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— Você acha que ela vai voltar?
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Livro Gospel - Coração de sofia Cap 1

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Um Livro Cristão de Romance.
Sofia, uma moça culta que morava na Tchecoslováquia, país do leste europeu durante os anos 1980, é incentivada por sua avó, com quem morava, a tentar a vida nos Estados Unidos – o país das oportunidades. Deixar a sua querida avó foi muito difícil, mas como só ela conseguiu permissão para viajar, foi em frente pedindo a Deus que guiasse seus passos. Ao chegar à América teve muitas decepções, como só conseguir trabalhar em subempregos, mesmo sendo tão capacitada. O pior de tudo, porém, era a profunda solidão que a sufocava.
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Livro Gospel - Coração de sofia Cap 1

  1. 1. 1 Chicago, Illinois J anete Ring entrou no estacionamento da igreja por puro instinto, já que sua mente estava a quilômetros de distância de casa. Esforçou-se, então, para ficar sentada atrás do volante por algum tempo, a fim de se acalmar. O estudo bíblico — dirigido por ela — deveria começar em menos de trinta minutos, e Janete sentia-se completamente arrasada. — Sei que é por causa de Alec, Senhor — sussurrou ela enquanto olhava pelo para-brisa. — Sei que estou preocupada com ele. Por favor, ajude-o, console Alec e as crianças. Nove meses, Senhor, e eles continuam tão perdidos, tão chocados e indefesos. E principalmente hoje. Ele deve estar em agonia. Lágrimas encheram os olhos de Janete e ela não pôde continuar. Hoje seria o décimo oitavo aniversário de casamento de Alec e Vanessa, e ela não estaria aqui para compartilhar a data com ele. Janete quase não conseguiu suportar a ideia. O que mais queria era voltar para casa, afundar na cama e chorar até dormir. Um movimento fora do carro chamou finalmente sua atenção. Uma velha amiga estava ali de pé, no calor do verão, olhando-a com olhos compassivos. Sem que Janete soubesse, ela também nunca mais fora a mesma depois da morte de Vanessa. Janete abriu a porta e saiu, colocando-se ao lado de Deise, que lhe falou com carinho: — Não vou perguntar como está porque sei como se sente. Está pensando em seu irmão, não é? — É verdade. Hoje seria o aniversário de casamento deles e estou realmente sofrendo — disse Janete com um pálido sorriso. Deise abraçou-a enquanto caminhavam para o prédio da igreja. — Vai telefonar para ele?
  2. 2. 8 O coração de Sofia — Não sei. Neste momento só consigo pensar em ir para casa e chorar. — Janete tentou mais uma vez conter as lágrimas. — Uma líder de estudo bíblico não deveria sentir-se assim. — Seu sofrimento não é pecado — afirmou a amiga. — Sei disso, Deise, mas as mulheres de meu grupo são todas novas convertidas. Não quero fazer nada que as leve a tropeçar. — Fique sossegada. Sua tristeza neste momento é normal, Janete, e também saudável, posso acrescentar. Quanto à sua classe, peça a Deus que a faça en- frentar uma coisa de cada vez e que use você de alguma forma hoje. Talvez apenas compartilhar o quanto está sofrendo tocará o coração de alguém, e isso dará a todas elas uma oportunidade de orar por você. Janete concordou. Estavam no prédio agora, e precisavam separar-se. Com uma palavra final de encorajamento, Deise deixou Janete e foi para a sua sala. Janete entrou no banheiro das mulheres e, ao encontrá-lo vazio, orou por al- guns momentos: “Peço que me uses hoje, Pai. Toca a ferida em meu coração e transforma-a em glória para ti. Ajuda-me a compartilhar com meu grupo, de modo a mostrar a elas que, embora esteja sofrendo, continuo esperando em ti”. Janete procurou silenciar o coração, ficando simplesmente de pé e pensando em como o seu Deus era poderoso. Entregando o seu dia ao Senhor, também entregou o irmão nas mãos dele e saiu para a aula. u Quarenta e cinco minutos mais tarde, depois de as mulheres terem se deti- do alguns momentos antes da ministração da Palavra para orar por Janete e encorajá-la, voltaram-se para o estudo. Era um texto sobre a vida de Cristo, e as mulheres — quase trinta — estavam realmente interessadas. Quase a classe inteira fazia as lições todas as semanas e muitas comparti- lhavam suas ideias ou faziam perguntas. Estavam envolvidas em uma dis- cussão a respeito do relacionamento de Cristo com seus discípulos, quando uma jovem que Janete não conhecia entrou silenciosamente e sentou-se ao fundo na sala. Ninguém notou a recém-chegada, mas Janete, que estava de frente para a turma, viu-a imediatamente. As alunas novas eram geralmente apresentadas e acolhidas com alegria, mas aquela chegara na hora errada. Várias alunas tentavam falar ao mesmo tempo, e Janete tinha certeza de que
  3. 3. 9 Lori Wick a novata iria apenas sentir-se constrangida, caso fizesse com que fosse notada naquele momento. — Penso que Jesus era chegado a todos eles — comentou uma das mulheres —, mas também acho que fica claro que alguns poderiam ser considerados amigos mais íntimos. —Concordo—,interrompeuoutradogrupo.—Euestavalendoontemànoitesobrea idadeleaojardimparaorarenoteiemMateus26queJesussólevouPedro,Tiagoe Joãoemsuacompanhia.Ostrêsdiscípulosnãoconseguiramnemficaracordados para ajudá-lo! — A voz dela demonstrava certo desapontamento. — Aquele deve ter sido um momento muito vulnerável para Jesus, e acho interessante que ele só tenhachamadoaquelespoucosdiscípulosparacompartilharseusofrimento. — O que podemos aprender aqui? — perguntou Janete, sabendo que o horário estava quase chegando ao fim, e desejando que as alunas se retirassem levando com elas um ensino especial. Seus olhos passaram pelo grupo esperando uma resposta. Enquanto isso, notou que a nova aluna, lá no fundo da sala, buscava a resposta em sua Bíblia, mas foi uma das alunas regulares que respondeu. — Essa talvez seja apenas a ponta do iceberg, mas penso que pode ser uma evidência de que é normal ter várias amigas cristãs, embora provavelmente não tenhamos dúzias de amigas cristãs íntimas. — Estava pensando a mesma coisa — exclamou outra. — Vamos ter amigas, talvez muitas ou talvez poucas, mas não podemos esperar ser íntimas de todas elas. — Mas e as outras? — desafiou Janete. — Todo homem certamente queria ser um amigo íntimo de Jesus. Vocês acham que houve ciúmes entre eles? Muitas cabeças acenaram afirmativamente. — Era certa essa inveja? Ouviu-se um coro de negativas. — E nós? É fácil cair na mesma armadilha? Claro que sim. Queremos ser ami- gas das mulheres mais “populares”. — Janete levantou os dedos, fazendo o sinal de aspas. — Somos tentadas a ficar zangadas quando não podemos nos tornar amigas da líder de estudo bíblico, da mulher do pastor ou até da mulher que faz solos com uma voz angelical. Algumas mulheres mostraram uma expressão um tanto solene no rosto. Janete continuou a falar com mais gentileza.
  4. 4. 10 O coração de Sofia — Posso ver que algumas de vocês estão espantadas com esta linha de pensamento. Sei que muitas são recém-convertidas e pensam que deixaram para trás essas ati- tudesnogrupodecafédoescritórioounorecreiocomasgarotasdasegundasérie. Janete continuou falando: — Detesto dizer isso, mas tais atitudes podem e são muitas vezes encontradas entre cristãos. Devemos lutar contra essa divisão. Você pode ou não ter conflitos nessa área; mas, de qualquer modo, peça ajuda a Deus para que o seu motivo seja puro, não no sentido de exaltar-se. Depois, pergunte-lhe onde ele quer que você ministre ou de quem ele quer que você seja amiga. Com isso chegamos ao fim — disse Janete repentinamente, ao ver que a visitante no fundo da classe se levantava para sair. E arrematou: — Estou certa de que voltaremos a discutir este assunto. Mas agora, Nanci, quer por favor terminar com uma oração? Enquanto as mulheres inclinavam a cabeça, Janete foi rapidamente até o fundo da classe. Encontrou o vestíbulo vazio e praticamente correu até a porta para encontrar a jovem que entrara novamente. Ela já estava cruzando o estacionamento quando Janete a chamou. — Gostei muito que tivesse vindo hoje — disse Janete, e mostrou-se agra- decida quando a mulher parou, voltou-se surpresa e depois sorriu. Janete aproximou-se dela e estendeu a mão. — Sou Janete Ring e fiquei contente por ter vindo à nossa reunião. Elas se cumprimentaram. — Sou Sophia Velikonja — respondeu a mulher mais alta suavemente. Janete piscou, procurando desesperadamente identificar de onde era aquele sotaque forte. — Desculpe — disse finalmente. A outra mulher sorriu de novo, um sorriso lindo e caloroso. — Por favor, me chame de Sofia. Sinto ter de ir embora, mas tenho de trabalhar. — Tem de ir trabalhar? — Janete estava começando a entender os sons. — Sim, tive muito prazer em estar na reunião hoje, mas preciso voltar ao trabalho. Janete sorriu: — Que bom que gostou. Espero que volte. — Voltarei, com certeza, mas não sei o horário. Cheguei atrasada hoje.
  5. 5. 11 Lori Wick — Começamos às 9 horas e geralmente terminamos cerca das 10h30. Sofia fez um sinal com a cabeça. — Vou tentar. Obrigada, Jana. — Janete — corrigiu-a amavelmente. — Janete. — Sofia pronunciou o nome e recebeu um sorriso de Janete. — Até logo, Janete. — Até logo, Sofia. Sofia virou-se para ir embora e Janete voltou para a sala de aula. Se tivesse permanecido ali, teria visto que Sofia não saiu de carro, mas continuou andando até deixar o estacionamento. Isso não era esforço para Sofia, pois a vida toda ela se acostumara a caminhar. Como tinha de chegar logo ao trabalho, andava depressa, com a bolsa e a Bíblia na mão. Ao se aproximar do ponto de ônibus, ficou aliviada ao ver que o veículo estava subindo a rua. Uma vez sentada, olhou pela janela e refletiu sobre os acontecimentos da ma- nhã. Ficou agradecida por Janete Ring ter ido à sua procura. Ficara preocupada por chegar atrasada e por sair cedo. A princípio, dissera a si mesma que nem valia a pena ir, mas a necessidade de encontrar um grupo cristão, mesmo que fosse por pouco tempo, a pressionara. Não seria fácil ir ao estudo bíblico e chegar a tempo no trabalho, mas Sofia sen- tia agora que o esforço fora compensador. Orou por Janete Ring e pelas outras mulheres da classe. Antes que percebesse, o tempo havia passado e estava na hora de descer do ônibus. u — A mesa três está em desordem, Sofia, e Barb precisa de uma mesa para oito em quinze minutos. — Está bem, senhor Markham — respondeu Sofia, empurrando seu carrinho em direção à sala de refeições. Desde a sua primeira semana na América, ela trabalhava no Tony’s, um bom restaurante de Chicago. Chegara finalmente ao posto de “transportadora de carrinhos”. Sofia percebera que aquela função era melhor do que lavar pratos ou fazer a limpeza noturna. Mesmo assim, era trabalho pesado e mal pago. A pior parte do emprego era, vez por outra, ser tratada pelo chefe e pelas garçone- tes como uma criança retardada.
  6. 6. 12 O coração de Sofia Sofia sempre dizia a si mesma que, se um dia viesse a ser garçonete, jamais faria alguém se sentir tolo. Mas começava a parecer que nunca teria a oportu- nidade de ser garçonete. Sabia que elas ganhavam bem e esperava algum dia conseguir esse trabalho. O senhor Markham, porém, tornara claro em várias ocasiões que seu inglês era ainda deficiente. Sofia chegara à conclusão de que, se a sua habilidade de falar o idioma da América não era boa o bastante, o problema estava nela. Na mente de Sofia, essa era a pior parte da vida nos Estados Unidos. Nem mesmo a separação da avó fora tão penosa comosentir-seinvisívelamaiorpartedotempo.Porlutarcomaspalavras,aspessoas pensavam que era retardada ou que não iria compreender alguns dos comentários cruéis que faziam diante dela. Para sua tristeza, ela os compreendia muito bem. — Não são oito, são dez. — O quê? Sofia, que estivera trabalhando febrilmente para aprontar as coisas, arregalou os olhos para a garçonete. Barb, que não era uma das mais delicadas, revirou os olhos e falou com Sofia como se fosse uma idiota: — Aumentou o número de pessoas. Preciso de dez pratos, não de oito — disse Barb, erguendo os dedos no ar. — Está bem — respondeu Sofia, cuidando de fazer a mudança. — Por que as pessoas não ficam em seu país? — resmungou Barb em voz alta enquanto saía. Por alguns segundos, Sofia ficou absolutamente imóvel, pensando que a dor em seu coração iria matá-la. u — Conheci uma mulher hoje. Davi Ring, colocou de lado o jornal que lia. O tom de voz da mulher atraiu imediatamente sua atenção. Estavam sozinhos na sala de estar. Os três filhos já haviam dormido, e aquele era finalmente o tempo “deles” à noite. — Onde a conheceu? — Ela veio ao estudo bíblico. — Janete respondeu com um olhar pensativo. — Ela é cristã?
  7. 7. 13 Lori Wick — Estava com uma Bíblia. — Você acha que ela vai voltar? — Acho que sim. Não tive oportunidade de saber nada a seu respeito, mas havia nela algo muito especial... — Como se chama? — Sofia. Falou o sobrenome, mas é estrangeira e seu sotaque dificultou minha compreensão. — Espero que a veja novamente. — Eu também. Gostaria de ter tido mais tempo com ela, estou então pedindo ao Senhor que a mande de volta. — Vou orar também por ela. Você já decidiu se vai telefonar para o Alec? — perguntou o marido. As lágrimas imediatamente encheram os olhos de Janete, mas ela sacudiu a cabeça negativamente. — Decidi escrever a ele para que saiba que me importo. Pensei também em convidá-los para nos visitar antes que as aulas comecem. — Faça isso — disse Davi imediatamente. — Conte que o calor está forte, mas podemos passar o dia na piscina. Ficaram então em silêncio, mas a mente de Janete só pensava em Alec. Deveria escrever ou telefonar para convidá-lo? Não tinha muita certeza disso, e ainda tentava resolver o problema quando ela e Davi foram deitar.

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