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ANA CAROLINE SILVA A. JOSÉ
ANIELE ALMEIDA S. BERENGUER
GREGORY R. ASSIS CANABRAVA
JASON LEVY REIS DE SOUZA
PERÁCIO DA C. CONTREIRAS NETO
VICTOR SAID DOS S. SOUSA
VICTÓRIA BENVENUTO CABRAL
EMILE DURKHEIM
EDUCAÇÃO E SOCIOLOGIA
Salvador
2012
ANA CAROLINE SILVA A. JOSÉ
ANIELE ALMEIDA S. BERENGUER
GREGORY R. ASSIS CANABRAVA
JASON LEVY REIS DE SOUZA
PERÁCIO DA C. CONTREIRAS NETO
VICTOR SAID DOS S. SOUSA
VICTÓRIA BENVENUTO CABRAL
EMILE DURKHEIM
EDUCAÇÃO E SOCIOLOGIA
Relatório de Pesquisa solicitado como objeto de
avaliação parcial da I Unidade pela professora Eliane
Navarro da Disciplina de Sociologia no Instituto
Federal de Educação, Ciências e Tecnologia da
Bahia, Coordenação de Automação e Controle
Industrial. Sobre orientação da professora Eliane
Navarro.
Salvador
2012
RESUMO
Esta obra expõe a vida de David Emile Durkheim, o pai da sociologia, assim como
efetua um estudo de cada uma de suas obras, metodologia, teorias, importância,
influência e o contexto histórico o qual vivia, também mostrando a influência deste
para a vida e obra de Durkheim. Sua história influência diretamente em suas
principais obras e são elas que irão caracterizá-lo como o primeiro sociólogo a valer-
se de métodos sociológicos para analisar a sociedade. Neste relatório serão
abordados os principais conceitos e metodologias desenvolvidas por Durkheim para
a Pedagogia e Educação. Este relatório, orientado pela professora Eliane Navarro,
baseia-se nas normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), sendo
objeto de avaliação parcial da 1º unidade no Instituto Federal de Educação, Ciências
e Tecnologia da Bahia, Coordenação de Automação e Controle Industrial.
Palavras-Chave: Durkheim, Pedagogia, Educação, Metodologia e história.
SUMÁRIO
SUMÁRIO................................................................................................................................................7
1.INTRODUÇÃO......................................................................................................................................4
2.VIDA E OBRA........................................................................................................................................5
2.1.De La Division Du Travail Social .......................................................................................................6
2.2.LES RÈGLES DE LA MÉTHODE SOCIOLOGIQUE..................................................................................7
2.3.As Formas Elementares da Vida Religiosa........................................................................................8
2.4.Le Suicide..........................................................................................................................................9
2.5.OUTRAS OBRAS..............................................................................................................................10
3.ASPECTOS TEÓRICOS.........................................................................................................................11
3.1.CONSCIÊNCIA COLETIVA.................................................................................................................12
3.2.Os Fatos Sociais..............................................................................................................................13
3.2.1.Coerção Social.............................................................................................................................13
3.2.2.Exterioridade...............................................................................................................................13
3.2.3.Generalidade...............................................................................................................................13
3.3.Solidariedade..................................................................................................................................13
3.3.1.Solidariedade Mecânica..............................................................................................................13
3.3.2.Solidariedade Orgânica................................................................................................................14
4.A SOCIEDADE PARA DURKHEIM.........................................................................................................14
5.O INDIVÍDUO, A EDUCAÇÃO E A SOCIEDADE.....................................................................................16
6.O RESPEITO PELA HUMANIDADE, VALOR SUPREMO.........................................................................18
7.A PEDAGOGIA....................................................................................................................................19
7.1.A RELAÇÃO MESTRE-ALUNO ..............................20
7.2.O MEIO ESCOLAR............................................................................................................................21
7.3.O PODER DO MESTRE.....................................................................................................................23
7.4.OS SABERES ESCOLARES.................................................................................................................24
7.5.A CONDUTA DA ESCOLA.................................................................................................................25
8.INFLUÊNCIA E IMPORTÂNCIA DE DURKHEIM....................................................................................27
9.CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................................................28
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................................................................29
1. INTRODUÇÃO
Émile Durkheim foi um dos maiores sociólogos da história, conhecido pelo
seu rigoroso e técnico desenvolvimento teórico, o que levou a ficar conhecido como
sendo um dos pais da Sociologia Moderna. Durkheim não escreveu obras
diretamente voltadas para a educação, contudo os textos e hipóteses desenvolvidas
desencadearam o seu título como primeiro sociólogo da educação do mundo.
O presente relatório solicitado pela professora Eliane Navarro da disciplina de
Sociologia docente no Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia da
Bahia – IFBA, Coordenação de Automação e Controle Industrial. Trás como principal
objetivo a inseminação dos trabalhos técnicos baseados na norma da ABNT
(Associação Brasileira de Normas Técnicas) aos estudantes do 2º ano do curso de
automação e controle industrial. Assim como uma melhor compreensão do tema
abordado, Emile Durkheim: Vida e Obra, A sociologia e a educação.
Este relatório baseia-se no método da revisão bibliográfica, a qual foi
realizada utilizando livros, artigos científicos, monografias, dissertações e teses,
assim como websites e o banco de dados da Scielo, USP, UFRJ e CPDOC e as
próprias obras do autor. Este relatório busca dar continuidade às práticas e exercício
das normas técnicas regidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas
Técnicas) que estarão presentes ao longo do curso e de suas futuras profissões.
Visando exercitar e analisar os conhecimentos dos estudantes até aqui obtidos.
2. VIDA E OBRA
David Emile Durkeim, ilustrado na figura 1, nasceu no dia 15 de Abril de 1858,
na cidade de Epinal, Noroeste da França no Departamento de Voges, entre a
Alsácia e a Lorena nordeste da França. Descendente de rabinos optou pelo
Agnosticismo, crença na incapacidade humana de compreender a Deus e
comprovação da existência d’Ele ou de qualquer divindade, apesar de não tornar-se
rabino, os hábitos da cultura judia mantiveram-se firmes, Emile era devoto ao
trabalho, disciplinado e fiel ao que fazia (ensinamentos primordiais para tornar-se
rabino). Desde jovem, defendia o método científico como forma de desenvolvimento
do conhecimento e procurou demonstrar que os fenômenos religiosos tinham origem
em acontecimentos sociais.
Figura 1 - Émile Durkheim
Fonte: UMD (2013)
No ano de 1879, aos 21 anos de idade, Durkehim vai estudar na École
Normale Supérieure (Escola Normal Superior), em Paris, passando a dedicar-se ao
mundo intelectual. Três anos após, em 1882, formou-se em Filosofia. Cinco anos
depois, já em 1887, vai trabalhar na Universidade de Bordeos, na França, como
professor de Pedagogia e Ciência Social. A partir daí, iniciou seus estudos na
Sociologia. O período que trabalhou em Burdeos (1887-1902) foi essencial para a
produção das quatro obras principais de Durkheim: Da divisão Social do Trabalho
(1893), As Regras do Método Sociológico (1895), O Suicídio (1987) e As Formas
Elementares de Vida Religiosa (1912).
2.1.DE LA DIVISION DU TRAVAIL SOCIAL
Publicada em 1893, “A Divisão Do Trabalho Social” é uma obra, a qual
Durkheim analisa as funções sociais do trabalho na sociedade, mostrando como tal
divisão é a principal fonte de coesão social. Esta obra nasceu em um contexto onde
os homens não conseguiam controlar o crescimento populacional e não atendiam à
demanda de produção de alimentos.
Esta obra tem por fundamento principal o entendimento das funções sociais
do trabalho e a sua forma de atuação na sociedade. Na modernidade, a divisão
social do trabalho é uma importante fonte coesiva ou também denominada
solidariedade social.
A divisão do trabalho gerencia a sociedade e a mesma tende a evoluir não só
a sociedade, mas também o indivíduo em questão. No trabalho social há a troca de
conhecimento, já que um ajuda o outro tanto indiretamente quanto diretamente.
Indiretamente seria o indivíduo fazer sua parte completamente, sem deixar erros,
para que outro indivíduo faça a sua parte sem precisar, em caso de alguma
ocorrência, ter que fazer a parte dele e depois consertar a sua. Já diretamente seria
em um dado momento você ajudar uma pessoa na hora que ela está cumprindo
seus deveres e direitos, tirando dúvidas ou até mesmo auxiliando-o para que ele
acabe sua “tarefa”. Então a partir daí entre a parte da solidariedade.
Quando falamos de solidariedade, pensamos logo, ajudar outra pessoa ou
outras pessoas. Era esta questão que Durkheim queria abordar, mas,
principalmente, a solidariedade social, onde cada indivíduo faria sua parte,
independente de qualquer coisa, e essa ação contribuiria para a harmonia da
sociedade. Também entraria a questão de um ajudar o outro, ou seja, mesmo que
você tenha sua “tarefa” para fazer, você se disponibilizaria, nos momentos de pausa
da sua tarefa ou mesmo numa brecha que você tivesse, a ajudar o outro na sua
“tarefa”, sem reclamar e sem reclamar.
Como podemos perceber, a solidariedade engloba um conceito criado e
formulado por Durkheim, a chamada Consciência Coletiva, que consiste no caráter
de uma sociedade particular. A partir desta consciência podemos compreender
como a sociedade consegue garantir uma harmonia plena, com indivíduos
exercendo solidariedade uns com os outros a base de respeito mútuo.
Destes pontos já citados, podemos classificar os tipos de solidariedade que
existem na sociedade. Existem dois tipos de solidariedade, a solidariedade
mecânica e solidariedade orgânica. Podemos chamar de solidariedade mecânica
aquela que tem origem da sociedade capitalista, onde os indivíduos continuam
unidos devido à semelhança dos mesmos e não há a presença de indivíduo
diferente. Obtemos a coesão a partir desta uniformidade. Já a solidariedade que
chamamos de orgânica é aquela que tem como característica fundamental a divisão
do trabalho, onde, como já foi salientado anteriormente, obriga o indivíduo a cumprir
suas tarefas e a mesma força o indivíduo à prática de interagir com outros
indivíduos.
A solidariedade que encontramos e utilizamos na sociedade moderna é a
solidariedade orgânica. Ela ajuda tanto o indivíduo quanto o grupo social a
especializar-se, realizando uma cadeia com dependência mútua.
2.2.LES RÈGLES DE LA MÉTHODE SOCIOLOGIQUE
“As Regras Do Método Sociológico” é uma obra de 1895 obtida como
resultado do objetivo de Durkheim em estabelecer a Sociologia como Ciência Social.
Nesta obra o autor enfatiza a questão do Fato Social e regras que o sociólogo tem
que levar em consideração para analisar e contextualizar um fato social.
Primeiramente Durkheim explica o que seria um fato social. Fato Social é
nada mais e nada menos, segundo Durkheim, do que toda maneira de agir, pensar e
sentir, fixada ou não susceptível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior;
ou então, que é geral no âmbito de uma sociedade, tendo, ao mesmo tempo, uma
existência própria, independente de suas manifestações individuais.
Após esta breve definição Durkheim apresenta características fundamentas
para se identificar se um acontecimento é um fato social ou não. As características
fundamentas de uma fato social são:
• Generalidade: Quando o fato apresenta característica comum a todos os
indivíduos, ou seja, o mesmo fato acontece com a grande maioria dos
indivíduos;
• Exterioridade: Quando o fato é externo ao indivíduo, independente da sua
vontade;
• Coercividade: Aparece por intermédio dos indivíduos que são forçados a
seguirem os comportamentos que a sociedade impõe.
Durkheim, para fazer suas análises da sociedade, se baseou no positivismo
de Karl Marx e Engels, onde a sociedade é analisada de forma objetiva, observando
o fato como objeto. Daí vem à afirmação dele de que “os fatos sociais devem ser
tratados como coisas”. Essa análise feita na sociedade deve ser descrita de forma
imparcial, neutra.
Com essa análise realizada, provou que os fatos sociais não possui
dependência em relação ao que o indivíduo pensa e faz em particular, sendo assim
o indivíduo possui sua existência própria. Através desta afirmação surgiu a
expressão “consciência coletiva”, onde Durkheim define como sendo um conjunto de
crenças e sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade
que formam um sistema determinado com vida própria.
Depois destas definições e destas caracterizações, o sociólogo poderá
analisar os fatos sociais mediante a uma questão fundamental: as regras do método
sociológico. Para realizar a análise com precisão é preciso que o sociólogo siga
algumas regras que são de extrema importância no campo da Sociologia.
2.3.AS FORMAS ELEMENTARES DA VIDA RELIGIOSA
Nesta obra em questão temos a religião relacionada ao indivíduo, onde à
medida que a sociedade cresce a religião não aparece muito no contexto social e os
adeptos diminuem. Explica quais são as bases das religiões, principalmente a da
época dele, a chamada totemismo primitivo, que se consagrou na Alemanha, onde o
autor desta obra morou e passou quase sua vida toda.
Antes de qualquer coisa é de vital importância citar as condições fundamentas
para o desenvolvimento da religião. Primeiramente, é necessário apresentar
conjuntos de crenças religiosas. Em segundo lugar, devemos deter de conjuntos de
ritos e terceira e última condição seria deter de um templo e uma comunidade moral.
Depois de apresentada essas condições, é necessário à definição de
totemismo primitivo, para entendermos e analisarmos a religião daquela época de
conflitos. Totemismo Primitivo seria, segundo Durkheim, uma forma específica e
clara da consciência coletiva na sociedade primitiva. Esta definição define o caráter
social do surgimento da religião e seus fundamentos na estrutura social.
Durkheim afirmou que não existem religiões falsas. As religiões são oriundas
da sociedade.
2.4.LE SUICIDE
Publicado em 1897, “O Suicídio” é a obra, na qual Émile relata os casos de
suicídios ocorrentes em uma sociedade, classificando-os em três tipos: em Suicídio
Egoísta, no qual o indivíduo chega a um ato extremo apenas por motivos pessoais;
em Suicídio Altruísta, onde o indivíduo da sua vida em função de uma causa e que é
mais frequente em sociedades de solidariedade mecânica; e em Suicídio Anônimo,
onde o indivíduo toma essa decisão em função da ocorrência de uma crise dolorosa
ou súbitas transformações dentro da sociedade em que vive, de modo que ela deixe
de cumprir a sua função reguladora. Todas as obras abordadas anteriormente estão
ilustradas na figura 2.
Figura 2 - Principais Obras
Fonte: Adaptações de DURKHEIM (2013).
2.5.OUTRAS OBRAS
Ao sair de Burdeos, já no ano de 1902, Durkheim vai auxiliar Ferdinand
Buisson na Cadeira de Ciência da Educação, Sorbonne, sucedendo-o em 1906. Lá
escreve “La Educacion Moral” (A educação Moral) (Fig.3), na qual afirma que a
educação, como relação social, é voltada para os interesses de uma sociedade, que
só pode existir, se, dentre seus membros existir uma determinada afinidade.
No ano de 1912, Émile Durkheim, publica duas de suas últimas obras, “Les
Formes Élémentaires De La Vie Religieuse” (As Formas Elementares Da Vida
Religiosa) (Fig.4), em que analisa a religião como fenômeno social, usando como
exemplo as religiões de tribos aborígenes da Austrália; e “Leçons De Sociologie”
(Lições de Sociologia), obra em que Durkheim caracteriza a democracia através da
comunicação entre a consciência governamental e a sociedade.
Figura 3 – Outras Obras
Fonte: Adaptações de DURKHEIM (2013).
Em 15 de Novembro de 1917, supostamente pela tristeza causada pela perda
do filho, no ano anterior, na Primeira Guerra Mundial, Émile Durkheim vem a óbito.
3. ASPECTOS TEÓRICOS
Émile via a sociologia como nova ciência. Acreditava que era necessário
estudar a vida social com a mesma objetividade com que os cientistas estudam o
mundo natural. Seu princípio era de que os fatos deveriam ser estudados como
coisas.
Dizia que os fenômenos ocorrentes dentro da sociedade deveriam ser
analisados e demonstrados com técnicas especificamente sociais. Para ele, a
sociedade está estruturada em pilares, que se manifestam através de expressões,
esta sociedade é algo que está que está fora e dentro do homem, ao mesmo tempo,
devido ao que se adota de valores e princípios morais. E estes valores adotados são
o que influenciam a educação das pessoas.
Outro aspecto teórico que o Durkheim deu bastante importância foi a divisão
do trabalho social, afirmava que, em uma sociedade, cada indivíduo deve exercer
uma função específica, seguindo direitos e deveres, em busca da solidariedade
social. Esta forma poderia levar todos ao progresso e avanço.
Durkheim possuía várias teorias, mas utilizava uma em especial que
fundamentou os objetivos dos seus principais livros: Da Divisão do Trabalho Social,
As Regras do Método Sociológico, O Suicídio e As Formas Elementares de Vida
Religiosa. Tal teoria seria denominada por Durkheim como “Fatos Sociais”. Essa
teoria surge quando DURKHEIM afirma: “Os fatos sociais devem ser tratados como
coisas”.
A partir de tal afirmação Durkheim fundamenta o que viria a ser a formulação
da sociedade que este tanto idealizava. Nesta sociedade havia a questão do normal
e do patológico. Também se tinha a questão da definição do fato social e através da
mesma obteve suas características e as regras que possibilitariam um sociólogo a
realizar sua análise e contextualização, que será apresentado como objetivo no seu
livro As Regras do Método Sociológico.
A sociedade, para ele, possuía divisões das funções do trabalho e devido a
isto pôde obter a expressão solidariedade e seu conceito. Como as sociedades não
são as mesmas, para cada uma surge uma forma de solidariedade. Nesta questão
teremos os tipos de solidariedade. Este tema se encontra como objetivo no livro Da
Divisão do Trabalho Social. Esta divisão não seria possível se ele não utilizasse a
questão do fato social, já que a mesma possui relação direta com os temas
abordados nos livros, como já foi salientado anteriormente.
Na sociedade de Durkheim havia também a socialização, onde o homem
deixa de pensar só nele e passava a pensar em todos que participam da sua
sociedade, ou seja, aceitaria os costumes e hábitos da mesma. A partir desta
socialização surgia à consciência social e esta por sua vez “controlava” a
consciência individual, que seria o homem no estágio de um animal selvagem, que
só pensava em seus benefícios próprios. Dentro desta consciência coletiva obtém-
se o fato social, que será sua principal tese.
Essa parte social que foi formulada por Durkheim é utilizada na atualidade em
partes, já que ainda existe a questão do individualismo, onde as pessoas que
compõem a sociedade não realizam seus deveres e só querem ter seus direitos
respeitados. São poucos aqueles que pensam no bem social, nos outros, nos
indivíduos que compõem a sociedade que esses indivíduos participam. Então não
podemos dizer que é uma sociedade, já que não obedece aos princípios formulados
por Durkheim. Mas no geral a maioria dos princípios são respeitados e,
principalmente, obedecidos, existindo algumas subgestões em relação a alguns
conceitos. A partir destas subgestões entra a questão da área filosófica, que não
será discutida neste contexto.
Durkheim realizou uma contextualização da sua sociedade e ela foi de
extrema importância na construção da mesma que temos hoje e sem ela não
poderíamos formular a parte social dos indivíduos e, sem dúvida, não seríamos
capazes de nos relacionar com outros indivíduos de mesma espécie, ou seja, não
poderíamos exercer uma relação de solidariedade com outros seres humanos. E por
isso ele é considerado o melhor sociólogo que já tivemos na história e tem extrema
importância na sociedade.
3.1.CONSCIÊNCIA COLETIVA
Mesmo que os indivíduos possuam suas consciências individuais, seus
comportamentos e atitudes podem ser notadas no interior do grupo ou da sociedade
que vive. Este comportamento padronizado dos indivíduos na sociedade é o que
Durkheim chama de consciência coletiva.
3.2.OS FATOS SOCIAIS
Durkheim definiu os fatos sociais como “maneiras de agir, de pensar e de
sentir que apresentam essa notável propriedade de existirem fora das consciências
individuais.” (DURKHEIM, 1893, p. 3). Os fatos sociais são fenômenos, e possuem
as seguintes características:
3.2.1. Coerção Social
Os fatos sociais exercem uma força sobre o indivíduo, o que o leva a se
conformar às regras da sociedade.
3.2.2. Exterioridade
Os fatos sociais existem e atuam sobre os indivíduos independentemente de
sua vontade.
3.2.3. Generalidade
Os fatos sociais se repetem na maioria ou em todos os indivíduos.
3.3.SOLIDARIEDADE
Com esta ideia, Durkheim tenta explicar o que gera a formação da sociedade
e o que faz com que ela não se dissolve. Ele classificou a Solidariedade em dois
tipos:
3.3.1. Solidariedade Mecânica
Formada no consenso e na similaridade de crenças, quando um espaço é
relativamente pequeno para existir diferenças individuais. Mais ocorrente em regiões
rurais, geralmente é formado em torno de uma família, religião, tradição ou
costumes, havendo uma pequena divisão do trabalho social.
3.3.2. Solidariedade Orgânica
Típica das sociedades capitalistas é criada a partir da interdependência entre
os indivíduos, causada pela aceleração da divisão do trabalho. Ao contrário da
Solidariedade Mecânica, o que vai manter o grupo unido é a interdependência
baseada nas diferenças, com isso a Consciência Coletiva se amolece.
4. A SOCIEDADE PARA DURKHEIM
A sociedade, figura 2, para Durkheim, teria normas para uma boa convivência
entre os indivíduos que fazem parte dela e precisaria que seu todo apresentasse
coesão. Essa estrutura nem sempre apresentaria mesmas características, mas
ainda sim existiria esta estrutura que chamamos de integração. Caso um grupo de
indivíduos não apresente essa integração, o mesmo não poderia ser chamado de
sociedade.
Figura 5 – A Estrutura da Sociedade para Durkheim
Fonte: DURKHEIM (2013)
Essa integração possui elementos que são importantes para a sociedade. Um
destes elementos é a intensidade como os indivíduos se interagem entre si. Através
desta interação podemos realizar nos trabalhos socais e compartilhar
conhecimentos. Esse compartilhamento de conhecimento contribui e muito para a
evolução humana, que é importante para o indivíduo.
A ideia principal de Durkheim em relação a sua sociedade é que através
desta troca de saberes o indivíduo interaja com seu grupo ou sua sociedade.
Uma sociedade só terá um bom desempenho se os valores, as crenças e as
normas estabelecidas na mesma burlarem as ações individuais formando, assim,
uma solidariedade básica, que gerencia as atitudes humanas. Para isso utilizamos,
segundo Durkheim, a expressão consciência coletiva. Ela expressa a solidariedade
comum como sendo intermediária no controle do comportamento humano.
Os mecanismos utilizados para criar e manter a interação entre os indivíduos
e a divisão da consciência coletiva são: a família, a educação, o trabalho, a religião e
entre outros mecanismos.
A sociedade num todo, com seus procedimentos de socialização e
internalização individual, contribui para a assimilação e entendimento das suas
crenças, dos seus valores e das suas normas. Se o indivíduo entende esses
procedimentos, com certeza irá segui-las sem reclamar e sem desobedecê-las.
Nem sempre a sociedade envolvida seguirá os padrões citados
anteriormente. Este “descontrole” da sociedade pode acontecer devido a um ponto
importantíssimo: a mesma não apresenta características semelhantes em todas as
épocas e a sua estrutura social se modifica ao longo dos anos. Por esse motivo
podemos afirmar que em alguns desses “descontroles” da sociedade não foi o
indivíduo que cometeu erros. É importante ressaltar que esse tipo de “descontrole” é
denominado, por Durkheim, de anomia.
5. O INDIVÍDUO, A EDUCAÇÃO E A SOCIEDADE
Durkheim defendia que o ser humano é composto de dois elementos
fundamentais e inerentes a todos: o ser individual e o ser sociável. O ser individual
seria como o nosso subconsciente, no que se refere aos diversos aspectos que o
compõem, tais como sentimentos, instinto de sobrevivência, e outros aspectos, os
quais não “podemos controlar”. O segundo, seria composto pelos sensos de razão,
moral, ética, religião e os sensos sociais. Ou seja, por valores que são passados em
meio sociável e através do convívio em sociedade, sociedade esta composta por
diversos outros aspectos.
Ora, se há um senso inerente a todo indivíduo, o senso individual, será então
o segundo distinto do primeiro. O senso social só pode ser obtido e aperfeiçoado
através do convívio social, de modo tal que a construção deste ser, assim como seu
aperfeiçoamento deve ser realizado pelas instituições educacionais. Ora, o individuo
existe em função da sociedade, de maneira que continuamente deve efetuar a
manutenção desta, a sociedade é composta pelos indivíduos, entretanto não cabe a
sociedade efetuar a manutenção dos mesmos.
A sociedade deve propiciar a estes condições mínimas para o
desenvolvimento do ser social, pois o desenvolvimento destes trás, por
consequência, o desenvolvimento social em uma relação de interdependência direta.
Cabe então aos professores, enquanto representantes máximos das escolas,
construir e lapidar os seres sociais, a fim de torna-los convictos e fortes o suficiente
à ponto de sobrepor-se ao ser individual.
Na estrutura durkheimiana os estudantes, jovens, crianças e adolescentes,
ainda estão em processo de construção e formação do ser social, o que
desencadeia uma total incapacidade dos mesmos de transmitir conhecimento. Não
por ser incapazes, mas por não possuírem nada que possa ser transmitido aos
seres socialmente construídos, como os professores. Devido a isso, no modelo
tradicionalista de educação de Émile, os aprendizes nada têm a transmitir aos seus
mestres, enquanto seus mestres, enquanto seres socialmente construídos, devem
lapidar e preencher, através da experiência e do conhecimento, o vazio dos
aprendizes socialmente inaptos.
Para entendermos qual a função que qualquer instituição social representa,
precisamos criar uma relação entre as própria instituição e as necessidades da
sociedade em que ele está estabelecido. Cada sociedade estabelece ideais sobre o
que o homem deve ser e como deve agir em aspectos intelectuais, morais e até
mesmo físicos, e são esses padrões que dão sentido à educação. A educação age
como instituição que deve atender as necessidades e expectativas sociais.
Outra função que a educação desempenha na sociedade, é a de transformar
o “ser individual” em “ser social”, já que é necessário uma certa homogeneidade
entre os seus membros. Por isso, a escola age fixando no jovem aprendiz, a
necessidade de criar alianças para a vida coletiva. Porém, numa sociedade em que
é cada vez mais comum a divisão de trabalho e tarefas, essa homogeneidade é
relativa.
Chegamos a conclusão, portanto, que a educação é “ação exercida pelas
gerações adultas sobre aquelas que não estão ainda maduras para a vida social.” O
seu objetivo é desenvolver na criança os aspectos necessários exigidos pela
sociedade em geral e por um meio específico ao qual ela faz parte. Ou seja, a
educação consiste na “socialização metódica da jovem geração.”
Durkheim tinha um interesse em especial pelas escolas, porque apesar dessa
“socialização” ser transmitida desde o nascimento da criança, no seio familiar, é na
escola que ela é devidamente sistematizada e os valores, normas e saberes são
transmitidos. É óbvio, no entanto, que devemos observar que as sociedades mudam
e as instituições que as compõem também, produzindo novas necessidades. Só é
possível, então, analisarmos a educação em um certo momento, já que ela faz parte
de um círculo estático e mutável.
Como já vimos, a escola age como um órgão social, mas que vai buscar a
sua função e objetivo no sistema global. A diferenciação que Durkheim defendeu, foi
a de que apesar desse subsistema ser dependente do todo social, ele possui certas
características independentes e que qualificam a um sistema. Essas características
fazem com que o subsistema educacional tenha uma “autonomia relativa”. Nesse
sentido, é importante voltarmos a atenção ao que Durkheim falava sobre a
“consciência coletiva”. Ele dizia que diferentes membros de uma sociedade podem
viver em harmonia porque, até certo ponto temos valores e regras em comum que
são transmitidos pela escola.
Fica claro, então, que apesar da escola atuar como um subsistema que
depende da sociedade para nortear as suas áreas de atuação e as necessidades a
que a educação deve atender; é essencial também para a vida social ter a presença
da escola para que seus membros possam viver em juntos e em harmonia.
6. O RESPEITO PELA HUMANIDADE, VALOR SUPREMO
Segundo FILLOUX (2010) “segundo Durkheim o respeito pela pessoa
humana é erigido, concebido em valor supremo e ele é o único capaz de manter a
coesão entre as sociedades modernas indústrias”. O respeito do homem enquanto
homem é um elo social verdadeiro, o único elo que mantém permanente a
sociedade enquanto sociedade. Durkheim explica que por mais que não haja uma
boa relação com outro indivíduo ou ainda que existam sentimentos negativos, como
ódio, receio ou inveja, deve-se manter o respeito, como elemento supremo, ou seja,
essencial e primordial para o convívio social.
Respeito é uma forma de consideração pelo próximo. Todo ser vivo é digno
de respeito, principalmente os seres humanos, os que nos são semelhantes. Porém
há muito tempo, o homem deixou de demonstrar tal sentimento, as provas do
descaso do ser humano em relação à própria espécie estão na história que não
deixa esquecer o passado.
Na África, povos foram arrancados de sua casa e levados a força para serem
escravizados em outro continente, nas Américas séculos de escravidão
movimentaram a economia da Europa durante a colonização, genocídios,
exploração dos operários nas indústrias, guerras mundiais em busca da supremacia
de poucos, a morte de milhares de judeus, negros africanos, índios... E tudo isso por
falta de respeito. Por falta de consideração a um outro de sua própria espécie, o que
dirá de outra.
O sociólogo Émile Durkheim acredita no respeito supremo pela humanidade,
na qual a consideração ao outro deve ser algo, não só levada mais a sério, mas
sendo o valor principal para se manter a ordem e a harmonia entre as sociedades.
No mundo individualista em que vivemos hoje, vê o próximo como um ser digno de
respeito e estima é essencial. Todos somos diferentes, mas é necessário permitir
que cada um tenha sua própria opinião, atitude e personalidade. Respeitar o
desigual, aceitar o outro como aceitamos a si mesmo é o que Durkheim acredita que
nos ajudaria a ser uma sociedade melhor.
Em sua obra “O Individualismo e os Intelectuais” Durkheim concluiu que o
homem em sua “humanidade” torna-se um “deus para o homem”. Ele acredita que
Deus reflete a sociedade, só que de forma camuflada e que a humanidade criou
uma personificação de Deus a sua semelhança e não ao contrário. DURKHEIM
(1898, p. 271)
Caminha-se pouco a pouco para um Estado na qual os membros de um
mesmo grupo social não terão mais nada em comum entre eles, a não ser
sua qualidade de homem, ou os atributos constitutivos da pessoa em geral.
Não resta mais nada que os homens possam amar e honrar em comum, a
não ser o próprio homem. Eis aí como o homem se tornou um “deus para o
homem” e porque ele não pode mais, sem mentir a si mesmo, forjar outros
deuses. E como cada um de nós encarna algo da humanidade, cada
consciência individual tem em si algo de divino e encontra-se marcada por
um caráter que a torna sagrada e inviolável para os outros.
Portanto, Durkheim acredita num emprego do respeito bem diferente do que
está sendo utilizado na humanidade. Uma sociedade onde predominaria o consenso
e a autonomia de cada um, mas que todos trabalhassem em conjunto pela
manutenção da harmonia. Desrespeitando o próximo, impede-se que o individuo
seja quem ele é, o impede de exercer sua própria natureza e assim estará
desrespeitando a si próprio já que todos somos homens.
7. A PEDAGOGIA
A pedagogia é a ciência que estuda a educação, e esse último é a chave
para o conhecimento. A educação é a base para formação de qualquer ser humano,
uma bom ensino possibilita ao individuo novas possibilidades, não só em questão de
carreira profissional, mas conhecimento pessoal e inteligência. Estimula a mente
sobre diversos assuntos morais, científicos e sociais e ensina, como também,
incentiva o respeito ao próximo.
A educação deve se começar desde cedo, em casa, com os pais que devem
ensinar a crianças a noção de certo e errado, de família e viver em conjunto, ou seja,
em sociedade. Porém, a educação domiciliar não é suficiente, é necessário que a
escola, através do professor promova na criança o gosto pelo conhecimento. O
sistema escolar ainda apresenta várias carências nos métodos de ensino.
Principalmente em países subdesenvolvidos, como é o caso do Brasil em que o
sistema escolar, muitas vezes, deixa a desejar.
Durkheim acredita em formas de ensino a criança, ele teoriza três
“elementos da moralidade” que devem ser orientados pela escola. O “espírito de
disciplina”, “vinculação aos grupos” e “autonomia da vontade”. Sua teoria e que
dominando os desejos egoístas da criança, incentivando a socializar-se com outras
pessoas, sempre prezando sua autonomia e criatividade própria são os métodos que
devem ser empregados na educação do aluno.
O “espírito de disciplina” explica que a criança deve ser submissa as regras,
que ela deve ser educada para controlar seus desejos egoístas e suas futilidades e
que apenas aprendendo a dominar essas ambições, irá obter um equilíbrio
individual. Segundo Durkheim, as regras que regem a sociedade devem ser
compreendidas e a obedecidas pelo aluno, pois desempenham um papel na
construção do caráter e na personalidade.
A vinculação aos grupos é promover na criança o sentido de coletividade,
que ela aprenda a se socializar e ter gosto pelo convívio social. Segundo Durkheim,
que ela veja a sociedade “em si mesma e para si mesma” e isso irá contribuir para
ela aprender o sentido de ter respeito ao próximo.
O terceiro elemento da moralidade é a “autonomia da vontade”, o aluno tem
que ter sua individualidade própria, ter opinião e atitude e querer aprender. É
complicado e bastante complexo, ensinar a disciplina ao mesmo tempo que
incentiva a criatividade, mas é importante fazer uma coesão entre ambos os
elementos.
7.1.A RELAÇÃO MESTRE-ALUNO
Para Durkheim deve-se haver uma “mudança” no sistema escolar e o mestre
é quem deve promovê-la para suprir as novas necessidades sociais como as do
próprio sistema. A escola de certo modo deve ser constantemente construída.
Durkheim dá conselhos aos educadores, ele afirma que é preciso ter consciência e
responsabilidade em relação a este enorme poder da educação, bem como que o
meio essencial da educação é a autoridade do mestre. Para GROPPO (2013)
Se para o educador a educação é um exercício de autoridade, para a
criança se trata de um esforço penoso em que ela deverá ultrapassar sua
própria natureza individual e elevar-se a ser social – uma atividade, em
geral, pouco prazerosa. Se a vida social é grave e séria, continua, a
educação também deve ser assim. Para o aluno, a educação é um trabalho
constante de aprender a se autoconter, algo que no tempo da infância só
pode se dar através do “dever moral”.
No processo da educação, o mestre é a referência principal da criança é nele
que esta se baseia para compreender as questões que a cerca. Ele influencia nas
primeiras opiniões e fundamenta seus conhecimentos. Depois dos pais, o professor
é o principal responsável de educar a mente da criança e proporcionar-lhe o
conhecimento necessário.
Segundo Durkheim o sistema educacional precisa de reformas, os métodos
de ensino devem que focar nos três elementos de moralidade, pois essas são as
bases da formação do caráter e da personalidade do aluno. O mestre deve usar da
autoridade e deve impor o respeito na sala de aula, através da fala e do gesto.
O mestre é o intérprete das grandes idéias morais de seu tempo e país e
também ter uma “cultura psicológica”, ou seja, levar em conta a psicologia da
criança que nos ensina por exemplo que esta não é nem egoísta, nem altruísta, que
ela “entra naturalmente em comunicação com os outros” qualidade que é preciso
saber utilizar.
7.2.O MEIO ESCOLAR
A família funciona como a primeira instituição em que o individuo tem contato,
porém é na escola que é instituído o ser social para se diferenciar do ser individual,
ou seja, é o meio escolar que irá prepara-lo para viver em sociedade.
Para o sociólogo a criança carrega consigo desejos primitivos, que lembram
aos homens selvagens impotentes a contenção, o meio escolar, portanto age como
regulador forçando a disciplina a estes de forma que o mesmo agira de forma normal
para a sociedade. Por mais tirânica que seja este método o individuo consegue
aceitá-lo de forma normal, pois neste está sendo criado um novo ser que foge ao
egoísmo e atitudes próprias e visa o que é melhor para todos que estão ao seu redor
o que auxilia a evolução da sociedade.
Logo é inviável para família educar da forma que quiser, pois há costumes
dos quais é obrigado a conformação deste e infringir estes seria um crime
gravíssimo, pois eles se vigarão no futuro adulto que se formará sem harmonia
social. Por isso para cada momento da sociedade existe um regulado e neste o
individuo conseguiria a harmonia necessária. Neste caso o regular está no meio
escolar capaz de impor aos educandos regras sociais e criando um conjunto de
valores comuns do quais a sociedade precisa para alcançar a harmonia.
Para além destes Émile ainda afirma que no meio escolar haverá sempre
diferenças, pois alguns homens foram feitos para a ação e outros para a
sensibilidade em um mesmo local, o que ocasiona as diversas especializações e
este elemento é fundamental para a sociedade.
Segundo Durkheim é com a criança em que se deve trabalhar com mais
ênfase, pois ela possui em si uma sensibilidade capaz de entender o outro e assim
criar o primeiro objetivo do ser social que é a coletividade, isso porque esta é
maleável e o dever do mestre neste sentido é o de moldar o individuo fazendo-o
capaz de viver bem em sociedade.
Émile, porém admite que é impossível dentro da sociedade existir a igualdade
na educação, isso deve-se ao fato de que existe diversas classes das quais a
criança deverá estar ciente e dentro destas há vários diferentes tipos de
pensamentos e e por consequência o ser deverá se adequar a cada uma delas,
dentro do seu próprio grupo.
Em um meio escolar o dever do mestre é o de aproveitar o momento em que
os alunos encontram-se juntos e deste retirar o maior proveito da associação entre
eles, pois se tornará mais fácil faze-los entender o que é a vida coletiva e tonar- se o
menos pessoal possível.
Logo, o meio-escolar é o mais importante para o meio social, já que, é nele
que individuo aprenderá a viver com os outros de suas classes, estas possuem
pensamentos comuns que serão compartilhados, lembrando que é diferenciado
pelos determinados grupos em que estão presentes. É neste meio que o senso de
disciplina é criado, este por sua vez é o gosto às regularidades e das limitações que
é posto sobre o individuo. DURKHEIM (1978, p. 45), salienta que
É a sociedade que nos lança fora de nós mesmos, que nos obriga a
considerar outros interesses que não os nossos, que nos ensina a dominar
as paixões, os instintos, e dar-lhes lei, ensinando-nos o sacrifício, a
privação, a subordinação dos nossos fins individuais a outros mais
elevados.
Portanto, a educação é de caráter socializador e para isto é necessário que o
professor tenha o poder de percepção para atuar nos momentos em que os alunos
juntam-se para formar a consciência coletiva e criar uma situação em que estes
possam se sentir a vontade, claro segundo as regras das moralidades e não de seus
desejos, para obter-se um melhor social. Segundo FILLOUX (2010, p. 28) “em
resumo, o mestre ‘deve ficar atento a tudo aquilo que possa fazer vibrar juntas, com
um movimento comum, todas as crianças de uma mesma classe’”.
7.3.O PODER DO MESTRE
O contexto histórico em que Émile Durkheim está inserido é um período onde
a educação era transmitida ao aluno de forma violenta, em que o mestre fazia abuso
do seu poder pedagógico com seus alunos, tentando passar o espirito de disciplina,
porém para Durkheim este método é deficiente, logo é sujeito a diversos erros e
quando a criança for adulta, poderá não conseguir viver em harmonia com o social.
Segundo Émile, a relação de poder do mestre com o aluno é comparado a do
colonizado com o colonizador, demostrando assim que é inerente ao caráter do
mestre a violência pedagógica, que este possui sobre seus educandos, porém é
necessário que o educador tenha controle sobre esta força que lhe é inerente.
Portanto, o mestre deve levar o egoísmo e os desejos naturais contidos ao nível de
transformação e este não é aplicado pela violência e sim pelo respeito moral que o
aluno deve sobre a autoridade do educador, a obediência do discípulo se encontra
na legitimidade autoritária do mestre e por sua vez o reconhecimento do mesmo,
com isso para o sociólogo a violência física é desprezível e não tem por objetivo o
auxilio ao outro.
A criança em seu estado inicial possui características biológicas diferenciadas
uma das outras e o seu desenvolvimento irá depender do caráter externo, por sua
vez Durkheim faz comparação com o educador exerce sobre a criança uma forte
influencia e esta ultima é tida como uma “tábula rasa” por não ter um conjunto de
valores comuns já formados.
Logo o poder do mestre não se resume a sua condição de autoridade e
transmissão de informações para o individuo, mas deve também exercer os
questionamentos a estes conhecimentos em seu meio- escolar. Porém não deve o
educador ficar assustado com a grandiosidade do seu poder, antes ter consciência
de sua importância para o futuro da sociedade e com ela trabalhar arduamente para
se obter melhora e atender todas as suas necessidades.
7.4.OS SABERES ESCOLARES
Para Durkheim é evidente que a escola não é somente um local para a
educação moral, porém atende também a aquisição de saberes, estes por
consequência iria influenciar os alunos em suas diversas atitudes e assim fomentar
a ideia de uma nova sociedade. Para o sociólogo, contrario do que muito filósofo
acreditava, ele afirmava sempre a importância de estudar as gerações que se
antecederam e ao mesmo tempo criar um meio social diferente.
Durkheim montou um grande panorama da educação em que demonstra uma
possível fórmula em que os conhecimentos transmitidos são parcialmente
dependentes das bases filosóficas, conjuntos de saberes de uma determinada
sociedade numa época também determinada.
O sociólogo ainda afirma que o conhecimento nas diversas áreas transmitidas
tem por objetivo provocar nos alunos um reconhecimento do poder da razão humana
e como ela tem importância, além deste ainda afirma que é necessário ensinar aos
alunos a se questionar sempre das repostas fáceis e incompletas, logo Émile era
contra a propagação do senso comum e a favor do cientifico, por isso se faz
imprescindível o homem entender a complexidades das questões. Segundo
DURKHEIM (1978, p.399)
Hoje, devemos permanecer cartesianos, no sentido de que precisamos
formar racionalistas, isto é, homens que façam questão de ter ideias claras,
mas também racionalistas de um novo gênero, que saibam que as coisas,
sejam elas humanas ou físicas, são de uma complexidade irredutível e que,
mesmo assim, eles saibam olhar frente a frente e sem fraqueza essa
complexidade.
Porém o saber não deve ser apenas transmitido com as obras literárias, e sim
deve através desta criar a percepção da maleabilidade humana e de seu poder em
conhecimento. Para além deste afirma que não nos conhecemos como pensamos,
pois existem virtudes adormecidas capazes de nos surpreendermos e o saber é o
caminho para que tal valor se desperte de forma a auxiliar ainda a sociedade em
todos os sentidos, pois com eles vem o conhecimentos das especializações.
7.5.A CONDUTA DA ESCOLA
Durkheim viveu numa época onde não existiam educadores nem instrutores.
Somente existiam professores e seus alunos a serem iluminados de acordo com
aquilo que o professor acha correto. Essa prática, porém causava muitas vezes
conflitos entre aquilo que o professor ensinava e o que o aluno já concebia do
mundo, principalmente quando se tratava de matérias humanas e religiosas. Vendo
tal problema tão latente na sociedade onde ele vivia, numa de suas obras ele afirma
que o professor deve ser educado para lecionar o aluno sem interferir nas
concepções dele, pois ninguém tem o dever de raciocinar igual sobre todos os
assuntos da comunidade, e não é dever do professor alterar essas concepções a
força.
Uma instituição de ensino deve, segundo Durkheim, ensinar ao indivíduo sem
interferir nas suas concepções e doutrina-lo para que este indivíduo que está na
escola possa realizar as alterações que a sociedade necessita no futuro, legando à
outra geração as mudanças que não foram realizadas no seu tempo e assim
sucessivamente. A instituição para formar tais cidadãos transformadores da
sociedade deve criar um programa educacional, e para isso ela tem autonomia para
incluir, se necessário, o próprio estudante na montagem do programa, porém não
pode ser ultrapassada a linha que a sociedade impõe de certo e errado. Pode ser
tomado como exemplo uma instituição que ensine a religião católica num país onde
a maioria é mulçumana.
Fica claro o conflito que isso irá gerar tanto nos interesses da sociedade, que
quer que seus filhos sigam seus passos e sejam mulçumanos, quanto na concepção
do estudante que já aprendeu os ritos de sua religião e se vê forçado a, não deixa-la
de lado, mas dar maior importância à religião que eles estão aprendendo na escola,
e para deixar essa situação mais próxima do Brasil, pode-se destacar as missões
jesuíticas que convertiam “selvagens” adultos a força e ensinavam aos pequenos
índios que os deuses que eles adoravam a gerações não passava do demônio e que
o deus católico era o único deus correto a se adorar, criando uma confusão na
cabeça das crianças que prejudicará seu desenvolvimento.
Com ideias tão revolucionárias num sistema educacional que não admitia
participação do aluno, muito menos ensinar aos professores como professorar seus
alunos, Durkheim conseguiu duas importantíssimas conquistas, são elas a
instituição da matéria Sociologia na Europa em 1920 e seguidores, principalmente
depois de sua morte e inclusive no Brasil, onde suas obras foram vendidas em
largas tiragens.
Assim como na Europa, no Brasil também haviam seguidores das ideias de
Durkheim, e eram estes Lourenço Filho, Anísio Teixeira e Fernando Azevedo, que
junto com muitos outros escreveram o “Manifesto da Educação Nova” que era
baseado nas ideias sociológicas de Fernando Azevedo, no pensamento politico-
filosófico de Anísio Teixeira e na psicologia de Lourenço Filho, tal documento serviu
de base para todas as reformas que eles promoveram e que deram base à
educação contemporânea, tal como a criação do MEC, e a criação da Lei das
Diretrizes de Bases da Educação Nacional, que instituem uma educação “Laica e
gratuita” disponível para todos.
8. INFLUÊNCIA E IMPORTÂNCIA DE DURKHEIM
Durkheim foi o pai da ciência que chamamos de Sociologia Moderna e
distinguiu esta ciência das outras. Unificou a pesquisa experimental com a teoria
sociológica. Era teoricamente muito hábil no conceito coesão social. Tornou o
sociólogo uma grande influência na Sociologia enquanto matéria curricular.
Além destes fatores, fez com que a Sociologia se focasse em determinantes
sócio-estruturais e não mais em interpretações biológicas ou psicológicas das
atitudes dos indivíduos.
A sociologia, enquanto disciplina, pôde ser definida precisamente, além de
possuir métodos específicos para analisar determinadas situações que ocorrem na
sociedade e a partir disso foi possível disponibilizar uma aplicação para esta
disciplina.
A metodologia de Durkheim contribui para o estudo da sociedade e o que
devemos mudar em relação ao nosso comportamento no meu social. O indivíduo
passou a entender o porquê de a sociedade formular e impor leis para que o mesmo
cumpra e compreender os motivos que levam a acontecimentos, que na sua grande
maioria, chocam a sociedade.
Essas metodologias também contribuíram para evolução das sociedades e
principalmente do indivíduo, que a cada dia busca sua evolução e para isso tem que
melhorar seu desempenho no trabalho, ou seja, aumentar mais suas interações com
seus grupos sociais. Claro que ainda temos uma dificuldade de interação, mas isso
ao longo dos anos vai melhorando.
Para o meio científico, a Sociologia contribuiu na Historiografia. Se não
entendemos a sociedade como podemos entender a história daquela época? Então
ela é de extrema importância para a Historiografia porque, além dela trabalhar com
os acontecimentos das épocas passadas, ela tenta compreender o que a sociedade
influenciou para que esse fato acontecesse.
Durkheim enfatizou muito a questão das instituições sociais (família, escola,
entre outros) e hoje elas só possuem esse valor imenso na sociedade graças a essa
valorização por parte dele.
9. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Desta forma foi possível concluir qual a importância de David Émile Durkheim
para a sociologia. Como este desenvolveu e tornou a sociologia uma ciência
individual a parte das outras. Mostrando a indispensabilidade desta para a maior
compreensão dos fatos sociais e para a sociedade como um todo. Ainda foi possível
compreendo como o contexto histórico que o “pai da sociologia” vivenciava
influenciou diretamente em suas obras. Assim como foi discutido quais as principais
teorias de Durkheim, seu legado e obras.
Em “Da Divisão Social do Trabalho” Durkheim centraliza-se na “Solidariedade
Mecânica e Solidariedade Orgânica”, tais teorias ressaltam a construção de laços
nas relações humanas. A Solidariedade Mecânica é aquela já nascida com o
individuo que constrói-se na família e em suas relações de parentesco para com
outros membros de sua família. Já a Mecânica caracteriza-se por essa mesma
construção, porém com indivíduos desconhecidos, com os amigos e profissionais
que trabalham com o indivíduo.
Já em “As Regras do Método Sociológico”, Durkheim pontua quais as
características base para a elaboração de teorias sociais e pontua três tópicos
principais para as características de um fato social e são eles: Generalidade:
Quando o fato apresenta característica comum a todos os indivíduos, ou seja, o
mesmo fato acontece com a grande maioria dos indivíduos; Exterioridade: Quando o
fato é externo ao indivíduo, independente da sua vontade; Coercividade: Aparece
por intermédio dos indivíduos que são forçados a seguirem os comportamentos que
a sociedade impõe.
Em “As Formas Elementares da Vida Religiosa”, Durkheim expõe a
construção da religião como consequência da sociedade. Ele demonstra ainda que
não há religiões falsas, mas sim religiões construídas a partir de valores sociais.
Por fim Durkheim salienta em sua última obra, “O Suicídio”, as três formas
básicas de suicídio são elas: Suicídio Egoísta: Quando o indivíduo se afasta dos
outros seres de sua mesma espécie e comete atos com motivação pessoal; Suicídio
Altruísta: Quando o indivíduo realiza atos em prol de uma causa; Suicídio Anômico:
O indivíduo faz o ato porque há a ausência das regras de sua sociedade por causa
de possíveis mudanças em decorrência de que a sociedade ela não é única em
todas as épocas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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net/ tigrones1/durkheim-sociologia-6981612>. Acesso em: 03 jul. 2013.
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______. Sociologia de Durkheim. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/
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DURKHEIM, E. A divisão do trabalho social. 1ª edição [1895]. Lisboa:
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DURKHEIM, E; O Suicídio, Estudo Sociológico. Editorial Presença, 7ª
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DUVIGNAUD, J. Durkheim. Lisboa: Edições 70, 1982.
FAUCONNET, P. EMILE DURKHEIM - Educação e Sociologia. 12 ed. Trad.
Lourenço Filho. São Paulo: Melhoramentos, 1978
FILLOUX, J. Émile Durkheim. Editora Massangama, Edição Virtual, 2010.
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a questão da racionalidade e da emancipação na reflexão sociológica sobre a
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<http://www.histedbr.fae.unicamp.br/acer_histedbr/jornada/jornada7/_gt1%20pdf/a
%20modernidade%20e%20a%20sociologia%20da%20educa%c7%c3o%20no%20s
%c9culo%20xx%20a.pdf>. Acesso em: 07 de jul de 2013.
LUCENA, C. O pensamento educacional de Durkheim. Revista Histedbr.
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em: <http://meuartigo.brasilescola.com/sociologia/o-metodo-sociologico-durkheim.
htm>. Acesso em: 03 jul. 2013.
Durkheim e a Educação

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Durkheim e a Educação

  • 1. ANA CAROLINE SILVA A. JOSÉ ANIELE ALMEIDA S. BERENGUER GREGORY R. ASSIS CANABRAVA JASON LEVY REIS DE SOUZA PERÁCIO DA C. CONTREIRAS NETO VICTOR SAID DOS S. SOUSA VICTÓRIA BENVENUTO CABRAL EMILE DURKHEIM EDUCAÇÃO E SOCIOLOGIA Salvador 2012
  • 2. ANA CAROLINE SILVA A. JOSÉ ANIELE ALMEIDA S. BERENGUER GREGORY R. ASSIS CANABRAVA JASON LEVY REIS DE SOUZA PERÁCIO DA C. CONTREIRAS NETO VICTOR SAID DOS S. SOUSA VICTÓRIA BENVENUTO CABRAL EMILE DURKHEIM EDUCAÇÃO E SOCIOLOGIA Relatório de Pesquisa solicitado como objeto de avaliação parcial da I Unidade pela professora Eliane Navarro da Disciplina de Sociologia no Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia da Bahia, Coordenação de Automação e Controle Industrial. Sobre orientação da professora Eliane Navarro. Salvador 2012
  • 3. RESUMO Esta obra expõe a vida de David Emile Durkheim, o pai da sociologia, assim como efetua um estudo de cada uma de suas obras, metodologia, teorias, importância, influência e o contexto histórico o qual vivia, também mostrando a influência deste para a vida e obra de Durkheim. Sua história influência diretamente em suas principais obras e são elas que irão caracterizá-lo como o primeiro sociólogo a valer- se de métodos sociológicos para analisar a sociedade. Neste relatório serão abordados os principais conceitos e metodologias desenvolvidas por Durkheim para a Pedagogia e Educação. Este relatório, orientado pela professora Eliane Navarro, baseia-se nas normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), sendo objeto de avaliação parcial da 1º unidade no Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia da Bahia, Coordenação de Automação e Controle Industrial. Palavras-Chave: Durkheim, Pedagogia, Educação, Metodologia e história.
  • 4. SUMÁRIO SUMÁRIO................................................................................................................................................7 1.INTRODUÇÃO......................................................................................................................................4 2.VIDA E OBRA........................................................................................................................................5 2.1.De La Division Du Travail Social .......................................................................................................6 2.2.LES RÈGLES DE LA MÉTHODE SOCIOLOGIQUE..................................................................................7 2.3.As Formas Elementares da Vida Religiosa........................................................................................8 2.4.Le Suicide..........................................................................................................................................9 2.5.OUTRAS OBRAS..............................................................................................................................10 3.ASPECTOS TEÓRICOS.........................................................................................................................11 3.1.CONSCIÊNCIA COLETIVA.................................................................................................................12 3.2.Os Fatos Sociais..............................................................................................................................13 3.2.1.Coerção Social.............................................................................................................................13 3.2.2.Exterioridade...............................................................................................................................13 3.2.3.Generalidade...............................................................................................................................13 3.3.Solidariedade..................................................................................................................................13 3.3.1.Solidariedade Mecânica..............................................................................................................13 3.3.2.Solidariedade Orgânica................................................................................................................14 4.A SOCIEDADE PARA DURKHEIM.........................................................................................................14 5.O INDIVÍDUO, A EDUCAÇÃO E A SOCIEDADE.....................................................................................16 6.O RESPEITO PELA HUMANIDADE, VALOR SUPREMO.........................................................................18 7.A PEDAGOGIA....................................................................................................................................19 7.1.A RELAÇÃO MESTRE-ALUNO ..............................20 7.2.O MEIO ESCOLAR............................................................................................................................21 7.3.O PODER DO MESTRE.....................................................................................................................23 7.4.OS SABERES ESCOLARES.................................................................................................................24 7.5.A CONDUTA DA ESCOLA.................................................................................................................25 8.INFLUÊNCIA E IMPORTÂNCIA DE DURKHEIM....................................................................................27 9.CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................................................28 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................................................................29
  • 5. 1. INTRODUÇÃO Émile Durkheim foi um dos maiores sociólogos da história, conhecido pelo seu rigoroso e técnico desenvolvimento teórico, o que levou a ficar conhecido como sendo um dos pais da Sociologia Moderna. Durkheim não escreveu obras diretamente voltadas para a educação, contudo os textos e hipóteses desenvolvidas desencadearam o seu título como primeiro sociólogo da educação do mundo. O presente relatório solicitado pela professora Eliane Navarro da disciplina de Sociologia docente no Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia da Bahia – IFBA, Coordenação de Automação e Controle Industrial. Trás como principal objetivo a inseminação dos trabalhos técnicos baseados na norma da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) aos estudantes do 2º ano do curso de automação e controle industrial. Assim como uma melhor compreensão do tema abordado, Emile Durkheim: Vida e Obra, A sociologia e a educação. Este relatório baseia-se no método da revisão bibliográfica, a qual foi realizada utilizando livros, artigos científicos, monografias, dissertações e teses, assim como websites e o banco de dados da Scielo, USP, UFRJ e CPDOC e as próprias obras do autor. Este relatório busca dar continuidade às práticas e exercício das normas técnicas regidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) que estarão presentes ao longo do curso e de suas futuras profissões. Visando exercitar e analisar os conhecimentos dos estudantes até aqui obtidos.
  • 6. 2. VIDA E OBRA David Emile Durkeim, ilustrado na figura 1, nasceu no dia 15 de Abril de 1858, na cidade de Epinal, Noroeste da França no Departamento de Voges, entre a Alsácia e a Lorena nordeste da França. Descendente de rabinos optou pelo Agnosticismo, crença na incapacidade humana de compreender a Deus e comprovação da existência d’Ele ou de qualquer divindade, apesar de não tornar-se rabino, os hábitos da cultura judia mantiveram-se firmes, Emile era devoto ao trabalho, disciplinado e fiel ao que fazia (ensinamentos primordiais para tornar-se rabino). Desde jovem, defendia o método científico como forma de desenvolvimento do conhecimento e procurou demonstrar que os fenômenos religiosos tinham origem em acontecimentos sociais. Figura 1 - Émile Durkheim Fonte: UMD (2013) No ano de 1879, aos 21 anos de idade, Durkehim vai estudar na École Normale Supérieure (Escola Normal Superior), em Paris, passando a dedicar-se ao mundo intelectual. Três anos após, em 1882, formou-se em Filosofia. Cinco anos depois, já em 1887, vai trabalhar na Universidade de Bordeos, na França, como professor de Pedagogia e Ciência Social. A partir daí, iniciou seus estudos na Sociologia. O período que trabalhou em Burdeos (1887-1902) foi essencial para a produção das quatro obras principais de Durkheim: Da divisão Social do Trabalho (1893), As Regras do Método Sociológico (1895), O Suicídio (1987) e As Formas Elementares de Vida Religiosa (1912).
  • 7. 2.1.DE LA DIVISION DU TRAVAIL SOCIAL Publicada em 1893, “A Divisão Do Trabalho Social” é uma obra, a qual Durkheim analisa as funções sociais do trabalho na sociedade, mostrando como tal divisão é a principal fonte de coesão social. Esta obra nasceu em um contexto onde os homens não conseguiam controlar o crescimento populacional e não atendiam à demanda de produção de alimentos. Esta obra tem por fundamento principal o entendimento das funções sociais do trabalho e a sua forma de atuação na sociedade. Na modernidade, a divisão social do trabalho é uma importante fonte coesiva ou também denominada solidariedade social. A divisão do trabalho gerencia a sociedade e a mesma tende a evoluir não só a sociedade, mas também o indivíduo em questão. No trabalho social há a troca de conhecimento, já que um ajuda o outro tanto indiretamente quanto diretamente. Indiretamente seria o indivíduo fazer sua parte completamente, sem deixar erros, para que outro indivíduo faça a sua parte sem precisar, em caso de alguma ocorrência, ter que fazer a parte dele e depois consertar a sua. Já diretamente seria em um dado momento você ajudar uma pessoa na hora que ela está cumprindo seus deveres e direitos, tirando dúvidas ou até mesmo auxiliando-o para que ele acabe sua “tarefa”. Então a partir daí entre a parte da solidariedade. Quando falamos de solidariedade, pensamos logo, ajudar outra pessoa ou outras pessoas. Era esta questão que Durkheim queria abordar, mas, principalmente, a solidariedade social, onde cada indivíduo faria sua parte, independente de qualquer coisa, e essa ação contribuiria para a harmonia da sociedade. Também entraria a questão de um ajudar o outro, ou seja, mesmo que você tenha sua “tarefa” para fazer, você se disponibilizaria, nos momentos de pausa da sua tarefa ou mesmo numa brecha que você tivesse, a ajudar o outro na sua “tarefa”, sem reclamar e sem reclamar. Como podemos perceber, a solidariedade engloba um conceito criado e formulado por Durkheim, a chamada Consciência Coletiva, que consiste no caráter de uma sociedade particular. A partir desta consciência podemos compreender
  • 8. como a sociedade consegue garantir uma harmonia plena, com indivíduos exercendo solidariedade uns com os outros a base de respeito mútuo. Destes pontos já citados, podemos classificar os tipos de solidariedade que existem na sociedade. Existem dois tipos de solidariedade, a solidariedade mecânica e solidariedade orgânica. Podemos chamar de solidariedade mecânica aquela que tem origem da sociedade capitalista, onde os indivíduos continuam unidos devido à semelhança dos mesmos e não há a presença de indivíduo diferente. Obtemos a coesão a partir desta uniformidade. Já a solidariedade que chamamos de orgânica é aquela que tem como característica fundamental a divisão do trabalho, onde, como já foi salientado anteriormente, obriga o indivíduo a cumprir suas tarefas e a mesma força o indivíduo à prática de interagir com outros indivíduos. A solidariedade que encontramos e utilizamos na sociedade moderna é a solidariedade orgânica. Ela ajuda tanto o indivíduo quanto o grupo social a especializar-se, realizando uma cadeia com dependência mútua. 2.2.LES RÈGLES DE LA MÉTHODE SOCIOLOGIQUE “As Regras Do Método Sociológico” é uma obra de 1895 obtida como resultado do objetivo de Durkheim em estabelecer a Sociologia como Ciência Social. Nesta obra o autor enfatiza a questão do Fato Social e regras que o sociólogo tem que levar em consideração para analisar e contextualizar um fato social. Primeiramente Durkheim explica o que seria um fato social. Fato Social é nada mais e nada menos, segundo Durkheim, do que toda maneira de agir, pensar e sentir, fixada ou não susceptível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou então, que é geral no âmbito de uma sociedade, tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente de suas manifestações individuais. Após esta breve definição Durkheim apresenta características fundamentas para se identificar se um acontecimento é um fato social ou não. As características fundamentas de uma fato social são:
  • 9. • Generalidade: Quando o fato apresenta característica comum a todos os indivíduos, ou seja, o mesmo fato acontece com a grande maioria dos indivíduos; • Exterioridade: Quando o fato é externo ao indivíduo, independente da sua vontade; • Coercividade: Aparece por intermédio dos indivíduos que são forçados a seguirem os comportamentos que a sociedade impõe. Durkheim, para fazer suas análises da sociedade, se baseou no positivismo de Karl Marx e Engels, onde a sociedade é analisada de forma objetiva, observando o fato como objeto. Daí vem à afirmação dele de que “os fatos sociais devem ser tratados como coisas”. Essa análise feita na sociedade deve ser descrita de forma imparcial, neutra. Com essa análise realizada, provou que os fatos sociais não possui dependência em relação ao que o indivíduo pensa e faz em particular, sendo assim o indivíduo possui sua existência própria. Através desta afirmação surgiu a expressão “consciência coletiva”, onde Durkheim define como sendo um conjunto de crenças e sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade que formam um sistema determinado com vida própria. Depois destas definições e destas caracterizações, o sociólogo poderá analisar os fatos sociais mediante a uma questão fundamental: as regras do método sociológico. Para realizar a análise com precisão é preciso que o sociólogo siga algumas regras que são de extrema importância no campo da Sociologia. 2.3.AS FORMAS ELEMENTARES DA VIDA RELIGIOSA Nesta obra em questão temos a religião relacionada ao indivíduo, onde à medida que a sociedade cresce a religião não aparece muito no contexto social e os adeptos diminuem. Explica quais são as bases das religiões, principalmente a da época dele, a chamada totemismo primitivo, que se consagrou na Alemanha, onde o autor desta obra morou e passou quase sua vida toda.
  • 10. Antes de qualquer coisa é de vital importância citar as condições fundamentas para o desenvolvimento da religião. Primeiramente, é necessário apresentar conjuntos de crenças religiosas. Em segundo lugar, devemos deter de conjuntos de ritos e terceira e última condição seria deter de um templo e uma comunidade moral. Depois de apresentada essas condições, é necessário à definição de totemismo primitivo, para entendermos e analisarmos a religião daquela época de conflitos. Totemismo Primitivo seria, segundo Durkheim, uma forma específica e clara da consciência coletiva na sociedade primitiva. Esta definição define o caráter social do surgimento da religião e seus fundamentos na estrutura social. Durkheim afirmou que não existem religiões falsas. As religiões são oriundas da sociedade. 2.4.LE SUICIDE Publicado em 1897, “O Suicídio” é a obra, na qual Émile relata os casos de suicídios ocorrentes em uma sociedade, classificando-os em três tipos: em Suicídio Egoísta, no qual o indivíduo chega a um ato extremo apenas por motivos pessoais; em Suicídio Altruísta, onde o indivíduo da sua vida em função de uma causa e que é mais frequente em sociedades de solidariedade mecânica; e em Suicídio Anônimo, onde o indivíduo toma essa decisão em função da ocorrência de uma crise dolorosa ou súbitas transformações dentro da sociedade em que vive, de modo que ela deixe de cumprir a sua função reguladora. Todas as obras abordadas anteriormente estão ilustradas na figura 2. Figura 2 - Principais Obras Fonte: Adaptações de DURKHEIM (2013).
  • 11. 2.5.OUTRAS OBRAS Ao sair de Burdeos, já no ano de 1902, Durkheim vai auxiliar Ferdinand Buisson na Cadeira de Ciência da Educação, Sorbonne, sucedendo-o em 1906. Lá escreve “La Educacion Moral” (A educação Moral) (Fig.3), na qual afirma que a educação, como relação social, é voltada para os interesses de uma sociedade, que só pode existir, se, dentre seus membros existir uma determinada afinidade. No ano de 1912, Émile Durkheim, publica duas de suas últimas obras, “Les Formes Élémentaires De La Vie Religieuse” (As Formas Elementares Da Vida Religiosa) (Fig.4), em que analisa a religião como fenômeno social, usando como exemplo as religiões de tribos aborígenes da Austrália; e “Leçons De Sociologie” (Lições de Sociologia), obra em que Durkheim caracteriza a democracia através da comunicação entre a consciência governamental e a sociedade. Figura 3 – Outras Obras Fonte: Adaptações de DURKHEIM (2013). Em 15 de Novembro de 1917, supostamente pela tristeza causada pela perda do filho, no ano anterior, na Primeira Guerra Mundial, Émile Durkheim vem a óbito.
  • 12. 3. ASPECTOS TEÓRICOS Émile via a sociologia como nova ciência. Acreditava que era necessário estudar a vida social com a mesma objetividade com que os cientistas estudam o mundo natural. Seu princípio era de que os fatos deveriam ser estudados como coisas. Dizia que os fenômenos ocorrentes dentro da sociedade deveriam ser analisados e demonstrados com técnicas especificamente sociais. Para ele, a sociedade está estruturada em pilares, que se manifestam através de expressões, esta sociedade é algo que está que está fora e dentro do homem, ao mesmo tempo, devido ao que se adota de valores e princípios morais. E estes valores adotados são o que influenciam a educação das pessoas. Outro aspecto teórico que o Durkheim deu bastante importância foi a divisão do trabalho social, afirmava que, em uma sociedade, cada indivíduo deve exercer uma função específica, seguindo direitos e deveres, em busca da solidariedade social. Esta forma poderia levar todos ao progresso e avanço. Durkheim possuía várias teorias, mas utilizava uma em especial que fundamentou os objetivos dos seus principais livros: Da Divisão do Trabalho Social, As Regras do Método Sociológico, O Suicídio e As Formas Elementares de Vida Religiosa. Tal teoria seria denominada por Durkheim como “Fatos Sociais”. Essa teoria surge quando DURKHEIM afirma: “Os fatos sociais devem ser tratados como coisas”. A partir de tal afirmação Durkheim fundamenta o que viria a ser a formulação da sociedade que este tanto idealizava. Nesta sociedade havia a questão do normal e do patológico. Também se tinha a questão da definição do fato social e através da mesma obteve suas características e as regras que possibilitariam um sociólogo a realizar sua análise e contextualização, que será apresentado como objetivo no seu livro As Regras do Método Sociológico. A sociedade, para ele, possuía divisões das funções do trabalho e devido a isto pôde obter a expressão solidariedade e seu conceito. Como as sociedades não são as mesmas, para cada uma surge uma forma de solidariedade. Nesta questão teremos os tipos de solidariedade. Este tema se encontra como objetivo no livro Da
  • 13. Divisão do Trabalho Social. Esta divisão não seria possível se ele não utilizasse a questão do fato social, já que a mesma possui relação direta com os temas abordados nos livros, como já foi salientado anteriormente. Na sociedade de Durkheim havia também a socialização, onde o homem deixa de pensar só nele e passava a pensar em todos que participam da sua sociedade, ou seja, aceitaria os costumes e hábitos da mesma. A partir desta socialização surgia à consciência social e esta por sua vez “controlava” a consciência individual, que seria o homem no estágio de um animal selvagem, que só pensava em seus benefícios próprios. Dentro desta consciência coletiva obtém- se o fato social, que será sua principal tese. Essa parte social que foi formulada por Durkheim é utilizada na atualidade em partes, já que ainda existe a questão do individualismo, onde as pessoas que compõem a sociedade não realizam seus deveres e só querem ter seus direitos respeitados. São poucos aqueles que pensam no bem social, nos outros, nos indivíduos que compõem a sociedade que esses indivíduos participam. Então não podemos dizer que é uma sociedade, já que não obedece aos princípios formulados por Durkheim. Mas no geral a maioria dos princípios são respeitados e, principalmente, obedecidos, existindo algumas subgestões em relação a alguns conceitos. A partir destas subgestões entra a questão da área filosófica, que não será discutida neste contexto. Durkheim realizou uma contextualização da sua sociedade e ela foi de extrema importância na construção da mesma que temos hoje e sem ela não poderíamos formular a parte social dos indivíduos e, sem dúvida, não seríamos capazes de nos relacionar com outros indivíduos de mesma espécie, ou seja, não poderíamos exercer uma relação de solidariedade com outros seres humanos. E por isso ele é considerado o melhor sociólogo que já tivemos na história e tem extrema importância na sociedade. 3.1.CONSCIÊNCIA COLETIVA Mesmo que os indivíduos possuam suas consciências individuais, seus comportamentos e atitudes podem ser notadas no interior do grupo ou da sociedade
  • 14. que vive. Este comportamento padronizado dos indivíduos na sociedade é o que Durkheim chama de consciência coletiva. 3.2.OS FATOS SOCIAIS Durkheim definiu os fatos sociais como “maneiras de agir, de pensar e de sentir que apresentam essa notável propriedade de existirem fora das consciências individuais.” (DURKHEIM, 1893, p. 3). Os fatos sociais são fenômenos, e possuem as seguintes características: 3.2.1. Coerção Social Os fatos sociais exercem uma força sobre o indivíduo, o que o leva a se conformar às regras da sociedade. 3.2.2. Exterioridade Os fatos sociais existem e atuam sobre os indivíduos independentemente de sua vontade. 3.2.3. Generalidade Os fatos sociais se repetem na maioria ou em todos os indivíduos. 3.3.SOLIDARIEDADE Com esta ideia, Durkheim tenta explicar o que gera a formação da sociedade e o que faz com que ela não se dissolve. Ele classificou a Solidariedade em dois tipos: 3.3.1. Solidariedade Mecânica Formada no consenso e na similaridade de crenças, quando um espaço é relativamente pequeno para existir diferenças individuais. Mais ocorrente em regiões rurais, geralmente é formado em torno de uma família, religião, tradição ou costumes, havendo uma pequena divisão do trabalho social.
  • 15. 3.3.2. Solidariedade Orgânica Típica das sociedades capitalistas é criada a partir da interdependência entre os indivíduos, causada pela aceleração da divisão do trabalho. Ao contrário da Solidariedade Mecânica, o que vai manter o grupo unido é a interdependência baseada nas diferenças, com isso a Consciência Coletiva se amolece. 4. A SOCIEDADE PARA DURKHEIM A sociedade, figura 2, para Durkheim, teria normas para uma boa convivência entre os indivíduos que fazem parte dela e precisaria que seu todo apresentasse coesão. Essa estrutura nem sempre apresentaria mesmas características, mas ainda sim existiria esta estrutura que chamamos de integração. Caso um grupo de indivíduos não apresente essa integração, o mesmo não poderia ser chamado de sociedade. Figura 5 – A Estrutura da Sociedade para Durkheim Fonte: DURKHEIM (2013) Essa integração possui elementos que são importantes para a sociedade. Um destes elementos é a intensidade como os indivíduos se interagem entre si. Através desta interação podemos realizar nos trabalhos socais e compartilhar
  • 16. conhecimentos. Esse compartilhamento de conhecimento contribui e muito para a evolução humana, que é importante para o indivíduo. A ideia principal de Durkheim em relação a sua sociedade é que através desta troca de saberes o indivíduo interaja com seu grupo ou sua sociedade. Uma sociedade só terá um bom desempenho se os valores, as crenças e as normas estabelecidas na mesma burlarem as ações individuais formando, assim, uma solidariedade básica, que gerencia as atitudes humanas. Para isso utilizamos, segundo Durkheim, a expressão consciência coletiva. Ela expressa a solidariedade comum como sendo intermediária no controle do comportamento humano. Os mecanismos utilizados para criar e manter a interação entre os indivíduos e a divisão da consciência coletiva são: a família, a educação, o trabalho, a religião e entre outros mecanismos. A sociedade num todo, com seus procedimentos de socialização e internalização individual, contribui para a assimilação e entendimento das suas crenças, dos seus valores e das suas normas. Se o indivíduo entende esses procedimentos, com certeza irá segui-las sem reclamar e sem desobedecê-las. Nem sempre a sociedade envolvida seguirá os padrões citados anteriormente. Este “descontrole” da sociedade pode acontecer devido a um ponto importantíssimo: a mesma não apresenta características semelhantes em todas as épocas e a sua estrutura social se modifica ao longo dos anos. Por esse motivo podemos afirmar que em alguns desses “descontroles” da sociedade não foi o indivíduo que cometeu erros. É importante ressaltar que esse tipo de “descontrole” é denominado, por Durkheim, de anomia.
  • 17. 5. O INDIVÍDUO, A EDUCAÇÃO E A SOCIEDADE Durkheim defendia que o ser humano é composto de dois elementos fundamentais e inerentes a todos: o ser individual e o ser sociável. O ser individual seria como o nosso subconsciente, no que se refere aos diversos aspectos que o compõem, tais como sentimentos, instinto de sobrevivência, e outros aspectos, os quais não “podemos controlar”. O segundo, seria composto pelos sensos de razão, moral, ética, religião e os sensos sociais. Ou seja, por valores que são passados em meio sociável e através do convívio em sociedade, sociedade esta composta por diversos outros aspectos. Ora, se há um senso inerente a todo indivíduo, o senso individual, será então o segundo distinto do primeiro. O senso social só pode ser obtido e aperfeiçoado através do convívio social, de modo tal que a construção deste ser, assim como seu aperfeiçoamento deve ser realizado pelas instituições educacionais. Ora, o individuo existe em função da sociedade, de maneira que continuamente deve efetuar a manutenção desta, a sociedade é composta pelos indivíduos, entretanto não cabe a sociedade efetuar a manutenção dos mesmos. A sociedade deve propiciar a estes condições mínimas para o desenvolvimento do ser social, pois o desenvolvimento destes trás, por consequência, o desenvolvimento social em uma relação de interdependência direta. Cabe então aos professores, enquanto representantes máximos das escolas, construir e lapidar os seres sociais, a fim de torna-los convictos e fortes o suficiente à ponto de sobrepor-se ao ser individual. Na estrutura durkheimiana os estudantes, jovens, crianças e adolescentes, ainda estão em processo de construção e formação do ser social, o que desencadeia uma total incapacidade dos mesmos de transmitir conhecimento. Não por ser incapazes, mas por não possuírem nada que possa ser transmitido aos seres socialmente construídos, como os professores. Devido a isso, no modelo tradicionalista de educação de Émile, os aprendizes nada têm a transmitir aos seus mestres, enquanto seus mestres, enquanto seres socialmente construídos, devem lapidar e preencher, através da experiência e do conhecimento, o vazio dos aprendizes socialmente inaptos. Para entendermos qual a função que qualquer instituição social representa, precisamos criar uma relação entre as própria instituição e as necessidades da sociedade em que ele está estabelecido. Cada sociedade estabelece ideais sobre o
  • 18. que o homem deve ser e como deve agir em aspectos intelectuais, morais e até mesmo físicos, e são esses padrões que dão sentido à educação. A educação age como instituição que deve atender as necessidades e expectativas sociais. Outra função que a educação desempenha na sociedade, é a de transformar o “ser individual” em “ser social”, já que é necessário uma certa homogeneidade entre os seus membros. Por isso, a escola age fixando no jovem aprendiz, a necessidade de criar alianças para a vida coletiva. Porém, numa sociedade em que é cada vez mais comum a divisão de trabalho e tarefas, essa homogeneidade é relativa. Chegamos a conclusão, portanto, que a educação é “ação exercida pelas gerações adultas sobre aquelas que não estão ainda maduras para a vida social.” O seu objetivo é desenvolver na criança os aspectos necessários exigidos pela sociedade em geral e por um meio específico ao qual ela faz parte. Ou seja, a educação consiste na “socialização metódica da jovem geração.” Durkheim tinha um interesse em especial pelas escolas, porque apesar dessa “socialização” ser transmitida desde o nascimento da criança, no seio familiar, é na escola que ela é devidamente sistematizada e os valores, normas e saberes são transmitidos. É óbvio, no entanto, que devemos observar que as sociedades mudam e as instituições que as compõem também, produzindo novas necessidades. Só é possível, então, analisarmos a educação em um certo momento, já que ela faz parte de um círculo estático e mutável. Como já vimos, a escola age como um órgão social, mas que vai buscar a sua função e objetivo no sistema global. A diferenciação que Durkheim defendeu, foi a de que apesar desse subsistema ser dependente do todo social, ele possui certas características independentes e que qualificam a um sistema. Essas características fazem com que o subsistema educacional tenha uma “autonomia relativa”. Nesse sentido, é importante voltarmos a atenção ao que Durkheim falava sobre a “consciência coletiva”. Ele dizia que diferentes membros de uma sociedade podem viver em harmonia porque, até certo ponto temos valores e regras em comum que são transmitidos pela escola. Fica claro, então, que apesar da escola atuar como um subsistema que depende da sociedade para nortear as suas áreas de atuação e as necessidades a que a educação deve atender; é essencial também para a vida social ter a presença da escola para que seus membros possam viver em juntos e em harmonia.
  • 19. 6. O RESPEITO PELA HUMANIDADE, VALOR SUPREMO Segundo FILLOUX (2010) “segundo Durkheim o respeito pela pessoa humana é erigido, concebido em valor supremo e ele é o único capaz de manter a coesão entre as sociedades modernas indústrias”. O respeito do homem enquanto homem é um elo social verdadeiro, o único elo que mantém permanente a sociedade enquanto sociedade. Durkheim explica que por mais que não haja uma boa relação com outro indivíduo ou ainda que existam sentimentos negativos, como ódio, receio ou inveja, deve-se manter o respeito, como elemento supremo, ou seja, essencial e primordial para o convívio social. Respeito é uma forma de consideração pelo próximo. Todo ser vivo é digno de respeito, principalmente os seres humanos, os que nos são semelhantes. Porém há muito tempo, o homem deixou de demonstrar tal sentimento, as provas do descaso do ser humano em relação à própria espécie estão na história que não deixa esquecer o passado. Na África, povos foram arrancados de sua casa e levados a força para serem escravizados em outro continente, nas Américas séculos de escravidão movimentaram a economia da Europa durante a colonização, genocídios, exploração dos operários nas indústrias, guerras mundiais em busca da supremacia de poucos, a morte de milhares de judeus, negros africanos, índios... E tudo isso por falta de respeito. Por falta de consideração a um outro de sua própria espécie, o que dirá de outra. O sociólogo Émile Durkheim acredita no respeito supremo pela humanidade, na qual a consideração ao outro deve ser algo, não só levada mais a sério, mas sendo o valor principal para se manter a ordem e a harmonia entre as sociedades. No mundo individualista em que vivemos hoje, vê o próximo como um ser digno de respeito e estima é essencial. Todos somos diferentes, mas é necessário permitir que cada um tenha sua própria opinião, atitude e personalidade. Respeitar o desigual, aceitar o outro como aceitamos a si mesmo é o que Durkheim acredita que nos ajudaria a ser uma sociedade melhor. Em sua obra “O Individualismo e os Intelectuais” Durkheim concluiu que o homem em sua “humanidade” torna-se um “deus para o homem”. Ele acredita que Deus reflete a sociedade, só que de forma camuflada e que a humanidade criou
  • 20. uma personificação de Deus a sua semelhança e não ao contrário. DURKHEIM (1898, p. 271) Caminha-se pouco a pouco para um Estado na qual os membros de um mesmo grupo social não terão mais nada em comum entre eles, a não ser sua qualidade de homem, ou os atributos constitutivos da pessoa em geral. Não resta mais nada que os homens possam amar e honrar em comum, a não ser o próprio homem. Eis aí como o homem se tornou um “deus para o homem” e porque ele não pode mais, sem mentir a si mesmo, forjar outros deuses. E como cada um de nós encarna algo da humanidade, cada consciência individual tem em si algo de divino e encontra-se marcada por um caráter que a torna sagrada e inviolável para os outros. Portanto, Durkheim acredita num emprego do respeito bem diferente do que está sendo utilizado na humanidade. Uma sociedade onde predominaria o consenso e a autonomia de cada um, mas que todos trabalhassem em conjunto pela manutenção da harmonia. Desrespeitando o próximo, impede-se que o individuo seja quem ele é, o impede de exercer sua própria natureza e assim estará desrespeitando a si próprio já que todos somos homens. 7. A PEDAGOGIA A pedagogia é a ciência que estuda a educação, e esse último é a chave para o conhecimento. A educação é a base para formação de qualquer ser humano, uma bom ensino possibilita ao individuo novas possibilidades, não só em questão de carreira profissional, mas conhecimento pessoal e inteligência. Estimula a mente sobre diversos assuntos morais, científicos e sociais e ensina, como também, incentiva o respeito ao próximo. A educação deve se começar desde cedo, em casa, com os pais que devem ensinar a crianças a noção de certo e errado, de família e viver em conjunto, ou seja, em sociedade. Porém, a educação domiciliar não é suficiente, é necessário que a escola, através do professor promova na criança o gosto pelo conhecimento. O sistema escolar ainda apresenta várias carências nos métodos de ensino. Principalmente em países subdesenvolvidos, como é o caso do Brasil em que o sistema escolar, muitas vezes, deixa a desejar.
  • 21. Durkheim acredita em formas de ensino a criança, ele teoriza três “elementos da moralidade” que devem ser orientados pela escola. O “espírito de disciplina”, “vinculação aos grupos” e “autonomia da vontade”. Sua teoria e que dominando os desejos egoístas da criança, incentivando a socializar-se com outras pessoas, sempre prezando sua autonomia e criatividade própria são os métodos que devem ser empregados na educação do aluno. O “espírito de disciplina” explica que a criança deve ser submissa as regras, que ela deve ser educada para controlar seus desejos egoístas e suas futilidades e que apenas aprendendo a dominar essas ambições, irá obter um equilíbrio individual. Segundo Durkheim, as regras que regem a sociedade devem ser compreendidas e a obedecidas pelo aluno, pois desempenham um papel na construção do caráter e na personalidade. A vinculação aos grupos é promover na criança o sentido de coletividade, que ela aprenda a se socializar e ter gosto pelo convívio social. Segundo Durkheim, que ela veja a sociedade “em si mesma e para si mesma” e isso irá contribuir para ela aprender o sentido de ter respeito ao próximo. O terceiro elemento da moralidade é a “autonomia da vontade”, o aluno tem que ter sua individualidade própria, ter opinião e atitude e querer aprender. É complicado e bastante complexo, ensinar a disciplina ao mesmo tempo que incentiva a criatividade, mas é importante fazer uma coesão entre ambos os elementos. 7.1.A RELAÇÃO MESTRE-ALUNO Para Durkheim deve-se haver uma “mudança” no sistema escolar e o mestre é quem deve promovê-la para suprir as novas necessidades sociais como as do próprio sistema. A escola de certo modo deve ser constantemente construída. Durkheim dá conselhos aos educadores, ele afirma que é preciso ter consciência e responsabilidade em relação a este enorme poder da educação, bem como que o meio essencial da educação é a autoridade do mestre. Para GROPPO (2013) Se para o educador a educação é um exercício de autoridade, para a criança se trata de um esforço penoso em que ela deverá ultrapassar sua própria natureza individual e elevar-se a ser social – uma atividade, em
  • 22. geral, pouco prazerosa. Se a vida social é grave e séria, continua, a educação também deve ser assim. Para o aluno, a educação é um trabalho constante de aprender a se autoconter, algo que no tempo da infância só pode se dar através do “dever moral”. No processo da educação, o mestre é a referência principal da criança é nele que esta se baseia para compreender as questões que a cerca. Ele influencia nas primeiras opiniões e fundamenta seus conhecimentos. Depois dos pais, o professor é o principal responsável de educar a mente da criança e proporcionar-lhe o conhecimento necessário. Segundo Durkheim o sistema educacional precisa de reformas, os métodos de ensino devem que focar nos três elementos de moralidade, pois essas são as bases da formação do caráter e da personalidade do aluno. O mestre deve usar da autoridade e deve impor o respeito na sala de aula, através da fala e do gesto. O mestre é o intérprete das grandes idéias morais de seu tempo e país e também ter uma “cultura psicológica”, ou seja, levar em conta a psicologia da criança que nos ensina por exemplo que esta não é nem egoísta, nem altruísta, que ela “entra naturalmente em comunicação com os outros” qualidade que é preciso saber utilizar. 7.2.O MEIO ESCOLAR A família funciona como a primeira instituição em que o individuo tem contato, porém é na escola que é instituído o ser social para se diferenciar do ser individual, ou seja, é o meio escolar que irá prepara-lo para viver em sociedade. Para o sociólogo a criança carrega consigo desejos primitivos, que lembram aos homens selvagens impotentes a contenção, o meio escolar, portanto age como regulador forçando a disciplina a estes de forma que o mesmo agira de forma normal para a sociedade. Por mais tirânica que seja este método o individuo consegue aceitá-lo de forma normal, pois neste está sendo criado um novo ser que foge ao egoísmo e atitudes próprias e visa o que é melhor para todos que estão ao seu redor o que auxilia a evolução da sociedade. Logo é inviável para família educar da forma que quiser, pois há costumes dos quais é obrigado a conformação deste e infringir estes seria um crime gravíssimo, pois eles se vigarão no futuro adulto que se formará sem harmonia
  • 23. social. Por isso para cada momento da sociedade existe um regulado e neste o individuo conseguiria a harmonia necessária. Neste caso o regular está no meio escolar capaz de impor aos educandos regras sociais e criando um conjunto de valores comuns do quais a sociedade precisa para alcançar a harmonia. Para além destes Émile ainda afirma que no meio escolar haverá sempre diferenças, pois alguns homens foram feitos para a ação e outros para a sensibilidade em um mesmo local, o que ocasiona as diversas especializações e este elemento é fundamental para a sociedade. Segundo Durkheim é com a criança em que se deve trabalhar com mais ênfase, pois ela possui em si uma sensibilidade capaz de entender o outro e assim criar o primeiro objetivo do ser social que é a coletividade, isso porque esta é maleável e o dever do mestre neste sentido é o de moldar o individuo fazendo-o capaz de viver bem em sociedade. Émile, porém admite que é impossível dentro da sociedade existir a igualdade na educação, isso deve-se ao fato de que existe diversas classes das quais a criança deverá estar ciente e dentro destas há vários diferentes tipos de pensamentos e e por consequência o ser deverá se adequar a cada uma delas, dentro do seu próprio grupo. Em um meio escolar o dever do mestre é o de aproveitar o momento em que os alunos encontram-se juntos e deste retirar o maior proveito da associação entre eles, pois se tornará mais fácil faze-los entender o que é a vida coletiva e tonar- se o menos pessoal possível. Logo, o meio-escolar é o mais importante para o meio social, já que, é nele que individuo aprenderá a viver com os outros de suas classes, estas possuem pensamentos comuns que serão compartilhados, lembrando que é diferenciado pelos determinados grupos em que estão presentes. É neste meio que o senso de disciplina é criado, este por sua vez é o gosto às regularidades e das limitações que é posto sobre o individuo. DURKHEIM (1978, p. 45), salienta que É a sociedade que nos lança fora de nós mesmos, que nos obriga a considerar outros interesses que não os nossos, que nos ensina a dominar as paixões, os instintos, e dar-lhes lei, ensinando-nos o sacrifício, a privação, a subordinação dos nossos fins individuais a outros mais elevados.
  • 24. Portanto, a educação é de caráter socializador e para isto é necessário que o professor tenha o poder de percepção para atuar nos momentos em que os alunos juntam-se para formar a consciência coletiva e criar uma situação em que estes possam se sentir a vontade, claro segundo as regras das moralidades e não de seus desejos, para obter-se um melhor social. Segundo FILLOUX (2010, p. 28) “em resumo, o mestre ‘deve ficar atento a tudo aquilo que possa fazer vibrar juntas, com um movimento comum, todas as crianças de uma mesma classe’”. 7.3.O PODER DO MESTRE O contexto histórico em que Émile Durkheim está inserido é um período onde a educação era transmitida ao aluno de forma violenta, em que o mestre fazia abuso do seu poder pedagógico com seus alunos, tentando passar o espirito de disciplina, porém para Durkheim este método é deficiente, logo é sujeito a diversos erros e quando a criança for adulta, poderá não conseguir viver em harmonia com o social. Segundo Émile, a relação de poder do mestre com o aluno é comparado a do colonizado com o colonizador, demostrando assim que é inerente ao caráter do mestre a violência pedagógica, que este possui sobre seus educandos, porém é necessário que o educador tenha controle sobre esta força que lhe é inerente. Portanto, o mestre deve levar o egoísmo e os desejos naturais contidos ao nível de transformação e este não é aplicado pela violência e sim pelo respeito moral que o aluno deve sobre a autoridade do educador, a obediência do discípulo se encontra na legitimidade autoritária do mestre e por sua vez o reconhecimento do mesmo, com isso para o sociólogo a violência física é desprezível e não tem por objetivo o auxilio ao outro. A criança em seu estado inicial possui características biológicas diferenciadas uma das outras e o seu desenvolvimento irá depender do caráter externo, por sua vez Durkheim faz comparação com o educador exerce sobre a criança uma forte influencia e esta ultima é tida como uma “tábula rasa” por não ter um conjunto de valores comuns já formados. Logo o poder do mestre não se resume a sua condição de autoridade e transmissão de informações para o individuo, mas deve também exercer os
  • 25. questionamentos a estes conhecimentos em seu meio- escolar. Porém não deve o educador ficar assustado com a grandiosidade do seu poder, antes ter consciência de sua importância para o futuro da sociedade e com ela trabalhar arduamente para se obter melhora e atender todas as suas necessidades. 7.4.OS SABERES ESCOLARES Para Durkheim é evidente que a escola não é somente um local para a educação moral, porém atende também a aquisição de saberes, estes por consequência iria influenciar os alunos em suas diversas atitudes e assim fomentar a ideia de uma nova sociedade. Para o sociólogo, contrario do que muito filósofo acreditava, ele afirmava sempre a importância de estudar as gerações que se antecederam e ao mesmo tempo criar um meio social diferente. Durkheim montou um grande panorama da educação em que demonstra uma possível fórmula em que os conhecimentos transmitidos são parcialmente dependentes das bases filosóficas, conjuntos de saberes de uma determinada sociedade numa época também determinada. O sociólogo ainda afirma que o conhecimento nas diversas áreas transmitidas tem por objetivo provocar nos alunos um reconhecimento do poder da razão humana e como ela tem importância, além deste ainda afirma que é necessário ensinar aos alunos a se questionar sempre das repostas fáceis e incompletas, logo Émile era contra a propagação do senso comum e a favor do cientifico, por isso se faz imprescindível o homem entender a complexidades das questões. Segundo DURKHEIM (1978, p.399) Hoje, devemos permanecer cartesianos, no sentido de que precisamos formar racionalistas, isto é, homens que façam questão de ter ideias claras, mas também racionalistas de um novo gênero, que saibam que as coisas, sejam elas humanas ou físicas, são de uma complexidade irredutível e que, mesmo assim, eles saibam olhar frente a frente e sem fraqueza essa complexidade. Porém o saber não deve ser apenas transmitido com as obras literárias, e sim deve através desta criar a percepção da maleabilidade humana e de seu poder em conhecimento. Para além deste afirma que não nos conhecemos como pensamos, pois existem virtudes adormecidas capazes de nos surpreendermos e o saber é o
  • 26. caminho para que tal valor se desperte de forma a auxiliar ainda a sociedade em todos os sentidos, pois com eles vem o conhecimentos das especializações. 7.5.A CONDUTA DA ESCOLA Durkheim viveu numa época onde não existiam educadores nem instrutores. Somente existiam professores e seus alunos a serem iluminados de acordo com aquilo que o professor acha correto. Essa prática, porém causava muitas vezes conflitos entre aquilo que o professor ensinava e o que o aluno já concebia do mundo, principalmente quando se tratava de matérias humanas e religiosas. Vendo tal problema tão latente na sociedade onde ele vivia, numa de suas obras ele afirma que o professor deve ser educado para lecionar o aluno sem interferir nas concepções dele, pois ninguém tem o dever de raciocinar igual sobre todos os assuntos da comunidade, e não é dever do professor alterar essas concepções a força. Uma instituição de ensino deve, segundo Durkheim, ensinar ao indivíduo sem interferir nas suas concepções e doutrina-lo para que este indivíduo que está na escola possa realizar as alterações que a sociedade necessita no futuro, legando à outra geração as mudanças que não foram realizadas no seu tempo e assim sucessivamente. A instituição para formar tais cidadãos transformadores da sociedade deve criar um programa educacional, e para isso ela tem autonomia para incluir, se necessário, o próprio estudante na montagem do programa, porém não pode ser ultrapassada a linha que a sociedade impõe de certo e errado. Pode ser tomado como exemplo uma instituição que ensine a religião católica num país onde a maioria é mulçumana. Fica claro o conflito que isso irá gerar tanto nos interesses da sociedade, que quer que seus filhos sigam seus passos e sejam mulçumanos, quanto na concepção do estudante que já aprendeu os ritos de sua religião e se vê forçado a, não deixa-la de lado, mas dar maior importância à religião que eles estão aprendendo na escola, e para deixar essa situação mais próxima do Brasil, pode-se destacar as missões jesuíticas que convertiam “selvagens” adultos a força e ensinavam aos pequenos índios que os deuses que eles adoravam a gerações não passava do demônio e que
  • 27. o deus católico era o único deus correto a se adorar, criando uma confusão na cabeça das crianças que prejudicará seu desenvolvimento. Com ideias tão revolucionárias num sistema educacional que não admitia participação do aluno, muito menos ensinar aos professores como professorar seus alunos, Durkheim conseguiu duas importantíssimas conquistas, são elas a instituição da matéria Sociologia na Europa em 1920 e seguidores, principalmente depois de sua morte e inclusive no Brasil, onde suas obras foram vendidas em largas tiragens. Assim como na Europa, no Brasil também haviam seguidores das ideias de Durkheim, e eram estes Lourenço Filho, Anísio Teixeira e Fernando Azevedo, que junto com muitos outros escreveram o “Manifesto da Educação Nova” que era baseado nas ideias sociológicas de Fernando Azevedo, no pensamento politico- filosófico de Anísio Teixeira e na psicologia de Lourenço Filho, tal documento serviu de base para todas as reformas que eles promoveram e que deram base à educação contemporânea, tal como a criação do MEC, e a criação da Lei das Diretrizes de Bases da Educação Nacional, que instituem uma educação “Laica e gratuita” disponível para todos.
  • 28. 8. INFLUÊNCIA E IMPORTÂNCIA DE DURKHEIM Durkheim foi o pai da ciência que chamamos de Sociologia Moderna e distinguiu esta ciência das outras. Unificou a pesquisa experimental com a teoria sociológica. Era teoricamente muito hábil no conceito coesão social. Tornou o sociólogo uma grande influência na Sociologia enquanto matéria curricular. Além destes fatores, fez com que a Sociologia se focasse em determinantes sócio-estruturais e não mais em interpretações biológicas ou psicológicas das atitudes dos indivíduos. A sociologia, enquanto disciplina, pôde ser definida precisamente, além de possuir métodos específicos para analisar determinadas situações que ocorrem na sociedade e a partir disso foi possível disponibilizar uma aplicação para esta disciplina. A metodologia de Durkheim contribui para o estudo da sociedade e o que devemos mudar em relação ao nosso comportamento no meu social. O indivíduo passou a entender o porquê de a sociedade formular e impor leis para que o mesmo cumpra e compreender os motivos que levam a acontecimentos, que na sua grande maioria, chocam a sociedade. Essas metodologias também contribuíram para evolução das sociedades e principalmente do indivíduo, que a cada dia busca sua evolução e para isso tem que melhorar seu desempenho no trabalho, ou seja, aumentar mais suas interações com seus grupos sociais. Claro que ainda temos uma dificuldade de interação, mas isso ao longo dos anos vai melhorando. Para o meio científico, a Sociologia contribuiu na Historiografia. Se não entendemos a sociedade como podemos entender a história daquela época? Então ela é de extrema importância para a Historiografia porque, além dela trabalhar com os acontecimentos das épocas passadas, ela tenta compreender o que a sociedade influenciou para que esse fato acontecesse. Durkheim enfatizou muito a questão das instituições sociais (família, escola, entre outros) e hoje elas só possuem esse valor imenso na sociedade graças a essa valorização por parte dele.
  • 29. 9. CONSIDERAÇÕES FINAIS Desta forma foi possível concluir qual a importância de David Émile Durkheim para a sociologia. Como este desenvolveu e tornou a sociologia uma ciência individual a parte das outras. Mostrando a indispensabilidade desta para a maior compreensão dos fatos sociais e para a sociedade como um todo. Ainda foi possível compreendo como o contexto histórico que o “pai da sociologia” vivenciava influenciou diretamente em suas obras. Assim como foi discutido quais as principais teorias de Durkheim, seu legado e obras. Em “Da Divisão Social do Trabalho” Durkheim centraliza-se na “Solidariedade Mecânica e Solidariedade Orgânica”, tais teorias ressaltam a construção de laços nas relações humanas. A Solidariedade Mecânica é aquela já nascida com o individuo que constrói-se na família e em suas relações de parentesco para com outros membros de sua família. Já a Mecânica caracteriza-se por essa mesma construção, porém com indivíduos desconhecidos, com os amigos e profissionais que trabalham com o indivíduo. Já em “As Regras do Método Sociológico”, Durkheim pontua quais as características base para a elaboração de teorias sociais e pontua três tópicos principais para as características de um fato social e são eles: Generalidade: Quando o fato apresenta característica comum a todos os indivíduos, ou seja, o mesmo fato acontece com a grande maioria dos indivíduos; Exterioridade: Quando o fato é externo ao indivíduo, independente da sua vontade; Coercividade: Aparece por intermédio dos indivíduos que são forçados a seguirem os comportamentos que a sociedade impõe. Em “As Formas Elementares da Vida Religiosa”, Durkheim expõe a construção da religião como consequência da sociedade. Ele demonstra ainda que não há religiões falsas, mas sim religiões construídas a partir de valores sociais. Por fim Durkheim salienta em sua última obra, “O Suicídio”, as três formas básicas de suicídio são elas: Suicídio Egoísta: Quando o indivíduo se afasta dos outros seres de sua mesma espécie e comete atos com motivação pessoal; Suicídio Altruísta: Quando o indivíduo realiza atos em prol de uma causa; Suicídio Anômico: O indivíduo faz o ato porque há a ausência das regras de sua sociedade por causa
  • 30. de possíveis mudanças em decorrência de que a sociedade ela não é única em todas as épocas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ______. A Sociologia de Durkheim. Disponível em: <http://www.slideshare. net/ tigrones1/durkheim-sociologia-6981612>. Acesso em: 03 jul. 2013. ______. Émile Durkheim. Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/ biografias/emile_durkheim.htm>. Acesso em: 03 jul. 2013. ______. Positvismo. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/ sociologia/positivismo.htm>. Acesso em: 03 jul. 2013. ______. Sociologia de Durkheim. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/ 19688073/SOCIOLOGIA-DE-DURKHEIM>. Acesso em: 03 jul. 2013. ARBAGE, A. P.; SOUZA, R. S. Émile Durkheim (1858-1917). Rio Grande Do Sul, UFRGS, 200. COSTA, M. C. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São Paulo, Moderna, 1987. DIAS, Correia F. Durkheim e a Sociologia da Educação no Brasil. Brasília, ano 9, nº 46, 1990. DURKHEIM, E. A divisão do trabalho social. 1ª edição [1895]. Lisboa: Editorial Presença Ltda, 1989. DURKHEIM, E. Educação e Sociologia. 10ª ed. São Paulo, Ed. Melhoramentos, 1975. DURKHEIM, E. As formas elementares da vida religiosa. São Paulo, Paulus, 2008. DURKHEIM, E. As regras do método sociológico. São Paulo, Ed. Martin Claret, 2002. DURKHEIM, E; O Suicídio, Estudo Sociológico. Editorial Presença, 7ª edição; 2001.
  • 31. DUVIGNAUD, J. Durkheim. Lisboa: Edições 70, 1982. FAUCONNET, P. EMILE DURKHEIM - Educação e Sociologia. 12 ed. Trad. Lourenço Filho. São Paulo: Melhoramentos, 1978 FILLOUX, J. Émile Durkheim. Editora Massangama, Edição Virtual, 2010. GOLDMAN, L. Ciências humanas e filosofia. São Paulo: Ed. Difel. 1984. GROPPO, L. A. A modernidade e a sociologia da educação no século xx: a questão da racionalidade e da emancipação na reflexão sociológica sobre a educação em durkheim, mannheim e adorno. Disponível em: <http://www.histedbr.fae.unicamp.br/acer_histedbr/jornada/jornada7/_gt1%20pdf/a %20modernidade%20e%20a%20sociologia%20da%20educa%c7%c3o%20no%20s %c9culo%20xx%20a.pdf>. Acesso em: 07 de jul de 2013. LUCENA, C. O pensamento educacional de Durkheim. Revista Histedbr. Campinas, nº 40, pg.295-305, 2010. MASSELA, A. B. O naturalismo metodológico de Émile Durkheim. São Paulo: Humanitas, 2006. QUINTANEIRO, T. Um toque de Clássicos: Durkheim, Marx e Werber. Belo Horizonte, Ed. UFMG. 1995. RIBEIRO, P. S. Durkheim e Fato Social. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/sociologia/durkheim-fato-social.htm>. Acesso em: 03 jul. 2013. UMD. Durkheim. Disponível em: <http://www.d.umn.edu/cla/faculty/jhamlin/ 4111/gifs/durk.gif>. Acesso em 11 jul. 2013. VARES, S. F. A educação como um fato social: Uma analise sobre o pensamento pedagógico de Durkheim. Revista educação, UnG. VILA NOVA, S. Introdução à Sociologia. São Paulo, Atlas, 1999. WILD, Bianca. O Método Sociologico de Durkheim. Meu Artigo. Disponível em: <http://meuartigo.brasilescola.com/sociologia/o-metodo-sociologico-durkheim. htm>. Acesso em: 03 jul. 2013.