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A Clínica Analítico-Comportamental
Em que consiste o trabalho de um analista do comportamento na clínica? Como
um psicólogo clínico pode auxiliar no processo de promoção de saúde emocional e
qualidade de vida? Isso funciona mesmo? É só uma conversa? Diante de que tipo de
“problema” esse profissional pode intervir de forma a alterar as consequências que
alguns processos podem ter na saúde de uma pessoa? Ele só atende “louco”? Essas
são algumas perguntas que, corriqueiramente, as pessoas tendem a apresentar a
respeito do meu trabalho. Como profissional dessa área, deparo-me com tal realidade
e faço enfrentamentos cotidianos para produzir a “desmistificação” do trabalho do
psicólogo quanto à promoção de “saúde mental”. Acredita-se, de certa forma, que
os clientes sejam apenas pessoas que já desenvolveram algum tipo de transtorno
psiquiátrico. Não! O psicólogo clínico é habilitado a atender uma variedade significativa
de demandas relacionadas ao comportamento humano.
Aeficáciadapsicoterapiaéumadescobertajáestabelecidacombaseemdiferentes
dados de pesquisas e, crescentemente, investigada na ciência. Existem psicólogos
clínicos orientados por diferentes abordagens psicológicas, o que corresponde a
diferentes visões do ser humano e dos métodos de intervenção. Essencialmente, o
processo psicoterapêutico sob orientação analítico-comportamental fundamenta-
se nos conhecimentos científicos da Análise do Comportamento, nos dados de
pesquisas de áreas afins e na experiência clínica do terapeuta. A partir da ideia de
que o comportamento é multideterminado e sujeito a mudanças, entende-se que
essa prática profissional pode interferir nas condições de vida de uma pessoa e,
consequentemente, em sua saúde, prevenindo ou “tratando doenças”.
A relação terapêutica consiste na construção de uma relação interpessoal intensa
e “curativa” entre o terapeuta e o cliente. Tem como finalidade estimular o crescimento
do indivíduo e alterar a maneira como ele interage no mundo e consigo mesmo. O
psicólogo observa o cliente como um todo: diante do relato verbal, busca identificar a
forma e a função como ele o faz, bem como as respostas corporais que o acompanham
(expressões faciais, “postura” e etc.), considerando a história de vida dele e o contexto
atual no qual está inserido. O terapeuta deve, ainda, fornecer um ambiente acolhedor,
livre de julgamentos e confiável, com o objetivo de que o cliente se sinta à vontade para
expressar suas queixas, seus sentimentos e pensamentos. Será que mudar interações
não seria pertinente a quaisquer pessoas que estejam apresentando algum tipo de
sofrimento? Quem não passa por situações difíceis que podem influenciar a própria
saúde e nas quais uma ajuda profissional seria recomendada? A Psicologia entende
que vivenciar essas experiências é algo inerente ao ser humano e à vida.
Vale a pena romper as barreiras do preconceito e da falta de aceitação de que
somos vulneráveis, de que a psicoterapia é uma prática profissional e científica (não
se trata de “crença”) e de que as pessoas que vão aos consultórios psicológicos, na
verdade, são, também, pessoas comuns que podem “adoecer”, caso não se engajem
em processos de mudança.
Referências
Borges, N. B. et al. (2012). Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e
práticos. Porto Alegre: Artmed.
Kohlenberg, R. J., & Tsai, M. (2001). Psicoterapia analítica funcional: criando relações
terapêuticas intensas e curativas. Santo André: ESETec.

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