SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 4
Baixar para ler offline
“Quem conta um conto, acrescenta um ponto”
Era uma vez, há muito anos atrás, num país muito distante, um povo que vivia
envolvido numa profunda tristeza.
Quem visse de fora provavelmente não compreenderia mas quem estava por
dentro sabia muito bem o motivo de não conseguirem viver, de não
conseguirem sorrir, de não conseguirem atingir aquela felicidade por que tanto
desesperançadamente ansiavam.
Portugal era um país simples, de uma beleza tremenda, repleto de mistérios e
lugares belos que ainda hoje podemos ver e visitar, mas mesmo assim, não
dava para as pessoas que lá habitavam se absterem da imensurável tristeza
que tão fortemente tomava conta deles!
As pessoas andavam cabisbaixas, com medo, preferindo refugiar-se dentro das
suas próprias casas. Mal olhavam umas para as outras quando se cruzavam,
seu ritmo era apressado, paravam por pouco tempo para se comunicarem e
falavam sempre baixo, assustados, olhando sempre á sua volta com medo
irrevogável de que alguém pudesse estar a ouvir, a observar…
Neste momento deverão estar a questionar-se do porquê; Pois bem, é que o
povo vivia numa ditadura militar desencadeada por um senhor muito rígido,
imprudente e exuberante chamado António Salazar.
António Salazar pretendia criar um país perfeito por isso criou um regime
chamado Estado Novo”, que assentava em 3 ideais, Deus, Pátria e Família…
Contudo esquecia-se que não é pela força e proibição que se conquista um
povo mas sim pela bondade, pela perseverança, pela demonstração de
preocupação com o seu bem-estar e claramente pelos atos “cometidos” em
prol disso. Foi o maior erro dele!
Apesar das várias obras públicas feitas por ele, este regime escondia um
grande segredo, nesse tempo não havia liberdade nenhuma, nem sequer de
falar e os direitos, os direitos eram muito limitados.
Devido à chegada da censura quase todas as formas de comunicação eram
controladas e muitas vezes proibidas, arte, teatro, cinema, rádio, televisão e
mesmo os livros e artigos de jornal eram severamente supervisionados, se
alguém ousasse falasse mal do governo era imediatamente preso e na pior das
hipóteses era morto, por isso as pessoas andavam sempre com medo, sempre
infelizes, e embora os povos de fora não entendessem o porquê a verdade é
que o povo português tinha grandes motivos para isso. Haviam sido
descaradamente roubados do maior bem que poderiam ter, a liberdade! E
pensavam eles? - “Liberdade?
- Mas é uma coisa tão banal, como pode ser um problema para vocês?”
Só quem estava por dentro, só quem sentia isso na própria pele, é que
compreendia a falta que algo que parece tão simples fazia.
Era uma época bastante difícil em que as pessoas mal tinham que comer, os
empregos mal davam para pagar as contas e muitas vezes corriam o risco de
perdê-los caso os espiões deste impiedoso e imponente ditador desconfiassem
que eles eram contra o governo deste.
Às vezes ponho-me a pensar e o que me vem á ideia é o seguinte:
- Salazar, Salazar nem sabes como tudo vai acabar! Coitadinho! Foi bem
merecido…
Mas continuando, o único espaço em que o povo podia falar era dentro das
próprias casas, com tudo trancado para que tivessem a certeza de que nenhum
membro do governo os estava a ouvir. E mesmo assim tinham de se pôr á
cautela. Nunca se sabe quem poderia estar á espreita.
Salazar abusou de tal maneira do seu poder como representante do país que
criou a PIDE, (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), que ainda veio
gerar mais medo, mais mortes e mais controvérsia para este “miserável” e
descontente país.
Podemos denotar através deste poema de José Cutileiro, o tamanho do medo
que o povo sentia:
“"É
É a medo que escrevo. A medo penso,
A medo sofro e empreendo e calo.
A medo peso os termos quando falo.
A medo me renego, me convenço.
A medo amo. A medo me pertenço.
A medo repouso no intervalo
De outros medos. A medo é que resvalo
O corpo escrutador, inquieto, tenso.
A medo durmo. A medo acordo. A medo
Invento. A medo passo, a medo fico.
A medo meço o pobre, meço o rico.
A medo guardo confissão, segredo,
Dúvida, fé. A medo. A medo tudo.
Que já me querem cego, surdo e mudo.
”
José Cutileiro, “Os medos” in Versos da mão esquerda, 1961
A PIDE existia para controlar e erradicar as manifestações de opinião e impedir
com que as forças que estavam contra o governo se organizassem
politicamente ou mesmo para impedir o povo de formar sindicatos pois não lhes
era atribuídos quaisquer direitos.
Que país triste e impotente este havia-se tornado!
Polícia por toda a parte, crianças sem poderem ler um livro, ouvir uma música
de que gostassem, ou um filme, ou simplesmente beber coca-cola. Sim, coca-
cola, parece estúpido não parece? Mas ainda hoje não se sabe porque esta era
proibida.
Rapazes e raparigas também não podiam conviver e eram repreendidos se o
fizessem, eram portanto colocados em colégios separados para não se
poderem ver. Até as brincadeiras no recreio eram separadas por grades.
As raparigas eram obrigadas a andar de saias e os rapazes, quando cresciam
eram obrigados a ir para a guerra e a matar gente que nem sequer lhes tinha
feito mal nenhum. Muitos enlouqueciam enquanto outros morriam ou chegavam
bem feridos.
Os povos de fora, das vezes que entravam no nosso país e tinham
oportunidade de conversar com os moradores achavam estranho quando estes
diziam que nem sequer podiam votar, ou escolher as pessoas que os
governavam.
- Mas que absurdo, diziam eles.
E ai percebiam o porquê da tamanha tristeza dos habitantes de Portugal e o
porquê de uma coisa que parecia tão banal como a liberdade era tão
importante na vida de cada um e claro, ficavam também tristes e solidários com
a causa destes.
Em 1960, Marcelo Caetano sucedeu a Salazar, mas nada mudou.
Durante 13 anos, tempo que durou a guerra colonial o povo português foi
obrigado a passar pelas mais variadas formas de tortura e sofrimento.
Finalmente revoltados com tanta opressão, tantos desgostos causados por
António Salazar, pelo seu sucessor e pelos seus representantes, o povo
decidiu unir-se e conquistar de volta o que era deles por direito.
No dia 25 de Abril de 1974, O MFA, (Movimento das Forças Armadas), foi
responsável pela revolução que terminou com o Estado Novo em Portugal.
Os militares estavam descontentes com a política seguida pelo regime na
guerra colonial e opunham-se completamente á forma como o país estava ser
governado, então decidiram unir forças e acabar de vez com os
condicionamentos instalados, que os impediam de viver.
Uniram-se então nos quarteis, organizaram-se e saíram á rua acabando assim
com a ditadura do “estado novo” e instaurando um regime democrático,
reconquistando assim a sua liberdade.
O povo não poderia estar mais contente, de repente as varandas todas
encheram-se de bandeiras e cravos vermelhos, e acompanharam os militares
numa cantoria e num só grito pelas ruas da cidade: - “Viva a Liberdade, viva a
liberdade!”.
Os prisioneiros foram soltos, os homens que tinha sido “expulsos” regressaram
a casa para as suas famílias e óbvio que o nosso “terrorista” acabou por se
render.
As pessoas falaram muito, falaram tudo aquilo que durante anos foram
obrigadas a calar, e tudo voltou ao normal. Felizmente a liberdade havia sido
restituída!
Hoje podemos votar, aliás é um direito mas também um dever. Todos os
cidadãos deveriam votar para escolher quem os vai governar, mas infelizmente
parece que se esqueceram de como viviam antes do 25 de Abril, quando não
tinham direito a nada, quando nem sequer podiam falar! É pena ver que há
tanta gente que não cumpre o seu dever e no fim é que reclama, como se
tivessem contribuído em alguma coisa para o futuro do país!
Mas o povo Português é assim.
- Será que se esqueceram daquilo por que passaram?
- Como é que é possível?
São perguntas e mais perguntas que me vêm à cabeça e não paro de me
questionar.
- Será que um dia vai mudar?
Talvez! Mas entretanto fica a pergunta no ar.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

A Horta Do Sr Lobo
A Horta Do Sr LoboA Horta Do Sr Lobo
A Horta Do Sr LoboLuzia Couto
 
O Rebanho Perdeu as Asas - Madalena Carapinha
O Rebanho Perdeu as Asas - Madalena CarapinhaO Rebanho Perdeu as Asas - Madalena Carapinha
O Rebanho Perdeu as Asas - Madalena CarapinhaBe Alvito
 
Power Point Sapo Apaixonado!
Power Point Sapo Apaixonado!Power Point Sapo Apaixonado!
Power Point Sapo Apaixonado!guest0bf490
 
O menino que não gostava de ler
O menino que não gostava de lerO menino que não gostava de ler
O menino que não gostava de lerjacquelineld
 
Caderno de problemas 1.º ano mundo da carochinha
Caderno de problemas 1.º ano mundo da carochinhaCaderno de problemas 1.º ano mundo da carochinha
Caderno de problemas 1.º ano mundo da carochinhaVera Sequeira
 
O tesouro 25 de abril
O tesouro   25 de abrilO tesouro   25 de abril
O tesouro 25 de abrilvera martins
 
Mais Lengalengas
Mais LengalengasMais Lengalengas
Mais LengalengasLuis Rolhas
 
Ficha de leitura O Diario de Anne Frank
Ficha de leitura  O Diario de Anne FrankFicha de leitura  O Diario de Anne Frank
Ficha de leitura O Diario de Anne FrankBeatrizMarques25
 
Matemática para a vida, alunos CEI - Amostra
Matemática para a vida, alunos CEI - AmostraMatemática para a vida, alunos CEI - Amostra
Matemática para a vida, alunos CEI - AmostraCelina Sousa
 
Diário de um banana
Diário de um bananaDiário de um banana
Diário de um bananamaribelfb
 
Ficha de leitura sobre o livro "O Diário de Anne Frank".
Ficha de leitura sobre o livro "O Diário de Anne Frank".Ficha de leitura sobre o livro "O Diário de Anne Frank".
Ficha de leitura sobre o livro "O Diário de Anne Frank".Gabriela Gomes
 
Eu posso... Cartazes comportamentos assertivos
Eu posso... Cartazes comportamentos assertivosEu posso... Cartazes comportamentos assertivos
Eu posso... Cartazes comportamentos assertivosCelina Sousa
 
Regras de sala de aula
Regras de sala de aulaRegras de sala de aula
Regras de sala de aulaSofia Almeida
 

Mais procurados (20)

A Horta Do Sr Lobo
A Horta Do Sr LoboA Horta Do Sr Lobo
A Horta Do Sr Lobo
 
O Rebanho Perdeu as Asas - Madalena Carapinha
O Rebanho Perdeu as Asas - Madalena CarapinhaO Rebanho Perdeu as Asas - Madalena Carapinha
O Rebanho Perdeu as Asas - Madalena Carapinha
 
Power Point Sapo Apaixonado!
Power Point Sapo Apaixonado!Power Point Sapo Apaixonado!
Power Point Sapo Apaixonado!
 
O menino que não gostava de ler
O menino que não gostava de lerO menino que não gostava de ler
O menino que não gostava de ler
 
Caderno de problemas 1.º ano mundo da carochinha
Caderno de problemas 1.º ano mundo da carochinhaCaderno de problemas 1.º ano mundo da carochinha
Caderno de problemas 1.º ano mundo da carochinha
 
O tesouro 25 de abril
O tesouro   25 de abrilO tesouro   25 de abril
O tesouro 25 de abril
 
A gota d'água
A gota d'águaA gota d'água
A gota d'água
 
Mais Lengalengas
Mais LengalengasMais Lengalengas
Mais Lengalengas
 
Ficha de leitura O Diario de Anne Frank
Ficha de leitura  O Diario de Anne FrankFicha de leitura  O Diario de Anne Frank
Ficha de leitura O Diario de Anne Frank
 
animais
animaisanimais
animais
 
O joão porcalhão
O joão porcalhãoO joão porcalhão
O joão porcalhão
 
"O Rapaz de bronze"
"O Rapaz de bronze""O Rapaz de bronze"
"O Rapaz de bronze"
 
Matemática para a vida, alunos CEI - Amostra
Matemática para a vida, alunos CEI - AmostraMatemática para a vida, alunos CEI - Amostra
Matemática para a vida, alunos CEI - Amostra
 
Diário de um banana
Diário de um bananaDiário de um banana
Diário de um banana
 
Ficha de leitura sobre o livro "O Diário de Anne Frank".
Ficha de leitura sobre o livro "O Diário de Anne Frank".Ficha de leitura sobre o livro "O Diário de Anne Frank".
Ficha de leitura sobre o livro "O Diário de Anne Frank".
 
O ponto
O pontoO ponto
O ponto
 
Animais que hibernam pp
Animais que hibernam ppAnimais que hibernam pp
Animais que hibernam pp
 
Eu posso... Cartazes comportamentos assertivos
Eu posso... Cartazes comportamentos assertivosEu posso... Cartazes comportamentos assertivos
Eu posso... Cartazes comportamentos assertivos
 
Regras de sala de aula
Regras de sala de aulaRegras de sala de aula
Regras de sala de aula
 
O comboio dos números
O comboio dos númerosO comboio dos números
O comboio dos números
 

Semelhante a Era uma vez 25 de abril!

2º ciclo , 25 Abril
2º ciclo ,  25 Abril2º ciclo ,  25 Abril
2º ciclo , 25 Abrilguest4550a6
 
As fundações em são paulo
As fundações em são pauloAs fundações em são paulo
As fundações em são pauloapfbr
 
O olhar sobre o outro
O olhar sobre o outroO olhar sobre o outro
O olhar sobre o outroisameucci
 
3º c - sociologia - liceu3c.blogspot.com
3º c - sociologia - liceu3c.blogspot.com3º c - sociologia - liceu3c.blogspot.com
3º c - sociologia - liceu3c.blogspot.comliceuterceiroc
 
As razões que levaram os portugueses ao 25
As razões que levaram os portugueses ao 25As razões que levaram os portugueses ao 25
As razões que levaram os portugueses ao 25Lola Fofa
 
O dever para com o refugiado na era da globalização
O dever para com o refugiado na era da globalizaçãoO dever para com o refugiado na era da globalização
O dever para com o refugiado na era da globalizaçãoCecília Tomás
 
Guião Felizmente há Luar!
Guião Felizmente há Luar!Guião Felizmente há Luar!
Guião Felizmente há Luar!Rui Oliveira
 
O IMAGINÁRIO NO PROCESSO DE RACIALIZAÇÃO, ESCRAVIDÃO/ABOLIÇÃO (1880 – 1900)
O IMAGINÁRIO NO PROCESSO DE RACIALIZAÇÃO, ESCRAVIDÃO/ABOLIÇÃO (1880 – 1900) O IMAGINÁRIO NO PROCESSO DE RACIALIZAÇÃO, ESCRAVIDÃO/ABOLIÇÃO (1880 – 1900)
O IMAGINÁRIO NO PROCESSO DE RACIALIZAÇÃO, ESCRAVIDÃO/ABOLIÇÃO (1880 – 1900) Emerson Mathias
 
história e música de protesto brasileira
história e música de protesto brasileirahistória e música de protesto brasileira
história e música de protesto brasileiraJailsonRD
 
Aula 5 [1-2022-filo] - O mundo sob outros olhos olhos outros
Aula 5 [1-2022-filo] - O mundo sob outros olhos olhos outrosAula 5 [1-2022-filo] - O mundo sob outros olhos olhos outros
Aula 5 [1-2022-filo] - O mundo sob outros olhos olhos outrosGerson Coppes
 
Literaturas africanas de expressão portuguesa
Literaturas africanas de expressão portuguesaLiteraturas africanas de expressão portuguesa
Literaturas africanas de expressão portuguesaAna Eunice
 
Uma longa caminhada para a liberdade - Mandela
Uma longa caminhada para a liberdade - MandelaUma longa caminhada para a liberdade - Mandela
Uma longa caminhada para a liberdade - MandelaLuci Bonini
 

Semelhante a Era uma vez 25 de abril! (20)

2º ciclo , 25 Abril
2º ciclo ,  25 Abril2º ciclo ,  25 Abril
2º ciclo , 25 Abril
 
As fundações em são paulo
As fundações em são pauloAs fundações em são paulo
As fundações em são paulo
 
O olhar sobre o outro
O olhar sobre o outroO olhar sobre o outro
O olhar sobre o outro
 
politica mocambique
politica mocambiquepolitica mocambique
politica mocambique
 
galeano.pdf
galeano.pdfgaleano.pdf
galeano.pdf
 
3º c - sociologia - liceu3c.blogspot.com
3º c - sociologia - liceu3c.blogspot.com3º c - sociologia - liceu3c.blogspot.com
3º c - sociologia - liceu3c.blogspot.com
 
Tudo muda1
Tudo muda1Tudo muda1
Tudo muda1
 
As razões que levaram os portugueses ao 25
As razões que levaram os portugueses ao 25As razões que levaram os portugueses ao 25
As razões que levaram os portugueses ao 25
 
Slide do seminário de filosofia
Slide do seminário de filosofiaSlide do seminário de filosofia
Slide do seminário de filosofia
 
O dever para com o refugiado na era da globalização
O dever para com o refugiado na era da globalizaçãoO dever para com o refugiado na era da globalização
O dever para com o refugiado na era da globalização
 
Guião Felizmente há Luar!
Guião Felizmente há Luar!Guião Felizmente há Luar!
Guião Felizmente há Luar!
 
Livro Holocausto Brasileiro
Livro Holocausto BrasileiroLivro Holocausto Brasileiro
Livro Holocausto Brasileiro
 
Diz Jornal - Edição 166
Diz Jornal - Edição 166Diz Jornal - Edição 166
Diz Jornal - Edição 166
 
O IMAGINÁRIO NO PROCESSO DE RACIALIZAÇÃO, ESCRAVIDÃO/ABOLIÇÃO (1880 – 1900)
O IMAGINÁRIO NO PROCESSO DE RACIALIZAÇÃO, ESCRAVIDÃO/ABOLIÇÃO (1880 – 1900) O IMAGINÁRIO NO PROCESSO DE RACIALIZAÇÃO, ESCRAVIDÃO/ABOLIÇÃO (1880 – 1900)
O IMAGINÁRIO NO PROCESSO DE RACIALIZAÇÃO, ESCRAVIDÃO/ABOLIÇÃO (1880 – 1900)
 
história e música de protesto brasileira
história e música de protesto brasileirahistória e música de protesto brasileira
história e música de protesto brasileira
 
Aula 5 [1-2022-filo] - O mundo sob outros olhos olhos outros
Aula 5 [1-2022-filo] - O mundo sob outros olhos olhos outrosAula 5 [1-2022-filo] - O mundo sob outros olhos olhos outros
Aula 5 [1-2022-filo] - O mundo sob outros olhos olhos outros
 
Literaturas africanas de expressão portuguesa
Literaturas africanas de expressão portuguesaLiteraturas africanas de expressão portuguesa
Literaturas africanas de expressão portuguesa
 
O grande ditador charles chaplin
O grande ditador charles chaplinO grande ditador charles chaplin
O grande ditador charles chaplin
 
Uma longa caminhada para a liberdade - Mandela
Uma longa caminhada para a liberdade - MandelaUma longa caminhada para a liberdade - Mandela
Uma longa caminhada para a liberdade - Mandela
 
Porque mudou
Porque mudouPorque mudou
Porque mudou
 

Mais de Susana Cardoso

Unidade 14 primeiros socorros powerpoint
Unidade 14 primeiros socorros powerpointUnidade 14 primeiros socorros powerpoint
Unidade 14 primeiros socorros powerpointSusana Cardoso
 
Avc – acidente vascular cerebral
Avc – acidente vascular cerebralAvc – acidente vascular cerebral
Avc – acidente vascular cerebralSusana Cardoso
 
Contraceção e métodos contracetivos
Contraceção e métodos contracetivosContraceção e métodos contracetivos
Contraceção e métodos contracetivosSusana Cardoso
 
"As confissoes de Caim"
 "As confissoes de Caim"  "As confissoes de Caim"
"As confissoes de Caim" Susana Cardoso
 
Trabalho em equipas multidisciplinares de saúde
Trabalho em equipas multidisciplinares de saúdeTrabalho em equipas multidisciplinares de saúde
Trabalho em equipas multidisciplinares de saúdeSusana Cardoso
 
Moral etica e bioetica
Moral etica e bioeticaMoral etica e bioetica
Moral etica e bioeticaSusana Cardoso
 
Elementos da comunicacão
Elementos da comunicacãoElementos da comunicacão
Elementos da comunicacãoSusana Cardoso
 
Guião filme mar adentro
Guião filme mar adentroGuião filme mar adentro
Guião filme mar adentroSusana Cardoso
 
Guião filme mar adentro2.doc
Guião filme mar adentro2.docGuião filme mar adentro2.doc
Guião filme mar adentro2.docSusana Cardoso
 
Love of my life ( poema )
Love of my life ( poema )Love of my life ( poema )
Love of my life ( poema )Susana Cardoso
 
Reflexão sobre o filme "rede social"
Reflexão sobre o filme "rede social"Reflexão sobre o filme "rede social"
Reflexão sobre o filme "rede social"Susana Cardoso
 
campanha , descontos num supermercado
campanha , descontos num supermercadocampanha , descontos num supermercado
campanha , descontos num supermercadoSusana Cardoso
 
Historia dos portáteis
Historia dos portáteisHistoria dos portáteis
Historia dos portáteisSusana Cardoso
 

Mais de Susana Cardoso (19)

Unidade 14 primeiros socorros powerpoint
Unidade 14 primeiros socorros powerpointUnidade 14 primeiros socorros powerpoint
Unidade 14 primeiros socorros powerpoint
 
Avc – acidente vascular cerebral
Avc – acidente vascular cerebralAvc – acidente vascular cerebral
Avc – acidente vascular cerebral
 
Contraceção e métodos contracetivos
Contraceção e métodos contracetivosContraceção e métodos contracetivos
Contraceção e métodos contracetivos
 
"As confissoes de Caim"
 "As confissoes de Caim"  "As confissoes de Caim"
"As confissoes de Caim"
 
O computador
O computadorO computador
O computador
 
Trabalho em equipas multidisciplinares de saúde
Trabalho em equipas multidisciplinares de saúdeTrabalho em equipas multidisciplinares de saúde
Trabalho em equipas multidisciplinares de saúde
 
Moral etica e bioetica
Moral etica e bioeticaMoral etica e bioetica
Moral etica e bioetica
 
Comunicação
ComunicaçãoComunicação
Comunicação
 
Comunicação
ComunicaçãoComunicação
Comunicação
 
Pena de Morte
Pena de MortePena de Morte
Pena de Morte
 
Elementos da comunicacão
Elementos da comunicacãoElementos da comunicacão
Elementos da comunicacão
 
"Na presença da lua"
"Na presença da lua""Na presença da lua"
"Na presença da lua"
 
Guião filme mar adentro
Guião filme mar adentroGuião filme mar adentro
Guião filme mar adentro
 
Guião filme mar adentro2.doc
Guião filme mar adentro2.docGuião filme mar adentro2.doc
Guião filme mar adentro2.doc
 
Love of my life ( poema )
Love of my life ( poema )Love of my life ( poema )
Love of my life ( poema )
 
Reflexão sobre o filme "rede social"
Reflexão sobre o filme "rede social"Reflexão sobre o filme "rede social"
Reflexão sobre o filme "rede social"
 
campanha , descontos num supermercado
campanha , descontos num supermercadocampanha , descontos num supermercado
campanha , descontos num supermercado
 
Descontos
DescontosDescontos
Descontos
 
Historia dos portáteis
Historia dos portáteisHistoria dos portáteis
Historia dos portáteis
 

Último

Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024GleyceMoreiraXWeslle
 
Gametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e femininoGametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e femininoCelianeOliveira8
 
A Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão Linguística
A Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão LinguísticaA Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão Linguística
A Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão LinguísticaFernanda Ledesma
 
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbv19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbyasminlarissa371
 
Slides Lição 3, Betel, Ordenança para congregar e prestar culto racional, 2Tr...
Slides Lição 3, Betel, Ordenança para congregar e prestar culto racional, 2Tr...Slides Lição 3, Betel, Ordenança para congregar e prestar culto racional, 2Tr...
Slides Lição 3, Betel, Ordenança para congregar e prestar culto racional, 2Tr...LuizHenriquedeAlmeid6
 
O Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdf
O Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdfO Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdf
O Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdfQueleLiberato
 
Slides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptx
Slides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptxSlides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptx
Slides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptxLuizHenriquedeAlmeid6
 
Revolução Industrial - Revolução Industrial .pptx
Revolução Industrial - Revolução Industrial .pptxRevolução Industrial - Revolução Industrial .pptx
Revolução Industrial - Revolução Industrial .pptxHlioMachado1
 
TIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdf
TIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdfTIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdf
TIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdfmarialuciadasilva17
 
VACINAR E DOAR, É SÓ COMEÇAR - - 1º BIMESTRE
VACINAR E DOAR, É SÓ COMEÇAR - - 1º BIMESTREVACINAR E DOAR, É SÓ COMEÇAR - - 1º BIMESTRE
VACINAR E DOAR, É SÓ COMEÇAR - - 1º BIMESTREIVONETETAVARESRAMOS
 
Baladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptx
Baladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptxBaladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptx
Baladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptxacaciocarmo1
 
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...nexocan937
 
Slides Lição 01, Central Gospel, Os Sinais do Fim dos Tempos 2Tr24.pptx
Slides Lição 01, Central Gospel, Os Sinais do Fim dos Tempos 2Tr24.pptxSlides Lição 01, Central Gospel, Os Sinais do Fim dos Tempos 2Tr24.pptx
Slides Lição 01, Central Gospel, Os Sinais do Fim dos Tempos 2Tr24.pptxLuizHenriquedeAlmeid6
 
Projeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETO
Projeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETOProjeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETO
Projeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETODouglasVasconcelosMa
 
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptxSlides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptxLuizHenriquedeAlmeid6
 
AVALIAÇÃO INTEGRADA 1ª SÉRIE - EM - 1º BIMESTRE ITINERÁRIO CIÊNCIAS DAS NATUREZA
AVALIAÇÃO INTEGRADA 1ª SÉRIE - EM - 1º BIMESTRE ITINERÁRIO CIÊNCIAS DAS NATUREZAAVALIAÇÃO INTEGRADA 1ª SÉRIE - EM - 1º BIMESTRE ITINERÁRIO CIÊNCIAS DAS NATUREZA
AVALIAÇÃO INTEGRADA 1ª SÉRIE - EM - 1º BIMESTRE ITINERÁRIO CIÊNCIAS DAS NATUREZAEdioFnaf
 
QUIZ – GEOGRAFIA - 8º ANO - PROVA MENSAL.pptx
QUIZ – GEOGRAFIA - 8º ANO - PROVA MENSAL.pptxQUIZ – GEOGRAFIA - 8º ANO - PROVA MENSAL.pptx
QUIZ – GEOGRAFIA - 8º ANO - PROVA MENSAL.pptxAntonioVieira539017
 
atividades diversas 1° ano alfabetização
atividades diversas 1° ano alfabetizaçãoatividades diversas 1° ano alfabetização
atividades diversas 1° ano alfabetizaçãodanielagracia9
 
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileirosMary Alvarenga
 

Último (20)

Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
Apresentação sobre o Combate a Dengue 2024
 
Gametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e femininoGametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
Gametogênese, formação dos gametas masculino e feminino
 
A Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão Linguística
A Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão LinguísticaA Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão Linguística
A Inteligência Artificial na Educação e a Inclusão Linguística
 
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbv19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
v19n2s3a25.pdfgcbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbb
 
Slides Lição 3, Betel, Ordenança para congregar e prestar culto racional, 2Tr...
Slides Lição 3, Betel, Ordenança para congregar e prestar culto racional, 2Tr...Slides Lição 3, Betel, Ordenança para congregar e prestar culto racional, 2Tr...
Slides Lição 3, Betel, Ordenança para congregar e prestar culto racional, 2Tr...
 
O Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdf
O Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdfO Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdf
O Espetaculo das Racas - Cienti - Lilia Moritz Schwarcz capítulo 2.pdf
 
Slides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptx
Slides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptxSlides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptx
Slides Lição 2, Central Gospel, A Volta Do Senhor Jesus , 1Tr24.pptx
 
Os Ratos - Dyonelio Machado FUVEST 2025
Os Ratos  -  Dyonelio Machado  FUVEST 2025Os Ratos  -  Dyonelio Machado  FUVEST 2025
Os Ratos - Dyonelio Machado FUVEST 2025
 
Revolução Industrial - Revolução Industrial .pptx
Revolução Industrial - Revolução Industrial .pptxRevolução Industrial - Revolução Industrial .pptx
Revolução Industrial - Revolução Industrial .pptx
 
TIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdf
TIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdfTIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdf
TIPOS DE DISCURSO - TUDO SALA DE AULA.pdf
 
VACINAR E DOAR, É SÓ COMEÇAR - - 1º BIMESTRE
VACINAR E DOAR, É SÓ COMEÇAR - - 1º BIMESTREVACINAR E DOAR, É SÓ COMEÇAR - - 1º BIMESTRE
VACINAR E DOAR, É SÓ COMEÇAR - - 1º BIMESTRE
 
Baladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptx
Baladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptxBaladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptx
Baladão sobre Variação Linguistica para o spaece.pptx
 
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
Minha Luta (Mein Kampf), A História do País que Lutou contra a União Soviétic...
 
Slides Lição 01, Central Gospel, Os Sinais do Fim dos Tempos 2Tr24.pptx
Slides Lição 01, Central Gospel, Os Sinais do Fim dos Tempos 2Tr24.pptxSlides Lição 01, Central Gospel, Os Sinais do Fim dos Tempos 2Tr24.pptx
Slides Lição 01, Central Gospel, Os Sinais do Fim dos Tempos 2Tr24.pptx
 
Projeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETO
Projeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETOProjeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETO
Projeto leitura HTPC abril - FORMAÇÃP SOBRE O PROJETO
 
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptxSlides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
Slides Lição 3, CPAD, O Céu - o Destino do Cristão, 2Tr24,.pptx
 
AVALIAÇÃO INTEGRADA 1ª SÉRIE - EM - 1º BIMESTRE ITINERÁRIO CIÊNCIAS DAS NATUREZA
AVALIAÇÃO INTEGRADA 1ª SÉRIE - EM - 1º BIMESTRE ITINERÁRIO CIÊNCIAS DAS NATUREZAAVALIAÇÃO INTEGRADA 1ª SÉRIE - EM - 1º BIMESTRE ITINERÁRIO CIÊNCIAS DAS NATUREZA
AVALIAÇÃO INTEGRADA 1ª SÉRIE - EM - 1º BIMESTRE ITINERÁRIO CIÊNCIAS DAS NATUREZA
 
QUIZ – GEOGRAFIA - 8º ANO - PROVA MENSAL.pptx
QUIZ – GEOGRAFIA - 8º ANO - PROVA MENSAL.pptxQUIZ – GEOGRAFIA - 8º ANO - PROVA MENSAL.pptx
QUIZ – GEOGRAFIA - 8º ANO - PROVA MENSAL.pptx
 
atividades diversas 1° ano alfabetização
atividades diversas 1° ano alfabetizaçãoatividades diversas 1° ano alfabetização
atividades diversas 1° ano alfabetização
 
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
19 de abril - Dia dos povos indigenas brasileiros
 

Era uma vez 25 de abril!

  • 1. “Quem conta um conto, acrescenta um ponto” Era uma vez, há muito anos atrás, num país muito distante, um povo que vivia envolvido numa profunda tristeza. Quem visse de fora provavelmente não compreenderia mas quem estava por dentro sabia muito bem o motivo de não conseguirem viver, de não conseguirem sorrir, de não conseguirem atingir aquela felicidade por que tanto desesperançadamente ansiavam. Portugal era um país simples, de uma beleza tremenda, repleto de mistérios e lugares belos que ainda hoje podemos ver e visitar, mas mesmo assim, não dava para as pessoas que lá habitavam se absterem da imensurável tristeza que tão fortemente tomava conta deles! As pessoas andavam cabisbaixas, com medo, preferindo refugiar-se dentro das suas próprias casas. Mal olhavam umas para as outras quando se cruzavam, seu ritmo era apressado, paravam por pouco tempo para se comunicarem e falavam sempre baixo, assustados, olhando sempre á sua volta com medo irrevogável de que alguém pudesse estar a ouvir, a observar… Neste momento deverão estar a questionar-se do porquê; Pois bem, é que o povo vivia numa ditadura militar desencadeada por um senhor muito rígido, imprudente e exuberante chamado António Salazar. António Salazar pretendia criar um país perfeito por isso criou um regime chamado Estado Novo”, que assentava em 3 ideais, Deus, Pátria e Família… Contudo esquecia-se que não é pela força e proibição que se conquista um povo mas sim pela bondade, pela perseverança, pela demonstração de preocupação com o seu bem-estar e claramente pelos atos “cometidos” em prol disso. Foi o maior erro dele! Apesar das várias obras públicas feitas por ele, este regime escondia um grande segredo, nesse tempo não havia liberdade nenhuma, nem sequer de falar e os direitos, os direitos eram muito limitados. Devido à chegada da censura quase todas as formas de comunicação eram controladas e muitas vezes proibidas, arte, teatro, cinema, rádio, televisão e mesmo os livros e artigos de jornal eram severamente supervisionados, se alguém ousasse falasse mal do governo era imediatamente preso e na pior das hipóteses era morto, por isso as pessoas andavam sempre com medo, sempre infelizes, e embora os povos de fora não entendessem o porquê a verdade é que o povo português tinha grandes motivos para isso. Haviam sido descaradamente roubados do maior bem que poderiam ter, a liberdade! E pensavam eles? - “Liberdade?
  • 2. - Mas é uma coisa tão banal, como pode ser um problema para vocês?” Só quem estava por dentro, só quem sentia isso na própria pele, é que compreendia a falta que algo que parece tão simples fazia. Era uma época bastante difícil em que as pessoas mal tinham que comer, os empregos mal davam para pagar as contas e muitas vezes corriam o risco de perdê-los caso os espiões deste impiedoso e imponente ditador desconfiassem que eles eram contra o governo deste. Às vezes ponho-me a pensar e o que me vem á ideia é o seguinte: - Salazar, Salazar nem sabes como tudo vai acabar! Coitadinho! Foi bem merecido… Mas continuando, o único espaço em que o povo podia falar era dentro das próprias casas, com tudo trancado para que tivessem a certeza de que nenhum membro do governo os estava a ouvir. E mesmo assim tinham de se pôr á cautela. Nunca se sabe quem poderia estar á espreita. Salazar abusou de tal maneira do seu poder como representante do país que criou a PIDE, (Polícia Internacional e de Defesa do Estado), que ainda veio gerar mais medo, mais mortes e mais controvérsia para este “miserável” e descontente país. Podemos denotar através deste poema de José Cutileiro, o tamanho do medo que o povo sentia: “"É É a medo que escrevo. A medo penso, A medo sofro e empreendo e calo. A medo peso os termos quando falo. A medo me renego, me convenço. A medo amo. A medo me pertenço. A medo repouso no intervalo De outros medos. A medo é que resvalo O corpo escrutador, inquieto, tenso. A medo durmo. A medo acordo. A medo Invento. A medo passo, a medo fico. A medo meço o pobre, meço o rico. A medo guardo confissão, segredo, Dúvida, fé. A medo. A medo tudo. Que já me querem cego, surdo e mudo. ” José Cutileiro, “Os medos” in Versos da mão esquerda, 1961
  • 3. A PIDE existia para controlar e erradicar as manifestações de opinião e impedir com que as forças que estavam contra o governo se organizassem politicamente ou mesmo para impedir o povo de formar sindicatos pois não lhes era atribuídos quaisquer direitos. Que país triste e impotente este havia-se tornado! Polícia por toda a parte, crianças sem poderem ler um livro, ouvir uma música de que gostassem, ou um filme, ou simplesmente beber coca-cola. Sim, coca- cola, parece estúpido não parece? Mas ainda hoje não se sabe porque esta era proibida. Rapazes e raparigas também não podiam conviver e eram repreendidos se o fizessem, eram portanto colocados em colégios separados para não se poderem ver. Até as brincadeiras no recreio eram separadas por grades. As raparigas eram obrigadas a andar de saias e os rapazes, quando cresciam eram obrigados a ir para a guerra e a matar gente que nem sequer lhes tinha feito mal nenhum. Muitos enlouqueciam enquanto outros morriam ou chegavam bem feridos. Os povos de fora, das vezes que entravam no nosso país e tinham oportunidade de conversar com os moradores achavam estranho quando estes diziam que nem sequer podiam votar, ou escolher as pessoas que os governavam. - Mas que absurdo, diziam eles. E ai percebiam o porquê da tamanha tristeza dos habitantes de Portugal e o porquê de uma coisa que parecia tão banal como a liberdade era tão importante na vida de cada um e claro, ficavam também tristes e solidários com a causa destes. Em 1960, Marcelo Caetano sucedeu a Salazar, mas nada mudou. Durante 13 anos, tempo que durou a guerra colonial o povo português foi obrigado a passar pelas mais variadas formas de tortura e sofrimento. Finalmente revoltados com tanta opressão, tantos desgostos causados por António Salazar, pelo seu sucessor e pelos seus representantes, o povo decidiu unir-se e conquistar de volta o que era deles por direito. No dia 25 de Abril de 1974, O MFA, (Movimento das Forças Armadas), foi responsável pela revolução que terminou com o Estado Novo em Portugal. Os militares estavam descontentes com a política seguida pelo regime na guerra colonial e opunham-se completamente á forma como o país estava ser governado, então decidiram unir forças e acabar de vez com os condicionamentos instalados, que os impediam de viver.
  • 4. Uniram-se então nos quarteis, organizaram-se e saíram á rua acabando assim com a ditadura do “estado novo” e instaurando um regime democrático, reconquistando assim a sua liberdade. O povo não poderia estar mais contente, de repente as varandas todas encheram-se de bandeiras e cravos vermelhos, e acompanharam os militares numa cantoria e num só grito pelas ruas da cidade: - “Viva a Liberdade, viva a liberdade!”. Os prisioneiros foram soltos, os homens que tinha sido “expulsos” regressaram a casa para as suas famílias e óbvio que o nosso “terrorista” acabou por se render. As pessoas falaram muito, falaram tudo aquilo que durante anos foram obrigadas a calar, e tudo voltou ao normal. Felizmente a liberdade havia sido restituída! Hoje podemos votar, aliás é um direito mas também um dever. Todos os cidadãos deveriam votar para escolher quem os vai governar, mas infelizmente parece que se esqueceram de como viviam antes do 25 de Abril, quando não tinham direito a nada, quando nem sequer podiam falar! É pena ver que há tanta gente que não cumpre o seu dever e no fim é que reclama, como se tivessem contribuído em alguma coisa para o futuro do país! Mas o povo Português é assim. - Será que se esqueceram daquilo por que passaram? - Como é que é possível? São perguntas e mais perguntas que me vêm à cabeça e não paro de me questionar. - Será que um dia vai mudar? Talvez! Mas entretanto fica a pergunta no ar.