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Miguel Torga - "Bichos"

Título

da

Nome

do

obra: ?Bicho
autor: Miguel

Tor

Editor: Coimbra
Local

e

Classificação

da

data: Coimb

obra: Colectânea

de

cont

Literatura

portugue

Resumo

da

obra

Miguel Torga apresenta indiferenciadamente homens e animais, unidos pelos mesmos instintos primários
sobrevivência,

atribuindo

a

estes

sentimentos

humanos

e

retirando

àqueles

a

solidariedad

Nero, no fim da vida, já surdo e cego, mordido pelo reumatismo, recorda os seus tempos de jovem, a sua aprendizage
do ofício com o filho da casa, as caçadas pelos montes, o seu amigo fadista e os mimos e carícias da filha mais nova

casa: a única que viu lágrimas nos olhos por si à hora em que fechou os seus olhos para sempr

Mago, o gatarrão farto e pesado, sofrendo toda a sorte de humilhações dos seus pares, as ironias sobre os namorados
a comida. Ainda lhe provocam um arrepio as lembranças da juventude pelos telhados fora, os ciúmes, os gritos
amor, mas é verdade é que o corpo acostumara-se à boa vida e sempre que tentava regressar aos velhos tempos,

passava indignidades junto da vizinhança ágil. Lá para as tantas desistiu de vez e regressou aos braços da sua don

Madalena, a rapariga da aldeia que, pelo São Martinho, tropeçara em castanhas e vinho e acabara rolando na palha co

um homem. Saiu de casa de madrugada, sabendo que chegara a hora de nascer o fruto daquele tropeção que l

manchou a pureza. Não queria descer na consideração que por ela tinham na aldeia e decidiu procurar ajuda do out

lado da montanha. Mas as dores apertavam cada vez mais e ela teve de parar, sob um sol escaldante. Ali pariu o s

filho e descansou finalmente. Quando deu por si, a criança jazia morta no chão e ela respirou de alívio. Limpou-s
largou

os

trapos

sujos

e

enterrou

o

filho.

Depois

regressou

á

alde

Morgado, era o macho alegre de um almocreve que, anos a fio, cumpriu as suas tarefas sem reclamar, sempre um

manta ao fim dos dias o resguardava das constipações e a manjedoura cheia de milho. Só que aquele dia começara m

o dono acordara de mau humor. Na verdade chegou a noite e Morgado não mais viu o dia, que o dono alegre, em ho
de

aperto

dos

lobos,

para

salvar

a

própria

vida

entregou

a

de

Bambo era o sapo que acabou com uma estaca espetada nas costas pelo filho do caseiro novo. Conhecia como pouco

quintal do tio Arruda que o cumprimentava todas as manhas, ou durante a noite quando cantava à lua. Quando o T
Arruda morreu, chegou aquele pequeno malvado que o deixou morrer esperneando ao sol de pernas para o

Do reino das aves, Tenório, o galo, acabou na panela como qualquer outro galo, prevendo este fim desde que ouv

pela primeira vez a patroa chamar-lhe galo velho, mal ele começou a sua voz pela manha e a ser mais lento nas su
obrigações

para

com

as

franga

Ladino, o pardal que honra o nome, desde o ninho com boas condições e o seu bom trato, sem um pingo
solidariedade

pelas

mães

que

penavam

à

procura

de

sustento

para

os

seus

filho

Farrusco, o melro jovial que consolava a moça casadoira a quem o cuco agoirava anos sem fim de solteira e, finalmen
Vicente,

o

corvo

negro

que

enfrenta

a

fúria

de

Deu
Miura, o touro, rei da campina, enfrentando com lealdade a covardia dos homens nos seus cavalos com lanças. Depois

Senhor Nicolau, o entomologista incompreendido, morto entre os seus insectos catalogados, tambem ele quieto e pron
a

entrar

na

sua

caix

E por último, Ramiro, árido como a aridez do Marão, bicho entre os bichos, da sua boca apenas o assobio e a rai
incontida

por

uma

ovelha

O

morte

traduzida

pela

cabeça

meu

de

um

homem

cegada

por

uma

comentário

foic

crític

Cada uma das histórias tem como personagem principal um animal, em luta com os elementos da natureza, Deus ou

Homem. Os mitos rurais e pastorais misturam-se com motivos religiosos e estão bem presentes na obra do autor com
se

verifica

em

Vicente,

a

ultima

das

15

histórias

do

livr

Eu gostei de ler este livro porque todas as histórias traduziam uma realidade, algo novo a saber. Realidade essa que
autor se preocupou em descrever nalgumas páginas, assim como algumas memórias da juventude vivida.

"Bichos" (de Miguel Torga)
por nairsantospereira em Ter 14 Nov 2006 - 22:09

O livro que li neste primeiro período tem o nome de “Bichos”, do autor
Miguel Torga.
Antes de começar a apresentar o meu livro e expor a minha opinião sobre este, vou
fazer uma breve referência ao autor.
Miguel Torga é apenas um pseudónimo, sendo, o verdadeiro nome do autor: Adolfo
Correia da Rocha. Este nasceu na região de Trás-os-Montes e viveu cinco anos no
Brasil. Miguel Torga tentou poetizar em grupo, com as revistas “Sinal” e
“Manifesto”, acabando por desistir, pois considerava que a poesia era algo
demasiado sublime e que exigia o máximo de puresa e fidelidade pessoal em
relação ao poeta.
David Mourão-Ferreira, cita: “Torga é a reencarnação de um poeta mítico por
excelência – daquele que vive na intimidade das forças elementares (terra, sol,
vento, água) para celebrá-las com o seu canto – e alto exemplo de constante
rebeldia, numa atmosfera que pretende asfixiá-lo”.
Algumas das obras deste aclamado autor: “Bichos”; “Os contos da Montanha”;
“Diário”; “Rampa”.
Prosseguirei, então à apresentação do livro.

Título: “Bichos”.
Livro escrito no ano de 1940.
A ideia principal deste livro centra-se numa contradição entre a vida e a cultura de
uma sociedade, através da apresentação de animais com sentir humano e viceversa; uma irmandade entre homens e animais.
Cada capítulo desta obra possui um diferente protagonista.
§ Nero: pequeno cão que, enquanto era pequeno, era adorado e querido por
todos; mal cresceu, nunca mais ninguém quis saber da sua existência e acabou por
morrer de solidão.
§ Mago: gato ao qual lhe foi tirada a liberdade, por uma senhora; consequência:
desdém por parte dos amigos de Mago.
§ Madalena: humana grávida que, farta da vida que tinha, tentou fugir da sua
aldeia, acabando por abortar pelo caminho.
§ Morgado: burro de carga que, quando ficou velho, perdeu grande parte da sua
força e rapidez e, por tal razão, foi abandonado.
§ Bambo: sapo charmoso que se achava muito entendedor da vida.
§ Tenório: galo que, enquanto jovem, cantava bem e era galado por todos; na
velhice: serviu de jantar!
§ Jesus: menino que roubou um pintassilgo do seu ninho e ficou com ele.
§ Cega-rega: formiga temerosa do Inverno.
§ Ladino: pardal manhoso e matulão, mas que, inicialmente, tivera medo de voar.
§ Ramiro: cordeiro que mata a ovelha amada, despropositadamente.
§ Farrusco: melro vivente de dias agitados, mas assim que se aproximava o luscofusco, adormecia logo.
§ Miura: mais um touro protagonista da desgraçada morte que esta raça animal
sofre nas touradas.
§ Senhor Nicolau: homem que coleccionava, estudava e embalssamava insectos;
já em criança os adorava.
§ Vicente: corvo que conseguiu alcançar a liberdade.
Depois desta apresentação de cada personagem deste livro, prentendo, agora, dar
a conhecer a minha opinião sobre esta linda obra de Miguel Torga.
A verdade é que quando comecei a ler este livro, logo desde início, gostei, mas
pensava para mim: “Então, mas o livro é mesmo assim? Vou estar a ler, cento e tal
páginas, uma breve história de diferentes animais?! Afinal, qual é o objectivo
disto?”. Mas sempre com enorme interesse, continuei a ler o livro e quando cheguei
ao último capítulo (“Vicente”), é que percebi toda esta obra.
Admitindo que Deus criou o mundo, bem como todas as espécies nele existentes e,
admitindo que Jesus é visto na figura de Deus, vamos pensar no capítulo “Jesus”.
Como já referi anteriormente, neste capítulo lê-se a história de um menino que
rouba um pintassilgo do seu ninho, para ficar com ele. Se Deus criou o mundo, era
suposto os animais serem todos livres e usufruírem dessa mesma liberdade, mas,
como Jesus cometeu este terrível erro, a liberdade dos animais acabou nesse
mesmo momento, no momento em que tirou um animal do seu habitat, tirando-lhe
a completa liberdade.
Cito os três últimos parágrafos do último capítulo (“Vicente”):
“Noé e o resto dos animais assistiam mudos àquele duelo entre Vicente e Deus. E
no espírito (...) de cada um, este dilema, apenas: ou se salvava o pedestal que
sustinha Vicente, e o Senhor preservava a grandeza do instante genesíaco – a total
autonomia da criatura em relação ao criador -, ou, submerso o ponto de apoio,
morria Vicente, e o seu aniquilamento invalidava essa hora suprema. (...) ninguém
mais dentro da Arca se sentia vivo. Sangue, respiração, seiva de seiva, era aquele
corvo negro, molhado da cabeça aos pés, que, calma e obstinadamente, pousado
na derradeira possibilidade de sobrevivência natural, desafiava a omnipotência.
Três vezes uma onda alta, num arranco de fim, lambeu as garras do corvo, mas
três vezes recuou. A cada vaga, o coração frágil da Arca, dependente do coração
resoluto de Vicente, estremeceu de terror. A morte temia a morte.
Mas (...) se tornou evidente que o Senhor ia ceder. (...) nada podia contra aquela
vontade inabalável de ser livre.
Que, para salvar a sua própria obra, fechava, melancolicamente, as comportas do
céu.”
Através desta citação, deste duelo entre Deus e um corvo que queria alcançar a sua
própria liberdade, se percebe a grande mensagem desta obra. Lendo todos os
tristes capítulos referentes à atrocidades que os homens cometem para com os
animais e, chegando a este último capítulo, ficamos a entender como os animais
perderam a sua liberdade.
Na minha opinião, este livro sensibiliza bastante o leitor, conjugando uma realidade
nos dias que hoje correm, com a sua causa /o que levou a essa mesma, de uma
maneira não tão directa, mas eficaz, de modo a emocionar quem o lê.
nairsantospereira
Ditongo

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Miguel torga

  • 1. Miguel Torga - "Bichos" Título da Nome do obra: ?Bicho autor: Miguel Tor Editor: Coimbra Local e Classificação da data: Coimb obra: Colectânea de cont Literatura portugue Resumo da obra Miguel Torga apresenta indiferenciadamente homens e animais, unidos pelos mesmos instintos primários sobrevivência, atribuindo a estes sentimentos humanos e retirando àqueles a solidariedad Nero, no fim da vida, já surdo e cego, mordido pelo reumatismo, recorda os seus tempos de jovem, a sua aprendizage do ofício com o filho da casa, as caçadas pelos montes, o seu amigo fadista e os mimos e carícias da filha mais nova casa: a única que viu lágrimas nos olhos por si à hora em que fechou os seus olhos para sempr Mago, o gatarrão farto e pesado, sofrendo toda a sorte de humilhações dos seus pares, as ironias sobre os namorados a comida. Ainda lhe provocam um arrepio as lembranças da juventude pelos telhados fora, os ciúmes, os gritos amor, mas é verdade é que o corpo acostumara-se à boa vida e sempre que tentava regressar aos velhos tempos, passava indignidades junto da vizinhança ágil. Lá para as tantas desistiu de vez e regressou aos braços da sua don Madalena, a rapariga da aldeia que, pelo São Martinho, tropeçara em castanhas e vinho e acabara rolando na palha co um homem. Saiu de casa de madrugada, sabendo que chegara a hora de nascer o fruto daquele tropeção que l manchou a pureza. Não queria descer na consideração que por ela tinham na aldeia e decidiu procurar ajuda do out lado da montanha. Mas as dores apertavam cada vez mais e ela teve de parar, sob um sol escaldante. Ali pariu o s filho e descansou finalmente. Quando deu por si, a criança jazia morta no chão e ela respirou de alívio. Limpou-s largou os trapos sujos e enterrou o filho. Depois regressou á alde Morgado, era o macho alegre de um almocreve que, anos a fio, cumpriu as suas tarefas sem reclamar, sempre um manta ao fim dos dias o resguardava das constipações e a manjedoura cheia de milho. Só que aquele dia começara m o dono acordara de mau humor. Na verdade chegou a noite e Morgado não mais viu o dia, que o dono alegre, em ho de aperto dos lobos, para salvar a própria vida entregou a de Bambo era o sapo que acabou com uma estaca espetada nas costas pelo filho do caseiro novo. Conhecia como pouco quintal do tio Arruda que o cumprimentava todas as manhas, ou durante a noite quando cantava à lua. Quando o T Arruda morreu, chegou aquele pequeno malvado que o deixou morrer esperneando ao sol de pernas para o Do reino das aves, Tenório, o galo, acabou na panela como qualquer outro galo, prevendo este fim desde que ouv pela primeira vez a patroa chamar-lhe galo velho, mal ele começou a sua voz pela manha e a ser mais lento nas su obrigações para com as franga Ladino, o pardal que honra o nome, desde o ninho com boas condições e o seu bom trato, sem um pingo solidariedade pelas mães que penavam à procura de sustento para os seus filho Farrusco, o melro jovial que consolava a moça casadoira a quem o cuco agoirava anos sem fim de solteira e, finalmen Vicente, o corvo negro que enfrenta a fúria de Deu
  • 2. Miura, o touro, rei da campina, enfrentando com lealdade a covardia dos homens nos seus cavalos com lanças. Depois Senhor Nicolau, o entomologista incompreendido, morto entre os seus insectos catalogados, tambem ele quieto e pron a entrar na sua caix E por último, Ramiro, árido como a aridez do Marão, bicho entre os bichos, da sua boca apenas o assobio e a rai incontida por uma ovelha O morte traduzida pela cabeça meu de um homem cegada por uma comentário foic crític Cada uma das histórias tem como personagem principal um animal, em luta com os elementos da natureza, Deus ou Homem. Os mitos rurais e pastorais misturam-se com motivos religiosos e estão bem presentes na obra do autor com se verifica em Vicente, a ultima das 15 histórias do livr Eu gostei de ler este livro porque todas as histórias traduziam uma realidade, algo novo a saber. Realidade essa que autor se preocupou em descrever nalgumas páginas, assim como algumas memórias da juventude vivida. "Bichos" (de Miguel Torga) por nairsantospereira em Ter 14 Nov 2006 - 22:09 O livro que li neste primeiro período tem o nome de “Bichos”, do autor Miguel Torga. Antes de começar a apresentar o meu livro e expor a minha opinião sobre este, vou fazer uma breve referência ao autor. Miguel Torga é apenas um pseudónimo, sendo, o verdadeiro nome do autor: Adolfo Correia da Rocha. Este nasceu na região de Trás-os-Montes e viveu cinco anos no Brasil. Miguel Torga tentou poetizar em grupo, com as revistas “Sinal” e “Manifesto”, acabando por desistir, pois considerava que a poesia era algo demasiado sublime e que exigia o máximo de puresa e fidelidade pessoal em relação ao poeta. David Mourão-Ferreira, cita: “Torga é a reencarnação de um poeta mítico por excelência – daquele que vive na intimidade das forças elementares (terra, sol, vento, água) para celebrá-las com o seu canto – e alto exemplo de constante rebeldia, numa atmosfera que pretende asfixiá-lo”.
  • 3. Algumas das obras deste aclamado autor: “Bichos”; “Os contos da Montanha”; “Diário”; “Rampa”. Prosseguirei, então à apresentação do livro. Título: “Bichos”. Livro escrito no ano de 1940. A ideia principal deste livro centra-se numa contradição entre a vida e a cultura de uma sociedade, através da apresentação de animais com sentir humano e viceversa; uma irmandade entre homens e animais. Cada capítulo desta obra possui um diferente protagonista. § Nero: pequeno cão que, enquanto era pequeno, era adorado e querido por todos; mal cresceu, nunca mais ninguém quis saber da sua existência e acabou por morrer de solidão. § Mago: gato ao qual lhe foi tirada a liberdade, por uma senhora; consequência: desdém por parte dos amigos de Mago. § Madalena: humana grávida que, farta da vida que tinha, tentou fugir da sua aldeia, acabando por abortar pelo caminho. § Morgado: burro de carga que, quando ficou velho, perdeu grande parte da sua força e rapidez e, por tal razão, foi abandonado. § Bambo: sapo charmoso que se achava muito entendedor da vida. § Tenório: galo que, enquanto jovem, cantava bem e era galado por todos; na velhice: serviu de jantar! § Jesus: menino que roubou um pintassilgo do seu ninho e ficou com ele. § Cega-rega: formiga temerosa do Inverno. § Ladino: pardal manhoso e matulão, mas que, inicialmente, tivera medo de voar. § Ramiro: cordeiro que mata a ovelha amada, despropositadamente.
  • 4. § Farrusco: melro vivente de dias agitados, mas assim que se aproximava o luscofusco, adormecia logo. § Miura: mais um touro protagonista da desgraçada morte que esta raça animal sofre nas touradas. § Senhor Nicolau: homem que coleccionava, estudava e embalssamava insectos; já em criança os adorava. § Vicente: corvo que conseguiu alcançar a liberdade. Depois desta apresentação de cada personagem deste livro, prentendo, agora, dar a conhecer a minha opinião sobre esta linda obra de Miguel Torga. A verdade é que quando comecei a ler este livro, logo desde início, gostei, mas pensava para mim: “Então, mas o livro é mesmo assim? Vou estar a ler, cento e tal páginas, uma breve história de diferentes animais?! Afinal, qual é o objectivo disto?”. Mas sempre com enorme interesse, continuei a ler o livro e quando cheguei ao último capítulo (“Vicente”), é que percebi toda esta obra. Admitindo que Deus criou o mundo, bem como todas as espécies nele existentes e, admitindo que Jesus é visto na figura de Deus, vamos pensar no capítulo “Jesus”. Como já referi anteriormente, neste capítulo lê-se a história de um menino que rouba um pintassilgo do seu ninho, para ficar com ele. Se Deus criou o mundo, era suposto os animais serem todos livres e usufruírem dessa mesma liberdade, mas, como Jesus cometeu este terrível erro, a liberdade dos animais acabou nesse mesmo momento, no momento em que tirou um animal do seu habitat, tirando-lhe a completa liberdade. Cito os três últimos parágrafos do último capítulo (“Vicente”): “Noé e o resto dos animais assistiam mudos àquele duelo entre Vicente e Deus. E no espírito (...) de cada um, este dilema, apenas: ou se salvava o pedestal que sustinha Vicente, e o Senhor preservava a grandeza do instante genesíaco – a total autonomia da criatura em relação ao criador -, ou, submerso o ponto de apoio, morria Vicente, e o seu aniquilamento invalidava essa hora suprema. (...) ninguém mais dentro da Arca se sentia vivo. Sangue, respiração, seiva de seiva, era aquele corvo negro, molhado da cabeça aos pés, que, calma e obstinadamente, pousado na derradeira possibilidade de sobrevivência natural, desafiava a omnipotência. Três vezes uma onda alta, num arranco de fim, lambeu as garras do corvo, mas três vezes recuou. A cada vaga, o coração frágil da Arca, dependente do coração
  • 5. resoluto de Vicente, estremeceu de terror. A morte temia a morte. Mas (...) se tornou evidente que o Senhor ia ceder. (...) nada podia contra aquela vontade inabalável de ser livre. Que, para salvar a sua própria obra, fechava, melancolicamente, as comportas do céu.” Através desta citação, deste duelo entre Deus e um corvo que queria alcançar a sua própria liberdade, se percebe a grande mensagem desta obra. Lendo todos os tristes capítulos referentes à atrocidades que os homens cometem para com os animais e, chegando a este último capítulo, ficamos a entender como os animais perderam a sua liberdade. Na minha opinião, este livro sensibiliza bastante o leitor, conjugando uma realidade nos dias que hoje correm, com a sua causa /o que levou a essa mesma, de uma maneira não tão directa, mas eficaz, de modo a emocionar quem o lê. nairsantospereira Ditongo Número de Mensagens: 12 Data de inscrição: 06/10/2006 Pontos: 2563