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empregadas para pensar e intervir a          vidas ilustres no Pantheon Maranhense               como o solteiro, o velho ...
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Voltando ao Maranhão de João Lisboa.

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Ensaio: "Voltando a João Lisboa", publicado no Jornal Vias de Fato, na Edição JAN/2012, pelo autor Flávio Soares.

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Voltando ao Maranhão de João Lisboa.

  1. 1. * Voltando ao Maranhão de João Lisboa Por Flávio Soares† Para Flávio Reis, Chico Maranhão e Paulo Arantes. “A tradição dos oprimidos nos ensina que o “estado de exceção” em que vivemos é na verdade a regra geral. Precisamos construir um conceito de história que corresponda a esta verdade” (Walter Benjamin, Sobre o conceito da história). Das nossas misérias - Olhando a serão uma espécie de Lado B que hoje análise crítica sobre a situação particularHistória do Maranhão pelo retrovisor, também é cada vez mais um Lado A, do estado. Ponto caracterizado pelasressalta que ela foi para as classes uma vez que réplicas de outros existências superpostas e reversas dopopulares a experiência dolorosa de um “maranhões” se generalizam pelo Brasil que considerávamos “centros” edesastre social. No imaginário popular adentro e planeta afora, como sugerem “periferias” ou “avançados” eela é marcada por tempos de “fartura” e aquelas analogias? “atrasados”. Sem perder de vista ade “precisão” e violência, que se Considerando a constatação da especificidade regional, nem eximircombinam às vezes recusando a tragédia mesmo nos censos do IBGE e grupos de poder locais das suasmitificação: “Naquele tempo tudo era os diagnósticos mencionados, resta responsabilidades, tal perspectivaruim e... bom. Bom, porque tudo era permite ampliar a análise, evitando asbarato... ruim porque o pobre não tinha armadilhas dualistas que fixam onada” (João Moreno do povoado de Maranhão na mitologia de um BrasilPorto Velho, em Assunção, A guerra dos “errado” contraposto simplesmente aBem-te-vis). Hoje, essa percepção outro que “deu certo” (a exemplo da TVganhou outras proporções. Assim, ao se Globo no episódio “Vargemmedir, em juízo negativo, São Luís pela Grande/Vinhedo”), e inclusive avaliar aBagdá dos tempos da invasão desfaçatez e o avacalhamentoamericana, ou o Maranhão pelo Haiti, intrínsecos daquelas classes quandoAngola, Afeganistão, tais comparações tentam se desculpar alegando “deus”, opodem soar como apreciações “mundo”, a “história”, a “cultura”, aexcessivas de quem quer liquidar “natureza” e por aí segue. Vale tambémqualquer esperança. Lembram outras para a questão da resistência eanalogias frequentes no campo das dissensão, pois se a atual favelareflexões locais, de sentido positivo, maranhense foi configurada graças àscomo Atenas do século V antes de Cristo decisões dos grupos hegemônicosou Manchester do período da locais, a diferença, a nosso ver, se dá noindustrialização inglesa. Como se a campo das lutas sociais, pois nosgeneralização atenuasse o choque da “maranhões” de lá revoltas explodem erealidade, deformando e sublimando a na “Palestina” de cá há tempos quasecompreensão. Mas, nessa era de nada parece acontecer.mundialização capitalista catastrófica, Não significa que todos aquios primeiros paralelos indicam uma aceitam a injustiça social sem protestar.tragédia social real e antiga. De um modo ou outro, resistência Talvez possamos pensar tais sempre houve e continua havendo, mas,analogias enquanto parte da “fratura O Historiador Flávio Soares enfatiza o olhar de se não for querer demais, as energias dabrasileira do mundo” que Paulo Arantes Glauber Rocha sobre o Maranhão: “uma velha indignação não convergem paraexamina (em livros inspirados como sociedade de lideranças políticas demagógicas efetivamente virar a regra do jogo ouZero à Esquerda e Extinção), ao pusilânimes e corruptas, bacharéis vaidosos, pelo menos gerar a possibilidade darepassar, nos termos da “dialética da autoritários e volúveis, padres colonizadores construção da “exceção verdadeira”. Aomalandragem”, as percepções da histéricos, camponeses vivendo ao deus dará”. contrário, quanto mais sobe o nível das“brasilianização” do centro (EUA, (Imagem do filme Maranhão 66). desgraças mais se agrava a corrosão dasFrança), emergentes num momento de pouca dúvida de que, na condição de forças dos movimentos sociais. Aesvaziamento do mito do “país do um dos primeiros exemplos da tendência é de que a miséria, em todosfuturo”. Neste âmbito, vale a pergunta desigualdade social num país “líder da os sentidos, se normalizeseguinte. Se o sociólogo Francisco de concentração da renda” no mundo, a perigosamente como estado natural.Oliveira acertou no diagnóstico de que o nossa província encontra-se encravada Frear tal processo pela impulsão“futuro” do Brasil acabou na no horror nacional. Não só. Cada vez daquelas forças é vital para os quemonstruosidade social presente (na mais parte do “planeta favela”, isto é, tentam exercer a crítica ou fazermetáfora do ornitorrinco), resultante do do mundo urbano instalado “na qualquer coisa criativa com algumtipo de “modernização conservadora” e miséria”, na “poluição, excrementos e retorno social. O que, por sua vez, passadependente promovida no “passado”, deterioração”, mapeado pelo por refletir sobre as articulações entreespecialmente a partir do Golpe de historiador Mike Davis, o Maranhão, de antigos e novos dispositivos de controle1964, o Maranhão não será então um exceção vai passando à regra, se já não social, seus agentes e suas eficácias,dos lados particularmente reveladores? passou. De toda maneira, a questão bem como acerca das armasOs maranhenses, nessa história, não parece o ponto de partida de qualquer
  2. 2. empregadas para pensar e intervir a vidas ilustres no Pantheon Maranhense como o solteiro, o velho como orespeito. (1875). mancebo, e pela manhã saem os Programa maranhense - O seu funcionamento foi recrutados barra fora; recruta-se aVoltando à perspectiva inicial, o outro assegurado por um campo de forças ou bordo das embarcações que estão delado da nossa experiência com guerra latente caracterizado pela partida, e o que é mais, a bordo dascatástrofes indica sua ligação, em combinação de formas extremas de embarcações de cabotagem, contra agrande medida (se não toda), com a domínios conservadores e intensa expressa determinação de vários avisos,história dos negócios que proliferaram desigualdade e injustiça sociais. Foram recruta-se o povo que acorre a festejarno Maranhão e suas “falsas euforias”, partes dessas forças (grandes os dias nacionais; recruta-se odesde o seu aparecimento como proprietários de terras, alto comércio, estudante, cuja aplicação e habilidade orendosa empresa da casa real na elites administrativas, políticas, próprio redator do Investigador [Soterocolônia. Observe-se: não o Maranhão militares, jurídicas, religiosas, letradas) dos Reis] atesta na sua qualidade de“Estado colonial” (1621-1772) - que decidiram os rumos a seguir neste professor; e recruta-se finalmenteabrangendo, em princípio, gigantesca território em todas as diferentes testemunha que é judicialmenteárea de terras, rios e florestas quase conjunturas decisivas da história política convocado para jurar num processo deequivalente a metade do Brasil de hoje brasileira, a exemplos de 1822, 1831, morte. Para coroar a obra S. Ex. [oe estudada por Berredo nos Anais 1840, 1889, 1930, 1945, 1964, 1985. presidente da província] louva oHistóricos do Estado do Maranhão Nesta história é preciso evocar patriotismo de um mandão do interior(1749) -, mas o que seria a “Província” especialmente o choque da balaiada ou, que o aconselhara a recrutar umdo Norte do Império no século XIX. melhor dizendo, da guerra dos bem-te- vereador da câmara, só por ser esteDesse lado, o Maranhão sempre foi vis e da revolta escrava (1838-41), por bentevi e mulato; em alguns pontos donegócio altamente lucrativo para as duas razões básicas no mínimo (as quais interior recruta-se para extorquirclasses proprietárias. Sem dúvida um se nem sempre são ignoradas carecem dinheiros aos desgraçados”. Aqui, nodos principais sócios foram os governos ser redimensionadas). fundo, estava em questão a construçãoe seus políticos patrimonialistas. Foi A primeira refere-se ao modo de um tipo de sociedade civilizada,esse o sentido da sua história pós- como foi pacificada: através da chacina cristã e progressista assentadaindependência, durante a qual a região de homens, mulheres e crianças de diretamente na barbárie. Umvariou (embora nem sempre) os tipos todas as cores, promovida pela Divisão verdadeiro estado de sítio social. Ade “produto”: escravos, terras, drogas Pacificadora do Norte sob o comando de quadratura do círculo: uma civilizaçãodo sertão, arroz, algodão, açúcar, gados, Luiz Alves de Lima e Silva, o celebrado bárbara.couros, panos, madeiras, babaçu, Duque de Caxias e Patrono do Exércitominérios, carvão, soja, bancos brasileiro. Isso manteve e reforçou umcomerciais, especulação imobiliária, programa de poder em gestação desdenarcotráfico, obras e serviços públicos, meados do século XVIII, pelo menos, noetc.. O significado mercantil, porém, bojo da colônia de exploração. Amanteve-se o mesmo. respeito do massacre, valem as palavras Nossa hipótese é de que, na base de Carlota Carvalho, em O Sertãodesse empreendimento, o Maranhão (1924): “O espetáculo dos suplícios nãoemergiu como programa de elites havia somente aterrado, como queriamsenhoriais, em geral luso-brasileiras. os comandantes das forças legais. OPrograma? Sim, um “projeto” próprio de espetáculo dos suplícios alucinou aquela“classes” e poder construído e gente”. Aconteceu o que Estêvão decodificado nos seus “comandos” básicos Carvalho antecipou em versos, no jornal(natureza, território, população, classes, Bem-te-vi, em julho de 1838: “Ferverãomemória, costumes, política, cultura) no rodas de pau/Gonilhas vãofinal do período colonial e nos tempos renascer/Duras algemas, edo império, no interior da ordem cordas/Nossos pulsos vão prender/Bemnacional nascente. Assim, por exemplo, tristes, bem desgraçados/Vão ser nossosnão se trata de outra coisa quando o costados!/Calabouço escuro, eilustrado senhor de lavouras e escravos feio/Pesados troncos, Sobre a resistência política no MaranhãoRaimundo Gayoso, no Compêndio grosseiros,/Prenderão talvez p`ra hoje, o historiador opina, dizendo que, “deHistórico-político dos Princípios da sempre/Milhares de Brasileiros”. um modo ou outro, resistência sempreLavoura do Maranhão (1818), Foi expressão marcante dessa houve e continua havendo, mas, se forhierarquiza as suas classes principais; violência sem meios termos o querer demais, as energias da indignaçãofrei Francisco Nossa Senhora dos recrutamento forçado não convergem para efetivamente virar regraPrazeres sistematiza sua história na (sintomaticamente batizado como do jogo ou pelo menos gerar a possibilidadePoranduba Maranhense (1826); ou “pega” na memória popular) levado a da construção da exceção verdadeira”. (Fotoentão quando o major Paula Ribeiro cabo pela polícia. Em janeiro de 1839, da III Marcha contra a Corrupção nodescreve o território da Capitania, em João Lisboa registrava na Chronica Maranhão, ocorrida no ano passado, em Sãoespecial Pastos Bons, em Roteiros e Maranhense: “recruta-se sem Luís).Descrições (1815 e 1819). Do mesmo precederem editais para o alistamentomodo quando o médico César Marques voluntário; recruta-se o redator, e o A segunda razão deve-se à suaconstrói a sua memória no Dicionário responsável dos jornais da oposição; condição de instante único daHistórico-Geográfico da Província do recruta-se o cidadão unanimamente resistência popular na História doMaranhão (1870) e Henriques Leal absolvido pelo júri; recruta-se Maranhão, à sua intensidade e(também médico de formação) biografa indistintamente de noite, o casado amplitude, mas também aos germes de um “verdadeiro estado de exceção”. Os
  3. 3. camponeses e escravos puseram em agora em modo de festa e espetáculo)? exemplos de concentração da riqueza exeque o projeto de poder acima nos Não seria também, por essas razões, desigualdade social num país deseus dispositivos básicos e intoleráveis, momento crucial de decisão quanto à vanguarda nestes quesitos. Noutrasabrindo a história para o inusitado. A construção de uma ordem oligárquica palavras, e na linha dos comentários decriação de um grande quilombo dentro do terror (inédita?), especialmente Oliveira e Arantes sobre o Brasil, junto ade uma fazenda, como a da Lagoa contra camponeses, enquanto garantia este, nos universalizamos (osAmarela, não é um acontecimento de negócios rendosos (como os da terra) maranhenses) como um dos nervosdesse porte? Já por isso tal revolta e sabe-se lá o que mais? Olhando daqui, expostos da monstruosa fratura socialprecisa ser lembrada. Mas, com todos parece mais que retórica a referência, brasileira do mundo. Para além doos paradoxos possíveis, os rebeldes no discurso da posse do novo problema da percepção, a intuição é deainda tomaram núcleos urbanos governador, ao Marquês de Pombal, o que definitivamente chegamos lá. Oimportantes (Caxias, Brejo), quase “déspota esclarecido” de D. José I por programa mencionado compôs tanto aocuparam a capital e feriram dois trás da criação da Companhia Geral do matriz da sombria história do Maranhãosustentáculos da província: a Grão-Pará e Maranhão (1755-1778). Novo quanto foi realizado e, mais quedesigualdade social e o racismo. A Nem é segredo o quanto, em boa isso, atualizado na forma da barbárie“distinção do Homem só se distingue do parte, o dito Maranhão foi concebido social de agora e, por consequência,Rico do Pobre, o virtuozo do libertino, o como proposta de desenvolvimento pelo choque entre passado e futuro.Justo do Pecador em mais tudo tem inspirada na retomada – e superação - A chegada perturbadora doigual direito”, dizia Raimundo Gomes. de um passado glorioso e culturalmente Maranhão ao seu “eterno presente”No ofício ao major Pio, de 11 de singular, inventado e reproduzido pelas significa também passagem para umanovembro de 1840, o “infame” Cosme elites letradas como profecia de futuro. espécie de castelo kafkiano (em versãoera mais radical: “a República é para não O que sugere, outra vez, a convergência local) de “gestores” de recursos,a ver Escravidão”. de razões longínquas e próximas nas misérias e domínios onde a política, Tempos depois, algo desse camadas mais profundas da nossa ultrapassando absurdamente a sisonho de revide ainda pulsaria na memória histórica. Por isto, em tempos mesma, é vertida em pura dissimulação,memória popular, em toadas antigas mortos, dominados pelo espetáculo das negócio e delinquência. Para asiguais a de Sebastião Carvalho, do Boi imagens e a simulação da política, as oligarquias trata-se de um estado dede Santa Luzia: “Avança meu gerações recentes talvez possam “pós-política” ou “pré-política” (tantobatalhão/Agora que eu quero aprender (esperamos) com Maranhão faz), pois ao buscar suprir suas velhasver/Batalhão da linda amante/Bota a 66, de Glauber Rocha. Em janeiro de pulsões de domínio total, atraindo à suapolícia pra correr”. Ou nos versos de 1966 o novo governo teve início, influência os diversos grupos decanções como “Flor do Mal”, de César literalmente sob a guarda do traumático interesses (nos limites da indistinção), oTeixeira: “bananeira não tem flor/mas golpe civil-militar dado em abril de seu comportamento ambíguo etem no chão/bananas para os 1964. Ao filmar de “encomenda” a intercessor que, mal ou bem, era frutomacacos/que mataram lampião”. “posse” e documentar, em imagem e da margem de autonomia entre tais Maranhão Novo - Olhando de lá som, a barbárie, um instante crucial foi grupos, tende a perder a antiga função,para cá ou ao inverso, a impressão é flagrado pelo jovem cineasta de Deus e preservando-se no máximo comoque, apesar das aparências em o Diabo na Terra do Sol (1964): o das simulacro. Neste ponto, sob a casca docontrário, tal programa permaneceu eleições para governador em 1965. jogo das mediações domina o excesso.inspirando as elites dirigentes depois da Instantâneo que persiste e só ganha Daí a pergunta: o que significa fazerAbolição (1888) e da instalação da plena compreensão nas lentes de Terra política quando tudo se torna questãoRepública (1889). Atualizado na virada em Transe (1967). Nestas, o Maranhão de negócios escusos para os governos edo século XIX para o XX, ele foi do documentário é reapresentado na seus chefões?brutalmente realizado após o Golpe de alegoria da província do Alecrim. Afinal, Ao tratar demandas que não seTrinta, principalmente nos quadros da que província é esta? Parte de Eldorado encontram mais fora e sim dentro deditadura militar (1964-85) e da vigente (Brasil) onde atuam figuras como Díaz, um mesmo universo indiferenciado dedemocracia “neoliberal”. Vieira, Paulo, Sara, Fuentes, ela é uma ação, vistas principalmente como boas No século passado, a “ordem” velha sociedade de lideranças políticas oportunidades para faturar, a “política”das fazendas acelerou a expansão para demagógicas, pusilânimes e corruptas, passa a referir-se a outra coisa melhoro Oeste (Mearim, Pindaré), bacharéis vaidosos, autoritários e caracterizada talvez comomassacrando camponeses, volúveis, padres colonizadores “gerenciamento” arbitrário deconquistando “terras libertas” e tudo histéricos, camponeses vivendo ao deus interesses. É daqui que precisamosmais existente fora dos seus domínios. dará. Nela manda o fazendeiro. Como situar a sensação ambivalente de queSempre movida pela sagrada fome do um deus, seu poder é tão onipresente a tudo e nada mudou e as chances paraouro. Ao final, o “progresso” encurralou ponto de parecer irrepresentável. transformação nas percepções ee praticamente eliminou a “fartura”. Glauber não o mostra, apesar de práticas à esquerda. Quem sabe issoPerguntamos: do ângulo sugerido, o sabermos ser ele o mandante do seja óbvio aos analistas, mas não temosMaranhão Novo, além das suas razões assassinato do líder camponês. A certeza porque, em primeiro lugar,específicas, não teve também suas província, ademais, agoniza enterrada nestes termos, aquele Maranhão não secondições de possibilidades sociais, até a medula no “Terceiro Mundo”. reduz a um governo específico, nem apolíticas e culturais mais remotas Em Maranhão 66, a realidade um personagem ou grupo político e suasnaquele programa de senhores de social cruel do “subdesenvolvimento” é ideologias idiossincráticas (porgentes, lavouras, gados e terras, nutrido contraposta a uma promessa de fundamentais que sejam), porém incluinas guerras de extermínios e em superação que (diga-se quantas vezes também a presença de forças históricasmiragens como a do Maranhão Atenas e necessário) hoje sabemos aonde antigas e latentes. E, em segundo lugar,outras mais (uma delas se reencenando chegou: ao status de um dos principais com bases materiais definidas, entre
  4. 4. estas o vasto mundo das fazendas e patrimonialista. Como indicado, nas “glorioso” (e vice-versa). Assim sendo,suas relações sociais dos tempos da antigas formas de ação, bem ou mal, a posto o tema da sua “extinção” (sempreescravatura, foi programa exitoso, lógica era “política”, pautada nas iminente), suponho possível começar asocialmente corporificado nos mediações do favor. Agora, nos olhar criticamente essa história“maranhenses”, indivíduos “dóceis” a domínios da administração fria do medo “teleológica” no retrovisor e demarcar ocompor rebanho de súditos cristãos ou terror, esse velho habitus senão que foi complicado inventariar todobarbarizados, sem o que ele não desapareceu pelo menos se assemelha tempo: o problema da alteridade dofunciona e rende. rapidamente ao negócio puro e simples passado relativa ao presente. Ou seja, Ditadura e democracia - Tal do crime, isto é, tal como um sequestro, escrever o testamento e enterrar prámomento decisivo esteve inscrito à troca do “risco” pela segurança valer os mortos insepultos – destinovisceralmente nas reviravoltas geradas vendida pelo preço mais caro possível. trágico das maiorias de ontem e hoje,pela ditadura e seus desdobramentos na A mutação da “malandragem” esse do desterro até na morte... -democracia contemporânea. Rearranjo em “gangsterismo” (chame como produzidos pela sucessão infernal dosmarcado pela esperança, mas também quiser), ao expor a face mais destrutiva negócios catastróficos.sacrifício de toda uma rica perspectiva da política, sinaliza a possibilidade da Mas precisamente aí reside umademocrática “antioligárquica” elaborada extinção mesma do eterno balanceio das primeiras dificuldades a embaçar oexemplarmente por gerações de “dialético” entre ordem e desordem. espelho referido. Receamos que parteintelectuais (vários já desaparecidos) Indica também as diferenças entre um influente daqueles educados oucomo Sérgio B. de Holanda, Caio Prado tipo de capitalismo (ou negócio) que, inspirados na tradição crítica de fatoJr., Celso Furtado, Raymundo Faoro, bem ou mal, de maneira despótica ou precisa dar-se conta de que aFlorestan Fernandes, Maria Sylvia de não, integra aparentemente a perspectiva do seu objeto – associandoCarvalho Franco, Antonio Candido, “sociedade” e outro que lucra através desenvolvimentismo (seja em queRoberto Schwarz, Fernando Novais da invasão e matança. Seria tal juízo(lembro alguns que nos marcaram de mera condenação “moralista”,perto). Foi o que aconteceu quando as doutrinária, pessimista e sempresidências de FHC (1995-2002) e Lula fundamentos? Talvez. Mas, mais que(2003-2010), pelos pactos diabólicos de isso, ele faz lembrar num plano amplosempre entre “avançados” e os comentários de Guy Debord sobre A“atrasados”, aderiram ao ajuste e Sociedade do Espetáculo (leia-se:atualização conservadora aos novos sociedades totalitáriasditames do capitalismo mundial. contemporâneas). Neste livro,Ajoelharam e beijaram a cruz, na elaborado na atmosfera do Maio de 68,imagem do último feita por Arantes. notava o outro lado do espetáculo naPara este, na acusação tão justa quanto conversão do capitalismo aos esquemasmaturada ao golpe de 1964 (em O Que mafiosos: “No momento do espetacularResta da Ditadura, livro obrigatório integrado, ela [a máfia] reina comoorganizado por Edson Teles e Vladimir modelo de todas as empresasSafatle), tudo isso remontaria aos anos comerciais avançadas”. Debord1960, particularmente àquele marco comentava da Itália (berço das máfias) egenealógico e “interminável” do fim observava essa coisa acontecendo nosefetivo da Era Vargas e da montagem, Estados Unidos (matriz do capitalismoem dois tempos por assim dizer (o contemporâneo). Contra as“ditatorial” e o “democrático”), do expectativas, tais formas sociais deestado de emergência contemporâneo organização haviam se tornado Segundo Flávio Soares, no Maranhão do(ou domínio total do capital em sua fase exemplos para empresas, governos e sécúlo XXI, onde o político malandro definanceira). instituições em geral. É no contexto ontem, cedeu lugar ao gangster de hoje, o Se não erramos demais quanto abrangente do “espetáculo integrado” capitalismo “lucra através da invasão eao espírito geral do problema acusado, que se dá (a partir do marco indicado) a matança”. (Foto de madeireira na região deo salto para a Nova República, emergência no Brasil de um mundo de Buriticupu).executado com as Forças Armadas pelo “honoráveis bandidos” e suas biografias versão for) e radicalização democráticaex-governador do Maranhão Novo e autorizadas, as quais, quase sempre – foi alterada e por mais que se queiraatual presidente do Senado fascinadas pelos seus personagens frios não é possível voltar atrás, não nestes(rigorosamente no melhor estilo e cruéis procuram “humanizá-los” (na termos, e simplesmente rejuntar os“Porfirio Díaz” de Terra em Transe), é verdade, mitificá-los), como se já não cacos da história. Necessita partir daqui,revelador dos laços de família fossem “humanos, demasiado dar o adeus final e deixar de escutar oincontornáveis entre ditadura e humanos”. disco já furado da eterna formação dodemocracia espetacular, constitutivos Mudança de perspectiva - É país “novo” e suas sequências variadasdo nosso atual regime de exceção. também nesse momento da de euforia e depressão. Nesse disco aNeste, somos todos lançados constituição de uma democracia canção da “modernização” ainda é faixaliteralmente à condição de testemunhas espetacular e sinistra a partir dos das mais tocadas. Pura nostalgia, pois,oculares de grupos governamentais que governos militares que o programa mais que nunca os lances de agorade políticos têm cada vez mais apenas maranhense se consumou, mas agora envolvem a ultrapassagem da análise daas máscaras (e nem isso talvez...). Na de vez. Podemos dizer que, além de se modernidade maranhense enquantoprática, seguem “regras” que há muito universalizar (junto com o país), para ele promessa ou projeto realizado pelasuspenderam os escrúpulos de qualquer o futuro enfim chegou e, de certo metade ou então dessa ou daquelaética ou norma instituída, mesmo modo, se encontrou com o seu passado forma autoritária, contendo ainda, na
  5. 5. suas “contradições”, possibilidades Em função de tais danos tudo nos quais aquela natureza “resiste” emtransformadoras. Possibilidades isso pode parecer atrasado. No entanto, estado selvagem ou quase, agravando aderivadas das “brechas” a serem o negócio maranhense foi produto percepção (cinicamente difundida) deexploradas pelos grupos e pessoas moderno de parto (ou estupro?) louco que tudo resta a fazer quando, decertas, isto é, aquelas sinceramente das contradições em processo do capital verdade, uma era se encerra. Ocomprometidas com ideais populares e e seus agentes, assegurado pela resultado social aparece na proliferação,democráticos e que, entendidas nas construção de uma ordem estatal do aparentemente estranha, de populaçõescomplexidades e matizes de cada terror ou do medo cujos capangas e miseráveis e pobres, motorizadas e“conjuntura”, saberiam negociar policiais integram a linha de frente. conectadas, sobrevivendo no meio daalianças almejando o comando ou influir Como de resto o Brasil, se é certo que o “riqueza” natural. A desigualdade ecomo assessor, consultor ou conselheiro país é um “imenso maranhão”. Algumas miséria social não será aqui, nestesobre este. lições iniciais, então, podem ser mundo programado de guetos e favelas, Com franqueza, não há “razão extraídas. Primeira: a formação e o uma das questões mais promissorascomunicativa” capaz de racionalizar progresso da nação e de suas regiões para a crítica?“bagunça” tão monstruosa. Além disso, acabaram na monstruosidade social e O outro lado dessas questões,talvez por causa dos estilhaços no no estado de emergência de agora; tão ou mais importante, implica oespelho, quem investiga tais assuntos segunda: a lógica social do retorno aos fundamentos da nossadepara situação onde, com raras desenvolvimentismo foi catastrófica, história, recalcados ou não. Históriaexceções, os novos estudos do passado com danos humanos irreparáveis; onde, em síntese, sempre estiveramestão apartados das pesquisas do terceira: malgrado as “resistências” e ligados negócio, exceção e miséria. Epresente, o debate local/nacional do paciência admiráveis das classes mentira, é claro. Neste caso, vale paradebate mundial, e o que se diz num populares, o Maranhão foi de fato as gerações “derrotadas” de hoje acampo quase nada ressoa no outro constituído por uma determinada retomada daqueles instantes e sujeitos(exemplos: a questão camponesa sobre história da modernidade e reconhecer que, de um modo ou outro, ajudem aa da cultura popular ou a política sobre isso não implica olhar para ela apenas vislumbrar caminhos alternativos oua religiosa). Em meio a “migalhas” de pelos seus dogmas (ao contrário, é pelo menos questionamentos efetivoshistórias que nada teriam a ver entre si, necessário narrá-la a contrapelo); aos projetos vencedores. Um estudiosoas poucas tentativas de gerar quarta: a população camponesa (onde sensível da História do Maranhão (e dopercepções mais amplas não muitos localizaram de boa fé fontes de Brasil) perceberá em João Franciscoconseguiram superar aquele tipo de projetos alternativos, inclusive no Lisboa (1812-1863) uma dessas figuras.obra coletiva onde cada “especialista” “campo” cultural e religioso com Ao analisar no Jornal de Timon,apresenta em artigos ou capítulos o que manifestações como boi-bumbá, na fase da configuração do programavale a pena ser sabido no “seu campo” tambor de crioula, casa das minas) provincial, a sua política a partir do(em geral propagado como em franca sofreu brutal processo de expulsão e crime ou “mal” e das suas formas deexpansão), sem que se vislumbrem extinção, origem das novas vidas encenação, o jornalista esperava darconexões ou possibilidade de reflexão “matáveis” nas cidades e outros conta dos temas a seguir: “o nascimentofora das visões compartimentadas e estados. Em suma, nesta esquina do e organização dos nossos partidos, a suaencurtadas. A “síntese”, quando mundo aprendemos (ou precisamos marcha, a sua queda e dissolução, asprocurada, não passa do título, reduzido aprender), sobretudo, que exclusões, as depurações, as ligas, asa slogan. modernização e radicalização social da cisões, as lutas do governo e da Enquanto isso, grande parte vai democracia são caminhos muitos oposição, os jornais, as circulares, aapenas tocando serviço e procurando se distintos. correspondência privada, os clubes, asajustar ou nadar do jeito que der a favor Voltando a Lisboa - Repensar tais procissões, os festins, as chapas, asda corrente. Mas à medida que nosso questões passa pela inserção criativa no listas, as urnas, as apurações, aretrovisor for se recompondo será debate mundial sobre as falsificação em todos os seus graus, apossível sentir (assim esperamos) o transformações contemporâneas, as calúnia e a injúria, a raiva e a violência,quanto aquele programa funcionou, no quais, até o momento apontam não o tumulto e a desordem, as vias de fato,fundo, como ilusão ou fantasmagoria para democracias efetivas, mas para o cacete, a pedra, e ainda, se tanto éobjetiva, ajudando a transpor ranços modalidades sofisticadas e assustadoras mister, o ferro e o fogo, rematando tudopassadistas. Uma alucinação a revestir a de controle social e desumanizador das pelas escolhas mais vergonhosas ehistória de um empreendimento que vidas. O típico “caboclo” motorizado e deploráveis, se é que a cousa sofre osob alguns aspectos (especialmente os conectado por parabólicas, mas sempre nome, e se escolhas se podem chamar oda violência e “irracionalidade”) pobre e precário, visto nas estradas, resultado de tantas infâmias, do puroextrapolaram os limites até de velhas e povoados e cidades do interior, sinaliza acaso, e do capricho.” Continuando: “Eboas categorias como as de para novas formas de dominação e como consequência destas paixões“acumulação primitiva” de Marx ou de “servidão por dívida”. São indícios de delirantes, destes ódios acesos e“capitalismo político” de Weber e cuja situação onde a natureza (terras, rios, travados pela peleja formal, aprodução permanente da tragédia matas) foi quase toda apropriada pelas degradação de todos os caracteres, anatural e humana surge nos seus fazendas ou outros tipos de negócios cobiça desordenada, a avidez dereversos: devastação da natureza, (como indicam as cercas quilométricas), distinções, a ambição de cargosmassacre e extermínio das populações em parte explorada e em muito maior elevados, o furto, o roubo, oindígenas, escravidão dos negros, parte mantida como pura reserva ou estelionato, os assassinatos, ascaçada e perseguição aos camponeses, meio de especulação, gerando a apostasias, as traições, a difamaçãoinferno e encarceramento urbano das sensação de que mesmo nas áreas mais erigida em sistema, a miséria realclasses populares e trabalhadoras nas antigas, lesadas por séculos de rebuçada por aparatosas ostentações, oPedrinhas da vida. ocupação e devastação, existam lugares horror ao trabalho e ao estudo, a
  6. 6. ignorância, a presunção”. Por fim: “Esta bem-te-vis e dos negros insurretos que é Grupos Políticos e Estruturaé a vida ordinária (ninguém pasme), liderados por figuras excepcionais como Oligárquica no Maranhão (1992). Dianteregular, ou normal, como se usa chamar Raimundo e Cosme, não parece lançar de diagnóstico tão implacável, produtoagora; mas para suavizar-lhe a ainda apelos ao Maranhão de agora? Se de análise lúcida, não obstante asmonotonia, e matizá-la, Tímon há de sim, quais? Do nosso canto, o quadro marcas de classe, o que fazer? Difícilachar amplos recursos em todo gênero das elites pintado por Lisboa sugere responder, mas acho que a construçãode opressões, nas demissões, nos linhas de fuga promissoras demais para da pauta positiva começaria não pelaprocessos, nos recrutamentos; virão terminar tombado como objeto de recusa, porém, sobretudo, pela volta adepois as revoltas, as rebeliões, as discursos comemorativos, praças e projetos como o do Jornal de Timon,guerras civis ou, melhor, sociais; as estátuas, provavelmente mirando ruminando-o nos seus avessos, pois nelerepressões sanguinolentas e reconhecimento e imortalidade pelos a sociedade aparece nos termos dainexoráveis, a impunidade, as anistias”. serviços prestados numa academia, política (na acepção liberal: eleições, universidade ou instituto quaisquer. No partidos) e não enquanto sua usina entanto, ao se retomar projetos como o geradora. Como a exceção assumiu do Jornal será necessário rever seu outras dimensões, o retorno implicaria ponto de chegada, pois o horizonte investigar o modo pelo qual essa atual não é mais o da formação nacional política, tal qual velho vampiro ou ou regional a partir da experiência saturno sedento, explorou as energias colonial. Em nossa opinião, isso implica dessa usina nos seus limites, recuperar em perspectiva ampla no principalmente das classes oprimidas, tempo e no espaço – nos termos de invertendo a ordem das coisas e uma verdadeira história da exceção - a produzindo a fantasmagoria, sem sua consciência crítica diante da dúvida nenhuma objetiva, da sua realidade local, indagando suas onipotência. Qüiproquó a ser possibilidades e limitações. desarmado para que a sociedade e suas Como dito, analisando o espírito formas de associações reapareçam das elites governantes, ele soube como espaço das multiplicidades e apanhar o problema do seu ethos subjetividades e, aí sim, “um dia”, possa criminoso na raiz. Atraído pela ser, além dos “muros descaídos” da compreensão dos costumes das classes história, “menos ilusão”. De que outro dominantes, especialmente das elites modo será se não assim? Flávio Soares diz que, “não é políticas, notou o quanto eram Certo de que a província não é preciso invocar teorias corrompidos e haviam se alastrado pelo para principiantes, uma coisa é internacionais para perceber a resto da população. O resultado era um imprescindível a quem se disponha, nas atualidade de João Lisboa e o tipo de sociedade moralmente sitiada, próximas décadas, a trilhar a longa rua ponto de partida ou trincheira onde a vida se apresentava restringida a de mão única chamada Maranhão e recalques e sublimações de misérias e onde não são poucas as razões para a singular que ele estabeleceu para a vícios, inclusive através das expressões “vergonha de ser um homem”: a crítica, longe de qualquer culturais e estéticas. Nela, a violência compreensão de que novos conceitos, complacência”. (Foto de João imediata, mais anárquica, da exceção propostas e modos de agir, sejam quais Lisboa) tendia a predominar sobre a oscilação forem, precisam funcionar como entre o legal e o ilegal, radicalizando o máquinas de guerra em zonas cinzentas. O leitor do Jornal verá o quanto “mal” sem o contraponto “dialético” Isto é, como conceitos e formas de açãofoi cumprido á risca tal proposta de forte do bem. Diante disso, como que, dialéticos ou não, mantenham oexposição da normalidade e mestre na província, ao anotar grande pensamento vivo e criativo, atualizemanormalidade da vida política parte do jogo pelo qual, sem mais, a projetos alternativos virtualmenteprovinciana aos seus contemporâneos. civilização resulta em barbárie, o existentes nas multidões e abram novosNão é preciso invocar teorias progresso na destruição, a lei no crime, horizontes de expectativas. Em suma,internacionais para perceber a Francisco Lisboa chegou ao sentimento categorias independentes do controleatualidade de João Lisboa e o ponto de dramático do impasse decorrente das midiático e calhorda (essa é a palavra)partida ou trincheira singular que ele semelhanças profundas entre situação e dos grupos de poder hegemônicos, paraestabeleceu para a crítica, longe de oposição e da impotência da “patuléia”. lembrar o alerta de Walter Benjaminqualquer complacência. Ao lê-lo somos Ou seja, à percepção de que dentro do sobre o uso que o fascismo fez doassaltados pelo estranho presságio de programa mencionado (leia-se: conceito de progresso. Pois, como tigresque ao avançarmos rumo aos horizontes MARANHÃO) eram praticamente nulas ou serpentes famintas, tais classesde expectativas do Maranhão Novo, as possibilidades de novos usos para as vivem à espreita das ideias novas pararegredimos, mais que aos tempos da classes de baixo (além dos indicados), reterem em suas garras ou anéis e, comRepública Velha, aos espaços de mas também para o reformismo elas, se perpetuarem no mando,experiência da antiga Província do ilustrado de alguns segmentos das elites sujeitando massas interessadamenteNorte. A impressão do encontro sinistro dirigentes. servis à espera da salvação. Ou será queentre vivos e mortos, entre últimas e Talvez intervenções neutras do não?primeiras gerações, justifica um enigma poder central pudessem alterar alguma coisa? O tempo indicou que nem assim, *crucial a ser decifrado: esse Maranhão Ensaio publicado no Jornal Vias de Fato,que é tanto o dos poderes oligárquicos dada as conexões umbilicais das edição janeiro 2012.bárbaros e dos seus delírios atenienses oligarquias com esse poder, como † Flávio Soares é professor da UFMA.quanto o do Timon, o da guerra dos mostrou Flávio Reis no estudo magistral

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