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Livro Cristão Economia e Fé no Início da Era Cristã - Justo L. González

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Ideias referentes à economia e ordem social foram preocupações centrais da igreja cristã primitiva, mas os teólogos e estudiosos modernos têm prestado pouca ou nenhuma atenção para essas questões como questões teológicas importantes. Este estudo brilhante e completo é uma história dos pontos de vista que os cristãos têm tido sobre a origem, o significado e o uso da riqueza. Justo González examina as ideias, crenças e ensinamentos dos cristãos primitivos sobre o uso do dinheiro, a propriedade, a partilha comunitária e os direitos e obrigações dos ricos e pobres. Este trabalho profundo, esclarecedor e altamente legível é uma grande contribuição para o estudo da história do pensamento cristão. Ele demonstra claramente que as questões de economia e justiça social são preocupações teológicas centrais, profundamente enraizadas na doutrina e tradição cristãs.

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  1. 1. I Introdução O estudo da história sempre envolve um relacionamento bipolar entre o passado e os interesses e perspectivas do histo- riador. O mesmo é verdade para a história do pensamento cris- tão. Durante os debates após a Reforma, um grupo de teólogos protestantes em Magdeburg começou a publicar a história da igreja (conhecida como os Séculos de Magdeburg), em que ten- tava mostrar que o luteranismo era mais fiel tanto à proclama- ção cristã original quanto à melhor tradição cristã. Esse estudo resultou em várias refutações, das quais o trabalho mais rele- vante foi Ecclesiastical Annals [Anais eclesiásticos], do cardeal César Barônio. Tanto na obra Séculos de Magdeburg quanto nos Anais de Barônio, os assuntos levantados e as perguntas feitas aos textos antigos foram determinados pelas polêmicas em torno da Reforma Protestante. Os dois trabalhos, no entanto, abriram campos inexplorados de estudos e, portanto, deram origem à disciplina moderna da história da igreja. A polaridade entre as preocupações dos polemistas do século XVI — quer protestantes quer católicos —, por um lado, e os textos antigos dos primórdios da igreja, por outro lado, levou a uma nova leitura desses antigos textos e, por meio dela, a uma melhor compreensão dos mesmos. Os historiadores do século XX não estão isentos dessa pola- ridade. Nossa perspectiva favorável pode limitar nossa com- preensão dos textos antigos — e, nesse caso, parte de nossa tarefa é nos certificarmos de que não deixamos de lado as percepções das gerações de historiadores que nos precederam. Por outro lado, essa perspectiva favorável pode também enriquecer nossa compreensão desses textos ao nos estimular a propor novas per- guntas em relação a eles. Em nenhum aspecto isso fica mais claro do que em assun- tos que têm a ver com as perspectivas econômicas dos cristãos
  2. 2. Economia e fé 12 primitivos. Estudiosos, até tempos relativamente recentes, dedi- caram pouca atenção aos ensinamentos econômicos da igreja primitiva (ou, de fato, aos ensinamentos sobre economia de qual- quer cristão, exceto dos mais recentes). Quando comecei a ler as cartas de Ignácio de Antioquia, cerca de 35 anos atrás, fiquei fas- cinado por tudo o que ele tinha a dizer sobre o sentido da comu- nhão e união na igreja — fiquei tão fascinado desde aquela época que passei a maior parte de minha carreira profissional estu- dando a história do pensamento cristão.1 Nos primeiros vinte anos daquele estudo, prestei muita atenção ao desenvolvimento da doutrina da Trindade, à cristologia, à escatologia, etc., mas pouca ou nenhuma atenção aos assuntos relacionados à riqueza e a seu uso. Foi apenas nos últimos dez anos que, estimulado pelos novos desenvolvimentos na teologia e na vida da igreja, comecei a fazer perguntas diferentes em relação a esses mesmos textos e a prestar mais atenção aos textos que lidavam especificamente com a ordem econômica e social. À medida que passei a fazer isso, fiquei cada vez mais convencido de que esses assuntos estavam longe de ser tangenciais à vida da igreja primitiva, mas eram cen- trais a ela, e de que, sem a compreensão apropriada deles, temos apenas uma visão truncada daquela vida. O fator mais importante levando a essa compreensão — pelo menos, em meu caso — foi o desenvolvimento da teologia da libertação. Na América Latina e em outras partes do que é comumente conhecido como o Terceiro Mundo, os cristãos envolvidos na luta por justiça social afirmam que os assuntos com os quais estão envolvidos são questões teológicas, profun- damente enraizadas na doutrina e tradição cristãs. Com argu- mentos acadêmicos e convincentes, eles afirmam que a melhor forma de compreender o Deus das Escrituras é fazendo justiça — e não por meio do discurso filosófico —, e que essa justiça inclui assuntos tais como posse permanente da terra, distribuição e administração da riqueza e de alimentos para os famintos. Não estão apenas afirmando o que é lugar comum: que os cristãos devem se preocupar a respeito desses assuntos. Estão, na ver- dade, dizendo isso, mas muito mais que isso. Estão dizendo que a fé cristã e o Deus cristão são muitíssimo mal compreendidos 1 Resumi os resultados desses estudos em Uma história do pensamento cristão, 3 volumes, São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
  3. 3. Introdução 13 quando a teologia não põe essas preocupações em seu cerne. E também estão dizendo que as realidades e agendas econômicas influenciam e são influenciadas por um discurso teológico apa- rentemente abstrato. Nesse ponto, as teologias da libertação apoiam-se em outro desenvolvimento que as levou — não só elas, mas também toda iniciativa teológica — a fazer novas perguntas e desenvolver novas metodologias. Isso representa o crescimento das discipli- nas sociais, em particular da sociologia e da economia. Essas dis- ciplinas relativamente novas causaram grande impacto na forma como lemos a história. Portanto, por exemplo, a história do império romano escrita hoje não pode mais lidar exclusivamente com assuntos culturais e militares, sem dedicar a devida atenção ao comércio, à propriedade da terra, aos sistemas de produção, às finanças, etc. O mesmo é verdade com a história do cristia- nismo, a qual, cada vez mais, leva em consideração a pesquisa e o debate sobre a composição social da igreja nos vários estágios da história.2 Há muitas razões por que essas tentativas de pesquisa sócio-histórica são problemáticas. A mais importante dentre elas é a natureza mesma da evidência. Os materiais escritos, por sua própria natureza, refletem uma determinada camada social e cultural, e aqueles mencionados — o nome, a ocupação e a con- dição econômica —, em geral, não são representantes de toda a comunidade. O material arqueológico é fragmentado, escasso e dificilmente representativo de uma comunidade existente em todo o Império, como era o caso da igreja. Descrições amplas da realidade social da igreja em qualquer ponto durante os primei- ros séculos estão propensas a ser supersimplificações falaciosas. 2 A bibliografia sobre esse assunto é extensa. Veja Benigni, U. Storia sociale della Chiesa. Milano: Francesco Vallardi, 1906; Judge, E. A. The Social Pattern of Christian Groups in the First Century. London: Tyndale, 1960; Hinchcliff, P. “Church and Society before Nicea”, CQR, 165, 1964, p. 39-50; Kowalanski, P. “The Genesis of Christianity in the Views of Contemporary Marxist Specialists of Religion”, Ant, 47, 1972, p. 541-75; Malherbe, A. J. Social Aspects of Early Christianity. Baton Rouge: Louisiana State University Press, 1977; Grant, R. M. Early Christianity and Society: Seven Studies. New York: Harper & Row, 1977; Barraclough, G., ed. The Christian World: A Social and Cultural History. New York: Harry N. Abrams, 1980; Judge, E. A. “The Social Identity of the First Christians: A Question of Method in Religious History”, JRH, 11, 1980, p. 201-17; Meeks, W. A. The First Urban Christians: The Social World of the Apostle Paul. New Haven: Yale, 1983.
  4. 4. Economia e fé 14 Há ainda muita pesquisa a ser feita nesse campo antes que seja possível apresentar um retrato mais abrangente. Esse tipo de pes- quisa, todavia, chegou a algumas conclusões preciosas, embora fragmentadas, e procurei levá-las em consideração nesta obra. Este trabalho, de qualquer modo, não é uma tentativa de acrescentar algo ao corpo da literatura, que cresce de forma rápida, sobre o perfil sociológico e econômico da igreja primi- tiva. Não é uma “história social” nem uma “história econômica” do cristianismo durante os primeiros quatro séculos de sua exis- tência. É, antes, uma história das perspectivas que os cristãos defenderam em relação aos assuntos econômicos, em particular à origem, ao sentido e ao uso da riqueza. A questão central nas páginas a seguir não é o quão ricos ou quão pobres os cristãos eram em um determinado tempo e lugar, mas, antes, o que os cristãos pensavam e ensinavam com relação aos direitos e às responsabilidades dos ricos e dos pobres. As duas questões, de forma bem clara, estão entrelaçadas e não podem ser inteira- mente separadas, pois os cristãos, quaisquer que tenham sido os ensinamentos em relação a esses assuntos, tinham algo a ver com as condições sociais e econômicas de suas comunidades. O foco aqui, no entanto, está na história das ideias cristãs sobre as rela- ções econômicas e sociais, e não sobre a história dessas relações em si mesmas. É possível dizer que o que estou tentando fazer nestas páginas pertence ao campo da história das doutrinas, há muito tempo meu próprio campo de interesse, mas a diferença é que agora estou investigando o que os cristãos têm a dizer sobre a origem e o uso da riqueza, e não o que têm a dizer sobre a Trindade ou a eucaristia. Infelizmente, esse aspecto da doutrina cristã, em geral, tem sido ignorado pelos historiadores da teologia e é muito menos conhecido pela igreja em geral. Essa pode ser uma das razões por que tantos cristãos, quer católicos quer protestantes — quando os bispos católicos dos Estados Unidos publicaram a Carta Pastoral sobre a economia daquele país ou quando o papa João Paulo II publicou a encíclica Solicitudo rei socialis —, questionaram a sabe- doria dos líderes da igreja do campo da teologia para fazer afir- mações sobre a economia. A verdade é que, conforme as páginas a seguir mostrarão de forma ampla, a economia era uma questão teológica desde os primórdios; e ainda o é. Portanto, parte de meu propósito no presente estudo é tornar conhecido o material
  5. 5. Introdução 15 patrístico sobre algumas questões como a distribuição e o uso adequados da riqueza, a posse permanente da terra, os direitos dos pobres, etc.3 Decidi, depois de alguma deliberação, não tratar direta- mente da questão das atitudes dos cristãos em relação à escra- vidão. Não resta a menor dúvida de que a escravidão é também uma questão econômica e de que é impossível entender o sis- tema romano de produção, pelo menos em algumas seções do Império, sem levar em consideração o sistema escravagista desse Império. Todavia, no período que mais nos interessa aqui, a importância da escravidão como meio de produção estava em declínio, e os trabalhadores que eram tecnicamente livres, mas cuja liberdade real era cada vez mais limitada, passaram a ocupar o lugar dos escravos. Foi nesse contexto que discuti a escravidão. Procurei clarificar a natureza da antiga escravidão e seu lugar na economia do império romano. O que não procuro fazer é uma revisão da legislação, quer civil quer eclesiástica, concernente à escravidão nem pesquisar as atitudes cristãs em relação ao sis- tema escravagista do império romano.4 Por causa do papel cada vez menor da escravidão como meio de produção nos primeiros séculos da era cristã, tal discussão teria a tendência de desviar- -se dos assuntos econômicos. Os escravos no império romano, contrariamente ao nosso pressuposto comum, nem sempre eram pobres ou destituídos de poder. Os escravos, conforme afirmou M. I. Finley, “faziam o mesmo tipo de trabalho civil que seus semelhantes livres, da mesma forma e sob as mesmas condições, apesar da diferença formal na posição legal”.5 Por fim, uma palavra sobre o subtítulo de nosso presente trabalho. No início, pensei neste subtítulo: “Cristianismo e eco- nomia nos primeiros quatro séculos da era cristã”, mas, por fim, 3 Três antologias dos textos patrísticos sobre esses assuntos são as seguin- tes: Shewring, W. Rich and Poor in Christian Tradition. London: Burns Oates & Washbourne, 1948, que inclui apenas seis seleções do período que estamos estudando; Hamman, A. Riches et pauvres dans l’église ancienne. Paris: Grasset, 1962; e Sierra Bravo, R. Doctrina social y económica de los padres de la Iglesia. Madrid: COMPI, 1976. Este último estudo tem seleções abundantes, embora, algumas vezes, sem contexto suficiente. 4 Uma tarefa bem feita foi a de Gülzow, H. Christentum und Sklaverei in den ersten drei Jahrhunderten. Bonn: R. Habelt, 1969. 5 Finley, M. I. The Ancient Economy, 2ª ed. Berkeley: University of California Press, 1985, p. 65.
  6. 6. Economia e fé 16 desisti desse subtítulo porque o uso da palavra “economia” representaria um anacronismo e, portanto, seria um tanto con- fuso. Quando os anciãos falavam de oikonomía, eles compreen- diam algo muito diferente do que compreendemos hoje com nosso termo derivado dessa palavra grega, “economia”. Quando Xenofonte escreveu sua obra Oikonomikos, ele produziu um tra- tado com conselhos práticos e éticos sobre a administração de uma propriedade rural — com terras, escravos, etc. A palavra, por fim, passou a significar apenas “organização” ou “adminis- tração”, e foi nesse sentido que Demóstenes aplicou o termo para a administração de uma cidade; Quintiliano usou-o para se refe- rir à organização de um poema; e Tertuliano, à “autoadministra- ção” do Deus Trino. Se os antigos não tinham palavra para nosso conceito moderno de “economia”, isso era porque também não tinham esse conceito. Conforme veremos, eles tinham ideias definidas sobre como a sociedade deveria ser ordenada — por exemplo, se deveria haver propriedade privada ou não. Também com- preendiam as conexões entre a disponibilidade das mercadorias e a flutuação dos preços. Especulavam sobre as razões por que o dinheiro era valioso e sobre as conexões existentes entre valor monetário e as convenções sociais. O que eles não fizeram foi reunir tudo isso em uma perspectiva coerente do fenômeno eco- nômico e do seu comportamento. E, muito menos, viam qual- quer conexão — exceto as mais óbvias — entre a política do governo e a ordem econômica. Foi só na época de Diocleciano que o império romano teve algo que, só de forma bem remota, se assemelhava a um orçamento. Mesmo nessa época, parecia haver pouca compreensão da conexão entre inflação e supri- mento de dinheiro. Portanto, embora governantes, com frequên- cia, se preocupassem com a condição dos pobres — por causa da ameaça que eles representavam —, as únicas soluções eram as medidas quebra-galhos, como as doações. Os cristãos primitivos não tinham melhor entendimento do funcionamento da economia que o restante de seus contempo- râneos. Conheciam — e, com frequência, experimentavam — o fosso que separava o rico do pobre e viam esse fosso se aprofun- dar à medida que o tempo passava. Eles, porém, não tinham os instrumentos da análise social e econômica que, em geral, asso- ciamos ao termo “economia”.
  7. 7. Introdução 17 É por essa razão que prefiro falar da perspectiva de “fé e riqueza”, e não de “economia”. Falando de forma estrita, os cris- tãos da Antiguidade, como os romanos, não tinham economia. Tinham, entretanto, um senso muito forte de riqueza e do quanto a sua distribuição — ou ausência dela — afetava as pessoas. Também tinham um senso muito forte de fé e uma convicção igualmente forte de que, de alguma maneira, esses dois assuntos cruciais — fé e riqueza — tinham de estar relacionados. Foi com essa convicção que este livro foi escrito. À medida que lemos o que as pessoas da Antiguidade tinham a dizer sobre fé e riqueza, podemos discordar da sua compreensão a respeito do funcionamento da economia. Podemos ser capazes — e deve- mos sê-lo — de melhorar sua perspectiva com nossa compreen- são das forças — e das forças contrárias — atuantes no sistema econômico, até mesmo no deles. Não podemos permitir, no entanto, que isso obscureça o principal ímpeto do que eles têm a dizer: que as questões de fé e riqueza não podem ser separadas; que não podemos nos esconder atrás de nosso conhecimento téc- nico do funcionamento da economia a fim de evitar as questões cruciais; e que, no final das contas, as questões cruciais sobre a economia dizem respeito à ética e à fé. Como este estudo foca os principais teólogos da igreja nos primeiros quatro séculos de sua existência, temos de exami- nar primeiro — a fim de entender a sua visão — o histórico em que trabalhavam. Este é o propósito dos dois capítulos que se seguem a esta Introdução — e que estão agrupados na “Parte um: Histórico”. Na tentativa de compreender esse histórico, deve- mos primeiro examinar as três principais correntes que influen- ciaram a igreja nascente: grega, romana e judaica. Esse será o assunto do Capítulo II, “A sabedoria dos antigos”. No Capítulo III, “A economia romana”, devemos esboçar a maneira como a vida econômica do império romano era organizada e como ela se desenvolveu dos primórdios da igreja até o século IV. A ordem desses dois capítulos, entretanto, é ditada pela cronologia, e não por razões metodológicas — seria estranho retornar aos gregos da Antiguidade e à lei judaica depois de examinar o desenvol- vimento do império romano até o século IV —, mas não se deve entender que isso deixa implícito que a reflexão teológica é fun- damentada em ideias e, apenas secundariamente, nas realidades concretas da vida econômica.
  8. 8. Economia e fé 18 Nas Partes dois e três, tentei seguir o desenvolvimento cro- nológico da perspectiva cristã sobre fé e riqueza. O ponto óbvio e necessário da divisão entre essas duas partes é a mudança radical da política que aconteceu sob Constantino. Por fim, em uma breve conclusão, intitulada “Retrospecto” — Capítulo XIII —, busquei resumir as principais descobertas de todo o ensaio e sugerir alguns temas para outros questionamentos e reflexões.

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