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Caracterização das Empresas instaladas no entorno da Região Produtora da Bacia de Campos

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Uma análise dos tipos de empresas instaladas nas regiões próximas da região produtora da Bacia de Campos.

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Caracterização das Empresas instaladas no entorno da Região Produtora da Bacia de Campos

  1. 1. XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 Caracterização da aglomeração industrial de petróleo e gás da região produtora da Bacia de Campos, sob a ótica da complexidade e do dinamismo tecnológico das firmas Bruno dos Santos Silvestre (DEI/PUC-Rio e Eletrobrás) bruno.silvestre@eletrobras.com Paulo Roberto Tavares Dalcol (DEI/PUC-Rio) prtd@ind.puc-rio.br Resumo Este trabalho é resultado de um estudo empírico realizado na aglomeração industrial da região produtora da Bacia de Campos (BC). A coleta de dados foi realizada em 10 firmas atuantes em áreas de alta complexidade e dinamismo tecnológico localizadas na aglomeração. Além disso, informações foram coletadas junto ao poder público local, organizações de empresas e Petrobras. Foram realizadas diversas entrevistas com informantes-chave que executam trabalhos relacionados com a tecnologia utilizada nos campos de exploração e produção de petróleo da província petrolífera, tais como gerentes de tecnologia, engenheiros experientes, gerentes e diretores das bases localizadas naquela região. A caracterização desta aglomeração, sob a ótica da complexidade e do dinamismo tecnológico das firmas, se mostra fundamental por serem estas características que podem levar as firmas à aprendizagem, ao desenvolvimento tecnológico, à inovação e, conseqüentemente, à sustentabilidade no longo prazo. Como principais resultados, destaca-se o processo de formação desta aglomeração, bem como a caracterização (estrutura e composição) da mesma, sob a ótica da complexidade e do dinamismo tecnológico das firmas, consistindo em subsídios para futuros trabalhos em outras aglomerações industriais, com foco nas relações entre as firmas, na aprendizagem organizacional, na aquisição de capacitações tecnológicas, nas mudanças tecnológicas e inovações. Palavras-chave: Petróleo e gás; Aglomeração industrial; Dinamismo tecnológico. 1. Introdução Nos últimos anos, profissionais de diversas áreas têm-se envolvido em um aquecido debate sobre ‘energia’. Esse debate se mostra importante em virtude de vários fatores: a discussão da composição da matriz energética mundial, buscando determinar o mix ideal das fontes existentes; a procura de fontes alternativas de energia limpa, devido a suas inúmeras vantagens; a limitação natural dos recursos fósseis, inclusive o petróleo e seus derivados entre outros. É fácil compreender, no entanto, a razão da grande importância do petróleo: seus derivados são empregados, pode-se dizer, em quase todas as atividades humanas. Automóveis, barcos, aviões e grande parte dos transportes utilizam combustíveis derivados do petróleo. Do petróleo, pode-se obter eletricidade: nas centrais termelétricas, os dínamos que produzem energia são acionados por motores movidos a diesel ou gás natural. Os óleos lubrificantes são indispensáveis para o bom funcionamento de qualquer tipo de motor; os asfaltos e os betumes são empregados na construção de rodovias. Além disso, borrachas, tintas, vernizes, detergentes, pesticidas, fibras têxteis e até matérias plásticas, usadas em larga escala no mundo de hoje, são apenas outros entre muitos benefícios que o petróleo proporciona. Em virtude dessa importância, as empresas operadoras de petróleo e gás (i.e., empresas que operam os campos petrolíferos, extraindo o petróleo e o gás natural) procuram adaptar-se às ENEGEP 2006 ABEPRO 1
  2. 2. XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 situações de mercado. Com a escassez de petróleo em terra (onshore) as empresas iniciaram buscas do recurso em águas oceânicas (offshore). A limitação dos recursos em águas rasas (shallow water – até cerca de 200 metros de lâmina de água) e o alto preço da commodity no mercado mundial, fazem com que as operadoras explorem e produzam petróleo e gás em águas cada vez mais profundas, buscando o produto para suprir um mercado demandante. Daí o surgimento de atividades de exploração, desenvolvimento e produção em águas profundas (deepwater – de 200 a 2.000 metros de lâmina de água) e águas ultra-profundas (ultra- deepwater – acima dos 2.000 metros de lâmina de água) (LEFFLER et al., 2003). Conseqüentemente, toda essa busca pelo petróleo gerou um enorme avanço tecnológico nas atividades de exploração, desenvolvimento e produção nos últimos anos. Situações inimagináveis, como a exploração de petróleo e gás em alto mar, são, atualmente, a realidade para as empresas do setor. Para que todo esse avanço fosse possível, as operadoras e fornecedores de equipamentos e serviços offshore têm aplicado esforços substanciais em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para viabilizar a extração de petróleo e de gás natural em águas ultra-profundas e diminuir os custos operacionais das atividades de E&P (Exploração e Produção). Dentro das atividades de exploração e produção (E&P) offshore pode-se ressaltar a existência de três fases seqüenciais distintas. Cada uma delas é composta por uma gama de empresas, atuando em diferentes atividades, conforme a fase do processo (LEFFLER et al., 2003): a) Exploração de petróleo e gás – fase de investigação do terreno e análise do subsolo, para traçar seu perfil geológico e determinar a possibilidade de existência de petróleo e gás natural. A base de conhecimento utilizada está calcada na geologia e na geofísica e em tecnologias como a análise sísmica em 3D e 4D. Nesta fase, o fluxo de caixa é formado apenas de investimentos (saídas de recursos financeiros); b) Desenvolvimento de campo de petróleo e gás – fase de desenvolvimento e implementação das estruturas que viabilizarão a retirada do petróleo e do gás, tais como, estrutura de perfuração dos poços, sistemas de produção submarinos, árvores de natal, plataformas, dutos, etc. A base de conhecimento utilizada está calcada na engenharia de poço, na engenharia de petróleo e em tecnologias de sistemas submarinos. Fase em que o fluxo de caixa ainda consiste apenas de investimentos; c) Produção de petróleo e gás – fase de produção propriamente dita. Envolve a operação e a manutenção dos equipamentos e dos sistemas de produção instalados na fase de desenvolvimento, para a retirada do petróleo e do gás das jazidas, a fim de serem enviados à unidade de processamento (refino). Nesta fase, ocorre a inversão do fluxo de caixa do projeto: o capital investido nas duas primeiras fases (exploração e desenvolvimento) começa a gerar o retorno financeiro; Portanto, a fase de exploração seria o ‘onde’ produzir, a fase de desenvolvimento seria o ‘como’ produzir e a fase de produção seria o próprio ‘produzir’. Identificado um campo de petróleo ou gás nas profundezas do oceano, a fase de desenvolvimento define como viabilizar a extração daqueles recursos, fase esta que consiste no foco deste estudo. Pode-se destacar algumas perguntas básicas, pertinentes a esta fase: quais equipamentos utilizar? Quais sistemas e estruturas de produção seriam necessários? Existe base técnica/tecnológica para execução de tal projeto? Se existe base técnica/tecnológica para execução do projeto, este é viável economicamente? Se não existe base técnica/tecnológica para a execução do projeto, existe a possibilidade de desenvolvimento de sistemas que o tornem viável? Desse ponto, surgem grande parte dos desafios do setor e a necessidade de aplicação de ENEGEP 2006 ABEPRO 2
  3. 3. XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 recursos em P&D, desenvolvimento de novos produtos e novos conceitos para a transposição das barreiras técnicas/tecnológicas que as novas descobertas impõem. Portanto, a fase de desenvolvimento tem sido alvo de diversas mudanças tecnológicas e do dinamismo que são o foco de interesse deste trabalho. Tal fase é, conseqüentemente, estratégica para os avanços nas atividades de E&P offshore em ambientes cada vez mais hostis. A complexidade e a base multidisciplinar exigida para a resolução de problemas e para o desenvolvimento de novas estruturas e sistemas de produção, faz com que as empresas se organizem de forma aglomerada (próximas geograficamente) para a execução de tais tarefas. Essa estrutura aglomerada forma uma vasta estrutura de fornecimento em que o papel de ‘empresa âncora’, na aglomeração industrial da região produtora da Bacia de Campos (BC), é exercido pela Petrobras. Como a indústria em questão pode ser classificada como intensiva em recursos naturais (petróleo e gás) e por questões relacionadas à logística, essa concentração de firmas se organiza, na maioria das vezes, nas proximidades das jazidas, formando o que é conhecido como ‘província petrolífera’. Entretanto, as firmas atuantes como fornecedoras de bens e serviços de alta complexidade tecnológica, em áreas de alto dinamismo tecnológico, possuem fortes conexões externas ao aglomerado, fortes características sistêmicas e tendências de internacionalização. Além disso, utilizam equipamentos que, muitas vezes, trazem elementos localizados na fronteira tecnológica, ressaltando, assim, a importância do conhecimento, das mudanças tecnológicas, das inovações e do dinamismo de seus atores. Essas características fazem com que os relacionamentos e as parcerias entre as firmas sejam de grande interesse para as mesmas, em virtude da necessidade de absorver conhecimento e tecnologia das outras organizações e pelo fato das províncias petrolíferas seguirem um ciclo natural: de nascimento, crescimento, maturação e declínio. Com essa estrutura de evolução, uma relação de sucesso entre firmas em uma determinada província petrolífera pode representar a continuação dessa parceria em outras províncias ao redor do mundo, abrindo assim novos mercados e oportunidades. Por esses motivos, a caracterização desta aglomeração industrial, sob o enfoque tecnológico (complexidade e dinamismo) passa a ter especial importância para que se possa entendê-la e viabilizar alternativas para seu desenvolvimento sustentado e criar alternativas de continuação das atividades dos atores ali localizados. 2. Formação e Caracterização da Aglomeração Industrial A formação da aglomeração industrial de petróleo e gás da região produtora da BC ocorreu de uma maneira gradual, acompanhando a evolução das descobertas dos campos petrolíferos na Bacia de Campos e tendo como mola mestra para seu surgimento e desenvolvimento, a Petrobras. O descobrimento da Bacia de Campos aconteceu em 1974, com a descoberta do campo petrolífero de Garoupa. A partir deste momento, e com as constantes descobertas de novos campos, essa região se tornou um pólo de atração de firmas, das mais diferentes naturezas, atuantes direta e indiretamente na indústria do petróleo. Em um primeiro momento, ocorre a fixação de unidades da Petrobras na área para viabilizar o acesso de técnicos e estrutura para iniciar o desenvolvimento dos primeiros campos petrolíferos descobertos na Bacia. Esse foi um processo gradual e se intensificou na medida em que a viabilidade econômica dos campos descobertos foi se mostrando positiva. Nesse processo de fixação da Petrobras ocorreu a atração das firmas fornecedoras diretas da ENEGEP 2006 ABEPRO 3
  4. 4. XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 Petrobras. As primeiras firmas que estabeleceram bases na região, depois da Petrobras, foram os fornecedores de bens e serviços de maior complexidade tecnológica, ou seja, os fornecedores de primeiro nível na cadeia de suprimento. Muitas dessas empresas, em sua maioria multinacionais, não possuíam subsidiárias no Brasil e começaram a migrar para este país, em decorrência do aumento significativo das encomendas da Petrobras. Na maioria das vezes, essas companhias fixaram escritórios centrais na cidade do Rio de Janeiro (sedes administrativas) e bases operacionais avançadas no Norte Fluminense (sedes operacionais), pois perceberam a necessidade de estar mais próxima da ‘cliente’ (atraídas diretamente pela Petrobras). A partir deste momento inicial, inúmeras outras firmas migraram, de diversas regiões do país e do mundo, para a região, atraídas não só pela presença da Petrobras, mas também pela presença de outros grandes fornecedores internacionais. Outras tantas firmas nasceram, por meio de empreendedores da região, com o objetivo de atuar em nichos de mercado abertos pela presença das empresas da indústria do petróleo. Nesta etapa inicial de formação da aglomeração, nenhuma das grandes operadoras mundiais de petróleo se instalou na região, em virtude do monopólio estatal do petróleo no Brasil, que concedia exclusividade das ações para a empresa brasileira, ainda em vigor. Esse processo proporcionou o surgimento da aglomeração industrial na medida em que os campos petrolíferos eram descobertos, desenvolvidos e as encomendas da Petrobras aumentavam, proporcionando seu desenvolvimento gradativo até a configuração da mesma nos dias de hoje. Suas encomendas são, na maioria das vezes supridas pelos grandes fornecedores multinacionais de bens e serviços de alta complexidade tecnológica (representando o primeiro nível de fornecimento), que por sua vez terceirizam parte da produção e/ou da execução destes trabalhos para outras empresas (em um segundo ou terceiro nível de fornecimento), e assim por diante. Atualmente, a aglomeração industrial da região produtora da Bacia de Campos consiste em um aglomerado de cerca de 1.500 firmas que atuam no segmento de exploração e produção (E&P) de petróleo e gás offshore. Do total, cerca de 400 firmas atuam diretamente em atividades offshore. As demais firmas atuam em atividades de apoio aos fornecedores maiores e às operadoras. Percebe-se, assim, que o papel da Petrobras na formação desta aglomeração é central. Esse papel continua sendo fundamental hoje em dia nas atividades do aglomerado em virtude de se identificar uma presença ainda muito tímida das grandes operadoras de petróleo mundiais na aglomeração e até mesmo em atividades de E&P offshore no território nacional. Essa pequena presença se resume, na maioria das vezes por meio de parcerias com a própria Petrobras na Bacia de Campos e em outras províncias no território nacional (Santos, Espírito Santo e Nordeste). A configuração resultante deste processo é uma extensa estrutura de fornecimento, onde existem diversos níveis (de acordo com a complexidade e grau de responsabilidade). Por meio deste processo de formação, percebe-se que existe uma estratificação do ponto de vista tecnológico dentro da aglomeração. Pode-se, sob este recorte, apontar quatro diferentes grupos de firmas presentes no aglomerado: o primeiro grupo é formado pelas firmas operadoras de petróleo e gás (demandantes dos bens e serviços), o segundo pelas firmas fornecedoras de bens e serviços offshore de alta complexidade tecnológica (de primeiro nível de fornecimento), o terceiro grupo é formado pelas firmas fornecedoras de bens e serviços offshore de moderada complexidade tecnológica e o quarto grupo de firmas fornecedoras de bens e serviços de apoio de baixa complexidade tecnológica. Existe ainda um quinto grupo formado por instituições de apoio às firmas localizadas na aglomeração industrial de petróleo e gás da região produtora da BC. Esses quatro grupos de firmas, segmentados de acordo com a complexidade tecnológica dos ENEGEP 2006 ABEPRO 4
  5. 5. XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 bens e serviços fornecidos, podem ser visualizados, segundo os níveis de fornecimento e responsabilidade em relação à Petrobras e formam, em conseqüência desta configuração, uma estrutura vertical, onde a Petrobras exerce o papel central (Figura 1). No primeiro grupo, além da Petrobras, existem ainda outras 11 operadoras de campos de petróleo e gás, localizadas na aglomeração, exercendo atividades de E&P offshore, mas com muito menor intensidade, se comparado com as atividades da Petrobras. As firmas operadoras presentes na aglomeração são, além da Petrobras, a Total Fina Elf, Shell (Enterprise), Exxon Mobil, Pan Canadian, Repsol-YPF, Wintershull, Devon, ChevronTexaco, Agip, Unocal e Ocean Energy INC. Destas 11 operadoras de petróleo e gás estrangeiras, nove delas apresentam projetos de E&P com a própria Petrobras. Este grupo é caracterizado por barreiras de entrada elevadas e grau de concorrência moderado, em virtude do modelo de concessões atualmente em vigor no Brasil. Em relação à tecnologia, é imperativo afirmar que estas empresas são bastante dinâmicas e atuam em áreas de fronteira do conhecimento humano, demandando, por isso, intensos e constantes esforços de P&D em novos produtos e novas tecnologias. O segundo grupo é composto por cerca de 80 firmas atuando como fornecedores de bens e serviços offshore de alta complexidade tecnológica, em áreas de atuação de intenso dinamismo tecnológico, possuindo grande poder de barganha com as empresas demandantes (Petrobras e demais operadoras). Essas firmas são, na maioria das vezes, multinacionais gigantes da indústria do petróleo, presentes em diversas províncias petrolíferas ao redor do mundo. A concorrência dentro dos segmentos que compõem esse grupo pode ser classificada de alta a moderada, mas a disputa acontece entre um pequeno número de firmas altamente qualificadas. As barreiras de entrada são altas e, sem a presença dessas empresas na província da Bacia de Campos e no Brasil, a Petrobras, provavelmente, não seria capaz de desenvolver ‘sozinha’ as atividades de exploração e produção de petróleo e gás. A relação existente entre esse grupo de firmas e a Petrobras é, portanto, de dependência mútua: os fornecedores buscando o mercado nacional, por meio das encomendas geradas pela Petrobras, e a Petrobras, por sua vez, necessitando dos fornecedores para continuar avançando em termos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás no Brasil. O fornecimento dos bens e serviços acontece em áreas de atividades em que a Petrobras prefere estabelecer um relacionamento estratégico. No entanto, mesmo nessa condição, algumas delas executam atividades fundamentais para execução dos processos de exploração, desenvolvimento de campo e produção de petróleo e gás. É neste grupo que se encontra o foco do trabalho. Este grupo pode ainda ser dividido, grosso modo, nos seguintes subgrupos: − Prospecção: esta atividade está inserida na fase de exploração de petróleo e gás e as firmas atuam fornecendo serviços de geologia de superfície, aerofotogrametria, magnetometria, gravimetria e estudos sísmicos, realizados em modernos navios de exploração e análise de dados que auxiliam a detectar a presença do óleo e do gás nas profundezas do oceano, em tecnologia 3D e 4D; − Perfuração: esta atividade está inserida tanto na fase de exploração (poços exploratórios) quanto na fase de desenvolvimento (poços de produção) e as firmas atuam fornecendo equipamentos de perfuração, serviços de colunas de perfuração e operações de perfuração. Essas empresas operam navios e plataformas de perfuração que servem diretamente às empresas operadoras de campos petrolíferos; − Fornecedores de equipamentos de poço: estas atividades estão inseridas na fase de desenvolvimento e as firmas atuam no fornecimento de equipamentos de poço, como árvores de natal molhadas, mani-folds, equipamentos para bombeio do óleo e/ou do gás e sistemas e equipamentos de segurança de poço e prevenção de acidentes, entre outras; ENEGEP 2006 ABEPRO 5
  6. 6. XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 − Fornecedores de serviços de poço: estas atividades estão inseridas na fase de desenvolvimento e as firmas atuam no fornecimento de diversos serviços de poço, trazendo soluções em tecnologia de poço, tais como completação e cimentação de poços, perfilagem de poços, testes de pressão, tecnologia de fluidos, condicionamento e estimulação de poços, sistemas de bombeio, entre outros; − Serviços e equipamentos Offshore: estas atividades estão inseridas na fase de produção e as firmas que atuam no fornecimento de serviços e equipamentos relacionados a ROV’s (remoted operated vehicles) e outros equipamentos e serviços offshore caracterizados por intenso dinamismo tecnológico. Sob condições diferentes, encontra-se o terceiro grupo, composto pelas outras empresas que fornecem bens e serviços para atividades offshore, mas sem expressiva complexidade e dinamismo tecnológico. Este grupo é composto por aproximadamente 350 firmas atuando como fornecedores de equipamentos e serviços de segurança em geral (EPI’s – equipamentos de proteção individual e EPC’s – equipamentos de proteção coletiva), firmas de manutenção preventiva e reparos em sistemas e equipamentos elétricos (geradores, bombas, etc), firmas de mergulho, firmas fornecedoras de serviços de calderaria, soldagem, de transporte marítimo (em embarcações) e aéreo (em helicópteros) para as unidades de produção no mar, entre outras. São firmas nacionais ou multinacionais que fornecem, algumas vezes, também para outras empresas que não a Petrobras, tais como outras operadoras e as grandes fornecedoras multinacionais. O poder de barganha deste grupo de empresas com a Petrobras pode ser classificado entre moderado a pequeno, a competição é exercida por um número intermediário de competidores em relação aos outros grupos. As barreiras de entrada são altas a moderadas, dependendo da atividade, o mesmo ocorrendo com o grau de concorrência. PETROBRAS (empresa líder) e outras operadoras Fornecedores de bens e serviços em atividades de intenso dinamismo tecnológico Fornecedores de bens e serviços em atividades offshore sem expressivo dinamismo tecnológico Demais fornecedores de bens e situados na aglomeração industrial ENEGEP 2006 ABEPRO 6
  7. 7. XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 Figura 1: Caracterização do Aglomerado de Petróleo e Gás, segundo o grau de complexidade e dinamismo tecnológico das firmas No quarto grupo, atuando sob condições menos favoráveis que os dois grupos de fornecedores anteriores, em termos de contato e de poder de barganha com a Petrobras, estão as demais firmas que compõem o aglomerado atuando como fornecedoras de bens e serviços de apoio às atividades offshore. Essa situação acontece por fornecerem bens e serviços auxiliares e que não estão situados nas áreas essenciais das compradoras. São firmas que fornecem desde serviços de limpeza até mantimentos e serviços de cozinha (catering), hotelaria, segurança predial e de instalações, material e mobiliário para escritórios, serviços de seguros, entre outros. Essas empresas são, na maioria das vezes, locais e os bens e serviços fornecidos pelas mesmas possuem pouquíssima ou nenhuma complexidade e dinamismo tecnológico. Em virtude da pequena barreira de entrada, o grau de concorrência entre essas empresas é muito alto, daí o grande número de firmas competindo pelo mesmo espaço no mercado. Algumas dificuldade têm sido sentidas por estas firmas em relação aos novos critérios de recadastramento de fornecedores adotados recentemente pela Petrobras, mais rigorosos, e que, portanto, excluem parte das micro e pequenas empresas das concorrências públicas. Em uma situação de declínio na produção da província e a conseqüente diminuição do ritmo de crescimento nas atividades ali desenvolvidas, este grupo de firmas seria o primeiro a sentir os efeitos econômicos negativos, por fornecerem produtos e serviços de pequena complexidade tecnológica em áreas de baixo dinamismo tecnológico. As instituições de apoio, por sua vez, são compostas de organizações que prestam apoio direto às firmas localizadas na aglomeração industrial. Estas instituições de apoio podem estar atuando, grosso modo, em quatro áreas básicas: em P&D e certificação, na formação de mão- de-obra e treinamento, na governança local ou nas atividades de financiamento. Portanto, esta estratificação da aglomeração industrial, em grupos diferenciados segundo o grau de complexidade tecnológica dos bens e serviços fornecidos e das áreas de maior dinamismo tecnológico (Figura 1), é fundamental para fornecer as bases para outros trabalhos (tanto nesta aglomeração quanto em outras igualmente dinâmicas tecnologicamente) e para o entendimento da aglomeração sob estes dois importantes aspectos. 3. Considerações Finais O objetivo central deste artigo é caracterizar a aglomeração industrial da região produtora da Bacia de Campos, sob a ótica da complexidade e do dinamismo tecnológico das firmas lá localizadas. Além disso, o processo de formação desta aglomeração também recebe destaque. Alguns elementos fundamentais e provenientes da literatura existente sobre aglomerações industriais são destacados e confrontados com as peculiaridades da aglomeração industrial da região produtora da BC. Dentre eles pode-se destacar: − Proximidade geográfica – as firmas se encontram aglomeradas na região Norte Fluminense e dos Lagos, atuando em atividades de E&P de petróleo e gás offshore na província petrolífera da Bacia de Campos. A abordagem de ‘cluster’ trata adequadamente esta questão (MALMBERG, 2003; ALBU, 1997); − Especialização produtiva (foco na atividade) – as cerca de 1.500 firmas que se encontram localizadas na aglomeração industrial podem ser divididas em grupos específicos que atuam em um mesmo tipo de atividade produtiva. Essas atividades podem se apresentar dinamismo tecnológico de diversos níveis (SILVESTRE, 2006; ALBU, 1997); − Foco na tecnologia – os grupos de firmas podem ser entendidos a partir de tecnologias básicas definidas que consistem na base tecnológica da atividade de E&P de petróleo e gás ENEGEP 2006 ABEPRO 7
  8. 8. XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 natural offshore. A abordagem de ‘sistemas tecnológicos de inovação’ aborda essa questão de forma direta (FREEMAN, 1995; CARLSSON, 1995); − Foco no setor – pode-se entender a aglomeração industrial por meio de um viéis setorial, dando ênfase ao setor de E&P offshore de petróleo e gás. Sob este prisma, apenas as firmas dos Grupos 1, 2 e 3 estão inseridas no escopo setorial. A abordagem de sistemas setoriais de inovação traz um enfoque adequado para essa questão (MALERBA, 2004). − Relacionamento/interação entre firmas – o relacionamento entre organizações pode acontecer por meio de conexões de bens e serviços e conexões de conhecimento. A interação entre as firmas pode ser vertical (no sentido da cadeia produtiva) ou horizontal. A presença de interação horizontal é limitada na aglomeração (BELL e ALBU, 1999); − Conexões intra-aglomerado – a presença maciça dessas conexões indica que o fato das firmas estarem aglomeradas pode estar contribuindo para que as firmas sejam mais inovadoras, implementando, conseqüentemente, mais mudanças tecnológicas efetivas (BELL e ALBU, 1999); − Conexões extra-aglomerado – essas conexões podem indicar que as firmas possuem fontes de conhecimento externas, mostrando uma menor importância da aglomeração. Esse aspecto é fundamental em aglomerações cuja a presença de atores globais (internacionais) é constante (BELL e ALBU, 1999; MALMBERG, 2003); − Capacitação tecnológica – a absorção das capacitações tecnológicas por meio das conexões de conhecimento (processo de aprendizagem) indica um aumento do domínio das firmas sobre as tecnologias utilizadas, tornando-as aptas a modificá-las e implementar mudanças tecnológicas e inovações de forma mais freqüente. As firmas que estão posicionadas no topo da estrutura (Figura 1) apresentam maior capacidade de absorção de capacitações tecnológicas (BELL e OLDHAM, 1988; FIGUEIREDO, 2001). Nesse sentido, percebe-se que em virtude da multiplicidade de atores nesta aglomeração industrial, com características distintas, posturas tecnológicas diferentes e atuando em áreas diversas, e da complexidade da indústria em questão, seria difícil e pouco produtivo caracterizá-la sob aspectos como tamanho de firma, número de funcionários ou natureza das atividades. Além de consistir em recortes muito pobres para gerar bons resultados de pesquisa com foco em tecnologia e inovação, essas caracterizações dizem pouco a respeito da sustentabilidade da aglomeração. Sob a estratégia com foco na tecnologia, é possível estabelecer políticas de desenvolvimento da aglomeração industrial no longo prazo, tanto por parte do poder público quanto por parte das empresas líderes, como a Petrobras. Referências ALBU, M. Technological Learning and Innovation in Industrial Clusters in the South. Electronic Working Paper nº 7, SPRU, 1997. BELL, R. M.; ALBU, M. Knowledge Systems and Technological Dynamism in Industrial Clusters in Developing Countries. World Development 27 (9): 1715. 1722-3.1726 1914, 1999. BELL, R. M.; OLDHAM, C. H. G. Oil Companies and the Implementation of Technical Change in Offshore Operations: Experience in Development Drilling and the Design and Operation of Production Facilities in the North Sea. SPRU/Sussex, Report 2, 1988. CARLSSON, B. (Ed.) Technological Systems and Economic Performance: The Case of Factory Automation Dordrecht, Kluwer, 1995. FIGUEIREDO, P. N. Technological Learning and Competitive Performance. Cheltenham, UK and Northampton, MA, USA : Edward Elgar Publishing, 2001. FREEMAN, C. The national systems of innovation. In historical perspective. Cambridge Journal of Economics 19 (1): 5-24, 1995. ENEGEP 2006 ABEPRO 8
  9. 9. XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006 LEFFLER, W. L.; PATTAROZZI, R.; STERLING, G. Deepwater Petroleum Exploration & Production: A Nontechnical Guide. Pennwell Books, 2003. MALERBA, F. (Ed.) Sectoral Systems of Innovation – Concepts, Issues and Analyses of Six Major Sectors in Europe. Cambridge University Press, 2004a. MALMBERG, A. Beyond the Cluster – Local Milieus and Global Connections. in PECK, J.; YEUNG, W. (Eds.) Remaking the Global Economy – Economic-Geographical Perspectives. SAGE, 2003. SILVESTRE, B. S. Aglomeração Industrial de Petróleo e Gás da Região Produtora da Bacia de Campos: Conexões de Conhecimento e Posturas Tecnológicas das Firmas. Tese de Doutorado, Departamento de Engenharia Industrial – DEI, PUC-Rio, 2006. ENEGEP 2006 ABEPRO 9

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