Psicopatologia Delirio 2

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Psicopatologia Delirio 2

  1. 1. PSICOPATOLOGIA Pensamento II Delírio Grupo: Cristina Freitas ferreira, Grazielle Teodoro, Isa Alves, Liliane Leite Elaboração de Slides – Washington M. Costa – wmcpsco@gmail.com
  2. 2. <ul><li>  </li></ul><ul><li>De acordo com Karl Jaspers (1987), idéias delirantes( ou delírios) são juízos patologicamente falsos, que possuem as seguintes características externas: </li></ul><ul><li>acompanham-se de uma convicção extraordinária </li></ul><ul><li>não são susceptíveis à influência </li></ul><ul><li>e possuem um conteúdo impossível. </li></ul>Definição Clássica de Delírio
  3. 3. <ul><li>  </li></ul><ul><li>O delírio como um juízo falso </li></ul><ul><li>O delírio constitui uma alteração relacionada à formação de juízos. Através dos juízos, discernimos a verdade do erro. Através do juízo de realidade, distinguimos o que é real do que é fruto de nossa imaginação. </li></ul><ul><li>Todavia, nem todos os juízos falsos são patológicos. O erro que também constitui um juízo falso,distingue-se do delírio por originar-se na ignorância, no julgamento apressado ou em premissas falsas, e por ser passível de correção pelos dados da realidade. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>Outras Características do Delírio </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Todo delírio é de certa forma auto-referente, no sentido de que o seu conteúdo está direta ou indiretamente relacionado ao enfermo. O delírio se transforma no eixo em torno do qual passa a girar a vida do indivíduo. </li></ul><ul><li>Em função de sua convicção extraordinária, o delirante não sente a necessidade de comprovar objetivamente a veracidade de seu juízo e pode não achar importante convencer as outras pessoas de que está certo. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>Delírio Primário </li></ul><ul><li>O delírio primário é a idéia delirante autêntica. Ele é autóctone, isto é, não deriva de nenhuma outra manifestação psíquica patológica. É incompreensível: não pode ser seguido psicológicamente até a sua origem, é algo de “último e derradeiro”(Jaspers). Está relacionado a uma profunda transformação da personalidade, sendo a expressão de um processo: o surgimento de algo novo, duradouro e irreversível na vida mental. </li></ul><ul><li>K. Jaspers inclui sob a denominação de vivências delirantes primárias as percepções delirantes, as representações delirantes e as cognições delirantes. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>A Percepção Delirante: consiste na atribuição de um significado novo, anormal, a uma percepção normal de um objeto real. </li></ul><ul><li>Na Representação Delirante: um significado anormal é dado a uma recordação normal. </li></ul><ul><li>A Cognição Delirante: consiste em uma convicção patológica intuitiva, uma certeza súbita, uma revelação imediata, que prescinde por completo de conexões significativas com quaisquer dados perceptivos ou representativos. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>  </li></ul><ul><li>O delírio secundá-rio também é chamado idéia deliróide . Ele se origina de forma compreensível psicoló-gicamente de outras manifestações psíqui-cas patológicas, tais como alterações do humor, da sensoperce-pção e da consciência. </li></ul>Delírio Secundário
  8. 8. <ul><li>Idéia Sobrevalorada </li></ul><ul><li>Na definição de Nobre de Melo (1981), a idéia sobrevalorada (ou supervalorizada, ou prevalente ou sobrevalente) é uma idéia errônea por superestimação afetiva. O erro decorre do fato de a idéia estar relacionada a uma carga afetiva muito intensa, que influencia o julgamento da realidade, tornando-o pouco racional. Essa idéia ganha preponderância em relação às demais e orienta unilateralmente a conduta do indivíduo. </li></ul><ul><li>A idéia sobrevalorada pode ocorrer em pessoas normais. Por Exemplo: convicções apaixonadas em relação a questões científicas, filosóficas, políticas e religiosas. </li></ul>
  9. 9. <ul><li>Classificação? </li></ul><ul><li>Delírios Sistematizados/ Delírios Não-Sistematizados </li></ul><ul><li>Nos delírios sistematizados , há uma maior coerência interna entre as idéias, uma maior organização e Consistência. Encontra-se uma rede de argumentações lógicas e compreensíveis. O delirante com idéias de perseguição é capaz de dizer quem o persegue, como e por quê. Por exemplo, o indivíduo afirma que os familiares querem matá-lo e colocando veneno em sua comida, para ficarem com o seu dinheiro. Esse tipo é característico do transtorno delirante. </li></ul><ul><li>Os delírios não-sistematizados são fragmentários, caóticos, desarticulados e sem concatenação. Por exemplo, o indivíduo afirma que querem matá-lo, mas não é capaz de dizer como descobriu isso, nem consegue dar qualquer informação sobre os autores, meios e motivos do crime. Os delírios desse tipo são característicos da esquizofrenia. </li></ul>
  10. 10. <ul><li>O Tema do Delírio </li></ul><ul><li>O conteúdo ou tema do delírio está relacionado ao contexto sociocultural do paciente: hoje em dia, “Napoleões” são raros; na Idade Média, ninguém dizia que a televisão controlava seus pensamentos. Como temas dos delírios, encontramos todos os problemas que preocupam o ser humano. Um determinado delírio pode ser classificado ao mesmo tempo em várias categorias, visto que estas são mutuamente excludentes: acreditar ser Deus constitui um delírio tanto de grandeza como místico, por exemplo. </li></ul><ul><li>O delírio de perseguição é o mais comum, o doente acredita que o estão vigiando, querem prejudicá-lo ou mesmo matá-lo. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>O delírio de prejuízo seria uma forma atenuada de delírio persecutório: o indivíduo pensa que as outras pessoas são hostis em relação a ele, zombam dele ou o menosprezam. </li></ul><ul><li>O delírio de reivindicação (ou querelante), seria um subtipo de delírio persecutório. O indivíduo se julga vítima de terríveis injustiças ou discriminações, e, em função disso, envolve-se em disputas legais e querelas. </li></ul><ul><li>O delírio de influência seria outro subtipo de delírio persecutório. O paciente acredita que alguém ou alguma força externa controla (literalmente) sua mente ou seu corpo. </li></ul>
  12. 12. <ul><li>No delírio de grandeza , o doente acredita ser muito rico e poderoso, ou possuir habilidades e talentos especiais. Tal conteúdo de delírio é típico da mania – primária ou secundária -, mas pode ocorrer também em outros quadros psicóticos, como a esquizofrenia. </li></ul>No delírio erotomaníaco o indivíduo crê ser amado, a distância, por uma outra pessoa. Essa outra pessoa é tipicamente mais velha e possui uma situação socioeconômica mais elevada que a do paciente. DOM QUIXOTE
  13. 13. <ul><li>No delírio de ciúmes , o indivíduo acredita que seu cônjuge ou amante está sendo infiel a ele. Esse quadro está especialmente associado ao alcoolismo crônico e ao transtorno delirante, sendo mais comum no sexo masculino. Muitas vezes o conteúdo do delírio é verdadeiro. </li></ul><ul><li>O delírio de ruína é comum na depressão. Para o paciente, sua vida está repleta de desgraças, sofrimento, fracassos e perdas: tornou-se financeiramente miserável, seus familiares o abandonaram, etc. </li></ul><ul><li>No delírio somático (ou hipocondríaco) , o paciente acredita estar sofrendo de uma doença muito grave ou incurável, como AIDS, câncer, tumor cerebral, etc. </li></ul>
  14. 14. <ul><li>No delírio de negação , o paciente afirma que já morreu; seus órgãos apodreceram, pararam de funcionar ou não existem mais; que o coração não está batendo; ou que o mundo acabou. </li></ul><ul><li>O delírio místico envolve temas religiosos, espíritos etc. O indivíduo diz que é Jesus Cristo, que pode fazer milagres, que Deus lhe deu uma missão, ou que vai fundar uma nova religião. </li></ul>INRI CRISTO
  15. 15. <ul><li>O delírio fantástico envolve temas extraordinários, ou de extrema grandiosidade. Por exemplo uma paciente que afirma ter parido todas as pessoas que existem no mundo. </li></ul><ul><li>No delírio de identificação as síndromes de Capgras e de Fregoli são os principais exemplos. Na síndrome de Capgras, o paciente julga que uma pessoa familiar foi substituída por uma sósia. Este é fisicamente idêntico à primeira, mas psicológicamente distinto. </li></ul>
  16. 16. <ul><li>O exame do delírio </li></ul><ul><li>Os delírios, constituindo uma alteração do conteúdo do pensamento, são, por conseguinte, detectados no discurso do paciente. Todavia, com freqüência o paciente irá dissimular sua atividade delirante ou não terá interesse ou possibilidade ( nos casos de estupor, por exemplo) de verbalizá-la. Nessa situação, torna-se fundamental a avaliação da atitude (desconfiança, medo, arrogância, etc.). </li></ul>
  17. 17. <ul><li>O Delírio nos Principais Transtornos Mentais </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Esquizofrenia: Na esquizofrenia, tipicamente o delírio é bizarro, tem um conteúdo impossível e é pouco sistematizado. Pode ser primário (quando intuitivo) ou secundário (à atividade alucinatória). </li></ul><ul><li>Transtorno Delirante: O transtorno delirante (a antiga paranóia) tem muitas vezes como a única alteração o delírio. Este tipicamente tem conteúdo possível, é pouco bizarro, bem sistematizado, interpretativo, auto – referente e monotemático. </li></ul>
  18. 18. <ul><li>O Delírio nos Principais Transtornos Mentais </li></ul><ul><li>  </li></ul><ul><li>Parafrenia: O delírio típico da parafrenia tinha um caráter fantástico e tornava-se encapsulado, ou seja, atingia apenas algumas poucas áreas da vida do indivíduo, o que permitia que ele se comportasse de maneira normal em quase todas as atividades do seu dia-a-dia. </li></ul><ul><li>Transtornos do humor: Na maioria dos casos de depressão, não há sintomas psicóticos. Todavia, nas depressões psicóticas, os temas delirantes mais comuns são ruína, culpa, hipocondria e negação. Na mania psicótica, os delírios são tipicamente de grandeza . </li></ul>
  19. 19. <ul><li>O Delírio nos Principais Transtornos Mentais </li></ul><ul><li>Psicoses “Orgânicas”: Quadros como delirium, demência, epilepsia (especialmente do lobo frontal), neurossífilis cerebral, intoxicação por cocaína ou anfetamina, entre outros, podem cursar com intensa atividade delirante . </li></ul><ul><li>Psicoses Epilépticas: Os estados crepusculares da epilepsia do lobo temporal podem cursar com sintomas de primeira ordem. São especialmente comuns os delírios místicos, que serviriam como uma auto-explicação para as alterações de consciência e outras experiências não usuais. </li></ul><ul><li>Transtorno Delirante Induzido: Um indivíduo altamente sugestionável, que tem uma relação muito próxima com um doente psicótico, incorpora uma crença delirante deste. O primeiro tende a abandonar o delírio quando a dupla se separa. </li></ul>
  20. 20. <ul><li>BIBLIOGRÁFIA: </li></ul><ul><li>CHENIAUX, Elie. Manual de Psicopatologia. Editora Guanabara Koogan, 2002. </li></ul>

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