Apostila de Formação - Ministério de Música e Artes - RCC

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O Ministério de Música e Artes da RCC é um serviço aos irmãos através dos dons e talentos artísticos que Deus nos deu. O lugar próprio de atuação é no grupo de oração. Por isso, a apostila traz temas como: o chamado do artista, a estrutura do Ministério de Música na RCC e no grupo de oração, a humildade, obediência e vida de oração do ministro de música.

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Apostila de Formação - Ministério de Música e Artes - RCC

  1. 1. Copyright © 2008 by Luiz Carvalho Júnior Capa, Arte e Diagramação Mac Donald Fernandes Bernal Colaboradores Frederico da Silva e Júlio Cesar dos Santos CIP. Brasil. Catalogação na Fonte BIBLIOTECA NACIONAL-FUNDAÇÃO MIGUEL DE CERVANTES Carvalho Júnior, Luiz Ministério de Música e Arte O ministério de Música no Grupo de Oração Editora RCC BRASIL 86p. GS1 789892788505 Religião Caro leitor, pessoas cristãs, ou simplesmente honestas, não necessitam do jugo da lei para fazerem o que é certo. Pensando nisso, a RCC Brasil está lhe dando cinco bons motivos para não copiar o material contido nesta publicação (fotocopiar, reimprimir, etc), sem permissão dos possui- dores dos direitos autorais. Ei-los: A RCC precisa do dinheiro obtido com a sua venda para manter as obras de evangelização que o Senhor a tem chamado a assumir em nosso País; É desonesto com a RCC que investiu grandes recursos para viabilizar esta publicação; É desonesto com relação aos autores que investiram tempo e dinheiro para colocar o fruto do seu trabalho à sua disposição; É um furto denominado juridicamente de plágio com punição prevista no artigo 184 do Código Penal Brasileiro, por constituir violação de direitos autorais (Lei 9610/98); Não copiar material literário publicado é prova de maturidade cristã e oportunidade de exer- cer a santidade. IMPRESSO NO BRASIL Printed in Brazil 2008 1. 2. 3. 4. 5.
  2. 2. Luiz Carvalho Júnior Colaboradores Frederico da Silva Júlio Cesar dos Santos
  3. 3. ÍNDICE Apresentação.......................................................................................................7 Introdução............................................................................................................9 Orientações Gerais para o encontro...............................................................10 ENSINO1–OCHAMADODOARTISTAEARESPONSABILIDADEDAMIS- SÃO...............................................................................................................12 1.1. Por que você está no Ministério de música e artes da RCC?.........................12 ENSINO2–AESTRUTURADOMINISTÉRIODEMÚSICAEARTESDARCC – VISÃO GERAL.................................................................................................15 O que é?....................................................................................................15 Objetivo do ministério...............................................................................15 2.1.O ministério de música e artes estadual..............................................16 Objetivo geral................................................................................16 Objetivos específicos.....................................................................16 2.2. O ministério de música e artes diocesano..........................................17 Objetivo geral................................................................................17 Objetivos específicos.....................................................................17 2.3. O coordenador diocesano do ministério de música e artes..............18 2.4. As qualidades básicas do ministro das artes são:................................19 ENSINO 3 – MINISTERIO DE MÚSICA NO GRUPO DE ORAÇÃO........21 3.1. O ministro de louvor...........................................................................21 3.1.1. Comportamento e postura do Ministro de Louvor.............23 a) Olhares, gestos e entonação......................................................24 b) Ensinar e ministrar novos cantos...............................................24 c) Exemplos de condução de oração.............................................25 d) Músicas evangélicas, piercings, tatuagens..................................26 3.2. Estrutura do ministério de musica......................................................29 3.2.1.Ocoordenador.....................................................................29 3.2.2. O animador..........................................................................30
  4. 4. 3.2.3.Vocalistas..............................................................................31 3.2.4.Instrumentistas.....................................................................32 3.2.5. Técnico de som...................................................................32 3.3.O ensaio..............................................................................................33 3.4.Técnicavocal.......................................................................................34 3.5. O ministério de música dentro do grupo de oração..........................34 ENSINO 4 – A HUMILDADE DO ARTISTA..................................................38 4.1. Definição............................................................................................41 4.2. Humildade: luta contra soberba.........................................................42 4.3. Humildade sim, falsa humildade não..................................................48 4.4. Humildade e mansidão: as virtudes do coração de Jesus...................51 ENSINO 5 – A OBEDIÊNCIA DO ARTISTA.................................................54 5.1. Definição............................................................................................55 5.2. A obediência de Jesus..........................................................................57 5.3. Virgem Maria, um modelo de obediência...........................................59 5.4. Como viver a obediência em nosso ministério..................................62 5.4.1. Obedecer a voz de Deus....................................................63 a) Pessoa de Oração......................................................................64 b) Adoração...................................................................................65 c) Estudo Bíblico............................................................................65 d) Eucaristia e Reconciliação..........................................................67 e) Amor e devoção a Maria...........................................................68 5.5.Conclusão...............................................................................70 ENSINO 6 – A VIDA DE ORAÇÃO CARISMÁTICA DO ARTISTA..........71 6.1. O que é oração?..................................................................................71 6.2. Formas de oração...............................................................................72 6.3. Importância da vida de oração............................................................75 a) Oração vocal..............................................................................76 b)Meditação..................................................................................77 c)Mental........................................................................................77
  5. 5. 6.4. Como vivê-la?....................................................................................78 a) Local do encontro......................................................................78 b)Horário......................................................................................78 c) O que eu preciso levar para a oração?......................................79 6.5. Dificuldades da vida de oração...........................................................79 6.6. De que maneira é eficaz nossa oração?..............................................81 6.7. Recapitulando....................................................................................82 6.8. Conclusão..........................................................................................83 Apêndice.............................................................................................................84 Bibliografia .........................................................................................................86
  6. 6. APRESENTAÇÃO A Comissão de Formação é um órgão de assessoria e consultoria do Con- selho Nacional e tem a finalidade de articular e realizar as atividades de formação de toda RCC do Brasil e vem dar suporte a todos ministérios para que realizem suas formações específicas e que possam atender com qualidade os grupos de oração. “Junto a uma forte experiência religiosa e uma destacada convivência comuni- tária, nossos fiéis precisam aprofundar o conhecimento da Palavra de Deus e os conteú- dos da fé, visto que esta é a única maneira de amadurecer sua experiência religiosa ”. A busca de sabedoria e do conhecimento de Deus é uma constante na vida do ser humano. O homem é um ser religioso e na sua caminhada busca fazer da religião um encontro com Deus, conhecer Deus. A partir do encontro pessoal com Cristo experimentado, ao receber o anúncio querigmático o cristão fica entusiasmado e cada vez mais quer crescer no aprofundamento doutrinal, moral e espiritual. Buscando viver a experiência pes- soal do Batismo no Espírito Santo (identidade de nosso movimento), sentimos a necessidade de uma formação madura e doutrinária para não andarmos ao sopro de qualquer vã doutrina. Dando seqüência ao módulo básico de formação Paulo Apóstolo, ampliado com os três encontros de formação humana, cada ministério na RCC tem a res- ponsabilidade de aplicar sua formação específica, naquilo que é importante para o funcionamento do mesmo. E esta deve ser sistemática, adaptada à capacidade dos seus membros para que todos possam responder cada vez mais a razão de sua fé. Uma boa formação é a garantia da vida e da força de cada ministério sendo, por- tanto, a guardiã dos carismas. A falta de compreensão e conseqüentemente não assumir o caminho da formação com empenho e dedicação têm causado desvios, apatias e até mesmo abandono da RCC e da Igreja. Há, portanto, uma necessidade incontestável de que as lideranças e os membros da RCC não resistam à formação, mas a busquem incessantemente, para permanecerem no caminho de santidade e serviço. - CNBB. Documento de Aparecida § 226c
  7. 7. Ressaltamos, ainda que, os ministérios são instâncias de serviço do grupo de oração, da diocese, do estado, etc. Cabe a eles estimular e in- centivar a formação, porém não têm eles autonomia de decisões, devendo se reportar para orientações e decisões sempre ao coordenador do grupo de oração/diocesano/estado, dependendo da esfera. Os ministérios não podem criar coordenações paralelas, pois cabe ao coordenador do GO, da diocese ou do estado o discernimento e pastoreio direto dos servos. Aos responsáveis pelos ministérios em qualquer esfera cabe a formação espe- cífica do mesmo. Conscientes da importância da formação e que esta não pode estar separa- da de uma vida de oração, permaneçam em Cenáculo para um perene Pentecos- tes. Nossa Senhora sede da Sabedoria, rogai por nós! Comissão Nacional de Formação
  8. 8. INTRODUÇÃO O Ministério de Música e Artes da RCC é um serviço aos irmãos através dos dons e talentos artísticos que Deus nos deu. Nosso lugar prioritário de atuação é no Grupo de Oração. Por isso, o Conselho Nacional resolveu adotar a nomencla- tura: Ministério de Música e Artes na RCC, com seu enfoque primordial e principal no ministério de música; pois cabe a ele a atuação no GO. Procuraremos desenvolver na apostila 2 o tema: “As artes sacras na RCC”, onde trabalharemos o teatro sagrado, a dança e a música na liturgia. A música é parte característica e indispensável do GO, portanto o ministério de música é um ministério fundamental para a vivência correta e original do GO. As outras expressões artísticas são uma graça para a RCC, mas não constituem algo indispensável para o GO. São expressões fortíssimas de evangelização e de extrema importância para o fiel cumpri- mento de nossa missão. Precisamos buscar a imitação da humildade e a obediência de Jesus, e isso é alcançado através de uma vida de oração diária, carismática e fecunda. Esta vida de intimidade com Deus nos fará descobrir a cada dia o valor de nosso chamado e a seriedade de nossa missão, que muitas vezes pedirá de nós re- nuncias e desprendimento para o bom testemunho de nossa vida nova em Cristo Jesus. Nosso ministério tem uma grande responsabilidade na vivência e prática da liturgia, isso requer um zelo e um grande esforço de nossa parte, além de um estudo aprofundado deste tema que posteriormente abordaremos com mais pro- fundidade. Gostaria de agradecer, primeiramente a Deus a oportunidade de partilhar com você estes temas e um pouco de minha vivência neste ministério. Também agradeço aos irmãos que colaboraram com artigos nesta apostila e ao conselho da RCC pela confiança e apoio no meu ministério e de minha comunidade (Comuni- dade Recado). LUIZ CARVALHO (Comunidade Recado) Coordenador Nacional do Ministério de Música e Artes na RCC
  9. 9. 10 ORIENTAÇÕES GERAIS PARA O ENCONTRO ESPIRITUALIDADE Pela vivência do batismo no Espírito Santo, atualizamos a experiência de Pentecostes e os carismas vão sendo suscitados. Nosso objetivo é levar os filhos de Deus batizados sacramentalmente a viverem seu múnus batismal pela busca da santidade, meta de todo cristão. Procuramos assim uma conversão pessoal contínua, perseverando na dou- trina dos apóstolos (formação catequética), nas reuniões em comum (na nossa realidade os grupos de oração), na fração do pão e nas orações (cf. At 2,42). Tudo isso tem como princípio e fim último a excelência da caridade, que nada mais é que a operacionalização do amor (cf. 1 Cor 13,1-8a.13b). METODOLOGIA Por fazer parte do módulo serviço da Formação, sugerimos que os partici- pantes deste módulo já tenham feito o módulo básico da Formação Paulo Apósto- lo, e/ou que estejam fazendo e/ou que sejam incentivados e estimulados a fazê-lo! Este encontro poderá ser ministrado num fim-de-semana, em retiros “fe- chados” (com pernoite), retiros “abertos” (sem pernoite), ou em reuniões sema- nais (dando-se um ensino por semana). Contudo deve se observar que sua eficácia ocorrerá pela forma como ele for aplicado, a saber: 1. Pela escolha dos pregadores (priorizando os formadores da música com vivên- cia e experiência no ministério para Grupos de Oração e/ou os formadores da Paulo Apóstolo). O (s) formador (es) que irá (ão) ministrar o encontro deverá (ão) estudar bem a apostila antes de aplicá-la, lendo se possível alguns livros sugeridos ao final dela. Deve se evitar estender por demais nas palestras querendo dar todo o con- teúdo, mas busque-se em cada ensino adequar à realidade e ao momento de cada encontro. 2. Busque-se fazer uma oração ao final de cada ensino (como sugerido). Não deverá faltar tanto no início de cada dia de ensino como ao final de
  10. 10. 11 cada palestra a “dinâmica carismática”, com um momento forte de ora- ção relativo ao tema, seguindo a moção do Espírito Santo. Ficará a critério e discernimento dos responsáveis pelo encontro ou formadores conduzir esses momentos conforme o Espírito Santo estiver “soprando”. A preocupação não pode ser “passar” a apostila, mas sim ministrar o encontro para que os participantes vivenciem o que se está ensinando! Ficará a critério da coordenação local, montar as equipes de serviço, tais como: crachás, acolhida, ministério de música (que neste caso deverá também participará do encontro fazendo-o), intercessão, bem estar, etc.
  11. 11. 12 ENSINO 1 O CHAMADO DO ARTISTA E A RESPONSABILIDADE DA MISSÃO OBJETIVO: Levar os participantes a vivenciarem o chamado pessoal do Senhor. Para tanto, antes de se iniciar este ensino, deve-se fazer uma dinâmica lançando a pergunta: O que os levou a este encontro e como estão exercendo o ministério (caso já o exerçam)? Sugere-se que todos escrevam em uma folha de papel suas respostas, devendo ficar com eles até o final do encontro para ver o que o Senhor os irá revelar. Esse ensino deverá ter uma ótica mais testemunhal e de vivência, pro- curando apresentar a importância do chamado, responsabilidade e compromisso com a missão, enfocando mais na pessoa do artista. 1.1. POR QUE VOCÊ ESTÁ NO MINISTÉRIO DE MÚSICA E ARTES DA RCC? Se a sua resposta for “porque sei tocar, ou dançar, ou cantar, ou atuar” ou “porque gosto de tocar, ou dançar, ou cantar, ou atuar”, eu sinto muito lhe dizer que suas respostas estão incompletas e parcialmente incorretas e seu Ministério está correndo um sério e permanente risco de acabar. Quando estamos no Ministério só porque gostamos ou sabemos fazer al- gum tipo de arte, só vamos permanecer neste Ministério até quando for conve- niente para nós. Ao passo que se estamos em um Ministério porque temos a con- vicção de um chamado especifico do Senhor (cf. Jo 15,15-16) permaneceremos nele e com Ele, enquanto for a Sua vontade (trabalhar em Jo 15,1-8) independente de nossa vontade ou gosto pessoal. É claro que expressar nossa arte nos dá prazer, mas essa não pode ser nossa motivação maior. Vamos tomar a passagem de Num. 3, 5-13. Nesta passagem vemos a eleição dos levitas para o serviço do templo. Esta tribo foi consagrada por Deus para servir na casa de Deus. E como é interessante ver o cuidado e o direito que Deus exerce sobre eles. Nós do Ministério das Artes somos os levitas de hoje. A nós cabe a arte na casa do Senhor, na espiritualidade da RCC. Nosso lugar de trabalho é o grupo
  12. 12. 13 de oração, ou em nome dele e em comunhão com ele, as praças, os hospitais, as praias, os orfanatos, enfim, onde estiver o povo que precisa do batismo no Espírito Santo. Tenho procurado reacender nos corações de todos os irmãos que tenho encontrado no Brasil ou no exterior, essa verdade linda e de grande responsabili- dade. Nosso Ministério é uma resposta a Deus. E ao mesmo tempo uma resposta de Deus ao seu povo que clama sua presença, seu cuidado, sua salvação. E que coisa mais linda: Deus confia em nós. Deus espera pelo nosso sim de- cidido a cada dia, a cada missão, a cada desafio. Mesmo que nos custe caro. Mesmo que nos custe o sacrifício e a renuncia. Sabemos que nada é em vão se é feito por amor, com amor e pelo amor. Procure ouvir pessoalmente à voz do Senhor chamando você para a mis- são. Não abra mão desse direito, porque essa voz suave e ao mesmo tempo forte do Senhor será consolo e fortaleza nas horas de provação, de desentendimentos, de críticas, de renúncias, de combate. “O discípulo não é mais que o mestre, o servidor não é mais que o pa- trão. Basta ao discípulo ser tratado como seu mestre, e ao servidor como seu patrão.”(Mt 10, 24-25) Esta palavra do evangelho precisa estar em nossas mentes durante toda nossa vida de Ministério. Seguimos o mestre Jesus. O mesmo que fez milagres, que foi aclamado, mas também que foi condenado à morte, que sofreu solidão, que foi caluniado, que foi abandonado pelos seus amigos, que chorou, que suou sangue. Em nosso Ministério poderemos passar por tudo isso. Não mais que isso. Porque seguimos os passos do Mestre de Nazaré. E a cada dia que abraçarmos nossa cruz e com a força de Deus superarmos as dificuldades, estaremos mais parecidos com o Senhor e conseqüentemente mais santos. E não é isso que estamos constante- mente pedindo e ensinando as pessoas a pedirem? Deus escuta nossas preces! Outra reflexão que gostaria de fazer com você a respeito da seriedade do Ministério a que Deus o chamou é a respeito da conseqüência do seu “sim”. Quando você se coloca a serviço de um Ministério, todas as pessoas que foram reservadas por Deus para serem alcançadas pela sua missão passam a “depender” e a esperar pela manifestação da graça de Deus que virá através do seu chamado especifico. Claro que Deus tudo pode, mas Ele escolheu precisar de você. Ele quer - Todas as citações são retiradas da Bíblia Ave-Maria.
  13. 13. 14 precisar de seus braços, da sua voz, dos seus talentos para serem canais do seu amor e de sua salvação. Pelo nosso “sim” ao plano de Deus muitos irmãos têm a alegria de se en- contrarem com a salvação de nosso Senhor. Estudando sobre a palavra “ministrar” encontramos os sinônimos: abas- tecer, equipar, fornecer, prover e munir. Através da arte carismática queremos abastecer, equipar, fornecer, prover e munir nossos irmãos com a experiência de Deus, com o seu poder, com a sua salvação e com a mentalidade do seu reino. Para isso nós fomos eleitos e capacitados com nossos talentos naturais e dons sobrena- turais. Sejamos felizes! Sejamos fiéis! Sugestão Por ser uma palestra inicial de motivação,sugere-se fazer um bom momen- to de oração para que os participantes descubram, ou redescubram o chamado pessoal a partir de uma nova efusão do Espírito Santo.
  14. 14. 15 ENSINO 2 A ESTRUTURA DO MINISTÉRIO DE MÚSICA E ARTES DA RCC VISÃO GERAL OBJETIVO: Apresentar e esclarecer como deve se estruturar o ministério. De- pendendo do público que estiver fazendo o encontro, poderá se enfocar/enfatizar mais a atuação do ministério dentro do grupo de oração, em eventos da RCC, na diocese e/ou no Estado, etc. O QUE É? O Ministério de Música e Artes é o serviço da Renovação Carismática res- ponsável pela formação e acompanhamento das expressões artísticas: música, te- atro, dança pintura e outros, que têm atuação na RCC. OBJETIVO DO MINISTÉRIO O principal objetivo é formar os artistas em santidade e serviço para atu- arem com autoridade e poder no Grupo de Oração – G.O. A razão de ser do Ministério de Música e Artes da RCC é o Grupo de Oração: fazer com que a arte se manifeste com o exercício dos carismas, no poder do Espírito Santo, levando as pessoas a uma experiência pessoal com Jesus Cristo. Mas as atividades dos Minis- térios artísticos da RCC não se limitam ao G.O.: o Ministério de Música e Artes da RCC pode atuar em diversos ambientes que necessitem ouvir a Boa Nova de Jesus Cristo, sempre em unidade com os coordenadores do G.O. e da RCC local.
  15. 15. 16 2.1. O MINISTÉRIO DE MÚSICA E ARTES ESTADUAL OBJETIVO GERAL Promover unidade na formação espiritual dos ministros de Música e Artes em todo o estado; Fomentar o aprimoramento técnico para bem desenvolver os dons espiritu- ais; OBJETIVOS ESPECÍFICOS Promover a unidade entre as dioceses apontando-as para as visões Nacionais e Estaduais. O coordenador é um elo dos conselhos Nacional e Estadual e sua função é fundamental na transposição da visão geral da RCC em linguagem específica para as artes; Encaminhar para as dioceses a formação Nacional Estar em contato com os demais coordenadores estaduais de Música e Artes. A partilha e a troca de experiências, bem como os laços fraternos, fortalecem a caminhada cristã e favorecem a unidade e a missão. Gerar formação interna, quando necessário, sempre partilhando-a com a equi- pe Nacional, a fim de preservar a unidade e colaborar com a formação; Visitar as dioceses não somente para encontros, mas, sobretudo, para reuniões de oração, escuta e intercessão com lideranças; Identificar e ajudar na formação de novas lideranças gerando novos servos para a RCC; Levar a experiência de seu Estado para a equipe Nacional, possibilitando que outros Estados cresçam com seus acertos e desafios, assim como receber as sugestões e testemunhos dos outros coordenadores. • • • • • • • • •
  16. 16. 17 2.2. O MINISTÉRIO DE MÚSICA E ARTES DIOCESANO OBJETIVO GERAL Os Ministérios Diocesanos de Música e Artes trabalham juntamente com a coordenação Estadual de Música e Artes da RCC possibilitando o cumprimento do planejamento e ações discernidas em nível Nacional, Estadual e também dioce- sano. São nossas abelhas operárias. Estão diretamente ligadas aos artistas em seu dia-a-dia e no cumprimento de suas funções especificas. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Servir em unidade com Ministério de Música e Artes Estadual e Nacional; Servir em unidade com a Coordenação Diocesana, Estadual e Nacional; Incentivar todos os Ministérios de Música e Artes a estarem inseridos nos Gru- pos de Oração como membros participantes e atuantes; Visitar os Ministérios de Música e Artes sempre que possível dando uma for- mação direcionada e reunindo-se com os coordenadores para aperfeiçoar o trabalho, a espiritualidade e a vivência da fraternidade; Convidar e animar a todos os Ministérios de Música e Artes para participarem de cursos, encontros e eventos da RCC, dando-lhes a oportunidade de cres- cimento; Organizar e manter atualizado o Cadastro de todos os Ministérios de Música e Artes existentes na diocese; Motivar e incentivar a criação e perseverança dos Ministérios de Música e Ar- tes; Promover encontros de formação espiritual, humana, doutrinária e técnica abordando temas essenciais à eficácia do Ministério conforme as necessidades e realidades locais, sem falso ascetismo; Eleger seu núcleo de serviço favorecendo o aparecimento de novas lideranças, o testemunho de unidade e evitando o acumulo de funções; Convocar os Ministérios de Música e Artes para ministrar os eventos da RCC • • • • • • • • • •
  17. 17. 18 com sabedoria, discernimento e muita oração, deixando sempre prevalecer a vontade de Deus. Observar sempre a maturidade, a espiritualidade, a con- dição técnica que deve ser proporcional ao trabalho a ser executado, o com- promisso no grupo de oração, a perseverança e unidade do Ministério a ser convocado para o evento. Acolher e dar subsídios para que o Ministério responsável pela animação do evento decorrente possa exercer sua função da melhor maneira possível. Elaborar uma ata com todas as atividades executadas durante a sua gestão para, posteriormente, repassar ao novo ministro Diocesano de Música e Artes. Motivar e incentivar os Ministérios de música, teatro, dança , etc. a participa- rem de Seminário de Vida no Espírito e Experiências de Oração. Promover e dar apoio a Festivais de Arte Católica ou eventos de evangelização com as artes; Procurar Escolas de Música e de Artes em geral com o intuito de indicá-las aos artistas para, assim, receberem orientações técnicas e aprofundarem no estu- do com o objetivo de aprimorar o serviço desempenhado na Igreja. 2.3. O COORDENADOR DIOCESANO DO MINISTÉRIO DE MÚSICA E ARTES O Espírito Santo é o doador dos dons. É ele quem capacita as pessoas e as cumula de talentos. Mas, para o crescimento da diocese, devemos observar a Palavra de Deus, que nos orienta na escolha daqueles que devem tomar parte em nosso Ministério: confia-o a homens (mulheres) fiéis que, por sua vez, sejam capazes de instruir a outros (II Tim 2,2b), escolhei dentre vós homens de boa re- putação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria (At 6,3), não pode ser um recém- convertido, para não acontecer que ofuscado pela vaidade, venha a cair na mesma condenação que o demônio, mas que goze de boa consideração por parte dos de fora (I Tim 3,6-7). Seguindo estas orientações da palavra de Deus devemos tomar cuidado na escolha do ministro Diocesano de Música e Artes. As qualidades essenciais do ministro Diocesano e Estadual de Música e Artes são: • • • • •
  18. 18. 19 Ser investido da autoridade de Deus e procurar viver a graça do Batismo no Espírito Santo; Ter experiência, conhecimento e intimidade com Deus através de uma vida diária de oração e estudo da Palavra; Ter a consciência de ser chamado por Deus para cumprir aquele serviço aos irmãos na imitação do Cristo, o servo do Senhor; Desejar servir aos irmãos e a Igreja neste Ministério e serviço específico; Ter disponibilidade de tempo para cumprir com suas tarefas; Ter testemunho de vida, buscando superar suas imperfeições e fraquezas com a graça de Deus e seu esforço humano. “As palavras convencem, mas o teste- munho arrasta”; Ter carisma de pastor amando todas as ovelhas sem distinção e dando o me- lhor de si para elas (Jo 10,1-17); Estar disposto a trabalhar, estudar, orar, comprometer-se, obedecer e ser fiel à sua missão. Não há lugar para acomodados e omissos. 2.4. AS QUALIDADES BÁSICAS DE UM MINISTRO DAS ARTES SÃO Ser membro atuante no Grupo de Oração da RCC Obs: Atualmente alguns grupos de oração contam com a ajuda de al- guns músicos que não participam ainda efetivamente do G.O., mas co- locam a disposição do Ministério de Música e Artes seus talentos e dons. Pedimos apenas que estas pessoas sejam acompanhadas de per- to. Que este serviço dentro do G.O. seja como uma porta de entrada para a espiritualidade da RCC na vida destes irmãos. Também orien- tamos que estes instrumentistas ou cantores não sejam colocados à frente do Ministério e nem como animadores, pois, por eles não terem a experiência com os carismas, não seriam instrumentos eficazes na condução carismática do Ministério de Música. Participar de Ministério de Música e Artes (música, teatro ou Dança) da RCC; • • • • • • • • • •
  19. 19. 20 Buscar estar sempre atualizado em unidade com a RCC (diocesana Estadual e Nacional); Caminhar na obediência com a Igreja (padres e bispos), coordenadores e agentes pastorais; Procurar o Ministério de Formação (Escola Paulo Apóstolo) para apro- fundar-se na fé, moral, doutrina da Igreja e Renovação Carismática Católica. Sugestão Abrir um plenário para o esclarecimento de dúvidas. • • •
  20. 20. 21 ENSINO 3 MINISTÉRIO DE MÚSICA NO GRUPO DE ORAÇÃO OBJETIVO: Esclarecer a forma, atuação e postura que o ministro de música deve ter no GO e nos eventos. 3.1. O MINISTRO DE LOUVOR “Ministério é, antes de tudo, um carisma, ou seja, um dom do Pai, pelo Filho, no Espírito que torna seu portador apto a desempenhar determinadas atividades, serviços e ministérios em ordem à salvação” . Chamamos de Ministro ou dirigente de louvor, a pessoa responsável para conduzir os momentos específicos de oração dentro do grupo, ou seja, oração de louvor, perdão, adoração, súplica, etc. Na RCC encontramos lugares onde esse serviço é executado exclusiva- mente pelo ministro de louvor e o ministro de música, outros em que este serviço é dividido com um dirigente de oração que pode ou não participar do ministério de música. Em outros lugares encontramos a experiência de ter mais de um dirigente de oração durante o grupo de oração. Cada realidade pode ver qual destes mo- delos dá mais frutos, porém em qualquer modelo adotado é imprescindível saber que para o exercício do serviço de ministrar o louvor em um GO é fundamental a abertura e o recebimento do carisma ministerial, que confirma a vocação especifi- ca do ministro de louvor. É preciso deixar que o carisma se manifeste. Mas atenção: O ministro de louvor ou o dirigente de oração não pode ser um total desconhecedor do básico da música como: tom, anda- mento, etc, para que ele não atravesse a melodia, ou cante fora do com- passo, obrigando os instrumentistas a correrem atrás dele. Para evitar esses incidentes que podem comprometer completamente o GO, quando ele não fizer parte do Ministério de música , deve manter uma unidade com o mesmo, participando de vez em quando de seus ensaios. Funções gerais do Ministro de Louvor: - CNBB. Missão e ministérios dos cristãos leigos e leigas § 84.
  21. 21. 22 a) Ser ponte entre Deus e a assembléia, facilitando este relacionamento. b) Ser canal da graça de Deus para aqueles que ainda não têm uma abertura e intimidade com o Senhor e seus dons. c) Acolher com alegria, através dos cantos, palavras e gestos cativantes as pessoas que chegam ao grupo de oração. Para vencer a timidez, precisamos dar tempo ao tempo, pedir ao Senhor que nos cure dos medos humanos e, se for preciso, recorrer aos irmãos do ministério de cura para um acompanhamento. A timi- dez pode ser um grande problema para nosso ministério, precisamos enfrentar o problema e vencermos a cada semana, a fim de sermos canais livres da graça de Deus para nossos irmãos. d) Ser dócil à moção do Espírito, percebendo qual a moção de Deus para cada momento e guiando o povo para vivenciar esta moção. Em alguns lugares encontramos Ministérios de música que simplesmente se preocupam em cantar as músicas previamente escolhidas e com a fórmula original delas, não se abrindo à inspiração do Espírito para cada momento. Algumas vezes poderemos cantar apenas uma parte da música repetida vezes, aprofundando a letra a cada momento, ou até adaptando a letra naquele momento. A animação não tem uma quantidade pré-determinada de músicas, pode ser que a moção de Deus para aquele GO fique apenas na primeira música escolhi- da. Porém é importante termos nosso programinha feito, com a seqüência daque- les cantos que foram ensaiados, mas sempre conservando a liberdade do Espírito. Facilita muito quando o ministério tem seu repertório dividido por temas (Maria, louvor, perdão, etc.) devidamente cifrado. Não esquecendo-nos que este repertório deve estar sempre atualizado. Para discernir as músicas do GO levam-se em consideração: a moção do Espírito para aquele dia do GO, a realidade atual do ministério (músicas mais sim- ples para os iniciantes, porém bem executadas, será melhor que uma música mais difícil e mal executada) o tipo do grupo (jovens, idosos, etc.) Lembrando que se houver uma inspiração nova no momento do GO devemos acolher com alegria e serenidade, e fazermos da melhor maneira possível. Por este motivo é indispen- sável a presença e a participação ativa de um ou mais membros do MM no núcleo do GO (dependendo do costume de cada GO), pois é lá que se ora e se escuta a moção de Deus para cada reunião.
  22. 22. 23 Antes ou depois das canções pode-se fazer um breve comentário que es- clareça e dê ainda mais sentido para aquele cântico ser cantado, mas falar sempre antes ou ao final de cada música é cansativo e desnecessário. Nem sempre se faz necessário parar a condução para passar de um mo- mento de animação para um momento mais lento. Às vezes podemos diminuir o andamento da música animada e imediatamente entrarmos na música mais lenta. Em outros momentos será necessário parar a música completamente. Na verdade não há regras, só não podemos nos repetir e nunca devemos nos fechar ao novo de Deus, por mais absurdo que nos pareça. A partir do momento que alguém começa a conduzir a oração, todo o Ministério de música, vocalistas e instrumentistas, devem abaixar seus vo- lumes para não competirem com a voz do dirigente ou ministro, permitindo assim que todos participem da moção da oração, inclusive o Ministério de música. Todo o ministério deve estar atento àquele que conduz a oração. 3.1.1. Comportamento e postura do Ministro de Louvor As pessoas que exercem algum serviço no GO são alvo de atenção por par- te da assembléia. Talvez não gostemos disso, mas é real. Somos analisados a cada instante pela assembléia, e um gesto ou palavras erradas podem desviar a atenção e até escandalizar nossos irmãos. Por esta razão devemos ter muito cuidado nas roupas e acessórios que usamos. Nada que nos torne sensuais ou provocantes devem ser usados, porque a única coisa que queremos provocar nas pessoas que servimos é o desejo de santidade e de amor ao Senhor a cada dia. Em nossos ministérios não devemos usar roupas coladas, transparentes, decotadas ou curtas demais. Mas isso deve ser levado em conta não somente quando estamos no GO mas também fora dele, porque a cada um de nós é esperado um testemunho de vida. Quando estamos diante do povo, precisamos fazê-lo acreditar na ressur- reição e no poder de nosso Senhor a partir de nosso rosto e aparência estética. Homens e mulheres devem estar com boa e harmoniosa aparência, desde o cuidado com cabelos e pele, até a escolha certa da roupa que usa. Tudo deve demonstrar para os irmãos: “você é tão importante para nós e para Deus que eu me preparei cuidadosamente para este momento”.
  23. 23. 24 Não podemos esquecer que muitos que vão para o GO estão com inú- meros problemas em casa (financeiros, enfermidades, crises conjugais e com fi- lhos, pecados, drogas, etc) Tudo isto dificultará a entrega deles na experiência com Deus, mas eles estão ali, esperando por nosso ministério para encontrarem-se com o amor, o poder e a infinita misericórdia do Senhor. Precisamos cooperar com a graça de Deus, movimentando-nos, envolvendo-os com olhares, gestos, brincadeiras e tudo mais que o Senhor possa suscitar em nosso coração. a) Olhares, gestos e entonação Como alguém que está à frente de um povo você deve ter uma visão geral das pessoas e tomar cuidado para não se prender a alguma em especial, evitando assim constrangimentos e mal entendidos. Também devemos ter um cuidado de não esquecermos as pessoas que estão sentadas mais atrás ou as que não estão tão abertas na oração. Para isso acontecer, mantenha seus olhos abertos a maior parte do tempo e veja se as pessoas estão seguindo os direcionamentos. É extremamen- te cansativo estar diante de um animador que não sai do lugar, ou permanece com o mesmo tom de voz ou o mesmo semblante. Nos momentos mais fortes aumen- te o volume de sua voz, mas tenha cuidado para não cansar as pessoas com gritos e notas repetidas e muito agudas. Para cada grupo de pessoas tem uma forma de ministrar, descubra qual a sabedoria do Espírito para seu grupo de Oração. É preciso haver um equilíbrio entre o volume dos instrumentos e o volume da voz, e destes dois com a acústica e o tamanho do local do GO. O volume é sempre adequado ao ambiente e às pessoas. b) Ensinar e ministrar novos cânticos Cantar cânticos não é errado, mas deter-se só nos antigos e não abrir-se para os novos cânticos é empobrecer nosso ministério. Com o crescimento da RCC, novos compositores e intérpretes apareceram e contribuíram enormemen- te com nosso movimento. Para ajudar você a ensinar novos cânticos daremos al- gumas sugestões: Cante a música inteira e peça que a assembléia apenas escute. Ensine a canção por partes, letra e música. 1. 2.
  24. 24. 25 Utilize dinâmicas como: só mulheres, só homens, etc para motivá-los a apren- der o canto. Corrija as partes que o povo está com dúvidas. Se você quiser pode usar livros, folhas de cânticos ou projetores com as le- tras das músicas, mas lembre-se de ministrar a música e levar as pessoas à oração. A letra pode dificultar o momento de oração, se as pessoas ficarem preocupadas apenas em ler. c) Exemplos de condução de oração Desde o inicio do GO o ministro de louvor deve, juntamente com todo o ministério de música, levar as pessoas a terem este encontro pessoal com Deus. Na dinâmica do GO ocorrem momentos de louvor, oração de perdão, de cura, adoração, batismo no Espírito Santo e outras formas de oração. No louvor, pode- mos levar as pessoas a louvarem a Deus pelo que Ele é, pelo que Ele faz no mundo, pelo que Ele nos faz pessoalmente, pela palavra que Ele nos inspira em um deter- minado momento. Após estes momentos inspirados de louvor podemos coroar a oração com um forte momento de louvor através de uma canção. Na oração de perdão, nosso cuidado e preocupação são em enaltecer a mi- sericórdia de Deus e não os defeitos das pessoas. Devemos ter essa sensibilidade e vigilância. As pessoas devem sair dali mais leves e não acusadas. A oração de cura pode ser feita em parceria com um ministro de cura e libertação; isso é aconse- lhável e sinal de unidade entre os ministérios. Jesus é nosso Senhor e Salvador, por isso nos momentos que o Espírito nos inspirar, devemos levar o povo a adorar ao Senhor, com cânticos, gestos e de todo coração. Ele é digno de nossa adoração. Lembrando ainda o objetivo do GO, que é levar as pessoas a experiência do batismo no Espírito no Santo. Em todos esses momentos acima exemplificados, devemos estar abertos e intercedendo para que haja sobre o GO uma renovação do nosso batismo, e em cada grupo, de forma criativa e dinâmica devemos implorar ao Senhor por este batismo no Espírito. Outras formas de oração devem acontecer no GO. Importa ao ministro saber qual a vontade de Deus para cada GO e ser instrumento para que esta vontade se realize. Só Deus sabe o que irá acontecer em cada GO e cada GO precisa ser único e fecundo, assim não há esfriamento, nem monotonia, nem esvaziamento do GO. Por isso faz-se necessário nosso crescimento e maturidade 3. 4.
  25. 25. 26 espiritual. A partir de nossa intimidade com o Senhor estaremos aptos a levar outros a crescerem nesta intimidade. E só o Espírito pode nos dar esta graça. O ministro pode até esforçar-se para evangelizar seus irmãos, mas deverá entender que “...o Espírito é o agente principal da evangelização” Não poderemos perder jamais o fogo do Espírito,a motivação e até a empolgação inicial. “...o fervor que se pode observar sempre na vida dos grandes pre- gadores e evangelizadores......, eles souberam superar muitos obstáculos que se opunham à evangelização...” dizia o papa João Paulo II e conti- nua em outro trecho: “Essa falta de fervor manifesta-se no cansaço e na desilusão, acomodação e no desinteresse e, sobretudo, na falta de alegria e esperança em numerosos evangelizadores. E assim, exortamos todos aqueles que, por qualquer titulo e em alguma escala, tem a tarefa de evan- gelizar, a alimentarem sempre o fervor espiritual” Que o Espírito Santo nos faça sempre recobrar e alimentar em nós o fervor e a alegria no servir. d) Músicas evangélicas, piercings, tatuagens... A questão do uso das músicas evangélicas em reuniões do GO é muito delicada. No inicio da RCC nós não tínhamos compositores da RCC e as músicas protestantes foram largamente empregadas em nossos retiros e reuniões. Demos graças a Deus por estas canções e por estes compositores que foram canais de Deus para nós. A diferença é que hoje Deus já suscitou em nossos meio, compositores, cantores e grupos musicais que têm a nossa espiritualidade carismática e nossa doutrina católica. Eles têm ajudado a construir e a levantar a música católica com a espiritualidade da RCC. Procuremos portanto, priorizar o material católico que tem sido lançado. O principal critério de discernimento para a escolha de uma música deve ser sempre a moção que o Espírito Santo estiver levando àquele determinado mo- mento de oração. - PAULO VI. Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi § 75. - Idem, § 80.
  26. 26. 27 Deve-se também saber quais são as orientações e posição do coordenador do grupo de oração, padre e/ou da diocese para essas situações. O objetivo do músico e do ministério no GO é principalmente levar todos (inclusive o próprio ministério) a ter uma experiência de Deus, pelo louvor e a adoração ao Senhor. Se o músico tiver um bom conhecimento de músicas do livro de cânticos (Louvemos o Senhor); ele saberá aplicá-las no momento certo. Faz-se uma observação: todo CD tem músicas que podem ser aproveita- das em nossos grupos de oração. É falsa a idéia de que toda música para ser tocada no grupo tem que ser fácil e curta. E a música “Ninguém te ama como eu”? Por acaso é fácil ou curta? E nós por acaso não usamos esta canção inúmeras vezes em nossos grupos e eventos? E também quero afirmar que é muito difícil lançar um CD só com canções para grupos porque a dinâmica do grupo de oração é bem lar- ga e só o Espírito pode saber o que vai acontecer em cada lugar e em cada reunião. Cabe então aos ministros de música criar o hábito de comprar, ouvir e aprender as músicas dos católicos para ajudarem (e amarem na prática) estes irmãos que têm gastado suas vidas na igreja católica. Não é proibido tocar e cantar músicas evangélicas. Aquelas músicas antigas, que já fazem parte de nosso repertório, de nossa história, podemos conti- nuar usando. Mas, continuarmos numa busca frenética por novas canções evangéli- cas, especialmente de grupos que estão na moda e esquecermos ou desprezarmos os dons e talentos que o próprio Senhor nos deu, é uma atitude que precisa ser repensada. Deve-se observar também se a música evangélica não fere nossa dou- trina Evite-se ter como critério de discernimento dizer: “Só as músicas protes- tantes tem unção, tem poder!” Muitas vezes ficamos acomodados e somos ma- nipulados pelo modismo, pelo consumismo, pelas opiniões da maioria que de- sacostumamos a pensar e a tomar nossas próprias decisões. Até em nosso meio musical católico, seguimos o que está na mídia e na moda. Deixamos de encontrar verdadeiros tesouros! Temos nossa identidade. Somos carismáticos católicos. Essa é nossa identi- dade. Se passarmos a imitar nossos irmãos protestantes nas músicas, e até em seus estilos de rezar ou pregar estamos abrindo mão de nossa identidade e de nossa missão. Além do mais toda cópia é apenas uma cópia. Não precisamos copiar nada nem ninguém. O Espírito Santo é cria-
  27. 27. 28 tivo. Deus é infinitamente capaz de criar e recriar todas as coisas. Agora, uma coisa é certa, imitar dá menos trabalho do que buscar e fazer o novo, o diferente. Quanto ao uso de piercing, tatuagens ou outros adereços que apareçam, a RCC não tem nada de proibitivo no uso destes acessórios. Mas vale a pena uma reflexão sobre este tipo de comportamento. Tome a Palavra de Deus em Ef 4,22-24;5,8 Esta Palavra nos ilumina e adverte para revestirmo-nos do homem novo e nos comportarmos como luzes de Deus. Estes adereços são amplamente usados e propagados pela cultura pagã que está ganhando força a cada dia em nosso mundo. Infelizmente eles nos lembram pessoas que estão longe da experiência cristã. São como símbolos de uma falsa liberdade que é mais uma libertinagem do que uma liberdade. É “liberdade” entre aspas porque todos que não usam são tachados de caretas, velhos, ultrapassados, e tantos outros adjetivos depreciativos. Então, na verdade, fsomos quase obrigados a usar para não nos sentirmos “out”, fora do mo- dismo que escraviza e que exclui. Isto é bem mais complicado para os adolescentes e jovens que estão exatamente vivenciando a descoberta da vida, o exercício da liberdade e procurando seu espaço no mundo. Questione-se, então: Com quem você assumiu o compromisso de evange- lizar? Qual a cultura que você, como artista da RCC quer propagar e difundir? Você quer se camuflar de pagão, e assim passar despercebido entre aqueles que não conhecem a Deus? Ou você quer evangelizar oportuna e inoportunamente? Você quer ser luz para um mundo distante da mentalidade do reino de Deus e denun- ciar suas mentiras e injustiças ou você quer ser mais um para confirmar a maneira errada deste mundo caminhar? Nós já somos tão poucos diante de tantos não crentes que não podemos correr o risco de passarmos despercebidos. Nossa postura precisa ser clara e coe- rente. Se você não canta músicas que considera profana e anticristã, mas veste-se e comporta-se como um não cristão, que coerência de vida você pensa estar vi- vendo? Se você faz uso deste modismo e outros mais só porque acha “legal”, e não pensa nas conseqüências de sua atitude ou no contra testemunho que você pode dar, peça com insistência ao Espírito Santo para lhe dizer realmente quem você é e a que você é chamado. Pense nisso também e decida. Cada um de nós é responsá- vel pelos nossos atos e decisões. Vale a pena renunciar a algo que achamos “legal” pelo bem e fiel cumprimento de nossa missão, afinal de contas tudo que fazemos,
  28. 28. 29 fazemos por amor ao Senhor, ao seu povo e à sua Igreja. Para não sermos confun- didos e para não confundirmos. Para não sermos motivos de escândalos, mas de testemunho de vida nova, obra do Espírito Santo em nós. Com esta reflexão, não estamos afirmando que os irmãos que fazem uso destas coisas não são de Deus, ou não tem uma experiência verdadeira com o Senhor. Devemos refletir para termos a chance de pensar antes de optar, e não so- mente fazer porque está na moda ou porque fulano ou sicrano fazem. Tenho vários amigos de caminhada que usam tatuagem, brincos e piercings. Em Deus eu os amo e respeito, mas todos eles sabem minha opinião: “Se para atrair os jovens eu tiver que usar estas coisas minha missão com a juventude não mais acontecerá. Mesmo sem estes acessórios, mas com uma unção e força que deriva de nossa eleição e chamado, temos atraído muitos jovens, adultos e crianças para a vida de amizade com o Senhor no seio da Igreja Católica, na espiritualidade de Pentecostes. Louva- do seja Deus!” 3.2. ESTRUTURA DO MINISTÉRIO DE MÚSICA Para um melhor aproveitamento de nossas reuniões e de nossos serviços como Ministério, precisamos ter uma organização mínima, especialmente nesta vida corrida que levamos. Claro que aqui estamos propondo uma formação ide- al de Ministério, mas sabemos que em muitos lugares do Brasil, esta não é bem a realidade. Em muitas cidades o Ministério de música se resume a uma pessoa cantando e uma pessoa tocando um instrumento, ou até menos que isso. Vamos continuar pedindo ao Senhor da messe que envie mais operários. 3.2.1. O Coordenador: Aqui vale a pena lembrar que procuramos imitar Jesus em tudo, inclusive na sua maneira de exercer a autoridade. Lembremos de que fomos escolhidos para servirmos aos filhos amados por Deus, e que não estamos em um “cargo” de privilégios e honra, mas de serviço, pastoreio e caridade. - Testemunho de Luiz Carvalho, fundador da Comunidade Recado e coordenador nacional do ministério de música e artes na RCC-BR
  29. 29. 30 É papel do coordenador do Ministério: a. Manter o Ministério de Música sempre animado e motivado para cumprir bem o seu papel dentro do grupo de oração, em unidade e obediência à coordena- ção do mesmo. b. Motivar, testemunhar e manter os laços de unidade e fraternidade entre os membros do Ministério de Música. Para isso faz-se necessário muitas vezes fazer o papel de reconciliador ou artífice da caridade entre aqueles irmãos que naturalmente têm mais dificuldades entre si, e nunca ser uma pessoa que toma partido ou “não escuta os dois lados da historia”. c. Interceder pelo Ministério de Música e ouvir de Deus os direcionamentos es- pecíficos para cada momento vivido pelo Ministério. Deus conhece e quer cui- dar do seu povo, cabe ao coordenador do Ministério de Música esta escuta e a criação de mecanismos que favoreçam este pastoreio do Senhor com seus escolhidos. Muitos Ministérios de Música se perdem no caminho por falta de cuidado dos seus líderes. Alguns se preocupam apenas com as ovelhinhas de fora e esquecem que aqueles que servem no Ministério de Música, também são ovelhas do bom pastor, e que muitas vezes são as mais atacadas pelo lobo, porque estão à frente. d. Buscar fazer um programa de formação para o Ministério, manter-se motiva- do e em crescimento, estando atento às moções que o Senhor tem dado ao conselho da RCC, à coordenação do Ministério de Música e Artes Nacional e Estadual e à Igreja. e. Organizar e planejar as reuniões do Ministério de Música para que sejam pro- dutivas e gerem em cada membro a consciência da graça e da seriedade da missão que Deus lhes confiou. f. Exigir dos membros o cumprimento do papel de cada um, bem como a pontu- alidade e assiduidade nos compromissos assumidos. g. Ser a voz dos irmãos do Ministério de Música junto à coordenação e núcleo do G.O. e ser a voz da coordenação no Ministério de Música. 3.2.2. O Animador a. É o responsável pela condução do Ministério de Música durante a reunião, se-
  30. 30. 31 guindo as moções do Espírito para cada momento. Por esta razão, o animador necessariamente tem que ser uma pessoa aberta aos dons carismáticos e ter uma vida de oração e contínua escuta da voz de Deus. O uso do discernimen- to, da liberdade interior e da liderança é indispensável para o bom e correto exercício deste serviço no Ministério de Música. b. Ensaiar com o Ministério de Música seus gestos e sua forma original de condu- zir a animação e a oração para gerar intimidade entre todo Ministério. c. E só para lembrar: apesar de ter sempre uma pessoa na frente da animação, é indispensável a participação ativa de todos os membros do Ministério de Música. É extremamente errado quando somente os vocalistas participam da condução enquanto os instrumentistas se dis- traem com seus instrumentos ou entre si. O Ministério de Música é um corpo. É um todo! d. Gerar a unidade entre o Ministério de Música e o pregador e/ou aquele que conduz a oração. 3.2.3. Vocalistas Acredito que não haja necessidade de explicar quem são e o que fazem os vocalistas, mas quero lembrar algumas coisas muito importantes: a. Para ser vocalista precisa ter naturalmente o dom de cantar. Precisa ter no mí- nimo afinação, noção de ritmo e outros “detalhes musicais”. É claro que tudo pode ser aperfeiçoado, mas colocar no Ministério de Música um irmão que não tem o mínimo necessário para exercer este serviço, que requer dons naturais e sobrenaturais, é uma falta de caridade para com ele e com os membros do gru- po de oração. Não esqueçamos que nosso povo está a cada dia mais exigente. Esta regrinha aplica-se a todo o Ministério de Música e Artes. b. É fundamental que os vocalistas mantenham um repertório amplo e atuali- zado para não impor limites à voz do Espírito Santo no GO. c. É importantíssimo o cuidado com a voz (seu instrumento de trabalho) e a bus- ca de seu aperfeiçoamento técnico. d. Com o mesmo grau de importância citamos a busca por uma vida espiritual fecunda e verdadeira, para que Deus se utilize dos dons naturais com a força do sobrenatural.
  31. 31. 32 3.2.4. Instrumentistas Como no tópico anterior, vou me deter apenas em alguns cuidados impor- tantes: a. A habilidade com o instrumento também se faz necessária, porém, mais neces- sário que ter a habilidade ou a técnica é ter a liberdade e o discernimento para usar este dom a serviço dos outros e não a serviço de si mesmo. Se um ins- trumentista só consegue tocar com acordes dissonantes, tempos “quebrados” (adiantados, por exemplo) e nem percebe que a assembléia ou até mesmo seus irmãos de Ministério não conseguem acompanhá-lo, este instrumentista não está cumprindo bem o seu papel, e provavelmente é escravo da sua músi- ca. b. Em nosso Ministério, a mensagem é o mais importante, portanto o cuidado para que o volume dos instrumentos não supere a voz falada e cantada, é indis- pensável. c. O instrumentista é ministro de música tanto quanto o animador e os vocalistas, portanto precisa estar aberto e vivenciar a moção de toda condução do grupo de oração. d. É fundamental que os instrumentistas mantenham um repertório amplo e atualizado para não impor limites à voz do Espírito Santo no G.O.. e. A busca por uma vida de intimidade com Deus e conseqüentemente uma vida de santidade dará unção à técnica adquirida com horas de ensaio. 3.2.5. Técnico de som É o irmão que tem conhecimento em operação de áudio e por isso é capaz de operar um equipamento de som com qualidade e habilidade. Ele deve estar atento para a altura do som. Em alguns lugares o som está tão alto que irrita e dispersa os membros do G.O., e em outros o som é tão mal equalizado que os participantes do G.O. não vivem a experiência de Deus por não serem conduzidos a ela. Deve ter um cuidado especial no volume dos instrumentos com relação à voz, e no volume da voz do animador com relação ao todo.
  32. 32. 33 3.3. O Ensaio É necessário lembrar que o ensaio não pode acontecer somente em grupo, mas é fundamental que cada músico tenha um momento de ensaio pessoal, para não retardar ou atrapalhar o ensaio do grupo. Algumas regrinhas básicas: a. Planejar o ensaio e dividir o tempo para cada coisa, ou seja, ter objetivos claros. Isso evita perdermos muito tempo e sermos infiéis à nossa missão. b. Escolha o horário e o tempo de ensaio e seja fiel. c. Escolher um local adequado, arejado e com boa iluminação, que tenha espaço suficiente, com boa acústica e que não incomode os vizinhos. Às vezes uma sala bem organizada, e com a utilização de alguns truques de acústica resolve bem nosso problema. O importante é usarmos a criatividade e na fidelidade deixar que Deus nos surpreenda. Afinar os instrumentos separadamente e en- tre si. d. Manter o volume dos equipamentos de maneira que todos se ouçam conforta- velmente. e. Escolher corretamente os tons e o andamento das canções. E aqui vale lem- brar que as música serão executadas para conduzirem o povo a Deus. Então o tom, o arranjo, a execução devem estar em função do povo e do momento proposto. G.O. não é local para exibicionismo. Nem local para fazermos nos- sas vontades e devaneios musicais acontecerem. f. O ensaio é o momento para se trabalhar as músicas, tirar todas as dúvidas, con- sertar os erros, definir as entradas e os términos de cada uma. Ensaie exaus- tivamente cada canção e depois de definir a fórmula da música, seja fiel ao arranjo. g. De preferência, o ensaiar uma música nova, escute a gravação original, estude bem a letra e a melodia para cantar de forma correta. h. Se possível grave seus ensaios. Isso servirá como uma memória musical de seu Ministério.
  33. 33. 34 3.4. Técnica Vocal O que você diria se soubesse que algum tecladista usou seu teclado impor- tado e caríssimo de forma errada e infelizmente o danificou? Pois é, sua voz é o instrumento mais precioso e caro que você tem. Ela não pode ser comprada em nenhuma loja. É o instrumento que Deus lhe deu para ser usado com habilidade e unção. Por isso o cuidado com o uso da voz é indispensá- vel. 3.5. O Ministério de Música no Grupo de Oração Deus nos deu um grande presente neste tempo: a espiritualidade da RCC. E dentro dessa espiritualidade, o grupo de oração é a “menina dos olhos”, a célula base da RCC. Faz parte da estrutura original do grupo de oração: a pregação, o correto uso e a manifestação dos carismas, a alegria e o fervor, etc. Dentro desta estrutura original do grupo de oração também está à música. Você consegue imaginar um inicio de um grupo de oração sem música? Pode até nem ter um Ministério de música estruturado, mas alguém certamente vai “puxar” um cântico, como dizemos carinhosamente entre nós. Isso mostra como o Ministério de música é essencial para um grupo de oração carismático. Ele tem a sublime missão de acolher o povo de Deus no inicio do grupo de oração, e levá-lo a uma experiência pessoal com o Senhor, preparan- do o coração deste povo para a pregação da Palavra, e a vivência de uma oração verdadeiramente carismática. Muitas vezes nossos irmãos chegam ao G.O. com o coração fechado, feri- do, cheio de preocupações e sofrimentos. Cabe ao Ministério de música levar este coração ao descanso nos braços do Bom Pastor. A música deve ser cheia do poder de Deus para curar, libertar, aquecer, levar à contrição e à busca de uma verdadeira conversão, enfim levar a uma expe- riência com o amor infinito de Deus. Esta música deve ter uma boa execução e ser carregada com o poder do Espírito Santo. Costumo dizer que um grupo musical que se contenta apenas em tocar e cantar bem, é um grupo incompleto, que parou simplesmente no “meio” pelo
  34. 34. 35 qual a graça deveria vir para o povo. É como um doente que se contenta em ficar observando o medicamento que teria condição de curá-lo sem, entretanto tomá- lo. Tem algum sentido? O nosso diferencial não está na execução perfeita de uma canção, mas na execução perfeita e obediente, de uma música certa para um momento certo, ou seja, uma música ungida. Com o passar do tempo outras expressões artísticas foram aparecendo, como o teatro, a dança , e atualmente a poesia, a pintura. É Deus quem suscita estes irmãos para enriquecerem nossa experiência carismática com os dons e ta- lentos que Ele mesmo os presenteou. Mas aqui, antes mesmo de continuarmos esta apostila precisamos deixar algo muito claro. Deus é o doador dos dons. Ele dá o dom que Ele quer a quem Ele quer. Porque Ele é Deus. Ele tudo pode. Ele tudo faz. Ele é soberano e livre. Se Deus suscita outras expressões artísticas em alguns G.O., ótimo. Mas isso não significa que temos que ter estas expressões artísticas em todos os G.O.. Segue abaixo um esclarecimento do coordenador nacional do mi- nistério de música e artes, Luiz Carvalho (Comunidade Recado): Como falei no inicio não imagino um G.O. sem música. Mas já participei de vários que não tem dança ou teatro. Para que fique bem claro para todos nós; o Ministério de música que atua em um grupo de oração tem o mesmo mérito e valor missionário que aquele Ministério ou solista de atuação Nacional ou Internacional. Deus não nos pedirá contas de quantos programas de TV participamos, quantos discos de ouro recebemos, quantas milhares de pessoas evangelizamos. Mas per- guntará a todos nós, inclusive para alguns que Ele mesmo escolheu para estar nas TVs , nos grandes shows, ganhando discos de ouro; com quanto amor nós fizemos tudo isso e qual a nossa motivação interior? Como coordenador Nacional do Ministério de Musica e Artes da RCC no Brasil, tenho conhecido Ministérios de música excelentes, com vozes e instrumentistas maravilhosos e que atuam exclusivamente no G.O.. Nunca
  35. 35. 36 gravaram Cds, nunca foram para programas de TV, são Ministérios de músi- ca que atuam nas missas e no G.O.. E não por falta de competência ou por falta de oportunidade. É por convicção do seu chamado e de sua missão, amparado por uma boa dose de maturidade humana e espiritual. Fico edifi- cado com estes testemunhos. Da mesma forma que encontramos excelen- tes pregadores que nunca foram a TV ou sequer saíram de sua cidade. Por acaso isso os diminui? Ou tira seu mérito diante de Deus? Não é questão de desprezar nada, nem ninguém, é uma simples cons- tatação que chegará bem aos ouvidos daqueles que fazem do seu Ministério um serviço aos irmãos do G.O. Vejo que o Ministério de Música é o feijão com arroz do G.O., aquele Mi- nistério que não pode faltar em grupo de oração carismático, enquanto que as outras expressões artísticas, também são riquezas para a RCC, mas tem uma ação específica e que é muito bem-vinda em momentos especialmente preparados. Se não deixamos estas coisas muito claras, daqui a muito pouco tempo teremos que fazer revezamento entre os Ministérios de arte para ver quem vai servir nas reuniões do G.O.. Imagine um grupo de Dança disputando o momento de louvor inicial com o Ministério de Música. Ou então o teatro reclamando seu espaço no inicio de cada grupo de oração? Desviaríamos completamente o sentido do Ministério de Música e Artes da RCC e a estrutura original do G.O.. Portanto, fica a cargo e critério do coordenador do grupo de oração e/ou do coordenador do evento quando e como deve atuar a dança e o teatro; ficando a atuação no grupo de oração quase que exclusi- vamente ao ministério de música. Também conheço experiências fortíssimas com o Ministério de dança e teatro especialmente no campo da evangelização. Deus seja louvado por estes trabalhos. Aliás, o Ministério de Musica e Artes da RCC pode ter papel fundamen- tal neste tempo de envio e missão que estamos vivendo. Iniciativas em uni- dade e submissão ao núcleo do G.O. serão sempre bem vindas e certamente frutuosas.
  36. 36. 37 Podemos propor aos outros Ministérios de nosso G.O. uma frente evan- gelizadora de tempos em tempos nas ruas, nas praças de nossas cidades, e como G.O., em uma ação evangelizadora e numa ministerialidade orgânica, propagar e difundir a cultura de Pentecostes. Imagine enquanto o Ministério de Música, Teatro e Dança evangelizam, a intercessão reza, os pregadores fazem suas pregações no intervalo das canções, a acolhida convida as pesso- as para comparecerem ao G.O.... É como pescar com redes. Costumo pregar nos encontros de Música e Artes que se cada um de nós tiver como fundamento do nosso Ministério o chamado pessoal que o Senhor nos fez, não haverá espaço para divisões, nem competições entre as diferentes expressões artísticas. Seremos felizes pelo simples fato de estar- mos cumprindo nosso papel na Igreja e no mundo, sem nos preocuparmos com o “sucesso” ou os aplausos. Uma boa meditação sobre a vida de João Batista certamente nos ilumi- nará.
  37. 37. 38 ENSINO 4 A HUMILDADE DO ARTISTA OBJETIVO: Revelar as armadilhas e cuidados que o artista deve ter no exercício do ministério. “Quanto mais fores humilde, tanto mais te tornarás capaz e tanto mais te satisfarás. Enquanto as montanhas rebatem as águas, os vales as re- colhem” (Santo Agostinho) Toda vez que penso em humildade, ou tenho que pregar sobre ela aos artistas, ou mesmo quando preciso descobrir cada vez mais como colocá-la em prática na minha vida, na minha arte, no Ministério que o Senhor me confiou, lembro-me da reflexão que Martín Valverde, músico católico de Guadalajara no México, fez, em seu livro As Tentações do Músico , sobre a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém: Lc 19, 30-38. Primeiro, Martín, demonstra que o Senhor precisa de nós, mas precisa de nós livres de verdade, não mais atados aos apegos do passado, do presente ou mesmo do futuro. Precisa de nós livres dos danos que o orgulho é capaz de fazer em nossos corações. E nos quer livres, porque esse excesso ao qual podemos nos apegar, se extenderia por meio de nossa arte colocando pesados fardos nas costas de quem chegar a ter acesso a ela. Por outro lado, se estivermos livres, por meio das mãos amorosas de Deus, iremos tão longe quanto o Senhor planejou para cada um de nós e para nossos Ministérios. Depois, Martín apresenta um burrinho artista, isso mesmo um burrinho. Ele conta que, depois de terem coberto o animalzinho com capas e de o terem enfeitado, o burro se sentia nas nuvens se sentia um verdadeiro puro sangue. É aqui que começa a aventura. Conforme iam avançado rumo a Jerusalém, como diz o Evangelho, a multidão ia lançando mantos e ramos de oliveira na pas- sagem para receber o Rei. O povo até gritava com alegria e voz vibrante: “Bendito o rei que vem em nome do Senhor!” Ninguém entendia exatamente o que acontecia: nem os discípulos, nem o povo e muito menos o burrinho. Há duas interpretações - VALVERDE, Martin. As tentações do músico. Campinas: Raboni, 2005
  38. 38. 39 que podem ser feitas, conforme escreve Martín, sobre a psicologia do pobre bur- rinho, do que se passou com ele por conta de tudo isso. Na primeira, enquanto caminhava no meio da multidão a escutar os lou- vores que o povo dirigia a Jesus, o burrinho ficou fascinado por todo o esplendor do momento: gritos, tapetes, elogios nos lábios de todos, reverências, aplausos, agitações... E o animalzinho tanto foi se metendo no assunto, que começou a pen- sar que tudo era provocado por ele mesmo e por ninguém mais. Já nem se sentia mais burro, mas um cavalo Andaluz. Fica até fácil de imaginá-lo a ponto de trote para fazer gala de seus atributos, ainda que não se atravesse a abrir a boca, pois por mais que tentasse, nunca relincharia com bravura, somente conseguiria proferir um ruído que o fazia voltar a sua verdadeira realidade: asno. O pobre burrinho ficou a beira do suicídio quando descobriu que não podia aceitar que ninguém mais se importava com ele depois que Jesus desceu de seu lombo. Tudo acabou tão rápido como começou. O povo foi embora com Jesus e esqueceram completamente daquele burrinho elegante. Perceba caro artista, o pobre burrinho está pior agora que no inicio. Antes de toda a fama, tinha muito claro que não era nada mais que burro e isso, por mais incrível que posso parecer, não o incomodava. Todavia, agora que tinha sido testemunha do modo como o povo havia recebido o Senhor e tinha acreditado ser o centro das atenções, sua situação era terrivelmente dolorosa: e de protagonista do momento, como diz Martín Valverde, havia se convertido num burro perdido e esquecido, e sem nenhuma possibilidade de conseguir que Jesus voltasse a montar seu lombo. Infelizmente, preso à suas fantasias, não teve a chance de entender a grandeza da missão que lhe foi confiada. A maior tarefa da história dos burros havia terminado e ele ainda não tinha se dado conta, pois estava perdido em suas fantasias, perdido em si mesmo. Isso acaba acontecendo conosco também, quando esquecemos que somos como instrumentos nas mãos de um músico virtuoso, e que por nós mesmo jamais seriamos capazes de fazer soar um só acorde agradável de nosso coração. Mesmo que multidões cantem nossas canções, queiram dançar nossos passos e mesmo que lotem nossos eventos, se não houver unção em nossos Ministérios, todos os nossos esforços serão em vão, pois estaremos exercendo nosso Ministério por nós mesmos, quanto o correto seria fazê-lo conduzidos pelas mãos poderosas do Senhor.
  39. 39. 40 Às vezes passo horas admirando uma figura muito importante na História de Salvação: São José. Você já parou para pensar: quem na Sagrada Família era potencialmente artista? São José, afinal ele trabalhava com madeira e era bom no que fazia, pois todos em sua aldeia o conheciam, o evangelho nos deixa isso claro, quando diz “Não é este o filho do carpinteiro?” (Mt 13, 55a), “Todos lhe davam tes- temunho e se admiravam das palavras de graça, que procediam da sua boca, e diziam: Não é este o filho de José?” (Lc 4, 22). No entanto, São José foi humilde suficiente para reconhecer o seu lugar. Ele assumiu fielmente sua missão. Esse artesão, se é que podemos dizer assim, foi fiel ao que Deus lhe confiou: ser o pai adotivo de Jesus. Ele assumiu a paternidade com afinco: encarregou-se de sustentar, desenvolver, proteger Jesus e tudo mais, mas nunca perdeu a perspectiva que a obra era de Deus, que o seu filho, na verdade era o filho de Deus. José era de Belém, da descendência de Davi e nada disso fez com que José perdesse a perspectiva de qual era o seu papel e o seu lugar nessa obra, que era de Deus. Cumpriu bem sua missão, sem, no entanto tomar a glória a quem ela pertencia: Deus. São José foi escolhido para, junto com Maria, trazer Cristo e apresentá-lo ao mundo. Também nós artistas, com nossa arte, temos a missão de apresentar Jesus ao mundo. Deus nos confia uma missão, uma obra, uma arte para ser exercida com unção. Mas não podemos nos apossar dela como se fosse nossa. Não! A obra é de Deus. Como disse João Batista “Importa que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 30), digamos nós também: Importa que ele, o nosso Deus, cresça! Importa que ele apareça! Importa que ele seja conhecido e amado e que eu diminua. “Se entendêssemos que é a Deus e somente a Ele que devemos agradar, pouparíamos milhares de problemas e adiantaríamos grandiosamente a qualidade de nosso serviço para a construção do Reino” . A segunda interpretação da psicologia do pobre animalzinho, que Martín fez, afirma que diante de toda festa e animação que acontecia ao redor dele, o bur- rinho percebia perfeitamente que não era ele quem causava toda a agitação, mas sim o homem sentado em seu lombo: Jesus. E por isso mesmo se perguntava: “Por que eu? Não seria melhor um cavalo de puro sangue? Por que este homem tão diferente - Ibidem.
  40. 40. 41 e tão especial me escolheu para carregá-lo?”. O burrinho entendia, enquanto cami- nhava sobre os mantos, que algo muito importante estava acontecendo. O Senhor necessitava dele, e isso era o que importava. Quando Jesus desceu de seu lombo, o burrinho não entrou em crise ou mesmo em depressão. Ainda que ninguém mais viesse a lembrar-se dele, sentia-se feliz por haver cumprido sua missão. Somente Jesus, ao descer de seu lombo acariciou-lhe como se dissesse: “Bom trabalho, ami- go”. E isso era o bastante. Apesar dessa reflexão falar de dois burrinhos, é fácil notar que somente um deles era burro de verdade. O que diferencia um burrinho do outro? Uma virtude importantíssima para nossa vida, para o exercício de nosso Ministério: a Humilda- de. 4.1. DEFINIÇÃO Humildade é uma virtude moral que está enraizada, fundamentada na virtude cardeal da temperança. Consiste no reconhecimento sincero da própria pequenez perante a grandeza de Deus e a dignidade do próxi- mo. Os místicos e santos têm a humildade como virtude fundamental, sem a qual é impossível construir com segurança o edifício espiritual. O próprio Jesus que nunca apontava em si nenhuma virtude moral, mesmo tendo todas as virtudes no mais alto grau, disse-nos: “...recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). A palavra humildade vem do latin humilitas que está relacionada com a pa- lavra humus que significa terra ou aquilo que se acha na terra: pó. O dicionário vai dizer que humildade é a “virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza, modéstia, pobreza, respeito, reverência; submissão”, ou seja, o humilde é aquele que reconhece o seu “nada”, reconhece a sua contingência. Outro significado para o latim humus é fértil. Geologicamente o húmus é a parte mais fértil da terra. Assim, a humildade é para nossa vida uma graça de fertilidade que faz brotar a vida nova, a vida em Deus, com Deus e por Deus. É a garantia do Reino dos céus: “Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!” (Mt 5, 3). A palavra humildade está relacionada com a aceitação de nossas próprias limitações, de nossa pequenez, de nossas submissões. A humildade é a coragem de aceitar a verdade sobre si mesmo. Ela nos ajuda a conhecer quem re-
  41. 41. 42 almente nós somos, qual o nosso devido lugar e nos ensina quem é Deus, qual o devido lugar dEle em nossas vidas e para nossas vidas. Santo Agostinho diz que ser humilde é reconhecer a própria dimensão e se conhecer a si próprio com honestidade; ele diz também que a humildade abre- nos para Deus. “Para os antigos monges o caminho para Deus passava pelo encontro com a própria realidade. O encontro com Deus pressupõe o encontro consigo mesmo” Santa Teresa de Ávila diz: “certa vez, estava eu considerando por que razão Nosso Senhor é tão amigo da virtude da humildade. Veio-me logo de improviso, sem trabalho de raciocínio, esta resposta: é porque Deus é a suma verdade – e ter humil- dade é andar na verdade. Grande verdade é que nada de bom procede de nós, a não ser a miséria de ser nada. Quem não entende isso anda na mentira. Quem melhor o entender, mais agradará à suma Verdade, porque anda em sua presença”, em outras palavras ela define a humildade como “Humildade é andar na verdade” ou como diz outra tradução “Humildade é a verdade”. Para que a humildade seja uma virtude latente em nossas vidas e em nossos Ministérios é preciso tomar cuidado com dois grandes vilões que sempre querem destruí-la em nós: a soberba e a falsa humildade. E também é preciso cultivar uma virtude que caminha lado a lado com a humildade: a mansidão. 4.2. HUMILDADE: LUTA CONTRA SOBERBA “Antes da ruína, o coração do homem se eleva, mas a humildade precede a glória” (Prov 18, 12). Segundo o dicionário a soberba significa: “elevação ou altura de uma coisa em relação à outra; orgulho excessivo; altivez, arrogância, presunção”. A soberba é o primeiro pecado capital, ela encabeça os outros pe- cados capitais, e sem dúvida é o pior de todos eles. Ela é também uma das três concupiscências que São João relata em sua primeira carta (1 Jo 2, 16), é a tendência para exagerar a própria estima com o desprezo dos ou- tros. É como que a matriz de todos os vícios e pecados. Foi a soberba que perdeu os anjos decaídos nos esclarece o profeta Isaías (Is 14, 12-14) e foi por meio dela - GRÜN, Anselm; DUFNER, Meirad. Espiritualidade a partir de si mesmo. Petrópolis: Vozes, 2004.
  42. 42. 43 que começou a tentação dos nossos primeiros pais (Gn 3, 4ss). A soberba nos faz esquecer que somos simples criaturas, que saí- mos do nada pelo amor e pelo chamado de Deus, e que, portanto, dEle depende tudo, nossa arte, nosso Ministério, nossa vida, tudo que temos e tudo o que somos. O soberbo sempre quer, como disse Santa Catarina de Sena, “roubar a glória de Deus”, pois ele quer os aplausos e as homenagens que pertencem a Deus, esquecendo que Deus é o autor de toda graça, e que se não fosse Ele nada acon- teceria. Sobre esse pecado nos alerta São Paulo quando escreve: “Em virtude da graça que me foi dada, recomendo a todos e a cada um: não façam de si próprios uma opinião maior do que convém, mas um conceito razoavelmente modesto.(...) Não vos deixeis levar pelo gosto das grandezas; afeiçoai-vos com as coisas modestas. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos” (Rm 12, 3. 16). Em outra carta ele escreve: “Quem pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo. Cada um examine o seu procedimento. Então poderá gloriar-se do que lhe pertence e não do que pertence a outro. Pois cada um deve carregar o seu próprio fardo” (Gal 6, 3-5). É triste ver, quando viajo pelo Brasil em missão, irmãos e irmãs que exer- cem sua arte como se fossem os únicos e os melhores. São muito bons sim, no que fazem, mas infelizmente só sabem fazer, e infelizmente deixaram ou mesmo nunca souberam que foram chamados por Deus para ser. Ser de Deus, ser santo, ser irmão, ser fraterno, ser artista de Deus, ser humilde. Deus nos chama, muito mais que para fazer, para ser. Ser um sinal de santidade, ser um sinal de seu amor que é gratuito e não busca interesses; ser ser- vo que ao final de cada missão, de cada apresentação, de cada espetáculo, de cada evento, é capaz de dizer sem medo “Somos servos como quaisquer outros; fizemos o que devíamos fazer” (Lc 17, 10b). O Senhor chama para ser instrumento que reco- nhece que o trabalho realizado não haveria se não fosse ele mesmo: o Senhor. Querido irmão nunca se esqueça: a tentação mais forte de um ar- tista, que entregou sua arte a serviço do Reino, é apropriar-se do talento que recebeu das mãos do Senhor e pensar que é mais importante o dom do Senhor que o Senhor dos dons. E esta apropriação completamente inde-
  43. 43. 44 vida, se dá justamente por meio do pecado da soberba. E a soberba nunca acontece sozinha, ela traz consigo seus filhos: orgu- lho, vaidade, vanglória, arrogância, prepotência, presunção, auto-suficiência, amor próprio, exibicionismo, egocentrismo, etc. É próprio da soberba, por exemplo, por meio do orgulho, da arrogância e da prepotência, gerar em nosso coração um conceito elevado de nós mesmos, fazendo-nos achar que somos mais e melhores que os outros. Fazendo-nos achar que somos superiores aos demais. Isso pode acontecer individualmente, o que faz gerar partidos em nossos Ministérios; ou isso pode acontecer coletivamente, e passamos a acreditar que nosso Ministério é o melhor e o único qualificado para exercer determinada arte ou realizar determinado evento. Quantos Ministérios bons, que no principio eram cheios de unção, que evangelizavam multidões e as faziam experimentar do Amor de Deus por meio de sua arte, eu vi ruir quando a soberba os atingiu um a um, e a todos os seus inte- grantes. É a humildade que forma uma comunidade cristã sólida no amor, portanto é a humildade que vai formar um Ministério sólido no amor, seja um Ministério individual ou em grupo. De maneira particular, para todos os artistas que trabalham em grupo, seja com a música, com a dança, com o teatro ou outra arte, essas palavras de São Pedro são para vocês: “Revesti-vos todos de humildade em vossas relações mútuas” (1Pd 5, 5 – Bíblia de Jerusalém ) Todas as rixas e rivalidades que possam existir em nossos Ministérios cairão por terra quando cada um de nós for verdadeiramente humilde. Onde está pre- sente a verdadeira humildade, não há lugar para a competição e a disputa; por isso, precisamos vestir o quanto antes o manto da humildade. Quando São Paulo faz aos Efésios um apelo para viverem concretamente a unidade querida por Jesus, ele lhes diz: “Exorto-vos pois (...) a andardes de modo digno da vocação a que fostes chamados: com toda humildade e mansidão, com longa- nimidade, suportando-vos uns aos outros com amor” (Ef 4, 1-3) Não há Ministério unido e forte se cada um dos seus membros não for “revestido de humildade”. E para isso, é preciso dar combate à vontade própria. Santo Afonso de Ligório dizia que: “A vontade própria é a ruína das virtudes,
  44. 44. 45 a fonte de todos os males, a única porta do pecado, e da imperfeição, arma favorita do tentador contra os religiosos, o carrasco de seus escravos, um in- ferno antecipado”. Caro artista, não importa quão experiente ou mesmo fascinante seja sua arte. Se cometeres a loucura de achar que o sucesso é todo seu, que você, ou mes- mo o seu Ministério, é o responsável por fazer acontecer à missão de evangelizar, isso vai significar que tomastes posse de algo que não lhe pertence, e acredite, sua missão estará fadada a ruir. “A soberba precede à ruína; e o orgulho, à queda” (Prov 16, 18). A humildade ao contrário gera em nossos corações o conceito verdadeiro de quem somos e a quem pertence toda a glória da obra realizada. Como disse Santa Teresa D’Ávila: “humildade é caminhar na verdade”, e a verdade irmãos é que o nosso dom de cantar, tocar, encenar, dançar, pintar, escrever, etc, é, an- tes de tudo, uma graça vinda das mãos do Senhor por amor a nós e a sua Igreja. É por meio da humildade que nossa arte será realmente de Deus, pois sa- beremos quem somos e reconheceremos que as maravilhas e milagres que acon- tecem por meio de nossos cantos, teatros, danças, etc, terão sua origem em Deus e não em nós mesmos. A pessoa humilde reconhece os seus dons e talentos como manifes- tação da glória e vontade de Deus. Por isso está sempre disponível para usá-los para o bem e crescimento da igreja. Uma característica do coração humilde é a profunda consciência de sua dependência de Deus, acompa- nhada de um sentimento de confiança e gratidão pelo seu constante auxí- lio e providência. E isso não é só para os músicos, mas para todos os artistas a serviço do Reino. Para todo cristão que se coloca a serviço do Senhor. A soberba também, junto com a vaidade, a vanglória, o amor próprio de- sordenado, o egocentrismo e o exibicionismo, faz com que queiramos nos tornar o centro das atenções, faz com que queiramos chamar sobre nós mesmos, de maneira incontrolada, a admiração dos demais e também as homenagens, quase sempre vazias, ilusórias e instáveis. Ela faz-nos gostar de aparecer, de nos exibir, de amarmos os aplausos e as bajulações. Nunca se esqueça o que diz o Evangelho: “aquele que se exaltar
  45. 45. 46 será humilhado, e aquele que se humilhar será exaltado” (Mt 23, 12) e Santa Teresinha do Menino Jesus, doutora da Igreja e muito sábia, ensina: “eu quero o último lugar... sei que ninguém vai brigar comigo por causa dele”. Muitos Ministérios de música, de teatro, de dança são cheios de boas virtu- des, mas infelizmente foram se tornando inchados, justamente por pensarem que suas boas virtudes são méritos próprios e não graças de Deus para o serviço aos outros e por conta disso se perderam pelo caminho. Hoje buscam fama e aplausos, desejam sucesso. E o que aconteceu: caíram no esquecimento. Estar livre da necessidade de ser recompensado, aplaudido é a li- berdade digna da nossa estatura de filhos de Deus. A pessoa humilde é fundamentalmente simples e despojada, não precisa de condecorações e títulos para se sentir em paz. “Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão” (Mt 20, 26ss). Guarde bem isso para você e para seu Ministério: “A soberba não é gran- deza, é inchaço” (Santo Agostinho). Por isso “não vos iludais, pois, irmãos meus muito amados. Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima: descem do Pai das luzes” (Tg 1, 16s). O apóstolo Paulo perguntou aos cristãos de sua época, mas hoje essas perguntas são para nós, de modo especial, para nós que servimos o Senhor: “O que há de superior em ti? Que é que possuis que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se o não tivesses recebido?” (1Cor 4, 7). Basta de nos gloriarmos através de nossa boa arte. Tudo o que fazemos de bom, é por graça de Deus que o fazemos. Lembremos sempre de que se eu canto bem, se eu pinto bem, se eu danço maravilhosamente bem, se minha encenação é perfeita, tudo isso é dom de Deus, é graça de Deus e, por isso mesmo, eu não posso mais querer “roubar a sua glória”, atribuindo-a a mim ou ao meu Ministério. Cantemos com nossa vida: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória, por amor de vossa misericórdia e fidelidade” (Sl 113, 9) O dom que Deus nos confiou é muito precioso, porém não podemos esquecer que não é nosso. É por isso que Deus, por meio do apóstolo Paulo,
  46. 46. 47 quando escreve aos cristãos de Corinto, deixa claro que “temos este tesouro em vasos de barro, para que transpareça claramente que este poder extraordinário provém de Deus e não de nós” (2Cor 4, 7). Portanto, esse precioso dom que Deus nos deu deve ser bem cuidado, para que o vaso frágil de barro não se quebre. Por que Deus nos fez como vasos de barro? Simples, para ser um meio eficaz de lutarmos contra o orgulho, pois vendo que somos vasos de barro, que somos frágeis, teremos sempre claro em todos os momentos de que o dom de cantar pelo Reino, de dançar, de realizar seja qual for a sua arte, “este poder extra- ordinário provém de Deus e não de nós”. Tenhamos sempre em mente o que o Senhor nos ensina no Evangelho: “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5). Ele é a fonte (videira) de nossa arte (ramo), se permanecer nele, ou seja, se nossa arte estiver ligada a Ele, à sua vontade, se ela estiver dependente dEle e não dependente de nós, os frutos acontecerão. Em primeiro lugar em nós mesmos, frutos de santidade, de conversão e de comunhão com Deus e com os irmãos. E em segundo, com os que se beneficiarão de nossa arte, com frutos concretos de experiência com Deus. Devemos combater com toda nossa força e todo nosso sangue todos as investidas de Satanás, principalmente, e muito especialmente, a soberba, que fez perder a humanidade pelo pecado original. E a principal arma que o Senhor nos confia para esse combate é a humildade. “Enquanto vivemos nesta terra não há coisa que mais importa para nós do que a humildade” (Santa Teresa D’Ávila). Ser humilde é não contar apenas consigo mesmo, mas contar sempre com Deus, e por Ele regrar nossa vida, nossa arte. Jesus é claro: “sem mim nada podeis fazer”. Ser humilde é não viver para si, mas viver para Deus e para os outros: “Quem ama a sua vida, perdê-la-á; mas quem odeia a sua vida neste mundo, conservá- la-á para a vida eterna” (Jo 12, 25). “Ser humilde é ser santo, é saber descer do pedestal, é não se auto-
  47. 47. 48 adorar, é preferir fazer a vontade dos outros à própria, é ser silencioso, dis- creto, escondido, é fugir das pompas e dos aplausos”10 . João Batista entendeu bem isso e, falando a respeito de Jesus, disse claramente: “importa que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 30). Do mesmo modo, São José, quando soube, por meio de um sonho, que Deus o tinha escolhido entre todos os varões de seu tempo, para ser pai legal de Jesus, ele entendeu, acreditou, aceitou e pôs em prática o desígnio de Deus. E não estou falando somente do momento do nascimento de Jesus; toda vida de São José é sinal concreto de humildade e fidelidade à voz de Deus. Quando São José tomou conhecimento de que iria participar dessa Obra, desse grande espetáculo do Mistério da Encarnação, fez-se servo humilde, e não fez seu cartaz ou ficou vangloriando-se, pois tinha ciência que o espetáculo era do Criador, e não era seu. E assim como São José, todos os santos foram modelos de humildade. Há uma frase que se repete pelo menos três vezes na Bíblia: “Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes” (Prov 3, 34; Tg 4, 6 e 1Pd 5, 5). Com nossas vidas, com nossos dons, através de nossa arte anun- ciemos o Senhor, mas o façamos com humildade, mas muito cuidado para que sua humildade não se torne uma falsa humildade. Pois a “a falsa humil- dade é puro orgulho” e “simular humildade é ser soberbo”. 4.3. HUMILDADE SIM, FALSA HUMILDADE NÃO “Humildade é a verdade” (Santa Teresa D’Ávila). A falsa humildade é outro problema tão grave quanto à falta da humildade. Não reconhecer os dons recebidos não é humildade autêntica, e sim fingida e artificiosa. A falsa humildade é caracterizada por uma excessiva preocupação com sua auto imagem em relação aos outros, o que leva a pessoa a esconder os seus talentos em determinadas ocasiões, só deixando que eles se manifes- tem em situações que tragam uma segurança de que haverá um retorno em forma de elogios e exaltações. Na verdade a falsa humildade é uma forma 10 - AQUINO, Felipe. Os pecados e as virtudes capitais. Lorena: Cléofas, 1998
  48. 48. 49 mascarada de orgulho. O que às vezes parece uma virtude é na verdade uma manifestação de pecado, fechamento e soberba. Podemos e devemos fazer uma avaliação de nossa postura diante do Ministério que desenvolvemos para, à luz da verdade, nos conhecer melhor e assim permitirmos que Deus venha ao nosso encontro. “A verdadeira humildade não consiste em dizer que não se faz nada, em negar as boas obras feitas por nós, mas em colocar Deus no seu lugar e nós no nosso” (Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares) A falsa humildade é tão perigosa para nossa arte, para nossa vida de cris- tãos, que se não for combatida logo ela pode acabar com nosso Ministério pessoal ou de todo grupo. O filósofo, físico e matemático Blaise Pascal disse certa vez que “a falsa hu- mildade é puro orgulho” e Santo Agostinho também nos ensina algo similar, quando diz: “simular humildade é ser soberbo”. Em seu livro As Tentações do Músico11 , Martín Valverde conta um caso pes- soal que muitas vezes acontece conosco no exercício de nossa arte. Ele conta que no final de uma de suas apresentações, um de seus formado- res espirituais, o que mais influenciou sua vida, estava entre o povo que participava do show. Esse formador o parabenizou por ter tocado muito bem dizendo assim: “Parabéns Martín, tocaste muito bem”. Ao ouvir esse elogio, Martín, inocentemente e sem intencionar apropriar-se da Glória de Deus, respondeu prontamente: “Não fui eu, foi o Senhor!”. Seu formador, com um sorriso no rosto, disse: “Mas como, se foi a ti que eu vi tocar? Está certo que tens barba, porém não é para tanto”. Na verdade seu formador entendeu que Martín na verdade não queria era apropriar-se da glória que pertencia a Deus, porém explicou que Deus não faz 100% e o músico 0%, nem mesmo o trabalho é divido 50% por conta de Deus e os outros 50% do ministro de música. Na verdade Deus faz os seus 100% e o ar- tista coloca a parte que lhe corresponde: os 30, 60 ou 90%, que, afinal de contas, é o seu 100%, visto que é o melhor que poderia ter dado naquele momento. E ainda o esclareceu dizendo: “Deus se glorifica quando tu tocas e quando aceitas que interpretaste bem tua música Ele recebe a glória igualmente e tua humil- dade não é prejudicada, mas torna-se mais equilibrada. Ou diga-me, se tu tocas mal, o 11 - op. cit.
  49. 49. 50 que vais dizer? A mesma coisa? Não creio que o Senhor vai gostar da idéia”. Quantos de nós já vivemos situações similares a essa que nosso irmão vi- veu? Se quisermos agradecer a Deus os dons recebidos, nosso primeiro dever é reconhecê-los. Humildade é a verdade. O que você pensaria se escutasse alguém dizendo: “É melhor que você aprenda comigo que sou humilde” ou “Vocês me chamam de Mestre e Senhor e dizeis a verdade, porque eu o sou”? Você com certeza daria uma boa risada e se afastaria para evitar algum contágio. Mas hoje sabemos que a pessoa que disse isso foi o perfeito exemplo de humildade: Jesus. Confira: Mt 11, 29 e Jo 13, 13. O Senhor não teve problema algum em reconhecer o que Ele era, é e con- tinuará sendo, de maneira que a atividade ou mesmo a função que realizava não afetava em nada seu ser nem a sua dignidade. Para Santo Agostinho, ser humilde é reconhecer a própria dimensão e se conhecer a si próprio com honestidade. Assim, é fácil entender que a humildade nos põe a realidade inteira debaixo dos olhos, sem exagerar problemas nem mesmo super valorizar os sucessos. Sobre esse pecado, da falsa humildade, nos alerta São Paulo, quando escre- ve: “Em virtude da graça que me foi dada, recomendo a todos e a cada um: não façam de si próprios uma opinião maior do que convém, mas um conceito razoavelmente modesto, de acordo com o grau de fé que Deus lhes distribuiu.” (Rm 12, 3). Não tenha medo de reconhecer seu talento, e por vezes receber por conta dele elogios; mantenha apenas presente no coração que tudo que você tem rece- beu do Senhor. Fuja sim da falsa humildade que no fundo é orgulho e se é orgulho, tem sua origem na soberba. Aprenda com Maria que reconheceu quem era, e no reconhecimento glo- rificou o Senhor, pois se ela o era, era por graça do Senhor e não por mérito próprio: “A minha alma engrandece o Senhor e meu espírito se alegra em Deus, meu salvador, porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem aventurada, porque o todo poderoso fez grandes coisas em meu favor” (Lc 1, 46-49).
  50. 50. 51 4.4. HUMILDADE E MANSIDÃO: AS VIRTUDES DO CORAÇÃO DE JE- SUS “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11, 29). Parece que o Senhor, entre todas as virtudes, quis dar destaque a duas: mansidão e humildade. Ao falar da humildade é preciso falar da mansidão, justa- mente porque uma e outra se completam, são inseparáveis. E assim o são justa- mente por serem virtudes do Coração de Jesus. Mansidão é a virtude que faz com que acolhamos a vontade do Pai, coloca-nos em contato com a vontade de Deus. É a virtude que nos abre para a humildade e nos faz aniquilar o homem velho. A mansidão gera em nós a confiança em Deus. Nos dias de hoje, como na época em que Jesus esteve entre nós, o que mais fere o coração do Senhor é justamente nossa desconfiança, o fato de não acreditarmos no que Ele nos confia. Mansidão, assim como a humildade, é uma virtude moral, também enraizada na virtude cardeal da temperança, que nos leva a conter os mo- vimentos de ira. Exige capacidade de domínio do instinto de irascibilidade, isto é, dos que se iram com facilidade, difícil nas pessoas de temperamento colérico. O exercício desta virtude pressupõe trabalho de educação, per- sistente esforço pessoal e muita oração. São Paulo faz aos Efésios um apelo que é importantíssimo para cada um de nós, para nossa arte, para nossos Ministérios, ele lhes diz: “Exorto-vos pois (...) a andardes de modo digno da vocação a que fostes chamados: com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros com amor” (Ef 4, 1- 3) A mansidão só é vivida sob o prisma do amor, que tudo supera, per- doa e vence o mal com o bem. Ela é a superpotência escondida na fragilidade, e quem a encontra vence a tudo e não abre mão desta graça tão potente, pois a mansidão é a virtude dos fortes. Ser manso é ser delicado com todos, é ser atencioso, compreensi- vo, não levantar a voz. Muitas vezes somos indelicados, grossos, estúpidos, com os outros, porque não nos colocamos no seu lugar. Quantas dificuldades de rela- cionamentos em nossos Ministérios poderiam ser contidas, ou mesmo superadas por meio da mansidão?
  51. 51. 52 Todavia, mansidão não é sinônimo de fraqueza ou mesmo de co- vardia. Muito pelo contrário, é uma virtude divina. Deus, sendo Todo poderoso, é manso. A mansidão está estreitamente ligada com a graça da fortaleza. Pois só os fortes em Deus podem exercê-la; o seu princípio consiste em “vencer o mal pelo bem”, como disse São Paulo aos romanos: “Não pagueis a ninguém o mal com o mal. Aplicai-vos a fazer o bem diante de todos os homens” (Rm 12, 17). O Apóstolo ensina a deixar a justiça por conta de Deus, e jamais fazê-la com as próprias mãos: “Não vos vingueis uns dos outros caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus, porque está escrito: ‘A mim a vingança; a mim exercer a justiça, diz o Senhor’ ” (Rm 12, 19). Jesus ensina que na mansidão reside a perfeição cristã. Se o teu desejo é a santidade, é ter uma vida santa, é exercer a sua arte com santidade, é transmitir essa santidade para que outros também desejem ser santos, então é preciso colocar a mansidão em sua bagagem. É lindo ver que Jesus viveu essa mansidão perfeitamente, para jus- tamente podermos ter em quem nos assemelhar. O profeta Isaías, cinco séculos antes, já anunciava a mansidão do Cordeiro de Deus: “Foi maltratado e resignou-se; não abriu a boca, como um cordeiro que se conduz ao matadouro, e uma ovelha muda nas mãos do tosquiador. (Ele não abriu a boca.)” (Is 53, 7). E o profeta acrescenta que assim: “O Justo, meu Servo, justificará muitos homens, e tomará sobre si suas iniqüidades” (Is 53, 11). “Foi pela humildade e mansidão que Jesus nos salvou. Ao sofrer toda a sua paixão silenciosamente, ao ser preso como um marginal, flagelado até ao sangue como um malfeitor, zombado como um farsante, coroado de espinhos como um falso rei, condenado à morte como um criminoso, esbofeteado como um blasfemador, escarrado, pregado na cruz, e tudo mais, com a mansidão de um cordeiro, Ele conquistou os mé- ritos infinitos que nos redimiu de todos os nossos pecados” 12 Se o Senhor ensinou que “O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa” (Jo 15, 20), se ao aceitarmos seu chamado para anunciar o Evangelho por meio de nossa arte, só pode- remos chegar ao fim com o mesmo triunfo do Senhor vivendo como Ele 12 - Felipe Aquino. Bem Aventurados os Mansos. Disponível em: http://www.cleofas.com.br/vir- tual/texto.php?doc=ESPIRITUALIDADEid=esp0135

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