Emergência médica na prática odontológica

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Emergência médica na prática odontológica

  1. 1. 183 Emergência médica na prática odontológica ARTIGO ARTICLE no Estado de Santa Catarina: ocorrência, equipamentos e drogas, conhecimento e treinamento dos cirurgiões-dentistas Medical emergency in dental practice: occurrence, equipments and drugs, professional expertise and training of the cliniciansJosé Cabral dos Santos 1Davi Rumel 1 Abstract The aim of this research was to verify Resumo Esta pesquisa teve por objetivo verificar the number of occurrences of medical emergencies a ocorrência de emergências médicas na prática during the odontological practice; the adequacy of odontológica, a adequação de equipamentos e equipments and drugs; the professional knowl- drogas, e o nível de conhecimento e treinamento edge level and training of such professionals in dos profissionais da odontologia no enfrentamen- dealing with medical emergencies, both in terms to dos eventos emergenciais, tanto no serviço pú- of public health care as well as private practice. blico quanto na clínica privada. Os questionários Postal questionnaires were sent to 6.000 dentists foram enviados via postal, aos 6.000 cirurgiões- who were member registered up to April 2004 at dentistas (CDs) inscritos até abril de 2004 no the Regional Dental Council of the State of Santa Conselho Regional de Odontologia do Estado de Catarina. There were 506 (8.43%) responses. The Santa Catarina. Houve um retorno de 506 ques- analysis of the results revealed that the clinicians tionários (8,43%). A partir da análise dos dados, who replied were aware on the importance of the constatou-se que os CDs respondentes estão cons- issue, and declared themselves not prepared to cientes da importância do tema e sentem-se des- solve a medical emergency. The most frequent preparados para solucionar uma emergência mé- emergencies reported were syncope, tachycardia, dica. As emergências relatadas com maior fre- hypertension, reaction to local anesthetic and hy- qüência foram: lipotimia, taquicardia, hiperten- poglycemia. The public health service has a larg- são, reação ao anestésico local e hipoglicemia. O er supply of equipments and drugs for medical serviço público encontra-se com uma quantidade emergencies. Official letters were also sent to sev- maior de equipamentos e drogas para emergência en dentistry schools in the state, which answered médica. Foi enviado, também, ofício às sete insti- that there are no specific credits about the subject tuições de ensino superior com cursos de odonto- of medical emergency. Such issue is usually briefly logia no Estado, consulta esta que acusou a ine- referred in others credits, and in the initial semes- xistência de disciplinas específicas que tratem das ters of the course. emergências médicas. O tema normalmente é Key words Medical emergency, Equipments, abordado em outras disciplinas com pequena car-1 Universidade do Sul Drugs, Public health care, Private clinics ga horária, e nos semestres iniciais do curso.de Santa Catarina – Unisul. Palavras-chave Emergência médica, Equipa-Av. Marcolino Martins mentos, Drogas, Serviço público, Clínica parti-Cabral 39, Centro,88701-000, Tubarão SC. cularjcabralds@unisul.br
  2. 2. 184Santos, J. C. & Rumel, D. Introdução Desta forma, procurou-se descobrir com esta pesquisa justamente se os CDs de Santa O cirurgião-dentista (CD) enfrenta, no cotidia- Catarina que trabalham tanto no serviço pú- no de seu trabalho, o risco de se ver face a face blico, quanto na clínica privada, possuem co- com eventos emergenciais, exclusivos da área nhecimentos, treinamento e equipamentos ne- médica. Tais emergências – cujo enfrentamen- cessários para lidar com as emergências na prá- to não pode ser evitado ou transferido, por tica odontológica. causa dos riscos de vida e saúde a que ficam ex- Buscou-se também verificar se as sete facul- postos os pacientes e pelo estresse emocional dades de odontologia do Estado de Santa Cata- gerado aos profissionais – devem ser por estes rina apresentam em seus currículos disciplinas assumidas de imediato. específicas que tratem das emergências médicas. Embora não sejam comuns, as situações de Justifica-se, portanto, a presente investiga- emergência médica podem ocorrer na prática ção, que se propõe alertar a comunidade odon- odontológica de modo imprevisível, sem obe- tológica em geral a observar, com mais rigor, o decer a regras ou padrões definidos. Para An- aprendizado e o ensino continuado sobre as drade & Ranali1, o aumento do número de ido- emergências médicas possíveis e passíveis de sos que procuram tratamento odontológico e a ocorrerem nos consultórios odontológicos. tendência de se prolongar a duração das ses- sões de atendimento podem contribuir para elevar a incidência dos episódios emergenciais. Revisão da literatura O aumento da expectativa de vida, segundo o autor, traz ao consultório odontológico indiví- As emergências médicas no consultório odon- duos diabéticos, hipertensos, cardiopatas, as- tológico felizmente são raras. Segundo Peter- máticos ou portadores de desordens renais e son et al.5 (2000), a natureza ambulatorial da hepáticas, obrigando o profissional a adotar prática odontológica (os pacientes gravemente certas precauções antes de iniciar o tratamento debilitados geralmente estão impossibilitados clínico propriamente dito. de utilizar as instalações ambulatoriais) é par- As emergências médicas podem ocorrer cialmente responsável por tal fato. com qualquer indivíduo, a qualquer hora e em Ricci6, 7 encaminhou por via postal 4.765 qualquer lugar, assim como antes, durante e questionários a cirurgiões-dentistas, estabele- após qualquer procedimento em odontologia. cidos e exercendo a profissão em 159 municí- O cirurgião-dentista deve, portanto, estar pre- pios do Estado de São Paulo, procurando ava- parado para resolvê-las. A avaliação do estado liar técnicas, conhecimento e competência no geral de saúde e a adoção de medidas preventi- enfrentamento das emergências médicas que vas aumentam a segurança clínica no atendi- pudessem ter ocorrido em suas clínicas. Os da- mento de pacientes que requerem cuidados es- dos levantados evidenciaram um despreparo peciais (Jolly2). geral para os procedimentos que possibilitem Atenta-se ainda que a atuação do cirurgião- acesso às vias respiratórias. Na amostra inqui- dentista é regulada pelo Código de Ética Odon- rida, 2/3 julgavam-se capacitados para praticar tológico – CFO3. Neste, seus deveres e direitos massagem cardíaca e reanimação boca-a-boca. fundamentais são atribuídos para servirem de O autor concluiu que houve uma forte concen- base e orientação em diversos aspectos da vida tração de clínicos gerais (dentistas sem especia- profissional. Cavali 4 afirma que os profissio- lização), cerca de 75% do total, no exercício da nais liberais da área de saúde estão submetidos profissão, o que aumentaria a probabilidade de às legislações do novo código civil, por ser o vi- eventos emergenciais, pela heterogeneidade gente estatuto jurídico geral das relações priva- dos atos praticados nas clínicas e consultórios. das; e ao código de defesa do consumidor, por Faltaram também, segundo a pesquisa, condi- ser o estatuto geral das relações de consumo, ções técnicas e científicas que capacitassem a em razão de o paciente e o profissional liberal maioria dos cirurgiões-dentistas a atuarem nas da área de saúde encaixarem-se, respectiva- emergências médicas, em face das deficiências mente, nos conceitos jurídicos de consumidor curriculares dos cursos regulares, carentes de e fornecedor. Os cirurgiões-dentistas devem, disciplinas voltadas para a semiologia, a prope- pois, procurar uma formação profissional ade- dêutica e a terapia médica. quada para que os problemas de ordem ética e Chapman8, em sua pesquisa no ano de legal sejam minimizados na sua prática. 1995, encaminhou questionário por via postal
  3. 3. 185 Ciência & Saúde Coletiva, 11(1):183-190, 2006para 1.250 cirurgiões-dentistas, selecionados trole da dor ou sedação. De todos os respon-por computador na listagem da Associação dentes, 20% sentiram-se inadequadamenteDentária Australiana (ADA), que contava com preparados para resolver uma emergência mé-aproximadamente 7.500 odontólogos registra- dica, e a maioria sentia-se receptiva à idéia dedos. Dos respondentes, 64% tiveram cursos de receber futuros treinamentos. Mais da metadereanimação cardiopulmonar (RCP) durante a dos dentistas pesquisados estavam insatisfeitosgraduação, porém 77% não se sentiam compe- com o treinamento recebido na universidade.tentes para realizar estas manobras (RCP). Os Um em 20 CDs não sentia necessidade de rece-graduados após 1980 tinham competência em ber treinamento futuro.RCP no curso de graduação significativamente Alves et al.14 aplicaram um questionário amaior do que os formados antes de 1980 (p < um grupo amostral de 50 cirurgiões-dentistas0,001). Segundo o autor, ser competente em na cidade de Belo Horizonte, considerando, naRCP e ter auxílio médico rápido são mais im- apuração dos resultados, o ano de formatura, aportantes para o dentista do que possuir e sa- instituição e a especialidade do profissional. Osber usar drogas emergenciais. pesquisadores elaboraram um questionário Atherton et al.9, 10, 11 realizaram por um pe- com o objetivo de verificar a habilidade do ci-ríodo de 10 anos estudo entre dentistas da In- rurgião-dentista na realização da RCP, como eglaterra e Escócia, com o objetivo de avaliar a onde o profissional teve acesso às informaçõesprevalência, natureza e desfecho das emergên- a respeito da técnica e quais os equipamentoscias médicas em consultório odontológico. Fo- disponíveis em seu consultório. Os autoresram enviados questionários por via postal a concluíram que a experiência clínica dos pro-1.000 dentistas da Inglaterra//País de Gales, e fissionais da área odontológica em emergência500 aos profissionais da Escócia. Os autores de- médica não era muito grande, talvez pelo fatomonstraram, nesta pesquisa, que o evento ocor- de a importância do conhecimento deste as-reu mais comumente a cada 3,6 e 4,5 anos de sunto não ter sido enfatizada nos cursos deprática clínica. Isso sugere que o cirurgião-den- graduação de odontologia.tista vivenciará entre 9 e 11 emergências médi- Também Marzola & Griza15 realizaram umacas, em 40 anos de profissão. Curiosamente, con- pesquisa com 271 profissionais e acadêmicos detrariando alguns autores, o estudo revelou que a odontologia, durante a VI Jornada Odontológi-maioria dos eventos ocorreu durante procedi- ca do oeste do Paraná. Essa pesquisa constavamentos conservadores (52,2%) não-cirúrgicos, de sete gravuras representando as etapas dasprovavelmente, pelo maior tempo gasto nesses manobras de ressuscitação cardiorrespiratóriaprocedimentos. Nenhuma das mortes reporta- (RCP) removidas de um livro-texto, montadasdas nesse estudo ocorreram após anestesia geral. de forma aleatória/desorganizada. Os pesqui- Já num estudo realizado por Gindler et sados deveriam ordenar as figuras de acordoal.12, por meio de questionário via postal para com a seqüência correta destas manobras. O887 cirurgiões-dentistas britânicos, observou- percentual de respostas erradas no grupo testa-se que o evento de maior ocorrência nos seus do foi elevado, mostrando que profissionais econsultórios foi a síncope vasovagal. Somente acadêmicos de odontologia não estavam capa-20,8% dos dentistas sentiam-se competentes citados a realizar com segurança o protocolo depara diagnosticar a causa das emergências nas ressuscitação cardiorrespiratória. Segundo oscirurgias dentais. Os autores concluíram com autores, havia necessidade de um contínuo trei-tal pesquisa que, após a graduação, deveriam namento a respeito deste assunto.ser realizados treinamentos periódicos ememergência médica em consultório odontoló-gico, para melhorar o conhecimento e a habili- Metodologiadade dos cirurgiões-dentistas e diminuir os ca-sos de óbitos. Esta pesquisa foi realizada por meio de ques- Broadbent & Thomson13 realizaram uma tionário enviado via postal para todos os 6.000pesquisa com 314 cirurgiões-dentistas da Nova cirurgiões-dentistas inscritos no Conselho Re-Zelândia e encontraram uma prevalência de gional de Odontologia de Santa Catarina (CRO-65,2% de emergências médicas relatadas em SC), em atividade, até abril de 2004 (segundoum período de 10 anos, ou seja, uma média de dados do CRO-SC).2 eventos para 10.000 em pacientes tratados O questionário confidencial, anônimo ecom anestesia local, ou outras formas de con- formatado para leitura óptica, foi elaborado
  4. 4. 186Santos, J. C. & Rumel, D. com perguntas “fechadas”, e respostas do tipo Gráfico 1 sim/não ou múltipla escolha. Foi solicitado que Distribuição de freqüência da variável, sensação de estar os respondentes devolvessem o questionário preparados para atender emergências médicas. (que tinha postagem pré-paga, carta-resposta) no prazo máximo de cinco dias. Também foi enviado um ofício aos coordenadores das sete instituições de Ensino Superior do Estado de sim Santa Catarina que oferecem cursos de gradua- 23,1% ção em odontologia, para verificar a existência de disciplinas específicas que tratem da ques- tão das Emergências Médicas, ou de disciplinas gerais em que este tema seja abordado. não 76,9% Resultados Dos 6.000 questionários enviados aos cirur- giões-dentistas do Estado de Santa Catarina, 506 (8,43%) retornaram por via postal. Os questionários foram devolvidos por odontólo- Gráfico 2 gos de 105 cidades do Estado. Foi possível ob- Distribuição de freqüência da variável, auxiliares possuem algum treinamento em emergência médica. ter este dado por meio do carimbo do correio na carta-resposta identificando a cidade reme- tente. sim Como houve questões que poderiam ou 11,3% não ser respondidas pelos entrevistados, e co- mo a leitura óptica anula respostas duplas, fo- ram consideradas para cálculo dos resultados e para a confecção dos gráficos e tabelas somente as respostas válidas, desprezando-se as respos- tas anuladas ou em branco. Após análise dos resultados por meio de lei- não tura óptica, foi utilizado o programa de entra- 88,7% da e processamento do banco de dados Stats- Direct versão 2.35, a partir da montagem de es- truturas. Com base no questionário aplicado, obteve-se o seguinte resultado: 76,9% dos ci- rurgiões-dentistas não se sentem preparados para solucionar uma emergência no consultó- Gráfico 3 rio odontológico (Gráfico 1). Distribuição de freqüência, da variável, sensação de segurança com equipe de apoio, entre os entrevistados da pesquisa que De acordo ainda com o estudo realizado, responderam SIM, para equipe de apoio. 88,7% dos pesquisados declararam que seus auxiliares (THD – técnico em higiene dental ou ACD – auxiliar de consultório dentário) não possuíam treinamento em emergência mé- sim dica no consultório odontológico (Gráfico 2). 21,1% Os resultados mostraram também que dos 22,5% dos respondentes que trabalham com uma equipe de apoio (médico ou enfermeiro), 78,7% sentem-se mais seguros no enfrenta- mento de uma emergência médica (Gráfico 3). não A pesquisa revelou ainda quais as princi- 78,7% pais emergências médicas vivenciadas pelos ci- rurgiões-dentistas nos últimos 12 meses. Os re- sultados podem ser analisados no gráfico 4.
  5. 5. 187 Ciência & Saúde Coletiva, 11(1):183-190, 2006Gráfico 4Distribuição de freqüência da variável, emergências médicas vivenciadas pelos pacientesno consultório nos últimos 12 meses, dos entrevistados da pesquisa. 80 70 60 50 40 30 20 10% 0 Desmaio Taquicardia Hipertensão Reação Hipoglicemia Convulsão Crise aguda Angina Obstrução das Acidente Infarto do arterial alérgica de asma de peito vias aéreas vascular miocárdio cerebral Os resultados da pesquisa, a freqüência de Gráfico 5 emergências médicas vivenciadas pelos pacien- Distribuição de freqüência da variável, freqüência tes no consultório odontológico dos entrevis- de emergências médicas vivenciadas pelos pacientes tados, nos últimos 12 meses são mostradas no no consultório nos últimos 12 meses. gráfico 5. O gráfico 6 mostra de quais equipamentos os cirurgiões-dentistas dispõem com maior 3 a 4 vezes 5 ou + vezes freqüência em seu local de trabalho (serviço 7,7% 1,6% público ou clínica particular) para solucionar uma emergência médica. Conclusão 1 a 2 vezes nenhuma 45,8% 44,8% Neste estudo, verificou-se que mais da metade dos CDs respondentes ao questionário enviado (76,9%) sentem-se despreparados diante de uma emergência médica em seus consultórios, independentemente de trabalhar serviço públi- co ou clínica privada. Apesar de 45,8% dos respondentes terem recebido treinamento e informações sobre emer- gência médica em odontologia na universidade e 37,5% em cursos de pós-graduação, 16,6% nunca tiveram qualquer treinamento ou cursos nesta área. Estes dados revelam que a grande maioria dos CDs pesquisada recebeu treina- mento ou informação sobre as emergências
  6. 6. 188Santos, J. C. & Rumel, D. Gráfico 6 Distribuição de freqüência da variável, drogas e medicamentos disponíveis para emergências médicas no local de trabalho, tanto em consultórios particulares como em serviços públicos, dos respondentes a esta questão. 80 Clínica particular 70 Serviço público 60 50 40 30 20 10 % 0 Açúcar e afins AAS Diazepan Adrenalina Glicose Dinitrato Midazolam Prometazina Salbutamol isossorbitol médicas. Como não há, porém, uma obrigato- As principais emergências médicas na prá- riedade de cursos regulares de capacitação, o tica odontológica relatadas pelos respondentes assunto torna-se esquecido por não ser coloca- foram: síncope (42,1%), taquicardia (33,9%), hi- do em prática periodicamente, já que as emer- pertensão (31,8%), reação alérgica ao anestési- gências médicas são consideradas situações ra- co local (13,2%), hipoglicemia (9,7%) e convul- ras no consultório odontológico. são (6,1%). Os níveis percentuais de emergên- Verificou-se na pesquisa que 88,7% do pes- cias graves (eventos complexos) relatadas são soal auxiliar (ACD ou THD) que trabalha junto preocupantes e envolvem sérios riscos de vida e com os cirurgiões-dentistas respondentes não re- saúde – para os pacientes – e ético-legais – para os cebeu qualquer treinamento em emergência mé- profissionais. Merecem, assim, atenção especial. dica. Deve-se destacar a importância do treina- Dentre todos os pesquisados houve a decla- mento e da capacitação dos auxiliares, para que ração de um caso de óbito em consultório odon- os membros da equipe de atendimento odonto- tológico. Conclui-se, desta forma, que são raros lógico possam ser capazes de reconhecer e ajudar na prática odontológica os casos de óbito rela- a solucionar qualquer emergência médica. cionados com as emergências médicas. Os dados da pesquisa mostram que 78,7% As providências tomadas pelos CDs pesqui- dos respondentes sentem-se mais seguros ao sados, ante as emergências médicas enfrentadas, trabalharem com uma equipe multidisciplinar levaram a grande maioria (92,9%) a atender de apoio. Na maioria dos casos relatados, esta seus pacientes que vivenciaram estas emergên- equipe é formada por médico e enfermeiro cias no próprio consultório, sem a necessidade (68,9%). Este dado revela que o trabalho pode ou a possibilidade do encaminhamento ao mé- ser mais tranqüilo para o cirurgião-dentista, dico. Mais de 40% dos respondentes declararam quando ele atua com outros profissionais da de 1 a 2 emergências médicas vivenciadas por área da saúde, diminuindo, desta forma, a inse- seus pacientes nos últimos 12 meses. gurança, a impotência que a consciência do Com referência à capacidade instalada em despreparo traz ao profissional e o estresse per- equipamentos para emergência médica nas manente que o acompanha e o desgasta psico- áreas de atuação, concluiu-se que há insufi- logicamente. ciência de recursos materiais e equipamentos
  7. 7. 189 Ciência & Saúde Coletiva, 11(1):183-190, 2006adequados ao atendimento básico dos eventos tológico é realizado no mesmo local, havendoemergenciais que possam ocorrer na prática maior possibilidade e disponibilidade de medi-odontológica. Os principais equipamentos ci- camentos.tados pelos respondentes foram: esfigmoma- Os cursos de odontologia do Estado denômetro, estetoscópio, seringas e agulhas des- Santa Catarina não apresentam em seus currí-cartáveis, suctor de saliva, saco de papel, oxigê- culos disciplinas específicas que tratem da im-nio e AMBU. Verificou-se um maior número portante temática das emergências médicas nade equipamentos no serviço público, com ex- prática odontológica. Na grande maioria dasceção do suctor de saliva (bomba a vácuo), um universidades, o tema é abordado em outrasequipamento caro e substituído por sugadores disciplinas, com pequena carga horária e nasque são acoplados nos equipamentos odonto- primeiras fases do curso. As principais discipli-lógicos convencionais. nas em que o tema é tratado são: anestesiolo- Com relação aos medicamentos, mais da gia, cirurgia ou primeiros socorros. Com basemetade dos pesquisados afirmam ter em seus nos dados encontrados na pesquisa, destaca-seconsultórios balas e sucos que poderiam ser a necessidade de uma reformulação dos currí-utilizados para os casos de hipoglicemia. As culos escolares, para melhor preparo dos pro-principais drogas indicadas para emergência fissionais da odontologia, visando integrá-los àmédica citadas pelos respondentes foram: Áci- medicina básica e de rotina. Da mesma forma,do Acetil Salicílico, Diazepan, Adrenalina e Gli- é de suma importância a criação de cursoscose. Da mesma forma que os equipamentos, a obrigatórios após a graduação, regulamentadosquantidade de drogas encontradas no serviço pelo CRO e realizados periodicamente com au-público é maior que na clínica privada, já que las práticas e teóricas, para todos os cirurgiões-normalmente o atendimento médico e odon- dentistas do Estado de Santa Catarina.ColaboradoresJC Santos trabalhou na concepção teórica, elaboração,redação final do texto, organização e execução da pes-quisa. D Rumel participou como orientador durante to-das as etapas da elaboração da dissertação e do artigo.Referências1. Andrade ED, Ranali J. Emergências médicas em odon- face às emergências médicas. Parte II – Avaliação dos tologia. São Paulo: Artes Médicas; 2002. recursos materiais disponíveis. Rev Paulista Odontol2. Joly DE. Evaluation of the medical history. Anesth 1989; 4(11):46-51. Prog 1995; 42:84-9. 8. Chapman PJ 1997. Medical emergencies in dental3. Conselho Federal de Odontologia. Código de Ética practice and choice at emergency drugs and equip- Odontológica. Rio de Janeiro: CFO; 2003. ment: survey of Australian Dentists. Aust Dent J4. Cavali RS 2003. A responsabilidade civil do profis- 1997; 2(42):103-8. sional liberal da área da saúde no direito brasileiro. 9. Atherton GJ, McCaul JA, Wilians SA. Medical emer- Revista ABO 2003; 7(4):5-6. gencies in general dental practice in Great Britain –5. Peterson LJ, Edward E III, James RH, Myron RT. Part 1: Their prevalence over 10 year period. Br Dent Cirurgia oral e maxilo-facial contemporânea. Rio de J 1999; 186(2):72-9. Janeiro: Koogan; 2000. 10. Atherton GJ, McCaul JA, Wilians SA. Medical emer-6. Ricci A, Bijela VT, Moraes N. O cirurgião-dentista gencies in general dental practice in Great Britain – face às emergências médicas. Parte I – Avaliação da Part 2: Drugs and equipment possessed by GPDs and capacidade profissional. Rev Paulista Odontol 1989; used in the management of emergencies. Br Dent J 3(11):18-35. 1999; 186(3):125-30.7. Ricci A, Bijela VT, Moraes N. O cirurgião-dentista 11. Atherton GJ, McCaul JA, Wilians SA. Medical emer-
  8. 8. 190Santos, J. C. & Rumel, D. gencies in general dental practice in Great Britain – 14. Alves LCF, Noman-Ferreira LC, Peroni LD, Santoro Part 3: Perceptions of training and competence of LC, Lima TKS, Lopes E et al. Reanimação cardiopul- GDPs in their management. Br Dent J 1999; 186(5): monar. Avaliação de cirurgiões-dentistas de Belo Ho- 234-37. rizonte. Jornal de Assessoria ao Odontologista 2001; 12. Gindler NM, Smith DG. Prevalence of emergency 28(4):27-32. events in British dental practice and emergency man- 15. Marzola C, Griza GL. Profissionais e acadêmicos de agement skills of British Dentists. Resuscitation 1999; odontologia estão aptos para salvar vidas. Jornal de 2(41):159-67. Assessoria ao Odontologista 2001; 27(4):19-27. 13. Broadbent JM,Thomson WM 2001. The readiness of 16. Conselho Regional de Odontologia. [acessado em 10 New Zealand general dental practitioners for med- mar 2003 e 4 abr 2004]. Disponível em: www.crosc. ical emergencies. N Z Dent J 2001; 429(97):82-6. org.br. Artigo apresentado em 11/04/05 Aprovado em 20/10/05 Versão final apresentada em 17/11/05

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