- Lombalgia Aguda A dor aguda é relacionada temporalmente a lesão causadora, isto é deve desaparecer durante o período esperado de recuperação do organismo ao evento que está causando a dor (Kapandji, 2000). Aparece uma dor intensa, brusca, geralmente enquanto a pessoa realiza um esforço. Pode apresentar antecedentes de dor lombar pouco intensa. Na ocasião, a pessoa permanece em uma posição semiflexionada da coluna lombar, sem ser possível a extensão e nem prosseguir a flexão, já que com qualquer movimento agrava a dor (Pericé; Riambau; Paloma, 1989). Uma primeira crise costuma desaparecer em até 05 semanas com repouso e medicação analgésica. Deve-se então iniciar a profilaxia de novas crises. Geralmente, o paciente não dá uma excessiva importância a esta primeira crise, pelo qual não adota nenhuma medida em especial (Tribastone, 2001). Conforme Konrad (apud Knoplich, 2003), não há limite preciso estabelecido para a duração final da dor aguda e início da dor crônica, variando de 3 a 6 meses, limite máximo em que a maioria dos autores passa a considerar como crônica. Segundo Cailliet (1988), frequentemente, um desconforto agudo da coluna lombar não permite um exame imediato. Apenas a anamnese pode ser feita. A vítima apresenta flexibilidade limitada, possível escoliose com a postura antálgica, sensibilidade da musculatura na região lombar, e limitada elevação da perna esticada. De acordo com Greve e Amatuzzi (1999), a dor da fase aguda diminui com medicação, repouso e fisioterapia. Nesse sentido vale observar que diz a respeito Konrad (2004), onde a dor aguda pode ter duração extremamente curta, desde alguns minutos, até a algumas semanas e diminuir pela reação do próprio organismo, mas é preciso o suporte terapêutico para diagnosticar a causa desencadeante da dor. Segundo Ghorayeb; Barros Neto (1999), a lombalgia aguda pode ser interpretada como um sinal de alerta, a crônica já no tem mais essa função. Uma dor pode tornar-se crônica por vários motivos, mas não tem mais a função de alerta e defesa. Esta merece uma atenção maior por afetar o estilo de vida das pessoas e por ter abordagem física, cultural, social e emocional. 2.5.1.2- Lombalgia Crônica A pessoa queixa-se de dor lombar de forma intermitente de um período de tempo que vai desde três meses a anos. A sensação de dor aumenta com o esforço e pelas posturas prolongadas em pé. Pode apresentar uma irradiação difusa às extremidades inferiores. A evolução é lenta apresentando fases de remissão e outras que pioram podendo chegar a adotar a forma de uma lombalgia aguda (Pericé; Riambau; Paloma, 1989). Segundo Knoplich (2003), a lombalgia crônica é considerada por alguns autores aquela com duração maior que 03 meses ou que ultrapasse o período usual de recuperação esperado para a causa desencadeante da dor. Alguns autores consideram o limite para se tornar dor crônica a partir de 06 meses. Para Tribastone (2001), a lombalgia crônica merece maior atenção por afetar negativamente a qualidade de vida, limitar a movimentação, agilidade. Além de ter envolvimentos emocionais. 2.5.2- Etiologia
  • 16. As dores atribuídas à coluna vertebral têm mais do que 50 etiologias, porém, em cerca de 80% das vezes, a causa é praticamente impossível de determinar, com certeza. Na grande maioria dos casos, a identificação anatômica precisa das estruturas que produzem a dor é muito difícil por se tratar de uma dor difusa. Muitas das denominações como estiramento e defeitos posturais são de difícil comprovação etiológica (Cortet et al., apud Knoplich, 2003). Segundo Greve; Amatuzzi (1999), pode-se admitir que a postura inadequada agrida três estruturas da coluna: o disco intervertebral, através das pressões intradiscais, a vértebra, mudando-lhe a forma, e as apófises intra-articulares, que resulta na diminuição do forame agredindo a raiz nervosa. De acordo com Cailliet (1988), há estruturas na unidade funcional da coluna lombar que podem causar dor. Inicialmente será feito uma análise com a coluna lombar estática, em seguida a lombalgia causada pela irritação dos tecidos sensíveis a dor através dos movimentos da coluna lombar. Conforme Guyton; Hall (1996), na posição estática, o disco intervertebral não é sensível à dor, portanto é livre de terminações nervosas sensitivas. A dor discal deve-se a irritação de tecidos adjacentes. Um disco normal tem elasticidade e capacidade de recuperação rápida, que suportam aumento da pressão interna, o que impede uma irritação edemaciada dos tecidos contíguos. A degeneração de um disco diminui sua capacidade de recuperação e resistência ao aumento da pressão interna, permitindo a compressão dos tecidos adjacentes (Kapandji, 2000). Para Cailliet (1988), disco degenerado é a fragmentação do anel fibroso e desidratação do núcleo pulposo, o que provoca aumento na pressão intradiscal, irritando o ligamento longitudinal posterior, o qual é sensível a dor. O revestimento sinovial das facetas e a cápsula articular das articulações da unidade funcional da coluna lombar são ricamente supridos por nervos sensitivos, bem como vasomotores. Sendo assim responde aos estímulos inflamatórios que resultam em inchaço e tumefação dos revestimentos sinoviais e aumento da viscosidade do fluido sinovial, o que causa um espasmo muscular periarticular, limitando progressivamente os movimentos. A inflamação das articulações sinoviais produz dor severa, dependendo da intensidade e extensão da inflamação (Erhast, 1996). O espasmo muscular que acompanha a disfunção da coluna é por si só capaz de produzir dor, por causar isquemia no tecido. Segundo Knoplich (2003), os problemas emocionais (depressão, dificuldade sexuais, ansiedade, fobias, etc) têm influência sobre a musculatura, deixando-a tensa, dolorida. Esta acaba agredindo ainda mais o disco e articulações já danificadas, diminuindo o orifício e comprimindo a raiz nervosa. Outro fator é a raiz do nervo ciático que emerge do forame intervertebral e, é sensoriomotor, sensível a dor e que causa dor no local e irradiada no seu dermátomo (Guyton; Hall, 1996). As causas das lombalgias cinéticas podem se dar por três maneiras básicas: (1) Tensão anormal sobre uma coluna normal; (2) Esforço normal sobre uma coluna anormal; e (3) Esforço normal sobre uma coluna normal, porém despreparada para esforço. A palavra normal aplicada à tensão refere-se a um esforço razoável manipulado sem desconforto. Uma coluna dita normal refere-se a uma coluna lombar estruturalmente sadia e funcionalmente apta (Cailliet, 1988). Tensão Anormal sobre uma Coluna Normal Uma coluna normal, pela contração muscular pode sustentar um peso sobreposto durante um período de tempo razoável. Porém manter um peso razoável a uma distância razoável do corpo por um período de tempo muito longo causará fadiga muscular e exaustão. Quando a contração muscular necessária para manter uma discreta flexão da coluna for exaurida, simulada pela postura profissional ao manter-se em pé flexionado por quinze minutos ou mesmo sentado fletido anteriormente, o impacto de esforço recai sobre os ligamentos, que têm a elasticidade limitada e são capazes de produzir dor. Nestas posturas há também um aumento da pressão intradiscal, que podem desencadear dor. Os músculos eretores da coluna, assumindo uma contração isométrica poderosa, eventualmente fadigam-se, geram isquemia e também se tornam dolorosos. Essa tensão excessiva na fixação miofascial do periósteo também pode causar dor (Ghorayeb; Barros Neto, 1999). Quando a contração muscular for exaurida, o impacto do esforço cai sobre os ligamentos, e uma vez que estes cedem, a tensão recai sobre as articulações, do que pode resultar em luxação. Enfim, a dor pode manifestar-se muitas vezes durante está seqüência de eventos (Cailliet, 1988). Esforço Normal sobre uma Coluna Anormal O uso normal de uma coluna anormal implica no uso correto de uma coluna estruturalmente defeituosa. Este defeito pode ser encontrado nas estruturas ósseas, nas porções articulares da coluna, nos ligamentos, nos tecidos musculares ou em qualquer combinação destes elementos (Cailliet, 1988). Na escoliose estrutural, as facetas articulares estão assimétricas devido a rotação e inclinação
  • 17. da vértebra, com isso durante a flexão e extensão da coluna lombar ocorre um choque ósseo e as facetas são comprimidas gerando dor. O ligamento longitudinal posterior e a cápsula articular acompanham o alinhamento curvo da escoliose e durante o mesmo movimento sofrem um estiramento excessivo e desenvolve um mecanismo de dor (Cailliet, 1988). Durante a flexão e extensão da coluna com um aumento lombossacro, pode haver um cisalhamento da unidade funcional e este associado a uma degeneração discal, pode acarretar um pinçamento do disco posteriormente, irritando a ligamento longitudinal posterior, podendo gerar hérnia de disco (Ghorayeb; Barros Neto, 1999). Com os músculos isquiotibiais encurtados, o movimento de flexão e extensão da lombar ficam limitados, pois este músculo se insere na tuberosidade isquiática. Para alcançar a flexão máxima, a inclinação anterior da pelve deve-se ao aumento da curvatura lombar, que sobrecarrega o ligamento longitudinal posterior e essa insistência resultará em dor por estiramento ligamentar ou até ruptura da fixação ligamento periosteal ou do próprio ligamento (Kapandji, 2000). Caso a coluna lombar esteja retraída, durante a flexão não haverá uma completa rotação anterior da pelve e esta limitação também sobrecarregará o ligamento longitudinal posterior e os músculos paravertebrais encurtados (Guyton; Hall, 1996). Esforço Normal sobre uma Coluna Normal Despreparada A imposição de um esforço usualmente normal sobre uma coluna mecanicamente normal, em um momento em que a coluna não está preparada para recebê-lo, sendo observado na velocidade de reação do organismo para se defender de uma suposta injúria. Como exemplo, ocasião em que a pessoa escorrega e reagi rapidamente para se equilibrar e não cair no chão, evitando a injúria de micro lesões teciduais e lesões como ferimentos. Ocorre ainda, quando a pessoa está deitada em decúbito ventral e com velocidade de reação levanta-se repentinamente por um susto, de forma aumentar o choque facetário (Cailliet, 1988). Qualquer atividade neuromusculoesquelética é precedida por antecipação e preparação. Sob condições normais, uma ação iminente evocará uma ação apropriada. O movimento antecipado gradua a intensidade da contração, a velocidade da ação e extensão da contração necessária ao tempo e á distância (Erhast, 1996). Entretanto, a contração pode causar uma movimentação excessiva, excedendo então os tecidos capsulares e articulares, que resulta em dor e incapacidade. Deve-se considerar ainda a direção dos movimentos. Na postura fletida, a rotação da unidade funcional está restringida pela os anéis fibrosos do disco e pelos ligamentos longos. Portanto, flexão e rotação que excedem os limites fisiológicos são provavelmente a maior causa de ruptura das fibras dos anéis fibrosos (Cailliet, 1988). 2.5.3- Fatores de Risco Segundo Gallinella; Andreasi (2006), o envelhecimento, a degeneração e o desgaste das estruturas da coluna vertebral (vértebras, discos e ligamentos) parecem ser a principal causa da lombalgia. Porém, na distribuição aproximada dessas causas, verifica-se que as posturas inadequadas no trabalho são as grandes responsáveis pela doença, aparecendo em 25% dos casos. No geral, as causas são muitas e freqüentemente existem várias levando ao que se conhece por etiologia multifatorial. A lombalgia não é causada por fatores isolados, mas sim pelo conjunto de vários fatores. Os fatores de risco para a dor lombar estão em geral associados com: 1. Ocupação Profissional São as chamadas lombalgias ocupacionais. Os principais fatores são: a) Levantar, carregar ou empurrar peso exagerado (enfermeiros que manipulam doentes acamados; trabalhadores braçais; demolição de estruturas com brocas vibrátórias); b) Posturas ERRADAS prolongadas nas posições sentadas ou de pé (operador de computadores; trabalho em escritório; desenhista em prancheta; dentista; motoristas profissionais; cirurgião). 2. Condicionamento Físico e Saúde Geral a) Vida sedentária, falta de preparo físico; b) Excesso de peso concentrado na ''barriga'' (Obesidade abdominal) associado à flacidez da musculatura abdominal; c) Escorregões e quedas que produzem distensões e espasmos musculares; d) Sequelas de fraturas na coluna; e) Desvios da coluna vertebral. 3. Personalidade e Estado Psíquico a) ''Stress'' psicológico, tensão emocional; b) Insatisfação com o trabalho; c) Problemas econômicos e familiares; d) Problemas psiquiátricos; e) Abuso de drogas; 4. Outros fatores:
  • 18. a) Neoplásias (tumores); b) Inflamatórias (ex. artrite reumatóide); c) Metabólicas (ex: osteoporose); d) Infecciosas (ex: brucelose, salmonelose); e) Genéticas 2.5.4- Tratamento Antes de discutir os diferentes tipos de tratamento para a dor na coluna, deve-se admitir que a causa de 70 a 80% das pessoas com lombalgia é desconhecida, e por isso os tratamentos são sintomáticos (Nachemson; Jonsson, apud Knoplich, 2003). Portanto, 70% ou mais dos portadores de dores crônicas na coluna, frequentes ou não, deverão ser submetidos a um tratamento sem diagnóstico preciso (Knoploich, 2003). Greve; Amatuzzi (1999) analisam a abordagem terapêutica e reabilitacional do portador de lombalgia sendo especialmente muito difícil, devido à gama de diagnósticos diferenciais possíveis, bem como pelos múltiplos fatores constitucionais, ambientais (ergonômico), psicológicos e socioeconômicos envolvidos. Segundo Rothman (apud Knoplich, 2003), o tratamento deve visar a três objetivos: 1) sedar a dor o mais depressa possível; 2) retorno do paciente à atividade funcional anterior revendo as posturas no trabalho; 3) evitar novas agressões à coluna que possam trazer uma piora ao quadro clínico no futuro. A fase de analgesia inclui o tratamento fisioterapeutico utilizando os meios físicos como a foto- termo-eletroterapia. Pode associar o relaxamento e alongamento. Logo, deve-se iniciar exercícios de correção postural, reestruturação e consciência corporal, e de reforço da musculatura, principalmente abdominal e extensora da coluna (Kisner, 1992). No tratamento deve estar incluso repetidas explicações das possíveis causas e conseqüências das agressões as estruturas funcionais, ensinando novas posturas físicas e novo comportamento mental, garantindo-lhe a segurança no seu retorno ao trabalho (Rezende, 2006). 2.5.5- Profilaxia A forma ideal de colocar em prática a prevenção de lombalgias é recorrendo a prática de atividades físicas, pois têm tanto atuação na diminuição da intensidade e da velocidade da implantação das disfunções musculoesqueléticas, quanto nas disfunções neuromusculares e cardio-respiratórias, além de atuar positivamente nos transtornos psíquicos (Salles, 2005). Segunda a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (2006), algumas vezes as dores nas costas são causadas por vícios posturais e maus hábitos que podem ser prevenidos: - Sente-se com as costas apoiadas no encosto, não sente torto; - A mesa de trabalho deve estar na altura dos cotovelos; - Levante-se da cama sempre de lado apoiando-se nos cotovelos; - Durma de lado, com apoio entre os joelhos, a cabeça alinhada com o auxílio de um travesseiro baixo; - Evite carregar peso; - Ao abaixar-se para pegar algum objeto, use o joelho e não faça flexão da coluna para alcançar o chão; - Ao varrer não incline o corpo para frente, aumente o cabo da vassoura; - Para executar tarefas como passar roupas ou lavar pratos, coloque uma caixa no chão para apoiar os pés alternadamente; - Ao calçar sapatos ou vestir roupas, faça-o sentado; - Use sapatos de salto baixo. 2.6- Aspectos Psico-Sociais da Dor Crônica A percepção de estímulos dolorosos pode ser modificada quantitativa e qualitativamente em função de uma série de fatores internos e externos aos indivíduos (Guyton; Hall, 1996). As dores crônicas, que causam um sofrimento contínuo ou intermitente por longo período, fazem os doentes tornarem-se mais sensíveis e sofrerem mais com o passar do tempo, produzindo uma degradação física e mental que varia de uma pessoa para outra, em função de diferenças de personalidade (Varella, 2006). A cronicidade dolorosa traz efeitos devastadores na personalidade do paciente, criando um círculo de evolução e persistência da dor, que é independente de uma possível lesão orgânica inicial, fazendo desaparecer os limites em dores agudas e crônicas (Allsen; Harrison; Vance, 2001). Os portadores de dores crônicas da coluna são os exemplos mais típicos de distúrbio associado com perturbações somáticas, psíquica e social (Guyton; Hall 1996). As pessoas com neuroses de ansiedade, associada aos problemas de dores nas costas têm
  • 19. um largo espectro de queixas somáticas de outras áreas, tais como alterações respiratórias, hipertensão, cefaléia e digestivas (Tribastone, 2001). As dores de coluna crônica provocam um estado depressivo que acaba se refletindo sobre a musculatura e conseqüentemente sobre a postura do próprio organismo. As pessoas com distúrbios no sono, também ficam com os músculos tensos gerando dores nas costas e alterações posturais. (Fordyce, apud Knoplich, 2003). 2.7 Efeitos da Dor Crônica na Qualidade de Vida As dores crônicas repercutem sobre a qualidade de vida de uma pessoa sob três aspectos principais (Greve; Amatuzzi, 1999): 1- Aspectos Físicos - Diminuição da capacidade funcional; - Diminuição da força e da resistência; - Náusea e perda de apetite; - Transtornos do sono causando irritabilidade, fadiga e dependência em medicamentos e álcool em uma tentativa de facilitar o sono; - Dependência química. 2- Aspectos Psicológicos - Diminuição da alegria e do humor; - Aumento da ansiedade e do temor; - Depressão, sofrimento; - Dificuldade de concentração; - Somatização; - Perda do controle pessoal; - Perdas sociais (emprego, credibilidade no mercado de trabalho e amizades); - Diminuição das relações sociais; - Diminuição da atividade sexual e afetiva; - Aumento da necessidade de cuidados; - Tensão financeira, resultado de contas médicas, medicamentos, tratamentos conservadores e profiláticos e a perda de renda devido ao tempo fora do trabalho. 3- Aspectos Espirituais - Aumento do sofrimento; - Descrença; - Mudança de interesses. A dor crônica interfere na qualidade de vida das pessoas e segundo Allsen; Harrisom; Vance (2001), os exercícios é benéfico na redução de ansiedades, depressões e estresse, produzindo um efeito favorável sobre o estado psicológico, além dos benefícios fisiológicos ao organismo. 3- OBJETIVO Verificar os efeitos do Método Pilates em mulheres de 25 a 30 anos acometidas de lombalgia crônica. 4- MATERIAIS E MÉTODOS Esta pesquisa do tipo experimental, quantitativa, de caráter descritivo e do tipo longitudinal, teve como objetivo analisar o efeito do Método Pilates em mulheres com lombalgia crônica, comparando a intensidade da dor, no início e após o tratamento. A pesquisa foi desenvolvida durante 08 semanas, sendo duas aulas semanais com duração de 1 hora cada, de açor com o horário livre disponível das participantes. Participaram da pesquisa 10 mulheres na faixa etária de 25 a 30 anos, com lombalgia crônica a mais de 06 meses. Deste total de participantes, 05 formaram o Grupo Controle, que não sofreram nenhum tipo de intervenção no período da pesquisa e as outras 05 formaram o Grupo Experimental, no qual foi aplicado o método Pilates, individualmente. As variáveis externas influenciaram sobre os dois grupos de trabalho e, portanto, as diferenças se darão apenas pelos efeitos do método. As participantes não realizaram nenhum tipo de tratamento, nem com medicamento analgésico, no período em que estava ocorrendo a pesquisa.
  • 20. É importante ressaltar que a rotina da vida diária, ir para o trabalho e cuidar dos afazeres domésticos não foram alterados durante a pesquisa. Os instrumentos para mensurar a dor podem ser unidimensionais ou multidimensionais. Por ser uma pesquisa quantitativa, foi aplicada a escala unidimensional, que avalia somente as dimensões das experiências dolorosas. Segundo a Fundação Antonio Prudente; Centro de Tratamento e Pesquisa do Hospital do Câncer ; Heinz (2002), a escolha de um instrumento para mensurar a dor deve, antes de tudo, ser de fácil aplicabilidade e adequar-se ao nível de compreensão da pessoa. O instrumento unidimensional avalia a dor através da Escala Visual Numérica (EVN), graduada de zero a dez, nas quais zero significa ausência de dor e dez a pior dor imaginável; e a Escala Visual Analógica (EVA), que consiste de uma linha reta, não numerada, indicando- se em uma extremidade a marcação de “ausência de dor”, e na outra, “pior dor imaginável”. Sem dúvida, ambas as escalas têm a vantagem de facilitar o contato do aluno-educador físico, ao compartilhar-se a intensidade da dor, e ao aluno um instrumento para se fazer entender (Serrano, 2003). Segundo Serrano (2003), outra forma de graduação da dor baseia-se na avaliação comportamental do aluno através da Escala Comportamental (EC). Ao comportamento álgico é atribuído uma nota, questionando-se diretamente a sua lembrança da dor em função de suas atividades da vida diária, sendo: Quadro 1 - Escala Comportamental; Avaliação Unidimensional da Dor (Serrano, 2003). Nota Característica da Dor e Relação com Atividade da Vida Diária Zero Dor ausente ou sem dor Três Dor presente, havendo períodos em que é esquecida. Seis A dor não é esquecida, mas não impede exercer atividades da vida diária. Oito A dor não é esquecida, e atrapalha todas as atividades da vida diária, exceto alimentação e higiene. Dez A dor persiste mesmo em repouso, está presente e não pode ser ignorada, sendo o repouso imperativo. Foi aplicada nesta pesquisa a Escala Comportamental, por ser uma informação fidedigna da realidade diária das participantes. As participantes foram avaliadas antes de iniciar as aulas de Pilates e no final da 8.ª semana de intervenção. O grupo controle passou pela mesma avaliação. A avaliação foi feita individualmente, com a participante tendo a posse da escala nas mãos, com o tempo livre para análise e em seguida responder. A pesquisa foi realizada em uma clínica de fisioterapia particular em Cuiabá – MT. Os materiais utilizados pertenciam a esta clínica e foram todos cedidos no período da intervenção. Os materiais utilizados foram os equipamentos criados por Joseph Pilates e são apropriados para execução do método (Figuras 5, 6, 7, 8 e 9). Figura 5 – Reformer (Becker, 2003). Figura 6 - Cadillac ou Trapézio (Becker, 2003).
  • 21. Figura 7 - High Barrel (Becker, 2003). Figura 8 - Chair (Combo), (Becker, 2003).
  • 22. Figura 9 - Chair (Wunda) (Becker, 2003). Também foram utilizados equipamentos auxiliares como, a bola suíça, faixa elástica, colchonete, rolo de espuma, magic circle e outros, conforme Figura 10. Figura 10 - Equipamentos auxiliares (Becker, 2003).
  • 23. A pesquisa foi realizada com pessoas voluntárias e inicialmente foi esclarecido o objetivo e a importância da pesquisa, em seguida assinado um termo de consentimento e compromisso com o trabalho. Para seleção das participantes, foi realizada anamnese com 16 mulheres, através de um questionário (Anexo I), para verificar o perfil das participantes. Com esses dados, foi realizada a seleção, onde 10 participantes foram escolhidas, por apresentarem semelhanças nas características físicas, sociais, psíquicas e emocionais. Após selecionadas as dez participantes, foi realizada uma avaliação postural, estando as participantes de sutian e calcinha. Seguindo, foi aplicado o pré-teste através da Escala Comportamental para analisar o nível de dor das participantes, relacionado com as atividades de vida diária. Por último, foi feito a divisão aleatoriamente do Grupo Controle e do Grupo Experimental. Após isso, foi aplicado o método Pilates no Grupo Experimental durante 08 semanas, totalizando 16 aulas, com a duração de 60 minutos. As aulas foram ministradas individualmente, conforme agendamento prévio das participantes, após o expediente diário de serviço. Com a programação das aulas antecipadamente, não houve problemas com ausência das participantes. Após a intervenção, foi realizado o reteste da avaliação da dor, através da Escala Comportamental, nos dois grupos da pesquisa. 5- RESULTADOS Com os dados adquiridos através do pré-teste e o reteste, foi feita a análise, de forma quantitativa, verificando o nível da dor lombar baseada na Escala Comportamental e então, feita a comparação do Grupo Controle e o Grupo Experimental. Para melhor apresentação dos dados, as participantes do Grupo Controle foram denominadas C1, C2, C3, C4 e C5 e as participantes do Grupo Experimental, E1, E2, E3, E4 e E5. Os dados foram representados em gráficos e tabelas, facilitando a compreensão. No Grupo Controle foi realizado um pré-teste, através da Escala Comportamental da dor, segundo Serrano (2003), sendo que 60% tiveram a nota oito, apresentando dor que não é esquecida e atrapalha todas as atividades da vida diária, exceto alimentação e higiene e 40% tiveram a nota seis, apresentando dor que não é esquecida, mas não impede de exercer atividades da vida diária. Esses resultados seguem melhor apresentados na Tabela 1 e no Gráfico 1. Tabela 2 - Resultados do Pré-teste no Grupo Controle. Participantes Nota C1 Oito C2 Oito C3 Seis C4 Oito C5 Seis Gráfico 2 - Resultados do Pré-teste no Grupo Controle.
  • 24. No Grupo Experimental foi observado que 60% das participantes obtiveram a nota oito, caracterizando que a dor não é esquecida e que atrapalha todas as atividades da vida diária, exceto alimentação e higiene, e que 40% estavam com a nota seis, sendo que a dor não é esquecida, mas não impede de exercer as atividades da vida diária. A representação esquemática dos resultados do Grupo Experimental é demonstrada na Tabela 2 e Gráfico 2. Tabela 2 - Resultados do Pré-teste no Grupo Experimental. Participantes Notas E1 Oito E2 Oito E3 Seis E4 Oito E5 Seis Gráfico 2 - Resultados do Pré-teste no Grupo Experimental. Observa-se que a média dos resultados obtidos com a Escala Comportamental foi idêntica em ambos os grupos. Portanto, a diferença nos resultados com o reteste foi em virtude da aplicação do Método Pilates, já que os fatores externos exerceram influência sobre os dois grupos, não havendo diferenças nas variáveis. O Gráfico 3 compara o Pré-teste entre os Grupos Controle e Experimental, facilitando a visualização da semelhança dos resultados. Gráfico 3 - Comparação dos Pré-testes do Grupo Controle e do Grupo Experimental.
  • 25. Conforme explanado na metodologia, foi realizada uma anamnese em 16 mulheres e, então selecionadas 10 mulheres com semelhanças físicas, sociais, psíquicas e emocionais. Justifica- se por esta seleção a coincidência nos dados coletados nos Grupos Controle e Experimental, já que a divisão dos grupos foi feita aleatoriamente. Após oito semanas de intervenção utilizando o Método Pilates, perfazendo um total de 16 aulas com duração de 1 hora, foi aplicado novamente o reteste, através da Escala Comportamental, segundo Serrano (2003), no Grupo Controle e no Grupo Experimental. No Grupo Controle, 40% das participantes apresentaram a nota oito, que condiz com dor que não é esquecida, e atrapalha todas as atividades da vida diária, exceto alimentação e higiene, os outros 60% com nota seis, caracterizando que a dor não é esquecida, mas não impede exercer atividades da vida diária. Os resultados do reteste do Grupo Controle podem ser melhor observados na Tabela 3 e no Gráfico 4. Tabela 3 - Resultados do Reteste no Grupo Controle. Participante Nota C1 Oito C2 Oito C3 Seis C4 Seis C5 Seis Gráfico 4 - Resultados do Reteste no Grupo Controle Através do reteste no Grupo Controle, percebe-se que não houve melhoria no nível da dor em 80% dos avaliados e que em 20% houve uma pequena melhoria, onde a participante deixou de ter dor que atrapalhava as atividades de vida diária, para uma dor que não impedia de exercer as atividades de vida diária. Após a coleta dos dados do reteste aplicado no Grupo Experimental, levantou-se que 80% das participantes tiveram um decréscimo importante nos níveis de dor conforme a Escala Comportamental, onde deste total 75% diminuíram relevantemente a dor saindo de estágios
  • 26. em que sua presença não poderia ser esquecida, para o estágio de dor em que poderia ser esquecida ou até mesmo ausente e 25% diminuíram discretamente, pois saíram de estágio de um nível de dor que não podia ser esquecida e que atrapalhava as atividades de vida diária para um estágio de dor que não impedia de exercer as atividades de vida diária, mas também não era esquecida. De acordo com o reteste dos 20% restantes deste grupo foi observado que não houve diferença comparado ao resultado do Pré-teste. A Tabela 4 e o Gráfico 5 demonstram os resultados obtidos com o reteste do Grupo Experimental. Tabela 4 - Resultados do Reteste no Grupo Experimental Participante Nota E1 Seis E2 Três E3 Três E4 Zero E5 Seis Gráfico 5 - Resultados do Reteste no Grupo Experimental. Os resultados do Reteste do Grupo Controle e do Experimental apresentaram uma diferença importantíssima, ilustrada no Gráfico 6, o comparativo dos grupos facilitando a interpretação. Gráfico 6 - Comparação do Reteste no Grupo Controle e no Grupo Experimental. Para melhor demonstrar os resultados da pesquisa, que visa comparar a aplicação do Método Pilates em lombalgia crônica, segue a Tabela 5 e o Gráfico 7, comparando o Pré-teste e o Reteste do Grupo Controle. Tabela 5 - Comparação do Pré-teste e o Reteste do Grupo Controle Participantes Resultado PRÉ-TESTE Grupo Resultado RETESTE Grupo
  • 27. Controle Controle C1 Oito Oito C2 Oito Oito C3 Seis Seis C4 Oito Seis C5 Seis Seis Gráfico 7 - Comparação do Pré-teste e o Reteste do Grupo Controle. A Tabela 6 e o Gráfico 8 representam os resultados do pré-teste e o Reteste do Grupo Experimental, para análise e comparação. Tabela 6 - Comparação do Pré-teste e o Reteste do Grupo Experimental. Participantes Resultado PRÉ-TESTE Grupo Experimental Resultado RETESTE Grupo Experimental E1 Oito Seis E2 Oito Três E3 Oito Três E4 Seis Zero E5 Seis Seis Gráfico 8 - Comparação do Reteste no Grupo Controle e no Grupo Experimental.
  • 28. Portanto, esta pesquisa apontou resultados interessantes, apresentados de forma objetiva e clara através de tabelas e gráficos, facilitando a visualização e comparação dos dados coletados no pré-teste e o reteste dos grupos Controle e Experimental. 6- DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Segundo Allsen; Harrison; Vance (2001), o corpo humano foi feito para o exercício e quando nos tornamos inativos as articulações incham, os músculos enfraquecem, o aumento de gordura afeta o sistema circulatório, o coração perde força e, consequentemente, ficamos mais expostos a doenças. Nota-se que a aplicação do método Pilates em mulheres com lombalgia crônica, com idade entre 25 e 30 anos, apresentou resultados relevantes na diminuição do nível da dor, analisado através da Escala Comportamental, segundo Serrano (2003). Percebe-se ainda que a maioria das participantes do Grupo Controle mantiveram os níveis de dor e uma pequena parcela aumentoaram o estágio da sua dor lombar. De acordo com Grorayeb; Barros Neto (1999), a atividade física pode adiar ou evitar doenças musculoesqueléticas importantes, como lombalgia de origem mecânica, dores no ombro e no pescoço, osteoporose e as fraturas relacionadas a ela. Na maioria das doenças crônicas de evolução lenta, associadas com a idade e o desgaste causado pelo trabalho, como as dores da coluna, é recomendado uma intervenção preventiva. Segundo Knoplich (2003), existe uma prevenção primária para as dores da coluna lombar, que são os cuidados que as pessoas sadias fazem para evitar ter futuras dores, tais como: evitar carregar pesos por muito tempo, não abaixar com as costas e sim flexionando os joelhos, evitar sobrecargas no trabalho e incentivar a prática de exercícios. A prevenção secundária é realizada com pessoas que já tiveram manifestações de dor, e o objetivo é a conscientização dos fatores de riscos e as mudanças de hábito que previnem recidivas de crises lombares. Os exercícios podem ajudar na prevenção, reabilitação, na volta ao trabalho e as atividades normais (Kisner; Colby, 1992). Segundo Nachemsom e col. (apud Knoplich, 2003), existe uma forte evidência de que a terapia pelos exercícios é eficiente no tratamento das dores crônicas da lombar. Nesse sentido, vale ressaltar o que diz Cailliet (1988), onde os exercícios são treinamentos e devem ser integrados em todas as atividades da vida diária para obter resultados íntegros, já que a postura é uma função do corpo em período integral. Portanto, exercitar-se apenas uma hora por dia e permanecer em postura incorreta não levará a nenhuma melhora e nem diminuição da dor com o treinamento. Por isso a importância da conscientização das medidas educativas que evitam o desencadeamento de dores lombares, além de se exercitar. Conforme Allsen; Harrison; Vance (2001), o exercício produz um efeito moderadamente favorável sobre o estado psicológico, melhora o desempenho no trabalho e reduz os riscos de doenças crônicas. A prática de exercícios melhora a qualidade de vida. Não importa qual o exercício irá praticar, o importante é que funcione. (Kisner; Colby, 1992). Para Joseph Pilates, segundo Camarão (2004), a busca da saúde e da boa forma não era apenas uma responsabilidade física e emocional, era igualmente uma responsabilidade moral. Pela prática de seu método as pessoas podiam “voltar à vida”, recuperando harmonia e