The collins vol 1

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The collins vol 1

  1. 1. VIAGENS NO TEMPOTHE COLLINSMEMÓRIAS DE UM CAVALEIRO VOL IJorge Nunes26/03/2013[Escreva o resumo do documento aqui. Normalmente, o resumo é um sumário curto doconteúdo do documento. Escreva o resumo do documento aqui. Normalmente, o resumo éum sumário curto do conteúdo do documento.]
  2. 2. Um nevoeiro cerrado abafava-nos cada passo. A neblina escondia olhos canibais.Dar um passo demasiado longe das muralhas do castelo podia significar uma pernaa menos. Sor Vannigan passou-nos à frente. — Ordens são ordens —disse. Apenas uma estratégia para nos espantar o receio. O caminho era seguroaté ao picadeiro. Era um ponto de passagem movimentado. — Quanto tempo,Sor? Perguntei-lhe com esperança de ficar tempo suficiente para dormir. Não medeitava numa cama há mais de uma semana. Mas chuva pesada, e neve de racharos ossos, houve que chegasse. — Ninguém se ponha com ideias — disse Sor. —Essas ESPADAS dentro das calças, entendido? Não estamos aqui para mulheres evinho. Água para os cavalos e pouco mais. Para mim, água quente. Já me pesamais a sujidade do que a armadura. Quero todos de prontidão. ORDENS SÃOORDENS. Que remédio. Todos ficámos a sonhar com o banho que apenas Sor iatomar. Havia no ar um cheiro de lenha queimada, trazido pelo nevoeiro. Vinha dascasas circundantes. Como raio ainda vivia alguém tão longe do castelo? Como éque ainda VIVIAM depois de reclamarem terras e ouro ao rei? Não havia razão parao rei ceder. Existia uma só sentença para os insubordinados. Decapitação. E nãoseria a primeira vez que o rei varria uma aldeia com uma carga militar. SorVannigan não se havia de importar de cumprir a ordem, de espada em punho. Aconsciência era uma coisa que o homem tinha trancada em algum poçofundo. Olhei para Patric. Estava a dois passos de mim. O rapaz deu-mepena. RAPAZ era uma maneira de dizer. Não devia ser mais novo do que eu.Descaía os ombros sempre que se atrevia a levantar os olhos perto do Sor. O paitinha sido executado, há uns anos, por desafiar o rei. Um ferreiro exímio quedeixou o ofício nas mãos do filho. A única razão pela qual foi poupado. As armasnecessitavam de boa forja. Fez a própria armadura. O metal estava semprereluzente, como acabado de polir. Ambos fomosAGRACIADOS com a honra deservir sob as ordens de Sor Vannigan. Era isso ou ficar sem cabeça. A patrulhatinha sido demasiado longa. Mais um dia e alguém ia cair de dentes no chão.Mesmo Sor Vannigan pareceu usar o banho como desculpa para descansar o corpopor uns minutos. ORDENS SÃO ORDENS. O raio das ordens. Vinham de um rei queperseguia inocentes mas poupava o filho de um fora-da-lei, que seria capaz de lheabrir a garganta tivesse ele oportunidade. Para alguns de nós, o regresso a casajá era quase um sonho de tolos. O cheiro da morte entranhava-se em tudo. Todosos lugares por onde passávamos eram cadáveres gigantes deixados pela espada.Era a vontade do rei. Para lá da aldeia, estava a fronteira dos CORAJOSOSCAVALEIROS. O desconhecido. Patric disse-me que era a morte certa. Nenhum doscavaleiros que seguiram nessa direcção regressou. Nem um cavalo. Nem umrumor. Nada. Tínhamos de inventar coragem sem dizer um pio. A única respostade Sor Vannigan para queixumes era uma faca no pescoço. Ele vinha de umafamília com posses, que chegara a avançar pretensões de ocupar o trono. Às vezes,em histórias de camarata, lá se ouvia suposições acerca do seu passado. Que foium jovem completamente diferente do homem que era agora. Tinha sempre umsorriso nos lábios e uma mulher nos braços. Agora já não sorria. A sua companhiaera o Tempestade. Aquele cavalo devia conhecê-lo melhor do que qualquer pessoa.Tão negro como a armadura de Sor Vannigan, das botas de couro ao mantopesado. Mas a perícia com a espada era o motivo das maiores histórias. NENHUMCAVALEIRO, VIVO OU MORTO, dizia quem sabia. Ninguém lhe era superior deespada na mão. Não havia resposta certa para o segredo do lenço branco queusava atado na mão esquerda. Os palpites eram muitos, mas a certeza era apenasuma. Quem lhe mexesse, ficava sem a cabeça. Sabia-se que Sor Vanniganjurara vassalagem ao rei há menos de um ano. Na verdade, pouco mais se sabia.Tinha recomendações dos antigos Senhores. A força real ganhou um comandantede poucas palavras, mas de acções. Preferia que a espada falasse por ele. Todoslhe conhecíamos as palavras gravadas no aço da lâmina. ―Ao rei, a glória e a
  3. 3. redenção de todas as almas que tomarei por ele.‖ Era tudo o que precisava que sedissesse. As palavras dos adversários não lhe atravessavam a armadura. Quemtivesse contas a ajustar, podia enfrentá-lo nos Duelos. Um único golpe costumavaser suficiente para os arrumar sem grande sofrimento.Era impossível ameaçar um homem assim. Lutava movido pelo instinto deum animal selvagem, sem recear a lâmina adversária. Uma liberdade que nenhumde nós possuía. Todos lutávamos apenas para não perdermos a vida. Patric não semostrava muito interessado nas motivações de Sor Vannigan. Estava de ombroscaídos. Calado.Havia nele algo que me enervava. Acabara de receber uma ordemdireta e nem sequer fez um sinal para dar a entender que se ia mexer. E a cada diaele estava pior. Quantas mais adversidades aparecessem, mais ele se rebaixavaperante nós. E com o tempo a piorar cada vez mais a única coisa que valorizava no―miúdo‖ era a facilidade em fazer aparecer fogo com as lâminas das nossasespadas. Fora isso era um simples miúdo amedrontado e não um guerreiroexperiente a engrossar a nossa força.Mas em primeiro lugar, a minha preocupaçãoera com os olhos que nos rodeavam. Algo de muito maligno e que nitidamente nãogostava de nós estava prestes a atacar.Sor Vannigan já tinha notado e o miúdo também, daí a expressão de medoque tinha no rosto. Por minha vez eu já tinha a espada na mão e mantinha a minhaposição. Não iria cair assim. Se queriam alguma coisa de nós que a viessem buscar.Eu encarregava-me de cobrir o perímetro. Sabia também que todos nósquereríamos estar em segurança dentro do castelo. Mas esta não era a hora parapartilhar o medo com os outros. Eu tinha de os proteger e assim seria. Fosse comofosse.Estava preparado para morrer. E acreditava que além de mim haveria maisalguém pronto para partir, se isso significasse uma morte dignaO nosso reino era achave de tudo.―Aposto que não te vais mover se aparecer alguma coisa. Ai apostosim.‖ Dissera um dos colegas do miúdo quando momentos antes tinhamos visto asfolhas dos arbusto a mexer e nem uma palavra trocamos, com receio. A verdade éque o medo estava com todos.―É dificil avançar sem sabermos o que nos espera ali‖. Refletieu a tremer.Correriam todos dali se fosse dada uma ordem e nem pensariam em olhar paratrás. Eu apenas queria que a patrulha terminasse.- Gary deu-nos a entender que tinhamos de permanecer até ao fim – DissePatric, pela primeira vez que ganhou coragem para falar. – Senão morremos àmesma. Não passaríamos de hoje. Sei que é dificil de aguentar. Se realmenteaquilo que ali está nos quer atacar deve estar com receio pois já passou tempodemais parada. Devemos atacar, senhor?Sor Vannigan levantou-lhe uma mão. Olhava fixamente para o arbusto.Patric sabia que quando ele estava assim pensava em algo importante.– Quero saber o que acham que é. Falem claro e rapidamente. Não seacobardem em fazer som algum.Patric era bastante melhor em forjar espadas do que em falar. As palavrascustavam-lhe a sair quando estava calmo mas em contrário mostrava-se faladorem momentos apartados. Ninguém tinha tanta habilidade como ele em esconder oseu nervosismo, e os seus colegas aida pensavam que ele falava sempre quandodevia e queria.Pelo som que ouvimos, para lá daqueles fetos estará um lobo faminto. –Disse eu. – Seriamos capazes de o capturer sem inguém saber, senhor. Fariamosum casaco. Um casaco com a sua pele. O tempo frio está para durar, e temos deter roupa quente. Não a cho que alguém possa confrontá-lo quanto a isso. Ninguémse atreveria. Posso avançar se assim quiser.– Irá sangrá-lo?– Não. Não haveria necessidade. O corpo sera jogado fora e sumirá.– O que utilizará?
  4. 4. – O arco. Depois deitarei o corpo ao lago cheio de pedra lá dentro.– Já reparou no tamanho?Encolheu os ombros.- Ainda nem viu o animal e já pensa como poderá atacá-lo? Isso é muitaimprudência.– Ou astúcia – Sugeriu Patric. – Astúcia – Repetiu Sor Vannigan. – Há umabesta atrás destes arbustos, entre a nossa vida e a nossa morte. Ela já sabe o quequer. – Sorriu levemente. Assegurai-vos de que esse miúdo não se aproxima dosramos – e saiu dali a galopar em direcção à casa que tinhamos visto.– Vocês darão ouvidos a um cobarde? – peruntou o miúdo enquanto eracapturado.– Eu não. Mas, são ordens. – Murmurou-lhe um dos seus antigoscompanheiros. – São ordens rapaz.O miúdo tentoutirar um punhal para ameaçar quem o segurava. Passospesados na neve disseram-nos que mais alguém estava com o grupo mas nãovimos ninguém chegar.- Calem-se todos que temos alguém a vigiar-nos. Vocês vêm alguém? –Sussurei enquanto via os outros três com um ar gelado no rosto, tentando suster arespiração- De onde veio este vento? – Perguntou ele ao tentar soltar-se da neveespessa que lhe pesava nos pés.– Que raio de pergunta do rapaz. Não acha chefe? – Perguntaram os doishomens que me acompanhavam e mais o miúdo.– Também o sinto, Homem. – Tirei por um instante o meu capuz para olharbem em redor. – Tenho frio desde a ponta das orelhas até aos pés. Mas estamosbem, não estamos?– Têm aqui uns corpos Senhor.Todos tivemos vontade de vomitar.– Não deviam brincar com coisas dessas seus palermas. – Disse-lhes aoentrar com eles dentro de uma brecha de arbustos ali perto.Harry olhou-me cheio de medo e eu vi que um dos seus olhos estava asangrar.– verão que não significa nada. Devem ter-se perdido e congelaram. – Puxeide novo o capuz e senti um calor a subir pelo meu corpo. Fiquei em silencio.– Se alguém vê isto…- Vocês já tinham visto algo assim?- Nunca chefe. - Eles pareciam aterrorizados com aquilo. Como teriaacontecido?- Como acham que eles estão?- Mortos? - George respondeu a franzir uma sobrancelha. Agora que tinhavisto já podia acreditar. Se eles estavam ali era verdade. Estava verdadeiramentealguém atrás de nós e aquilo era um aviso.O outro assentiu quando percebeu o meu raciocinio.– Vocês são esquisitos. Conseguem ver um monte de corpos empilhados naneve e não fogem, mas com um barulhido atrás das folhas quase que se cagam.Mas estes não nos pertencem. Pelo menos à patrulha porque usam roupas decamponês. – Eu tinha a certeza do que falava porque eles faziam parte dosterrenos do castelo e trabalhavam-nos dia e noite. – Agora acabou a patrulha.Temos de decider o que fazer com eles.Com aquela frase eles sabiam que aquela era uma ordem do chefe do grupo.O medo obrigara-os a ceder. As suas cabeças estariam a prémio se outrossoubessem.Harry foi o primeiro a arrepiar caminho por entre a neve. Era quase invero ena colina do leão cada inverno trazia novas particularidades. Este que estava à
  5. 5. espreita podia bem ser um sinal de fome e de doenças para todos. Devido aopedido proveniente do Reino da Onça onde pediam para não caçarmos próximosdas suas terras. O que queria dizer que durante uns tempos, não havia festividadespara ninguém e por causa disso, o nosso rei andava aborrecido e irritado. Umapalavra a mais e zás, cabeça num espeto às portas do castelo. Atrás deles estavaeu esperando mais que nunca para não sermos vistos ou algo nos denunciar.Aqueles olhos que antes nos estavam a ver não nos seguia agora, mas tinhamos deestar a tentos a tudo. Os dois que tinham visto os corpos não se tinham esquecidodo que ficara lá atrás. EEstavam sempre a falar nisso.A noite estava a chegar. O céu tinha mudado de um cinza pálido para umazulado morto e escuro. As nivens misturavam-se com a noite e faziam figurashorriveis no céu. Uma caveira apareceu. Depois foi a lua que não tinha cormuita ouquase nenhuma cor.– Podemos avançar já para o interior do castelo – Disse George depois de selevantar.- Com os corpos aqui, nunca – Respondi-lhe de pronto. Ele já não conseguiaesperar nem mais um minute.- Vou avisar Sor Vannigan do sucedido.Nem precisei de lhe responder quando meti a mão em cima da minhaespada e lhe dirigi um olhar feroz.Harry encaminhou o companheiro até uma árvore ali perto a fim de lhechamar a atenção. Ele sim, era um bom cavaleiro para o grupo.―- Para quê sacrificarmos tudo com este maluco?‖- Ouvi as palavras deGeorge a ecoarem nos meus ouvidos. Ele podia não se ter apercebido, mas a suavoz gritante ouvia-se a quilometros de distância.- É melhor arranjarmosuma maneira de sairmos daqui chefe. O lugar não éest+avel. Podemos estar cercados de ursos, lobos, ou outros animais esfomeados.Os corpos chamam a atenção.Harry fez uma cara muito estranha. Quase como aquela que Patric fizeracom o frio. Mas desta vez a respiração falhara-lhe completamente e começava a terconvulsões. Um género de sussuro veio ter perto de nós vindo sabe-se lá de onde.As folhas quase que queria espetar-se nos nossos mantos e o vento ficou agressivopara cortar a nossa carne. Aquele lugar era amaldiçoado, ou se não o fosse parecia.Seria da presença dos corpos?- Temos de sair daqui, senhor. –GritouPatric quando finalmente seconseguiu soltar das cordas. Precipitous-se para cima de mim para protecção.- O que se passa?- Não me ouviu lá atrás? Veja bem o que está a acontecer.Patric parecia certo no que dizia. Em tanto tempo de cavaleiro e nunca viraalgo tão negro. Seria mesmo assombração?- É o fogo, o vento e as folhas. O que acha que eles fazem aqui? – Apontoupara os corpos que agora rolavam na neve por causa do vento. Estavam quase avoar com a velocidade do vento por cima deles. Depois o miúdo colocou-me dentrode uma pequena gruta que tinha ali perto. Afastado dos corpos e dos outros doispalermas que pareciam estar já congelados pelo frio.- Aqui estará seguro. Use a sua espada para abrir mais um pouco de espaçopara mim.- Eu não te deixarei rapaz! – Disse-lhe em alta voz. – Vem e aquece-te.Podes sobreviver. Não te preocupes com eles.O miúdo discordou.- Nunca deixo ninguém para trás, Senhor! Apenas precisamos de nosaquecer. Trate de arranjar fogo. Faça com uns paus e umas pedras que encontrepor aí. Se fizer como lhe digo, sobreviveremos.- Tu não aprendes pois não miúdo? És teimoso como o teu pai era. Não vêsque se acender uma fogueira atrairei mais atenção indesejada?
  6. 6. - Não acenda o fogo e terá uma morte ainda pior que a deles.As vestes de Patrice ficamvam-lhe grandes. Mas apesar de o seu capuz lhetapar quase a visão ele dava tudo para ser bem sucedido. Por um momento tivereceio que ele se perdesse com tanta neve e vento à sua volta.Era algo aflito de sever pois toda a sua vida dependia de nos tirar dali ou ser morto pela morte de umsuperior e mais dois colegas.Seria isto como assasino dos corpos que nosacompanhavam e por fim seria queimado numa fogueira como se fosse um bruxo.Por fim ele parou e olhou-me com algum custo por baixo do capuz.- Nada de fogo. – Sussurrei-lhe rapidamente.Patric tomou aquilo a mal e virou-se de costas.- Apenas haverá um caminho.Forçou os arbustos cerrados a abrirem-se à nossa passagem, sempre com aespada em punho para cortar a vegetação mais forte e alguns ramos. Depoispassou ao largo do ponto de vigia do castelo e andamos curvados sob um manto delama espessa onde costumavam pôr os restos das refeições ou os bocados de carnepodre. Enquanto isso Patric olhava à nossa volta em busca de guardas distraídos eatirava-lhes pedras certeiras na nuca, fazendo-os deslizar em silêncio pelas rampasdo castelo. Depois, pegava neles com cuidados e encostava-os à parede, paraparecerem estar a dormir.A Torre maior estava mesmo no cimo do castelo onde Patric sabia serem osmeus aposentos. Mais uma vez ele se curvou para deslizar pela neve e abriu-me aporta que dava acesso à escadaria principal da torre.O meu coração parecia ter desaparecido. Não consegui reagir a tamanhafaçanha. Mas também a tamanho erro. Por cima de nós as nuvens pareciam estarde volta e sobre o pequeno monte de carne podre lá em baixo, eu não vi os corposque traziamos connosco. Tinham desaparecido.- Eles voltaram! – Ouvi uma voz a gritar atrás de nós quando Sor Vanniganacabara de subir o ultimo bocado de caminho que nos separava. Depois parou deespanha em punho com o manto sobre as suas costas a nodular no vento da noiteagora cerrada.- Não fique aí Senhor! – Gritou o miúdo ao tentar corer na direcção do seumestre.Sor Vannigan não entendera o sentido daquelaurgência e mergulhou alamina da sua espada na barriga do rapaz. Olhou para ele e apercebeu-se do erroque tinha acabdo de cometer quando Patric ainda lhe segredou qualquer coisa,enquanto escorregava até ao chão.- Parece que temos aqui um traidor, meus senhores.O coração de ambos os nossos corpos saiu do peito e desapareceu.Procuramos explicação naquilo que não havia. Não podia ser. Os meus olhosolhavam simultaneamente para a frente e para o chão. Um grande erro cometido esem perdão. Um erro pago inocentemente…- Virem-se os dois e não façam movimentos bruscos. – Ordenou Sor Catriga.- Não ousem mexer em vossas armas sequer. Não quero ver mais sanguederramado. Hoje.- Não podem dizer que sou um traidor sem provas fiáveis. Podemosdefender-nos pelo menos? É o mínimo que merecemos, Senhor.Sor Catriga virou-se de costas a conferenciar com aqueles que oacompanhavam. Depois dirigiu-se na nossa direcção com toda a sua sentinel asegui-lo de perto para o poder proteger. O medo tomara posse do homem e vianele um temor incrivelmente notório em cada passo desiquilibrado que dava.Murmurou qualquer coisa antes mesmo de se chegar perto. Depois retirou a espadade Sor Vannigan das mãos. Eu senti o cheiro do ferro com o sangue misturado.Após isto gritaram:- Assasino! Aqui, Aqui!
  7. 7. Sor Vannigan ouvira com certeza aquele burburinho de passos certos achegar. O chão desfez qualquer dúvida quando começou a tremer de leve. Ospassos eram da guarda real. O rei estava a chegar ao local.Eu deixei-me estar na escuridão a fim de passar despercebido.Depois eu virei a face ao barulho que tinha ouvido na direção do pátio datorre. Após este gesto Ele apareceu. Joelhos ficaram no chão e espadas metidasnas bainha. Sor Vannigan tentou defender-se mas perante a imagem do reiqualquer palavra podia ser tomada a mal porque parecia perturbado. Talvez nãofosse assim. Talvez a presence do rei ali fosse sinal de esperança para nós. Masafinal, o que queria o rei?Senhor, diga-me o que se passou durante a patrulha que enviei em volta docastelo esta tarde.Eu estava estático perante tais palavras. Sentia o sangue quente nas orelhasque fervilhavam de preocupação. Um Segundo elemento da entidade real apareceue colocou-se a par do rei. Era uma figura com bastante altura, forte e comcicatrizes feitas nas ínumeras batalhas que travara. Usava uma armadura negraque reluzia sb a luz lunar. A sua capa longa ia desde os ombros e arrastava-se pelochão sem cuidado algum do dono que a usava.Sor Vannigan ouviu um expirar longo por parte de Gary, filho mais velho dorei que o acompanhava para todo o lado. – Acabe com isto logo, pai – pediu comvoz nobre e calma. Depois tirou a sua capa e colocou-a em redor de seu pai quetremia com o frio do exterior. Mas de um momento para o outro tudo mudou. Ovento parara e o frio apertava cada vez mais.Um dos guardas colocou-se abaixo do nosso nível de visão para procuraralgo na neve.- Onde estão? – Perguntaramos dois com autoridade. – Onde os colocaram?–pareciam loucos a esfregar as mãos na neve, mais fundo e mais à superficie. E oque se via era um manto branco a cobrir-lhes as costas, o cabelo e as vestes. Masde súbito pararam e puseram-se de pé. Parecia que se tinham lembrado de algo.Mas nada disseram, além destas palavras: – Claro que não podiam dizer onde ostinham colocado. Porque os destruiram!Mas não tinham razão. Se falavam dos corpos, e eu nem sabia como sabiamdeles, estavamengandos ao pensar que nos tinhamos desfeito deles. Aliás, sesoubessem da aflição que sentíamos pela sua perda…Sor Vannigan ouviu perfeitamente o ar de frustação que vinham deles.- Não fique demasiado preocupado com a situação, Senhor. Pelos vistosenganei-me e o meu colega tambéme por isso lhe peço desculpa pelos dois e porincomodar a sua noite. Assegurar-me-ei de que esta falha jamais se repita de novo.– A sua voz estava segura mas rápida. Voltarama recompor-se e dirigiram-se denovo às escadas. O meu coração finalmente sossegara. Há muito que não sentiatanta tranquilidade. O que tinha ido à frente fez de conta que estava a andar embicos de pés, tamanha for a a vergonha. O melhor era mesmo não se meteremmais no nosso caminho pois com ou sem rei da próxima vez que os vise emtamanha falta de respeito e estariam os dois em muitos maus lençóis. Mas havia alium resto de desconfiança que no olhar de ambos não me deixou sossegado. Porsua vez, Sor Vannigan perdera a postura e lançara a sua espada contra os doisguardas que estavam distraídos.Acabara de cometer um terrivel erro ao assassinar um membro da guardareal.- Parece que assim já não se levantarará tanto a crista daquele ali.

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