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Nova classe média ou nova classe trabalhadora?

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Nova classe média ou nova classe trabalhadora?

  1. 1. CONT R A-CORRENTE A análise da conjuntura econômica na visão e linguagem do sindicalismo classista e dos movimentos sociais Boletim quinzenal de conjuntura econômica do ILAESE Ano 02, N° 30 - 15 de Novembro de 2012 Nova classe média ou nova classe trabalhadora?Desde 2004, cerca de 20 milhões de brasileiros saíram da situação de pobreza. De fato, são números positivos e expressivos. Mas expressam o quê? por Daniel Romero Segundo o governo, É evidente que, com tral é responder à seguintesignificam que o Brasil se uma renda tão baixa, o ter- questão: o Brasil se tor-tornou um país de classe mo classe média é ques- nou um país mais justomédia, classe que contaria tionável e tem um forte socialmente nos últimoscom mais de 95 milhões apelo demagógico. 10 anos?de pessoas, corresponden- Mesmo forçando as Nesta quinzena, va-do a um pouco mais de cores nos nomes, houve mos analisar a tese da50% da população. expansão da renda dos “Nova Classe Média”. Recentemente o go- setores mais pobres e é O que é e quem é averno, por meio da Secre- esta dinâmica que vale a classe média? Quais ostaria de Assuntos Estraté- pena ser analisada. critérios utilizados pelogicos (SAE), estabeleceu Em função disso, governo para definí-la?uma classificação oficial o Contra-corrente inicia Qual a sua relaçãodas classes de renda no com este boletim uma sé- com o restante da classeBrasil. rie de três materiais sobre trabalhadora? Em valores atuais, a a Política salarial nos go- A suposta nova classeclasse média teria renda vernos Lula e Dilma e mo- média significa mudançasfamiliar per capita entre bilidade social no Brasil. estruturais nas relaçõesR$ 291 e R$ 1.019. Nosso propósito cen- entre capital e trabalho?
  2. 2. Ano 02, N° 30 - 15 de Novembro de 2012 CONT RA-CORRENTE 02 Salário Quem (não) é Deputado Federal e Senador a classe média R$ 26.700 Uma pessoa que vive com um salário mínimo pode ser considerada de classe mé- dia? Para o governo brasileiro, a partir de agora pode.A Secretaria de As- Igualmente absurdo a população em duas. Este suntos Estratégi- é imaginar que os profes- valor é de R$440. cos (SAE), órgão sores das redes estaduais Isso significa queligado à Presidência, e municipais, que estão 50% da população pos-recém lançou uma classi- fazendo greve no Brasil suem renda familiar perficação oficial das classes inteiro para conseguir a capita inferior a R$440 ede renda no Brasil. implementação do Piso 50% possuem renda supe- Os absurdos saltam Nacional, seriam consi- rior a este valor.à vista imediatamente. A derados de classe alta pelo O problema é que,classificação do governo governo. com este critério, o da me-é errada conceitualmente, Isso ocorre porque a diana, por definição prati-claramente demagógica e classificação das classes camente todos os paísesdistorce a realidade social. de renda do governo parte seriam de classe média, do Quem ganha um sa- de um “erro” básico. Haiti à Suíça, só mudandolário mínimo pertenceria Segundo a SAE, a a faixa de renda.à classe média, mesmo classe média foi estabe- Como se vê, tal clas-que este valor equivalha lecida a partir da mediana sificação esconde mais doatualmente a apenas duas das rendas. Ou seja, a que revela sobre a reali-cestas básicas. partir da renda que divide dade brasileira. Classe Alta Salário Renda a partir de Mínimo R$ 1.019 per capita Necessário Piso Na- R$ 2.616 cional do (DIEESE)* Classe Média Professor Renda entre R$ 291 e R$ 1.451 Salário R$ 1.019 per capita Mínimo R$ 622 *Renda para Classe Baixa atender as necessidades de dois adul- Renda até R$ 291 tos e duas per capita crianças.
  3. 3. Ano 02, N° 30 - 15 de Novembro de 2012 CONT RA-CORRENTE 03 O que é a classe média? É evidente que a renda tem um peso importante para a definição da classe média, mas ela não é suficiente. A classe média não se define pela quantidade de carros, TVs ou banheiros. As classes médias rias conseguiu reajustessão aquelas que, mesmo Elementos que contribuíram salariais superiores à in-sem comporem as grandes para a elevação da renda (2001-2011) flação.classes proprietárias, pois Trabalho 76 % Alta burguesia: umacontinuam vivendo do seu classe invisível Previdência 21 %próprio trabalho, se dife- Ainda assim, esta- Bolsa Família 3%renciam das outras frações mos muito longe de ser-da classe trabalhadora por mos um país de classe Fonte: IPEA. “A Década Inclusiva” in: Comunicados do IPEA no. 155.terem acesso a um recurso Setembro de 2012. pp. 32. Elaboração ILAESE. média.escasso, podendo ser mo- A concentração denetário, de prestígio social renda no Brasil é tão brutalou de poder político. Nos países muito in- pobres teriam passado de que a famosa mensagem Em países muito justos sociamente, a classe 48% em 2001 para 34% do Ocupe Wall Street, dedesiguais, como o Brasil, média é a fração da classe em 2009. que os trabalhadores sãoo simples acesso ao en- trabalhadora que escapou Segundo o IPEA, 99% da população, não ésino superior já promove da barbárie social e que é muito mais do que os pro- suficiente para expressar auma grande diferenciação fundamental para o fun- gramas sociais, foi a renda realidade brasileira.social e é justamente ele cionamento do Estado e do trabalho a responsável A grande burguesiaque tem sido a base da reprodução das relações por esse processo (vide ta- no Brasil representa bemformação das classes mé- de trabalho. bela). menos de 1%.dias no país: contingentes Ascensão social Isso foi possibi- Podemos ver isso pe-de médicos, advogados, na última década litado pelo crescimento los ganhos de quem têmarquitetos e outros profis- À parte a demagogia econômico que, por sua as maiores rendas: aquelesionais liberais; engenhei- dos rótulos, houve um vez, contribuiu para o au- que ganha R$ 1.615, umros, segmentos do serviço processo de mobilidade mento da formalização do pouco acima do Piso dopúblico, trabalhadores de social ascendente dos trabalho, a redução do de- Professor, já está entre osescritório e outros assala- setores mais pauperizados semprego e pelos ganhos 10% com maior renda.riados de nível superior na última década no Brasil reais do salário mínimo. E mesmo quandoetc. e é isto que vale a pena ser Não se pode subes- selecionamos a renda do Como é de se esperar analisado. timar, também, o papel 1% mais “rico”, nela se-na sociedade capitalista, a Aquilo que o gover- que a organização sindical guramente fazem parteclasse média não é efe- no chama de nova classe teve neste momento. pessoas que vivem do seutivamente a média dos média representava 38% O cenário acima es- próprio trabalho, pois arendimentos, mas um da população em 2001, tabeleceu condições mais renda destes começa emespaço de exclusão e de passou para 49% em 2009 favoráveis de negociação, R$ 11.000, valor aindadiferenciação social jus- e estima-se que são 54% de modo que na segunda muito distante do estilo detamente dos setores ma- em 2012. metade da década passa- vida de “Eikes Batistas ejoritários. Ao mesmo tempo, os da, a maioria das catego- Daniel Dantas”.
  4. 4. Ano 02, N° 30 - 15 de Novembro de 2012 CONT RA-CORRENTE 04Redução da desigualdade à brasileira A expansão da renda dos mais pobres foi combinada com a precarização dos menos pobresE mbora tenha ha- mente perderam comple- nal, como metalúrgicos, do PT. vido expansão da tamente este perfil. eletricitários e petroleiros, O debate sobre a renda dos mais po- Bancários, servi- também estão sujeitos ao “nova classe média” tembres, também estamos vi- dores públicos, profes- mesmo processo de pre- um significado mais pro-vendo o processo inverso: sores universitários e carização das condições fundo, para além da ma-setores que até então seri- engenheiros vivem uma de trabalho e renda. nipulação grosseira dosam considerados de classe mobilidade social descen- Ampliação precária da seus rótulos.média estão se assalari- dente, principalmente em classe trabalhadora Seu problema nãoando, pauperizando-se e relação à jornada exces- Ao invés de nova está onde ela começa, masperdendo prestígio social. siva e condições de tra- classe média, estamos vi- onde termina. Pois é neste E setores da classe balho. vendo um processo com- momento que o governotrabalhadora até então Por fim, categorias plexo de ampliação da dá um recado ao trabalho:com mais proteção social, que tradicionalmente não classe trabalhadora. “daqui não passarás!”.estão mais vulneráveis. são consideradas de classe Uma ampliação sob É também uma É o caso de pro- média em função do pre- o signo da precariedade e promessa ao capital. Feliz-fissões que, de tradicio- conceito social, mas que do sobretrabalho, é nisso mente, bem sabemos quenalmente autônomas, cada obtiveram rendimentos que se resumiu o projeto governos não são bons emvez mais estão submetidas superiores à media nacio- de transformação social cumprir promessas.ao assalariamento, comjornada de trabalho pré-estabelecida e relações detrabalho hierarquizadas. Esta situação é cadavez mais comum entremédicos, advogados, den-tistas e arquitetos. O mesmo ocorrecom trabalhos assalaria-dos que, há algumas déca-das, eram sinônimos deproteção social e barreiracontra à precarização dotrabalho, mas que atual- Fonte: IPEA. “A Década inclusiva (2001-2011): Desigualdade, Pobreza e Políticas de Renda” In: Comunica- dos do IPEA, no. 155 (Setembro de 2012), pp. 25. Elaboração e correção pela inflação do período: ILAESE.EXPEDIENTECoordenação Nacional do ILAESE: Cristiano Monteiro, Daniel Romero, Érika Andreassy, Luci Praun, Nando Poeta e Nazareno Go-deiro. Contato: Praça Padre Manuel da Nóbrega, 16 - 4º andar. Sé - São Paulo–SP. CEP: 01015-000 - (11) 7552-0659 - ilaese@ilaese.org.br - www.ilaese.org.br. CNPJ 05.844.658/0001-01. Atividade Principal 91.99-5-00. Contra-corrente é uma publicação quinzenalelaborada pelo ILAESE para os sindicatos, oposições sindicais e movimentos sociais. Editor responsável: Daniel Romero.

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