ERGONOMIA - POSTURAS NOS CUIDADOS
CORPORAIS
Joaquim Lourenço
Índice
INTRODUÇÃO 3
A ERGONOMIA E A SUA APLICAÇÃO NO SETOR
DOS CUIDADOS CORPORAIS 5
FATORES DE RISCO ASSOCIADOS ÀS CONDIÇÕES
DE TRABALHO NO SETOR DOS CUIDADOS CORPORAIS 8
ESPAÇO E DIMENSÕES DO POSTO DE TRABALHO 11
UTENSÍLIOS E EQUIPAMENTOS DE TRABALHO 15
AMBIENTE FÍSICO 20
FATORES DE RISCO ASSOCIADOS ÀS CONDIÇÕES
ORGANIZATIVAS NO SETOR DOS CUIDADOS CORPORAIS 26
POSIÇÕES/POSTURAS DE TRABALHO 31
BIBLIOGRAFIA 36
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ERGONOMIA - POSTURAS NOS CUIDADOS
CORPORAIS
INTRODUÇÃO
ERGONOMIA é a ciência que estuda a relação entre o Homem e o trabalho que executa,
procurando desenvolver uma integração perfeita entre as condições de trabalho, as
capacidades e limitações físicas e psicológicas do trabalhador e a eficiência do sistema
produtivo.
É uma maneira de pensar e planear o trabalho, organizando-o e adaptando-o às capacidades e
necessidades da pessoa que o executa. É na sua expressão mais simples "uma ciência que trata
de adaptar o trabalho ao trabalhador".
Os princípios ergonómicos aplicam-se também a aspetos temporais do trabalho, horários,
pausas, ritmos, formas organizativas, enriquecimento de tarefas para evitar o stress e controlar
a carga psíquica e mental do trabalho.
A Ergonomia, para além de humanizar o trabalho pode contribuir para uma maior rentabilidade
do mesmo.
Os critérios ergonómicos aplicados desde a fase do projeto, na estruturação do trabalho e nas
condições de realização das tarefas, constituem importante medida preventiva para evitar
doenças contraídas pela permanência prolongada no posto de trabalho.
Tipos de ergonomia:
• COGNITIVO - Preocupa-se com os processos mentais, tais como a perceção, raciocínio,
resposta motora, na medida em que afetam as interações entre o ser humano e os
outros elementos que fazem parte do sistema;
• FÍSICO - Preocupa-se com as caraterísticas anatómicas, antroprométricas, fisiológicas e
biomecânicas humanas na medida em que se relacionam com a atividade física;
• ORGANIZACIONAL – Preocupa-se com a otimização dos sistemas sociotécnicos,
incluindo a estrutura organizacional, politicas e processos
O trabalho em pé, comum em alguns sectores industriais, comércio, serviços, implica só por
si uma sobrecarga dos músculos das pernas, costas e ombros, mas tem também outros
inconvenientes entre os quais se salientam:
a circulação sanguínea nas pernas faz-se mais lentamente o que pode provocar o
aparecimento de varizes;
o repouso do corpo assenta numa superfície muito pequena e a manutenção
prolongada do equilíbrio conduz a uma tensão muscular constante.
Muitos profissionais dos salões de estética sofrem de perturbações músculo-
esqueléticas, nomeadamente ao nível cervical, dos ombros e dos pulsos, devido a posturas
incorretas e ao trabalho de pé. A função da esteticista obriga-a a reclinar-se para o cliente,
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assim como a fazer movimentos repetidos de torção da coluna vertebral, sendo numerosas as
posturas incorretas adotadas.
É essencial que todos os representantes do setor compreendam que grande parte dos
problemas de segurança e saúde se relacionam com a não aplicação dos princípios da
ergonomia. Se tomarem consciência da importância da ergonomia, os trabalhadores melhorar
as suas condições de trabalho, sobretudo se os empregadores compreenderem a relação que
existe entre produtividade e boas condições ergonómicas. Isto é, estamos perante uma
responsabilidade repartida que requer esforços e atuações de ambas as partes para enfrentar
com êxito a luta contra os problemas de saúde e de segurança.
A filosofia crescente no culto do corpo, assumida por pessoas de todas as idades e sexo,
obriga ao surgimento de novos produtos e serviços que se incorporam no mercado com uma
grande aceitação. Alguns dos serviços que até há pouco se qualificavam “de luxo” passaram a
considerar-se “necessários”. Mulheres, homens, jovens e seniores, são cada vez mais
utilizadores dos serviços de cuidados corporais (tanto de cabeleireiro como de estética). E eles
exigem serviços e profissionais qualificados, conhecedores das novas técnicas e da sua aplicação
e que se atualizem permanentemente nas novas tendências e modas.
Nos últimos anos os problemas ergonómicos adquiriram uma importância considerável.
Todos os anos se verificam milhões de lesões, o que implica horas de trabalho perdidas e um
considerável custo sanitário. A generalização dos transtornos músculo esqueléticos nos
trabalhadores de qualquer setor produtivo impõe a necessidade de iniciar ações preventivas
para evitá-los ou minimizá-los.
Os trabalhadores dos serviços de cuidados corporais são dos mais afetados pelo
aparecimento de alterações musculares que se associam principalmente às condições
ergonómicas do trabalho.
Este trabalho tem como objetivo geral incentivar uma mudança de atitude para a
sensibilização e consciencialização preventiva dos profissionais dos cuidados corporais,
generalizando o conhecimento da ERGONOMIA como técnica preventiva e a sua aplicação no
setor, introduzindo os princípios ergonómicos no posto de trabalho, por forma a serem
aproveitados os seus benefícios na melhoria da saúde dos trabalhadores.
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ERGONOMIA - POSTURAS NOS CUIDADOS
CORPORAIS
A ERGONOMIA E A SUA APLICAÇÃO NO SETOR DOS CUIDADOS
CORPORAIS
Até há poucos anos, neste setor apenas se falava de cabeleireiros e apenas se distinguia
o “salão de beleza” onde se faziam tratamentos diferentes dos habituais, como depilação e
massagens. Posteriormente, perante a aparição de novas técnicas e ao aumento da procura, os
serviços que se prestavam nos cabeleireiros e centros de beleza foram sendo cada vez mais
variados e sofisticados: lavagem, massagem capilar, corte, penteado, coloração, madeixas,
massagem facial, maquilhagem, depilação com cera fria e quente, manicura, pedicura, etc..
Atualmente, nos serviços de cuidados corporais reúnem-se todas as atividades que se
integram num amplo conceito de beleza e cuidados pessoais.
Perante a evolução do setor, os profissionais sentem necessidade de diversificar os
serviços oferecidos e incorporar de forma progressiva os serviços e técnicas que começam a ser
mais procurados pelos clientes com o objetivo de responder às suas necessidades, se quiserem
ser mais competitivos. É evidente que isto vai trazer novas atividades, técnicas, produtos e o
emprego de utensílios e aparelhos que, definitivamente, aumentam e modificam os riscos
laborais já existentes.
A ergonomia é uma ciência que pode fazer melhorar de forma considerável as condições
de trabalho em qualquer setor produtivo.
Podemos definir ergonomia como sendo o estudo da adaptação do trabalho às
caraterísticas fisiológicas e psicológicas do ser humano. Mas também se incluem outros fatores
que determinam as condições ambientais e que podem influir no desempenho adequado do
trabalho como a iluminação, o ruído, a temperatura, as vibrações, etc..
As condições de trabalho no setor dos cuidados corporais pode beneficiar imenso com a
aplicação da ergonomia. Não podemos esquecer que as tarefas desempenhadas se caraterizam
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por serem fundamentalmente manuais, ocasionando posturas incorretas que afetam as costas
e pescoço, com movimentos repetitivos de braços, mãos e pulsos, ao mesmo tempo que é
exigida grande acuidade visual. Isto faz com que cada vez haja mais trabalhadores que sofrem
de dores nas costas, costas, pescoço, inflamação de articulações e tensão ocular, aumentando o
risco de transtornos e lesões músculo esqueléticas.
Por isso, aplicar princípios ergonómicos implica vantagens a todos os que integram o
setor: Para os empresários, melhora a qualidade, a eficiência do trabalho e a produtividade.
Para os trabalhadores, evita lesões ou doenças dolorosas que limitam tanto a vida profissional
como a pessoal e facilita a execução das tarefas de uma forma mais cómoda.
O objetivo da ergonomia é simples: facilitar a relação entre o trabalhador e o posto de
trabalho, fazendo-o mais confortável e seguro. A ergonomia procura:
• A adaptação da relação trabalho/trabalhador
• O bem-estar do trabalhador no seu posto de trabalho
• A adequação entre a pessoa e o posto de trabalho
• A promoção da satisfação laboral
Primeiramente, devem-se conhecer diferentes aspetos que, sem a aplicação das medidas
preventivas adequadas, podem ser fontes do aparecimento de riscos ergonómicos, que
destacamos:
• Posturas incorretas e sofre-esforços durante a realização das tarefas
• Exigências físicas do trabalho que provocam cansaço e fadiga
• Condições ambientais inadequadas
Podemos afirmar que a aplicação da ergonomia nos serviços de cuidados corporais controla
o fator de risco mais importante: a carga física a que estão expostos os trabalhadores e que
podem contribuir para o aparecimento de transtornos músculo esqueléticos. Em concreto,
estamos perante riscos de:
Projeto dos postos de trabalho: espaços limitados para os movimentos necessários e
incorretos para os trabalhadores;
Desenho dos equipamentos de trabalho: uso continuado de ferramentas que vibram
(secadores), impossibilidade de subir ou descer as superfícies de trabalho (marquesas
de estética).
Posturas incorretas: a carga física estática ao manter uma postura de pé durante grande
parte da jornada de trabalho, sobre esforços causados por torsões e inclinações do
tronco, manter posturas forçadas (cabeça ligeiramente inclinada), movimentos
repetitivos de membros e articulações superiores (rotações dos braços e punhos),
aplicação de força excessiva e repetida com a mão (massagens), manipulação e
levantamento de pesos de forma incorreta (no armazém dos materiais de trabalho).
Perante esta realidade, é importante por iniciarmos por nos perguntar:
♦ Como se adapta o posto de trabalho ao trabalhador?
♦ Quanto tempo e que esforço é necessário para realizar cada tarefa?
♦ A tarefa é repetitiva?
♦ Poder-se-á diminuir o tempo de trabalho em pé?
♦ Realizam-se sobre esforços?
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♦ São necessárias as posturas forçadas (incorretas)?
♦ É possível ajustar-se a altura a que se realizam as tarefas?
♦ Utilizam-se assentos quando se trabalha de pé?
♦ Estão acessíveis os utensílios de trabalho?
♦ Há espaço suficiente para realizar o trabalho?
♦ Pode-se melhorar a iluminação?
♦ O nível de ruído é elevado?
♦ A temperatura pode ser regulada pelos próprios trabalhadores?
♦ As ferramentas e os utensílios a utilizar requerem torções da mão e/ou do punho?
É fácil deduzir que é necessário examinar as condições de trabalho. Aplicar os princípios
da ergonomia ao desenho dos equipamentos, do posto de trabalho e às tarefas ou à forma em
que estas se realizam pode melhorar consideravelmente a comodidade, a saúde e a
produtividade do trabalhador. Pelo contrário, a não aplicação dos princípios da ergonomia às
ferramentas, utensílios e postos de trabalho obrigará os trabalhadores a adaptarem-se a
condições de trabalho deficientes que se repercutirão na sua produtividade e na sua saúde.
Como consequência, a curto prazo o trabalhador apresentará sintomas de
incomodidade e dores durante e no fim do dia de trabalho. Esta situação dá indicação que se
está produzindo uma disfunção no organismo. Com o passar do tempo e não tomando
medidas, pode degenerar numa doença de carater permanente que incapacite gravemente o
trabalhador, levando a impedi-lo de poder desempenhar as suas tarefas de forma adequada.
A procura da adaptação do posto de trabalho ao homem coloca especial enfase no
desenho de postos de trabalho que se adaptem quer às caraterísticas dos trabalhadores quer
às tarefas a realizar. Porém, tal não é fácil por uma série de razões:
O ser humano é extremamente adaptável, mas a sua capacidade de adaptação
não é infinita;
Existem diferenças individuais, que podem ser muito grandes. Algumas são
evidentes (como a constituição física ou a força), mas outras (como as diferenças
culturais, de estilo ou de habilidade) são mais difíceis de identificar.
Apesar disso, existem intervalos de condições ótimas para qualquer atividade. Uma das
regras da aplicação da ergonomia consiste em definir quais são estes intervalos e explorar os
efeitos indesejados que se produzem quando se superam os limites. Por exemplo, o que sucede
se uma pessoa desenvolve o seu trabalho em condições de calor, ruído ou vibrações excessivas
ou deficientes, ou se a carga física ou mental de trabalho é elevada ou reduzida.
Os estabelecimentos dedicados aos serviços de cuidados corporais têm evoluído
consideravelmente e continuam a fazê-lo em função da procura dos clientes e do surgimento
de novos produtos, técnicas e serviços. Tudo isto coloca em evidência a importância que se
reflete claramente em dois aspetos.
Imagem dos estabelecimentos. É uma preocupação grande a imagem dos locais
de trabalho para que estes sejam atrativos e diferenciadores da competência
com o objetivo de atrair e fidelizar o cliente;
A estética dos equipamentos, utensílios e aparatologia. Os fornecedores
também estão contribuindo para que os centros sejam cada vez mais modernos
e inovadores. A elevada concorrência juntamente com as exigências e
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especificações de fabricação faz com que o setor disponha de utensílios,
equipamentos, mobiliário e aparatologia cada vez mais ergonómicos.
Considerando que a maioria do tecido empresarial do setor são microempresas, a
ergonomia não está suficientemente implantada, devido, principalmente, a:
→ As empresas, na sua grande maioria, não realizam avaliações de riscos ergonómicos,
limitando-se à contratação da avaliação inicial dos riscos a uma entidade externa.
Poderão ser identificadas posturas incorretas, movimentos repetitivos e lesões
músculo esqueléticas, inclusive que se estabeleçam as medidas preventivas mais
adequadas, mas será a própria empresa quem realmente deverá aplica-las. E
quando as medidas a adotar fazem referência ao espaço físico ou à aquisição de
nova aparatologia, há que ter em conta que a capacidade de investimento das
microempresas ou autónomos é, geralmente, baixa.
Os trabalhadores acumulam maus hábitos posturais que podem chegar a condicionar a
continuidade no setor. Por isso, é fundamental a vigilância da saúde, uma vez que permite
detetar situações de risco que poderiam desembocar em futuras incapacidades e/ou lesões.
Os empresários não estão suficientemente conscientes quanto à existência de riscos
ergonómicos. Não consideram clara a relação de causalidade entre os fatores de riscos
ergonómicos e as lesões músculo esqueléticas, o que faz com que não existam ou a existam
poucas medidas preventivas para o efeito.
Nos trabalhadores a consciencialização é maior, mas não suficientemente importante. A
formação profissional específica e contínua ajudam a criar hábitos saudáveis. Com efeito,
muitos dos trabalhadores corrigem os seus maus hábitos posturais no trabalho quando
começam a sofrer as primeiras dores físicas, mas a carga de trabalho nem sempre favorece que
mantenha essa atitude. Isto faz com que, em muitas ocasiões, se atribua ao empresário a
responsabilidade de atuação perante estes riscos sem que chegue a adquirir bons hábitos
individuais.
Os problemas não se manifestam a curto prazo, o que dificulta a que se tomem medidas
destinadas a minimizá-los. Os trabalhadores são afetados por um projeto mal concebido que
atualmente representa pequenas queixas físicas, mas que podem chegar a certa gravidade a
médio e/ou longo prazo, causando prejuízo quer a nível profissional quer a nível pessoal.
Tudo isto nos conduz à necessidade de impulsionar as políticas preventivas ergonómicas
e a sua aplicação real nos postos de trabalho do setor, no ponto de vista organizativo. No que
diz respeito aos trabalhadores, é importante fomentar a informação sobre as lesões e doenças
associadas ao não cumprimento dos princípios ergonómicos, sua sintomatologia e quais as
condições relacionadas com o trabalho que as causam e a formação necessária para as
enfrentar com as melhores garantias.
FATORES DE RISCO ASSOCIADOS ÀS CONDIÇÕES DE TRABALHO NO
SETOR DOS CUIDADOS CORPORAIS
Condições ambientais
A elevada concorrência no mercado faz com que os estabelecimentos que se dedicam
aos serviços de cuidados corporais procurem elementos diferenciadores que atraiam os
clientes. Nesta luta, a qualidade e/ou a atenção personalizada jogam um papel determinante. A
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própria imagem dos estabelecimentos para isso contribui. Por isso, os estabelecimentos tentam
desenvolver um ambiente atrativo para os clientes.
Procura-se criar um estilo prático, harmónico, acolhedor e multifuncional que
impressione de forma positiva o cliente desde o primeiro momento em que entra no
estabelecimento. Para isso, empregam-se materiais muito diversos, não existindo limites para o
uso de cores ou texturas e desenhos atrativos, contemporâneos, clássicos ou em algumas
situações mesmo atrevidos. Em geral, os centros de estética procuram ambientes agradáveis e
confortáveis que inspirem bem-estar e relaxamento, ao passo que os salões de cabeleireiro
usam desenhos mais modernos que inspirem modernidade e confiança ao cliente.
Para além da imagem global do estabelecimento, na hora de projetar o local é
necessário o desenvolvimento das tarefas seja o mais cómodo possível para os trabalhadores.
Deste ponto de vista, ao falar de condições ambientais referimo-nos a:
O projeto dos postos de trabalho deve ter como objetivo principal o diminuir o esforço
a realizar, minimizar a frequência dos movimentos e adequar todos os elementos
(mobiliário, utensílios, aparatologia) ao trabalhador que os utiliza em cada momento.
O ambiente físico (iluminação, temperatura humidade, ruído, etc.) que podem facilitar
ou prejudicar o desenvolvimento das tarefas. Estes elementos têm um componente
objetivo (medível e comparável com valores estandardizados e um subjetivo (sensação
de conforto/desconforto). Têm que se manter dentro dos valores objetivos
recomendados e procurar o conforto, ainda que este dependa em grande medida dos
indivíduos.
Conceção dos postos de trabalho
O posto de trabalho é o lugar que um trabalhador ocupa quando desempenha uma
tarefa- Existem disposições mínimas de segurança e saúde nos lugares de trabalho que definem
como “áreas do centro de trabalho, edificadas ou não, em que os trabalhadores devam
permanecer ou que as podem aceder em razão do seu trabalho”. O que quer dizer: casas de
banho. Armazéns e zonas de descanso têm que ser tratados como o próprio posto de trabalho.
É muito importante que todos os espaços sejam bem projetados com um duplo
objetivo: assegurar a produtividade e evitar acidentes e doenças relacionadas com o
desempenho das tarefas. Por isso há que ter em conta o trabalhador e a tarefa que vai realizar,
a fim de que esta seja desenvolvida comodamente e de forma eficiente. Se o posto de trabalho
está projetado adequadamente, o trabalhador poderá manter uma postura corporal correta e
cómoda, trabalhar com maior comodidade, eficácia e, por isso, será mais produtivo. Tudo isto
não acontecerá se o trabalhador se sentir incómodo no seu posto de trabalho. E neste caso, há
que considerar que o projeto do posto de trabalho foi errado e, portanto não é culpa do
trabalhador.
Portanto, podemos dizer que o objetivo do projeto dos postos de trabalho é a
eliminação das posturas prejudiciais e melhorar o rendimento do trabalhador, tendo em conta
as suas necessidades biológicas e preferências, assim como os requisitos das tarefas.
A adaptação do posto de trabalho ao homem é um dos princípios básicos da ação
preventiva. Mas, apesar disso nem todas as empresas projetam os postos de trabalho de
acordo com os princípios ergonómicos: as grandes empresas fazem-no na sua grande maioria;
no entanto os autónomos, micro e pequenas empresas farão menos.
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As diversas tarefas executadas pelos trabalhadores requerem exigências e requisitos
físicos que requerem conceções específicas do posto de trabalho. Neste campo, tem um papel
importante a antropometria, que é a ciência que estuda as medidas do corpo humano tomando
como referências as principais estruturas anatómicas.
O primeiro princípio é evidente: a importância do homem como parte fundamental de
qualquer projeto e a obrigação de manter a referência humana em todas as fases, desde o
projeto até à sua implementação. Para isso, há que considerar fatores antropométricos como:
Altura da cabeça: os objetos que deva observar devem estar à altura dos olhos ou um
pouco mais abaixo, evitando a postura do pescoço para trás;
Altura dos ombros: colocando os objetos de habitual por baixo da altura dos ombros,
minimizando a necessidade de elevar os braços;
Alcance dos braços: situando os objetos o mais perto possível (para evitar estender
demasiado os braços) e em linha reta (para evitar curvar-se para os alcançar);
Altura do cotovelo: ajustando a superfície de trabalho à altura do cotovelo ou um pouco
inferior para a maior parte das tarefas;
Longitude das pernas: adaptando a altura da superfície de trabalho e os assentos e
prevendo espaços para poder esticar as pernas;
Tamanho das mãos: tentando que alças e os puxadores se adaptem às mãos;
Tamanho do corpo: deixando espaço suficiente para os trabalhadores de maior estatura
possam mover-se com facilidade.
Para considerar que um posto de trabalho está bem projetado há que considerar as
caraterísticas mentais do trabalhador, suas condições de saúde e segurança. Temos, por isso,
que prestar atenção às seguintes condições:
A existência de vestiários e locais de descanso;
Espaço e dimensões do posto de trabalho
Mobiliário
Superfície de trabalho e distância dos utensílios a utilizar
Os utensílios e os equipamentos de trabalho
A aparatologia
Existência de vestiários e de locais de descanso
Para além do espaço propriamente dedicado ao serviço ao cliente, os centros de
cabeleireiro e de estética devem dispor de outras instalações essenciais, a que habitualmente
não se presta tanta atenção. Falamos de:
• Banheiros que, sempre que seja possível, sejam diferentes para clientes e
pessoal;
• Vestiários, com cacifos;
• Zona de armazenamento, na qual se guardarão as toalhas, roupas, cosméticos,
tintas, etc.. É necessário prestar atenção à sua organização, de modo a que os
alcances estejam diretamente relacionados com o uso dos elementos (mais
perto o de maior uso). Preparar-se-á um espaço adequado para a atividade de
desinfeção/esterilização e o armazenamento e acondicionamento do material já
utilizado;
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• Zona de descanso, que deve permitir que se coma e beba quando seja
necessário, uma vez que isso contribui para a redução da fadiga e a continuidade
da produtividade;
Espaço e dimensões do posto de trabalho
Quando falamos de espaço de trabalho referimo-nos ao local onde se realiza uma
determinada tarefa, o espaço (volume) destinado a um ou vários trabalhadores e aos meios de
trabalho que atuam em conjunto. Deve permitir desenvolver o trabalho com comodidade e
segurança, assegurando que os trabalhadores de maior envergadura tenham bastante espaço
para circular comodamente à volta do cliente.
Ao realizarem-se muitas tarefas de pé, podemos cair no erro de subvalorizar o espaço
necessário, mas juntando a existência de mobiliário móvel (carrinhos de ajuda, unidades de
lavagem, tabuleiros, etc.) pode tornar o espaço insuficiente.
Não podemos esquecer que é necessário facilitar a mobilidade do pessoal sem criar
incomodidades nem para os trabalhadores nem para os clientes.
Por isso, para além do espaço de trabalho, há que ter em consideração o equipamento
necessário e onde se situará. Assim, falamos da dimensão do posto de trabalho quando
consideramos o espaço de posto de trabalho e de todos os equipamentos necessários.
Para defini-lo de forma adequada temos de prestar atenção às posturas que são
necessárias, aos movimentos a realizar e à visibilidade espacial que é necessária, tentando que
não haja uma utilização excessiva de energia nem um grande esforço.
Em geral, aquando do projeto do posto de trabalho, ter-se-á em atenção a principal postura do
trabalhador, de pé ou sentado. Em qualquer caso, tenhamos em atenção:
A posição de pé (serviços de cabeleireiro, massagens, etc.) permite ao profissional
uma maior mobilidade, o que se deve valorizar para que haja o espaço suficiente;
Para reduzir a curvatura excessiva da coluna e as correspondentes doenças na zona
lombar, é recomendado elevar um dos pés apoiando-o num pequeno degrau, alternando cada
pé ao longo do tempo. Para além disso, quando os profissionais não se ajustam à superfície de
trabalho podem ser utilizadas pequenas plataformas ou estrados (com poucos centímetros de
altura).
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A posição sentada (manicura, foto depilação, limpeza facial, etc.) favorece uma
maior precisão e exatidão, mas limita os movimentos. Nestes casos, deve haver
espaço suficiente para os joelhos e pernas.
Quando existirem duas posições principais, o mais adequado é alternar entre elas, num
determinado espaço de tempo. Desta forma melhora-se a circulação sanguínea,
mantendo os músculos em atividade com maior irrigação. Para isso, o ideal é dispor de
cadeiras ou bancos perto do posto de trabalho para que, em certos momentos, os
trabalhadores se possam sentar favorecendo a sua sensação de conforto.
Plano de trabalho e distâncias
Quando falamos de superfície ou plano de trabalho referimo-nos à zona na quais
efetivamente se realizam as tarefas (por exemplo, ao efetuar um corte de cabelo será a cabeça
do cliente e, portanto, a altura a que esta se situa; no serviço de manicura, serão as mãos do
cliente ou a mesa sobre as quais se apoiam).
O plano de trabalho determina a posição dos ombros e braços do trabalhador. Em geral,
o plano de trabalho ótimo deverá situar-se ao nível dos cotovelos ou um pouco mais abaixo
quando houver que aplicar força. Nesta posição aumenta-se a eficiência e minimizam-se as
eventuais doenças no pescoço, ombros e braços.
Evidentemente que a altura das pessoas que realizam o trabalho varia e, por isso, também varia
o nível a que se situam os seus cotovelos. Assim, as superfícies de trabalho têm de ser
reguláveis e os profissionais têm de conhecer o procedimento respetivo (como se ajusta a
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cadeira do cliente para que se adapte à altura do trabalhador, ou a cadeira do trabalhador para
que se adapte à altura da mesa).
Para além da superfície de trabalho, na maior parte das tarefas são utilizados
utensílios/ferramentas e por isso há que garantir que se acede a eles, quando necessário, de
forma rápida e cómoda. A distância a que se situam é a que denominados de alcance. Os
materiais, ferramentas e controlos utilizados mais frequentemente devem localizar-se numa
zona de cómodo e fácil alcance.
Mobiliário
A maioria dos estabelecimentos de serviços de cuidados corporais procuram
funcionalidade e conforto quando se trata de escolher o mobiliário para o estabelecimento. No
entanto, a estas caraterísticas há que juntar ergonomia de modo a que o atrativo estético não
seja o único critério na hora de decidir a aquisição.
Os requisitos ergonómicos devem estar presentes em todo o mobiliário,
independentemente de serem utilizados pelos trabalhadores ou pelos clientes. Os fabricantes
sabem isso e os projetos são mais confortáveis, funcionais, criativos e ergonómicos para
trabalhadores e para clientes. Por exemplo, as cadeiras reclináveis para cortar o cabelo têm
mecanismos para adaptar a altura e permitem mobilidade adequada ao profissional, estando
construídas com encostos reclináveis e revestimentos cómodos. O mesmo acontece com o
restante mobiliário: marquesas para massagens, mesas de manicura, carros auxiliares, etc. são,
cada vez, mais ergonómicos tanto para o profissional como para o cliente.
Ainda assim, em muitos casos a escolha do mobiliário está relacionada com o
rendimento do salão: as maiores empresas, as franchisadas e os salões dirigidos a uma clientela
com maior poder aquisitivo investem mais recursos, enquanto que as PME’s e microempresas
tentam não perder de vista a “imagem” e a atração do cliente, colocando os fatores
ergonómicos para um segundo plano na hora da decisão.
O mobiliário que, habitualmente, podemos encontrar é:
No cabeleireiro:
Assentos – elemento indispensável devendo ser escolhido um modelo que seja
cómodo para o cliente e ergonómico para o profissional. Sugere-se que o encosto
seja ligeiramente curvo e reclinável, com ajuste hidráulico, com travão. Deverá ter
um apoio para os pés.
Cadeiras de barbeiro –É a cadeira específica para cabeleireiro de homem. Deve
permitir a inclinação e a rotação, dispondo de encosto ergonómico, apoio para os
pés e apoios para os braços.
Toucadores – Frente à cadeira do cliente, define o posto de trabalho do profissional.
O espelho deve ter umas medidas aproximadas de 1,80x0,75 e é aconselhável que
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disponha de apoio para os pés. É conveniente que tenha alguns complementos que
facilitem e tornem mais cómodo o trabalho: um espaço para poder colocar os
utensílios e um “cabide” para o secador de mão.
Cadeiras ou assentos de trabalho – Atualmente, está-se generalizando o seu uso,
uma vez que permite adotar uma posição mais cómoda para realizar determinadas
tarefas, assim como descansar nos intervalos do trabalho. Devem ser reguláveis
(permite adaptar-se à altura do cliente), com rodas e de pequenas dimensões.
Rampas de lavagem – O apoio para a cabeça deve ser em cerâmica basculante. O
“chuveiro” mais adequado deverá ser um misturador. Uma vez que se trabalha
com água, é imprescindível que se evite o seu derramamento. Alguns modelos
incorporam um sistema “anti gotejamento”
Carros auxiliares – Permitem “ter à mão” tudo o necessário para determinados
trabalhos (rolos, madeixas, manicura). Há uma grande variedade de modelos, mas
o mais habitual é que disponham de rodas (para o movimentar mais facilmente),
de gavetas, de tabuleiros. Podem ser de plástico para que pesem pouco.
Um tipo especial de carrito é o misturador de tintas, que dispões de tabuleiros para
fazer, de forma cómoda, as misturas das tintas. Os recipientes são extraíveis para
facilitar a limpeza.
Na esteticista:
Marquesas - Elemento importantíssimo para o cliente que vai fazer tratamento a
um centro de estética e para o profissional. Podem ser classificadas em função
de diferentes parâmetros: o modelo da marquesa (eco postural, spa, estética …),
o modo de elevação (elétrica, hidráulica, …), o material (madeira, metálica, …), o
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tamanho (2 ou 3 corpos) e os componentes (estantes/prateleiras, iluminação, …),
etc.
Lupas – è recomendável que tenham um zoom 3 vezes e tenham incorporada a
iluminação (de preferência fluorescente). Assim diminui o esforço visual
eliminando zonas de penumbra. A iluminação não será imprescindível, mas é
muito útil em determinadas tarefas (depilação, limpezas, micro maquilhagem,
etc.). A maior parte dos modelos são com pé (com rodas), mas existem outros
modelos que estão incorporados noutros elementos.
Carrinhos de manicura/pedicura – São semelhantes aos carrinhos auxiliares de
cabeleireiro e devem dispor de rodas para poderem ser movidos mais
facilmente, gavetas suficientes para guardar utensílios, tabuleiros e sempre que
possível, elementos adicionais.
Assentos de manicura/pedicura – Devem ser reguláveis em altura (mecanismo
hidráulico, elétrico ou mecânico) e reclináveis. Devem dispor de apoio para os
pés.
Mesas de manicura – Devem dispor de espaço suficiente para o profissional e
para o cliente e o assento deve permitir manter os joelhos dobrados ao mesmo
nível que os quadris. Devem incorporar aspirador e iluminação.
Utensílios e equipamentos de trabalho
Uma avaliação do ponto de vista ergonómico dos utensílios e equipamentos de trabalho
utilizados nos Cuidados Corporais permite-nos chegar à conclusão de que, em geral,
evoluíram de forma importante. São maneáveis, de tamanho, dimensão e peso apropriados.
São desenhados conforme as prescrições da ergonomia, procurando a comodidade,
adaptabilidade e funcionalidade de utilização, evitando desenhos deficientes que poderiam
ter consequências negativas para a saúde e diminuir a produtividade do trabalhador.
O desenho dos utensílios e ferramentas que se utilizam no cabeleireiro e na estética
deve preocupar-se em minimizar a fadiga do trabalhador e, objetivamente, procurar:
Facilitar a posição reta do pulso, sem que haja a “obrigação” de o dobrar ou curvar,
devendo ser a ferramenta que curve quando necessário;
Adaptá-los aos profissionais, às suas dimensões corporais e à mão “dominante”
(esquerda ou direita);
Ter o centro de gravidade perto do centro de pressão;
Diminuir a força necessária para trabalhar com eles, equilibrando-os;
Evitar a pressão excessiva na mão (palma da mão, articulações, dedos …)
aumentando o tamanho para permitir o ajuste a toda a mão. Deve ser evitado o
desenho de ferramentas que exijam pressão excessiva;
Evitar a exposição a vibrações (principalmente pelo uso de secadores e cortadores).
Os utensílios que, habitualmente, encontramos num centro de Cuidados Corporais, são:
No cabeleireiro:
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♦ Pentes – Para além do material de que são feitos, podemos classifica-los pela respetiva
função: para escolher/pegar o cabelo e para pentear: A sua forma, o tamanho e a
separação dos dentes variam segundo o uso. Devem ser limpos depois de cada
utilização e ser esterilizados periodicamente;
♦ Escovas – Podem ter diversas formas e ser fabricadas com diversos materiais. Podemos
distinguir Três partes numa escova: os “espigões/dentes” (mais ou menos flexíveis e em
número variável), a placa de suporte em que se inserem (de diferentes formas e
materiais) e o punho. Temos de procurar que tenham pouco peso e sejam equilibradas e
que o punho permita uma aderência fácil com toda a mão. Devem ser limpas depois de
cada utilização e, periodicamente, esterilizadas;
♦ Tosquiadeiras/cortadoras – Compostas por dois pentes de aço, um fixo e outro móvel.
Existem dois tipos de navalhas – a manual, (típica nos celeireiros de homem) e a
elétrica. Devem ser leves e de fácil manuseio, com punho ergonómico, cabeças
trocáveis, de funcionamento anti vibratório, engrenagens metálicas duradouras e
sistema de arrefecimento interno para evitar aquecimentos;
♦ Tesouras – Há diversos tipos de tesouras, em função do seu comprimento e espessura
(retas, curvas, denteadas, de desbastar, etc.). Devem ser robustas, mas leves, de aço.
Devem ser limpas após cada utilização. Para evitar a deterioração devem utilizar-se
apenas para cortar o cabelo e não outro tipo de materiais, uma vez que se podem
estragar com facilidade;
♦ Navalhas e lâminas – Tradicionalmente são compostas por uma folha e um punho. A
montagem tem duas placas para proteger tanto o profissional de possíveis cortes como
a lâmina de danos. Pelo uso, distinguem-se em navalhas de barbear e de cortar. O
principal risco com a sua utilização são os cortes.
♦ Secadores de mão – Aceleram o processo de secagem natural do cabelo. Utilizam-se
com diferentes acessórios (difusores, bicos …) para realizar trabalhos específicos. É
necessário ter em atenção o peso, vibrações que produz e a forma de aderência.
♦ Ferros de alisar e de frisar – Permitem melhorar os acabamentos. São ligados à
eletricidade, sendo necessário que o cabelo esteja completamente seco antes de os
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utilizar. Trabalham com elevadas temperaturas, pelo que devem dispor de um sistema
de controlo da temperatura e de indicador de ligado/desligado e sistema de ventilação
adequado. O cabo deve ser de material estável e que não transmita o calor. Para os
limpar é preciso cuidado para que não se risquem e esperar que estejam frios evitar
queimaduras.
♦ Borrifadores – São utilizados para borrifar o cabelo. Devem ser de pequeno tamanho
para evitar peso excessivo.
♦ Estojos de trabalho portátil – Avental dianteiro que permite ao profissional ter à mão
todo o material necessário para pentear ou cortar.
♦ Misturadores – Escovas ou pincéis para a aplicação de tintas, que devem ser leves,
maneáveis e de material lavável.
Na estética:
• Lâmpadas de pé – Lâmpada com pé em estrela com 5 rodas para uma maior
estabilidade. Permite altura regulável e braço extensível, articulado e equilibrado. O
foco orientável deve ter interruptor na parte superior para maior comodidade do
profissional.
• Pinças – São utilizadas para a eliminação de pelos em zonas localizadas e devem ser
fáceis de “pegar”. As suas extremidades deverão estar em contato corretamente, tendo
atenção periódica que o contato das extremidades continue a ser o adequado. Devem
ser desinfetadas.
• Tesouras – São de tamanho mais reduzido que as de corte e caraterizam-se por ter as
extremidades iguais e terminadas em pontas.
• Alicates para unhas e cutícula – Semelhantes às tesouras, tanto em material como na
sua utilidade, há que ter em atenção a pressão necessária e o centro em que se exerce a
força. Como todas as ferramentas de corte, deve-se verificar o perfeito estado das
lâminas de corte.
• Palitos de laranjeira – São feitos de madeira de laranjeira (como o nome indica) e são
de forma arredondada, com uma das extremidades em forma de ponta pontiaguda e
outra em forma de cunha.
• Limas – São utilizadas para acertar ou polir a borda da unha, adaptando-se à espessura
e dureza. São fabricadas em diferentes materiais (cartão, borracha ou metal) sendo
mais aconselháveis e utilizadas as de cartão.
Aparatologia
Definimos aparatologia como sendo os aparelhos que são criados para a aplicação de
tratamentos específicos e que têm tanta importância como o conhecimento técnico dos
profissionais. Ao longo dos últimos anos, principalmente como consequência do
desenvolvimento dos tratamentos estéticos, a aparatologia revestiu-se de grande importância.
Na análise da aparatologia é necessário prestar atenção a três elementos:
Interpretação simples – A forma e conteúdo da apresentação da informação devem ser
compatíveis com as caraterísticas da informação necessária, sem ambiguidades.
Utilização – Os controlos e os comandos de funcionamento devem ser compatíveis com
a parte do corpo pela qual devem ser utilizados, normalmente os braços.
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Otimização do espaço – O peso e as dimensões dos aparelhos sejam razoáveis
relativamente à utilização que se lhes dá.
A aparatologia que, habitualmente, podemos encontrar:
Esterilizador – Elemento indispensável para um centro de Cuidados Corporais uma vez
que previne e evita contágios e infeções. Esteriliza tesouras, pentes, etc. e evita a
corrosão de alguns instrumentos. Podem ser para colocar numa mesa ou para fixar na
parede. É recomendável que desligue automaticamente ao abrir a porta.
No cabeleireiro:
♦ Secador de cabelo – Produz corrente de ar quente, o que permite secar o cabelo de
forma rápida. Podem ser de pé ou aéreos.
♦ Irradiador – Gera infravermelhos através de uma resistência que aquece com a
passagem da corrente elétrica, que se converte em calor ao ser absorvida pela radiação.
Utiliza-se para secar o cabelo (mais cómodo que os secadores de cabelo) ou para
preparar a pele exposta para uma massagem capilar. Podem ser de pé e com rodas.
♦ Vaporizador (simples ou com ozono) – Produz vapor ao passar a água através de uma
resistência quente, chegando a uma camada de condensação. Alguns modelos
comportam um depósito de gás de ozono, permitindo que em cada momento de decida
entre vapor de água ou vapor de ozono. A sua função principal é humidificar o cabelo
para o proteger perante os tratamentos químicos (coloração, descoloração, etc.). São
com pé e com rodas.
Em estética
♦ Cerificador – Aquece a cera até ao ponto adequado de utilização (entre 38 e 45º).
Dispõe de dois depósitos a diferentes alturas para facilitar a filtragem da cera, passando
do mais elevado para o mais baixo, passando pelo filtro coador. O termostato e o
interruptor são independentes para cada depósito. É recomendável que os termostatos
permitam selecionar temperaturas entre 0 e 90º. Utiliza-se para depilação a quente.
Para além dos riscos gerais, estamos perante possíveis queimaduras.
♦ Depósito e aplicador de cera “morna” – Aquece a cera de cartucho até ao ponto
adequado de utilização (entre 27 e 39º.).É composto por diferentes compartimentos, de
forma que o profissional possa utilizar um enquanto o outro atinge o ponto ótimo de
aquecimento. É utilizado para a depilação “morna” (que afeta menos a pele).
Praticamente, todo ele (o cartucho, o rolo, a cera e as bandas) é descartável, pelo que
evita riscos de infeção.
♦ Gerador de altas frequências – Produz correntes elétricas. Através de um elétrodo que
tem a forma de pente ou de barra, a corrente aplica-se diretamente sobre a pele. A
frequência e a potência podem regular-se de forma independente. Utiliza-se como
complemento da massagem manual. Deve utilizar-se com as mãos secas, uma vez que
trabalha com corrente elétrica.
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É muito importante responsabilizar os trabalhadores no projeto do seu próprio posto de
trabalho. A melhor fonte de informação para melhorar os postos de trabalho está nas
pessoas que devem trabalhar neles todos os dias. Podem propor soluções simples para os
problemas quotidianos.
Medidas preventivas
Algumas medidas são muito simples, não necessitando de grandes investimentos de
tempo e/ou de dinheiro. Simplesmente é necessário valorizar aspetos relacionados com:
O posto de trabalho:
Manter a área de trabalho limpa e livre de elementos estranhos;
Colocar os elementos auxiliares perto do trabalhador assegurando-nos que não
incomodam o espaço de passagem;
Valorizar tanto a tarefa como as ferramentas e utensílios necessários para desempenhar
a tarefa e para definir o espaço de trabalho de forma a que seja possível alternar a
postura/posição;
Utilizar apoio para os pés fixos ou móveis para transferir o peso do corpo para uma ou
outra perna.
A superfície de trabalho e os alcances:
Modificar e ajustar a altura do plano de trabalho (cadeiras, mesas, marquesas …) ou do
trabalhador (plataformas, cadeiras reguláveis …) de forma que a posição dos cotovelos e
braços seja adequada e se minimizem as rotações da cabeça;
Permanecer o mais perto possível da superfície de trabalho, evitando inclinações;
Organizar os objetos e elementos em função da frequência de utilização de modo que
se possam alcançar facilmente;
O mobiliário:
Selecionar o mobiliário de acordo com a disponibilidade de espaço;
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Permitir a liberdade de movimentos quer para o trabalhador quer para o cliente;
Utilizar o mobiliário que disponha de regulação em altura, fácil de usar e acessível ao
trabalhador;
Dispor de assentos para uso durante o trabalho ou pausas
Os utensílios, equipamentos e aparelhos:
Atendendo ao risco elétrico:
Utilizar equipamentos de funcionamento anti vibratório e com
dispositivos anti golpes e anti quedas;
Desligar corretamente os equipamentos através dos interruptores. Se é
necessário desliga-los completamente, agarrar pela tomada, sem puxar
pelo cabo;
Ter disponíveis os manuais de utilização dos equipamentos (secadores,
vaporizadores, aquecedores de cera …) dado que conhecendo a sua
utilização evitam-se posturas e utilizações inadequadas.
Atendendo ao risco de corte:
Nunca utilizar material deteriorado;
Utilizar proteções nas folhas de corte;
Preferir sempre que seja possível ter punhos antiderrapantes e pegar-lhes
de forma adequada.
Atendendo à forma de utilização:
Escolher punhos antiderrapantes, arredondados e adaptáveis à mão;
Não fazer rotações bruscas com os pulsos e evitar mantê-los flexionados
durante longos períodos de tempo;
Atendendo ao trabalhador:
Manter uma postura direita durante a maior parte do tempo;
Controlar os tempos de descanso, evitando as posturas forçadas e os
movimentos que faz ao longo do tempo de trabalho;
Programar as tarefas diárias, tentando planear tarefas que requeiram
diferentes posturas;
Evitar a manipulação de cargas excessivas ou repetidas;
Usar cadeiras, carrinhos auxiliares, apoios de pés ou qualquer outro
elemento que permita ao profissional mudar de posição e relaxar a
tensão muscular.
Ambiente físico
Iluminação
As tarefas que se realizam nos serviços de Cuidados Corporais são de precisão quer em
cabeleireiro (lavagem, corte, coloração, madeixas, etc.) quer em estética (manicura, pedicura,
massagem, depilação …). Assim, na altura de projetar o posto de trabalho é necessário ter em
atenção as necessidades de iluminação previstas. E, para isso, é necessário pensar para além do
nível geral de iluminação e ter em conta aspetos como o encadeamento, reflexos, uso e
aplicação de cores, uma vez que são aspetos relacionados com o conforto visual.
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A perceção visual depende do órgão da visão. O processo inicia-se quando os raios
luminosos procedentes dos objetos (porque os refletem ou porque os irradiam) chegam ao
olho, atravessam a córnea e o cristalino e acedem à retina, onde se forma uma imagem
invertida do objeto. Convertida em impulsos nervosos, passa diretamente ao cérebro através
do nervo ótico. É ali descodificada transformando-se de novo em imagens reconhecíveis.
Para podermos apreciar os objetos em três dimensões é necessária a participação de
ambos os olhos, o que se chama visão binocular.
Falamos de iluminação quando existe uma fonte produtora de luz e um objeto a iluminar. Há
que distinguir as seguintes dimensões:
• Fluxo luminoso – indica a potência luminosa própria de uma fonte;
• Intensidade luminosa – indica a forma em que se distribui no espaço a luz emitida pela
fonte;
• Iluminância ou nível de iluminação – indica a quantidade de luz que incide sobre o
objeto;
• Luminância – indica o aspeto luminoso de uma fonte de luz ou de uma superfície
iluminada numa dada direção.
Para projetar a iluminação de um centro de atendimento de serviços de Cuidados
Corporais, atendendo à ergonomia, é necessário ponderar alguns condicionantes:
♦ A estrutura – Análise da posição dos pontos de luz, a distribuição da iluminação (se é
dispersa ou concentrada), o tipo e desenho dos pontos de luz e a ralação da luz
natural/luz artificial.
♦ O ambiente – Valorizar as dimensões do espaço de trabalho, as cores, a forma dos
objetos e equipamentos a utilizar e a textura dos materiais.
♦ O individuo – Avaliar a capacidade de visão do trabalhador, isto é, a sensibilidade visual
e ao contraste e a rapidez de perceção.
♦ A tarefa – Considerar o contraste entre o objeto e o fundo, as dimensões dos objetos a
manipular, o contraste e a dificuldade da tarefa.
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ERGONOMIA - POSTURAS NOS CUIDADOS
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♦ A regulamentação – Comprovar que se cumprem os regulamentos obrigatórios e que
nos aproximamos dos recomendados.
Em geral, os regulamentos respeitantes à iluminação dependem de dois aspetos:
Os riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores que dependem das condições
de visibilidade.
As exigências visuais que o tipo de tarefa a desenvolver requerem.
Tendo em conta que as tarefas que se realizam nos serviços de cabeleireiro e estética
Requerem uma sensibilidade de visão alta e muito alta, é necessário manter uma iluminação
que possa garantir o conforto visual, por isso, deveremos:
Optar pela iluminação natural sempre que seja possível e não existam problemas
técnicos. Se não se garantir a visibilidade, complementar-se-á com iluminação artificial,
tentando que seja o mais semelhante possível. Existem lâmpadas especiais que imitam a
luz natural, não cansam a vista e não alteram a perceção das cores.
Criar uma iluminação artificial geral, de modo a que elimine os encadeamentos,
mantendo um nível de iluminação equilibrada, não deixando nenhuma das zonas de
trabalho abaixo de 75% da iluminação média e evitando variações bruscas na zona de
trabalho e entre esta e as circundantes.
Incluir elementos de iluminação pontual que evitam zonas de penumbra nas áreas de
trabalho.
Utilizar fontes de iluminação de foco quando as necessidades da tarefa assim o exijam
(maquilhagem, depilação, manicura, etc.)
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Acrescentar, pontualmente, fontes de luz quentes para ajudar a criar um ambiente
confortável tanto para o cliente como para os trabalhadores
Um aspeto a ter em conta são os encadeamentos, que podem provocar que os
trabalhadores adotem posturas forçadas e incómodas para os evitar. Em qualquer salão de
prestação de serviços de Cuidados Corporais existem muitas luzes que podem incidir sobre o
profissional (encadeamento direto). Para evitar aconselha-se a utilização de persianas
orientáveis ou vidros foscos que não impeçam a iluminação natural do posto de trabalho.
Para além disso, poderemos estar rodeados de espelhos e de superfícies do mobiliário
que podem ser brilhantes e refletir a luz (encadeamento indireto). Para minimizar esse efeito, é
recomendável utilizar superfícies mate e distribuir adequadamente as luminárias.
Sem dúvida e apesar das indicações anteriores, em muitos casos as condições de
iluminação dos locais de trabalho não são as mais adequadas. Na melhor das hipóteses haverá
desconforto. Mas poderão surgir dores de cabeça, incomodidade, fadiga visual e problemas
músculo esqueléticos.
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Temperatura, ventilação e humidade
A temperatura, ventilação e o grau de humidade não são fatores de risco especialmente
relevantes no setor, mas podem chegar a tornar-se em fontes de doenças e de transtornos
desnecessários.
As condições ótimas de conforto térmico conseguem-se quando o corpo mantém a
temperatura nos limites fisiológicos normais (interna de 37º C e cutânea de 33,5º C), sem
necessidade de recorrer a qualquer modificação da temperatura à volta do trabalhador. Mas
isto depende, em grande medida, do balanço térmico individual de cada trabalhador.
O organismo tenta manter-se dentro de uma temperatura corporal própria, que se
obtém da diferença entre o calor produzido e o calor eliminado. A produção do calor
(termogénese) dá-se através de reações metabólicas. O arrefecimento consegue-se a partir dos
mecanismos da vasodilatação – o suor e a respiração.
A passagem de calor entre objetos (incluindo o corpo humano) dá-se através de quatro
mecanismos:
• Condução – por contato direto
• Convecção – através do ar
• Radiação – sem contato direto
• Evaporação – com o exterior
No momento de configurar as condições térmicas no local de trabalho, no ponto de
vista ergonómico, devemos ter em conta:
O ambiente envolvente – Avaliar cada um dos postos de trabalho de forma individual,
tendo em consideração as diferentes fontes (de calor e de correntes de ar) que incidem
sobre o mesmo;
O individuo – Ter em atenção a variabilidade individual (idade, altura, peso, sexo …) que
determinam o consumo metabólico e, por isso, a sensação de conforto/desconforto.
A tarefa – Avaliar as necessidades da mesma que implicam um consumo energético
diferente e, portanto, alterações da temperatura do profissional.
Como ocorre com a iluminação, o cumprimento dos regulamentos específicos pode não
significar sensação de conforto. Os profissionais estão expostos a correntes de ar, espaços
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ERGONOMIA - POSTURAS NOS CUIDADOS
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pouco ventilados, diferenças de temperatura ocasionadas por fontes diretas (ar condicionado,
aquecimento, etc.) ou indiretas (equipamentos em funcionamento) que podem ocasionar
transtornos como dores de cabeça, enjoos e náuseas, pele seca, irritação (dos olhos, nariz,
garganta e/ou brônquios), congestão nasal, tosse por variações de temperatura, fadiga por
calor, lombalgias e dores musculares por correntes de ar excessivas ou extremas.
Algumas das medidas que nos permitem evitar os riscos e ficarmos próximos do nível de
conforto, são:
♦ Instalar um sistema de ventilação geral que renove o ar interior, diluindo e eliminando
os contaminantes e expulsando-os para o exterior;
♦ Eliminar as correntes de ar, evitando a incidência direta sobre os profissionais durante a
realização da tarefa (orientação do ar condicionado)
♦ Dispor de uma correta climatização (temperatura e humidade) evitando excessos e
variações bruscas entre as diferentes áreas e/ou postos de trabalho.
♦ Usar roupa de trabalho leve e cómoda que permita a transpiração do corpo de acordo
com a atividade física que cada trabalhador desenvolve. Devem ser de fibras naturais
que permitam a transpiração, como o algodão e evitar a largura excessiva das peças de
roupa que podem prender-se.
♦ Minimizar a radiação excessiva, sobretudo a radiação solar através de janelas. Para isso
podem usar-se persianas orientáveis ou vidros foscos.
Ruído ambiental
Geralmente as tarefas que se desenvolvem num centro de serviços de Cuidados
Corporais não representam um risco grave, ainda que possa resultar incómodo para os
profissionais. A maior parte dos profissionais reconhece que em determinados momentos do
dia e em datas concretas há um elevado nível de ruído, mais pela quantidade de fontes de
ruído do que pelo volume do mesmo: secadores em funcionamento, clientes conversando,
telefones tocando, conversações de diferentes pessoas, ar condicionado, ruído da rua …
Isto passa-se especialmente no cabeleireiro, uma vez que na estética os equipamentos
são menos ruidoso e existe um esforço para gerar ambientes relaxados, chegando a utilizar-se a
mássica ambiente.
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A perceção dos sons depende do órgão da audição, composto pelo ouvido (que se divide
em ouvido externo, médio e interno) e os centros auditivos do cérebro. O processo começa
quando as ondas sonoras que se propagam pelo ar chegam ao pavilhão auricular e são
canalizadas para o canal auditivo, fazendo vibrar o tímpano. Esta vibração transmite-se através
dos ossos do ouvido médio e transforma-se em impulsos nervosos no ouvido interno. Através
do nervo auditivo chega ao cérebro, onde se descodifica e se identificam como sons.
Os humanos têm uma capacidade de perceção do espetro sonoro limitada.
Para que um som recebido se qualifique como ruído (e não como palavras ou musica) é
necessário que seja interpretado como desagradavel ou incómodo e isto depende, em grande medida
da subjetividade do individuo. Em certas ocasiões, qualifica-se como incómodo quando interfere com o
que se está fazendo, ou quando a intensidade seja especialmente alta.
Estabeleceu-se que o valor limite de exposição diário seja 87 dB (decibel – unidade de
medida do ruído) em jornadas de 8 horas. Ainda assim, o nível não deve ultrapassar nunca, no
interior do local de trabalho, os 80 dB, como forma de garantir que não se atinge o limite.
Nos centros de serviços de Cuidados Corporais, apesar de existir um nível de ruído
elevado, não é suposto ultrapassar os níveis legais. Mas isso não significa que não afete o bem-
estar dos trabalhadores no desempenho das suas funções. As jornadas de trabalho intensas
fazem com que, ainda que os níveis sonoros não sejam perigosos, sejam incómodas devido ao
tempo de exposição. De facto, ainda que se mantenha em níveis “adequados” o ruído de fundo
é muito incómodo. Assim, o ruído de fundo é incómodo quando impede a comunicação entre
os profissionais que podem ter que elevar o tom de voz para se fazer ouvir, gerando ainda mais
ruído.
Para atingir um estado de conforto acústico, podemos tomar as seguintes medidas:
→ Utilizar música ambiente uma vez que quebra a monotonia do trabalho, alivia a
carga mental e “encobre” os restantes ruídos. É uma prática habitual no Cabeleireiro
e na Estética chega a incorporar-se no próprio serviço;
→ Minimizar o ruído produzido pelos equipamentos. Para isso, além de selecionar os
modelos mais silenciosos, devem os equipamentos situar-se a uma distância mínima,
das paredes e colunas, de 70 cm, evitando a possível vibração contra as paredes e o
efeito de eco
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CORPORAIS
.
Quando a exposição ao ruído é prolongada e contínua pode provocar interferências na
Comunicação, diminuindo a coordenação e a concentração (chega a diminuir a produtividade e
ocasiona percentagens elevadas de absentismo). Para além disso, faz elevar a tensão arterial
(chegando a provocar transtornos cardíacos), interfere no processo digestivo (provocando
úlceras), provoca tensão muscular (sobretudo no pescoço e mãos) e altera o sistema nervoso
(provocando nervosismo, insónias e fadiga).
Medidas preventivas gerais:
1) Evitar o risco
2) Quando não se pode evitá-lo, minimizá-lo, antecipando a proteção coletiva à
individual e priorizando as medidas:
a) Sobre a fonte do ruído
b) Sobre a via de transmissão
c) Sobre o individuo
FATORES DE RISCO ASSOCIADOS ÀS CONDIÇÕES ORGANIZATIVAS NO
SETOR DOS CUIDADOS CORPORAIS
Introdução às condições organizativas
Para além das condições ambientais, o trabalho é afetado pela forma em que se
organiza. Fatores com o tempo, ritmo de trabalho e estilo de direção enquadram o título de
fatores psicossociais.
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Torna-se necessário avaliar a transformação no conceito de processo de trabalho, que
progressivamente vem diminuindo a importância das tarefas físicas e aumentando a das tarefas
mentais. A quantidade de informação a processar aumenta e assim a possibilidade de que se
exceda a disponibilidade dos profissionais. Estamos perante situações de carga mental.
Organização do trabalho
A organização do trabalho determina-se por três fatores chave:
♦ A estruturação organizativa
♦ A distribuição do tempo
♦ As caraterísticas próprias da organização
Estruturação organizativa
No momento de caraterizar uma organização é necessário que se analisem os fatores:
Comunicação – Tem de ser fluida, independentemente das funções do trabalhador ou
da sua categoria profissional. É um conceito mais abrangente do que transmitir
informação especifica (relativa ao posto de trabalho) ou geral (sobre as tarefas a
desempenhar). Uma adequada comunicação cria um ambiente de trabalho produtivo e
é claro que, quando é inadequada gera insatisfação pessoal e laboral.
Estilo de direção – A gestão empresarial não é tarefa fácil e ainda se pode complicar
mais se o gestor é, ao mesmo tempo, um trabalhador mais. Esta é uma situação habitual
neste setor de atividade, ao ser um setor de microempresas e de autónomos. Por isso é
importante formar adequadamente os que desempenham esta função. Considera-se
que o estilo de direção mais usual é o denominado democrático, em que se valorizam os
trabalhadores e as tarefas que desempenham estabelecendo-se uma comunicação
direta e de consulta às decisões que a todos podem afetar.
Decisões – A participação dos trabalhadores na tomada de decisões da empresa é um
fator de satisfação e motivação. Quando se implementa um estilo participativo e de
consulta, é obtida uma maior fidelidade e rendimento por parte dos trabalhadores. Caso
contrário, pode originar ansiedade e um sentimento de inferioridade. No caso das
decisões que estão relacionadas com a prevenção de riscos e de saúde do trabalho, não
podemos esquecer que para além de ser recomendável, é uma obrigação do
empresário.
Distribuição de tarefas – A distribuição adequada de tarefas é imprescindível para
conseguir a motivação do trabalhador. Se forem demasiadas, sentir-se-á
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sobrecarregado e explorado. Pelo contrário, a pouca ou nula distribuição de tarefas
pode fazer com que se sinta inferior e menosprezado.
Distribuição do tempo
Na distribuição do tempo tem de considerar-se tanto o tempo de trabalho como as
pausas e descansos que se estabelecem. Alguns fatores condicionantes:
• Tempos de trabalho – Considera-se tempo de trabalho o tempo que um profissional
dedica à realização das tarefas para que foi contratado. A distribuição semanal ou diária
do tempo de trabalho deverá ser feita com acordo entre as partes (empresa e
trabalhador) com algumas limitações, tendo em atenção que o estabelecido legalmente,
o tempo de trabalho não pode ultrapassar 8 horas/dia e 40 horas/semana.
• Horas extraordinárias – São as que se realizam ultrapassando a duração máxima da
jornada de trabalho estabelecida. O número de horas extraordinárias não pode ser
superior a oitenta horas anuais, salvo se forem realizadas por causa de força maior.
• Descansos – Permitem que o trabalhador recupere do esforço realizado, evitando a
fadiga e o cansaço. Devem obedecer ao estabelecido legalmente no Código do Trabalho.
Nos serviços de Cuidados Corporais é muito habitual que o horário de funcionamento seja
alargado para conseguirem atrair e satisfazer o maior numero de clientes, o que implica
estabelecer horários individualizados conjugados para que não se ultrapasse o horário máximo
legal individual. Na maior parte das situações, a solução utilizada é recorrer a turnos rotativos,
ainda que não se abranja a noite. Neste sentido, é necessário recordar que este sistema afeta o
ritmo biológico e ocasiona problemas relacionados com a vida pessoal e familiar. Para além
disso, pode afetar o descanso, quer em quantidade quer em qualidade.
Caraterísticas próprias da organização
• Atividade – É necessário avaliar o espaço físico disponível, dado que a sua falta pode
provocar angústia e incomodidade. Os trabalhadores relacionam a sua própria imagem
com a do salão onde trabalham. Se é adequada provoca satisfação pessoal e sensação
de prestígio profissional. Pelo contrário, se é inadequada pode gerar sensações de
inferioridade.
Quando as condições organizativas não são adequadas, aparecem os riscos psicossociais.
Podem definir-se como os fatores relativos à conceção, organização e gestão do trabalho, bem
como a um contexto social e ambiental que podem chegar a causar danos físicos, sociais e
psicológicos aos trabalhadores.
Os fatores psicossociais relacionados com a organização do trabalho, são:
Exigência mental – situações em que tem de se trabalhar com extrema rapidez e
eficácia, com um nível de concentração elevado e uma especial responsabilidade.
Pouco ou nulo desenvolvimento e criatividade pessoal – tarefas em que não existe
autonomia nem capacidade para ser criativo.
Falta de apoio – Trabalhos distribuídos sem apoio humano, com tarefas mal
definidas ou sem a adequada informação.
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Pouco ou nulo reconhecimento – Alterações no posto de trabalho ou serviço contra
a vontade do trabalhador, sem nenhum tipo de aviso ou de justificação.
A estes há que acrescentar o que se pode denominar “dupla presença”, em referência
ao duplo tempo de trabalho (trabalho profissional e trabalho doméstico) que muitas mulheres
assumem. É um aumento de exigências diárias que há que tomar em consideração num setor
em que a maior parte dos trabalhadores são mulheres.
Os efeitos da exposição aos riscos psicossociais sobre a saúde, manifestam-se a curto,
médio e longo prazo, afetando física, mental e socialmente. Podemos enumerar sintomas que
se manifestam de forma emocional (ansiedade, depressão, apatia, sentir incompreensão, infeliz
…), comportamental (principalmente abuso de comida, álcool, tabaco, café …) e fisiológica (dor
de peito, falta de ar, ansiedade, enjoos, sudoração excessiva, contração muscular …).
Geralmente, estes sintomas agrupam-se em dois sinais bem conhecidos: o stress laboral
e o sinal de esgotamento psíquico (burnout).
O stress laboral pode ser considerado como sendo o segundo problema de saúde do
trabalho mais frequente, logo a seguir aos transtornos músculo-esqueléticos. O surgimento do
stress não tem uma única causa e depende quer das características do ambiente de trabalho
quer da forma como se enfrentam os problemas e adversidades do individuo. Neste sector as
situações relacionadas com a organização do trabalho que poderão ocasionar quadros de stress
laboral são as seguintes:
Ambiente de trabalho inadequado, destacando-se a sobrecarga de trabalho (grande
afluência de clientes em datas/horas concretas) e as condições de trabalho que não
estão de acordo a proporcionar conforto;
Alteração de ritmos biológicos, especialmente nos locais de trabalho em que está
estabelecido o trabalho por turnos;
Grau de responsabilidades e de tomadas de decisões, destacando-se a dupla função de
encarregado/gerente que trabalha no mesmo espaço físico e tendo funções
semelhantes aos empregados ao mesmo tempo que os devem “dirigir”;
Condições de trabalho deficientes, remuneração baixa, muitas horas de trabalho …
O sinal de esgotamento psíquico (burnout) também se manifesta de várias formas: uma
sensação de fracasso e uma experiência de esgotamento (cansaço) que resulta de uma
sobrecarga por exigência de energia, recursos pessoais e força psicológica do trabalhador.
Características físicas
Para definir as características físicas de uma determinada tarefa é necessário que
prestemos atenção:
- A postura de trabalho que se mantém de uma forma habitual como as que são “forçadas” e
com “sobreesforços”;
- Os movimentos repetitivos que produzem uma fadiga muscular (por acumulação de trabalho);
- Os movimentos bruscos ou especialmente intensos que podem produzir sobrecargas e lesões
agudas;
À soma de todas as características físicas necessárias para a realização do trabalho,
chamamos actividade física ou carga física. Quando a carga física ultrapassa a capacidade do
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trabalhador de uma forma pontual ou por acumulação e ao necessitar de tempo para a
recuperação, aparece a fadiga.
Como é evidente, a quantidade de atividade física que um trabalhador pode realizar
antes de se sentir fatigado depende, em grande medida da própria pessoa.
Não podemos esquecer que o objetivo básico da ergonomia é conseguir a eficiência em
qualquer atividade, alcançando o resultado desejado sem desperdiçar recurso, sem erros e sem
danos para a pessoa envolvida ou nos outros. Por isso, não é eficaz desperdiçar energia ou
tempo num mau projeto de trabalho, do espaço de que dispomos, do ambiente ou das
condições de trabalho. Como consequência de uma elevada e continuada carga física, podem
aparecer problemas ao nível músculo-esquelético – as doenças localizadas na coluna, bem
como nas extremidades superiores (ombros, braços, antebraços, cotovelos, mãos e punhos).
Afetam a qualidade de vida das pessoas, dos custos (diretos e indiretos) tanto a nível
empresarial com a nível nacional, pelo que a prevenção dos riscos músculo-esqueléticos, em
qualquer setor de atividade deve ser prioritária.
O sistema músculo-esquelético tem duas funções principais: de sustentação ou suporte
e de movimento. Para isso, é composto, basicamente de três elementos:
1. Ossos e articulações
2. Músculos
3. Tendões
OSSOS E ARTICULAÇÕES:
A sua principal função é suportar os restantes elementos do corpo. Os ossos proporcionam
a necessária rigidez, enquanto as articulações permitem o movimento. Para esse efeito,
existem entre dois ossos, que se ajustam entre si, os ligamentos, os tendões e as
cartilagens. São tecidos vivos com a capacidade de regeneração.
MÚSCULOS
Exercem a força necessária para permitir os movimentos. Podem exercitar-se, de modo a
que se aumente o seu volume e capacidade, criando maior resistência ao cansaço. É
necessário permitir a reparação do músculo: quando a utilização de um músculo ultrapassa
a sua capacidade, produz-se uma deterioração e dor a que se segue um processo de
recuperação. Passando tempo suficiente para essa adequada reparação, aumenta a
capacidade do músculo. Mas se o tempo for insuficiente, aparece uma fadiga muscular que
se pode tornar crónica. São a principal fonte de dor, principalmente por roturas musculares,
desligamentos e distensões.
TENDÕES
Permitem a fixação do músculo ao osso. Estão rodeados por umas vias que contém um
líquido que permite a sua lubrificação e proteção ao mesmo tempo. É através deles que se
transmite a força, uma vez que a contração de um músculo produz um estiramento de um
tendão fazendo com que as fibras que o formam se tornem mais rígidas. Por isso, quando se
mantém a contração do músculo, mantém-se o estiramento do tendão. A circulação do
sangue até ao tendão depende da tensão, de forma inversamente proporcional: quando a
tensão é muito alta a circulação diminui, chegando a eliminá-la por completo.
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A forma mais simples de avaliar os requisitos/características físicas é analisar quais as
zonas do corpo que são mais afetadas. Falaremos, então, de:
Coluna (áreas cervical, torácica, lombar e sacra)
Extremidades superiores (ombro, pescoço, antebraços, punho e mão)
Extremidades inferiores (pernas, tornozelos e pés)
Basicamente, a coluna:
1. Sustenta o corpo, pelo que deve ser sólida e forte. Por isso é composta por ossos muito
resistentes e músculos potentes;
2. Permite o movimento, pelo que deve ser flexível. Por isso, não é um único osso, mas sim
vértebras separadas, dispostas umas por cima de outras e sistentadas por músculos e
ligamentos;
3. Contribui para manter estável o centro de gravidade em repouso e, sobretudo, em
movimento. Por isso a musculatura da coluna compensa os movimentos do restante
corpo, atuando como um contrapeso.
4. Protege a espinal medula num protetor de osso. Para isso, as vértebras possuem um
canal central por onde circula a medula.
A coluna vertebral do ser humano é composta por 33 vértebras que se unem entre si
através dos ligamentos e, ao mesmo tempo, separam-se através dos discos intervertebrais.
Podemos destacar as diferentes áreas:
• Cervical que é composta por 7 vértebras e suporta e controla os movimentos da cabeça;
• Torácica que é composta por 12 vértebras e suporta a parte superior do corpo, com um
movimento limitado;
• Lombar que é composta por 5 vértebras e suporta o movimento do tronco,
proporcionando uma grande flexibilidade;
• Sacra que é composta por 5 vértebras fundidas entre si proporcionando o osso sacro;
• Coccix composto por 4 vértebras fundidas entre si e que formam a extremidade inferior
da coluna
POSIÇÕES/POSTURAS DE TRABALHO:
Quando falamos de posições de trabalho referimo-nos à posição que adotada por uma
ou várias articulações e que se mantém por tempo mais ou menos prolongado. Tem grande
influência no bem-estar e conforto dos profissionais, seja qual for o setor de atividade em que
desenvolvam a respetiva tarefa, dado que:
♦ É a fonte da carga músculo-esquelética. Seja qual for a posição que adotemos, os
músculos exercem forças para equilibrar a nossa postura e controlar os movimentos.
Mesmo numa postura relaxada, quando o trabalho muscular é relaxado, os tendões e as
articulações podem mostrar sinais de fadiga.
♦ Verifica-se uma estreita relação com o equilíbrio e a estabilidade. Algumas posturas são,
por natureza, instáveis (por exemplo quando tentamos alcançar um objeto distante) e
isto, junto a que nem sempre se pode garantir a estabilidade da torção, pode conduzir-
nos a uma perda do equilíbrio, sendo esta uma causa muito frequente de acidentes de
trabalho.
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Assim, aquando de um projeto do posto de trabalho, a posição de trabalho é um fator decisivo,
sendo necessário ter em consideração:
→ Que tipos de tarefas há que realizar e como fazer para as executar;
→ Quantas tarefas há que realizar;
→ Qual a ordem que se deve seguir para as executar;
→ Que equipamentos e materiais são necessários;
→ Que espaço é necessário;
→ Que esforços se fazem, o peso e a natureza das ferramentas/utensílios e máquinas de
trabalho
Geralmente devem ser proporcionados elementos técnicos que evitem situações de fadiga.
Evitar-se-ão posturas indesejáveis e sem que sejam prolongadas, uma vez que provocam a
fadiga corporal.
Deve optar-se pela posição sentada como postura principal. De qualquer forma devem
facilitar-se as mudanças/alternâncias de posturas.
Do ponto de vista da segurança e da saúde no trabalho, o importante é identificar as
posturas deficientes para evitar adquirir maus hábitos de trabalho que possam desencadear
doenças profissionais.
Neste setor, as atividades desenvolvem-se fundamentalmente de pé, sobretudo nos
cabeleireiros (penteado, corte, lavagem, colorações, madeixas, etc.), ainda que atualmente já
se está a generalizar a utilização de cadeiras auxiliares que permitem aos profissionais sentar-se
para realizarem algumas das tarefas.
Mas no esteticismo, a variabilidade é maior, existindo tratamentos em que o
profissional se mantém sentado (manicura, pedicura, foto-depilação, higiene facial, tec.) e
outros que se realizam de pé (depilação tradicional, maquilhagem, massagens, etc.).
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Por estas razões, os transtornos músculo-esqueléticos sejam mais frequentes na
profissão de cabeleireiro do que nos de esteticismo, uma vez que estes aproveitam os trabalhos
que realizam sentados para relaxar os músculos que possam ter estado submetidos a alguma
tensão.
Um posto de trabalho ergonómico deve permitir ao trabalhador a possibilidade de
adaptar-se e escolher entre as diferentes posturas e alterações frequentes, dispondo , para
isso, de suficiente espaço.
A postura de pé é natural no ser humano. Na postura de pé, o corpo é suportado pelas
plantas dos pés apoiados no chão horizontal. Tem a vantagem de que a sua utilização aumenta
a mobilidade, mas tem a desvantagem de suportar uma tensão muscular constante na coluna e
pernas. Esta tensão aumenta ao inclinar-se para a frente o que provoca uma menor qualidade
de trabalho do profissional.
Para além disso, manter-se de pé, dificulta a circulação sanguínea, acumulando-se na parte
inferior das pernas.
Uma vez que esta é a posição maioritária nos trabalhos deste setor, podemos dizer que
estamos perante profissões que requerem algumas características físicas importantes: trabalha-
se com todo o corpo e adquirem-se, com grande facilidade, maus hábitos utilizando posturas
desnecessárias e até mesmo perigosas.
Trabalhar regularmente de pé, pode causar cansaço muscular generalizado, problemas
de saúde nos pés, problemas de circulação sanguínea (inflamação, formigueiros e inclusive
varizes), dores na parte baixa da coluna e tensões articulares na nuca e ombros, entre outros.
Perante isto, temos de destacar que existem ajudas e suportes que servem de apoio a
músculos, facilitam que as posturas adotadas durante o trabalho sejam adequadas, que
minimizam a carga e diminuem as dores que vão aparecendo. Exemplificamos com os
cinturões, faixas lombares, meias de compressão, punhos elásticos, etc., que devem ser
utilizados com o objetivo de diminuir os efeitos negativos do trabalho em pé.
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A posição de sentada, faz com que o corpo disponha de um apoio suplementar (o
assento) de forma que o peso do corpo se distribui entre o assento e o chão diretamente. A
ótima posturas é aquela que consegue um equilíbrio entre as massas corporais que descansam
sobre o assento e as que descansam sobre o solo. Consegue-se com o tronco direito, em
posição vertical com a coluna reta, os ombros para trás, as pernas em posição vertical e os pés
descansando horizontalmente sobre o chão.
Outras posturas, como inclinação para a frente, torcer o tronco, manter uma perna cruzada
sobre a outra, etc., não são adequadas, uma vez que criam tensões.
Tem a vantagem de minimizar a tensão da coluna e pernas, mas cria cargas estáticas devido à
restrição de movimentos. Para além de que aumenta a pressão sobre os discos vertebrais, uma
vez que a coluna não está preparada para se manter sem movimentos durante longos períodos
de tempo. A posição de sentada provoca uma modificação da coluna vertebral que deixa de ter
a sua formatação normal para adotar uma forma mais tensa e contraída.
Ao sentarmo-nos, os músculos do tronco, pescoço e ombros mantém uma posição fixa e as
veias comprimem-se. Baixa o ritmo cardíaco e o fluxo sanguíneo, pelo que limita a chegada do
sangue a outros músculos que continuam ativos, acelerando-se a sensação de cansaço. Um
trabalhador sentado durante todo o dia e sem exigências físicas importantes sente-se
frequentemente cansado, no final do dia.
Posturas forçadas e esforços
Definimos posturas forçadas como sendo as posições de trabalho que impliquem que
uma ou várias zonas anatómicas deixam de estar numa posição natural de conforto para
ficarem para uma posição (forçada) que gera super extensões, super flexões e/ou super
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rotações com a consequente produção de lesões por sobrecarga. São exemplos o manter o
tronco flexionado e em torsão, inclinar o tronco, elevar um ou ambos os braços acima dos
ombros, torções forçadas dos punhos e a realização de força com as mãos e braços.
S efeitos vão desde as queixas ligeiras até à existência de uma verdadeira incapacidade,
podendo ter um início lento, agravando-se pela realização de movimentos repetitivos.
Geralmente, evoluem de queixas de incomodidade, impedimento ou dor persistente, podendo
definir três etapas no aparecimento dos transtornos com origem nas posturas forçadas:
♦ Na primeira etapa aparece dor e cansaço durante as horas de trabalho, desaparecendo
depois. Parece sem importância e o profissional ignora esses sintomas;
♦ Na segunda etapa, os sintomas surgem ao iniciar o dia de trabalho e não desaparecem à
noite. Provoca alteração do sono e descanso o que faz com que diminua a capacidade
de trabalho e de produtividade.
♦ Na terceira etapa, os sintomas persistem durante o período de descanso. Afetam a
realização das tarefas mais sensíveis. Para evitar a dor, o trabalhador adota posturas
inadequadas do ponto de vista biomecânico que vão afetar as articulações.
Movimentos repetitivos
São a realização de movimentos contínuos, mantidos durante algum tempo que
implicam a ação conjunta dos músculos, dos ossos, das articulações e do sistema nervoso de
uma parte do corpo.
Por outro lado, o trabalho repetitivo pode ser definido como sendo a realização continuada de
ciclos de trabalho semelhantes relativamente à sequência temporal, ao emprego de força e às
características espaciais do movimento.
Um trabalho estático e repetitivo pode provocar fadiga mesmo que a força a aplicar seja muito
leve. As posturas extremas aumentam o risco de lesões. Do mesmo modo, a velocidade do
movimento e a duração (minutos por dia e o número de anos) tem influência nos riscos de
lesões nos trabalhos repetitivos.
Portanto, a intervenção ergonómica tem como objetivo a redução do número de movimentos
repetitivos e de contrações estáticas tanto quanto seja possível. Os fatores de risco que temos
de considerar nos movimentos repetitivos são: a manutenção de posturas forçadas dos punhos
e ombros, a aplicação de uma força manual excessiva, ciclos de trabalho muito repetidos que
originam movimentos rápidos de pequenos grupos de músculos e tempos de descanso
insuficientes. Mas, também importante é o trabalho prolongados sem possibilidade de
descansar e de recuperar dos esforços.
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BIBLIOGRAFIA
♦ O Corpo e a beleza ao longo dos tempos – Dossier Temático – Biblioteca Escolar
♦ www.google.pt
♦ www.tecnet.pt
♦ www.almedina.pt
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♦ www.formate.pt
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♦ www.google/images.com
♦ www.act.pt
♦ www.wikipedia.com
♦ Comissão Europeia – Melhorar a qualidade e a produtividade no trabalho: estratégia
comunitária de saúde e segurança no trabalho (2007-2012). Bruxelas: CCEE.2007
♦ Enciclopédia de Saúde e Segurança. OIT, 2001
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