Apologia de sócrates

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MicroRelatório sobre a "Apologia de Sócrates".

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Apologia de sócrates

  1. 1. VICTOR SAID DOS SANTOS SOUSA APOLOGIA DE SÓCRATES SALVADOR - BA 2012
  2. 2. VICTOR SAID DOS SANTOS SOUSA APOLOGIA DE SÓCRATES Resenha solicitada como objeto de avaliação parcial da I Unidade pelo professor Rafael da Disciplina de Filosofia no Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia da Bahia, Coordenação de Automação e Controle Industrial. Sob orientação do professor Rafael. SALVADOR - BA 2012
  3. 3. Pois bem, é verdade que estou a devanear sob este impuro mundo. Mas nada me impedede prosseguir em minha jornada caminho a fora. É um fato indiscutível que existo paratentar ser feliz, mas isso nada me impede de tentar buscar uma alternativa distinta paraminha Jornada. Mas no fim sei que tudo que posso fazer é tão pouco, mas ainda assiminsistirei até o ultimo momento, é devaneante, eu sei. Mas nada posso fazer esta é minhanatureza, pois que para concluir valho-me de duas breves citações, uma de Henry DavidThoreau e outra, seguinte, do meu idolatrado, Doutor Gregory House. São elas: ―Nunca éTarde Para Abrirmos Mão dos Nossos Preconceitos‖ e ―Existem 3 opções nessa vida: serbom em algo, ficar bom ou desistir‖. Victor Said “Só sei que nada sei” Sócrates
  4. 4. 1. INTRODUÇÃO Existem três fontes principais que relatam a existência de Sócrates: osdiálogos de Xenofonte, as peças de Aristófanes e a principal delas, os diálogos dePlatão. Sócrates não deixou nenhum escrito e com a exceção dos três autoresacima não há relatos sobre sua existência. Assim, muitos autores assumem queSócrates se quer existiu. Sendo de importância significativa salientar que devido oteor cômico das obras de Xenofonte, estas não devem ser consideradas em sentidoliteral, pois fica claro em suas obras a intenção de satirizar Sócrates. Segundo os relatos, por volta de 470 a.C. nascia em Atenas aquele que viriaa ser o pai da filosofia contemporânea ocidental, nascia então Sócrates. Filho deuma parteira, Fernáreta, e de um escultor, Sofronicos. O recém nascido Sócratesrecebeu educação tradicional da época – ginástica e música. Aprendeu o ofício deseu pai, porém exerceu-o por pouco tempo. Casou-se com Xantipa e teve três filhos,pode-se afirmar que Sócrates não se apegava as questões domésticas ou políticas,era um pai displicente e um péssimo marido, afinal sua única preocupação era como saber. E devido a esses fatores não possuía a melhor das esposas, não por elaser ruim, mas sim por estar ―pagando com a mesma moeda‖. Sendo importanteressaltar alguns feitos de grande importância no período inicial da história deSócrates, são eles: 431-404 a.C – Participação na guerra de Peloponeso, f oi soldado hoplita, guerreiro a pé. Sendo que tal classe (hoplita) era formada por guerreiros de classe econômica média. 429 a.C – Salvou Alcibídes que havia sido ferido durante o cerco de Potidea. 424 a.C – Participação na batalha de Délion, na Boécia. 421 a.C – Sócrates já com 50 anos fez parte do Senado dos Quinhentos. Nesta função se opôs a todas as medidas que considerava injustas. 404 a.C – Enfrentou a morte ao desobedecer uma ordem dada pelo Governo dos Trinta Tiranos (governo oligárquico que dominou a Grécia após esta perder a guerra de 27 anos contra Esparta.)
  5. 5. Após tamanhas experiências apegou-se a compreender o valor da vidahumana e a compreensão de si mesmo. Acreditava que viera ao mundo para mudara mentalidade de seus compatriotas, fazer com que as pessoas enxergassem o queviam, este era seu objetivo, fazer com que as pessoas enxergassem a si mesmas,como eram e não pensavam ser. Seus objetivos foram reforçados pela voz internade seu Daimon (demônio, gênio, alterego ou como preferir chamar). O guerreiroSócrates tentava mostrar a cada um de seus compatriotas outras formas de ver omundo, de se identificar em si mesmo, de conseguir compreender as coisas, osfatos, os atos. Sócrates com sua maiêutica foi capaz de quebrar paradigmas,verdades absolutas e pensamentos controversos, ele foi capaz de mudar amentalidade de seu povo. A medida que Sócrates se desenvolvia como filosofo, o pai da filosofia moralpassou a ser seguido por diversas pessoas, e com o passar do tempo além de umasérie de discípulos Sócrates ainda conseguiu fama, sua fama como o ser pensanteespalhou-se rapidamente e com o título de ―Homem Mais Sábio‖ dado pelo Horáculode Delfos, a lenda Sócrates intensificou-se, seu nome passou a ser falada econhecido por todos, as pessoas queriam entender e questionar, assim comocomprovar a sabedoria de tal homem. E foi desta forma, com a quebra de uma realidade construída há anos,questionamentos contínuos e um realçar do valor da existência humana que o Paida Filosofia desagradou aos poderosos e trouxe para si o inevitável e até entãodesconhecido por ele: A Morte. Sócrates com seus questionamentos trouxe consigoa dúvida, a incerteza e insegurança de uma sociedade fundamentada e estruturadaem conceitos inquestionáveis e absolutos. E com isso este foi acusado de nãoreconhecer os deuses do Estado, introduzir novas divindades e corromper ajuventude.
  6. 6. 2. O JULGAMENTO – A DEFESA DE SÓCRATES Não sei, Atenienses, que influência exerceram meus acusadores em vosso espírito; a mim próprio, quase me fizeram esquecer quem sou, tal a força de persuasão de sua eloqüência. Verdade, porém, a bem dizer, não proferiram nenhuma. Uma, sobretudo, me assombrou das muitas aleivosias que assacaram: a recomendação de cautela para não vos deixardes embair pelo orador formidável que sou. Com efeito, não corarem de me haver eu de desmentir prontamente com os fatos, ao mostrar-me um orador nada formidável, eis o que me pareceu o maior de seus descaramentos, salvo se essa gente chama formidável a quem diz a verdade; se é o que entendem, eu cá admitiria que, em contraste com eles, sou um orador. Seja como for, repito-o, verdade eles não proferiram nenhuma ou quase nenhuma; de mim, porém, vós ides ouvir a verdade inteira. Mas não, por Zeus, Atenienses, não ouvireis discursos como os deles, aprimorados em nomes e verbos, em estilo florido; serão expressões espontâneas, nos termos que me ocorrerem, porque deposito confiança na justiça do que digo; nem espere outra coisa quem quer de vós. Deveras, senhores, não ficaria bem, a um velho como eu, vir diante de vós plasmar seus discursos como um rapazola. Faço-vos, no entanto, um pedido, Atenienses, uma súplica premente; se ouvirdes, na minha defesa, a mesma linguagem que habitualmente emprego na praça, junto das bancas, onde tantos dentre vós me tendes escutado, e noutros lugares, não a estranheis nem vos amotineis por isso. Acontece que venho ao tribunal pela primeira vez aos setenta anos de idade; sinto-me, assim, completamente estrangeiro à linguagem do local. Se eu fosse de fato um estrangeiro, sem dúvida me desculparíeis o sotaque e o linguajar de minha criação; peço-vos nesta ocasião a mesma tolerância, que é de justiça a meu ver, para minha linguagem — que poderia ser talvez pior, talvez melhor — e que examineis com atenção se o que digo é justo ou não. Nisso reside o mérito de um juiz; o de um orador, em dizer a verdade. A liberdade de seus discursos, a feição austera de seu caráter, a sua atitudecrítica, irônica e a consequente educação por ele ministrada, criaramdescontentamento geral, hostilidade popular, inimizades pessoais, apesar de suaprobidade. Diante da tirania popular, bem como de certos elementos racionários,aparecia como chefe de uma aristocracia intelectual. Esse estado de ânimo hostil aSócrates concretizou-se, tomou forma jurídica, na acusação movida contra ele porMeleto, Anito e Licon: de corromper a mocidade e negar os deuses da pátria, assimcomo introduzindo outros deuses. Neste primeiro momento Sócrates rebate as acusações de Meleto, esteesclarece que por mais que seja chamado de Sábio constantemente ele não o é, eque tal boato surge a partir da proclamação da Pítia (maior sacerdotisa do deus deDelfos, Apolo) a seu amigo de velhos tempos, Querefonte, quando perguntada se háalguém mais sábio que Sócrates e esta responde que não há ninguém. E explica
  7. 7. ainda que tal sabedoria proclamada pela Pítia deriva-se da própria sabedoriahumana, a qual todos possuem. Quando soube de tal proclamação o ―maior de todos os sábios‖ foi entãobuscar respostas sobre tal proclamação, afinal o deus de Delfos não mente. Buscouentão homens mais sábios que ele, buscou então os políticos e em sua buscaconseguiu apenas ódio. Os políticos que achavam saber na verdade não sabiam, eao verem Sócrates destruir sua grande sabedoria então passaram a odiá-lo.Neste primeiro momento o réu ainda expõe que jamais agiu como Sofista, quenunca cobrou para vender verdades absolutas e jamais obrigou a qualquer umabandonar a companhia de seus amigos e familiares para possuir a dele, que pelocontrário. Além de nunca ter pedido a tais homens que o seguisse, jamais cobrou aqualquer um, em tempo algum qualquer pagamento por seus diálogos, pois ele nadasabia para poder transmitir há outros, como faziam os sofistas e suas verdades.Sócrates para esclarecer totalmente este primeiro momento salienta: Não tenho outra ocupação senão a de vos persuadir a todos, tanto velhos como novos, de que cuideis menos de vossos corpos e de vossos bens do que da perfeição de vossas almas, e a vos dizer que a virtude não provém da riqueza, mas sim que é a virtude que traz a riqueza ou qualquer outra coisa útil aos homens, quer na vida pública quer na vida privada. Se, dizendo isso, eu estou a corromper a juventude, tanto pior; mas, se alguém afirmar que digo outra coisa, mente.2.1. A DEFESA CONTRA MELETO Neste momento Sócrates opta por mostrar ao seu público e aos próprioMeleto que suas acusações são infundadas e para isso utiliza de sua Maiêutica.Inicialmente Sócrates questiona a Meleto o que vem a ser o melhor para os jovens,porém ao tentar explicar o que seria o melhor para os jovens o interrogado cai emcontrovérsia e não apenas isso. Sócrates consegue demonstrar que as acusaçõesde Meleto são infudadas e demonstra em vias práticas que a ideia de ―corromper ajuventude‖ nada mais é do que uma questão extremamente subjetiva. Fazendoassim com que Meleto além de ser ridicularizado, ficasse embaraçado diante de seujure e público.
  8. 8. 3. O VEREDITO Após demonstrar por meio de seus argumentos sua inocência e as acusaçõesinfundadas de Meleto sobre ele, Sócrates nega-se incessante a assumir a culpa decrimes que ele não cometeu, Sócrates mantém-se inabalável afirmando que suaconsciência está limpa. Sua forma de falar, suas expressões. Como fala e o quefala. Tudo nele transparece uma calma única, como se tudo aquilo, aos seus olhosfosse um grande devaneio, porém um devaneio que ele compreendia. Sócrates com suas faces serenas e jeito calmo, um homem de consciêncialimpa diz: ―Parece-me não ser justo rogar ao juiz e fazer-se absolver por meio desúplicas; é preciso esclarecê-lo e convencê-lo". Sendo que do início ao fim, relataPlatão, o réu não implorou ou bajulou, este se quer tentou gerar misericórdia emseus julgadores, pelo contrário, Sócrates do início ao fim manteve-se calmo esereno, como já dito. Porém por mais que seus argumentos fossem fortes, lógicos e este houvessecomprovado que as acusações contra ele eram infundas, Sócrates ainda assim foicondenado. E a condenação dada por Meleto foi a morte. Porém está era umaopção, na cultura grega havia a possibilidade de o condenado indicar a pena queachava justa. Contudo Sócrates aceitou o veredito, por mais que seus amigos efamiliares tivessem insistido para que este indicasse uma pena leve e simples comoo pagamento de algumas moedas, Sócrates sequer pestanejou. Optou por aceitarsua pena. Ora, o homem (Meleto) propõe a sentença de morte. Bem; e eu, que pena vos hei de propor em troca, Atenienses? A que mereço, não é claro? Qual será? Que sentença corporal ou pecuniária mereço, eu que entendi de não levar uma vida quieta? Eu que, negligenciando o de que cuida toda gente — riquezas, negócios, postos militares, tribunas e funções públicas, conchavos e lutas que ocorrem na política, coisas em que me considero de fato por demais pundonoroso para me imiscuir sem me perder —, não me dediquei àquilo a que, se me dedicasse, haveria de ser completamente inútil para vós e para mim? Eu que me entreguei à procura de cada um de vós em particular, a fim de proporcionar-lhe o que declaro o maior dos benefícios, tentando persuadir cada um de vós a cuidar menos do que é seu do que de si próprio, para vir a ser quanto melhor e mais sensato, menos dos interesses do povo que do próprio povo, adotado o mesmo princípio nos demais cuidados? Que sentença mereço por ser assim? Algo de bom, Atenienses, se há de ser a sentença verdadeiramente proporcionada ao mérito; não só, mas algo de bom adequado a minha pessoa. O que é adequado a um benfeitor pobre, que precisa de lazeres para vos viver exortando? Nada tão adequado a tal homem, Atenienses, como ser sustentado no Pritaneu; muito mais do que a um de vós que haja vencido,
  9. 9. nas Olimpíadas, uma corrida de cavalos, de bigas ou quadrigas. Esse vos dá a impressão da felicidade; eu, a felicidade; ele não carece de sustento, eu careço. Se, pois, cumpre que sentenciem com justiça e em proporção ao mérito, eu proponho o sustento no Pritaneu. Sócrates optou pela saída mais difícil, qualquer pena que ele se impusesseseria aceita pelos juízes, afinal eles sabiam que estavam condenando um inocente,mas a ―justiça‖ deveria ser feita. Independente da punição ele deveria ser punido deforma leve ou um pouco mais rigorosa, mas todos sabiam que a morte era uma penamuito pesada para Sócrates.Passou-se um mês até a execução da pena, seus parentes, amigos e filhosplanejaram uma fuga para que Sócrates não precisasse morrer, porém Sócratesmanteve-se firme até o fim e com calma aguardou o dia da chegada de sua pena eda mesma forma que antes continuou a negar e disse ainda no último dia "Em boahora, se assim o desejarem os deuses, assim seja‖. Sua recusas constantes nãoeram compreendidas por seus amigos e Sócrates explica: ―única coisa que importa éviver honestamente, sem cometer injustiças, nem mesmo em retribuição a umainjustiça recebida. Ninguém, nem os amigos, consegue convencê-lo a abdicar desua consciência.‖ E nesta hora entra então Xampina e seus filhos, eis chegada ahora da despedida. Esta despede-se de Sócrates juntamente com seus filhos. Eentão chega o frasco de cicuta, ele bebe-o de uma única vez dizendo:"Não, amigos, tudo deve terminar com palavras de bomaugúrio: permanecei, pois, serenos e fortes." Sócrates.

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