Responsabilidade social e as empresas do futuro

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Artigo de opinião em que sou co-autor: “Responsabilidade social e as empresas do futuro”, na revista Marketeer, fevereiro de 2012.
A responsabilidade social das empresas assenta numa "equação" com três aspectos fundamentais: a responsabilidade social empresarial, a cidadania empresarial e o voluntariado empresarial.
Como é que isso acontece!? O artigo desenvolve o tema.

O texto foi escrito no âmbito da publicação do livro “Responsabilidade Social em Portugal”, edições Bnomics, junho de 2011, do qual sou co-autor.

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Responsabilidade social e as empresas do futuro

  1. 1. SustentabilidadeEstudos88 Marketeer n.º 187, Fevereiro de 2012 Responsabilidadesocial e asempresasdo futuro
  2. 2. 89 Marketeer n.º 187, Fevereiro de 2012 O director executivo para o Pacto Globaldas Nações Unidas (ONU), Georg Kell, afirmourecentemente que «[Com a crise] o compro-misso filantrópico da Humanidade diminuiuno que se refere a doações de dinheiro. Mas ocompromisso estratégico de responsabilidadecorporativa aumentou, porque é visto comoparte da agenda de risco. Isso é visto comoparte da questão de lidar com a incerteza».Assistimos, assim, à procura de um novo mo-delo de negócio por parte das empresas, quese adapte ao actual contexto socioeconómicode grande instabilidade. Estamos perante ummomento histórico que exige uma profundareflexão sobre os valores que geraram a nos-sa civilização. A situação actual leva-nos a teruma maior consciência e responsabilidade so-cial, enquanto cidadãos e empresas. Mas, afi-nal, o que é responsabilidade social!? Trata-seda gestão empresarial que se rege pela ética etransparência das empresas com as suas par-tes interessadas, definindo objectivos empre-sariais em que o desenvolvimento sustentávelda sociedade está integrado, não descurandoa preservação dos recursos ambientais e cul-turais, respeitando assim as gerações futuras,contribuindo igualmente para a diminuiçãode assimetrias socioeconómicas.Valores que assentam na solidariedade par-tilhada são a base de edificação do nosso carác-ter e de uma sociedade com maior equidade.Uma empresa tem como objectivo gerarvalor e isso implica a legítima obtenção delucro. Mas quem cria esse lucro? Sem dúvi-da que a resposta passa pelo capital humano,quer ao nível interno, quer ao nível externo.A responsabilidade social das empresasassenta fundamentalmente numa “equação”com três aspectos fundamentais: a respon-sabilidade social empresarial, a cidadaniaempresarial e o voluntariado empresarial.A responsabilidade social empresarialdiz respeito às necessidades dos colabora-dores da empresa, que devem ser assegura-das, tais como a formação, a assistência nasaúde, entre outros aspectos relevantes. Aresponsabilidade social começa “dentro” daempresa. Para além do seu ordenado, os co-laboradores devem ter compensações não--monetárias, que são uma mais-valia na suaqualidade de vida, funcionando igualmentecomo uma motivação extra no seu desempe-nho profissional.A cidadania empresarial, ou seja, a ges-tão das relações com as partes interessadas(colaboradores, clientes, sociedade e ou-tros), baseada na ética, transparência e res-peito, é fundamental para que uma empresapossa ambicionar criar valor num mercadocada vez mais competitivo e exigente. Estapassa, por exemplo, pelo estabelecimento deum compromisso com a sociedade, contri-buindo para a construção e desenvolvimen-to desta, e de forma sustentável. A culturade “Pensar Global, Agir Local”, iniciada em1992 com a “Conferência do Rio”, é já umarealidade: a colocação de trabalhadores resi-dentes na área de implementação da empre-sa, o aproveitar de recursos locais, são umaforma de gestão mais responsável e susten-tável, reduzindo impactos, e criando simul-taneamente valor na comunidade local, re-duzindo assim a exclusão social, bem comoas assimetrias socioeconómicas. Em algumaszonas do nosso país podemos comprovar opapel vital que as empresas locais têm para aA responsabilidadesocial dasempresas assentafundamentalmentenuma “equação”com três aspectosfundamentais: aresponsabilidadesocial empresarial, acidadania empresariale o voluntariadoempresarialAna Margarida Inácio, Marta Fonte e Tiago GouveiaAlunos do IPAN com o apoio do Mestre Joaquim Caetano©IngImage.com/AIC
  3. 3. SustentabilidadeEstudos90 Marketeer n.º 187, Fevereiro de 2012 sustentabilidade socioeconómica da região.A empresa deve igualmente promoveruma atitude socialmente responsável nosseus colaboradores, desenvolvendo acçõesde voluntariado empresarial, envolvendo--se com a sociedade. Já não basta falar queexiste preocupação e vontade de mudança,“arregaçar as mangas” e ir para o terreno,colocando colaboradores ao serviço da so-ciedade, é uma mais-valia para todos. Oscolaboradores que praticam voluntariado fi-carão sem dúvida com uma “nova” visão domundo e mais “sensíveis” às necessidades dasociedade. O número de horas disponibili-zadas para o voluntariado no horário laboralvaria consoante a empresa. Só se deve con-siderar socialmente responsável a empresaque integre na sua cultura empresarial ostrês pilares – responsabilidade social empre-sarial, cidadania empresarial e voluntariadoempresarial, numa lógica de continuidade emelhoria contínua. E até mesmo as exigên-cias do consumidor são cada vez maiores noque respeita à sustentabilidade, segundo umestudo apresentado no ano passado, pelaHavas Media: “Quanto mais sustentável foruma marca, quanto maior valor tiver para aspessoas, sociedade e planeta, mais significa-do passará a ter para os consumidores.”Em Portugal já existem algumas empre-sas que têm no seu ADN a responsabilidadesocial, em que esta é transversal a toda a or-ganização, havendo um compromisso com asociedade e com os cidadãos na construçãode uma sociedade mais equilibrada social,ambiental e economicamente.Por fim, sublinhamos o facto de actual-mente assistirmos a uma mudança de para-digma no ciclo de vida humano, ou seja, apopulação idosa está em franco crescimen-to e a esperança média de vida em Portugalaproxima-se dos 80 anos de idade. Vivemosmais tempo e temos mais qualidade de vida.De acordo com um estudo realizado pelaUniversidade de Lisboa e o Instituto do En-velhecimento, coordenado pela Dr.ª LuísaLima (ISCTE-IUL), em Portugal, ao contráriodos restantes países europeus, a discrimina-ção por idades é mais frequente contra osidosos do que contra os jovens. Desta formaimpõe-se às organizações o desafio de me-lhor aproveitar o potencial das pessoas maisvelhas como contributo útil para a sociedadee a economia.Temos uma vasta população de pessoascom idade igual ou superior a 65 anos, aptasa desenvolver algo que trará mais-valias àsociedade, mas não estamos preparados paralidar com isso. A Comissão Europeia nomeou2012 como o Ano Europeu do Envelhecimen-to Activo e da Solidariedade entre Gerações.Um novo público está a emergir rapidamente- os Seniores. De que modo as empresas emPortugal e na Europa vão lidar com este novoparadigma social!? Aguardam-se respostas einiciativas em 2012.Já não basta falar que existe preo-cupação e vontade de mudança,“arregaçar as mangas” e ir para oterreno, colocando colaboradores aoserviço da sociedade, é uma mais--valia para todos. Os colaboradoresque praticam voluntariado ficarãosem dúvida com uma “nova” visãodo mundo e mais “sensíveis” àsnecessidades da sociedade.

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