Solidao e o mar_V8-baixa

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Solidao e o mar_V8-baixa

  1. 1. por Stéphanie Zarif Oberholzer solidão e o FUNDAÇÃO ARMANDO ALVARES PENTEADO FACULDADE DE ARTES PLÁSTICAS Curso de Design de Moda São Paulo, 2015
  2. 2. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Design de Moda da Fundação Armando Alvares Penteado, como requisito à obtenção do certificado de conclusão. Orientadoras: Prof.ª Monayna Pinheiro (Desenvolvimento de Coleção) e Prof.ª Maíra Zimmermann (Conceituação do Projeto em Moda). solidão e o por Stéphanie Zarif Oberholzer São Paulo, 2015
  3. 3. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Design de Moda da Fundação Armando Alvares Penteado, como requisito à obtenção do certificado de conclusão. Orientadoras: Prof.ª Monayna Pinheiro (Dessenvolvimento de Coleção) e Prof.ª Maíra Zimmermann (Conceituação do Projeto em Moda). Banca Examinadora do Trabalho de Conclusão de Curso, em sessão pública realizada em ___/___/2015 considerou o(a) candidato(a): ____________________________ Orientadora Fundação Armando Alvares Penteado _____________________________ Professor (a) Fundação Armando Alvares Penteado ____________________________ Professor (a) Fundação Armando Alvares Penteado por Stéphanie Zarif Oberholzer solidão e o São Paulo, 2015
  4. 4. “Como um pescador no seu barco, tranquilo e pleno de confiança em sua embarcação, no meio de um mar desmesurado que, sem limites e sem obstáculos, levanta e derruba montanhas cheias de espuma, mugindo e bramindo, o homem individual, no meio de um mundo de dores, permanece sereno e impassível porque se apoia confiadamente em si mesmo, ‘principium individuationis’.” (NIETZCHE apud CILENTO, 2008, online)
  5. 5. RESUMO Tendo como objetivo a criação de uma coleção de roupas femininas, este trabalho buscou compreender pessoas que preferem a solidão do oceano a terra. Por razões familiares e coletivas, foi possível entender sobre o que essas pessoas sentem quando estão em contato com o mar, onde a solidão é a companhia constante. O clássico “O Velho e o Mar” (1952), escrito pelo americano Ernest Hemingway, e o livro “Cem Dias Entre Céu e Mar” (1985), escrito pelo brasileiro Amir Klink, serviram como referências para entender essa convivência do homem com o mar. A atmosfera que engloba um veleiro e o artista brasileiro José Pancetti, serviram de apoio para ilustrar o tema central do estudo. A coleção navega entre a rigidez dos elementos que compõem um barco a vela (leme, quilha e o casco, por exemplo) e a leveza do vento em contato com as velas. Palavras-chave: veleiro, solidão, sobreposição, coleção, moda.
  6. 6. ABSTRACT Having as objective the creation of a women´s fashion collection, this work seeks to understand more about people who prefer the loneliness of the ocean rather than the earth´s. Due to family and collective reasons, it was possible to understand more about the feeling of these people, who are in constant contact with the sea, and loneliness is their company. The classic, “The Old Man and the Sea” (1952), written by the american Ernest Hemingway and the book “One Hundred Days Between Sky and Sea” (1985), written by the brazilian Amir Klink, were used as references to understand the coexistence of man at sea. Surroundings of a sailboat, as well as the brazilian artist José Pancetti, helped illustrate the main subject of this study. The collection navigates between the sailboat´s stiffness (rudder, keel and the hull, for exemple) and the lightness of the wind in touch with the sail. Keywords: sailboat, loneliness, overlay, collection, fashion.
  7. 7. •INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................13 1. SOLIDÃO E O MAR .........................................................................................................................................................................15 1.1 O mar .................................................................................................................................................................................................................................15 1.2 A solidão ........................................................................................................................................................................................................................16 1.3 As conexões entre a solidão e o mar ...................................................................................................................20 1.4 “O velho e o mar”...........................................................................................................................................................................................22 1.5 “Cem dias entre céu e mar”..........................................................................................................................................................27 2. A COLEÇÃO ..........................................................................................................................................................................................................31 2.1 Conceito de Criação ....................................................................................................................................................................................31 2.2 Justificativa de Contemporaneidade ..............................................................................................................................35 2.3 Mind map ..................................................................................................................................................................................................................37 2.4 Mood board ...........................................................................................................................................................................................................38 2.5 Extração de formas ............................................................................................................................................................................42 2.6 Cartela de cores ............................................................................................................................................................................................46 2.7 Harmonia de cores .....................................................................................................................................................................................47 2.8 Cartela de materiais e aviamentos ...................................................................................................................................48 2.9 Silhuetas ......................................................................................................................................................................................................................58 2.10 Croquis e desenhos planificados .......................................................................................................................................66 2.11 Mapa da coleção ..........................................................................................................................................................................................140 2.12 Modelos confeccionados ................................................................................................................................................................145 2.13 Documentação do processo de criação e produção .........................................................................158 2.14 Lookbook ................................................................................................................................................................................................................161 2.15 Fotografias conceituais ...................................................................................................................................................................175 •CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................................................................187 •REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................................................189 •ANEXO .....................................................................................................................................................................................................................................193 SUMÁRIO
  8. 8. 1312 A principal motivação ao montar uma coleção de roupas femininas baseada no tema “Solidão e o Mar” foi o encontro entre uma forte herança familiar e o interesse coletivo pelo mar. O meu avô materno sempre teve uma afinidade com o mar. Desde os 14 anos de idade, ele velejava e, após a sua aposentadoria, experimentou a vivência de permanecer mais tempo em contato com as águas. Normalmente ficava em seu barco atracado no Iate Clube do Guarujá e quando era necessário ia a São Paulo. Para muitas pessoas, a vida no mar representa solidão. Geralmente para quem mora em terra firme, pode ser difícil entender aqueles que optam por viver em alto mar. Para grande parte da sociedade o oceano significa estar só, mesmice, marasmo e até mesmo uma imersão no autoconhecimento, o que pode ser assustador. Já pessoas em terra firme estão em contato com outras, mesmo quando distantes fisicamente. No entanto, podemos afirmar que esse pensamento é dúbio, pois como disse um desconhecido “Solidão é estar entre mil pessoas e sentir-se só”. Logo, podemos concluir que um indivíduo pode estar em alto mar e não se sentir só, e uma em terra firme sentir-se, pois solidão é uma condição interior do ser humano. O livro “O Velho e o Mar” (1952), de Ernest Hemingway (1899 - 1961), mostra um novo sentido para solidão por meio do personagem Santiago, um homem que convive muito bem só, com seus sonhos e pensamentos. Podemos notar que o personagem sente prazer na solidão proporcionada por seu barco, seus anzóis e a riqueza do mar. Isso acontece pois ele não tem medo de estar em contato com si mesmo, seus medos, seus sonhos e sua coragem para superação. Santiago é um grande exemplo de quem sabe administrar a solidão e estar bem consigo mesmo, como disse Martha Medeiros: Estar com alguém só para não estar sozinho é solidão mal administrada. Muitas pessoas que vivem em formigueiros humanos como São Paulo se sentem muito mais solitárias do que Almir Klink em suas excursões glaciais. Solidão não se cura com o amor dos outros. Se cura com amor próprio. (MEDEIROS, 2008, p. 19) Além do livro “O Velho e o Mar”, o livro “Cem Dias Entre Céu e Mar” (1985), de Amir Klink (1955 - presente), empreendedor de expedições marítimas e escritor INTRODUÇÃO
  9. 9. 1514 brasileiro. Assim como Hemingway, Klink concorda que a vida é rica no oceano: “E, isolado, também não estava. Ao redor, tudo era sinal de vida. Gaivotas e aves marinhas de todo tipo, as ondas com quem discutia, pilotos e fiéis dourados aumentando dia a dia. […]. Tudo, menos solidão!” (KLINK, 1985, p.108). Logo, podemos notar que para esses homens o contato com a natureza é o encontro com o aconchego, com a paz e o verdadeiro eu. Outra pessoa que merece ser comentada nessa pesquisa é José Pancetti, nascido em 1902 em Campinas, interior de São Paulo e morto em 1958 no Rio de Janeiro. Foi um artista que descobriu sua paixão por pintar quadros quando se tornou marinheiro no Brasil. Teve muito contato com o mar e dele extraiu força para pintar, tinha orgulho de ser marinheiro, e seu amor pela marinha foi retribuído. Participou de um grupo de pintores dentro da “Companhia de Praticantes e Especialistas em Convés”, onde pintou cascos, camarotes e pontes de comando de navios. Seu trabalho foi tão marcante que a “Companhia de Praticantes Especialistas de Convés” definiu uma cor com seu nome: o “Verde Pancetti”. Sua obra é composta por paisagens, retratos, autorretratos, naturezas-mortas e marinhas. Inicialmente elaboradas de forma analítica, em pinceladas lisas e batidas e organizadas em planos geométricos, sem ondas e sem vento, tornam-se, com o tempo, mais limpas e, por fim, beiram a abstração, reduzidas à areia, à luz e ao mar. Sua obra “Praia do Leme” contribuiu para a paleta de cores da coleção a ser realizada. A solidão e o mar são complementares, afinal, para alguém estar realmente em contato com o mar precisa estar também em contato com si mesmo, precisa estar só. Assim, é possível trabalhar uma coleção bem estruturada com a leveza apenas nos detalhes. 1. SOLIDÃO E O MAR 1.1 O MAR Há pessoas que veem a imensidão do mar como algo negativo, sem fim ou um afogamento de vida recusando sempre o contato com o mesmo. Para estas pessoas, o oceano geralmente significa morte. Ao analisar o mar sob diferentes perspectivas podemos notar que para alguns ele traz um sentimento de tristeza. Como por exemplo, no livro de Jó 38:16 é feita a associação entre “a profundidade do oceano” e “o mundo dos mortos”. Já na cultura celta e germânica, o caminho para o reino dos mortos é conduzido pelo oceano. No romantismo (1808 - 1836) o oceano representa a força sinistra da natureza, assim como o significado se manteve por muitas épocas em vários países, como em poesias de Shakespeare (1564 - 1616) e textos de Eminescu (1850 - 1889). A criação do universo é um mistério até os dias de hoje. Dentre toda a natureza, o mar se destaca pela sua magia e desperta curiosiadade quanto à sua existência. É possível notar que há forte relação entre sua água e os sentimentos dos homens no trecho abaixo: O mar é símbolo da dinâmica da vida. Tudo sai do mar e tudo retorna a ele: lugar dos nascimentos, das transformações e dos renascimentos. Águas em movimento, o mar simboliza um estado transitório entre as possibilidades ainda informes as realidades configuradas, uma situação de ambivalência, que é a de incerteza, de dúvida, de indecisão, e que pode se concluir bem ou mal. Vem daí que o mar é ao mesmo tempo a imagem da vida e a imagem da morte. (CHEVALIER; GHEERBRANT, 2012, p. 592) Usando como base a citação dos dois autore francêses Jean Chevalier (1906 - 1993) e Alain Gheerbrant (1920 - 2013), podemos dizer que o mar tem tanta vida e movimento quanto à vida terrestre, nele existe um mundo de fecundidades. O oceano é um ecossistema repleto de nascimentos e mortes, no entanto pessoas distantes dessa
  10. 10. 1716 realidade não percebem e apenas veem desânimo e solidão. A partir disso podemos notar que grande parte da sociedade está afastada e fora de sintonia com o meio ambiente. Com o crescimento dos grandes centros urbanos o contato com a natureza e o mar se torna cada vez mais superficial, pessoas vão à praia apenas para lazer, sem se dar conta de toda a riqueza que as cercam, e com isso acabam interferindo e prejudicando o ecossistema que para alguns é tão importante. Indivíduos que escolhem viver próximos ao oceano, ou em alto mar, costumam passar mais tempo em contato com a natureza, suas belezas e riquezas. Ao mesmo tempo em que essas pessoas estão dispostas a viver a vulnerabilidade de chuva, frio, vento, tempestade e sol, há o prazer de desfrutar de bons momentos e belas paisagens. Elas geralmente tornam-se um pouco mais sensíveis à biodiversidade e aos acontecimentos diários, assim como nossos antecessores indígenas, que sabiam de forma respeitosa conviver com a natureza, utilizar seus recursos e sinais sem esgotá-los, preservando-a em sua essência. O respeito e compreensão do meio ambiente é maior por pessoas que estão em contato direto com o mesmo se comparado com as que vivem em grandes cidades, diariamente em escritórios, dentro de veículos ou metrôs. Essa diferença de cenário cotidiano entre quem vive em cidades e quem vive no oceano influencia a relação da percepção do tempo e do espaço. 1.2 A SOLIDÃO O mundo moderno oferece inúmeras formas de socialização e integração para o ser humano, principalmente nos centros urbanos. Os meios de comunicação nunca foram tão eficientes e práticos e, ainda assim, há muitos indivíduos que sofrem com a solidão, isolados em um “mundo próprio”. Estar só é diferente de sentir-se só. O sentimento de isolamento é algo profundo e muitas vezes perturbador, pode vir do interior do homem, não depende somente de fatores externos. É possível constatar isso quando nos sentimos sós, mesmo estando rodeados de muitas pessoas. A solidão é um dos ingredientes essenciais para a criatividade. O britânico Charles Darwin (1809 - 1882) fazia longas caminhadas pelo bosque e recusava convites para festas. O californiano Steve Wozniak (1950 - presente) inventou o primeiro computador Apple sentado sozinho em um cubículo na Hewlett Packard, onde então trabalhava. Para algumas pessoas o momento de solitude é o instante de entrar em contato com as próprias idéias sem interferências externas. A sociedade nos prepara para fazer muitas coisas ao mesmo tempo, o famoso multasking, mas é quando estamos sós que podemos refletir sobre o que fazemos, como o fazemos e quem realmente somos. São nos momentos solitários que encontramos grandes soluçõese ou fazemos grandes descobertas. Arquimedes (287a.C. - 212 a.C.) estava sozinho em sua banheira quando “Eureka!” descobriu a solução de um problema matemático. Logo, a solidão, muitas vezes significa se abrir ao pensamento próprio e original. (DÍEZ, 2015, online) O filósofo coreano Byung-Chul Han (1959 - presente), defende a necessidade de recuperar nossa capacidade contemplativa para compensar nossa hiperatividade destrutiva. Segundo ele, somente tolerando o tédio e o vácuo seremos capazes de desenvolver algo novo e de nos desintoxicarmos de um mundo cheio de estímulos e de sobrecarga informativa. Han preza as palavras do antigo político romano Catão (234a.C. - 149a.C.): “Esquecemos que ninguém está mais ativo do que quando não faz nada, nunca está menos sozinho do que quando está consigo mesmo”. (CATÃO apud DÍEZ, 2015, online) A solidão é a arte do encontro com o vazio existencial. Esse vazio tem duplo sentido. Um é o da existência, da busca de um significado metafísico, o outro é o da ausência, da perda de algo importante. A liberdade é uma descoberta solitária e por isso muitos tentam evitá-la. Embora o afastamento da sociedade gere angústia, ele nos coloca diante do nosso próprio “mundo interior”. A solidão também pode ser uma experiência de transcendência, que pode significar traçar um caminho ou percurso para o mais além do meu eu humano, é descobrir aquilo que era desconhecido (DICIONÁRIO INFORMAL, 2009, online). Em seu livro sobre a Escola da Ponte, de Portugal, o escritor brasileiro Rubem Alves (1933 - 2014) cita que os mestres zen não pretendiam ensinar coisa alguma na forma como entendemos na educação ocidental. O que desejavam era levar seus discípulos a “desaprender” o que
  11. 11. 1918 sabiam, a ficar livres de qualquer filosofia para assim permitir despertar a lucidez na solidão. (ALVES apud BUENO, 2015, online) O psiquiatra austríaco Viktor Frankl (1905 - 1997), criador da terapia do sentido existencial, desenvolveu esse método de tratamento nos porões do holocausto nazista em meio à dor, ao sofrimento, à solidão e à morte. O afastamento, assim como a doença, muitas vezes pode ser o caminho para crescimento e também amadurecido do ser humano. É preciso ter a coragem de aprender com ela e não apenas rejeitá-la. Desprezar o isolamento é o mesmo que ignorar nossos defeitos. É como se a doença deixassse de existir a partir do momento que não falarmos mais sobre ela. Há pessoas que fazem de tudo para evitar falar sobre a solidão, sobre a doença, mas no fundo é apenas uma tentativa de fugir da realidade (BUENO, 2015, online). Afinal, por mais que se interaja socialmente, não será possível evitar a certeza de ser só. (CAMON, 2002, online) O filósofo alemão Martin Heidegger (1889 - 1976) afirma em seu livro “Ser e Tempo” (1927) que estar só é a condição original de todo ser humano. Que cada um de nós é só no mundo. É como se o nascimento fosse uma espécie de lançamento da pessoa à sua própria sorte. Podemos nos conformar com isso ou não. Mas nos distinguimos uns dos outros pela maneira como lidamos com a solidão e com o sentimento de liberdade ou de abandono que dela decorre, dependendo do modo como interpretamos a origem de nossa existência. O homem se torna autêntico quando aceita o afastamento como o preço da sua própria liberdade. O ser autêntico é aquele que responde pela sua existência, o ator principal, o arquiteto de sua própria obra-prima, de sua vida. E se torna inautêntico quando interpreta a solidão como abandono, como uma espécie de desconsideração de Deus ou da vida em relação a ele. Com isso abre mão de sua própria existência, tornando-se um estranho para si mesmo, colocando-se a serviço dos outros e diluindo-se no impessoal. Permanece na vida sendo um coadjuvante em sua própria história. (HEIDEGGER apud DÍEZ, 2015, online) Como mencionado anteriormente, para Heidegger, estar só é a condição original de todo o ser humano, cada um de nós é só no mundo. Mas para seu discípulo, o filósofo francês Jean Paul Sartre (1905 - 1980), “O homem por si só não pode se conhecer em sua totalidade. Só através dos olhos de outras pessoas, pode reconhecer neles o que têm de igual. E cada um precisa desse reconhecimento” (SARTRE apud MORSKI, online). Assim temos que, se por um lado nossa condição original é estar só, por outro, necessitamos da presença de outros seres para nos conhecermos. Para a sociologia, o indivíduo em grupo difere do indivíduo isolado. Considera-se que não existe indivíduo isolado ou isolável, a não ser sob formas de patologias sociais. A formação da personalidade não é possível fora do contexto social. Viver é quase somente conviver. (DEMO apud MORSKI, online) Há isolamentos que são desejados pelo próprio indivíduo, em alguns momentos da vida, mas há aqueles em que o indivíduo é isolado socialmente como forma de punição por alguma falta praticada contra a família ou os colegas. O sentimento de solidão pode gerar uma série de transtornos psicológicos, sofrimento emocional, problemas orgânicos, prejudicando a qualidade de vida das pessoas, gerando a infelicidade. Lemos com frequência resultados de pesquisas como essa da BBC Brasil: “Pessoas solitárias têm saúde mais precária”. (UOL, 2007, online) O homem é um dos seres da natureza que não consegue sobreviver nos primeiros momentos da vida, sem os cuidados de outros, de acordo com a biologia. Tal dependência não é apenas de ordem prática, como alimento, abrigo, água, mas também de ordem afetiva: diálogo, amor, fé, companheirismo. Já está comprovado cientificamente que o isolamento humano total (a falta de contato ou de comunicação entre grupos ou indivíduos) por um longo período, produz o chamado Homo Ferus. Tal “animal” não teria adquirido, durante os primeiros anos de vida, fatos essenciais para sua interação na sociedade: personalidade e cultura. O ambiente social, o meio familiar, o convívio com certos grupos, a pertença de classe, tudo isso influi pesadamente na formação do indivíduo e da própria sociedade. (DEMO apud MORSKI, online) Apesar da tecnologia disponível no mercado ter a função de agilizar a comunicação, aproximar as pessoas, economizar tempo, percebemos que muitas ficam ainda mais isoladas em casas, apartamentos, conectadas com o mundo, mas sozinhas, entre quatro paredes, numa solidão “virtual”.
  12. 12. 2120 O psicoterapeuta brasileiro Flávio Gikovate cita que a solidão é boa, que ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são como ficar sozinho: ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo. (GIKOVATE apud DÍEZ, 2015, online) De forma ousada, Freud (1856 - 1939) afirma que as grandes decisões no domínio do pensamento e as descobertas que envolvem trabalho intelectual “só são possíveis ao indivíduo que trabalha em solidão” (FREUD apud TATIT; ROSA, 2013, online). Segundo estudos baseados nas teorias de Lacan (1901 - 1981), a solidão não é apenas o refúgio em um mundo individual e próprio, de indiferença, como as pessoas imaginam. (LACAN apud TATIT; ROSA, 2013, online) 1.3 AS CONEXÕES ENTRE A SOLIDÃO E O MAR Indivíduos que optam por viver boa parte de sua vida em alto mar geralmente sabem lidar melhor com a solidão, e a veem de forma positiva como uma maneira de se conhecer melhor. Cada pessoa vê o isolamento no mar com um olhar diferente que depende da sua vivencia emocional e experiência de vida. Para alguns a vivencia no mar é relacionada ao marasmo, para outras significa crescimento e novas descobertas, como já dizia o poeta espanhol Juan Ramón Jiménez. Solidão Aberto em mil feridas, cada instante, qual minha fronte, tuas ondas, como os meus pensamentos, vão e vêm, vão e vêm, beijando-se, afastando-se, num eterno conhecer-se, mar, e desconhecer-se. (JIMÉNEZ, 2015, online) Existem pessoas que se sentem aflitas e vazias quando estão à deriva no mar. Este sentimento geralmente vem do fato de estarem em um local que não se sabe ao certo quão fundo é, e o que exatamente vive nas profundezas do oceano, ou seja, é uma situação que foge do controle das pessoas. A imensidão do céu e do mar causam uma sensação de exílio e insignificância para alguns. Porém, os que escolhem essa vida, buscam e encontram um crescimento pessoal com seres e com um mundo antes desconhecido. Um sopro de vida Faça com que a solidão não me destrua Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim Me sentir como se estivesse plena de tudo. (LISPECTOR, 2015, online)
  13. 13. 2322 Um exemplo de que estar só em alto mar é uma das portas para o alto conhecimento é quando a luz do sol incide sobre o mar, tornando-o um espelho natural. Podemos analisar esse processo de reflexão que leva o indivíduo ao encontro consigo mesmo levando em consideração as leis da física e os fenômenos de reflexão da luz, apresentadas a princípio pelo matemático grego Euclides de Alexandria (330 a.C - 260 a.C.) e também por Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.). (BASSALO, 2015, online) Além disso, podemos observar o Mito de Narciso, da mitologia grega, que se apaixona pela sua própria imagem. Narciso só conseguiu olhar seu reflexo de forma superficial, se apaixonou pela aparência apenas e não por sua alma e própria companhia. Diferente dele, uma pessoa que está acostumada a ficar só sabe da importância de entrar em contato com a própria solidão de forma profunda e dessa forma consegue ver os reais significados desse reflexo, encarar seus próprios defeitos, encontrar a real liberdade, paz de espírito e harmonia, disponíveis apenas dentro de si. 1.4 “O VELHO E O MAR” O livro “O Velho e o Mar” de Hemingway teve uma profunda influência nesse trabalho, pois narra à luta solitária pela sobrevivência de um homem em alto-mar mostrando tanto as dificuldades quantos os prazeres e as alegrias enfrentadas no oceano. Depois de passar quase três meses sem fisgar um peixe, escarnecido pelos colegas de profissão, o velho Santiago é incentivado pelo jovem Manolin a pescar em alto-mar, sozinho, em seu pequeno barco. Ele quis provar aos outros e a si mesmo que ainda é um bom pescador. É em completa solidão que ele trava uma luta de três dias com um peixe imenso, um animal quase mitológico, que lembra um ancestral literário, a baleia Moby Dick. No decorrer da leitura, o leitor embarca no monólogo interior de Santiago, em suas dúvidas, sua angústia, sentindo os músculos retesados, as mãos cobertas de sangue, a boca salgada e com gosto de carne crua. Ao ler a obra, é possível notar que a vida se complementa de opostos. O velho vive numa constante sensação de conflitos internos: velho x criança, sofrimento x prazer, sonho x fracasso, matar ou morrer, “la mar” - feminino: mar generoso, “el mar” - masculino: mar cruel. Na sociedade em que vivemos o idoso é visto como “excluído” e necessitado de cuidados especiais. Ele não tem autonomia e sua sabedoria não é valorizada em nossa cultura. Apesar disso, o velho tem consciência de sua importância para a sociedade, que insiste em descartá-lo, criando no seu interior um grande vazio o que influência no seu isolamento. No livro, Santiago afirma que os idosos às vezes, sentem-se solitários, isso pode ser justificado na frase: “Pessoas da minha idade nunca deviam estar sozinhas”. (HEMINGWAY, 1952, p. 51) Enquanto alguns idosos se conformam com esta situação de exclusão, outros lutam contra essa realidade, pois neles ainda habitam suas crianças internas. Pessoas que nascem com ela, serão sempre seres com o espirito jovem tendo disposição para se arriscar por toda a vida, como Santiago. O nome “Santiago” significa se autoconhecer no sofrimento, e é isso mesmo que acontece na obra, Santiago quer mostrar suas forças, mas para isso precisa resgatar o lado “menino” que existe dentro dele, que não envelhece, e vai à busca do encontro consigo mesmo. O mar é o local apropriado para se interiorizar, pois representa a travessia da vida, é um lugar tranquilo que o leva a refletir e recordar as lembranças. O encontro do velho com a criança que mora dentro de si, é que lhe dá a capacidade de se aventurar, a coragem de persistir nos seus sonhos, proporcionando a disposição de se arriscar, de usar a criatividade na solução dos problemas, de ter esperança, espontaneidade, enfim, de ir à busca do que lhe dá prazer: “pescar”. Embora a criança lhe dê a motivação, e forças emocionais para lutar, prosseguir e não desanimar, ele precisa também das forças físicas de seu tempo de menino, porém a carcaça envelheceu, o seu corpo e seus braços não correspondem mais aos seus desejos. Ao longo do livro, Santiago se queixa da câimbra na mão esquerda e considera
  14. 14. 2524 esse sofrimento uma traição do corpo. Ele admite ser útil a força física do menino Manolin, como mostra a citação abaixo: Gostaria tanto de ter aqui o garoto - repetiu em voz alta. Mas o garoto não está aqui, pensou. Você só tem a você mesmo e agora o melhor que tem a fazer é chegar a aquela outra linha, no escuro ou não, cortá-la e depois ligar os dois rolos de reserva. (HEMINGWAY, 1952, p. 55) Santiago segue sua jornada e enfrenta momentos sofridos e prazerosos. Para ele, a felicidade só será alcançada se antes passar pelo sofriemento. A consciência de que tem um objetivo a ser atingido o faz levantar mesmo com dor e prosseguir rumo ao seu alvo. Ele encontra forças, pois entende que nasceu para ser um pescador e assim, mesmo sangrando, não desiste da batalha. Para ele essa luta significa encontrar a paz interior. Em meio à batalha com o “o peixe grande”, que representa seu sonho maior, ele consegue pescar os “peixes menores”, que o alimentam e lhe dão a sustentação para continuar. Superar os problemas mais simples serve de fortalecimento para os desafios maiores, são eles que constroem os degraus para se chegar ao objetivo, e conquistar a vitória. O sofrimento faz parte da vida, é um caminho inevitável, as lutas e batalhas físicas e emocionais são indispensáveis para o nosso crescimento. Ao mesmo tempo em que Santiago sentia angústia, ele tinha prazer em estar travando aquela disputa, pois sabia que tinha nascido para pescar. Se não existisse o conflito, não haveria o entusiasmo dá vitória, a felicidade da conquista dos desafios superados, portanto, é através do sofrimento que se origina o prazer. Neste duelo está presente o sonho e o fracasso, pois para que um possa vencer, o outro tem que perder. Vivemos numa sociedade competitiva, não basta ser bom, tem que ser o melhor. Para conquistar o sonho é preciso vencer o “peixe grande”, vencer os desafios, vencer a concorrência, que por sinal é muito grande. A sociedade se preocupa com o resultado final e não com a travessia, o nosso valor é a nossa capacidade, a nossa preparação. Na obra o velho diz: “Gostaria de poder alimentar o peixe, pensou. Ele é como se fosse meu irmão. Mas tenho de matá-lo e ganhar forças para fazê-lo” (HEMINGWAY, 1952, p. 62). O idoso sente dó do peixe, mas sabe que precisa ser melhor, ele tem que sobreviver, é matar ou morrer, estamos numa corrida contra o tempo. O peixe grande a ser enfrentado pode até mesmo ser uma pessoa que você gosta como aconteceu com o velho Santiago, querer pescá-lo não significa ser este um inimigo. O velho não menospreza o seu adversário, pelo contrário, considera que os peixes têm seu valor. Isso pode ser justificado através da frase: “O homem não vale lá muito comparado aos grandes pássaros e animais. Eu por mim gostaria muito mais de ser aquele peixe lá embaixo na escuridão do mar”. (HEMINGWAY, 1952, p. 70) Mesmo depois de ter pescado o peixe, não é permitido parar no tempo, pois quando achamos que está tudo bem, de repente aparece um tubarão para enfrentarmos. Tudo parece não ter fim, o velho, às vezes não dormia e não comia, a luta era constante, vence um obstáculo, logo surgem outros. A vitória não é permanente, o fracasso também faz parte da vida, tira-nos do comodismo, mostra que somos imperfeitos e que precisamos ser lapidados. Não devemos encarar o insucesso como uma derrota, e sim como uma lição que nos ensina a ser mais fortes e persistentes nos objetivos almejados. Temos que vencer os tubarões de cada dia, eles estão sempre prontos para nos atacar, a vitória (sangue) chama a atenção do inimigo (tubarão), e incomoda os adversários que virão com toda a fúria tentar minar o seu sucesso, tirarem proveito da situação (comer parte da carne), para isso você precisa estar preparado para não ficar no meio do caminho, apenas com os ossos secos e as cicatrizes na mão. Nesse caso, podemos associar o Velho com o Super-Homem (Übermensch) estudado por Nietzsche, que tem a determinação absoluta como característica, além da confiança em sua intuição, e solidão ativa, corajosa. (NIETZSCHE apud SCHILLING, 2002, online) A luta é individual, cada pessoa vem sozinha ao mundo, atravessa a vida como uma pessoa separada, e finalmente morre sozinha.
  15. 15. 2726 A solidão é um sentimento interno, é o momento em que sente que está só, até mesmo estando cercado de pessoas. Como não poderia ser diferente, o velho Santiago faz a travessia pelo mar da vida, sozinho, curtindo a solidão e a aventura no alto mar. A fase de passagem pelo mar o faz refletir e agradecer a Deus, porque mesmo atravessando por um período difícil, sua situação era melhor do que a de outras pessoas. “As aves têm uma vida mais dura que a nossa.” As muitas experiências ali vividas, serviram para a manifestação e o fortalecimento de suas próprias forças diante dos problemas e dificuldades, tornando sua base mais forte e sólida. (CAMPOS, 2008, online) Como a escritora Marli Savelli de Campos comenta sobre Santiago, a solidão do mar não trouxe consigo tristeza nem marasmo, pelo contrário, trouxeram superação e aprendizado. Foi à deriva que o eu-lírico manifestou a sua admiração pela riqueza marítima. Ele acredita que em alto-mar nunca estamos sozinhos, como podemos notar na frase “Voltou à procura do pássaro porque gostara da sua companhia. Mas o pássaro tinha desaparecido” (HEMINGWAY, 1952, p. 59). Ou ao longo da sentença: “O velho olhou para o norte e viu um bando de patos bravos delineando-se no céu sobre o mar. Depois desapareceu e tornou a aparecer ao longe. Na verdade, no mar alto, nunca se está completamente só”. (HEMINGWAY, 1952, p. 63) O título “O Velho e o Mar” remete-nos a ideia de que a vida está passando. O velho já passou por praticamente todas as fases da existência humana, e o mar representa essa travessia que proporcionou a ele grandes experiências vividas, às vezes o mar é bom, outras vezes é ruim, temos que aprender a conviver com o bem e com o mal. Ernest Hemingway, consegue transmitir uma lição de vida ao apresentar a luta desesperada de Santiago, que se resume ao “desejo de vencer”. Ensina-nos que em certos momentos é preciso ceder o controle da direção, deixar-se levar pela maré, sem resistência. Assim como a felicidade é passageira, o sofrimento não é eterno, sem dor não existe prazer, nos momentos de dificuldades precisamos enxergar os lindos peixes coloridos que nos rodeiam, pois são eles que iluminam e dão coloração para a vida, senão a história escrita por você ficará em “preto e branco”. (CAMPOS, 2008, online) A situação pode estar difícil, mas não devemos desanimar diante dos obstáculos, é preciso ter perseverança, pois o sofrimento não vem para nos derrotar e sim para nos tornar mais fortes. É preciso passar pela luta para se chegar à vitória, e entender que nem sempre podemos vencer, mas no fim sempre podemos tirar uma lição da batalha travada. 1.5 “CEM DIAS ENTRE CÉU E MAR” O livro “Cem Dias Entre Céu e Mar” é o relato de uma travessia incomum feita pelo velejador brasileiro Amir Klink: a viagem iniciou-se no dia 10 de Junho e terminou no dia 18 de Setembro de 1984. Durante esse período, Klink atravessou o Atlântico Sul, tendo como partida o porto de Lüderitz, na Namíbia, e, como chegada Salvador, na Bahia. Durante o tempo que ficou no mar, entre a África e o Brasil, Klink escreveu sobre seu dia-a-dia no minúsculo barco a remo - que percorreu cerca de 6500 quilômetros - os temores e sentimentos da vida em alto mar, os preparativos da viagem e os problemas que ocorreram durante a expedição. Um amigo de Amyr alertou o navegador de que tudo aquilo não valeria nada se não virasse um livro. Em uma recente entrevista, Klink comentou “Para mim, escrevê-lo foi algo tão ou mais interessante que a própria viagem e hoje ele é mais importante do que a travessia”. (CASARIN, 2014, online) No relato de sua viagem, que empreendeu sozinho, Klink escreveu muito sobre a sua relação com a natureza a sua volta e o respeito que tinha por ela. Peixes dourados que acompanharam o barco a remo por boa parte da viagem, a inesperada visita de
  16. 16. 2928 baleias e até de tubarões no meio da noite, assim como as gaivotas e as ondas foram as únicas companhias do viajante durante cem dias: E, assim, entre discussões e mal-entendidos com as ondas, passei a conviver suportavelmente com os seus humores. Senti que não deveriam ser xingadas quando me enfurecia, pois sempre respondiam à altura. (KLINK, 1985, p. 77) Outra questão recorrente no livro é a da solidão. Amyr Klink escreveu seus temores com relação ao mau tempo do mar e ao esgotamento de provisões de viagem, mas, curiosamente, a solidão não fazia parte desses temores: “E, isolado, também não estava. Ao redor, tudo era sinal de vida. Gaivotas e aves marinhas de todo tipo, as ondas com quem discutia, pilotos e fiéis dourados aumentando dia a dia […] Tudo, menos solidão!”. (KLINK, 1985, p. 108) Para passar por esse momento em alto mar, com a companhia apenas do céu, baleias, tubarões e do mar, Klink se preparou o máximo que pôde: estudou as possibilidades do mar e trajetos, a melhor forma de construir seu barco, cuidou da alimentação e de seu psicológico, afinal, 100 dias em alto mar, e sozinho, não é algo fácil de se concretizar, e ele sabia disso. Em vários trechos da obra comentou sobre o isolamento, mas sempre de forma positiva e como uma experiência que pode engrandecer o ser humano. Para lidar com o afastamento, e o permanente contato consigo mesmo, encontrou a amizade e a saudade como forma de completar, e de certa forma, preencher, sua solidão. Como mencionou no livro, após dois meses em alto mar, começou a repensar o sentido que aprendera sobre o exílio. Para o autor, após um longo tempo afastado e debruçado em sua própria solidão, passou a olhar esse sentimento como um estado interior do ser humano, e não a ausência e a distância de pessoas, como grande parte da sociedade entende. Passados dois meses de tantas histórias, comecei a pensar no sentido da solidão. Um estado interior que não depende da distância... nem do isolamento; um vazio que invade as pessoas... E que a simples companhia ou presença humana não pode preencher. Solidão foi a única coisa que eu não senti, depois que parti...nunca...em momento algum. Estava, sim, atacado de uma voraz saudade. De tudo e de todos, de coisas e de pessoas que há muito tempo não via. Mas a saudade às vezes faz bem ao coração. Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distâncias. Quem tem um amigo, mesmo que só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades, mas não estará só. (KLINK, 1985, p.108) Ao analisar o livro “Cem Dias Entre Céu e Mar”, podemos notar semelhanças entre as situações vivenciadas por Amyr Klink com as do personagem de Hemingway, Santiago, no livro “O Velho e o Mar”. Ambos passaram por um período isolado no oceano, onde apenas o mar era a companhia. Eles enfrentaram o exílio de maneira equilibrada como um passo para conquistas e o conhecimento de si próprio. Esse afastamento que os dois enfrentaram mostra que não há somente o isolamento como um sentimento negativo, associado ao sofrimento, existe também a solitude no qual o homem se descobre, e este não imputa medo ou desespero. Enquanto a solidão negativa traz uma sensação desagradável, o distanciamento com consciência e sabedoria faz parte na transformação e autoconhecimento do ser humano.
  17. 17. 3130 2 . A COLEÇÃO 2.1 CONCEITO DE CRIAÇÃO Por meio do olhar sensível e poético dos que amam o mar, surgiram ideias para que fosse realizada a elaboração de uma coleção de roupas femininas. O elemento principal de inspiração foi o barco a vela. O vento, a lua e o sol influenciam consideravelmente na superfície dos oceanos devido à fluidez, com grande liberdade de movimento da água. Esse fenômeno das marés e o vento que bate nas velas refletem no balanço do veleiro, o que o deixa sempre inquieto. Quando está na terra, o barco parece sem vida, é só mais um objeto. Porém, na água, mesmo estando solitário no meio de uma imensidão azul, ele ganha existência e mostra que tem diversas funções: ajuda na locomoção, contribui para o comércio local, é usado como objeto de fuga para os cansados, e de prazer para aqueles que apreciam velejar. A rigidez dos elementos que compõem um veleiro (leme, quilha e o casco, por exemplo) reflete em uma coleção bem estruturada. A leveza do vento em contato com as velas pode ser retratada em alguns tecidos. A exploração dessa dualidade resulta em uma coleção feminina, que visa abordar mulheres entre 25 a 40 anos. Algumas peças mostram os efeitos que o vento produz nas velas sobrepostas umas sobre as outras, que dependendo da direção, criam-se impressões diferentes. Essa proposta é representada na coleção, com as sobreposições de tecidos. Algumas justaposições apresentam movimento podendo ser percebido no caminhar de quem veste a roupa. Os tecidos utilizados na coleção foram: punho, compact cotton span, piquet, sarja, two way, linho, crepe, crepe georgette de seda, gazar de seda pura, tule e teares manuais (remetendo as redes de pesca). Para dar um ar rústico e desgastado as roupas, alguns tecidos foram cortados a fio deixando as peças levemente desfiadas. Também foram utilizados materiais como: cordões, aviamentos em ouro velho, além de botões e ornamentos de madeira. O ouro velho retrata o desgaste causado pela maresia no metal e a madeira simboliza o casco do valeiro.
  18. 18. 3332 A extração das silhuetas foi feita a partir de um exercício de colagem, realizado por meio do livro “Navegación a Vela” que apresenta imagens de diferentes tipos de velas presentes nos barcos (vela latina, vela bermuda, vela guayra, entre outras). Além das formas, bolsos, recortes, palas, detalhes e acabamentos também surgiram por meio deste estudo. Durante o desenvolvimento da coleção as cores foram escolhidas por memória afetiva juntamente com o estudo da variação de cores presentes no mar. As primeiras cores escolhidas foram o azul e o amarelo, pois estas pertenciam ao barco Áries, da família Zarif. A partir do azul e o amarelo, surgiram duas nuances de amarelo e três nuances de azul. Também foi incluso na cartela de cor o preto, pois ao ser vendido o barco logo foi pintado desta cor, significando o luto da família ao se desfazer do item. A tonalidade cinza aparece como uma cor desejo. Ela significa para a coleção uma passagem do luto, ou seja, da solidão total para uma aceitação de estar consigo mesmo. A cor visível do mar é azul pois essa é a tonalidade que as partículas de areia e os microrganismos mais comuns na sua superfície refletem quando são atingidos pela luz solar. Se houverem outras partículas, a cor refletida será diferente. Nas costas e nas proximidades das ilhas, porém, o tom costuma ser verde. Isso acontece por causa dos pigmentos amarelos presentes na matéria orgânica de algas e vegetais. Ao misturar azul com amarelo, surge o verde. No mar, aparecem várias nuances de azuis e verdes. Assim, além do azul também foi utilizado na cartela á cor verde. A obra “Praia do Leme” do artista José Pancetti também influenciou na escolha da cartela de cor, que apresenta tons de azul, amarelo e marrom. Os tons de marrom se destacam na obra e refletem a cor do casco de um barco a vela. O casco é rústico assim como a vida no mar. Imagem: Autor: José Pancetti, obra: Praia do Leme, 1955. Fonte: Site Pintores do Rio, online.
  19. 19. 3534 2.2 JUSTIFICATIVA DE CONTEMPORANEIDADE O ser humano nunca teve tanto acesso à informação e possibilidades para se interligar. Apesar da tecnologia disponível no mercado ter a função de facilitar a comunicação, aproximar as pessoas, economizar tempo, percebemos que muitas ficam ainda mais isoladas em casas, apartamentos, conectadas com o mundo, mas sozinhas, entre quatro paredes, numa solidão “virtual”. Esse distanciamento geralmente compromete a convivência social, pois o homem passa a ser mais individualista e tem dificuldade em saber lidar com o coletivo. Os novos hábitos da realidade online juntamente com uma rotina corrida, principalmente nas grandes cidades, faz com que o isolamento se torne cada vez mais presente no dia a dia das pessoas. No entanto, a falta de contato físico com o próximo, muitas vezes não é notada, mas ela existe. Atualmente, o exílio é mascarado pelas redes sociais e pelo convívio superficial dos indivíduos. Devido ao tamanho afastamento que as tecnologias provocam o ser humano não consegue nutrir-se o suficiente de “calor humano”, e essa carência muitas vezes compromete a saúde física e mental do mesmo. O real sentimento de ausência, que muitas vezes não é sentido facilmente pelas pessoas, é para muitos, um fator determinante para os estados de melancolia e de depressão. Apenas quando percebemos a solidão, é possível encará-la de forma positiva ou negativa. Somente quando se tem a consciência de que se isolar ocasionalmente pode ser algo proveitoso, é que entramos em contato com nós mesmos, nossas ideias e a nossa essência. Para alguns, essa situação gera medo, pânico, e para outros paz e maior consciência de si mesmos.
  20. 20. 3736 2.3 MINDMAP
  21. 21. 3938 2.4 MOODBOARD barco do vovô João Fotos: acervo pessoal
  22. 22. 4140 um dos passeios de barco com meu primo Fotos: acervo pessoal
  23. 23. 4342 2.5 EXTRAÇÃODEFORMAS
  24. 24. 4544
  25. 25. 4746 2.7 HARMONIA DECORES 2.6 CARTELADECORES
  26. 26. 4948 2.8CARTELADE MATERIAISEAVIAMENTOS SARJA Fornecedor: Tecidos Sta. Catarina Cor: Marrom avermelhado Composição: 97% algodão e 3% elastano Largura: 1,40 Preço: R$ 18,90 o metro SARJA Fornecedor: MITTUS Cor: Marrom Composição: 97% 3% elastano Largura: 1,40 Preço: R$ 38,00 o metro LINHO MISTO Fornecedor: MITTUS Cor: Cinza Composição: 65% poliéster 35% linho Largura: 1,40 Preço: R$ 68,00 o metro LINHO MISTO ENCERADO Fornecedor: MITTUS Cor: Azul marinho Composição: 100% poliéster Largura: 1,40 Preço: R$ 68,00 o metro LINHO RÚSTICO Fornecedor: MITTUS Cor: Azul bic Composição: 100% poliéster Largura: 1,40 Preço: R$ 49,00 o metro LINHO RÚSTICO Fornecedor: MITTUS Cor: Azul claro Composição: 100% poliéster Largura: 1,40 Preço: R$ 49,00 o metr
  27. 27. 5150 TWO WAY Fornecedor: MITTUS Cor: Amarelo escuro Composição: 100% poliéster Largura: 1,40 Preço: R$ 38,00 o metro CREPE Fornecedor: MITTUS Cor: Amarelo claro Composição: 100% poliéster Largura: 1,40 Preço: R$ 59,00 o metro PIQUET Fornecedor: MITTUS Cor: verde Composição: 65% poliéster 35% algodão Largura: 1,40 Preço: R$ 49,00 o metro COMPACT COTTON SPAN Fornecedor: FOCUS Cor: Preto Composição: 97% algodão 3% elastano Largura: 1,40 Preço: R$ 17,30 o metro GAZAR DE SEDA PURA Fornecedor: MITTUS Cor: Azul marinho Composição: 100% seda Largura: 1,40 Preço: R$ 68,00 o metro CREPE GEORGETTE DE SEDA Fornecedor: GJ Cor: Azul claro Composição: 100% seda Largura: 1,35 Preço: R$ 98,00 o metro
  28. 28. 5352 PUNHO Fornecedor: TRITEX Cor: Marrom Composição: 100% poliéster Largura: 80 centímetros Preço: R$ 56,10 o quilo TULE Fornecedor: Armarinho Aslan Cor: Preta Composição: 70% poliéster 30% elastano Largura: 1,40 Preço: R$ 65,0 o rolo com 50 metros FORRO DE ALPACA Fornecedor: Mauá tecidos Cor: Creme Composição: 75% algodão 25% poliéster Largura: 1,40 Preço: R$ 7,90 o metro FORRO DE ALPASEDA Fornecedor: Mauá tecidos Cor: Azul claro Composição: 100% acetato. Largura: 1,40 Preço: R$ 7,90 o metro
  29. 29. 5554 CZANETTI Ponteira em ouro velho Preço: R$ 0,60 a unidade SILVA SANTOS Cós de alfaiataria Preço: R$ 95,00 rolo com 20 metros Composição: 100% poliéster REI DO ARMARINHO Botão 12 mm Preço: R$ 8,64 a caixa com 144 unidades FABI AVIAMENTOS Cordão Preço: R$ 5,00 o rolo com 30 metros Composição: 100% algodão AVIAMENTOS ALTERO Argola em ouro velho Preço: R$ 2,00 a unidade MALULI ARMARINHOS Botão de pressão em ouro velho Preço: R$ 95,00 a caixa com 100 unidades MALULI ARMARINHOS Entretela de malha Preço: R$ 8,90 o metro Composição: 100% poliiéster MAGMA Entretela especial usada em calçados Preço: R$ 45,00 a placa
  30. 30. 5756 MALULI ARMARINHOS Entretela dupla face Preço: R$ 12,00 o metro Composição: 100% poliamida termoreativo MALULI ARMARINHOS Ilhós em ouro velho Preço: R$ 87,55 a caixa com 200 unidades TECIDOS STA. CATARINA Zíper invisível preço 20 cm: R$ 1,20 a unidade Preço 30 cm: R$ 1,30 a unidade Preço 35 cm: R$ 1,45 a unidade Preço 50 cm: R$ 2,20 a unidade Preço 60 cm: R$ 2,40 a unidade CRZANETTI Mosquetão em ouro velho Preço: R$ 3,85 a unidade CRZANETTI Mosquetão em ouro velho Preço 4 cm: R$ 1,05 a unidade Preço 6 cm: R$ 2,65 a unidade ALI EXPRESS Botão triangular 20 cm Preço: R$ 28,68 a caixa com 100 unidades
  31. 31. 5958 2.9 SILHUETAS
  32. 32. 6160 SILHUETAS
  33. 33. 6362
  34. 34. 6564
  35. 35. 6766 CROQUIS2.10 DESENHOS PLANIFICADOS
  36. 36. 6968
  37. 37. 7170 vários tipos de velas em um veleiro tear 3 botões zíper invisível tear zíper invisível
  38. 38. 7372 efeitos que o ventoproduz nas velassobrepostas umassobre as outras 1 botão zíper invisível embaixo dos recortes tear tear
  39. 39. 7574 leveza do vento em contato com as velas zíper invisível mosquetão ponteira ilhós mosquetão ponteira ilhós zíper invisível tecido duplo textura textura tecido duplo codão codão
  40. 40. 7776 zíper invisível zíper invisível revél revél
  41. 41. 7978 manga feitacom tear tear zíper invisível recorte tear zíper invisível recorte
  42. 42. 8180 cores dobarco Áries zíper invisível Ilhós zíper invisível Ilhós zíper invisível cordão cordão
  43. 43. 8382 zíper invisívelzíper invisível zíper invisívelzíper invisível revél revél nervuras nervuras
  44. 44. 8584 moulage: liberdade de movimento da água fechado na costura fechado na costura 5 botões forrados 5 botões forrados textura textura 2 botões forrados zíper invisível lateral saia cortada no viés zíper invisível lateral saia cortada no viés 2 botões forrados texturatextura
  45. 45. 8786 3 botões zíper invisívelzíper invisível
  46. 46. 8988 cores inspiradas na obra “Praia do Leme” zíper invisível abre de baixo para cima recorte cintura botão forrado zíper invisível argola Ilhós zíper invisível abre de baixo para cima ombro fechado na costura mosquetão ponteira rolotê de tecido mosquetão ponteira rolotê de tecido ombro codão cordão cordão tecido para prender argola
  47. 47. 9190 3 botões de pressão zíper invisível zíper invisível
  48. 48. 9392 metais desgastado pela maresia Ilhós zíper invisível zíper invisível argola cordão zíper invisível zíper invisível tecido para prender argola
  49. 49. 9594 acessórios naúticos/ corda de barco IlhósIlhós zíper invisível mosquetão rolotê de tecido ponteira rolotê de tecido mosquetão ponteiracordão cordão cordão cordão
  50. 50. 9796 sobreposição de tecidos 3 botões de presssão 3 botões de presssão zíper invisível
  51. 51. 9998 3 botões de pressão zíper invisível Ilhós Ilhós zíper invisível 3 botões de pressão cordão
  52. 52. 101100 cores do mar zíper invisível 2 botões de pressão
  53. 53. 103102 aviamentos em ouro velho Ilhós zíper invisível argola cordão tecido para prender argola
  54. 54. 105104 passagem da solidão total (preto) para uma aceitação de estar consigo mesmo (cinza) zíper invisível recorte top interno zíper invisível top interno nervuras nervuras
  55. 55. 107106 rede de pesca 1 botão de pressão zíper invisível revél revél
  56. 56. 109108 zíper invisível revél zíper invisível revél1 botão triangular
  57. 57. 111110 zíper invisível cordão cordão
  58. 58. 113112 zíper invisível zíper invisível zíper invisível zíper invisível
  59. 59. 115114 gola de madeira simboliza o casco do valeiro botão de pressão Ilhós gola com textura de madeira gola de gazar de seda cortada a fio abotoamento interno com botão de pressão pequena prega colete inteiro sem costura lateral recortes zíper invisível zíper invisível calça sem cós acabamento com revél de alfaiataria argola corte circular e franzido corte circular e franzido codão
  60. 60. 117116 mandeira com formato de vela zíper invisível zíper invisível mosquetão ponteira rolotê de tecido rolotê de tecido mosquetãoponteira cordão cordão cordão cordão nervuras nervuras
  61. 61. 119118 justaposições de tecidos 3 botões de pressão zíper invisível zíper invisível
  62. 62. 121120 revél zíper invisível revél 3 botões triangulares
  63. 63. 123122 triângulos se movimentam ao andar assim como o barco ao navegar zíper invisívelzíper invisível revél revél
  64. 64. 125124 2 botões de pressão zíper invisível 2 botões de pressão zíper invisível nervuras nervuras
  65. 65. 127126 saia barco zíper invisível
  66. 66. 129128 zíper invisível zíper invisível 3 botões de pressão3 botões de pressão
  67. 67. 131130 pigmentos amarelospresentes namatéria orgânica dealgas e vegetais zíper invisível zíper invisível Ilhós Ilhós nervuras nervuras cordão cordão
  68. 68. 133132 velas sobrepostas zíper invisível
  69. 69. 135134 2 botões costura no ombro costura no ombro2 botões el revél zíper invisível revél zíper invisível revél
  70. 70. 137136 tear tear zíper invisível
  71. 71. 139138 saia bem estruturada: rigidez do casco zíper invisível zíper invisível recorte abertura zíper invisível sem cóssem cós preso a mão com tecido mosquetão ilhós ponteira codão codão
  72. 72. 141140 2.11 MAPADACOLEÇÃO
  73. 73. 143142
  74. 74. 145144 2.12 MODELOS CONFECCIONADOS
  75. 75. 147146 FICHA TÉCNICA Referência: 0004 Tamanho: 38 Coleção: Solidão e o Mar Descrição: Vestido assimétrico todo forrado de alpaseda, com recortes e aplicações de texturas duplas cortadas a fio e encaixadas em todas a linhas de costura. Saia com tecido duplo, pala virada pra cima como um punho de camisa. Cordão preso com mosquetão nos ilhóses (frente e costas) do vestido. Tecidos 1 2 3 Aviamentos Forro de Alpaseda Mauá Tecidos zíper invisível 60 cm mosquetão ponteira ilhóstextura dupla tecido 3 tecido 1 tecido 2 entretela de malha entretela de malha tecido 1 tecido 2 Frente Costas MALULI ARMARINHOS Entretela de malha Preço: R$ 8,90 o metro Composição: 100% poliester TECIDOS STA. CATARINA Zíper invisível Preço 60 cm: R$ 2,40 a unidade FABI AVIAMENTOS Cordão Preço: R$ 5,00 o rolo com 30 metros Composição: 100% algodão GJCrepe georgette de seda cordão textura dupla tecido 3 Nome Cor Fornecedor Linho misto encerado Azul marinho Linho misto Azul claro MALULI ARMARINHOS Ilhós em ouro velho Preço: R$ 87,55 a caixa com 200 unidades CZANETTI Ponteira em ouro velho Preço: R$ 0,6 a unidade MITTUS MITTUS Azul claro Azul claro CRZANETTI Mosquetão em ouro velho Preço 6 cm: R$ 2,65 a unidade
  76. 76. 149148 FICHA TÉCNICA Referência: 0009 Tamanho: 38 Coleção: Solidão e o Mar Descrição: Vestido todo forrado de alpaca, com recorte no pequeno quadril, a saia do vestido é cortada no viés e a barra possui texturas duplas feitas em 2 cores cortadas inteiras e pressas a mão. Bolero de um ombro só com texturas duplas feitas em 2 cores cortadas inteiras e pressas a mão. Tecidos 1 2 Aviamentos Crepe Forro de Alpaca Mauá Tecidos fechado na costura 5 botões forrados 12 mm Frente Costas tecido 1 pence saia cortada no viés 2 botões forrados 12 mm zíper invisível lateral 60 cm tecido 1 entretela de malha Frente Costas REI DO ARMARINHO Botão 12 mm Preço: R$ 8,64 a caixa com 144 unidades MALULI ARMARINHOS Entretela de malha Preço: R$ 8,90 o metro Composição: 100% poliester TECIDOS STA. CATARINA Zíper invisível Preço 60 cm: R$ 2,40 a unidade Nome Cor Fornecedor Creme Gazar de seda pura Cinza e Azul marinho tecido 2 textura dupla tecido 2 tecido 2 textura dupla tecido 2 MITTUS MITTUS Amarelo claro pence
  77. 77. 151150 FICHA TÉCNICA Referência: 0011 Tamanho: 38 Coleção: Solidão e o Mar Descrição: Macacão frente única com recorte um pouco abaixo da cintura e duas palas presas nesse recorte, uma pala circula toda a cintura e a outra pala é costurada até a pence. Cordão que prende em volta do pescoço (tipo colar). A blusa é forrada de alpaca creme e a calça não é forrada. Cordão preso na argola da blusa de um ombro só e no ilhós da pala costurada até a pence. A blusa é forrada de alpaca marrom e sobreposta ao macacão. Punho tubular, onde foi realizado costuras na horizontal de 1 cm cada para criar textura, fechado duplo como um casulo e sobreposto a blusa. pence botão forrado 12 mm zíper invisível lateral 50 cm Ilhós tecido 3 tecido 1 tecido 3 tecido 1 tecido 2 tecido 2 tecido 1 tecido 1 mosquetão ponteira rolotê de tecido entretela de malha entretela de malha tecido 5 zíper invisível 35 cm abre de baixo para cima tecido 5 argola ombro fechado na costura tecido 4 tecido 4 Tecidos Forro de Alpaca 1 2 3 4 5 Aviamentos Nome Crepe Linho misto encerado Linho rústico Punho Sarja CRZANETTI Mosquetão em ouro velho Preço 4 cm: R$ 1,05 a unidade CZANETTI Ponteira em ouro velho Preço: R$ 0,6 a unidade MITTUS Tritex TECIDOS STA. CATARINA Zíper invisível Preço 30 cm: R$ 1,30 a unidade Preço 50 cm: R$ 2,20 a unidade ALTERO Argola em ouro velho Preço: R$ 2,00 a unidade REI DO ARMARINHO Botão 12 mm Preço: R$ 8,64 a caixa com 144 unidades FABI AVIAMENTOS Cordão Preço: R$ 5,00 o rolo com 30 metros Composição: 100% algodão MALULI ARMARINHOS Entretela de malha Preço: R$ 8,90 o metro Composição: 100% poliéster MALULI ARMARINHOS Ilhós em ouro velho Preço: R$ 87,55 a caixa com 200 unidades Frente Costas Frente Frente Costas Costas Mauá Tecidos tecido para prender argola cordão codão Amarelo claro Cor Fornecedor Azul marinho Azul claro Marrom Marrom Creme/ Marrom pence MITTUS MITTUS MITTUS
  78. 78. 153152 FICHA TÉCNICA Referência: 0024 Tamanho: 38 Coleção: Solidão e o Mar Descrição: Colete inteiro sem costura lateral com gola com textura de madeira e forrado de alpaca. Calça com recortes, sem cós, com acabamento em revél de alfaiataria e barra cortada circular e franzida. A calça não é forrada. Cordão preso no ilhós, circula o colete e é preso na argola da parte inferior da gola. Tecidos 1 2 3 4 5 Aviamentos Linho misto encerado Forro de Alpaca Mauá Tecidos corte circular e franzido recortes tecido 1 tecido 1 tecido 1 tecido 2 tecido 2 zíper invisível 20cm Ilhós textura de madeira pequena prega argola tecido 3tecido 5 tecido 4 (cortado a fio) entretela de malhaentretela dupla face abotoamento interno com botão de pressão 14 mm botão de pressão 14 mm MALULI ARMARINHOS Entretela de malha Preço: R$ 8,90 o metro Composição: 100% poliester MALULI ARMARINHOS Entretela dupla face Preço: R$ 12,00 o metro Composição: 100% copoliamida termoreativo FABI AVIAMENTOS Cordão Preço: R$ 5,00 o rolo com 30 metros Composição: 100% algodão TECIDOS STA. CATARINA Zíper invisível Preço 20 cm: R$ 1,20 a unidade Frente Costas CostasFrente SILVA SANTOS Cós de alfaiataria Preço: R$ 95,00 rolo com 20 metros Composição: 100% poliéster codão MALULI ARMARINHOS Botão de pressão em ouro velho Preço: R$ 95,00 a caixa com 100 unidades Linho misto Gazar de seda pura Tecidos Sta. Catarina tecido 2 tecido 1 tecido 2 tecido 3 pence Nome Cor Fornecedor Azul marinho Sarja Marrom avermelhada Cinza Cinza Linho misto Azul claro Cinza MALULI ARMARINHOS Ilhós em ouro velho Preço: R$ 87,55 a caixa com 200 unidades ALTERO Argola em ouro velho Preço: R$ 2,00 a unidade MITTUS MITTUS MITTUS MITTUS
  79. 79. 155154 FICHA TÉCNICA Referência: 0033 Tamanho: 38 Coleção: Solidão e o Mar Descrição: Vestido todo forrado de alpaca com gola alta, palas 3D embutidas no recorte. A pala principal perto do quadril é solta e presa a mão sobreposta as outras partes do vestido em 3D. Sobreposição de avental bicolor com uma manga. O avental não é forrado. Tecidos 1 2 3 Aviamentos Crepe tecido 2 tecido 2 tecido 2 tecido 2 tecido 3 tecido 3 entretela de malha pence tecido 1 zíper invisível 60 cm tecido 1 entretela de malha entretela dupla face entretela dupla face Forro de Alpaca Mauá Tecidos MALULI ARMARINHOS Entretela de malha Preço: R$ 8,90 o metro Composição: 100% poliester TECIDOS STA. CATARINA Zíper invisível Preço 60 cm: R$ 2,40 a unidade MALULI ARMARINHOS Entretela dupla face Preço: R$ 12,00 o metro Composição: 100% poliamida termoreativo Frente Costas Frente Costas Sarja Tecidos Sta. Catarina Linho misto Nome Cor Fornecedor Cinza Cinza Marrom avermelhada pence tecido 1 tecido 1 pence MITTUS MITTUS Amarelo claro
  80. 80. 157156 FICHA TÉCNICA Referência: 0036 Tamanho: 38 Coleção: Solidão e o Mar Descrição: Macaquinho frente única com um cordão que prende em volta do pescoço (tipo colar) todo forrado de alpaca marrom. Saia tridimensional (os bolsos e a parte mais longa da saia saem do corpo), sem cós com abertura nas costas, recortes nas laterais com 1 bolso embutido em cada um. A parte mais longa é dupla e a mais curta é forrada de alpaca creme. Tecidos 1 2 Aviamentos CZANETTI Ponteira em ouro velho Preço: R$ 0,6 a unidade pence recorte abertura zíper invisível 30 cm junção das 2 saias parte interna entretela especial usada em calçados tecido 1 tecido 1 tecido 2 tecido 2 preso a mão com tecido zíper invisível 50cm pence mosquetão ilhós ponteira entretela de malha entretela de malha entretela de malha MAGMA Entretela especial usada em calçados Preço: R$ 45,00 a placa Frente Costas CostasFrente Sarja Sarja TECIDOS STA. CATARINA Zíper invisível Preço 30 cm: R$ 1,30 a unidade Preço 50 cm: R$ 2,20 a unidade MALULI ARMARINHOS Entretela de malha Preço: R$ 8,90 o metro Composição: 100% poliester FABI AVIAMENTOS Cordão Preço: R$ 5,00 o rolo com 30 metros Composição: 100% algodão Forro de Alpaca Mauá Tecidos cordão Tecidos Sta. Catarina Nome Cor Fornecedor Marrom avermelhado Marrom tecido 1 Creme/ Marrom MALULI ARMARINHOS Ilhós em ouro velho Preço: R$ 87,55 a caixa com 200 unidades MITTUS CRZANETTI Mosquetão em ouro velho Preço: R$ 3,85 a unidade
  81. 81. 159158 2.13 DOCUMENTACÃODOPROCESSO DECRIAÇÃOEPRODUÇÃO tecidos escolhidos making of do catálogo na represa moulage intuitiva oficina de madeira
  82. 82. 161160 Foto, edição e tratamento de imagem: Luca Pucci Cabelo: Márcio Akiyoshi Maquiagem: Stéphanie Zarif Modelo: Marina Goldfarb LOOKBOOK 2.14
  83. 83. 163162
  84. 84. 165164
  85. 85. 167166
  86. 86. 169168
  87. 87. 171170
  88. 88. 173172
  89. 89. 175174 Foto, edição e tratamento de imagem: Luca Pucci Cabelo: Márcio Akiyoshi Maquiagem: Stéphanie Zarif Modelo: Marina Goldfarb FOTO2.15 GRAFIASCONCEITUAIS
  90. 90. 187186 CONSIDERACÕESFINAIS Desde que eu comecei a cursar o sétimo semestre e a desenvolver o meu TCC, compreendi que precisava optar por um tema prazeroso e que eu me identificasse, pois seria trabalhado ao longo de um ano e lembrado por um longo tempo. Apesar de inúmeros temas surgirem, o resultado final da obra não poderia ter sido mais gratificante, pois para dar vida a uma coleção, eu me inspirei na maior paixão do meu avô materno, João Zarif: o barco a vela. Enquanto a parte de estilo foi tomando forma no sétimo semestre, a parte teórica não teve grandes avanços. O primeiro obstáculo foi recortar e focar no assunto a ser pesquisado. No início, havia dificuldade em tornar a pesquisa mais científica e menos pessoal, afinal o tema abordado teve como principal inspiração a minha vivência familiar no mar. Foi apenas no oitavo semestre, tendo realizado uma vasta pesquisa, adquiri maturidade para escrever sobre o tema “solidão” sob o olhar de muitos estudiosos. Conclui que o sentimento que o isolamento gera é um estado interior do ser humano que não necessariamente é influenciado por fatores externos. Assim, podemos constatar que uma pessoa pode estar isolada em alto mar e não se sentir só, e outra pode sentir- se solitária no meio de uma multidão. Ou seja, para o personagem Santiago, o velejador Amir Klink, o artista José Pancetti e o meu avô João Zarif o afastamento no oceano é inspirador. Estar longe das grandes cidades por um longo período me causa um vazio, pois o barulho delas me conforta. Não são necessariamente as pessoas que me cercam diariamente que fazem eu me sentir acompanhada, pois essa sensação vai muito além delas. Sou adepta da frase de Nietzsche: “Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia”. Isto é, prefiro ficar isolada em meu quarto, do que cercada de pessoas que me tragam falsa presença.
  91. 91. 189188 Para finalizar, a vida nos apresenta situações em que a solidão aparece para que possamos permanecer em contato com nossa intimidade. O objetivo é ficar mais tempo consigo mesmo e melhorar nosso autoconhecimento. Por isso que muitos mestres espirituais procuram os locais mais isolados para meditar. Jesus ficou 40 dias e 40 noites no deserto a fim de conseguir elevar sua consciência e tentar buscar a verdade dentro dele. O isolamento, quando bem praticado, pode trazer muitos benefícios para a alma humana. REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS BIBLIOGRAFIA AUSTER, Paul. A invenção da solidão. São Paulo: Cia das Letras, 1999. BOND, Bob. Navegación a vela. Madrid: Blume ediciones, 1980. CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Dicionário de símbolos. São Paulo: José Olympio, 2012. HEMINGWAY, Ernest. O velho e o mar. Estados Unidos: Charles Scribner’s Sons, 1952. KLINK, Amyr. Cem dias entre o céu e mar. São Paulo: Companhia das letras, 2005. LURKER, Manfred. Dicionário de simbologia. São Paulo: Martins Fontes, 2003. MEDEIROS, Martha. Geração bivolt, crônica enfim só. Porto Alegre: Artes e oficina, 2008. NIETZSCHE, Friederich. Origem da tragédia. São Paulo: Cia das Letras, 1992. PONTUAL, Roberto. Arte brasileira contemporânea: Coleção Gilberto Chateaubriand. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 1976. SANTOS, Antonio Raimundo dos. Metedologia científica: A contrução do conhecimento. Rio de Janeiro: Lamparina, 2007.
  92. 92. 191190 WEBGRAFIA BASSALO, José Maria. Reflexão da luz e sua lei. http://www.seara.ufc.br/folclore/ folclore242.htm. Acessado em 19/10/2015 BUENO, Marcus. O que você pode aprender com a solidão? http://super.abril.com.br/ comportamento/o-que-voce-pode-aprender-com-a-solidao. Acessado em 26/05/2015. CAMON, Vardemar Augusto Argerami. A arte de ser solitário – Psicologia existencial. http://www.redepsi.com.br/2002/07/02/a-arte-de-ser-solit-rio-psicologia- existencial/. Acessado em 20/10/2015. CAMPOS, Marli Savelli de. O velho e o mar. https://mscamp.wordpress.com/paginas- escritas/o-velho-e-o-mar-ernest-hemingway/ Acessado em 29/03/2015. CARDOSO, Regina. A relação homem x natureza. http://meioambienteebioetica. blogspot.com.br/2011/01/relacao-homem-x-natureza.html. Acessado 04/11/2015. CASARIN, Rodrigo. Amyr Klink diz que cem dias entre céu e mar é mais importante que travessia. http://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2014/09/28/ amyr-klink-diz-que-cem-dias-entre-ceu-e-mar-e-mais-importante-que-travessia.htm. Acessado em 20/10/2015. CILENTO, Angela Zamora. Clarice Lispector: Perto do coração selvagem. http:// revistapandorabrasil.com/revista_pandora/mujer_poesia/clarice.htm. Acessado em 25/09/2015. DÍEZ, Silvio. Porque as mentes mais brilhantes precisam da solidão? http://brasil. elpais.com/brasil/2015/01/29/ciencia/1422546931_773159.html. Acessado em 20/10/2015. LEVY, Carlos Roberto Maciel. José Pancetti. http://www.artedata.com/crml/crml3001. asp?ArtID=2. Acessado em 15/03/2015. MONTEIRO, Rafaela. Como lidar com a solidão nos dias de hoje? http://doutissima.com. br/2013/10/01/multidao-solidao-16163/. Acessado em 14/11/2015. MORSKI, Sônia Aparecida Bittencourt. Solidão, um mal da modernidade? http://www. diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/476-2.pdf. Acessado em 26/10/2015. SCHILLING, Voltaire. A filosofia mundana. http://educaterra.terra.com.br/voltaire/ artigos/nietzsche_filosofo.htm. Acessado em 25/09/2015. TATIT, Isabel; ROSA, Miriam Debieux. Pra não dizer que Freud e Lancan não falaram da solidão. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S2177- 093X2013000200009&script=sci_arttext. Acessado em 16/07/2015. http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa1334/josé-pancetti. Acessado em 15/03/2015. http://www.catalogodasartes.com.br/Lista_Obras_Biografia_Artista. asp?idArtista=2982Acessado em 15/03/2015. http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-as-fases-da-lua-influenciam-as-mares Acessado em 20/03/2015. http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-a-cor-do-mar-varia-entre-o-azul-e- o-verde Acessado em 20/03/2015.
  93. 93. 193192 ANEXOS http://academiadefilosofia.org/publicacoes/artigos/a-solidao. Acessado em 10/07/2015. http://www.pintoresdorio.com/index.php?area=artistas&artista=29. Acessado em 19/08/2015. http://noticias.bol.uol.com.br/ciencia/2007/09/13/pessoas-solitarias-tem-saude-mais- precaria-diz-estudo.jhtm. Acessado em 26/10/2015. http://www.citador.pt/poemas/solidao-juan-ramon-jimenez. Acessado em 26/10/2015. http://www.jornaldepoesia.jor.br/cli1.html. Acessado em 26/10/2015. http://www.dicionarioinformal.com.br/transcend%C3%AAncia/. Acessado em 12/11/2015. OBRAS DE GIUSEPPE GIANINNI PANCETTI “Uma obra que se dispôs a ser simultaneamente intuitiva e refinada, para a qual a vivência do mar - olhos entregues à distância de horizontes intermináveis ou ao mergulho na solidão interior - terá contribuído de modo muito direto no sentido de sua preferência pela paisagem marítima e pelo auto-retrato. Em qualquer um dos casos, a disposição de ir aos poucos simplificando e resumindo os detalhes da realidade a registrar na superfície da pintura, bem como a capacidade de conferir à cor, em amplas chapadas ou marcas quase instantâneas, poderosa função sugestiva determinaram sempre a evolução de Pancetti. Sua obra ficou como uma das raras demonstrações, na arte brasileira, de acerto no registro da paisagem litorânea, especialmente do Rio e da Bahia, captando-lhe a luminosidade exata e o equilíbrio entre contenção e exuberância. Equilíbrio que os seus retratos também souberam alcançar, ainda que tendentes mais para o retraimento e a introspecção”. (PONTUAL, 1976, p. 115) Autorretrato, 1945.
  94. 94. 195194 Obra: Marinha, 1937, técnica: Mista. Obra: Barcos Ancorados, 1938, técnica: Óleo sobre Tela. Obra: Barco no Cais, 1937, técnica: crayon sobre papel. Obra: Arsenal de marinha, 1936, técnica: Óleo sobre tela.
  95. 95. 197196 Obra: Marinha, Bahia (Série Mar Grande), técnica: Óleo sobre Tela. Obra: Marinha, técnica: Óleo sobre cartão colado em Eucatex. Obra: Marinheiros, 1940, técnica: Aquarela, carvão e colagem sobre papel. ` Obra: Marinha, técnica: Óleo sobre Tela.
  96. 96. 198 Obra: Arraial do Cabo Obra: Marinha de Saquarema

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