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Literatura infanto-juvenil: percurso Profa. Dr. Maria Eneida Matos da Rosa
Origens  Sabe-se que faz parte da literatura infantil as histórias e os poemas que, ao longo dos tempos, seduzem e cativam a criança, embora às vezes não seja destinada ao público infantil. Obs.: O livro  Robinson Crusoé , de Daniel Defoe é um exemplo.
Segundo Regina Zilberman (1990),  Sempre que examinada historicamente a questão relativa à literatura infantil e leitura, constata-se que a ênfase na forma literária ocorreu simultaneamente à difusão de uma política de alfabetização em massa, a partir do século 18.
Zilberman assevera que Ambos os processos resultaram de um fenômeno mais geral, cujo desdobramento caracteriza a civilização contemporânea desde então. São estes alguns de seus ângulos: a) a instalação plena da revolução industrial e o consequente crescimento da economia capitalista.
b) a configuração de novas classes sociais, como a burguesia composta de industriais, financistas, profissionais liberais e comerciantes; o proletariado constituído de mão-de-obra disponível para a indústria; e um grupo intermediário, a pequena burguesia formada de funcionários e outros trabalhadores que prestavam serviços.
c) a expansão da vida urbana; d) a difusão do ideário democrático e liberal, promulgado sobretudo pela camada burguesa; e) a consolidação de uma estrutura familiar ciosa de sua privacidade e da manutenção dos laços afetivos internos, através do estímulo às relações solidárias e amistosas entre marido e mulher e entre pais e filhos.
Zilberman destaca que “antes de mais nada, cumpre lembrar que o livro foi o primeiro objeto produzido industrialmente, em grande quantidade e segundo a divisão do trabalho”; Supõe-se pela ordem, um autor, um editor, um tipógrafo e um revisor, acrescentado-se as pessoas incumbidas de sua comercialização.
Zilberman fala ainda que o livro para a infância assumiu, desde sua origem, uma personalidade educativa. Ao invés de lúdico adotou uma postura pedagógica, englobando valores e normas do mundo adulto para transmiti-las às crianças; O ludismo, porque condenado como escapista e fantasioso, foi banido para obras sem maior importância e de livre trânsito entre as camadas populares (p. 100).
A literatura infantil confundiu-se com a própria escola; O livro tornou-se um simulacro da escola, por ensinar sempre uma atitude ou um saber à criança; e conformou-se em atuar como um instrumento do ensino, ao ser introduzido na sala de aula na forma simulada do livro didático;
f) a reforma da escola, tendo sido estimulada a formação pessoal, através da valorização do domínio da leitura e escrita, assim como da apropriação de conhecimentos intelectuais, segmentados e organizados nuclearmente em torno de disciplinas várias.
A relevância do leitor Para Zilberman, “é pelo exercício do ato de ler que se singulariza o leitor, e este se torna tanto mais saliente, quanto mais pessoal for seu procedimento no desempenho daquela atividade. Todavia, esta não transcorre de modo espontâneo, já que cada pessoa carrega consigo os juízos que introjetou ao longo de sua formação, para a qual contribui decisivamente a escola, pois foi ela que o converteu num leitor”(p. 103).
A literatura infantil na escola -  Zilberman Segundo a estudiosa, a relações da escola com a vida são de contrariedade: ela nega o social , para introduzir, em seu lugar, o normativo. Inverte o processo verdadeiro com que o indivíduo vivencia o mundo, de modo que não são discutidos, nem questionados, os conflitos que persistem no plano coletivo;
Ao omitir o social a escola se converte num dos veículos mais bem-sucedidos da educação burguesa; A escola deixa de ser neutra; “ A escola comporta-se, pois. Como uma das instituições encarregadas da conquista de todo jovem para a ideologia que a sustenta, por ser a que suporta o funcionamento do Estado e da sociedade” (Zilberman, 2003: 22).
Referências  ZILBERMAN , Regina. A literatura infantil na escola. 11ª.ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Global, 2004.  KHEDÉ, Sônia Salomão (org.).  Literatura infanto-juvenil : um gênero polêmico. Porto Alegre: Mercado Aberto,1986. SILVA, Ezequiel Theodoro da e ZILBERMAN, Regina. Literatura e Pedagogia: contra e contraponto. Ed. Global. 2008. ZILBERMAN , Regina. Como e por que ler a literatura infantil brasileira. Ed. Objetiva, 2005. ______ (org.).   A produção cultural para a criança.  4. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto,1990.

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Percurso lit infanto

  • 1. Literatura infanto-juvenil: percurso Profa. Dr. Maria Eneida Matos da Rosa
  • 2. Origens Sabe-se que faz parte da literatura infantil as histórias e os poemas que, ao longo dos tempos, seduzem e cativam a criança, embora às vezes não seja destinada ao público infantil. Obs.: O livro Robinson Crusoé , de Daniel Defoe é um exemplo.
  • 3. Segundo Regina Zilberman (1990), Sempre que examinada historicamente a questão relativa à literatura infantil e leitura, constata-se que a ênfase na forma literária ocorreu simultaneamente à difusão de uma política de alfabetização em massa, a partir do século 18.
  • 4. Zilberman assevera que Ambos os processos resultaram de um fenômeno mais geral, cujo desdobramento caracteriza a civilização contemporânea desde então. São estes alguns de seus ângulos: a) a instalação plena da revolução industrial e o consequente crescimento da economia capitalista.
  • 5. b) a configuração de novas classes sociais, como a burguesia composta de industriais, financistas, profissionais liberais e comerciantes; o proletariado constituído de mão-de-obra disponível para a indústria; e um grupo intermediário, a pequena burguesia formada de funcionários e outros trabalhadores que prestavam serviços.
  • 6. c) a expansão da vida urbana; d) a difusão do ideário democrático e liberal, promulgado sobretudo pela camada burguesa; e) a consolidação de uma estrutura familiar ciosa de sua privacidade e da manutenção dos laços afetivos internos, através do estímulo às relações solidárias e amistosas entre marido e mulher e entre pais e filhos.
  • 7. Zilberman destaca que “antes de mais nada, cumpre lembrar que o livro foi o primeiro objeto produzido industrialmente, em grande quantidade e segundo a divisão do trabalho”; Supõe-se pela ordem, um autor, um editor, um tipógrafo e um revisor, acrescentado-se as pessoas incumbidas de sua comercialização.
  • 8. Zilberman fala ainda que o livro para a infância assumiu, desde sua origem, uma personalidade educativa. Ao invés de lúdico adotou uma postura pedagógica, englobando valores e normas do mundo adulto para transmiti-las às crianças; O ludismo, porque condenado como escapista e fantasioso, foi banido para obras sem maior importância e de livre trânsito entre as camadas populares (p. 100).
  • 9. A literatura infantil confundiu-se com a própria escola; O livro tornou-se um simulacro da escola, por ensinar sempre uma atitude ou um saber à criança; e conformou-se em atuar como um instrumento do ensino, ao ser introduzido na sala de aula na forma simulada do livro didático;
  • 10. f) a reforma da escola, tendo sido estimulada a formação pessoal, através da valorização do domínio da leitura e escrita, assim como da apropriação de conhecimentos intelectuais, segmentados e organizados nuclearmente em torno de disciplinas várias.
  • 11. A relevância do leitor Para Zilberman, “é pelo exercício do ato de ler que se singulariza o leitor, e este se torna tanto mais saliente, quanto mais pessoal for seu procedimento no desempenho daquela atividade. Todavia, esta não transcorre de modo espontâneo, já que cada pessoa carrega consigo os juízos que introjetou ao longo de sua formação, para a qual contribui decisivamente a escola, pois foi ela que o converteu num leitor”(p. 103).
  • 12. A literatura infantil na escola - Zilberman Segundo a estudiosa, a relações da escola com a vida são de contrariedade: ela nega o social , para introduzir, em seu lugar, o normativo. Inverte o processo verdadeiro com que o indivíduo vivencia o mundo, de modo que não são discutidos, nem questionados, os conflitos que persistem no plano coletivo;
  • 13. Ao omitir o social a escola se converte num dos veículos mais bem-sucedidos da educação burguesa; A escola deixa de ser neutra; “ A escola comporta-se, pois. Como uma das instituições encarregadas da conquista de todo jovem para a ideologia que a sustenta, por ser a que suporta o funcionamento do Estado e da sociedade” (Zilberman, 2003: 22).
  • 14. Referências ZILBERMAN , Regina. A literatura infantil na escola. 11ª.ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Global, 2004. KHEDÉ, Sônia Salomão (org.). Literatura infanto-juvenil : um gênero polêmico. Porto Alegre: Mercado Aberto,1986. SILVA, Ezequiel Theodoro da e ZILBERMAN, Regina. Literatura e Pedagogia: contra e contraponto. Ed. Global. 2008. ZILBERMAN , Regina. Como e por que ler a literatura infantil brasileira. Ed. Objetiva, 2005. ______ (org.). A produção cultural para a criança. 4. ed. Porto Alegre: Mercado Aberto,1990.