PELOS BIGODÕES
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Ponto de encontr...
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Editorial
Expediente
Parceiros de conteúdo e financiamento
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Falta de dinheiro e de conhecimento
não são desculpa para deixar de plantar
árvore ou ...
1- Hoje muitos se divertem com a patinação, mas
sabemos que existem vários tipos e modalidades,
poderia resumir algumas in...
este evento sem mencionar a participação ativa dos
membros e um apoio fantástico da Secretaria de Esporte
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Pelos bigodes do poetaE estão todos convidados a ver aqui
publicadas as suas ousadias ...
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COINCIDÊNCIA
Quando o tempo já não
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Eu estava sentando para escrever essa
minha primeira coluna no Pelos Bigodões, e comec...
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caso, indicaçõ...
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Gregos &
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2.000 LPs dos mais
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Troianos
leituras -
Av. Gustavo Jardim 340
Centro Resende
(ao lado do restaurante Par...
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ShangrillaPOUSADA
O sossego que você
espera de Penedo
Pertinho das melhores
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Agora, com uma variedade que inclui bolos (piparkaku kakku) e
pão integral. E podem esperar por mais novidades, porque ela...
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As portas do parque se abrem para
Jorge. Eram oito da manhã, estava quase
vazio, habi...
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Esse ano de 2015 foi especialmente exaustivo.
Físico e mentalmente. A rotina escolar ...
Número 05 – /2016 Página 16fevereiro
Rua 29 de Setembro, 51. Tel.: (24) 3354.7112
Além dos pães e
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tradicionais, a
...
Número 05 – /2016 Página 17fevereiro
Porque é importante tanta letra para
representar a diversidade sexual? Aliás, até a
o...
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Segundo Edgar Morin (2000), o conhecimento
escolar é derivado do conhecimento científ...
Número 05 – /2016 Página 19fevereiro
Na época do primeiro reinado da
cidade-estado grega de Atenas (que ainda não
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Há alguns meses li o que parecia ser um
daqueles absurdos típicos da falta de noção q...
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  1. 1. PELOS BIGODÕES Número 05 – Fevereiro/2016 by Sebo Gregos e Troianos – casa de leituras e Sala @escrevendo Ponto de encontro de olhares e ouvires, ideias e angústias. Pro-vocações de toda ordem, ainda que caóticas. A princípio, de Resende e Itatiaia. Mas as coisas nunca se cabem no que as principiam. Limites não são bons definidores do que se faz humano. Gregos & Troianos - casa de leituras - 5 5 5 55 55555 5 5 5 5 5 55555 5 5 55 5 55 555 55555 5 55 55 55555 55555 5555 5 PEDALA RESENDE O CAMINHO É ESSE O senhor... Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Guimarães Rosa Sr. Prefeito Rechuan, sem entrar no mérito do conjunto dos seus já sete anos de mandato, é justo reconhecerque,noquetangeàciclocidadania,foioagentepolíticoquemaisfezpormerecernosso reconhecimento. Seria uma pena deixar que um próximo prefeito leve a fama por terminar de unir aCidadedaAlegriaaoCamposElíseos.“Ouse”aciclovianaav.CoronelMendes,Sr.Prefeito! A bicicleta é um veículo curioso. Seu passageiro é seu motor. Luciano Abreu jornalista e agora plantador de ipês Benjamim Bate-papo sobre PATINS O cinema como metáfora da vida Poeta desta edição Maria José Pinto Júlia Barreto Coisa de outro mundo Prof. José Leon O Não Lugar Os caminhantes SUSTENTABILIDADE Página da Pedro Miller O lugar mais feliz da Terra Giulia Minha Odisseia André Leite Política: uma questão de liberdade. Katarina C. Leal A gentileza como uma escolha pessoal. Júlia Dile Sexo, gênero, orientação sexual e identidade de gênero Prof. João Marcelo Teoria e Saber Teoria Hélder Câmara Ciência e Espiritualidade pretensões de diálogo. CURSO DE HISTÓRIA DA FILOSOFIA GRUPO SATOR DE AULAS DE LATIM AULAS DE Sou diabético. E sim, preferiria ter AIDS Prof. Luciano PARA ENEM/ VESTIBULARES/ CONCURSOS Renan C. Maia Daniela Magalhães A FORMA Pág. 3 Pág. 5 Pág. 6 Pág. 13Pág. 12Pág. 8Pág. 8 Pág. 4 Pág. 14 Pág. 15 Pág. 16 Pág. 16 Pág. 17 Pág. 18 Pág. 19 Pág. 9 Pág. 20Pág. 6Pág. 9 Pág. 9
  2. 2. Número 05 – fevereiro/2016 Página 2 Editorial Expediente Parceiros de conteúdo e financiamento Sebo: lugar de gente inteligente PELOS BIGODÕES Gregos & Troianos - casa de leituras - O PelosBigodões 5 é nossa entrada com pé esquerdo em 2016. Para nós, que fique bem claro, o que vem pela esquerda é que é mais saudável, mais humano. Aprendemos muito em 2015.As três primeiras edições foram mensais, mas o cotidiano não permitiu essa cadência. Em compensação, o que começou com 8 páginas passou para 12, 16... e chega agora a suas mãos com 20. Nossa proposta para 2016 é a bimestralidade. Outra boa notícia: atingimos nosso equilíbrio financeiro. Os apoios recebidos, as parcerias conquistadas nos dão orgulho. São vários os tipos de colaborações ao longo desta edição. Outro motivo de orgulho são os e as que assinam os textos. A eles e elas: obrigadÃO! Queremos mais disso. Aqui só escreve quem a gente admira, respeita, quem a gente acha que ao expressar o que pensa faz a comunidade e o mundo um lugar melhor. Temos várias outras idéias e convites esperando viabilidades. É isso. Contato: contatopelosbigodoes@gmail.com Tel.: 2109.0246 Tiragem: 2.000 exemplares Impressão: Gráfica Diário do Vale Distribuição: gratuita Verbas recebidas para esta edição: R$ 1.290,00 Total de gastos: R$ 1.080,00 Saldo das edições anteriores: negativo em R$ 1.830,00 Parte dos anúncios são cortesias, motivadas por razões as mais diversas. 70% das verbas correspondem a permutas. Gostamos de permutas. Queremos permutar mais. Quer permutar com a gente? Só não gostamos da palavra “permuta”. Mas permutamos mesmo assim. Aexposição das verbas que entram, bem como das que saem, está à disposição da curiosidade dos curiosos de plantão. Basta nos contatar. Aliás, da palavra “curiosidade” nós gostamos. Gostamos tanto que até gostamos de gostar dela. A diagramação (que muito tem nos agradado) é do voluntário João Pedro Gonçalves da Silva, irmão do Luiz Gustavo, do Francisco e do Joaquim, filho da Mariangela, namorado da Paloma e cunhado da Rizellis. É um carinha legal. E vai melhorar. Agradecimentos públicos. Cristão, de uma cristandade que transcende qualquer catolicismo. Muito mais educador do que professor. Sujeito histórico por excelência. Afirmo que Deus, se existisse, e em existindo, se se decidisse por agir no varejo, e se, em agindo no varejo, quisesse interferir para que o mundo fosse melhor, uma opção seria colocar um João Alberto Stagi em cada bairro, de cada cidade. Com ele, uma certeza, a de que enquanto não construirmos a utopia que sonhamos, “a luta continua, companheiro”. (LGS) Prof. João Alberto Stagi. Este número é dedicado ao prof. João Alberto Stagi
  3. 3. Número 05 – /2016 Página 3fevereiro Falta de dinheiro e de conhecimento não são desculpa para deixar de plantar árvore ou de cuidar de um jardim. Mesmo. Moradores de Itatiaia e Resende têm à disposição mudas gratuitas e orientações sobre cultivo de plantas, e isso é possível através dos hortos de ambas as cidades. Em qualquer época, não só nas primaveras, que tal levar para casa pelo menos um vasinho de árvore? Comumente usados na arborização das cidades, os ipês chamam a atenção na época de florescimento. Eles são árvores robustas cujas flores dominam as copas. E foi na rua da minha casa que um deles, branco, me chamou a atenção. Já que no meu quintal houve duas grandes perdas recentes - uma goiabeira e um limoeiro tombaram - nada mais justo repor o verde perdido. Antes de procurar floricultura, lembrei-me de que poderia adquirir os pés de graça e pedir orientação. Zero-oitocentos. No horto de Itatiaia, no Centro, a doação de mudas ocorre às quintas-feiras, entre 8h e 11h30. Cada morador tem direito a dez vasinhos e, antes de ir lá, é preciso pegar autorização na secretaria de Meio Ambiente, na sede da Prefeitura. Nesse documento constarão as espécies e a quantidade solicitada, bem como o endereço onde serão plantadas e dicas quanto ao tratamento a ser dado a elas. Estavam disponíveis, no início do mês, para os itatiaienses mudas de ipês, jacarandá, palmeira-leque, pata-de-vaca, areca-bambu, aroeira, sibipiruna, caramboleira, ameixeira, cacaueiro, amoreira, laranjeira... Na ocasião levei dois potinhos de ipês, amarelo-do-campo e branco. No meio do caminho tinha um ipê Ao horto de Resende, próximo ao aeroporto, o morador deve levar original e cópia da identidade, CPF e comprovante de residência emitido nos últimos três meses. Depois de apresentar esses documentos, o interessado ganhará uma carteirinha da Agência de Meio Ambiente da cidade (Amar) para ser apresentada toda vez em que for pegar mais plantas. O atendimento é de segunda a sexta- feira, das 8h às 11h30 e de 13h às 16h30. A cada doação, os resendenses podem levar até dez mudas; por espécie, a quantidade máxima é duas. Os moradores têm direito de pegar os vasinhos - de araçás, cumarus, ipês etc. - uma vez por mês; em Itatiaia não há essa limitação temporal. As espécies citadas neste artigo são comercializadas por aí ao custo médio de R$ 10. Mediante as quantidades permitidas que conseguimos levar para casa, originadas dos hortos municipais, é uma economia e tanto. A natureza agradece o incentivo. Em tempo: os telefones (24) 3352- 6740, da secretaria de Itatiaia, e (24) 3360- 8447, da agência em Resende, são os contatos destinados a dar mais informações a quem quiser contribuir para que tenha mais árvores no meio do caminho. Luciano Abreu jornalista e agora plantador de ipês PENSA EM INGRESSAR NA CARREIRA PÚBLICA? PREPARE-SE NO PRÉ-CONCURSO DO ESPAÇA DO SABER!
  4. 4. 1- Hoje muitos se divertem com a patinação, mas sabemos que existem vários tipos e modalidades, poderia resumir algumas informações com relação ao assunto em pauta? "A Patinação" - "Os Patins". De fato, existem várias modalidades de patinação de rodas.As principais são: - Patinação de velocidade: esta modalidade requere um patins mais leve (geralmente com bota de fibra de carbono) e com rodas maiores (hoje, tipicamente de 110cm enquanto o patins comum costuma ter rodas de 80mm). Existe um campeonato federal desta modalidade, do qual participei em 2008 e 2009 com o time da RioInline (http://www.rioinline.com.br/). Existem provas em pista fechada, e fora do Brasil, é cada vez mais comum que ao se realizar uma prova de maratona de corrida a pé, que o percurso também seja usado para uma prova de maratona de patinação inline (exemplo de Berlin naAlemanha). - Patinação radical: se pratica em rampas com um patins mais reforçado e baixo (rodas de 72mm em geral). É uma disciplina bastante espetacular que cresce cada vez mais, porém, requere um excelente domínio da patinação e um gosto pela adrenalina. No Rio, pode aprender esta modalidade com o professor de patinação Lyon Aragon. Uma variante desta modalidade é a patinação “urban” que aproveita obstáculos encontrados na cidade para efetuar manobras como pulos, deslizes,... - Downhill: Se trata de descer com a maior velocidade possível longos declives, geralmente em regiões de montanha. O patins é mais estável (muitas vezes se usa um patins de 5 rodas) equipamentos de proteção individual reforçados (kevlar é muito usado) em função da velocidade alcançada nesta modalidade e dos riscos inerentes. - Patinação artística e dança: semelhante à modalidade no gelo, esta variante requer um patins de base mais curta para ganhar em manobrabilidade. Nesta modalidade ainda se usa o patins “antigo” com duas rodas na frente, 2 atrás e o freio na frente. Porém cada vez mais, patins inline são desenvolvidos para a dança também. - Slalom: é uma modalidade que praticamos no grupo resendense e que consiste em efetuar manobras em volta de cones de plástico alinhados no chão. Geralmente requere um patins de base curta, bota rígida e um ajuste específico nas rodas (roqueadas: rodas menores na ponta e no calcanhar). É a modalidade mais comum de se ver praticar dentro de grupos como o nosso, até com patins comuns. Esta modalidade é um excelente ponto de partida para quem quiser iniciar na patinação, pois ensina bases de equilíbrio que poderão ser úteis em todas as demais modalidades. - A patinação “fitness”: é tudo que se faz de patins além das modalidades descritas acima como passeios. É onde a patinação é levada a modalidade aeróbica com os benefícios que acompanham (melhorar o condicionamento, emagrecimento) sendo que para se manter em equilíbrio patinando, um número maior de músculos é solicitado do que na corrida a pé por exemplo, causando um estresse muito menor para as articulações, pela ausência de impacto (fora quedas, mas isso faz parte... ? ) O que se pratica no grupo resendense é tipicamente a patinação Fitness e o Slalom. 2- Existe um grupo de patinadores crescendo em Resende. Qual o nome do grupo? Ficamos mais de um ano sem parar muito para encontrar um nome definitivo para este grupo. Sendo assim, o grupo se chamava de “Patinadores das Agulhas Negras” no Facebook, “Avida de rodinhas” no Whatsapp e quando no ano passado pensamos em fabricar camisetas, tínhamos fechado o nome de “Agulhas Negras Inline”. Em outubro de 2015, resolvemos unificar a identidade do grupo abaixo do nome “Agulhas Negras Inline”. 3- A escolha do nome tem um significado especial? A ausência de nome definido combinava bem com o lado bastante informal que o grupo adotou. Mas ficou bem melhor agora com um nome definido! Facilita a divulgação! ? Na época, escolhi incluir ao nome do grupo do Facebook um local que eu gosto muito – o Pico dasAgulhas Negras – e uma prática esportiva que gosto tanto quanto a Patinação – o montanhismo. O intuito também era abranger desta forma uma área maior do que simplesmente Resende. Tanto é que hoje, já temos patinadores do Itatiaia, Porto Real e com certeza, irão aparecer pessoas dos demais munícipios dos arredores. 4- Quem foi o seu fundador? Eu fui quem plantou a semente do grupo, mas que de fato está o construindo são os próprios membros! presente de Natal e postou no Face uma foto dela aprendendo a andar no estacionamento do Alphaville, não sem uma certa dificuldade. Ofereci de lhe dar umas dicas. Ela topou e logo, comentou com amigos e amigas que começaram a aparecer, seguidos pelos amigos e amigas deles. Até que no começo de 2014, eu criei o grupo do Whatsapp para facilitar a comunicação e o planejamento dos encontros. 5- Com qual objetivo? O meu objetivo inicial era buscar reproduzir aqui algo que tinha me ajudado a sair do sedentarismo na época da faculdade: Meu joelho não me permitia praticar a corrida a pé mas eu precisava voltar a praticar uma atividade física (para perder peso, extravazar o stress do quotidiano,...). E quando conheci o grupo onde dei minhas primeiras passadas (Reims Roller Fitness, Reims, França) foi um novo mundo que se abriu para mim. Um mundo de liberdade, de prazer saudável e amizades que até hoje perduram. E o funcionamento deste grupo era bem parecido com o que temos aqui: Não há regras formais nem dono do grupo; o grupo pertence aos membros e consequentemente, a qualidade do que aí se encontra é o reflexo da qualidade das pessoas que o compoem: até hoje, FANTÁSTICA! O grupo não tem regras, mas tem valores! Principalmente o respeito (tanto nos grupos do Face e do Whatsapp quanto nos encontros), buscar vehicular energia positiva, e para o bom andamento do grupo, “quem sabe mais ensina quem sabe menos”. Valores aparentemente bastante naturais para as pessoas que acabaram entrando no grupo. 6- A ideia inicial era apenas divertimento ou o grupo também participou ou participa de competições? Na base do que descrevi antes, o objetivo deste grupo é oferecer a quem quiser uma bolha de tranquilidade na correria do dia a dia, através de uma atividade saudável (com poucas restrições à pratica dele) e acompanhado de gente que buscam a mesma coisa... Essa era minha ideia inicial e confesso que estou gostando de ver que não fugiu muito disso! Os membros poderão opinar... ? Nada de participação em competições no momento, nem projeto para tal. Para poder participar de competições, precisaria de um local adequado, de aulas formais por professores/técnicos “de verdade”, qualificados. E lidar com essa parafernagem toda foge da tranquilidade que eu busco através deste grupo e desta atividade. Mas com o tempo e o aprimoramento de um grupo cada vez maior, a vontade de organizar passeios de patins pela Cidade de Resende veio se manifestando cada vez mais forte. A qualidade do asfalto complica a realização desta ideia, mas no final de dezembro de 2015, conseguimos organizar o primeiro passeio de patins resendense, com um percurso de 9km, acessível para todos os níveis! Contamos cerca de 40 participantes! Para uma primeira, um ótimo resultado! E não posso mencionar Número 05 – /2016 Página 4fevereiro Bate-papo sobre PATINS com Benjamim, do grupo ‘‘Agulhas Negras Inline’’ O grupo nasceu da seguinte forma: desde que cheguei em Resende (quase 10 anos atrás) fiquei procurando um grupo de patins, coisa que tinha nos demais locais onde eu tinha morado antes, e me fazia muito bem. Na ausência de um tal grupo, comecei a andar sozinho pela cidade, no Parque das Águas,... Cheguei a criar o g r u p o d o F a c e b o o k (Patinadores das Agulhas Negras), com o intuito de c o m u n i c a r s o b r e e s t a modalidade relativamente desconhecida na região, mas sem maior repercuções... Até que no final de 2013, este grupo começou de forma bem inesperada: uma amiga ganhou um patins de
  5. 5. este evento sem mencionar a participação ativa dos membros e um apoio fantástico da Secretaria de Esporte e Lazer de Resende. Antes disso, no começo de novembro de 2015, uma turma se organizou para que uns 15 patinadores resendenses possam participar do Roller Rio, na orla de Copacabana. Um evento muito legal do qual todos voltaram querendo mais! É de se esperar em 2016 então que uma iniciativa dessa se repita. Pessoalmente, conheci a parte de competição de patinação participando da Copa Brasil de Patinação de Velocidade em 2008 e 2009, 24h Roller du Mans (França, de 2000 a 2004) entre outros eventos e hoje, confesso que passei da fase. Minha através da minha prática esportiva atual (patins, natação, ciclismo, corrida, caminhada, mergulho essencialmente) busco melhorar minha qualidade de vida. E é um pouco disso que procuro passar a quem cruza meu caminho. 7- Inicialmente contavam com quantos componentes? Quantos componentes tem hoje? Inicialmente contava comigo (que grupão! ? ), depois minha esposa, furtivamente, minhas enteadas, até aparecer esta amiga (no final de 2013) que ajudei a dar os primeiros passos. E hoje, estamos com 268 membros no grupo do Facebook e tivemos que criar um novo no grupo do Whatsapp, já que o primeiro tinha lotado com 100 participantes. O primeiro ano ainda foi relativamente tímido, mas em 2015, começou a aparecer um pessoal animado que está aproveitando, desenvolvendo muito e ajudando o grupo a crescer e aparecer cada vez mais! A última conquista, iniciada por uma das primeiras participantes do grupo, foi de conseguir junto à Secretaria de Esporte um espaço na quadra coberta do Tobogã, todas as 3as feiras das 20 às 22h! 8- Para participar do grupo é necessário? Para participar do grupo, são necessários - 1 patins ou a intenção de comprar um. Se for o caso, peçam dicas antes de comprar um patins que não sirva!!! Me deixa muito triste ver uma pessoa chegar animadíssima com patins novinho e descobrir que comprou um patins do tamanho errado que vai impedir seu progresso... Para quem tiver interesse em comprar um patins, postei umas dicas que eu fixei na publicação inicial do grupo “Agulhas Negras Inline” no Facebook. Incentivo até os vendedores das lojas onde se compram patins em Resende hoje, a conferir essas dicas! - boa vontade para aprender a patinar - disposição para aguentar esta turma, pois eles não cansam nunca! ? Para entrar em contato, - o mais fácil é aparecer no Domingo no Parque (todo domingo no Parque das Águas) ou no encontro semanal da terça feira no parque do Tobogã. Tem aparecido bastante patinadores nestes encontros, até no calor atual do verão! - pelo facebook (Patinadores dasAgulhas Negras) Mas importante é ter claro que este “participar do grupo” não implica em nenhuma matrícula ou mensalidade mas sim na vontade de conhecer/aprender/ aprimorar a prática da patinação num ambiente tranquilo, sem pressão, estresse, horário,... Uma pergunta que volta com frequência é: “Vocês dão aula?” e a resposta típica é: “Não tem aula formal, até porque não tem professor de educação física, mas quem chegar sem saber andar, sempre vai achar pessoas que andam mais e dispostas a dar as dicas iniciais para destravar”. 9- Suas considerações finais sobre o grupo Hoje, eu fico muito feliz em ver este grupo crescer deste jeito. Como coloquei antes, este não é MEU grupo mas sim UM GRUPO QUE PERTENCE AOS SEUS MEMBROS. Espero que essa energia perdure e cresça cada vez mais, ajudando uns a voltar a uma atividade física saudável, outros a aliviar o estresse do dia a dia, conhecendo novas pessoas vindo de horizontes muito variados, num ambiente saudável, respeitoso e divertido. Benjamim Número 05 – /2016 Página 5fevereiro Em seus 120 anos de existência, a sétima arte tem se colocado à disposição para retratar, das mais diversas formas, a humanidade e nossa sociedade. Comédias, dramas, suspenses, terror, ficção científica... Falar das relações humanas e seus pensamentos, aspirações e sentimentos é um combustível eterno para aqueles que dispõem do poder das imagens em movimento. Gostaria de citar dois grandes clássicos do cinema que se aproveitaram do imenso alcance da ficção para tratar de temáticas complexas de uma forma sutil. O que poderia, à primeira vista, passar despercebido do olhar de um telespectador desavisado, acaba se tornando material para interpretações futuras. O cinema como metáfora da vida filme vale a pena ser conferido (está disponível no YouTube). Alguns anos depois, Romero faria a sequência do filme – “Despertar dos Mortos”, enfatizando neste a crítica ao consumismo. E muitos outras películas fazem muito bem reflexões sobre nossa sociedade, utilizando muito bem as entrelinhas: “O Anjo Exterminador” (1962), de Buñuel, é fantástico; “Os Pássaros” (1963), de Hitchcock, continua a hipnotizar; “Os Meninos” (1976), de Narciso Ibáñez Serrador, foi uma grata surpresa pra mim recentemente. Com esse poder de integrar diversas artes num só meio, o cinema acaba abarcando mais de nós mesmos do que imaginamos. Um dos mais famosos é “Vampiros de Almas” (1956), de Don Siegel. Imagine a paranóia em uma cidadezinha da Califórnia nos anos 50 quando seus moradores começam a ser substituídos por estranhas cópias idênticas? Some a isso o contexto da Guerra Fria e temos no filme a tão temida ameaça comunista em voga na época disfarçada de um típico entretenimento para um casal de namorados ver no drive-in. Alguns anos, no final da agitadíssima década de 1960, o cineasta George Romero nos brinda com outra maravilha: “ANoite dos Mortos-Vivos” (1968). Resumidamente, a trama acompanha o desespero de um grupo de pessoas isoladas em uma casa no campo após a ameaça de seres humanos “ressuscitados” devido à radiação liberada pela queda de um satélite. Junte um grupo de estranhos num ambiente fechado e já imaginamos que o clima só tende a ficar mais tenso. O final, metáfora perfeita de conflitos sociais, traz um homem negro que... Não conto porque o Renan C. Maia, 25 anos, jornalista por formação, autor do blog: www.blogletraseimagens.blogspot.com.br. 66,506x
  6. 6. Número 05 – /2016 Página 6fevereiro Pelos bigodes do poetaE estão todos convidados a ver aqui publicadas as suas ousadias em versos e estrofes. É só entrar em contato (pelo e-mail no expediente). Uma provocação do poeta que inspirou o título deste informativo cultural: Paulo Leminski +O assassino era o escriba SIMPLES ASSIM Não esperem rima Não esperem nexo. Sou mesmo assim... Complexo! PROCURA-SE Minha pobre amiga. tão triste a tua mensagem. Esta dúvida que te atormenta sobre a tal felicidade... Que esperas que lhe diga? Não curto Jorge Amado nunca li Gabriela. Nem tenho pássaros cantando na minha janela. Estão todos engaiolados Prisioneiros 2011 (etiquetados e numerados) Como posso eu saber onde a felicidade se esconde? Juro por esse deus em que você acredita que tentei achar uma pista. Em vão! Nem a pau! Tentei nos classificados na internet, o escambau. - Felicidade? Vou procurar. Não! Não consta! Mas não desista, continue a esperar. Pode ser que um dia (só de pirraça) pra me desmentir, ela resolva existir. NOITES DE BAGDÁ Venho de longe... Lá onde mísseis cirúrgicos provocam abortos na lua cheia e aviões conquistadores cegam estrelas confusas. De onde venho a boca de Sherazade cala histórias de amor E as mil e uma noites são dias de pesadelo. Venho de onde carcaças enferrujadas transportam humildes soldados. Ignorantes invasores portam máquinas "inteligentes» De onde fujo olhos choram lágrimas vermelhas e armas a laser gargalham em prata. A terra quente jorra vinho negro que viciados gelados querem beber. Mãos desguarnecidas guerreiam pela paz. Homens armados prometem liberdade. Fujo de onde desertos são povoados de corpos vítimas de corpos desertos de alma. Não há por quem voltar Não há! Não há mais lua cheia Não " ALÁ» Nunca mais poderei ficar Pra lá de Bagdá. Maria José Pinto Quem sou eu? Alguém que há décadas procura por essa resposta. Talvez já tenha me encontrado e distraída não me reconheci... FOGO CONCRETO Que fogo é esse, homem branco que queima meu irmão mas me deixa congelado? Que fogo é esse índio Galdino que consome teu corpo de homem e tua alma de menino? ...É o fogo ateado pela mão daqueles que não sentem frio. Nasceram em berço de ouro mas são frutos do calafrio. Se branco fosses, índio Galdino terias como epitáfio: "Tu és pó e ao pó voltarás". Mas até isso lhe foi negado. Não carece devolver à terra. o que restou de ti, carbonizado. Mas tua alma desvalida jamais será esquecida. Meus filhos compadecidos contarão às futuras gerações a história do índio Galdino que dormiu tranquilo no mundo do homem dito civilizado. E acabou mortalmente ferido por bichos do concreto armado. AH! índio irmão, quanta ingenuidade... Trocaste os perigos da selva pelos animais da cidade! EGOCÊNTRICO O cão que ladra em mim não tem nome. Não uiva para a lua não gosta da rua. Às vezes pacato, outras violento, este cão sarnento não quer comida. (ele consome a vida). Ele é meu único amigo. Este cão é meu umbigo. A FORMA Veia trás detrás a forma q entorna o eixo deslizante desviando o prédio invadindo janelas recortando o piche. Craquela o vidro que vira moleira. Artéria trava. Brainfreeze Cérebro estoura o pára brisa abandonado pneu furado ar anuveando a rua vazia de catástrofe. Acabou. A polícia, a escola, a mãe, a cor a corda que levanta o cimento e a tinta q agora borra o chão Acabou. A esplanada, a cidade cheia de planos, de nadas e de céu Acabou. E o palácio se inunda de troncos, galhos, raízes tortas folhas caindo escorrendo em veia seca. Daniela Magalhães Coreógrafa, baterista da Camille Claudel e poetiza de kitnet. Poeta desta edição O que quer dizer O que quer dizer diz. Não fica fazendo o que, um dia, eu sempre fiz. Não fica só querendo, querendo, coisa que eu nunca quis. O que quer dizer, diz. Só se dizendo num outro o que, um dia, se disse, um dia, vai ser feliz.
  7. 7. Número 05 – /2016 Página 7fevereiro COINCIDÊNCIA Quando o tempo já não passa, ultrapassando-nos... antevemos o passado, viemos antes dos antepassados. Quanto foi que nos desgastamos Ao passarmos... Ao pesarmo-nos de instantes dos outros. Quando o tempo não escuta.. contamos com o irrespondível dispomo-nos ao despir, inventando outro passo. Quem dá o compasso, investigamos até o outro já não somos Quando o onde aparece, paramos.. Aonde vamos torna-se o lugar Para além do qual, estamos No interior do tempo, exteriorizamos. Passemos então a ser espaços Ultrapassantes !! Papeleiro e Revisteiro, aprendiz de penedense, circulante em Resende, amador das palavras e bendizeres e eterno estudante dos símbolos. Leandro Augusto INOMINAVEL Que estranho deus anti-ecológico permite brotar no amarelo solo do Japão, o cogumelo Dá a Hitler frutos venenosos que arianos pássaros gulosos insistem em devorar? Sem dúvida, um deus perdido criou florestas de raízes indígenas e choveu sobre elas armadas nuvens de gafanhotos pálidos Distribuiu sem critério as flores, os rios onde ervas daninhas encaloradas afogam girassóis transidos de frio. E como se não bastassem o fruto podre a semente maldita a peste Esse deus ensandecido semeia (a mancheias) crianças secas no útero rachado do agreste. ... que deus é esse? CANTO DE DESENCANTO Filho: Esquece as cantigas de ninar. Esquece! O som que embala a Terra é só o som da guerra. Não tente ouvir estrelas (nem vê-las) São cadentes. Quedaram quietas por falta de poetas. E pensando bem apaga de tua memória os anjos também. ...AH! sabe aquela história de que os homens são iguais? Ignora! E por favor - não chora. Não existiu a pomba da paz. Jamais! Jamais! E sobre aquele ser a velar os sonhos teus? Acorda, filho meu Até deus virou ateu. E agora olhe ao seu redor Olhe melhor... Toda esperança está morta. Lamento, o que ouves não é o vento É bem pior! É o último alento do corvo a grasnar à sua porta: -Never more Never more!!! ( CANTO PARA REENCANTAR-TE) Entretanto... Apaga o pensamento que tanto mal lhe causou. Afinal, o mundo não acabou. Abra janelas de ver com olhar de primeira vez. Já é tempo de aprender que o encanto desse canto não está na lógica. Está na mágica de perceber com espanto, a magia dessa vida sem BIO e desse estudo sem LOGIA. FINAL DE ANO Acordei hoje puta da vida. Só por quatro semanas posso dar uma morrida? Se algo acontecer você me avisa. Então tá combinado. Deixarei meus neurônios desligados e o coração desconectado. Vou ficar "off line" trinta dias. Quero ficar bem morrida. Já avisei a Telerj, a Net e também o carteiro. Não telefonem - Saí. Não mandem email- Não leio! Só viverei se você me chamar pois sei que não há de ser por um motivo banal. OBS: Pode deixar recado na secretária eletrônica. Voltarei para o Carnaval. Tchau! ERRATA Voltei! Perdoa-me pela mentira. Ontem mesmo avisei Que "tava morrida". Sem telefone, email etc e tal. Mas hoje acordei normal. (não se faz mais mortos como antigamente... por qualquer motivo, ressuscitam a gente) E como zumbi tropical levanto, escovo os dentes, tomo café e parto pra luta (embora continue achando a vida filha da puta). Saio à rua. Nada mudou. Ninguém notou minha ausência. (nem uma nota no jornal) Pudera! Fiquei por tão pouco tempo morrida... Mas não posso negar que foi engraçado ver a cara decepcionada de quem festejou minha partida. Azar deles! Não fui! ...Mas haverá um dia (espero que ainda tarde) em que sem avisar ninguém -nem a mim- vou pegar prática e morrer de verdade. Enfim... e fim! 360 GRAUS Não esperem de mim, palavras amenas, serenatas ao luar. Não sei falar de flores. (só da rosa de Hiroshima) Não canto o amor. (não encontro a rima). Escrevo aquilo que sou. Mas vou lhe contar um segredo: Nunca reclamo. Escrevo! Talvez por isso quem me vê (mas não lê) imagine que sou feliz. ...Até que às vezes acontece da tristeza se ausentar. Mas sempre a dor que espreita volta para me lembrar Que não há sentido na vida. Que a alma - se é que existe- é só um pássaro cativo neste corpo que não reconheço. Então... Volto a ficar triste. Mas não reclamo -Escrevo! EFEITO ESTUFA A Terra envergonhada viu-se despida de seu verde manto O céu curioso arregalou negro olho E o sol sorrateiro aproximou-se para ver melhor IRÔNICO Gosto de ficar assim Estático Portar um sorriso Sarcástico Não retribuir um Bom Dia Enfático. ...Tem dias em que acordo assim Antipático!
  8. 8. Número 05 – /2016 Página 8fevereiro Eu estava sentando para escrever essa minha primeira coluna no Pelos Bigodões, e comecei a pensar na Resende de 33 anos atrás, quando eu aqui cheguei. Era uma Resende que tinha nome e sobrenome. Que você almoçava no Gordo, tomava café no Bar da Dodô e se atualizava sobre tudo que acontecia na política ou no Bar Caçula, ou no Cospe Grosso ou na Cantina Portuguesa. Onde sempre encontrávamos o Martinho, o Manoel Ramos, o Aríseo Maciel, oToninho Capitão. Era uma Resende de poucos prédios, (acho que só existia o da APM e o Solar Beira Rio. Falo dos grandes prédios, não aquelas construções de 4 andares), com a CidadeAlegria recém inaugurada, e sua renda vinha do comércio, da presença da AMAN, da Xerox e da Michelin e da produção rural de leite, com uma grande Cooperativa. Era ainda uma cidade de pouco mais de 80 mil habitantes. Hoje a gente entra em Resende e vê um shopping com a grandeza de cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo, um shopping que pode perfeitamente ser categorizado como “o não lugar”, expressão cunhada pelo dramaturgo Alcione Araújo. Um lugar que pode ser aqui pode ser na Baixada Fluminense, pode ser em Curitiba ou Fortaleza, com seu pé direito alto, suas lojas âncoras e sua praça da alimentação padrão. Um lugar sem personalidade, sem carisma, um não lugar. A Resende de hoje trazia uma nova história para o desenvolvimento regional e nacional. É a Resende da MAN Latina, da Votorantim, da Pernot Ricard, da região do Estado do Rio de Janeiro que não tem petróleo, mas que mais crescia, com a Peugeot Citroen, a Guardian, a Galva Sud e Itatiaia com a P&G e com o transmodal e a Land Rover Jaguar. Só esqueceram de combinar com os russos. Apolitica econômica do governo do PT, depois de 4 anos de ilha da fantasia, fez a máscara cair e já se fala num rombo de R$ 70 bilhões.A Man Latina, a Peugeot, a Galva Sud (hoje CSN Porto Real) respiram por aparelhos, e a grande esperança metalúrgica do sul do Estado está virando cinzas. O perfil desse jornal é de jovens estudantes, que podem nem estar entendendo do que estou falando, coisas distantes do século passado. Mas é bom sentir saudades daquela Resende quase bucólica, que todos se conheciam. É triste olhar para um futuro, de uma cidade que recebia de braços abertos todos aqueles que a escolheram para crescer e viver. E que a crise econômica destruiu, e que perdeu seu nome, seu sobrenome, sua identidade. E que virou um não lugar. O Não Lugar Prof. José Leon Imagine poder ir onde nenhum humano foi. O meu pensamento pode fugir um pouco para o lado Star Trek ou filmes de heróis, mas ser criada por aliens não pareceria algo tão de outro mundo. Certo...pareceria. Sempre imaginei como seria de tirar o fôlego fazer viagens interstelares, descobrir mundos perdidos, levando em conta aqui que os aliens podem ser muito mais avançados que nós. claro que pode haver também alguma espécie alienígena que vive como os primitivos. Imagine uma civilização a l i e n í g e n a a v a n ç a d a c o m exploradores nesse momento chegando nas proximidades de um buraco negro, ou fazendo viagens no tempo. Eu com toda certeza queria estar lá. Quando era criança, fiquei a pensar uma vez como seria ser abduzida. Ou se eu nascesse em algum outro mundo, em outra galáxia. Os filmes de ficção científica realmente me tiram da realidade humana. Poder viajar por um um buraco de minhoca (espécie de atalho entre duas regiões distantes do espaço), descobrir mundos habitados por outras espécies e interagir com elas, viajar em uma nave com capacidade para velocidade de dobra ou até chegar nas proximidades de um buraco negro realmente é o que venho imaginando desde que comecei a ler mais sobre o espaço e tudo o que foi descoberto, as teorias e tudo o que ainda não sabemos. Tudo só me faz ter certeza na resposta da pergunta aqui proposta. Afinal, somos tão insignificantes diante da história do universo e, para provar, imagine um calendário cósmico (apresentado na série Cosmos por Neil Tyson): O primeiro dia de janeiro é o dia em que ocorre o Big Bang. Somos tão novos e pequenos que surgimos apenas no último segundo do dia 31 de dezembro. Coisa de outro mundo Júlia Barreto SABEDORIA PARA ENFRENTAR A CRISE CICLO DE DEBATES COM ESPECIALISTAS PARA ENCONTRARMOS SOLUÇÕES PARA ‘‘CRISE ATUAL’’ Rua 29 de Setembro, 139 - Bairro Comercial Resende - RJ SEMPRE ÀS 19H ENTRADA GRATUITA Confira a programação de Fevereiro: DIA 17/FEV - CUIDAR DA SAÚDE NA CRISE DIA 19/FEV - EDUCAR PARA SAIR DA CRISE DIA 24/FEV - ECONOMIA PARA SUPERAR A CRISE DIA 25/FEV - PARA SUPERAR A CRISE AMBIENTAL DIA 26/FEV - A RELIGIÃO DIMINUI A CRISE?
  9. 9. Número 05 – /2016 Página 9fevereiro * * A devolutiva é feita no encontro seguinte, com análises e, se for o caso, indicações para que seja reelaborada. Variada indicação de fontes para, ao longo do ano, melhorar o entendimento dos assuntos mais “cotados”. Espaço de encontros para aulas de Filosofia, Redação e Latim, na sala 817 (8º andar do Bloco B) do Resende Shopping Sala @escrevendo *A cada encontro corresponde farto material de apoio. *Os encontros focam em três tópicos: gramática, técnica dissertativa e abordagem do conteúdo. *A cada encontro são passadas propostas de textos para serem entregues durante a semana. AULAS DE REDAÇÃO CURSO DE HISTÓRIA DA FILOSOFIA GRUPO SATOR DE AULAS DE LATIM Professora Melise R$100,00 por mes, com material incluso! Horário: das 16 às 17horas Início: 11 de março 15 encontros Em casa, os participantes vão lendo os capítulos. Nos nossos encontros os filósofos e suas idéias vão sendo melhor conhecidos. Material didático desenvolvido/ selecionado especialmente para este curso. Público-alvo curiosos e interessados em cultura geral, em história, estudantes do Ensino Médio, pré-vestibulandos e universitários. Investimento total, com apostila e material complementar incluso: R$ 380 (parcelados) Turma de quarta > 19h30 às 21h10 Turma de sábado manhã > 9 às 10h40 Início 2 de março Início 5 de março Em paralelo à leitura de O MUNDO DE SOFIA, de Jostein Gaarder. Cada um dos mais importantes filósofos da história apresentados didaticamente. - anfitrião: Luciano Gonçalves R$90,00 por mês Particulares ou em grupo - Professor Luciano ENEM/ VESTIBULARES/ CONCURSOS INFORMAÇÕES/INSCRIÇÕES 2109-0246 Gregos e Troianos
  10. 10. Número 05 – /2016 Página 10fevereiro Gregos & - casa de Aproximadamente 2.000 LPs dos mais variados gêneros, a partir de R$ 2,00. Tem Rock, Pop, MPB, Samba, Clássicos... Lps Só não lê quem não quer. Uma prateleira inteira com bons livros/autores a, no máximo, R$ 3,00. R$ 1,2,3 Todos os dias muitos são os que aproveitam da nossa pilha de gratuitos. Há detudo: livros, revistas, gibis, didáticos, apostilas, enciclopédias, Cds... Gratuitos Boa literatura por um preço inacreditável. R$ 7,50 R$ 6,80 Livros das sagas Crepúsculo, Fallen, Os imortais, Gossip Girl, Meg Cabot, Nicholas Sparks... Quadrinhos Gibis, mangás, literatura em quadrinhos, técnica de desenho. Venha conhecer nosso acervo. Bottons e chaveiros Além dos mais variados tipos de gravuras, para decorar sua roupa ou mochila, também aceitamos encomendas, em qualquer quantidade.
  11. 11. Número 05 – /2016 Página 11fevereiro Troianos leituras - Av. Gustavo Jardim 340 Centro Resende (ao lado do restaurante Parada do Milho) 3384-6837 Segunda a Sexta das 9h às 18h30 Sábados das 9h às 14h Qualytec Telecom - Assistência Técnica Especializada celulares, tablets, telefonia e notbooks O MELHOR PREÇO Película de Vidro APENAS R$ 14,99 todos os modelos Capas a partir de R$ 9,99 Reparos: - Software - Peça - Formatação (peças e softwares originais, com qualidade garantida) Acessórios para Celular / Tablet / PC - Mouse - Teclados - Caixa de Som - Coller - Capas - Películas - Fones - Pingentes ** TODA LOJA COM ATÉ 40% OFF! ** TROCAMOS PANELAS AMASSADAS POR LIVROS DE HISTÓRIA! Livros novos e usados a preços que são ótima oportunidade. E você ainda pode usar os seus livros para troca ou abatimento no valor da compra. O mesmo vale para gibis, LPs, CDs e
  12. 12. Número 05 – /2016 Página 12fevereiro ShangrillaPOUSADA O sossego que você espera de Penedo Pertinho das melhores cachoeiras. . Estrada da Fazendinha, s/nº - Penedo / Itatiaia / RJ Fone (24) 3351.1366 / (24) 7834.9754 / ID 131*4032 e-mail: shangrilla@hotwave.com.br www.pousadashangrilla.com.br Tão tranquilo! Chalés com hidromassagem, cama box queen, ar-condicionado, lareira, TV com parabólica. Suítes com ar-condicionado, lareira e frente para a mata Alântica Tão pertinho! Tão bonita! ?Hospedagem no casarão ?Cavalgadas pela Serra de Formoso ?Refeições ( fogão à lenha) ?Day Use ( 10:00 às 16:00hs ) ?Piscina natural / Cachoeiras ?Espaço para encontro de grupos, workshops, pequenos eventos FAZENDA DA BARRA - 1850 - São José do Barreiro / SP (30km de Resende) www.fazendadabarra.com.br fazendadabarra@fazendadabarra.com.br (24) 33212650 / 998231154 (12) 3117-1166 Há poucos meses surgiu um grupo de caminhantes de grandes caminhadas em Resende. Os integrantes são poucos, os itinerários também são poucos, mas o que é que já nasce pronto? Os passeios costumam partir do Campos Elíseos, pela madrugada. Entre os percursos praticados estão a ida (3 horas) ou ida e volta (6 horas) até a Pousada Shangrillá; ida à Fazenda da Barra, em São José do Barreiro, passando ao largo da Votorantim (8 horas); ou ida à comunidade de Visconde de Mauá (8 horas). O que essas três chegadas têm em comum? Muita água gelada para massagear as panturrilhas. Merecido, né! Informações no Whatsapp - (24) 99878 - 4417 Os caminhantes Vitor / Ramon @infoambiental Grupo Troca-Troca do BEM Corrente do Bem Sul Fluminense Busque no
  13. 13. Agora, com uma variedade que inclui bolos (piparkaku kakku) e pão integral. E podem esperar por mais novidades, porque ela está investindo na construção de um espaço todo especial para sua culinária: uma cozinha exclusiva para seu culinarês. Contato: 24.99222.6537 Bolos e Pães ACUPUNTURA Santa Casa de Resende Consultório Particular ROBERT REINHARDT 24.3354.4591 24.3355.1159 Ambulatório Social 2ª e 5ª preço reduzído HOME CARE 24.99831.3437 Juliana Dias -bolos piparkaku kakku -pão integral @juliana_bike Número 05 – /2016 Página 13fevereiro Professora, Professor anuncie aqui, gratuitamente, suas aulas. Apoio à CÃODOMÍNIO Contato direto com Silvio 24/ 99932.4306 Clinicas e médicos veterinários Casas de ração e/ou pet-shops Qualquer outra empresa anuncie aqui e todo o valor correspondente vai direto para a Cãodomínio. SUSTENTABILIDADE 24 3355.3066 brechocheiodehistorias@gmail.com Rua Luiz Ferreira Pinto, loja 06 São Carlos Street Shopping - Resende Página da Pablo Braz Aula particular de Matemática, “Ensino Fundamental e Médio”. Reforço escolar, dependência, concurso público, Enem. Formação: Engenheiro de Produção Mecânica (UERJ) Pós Graduado em Mecânica Automobilística (FEI – SBC) (24) 99849-3451 pablobraz4@gmail.com Professor João Marcelo Silva Mestre em Linguística Aplicada pela Universidades de Tauaté /SP - Aulas particulares de Língua Portuguesa e Técnicas de Redação; - Língua Inglesa Conversação: TURMA EM FORMAÇÃO; - Revisão de textos e traduções; - Oficinas e Palestras para educadores e profissionais de diversas áreas. Contatos: Tel.: (24) 99819-1336 E-mail: bonuseducacional@gmail.com Facebook: Professor João Marcelo Silva Linkedln: João Marcelo Silva - Skype: joao.marcelo.silva2 Aulas de História e-mail:gustasousa@yahoo.com.br Gustavo de Andrade Sousa Aula para os ensinos fundamental e médio. 24 3354-2344 Robin Ward Professor britânico de inglês recém-chegado em Resende, com 20 anos de experiencia preparando alunos para os exames de FCE, CAE, CPE,TOEFL, IELTS, e conversação, inglês para viagens, médicos e advogados,em São Paulo, Brasilia e Rio de Janeiro, dá aulas individuaise em grupo, e faz traduções (português > inglês) 21 97224 4008 24 99955.1291
  14. 14. Número 05 – /2016 Página 14fevereiro As portas do parque se abrem para Jorge. Eram oito da manhã, estava quase vazio, habitado somente por famílias de crianças que insistiram em chegar cedo ou pais que queriam fazer valer seu dinheiro. Jorge não se preocupava, não tinha filhos e nem estava pagando. Passou pelos brinquedos, conhecia cada curva da montanha russa, sabia qual lugar teria a melhor vista na roda gigante, que cavalo do carrossel parecia ir mais rápido. Sabia os truques dos jogos de argola e pescaria, não que precisasse jogar, podia pegar o prêmio que quisesse. Mas agora não era hora pra isso, tinha que tomar café. Asineta da porta anunciou um novo cliente, Maria preparou o melhor sorriso pra recebê-lo, era seu primeiro dia, queria passar uma boa impressão. Seu principal motivo para trabalhar ali eram as crianças, para muitas delas esse dia no parque seria o melhor de suas vidas. Para ela foi.Aporta abriu, ela aumentou o sorriso e: -Bom dia! -Calma minha filha, são 8 da manhã. Manera na animação. Ele devia ter uns 40 anos, usava moletom cinza e calça jeans. Era careca, mas a barba, já com alguns fios brancos, chegava no peito. Tirou um livro do bolso e sentou. Pediu um café sem nem olhar pra ela. Bebeu. Estava uma merda. Sempre esteve, desde que começou a tomar café. Tentou ler um pouco, mas a garçonete não parava de olhar pra ele. É nova. Não sou o que você esperava, né? Cadê a família do comercial de margarina? O garotinho remelento? A menininha vestida de princesa? Não se preocupe, eles vão chegar. Mas eu sempre chego antes. Jorge tirou a garrafa do bolso, normalmente não bebia tão cedo, mas a chance de chocar a garçonete era boa demais. Derramou uísque no café, misturou com o dedo e bebeu. Olhou para ela em busca do crachá. Fazia questão de saber os nomes. -Muito obrigado, Maria. Estava maravilhoso. Jorge vai em direção à saída, contando quantos passos daria antes de ouvir: -O senhor precisa pagar. O suficiente para chegar na porta. -Não, não preciso. Sai do restaurante e sente o sol na cabeça, parece que vai esquentar. Quer tirar o moletom, mas não está de camisa. Nem eu poderia andar seminu por aqui, pensa enquanto se dirige a uma loja. O parque já começou a encher, filas se formam nos brinquedos. Tenta se lembrar da última vez que entrou numa delas. Chega na loja, o caixa olha pra ele com um sorriso que desaparece assim que o reconhece. -Bom dia pra você também, Caio. Pega a primeria camisa que encontra e vai pro provador. Tira o moletom e passa a mão na cicatriz em seu abdômen, podia jurar que ela estava maior, mas provavelmente o que tinha crescido era a barriga. Vestiu a camisa vermelha com a estampa de um cachorro sorridente. Jorge tinha pelo menos umas dez em casa. Passou pelo caixa e Caio perguntou: -Só isso? -Achei que você tinha que atender a todo cliente com um sorriso. Caio suspirou e forçou-se a sorrir. -Assim é melhor. Me passa um boné, do azul, eu sei que é mais caro. Jorge continua caminhando pelo parque, pensa em andar em algum brinquedo mas não sente vontade. Engraçado como as coisas ficam repetitivas depois de 30 anos. Tirou o livro do bolso e sentou-se num banco perto da barraca de argolas. Entre um capítulo e outro olhava crianças jogarem seu dinheiro fora em troca de uma pelúcia que nunca iriam ganhar. Teriam sorte se levassem um estalinho pra casa. Lambeu os dedos para passar a página e ouviu um grito: -E por quê? -Porque é o maior de todos. Jorge ri e aponta para a pelúcia. Otávio olha pra ele cheio de ódio, mas antes que começasse a reclamar, é interrompido: -Bosta! Era uma garota baixinha, de uns 12 anos, que perdia mais uma argola. Tinha o cabelo loiro cortado acima do ombro e estava vermelha de raiva. -Que roubo! Eu joguei bem na garrafa, como não entrou? Tem que melhorar a mira, garotinha. Respondeu Otávio com aquele risinho cínico. Sempre foi um babaca, pensa Jorge. -Como melhorar a mira? Tô jogando o dia inteiro e não ganhei nada! Quero meu dinheiro de volta seu... -Tem algum problema aqui? Otávio e a garota olham pra ele. Jorge consegue ver toda a frustração que sua presença causa em Otávio. Sorri. -Não é da sua conta. -Isso é jeito de tratar um cliente, Tavinho? Não quero reclamar pra gerente de novo. E eu não estava falando contigo. Jorge olha pra garota e repete a pergunta. Ela responde: -O jogo é roubado e esse idiota não quer devolver meu dinheiro. -Ele realmente é um idiota. Mas me diz, você prefere ter seu dinheiro de volta ou um prêmio? A garota olha pra barraca com atenção, avaliando suas possibilidades, até que admite: -Um prêmio. -Qual? -O leão de pelúcia. -Me faz chamar a gerente, Otávio. Por favor. Otávio entrega o leão, quase do tamanho dela. Tentando se manter em pé, a menina enfia a cabeça na juba, sorri e agradece antes de sair correndo pelo parque. Jorge se senta, tira a garrafa do bolso e bebe. Maria entra no escritório da gerente,Ana lê alguns papéis e parece não notá-la. -Desculpa incomodar a senhora, teve um problema. -Já? O parque mal abriu! -Um cara saiu sem pagar -Um careca barbudo? -É. -O que foi que ele pediu? -Um café. -Só um café? E você veio reclamar? Ana suspira, não devia ter que lidar com essas coisas -Ele não paga, se aparecer de novo é só dar o que ele quiser. Maria tem vontade de sair daquela sala o mais rápido possível, mas não resiste. -Não paga por quê? Ana abaixa as folhas de papel, parece que não vai trabalhar essa manhã. -Já ouviu uma dessas histórias de crianças com doenças terminais que ganham um desejo? -Já. Ele foi uma dessas crianças. O desejo era um passe vitalício pro parque, tudo pago. Tinha dez anos de idade e uns seis meses pra viver, e o idiota que gerenciava isso aqui antes de mim pensou “Por que não?' -O que aconteceu? -Não é óbvio? Ele não morreu. Maria reflete por alguns segundos, olha através janela e vê a montanha russa, até mesmo dali ela consegue ouvir os gritos e gargalhadas. -E ele vem aqui todo dia? -Todo dia. Pedro Miller estuda jornalismo na UERJ, foi um dos vinte finalistas do Brasil em Prosa com o conto “O lugar mais feliz da Terra” e não sabe se divulgar um concurso que perdeu é mais ou menos triste do que fazer uma faculdade que não precisa de diploma. O lugar mais feliz da Terra Sónumsebooslivrostêmhistórias
  15. 15. Número 05 – /2016 Página 15fevereiro Esse ano de 2015 foi especialmente exaustivo. Físico e mentalmente. A rotina escolar como um todo exige muito de você; muito do seu tempo e de sua energia. E por acaso, tenho o péssimo hábito de comer e dormir, quando possível, o que também leva tempo. Além disso, havia um outro fator de importância crescente para mim nos últimos anos: vestibular. O que muitas pessoas não se davam conta era sobre o real significado da palavra. O vestibular não é só uma prova, não requere apenas uma preparação absurda. Ele pede que você amadureça e faça decisões que vão influenciarorestodesuavida.Nomínimoemocionalmente agitado. Desde pequena nunca tive uma “profissão dos sonhos”. Nunca quis ser bailarina, atleta, dentista, aeromoçaemuitomenos,masmuitomenosmédica.Sóme lembro de duas vezes ter me decidido por algo. A primeira vez declarei querer ser garçonete. Oi? Sim! Teria que estudargastronomiaparaestaraalturadeexplicare sugerir pratos, além de comprar de antemão um patins e já começar a praticar - precisaria dominar maravilhosamente minhaferramentadetrabalho.Crianças,bah! Pelo menos, só mamãe e papai ficaram sabendo desse surto de imaginação, as pessoas poderiam ficar confusas. Eles logo trataram de me explicar o real dia a dia deumgarçom.Oprojetoperdeuagraça. Depois decidi que queria ser estilista. Passava horas desenhando. Lia as revistas da minhamãe. Mas quando os tios e tias dessa vida faziam a barbaridade de me perguntar o que eu queria ser quando eu crescesse e eu respondia estilista, a resposta era uma cara espantada e um “nossa, mas é uma carreira muito difícil”. E com o tempo passei a perceber que não me levavam muito a sério quanto aquela história; afinal essas crianças dizem tantas coisas com essa imaginação afiada, que fofura! A partir do momento que aposentei a estilista, adotei um novo discurso: o brilhante não sei! E realmente, eu não tinha a menor ideia. “Ah, mas você é tão inteligente,tãoestudiosa... Tem certeza que não quer ser médica?”. Durante muito tempo isso não me incomodou, achava que a escolha viria naturalmente; um belo dia eu acordaria e uma lâmpada acenderia-se sobre a minha cabeça. Tolinha. O fato começou a me incomodar quando o tempo foi passando – e esgotando-se – e continuava totalmenteperdida. No primeiro ano no ensino médio levei as coisas com calma. Sabia que não queria nada na área das exatas e muito menos das biológicas. Só reduzir para algo que me identificasse dentro da área de humanas. Só. Pensei em jornalismo.Penseie“despensei”. Quando até o portal do guia do estudante, que imparcialmente faz uma apresentação sobre todas as profissões, diz que o cenário estava meio complicado você treme na base. O ano então terminou e comecei a me preparar para o ano seguinte. Mas “aí danou-se”. Um ano antesdovestibularevocênãosabeoquer?Ta louca? Quer estudar que nem condenada e descobrir carreiraaomesmotempo? Palavras minhas. Desespero total. Entrei então com artilharia pesada: pesquisas, revistas e orientaçãovocacional. Passavaumainterminávelumahoraporsemana Minha Odisseia Sou Giulia e tenho 17 anos; natural de Resende e apaixonada por livros, moda,cinema, música… e gente! Durante a semana dou uma estudadinha; porque nem tudo são rosas, não é mesmo? Twitter: @giu_carneiro Tumblr: pseudo-cult.tumblr.com com uma psicóloga fazendo testes e mais testes, respondendo à perguntas sem fazer a menor ideia da resposta. Complicado. E as sessões foram avançando e minha situação não a presentava sinais de melhora. Aquele questionamento eterno me matava. Eu me perguntava “o quevocêgostariadefazer”enãotinharesposta. Não havia dica. Não havia nada, era um vácuo. Puni-me muito por isso, era como se eu houvesse falhado em algo e a frustração era grande. Sentia como se minha vida estivesse estagnado; enquanto via todos prosseguirem eu ficava para trás. Pedi muito a Deus, muita iluminação e força. Porque as poucos eu desistia. Por um tempo tudo pareciacético,mecânico. Escolheria uma profissão que pelo menos não me causasse abominação e viveria assim, dia após dia. Eu era só mais uma em meio a tanta gente que acorda e faz isso todo santo dia, e segue, simplesmente porque a vida é assim: nemtodomundodescobresuavocação. Me rendia a um sistema doente, à insegurança latente e à reclamações; como queria que alguém me dissesse o que fazer, como ninguém me entendia, como tudo era igual e previsível, como todos eram superficiais, inconsequentes e infantis, e como eu não fazia nada para mudar isso. Enfim, uma bomba atômica presa em uma crise deidentidade/existencialismo. E no meio de tudo isso, de súbito, do nada, tudo pareceu se acalmar. Simples assim, sem razão. Depois da tempestade,acalmaria.Nãoeraaquelacorreriae imediatismo que se parecia. Aprendi que sim, nem todo mundo encontra sua vocação, mas que há todo tempo do mundopratentar. Aprendi que embora aguarde um ano de muitas últimas vezes, muitas primeiras vezes ainda estão pela frente, que mesmo tendo que deixar algumas coisas para trás,tereisubstitutosigualmenteimportantes. Decidi, como haviam me aconselhado, tirar o sofrimento desse processo; a vida já é tão difícil, tão dura, não é necessário, nem inteligente, ampliar essa condição. Não é que tudo serão flores daqui pra frente, tudo seráfácil,masjánãosintoaquelaangustia que me devorava, perturbava e chateava tanto. Isso para mimfoiimportante.Éimportante. Li que a vida é o que acontece enquanto estamos ocupados fazendo outras coisas. Enquanto eu escrevo esse texto, enquanto leio um bom livro, enquanto pessoas conversam na rua, enquanto a gente nasce, cresce e morre. Decidi então me ocupar com a vida. Por que não? A partir desse momento, o peso que havia sobre as minhas costas foi-se embora e com ele levou os pessimismos que me impediamdeescolher qualquercarreiraque osse;quemepermitiu entãoenxergarum futuroefazerescolhas. Mas,principalmente, escolhisabendoquenão éaúltimaescolha. CRECI /RJ:46807 Antes de comprar ou alugar um imóvel, consulte-nos jorgezaccurcorretor@hotmail.com JZ CONSULTORIA Cel.: 24 99831-4775 LUCILA BRITTO CRECI-RJ 054208 lucilabritto@yahoo.com.br 24.3359.3151 24.99999.5092 24.98835.6361 CONSULTORA DE IMÓVEIS #semprejuntos www.colegioresende.com @colegio_resende 24 33544212
  16. 16. Número 05 – /2016 Página 16fevereiro Rua 29 de Setembro, 51. Tel.: (24) 3354.7112 Além dos pães e lanches tradicionais, a padaria serve sanduíches especiais, feitos artesanalmente, com carne de primeira e cheios de requinte! A partir do momento em que se vive em grupo, em sociedade, a política se faz necessária, indispensável. Tudo é política, do convívio em casa, na hierarquia familiar, com os pais, irmãos e parentes, ao maior ato de cidadania no atual modelo de representação, o voto. Nós nascemos em sociedade e quando adquirimos consciência de nossos atos temos obrigações a cumprir, regras a respeitar. Falar é nosso primeiro ato político, já que caracteriza a vida em grupo, cuja comunicação é indispensável, e o idioma e o sotaque são marcas e expressões que definem grupos específicos. Escolher uma função, um trabalho é o que marca o próximo passo na vida em sociedade, é a mudança para a fase adulta, quando adquirimos responsabilidade para tomarmos todas as nossas decisões, é a característica mais marcante do ser humano, segundo a filosofia existencialista: fazer escolhas. É claro que a liberdade de escolha é restringida por questões como moral e ética, questões essas que nascem junto à sociedade, determinam valores, nela, a serem seguidos e caracteriza o que é ser político. Ser político é o que torna o h Apresentação: Política: uma questão de liberdade. Estudante botafoguense sonhador sofredor. André Leite Podemos afirmar que nos séculos anteriores a gentileza se fazia mais presente no cotidiano. Atualmente, no mundo “urbanizado” que vivemos, alguns valores como, educação, generosidade e amor ao próximo vêm se perdendo devido ao ser humano estar pensando cada vez mais em si próprio. Em um mundo no qual os vícios urbanos – estresse, mau humor, pressa e individualidade – tomam conta da população, como pensar em segurar a porta pra alguém, dar passagem a um carro no trânsito ou dar um simples “bom dia” ás pessoas desconhecidas? Como relatou o psicólogo Roberto Crema, gentileza e boa vontade estão relacionados á felicidade, e aqueles que tentam ser mais gentis no dia-a-dia tendem a experimentar mais emoções positivas e se tornarem mais alegres. Pois a gentileza está ligada ao hormônio dopamina, que fornece e proporciona bem estar. Acivilidade e gentileza tornam a vida cotidiana mais agradável. Entretanto, a r o t i n a c o s t u m a n o s c e g a r, pressionados por ideias equivocadas, que nos dizem para ter sempre mais, a cumprir prazos, atingir metas... Katarina C. Leal Acabamos pensando sempre em nós mesmo, tornando indivíduos insensíveis. Ser gentil não pode vida cotidiana mais agradável. Entretanto, a r o t i n a c o s t u m a n o s c e g a r, pressionados por ideias equivocadas, que nos dizem para ter sempre mais, a c u m p r i r p r a z o s , a t i n g i r metas...Acabamos pensando sempre em nós mesmo, tornando indivíduos insensíveis. Ser gentil não pode depender do outro, não pode ser uma moeda de troca, tem de ser uma escolha pessoal, uma característica do seu caráter! Para finalizar, é um papel da sociedade de “parar e refletir” em suas pequenas atitudes do dia-a-dia,nas palavras que não foram ditas, ou nas que foram em momento incorreto e em todas indelicadezas cometidas muitas vezes sem perceber. É preciso que cada um faça sua parte. A cidade tem que se humanizar pois gentileza realmente gera gentileza! Como ressaltou o teólogo Leonardo Boff: “Não serão nossos gritos que vão fazer a diferença, e sim a força contida em nossas mais delicadas e íntegras ações.” A gentileza como uma escolha pessoal. omossapiens um ser humano, pois o difere das populações de outros animais que elegem o mais forte como líder, que deve ser seguido e obedecido pelos demais. Como disseAristóteles, “o homem é um animal político” e é isso que nos garante a liberdade.
  17. 17. Número 05 – /2016 Página 17fevereiro Porque é importante tanta letra para representar a diversidade sexual? Aliás, até a ordem delas é levada em conta! O nome completinho, até aonde eu me informei, mas sim isso se atualiza a todo momento, é LGBTTQI. Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Transgêneros, Queer, Intersexo. No Brasil, oficialmente se usa a sigla LGBT. Antes de responder essa pergunta e explorar o significado de cada uma dessas letras, vamos esclarecer quatro categorias importantes para compreender as possibilidades humanas de viver a sexualidade. Sexo: Informa sobre a definição biológica do seu cariótipo ou apresentação física do órgão sexual. Gênero: Informa sobre as vivências sociais e subjetivas de cada um sobre si mesmo em relação ao masculino ou feminino. Orientação sexual: Refere-se sobre o desejo afetivo-sexual em relação à outra pessoa. Atenção, não é opção sexual, é orientação! Não se trata de uma escolha. Identidade de gênero: Após equalizar as três categorias acima é possível definir a identidade de gênero. Lembrando que apenas a própria pessoa pode definir a sua identidade de gênero. Ok, então, vamos lá! Lésbicas, gays e bissexuais são categorias que informam sobre a orientação sexual, ou seja, quando é voltada para pessoas do mesmo gênero, mulheres lésbicas e homens gays, ou bissexuais quando o desejo amoroso se dirige para ambos os gêneros. Transexualidade não tem a ver com orientação sexual, mas com a categoria: gênero (guarde essa palavra, é importante!). Pois bem, a maioria das pessoas quando nasce tem o sexo biológico designado tanto pelo cariótipo (XX feminino, XY masculino) quanto pela apresentação física: vagina definindo o sexo feminino e pênis definindo o sexo masculino. Porém existem pessoas que por uma condição genética não tem essa delimitação clara, geralmente por um problema no cariótipo, não permitindo precisar se o sexo é feminino ou masculino, se o que se apresenta é uma vagina ou um pênis. Essas pessoas são designadas como Intersexo. Ou seja, quando se diz que fulano é intersexo só estamos nos referindo ao sexo dele, nada tem a ver com o gênero, a identidade ou a orientação sexual. Sexo, gênero, orientação sexual e identidade de gênero identidade de gênero, apenas ele o poderia. Outros exemplos possíveis, uma pessoa que nasceu com vagina, se identifica com o gênero feminino, se sente atraída por mulheres e homens, sua identidade de gênero é mulher cissexual bissexual. Ou uma pessoa que nasceu com pênis, se identifica com o gênero masculino e se sente atraído pelo sexo oposto é um homem cissexual heterossexual. As possibilidades são infinitas! Enfim, todas essas letras e categorias não dão conta de abarcar a diversidade humana. Aqui eu só fiz menção às orientações hetero, homo, e bissexuais, porém existem outras maneiras de viver a orientação sexual (pansexuais, assexuais). Assim como nas discussões de gênero existem pessoas que a vivenciam de maneira não-binária, ou seja, saem dessa divisão de masculino e feminino. Essas últimas possibilidades que eu trouxe não estão contempladas nas letras LGBT. Em tempo: Queer é um termo guarda- chuva para designar pessoas não- heterossexuais ou que não se identificam com o binarismo de gênero. Assim como transgêneros é um termo guarda-chuva que abrange as vivências trans. Posso voltar nesses termos num outro momento, pois já estamos chegando ao final... De certo que não é possível por toda a dimensão humana numa sigla. Porém quando se nomeia algo se reconhece a existência do mesmo, é um convite ao respeito e a problematização. Utilizar o termo cis é extre- mamente potente para problematizarmos as relações entre sexo e gênero e respeitarmos as existências trans. Quanto à ordem das letras, antigamente era GLBT, porém a partir de uma discussão sobre as formas de opressão do homem em relação à mulher e considerando as pautas feministas essa ordem se alterou para LGBT. Para encerrar, esse texto pretende não apenas informar o que cada letra quer dizer. Mas uma vez tendo mais informações podemos problematizar nosso olhar sobre antigos conceitos e termos para com o outro maior respeito e aceitação. Voltando às pessoas transexuais. Estas nascem com um determinado sexo (pênis ou vagina). Socialmente se espera que pessoas que nascem com vaginas devam se identificar com o gênero feminino, percebam-se como mulheres, e mais ainda sendo mulheres terem determinadas características: doçura, fragilidade, sensibilidade aguçada, submissão, serem passionais etc. Do mesmo modo que de indivíduos que nascem com pênis se espera que se identifiquem como homens, com o gênero masculino e que sejam: fortes, pragmáticos, práticos, corajosos etc. Opa, mas acontece que algumas pessoas que nascem com pênis não se percebem homens, porém mulheres e algumas pessoas que nascem com vaginas se sabem homens. Esses são respectivamente: mulheres transexuais e homens transexuais. TRANS – “além de”, ou seja, seu gênero esta além do esperado para o seu sexo. Assim como quem não é transexual é cissexual (CIS - “ao mesmo lado de”) seu gênero se apresenta ao mesmo lado de que a sociedade espera do seu sexo. Vale ressaltar que pessoas transexuais não são homens afeminados ou mulheres masculinizadas. Mas pessoas que nasceram com pênis e se sabem mulheres, se identificam no gênero feminino e pessoas que nasceram com vaginas e se identificam com o gênero masculino, sabem que são homens. A identidade de gênero só pode ser definida por si próprio e é um resultado da combinação dessas categorias. Nessa matemática existem muitas combinações possíveis e os resultados não obedecem a uma regra rígida, o que faz todo o sentido, pois estamos falando de pessoas. Para dar um exemplo de identidade de gênero vou citar uma amiga, Luiza Coppieters. Ela é professora de filosofia formada pela USP e ativista feminista e dos direitos de pessoas transexuais. Pois bem, Luiza é uma pessoa que nasceu com pênis, sua percepção sobre si mesma, o que ela sabe de si é que é uma mulher (e sempre somos os melhores para dizer quem somos). Ah, Luiza é uma mulher que se sente atraída por mulheres, sendo assim, sua identidade de gênero é: Mulher transexual lésbica! (Claro que eu a consultei sobre isso, pois somente ela poderia dar essa resposta). Um outro exemplo é o americano Angel Buck, ator pornográfico, ele nasceu com vagina e é casado com uma mulher, ele é um homem transexual e vivendo um relacionamento heterossexual, pois é casado com uma mulher, no entanto eu não posso afirmar sua Júlia Dile Formou-se em psicologia pela UFRJ e é Gestalt-Terapeuta. Interessada em tudo que nos torna humanos juliadilepsi@gmail.com
  18. 18. Número 05 – /2016 Página 18fevereiro Segundo Edgar Morin (2000), o conhecimento escolar é derivado do conhecimento científico, no entanto não se ensina o que é conhecimento. Confirmando isso, em artigo publicado no site da revista Scientific American Brasil chamado Teoria Científica para quê? (ZAIA, Dimas A. M. et al, 2012), acerca de pesquisa realizada junto a alunos de cursos de graduação da Universidade Estadual de Londrina/PR cujo objetivo era analisar o nível de aceitação ou rejeição de teorias diversas, encontra-se o dado curioso de que, durante a sua educação escolar, informações sobre como tais teorias são desenvolvidas, de 621 entrevistados, 30% afirmaram nunca terem recebido qualquer explicação a respeito. Essa é uma questão importante de se observar para que o ensino faça sentido para o aluno. Apesar de passar vários anos nas escolas, ensinam-se ao alunado disciplinas que mais parecem oriundas de uma curiosidade descolada da realidade concreta de sua vida cotidiana. Isso faria conduzir a comunidade escolar inteira a equívocos graves, entre eles o de que não há qualquer falibilidade no conhecimento científico e no seu ensino, por isso, não deveria ser questionado. A partir disso, fica claro que a própria transmissão desse conhecimento, dentro dessa visão imprópria do infalível, vem a conduzir a cada vez mais erros e ilusões (Morin, 2000). Haver esse pensamento implica em observar que o conhecimento, etimologicamente, vem de conhecer e nisso explicita-se o caráter empírico que permeia o próprio método científico. Conhecer inclui o reconhecimento de que, ao se buscar saber, o ser humano expõe-se aos riscos de pesquisar e interpretar de maneiras diversas, inclusive erradas, mas que ao se tomar consciência do que significa o saber, as chances de sucesso aumentam consideravelmente. Assim, o conhecimento é concebido como um movimento de percepção e reconstrução constantes. Analisando-se assim, faz sentido buscar o que é conhecimento de fato, segundo uma perspectiva de relevância, ou pertinência (MORIN, 2000). Saber algo sobre alguma coisa significa possuir ciência de algo que, dentro da realidade concreta da qual se partiu para sua abordagem, é importante sobre o tema. Essa importância só pode ser admitida, como também reconhecida, se for possível por meio de um modo de conhecimento(MORIN, 2000) apreender o conhecimento como parte de um contexto e estabelecer o próprio contexto. É característico do ser humano correlacionar as partes ao todo e vice-versa a partir de elementos essenciais, assim o ensino teria como uma de suas premissas essenciais restabelecer esse atributo no que se refere ao conhecimento em seu sentido mais amplo, sobretudo em conjuntura escolar – tão fragmentada pela visão desarticulada das disciplinas como trabalhadas atualmente. O próprio ser humano em sua condição de parte de uma natureza mais ampla – física, biológica, social, cultural, psíquica, histórica – também carece de rearticulação de si como possuidor de uma identidade complexa (MORIN, 2000) que envolve todos esses aspectos paralela e simultaneamente. Tal saber de si não pode ser sinalizado como algo externo no ensino, visto que o processo educativo necessariamente leva ao reconhecimento de si em relação a si, ao conhecimento e com o outro. Isso equivaleria a dizer que o ser humano é complexo e aprende a ser e exerce Teoria e Saber Teoria plenamente seus atributos sendo e se reconhecendo como tal em face à exposição a outros seres humanos e ao conhecimento produzido por todos. Desdobrando esse aspecto humanizador do conhecimento, tem-se que os saberes que se adquiririam num projeto de ensino de tal característica mobilizariam também o conceito de que, ao se participar dele, evolui-se como espécie e, por conseguinte, todo o planeta. Estabelece-se, destarte, o progresso do ser como parte da espécie e membro conscientede que isso contribui com a sustentabilidade de todos os sistemas que mantém a vida na Terra. Para progredir, deve-se ter em mente que houve diferentes estágios na evolução deste astro e que cada um deles possuiu sua razão de ser produziu desenvolvimento e que, mais especificamente, o estabelecimento da humanidade com seus acertos e erros poderia – como pode – contribuir muito mais pelo bem de todos. De tal maneira, vive-se uma época em que todos têm responsabilidade nisso. Fazer parte de um sistema tão amplo e complexo expõe a momentos em que não há controle total das situações e o imprevisto, a dúvida, aIncerteza (HEISENBERG, 1927) pode ser um elemento da vida que fomentaria possibilidades de crescimento, sobretudo no ensino. Então, ter-se-ia a partir disso que ensinar que e como isso contribuiu para a evolução das ciências, assim como do próprio ser humano, é parte fundamental do processo educativo. Esse seria um saber (MORIN, 2000) que traria uma nova consciência inclusive do progresso humano na história, preparando o alunado a enfrentar e se posicionar face a contextos os mais variados em ambientes também diversos, abandonando a zona de conforto da concepção de um mundo de obviedade tola para avançar rumo às múltiplas possibilidades de descobertas, científicas ou não. O ensino, por esse prisma, seria uma experiência a partir da qual se fomentariam mentes lúcidas, articuladas e criativas. Outro saber sinalizado pela teoria de Morin é a compreensão. Mentes lúcidas, articuladas e criativas funcionam melhor à medida que se relacionam com a diferença. Compreender é reconhecer o outro da maneira que ele é e procurar estabelecer um vínculo de respeito e tolerância que promova o desenvolvimento de ambos. É essa percepção, sob os primas objetivos – intelectuais – ou intersubjetivos – humanos e humanizadores –, que fomenta a solidariedade não- hipócrita, i.e., verdadeira no sentido em que no ensino, por exemplo, há o reconhecimento de que o conhecimento constitui o ser humano como indivíduo em relação ao outro e como espécie, parte de um conjunto complexo, extremamente heterogêneo, por seu caráter de partilha de saberes segundo os quais se estabelecem relações tipicamente humanas. O último saber do pensamento do intelectual francês é a antropo-ética, i.e., a ética do ser humano. Essa deve ser ensinada segundo o princípio de que a pessoa existe em três esferas distintas simultaneamente: indivíduo, sociedade e espécie (MORIN, 2000). Como indivíduo, deve-se desenvolver um comportamento que atenda a missão antropológica de agir em prol da democracia humana, do bem comum e da convivência. Assim, a antropo-ética seria, no ensino, mais que um saber último, mas elemento civilizador de toda a comunidade escolar. Da conjugação de todos esses saberes em uma estratégia de ensino articulada é que, então, ter- se-ia um alunado com competências e habilidades adequadas para o desempenho da cidadania no mundo atual. Uma prática docente que se imagina transdisciplinar precisa cumprir com esses objetivos, mas também se valer de uma dialogia própria para que seja efetiva. Na área de Linguagens, entre suas teorias basilares, tem-se na Análise Dialógica do Discurso elementos que justificam esse pensamento e valendo, assim, colocá-los dentro dessa perspectiva teórica. Assim penso. Prof. João Marcelo Teoria e Saber Teoria
  19. 19. Número 05 – /2016 Página 19fevereiro Na época do primeiro reinado da cidade-estado grega de Atenas (que ainda não tinha esse nome), os deuses do Olimpo instituíram um concurso para saber qual deus seria o padroeiro da cidade. Para tal pleito, candidataram-se Atena, deusa nascida da meninge de Zeus – o Senhor do Olimpo – e Posêidon, deus dos mares. Venceria a disputa o deus que desse à população local o melhor presente. Posêidon fez surgir um cavalo e ao brandir seu tridente fez jorrar uma fonte de água salgada no meio da cidade. Atena, por sua vez, ensinou a população a domar o cavalo e fez nascer uma oliveira ao lado do poço de água salgada. Os deuses elegeram Atena como a protetora da cidade que, a partir de então, passaria a ter o nome em homenagem à deusa. Sob uma perspectiva junguiana, sempre que falamos de mitos, estamos nos referindo aos arquétipos do inconsciente coletivo. A linguagem mítica fala, através de metáforas, dos temas simbólicos que inspiram e modelam a psique humana. Lê-los como eventos literais seria, além de risível, um grave empobrecimento da poesia e da sabedoria psicológica desses arcaicos relatos. Refletindo sobre isso, ao buscar um sentido para a passagem mitológica acima, vi- me pensando sobre o domínio da ciência e da racionalidade (deusa Atena – a nascida da cabeça do pai) como principal regente do paradigma da pólis ocidental moderna. E de como o insondável, o imaginário, o metafísico (Posêidon – deus das águas dos mares, oceanos, rios e lagos) perdeu, gradativamente, espaço e poder no coração e na mente do homem civilizado. Com exceção do longo e obscuro intervalo da Idade Média, onde só era reconhecido como verdadeiro o que o saber religioso assim determinava, a mente ocidental, com seu berço em Atenas, foi fortemente matizada pela lógica e a busca de respostas a partir da reflexão e, mais recentemente, a partir do que pode ser observado pelos instrumentos físicos, medido estatisticamente e cientificamente comprovado. Como antítese ao “inverno da razão” na Idade Média, surge o paradigma cartesiano, que ganha contornos bem sólidos no Iluminismo. E o que antes era um “vergalhão ideológico” torna-se “viga e concreto armado” no positivismo de Comte (“pá de cal” no processo de banimento de Posêidon da pólis). Paradoxalmente, por um desses inexplicáveis enigmas da existência, na mesma época de Auguste Comte, Netuno¹ é descoberto pelos astrônomos e, por sincronicidade com a temática netuniana, vê-se florescer um interesse crescente da comunidade européia por questões transcendentalistas. Como diz Gilberto Gil: “...mistérios sempre hão de pintar por aí!” Porém, mesmo com esse interesse, a partir desse momento histórico, dizer que algo é científico é, senso comum, sinônimo de Verdade (com V maiúsculo). A ciência, nesse aspecto paradigmático, tomou o lugar da religião na era medieval. A diferença hoje é que o “amém” ao Vaticano de outrora é agora o “amém” à comunidade científica. Nesse cenário, a perspectiva de Posêidon, que simboliza o onírico, o místico, o transcendente ganhou um crescente status de crendice, ignorância e superstição. Salve Atena! As benesses de Atena, que a tornaram vitoriosa no embate, nos dão algumas significativas dicas sobre o quanto a ciência contribuiu e contribui com a qualidade de vida da humanidade. Enquanto Posêidon dá o cavalo (natureza, instinto), Atená nos ensina a domar o cavalo (domesticar a natureza e usá-la a favor do homem). Enquanto Posêidon dá aos nossos antepassados uma fonte de água salgada (água está associada simbolicamente ao inconsciente), Atená nos dá a oliveira (o azeite pode ser combustível e ungüento – símbolos da ação consciente promovendo o progresso, principalmente, nos dois principais pilares da ciência moderna – a física e a medicina). Mas, tudo tem os dois lados e, quando, individual e/ou coletivamente, tomamos um caminho unilateral e exilamos um deus da nossa cidade interna (consciência), em linguagem junguiana, negligenciamos um arquétipo, ele não desaparece como que “por encanto”. Ele se constela na sombra do inconsciente coletivo em oposição ao arquétipo regente da consciência coletiva. E passamos, como sociedade, a vivenciar seus aspectos mais devastadores. No caso específico da passagem mitológica acima, as doenças e mazelas da irracionalidade (Posêidon): os fanatismos e intolerâncias de todos os matizes; a devastação da natureza; a crise hídrica (Posêidon rege todas as águas); a banalização da violência e uma sensação de estarmos todos nós sem rumo nem direção, um vago, porém persistente, sentimento de falta de sentido de vida. Os avanços tecnológicos (à luz de Atena) caminham pari passu com a confusão ética generalizada (à sombra de Posêidon). Porém nem tudo está perdido! Segundo o site de fofocas do Olimpo, por trás dessa rivalidade entre Atena e Posêidon sempre existiu uma inconfessável e platônica paixão (Freud deve explicar, talvez?!). Ao saber disso, resgato a utopia de um diálogo entre ciência (Atena) e espiritualidade (Posêidon). Mas, para isso, fazer-se mister lembrarmos as palavras atribuídas ao poeta alemão Friedrich Schiller: “Para serem amadas, as coisas da terra, precisam ser entendidas. Para serem entendidas, as coisas do céu, precisam ser amadas.” E creio que, dessa dialética, possa nascer um paradigma mais includente, ecológico, quântico, holístico. Um jeito de ser e de perceber o mundo que abra espaço para um progresso mais sustentável, mais solidário e empático, com razão (a luz de Atena) e sensibilidade (a luz de Posêidon). Sinto isso claramente quando eu, um netuniano¹ delirante, recebo o generoso convite para escrever no jornal que é capitaneado por umas das raras pessoas que não só pensam, mas, principalmente, pensam sobre o que pensam, meu dileto amigo, um legítimo cidadão da pólis ateniense, Luciano Gonçalves. ¹ Posêidon era chamado de Netuno pelos romanos. Em bom astrologuês, netuniano é alguém que tem a personalidade mais identificada com o arquétipo de Posêidon. CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE pretensões de diálogo. astrólogo, taroterapeuta e quando criança contava muita lorota. Alice, minha amorosa mãe, para curar minha mitomania presenteou-me com livros de mitologia. Hoje, graças a essa “biblioterapia”, de potencial mitômano virei mitólogo e, assim, botei meus fracassos nas paradas de sucessos. Dou aulas numa escola chamada Kairós – Centro de Estudos da Consciência que está de mudança para o Shopping São Carlos, sala 16. Nesse espaço, além de cursos e consultas, temos uma biblioteca especializada, aberta para pesquisadores. Para mais informações e também para trocar idéias e devaneios meu email é: heldercamara71@hotmail.com Hélder Câmara Daniela / Leonardo (24) 3354-2888 contato@danielaflores.com Av. Marechal Castelo Branco 76 - Resende/RJ Ornamentação de eventos Arranjos / Buquês
  20. 20. Número 05 – /2016 Página 20fevereiro Há alguns meses li o que parecia ser um daqueles absurdos típicos da falta de noção que permeia a internetelândia. O médico britânico Max Pemberton declarou (dê uma googlada) que se tivesse de escolher entre diabetes tipo 2 ou contágio pelo HIV (causador da AIDS), preferiria o contágio. Em resumo, seu raciocínio era o de que os portadores do vírus, graças à simplicidade de uma única ingestão diária de comprimidos, não veem diminuída sua expectativa de vida. Já os diabéticos... As minhas reações seguiram o roteiro previsível de quando nos confrontamos com uma idéia que, além de nova, tem o poder de remexer muita coisa dentro da nossa cabeça, exigindo como desdobramento uma série de repensares. 1ª reação > O cara exagerou. 2ª reação > É... por um lado, ainda que bem esdrúxulo, até que tem sua lógica. 3ª reação > Caraca! Faz sentido por todos os lados que se olhe. Reconheço que há certa simplificação no raciocínio, até por respeito a todos os infectados pelo HIV, e à ignorância do preconceito que ainda permeia, mas sim... atualmente, ter diabetes é pior. Sou portador da “diabetes tipo 2”. Não se trata de ciência exata, mas sou ótimo exemplo da estatística que aponta como principal causa a ingestão por anos e anos e anos de doses irresponsáveis de açúcar, associadas a frituras e, quase por óbvio, obesidade. Bingo: cotidiano fudido com suas restrições e morte mais cedo por relaxo e ignorância. É para jogar a auto-estima de qualquer um no lixo. É... a gente sabe que não deve flertar com o alcoolismo, fumar, transar sem camisinha, usar drogas, prometer o que sabe que não vai conseguir cumprir, torcer pro Vasco, acreditar do PSDB, dirigir sem cinto de segurança, dar bola para pastores que falam em milagres ou que nossa vida financeira vai melhorar na proporção das nossas contribuições, perguntar se foi bom para ela também, soltar pum no elevador, estudar tanta Química no Ensino Médio nem escrever na redação de alunas que a abordagem está “vaga”... porque esse comentário é que é muito vago. A gente sabe, mas... vocês leitores sabem... quem nunca? Prof. Luciano Gonçalves @escrevendo 13 ideias que podem tornar o mundo melhor Até tem um pessoal que se aproxima um pouco disso, mas acabam flertando com yoga, vegetarianismo, meditação, peixe cru, brócolis, feng-shui, Botafogo, tigelas tibetanas, Enia-Kitaro, Cury, Shiniashiki, copo d’água pela casa, Deepak Chopra, homeopatia, chacras, urinoterapia... E aí, numa boa, mesmo que funcionasse, não sei se vale a pena. De novo, não é ciência exata, mas esses pacotes costumam flertar com alienação política. E aí, numa boa de novo, prefiro Hannah Arendt: “Eu me recuso a viver pela minha saúde”. Alguém pode objetar: “Mas é só seguir a dieta.” O caralho, é que não tem nada de “só” nisso. Ainda mais se sua goela literalmente devolve verduras e legumes, como a minha. Num cálculo razoável, nos próximos vinte anos seriam aproximadamente quarenta mil refeições sendo transformadas, a cada toda santa experiência, em frustração. Todo dia, várias vezes. E vou estabelecer outra comparação pouco conve- ncional: aprendi com meus fracassos a respeitar os fracassos dos mais variados viciados. Se sofro tanto por doce de amendoim, chocolate, batata frita e coca-cola... quão não é inglória a luta contra o que chamamos de drogas, do tabaco ao crack! Já passou da hora de os governos, em todos os níveis, efetivamente agirem contra este que é um dos maiores perigos ao nosso futuro humano: o açúcar. Não seguir essa disciplina é certeza de algumas conseqüências. Amputação de dedos, pés, pernas (necessariamente nessa ordem). Falência gradual dos rins. Uma médica descreveu realisticamente o que é um diabético nunca mais gerar uma gota de urina. Cegueira (condição, já aviso, inaceitável). Impotência. Infarto. Derrame. Essas coisas todas não necessariamente nessa ordem, mas com possibilidade de ser tudo simultâneo, tipo “tudo junto e misturado”. Uma coisa assim medonha e horrorosa, tipo um disco do Latino. Vamos complicar mais um pouco: cada veiazinha estourada no olho, cada cicatriz nos rins, cada passo, ou melhor, tropeço... é irreversível. É isso. É foda! É mais do que certo que o HIV vai, por vários motivos que Darwin nos explicou (se você não for um medieval criacionista), se tornar cada vez menos letal até se tornar mais uma de tantas doenças e síndromes com as quais convivemos sem maiores dramas. Já a diabetes, principalmente a do tipo 2, essa que é fruto dos nossos maus hábitos, por se tratar de uma doença sistêmica (o problema não é com o produtor da insulina, o pâncreas, mas com a perda de capacidade de todo o corpo em processar o açúcar), não deixa muitas esperanças. Sem dúvida, se eu pudesse escolher, escolheria o HIV. Para termos um pouco mais de percepção do problema, para além da escala do indivíduo, vamos recorrer a uma estatística americana, de números mais confiáveis: nos EUA são, a cada doze meses, só (só, só na comparação) 50.000 novos portadores do HIV contra 1.700.000 novos diabéticos. Repetindo: por ano. Durmamos com isso! Gosto do clichê “last but not least”, mas não é o caso: assumo este parágrafo como o mais importante. A intenção é a de servir de mais um alerta a todos os jovens, a todas as jovens para que tomem mais cuidado. Cuidados que eu, tão arrogante mente bem informado, não tomei. E p u b l i c a m e n t e e m especial a um jovem em particular: um dos meus quatro filhos. Sei que ele sabe de tudo isso. Mas, que pena!, não basta. Merda, não basta! Sou diabético. E sim, preferiria ter AIDS

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