MONOGRAFIA 2007

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MONOGRAFIA 2007

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – UNIRIO TALITA DE CASTRO MIRANDA DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção. Rio de Janeiro 2007
  2. 2. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda Talita de Castro Miranda DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção. Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado à Escola de Museologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Museologia. Orientador: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima Rio de Janeiro 2007
  3. 3. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda Talita de Castro Miranda DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção. Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado à Escola de Museologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Museologia. Aprovada em: BANCA EXAMINADORA ____________________________________________________ Prof. Anaildo Bernardo Baraçal - UNIRIO ____________________________________________________ Profa . Avelina Addor – UNIRIO ____________________________________________________ Profa . Diana Farjalla Correia Lima - Orientador – UNIRIO Dra . em Ciência da Informação – IBICT/ UFRJ
  4. 4. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda Aos meus pais, pelo apoio incondicional. Ao meu irmão, por cuidar tão bem do seu maior presente de aniversário (... eu!...). À Carol, pela paciência, amizade e companheirismo nestes 5 anos. À Roque Meilick, pelas reflexões e toda alegria e tristeza que isto me trouxe, pilares de minha edificação como indivíduo, mulher e profissional.
  5. 5. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda AGRADECIMENTOS A Diana Farjalla Correia Lima, orientadora, que abriu meus olhos para o instigante universo de possibilidades gerado pela Documentação Museológica. E a todos que contribuíram para a realização desta monografia. Rita Esteves, chefe e amiga, pelo apoio, incentivo e pelas férias do estágio durante a reta final. Elizabeth Paiva, pelos valiosos ensinamentos e trocas de idéias sobre a prática museológica. Ana Carolina de Souza Cruz, pelo empréstimo dos imprescindíveis dicionários, sem os quais esta monografia não existiria... Caroline Lodi, Gisele Guimarães, Fernanda Santos Silva, Silvia R. P. de Souza, colegas de orientação, pelas dicas, sugestões e troca de material.
  6. 6. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda RESUMO A Documentação Museológica possui como alguns de seus objetivos a segurança da informação sobre os objetos e o gerenciamento de acervo, portanto, promove também a segurança física dos mesmos. Os manuais para Documentação Museológica padronizam os procedimentos de catalogação de bens culturais. A catalogação de aspectos formais dos objetos é primordial para sua identificação, principalmente em caso de roubo. Entretanto verifica-se que alguns manuais para catalogação de acervo museológico não enfatizam a identificação de características físicas dos objetos.
  7. 7. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda SUMÁRIO 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS. 8 2. OBJETIVOS 14 3. DOCUMENTAÇÃO E SUA APLICAÇÃO EM MUSEUS: ou Documentação Museológica 15-49 3.1 Conhecendo a Documentação: conceito, histórico e práticas 15 3.2 Documentação Museológica – Museum Documentation 32 Algumas Considerações 38 Sistema de Documentação Museológica 40 4. DIRETRIZES INTERNACIONAIS PARA DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA EM TRÊS TEMPOS 50-72 4.1 Conselho Internacional de Museus (International Council of Museums) –ICOM, Instituição de Referência em Museologia. 51 4.2 Diretrizes para Documentação Museológica. 59 4.2.1 Object ID - Introduction to Objetct ID: guidelines for making records that describe art, antiques, and antiquities. 59 4.2.2 CIDOC Fact Sheet 1 - Registration step by step: when an object enters the museum. 64 4.2.3 AFRICOM - Handbook of Standards. Documenting African Collections. 67 5. UMA PERSPECTIVA ANALÍTICA SOBRE OS MANUAIS. 73-97 Registro passo a passo: quando um objeto entra no museu – CIDOC Ficha Técnica 1(Registration step by step: when an object enters the museum – CIDOC Fact Sheet 1) 76 Manual para Padronização: documentando as Coleções Africanas - AFRICOM (Handbook of Standards. Documenting African Collections - AFRICOM). 84 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS. 98 REFERÊNCIAS 102
  8. 8. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda ANEXO A - Objeto ID: categorias de informação 108 ANEXO B - CIDOC Ficha Técnica 1 126 ANEXO C - Categorias de Informação AFRICOM 131 ANEXO D - Minimum Data List – AFRICOM 135
  9. 9. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 8 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Ao empregar o conceito “impressão digital” de objetos de coleções, considera- se o conjunto de dados básicos/ imprescindíveis para a identificação das características físicas do objeto na qualidade de peça única, fornecidos pela catalogação de acervo no campo da Museologia. Faz-se referência às categorias de informação descritivas que compõem um Sistema de Recuperação de Informação Museológica. A Documentação Museológica consiste na aplicação das técnicas da disciplina científica Documentação, referentes à catalogação e indexação de documentos, no campo específico da Museologia, na qual o documento é representado pelo objeto de coleção. Esta “[…] intermédia [intermédia] fontes de informação e usuários e se estrutura em função do objetivo de atender às necessidades de sua clientela”. 1 Desta forma, age como o pilar da estrutura do Museu, fornece informações para todos os setores da Instituição e é reconhecida como primordial para a segurança da coleção; não só no caso de roubo, para dar suporte à busca do objeto, como para provar sua posse legal pelo Museu, mas também como preventiva, já que é através da gestão do acervo, que se mantém o controle sobre os objetos.2 No processo de catalogação, registram-se tanto as características físicas, dados intrínsecos dos objetos, “composição material, construção técnica e morfologia”, 3 quanto dados extrínsecos, que os contextualizam em âmbito sócio- cultural e institucional, com a finalidade reconstituir a trajetória do objeto de coleção dentro da sociedade que o produziu e valorizou na qualidade de documento, e construir sua história dentro da Instituição responsável pelo mesmo. O Manual de Catalogação – Pintura, Escultura, Desenho e Gravura, do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) considera na categoria de “fontes principais 1 FERREZ, op. cit., p. 70. (grifo nosso) 2 THORNES, Robin; DORRELL, Peter; LIE, Henry. Introduction to Objetct ID: guidelines for making records that describe art, antiques, and antiquities. Los Angeles: Getty Information Institute, 1998. p. 1 3 MENSCH, 1987 apud FERREZ, Helena D. Documentação museológica: teoria para uma boa prática. In: Estudos Museológicos. Rio de Janeiro: IPHAN, 1994, p. 66
  10. 10. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 9 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda de informação”: “(1) a obra de arte [objeto] em si; 2) as inscrições nelas manuscritas ou impressas pelo autor ou grupo de autores; 3) textos fornecidos pelo autor ou grupo de autores”. 4 Portanto, pode-se entender que a análise física do objeto é a principal fonte de informação de um Sistema de Documentação Museológica, um conjunto “composto de partes inter-relacionadas”, desenvolvido para assegurar as informações sobre os objetos e facilitar o acesso a estas. 5 Levou-se em consideração na elaboração deste trabalho, alguns fatos importantes. Nestes últimos anos museus, bibliotecas e arquivos públicos da cidade do Rio de Janeiro tiveram importantes peças de seus acervos roubadas, o que alertou a comunidade museológica e as instâncias de governo para a segurança dos mesmos. Ainda assim, o processamento documental do patrimônio material nas Instituições Públicas não é visto, de forma abrangente, como medida de prevenção/ segurança. Portanto, este trabalho enfatiza o registro dos dados intrínsecos dos objetos, pois enfoca a importância da Documentação Museológica na qualidade de instrumento de auxílio à busca de objetos roubados e para a prevenção de roubo. A base para a atuação da Documentação Museológica neste sentido está na identificação visual dos objetos de coleção, portanto o registro das características intrínsecas dos mesmos confere a esta disciplina as funções mencionadas. Agências para a aplicação da lei, em particular, há muito reconhecem que a documentação é crucial para a proteção de objetos culturais, visto que oficiais que atuam na aplicação da lei raramente podem recuperar e devolver objetos que não tenham sido fotografados e descritos adequadamente.6 Em situação de desaparecimento ou roubo de acervo, é necessário o compartilhamento de informações sobre os mesmos entre as Instituições envolvidas na recuperação da peça, assim, torna-se imprescindível o estabelecimento de 4 MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES. Manual de Catalogação de pinturas, esculturas, desenhos e gravuras. Compilação de Helena Dodd Ferrez e Maria Elizabete Santos Peixoto. Rio de Janeiro, 1995, p. 10. (grifo em negrito do original) 5 Ibidem, p. 71 (grifo nosso) 6 “Law-enforcement agencies, in particular, have long recognized that documentation is crucial to the protection of cultural objects, for law-enforcement officials can rarely recover and return objects that have not been photographed and adequately described”. THORNES, Robin; DORRELL, Peter; LIE, Henry. Introduction to Object ID: guidelines for making records that describe art, antiques, and antiquities. Los Angeles: Getty Information Institute, 1998, p. 1
  11. 11. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 10 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda padrões e normas para a catalogação de tais dados e o controle do vocabulário empregado nos Sistemas de Informação. No campo da Museologia existem vários manuais desenvolvidos com a finalidade de estabelecer padrões para a catalogação de acervo, e em alguns casos, estabelecer normas a fim de controlar o vocabulário utilizado, ao fornecer listas de termos autorizados. Cada um com suas aplicações específicas seja na área das Artes: Manual de Catalogação – Pintura, Escultura, Desenho e Gravura, do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), Arqueologia: Padrões em ação: trabalhando com arqueologia (Standards in Action – Working with Archaeology - MDA), da Associação de Documentação Museológica (Museum Documentation Association), ou desenvolvidos para normalizar a catalogação dos bens culturais de um país, como a base de dados Joconde do Ministério da Cultura da França, para citar alguns. Os manuais, ao estabelecerem normas para catalogação, constituem-se na qualidade de instrumentos para o controle da informação sobre acervos e promovem a intercomunicação do campo, importante no caso de roubo. Considerando-se que a informação provida pela Documentação Museológica deve auxiliar, dentre outras funções, na identificação visual de um objeto, que esta é reconhecidamente importante em caso de recuperação e devolução de objetos roubados e que os manuais desta área de atuação têm como principal finalidade a orientação e normalização quanto ao registro dos dados sobre o objeto, fontes de tais informações, questiona-se se os manuais desenvolvidos para a padronização dos procedimentos relativos à catalogação de acervo enfatizam a descrição física dos mesmos, com o objetivo de possibilitar sua identificação visual. Não se poderia ignorar dentro da questão levantada a realidade dos museus brasileiros, os quais em muitos casos não possuem corpo técnico especializado no tratamento de acervos, como também, em vários casos encontram-se coleções não inventariadas, até mesmo sem nenhum registro de sua existência. Outra situação observada é a predominância de Instituições voltadas para o colecionismo de bens culturais referentes às Ciências Humanas (história, etnografia, arqueologia, etc.,) e Lingüística, Letras e Artes, neste caso, específicos dos campos artísticos, principalmente as Artes Plásticas.
  12. 12. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 11 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda Assim, foram selecionados como objeto de estudo desta monografia os seguintes manuais para Documentação Museológica: --- Registration step by step: when an object enters the museum – CIDOC Fact Sheet 1 (Registro passo a passo: quando um objeto entra no museu – CIDOC Ficha Técnica 1), do International Committee for Documentation - CIDOC (Comitê Internacional para Documentação – CIDOC), instituição subordinada ao International Council of Museums – ICOM (Conselho Internacional de Museus - ICOM). Estabelece padrões relativos aos processos de um Sistema de Documentação, orientando sobre as diferentes situações pelas quais passam os objetos ao ingressarem em um Museu até a conclusão de seu processamento. --- Handbook of Standards: documenting African Collections – AFRICOM (Manual para Padronização: documentando as coleções africanas - AFRICOM). Co-produção ICOM e CIDOC; Padroniza a catalogação de acervos referentes às grandes áreas do conhecimento, Ciências Humanas e Naturais, aplicado em museus africanos. Na qualidade de matriz para análise dos referidos manuais, tomou-se uma publicação, referência na área, que estabelece as categorias de informação imprescindíveis para a identificação de um objeto de coleção, portanto referentes às suas características físicas: Introduction to Objetct ID: guidelines for making records that describe art, antiques, and antiquities (Introdução ao Objeto ID: diretrizes para o registro de descrição de artes e antigüidades). O padrão utilizado para análise corresponde ao conjunto de informações sugeridas pela referida Diretriz (Objeto ID), (sua “impressão digital”), fruto de consenso entre diferentes comunidades que lidam com patrimônio cultural, com a finalidade de auxiliar na busca por bens culturais roubados ou desaparecidos. Dentre os usos atribuídos ao Objeto ID consta, “diretriz para Documentação que estabelece o nível mínimo [básico] de informações necessárias para identificar um objeto”. 7 7 “as a documentation standard that establishes the minimum level of information needed to identify an object;” THORNES; DORRELL; LIE, op. cit., p. 1
  13. 13. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 12 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda Tomou-se por base para o desenvolvimento do conteúdo apresentado, publicações em língua inglesa, pois são referenciadas no campo museológico e devido à ausência de traduções para o português de tais publicações. A presente monografia expõe o desenvolvimento argumentativo dividido em três momentos. No primeiro (seção 3.), tendo em vista a carência de profissionais especializados existente nos museus brasileiros, apresenta a Documentação, traça brevemente o histórico de desenvolvimento de tal disciplina, das Instituições envolvidas neste processo e das práticas estabelecidas pelo campo. Apresenta também a aplicação a Documentação na Museologia, estabelecendo os procedimentos da Documentação Museológica (Museum Documentation) e inserindo-a no contexto da ética profissional fundamentada pelo Código de Ética para Museus do ICOM. Já no segundo momento (seção 4.), descreve os documentos considerados na qualidade de objetos de estudo. Apresenta o ICOM e o Comitê CIDOC, realizadores de tais normas. No caso do Objeto ID, realização conjunta com o Getty Instituto de Informação (Getty Information Institut), entre outros. No último (seção 5.), analisam-se os manuais para Documentação Museológica com base na matriz escolhida. A metodologia utilizada consistiu em levantar, nos referidos manuais, todos os itens de informação relativos a dados intrínsecos, que refletem a materialidade do objeto, portanto, sua “composição material, construção técnica e morfologia”. 8 Com a finalidade de estabelecer comparações entre as categorias de informação, e se houver, as subcategorias encontradas e as categorias de informação apresentadas pela Matriz no que tange a terminologia e conteúdo. Como método de análise empregaram-se tabelas comparativas correlacionando as categorias de informação fornecidas pela matriz Introdução ao Objeto ID: diretrizes para o registro de artes e antigüidades, (Introduction to Objetct ID: guidelines for making records that describe art, antiques, and antiquities), com as 8 MENSCH, 1987 apud FERREZ, Helena D. Documentação museológica: teoria para uma boa prática. In: Estudos Museológicos. Rio de Janeiro: IPHAN, 1994, p. 66
  14. 14. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 13 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda categorias sugeridas, no primeiro momento, pelo CIDOC Ficha Técnica 1 (CIDOC Fact Sheet 1) e, no segundo momento, pelo Manual para Padronização: documentando as Coleções Africanas - AFRICOM (Handbook of Standards. Documenting African Collections - AFRICOM). As correlações estabelecidas foram explicitadas caso a caso, de forma descritiva, após a apresentação de cada tabela. Por fim, observa-se que apenas um dos manuais para Documentação Museológica escolhidos para análise atende de forma efetiva o padrão estabelecido pela Matriz.
  15. 15. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 14 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda 2. OBJETIVOS Geral: Identificar a partir do que foi denominado por “impressão digital” do objeto, ou critério de dados básicos para a identificação de objetos expresso na matriz Introdução ao Objeto ID: diretrizes para o registro de artes e antigüidades, (Introduction to Objetct ID: guidelines for making records that describe art, antiques, and antiquities), normas/ padrões de segurança que orientam o campo Museológico contra o tráfico ilícito de bens culturais, com a finalidade de verificar se existe efetivo atendimento a este padrão de segurança em duas situações diferentes. Modelo para Documentação Museológica, “em formato simples” da área de Documentação do ICOM – Conselho Internacional de Museus, (International Council of Museums), considerado sob o aspecto de sugestão de campos informacionais fundamentais para catalogação museológica. Modelo estabelecido para a catalogação de diversas coleções de museus cobrindo as grandes áreas do conhecimento, Ciências Humanas e Naturais, considerado sob o aspecto de exemplar efetivamente implantado. Específicos: --- Analisar comparativamente o modelo simplificado do CIDOC – Comitê Internacional para Documentação (International Committee for Documentation) CIDOC Ficha Técnica 1 (CIDOC Fact Sheet 1) que sugere categorias de informação fundamentais para a catalogação museológica, a respeito especificamente das categorias que descrevem as características físicas do objeto, com o padrão básico exposto no Objeto ID. --- Analisar e comparar o Manual para Padronização: documentando as Coleções Africanas - AFRICOM (Handbook of Standards. Documenting African Collections - AFRICOM), modelo implantado em museus do Continente Africano, concernente aos campos de informação que descrevem características físicas do objeto, com o padrão básico apresentado pelo Objeto ID.
  16. 16. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda 15 3. DOCUMENTAÇÃO E SUA APLICAÇÃO EM MUSEUS: ou Documentação Museológica Esta seção trata vários aspectos da Documentação. Inicia identificando os dois usos do conceito, na qualidade de registro do conhecimento e como técnica e suporte de análise de documentos. Traça a história das Instituições fomentadoras desta disciplina, dede a criação do Escritório Internacional de Bibliografia (Office International de Bibliographie) até as modalidades atuais de Organismos de Documentação. Apresenta a metodologia de aplicação da Documentação, utilizada por qualquer campo que se valha de suas técnicas. Num segundo momento, trata da Documentação no âmbito da Museologia, denominada Documentação Museológica (Museum Documentation), como é aplicada, suas particularidades e objetivos. Traça também um paralelo com os dispositivos do Código de Ética para Museus do Conselho Internacional de Museus (International Council of Museums) - ICOM, com a finalidade de demonstrar que a Documentação Museológica é um dever da Instituição Social Museu e de seus funcionários especializados, ao mesmo tempo em que é um direito o acesso público às informações geradas neste processo. 3.1 Conhecendo a Documentação: conceito, histórico e práticas. O termo Documentação é empregado comumente, no sentido de “fixar materialmente o conhecimento humano” através de meios como, inicialmente, “pedra, argila, papiro”, e mais tarde, através do livro, o qual “foi durante longo tempo o mais importante dos meios de difusão do pensamento”.1 Com o processo de desenvolvimento ocorrido na Europa -- final do século XVIII; que levou à Revolução Industrial a partir de 1750, e à Revolução Francesa em 1 MINELLI, Maria Carolina Motta. Os instrumentos e as técnicas de documentação. In: DASP. Diretrizes da documentação. [S.l.]: Serviço de Documentação, 1964, p. 142
  17. 17. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 16 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda 1789, os meios de produção se modificaram e também a ordem social e política sofreu importantes alterações. Conforme Mesquita, 2 com o irrompimento da evolução industrial, que modificou o equilíbrio dos sistemas vigorantes nas sociedades, acontecimentos políticos e sociais de grande repercussão transformaram a constituição e distribuição dos Estados. Este novo sistema econômico e social exigia novas demandas na área de desenvolvimento tecnológico, assim, “com rapidez extraordinária progridem as ciências, surgem as técnicas, tendo em conseqüência invenções, descobertas e criações […]”.3 Neste ambiente fértil para a produção de informação, desenvolveram-se os periódicos científicos, “já a partir do fim do século 18”, 4 e desde então sua importância para a difusão da informação cresceu de forma vertiginosa, “se em 1800 uma centena de revistas científicas era publicada pelo mundo afora, em 1850 já eram mil e em 1911 contavam dez mil. Em 1975 supunha-se que mais ou menos cem mil revistas estavam circulando”.5 Ao longo destes dois séculos que nos traz aos dias de hoje, surgiram outras formas de documentar e difundir o pensamento humano, como a fotografia, a “fonografia e a cinematografia, […], a radiodifusão e a televisão”, 6 e finalmente a Internet. Durante o processo de desenvolvimento tecnológico e científico ocorrido nestes últimos séculos, ficou progressivamente mais difícil ter acesso às publicações referentes à produção do conhecimento, cada vez mais numerosas, com isso, surgiu a “idéia de exploração da informação conservada”, 7 ou seja, a necessidade, primeiramente, de sistematizar e organizar esses dados. Assim, a partir do final do século XIX, o termo Documentação passa a ser usado como reflexão e como técnica, referindo-se ao processo de tratamento da informação conservada. A documentação origina-se da necessidade de colocar em ordem os processos de adquirir, preservar, resumir e proporcionar, na medida do necessário, livro, artigos e relatórios, dados e 2 MESQUITA, Espírito Santo. Objeto, conceito e meios de documentação. In: DASP. Diretrizes da documentação. [S.l.]: Serviço de Documentação, 1964, p. 122 3 Ibidem, loc. cit. 4 MINELLI, op. cit., p. 142. 5 SMIT, Johanna. O que é documentação? São Paulo: Brasiliense, 1986, p. 19 6 MINELLI, loc. cit. 7 CHAUMIER, Jacques. As técnicas documentais. [S.l.]: Publicações Europa – América, [s.d.], p. 7
  18. 18. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 17 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda documentos de todas as espécies. É o resultado da compreensão do abismo existente entre o preparo de um registro em qualquer esfera de atividade e a colocação desse registro nas mãos daquele que pode usá-lo como base para uma realização nova.8 Fundamentados nestas necessidades, foram criados, primeiramente, os catálogos por autor, por assunto, depois vieram os “digest”, as “referências”, as “notas bibliográficas categorizadas que selecionam, relacionam e sintetizam os informes sobre todos os assuntos”.9 As formas de tratamento da informação acima citadas funcionam de maneira satisfatória apenas em documentos escritos, mas como foi dito anteriormente, possuí-se hoje, outros modos de “fixar […] o conhecimento humano” e difundi-lo, como a fotografia, o rádio, a televisão, a Internet. Ao levar estes meios em consideração, esses sistemas de processamento da informação não são adequados para aqueles tipos de suportes, com isso, se a documentação, como disse La Fontaine nasceu da necessidade de pôr em ordem o processo de aquisição, preservação, eliminação e distribuição de escritos, desenvolveu-se posteriormente, […], a ponto de interessar-se não só pelo processo acima referido mas, também, pela produção, coleta e divulgação de todos os elementos informativos e instrutivos, escritos ou não, de natureza, forma e substância diversas.10 A abrangência do interesse pela Documentação significou que mais importante que o documento em si, é a informação que contém. Essa mudança ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, período em que as políticas públicas se voltaram para a reconstrução de um continente destruído e para tal, a produção de conhecimento foi fomentada.11 De fato, o fabuloso esforço de pesquisa realizado nos países avançados, a partir da metade da década de 40, determinou uma enorme demanda de informação, especialmente de artigos de periódicos, de patentes, de relatórios, de publicações técnicas diversas, […].12 8 BRADFORD, S. C. Documentação. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura, 1961. Cap. 1, p. 68 9 MESQUITA, op. cit., p. 101 10 Ibidem, p. 100 11 ROBREDO, Jaime. Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação. In: Documentação de hoje e de amanhã: uma abordagem informatizada da biblioteconomia e dos sistemas de informação. São Paulo: Global, 1994. p 3; SARACEVIC, Tefko. Ciência da informação: origem, evolução e relações. Perspectivas em Ciência da Informação. Tradução Ana Maria P. Cardoso, Belo Horizonte, v. 1, n. 1, 1996. p. 42 12 ROBREDO, op. cit., p. 4
  19. 19. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 18 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda Na década de 60, o termo explosão informacional13 passou a ser corrente e viu-se no mundo todo, cientistas, governos e empresas privadas, direcionarem esforços ao controle da massa informativa, pois a informação passou a ter uma função social, passou a ser imprescindível para o desenvolvimento da economia, de políticas públicas voltadas para questões estruturais como transporte, segurança, saúde, etc.14 Nos Estados Unidos, o Congresso e outras agências governamentais aprovaram, durante os anos 50 e 60, inúmeros programas estratégicos que financiaram os esforços em larga escala para controlar a explosão informacional, primeiro na ciência e tecnologia, e depois em todos os outros campos. Empresas privadas uniram-se a eles.15 Um exemplo destes esforços foi a elaboração do primeiro thesaurus, “em 1959, nos Estados Unidos, pela empresa Dupont, e o primeiro deles com larga utilização será o do Departamento de Defesa dos EUA, a partir de 1960”.16 Em meio a todas estas mudanças, da profusão de conhecimento produzido, do diálogo entre os diferentes campos do conhecimento, com o desenvolvimento da interdisciplinaridade, que segundo Lima, 17 […] delineia seu caráter alcançando visão polimorfa, multifocal, inspira movimentos conectivos, propõe superar as facetas parciais de análise e de crítica, estimulando parcerias que se prestam à construção espistemológica da unidade do conhecimento. Traçou-se um novo campo de conhecimento, que tomou por base a Bibliografia e a Documentação e sofisticou suas técnicas para suprir a grande demanda por acesso em tempo real de informações, denominada Ciência da Informação. Este domínio do conhecimento, conforme Saracevic, 18 […] é um campo dedicado às questões científicas e à prática profissional voltadas para os problemas da efetiva comunicação do conhecimento e de seus registros entre os seres humanos, no contexto social, institucional ou individual do uso e das necessidades 13 BUSH, Vannevar, 1945, apud SARACEVIC, op. cit., p.42 14 SARACEVIC, op. cit., p. 43 15 Ibidem, loc. cit. 16 SMIT, op. cit., p. 52 17 LIMA, Diana Farjalla Correia. Ciência da Informação, Museologia, Arte: tríptico em moldura integrada. In: Ciência da Informação, Museologia e fertilização interdisciplinar: informação em Arte, um novo campo do saber. 2003. Tese. Orientadora Lena Vânia Ribeiro Pinheiro.(Doutorado em Ciência da Informação) IBICT/ PPGCI-UFRJ/ECO, Rio de Janeiro, 2003. p. 16 18 SARACEVIC, op. cit., p. 47
  20. 20. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 19 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda de informação. No tratamento destas questões são consideradas de particular interesse as vantagens das modernas tecnologias informacionais. A Documentação passou, então, a ser uma das disciplinas formadoras deste campo. E hoje, tendo em vista o avanço tecnológico do meio virtual, ela não se restringe apenas aos documentos fisicamente presentes, com suportes tangíveis, mas “organiza as informações relacionadas a um assunto, sem restrições quanto ao acervo”, 19 e visa tornar os dados processados accessíveis a todos os interessados em utilizá-los, de maneira eficiente, ou seja, que toda a busca por informação obtenha as respostas mais completas. Tornou-se uma “disciplina científica, com suas técnicas e métodos próprios. Apela para ciências como a lingüística, a matemática, a informática”.20 Na qualidade de disciplina específica, a Documentação surgiu a partir do final do século XIX, época durante a qual os bibliotecários europeus “se tornavam indiferentes aos elementos do processo de documentação dentro de sua profissão, interessando-se cada vez mais pela democratização da educação”. Assim, cientistas preocupados com a “organização da literatura científica, tomaram a si as tarefas de organização bibliográfica, no ponto em que haviam sido abandonadas pelos bibliotecários”, 21 utilizando-se, inicialmente, das mesmas técnicas. Até então, as bibliografias existentes eram elaboradas por autor; os cientistas compreenderam que essa forma de organização não supria as carências no que se referia ao acesso às publicações, que era necessário uma organização por assunto e que as publicações nacionais deveriam ser tratadas em âmbito internacional. 22 Segundo Coblans, 23 “o primeiro estímulo veio dos Estados Unidos”, o cientista Joseph Henry, diretor do Smithsonian Institution de Washington, sugeriu que a British Association for the Advancement of Science 19 SMIT, op. cit., p. 10 20 CHAUMIER, op. cit., p. 12 21 SERRA, Jessé H., EGAN, Margareth E. Exame do estado atual da biblioteconomia e da documentação. In: BRADFORD, S. C. Documentação. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura, 1961, p. 28 22 COBLANS, Herbert. Introdução ao estudo de documentação. Rio de Janeiro: D.A.S.P. – S.D., 1957, p. 20 23 Ibidem, p. 21
  21. 21. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 20 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda [Associação Britânica para o Progresso da Ciência] publicasse um índice de assunto de trabalhos científicos universais. A partir de 1858, a Royal Society of London 24 (Real Sociedade Inglesa) assumiu a responsabilidade sobre este trabalho. Os catálogos publicados -- Catalogue of Scientific Papers --, e os específicos nas áreas da matemática e física foram fruto do esforço de especialistas que não dominavam as técnicas bibliográficas, com isso, “em 1902, quando apareceu o último volume do ‘Catalogue’, incluía toda a literatura do século, mas somente em ordem alfabética de autor”, 25 tentaram publicar índices por assunto, mas devido à falta de investimento nesta área, apenas os referentes à matemática e algumas áreas da física o foram. 26 Todavia, a Documentação teve suas técnicas desenvolvidas a partir dos esforços de um advogado belga, Paul Otlet (1868-1944), 27 considerado o pai da Documentação. Vale mencionar que anteriormente, em 1830 e em 1885 foram publicados boletins de resumos, Chemisches Zentralblatt e Engineering Index, respectivamente. Contudo, seu trabalho efetivou a separação entre a Documentação e a Biblioteconomia, estabelecendo uma nova disciplina, a Organização Bibliográfica. 24 A Academia Nacional de Ciência do Reino Unido possui um corpo independente e beneficente cuja legitimidade e competência vem dos seus 1400 filiados e membros estrangeiros. Suas origens remontam ao “colégio invisível” formado pelos filósofos naturais, que começaram a se encontrar em meados de 1640 para discutir as idéias de Francis Bacon. A data de sua fundação oficial é 28 de Novembro de 1660, quando 12 destes filósofos decidiram fundar ‘um Colégio para a promoção do aprendizado físico-matemático experimental’. Neste grupo, estavam inclusos Christopher Wren, Robert Boyle, John Wilkins, Sir Robert Moray, e William e Viscount Brouncker. No início aparentemente sem denominação, o nome Real Sociedade é publicado pela primeira vez em 1661. A Sociedade rapidamente começa a formar uma biblioteca e um depósito/ “storage”, ou museu de espécimes de interesse científico. Em 1662, a Sociedade recebe Autorização Real para publicar. Em 1665, o primeiro número do Philosophical Transactions (Negociações Filosóficas) foi editado. A Sociedade deu continuidade à publicação após alguns anos e Philosophical Transactions é hoje o mais antigo jornal científico ainda publicado. (texto adaptado). Royal Society. Disponível em: http://www.royalsoc.ac.uk/. Acesso em: 12 abr. 2007 25 COBLANS, op. cit., p. 21 26 Ibidem, loc. cit. 27 A partir de 1895, Otlet se dedica à criação do Mundaneum e à elaboração de seu projeto. Durante a Primeira Grande Guerra, passa a trabalhar em um projeto da Sociedade das Nações, para pôr fim aos conflitos. Em Outubro de 1914, publica o “Tratado da paz geral”, carta mundial que declara os direitos humanos e organiza a Confederação dos Estados. Em 1916 preside, em Lausanne, o Congresso das Nacionalidades. (texto adaptado). Mundaneum. Paul Otlet. Disponível em: http://www.mundaneum.be/index.asp?ID=246. Acesso em: 12 abr. 2007
  22. 22. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 21 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda É através de sua atuação na área de “compilação de bibliografias de direito” que se une a Henri La Fontaine (1853-1943), 28 “político interessado em sociologia e professor de direito internacional na Universidade de Bruxelas”, quem também possuía trabalho semelhante na área de sociologia, e formaram, em 1893 o “Office International de Bibliographie, com a finalidade de organizar um catálogo universal por assunto”, sediado na casa de Otlet em Bruxelas. Ambos compreenderam que “bibliografias impressas, especialmente sob forma de bibliografias nacionais por autor, não eram as mais adequadas para controlar a documentação. Viram a necessidade de manejar o conhecimento como um todo através da cooperação internacional”.29 Patrocinados pelo governo belga, Otlet e La Fontaine deram início ao trabalho de organizar o “Repertoire Universelle”, que consistia em recortar o Catalogue of Printed Books (Catálogo de Livros Impressos) do Museu Britânico e fixar os verbetes em fichas, “cada ficha representaria um documento publicado, com as informações resumidas à moda dos bibliotecários (autor, título, editor, ano, etc.)”.30 Com o tempo perceberam que era utópico querer abranger todos os campos do conhecimento humano e passaram a restringir sua atuação aos campos da Ciência e Tecnologia, áreas com maior demanda pelo serviço.31 Conforme Mesquita32 , Otlet foi “o primeiro bibliógrafo a sentir a necessidade da classificação na documentação”, assim, procuraram um “sistema de classificação que se adaptasse a todos os ramos do conhecimento e pudesse ser usado e 28 Advogado por formação, La Fontaine lutou pela paz, pelo fim de conflitos através da diplomacia, internacionalismo, voto universal, pelo direito à educação, direito das mulheres e direitos trabalhistas. Como membro do Partido Trabalhista belga foi eleito senador em 1895 e, entre 1919 e 1932, ocupou a vice-presidência do Senado. Fundou a Sociedade Belga para Diplomacia e Paz em 1883 e entre 1907 e 1943 ocupou o cargo de presidente da Agência da Paz Internacional. Foi um dos membros da delegação belga na Conferência da Paz, em Paris em 1919 e, no ano seguinte, representou seu país na primeira Assembléia Geral da Liga das Nações. Ele publicou numerosos artigos e obras a partir dos anos 1880, tanto sobre questões de direito como nas áreas literária, política e esportiva, especificamente sobre esqui. Fervoroso admirador de Wagner, ele traduziu a caderneta das Valquírias. (texto adaptado). Mundaneum. Henri La Fontaine. Disponível em: http://www.mundaneum.be/index.asp?ID=246. Belgium.be. Henri La Fontaine. Disponível em: http://www.belgium.be/eportal/application?languageParameter=en&pageid=contentPage&docId=5869. Acesso em: 12 abr. 2007 29 COBLANS, op. cit., p. 21 30 SMIT, op. cit., p. 12 31 COBLANS, op. cit., p. 22-23, passim 32 MESQUITA, op. cit., p. 123
  23. 23. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 22 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda compreendido em tôda parte”, 33 e a fim de adquirir a cooperação de bibliógrafos do mundo todo, prepararam a primeira Conferência Internacional de Bibliografia que se realizou em Bruxelas em 1895. Durante esta conferência, “os delegados resolveram formar um Instituto Internacional de Bibliografia, sob a base de sócios individuais”. A finalidade do Instituto seria “organizar em fichas, com a cooperação internacional, uma bibliografia classificada completa dos conhecimentos registrados e fornecer, a pedido, bibliografias sobre qualquer assunto”. Foi durante a conferência que apresentaram a adaptação do sistema de classificação desenvolvido por Melville Dewey, e “transformando-o num sistema de classificação detalhado, como era necessário à documentação”, 34 desenvolveram a “Classificação Decimal Universal (CDU)”. De acordo com Coblans, 35 até 1913, o Instituto reunia “13 milhões de fichas classificadas em seu Índice Universal”. O Instituto Internacional de Bibliografia lançou o primeiro periódico voltado às questões da Documentação, então chamado Bulletim. Apesar das importantes inovações concernentes à área, o Instituto crescia lentamente, passava por grandes dificuldades financeiras e sofria duras críticas. Sobre a cisão entre Biblioteconomia e Documentação, “isto não foi compreendido na época porque documentação e bibliografia eram sinônimos”.36 Em 1913, pelos seus esforços voltados ao estabelecimento da paz mundial, La Fontaine ganhou o prêmio Nobel da Paz e o doou ao Instituto, o que liquidou a dificuldade financeira pela qual passava a instituição.37 Coblans38 relata que concomitante às inovações de Otlet e La Fontaine, outra iniciativa foi posta em prática pela Real Sociedade Inglesa, que também estava interessada no “controle da literatura científica”.39 Concordavam com os dois bibliógrafos acima citados no que tange à elaboração de um catálogo por assunto e na busca por apoio internacional e para tal, organizaram uma conferência em Londres no ano de 1896 e mais outras duas em 1898 e 1900 a fim de criar um 33 COBLANS, op. cit., p. 22 34 COBLANS, op. cit., p. 23 35 Ibidem, p. 24 36 Ibidem, p. 20 37 Ibidem, p. 23-24, passim 38 Ibidem, loc. cit. 39 Ibidem, p. 23
  24. 24. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 23 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda projeto internacional voltado para o controle da literatura científica. “[…] fica, finalmente, decidido que uma Convenção Internacional regulará o projeto, sendo êste administrado por um Conselho Internacional constituído por um Bureau Central, [estabelecido na Real Sociedade] e ‘Bureaux’ (agências) nacionais”.40 Resolveram estabelecer uma classificação diferente da adotada pelo Instituto Internacional de Bibliografia e concluir o trabalho com catálogos impressos, o International Catalogue of Scientific Papers, publicado anualmente no período de 1900 a 1914, o qual na sua primeira publicação contou com vinte e dois (22) volumes divididos em dezessete (17) “ramos das ciências naturais da nova classificação”. Com o tempo, esta iniciativa se mostrou ineficiente, “os escritórios nacionais eram muito lentos e não mereciam inteira confiança. As despesas aumentavam, e, em 1914, a publicação já estava atrasada mais de 2 anos e o ‘Bureau’ quase falido”.41 Entre 1914 e 1918 a Europa viveu e sofreu as conseqüências da Primeira Guerra Mundial e assim também o foi para estas duas organizações voltadas para o controle bibliográfico, o Instituto Internacional de Bibliografia e as Agências da Real Sociedade Inglesa. Conforme Mesquita,42 o projeto do International Catalogue of Scientific Papers sofreu perdas irreparáveis, a Agência Central foi quase que completamente destruída, “perdendo-se arquivos, materiais diversos e até mesmo dinheiro em espécie”. Em 1922, o Conselho Internacional que regulamentava o projeto, votou pela sua extinção. Nesta época o Instituto também sofreu com a desarticulação de sua estrutura, “o pessoal dispersou-se, o edifício foi destruído e perdeu o auxílio financeiro do govêrno belga”, 43 felizmente o Índice Universal não sofreu nenhum dano e foi transferido para o Mundaneum. É importante destacar o que foi e o que é o “Palácio Mundial – Mundaneum”.44 A origem do projeto “Mundaneum” remonta ao fim do século XIX. Criado por iniciativa de Otlet e La Fontaine, visava reunir o conjunto dos conhecimentos do mundo para classificá-los segundo o sistema de Classificação 40 MESQUITA, op. cit., p.124 41 COBLANS, op. cit., p.24 42 MESQUITA, op. cit., p.124 43 COBLANS, op. cit., p. 25 44 Mundaneum. Project. (texto adaptado). Disponível em: http://www.mundaneum.be. Acesso em: 12 abr. 2007
  25. 25. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 24 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda Decimal Universal (CDU), e unificar as grandes Instituições do trabalho intelectual: bibliotecas, museus e universidades. Durante a primeira metade do século XX, foi o berço das instituições internacionais humanistas dedicadas ao Saber e à Fraternidade universal. O “Palácio Mundial – Mundaneum” é hoje o centro de arquivos da comunidade francesa, possui em sua estrutura um museu de gênero particular, “museu da humanidade técnica e científica” concebido sobre uma perspectiva internacionalista, com caráter didático e social. Dentre as atividades que realiza, está a recepção de escolas, a realização de conferências sobre temas variáveis, e também a organização de uma universidade popular durante o verão. Prosseguindo o relato, La Fontaine e Otlet “reorganizaram o Instituto na base de associação de organizações científicas internacionais e associações nacionais de documentalistas. A primeira destas seções nacionais foi o Nederlands Instituut voor Documentatie en Registratuur, fundado em 1921” 45 e desde então, o Instituto ganhou novo impulso. A partir do fim da primeira guerra mundial dá-se cada vez maior importância à utilização dos recursos das bibliotecas. Passa-se resolutamente da simples conservação para a exploração dos documentos. A revista e o periódico assumem uma importância maior e aumenta grandemente o número de títulos publicados.46 Em 1931 o Instituto Internacional de Bibliografia passou a ser denominado Instituto Internacional de Documentação, “esta mudança de nome é significativa e traduz a nova importância da documentação no mundo”.47 Foi neste contexto que a Documentação se organizou e se estabeleceu na categoria de área específica de atuação. 48 O Instituto, pela sua nova estrutura organizacional, adquiriu o caráter federativo, portanto, em 1938 passou a chamar-se “Federação Internacional de Documentação (FID)” e transferiu sua sede para Haia, esta Instituição teve papel importante na difusão da CDU. Segundo Coblans,49 “graças à sua estrutura federativa descentralizada, a FID estava numa posição mais firme para sobreviver à segunda Guerra Mundial”. 45 COBLANS, op. cit., p. 25 46 CHAUMIER, op. cit., p. 8 47 Ibidem, loc. cit. 48 Ibidem, p. 8; SMIT, op. cit., p.12 49 COBLANS, loc. cit.
  26. 26. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 25 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda Durante o período entre-guerras, por iniciativa da Liga das Nações, criou-se o “Instituto Internacional de Cooperação Intelectual (IICI)”, com sede em Paris, financiado principalmente pelo governo francês e cujo intuito era organizar atividades culturais conjuntas. 50 Dentre as suas várias atuações, duas tinham relação próxima com a Documentação: a) Cooperação entre universidades e instituições culturais pela permuta, coordenando bibliotecas, museus e exposições de arte. b) Difusão de trabalhos de imaginação através de traduções das obras-primas da literatura, do progresso da bibliografia e do empréstimo internacional entre bibliotecas.51 Esta Instituição contou com os mais renomados cientistas da época, entretanto sua atuação foi restrita pelo fato dos mesmos não possuírem influência política em seus países de origem e desta forma não puderam contribuir com a colaboração internacional entre governos.52 Portanto, na prática, a cooperação intelectual foi uma cooperação entre intelectuais, […]. E assim, a não ser pela definição dos problemas, não auxiliou a controlar a confusão crescente na organização bibliográfica internacional.53 Realizaram duas publicações, a saber: “Index Bibliographicus, 1925 – (lista de periódicos que contêm abstracts)” e “Index Translationum, 1932-34, 10 ns. (repertório bibliográfico das traduções segundo o país de origem)”.54 Suas atividades neste ramo e suas finalidades foram transferidas para a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization - UNESCO)55 , a qual foi fundada em 16 de novembro de 1945 com o propósito de propagar a paz. Hoje, a UNESCO “funciona como um laboratório de idéias e elabora diretrizes para moldar acordos universais sobre questões éticas”, também atua na “disseminação e compartilhamento de informação e conhecimento”.56 50 COBLANS, op. cit.,p. 25 51 Ibidem, loc. cit. (grifo nosso) 52 Ibidem, p. 25-26, passim. 53 Ibidem, p. 26 54 MESQUITA, op. cit., p. 125 55 COBLANS, loc. cit. 56 “[…] functions as a laboratory of ideas and a standard-setter to forge universal agreements on emerging ethical issues. The Organization also serves as a clearinghouse – for the dissemination and
  27. 27. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 26 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda Especificamente em relação à Documentação em Museus, a UNESCO mantém junto ao Conselho Internacional de Museus (International Council of Museums -ICOM) um centro de documentação, Centro de Informação Museológica (UNESCO-ICOM Museum Information Centre). O ICOM, por sua vez, possui um comitê internacional voltado para questões da Documentação Museológica (Museum Documentation), o Comitê Internacional para Documentação (International Committee for Documentation – CIDOC). Conforme Coblans, 57 “a história da documentação desde aquêle período é, na verdade, a história da bibliografia por assunto aplicada principalmente ao controle da literatura em periódicos científicos e técnicos”. Como foi visto, as tentativas de modelos alternativos ao proposto por Otlet e La Fontaine não obtiveram êxito, e a Federação Internacional para Documentação – FID continuou seus esforços para o controle da produção de conhecimento. Existem diferentes “Organismos de Documentação” 58 os quais estão divididos segundo o tipo de documento com que trabalham, sua finalidade e organização jurídica. Os Serviços de Documentação são setores subordinados a Instituições, realizam um trabalho com perfil de busca específico, dentro dos interesses e necessidades das mesmas, “pesquisam a documentação, elaboram-na e a distribuem no interior dessa emprêsa ou administração”. 59 Apesar de estarem voltados ao uso exclusivo do grupo a que são subordinados, podem ser abertos ao público. Centros de Documentação têm caráter autônomo, são centros especializados, e reúnem todo material relativo ao assunto tratado. Nas palavras de Minelli, 60 “[…] reunindo os documentos originais de toda espécie, ou suas reproduções, analisando-os, extraindo-lhes dados numéricos, adaptando-os […]”,realizam também produções próprias de documentos e a difusão da informação de acordo com perfis sharing of information and knowledge […]”. UNESCO. Disponível em: www. unesco.org. Acesso em: 27 mai. 2007 57 COBLANS, op. cit., p. 20 58 MINELLI, op. cit., p. 148 59 Ibidem, p. 150 60 Ibidem, p. 149
  28. 28. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 27 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda de interesse. Um exemplo é o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), fundado em 1954 com sob a denominação Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD) e renomeado em 1976. 61 Já os Órgãos de Documentação, são autônomos e prestam serviços aos interessados em qualquer assunto. Utilizam as publicações dos Centros de Documentação e, caso necessário, realizam a análise de documentos não encontrados. Estão voltados especificamente ao usuário e trabalham em função de seu interesse. As Centrais Documentárias, “são, essencialmente, depósitos de documentos originais”, 62 e diferenciam-se pelo tipo de documento que preservam. Além da conservação dos bens culturais, estes organismos processam a informação e a difundem, através de catálogos, bibliografias, entre outros. Minelli 63 separa os documentos em: • gráficos: manuscritos, livros, periódicos, outros impressos (diplomas, balanços, etc), música; • iconográficos: desenhos, gravuras e estampas, cartazes, fotografias, cartas, Atlas; e • plásticos: medalhas, espécimes, modelos, maquetes, material didático, registros de imagens, registros fônicos. Exemplificando, algumas instituições responsáveis por cada grupo: • gráficos – arquivos, bibliotecas, hemerotecas, museus - casa; • iconográficos – fonotecas, cinematecas; museus; • plásticos: museus, jardins botânicos. Estas instituições podem ser autônomas ou estarem subordinadas a algum grupo e os documentos, privados ou públicos. Vê-se que o Museu está em todas as categorias, pois os tipos de acervos museológicos são ricamente variados e a diferença entre as Instituições 61 IBICT. Histórico. Disponível em: http://www.ibict.br/secao.php?cat=Histórico. Acesso em: 7 jul. 2007 62 MINELLI, op. cit., p. 148 63 Ibidem, p. 146
  29. 29. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 28 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda mencionadas é estabelecida, também, com base nas particularidades de aplicação da metodologia da Documentação em cada um destes campos do conhecimento, para o processamento da informação sobre o objeto. Adiante será abordado o processo de catalogação de coleções museológicas. O processamento da informação consiste em um conjunto de operações “efectuadas para a transformação, ou formação, a memorização e a restituição, segundo as necessidades das informações contidas nos documentos recolhidos”.64 Estas operações – “recolha (de documentos), tratamento (análise e procura) e difusão (produtos documentais)” 65 - fazem parte de uma “Cadeia Documental”, 66 na qual, cada elemento depende do seu precedente. A recolha, ou coleta 67 de documentos é a função elementar de qualquer Centro de Documentação. Critérios devem ser seguidos para a seleção do que será adquirido, pois “coletas e seleções bem feitas levam a uma noção de qualidade e confiabilidade das informações repertoriadas pelo centro de documentação”.68 O tratamento da informação, hoje chamado processamento devido à automação dos Sistemas Documentais, que está contida nos documentos engloba duas atividades bem complexas, a análise do conteúdo dos mesmos - a representação da informação - e sua posterior recuperação, através a indexação. A análise consiste em “uma operação, ou um conjunto de operações, que se destina a representar o conteúdo de um documento numa forma diferente da sua forma original, a fim de facilitar a consulta”. Uma das técnicas de representação da informação utilizadas é o resumo, cujo intuito é extrair os assuntos principais do item a ser avaliado, podem ser “resumos sinaléticos” com poucas linhas, “resumos analíticos” com dez (10) ou mais linhas e “resumos críticos” 69 podendo ter várias páginas. Entretanto, o método mais utilizado é a indexação, que segundo a museóloga Auta Barreto “é a atribuição de um ou mais termos a um documento de forma a 64 CHAUMIER, op. cit., p. 14 65 Ibidem, p. 13 66 Relatório de Weinberg apud CHAUMIER, op. cit., p. 13 67 MESQUITA, op. cit., p. 102; SMIT, op. cit., p. 13 68 SMIT, op. cit., p. 14 69 CHAUMIER, op. cit., p. 15
  30. 30. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 29 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda representar seu conteúdo através de palavras”. 70 Os termos escolhidos, indexadores, são a conexão entre o documento e o usuário do sistema, pois são os instrumentos de busca pela informação, portanto, para que a pesquisa em uma base de dados seja satisfatória, utiliza-se a “linguagem de indexação” 71 que “além do aspecto de representação do conteúdo dos documentos, é empregada para normalizar a expressão desse conteúdo e organizar os termos do vocabulário”, 72 com isso, determina-se o vocabulário utilizado, e facilita-se a pesquisa. Esta linguagem técnica, linguagem documentária, é representada, por exemplo, pelas listas de termos, como as Classificações, de Dewey e a CDU as quais possuem estrutura hierárquica, ou seja, “uma subclasse que designa uma noção é inteiramente englobada na classe que a precede e engloba a noção representada pelo grupo imediatamente abaixo”.73 E pelo thesaurus, o qual se pode definir por, um conjunto de conceitos ordenados, de modo claro e livre de ambigüidade, a partir do estabelecimento de relações entre os mesmos […] é um vocabulário controlado e dinâmico de termos que têm entre si relações semânticas e genéricas, e que se aplica a uma área particular do conhecimento. 74 Efetuada a análise e a inserção dos dados no sistema, seja o thesaurus ou uma lista de termos, com base em um vocabulário controlado, a informação pode ser memorizada segundo uma “organização por documento” ou “por idéia”. A organização por documento consiste em estabelecer uma ficha para cada documento na qual são registradas todas as suas características, ou termos de indexação. Pode ocorrer também a utilização de “ficha-documento”, na qual a unidade de registro é uma característica do documento, “neste caso, há tantas fichas-documentos para esse documento quantas as características consideradas na indexificação”, 75 ou indexação. Quanto à organização por idéia, há uma ficha para 70 BARRETO, Auta. Museu e informática. In: Boletim Associação Basileira de Museologia – ABM. Rio de Janeiro, n. 10/11, set/ dez. 1985, jan/ mar. 1986, p.10 71 GONÇALVES, Jerusa Borges. Recuperação e disseminação de informação. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas: Instituto de Documentação, 1973, p. 62 72 CHAUMIER, op. cit., p.51 (grifo nosso) 73 Ibidem, op. cit., p. 52 74 FERREZ, Helena Dodd, BIANCHINI, Maria Helena S. Introdução. In: Thesaurus para acervos museológicos. Rio de Janeiro: Fundação Nacional Pró-Memória: Coordenadoria Geral de Acervos Museológicos, 1987, 1 v., p. xv 75 CHAUMIER, op.cit., p.17 – 18, passim
  31. 31. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 30 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda cada termo de indexação em que constam todos os documentos nos quais esta característica aparece. A procura documental ou recuperação da informação ocorre através das relações lógicas, ou “operações boleanas”, “reunião de classes, a intersecção e a exclusão” determinadas pelas operações “ou, e, exceto”, outros operadores como “menor que, maior que, seguido por” são usados em buscas refinadas. Na reunião de classes, são utilizados os operadores ou e e, por exemplo, “todos os documentos caracterizados por A ou por B ou por A e B em conjunto”. Já a intersecção de classes presume a operação e, por exemplo, “todos os documentos caracterizados ao mesmo tempo por A e por B”. Finalmente, a exclusão de classes, vale-se do operador exceto, por exemplo, “todos os documentos caracterizados por A com exclusão dos caracterizados por B”. 76 Na busca em um Sistema de Informação, a linguagem aplicada na pergunta tem que estar em conformidade com a linguagem do sistema, por isso a normalização do vocabulário, mas mesmo assim, todo “sistema documental se define pelas percentagens de ruído, silêncio e pertinência”. O ruído ocorre quando documentos que não respondem à pergunta formulada são selecionados, “em conseqüência, essencialmente, de combinações acidentais de características ou de confusões de sentido quanto aos termos de caracterização”. A situação oposta é denominada silêncio, que corresponde aos documentos pertinentes à questão formulada, mas não selecionados e acontece “devido ao emprego de características não concordantes quando da análise do documento e da formulação da questão”. 77 A pertinência refere-se aos documentos que respondem à pergunta formulada e que são selecionados pelo sistema. A linguagem documentária visa diminuir a quantidade de silêncio e ruído na comunicação, através da normalização da entrada de vocabulário em um sistema e do estabelecimento da correspondência entre termos da linguagem comum, utilizada pelo pesquisador, e a linguagem técnica. A última etapa da Cadeia Documental é a difusão da informação colhida e processada. Para Chaumier 78 apresenta dois aspectos principais, de acordo com os 76 CHAUMIER, op.cit., p. 18 - 19, passim 77 Ibidem, p.18 - 20, passim 78 Ibidem, p. 20
  32. 32. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 31 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda objetivos de cada Sistema de Documentação, “difusão geral e difusão selectiva”. A primeira tem como meta “redistribuição global da informação ao conjunto das pessoas interessadas no sistema”, neste caso, a informação divulgada pode ter sido tratada, é o caso dos subprodutos como catálogos de bibliografia, ou não, como as “fotocópias de sumários de revistas”.79 E no segundo tipo, a difusão é parcial e personalizada de acordo com os perfis dos usuários ou grupo de usuários, seus perfis são definidos segundo os domínios de interesse, hoje, com larga utilização via Internet. Viu-se, ao longo desta explanação que, durante todo o desenvolvimento da Documentação a disciplina se aproximou, e até hoje o faz, de diferentes campos do conhecimento com o propósito de “tirar o máximo proveito das novas técnicas e ciências (informática, lingüística, inteligência artificial, tradução e classificação automáticas) para […] [aproximar-se] […] de seu objetivo” 80 , ou seja, tratar a informação para torná-la facilmente accessível aos usuários. 79 CHAUMIER, op.cit., p. 21 80 SMIT, op. cit., p. 12
  33. 33. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 32 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda 3.2 Documentação Museológica – Museum Documentation A Documentação, na qualidade de disciplina científica que dialoga com diversos campos do conhecimento, é aplicada também ao campo da Museologia de forma a realizar o processamento da informação sobre as coleções, a isto denomina- se Documentação Museológica. O interesse em documentar, no campo da Museologia, remonta ao início do século passado, quando os profissionais de Museus começaram a reconhecer a necessidade de acessar sistematicamente o acervo, tendo assim que catalogá-lo e fotografá-lo. O Metropolitan Museum of Art, por exemplo, passou a registrar e catalogar seu acervo em 1906. 81 Nesta perspectiva, o Código de Ética para Museus 82 do ICOM, documento em resposta à necessidade do campo por uma regulamentação de condutas, estabelece, Princípio: Os museus têm a responsabilidade de adquirir, preservar e promover suas coleções, contribuindo para salvaguardar o patrimônio natural, cultural e científico. Seus acervos constituem um patrimônio público significativo, têm um estatuto legal especial e são protegidos por legislação internacional. Intrínseco a esta confiança pública está o conceito de guarda, que abrange a propriedade legítima, a permanência, a documentação, o acesso e a alienação responsável. (grifo em negrito do original; sublinhado nosso). Pode-se entender a Documentação Museológica como “o conjunto de informações sobre cada um dos seus itens e, por conseguinte, a representação destes por meio da palavra e da imagem (fotografia)”. 83 Ao processar as informações sobre cada item da coleção, a Documentação Museológica vale-se “do conjunto de conhecimentos específicos dos domínios da Museologia, da natureza/ 81 HARTY, Marcia Cottis, VILCEK, Marica, RHYNE, Brice. Cataloguing in the Metropolitan Museum of Art, with a note on adaptations for small museums. In: DUDLY, Dorothy H., WILKINSON, Irma Bezold, et al. Museum Registration Methods. 3. ed. Washington D.C: American Association of Museums. 1979, p. 219 82 INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS (ICOM). Código de Ética para Museus. Seul. 2004. Não paginado. 83 FERREZ, Helena D. Documentação museológica: teoria para uma boa prática. In: Estudos Museológicos. Rio de Janeiro: IPHAN, 1994. p. 65
  34. 34. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 33 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda área da coleção do acervo em questão e da Informação”, 84 e é com base nesse processo, que os objetos passam a ser fontes de conhecimento. “Mais do que um conjunto de informações sobre cada item da coleção, é um sistema composto de partes inter-relacionadas que formam um todo coerente, unitário […], que intermédia fontes de informação e usuários e se estrutura em função do objetivo de atender às necessidades de sua clientela”. 85 É importante ressaltar que todos os objetos sob responsabilidade do Museu devem ser registrados, seja os em situação de empréstimo temporário ou de longa duração, concessão e em situação de baixa. 2.18 Permanência de acervo – O museu deve estabelecer e aplicar normas para garantir que seu acervo (tanto permanente quanto temporário) e as informações associadas sejam devidamente registrados, estejam disponíveis para uso corrente e possam ser repassados para as gerações futuras nas melhores condições possíveis, considerando o conhecimento e os recursos contemporâneos disponíveis.86 (grifo em itálico do original) O objetivo primário do ato de registrar é conhecer os objetos. É através deste processo que os profissionais de museus passam a conhecê-los - seu formato, suas particularidades, sua origem, técnica de construção, – a reconstituir e construir a história de vida de cada peça, e a identificar suas necessidades de conservação, em suma, uma análise que abrange a forma e o significado do objeto. A partir desta base informacional, a catalogação do acervo pode ser aprofundada e passa também a dar suporte a outras atividades da Instituição. As Diretrizes Internacionais para Informação de Objetos Museológicos 87 (International Guidelines for Museum Object 84 LIMA, Diana Farjalla Correia. Ciência da Informação e Museologia em tempo de conhecimento fronteiriço: aplicação ou interdisciplinaridade? In: Ciência da Informação, Museologia e fertilização interdisciplinar: informação em Arte, um novo campo do saber. 2003. Tese. Orientadora Lena Vânia Ribeiro Pinheiro. (Doutorado em Ciência da Informação) IBICT/ PPGCI-UFRJ/ECO, Rio de Janeiro, 2003. p.135 85 FERREZ, op. cit., p. 70. (grifo nosso) 86 INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS (ICOM). Código de Ética para Museus. Seul. 2004. Não paginado. 87 CIDOC – International Committee for Documentation, International Council of Museums (ICOM). Objectives of museum documentation. In: International Guidelines for Museum Object Information: the CIDOC Information Categories. [S.l]: CIDOC, 1995. (tradução nossa) • “ensure accountability for objects: they can be used to define the objects that are owned by a museum, identify the objects, and record their location; • aid the security of objects: they can be used to maintain information about the status of objects and provide descriptions and evidence of ownership in the event of theft; • provide an historic archive about objects: they can be used to maintain information about the production, collection, ownership, and use of objects and as a means of protecting the long term value of data;
  35. 35. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 34 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda Information) do CIDOC/ ICOM, reconhece quatro principais indicadores para a Documentação Museológica, • Assegurar a gestão do acervo: podem ser usados para estabelecer a posse legal dos objetos pelo museu, a identificação dos mesmos, e registrar a sua localização; • Auxiliar na segurança dos objetos: podem ser usados para conservar a informação sobre as condições dos objetos, prover descrições e provar a posse legal no caso de roubo; • Fornecer um arquivo histórico dos objetos: podem ser usados para conservar as informações sobre produção, coleção, propriedade legal e o uso dos objetos e com o intuito de proteger a longo prazo essas informações de valor atemporal; • Ajudar no acesso intelectual e físico aos objetos: podem ser usados para auxiliar no acesso aos próprios objetos, bem como às informações sobre eles. Desta forma, a Documentação Museológica age como o pilar da estrutura do Museu, fornece informações para todos os setores da Instituição e é reconhecida como primordial para a segurança da coleção, não só no caso de roubo, para dar suporte à busca do objeto, como para provar sua posse legal pelo Museu, mas também como preventiva, já que é através da gestão do acervo, que se mantém o controle sobre os objetos.88 Ainda em relação ao uso atribuído a esta prática, o Spectrum, Normas para Documentação Museológica do Reino Unido (Spectrum, The UK Museum Documentation Standard), elaborado pela Associação de Documentação Museológica – MDA (Museum Documentation Association), fornece interessantes exemplos de como os setores das Instituições podem utilizar as bases de dados sobre acervos. Citando alguns exemplos voltados à parte administrativa: -- o sistema pode auxiliar na elaboração de material de propaganda; -- no delineamento do perfil da Instituição e na credibilidade perante órgãos governamentais e patrocinadores; • support physical and intellectual access to objects: they can be used to support access to objects themselves and information about the objects.” 88 THORNES, Robin; DORRELL, Peter; LIE, Henry. Introduction to Objetct ID: guidelines for making records that describe art, antiques, and antiquities. Los Angeles: Getty Information Institute, 1998. p. 1
  36. 36. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 35 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda -- assegurar que as informações sobre a coleção permaneçam na Instituição mesmo que haja mudança no quadro de funcionários; E para as atividades votadas ao público: -- auxiliar na pesquisa sobre o acervo, e na elaboração de material didático. 89 Como se vê, os objetos/ documentos são a razão de ser do Museu, nas palavras de Paul Otlet, 90 para efetuar as operações de documentação, para conservar o documento, foram criados organismos. Há as Bibliotecas, os Arquivos, os Centros de Documentação, os Museus. São os grandes depósitos de tesouros intelectuais da Humanidade”. Assim, a atividade de documentar baseia-se primeiramente e prioritariamente no objeto em si. Em se tratando do patrimônio cultural, existem os bens tangíveis nos quais […] o concreto constitui o próprio suporte da informação, fornece a base para iniciar o processo da sua construção que considera na categoria de dado informacional: os artefatos produzidos pela humanidade e demais objetos elaborados pelos seres vivos […]; os exemplares e os espécimes de diferentes ordens originários da natureza, inclusive os seres vivos […]. 91 (grifo do original) e os intangíveis, conceito que abrange as manifestações culturais, como danças, receitas, festas, costumes, etc., manifestações de […] caráter imaterial […], portanto, necessitando que sejam representados por registros de imagens e/ou textuais e/ou sonoros a fim de poder estabelecer formas tangíveis para o dado informacional a ser construído e sobretudo, para permitir que seja avaliada na informação museológica a relevância da representação do conhecimento daquele tipo de costume tradicional, atendendo à descrição detalhada dos valores de forma e conteúdo desses aspectos culturais nas suas variâncias locais, ao modo da catalogação dos objetos concretos (tridimensionais).92 Pode-se concluir, então, que tanto nas expressões culturais tangíveis, ou concretas, quanto nas intangíveis ou imateriais a informação provém primeiramente da análise física do documento ou de conteúdo do suporte, ou seja, as “informações 89 MCKENNA, Gordon; PATSATZI, Efthymia (Ed.). SPECTRUM: The UK Museum Documentation Standard. Revised with the participation of the museum community. Cambridge: MDA, 2007. p. 21 90 OTLET, Paul. Os Organismos de Documentação. Biblioteca. Centro de Documentação. In: Documentos e Documentação. Introdução aos trabalhos do Congresso Mundial da Documentação Universal, realizado em Paris, em 1937. 91 LIMA, op. cit., p. 131 92 Ibidem, p. 132
  37. 37. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 36 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda intrínsecas” que abrangem, no primeiro caso, a composição material, construção técnica e morfologia 93 e, no segundo caso, a análise de conteúdo será de acordo com o assunto documentado. Esta análise pode, e deve, ser complementada com dados colhidos em outras fontes, chamadas “informações extrínsecas”, 94 as quais “contextualizam os objetos e reconstituem sua história e, por conseguinte, são a razão de sua presença no museu”.95 Estas duas atividades exigem conhecimento sobre o item a ser analisado e estudo em fontes especializadas e confiáveis.96 Assim, chega-se ao Sistema de Documentação Museológica, um conjunto “composto de partes inter-relacionadas”, desenvolvido para assegurar as informações e facilitar seu acesso. Em um Sistema de Documentação Museológica o número de campos de informação deve abranger todas as características do documento (título, fonte de aquisição, descrição, número de inventário, etc.,), de acordo com Ferrez, 97 “o sistema não só deve poder abrigar um número ilimitado de campos de informação, como estes precisam ser definidos de acordo com a estrutura informativa dos objetos e com as necessidades de informação de seus usuários […]”,neste caso, tanto os funcionários da Instituição, como pesquisadores e o público interessado. 2.20 Documentação das coleções – As coleções dos museus devem ser documentadas de acordo com padrões profissionais. Esta catalogação deve incluir […] identificação e descrição completa de cada item, seu contexto, procedência, estado de conservação, tratamento e localização atual. Estes registros devem ser mantidos em ambiente seguro e estar apoiados por sistemas de recuperação que permitam o acesso aos dados por funcionários e usuários habilitados.98 (grifo em itálico do original; sublinhado nosso) No campo da Museologia, o processo da Documentação, referente ao conhecimento da Ciência da Informação, é o mesmo em relação ao aplicado nas áreas da Biblioteconomia e Arquivologia; são os chamados “sistemas de 93 MENSCH, 1987 apud FERREZ, 1994, p. 66 94 FERREZ, op. cit., p. 68 95 Ibidem, p.69 96 Ibidem, loc. cit. 97 Ibidem, p. 71 (grifo nosso) 98 INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS (ICOM). Código de Ética para Museus. Seul. 2004. Não paginado.
  38. 38. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 37 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda recuperação de informação” que compreendem as “fases de pesquisa, coleta, classificação e catalogação, guarda e divulgação do documento”. 99 Os objetivos, função e componentes de um Sistema de Informação Museológico se apresentam da seguinte forma: Objetivos: conservar os itens da coleção, maximizar o acesso aos itens, maximizar o uso da informação contida nos itens; Função: estabelecer contato efetivo entre as fontes de informação (itens) e os usuários, isto é, fazer com que estes, através da informação relevante, transformem suas estruturas cognitivas ou os conjuntos de conhecimento acumulado; Componentes: Entradas: seleção, aquisição; Organização e controle: registro, número de identificação/ marcação, armazenagem/ localização, classificação/ catalogação, indexação; Saídas: recuperação, disseminação. 100 (grifo em itálico do original; sublinhado nosso) Um bom Sistema de Documentação Museológica deve possibilitar a entrada de informações que precedem a aquisição do objeto, por exemplo, a respeito de ex- proprietários, utilidade atribuída ao objeto, origem, etc., 101 e também através de pesquisas em fontes bibliográficas e documentais diversas. São estas informações que possibilitam aos objetos serem explorados pelas diversas atividades da Instituição. Recomenda-se que os museus estabeleçam regras para o processo de classificação dos objetos, esta prática possibilita à Instituição “armazenamento de informação – o catálogo une e guarda de forma segura a informação sobre cada item da coleção; [ter e dar] acesso à informação – o catálogo estrutura esta informação de forma que a possibilite de ser pesquisada fácil e confiávelmente”. 102 99 MINELLI, Maria Carolina Motta. Os instrumentos e as técnicas de documentação. In: DASP. Diretrizes da documentação. [S.l.]: Serviço de Documentação, 1964, p. 150 100 FERREZ, op. cit., p. 68 101 Ibidem., p. 70 102 “Storage of information – the catalogue brings together and keeps securely information about each item in the collection; Accessibility of information – the catalogue structures this information so that it can be searched easily and reliably”. MCKENNA; PATSATZI (Ed.). op. cit., p. 100. (grifo nosso)
  39. 39. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 38 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda Algumas Considerações Antes iniciar a descrição de um Sistema de Documentação Museológica, deve-se discutir alguns pontos para melhor entendimento das questões a serem tratadas pelo presente trabalho. No texto, Documentação Museológica: teoria para uma boa prática, Ferrez aborda o Sistema de Documentação Museológica em um sentido que engloba todos os procedimentos pelos quais os objetos passam ao serem adquiridos/ admitidos pelo Museu, representados, pelas etapas aquisição, registro, marcação e armazenagem (citação referida anteriormente – p. 23). Pode-se traçar, assim, um paralelo com o manual CIDOC Fact Sheet 1, que descreve em oito (8) passos os procedimentos a serem realizados desde a entrada do objeto na Instituição e Ferrez aborda desde a aquisição dos objetos/ documentos. Os passos de 1 a 4 podem ser equiparados aos componentes “entrada” e “organização e controle”, denominados por Ferrez, como será visto mais adiante, na seção 4.2.2. Isto posto, o Sistema de Documentação Museológica será aqui descrito de acordo com o que está sendo expresso e será feita analogia aos termos empregados anteriormente (3.1) para descrever um Sistema de Documentação. Seguindo a ordenação descrita por Ferrez, o registro da peça seria o primeiro procedimento. Em seu texto, embora não haja definição deste termo, fica evidente pelo recorte citado que registro e catalogação não são equivalentes. Far-se-á analogia a outros documentos que estabelecem diferenças entre inventário e catalogação, como as Diretrizes Internacionais para Informação de Objetos Museológicos: as categorias de informação do CIDOC (International Guidelines for Museum Object Information: the CIDOC Information Categories), já mencionado, e o Manual para Padronização: documentando as coleções africanas (Handbook of Standards: documenting African Collections), do Conselho Internacional de Museus Africanos (International Council of African Museums)– AFRICOM. Cada um destes Manuais define o termo inventário da seguinte forma:
  40. 40. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 39 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda -- CIDOC - Diretrizes Internacionais para Informação de Objetos Museológicos: as categorias de informação do CIDOC 103 (International Guidelines for Museum Object Information: the CIDOC Information Categories): “um inventário consiste nas informações básicas sobre cada objeto da coleção, referentes ao gerenciamento de coleções, incluindo detalhes que são essenciais para provar a propriedade sobre o objeto e manter sua segurança”; -- AFRICOM - Manual para Padronização: documentando as coleções africanas 104 (Handbook of Standards: documenting African Collections): “[…] informações inventariadas, as quais o museu deve ter à sua disposição para cada objeto para que o museu possa justificar a condição dos objetos e garantir sua conservação e segurança […]”. Ou seja, as informações básicas (conceito aplicado no sentido de fundamental) necessárias para manter o controle sobre os objetos. Em relação à catalogação, as definições são as seguintes: -- CIDOC - Diretrizes Internacionais para Informação de Objetos Museológicos: as categorias de informação do CIDOC 105 (International Guidelines for Museum Object Information: the CIDOC Information Categories): “[…] é um registro completo com detalhes adicionais sobre a significância histórica dos objetos”. -- AFRICOM - Manual para Padronização: documentando as coleções africanas 106 (Handbook of Standards: documenting African Collections): “[…] informações catalogadas, as quais documentam o objeto de forma a possibilitar seu 103 “[…] an inventory consists of the basic collections management information about each object in a collection, including the details that are essential for accountability and security;”. CIDOC – International Committee for Documentation, International Council of Museums (ICOM). Objectives of museum documentation. In: International Guidelines for Museum Object Information: the CIDOC Information Categories. [S.l.]: CIDOC, 1995. Não paginado. 104 “[…] inventory information, which the museum must have at its disposal for each object so that the museum can justify its status and ensure its conservation and security […]”. Steps towards the adoption of the standards. INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS (ICOM); INTERNATIONAL COMMITEE FOR DOCUMENTATION (CIDOC). Introduction. In: Handbook of Standards. Documenting African Collections. AFRICOM. Paris, 1996. Não paginado. 105 “[…]a catalog is a fuller record with additional details about the historic significance of the objects”. CIDOC, 1995, op. cit. Não paginado. 106 “[…] and the cataloguing information which documents the object in order to be able to exploit it in its activities (research, exhibitions, educational programmes, etc.)”. Steps towards the adoption of the standards. ICOM; CIDOC, 1996, op. cit. Não paginado.
  41. 41. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 40 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda aproveitamento nas suas atividades (pesquisa, exposições, programas educacionais, etc.)”. Portanto, significa registrar informações complementares sobre o objeto, o retrato de sua história dentro e fora da Instituição, ou seja, as características extrínsecas ao objeto. Desta forma, pode-se entender, no caso explicitado, que o termo registro equivaleria ao termo inventário. O termo registro será abordado ao longo deste trabalho no sentido de registrar ou “escrever ou lançar no registro; consignar por escrito; mencionar”. 107 Sistema de Documentação Museológica Um Sistema de Documentação voltado para acervos de Museus tem como componentes, Objetivos: conservar os itens da coleção, maximizar o acesso aos itens, maximizar o uso da informação contida nos itens; Função: estabelecer contato efetivo entre as fontes de informação (itens) e os usuários, isto é, fazer com que estes, através da informação relevante, transformem suas estruturas cognitivas ou os conjuntos de conhecimento acumulado; Componentes: Entradas: seleção, aquisição; Organização e controle: registro, número de identificação/ marcação, armazenagem/ localização, classificação/ catalogação, indexação; Saídas: recuperação, disseminação. 108 (grifo em itálico do original; sublinhado nosso) A entrada ou recolha (de documentos) 109 no âmbito dos museus deve ser levada de forma cuidadosa, sempre procurando lisura quanto à origem do objeto, para evitar a aquisição/ admissão de bens com procedência ilícita. O Código de Ética para Museus 110 enfatiza este quesito, 107 REGISTRAR. In: FERNANDES, Francisco; LUFT, Celso Pedro; GUIMARÃES, F. Marques. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. 30. ed. São Paulo: Globo, 1993. p. 596 108 FERREZ, op. cit., p. 68 109 CHAUMIER, Jacques. As técnicas documentais. [S.l.]: Publicações Europa – América, [s.d.], p.14 110 INTERNATIONAL COUNCIL OF MUSEUMS (ICOM). Código de Ética para Museus. Seul. 2004. Não paginado.
  42. 42. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 41 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda 2.3 Procedência e diligência obrigatória – Todos os esforços devem ser feitos antes de uma aquisição para garantir que qualquer objeto ou espécime oferecido para a compra, doação, empréstimo, legado ou intercâmbio não tenha sido ilegalmente obtido ou exportado de seu país de origem, ou de qualquer país intermediário, no qual ele possa ter sido adquirido legalmente (incluindo o próprio país do museu). Por isso uma diligência obrigatória deve restabelecer a história completa do objeto desde sua descoberta ou produção. (grifo do original) A etapa de organização e controle, segundo Ferrez, equivale ao tratamento (análise e procura) exposto por Chaumier111 ou processamento, em um Sistema de Documentação, mas com características peculiares ao campo. Na Museologia é a mais complexa e fundamental etapa para que o objetivo final, a recuperação da informação, seja alcançado. Durante o registro da peça, esta recebe um número de identificação ou de registro, ou ainda, de inventário – todos usados pelo campo como sinônimos - o qual deve ser marcado de forma apropriada na peça, pois é a conexão entre sua documentação e o objeto em si. Antes de marcar o acervo, deve-se levar em conta o material de que a peça é feita, o seu formato e peso, para que o procedimento seja realizado da forma mais coerente e segura.112 Tanto o número de registro, quanto a localização permanente do objeto devem ser adicionados à sua ficha de inventário e às suas fichas de indexação, no caso de sistemas não automatizados. O inventário é o conjunto de informações referentes a cada objeto de coleção de forma a identificá-lo como propriedade da Instituição, assegurar sua conservação e segurança. Corresponde aos campos de informação imprescindíveis em um Sistema de Catalogação Museológica. É esperado de um inventário: • Possibilitar a comprovação da tutela sobre qualquer objeto, a qualquer momento; • Possibilitar o fornecimento de informações atualizadas de todos os objetos sob os cuidados da organização – incluindo os empréstimos internos e externos, os depositados temporariamente e outros objetos inacessíveis; • Prover a comprovação da posse legal de cada objeto; 111 CHAUMIER, op. cit., p.14 112 INTERNATIONAL COMMITEE FOR DOCUMENTATION (CIDOC). Labelling and marking objects. [S.l.]: CIDOC Services Working Group, 1994. Não paginado.(CIDOC Fact Sheet; 2)
  43. 43. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 42 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda • Prover a localização atual de cada objeto. 113 (grifo em negrito do original) A realização da catalogação consiste no registro completo da peça. Além das informações descritivas, referentes à estrutura física do objeto, fornece também informações de contextualização no âmbito sócio-cultural e as referentes ao gerenciamento do acervo, que constróem a história intra-institucional do objeto. Um Sistema de Informação automatizado permite que os termos empregados para nomear os campos/ itens descritivos do objeto sejam indexadores, possibilita- se, assim, a busca por qualquer característica do objeto que tenha sido registrada. Neste trabalho serão abordados (itens 4.2.1 e 4.2.3 respectivamente) dois documentos que geraram bases de dados relativas a acervos automatizados: o Object ID aplicado para INTERPOL tendo por finalidade auxiliar na busca por bens culturais roubados e o Handbook of Standards, implementado em vários museus africanos a fim de compartilhar informações, entre outros motivos. Já em um Sistema Manual, “[…] registro […] utiliza caneta e papel ao invés de computadores”. São usadas “fichas de catalogação, fichas de indexação, e registros de acesso […]”.114 A estrutura de indexação conecta os diferentes conjuntos de informações sobre cada objeto. São, por exemplo, os catálogos de autor, material, exposições, etc. “O catálogo geral dos museus, contendo as fichas catalográficas de cada um dos itens da coleção, ordenadas, normalmente, pelo seu número de identificação […] deve […] estar associado a outros catálogos que possibilitem o rápido acesso às informações contidas nos outros campos […] construídos a partir da duplicação das fichas catalográficas ou de fichas contendo apenas parte dos seus dados, ordenadas sob outros critérios […]”.115 Apesar da automação de acervos ser amplamente aplicada no campo da Museologia, no Brasil, ainda é comum a utilização de Sistemas Manuais, portanto está sendo apresentado este procedimento, com a exemplificação através de alguns 113 “Enable accountability for any object, at any time; Enable the provision of up-to-date information about all objects in the care of the organisation – including loans in and out, temporarily deposited objects and other unaccessioned objects; Provide a reference to ownership of each object; Provide the current location of each object”. MCKENNA; PATSATZI, (Ed.). op. cit., p. 77. 114 “Manual system: a recording system which uses pen and paper rather than computers. Catalogue cards, index cards, and accession registers are examples of manual systems”. Ibidem. op. cit., p. 34 115 FERREZ, op. cit., p. 72
  44. 44. UNIRIO - CCH - DEPM ESCOLA DE MUSEOLOGIA GRADUAÇÃO EM MUSEOLOGIA 1.o. semestre 2007 DOCUMENTAÇÃO MUSEOLÓGICA: caminho para a identificação da “impressão digital” de objetos de coleção 43 Orientadora: Profa . Dra . Diana Farjalla Correia Lima -Aluna:Talita de Castro Miranda tipos de fichas usadas na Documentação que são também utilizadas nos sistemas museológicos, como o “ficheiro clássico”, 116 ou “fichas-documentos” que são exatamente as duplicações da ficha de catalogação mencionadas acima. Exemplo de Ficheiro Clássico/ ficha-documento ou Catálogo de Material No. Registro: Material: (indexador) Localização: Título: Autor: Técnica: E as “fichas Uniterm”, em que há “uma ficha criada para cada característica de linguagem de análise adoptada no sistema. Nestas fichas é registrado cada número de documento possuidor dessa característica”, 117 neste caso, faz-se necessário recorrer a outras fichas que também contenham os referidos números para identificar os objetos. Ficha Uniterm118 AUTOR 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 30 80 21 141 72 13 164 584 614 5 35 155 46 17 57 197 68 79 129 Os sistemas manuais, apesar de serem ainda utilizados, possuem grande desvantagem em comparação com os automatizados. A cada objeto adquirido/ 116 CHAUMIER, op. cit., p. 35 117 CHAUMIER, op. cit., p. 36 118 Exemplo adaptado de CHAUMIER, op. cit., p. 37

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