PEDAÇOS DE POUCOS POEMAS

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Terceira parte de três aglomerados de textos escritos em alguns anos.
Em poucas palavras e em poucos versos sigo lançando minhas inquietações, desejos, idéias e medos.

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PEDAÇOS DE POUCOS POEMAS

  1. 1. 2015 Pedaços de Poucos Poemas Entrelinhas, entre paredes Rafa Rodriguez
  2. 2. Em poucas palavras e em poucos versos sigo lançando minhas inquietações, desejos, idéias e medos.
  3. 3. Um dia o que irás querer é apenas um ombro Pra descansar a cabeça pesada, De pensamentos, desejos e arrependimentos. Pra chorar tristezas repetidas ou alegrias inéditas. Pra sentir apenas um apoio num momento de fraqueza. Um dia você vai sentir falta desses braços Para te aparar numa possível queda E se isso for inevitável, te levantar e te fazer seguir em frente. Um dia suas pernas irão se cansar, E você irá sentir falta das minhas Para agüentar seu peso e sua mazela. Um dia você vai ver que nem sempre o que se acha Na verdade é. E que um único gesto poderia ter sido feito Um simples gesto poderia ser perfeito. Mas você não vê.
  4. 4. Só te quis o bem Sempre procurei pra ti o melhor de mim; Fui o mais sincero e limpo possível. Nunca pensei em deixar-te. Mesmo sem ter muito, Era com esforço o que tinha pra dividir Era com gosto que te fazia sentir Que eu nunca desistiria. Mas como tudo tem seu fim. Estou nesse fim, Estou nessa mar Estou nessa cela. Só.
  5. 5. O homem se divide tantas vezes na vida, que ao final da mesma resta apenas uma pequena fração, que muitas vezes também é dividida com as lembranças dos pedaços importantes que se foram, e nunca mais voltam.
  6. 6. Quando o calor dos braços ausentes for sentido. E um arrepio sem sentido te tomar as costas, Sou eu te abraçando nos meus sonhos E me fazendo presente no seu intimo. Quando lágrimas involuntárias escorrerem do seu rosto E com elas vier um sorriso, Sou eu lembrando nossos dias alegres, E neles, quando te fazia sorrir com coisas sem graça. Quando uma dor e uma angústia repentinamente Tomarem-te de uma vez só, Sou eu em prantos, me contorcendo Para me conformar que você, nesta vida, Não vai mais voltar.
  7. 7. Você, que tanto tempo passou presente, No meu coração. Você, que tanto tempo foi residente, No meu coração. Você, que tanto tempo andou paralelo, A mim. Você, que tanto tempo jurou Ser sempre minha. Você, que há tanto tempo se foi, E eu, que esse tempo sempre isso temeu, Agora estou só.
  8. 8. Bonita. Misteriosa e firme. Sempre em posição, Seja de ataque, Seja de defesa. Será sempre ela, Será sempre bela. Sempre presente Na minha vida e na minha mente. De hoje a amanhã De ontem ao fim.
  9. 9. Eu tive um amor. Ele era pequeno e frágil. Claro e inocente. Nem sabia ele que eu já o tinha. Até eu não sabia. Eu tive um amor. Ele foi por etapas. Primeiro ao olhar sem se ver. Depois se ver sem precisar se olhar. Eu pensava e já estava lá. Eu tive um amor. Era lindo como o céu. Brilhante como o sol. Brincante como criança Eu já estava tomado. Eu tive um amor. Agora não tenho mais. Vivo um sonho impossível. Um tempo que não volta atrás. Eu já estou em pedaços. Eu estou sem meu amor.
  10. 10. Se você vier, venha pra ser. Se você quiser, queira pra ser. Se você tentar, tente pra ser. Se você subir, suba pra ser. Ser o melhor que puder. Sem se importar com o tempo Que pra isso vá levar.
  11. 11. Mãos vazias Orgulho ferido, Imagens frias, Sentimento partido. Estado de violência mental Marcas de uma vida cruel. Rastros de um acidente fatal. Gosto na boca de sangue e fel. Olhos abertos e vermelhos, Sentindo o sangue nas veias correr. Fixamente olhando no espelho, Seu corpo em chamas morrer. Mãos vazias e fétidas De tocar pessoas imundas. Nojo da água nojo da comida Ódio e indignação profunda.
  12. 12. Olha aí. Nada sou além de um escravo de um passado. De um passado que nunca será presente, Que muito menos será futuro. Olha aí. Tudo ao meu redor conspira a esse passado. Música, comida, cheiro, até a chuva. Penso, penso, penso e não vem nenhuma alternativa. Preciso de uma coisa que não existe mais neste tempo. Olha aí. Estou procurando o que seria meu tudo Num amontoado de nada empilhado. Num arquivo morto que não altera o agora se queimado. Onde fica meu botão de desligar?
  13. 13. Uma grande tristeza e uma imensa dor no peito do homem. Uma pequena alegria, um curto bom dia, um sem tamanho adeus. Sozinho e chorando de todo jeito, quanta falta dos beijos seus. Saudade persiste em ficar pra me atormentar.
  14. 14. -E aí? -Tudo certo! -Quanto tempo né? -É? Nem notei! -Nossa! Achei que... sei lá...tivesse sentido saudades... -Não! Não senti não! -Caramba! Eu então me enganei esse tempo todo! -É uma pena! Não senti nada não! -Tudo aquilo foi simplesmente esquecido? -Hum rum! -Melhor que não tivesse te encontrado. -Também acho! -Queria que tudo isso fosse um pesadelo e eu acordasse e tudo estivesse bem. -Mas não é! E acabou! Tchau! -Não! Espera! Olha pra mim! Preciso de você!!! -Não precisa não! Precisa é se levantar desse chão e parar de se rastejar por quem não te quer mais e viver essa vida de nariz erguido. -Eu não consigo! -Consegue sim! Eu é que não aguento mais tentar sair daqui e ficar impedido por esse seu sentimento estúpido. Eu sou a sua melhor parte! O seu orgulho seu idiota!Tô querendo deixar pra trás essa sua infelicidade. Se toca disso e sai da frente desse espelho senão vão achar que você está louco falando consigo mesmo!
  15. 15. O dia termina com o sol queimando o oeste A noite vem sorrateira trazendo o brilho da escuridão. O sono insiste em não chegar Os olhos teimam em não fechar. As lágrimas repetidamente caem sem parar. A noite termina com o sol surgindo ao leste. E o dia vem imponente com seu calor. O suor é a única roupa que me veste, Nesta manhã vazia, sozinho e sem amor. Saudade faminta, não deixa nada passar. Seja um cheiro de uma comida, Ou uma música que tocar. As noites em claro vendo o sol nascer. E sempre me deparo, com a falta de você. Tanto vazio... tanta tristeza, pouco pano pra aquecer, Essa dor fria e essa dureza que existe em meu ser.
  16. 16. Você aí! De tão longe no tempo. Olha um pouco pra frente e tenta me ver. Tô aqui! Acenando com a mão aqui do presente. Pensei daqui, que aí, eu fosse o seu futuro. Me enganei! Nunca fui sequer o seu presente. Quando você virou o meu. Que dirá futuro. Olha! Você aí tão longe no tempo. Não se preocupa! Escolhe outro caminho que não aquele tá bom! Você vai ser mais feliz! E eu acho que serei também. Ei você aí tão longe... Não se esquece de um dia... Ah! Deixa pra lá. Você nunca vai saber quem eu fui mesmo! Então é só! Bom futuro pra você amanhã. E um ótimo presente no seu aniversário de 19 anos.
  17. 17. Bem do alto dos meus trinta e poucos anos Eu só penso nos últimos trinta e poucos anos. Eu vejo que se passaram trinta e poucos anos. E em poucos anos eu fui da terra à lua. E de lá voltei direto para o sul mais ao sul. Aqui do alto dos meus trinta e poucos anos Começo a ver que se passaram trinta e poucos anos E eu ainda estou com trinta e poucos anos Olhando com os mesmos olhos que tinha ha trinta e poucos anos. Com a mesma cede e a mesma vontade de comer. Tantos trinta e poucos anos ainda virão(será?) E eu vou contar mais um pouco desses outros trinta e poucos anos. E hoje com meus trinta e poucos anos, Descubro que não sei nada sobre ter trinta e poucos anos. Simplesmente tenho.
  18. 18. Suor que cai nos olhos e queima. Lágrimas que correm o rosto e marcam. Grito que sai da garganta e ecoa. Dor que rasga os músculos e paralisa. Pés em carne. Boca em chão. Mãos inertes. Mente em total escuridão. Suor que marca o rosto Lágrimas que queimam os olhos. Dor que sai da garganta Grito dos músculos em pó.
  19. 19. Eu tive um amor. Ele era pequeno e frágil. Claro e inocente. Nem sabia ele que eu já o tinha. Até eu não sabia. Eu tive um amor. Ele foi por etapas. Primeiro ao olhar sem se ver. Depois se ver sem precisar se olhar. Eu pensava e já estava lá. Eu tive um amor. Era lindo como o céu. Brilhante como o sol. Brincante como criança Eu já estava tomado. Eu tive um amor. Agora não tenho mais. Vivo um sonho impossível. Um tempo que não volta atrás. Eu já estou em pedaços. Eu estou sem amor.
  20. 20. Você é real ou um bug do meu chat Cada dia mais chato? Você é real ou um lapso de insanidade A cada madrugada que entra? Você é real ou uma nota errada de uma música Que nunca consigo tocar? Você é real ou um encontro do meu dedo Com uma parede de borracha? Você é real ou uma internet 3G Funcionando a toda velocidade? Você é real ou uma testemunha de Jeová Chegando na sua casa depois das 7 da manhã? Você é real ou um carteiro com uma carta de amor Em plena era digital d’e-mails e whatsap? Você é real ou uma carga de cerveja Tombada na estrada sem ninguém pra saquear? Você é real ou dólar Com seus valores que sobem e descem todo dia? Você é real?
  21. 21. Uma sombra, nada mais que uma sombra De um passado que nunca existiu De um presente que não há De um futuro que não haverá. Um suspiro, nada mais que um suspiro De um sonho que não será real De uma realidade distorcida, De uma distorção enfraquecida De uma fraqueza solitária. De uma solidão resistente. De uma resistência plena, De uma plenitude suja. De uma sujeira necessária. Da necessidade de querer Transformar tudo isso em verdade. De ter você aqui, E você aparecer. E ser.
  22. 22. Ah! Seria bom que você me ouvisse, Seria tão bom! Ah! Seria bom se você gostasse um pouquinho assim de mim, Seria tão bom! Ah! Seria bom se você soubesse que eu te quero e te desejo. Seria tão bom! Ah! Seria bom se você deixasse minha voz te tocar, Seria tão bom! Mas você não vê, não nunca vê, nunca viu. Se viu fingiu, fingiu e fugiu. Me deixou a ver navio. Mas você verá, sei que verá, Quando no rádio, essa canção tocar Seu coração vai disparar E aí saberá que é minha voz Ali, nas ondas do rádio, Sutilmente a te (en)cantar. Ah! Seria tão bom ver você sorrir Seria tão bom! Ah! Seria tão bom ver você dormir, ao meu lado Seria tão bom! Ah! Seria tão bom se você fosse real Seria tão bom! Ah! Esse sonho sempre se repete!
  23. 23. Me chama quando estiver só E se o seu desejo for bem maior. Me chama quando estiver frio ou quente Vou entender que está carente. Me chama quando for chorar, Que eu te seguro, te faço gozar E jogo pra longe O que está a te torturar
  24. 24. Cheiro que rompe as paredes nasais, E se prende no mais fundo espaço da mente. Que me eleva a temperatura e me deixa quente. Sem se aproximar de mim deixa meus olhos dormentes. Forte, frágil, imponente De beleza ímpar, singular. Se fores sábio, e tentas decifrar, não tente, Pois corre grande risco de se apaixonar.
  25. 25. Sorriso hipnótico, que paralisa. Somado a uma voz de tonalidade Que eterniza. Faz ressonante o som que entra Nos ouvidos. Faz esquecer os que lembram, Faz lembrar os esquecidos. Sabe-se lá de onde vem o canto. Tal qual Iara no rio, Mas causa encanto, Tal qual leoa alfa no cio.
  26. 26. É fogo. Brasa brilhante e quente. Aquece e adormece meus olhos Em sua direção. Paralisa meu corpo e minha mente. Ativa o impulso, apaga a razão. Quero teu corpo nu e cheio de calor Tirar cada gota de seu gosto Numa noite selvagem de amor
  27. 27. Por que você esconde esse desejo efervescente Que está te consumindo, e te enchendo de tesão? Por que não sacia essa sede e se solta, Caindo como uma pluma em minhas mãos. Liberta essa fera e vem, Sem medo nenhum se entregar. Cai nos meus braços E mata essa ânsia louca De comigo californicar.
  28. 28. Fica sempre à sombra da dúvida. Se está ali apenas a olhar Ou se simplesmente quer algo dizer. Mesmo que sem palavras, Ou com cem palavras. Mistério que sempre irá pairar no meu ar. Mistério que talvez nunca eu havera de saber. Nem sei se é bom mais perto estar. Ou se estava melhor o antes de hoje ser. É difícil tentar achar. Muito mais ainda tentar ver. O que eu nem sei o que procurar, Ou o que eu procuro entender. Apenas ando. Apenas penso. Apenas observo o movimento dessa maré. De uma forma ou de outra, Deixa apenas um até... Breve.
  29. 29. Constante e instável, às vezes volúvel às vezes imutável. Muitas vezes muito mulher, noutras menina inocente. Causa frisson quando passa, Mas ainda sofre quando o assunto é amar. Não se encontra quando se perde, E quando se perde é pra valer. Não tem limites para a entrega E prefere pagar para ver. Mesmo que seja um preço muito alto. Arrepia-se fácil, ao sentir-se desejada. Sem saber deixam caídos queixos Toda vez que passa. Com seu andar desfilante na calçada. Não te decifro, pois não deixas Enigma guardado a 14 chaves Arredia e arisca ao aproximar-me Solícita e dengosa ao afastar-me. Nunca vou te entender, Mas esse seu segredo hei de florescer
  30. 30. Essa cor que remete ao calor, ao sol. Essa cor que faz pairar idéias... Desejos. Esse olhar que enfeitiça, atiça. Essa boca, carnuda, tesuda... Molhada. Seu sorriso encanta, me arranca suspiros. Essas curvas no seu corpo, perigos. O seu jeito de andar, de flutuar sobre o chão. Suave, insinuante, provocante. O seu nome é sua cor. Seu desatino, seu amor Seu mistério encantador Sua flor, Aberta, Ao sol.
  31. 31. Olha só você, apenas está aí, sozinha, sorriso amarelo. Olha só você, depois de tanto tempo, não sabe mais o que dizer. Tão linda, tão longe, tão lá. Só te olho, não tão de perto, não tão de longe Apenas no pensamento. Olha só você, nem me ver, nem me ter. Pode ser apenas um delírio, Mas eu sei que não vou mais te ver E isso é tão forte que não sei o que. Olha só você, aparecer assim sem avisar. Uma ilha, uma trilha, uma longa estrada Sempre foi minha amada Mas hoje é só motivo pra lembrar
  32. 32. Sempre que abro os olhos ao acordar, Procuro ao lado o que sei que não vou encontrar.
  33. 33. É só olhar mais fundo nos meus medos e verás. Verás as cores de um antigo sorriso colorido. Verás o brilho de um antigo olhar. Verás palavras de um antigo novo livro. Dizendo um dia sempre te amar. É só olhar com um pouco mais de zelo. E verás uma inocência antiga perdida Verás as lágrimas acumuladas, engolidas. Verás toda uma vida esquecida. Sem nem ao menos tentar recuperar. É só olhar para mim como antes. E verás que mesmo não sendo o mesmo Ainda mantive a mesma essência de outrora. Sou o homem antes feliz, e que hoje só chora.
  34. 34. Entre seus imundos lençóis Que tantos já passaram Tantos já gozaram Tantos de usaram Eu hoje te olho Agora morta, Sem volta, Sem choro Sem adeus. Só os olhos de quem um dia quis. E hoje apenas olha. Entre suas pernas Que tanto se abriram E por onde tantos passaram E nasceram E viveram Eu hoje vejo um túmulo Fundo, Sujo, A espera de um caixão Que será enterrado Junto com sua paz. E junto do meu amor.
  35. 35. Brilham no céu do meu teto Estrelas artificiais. Nem curvo, nem elíptico, nem reto Muito menos normais. Brilho refletido em lentes Dois belos olhos atrás. Corpo e alma dormentes Atiçados e querendo mais. Nevoa soturna e circulante Formam as nuvens desse céu De estrelas pouco tempo brilhantes Testemunhas de um amor carrossel. Corpos em linha imaginária Explorando sem cessar Nessa viagem interplanetária. Que infelizmente teve que acabar
  36. 36. Tenho medo de o medo me superar De me fazer encolher-se num canto e chorar De me fazer desistir de tentar De não me deixar escolher. Tenho medo de o medo vencer. E o desespero bater E toda minha coragem sumir E nada mais existir. E nada mais me lembrar. Tenho medo de o medo acabar. E toda dor ressurgir. E todo encanto voltar, E a resistência sumir. Tenho medo. Tenho medo. Tenho medo. Tenho medo.
  37. 37. Eu quero um vetor para sair dessa realidade Eu quero a verdade, de uma forma diferente. Quero ver gente com cores e dores flutuantes Quero ver os amantes sorrindo sem parar Quero sonhar acordado andando na rua Quero voar para a lua Quando me entorpecer Quero sair do meu ser E virar um cometa Até mesmo o capeta Vai fugir ao me ver Quero uma boa birita Uma linda periquita Para dar de comer Quero você Nua num espelho Com um batom vermelho E olhando pra mim Quero pensar no fim Dessa viagem curta Enquanto o mundo não surta Sou eu quem fica assim.
  38. 38. Corpo levemente entorpecido Olhos fixos num ponto só. Mãos geladas e tremulas, Palavras presas por um nó. Corpos levemente juntos. Olhos fixados no outro. Mãos quentes e selvagens. Palavras desconexas dessas loucas viagens. Bocas levemente se tocam. Olhos agora fechados. Mãos arrancando as roupas. Corpos totalmente suados.
  39. 39. Arrasto o peso do meu corpo inerte Em um esforço falho. Deserto-me do mundo em peste Na medida em que meu sangue no chão espalho. Arranco um pedaço do meu espírito Sujo, e de tantos males. E jogo aos abutres Ansiosos por carniça. Lamento o gosto do cigarro velho. Fumaça já não tão tóxica quanto meu pulmão. Escarro catarro preto como petróleo Logo em seguida cuspo sangue. E sujo toda a minha mão. Derrotado! Falido! Esperando apenas o fim! Mas uma mão suave Se aproxima do meu rosto em chagas E me pede pra levantar e andar. Eu ignoro, E continuo a escarrar.
  40. 40. Me conta um segredo Me faz teu divã. Perde de vez esse medo, Fica comigo até de manhã. Se solta das correntes Vem me querer Com as pernas dormentes Vem sentir prazer. Sorrindo e seduzindo Me infeste de paixão Com as mãos teu corpo esculpindo Te aliviando toda a tensão. Me hipnotiza Me explora Mentaliza. Mas não vá nunca embora.
  41. 41. Liberte-se dos medos. Afaste-se das dores. Vão-se os anéis e ficam os dedos Lute por seus amores. Abrigue-se em meus braços Aqueça seu agora frio coração. Que eu guio os seus passos. E te livro dessa escuridão. Voe livre nesta noite linda. Saboreie o néctar do prazer. Essa história não acabou ainda. Depende apenas de você. Corra! Corra! Não tema! Apenas corra! Corra das correntes! Corra das mentes doentes. Corra! E se não der mais. Não volte.
  42. 42. Me vem a impressão súbita de que Seu rosto não será mais visto por meus olhos. Sua voz não mais suavizará os ruídos nos meus ouvidos. Sua boca não mais adocicará o amargo da minha. Sua pele não irá mais arrepiar os pelos da minha. Seu gosto não mais habitará meu paladar. Em fim, que os astros trabalhem para um dia Isso reverter isso. E tudo volte ao normal.
  43. 43. Atravesso às noites, guiado pelas luzes. Luzes vermelhas dos postes. Luzes sem sentido, que formam formas Que ativam a desconfiança. Atravesso os sonhos guiado pelos sons. Sons quem vêm da rua. Sons que anestesiam meu pensar. Que alertam meu despertar. Atravesso os riscos com uma faca. Cravada numa mesa de madeira. Enterrada até a metade. Cheia de marcas e de riscos. Sonho com todas as travessias Iluminado por todas as luzes vermelhas. Ouvindo apenas o som do vento Que vem riscando a areia no asfalto Com seu arrasto.
  44. 44. Eu desejo que você não entre em confusão. Não faça uma mistura de sabores, Apenas por dois pequenos goles. A bebida é boa, mas não entorpece. Eu desejo que sua mente voe. E nesse vôo eu também vou. Mas em coordenadas diferentes. No entanto o aeroporto é o mesmo. Quando quiser, é só pousar. Eu desejo seu sorriso para outros olhos. Sua voz para outros ouvidos. Seu calor para outra pele. Seu sabor para outra boca. Seu amor para outro além. Eu desejo. Eu não vejo. Não almejo. Apenas vejo. Sutilmente chegar Sutilmente sair.
  45. 45. Se olhar no espelho e não ver o que realmente é. Olhar ao redor e ver apenas sombras. Não se achar em um metro quadrado. Não ver mais o chão onde pisa. Queria um chá de cogumelo, Talvez eu ficasse belo. Talvez eu ficasse amarelo. Talvez azul. Azul.
  46. 46. Como cessar as lágrimas? Como, em tão pouco tempo? Como fazer o tempo passar? Como tirar o peso dos olhos? Como fazer parar a abstinência? Tantas perguntas. Poucas respostas. Muitas palavras. Pouca certeza. Impressão errada. Lágrimas não tiram o peso da dor. Chorar não vai aliviar o peito. Não sei se chamo de ódio Ou se chamo de amor. O que sei é que não tem mais jeito. Tantas respostas. Poucas perguntas. Poucas palavras. Muita certeza Impressão errada. Um sonho repetido Um sono perdido. Uma voz ressonante. Uma linda e invisível amante. Como cessar a lágrimas?
  47. 47. Onde as sombras descansam? Onde os medos se encontram? Onde o oculto é descoberto? Onde os males abundam? Onde as dores são maiores? Onde o sofrimento amadurece? Onde todos os humanos vivem? Terra. Aterra. Enterra. Pó.
  48. 48. No que consiste a paixão? Qual a reação química que ela causa dentro de nós? É possível que haja uma reação diferente a cada dia? E por mais pessoas? E pela mesma pessoa todo dia? Eu me pergunto isso já faz um tempo. Porém não sei se quero a resposta Mas também não sei se quero ficar na dúvida. Eu preciso de uma centena de respostas Ou de uma centena de paixões. Sei-lá! O problema é o simples e complicado fato de que, Corro um grande risco de me apaixonar, Mas pela mesma pessoa em outros rostos.
  49. 49. O auge da sua maturidade não se atinge com idade. Não se atinge apenas vivendo muitas experiências. O auge da sua maturidade se desenvolve no seu modo de observar. Na sua capacidade de ler os lances que a vida de mostra. Não é preciso ser um ancião de uma tribo africana Pra fazer distinção de certas coisas. O auge da sua maturidade se desenvolve dentro de você. E somente à você cabe senti-la e torná-la plena.
  50. 50. Bela. Singela. Quente como fogo. Intensa como um vulcão ativo. Grita! Se agita! Esconde essa mulher numa cara de menina. Concentra medos e desejos. Concorre com o invisível. Não mede seus passos. Mas é intensamente sensível. Não sei se isso é fato. Ou o fim do filme que assisti. Misturou tudo num sonho chato. Onde alguém tinha que mentir.
  51. 51. Não se sabe de onde vem. Nem como vem. Apenas se sente. Sutilmente, bem devagar. Surge do nada como o próprio nada. E vai te tomando o ar. Olhos nos olhos? Não! Voz nos ouvidos? Não! Calor da pele? Não! Apenas chega como uma brisa da madrugada. Como o fim de uma longa estrada. Um cais a se atracar. Não sei se está longe do perto. Ou perto de mais pra não encontrar. Apenas está lá. Crescendo como uma flor. Seguindo o sol. Da aurora ao crepúsculo. Dia após dia. Sem saber quando vai chegar
  52. 52. Um gole de seu veneno E um grito do meu corpo. O escarro do seu ódio Escorre no meu rosto. Rastejo na lama da indiferença Com a pele em chagas Hoje não me valem as crenças Diante de tantas malévolas pragas. Agonizo o choro preso da dor. Convulsiva depressão incessante. Abalando todas as estruturas do falido amor Num banho de lágrimas causadas por este amor infante.
  53. 53. Olha bem pra mim. Não desvia. Me foca como se fosse me desenhar, Me pintar. Mexe com minhas forças e músculos, Nervos e sangue. Eriça meus pelos com sua voz, Faz-me pingar em ebulição. Deixa-me ser apenas um menino. Descobrindo as aventuras do ser, Seja também só uma menina, Desvendando os mistérios do prazer. Abaixa todas as cortinas que te escondem a pele. E agora deixa eu te levar. Onde não há veículo senão eu, A fazer você chegar. Limite-se agora a ser minha descoberta. E eu seu descobridor. E siga assim, e vice-versa. Sob a lua ou sob a chuva.
  54. 54. O que é estar só? Olhar para os lados não ver ninguém? Ou olhar para os lados e ter um monte de gente? E ainda assim estar só? Passei tanto tempo da minha vida Acostumado com estar só, que com o passar dos anos não estar assim é que é o incomum. Dizem que o homem não é uma ilha, Mas será que não é? Escolhas erradas nos fazem ser uma ilha. Momentos difíceis nos fazem ser uma ilha. Vazio que se torna ainda maior, quando num intervalo da vida, ocupamos aquele vazio, para mais tarde esvaziar novamente. O que é se sentir só? Estar cercado de pessoas inúteis e que não te trarão nenhuma companhia, ou cercado apenas dos seus pensamentos, que a essa altura já são o suficiente para lhe acompanhar? Cada dia que passa eu tenho a plena certeza que no máximo cinco pessoas irão ter alguma passagem in loco na minha vida. E eu mesmo acabarei expelindo um a um, por não saber conciliar o momento de preenchimento com a sensação de um novo vazio.
  55. 55. Qual será o passo a ser dado? Num momento se está tão calmo. Num outro não distante, totalmente alterado. Recorre-se a alternativas não convencionais. Expõe-se a duvidas existenciais. Criam-se medos e anseios. Desabam-se lágrimas aos montes. E depois secam para nunca mais. Espalho no mais acidentado terreno Toda a minha infelicidade acumulada. E tento assim, minimizá-la. Mas não adianta. No outro dia, ainda vou abrir os olhos. E tudo vai voltar a ser como está. Não serviram de nada as alternativas. Não serviu de nada a ressaca. Não serviu de nada o sorriso escancarado pela bebida. Não serviu de nada a minha máscara para mim mesmo. No outro dia, ainda vou abrir os olhos. E tudo ainda vai estar como está.
  56. 56. Quando a minha viagem acabar, Caso eu não consiga concluir nem lançar ao mundo Minhas palavras e modos de pensar. Quem será que vai ter coragem de fazê-lo? Quem as lançaria por mim? Quem colocaria uma capa dura em tudo isso E assinaria alguns dizeres? Sei-lá! Acho que nesta viagem... Ninguém! Queria ver quando eu descesse na estação da luz, Ou da escuridão... Não sei se haverá essa manifestação. Sei-lá! Acho que não!
  57. 57. Uma mariposa não sai de junto de mim Toda madrugada ela vem. Não sei o que significa, E de saber nem to afim. Pousa na minha cabeça Talvez queira me dizer algo Ou talvez pra que eu não me esqueça De deixar de ser amargo. Uma pequena mariposa cinza, Cinza como minha mente. Contra o vento voando ela desliza. Como minha alma vagando doente.
  58. 58. Salgado gosto escorre de dentro de você; Aquece meus nervos, desprende minhas pernas; Acelera meus instintos mais dezoito, Me prende com seu olhar e seu sorriso. Me prende com suas pernas. Arremessa-me contra as leis e os bons costumes. Me faz perder os direitos e deveres. E no meio de uma movimentada avenida. Me consome com seus grandes lábios, Me beijando, e me falando. O que poderia ser, e o que não seria nunca.
  59. 59. De qual profundeza você saiu? Qual o seu nome de demônio? Me conte por favor o motivo; Deixe clara a sua missão! Que magnetismo violento é esse? Que polariza um lado só? Me conte por favor o segredo; Tenha o mínimo de dó. Qual a origem dessa feitiçaria? Gitana, Africana, Baiana. Sei-lá... Norte-Americana, ou Ucraniana. Programado para ser propagado, Vou me auto-exorcizar.
  60. 60. Ficou no meu paladar, O gosto do seu gosto. E no meu olfato, O cheiro do seu cheiro. Na minha pele, As marcas de seu delírio. Nos meus olhos, A imagem do seu prazer. Ficou na minha audição, Os sons da sua metamorfose. E na minha intuição, A certeza que não era para sempre. Por serem inexatos, Infantes momentos perturbam. Por serem infantes, Inexatos momentos repetem-se.
  61. 61. Onde quer que você esteja, Mesmo que esteja longe, estando aí, Eu sinto seu cheiro, Sua temperatura quente, Sua voz reticente, Seu olhar caçador, Suas mãos de veludo. Sinto que quando fechar os olhos e dormir, Não vou te encontrar vagando pelos meus sonhos, Mas vou vagar nos seus, Onde quer que você esteja, Mesmo que estando aí, esteja bem longe.
  62. 62. Entro nos becos da distração. Sento na esquina do delírio. Caminho nas ruas do desbunde. Nado nas águas da solidão. Pergunto à primeira árvore que vejo, Se ela tem a resposta para minhas dúvidas. Depois da primeira palavra dela, Vejo que não falamos o mesmo idioma. Subo as escadarias da falsidade. Me penduro nos muros da mentira. Cavalgo sobre o pasto da maldade. Pedalo sobre a pista da ira. Pergunto à segunda árvore que vejo, Se ela pode me ajudar a voltar de onde parei. Depois da primeira palavra dela, Vi que sou eu quem não sei. Pulo nas areias escuras da dor. Corro na pista infinita do medo. Escalo o morro dos sonhos. Mergulho no poço sem fundo dos segredos. Pergunto agora às árvores de toda a minha alucinação, Onde fica o botão de reiniciar o mundo. Depois das primeiras palavras delas, Eu entendi tudo, e em fim acordei.
  63. 63. Somos partes incompletas de um complexo sistema de frações, dúvidas, medos e receios. Somos pedaços de estrelas caídas, espalhadas pelo globo, procurando seu pedaço exato para se completar. Somos rabiscos de um desenho mal acabado, esperando sempre a arte final para se completar. Somos restos de poeira em meio ao vento do norte que sempre procura um par de olhos para lá se alojar. Somos um bando de seres amantes da dor, da culpa e do amor, sempre a procura de alguém que o faça sentir tudo isso. E depois o ciclo recomeça.
  64. 64. Estes pequenos frascos de perfume comparados aos mais letais dos venenos, com seu conteúdo recente, absorvente como esponja, oscilante como o mar. Bem longe do meu olfato deve ficar. Com suas armadilhas infantes, ferindo os amantes, com seu falso pudor. Caiu no chão e quebrou o encanto e o efeito, do veneno que em mim depositou.
  65. 65. Eu apenas olho, Circulo o ambiente sem me mover. Observo atentamente seu corpo se mexer, Cada detalhe, cada gesto, cada som. Eu apenas olho, Calculo meus passos pra não assustar. Conduzo meus atos sem se fazer notar. Cada volta, cada nota, cada som. Eu apenas olho, Espero seu rosto se virar para o meu. Permito meu medo em fim dizer adeus. Cada palavra, cada cantada, cada canção.

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