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O.que.e.urbanismo.aj.goncalves.jr.aurelio.sant.ana.frederico.carstens.rossano.fleith

  1. 1. 1É'80l1991 - chegando aos 250 titulos mais de 6 milhões de exemplares vendidos Com a ajuda de fotos, plantas e ilustracôes. _ O que é Urbanismo discute as lransformações por que passaram as cidades desde a Roma antiga até as metrópoles atuais. Apoiado no urbanismo mais moderno. que incorpora elementos da ciência avançada. o livro esboça tambem . .s contornos da cidade do futuro: “uma cidade totalmente integrada à natureza_ sem aglomerações. onde o contato fisico sera substituido pelo contato informacional”. Áreas de interesse: Arquiietura_ Urbanismo, História. Sociologia 0801047456 llllllllllllllll Illlllll i brasílíens . .1 ÍEHUMÊF Economia Pnlírim d¡ Urbanização Paul S¡ ngcr São Paulo: Crise e Mudança Documento Vários SioPaulo: Trabalhar r Vivo: “Num” (Jaldclm Bram (org. ) A Sociedade Informática : lr conseqüência. : A¡ : :ganda revolução irzdrumlcz/ Adam Schin? lSBN: B5~11-01246-X Coleção Primeixos Passos O que ê Arquitetura Carlos A. (j, Lemos O que é Cidade Raquel Rolník O que: é Geografia Ru)- Murcim O que ê Trânsito Eduardo A. Vasconcelos O que ê Trans-pow: Urbano Charles L. Wright m¡ d¡ g. É¡ o: ; É 'is “í É. .62 É. CS “i 71 ' Q: Oñçãllvtzrâ Jr. . Aurelio Sant'Anna, É' 56 ; rico Carstens, Rossano Fleith ¡, ._ o QUE E URBANISMO gi Número rlz; izmmaua Antonio José Gonçalves . lr. i Aurélio Sant'Anna Rossana Lucio Fleith f* o QUE É URBANISMO editora brasiliense Gigas. . .u r: m3, Frederico R. S. B. Cnrstens “FV-im 'l' n
  2. 2. .: l'“'*4'-"" Copyñghf (c) by dos autores. 1990 Nenhuma parte desta publicação pode ser mamada, armazenada em sistemas eletrôniros, ,folocnpíada. reproduzida por : meios mecânicos ou outros quuisqucr sem autorização nrñxrirz do editor. ÍSBN: 35-11-01246-X Primeira edição. 1993' Preparar-ão de originais. - lmh' Antonin e Roãwnum C_ ¡Machado Ret-iam; Carmem T S. Costa e Ana Maria : Mendes: Barbosa (Tapa: Luciano Passou 'ã . B EDHORA BRASILIENSE S-"A RUA AlRl, 22 ~ TATUAPÉ (Ji-ZP 033104110 - são_ PALJLO~SP TFI FFO. E E FAX: íüxxl Í: : 218-1488 LY-Ihêlll lamsiIieziseerlítcí-uol. combr bonus page: mwizcditorebrnsiIicnsextnrnbr brasílíe nr SUMÁRIO Um turbilhão de complexidades . . . . . 7 Cidade: passado, presenteefuturo . . . 12 Urbanismo: espaçoesociedade . . . . . 20 O urbanismo moderno e a civilização industrial . . . . . . . . . . . 26 Acrílica ao urbanismo moderno . . . . . 48 Por um novo urbanismo: acidadedofuturo 59 indicações para leitura . . . . . . . . . . 69 UM TURBILHÃO DE COMPLEXIDADES Milhões de pessoas, em milhares de cida- des, acordam diariamente a bordo de um gi- gantesco carrossel: filas, ônibus, semáforos, buzinas, engarraiamentos, pressa, relógio, ira- balho, elevador, compra, vende, tome, almoço, sanduíche, jornal, conversa, cafezinho, olha- res. cobiça, criança, escola, pára, anda, faróis, novela, família, contas, amor, sonhos; e no dia seguinte. .. tudo de novo. Assim gira a cidade, num enorme turbilhão de complexidades. Em suas entranhas existe, subterrânea, uma outra cidade de tubos, ca-
  3. 3. 8 Carstens. Fieilh, (íonçalve-. r, . Sant'anna bos e túneis - os sistemas tecnológicos que a sustentam, que são as raízes da floresta de concreto. Mas até onde vão seus limites? Limites que penetram no solo, disputam as fronteiras com os campos e cortam o céu com “espigões” que se perdem na bruma de fumaça que ela mesma gerou. Quando pensamos na idéia de “cidade”, várias imagens nos vêm à mente: a agitação e a correria dos grandes centros urbanos, uma rua supermovímentada onde_ se amontoam veículos em engarrafamentos, uma visão aé- rea com centenas de edificios, a imagem de um parque industrial imerso num Iago de lu- maça, a lembrança de uma passeata de tra- balhadores etc. Dessas imagens podemos extrair a carac- teristica que, para a maioria das pessoas, as- socia-se imediatamente à “cidade”, ou seja, a aglomeração de pessoas e construções num mesmo espaço. Aprotundando-nos um pouco mais, percebemos que essas imagens intuiti- vas revelam também outros aspectos. como u¡ Cars-rent, Flcith, Gonçalves, Sant'anna Normalmente, associa-se o «urbanismo ape- nas às intervençõesconcretas no espaço das cidades, tais como a abertura de ruas, a cons- trução de parques e praças. a organização do tráfego de veículos, o planeiamento de um sis- tema de metrôs etc. No entanto, para toda intervenção concreta do urbanismo, uma am- pla análise da cidade e das relações que nela se travam deve ser feita, envolvendo o conhe- cimento de todo o seu intrincado “funciona- mento”. Assim, cria-se o corpo teórico que subsidiará as termas , de atuação no seu espa- ço. Isso é necessário para adaptar as interven- ções à realidade e controlar os impactos que irão provocar. Estudando a cidade, o urbanismo procura orientar as atividades e relações que nela se desenrolam, sejam as mais imediatas - a al- tura dos edifícios, as linhas de ônibus, a loca- lização das escolas e hospitais ou os sistemas de água e esgoto -, sejam as_ mais comple- xas, como a solução mais adequada a deter- minada comunidade que tem peculiaridades culturais e sociais, ou o questionamento da _gas_ (J que é Urlmnisrnr: 9 comportamento cultural, formas de ocupação do espaço. sistemas de produção, conflitos so- ciais etc. Verificamos que a cidade é muito mais que um simples conjunto de elementos visuais e palpáveis (pessoas, construções etc), mas também um complexo conjunto de relações que se estabelece entre esses elementos, compondo o carrossel de nosso cotidiano. Nessas relações se define a "vida na cidade": o sistema econômico-político, com seus meca- nismos de troca e estrutura de poder; o com- portamento sociocultural, na geração e preser- vação do conhecimento etc. Mas como entender a cidade? Por que ela existe? Como, se organiza? Como administra-la? E como ela surgiu? Quando retletimos sobre essas questões, levantamos a problemática da cidade e nos vemos diante de um campo do conhecimento humano muito complexo e controverso: o “ur- banismo". ll O que é Urbanismo cidade como forma de organização da socie- dade. ' _ Tal como um iceberg, que na superficie revela apenas uma tração de sua verdadeira dimensão, o urbanismo revela, através de suas intervenções, apenas alguns de _seus aspectos. Em sua dimensão desconhecida e inexplorada, delineia-se uma das ciencias mais fascinantes e instigantes de nosso se- culo, que penetra tanto no íntimo de cada ln- divíduo como no âmago da estrutura da cidade e da civilização.
  4. 4. 0 que é Urbanismo 13 Cll)ADE: PASSADO, PRESENTE E FUTURO O termo “urbanismo”, segundo o estudioso Gaston Bardet, parece ter surgido em 1910 no Bulletin de la Societe' Geographrque de Neuf- chatel. Deriva-se do latim - urbe = cidade - e, etimologicamente falando, é o estudo ou compreensão da cidade. 315mm VIÁRIO PRlNclPAL e Urbe nãojoram sinônimas no k ^°UE°UT°6 mytmgggntjgo: cidade era a aglomeração das E Musas famílias e tribos; a urbe erao local sagrado e mo de reunião, o santuário destes povos. Floma . E] pgmcrwus ¡¡, ,,, .,«c, °s exemplifica uma urbe totalmente “planejada”. ' 14 Carstclrs, F Ieíxh, Gonçalves, Sant'anna O que. , é ¡_, r,b, ¡,¡¡_, m,, 15 r Desde o surgimento das primeiras comu- : nidades humanas, havia indícios de algum tipo de organização, para proteção ou estabeleci- mento da hierarquia de poder: um urbanismo l rudimentar. A definição clássica A detinição inicial da palavra urbanismo está diretamente ligada ao contexto social e histórico da época em que foi criada (ñns do século XIX e inicio do século XX), quando as atenções se voltavam para o fenômeno das grandes transformações das cidades européias. Enormes contingentes populacionais ru- rais dirigiam-se atônítos rumo às chaminés que brotavam nas velhas cidades, durante os séculos XVllI e XlX. Ao longo de décadas, as pessoas disputavam cada metro quadrado da Í cidade, convivendo com as mais trágicas con- i dições de vida. Como num formigueiro, aglo- i meravam-se ao redor das fábricas, ao longo 'l de ruas imundas, nas quais o esgoto, que cor- ria a céu aberto, e montanhas de lixo domina-
  5. 5. Corsi-tens, lileilh, Gonçalves, Sant 'anna vam a paisagem. Epidemias proliferavam sem controle, e as condições desumanas de traba- lho nas fábricas não mediam horas nem res- peitavam idade. As cidades com seus hábitos e caracteris- ticas seculares viam-se entregues à mais com- pleta desorganização física e social. Naquele momento, ficou claro que uma avassaladora transformação havia se processado na civili- zação, e as cidades do inicio do século - provas irrefutaveis de uma nova realidade - clamavam por medidas que as salvassem do C305. Diante da necessidade de se intervir no caos em que se havia transformado a vida urbana, surgiu uma nova ciência, que de início se limitou a fazer intervenções isoladas. O ur- banismo, nos seus primórdios, cuidou de dar soluções aos problemas originários dos fluxos migratórios (campo-cidade) e da aglomera- ção nos grandes centros. A visão clássica do que seja o urbanismo reflete-se na definição adotada por alguns au- tores para os termos urbanização, urbanismo e urbanificação. Caruaru, Fleitfi, Gonçalves, Sant'anna trando a formação de um novo conjunto de questões que os urbanistas do inicio do século sequer sonhavam pudesse vir a se apresentar: a informatização da sociedade, as taxas de crescimento negativas, cidades com diminui- ção de população nos países do primeiro mun- do etc. Um novo conceito Em busca de uma conceituação realmente abrangente, válida para o passado remoto e para o futuro, devemos esquecer as peculiari- dades de cada período histórico e nos encon- trar no que, é definitivamente a essência do urbanismo: as relações entre o espaço da ci- dade e a sociedade que nela vive. Sob esse enfoque, o urbanismo é o estu- do das relações entre determinada sociedade (cultura, tradição, poder, história. ..) e o espa- ço que a abriga (ruas, construções, limitações geográficas, ... ), bem como das formas de sua organização e intervenção sobre elas com de- terminado objetivo. . - _í_í%__í_ a. .- O que á Urbanismo Para eles, o urbanismo é uma técnica de planejamento urbano que visa disciplinar o crescimento oriundo das migrações (urbaniza- ção), atender a crescente demanda por infra- estrutura, serviços e abastecimento e melhorar a qualidade de vida. Já a urbanificaçãôconsistiria na concreti- zação das medidas apontadas pelo urbanismo. Atualmente, com o desenvolvimento do ur- banismo e a amplitude de suas áreas de atua- ção, existe uma infinidade de conceitos e in- terpretações, que ora se completam ora se contradizem, gerando polêmica em torno des- se assunto complexo. No entanto, apesar das diferenças, todos têm algo em comum: são derivações herdeiras dos primeiros conceitos do urbanismo. Por is- so, «ainda concentram seus esforços nos pro- blemas surgidos no inicio deste século (migra- ções, aglomerações, problemas sanitários etc. ). É claro que estes problemas existem em vários pontos do mundo, e o urbanismo não pode ignora-los. Porém, se analisarmos a rea- lidade atual, constataremos vários indícios mos- ---›-- ----- 7- -~_~. ,_. __à____ V. _ 0 que c' Urbanismo Esta visão destaca-se por seu dinamismo, adaptando-se à realidade ao longo do tempo, sem ser atropelada pela história. Logo, numa cidade sem crescimento po- pulacional, sem grandes fluxos migratórios, sem industrialização em larga escala - ou seja, sem as caracteristicas que tornaram o urbanismo uma ciência -, ainda assim o ur- banismo deve estar presente, pois na concei- tuação classica essas características são ape- nas aspectos de determinada e peculiar rela- ção entre espaço e sociedade. É fundamental, portanto, firmar a idéia de que o urbanismo "como ação" sempre existiu (mesmo antes do surgimento da palavra urba- nismo). As definições clássicas, formuladas no iní- cio do século XX, ainda hoje norteiam muitos profissionais do urbanismo, quando nem o espaço nem a sociedade são mais os mesmos. 19
  6. 6. URBANISMO: ESPAÇO E SOCIEDADE Em qualquer questão do urbanismo, da aber- tura de uma rua ao plano diretor de uma cida- de, estão sempre presentes dois elementos distintos: espaço e sociedade. Para entender urbanismo é importante, pois, conhecé-los e as relações que entre eles se estabelecem das mais variadas formas e graus, criando inúme- ras situações urbanas em todo o planeta. E um erro pensar que a cidade é um refle- xo da sociedade que a construiu, ou vice-ver- sa. Em toda relação causa-efeito, pressupõe- se a existência distinta de um elemento origem (causa) e de um elemento resultante (efeito). Cars/ eus, F leith, Gonçalves, Sant'anna bém é verdadeira. Um exemplo da permanên- cia do espaço, apesar de profunda alteração social, ocorreu em diversas cidades da Euro- pa, como em Roma, onde a “mesma” estrutura física que abrigou um dia os césares, hoje acolhe uma sociedade completamente diferen- te. O que mudou então não foi o espaço, mas a sua relação com a nova sociedade. Neste caso, o significado original do espaço alterou- se profundamente. O povo judeu é exemplo de uma socieda- de que permaneceu inalterada apesar das mu- danças de seu espaço, quando de sua disper- são pelo mundo. Pode-se ainda observar grupos sociais que, não se acomodando a um novo espaço na sua forma natural, simulam a condição do espa- ço natal. São exemplos os chineses e japone- ses, com seus bairros típicos espalhados pelo mundo. Espaços que se alteram e sociedades que se mantêm imutáveis, espaços semelhantes e sociedades completamente diferentes e infini- tas outras combinações conduzem à conclu- O que é Urbanismo O que é Urbanismo Ora, na realidade, diversos aspectos do espa- ço e da sociedade contribuem simultaneamen- te, numa “rede” de influências, para o resulta- do final. Economia, política, tecnologia, cultura, geo- grafia e clima são alguns dos aspectos cujo grau de influência deve ser avaliado na relação entre espaço e sociedade. Atribuir o comportamento de determinado grupo somente ao espaço em que vive, e acre- ditar que em espaço diferente seu comporta- mento teria sido outro, seria tão ingênuo quan- to imaginar, ao contrário, que o espaço em nada influencia. Nesse caso, cumpre saber até que ponto fatores como formação familiar, vio- lência na televisão, deterioração do espaço ou falta de áreas verdes, dentre outros, têm maior ou menor peso no desenvolvimento urbano. Essa identificação é fundamental para enten- dê-lo e organiza-Io. Espaços e sociedades: formas de relação Uma mesma sociedade pode estar em re- lação com diversos espaços e a recíproca tam- são de que não existe uma situação estabele- cidafcom um único e definido espãçífurñãño paira 'uma única e definida sociedade qué o ocupa ou ocupará. 0 urbanismo como instrumento imprescin- "t divel de análise e, principalmente, de atuação nas cidades só se desenvolve por meio das "formas" como se estabelecem as relações. Estas podem ser classificadas em: funcionais, sensitivas e imaginativas, que nunca ocorrem isoladamente, mas sempre em combinação. Tome-se como exemplo a Avenida Paulis- ta, em São Paulo. Nela se identificam os três tipos de relações. As funcionais se manifestam pelos usos que predominam no espaço: escri- tórios de grandes empresas, bancos e intensa circulação de pedestres e automóveis. As re- lações sensitívas atingem a percepção senso-ç_ rial _ im _egiglag_ êLomaâ. cores_ _eereflexos : textu- ras, lsons, ruídos, _frio _e calor. E as imaginatjvas - consciente ou inconscientemente associa- das ao repertório ídeologico-_culturajlç - ad_qui- rem, nesteVéxemplo, significados como pro- gresso, riqueza, poder, opressão etc. 21
  7. 7. 24 «m» A classificação, aparentemente simples, é uma forma de entender a relação entre espaço e sociedade, como primeiro passo para o en- tendimento dos fatores formadores da cidade. rDessa forma, pode-se avaliar a impressão final de um passeio pela Avenida Paulista co- l, mo o somatório do funcional, do sensitivo e do x imaginativo, que é a própria relação entre f espaço e sociedade. Por que as cidades são parecidas? As sociedades têm estruturas diferentes e usam seus espaços de acordo com suas ne- cessidades, em relações funcionais muito pe- culiares. Para : s significados de cada espaço há um leque muito amplo de interpretações, de sociedade para sociedade, determinando rela- ções imaginativas nem sempre muito claras, o mesmo ocorrendo com as relações sensitivas. Considerando as particularidades das re- lações entre espaço e sociedade de várias regiões do planeta, haveria no mundo poucas _cidades parecidas. Cidades como Nova York, o URBANISMO MODERNO E A CIVILIZAÇÃO INDUSTRIAL Cars-tem, Fleirh, Gonçalves Sant'anna O Í-"bíflmsmo adquire. ao longo da história, as maisâdiversas conotações, e sua evolução como ciencia está intimamente ligada aos pro- cessos de transformação das civilizações. _ dHistoricamente o comportamento da so- cie ade se desenvolve segundo certos princí_ pios “naturais", como se cada indivíduo esti, ' V955** "PVOQT amado' em uníssono com o rumo da sociedade. Com base nesses principios de similaridade, e dependendo do nivel de análi. 0 que é Urbanñrmo Tóquio, Sidnei, entre outras, no entanto, com exceção do idioma ou dos modelos dos auto- móveis, são cidades muito parecidas. como explicar tal semelhança fisica entre socieda- des geograñcamente tão distantes e de costu- mes e tradições tão singulares? A impressão que se tem é de que, por trás dessas diferen- ças, uma “ordem” determina as relações fun- cionais, sensitivat-: eçinãgiñãtiííãs, similar nas mais__difer'entesírfêgiões do planeta( 'e i Essa “ordem”, ou esse “código”, existe e determina silenciosamente os principios es- senciais que regem o comportamento da ci- vilização. Decifrando o codigo, as cidades atuais, bem como o urbanismo, serão mais fáceis de compreender, Para tanto, tem-se que remontar o cenário histórico dos últimos três séculos. Neles o mundo sofreu as mais profun- das alterações de todos os tempos, dando ori- gem à civilização que espalhou cidades por todo o planeta: a civilização industrial. 0 que é Urbanismo se, pode-se classificar a história em períodos: classico, medieval, renascentista, moderno etc. Para compreender o urbanismo, deve-se analisar e comparar os períodos históricos de forma muito abrangente, para que despontem as diferenças essenciais entre cada época ou civilização. Numa visão mais geral, sobres- saem três grandes periodos com característi- cas_ determinantes da sociedade: a civilização agricola, a civilizaçao industrial e a civilização da informação. Três civilizações A Civilizaçàctagrícola começa com a des- coberta da agricultura, cerca de toçmil anos. CaFaCÍGUZa-ssgtzela ligação direta do homem com a natureza e _atividades predominam. tementejstárias- A peqgena demanda de energia é suprida por fontes renováveis: lenha, carvão vegetal, roda d'água_ Apesar da' con_ centração demográfica em algumas cidades, a maior parte da população vívendíãrserpeíàs 25
  8. 8. 28 C arsrens. F Icírli, G onçalves, 5.2x. : 'wma large miexcultiya e supre sua subsistência com a própria produção, O poder está na razão di- reta da posse de terras. A civilização industrial, também conhecida como civilização moderna, surge em meados do século XVllI. caracteriza-se pelo dominio da natureza pelo homem, ,que a transforma em seu benefício. Para isso, toda sociedade fun- ciona como a linha de montagem de uma gran- de fábrica: as pessoas executam atividades especializadas e repetitivas; surge uma barrei- ra definitiva entre o produtor e o consumidor; há uma população que fornece a mão-de-obra e que demanda energia (não mais renovável) e bens, movimentando as fábricas, numa so- ciedade onde o poder está associado ao con- trole dos mecanismos de produção. Em meados da década de 50, desponta uma nova era, que modifica a estrutura indus- tfial¡ ELCÍYÍÍÍZQÇãQ informacional. Vive-se hoje a transição entre a civilização industrial e a infor- macional. A isto se deve o aspecto caótico do mundo atual. 30 Carsrcns, Fleírh, Gonçalves, Sant'anna A civilização informacional ainda não está totalmente estabelecida. mas há indícios de que poderá vir a ser uma sociedade desmassifica- da, procurando e utilizando suas diferenças, reaproximando produtor e consumidor, ten- dendo à desconcentração, descentralização e convivio harmonioso com a natureza. A infor- mação adquire papel fundamental e será o instrumento de poder da nova civilização. A cidade através dos tempos Na civilização agricola, a cidade abriga pe- quena parcela da população, cuja maior parte vive no campo. Apesar disso, iá desempenha papel importante como centro das relações de troca. As preocupações na sua conformação estão ligadas principalmente aos aspectos de defesa: proteção dos moradores, do fogo de uma tribo, do território e suas riquezas. A cidade da civilização industrial abriga a maior pane da população e um grande número de novas atividades. A preocupação básica O que é LirhamÍs-ma O que é Urbanlkmr) passa a ser, então, acomodar todo o contin- gente populacional, transportando trabalhado- res e produtos para as fábricas, para os mer- cados e para as habitações. Alterando os princípios básicos de uma sociedade predominantemente dependente da terra, a Revolução Industrial trouxe novas téc- nicas e fontes de energia, além de novos con- ceitos de produção e consumo, que geraram uma nova civilização, onde a forma de pensar do homem e sua visão do mundo se mostram radicalmente diferentes das do homem me- die-val. Na emergente civilização informacional e mais precisamente no período de transição que atravessamos, as trocas físicas começam a ser paulatinamente substituídas por simples trocas de informação, o que determina o cará- ter de maior dispersão nas cidades; assim, as concentrações populacionais, de energia e de poder nas cidades não mais serão uma neces- sidade, e a preocupação básica recairá sobre a adaptação dos espaços para abrigar esta nova sociedade. 31. 29
  9. 9. 32- (Íarslant, Fleitlt, (itmçalves, Swifumm A transição agricola-industrial O periodo de transição que atravessamos exige nova postura ao pensar a cidade, com novo enfoque do problema urbano. O periodo de transformações da civilização agrícola para a civilização industrial (entre os séculos XVllI e XIX) também experimentou tal situação. Na época, cidades milenares e de urba- nismo incipiente, voltado ainda aos problemas inerentes à civilização agrícola, depararam-se perplexas diante de uma nova ordem que exi- gia espaços cada vez mais adequados à sua dinâmica ~ a civilização industrial. A gigantesca transformação da cidade me- dieval em moderna deu-se poucas vezes de for- ma consciente e, na maioria dos casos, de forma dolorosa. Os dois modelos de civilização (agrícola e industrial) conviviam no mesmo es- paço, gerando a idéia de verdadeiro caos. As cidades medievais são sobrecarrega- das muito acima dos seus limites com a im- plantação das indústrias: suas rugas estreitas e sinuosas não mais suportam o tráfego intenso 34 Carsxeru, Heim, Gonçalves, .Sant'anna e os progressistas. que vêem na indústria a possibilidade de concretização da libertação do homem pelo domínio da natureza. Para eles, a cidade deve ser reformulada tanto quanto seja necessário para adaptar-se ao novíssimo ritmo das fábricas. Esse conflito ideológico é claramente representado pelo none industrial e o sul agrícola na guerra civil americana. Os conservadores são atropelados pela história, pois se opõem a uma força imensa- mente maior do que podem imaginar: o pro- cesso industrial já em curso. Na época da formulação das grandes ciên- cias, onde tudo deveria ser quanfificado e sub metido ao método científico, os progressistas sistematizam suas idéias, dando origem aos princípios do moderno urbanismo, que aponta possiveis caminhos para a cidade industrial. Disciplinando o saber e a sociedade Um dos grandes “trunfos” da civilização industrial, o método científico, é largamente uti- 0 que é (Irbanilrmo l l de multidões e veículos; novos e conflitantes espaços são inseridos na já confusa situação urbana de então: grandes conjuntos habitacio- nais, espaços destinados às indústrias e novas instituições como hospitais, escolas, presídios, asilos, creches etc. As mudanças exigidas pela Revolução ln- dustrial sufocam as cidades medievais, crian- do situações urbanas insuponáveis. A preca- riedade nos aspectos sanitários, a promiscui- dade e a superpopulaçâo causam postes e epidemias, que fogem a qualquer tipo de con- trole. As indústrias instalam-se aleatoriamente, com altíssimos niveis de poluição, degradando a natureza e explorando desumanamente o trabalho das pessoas. A vitória do mundo industrial Dois grupos são claramente identificáveis: os conservadores, que vêem na indústria o grande mal da época e almejam um retorno aos bucólicos tempos da civilização agrícola; O que é Urbanismo lizado tanto para legitimar quanto para esti- mular o desenvolvimento do conhecimento hu- mano. A partir de então, tudo deverá ser provado rigorosamente, quantiñcado, sistematizado, clas- sificado, enfim, organizado dentro de uma ou mais áreas do saber. A mecânica clássica, o relativismo, a biologia, a quimica são objetos de intensa “industrialização”, da qual nem as coisas não quantificáveis escapam, pois tam- bém surgem as ciências humanas _ psicolo gia, sociologia, antropologia. A cidade vista pelo prisma científico-indus- trial necessita de ajustes para funcionar a todo vapor. São criadas instituições para ordenar o comportamento social. A eficiência da máquina e da fábrica tor- nam-se (inconscientemente na maioria dos ca- sos) o modelo para toda a sociedade. Peças com algum problema têm de ser recuperadas rapidamente para voltar ao siste- ma - os grandes hospitais são criados para recolocar os trabalhadores em condição de produzir; componentes ainda saudáveis não
  10. 10. funcionam adequadamente ou atrapalham a produção --, as penitenciárias surgem para punir quem transgride as regras do sistema, assim como as escolas treinam os futuros trabalhadores para ingressar na produção. O controle social não é feito apenas pela polícia, mas por várias instituições que buscam disciplinar a sociedade. Com isso consegue des- tiIar da “família tradicional" (pai, mãe, filhos, avós, primos, parentes, amigos etc. ), a “família nuclear" que, com uma estrutura básica (pai, mãe, filhos), compõe-se de elementos real- mente produtivos, afastados daqueles que po- dem afetar sua produtividade (parentes doen- tes, inválidos, velhos etc. ). Disciplinando u espaço inicia-se também um verdadeiro policiamen- to sanitário, que impõe à cidade regras para sanear os problemas oriundos das recentes aglomerações. Esse sanitarismo procura dotar a cidade de infra-estrutura adequada, desde a organização espacial, transformando cortiços O novo campo de atuação é batizado, em 191 O, com o nome de urbanismo. A partir de então, multiplicam-se as tentativas de sua teo- rização e aplicação. Disciplinando a sociedade, o saber e final- mente o espaço, a sociedade industrial, a par- tir do início deste século, não encontra mais fronteiras e espalha-se por todo o pianeta, ¡n- dependentemente de diferenças políticas (ca- pitalismo. socialismo), geográficas ou culturais. A síntese modernista Assim como várias vezes na história do conhecimento, conjuntos de idéias e informa- ções são magicamente sintetizados por gran- des pensadores, também o urbanismo no iní- cio do século aguarda seu organizador, capaz de sistematizar a colcha de retalhos em que se transformara o problema da cidade. Vários estudiosos lançam-se à questão e, a partir do início do século, as idéias sobre Carstens, F Icirlr, Gonçalves, Sant'anna O que é Urbanismo Cars-tens, F Faith, Gonçalves, Sant'anna O que é Urbwiàvmo em locais habitáveis, até a preocupação corn a coleta edestlno de esgotos. Com a preocupação de higienizar, Hauss- mann corta a velha Paris com largas avenidas, abrindo alas para o tluxo do progresso, deixan- do a cidade respirar os ares dos novos tem- pos. Alguns anos depois, Pereira Passos, no Rio de Janeiro, também abre largas avenidas para desafogar o já movimentado centro da então capital da República. E o “bota abaixo” que promove a demolição de mais de 600 prédios. O aperfeiçoamento e integração de todos esses processos de controle conduzirào mais tarde (na virada do século XIX/ XX) ao surgi- mento da “polícia do espaço": o plano urbanís- tico. ' O plano urbanístico _é_ o conjunto das me- i didas integradaspara resolver os problemas das cidades, englobando o traçado das ruas, os sistemas de água e esgoto, as áreas verdes e a localização das instituições (fábricas, hos- pitais, serviços ato), entre outros, aspectos. urbanismo se desenvolvem enormemente, cul- minando com encontros mundiais de urba- nismo. A figura predominante nesses encontros, e que certamente mais influencia as discus- sões sobre o urbanismo nesse período, e Le Corbusier. Sintetizando o espirito da nova civi- lização, transforma-o em um conjunto de idéias que apontava soluções para o caos oriundo do desenvolvimento desordenado da era da máquina. A cidade-máquina Enquanto os primeiros urbanistas atacam os problemas urbanos isoladamente (Sanitaris- mo, tráfego, segurança etc. ). Le Corbusier es- tabelece uma visão geral do problema “cida- de"- A_9¡d, ade__deve. mncíonar com a _lógica da máquinaz_ eficiência. racionalidade, precisão, sincronismo. Essa idéia também aparece nas orientações da 'Carta de Atenas", que apre-
  11. 11. enorme responsabilidade de proietar as novas cidades com esse fim. Uma responsabilidade 'tão grande, que se consideravam os salvado- res do mundo. verdades da nova civilização. senta a cidade dividida em quatro funções bá- sicas: trabalhar, recrear, habitar e circular. Todo o planeta, da Rússia ao Japão, da França à Alemanha, dos EUA ao Brasil, da China à Austrália, já pulsa no ritmo industrial, e a sociedade funciona de modo similar. Os urbanistas da “Carta de Atenas” acreditam ter descoberto uma “fórmula que comandaria um conjunto de leis simples e precisas para o pla- nejamento das cidades”. Dada uma determina- da população, bastaria, em primeiro lugar, esti- mar o tamanho ideal dos setores “trabalho” (indústrias, comércio, serviços), “habitação” (nú- m_ero e tipo de unidades-moradia) e “recrea- çao" (praças, parques etc), bem como dimen- sionar o sistema de “circulação” entre as várias atividades (veiculos, ônibus, metrô); em se- gundo lugar, localizar adequadamente as ati- vidades, sem mistura-las, em “zonas funcio- nais” - o zoneamento - com zonas residen- cial e industrial e centros de lazer; em terceiro lugar, projetar as construções de cada “zona funcional” de forma a permitir adequadas ven- trlação e exposição ao sol, resultando em gran- des espaços entre os edifícios. Carsmnr, Heidi, Gonçalves, Sant'anna Afinal, com suas idéias, materializariam as 0 urbanismo multidisciplinar Não era essa a visão do escocês Patrick Guedes, precursor do urbanismo multidiscipli- nar, por volta da década de 20. Para ele, a cidade não se resumia somente a questões técnicas: avaliar o impacto da desorganização social, calcular os custos das intervenções a curto, médio e longo prazos, gerenciar o con- junto de complexas atividades de um plano diretor, por exemplo. 0 arquiteto precisava da ajuda de outros profissionais para compreen- der a cidade e nela intervir. Deveria fazer parte de uma equipe de sociólogos, geógrafos, eco- nomistas, antropólogos, sanitaristas, adminis- Caruaru, Fieílh, (íonçrzlves) Sant'anna 0 que é Lfrbanisnta O que é LVbamkmU Essa cidade poderia, independente de di- ferenças culturais ou políticas, ser implantada em qualquer ponto do planeta - e realmente o foi. O homem industrial No pensamento do urbanismo moderno estava em formação um "novo homem', total- mente adaptado à realidade industrial e que poderia ser encontrado em qualquer parte do mundo, formando familias nucleares. Para es- te “homem-tipo" foi concebida a "nova cidade", a "cidade moderna". Nela predominariam a velocidade, a novi- dade, a mudança, o movimento, num ritmo tão fantástico que cada geração teria de construir sua própria cidade. Nesse cenário, os primeiros urbanistas acre- ditavam ter um papel imprescindível; a cidade, o palco do desenrolar da civilização da indús- tria, poderia ser a catalisadora de todas as transformações em processo. A eles caberia a 41 . . á. tradores etc. A cidade deveria ser analisada também segundo essas áreas. O urbanismo científico Ambas as visões ("Carta de Atenas' e Gue- des) pretendem o desenvolvimento de um ur- banismo cientifico, tendo como princípio bási- co a redução do problema a suas partes cons- tituintes, ou seja, uma compartimentalização: no primeiro caso, divide-se a cidade pelas suas atividades funcionais; no segundo, o urbanis- mo se orienta através de especialidades do co- nhecimento humano. Como se pode notar, não são visões con- traditórias, mas complementares. O aspecto funcional "trabalhar" da “Carta de Atenas' po- de muito bem ser pensado segundo suas va- riantes sociais, econômicas, geográficas ou ad- ministrativas. Várias outras teorias e idéias surgiram, apon- tando novas soluções urbanas, mas em sinte- se fazem pane do mesmo urbanismo cientifi-
  12. 12. 44 Carsrmn, F faith, Gonçalves, .Sant'anna O que e' Urbanismo 45 co, partindo ou das idéias de Patrick Guedes ou da “Cana de Atenas', com pequenas modi- ficações ou sotisticações. Portanto, ›apesar de diferentes métodos de análise e intervenção, os urbanistas concorda- vam, em sua maioria, que a cidade do futuro era a cidade industrial (não confundir industrial com a indústria em si - o termo refere-se à cidade que funciona como indústria). E assim, essas fórmulas e modelos urba- nos foram implantados em todo o mundo, num curto espaço de tempo, tornando cidades ou- trora tão diferentes (como Hong Kong e Nova York) muito semelhantes. A sociedade industrial, incapaz de se adap- tar e funcionar em ambientes muito diferencia- dos, tinha, já na primeira metade do século XX, padronizado mercados, produtos, trabalhado- res, conhecimento e finalmente seu espaço. A relação espaço x sociedade industrial parecia estar atingindo seu equilíbrio ideal. 0 Brasil seria o cenário para uma das maiores intervenções do urbanismo moderno - a construção de BrasíliasNunca, até então, t . C arsrem, Flezirh, Gonçalves, Sanfanna . .. m. .. A cidade da 'farm dcztrcnas", seguiu/ u Le (Jm-Imgjgr_ 0 que é Urbanismo J¡ à sinais de crescente descontentamento com as soluções urbanísticas. Logo, muitos estudio- sos criticavam ferozmente o urbanismo moder- no revelando que, de fato, muita coisa tinha de ser repensada. Mas o que teria acontecido? 0 urbanismo moderno teria errado? essas ideias tinham sido aplicadas de forma tão completa, criando uma cidade inteira do nada: concretizava-se no cerrado a vitória do urbanismo moderno. Lúcio Costa, amigo de Le Corbusier. foi o maestro desta sirrionia urba- nística que tinha como partitura a "Carta de Atenas". A partir de Brasília, passa a existir um vas- to material para a avaliação das propostas mo- dernas. Contrariando expectativas, verifica-se a ineficiência do modelo urbanístico. O proces- so de decadência está instaurado. Teorias con- trárias buscam novos caminhos e geram pe- sadas criticas ao já ultrapassado modernismo. Enquanto Brasilia se erguia audaciosamen- te no interior de Goiás, porém, muitos urbanis- tas, principalmente estrangeiros, profetizavam que ela seria "a mais bela ruína do século". Esta crítica, aparentemente estranha, não era injustificada. Algo de errado estava acontecen- do em sitios projetados segundo os rígidos padrões do urbanismo moderno: abandono de conjuntos pela população. destruição de áreas urbanas, aumento de criminalidade e outros i i e s É . - -'°“--_3=.1'7'= ".: n=! 'ar_': nvngr-. . a ' ! t uçv! cum-Vegas. : . l . .â-d
  13. 13. .-. .,. ... --_. =-. ;¡'. - «atas a- - : e:- : an: ” A . . e A CRÍTICA AO URBANXSMO MODERNO Muitos urbanistas acreditavam e acredi- tam que o urbanismo moderno errou durante todos esses anos, cometendo aí um erro muito maior. Pode-se afirmar com certeza que ° “V” banismo mpdernQ r SSPODÉÊQ eerfeitamente às necessidades _da soçiedadejndustrial. _O_ _que poucos perceberam é quetcpmeçavam a d? " 'saparecer os princípios que sustentavam gera da indústria e, conseqüentemente, o urbanis O que é Urbanismo _A50 mo moderno. anos, começam a se tornar ineficazes e até desnecessários. A homogeneidade e a padro- nização, indispensáveis para o funcionamento do mundo industrial, chegam ao fim. Poderíamos ser diferentes. O homem-tipo dá lugar ao individuo, que buscía 'tlifeiíiíiíão e a 'pérsónalizàçãdem vez da massificação; o sincronismo do cotidia- no cede à multiplicidade de opções de uso do tempo; o transporte fisico começa a ser sobre- pujado pelo transporte de informações; a ener- gia concentrada e em grande quantidade é substituída gradativamente por fontes renová- veis, dispersas e em sintonia com a ecologia. Outras transformações completam esse panorama de transição, onde ainda convivem resquícios modernos com indícios inconscien- tes de uma nova era. ~-~~O urbanismo está diante do maior desafio desde sua implantação. No inicio do século pe- lo menos sabia-se que o futuro era o mundo industrial; depois disso o urbanismo se vê sem A partir dos anos 50 instala-se um caos aparente, onde confusas manifestações cultu- Carsrem, F leidr, Gonçalves, Sant'anna rais tomam como referência os restos do in- dustrialismo. Esse caos, no entanto, não anun- cia o ñm do mundo, mas o despertar de uma nova civilização, caracterizando um periodo de transição, onde são rear/ aliadas desde as idéias urbanísticas, até o modo de vestir, o sexo, a família, tudo, enfim, que estava esta- belecido pelo código industrial. Abram-se inesperados horizontes, que ofe- recem inúmeros caminhos à exploração. Apocalipse Como todas as grandes transformações da história, nesta também é difícil identificar os motivos que a fizeram acontecer, ainda mais quando estamos em plena transição. Mas há bons motivos para acreditar que a civilização industrial está desaparecendo porque já cum- priu seu papel. Isso não significa que havia um plano onde papéis estivessem preestabeleci- dos, mas simplesmente que seus mecanis- mos, eficientes durante os últimos duzentos O que é Urbanismo E agora? O que vimos nas duas últimas décadas io- ram apenas abordagens que diversificar/ am as discussões, criticando ou complementando o urbanismo moderno. A semiótica propõe como foco central do urbanismo os significados dos espaços urba¡ nos, ou seja, a complexa rede de signos que . forma a imagem da cidade na mente das pes- soas. Para ela, mais importante que a cidade “funcional”, era a cidade 'informaçãoü já a cor- rente proximista, como o próprio nome sugere, estuda a relação entre distâncias pessoais (pessoas, pessoas e coisas) nas várias socie- dades e sua extrapolação ao urbanismo apli- cado. Resgatando alguns aspectos do urbanis- mo medieval, .Jane Jacobs transporta do pas- 5ad° as FUã9!. ..9F'°qU3m° *P390 d9e-Ê9QYÍY¡9› contrariando a visâéffuñciõnalista, em que _a rua é _apenas canal de circulação, sem vida em s¡ [gema, ' . .. ... ... a. 1-a
  14. 14. Derivada dos mais avançados conceitos matemáticos, a análise sintática surge como ferramenta para a análise sistematizada do uso social dos espaços urbanos, possibilitando definir espaços apropriados ou não à vida da cidade. São aplicados em Houston, Texas, concei- tos do urbanismo liberal, que deixa os espaços se autodefinirem, ajustando-se continuamente às leis do mercado, longe das intervenções dos urbanistas e seus planos. O urbanismo guedesiano não é esquecido e tenta levar a um limite mínimo o intervalo entre a análise da realidade do objeto cidade e a intervenção prática, bem como a avaliação dos resultados desta intervenção. Acredita-se, desta forma, ser possivel realizar o urbanismo vivo, um contínuo processo anáIise-interven- ção onde as respostas aos problemas urbanos seriam quase imediatas. Como vemos, po- dem-se enquadrar estas correntes dentro das formas de relações entre espaço e sociedade. A semiótica enfatiza a relação imaginativa; a proximista, a sensitive; a análise sintética, a CHVSICIIS, F kim, Gonçalves, Sant'anna sistema urbano rodeando o planeta, habitado por 20 bilhões de habitantes. Yona Friedman propõe em Paris uma. ci- dade sobre a Paris existente. Uma malha reti- cular onde as habitações se encaixariam con- forme a necessidade. Na Inglaterra, o grupo Archigram propõe uma cidade onde os edificios são compostos por cápsulas habitáveis, como as da nave Apolo. Kiyonori Kikutake, no Japão, propõe uma cidade com espigões flutuantes sobre a baía de Tóquio. As cidades não param Apesar de esse impasse destruir as gran- des certezas dos urbanistas modernos, novas e mais complexas questões no cotidiano das cidades exigiam, a todo instante, intervenções urbanísticas. O exemplo que realmente mais se destacou no cenário brasileiro foi o caso de Curitiba, que estourou nos anos 70 como uma das mais bem planejadas cidades do mundo. S2 4 Carsrcns, F lcith, Gonçalves, Sant'anna O que é Urbanismo funcional, com pitadas da sensitive. O urbanis- mo liberal deixa todas as relações acomoda- rem-se livremente num verdadeiro desurba- nismo. 0 impasse Toda essa discussão faz parte de um cor- po critico que levou o urbanismo a um impas- se. A incapacidade de compreender as rápidas transformações que se processavam, aliada à inadequação da teoria urbanística industrial le- varam os urbanistas a repensarem completa- mente o que vinha sendo aplicado. Projetos teóricos foram elaborados por vá- rios arquitetos para mostrar que caminhos po- deriam ser tomados. Todos, porém, em vez de apontar novos caminhos, imaginaram um futu- ro ainda mais industrial - a sociedade super- industrial. que, hoje sabemos, nunca vai exis- tir, pelo menos, não agora. Doxiadis, urbanista grego, projetou a Ecumenópolis, uma cidade mundial, um único . .. . uu-nun. . a 3. i t If¡ O ã 'i 3
  15. 15. Adotando simples e criativas soluções, e dando igual ênfase às relações sensitive, fun- cional e imaginativa, Curitiba, apesar de inse- rida num planejamento moderno, conseguiu quebrar a frieza funcional de outros planos, valorizando o aspecto individual e humanísti- co. A relação funcional foi principalmente tra- balhada através da criação dos sistemas es- truturais, verdadeiros tentáculos de extravasa- mento do crescimento da área central. A relação imaglnativa foi estimulada pelo tratamento visual supercontemporâneo aliado ao resgate de aspectos tradicionais, como o paranismo (corrente artística das décadas de 20 e de 30), implantados nas regiões de fluxo diário da maioria dos Curitibanos. A criação dos calçadões no antigo e con- gestionado centro da cidade gerou uma nova relação sensitive mais humana e participativa. Urbanismo amarrado Inserido no impasse da transição, o profis- sional urbanista' se sente desprovido das fer- Corstens, l-'lcírlg Gonçalves, Sant 'anna Mergulhados na inércia do saber moderno em todos os campos do conhecimento, muitos chocaram-se recentemente com o movimento que atacou de frente as verdades industriais estabelecidas. Na verdade, a manifestação mais clara dessa transição. Conscientizar-se deste momento, que mo- dificará completamente o mundo, é a tarefa principal da nossa geração, que tomará as de- cisões que nos levarão a um novo destino, muito diferente do imaginado pela utopia ¡n- dustrial. Mas como será esse futuro? Onde ele está se formando? Cursrezts, Fleitli, Gonçalves, Sant'anna O que é Urbanismo 57 ramentas necessárias para enfrentar a nova dinâmica das cidades, como se entrasse numa prova de Fórmula Um, pilotando um calham- beque dos anos 30. O urbanismo moderno criou, em sua fase de consolidação, um corpo metodológico e ju- rfdico-legislativo que amarrou todo o sistema de planejamento aos antigos moldes indus- triais; com efeito, captação de recursos, defi- nição de prioridades, gestão da infra-estrutura urbana. relações de propriedades, tudo faz parte de um corpo moroso e burocrático que enfatiza questões distantes das prioridades da cidade atual. O sistema se mostra tão burocra- tizado, que se perguntarmos a um urbanista de um órgão de planejamento "o que é urba- nismoít", certamente sua resposta estará vol- tada a dados estatísticos, documentações e regras metodológicas consagradas, deixando de lado a questão principal_ relação espaço x sociedade -, origem de toda problemática urbana. Assim, nem todos, e até muito poucos, estão conscientes da grande transformação da nossa civilização. una-mundi! " g. ¡ i
  16. 16. Sofisticando o presente Nas megametrópoles dos neomalthusia- nos, ,os arranha-céus têm vários quilômetros de altura, e cada centímetro quadrado é dispu- tado por seus habitantes; nas cidades espa- cialóides vive-se como numa verdadeira cida- de sintética, onde todos os avanços da tecno- logia espacial são aplicados na forma dos edi- fícios; as cidades nômades que se movimen- tariam sobre gigantescas pernas telescópicas do grupo Archigram, ou a cúpula geodésica voadora de Buckminster Fuller; ou então a uto- pia tecno-ecológica do filme Barbarella. Por mais bizarros que possam parecer, es- ses exemplos não passam de uma sofistica- ção do presente, ainda regulados em sua es- sência pelos velhos moldes industriais. Não importa se a cidade flutua, se seus transportes são aéreos ou se suas paredes são metálicas ou de grama. quando ainda o espaço e a sociedade são os mesmos que hoje conhecemos. Mudam-se formas, introduz- se alta tecnologia, mas ainda existem indús- Carslem, Fleirir, Gonçalves, .Canfamm POR UM NOVO URBANISMO: A CIDADE DO FUTURO Certamente você não deixou estas pági- nas em branco, pois o desejo de conhecer o futuro é um sentimento inerente ao homem. Planejando as tarefas do dia ou uma via- gem no fim do ano, sempre estamos de uma forma ou de outra lidando com o futuro. Urbanistas não fogem à regra. Na tentati- va de preencher antecipadamente as páginas do futuro, apontam as mais variadas imagens _da cidade que está para vir. O que e' Urbanismo trias, o trabalho nos escritórios. o transporte de massas, a familia nuclear, padronização e ho- mogeneização social e espacial. Se realmente queremos vislumbrar o urba- nismo do futuro, temos de voltar à nossa lição básica: que o urbanismo é a relação espaço x sociedade. Só nos desprendendo dos princípios esta- belecidos pelo código industrial e formulando 'hipóteses de novas relações espaço x socie- dade, em consonância com a realidade futura, nos aproximaremos realmente do urbanismo do futuro. Confrontados com as tendências lineares e extrapolativas citadas, indícios de mudanças sócio-espaciais mostram novos rumos não li- neares (aqui o linear nào é formal, mas uma linha de raciocínio). A ruptura com o mundo industrial Cremos num futuro próximo derivado da ruptura das realidades da sociedade industrial. hoje num doloroso processo de transição, que u
  17. 17. G2 Carsrertv, Flcith, Gonçalves, Sant'anna nos conduzirá a uma nova civilização. Essa civilização terá um perfil definido por um novo código, onde predominarão a individualização, a dessincronização, a produção qualitativa, a dispersão física racional, a dispersão energé- tica e a disseminação da informação e do poden ' Pequenos indícios, que dificilmente ocupam as manchetes dos jornais. sinalizam para a formação desse novo código. A mídia que an- tes atacava com “todos têm, só falta você", hoje só é aceita com “seja o único ater”. Os produtos personalizados, as publicações su- perespecializadas têm como alvo o homem -in- divíduo da sociedade informacional e não o homem-padrão industrial; as atividades 24 ho- ras (banco, supermercado, lojas de roupas) crescem, buscando ocupar o tempo mais livre- mente e criando novos hábitos; a infonnatiza- ção da sociedade cria uma tão complexa rede de comunicação, que já permite que alguns individuos trabalhem ou consumam simples- mente através de um terminal de computador; o grande desenvolvimento tecnológico também permite obter energia em quantidades viáveis 64 Carmem, Fleirh, r ionçalvcs, Sant'anna sas, ¡ustificadas pela análise científica, essen- cialmente quantitativa - desta forma, a esta- tistica subsidia todo o urbanismo moderno. As teorias do caos e das catástrofes, re- centes avanços da Matemática, têm os meios de, pela primeira vez, analisar o mundo quali- tativamente: o comportamento da população dentro de uma cidade, a definição de fronteiras politicas e até as súbitas mudanças no rumo da sociedade. Será, quem sabe, um poderoso aliado do urbanismo do futuro, que lidará com uma sociedade muito dinamica. Contrariando a expectativa da automação supereletrônica, onde a cidade seria comanda- da por um grande computador, a infogenética (convergência da informática com a genética) nos permite vislumbrar o urbanismo biológico. incorporando os avanços da genética, num fu- turo próximo, poderemos ter uma cidade total- mente integrada à natureza, funcionando co- mo um organismo vivo. Numa cidade como esta, um urbanista, na definição atual, certa- mente não seria necessário. O que é Urbanismo 63 de fontes renováveis como o sol, o mar, o vento ou o lixo em miniusinas individuais (uma para cada casa, por exemplo); e, finalmente, forma-se sob nossa indiferença o produto es- sencial da nova civilização - a informação. Tudo na verdade é informação: o que ve- mos, ouvimos, Iemos etc. , e isso sempre exis- tiu. No futuro, porém, a intensa troca de gran- des quantidades de informações em curtíssi- mos espaços de tempo tornara essa incrível dança de impulsos eletromagnéticos o aspecto determinante da sociedade da informação. E o que tudo isso tem a ver com o urbanis- mo? O urbanismo é a relação espaço x socie- dade, logo. .. Sinais do futuro Outros fatos esparsos, despercebidos da grande maioria, na realidade poderão ser a base do “urbanismo do amanhã'. Todo o "modo de pensar industrial' se estruturou na crença da racionalidade das coi- O que é Urbanismo 65 A dispersão total é outro conceito que con- traria frontalmente a visão pessimista da su- perconcentração das megametrópoies, e até mesmo o conceito de cidade na forma que hoje conhecemos, onde as construções e as pessoas estariam dispersas, pois os contatos físicos seriam substituídos pelos contatos in- formacionais. A cidade como entidade geográ- fica perderia o seu semido. Comunidades in- formacionais já existem. Grandes empresas mul- tinacionais e instituições internacionais, ape sar de possuírem funcionários no mundo todo, funcionam como se todos estivessem fisica- mente juntos. O urbanismo liberal, fora de controle esta- tal, fluindo naturalmente em função das leis de mercado e da participação direta da população (a exemplo do que experimenta hoje a cidade de Houston, Texas), também é uma tendência a ser considerada. O urbanismo do futuro estará, então. cen- trado na relação espaço x sociedade da infor- mação.
  18. 18. 66 68 Cursrcns, Flcirlr, Gonçalves, Sant'anna A cidade informacional Com o surgimento da cidade informacio- nal, que não ocupará espaços físicos e sim uma rede de comunicação invisível, as pes- soas ainda ocuparão um “lugar”, e dessa for- ma determinarão algum tipo de relação espaço x sociedade. Mesmo que diversas redes de comunicação formem várias camadas de cida- des informacionais, sempre haverá a dimen- são físíca, uma cidade ou a organização espa- cial que vier a substitui-la. Poderão ser pequenas aldeias auto-sufi- cientes. com alta tecnologia, dispersas por to- do o mundo; aí não haveria mais as megame- trópoles; poderão, ao . contrário, ser cidades atuais adaptadas a novos usos, assim como reciciamos palácios medievais em shopping centers ou, ainda, poderão ser um misto de reciclagem com aldeias, como são algumas cidades com trechos históricos e modernos. 0 destino em nossas mãos infinitas são as possibilidades de combina- ção de todas as tendências verificadas atual- Cgrszens, Fleith, Gonçalves, Sant'anna As nações ditas subdesenvolvidas, ao contrário do que se pensa, estao aptas_ e mais próximas de concretizar a nova sociedade- Não precisamos e não devemos trilhar o mes- mo caminho dos países desenvolvidos. En- quanto nações ricas estao atreladas à parafer- nália industrial, que hipoteca toda e qualquer tentativa de mudança. nos. que ma¡ erltram” nesse “jogo moderno", 1a temos acesso aos ingredientes do futuro. Podemos dar um salto quântico? basta nossas decisoes converglrem para o objetivo de alcançar o estado P03** dustrial (informacional), sem passar P0' 00m' pleto pelo doloroso estado industrial. A O urbanismo, desde o seu reconhecimen- to como ciência. ocupou-se em adaptar as Cl- dades ao mundo industrial, planejando seu de- senvolvimento e preparando-a para um futuro cada vez mais industrial, que nao existiu. Hoje, no limiar da era da informaçao, pen_- sar em urbanismo é pensar em uma nova Cl- vilização. O que é Urbazrivmo mente, pois está em gestação o futuro. Vale ressaltar que, longe de essas tendências se- rem, isoladamente, a provável realidade da so- ciedade no futuro, são, na verdade, os ingre- dientes que se combinarão em proporções e formas inesperadas, originando nova realida- de talvez diferente até das próprias tendências que a originaram. Combinando diariamente esses ingredien- tes (tecnologia, politica, comportamento social etc. ), deiinearemos o perfil do amanhã. A civi- lizaçãc que conhecemos (industrial) vive seus últimos momentos, e sua agonia se mistura com as primeiras manifestações da sociedade da informação. Cabe-nos distinguir do caos aparente as atitudes que nos conduzirão a es- se destino histórico, as reais propostas urba- nas para a cidade do futuro, ou seja, aquelas realmente descompromlssadas com o saber moderno (industrial). Mas será essa transformação uma realida- de para o Brasil? Não seria a sociedade da informação um privilégio dos países do Primei- ro Mundo? Esse futuro, por mais distante que pareça, está ao alcance também dos países do Terceiro Mundo. INDICAÇÕES PARA LEITURA BENÊVOLD. Leonardo. A História da Cidade, São Paulo. Pers- pectiva. SANTOS. Jair F orrolra dos. O Oue É Pós-Moderno. São Paulo, Brasiliense (Primeiros Passos, 165). TOFFLEH. Alvim. A Terceira onda, São Paulo. Record. Caro Iellor: A'. opiniões expressos neste livro são os clo autor, podem não ser as suas. Caso você ache que vale a i u »na escrever um outro livro sobre o mesmo tema. rw v: estamos dispostos a estudar sua publicação u um o mesmo titulo como "segundo vlsóo".
  19. 19. Gi Biblioteca UNESP--Davrtr l5"10-"Ê0l"3 Aquisição. t' Prc›I. .S9-9.-'›i5›"0¡: '02 Depto. : F. -^. IC R5 i*- "H Procetléucia: Marco A. Ranialhr) incomorado cru: _Í 5 -O '3 -ÂJCJ _3 sobre os auioroa Em 1985, ainda estudantes da UFPr, cs quatro au toras des- te livro e mais um colega constituíram um grupo visando esti- mular o debate em tomo dos cursos de arquitetura, que lhes pareciam envelhecidos e descoiados da realidade, Iniciou-se assim uma colaboração estreita, da quai nasceram artigos e ensaios pubiicados em jornais e revistas especializadas. Ho- ie_ embora os caminhos profissionais não sejam os mesmõs. . o trabalho coletivo se mantém, cimentado por uma visão co- z mum da arquitetura e da funçao do arquiteto. Aurélio combinao trabalho em seu escritório com a função N de supervisor da planaiarnentodo Instituto de Pesquisa e Pia- ¡ ¡ neiamento Urbano de Curitiba Frederico e Antonio são dim- i . tores da Realiza/ Arquitetura Lida e assinam a coluna "Falam 4 do de Arquitetura" na revista Cotação da Construção e no | Jornal da indústria e Comércio, de Curitiba. Frederico é tam- À bém diretordo instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB). Rossa- no tom escritorio próprio. aiém de ser arquiteto da Winston Ramalho Arquitetura.

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