Risco ocupacional

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AVALIAÇÃO DE RISCO OCUPACIONAL

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Risco ocupacional

  1. 1. Riscos ocupacionais em saúde RISCOS OCUPACIONAIS EM SAÚDE OCCUPATIONAL HEALTH RISKS p.338 • R Enferm UERJ 2004; 12:338-45. Maria Yvone Chaves Mauro * CamilaDrumondMuzi** RaphaelMendonçaGuimarães** Carla Christina Chaves Mauro*** RESUMO: Este é um artigo de revisão que pretende discutir os riscos ocupacionais em saúde, apoian-do- se em pesquisa bibliográfica referente ao período de 1976 a 2004. Objetiva-se discutir os riscos ocupacionais em saúde a partir de elementos do contexto do trabalhador e analisar as condições gerais do seu ambiente de trabalho e suas condições individuais e de saúde. Percebe-se que a desarmonia entre saúde e trabalho é incontestavelmente um problema de saúde pública, que merece ser analisado em todos os seus prismas, compreendendo assim a integralidade do trabalhador. Tal fato requer, do enfermeiro, a atenção necessária para que, primeiramente, não sofra o desgaste gerado por essa desar-monia e, depois, possa contribuir para minimizar os efeitos negativos gerados em outros trabalhadores. Palavras-chave: Enfermagem; risco ocupacional; saúde; trabalho. ABSTRACT: This article intends to discuss occupational health risks, based on a bibliographic research covering the period from 1976 to 2004. The objective is to discuss occupational risks from elements that make part of the worker’s context, and to analyze related general environment conditions and personal conditions. It is clear that the disharmony between health and work is an incontestable public health problem that must be analyzed under its multiple facets. That fact demands attention of the nurse in order to avoid suffering the effects generated by such disharmony, and to contribute to minimize the negative effects generated upon other workers. Keywords: Nursing; occupational risk; health; work. INTRODUÇÃO Apalavra trabalho e o qualitativo profissi-onal são usados em psicologia para designar toda atividade realizada tecnicamente com a finalida-de de conseguir um rendimento econômico. Em nossa organização social, o ser humano dedica ao trabalho aproximadamente 65% da sua vida pro-dutiva, incluindo-se jornada de trabalho e ativi-dade propriamente dita, a locomoção e o atendi-mento das necessidades relacionadas ao trabalho. Portanto, não é a terceira parte da vida, mas a metade da sua existência que o homem dedica ao trabalho profissional. Hoje o trabalho constitui uma das práticas mais importantes da vida do ser humano, porque é dessa atividade que o homem tira os elementos para sua própria subsistência familiar. Entretanto, o homem não deve trabalhar apenas pelo salário que recebe, mas também pela satisfação pessoal que deve sentir na sua realização e pelos resulta-dos que colhe através do seu próprio esforço. O trabalho desempenha uma função im-portante na vida do homem e preenche alguns objetivos, tais quais: respeitar a vida e a saúde do trabalhador, priorizando o problema da segu-rança e da salubridade dos locais de atividade laboral; deixar-lhe tempo livre para o descanso e lazer, destacando-se a questão da duração dessa jornada e de sua coordenação para a melhoria das condições de vida fora do local da atividade ocupacional; e deve permitir ao tra-balhador sua própria realização pessoal, ao mes-mo tempo em que presta serviços à comunida-de, considerando o problema do tipo de ativi-dade e da organização do trabalho. Quanto à Saúde do Trabalhador, ela é com-preendida como um conjunto de práticas teóricas interdisciplinares - técnicas, sociais, humanas - e interinstitucionais, realizadas por diferentes ato-res situados em espaços sociais distintos e infor-mados por uma mesma perspectiva comum1.
  2. 2. Mauro MYC, Muzi CD, Guimarães RM, Mauro CCC R Enferm UERJ 2004; 12:338-45. • p.339 Discorrer sobre a Saúde do Trabalhador é, em primeiro lugar, abordar um tema que ainda não atingiu a adolescência, mas que precisa discutir os caminhos que levem a uma maturidade saudável e duradoura2. Para tal maturidade, cabe discutir os aspectos relacionados ao trabalho que garan-tam o bem-estar do sujeito e, ainda, abordar os riscos inerentes a esse trabalho, de forma que sua prevenção possa trazer segurança ao indivíduo. Assim, são objetivos deste estudo: discutir os riscos ocupacionais na área da saúde, a partir dos elementos do contexto do trabalhador e ana-lisar as condições gerais do seu ambiente de tra-balho e suas condições individuais de saúde. A pesquisa bibliográfica realizada abrange produção científica de 1976 a 2004, recuperando conceitos e achados de grande relevância para a especialidade Saúde do Trabalhador. O SIGNIFICADO DO TRABALHO O provimento das necessidades biológicas básicas humanas é a função primordial do traba-lho, entretanto, existem outras funções como: propicia o aplauso social, uma vez que o individuo que não trabalha é mal visto pela sociedade; ali-via a tensão emocional funcionando como uma válvula de escape ou uma derivação para as emo-ções acumuladas; estimula a imaginação e ativa a criatividade porque afeta poderosamente a ati-vidade mental e estimula a inteligência, procu-rando obter melhores formas de expressão da produtividade; condiciona o progresso e o bem-estar humano porque cada trabalhador é consi-derado parte do processo de melhoria de sua co-munidade3. Osignificado do trabalho4,5,6é elaborado como uma cognição subjetiva, histórica e dinâmica, caracterizada por múltiplas facetas que se articu-lam de diversificadas maneiras. É subjetiva, apre-sentando uma variação individual, a qual reflete a história pessoal de cada um. É social, porque, além de apresentar aspectos compartilhados por um conjunto de indivíduos, reflete as condições históricas da sociedade, na qual está inserido. É dinâmica, no sentido de que é construto inacabado, em permanente processo de constru-ção. Decorrente disso, sua caracterização varia conforme seu próprio caráter histórico-social. O significado do trabalho, para o homem, representa uma situação especial, que lhe traz satisfação ou não, e ainda, como atividade hu-mana tem significado tríplice: material, psicoló-gico e social3. Quanto à satisfação material, é necessário que o trabalho proporcione o atendimento das necessidades biológicas primordiais: alimentação, vestuário, habitação, saúde física e mental, re-creação e outras. No que se refere à satisfação psíquica indi-vidual, ela se fundamenta no provimento das se-guintes necessidades: afeto; noção de pertencer, sentir-se uma peça da engrenagem empresarial; companhia dos outros; realização; experiências novas; segurança; e fator de otimismo. Considerando a satisfação social, o trabalho confere posição entre os membros do grupo, o que é importante para a convivência social. Após a revisão desses significados, torna-se imprescindível destacar as alterações no homem determinadas pelo trabalho. AS ALTERAÇÕES PELO TRABALHO No desempenho do trabalho, pode-se obser-var alterações no organismo e na personalidade do trabalhador que se manifestam durante a jor-nada3, tais como: modificações fisiológicas – altera-ção do processo metabólico, aumento do ritmo respiratório e cardíaco e alterações no teor físico-químico do sangue e dos tecidos musculares, re-sultantes do esforço produzido; aquecimento – ou seja, intensificação do rendimento do trabalho pelo aumento da capacidade dos músculos e ner-vos condicionados à atividade exercida; queda da velocidade e qualidade do rendimento – observáveis com o prolongamento forçado do trabalho, decor-rente do esforço muscular e intelectual que sur-ge com a fadiga; reativação – é o súbito aumento do ritmo de trabalho, seja pelo estímulo do supervisor ou apelo nas ultimas horas de traba-lho; alterações no controle e coordenação motora – observáveis na continuidade do esforço físico. É preciso estar atento para o início dessas alterações no trabalhador: os movimentos se tor-nam mais lentos e imprecisos e o trabalho se apre-senta com menos rendimento e queda na produ-tividade; os bloqueios que se caracterizam por in-terrupções muito curtas, de fração de segundos, automáticas e inconscientes no decorrer da ati-vidade, que o trabalhador nem percebe, acredi-tando- se ser reflexo de fadiga mental; e a fadiga que é a sensação de exaustão física e mental, re-sultante do excesso de atividades, manifestada
  3. 3. Riscos ocupacionais em saúde pela redução da força física e capacidade de rea-gir ou executar tarefa3. Dando prosseguimento, inicia-se, a seguir, o estudo da relação ambiente ocupacional/tra-balhador. O AMBIENTE DE TRABALHO E O TRABALHADOR A Saúde Ocupacional avança numa pro-posta interdisciplinar, com base na Higiene In-dustrial, relacionando ambiente de trabalho-corpo do trabalhador1. Incorpora a teoria da multicausalidade, na qual um conjunto de fato-res de risco é considerado na produção da doen-ça, avaliada através da clínica médica e de in-dicadores ambientais e biológicos de exposição e efeito. Os fundamentos teóricos do modelo da História Natural da Doença7 são aplicáveis a indivíduos ou grupos, e derivam da interação cons-tante entre o agente, o hospedeiro e o ambiente, significando um aprimoramento da multicausali-dade simples. Mesmo assim, se os agentes/riscos são assumi-dos como peculiaridades naturalizadas de objetos e meios de trabalho, descontextualizados das razões que se situam em sua origem, repetem-se, na prá-tica, as limitações da Medicina do Trabalho. As medidas que deveriam assegurar a saúde do traba-lhador, em seu sentido mais amplo, acabam por res-tringir- se a intervenções pontuais sobre os riscos mais evidentes. Enfatiza-se a utilização de equipa-mentos de proteção individual, em detrimento dos que poderiam significar a proteção coletiva; normatizam-se formas de trabalhar consideradas seguras, o que, em determinadas circunstâncias, conforma apenas um quadro de prevenção simbó-lica. Assumida essa perspectiva, são imputados aos trabalhadores os ônus por acidentes e doenças, concebidos como decorrentes da ignorância e da negligência, caracterizando uma dupla penalização8. A fórmula ideal para a vida humana consiste em manter em equilíbrio os componentes biológicos e psíquicos da personalidade e os fatores sociais e do ambiente. Quando o equilíbrio persis-te, o individuo conserva o seu estado de saúde e mantém uma sensação de bem-estar. Desse modo, o ambiente de trabalho pode converter-se em elemento agressor do indivíduo. Qualquer que seja a origem do desequilíbrio, exis-te a possibilidade de dano para a saúde do traba-lhador, p.340 • R Enferm UERJ 2004; 12:338-45. o qual deve ser protegido pela adoção de medidas adequadas9. Assim, o estudo do ambiente de trabalho deve compreender os seguintes aspectos: os dife-rentes tipos (características); os fatores que o condicionam; as alterações desses fatores e suas causas; a técnica para exploração dessas altera-ções; as medidas que devem ser adotadas para evitar a agressão do ambiente sobre o indivíduo10. Não é possível indicar todos os fatores de risco, contudo relacionam-se os mais comuns11: muitas horas de trabalho; postura inadequada; monotonia; meio físico inadequado; instalações sanitárias insuficientes; falta de salas de descanso e assentos; saúde e higiene mental insatifatórias e fadiga. Entre os agravos à saúde do trabalhador, des-tacam- se os acidentes de trabalho que são men-cionados a seguir. ACIDENTES Com uma perspectiva de superação da visão do acidente de trabalho de uma forma inespecífica e a-histórica, deve-se ter uma visão renovada desse tipo de evento, ou seja, olhar com cuidado não só o acidente em si, mas também os fatores que o predispuseram. Embora saiba-se que aci-dentes com material biológico não acontecem somente com enfermeiros ou técnicos de enfer-magem, há estudos que indicam a hegemonia dessa categoria nos incidentes, especialmente em acidentes com material perfurocortantes12. Recentes estudos13 evidenciaram que a re-lação entre incidência de acidentes de trabalho e mortalidade não é tão baixa, o que significa que há um pequeno potencial de mortalidade e um grande potencial de morbidez, condição que de-manda estratégias para minimizar esses agravos no ambiente de trabalho, tendo em vista suas re-percussões para o indivíduo e para o Estado. Veri-ficou- se, ainda, que há diferenças brutais entre as mesmas taxas nacionais e por regiões, o que sinaliza uma diferenciação no acesso aos serviços de saúde e, especificamente, na área da Saúde do Trabalhador. Neste contexto, os acidentes de trabalho (AT) ocupam destaque, uma vez que se apresen-tam como a concretização dos agravos à sua saú-de em decorrência da atividade produtiva, rece-bendo interferências de variáveis inerentes à pró-
  4. 4. Mauro MYC, Muzi CD, Guimarães RM, Mauro CCC R Enferm UERJ 2004; 12:338-45. • p.341 pria pessoa, do ponto de vista físico ou psíquico, bem como do contexto social, econômico, políti-co e da própria existência. Decorrem da ruptura na relação entre o trabalhador e os processos de trabalho, os quais interferem no processo saúde/ doença, algumas vezes de maneira abrupta e ou-tras de forma insidiosa, bem como no modo de viver ou morrer dos trabalhadores14. Considerando o exposto, o trabalho notur-no pode ser outro fator de ruptura no equilíbrio saúde/doença, conforme é descrito na seção se-guinte. TRABALHO NOTURNO As escalas de trabalho em turnos geralmen-te adotadas são bastante variadas, e em uma mes-ma empresa pode haver várias escalas. Nas déca-das de 60 e 70, escalas de turnos em que predo-minava o rodízio semanal dos horários de traba-lho eram bastante freqüentes. Uma das análises mais divulgadas na litera-tura sobre erros/acidentes relacionados ao traba-lho em turnos foi publicada originalmente em 1979 15. A hipótese destacada pelo referido estudo é a de que provavelmente o pior desempenho obser-vado em atividades em plantões ou regimes de trabalho noturnos estaria associado à queda ou diminuição na expressão comportamental de al-guns ritmos biológicos, com especial ênfase ao da temperatura corporal. Esse ritmo apresenta valores mais baixos du-rante a noite, concomitante ao aumento da so-nolência e conseqüente queda de rendimento de algumas funções cognitivas. A falta de repouso leva a riscos, decorrentes da privação de sono que vão desde a irritação, ansiedade, insegurança, depressão, dificuldade de concentração e redu-ção da capacidade crítica; o profissional de en-fermagem se sente insatisfeito por não ter presta-do uma assistência de melhor qualidade ao paciente16.Diante das evidências de problemas gerados pela inversão do ciclo vigília-sono e con-seqüente privação do sono de trabalhadores, pode-se dizer que as estratégias individuais relaciona-das aos hábitos de sono são essenciais para permi-tir a adaptação ao trabalho em turnos17. Um estudo18 realizado entre auxiliares de enfermagem e enfermeiros que trabalhavam em hospital público de São Paulo, cuja organização dos turnos diurnos e noturnos fixos era de 12 ho-ras diárias, seguidas de 36 horas de descanso, com-parou as durações dos episódios de sono, detec-tando diferenças significativas entre sono diurno e noturno. A qualidade dos episódios de sono diur-no após as noites de trabalho foi avaliada como pior do que a qualidade dos episódios de sono noturno. Foram encontradas diferenças significa-tivas na percepção dos estados de alerta em três momentos diferentes do turno da noite. Os níveis percebidos de alerta à noite tornam-se piores à medida que aumenta o número de horas de tra-balho. Isso é um indicativo de que a sonolência no trabalho noturno se faz presente e pode preju-dicar seriamente tanto trabalhadores quanto os pacientes que estão sob seus cuidados. A partir de estudos anteriores19, 20 realiza-dos acerca do trabalho noturno, verificou-se uma série de alterações no ritmo biológico do traba-lhador (ciclo circadiano; temperatura corporal; nível de glicose no sangue; grau de fadiga; adap-tação ao trabalho; rendimento; duração do sono; grau de retenção da informação). As conseqü-ências diretas foram: fadiga; desadaptação à ati-vidade; baixo rendimento; baixa capacidade de conciliar o sono normal; maior índice de erros detectados; desequilíbrio nutricional; limite re-duzido de responsabilidade; aumento ou apare-cimento de patologia de natureza somática; estress. CONDIÇÕES DE SAÚDE As medidas ergonômicas relacionadas à pos-tura no ambiente de trabalho, assim como as so-luções implementadas de modo preventivo são mais positivas, especialmente quando associadas à se-leção adequada do trabalhador e à utilização de técnicas corretas no processo de trabalho21. Essa prática é comumente realizada inadequadamen-te pelos profissionais de enfermagem, daí a fre-qüência de problemas de saúde no trabalho. Deve-se ainda considerar o trabalho senta-do, no qual a incidência de hérnias de disco é três vezes maior que no trabalho em pé, e os esforços no sentido de ampliar os conhecimentos básicos de ergonomia dos profissionais da área de saúde. Cabe destacar aqui os principais fatores re-lacionados às condições ocupacionais20,21, consi-derando- se as novas tendências do mercado de trabalho: remuneração; oportunidade de carrei-ra; garantia disciplinares; horas de trabalho; des-
  5. 5. Riscos ocupacionais em saúde canso e férias; segurança social; proteção à saú-de; oportunidade de formação inicial e educação continua; efetivo de pessoal no serviço; organiza-ção do trabalho; participação do pessoal na de-terminação de suas condições ocupacionais e de vida e participação em tudo que contribui para sua satisfação no trabalho. No Brasil, existem inúmeros convênios e re-comendações da Organização Internacional do Trabalho(OIT) ratificadas pelas Portarias do Mi-nistério do Trabalho denominadas Normas Regulamentadoras (NR), além da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT), disciplinando essa área. Os estudos sobre os riscos ocupacionais apon-tam que, quando eles não são submetidos a con-trole, levam ao aparecimento de acidentes e do-enças profissionais e do trabalho. O Ministério do Trabalho, através das NR, visa eliminar ou controlar tais riscos ocupacionais. São 32 NRs direcionadas para trabalhador urba-no, das quais foram selecionadas algumas de re-levância para o trabalhador de saúde: NR-1 Dis-posições Gerais; NR-4 Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Traba-lho – SESMT; NR-5 Comissão Interna de Preven-ção de Acidentes – CIPA; NR-6 Equipamentos de Proteção Individual – EPI; NR-7 Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO; NR-9 Programa de Prevenção de Ris-cos Ambientais - PPRA; NR-15 Atividades e Operações Insalubres; NR-16 Atividades e Ope-rações Perigosas; NR-17 Ergonomia; NR-24 Con-dições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Tra-balho; NR-26 Sinalização de Segurança; NR-31 Segurança e Saúde no Trabalho em Espaços Con-finados; NR-32 (em processo de implementação) Segurança e Saúde no Trabalho em Estabeleci-mentos de Assistência à Saúde 22. Algumas delas estão envolvidas no controle das condições de risco para a saúde e melhoria dos ambientes de trabalho, visando: identifica-ção das condições de risco para a saúde presentes no trabalho; caracterização da exposição e quantificação das condições de risco; discussão e definição das alternativas de eliminação ou con-trole das condições de risco; implementação e avaliação de medidas a serem adotadas 22. Os condicionantes sociais, econômicos, tecnológicos e organizacionais responsáveis pelas condições de vida e de trabalho e os fatores de risco ocupacionais são também determinantes da p.342 • R Enferm UERJ 2004; 12:338-45. saúde do trabalhador. Portanto, ações na área da saúde do trabalhador têm como objetivo primor-dial mudanças nos processos de trabalho que con-templem, em toda sua dimensão, as relações saú-de- trabalho, por meio de uma atuação multiprofissional, interdisciplinar e intersetorial. Considera-se fator de risco para provocar um dano, toda característica ou circunstancia que acompanha um aumento de probabilidade de ocorrência do fator indesejado, sem que o dito fator tenha de intervir necessariamente em sua causalidade23. Classicamente, os fatores de risco para a saú-de e segurança dos trabalhadores, presentes ou relacionados ao trabalho, de acordo com a Orga-nização Pan-Americana da Saúde no Brasil, po-dem ser classificados em cinco grandes grupos22,24: físicos- agressões ou condições adversas de natu-reza ambiental que podem comprometer a saúde do trabalhador; químicos- agentes e substâncias químicas, sob a forma líquida, gasosa ou de partí-culas e poeiras minerais e vegetais, comuns nos processos de trabalho; biológicos- microorganismos geralmente associados ao trabalho em hospitais, laboratórios e na agricultura e pecuária; ergonômicos e psicossociais - que decorrem da or-ganização e gestão do trabalho; de acidentes- liga-dos à proteção das máquinas, arranjo físico, or-dem e limpeza do ambiente de trabalho, sinaliza-ção, rotulagem de produtos e outros que podem levar a acidentes do trabalho. Os riscos ocupacionais têm origem nas ativi-dades insalubres e perigosas, aquelas cuja natu-reza, condições ou métodos de trabalho, bem como os mecanismos de controle sobre os agentes bio-lógicos, químicos, físicos e mecânicos do ambien-te hospitalar podem provocar efeitos adversos à saúde dos profissionais. Os técnicos especialistas em Higiene e Se-gurança do Trabalho são unânimes em colocar que o importante não é gratificar o trabalhador com o adicional de insalubridade ou de periculosidade, mas sim tornar o trabalhador e o ambiente abso-lutamente saudáveis. O quadro a seguir mostra a classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos, de acor-do com a sua natureza: Essas condições isalubres e perigosas na mai-oria das vezes se tornam rotina, freqüentemente não percebidas pelos gerentes, nem pelo próprio trabalhador de saúde, o qual se habitua com a
  6. 6. Mauro MYC, Muzi CD, Guimarães RM, Mauro CCC Fonte: Ministério do Trabalho (MTE) Norma Regulamentadora – NR 9 – Riscos ambientais25 FIGURA 1: Classificação dos Principais Riscos Ocupacionais. R Enferm UERJ 2004; 12:338-45. • p.343 situação ou mantém um autocontrole dos sinto-mas, sem procurar esclarecer as causas verdadei-ras. Das observações feitas, e com base na litera-tura estudada9,14,17,24-27, evidenciam-se as conse-qüências dessas condições: queda da produção, maior vulnerabilidade aos acidentes de trabalho, afastamento do trabalho por motivo de saúde, causa mais freqüente do elevado absenteísmo. A combinação desses fatores leva a enfer-magem, principalmente, a uma condição que os peritos da OIT caracterizam como de penúria crônica. Com o conhecimento desses fatores de ris-cos e a identificação da população exposta (os próprios profissionais de enfermagem, seus cole-gas de trabalho e os clientes), cabe aos gerentes encetar uma luta para orientar o trabalhador so-bre tais riscos ocupacionais e as medidas necessá-rias ao seu controle. Um programa de educação continuada, com treinamento específico para profissionais de saú-de, pode favorecer o entendimento desses pro-blemas e de sua gravidade para combatê-los. A criação de Comissões Internas para Pre-venção de Acidentes27 (CIPAS), nas Unidades de Saúde, também, facilitará a discussão dos pro-blemas com a direção das instituições, assim como as Comissões de Saúde. Vale ressaltar que os hospitais com mais de 500 empregados são obrigados a incorporar um Enfermeiro do Traba-lho no seu quadro, de modo que esse profissio-nal além de participar das atividades especifi-cas, deverá estar atento aos fatores de riscos para combatê-los 28. Atualmente, conta-se com a Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho nº 32/2002, ainda em fase de homologação, que se destina à proteção dos trabalhadores de estabe-lecimentos de saúde 29. Os centros de estudos dos hospitais e outros serviços de saúde, também deverão discutir essa problemática e buscar a assessoria necessária com os técnicos competentes, principalmente em re-lação a novos riscos. Resultados de pesquisas sobre condições de trabalho e aspectos ergonômicos mostram que há necessidade de difundir-se entre os enfermeiros o conhecimento desses estudos e de outros sobre a higiene, biossegurança e segurança do traba-lho, visando a proteção de sua própria saúde e de seus clientes26. É imperativa a implementação de medidas ergonômicas e de biossegurança para a proteção dos enfermeiros e demais profissionais de saúde, assim como de medidas de higiene mental para a garantia de um ambiente saudável e obtenção do equilíbrio emocional do grupo.
  7. 7. Riscos ocupacionais em saúde CONCLUSÃO Existem medidas especificas de proteção à saúde do trabalhador que são quantitativa e qua-litativamente satisfatórias, embora de circulação ainda limitada, e, devem ser implantadas como norma obrigatória do Ministério do Trabalho. É uma questão de cidadania a conquista desse di-reito do trabalhador. A enfermagem ainda não está mobilizada o suficiente para aplicar as medidas em favor de sua própria saúde, da produtividade do serviço, do seu melhor desempenho e satisfação no trabalho. Destaca-se como elemento de grande efici-ência o domínio do conhecimento dos fatores de riscos ocupacionais, causas das patologias do tra-balho e medidas de controle, especialmente no que se relaciona com a enfermagem. Considera-se o grupo de enfermagem o gru-po ideal para difundir esses conhecimentos por ser o sujeito e o objeto do problema em questão. Desse modo, o enfermeiro pode ser o multiplicador em potencial na área da saúde. REFERÊNCIAS 1. 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