revista    ESPAÇO                                               LIVRE           CIENTÍFICOBRASIL, V. 1, N. 1, ABR.-MAIO, 2...
revista                          ESPAÇO                          CIENTÍFICO                           LIVREFOTO: http://ww...
Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011                                                              C...
Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011                               SUMÁRIOCTRL-C e CTRL-V          ...
JUSTA,M. CTRL-C e CTRL-V. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 5-6, abr.-maio, 2011                     CTRL-C e...
JUSTA,M. CTRL-C e CTRL-V. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 5-6, abr.-maio, 2011pertencem a mim e foram publi...
SILVA,V.C.D. Como acontece o processo de alfabetização? Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1,n. 1, p. 7-8, abr.-maio 2011 ...
SILVA,V.C.D. Como acontece o processo de alfabetização? Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 7-8, abr.-maio 2011A...
PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient....
PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient....
PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient....
PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient....
PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient....
PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient....
PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient....
PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient....
PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient....
PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient....
PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient....
PEREIRA, C.E.G. As diretrizes do ensino médio no Brasil. Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 20-25, abr.-maio, 2...
PEREIRA, C.E.G. As diretrizes do ensino médio no Brasil. Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 20-25, abr.-maio, 2...
PEREIRA, C.E.G. As diretrizes do ensino médio no Brasil. Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 20-25, abr.-maio, 2...
PEREIRA, C.E.G. As diretrizes do ensino médio no Brasil. Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 20-25, abr.-maio, 2...
PEREIRA, C.E.G. As diretrizes do ensino médio no Brasil. Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 20-25, abr.-maio, 2...
PEREIRA, C.E.G. As diretrizes do ensino médio no Brasil. Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 20-25, abr.-maio, 2...
GUIMARÃES, R.N.L. Democracia de verdade só na mãe natureza! Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 26-29, abr.-maio...
GUIMARÃES, R.N.L. Democracia de verdade só na mãe natureza! Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 26-29, abr.-maio...
GUIMARÃES, R.N.L. Democracia de verdade só na mãe natureza! Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 26-29, abr.-maio...
GUIMARÃES, R.N.L. Democracia de verdade só na mãe natureza! Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 26-29, abr.-maio...
CURSOS ON LINERev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011  COM CERTIFICADO  http://www.buzzero.com/veranoc...
Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011                                                              31
Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011                                                              32
Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011                                                              33
Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011                                                              34
Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011                                              ‘                ...
Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011                                      Envie seus artigos,      ...
Anuncie na Revista Espaço Científico LivreRev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011  A Revista Espaço Ci...
Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011        “O importante é não parar de               questionar.”...
Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011                                                              39
Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011ANUNCIE NA                                                     ...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Revista espaço científico livre n.1

2.240 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
2.240
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
9
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Revista espaço científico livre n.1

  1. 1. revista ESPAÇO LIVRE CIENTÍFICOBRASIL, V. 1, N. 1, ABR.-MAIO, 2011 DISTRIBUIÇÃO GRATUITAREVISTA DE PUBLICAÇÃO DEARTIGOS, RESUMOS E IDEIASDE ALUNOS DE NÍVELTÉCNICO, SUPERIOR EPROFISSIONAIS DE DIVERSASÁREAS DE TODO BRASIL FOTO: http://www.sxc.hu
  2. 2. revista ESPAÇO CIENTÍFICO LIVREFOTO: http://www.sxc.hu
  3. 3. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011 Colaboradores desta EDITORIAL edição Verano Costa Dutra Editor Farmacêutico Industrial,Nasce o primeiro número da Revista Espaço Científico com habilitação em Homeopatia e Mestre emLivre que tem o objetivo de ser um ambiente plural de Saúde Coletiva peladivulgação de pesquisas, ideias, resumos e artigos Universidade Federalcientíficos de alunos de cursos técnicos e da graduação, Fluminense (UFF)e profissionais de diferentes áreas. Monique D. RangelAqui estudantes de cursos técnicos, de graduação, Divulgação Graduanda emprofissionais já formados e pós-graduados apresentam Administração naliberdade igual de explorar seu potencial e começar ou Universidade do Grande Riomesmo continuar sua trajetória na construção do (UNIGRANRIO)conhecimento científico coletivo. Verônica C.D. SilvaAgradecemos a todos que contribuíram enviando Revisãoartigos, resumos e trabalhos para esta edição. E Pedagoga pela UNIGRANRIOconvidamos você a mergulhar nesse projeto depromoção do saber coletivo. Carlos Eduardo Gomes PereiraBoa leitura. Pedagogo e Pós-Graduado no Curso Lato-sensuVerano Costa Dutra “Ensino de História e Ciências Sociais” pela UFFEditor Daniela Tamires Psicóloga pela UniversidadeA Revista Espaço Científico Livre é uma publicação Presidente Antônio Carlosdigital distribuída gratuitamente a estudantes de (UNIPAC)escolas técnicas, graduação e profissionais de Marcelo Justadiferentes áreas em todo o Brasil. Profissional da indústria, professor universitário da graduação e pós-graduação,Os textos assinados não apresentam necessariamente, Administrador, Especialista com MBA em gestão ea posição oficial da Revista Espaço Científico Livre, e Mestre em Engenharia desão de total responsabilidade de seus autores. Produção pela UFAM/FT Rodrigo N. LacerdaA Revista Espaço Científico Livre esclarece que os Guimarães Licenciado em Matemática,anúncios aqui apresentados são de total Bacharel em Segurançaresponsabilidade de seus anunciantes. Pública, Pós-graduado em Docência do Ensino Superior, em Política eEste conteúdo pode ser publicado livremente, no todo Estratégia e em Planejamento e Gestão deou em parte, em qualquer mídia, eletrônica ou impressa, Projetos Sociaisdesde que a Revista Espaço Científico Livre seja citadacomo fonte. Rosana Fernandes de Lacerda Psicóloga pela Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC) 3
  4. 4. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011 SUMÁRIOCTRL-C e CTRL-V pg. 05Por Marcelo JustaComo acontece o processo dealfabetização? pg. 07Por Verônica SilvaO auxílio psicológico no processo deemagrecimento e prevenção daobesidade pg 09Por Daniela Tamires e RosanaFernandes de LacerdaAs diretrizes do ensino médio no Brasil pg 20Por Carlos Eduardo Gomes PereiraDemocracia de verdade só a mãenatureza! pg 26Por Rodrigo N. Lacerda GuimarãesEventos acadêmicos pg 31Cuidado com a AIDS pg 37 FIGUTA: SXC.HU FI 4
  5. 5. JUSTA,M. CTRL-C e CTRL-V. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 5-6, abr.-maio, 2011 CTRL-C e CTRL-VProf. Marcelo JustaProfissional da indústria, professor universitário da graduação e pós-graduação,Administrador, Especialista com MBA em gestão e Mestre em Engenharia deProdução pela UFAM/FT.Manaus, AME-mail: marcelo.justa@bol.com.brBlog: http://marcelojusta.blogspot.com/L i recentemente uma matéria muito interessante e que me fez recordar uma das várias defesasde mestrado que já tive a oportunidadede ver. Trata-se de um ato cada vez "SEMPRE mencionar amais comum no meio acadêmico e fonte dos gráficos,profissional. É o famoso CTRL-C /CTRL-V. A reportagem publicada no tabelas e textos daquiloGlobo News, na edição de 24/02/2011, que eu faria referênciadizia o seguinte: "O ministro da Defesaalemão Karl-Theodor zu Guttenberg na minha pesquisa"copiou trechos da internet para suatese de doutorado. Um jornal alemãofez a denúncia há cerca de umasemana e ele negou. Mas a imprensa defesas de mestrado. Portanto, casodescobriu mais de cem trechos não tivesse participado das 10 defesas,copiados na tese dele de matérias de não teria direito a fazer a minha própriajornal. Ele fez com que funcionários defesa e concluir o curso de mestrado.públicos fizessem trabalhos para ele. Auniversidade anunciou que retirou o No início, quando ainda era um leigo natítulo de doutor do ministro." pesquisa, achava todo esse regulamento e pré-requisitos um tantoLembro que durante meus estudos no que exagerado. Porém, graças àcurso de mestrado da UFAM/FT e qualidade do curso de mestrado datambém na minha preparação para UFAM/FT, aliado a capacidade de seusfazer a defesa e conclusão do curso, fui professores, hoje eu testemunho evárias vezes instruído pelos ratifico todo o processo de ensino eprofessores sobre os cuidados na aprendizagem que tive. Ocorre que empesquisa e na escrita dos textos para a uma das 10 defesas que presenciei, fuiminha dissertação. Dentre as várias testemunha de uma situação um tantoinstruções uma dizia que eu deveria embaraçosa. O fato aconteceu quandoSEMPRE mencionar a fonte dos um candidato a mestre, durante suagráficos, tabelas e textos daquilo que defesa perante a banca, foi abordadoeu faria referência na minha pesquisa. por um dos examinadores doutores queOcorre que além de todo o esforço, fez o seguinte comentário: "... meuatenção e dedicação necessárias para querido candidato a mestre, ou vocêelaborar uma dissertação que atenda faz referência a mim como autor dostodos os requisitos da norma, também vários trechos que encontrei na suaeram exigidas a minha participação dissertação ou você simplesmentecomo ouvinte em no mínimo 10 outras retira tudo o que está escrito e refaz o seu trabalho, pois vários textos 5
  6. 6. JUSTA,M. CTRL-C e CTRL-V. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 5-6, abr.-maio, 2011pertencem a mim e foram publicados pesquisamos é primeiramente um atono meu livro sobre o tema que você de respeito por alguém quepesquisou..." desenvolveu, escreveu e publicou uma pesquisa. Fazer as referências corretas também nos dá credibilidade para aquilo que escrevemos. Vale lembrar que outros também irão explorar e usar "Fazer as referências nossos textos como fonte de pesquisa. corretas também nos Neste ultimo caso, não gostaríamos que nossos textos fossem "clonados" dá credibilidade para sem que nosso nome seja mencionado. aquilo que escrevemos" Portanto, o copiar e colar somente são validos quando fazemos referência à fonte do assunto pesquisado e ainda obedecendo SEMPRE às normasO fato causou embaraço e vergonha técnicas da ABNT, tais como: aspara todos, pois nos mostra como é citações indiretas quando vocêcomum essa prática em Manaus, no apresenta o pensamento do autorBrasil e no mundo. Vale então uma diluído no texto usando as própriasreflexão para que nós, estudantes e palavras e as citações diretas quandoprofessores, tomemos cuidado em você transcreve para o seu texto, entrerelação às fontes de nossas pesquisas. aspas, exatamente as palavras doFazer a referência daquilo que autor.CTRL-C e CTRL-VProf. Marcelo JustaProfissional da indústria, professor universitário da graduação e pós-graduação,Administrador, Especialista com MBA em gestão e Mestre em Engenharia deProdução pela UFAM/FT.Manaus, AME-mail: marcelo.justa@bol.com.brBlog: http://marcelojusta.blogspot.com/ 6
  7. 7. SILVA,V.C.D. Como acontece o processo de alfabetização? Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1,n. 1, p. 7-8, abr.-maio 2011 Como acontece o processo de alfabetização?Verônica C. D. da SilvaPedagoga pela Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO)Duque de Caxias, RJE-mail: veronicacsilva@pop.com.brResumoO presente artigo busca levar aos leitores compreensão de como acontece o processode alfabetização. Trata-se de uma temática que vem chamando a atenção deeducadores há algumas décadas.E sse artigo nasce da necessidade três letras e possui uma leitura global lê de buscar compreensão de a palavra como um todo. A segunda é como se dá o processo da a Hipótese Silábica: onde para cadaalfabetização. Iniciamos a década de fonema usa uma letra para representar;80 com grandes debates sobre a atribui ou não valor sonoro a letra; usaalfabetização e as perspectivas da muitas letras para escrever e ao fazer aconstrução do conhecimento sobre a leitura, aponta uma letra para cadalíngua escrita. fonema.; ao escrever frases, pode usar uma letra para cada palavra. A próximaA publicação do livro “Psicogênese da hipótese é o Silábico-Alfabético onde aLíngua Escrita” em 1985 teve grande criança compreende que a escritaimportância nesse debate. Ela acredita representa sons da fala; percebe aque mesmo antes de saber ler e necessidade de mais de uma letra paraescrever convencionalmente, a criança a maioria das sílabas; reconhece o somtem idéia de como é ler e escrever. da letra; pode dar ênfase à escrita só de vogais ou só das consoantes: bola=Para Ferreiro (2006) a criança aprende ao ou bl; atribui valor do fonema ema ler e a escrever por se sentir algumas letras: cabelo= kbelo.desafiada pelo professor. A criançaconstrói hipóteses a primeira delas é a A última hipótese Alfabética: ondeHipótese Pré-Silábica, onde escrever e compreende a função social da escrita:desenhar tem o mesmo significado; comunicação; conhece o valor sonoronão relaciona a escrita à fala; não de todas ou quase todas as letras;diferencia letra de números; reproduz possui estabilidade na escrita detraços típicos da escrita desordenada; palavras; compreende que cada letrasupõe que a palavra representa o tem valor sonoro; adequar à escrita àobjetivo e não o seu nome; acredita fala; faz leitura com e sem imagem;que coisas grandes têm nomes inicia preocupação com a ortografia;grandes e coisas pequenas nomes separa as palavras quando escrevepequenos; usa letra do nome para frases e produz textos de formaescrever tudo; não aceita que seja convencional.possível escrever e ler com menos de 7
  8. 8. SILVA,V.C.D. Como acontece o processo de alfabetização? Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 7-8, abr.-maio 2011Abordar a necessidade de um cuidado de apropriação de diferentesespecial para alunos que não linguagens produzidas culturalmente”conseguem aprender no mesmo tempo (ALMEIDA, 2006,32).que os outros alunos. De acordo comAlmeida (2006) a alfabetização é um Segundo Carvalho (2005) a escolha deprocesso linguístico e cognitivo, que uma metodologia não é a questãonão acontece de forma igual para central do processo de alfabetização,todos. Cada indivíduo tem seu tempo mas para escolher um método éde aprendizagem. A criança precisa ser preciso ter domínio e fundamentaçãoestimulada ao processo de teórica, para ser capaz de solucionaralfabetização. Ela precisa perceber a as dúvidas que surgirem no processo.necessidade da escrita, determinadaações na vida só serão possíveis pela Assim como Carvalho (2005), o Freinetescrita. O desenvolvimento motor e a (1977) busca vários autores paracoordenação motora são encontra o caminho certo ao realizar ocaracterísticas fundamentais para o seu trabalho de professor. Sua técnicaregistro da letra, a organização de ficou conhecida como: “as Técnicastraços. Freinet da escola Moderna”. A proposta dele era a utilização de textos livres e aAcrescenta o mesmo autor que quando imprensa escolar. Através dao aluno solicitar ajuda e não tiver, ou se familiarização com a língua escrita.ao contrário tiver ajuda em excesso, ele Para aprender a ler e a escrever, époderá começar sozinho registros preciso que leiam e escreva mesmoerrôneos, ou perder o estímulo pela antes de dominarem o código daescrita. “A alfabetização constitui-se língua.uma atividade interativa, interdiscursivaREFERÊNCIASFERREIRO, Emilia. Reflexões sobrealfabetização.24.ed. São Paulo: CARVALHO, Marlene. Alfabetizar eCortez.2006. letrar. Rio de Janeiro: Vozes, 2005.ALMEIDA, Geraldo Peçanha de. A FREINET, Célestin. O método naturalprodução de textos nas séries I – A aprendizagem da Língua. Editorialiniciais: Desenvolvendo as Estampa: Lisboa, 1977.competências da escrita. 2.ed. Rio deJaneiro WAK, 2006.Como acontece o processo de alfabetização?Verônica C. D. da SilvaPedagoga pela Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO)Duque de Caxias, RJE-mail: veronicacsilva@pop.com.br 8
  9. 9. PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 9-19, abr.-maio 2011O auxílio psicológico no processode emagrecimento e prevenção da obesidadeDaniela Tamires PintoPsicóloga pela Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC)Bom Despacho, MGE-mail: danielatamires@yahoo.com.brRosana Fernandes de LacerdaPsicóloga pela Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC)Bom Despacho, MGE-mail: rosanalacerdacorrea@hotmail.comResumo eficácia da terapia cognitivo- comportamental no tratamento.Transtornos alimentares caracterizam-se por perturbações no comportamento Abstractalimentar levando a prejuízos clínicos epsicológicos. A etiologia destes The eating disorders characteristics aretranstornos é multifatorial, envolvendo the disturbances in the eating behavioraspectos biológicos, socioeconômicos, leading to clinical and psychologicalpsicossociais e culturais. Este artigo harm. The etiology of these disordersapresenta uma revisão teórica sobre a has many factors, including biological,importância do auxílio psicológico no socioeconomic, psychosocial andtratamento dos transtornos alimentares, cultural ones. This article presents acom foco no transtorno da compulsão theoretical review on the importance ofalimentar periódica e obesidade. Os psychological help in eating disordersindivíduos com transtorno da treatment, focusing binge eatingcompulsão alimentar periódica (TCAP) disorder and obesity. People sufferingapresentam episódios de ingestão Binge Eating Disorder (BED) havecompulsiva de alimentos que exercem episodes of binge eating food that havefunção de comportamentos functions of inappropriatecompensatórios inadequados. A compensatory behaviors. Obesity is aobesidade é uma doença de múltiplas disease with multiple causes, and it iscausas e atualmente é considerada currently considered as a public healthcomo um problema de saúde pública. problem. Pertinent aspects related toForam abordados aspectos pertinentes eating disorders and obesity wereaos transtornos alimentares e reported, such as the etiology,obesidade, como etiologia, incidência, incidence, injuries, the relationshipdanos, relação entre transtorno between regular Binge Eating Disordercompulsivo alimentar periódico e and obesity, as well as evidences ofobesidade, assim como evidências de Cognitive-Behavioral treatment effectiveness. 9
  10. 10. PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 9-19, abr.-maio 20111. INTRODUÇÃOO presente artigo surgiu do interesse pessoal das autoras em pesquisar formas de auxílio disponíveis para pessoas classificadas pela literatura médica como obesas e/ou acometidas por transtornos alimentares relacionados à ingestãocompulsiva de alimentos. Este artigo descreve de forma geral os transtornos alimentares, busca ampliar acompreensão acerca do transtorno da compulsão alimentar periódica e da obesidade,sendo esta última focalizada como uma possível consequência deste transtorno, bemcomo as principais técnicas cognitivas e comportamentais utilizadas no tratamentodestes transtornos. Além disso, se dispõe a revisar a importância do psicólogo naequipe multidisciplinar implicada no acompanhamento das pessoas que apresentam oproblema.Transtornos alimentares podem ser definidos como desvios do comportamentoalimentar, podendo desencadear emagrecimento extremo ou obesidade, além deoutros problemas físicos ou incapacidades. Dentre os transtornos alimentares sedestacam anorexia nervosa (AN), bulimia nervosa (BN) e transtorno da compulsãoalimentar periódica (TCAP).A obesidade é uma doença multifatorial e pode, potencialmente, trazer prejuízossignificativos nos âmbitos fisiológico, social, afetivo, profissional e familiar. Destaforma, pretende-se investigar as terapêuticas indicadas para tratamento, comdestaque para a terapia cognitivo-comportamental. Além do diagnóstico nosológico,dos números na balança e dos registros de índices e avaliações fisiológicas, existeuma pessoa por trás da problemática que carece de acompanhamento que lheproporcione percepção adequada da situação em que se encontra, para que se inicieum processo de reposicionamento diante de si próprio, dos outros e do mundo (BECK,2005).2. TRANSTORNOS ALIMENTARESD e acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM- IV-TR, os transtornos alimentares (TA) caracterizam-se por perturbações no comportamento alimentar, levando a prejuízos clínicos e psicológicos.Dalgalarrondo, afirma que o comportamento alimentar “é um fenômeno humanocomplexo e de importância central” (2008, p. 339). Existem alguns transtornos menosinvestigados e menos facilmente definidos, como o transtorno da alimentação noturnae o transtorno alimentar não especificado (TANE). O TANE é a categoria utilizada paraincluir casos que não preenchem estritamente os critérios de classificação existentes¹.Os transtornos alimentares mais comuns são a anorexia nervosa (AN), a bulimianervosa (BN) e o transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP).A anorexia nervosa caracteriza-se pela perda de peso por abstenção de alimentos oupor comportamentos como vômitos e/ou purgação auto-induzidos, exercício excessivoe o uso de diuréticos (DALGALARRONDO, 2008, p. 340). AN é “caracterizada por ¹Critérios de Classificação: critérios diagnósticos para AN, BN, TCAP segundo o DSM – IV (ADA – 1994) e CID – 10 (OMS – 1993). Os critérios diagnósticos estão descritos no Anexo. 10
  11. 11. PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 9-19, abr.-maio 2011grande e intencional perda de peso, subsequente a severa restrição alimentar, buscaincessante pela magreza e distúrbio da imagem corporal” (OLIVEIRA, 2009, p. 1293).A bulimia nervosa caracteriza-se por preocupação persistente com o comer e umdesejo irresistível por comida, de modo que a pessoa acometida apresenta repetidosepisódios de hiperfagia (“ataques” à geladeira, a uma sorveteria, etc.). A BNcaracteriza-se ainda por preocupação excessiva com controle de peso corporal,levando o paciente a tomar medidas extremas, como vômitos, purgação², diuréticos, afim de mitigar os efeitos do aumento de peso pela ingestão de alimentos (NUNES;DUCHESNE, 2008, p. 530).Indivíduos com TCAP distinguem-se da BN em alguns pontos: na AN e BN há umapreocupação excessiva com a forma e o peso corporal, o que não acontece no TCAP.Na BN a compulsão alimentar é claramente concluída por comportamento purgativo,no TCAP, não há uma terminação lógica, e pode estar associado ao sobrepeso e aobesidade (GRILO, 2002). O Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica é caracterizado por episódios de compulsão alimentar recorrentes da ausência dos comportamentos compensatórios inadequados para evitar o ganho de peso observados na BN (DUCHESNE, 2007, p. 1). “O comportamento alimentar no TCAP é caracterizado pela ingestão de grandequantidade de alimentos em um período de tempo delimitado.” (AZEVEDO; SANTOS;FONSECA, 2004, p. 171). Durante o episódio de compulsão alimentar, há umsentimento de falta de controle sobre o comportamento associado à ingestão degrandes quantidades de alimento, mesmo que o indivíduo esteja sem fome e, emgeral, a situação pode causar desconforto. Esse episódio é sucedido por um intensomal-estar subjetivo, caracterizado por sentimentos de angústia, tristeza, culpa,vergonha e/ou repulsa por si mesmo. Pode-se dizer que muitas vezes o indivíduobusca na compulsão alimentar uma fuga para os sentimentos de mal-estar,ocasionando um ciclo vicioso, o que pode levar à obesidade.2.1 ETIOLOGIAA etiologia dos transtornos alimentares é multifatorial, envolvendo aspectos biológicos,socioeconômicos, psicossociais e culturais. É importante lembrar que estes transtornos não emergem abruptamente, mas se desenvolvem ao longo de vários anos, a partir de predisposições presentes desde o nascimento do indivíduo, de vulnerabilidades que emergem nas primeiras etapas da vida e de ocorrências mais tardias na sua história (MORGAN; VECCHIATTI; NEGRÃO, 2002, p. 6).Bernard e Trouvé citados por Dalgalarrondo (2008. p. 339) ressaltam que “ocomportamento alimentar inclui algumas dimensões complementares” que são asdimensões fisiológico-nutritiva, psicodinâmica, afetiva e a relacional. A dimensão ²Purgação: Ato de purgar, limpar ou purificar pela eliminação de impurezas. Livrar das impurezas interiores por meio de purgantes ou outros medicamentos. 11
  12. 12. PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 9-19, abr.-maio 2011fisiológica nutritiva relaciona–se a aspectos metabólicos, endócrinos e neuronais, queregulam a demanda e a satisfação das necessidades nutricionais; a dimensãopsicodinâmica e afetiva, na qual fome e a alimentação se vinculam à satisfação e aoprazer oral que, segundo a psicanálise, possuem conotação nitidamente libidinal.Freud, em três ensaios sobre a teoria da sexualidade, descreve a libido como umaenergia vital vinculada à pulsão sexual, desejos e vontades quanto ao instinto denutrição que procura a satisfação (1905, p. 344). A dimensão relacional considera que,no desenvolvimento da criança, a boca é o mediador da primeira relação interpessoal;a relação mãe–bebê. A incorporação oral pode representar diversas vivências: o amor,a destruição, a conservação no interior do Eu e a apropriação das qualidades doobjeto amado. Para a mãe, alimentar seu filho é muito mais que uma tarefa fisiológica,tem valor emocional especial podendo expressar afeto, mistura dos sentimentos deculpa ou tentativa de “dar amor” que, às vezes, ela se sente incapaz de dar de outraforma.2.2 INCIDÊNCIAO início da AN é observado, com mais frequência, na adolescência, mas pode ocorrerdesde os oito anos de idade. A maioria dos indivíduos acometidos são mulheresjovens. A proporção de homens identificados na assistência primária é de um décimodas mulheres.Estudos mostram que na maioria das vezes, o início da BN é observado no final daadolescência e início da vida adulta. Entretanto, foram identificadas pessoas commenos de 14 anos de idade, o que sugere um aumento na ocorrência de BN empessoas jovens.O início do TCAP é observado em torno dos 25 anos ou mais cedo, na adolescência.Autores revelam que em amostras de comunidade, a relação entre ambos os sexosparece ser semelhante. Nas pessoas que frequentam programas de perda de peso, arelação entre mulheres e homens é de 3:2 (TREASURE; MURPHY, 2005).3. OBESIDADE erude e Mannarino, afirmam que “obesidade é o excesso de tecido adiposoG associado ao aumento de peso” (2009, p. 240). Dalgalarrondo considera a obesidade como uma condição complexa, determinada por fatores genéticos,familiares, culturais e fatores de desenvolvimento psicológico (2008, p. 341).Stanley Shadster citado por Crovelli aponta que os obesos simplesmente nãodiscernem muito bem se estão com fome ou saciados. O obeso seria alguém quecontinua a comer ainda que esteja saciado. Sendo assim, a comida assume o papelde redutor de tensão e, muitas vezes, única fonte de prazer. É preciso modificarcognições, isto é, crenças, pensamentos, atitudes associadas ao hábito de comer,desenvolver habilidades cognitivas e comportamentais para lidar com situações derisco, distinção entre fome e apetite (2002, p. 46).De acordo com Frühbeck, (2005) estima-se que mais de 300 milhões de pessoas nomundo inteiro sofram de obesidade, e mais de um bilhão esteja com sobrepeso.Existem disparidades na prevalência do sobrepeso e obesidade em muitos segmentosda população com base na etnia, sexo, idade e nível sócio-econômico. A obesidade éfator de risco para patologias, como: cardiopatia, hipertensão, diabetes melito,osteoartrite, apneia do sono, alguns tipos de câncer, problemas psicossociais e outrasdoenças graves. 12
  13. 13. PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 9-19, abr.-maio 2011O tratamento mais efetivo a longo prazo é e será a prevenção da obesidade.A importância da prevenção da obesidade está se tornando evidente não apenas paraos profissionais de saúde, mas também para os políticos, em virtude dasconsequências médicas, sociais e econômicas de longo alcance ao deparar-se com asconsequências prejudiciais e dificuldades associadas ao seu tratamento (FRÜNBECK,2005).4. TRATAMENTOO tratamento dos transtornos alimentares exige uma abordagem multidisciplinar na qual a famacoterapia é adjuvante de abordagens psicológicas e nutricionais. No tratamento da anorexia nervosa a principal meta é o ganho de peso, aabordagem farmacológica é necessária se houver comorbidade psiquiátrica. Baseadoem Salzano e Cordás, (2004) verifica-se que a AN ainda não possui tratamentofarmacológico eficaz.O tratamento da bulimia nervosa tem como principal objetivo regularizar o padrãoalimentar com suspensão de práticas purgativas e restritivas. Para muitos pacientescom BN o tratamento não farmacológico é considerado o primeiro passo. Se otratamento com abordagem psicoterapêutica não estiver evoluindo como o esperado,medicamentos antidepressivos, principalmente tricíclicos³, podem ser indicados.No tratamento do transtorno da compulsão alimentar periódica os objetivos são reduziros episódios compulsivos, melhorar a psicopatologia associada (sintomas depressivose ansiosos) e também diminuição do peso corporal, preferencialmente com associaçãode psicofármacos e de psicoterapia. Três classes de medicamentos estão sendoestudadas para o tratamento do TCAP, sendo elas antidepressivos, inibidores deapetite com ação no sistema nervoso central e anticonvulsivantes (SALZANO;CORDÁS, 2004, p. 189). “Há evidência crescente que os sintomas do TCAP respondem a farmacoterapia cominibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) e mais recentemente, asibutramina e o topiramato têm-se mostrado agentes promisssores.” (APPOLINÁRIO;BACALTCHUK, 2002, p. 57).A farmacoterapia efetiva para a obesidade tende a exigir uso a longo prazo, portanto,é essencial avaliar os efeitos colaterais, riscos potenciais e custos em relação aosbenefícios. Atualmente dois produtos são utilizados, o orlistate e a sibutramina. Oorlistate é um inibidor da lipase, atua no trato digestório impedindo a degradação eabsorção da gordura dietética. A sibutramina é um bloqueador da recaptação deserotonina-noradrenalina, misto que produz elevação dos níveis deneurotransmissores, causando uma redução na ingestão de alimentos (FRÜNBECK,2005). É importante ressaltar que no Brasil, o uso de sibutramina é proibido, visto queesta substância pode trazer prejuízos para o paciente. ³Antidepressivos Tricíclicos (ATC): assim denominados devido ao núcleo característico com três anéis. A princípio acreditou-se que fossem úteis como anti-histamínicos com propriedades sedativas e, mais tarde como antipsicóticos. A descoberta de suas propriedades antidepressivas foi uma observação clínica fortuita. A imipramina e a amitriptilina são os protótipos dessa classe de drogas como inibidores mistos da captação da noradrenalina e serotonina, embora tenham também várias outras propriedades (KATZUNG, 2003). 13
  14. 14. PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 9-19, abr.-maio 2011Em relação ao tratamento farmacológico são necessárias novas pesquisas paradeterminar duração do tratamento, doses eficazes, bem como verificar as diferençasnos resultados terapêuticos com associação de psicoterapia.A reabilitação nutricional faz parte de qualquer bom plano de assistência e pode ajudara diminuir os riscos de complicação. Essa reabilitação também proporciona aopaciente o tempo necessário para considerar mais claramente seu comportamento,adquirir conhecimentos sobre a doença e reestabelecer o controle da alimentação. Aadição do exercício físico a um programa de reabilitação é importante, visto que podetornar o tratamento mais efetivo. Frühbeck, (2005) afirma que a atividade física é desuma importância para o manejo a longo prazo do peso corporal.Com base nas características particulares do paciente, deve-se efetuar mudanças noestilo de vida, utilizar a farmacoterapia ou recorrer a uma combinação dessasabordagens para obter melhores resultados no tratamento. O tratamento dostranstornos alimentares e obesidade são realizados em equipe multidisciplinar, sendonecessária a associação de psicólogos a outros profissionais, como médicos,nutricionistas e educadores físicos. O envolvimento da família no tratamento podeajudar a criar uma estrutura de colaboração, o que pode facilitar as mudanças.4.1 TRATAMENTO PSICOLÓGICODuchesne e Almeida, (2002) afirmam que vários ensaios clínicos avaliaram a eficáciada terapia cognitivo comportamental, indicando que ela favorece a remissão oudiminuição da frequência de episódios de compulsão alimentar, dos comportamentospurgativos e da restrição alimentar.Nas orientações nutricionais que visam o emagrecimento, o sujeito acredita que “sabe”o que fazer e o que comer, mas se sente impotente para fazê-lo, algo “subjetivo” maisforte o impede. Come sem fome sabendo que não deveria. Assim o indivíduo engordae passa a mudar comportamentos, diminui a atividade física, evita ir a lugares ondetenha que se expor fisicamente, aumentando a ansiedade e a probabilidade de “fugas”que assumem a forma de comportamentos alimentares compulsivos. O primeiroaspecto que deve ser investigado é a motivação que o paciente apresenta para otratamento. A dificuldade apresentada em participar do tratamento, pode ser reflexo debaixa confiança e, na maioria das vezes, é necessário criar motivação para otratamento.Segundo Fairburn, 1985; Channon e Wardle, 1989 citados por Rangé (2001) amotivação para o tratamento pode ser obtida avaliando, do ponto de vista do paciente,aspectos insatisfatórios de sua vida e concentrando–se inicialmente neles, é precisotornar a alteração desses aspectos as metas iniciais do tratamento e gradualmenteabordar outros temas, desde que o peso mínimo viável para o tratamento ambulatorialseja mantido.O acompanhamento psicológico no tratamento é fundamental e tem como objetivopropor indagações que possibilitem um resgate da história pessoal, não só asquestões emocionais, mas a própria reeducação alimentar. Assim o processo quechamamos de reeducação alimentar não se resume em perder ou ganhar peso, e simem mudar atitudes, significados, comportamentos, visão de mundo, modelos evalores (NUNES, DUCHESNE, 2008).4.1.1 Terapia Cognitivo-Comportamental 14
  15. 15. PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 9-19, abr.-maio 2011De acordo com Nunes e Duchesne (2008) a Terapia Cognitivo Comportamental é umaintervenção semi-estruturada, objetiva, orientada para metas e prioritariamente voltadapara o presente e o futuro. Aborda fatores cognitivos, emocionais, comportamentais einterpessoais no tratamento dos transtornos alimentares. Extensamente utilizada, suaeficácia foi avaliada por diversos estudos, sendo indicada como modelo de tratamentoeficaz na melhora dos quadros clínicos. Foram desenvolvidos vários manuais quesistematizam detalhadamente o modo como a terapia deve ser praticada. Mas, naprática clínica, as técnicas utilizadas e a sequência em que são programadas, devemser adaptadas às necessidades particulares do paciente.É importante destacar que o terapeuta deve manter uma atitude empática em relaçãoàs dificuldades e necessidades do paciente e apresentar a terapia como um trabalhoem equipe, no qual ambos terão uma participação ativa na detecção de causas dasdificuldades e na seleção das estratégias utilizadas no tratamento (DUCHESNE;ALMEIDA, 2002). As técnicas cognitivo-comportamentais são utilizadas visando àmodificação de hábitos prejudiciais ao paciente. A seguir serão descritas algumastécnicas utilizadas no tratamento dos transtornos alimentares.O automonitoramento é realizado pelo próprio paciente por meio de registros escritossobre sua ingestão alimentar diária, dos episódios de compulsão e os eventosdesencadeantes. Tais informações são úteis no sentido de auxiliar na elaboração doplanejamento e indicações terapêuticas.O controle de estímulos pode ser utilizado para modificar situações que antecedem ocomportamento disfuncional, como comer em excesso ou a inatividade física. Algunsexemplos seriam: programar as compras no supermercado mantendo os alimentosproibidos fora da lista de compras; estimular a atividade física com a evitaçãofrequente de recursos tecnológicos como controle remoto e ou uso demasiado docarro quando é possível caminhar, etc.Na resolução de problemas, terapeuta e paciente devem identificar problemasrelacionados ao excesso de peso. O objetivo desta técnica é implementar novospadrões de comportamento que auxiliam o paciente na perda e manutenção dePeso. Para que o paciente faça uma boa adesão à atividade física, é necessário estabelecer modalidades de exercícios que o paciente considere agradáveis. Examinar juntamente com o paciente, os pensamentos e circunstâncias que poderiam dificultar a execução do exercício, com o objetivo de planejar antecipadamente possíveis soluções. Elaborar um plano de exercícios que seja flexível, podendo incluir uma combinação de exercícios diferentes (NUNES; DUCHESNE, 2008, p, 544).A reestruturação cognitiva consiste em modificar o sistema de crenças do paciente.Identificar e corrigir crenças e pensamentos disfuncionais com relação ao peso e àalimentação. Alguns exemplos de distorções cognitivas comuns em pacientes comexcesso de peso são a abstração seletiva, que consiste em prestar atenção e dar maisvalor às informações que confirmam suas suposições “ter comido este doce implicaque não sou capaz de exercer controle sobre meu comportamento alimentar”; opensamento “tudo ou nada” consiste em pensar em termos absolutistas “já saí da dietamesmo, agora vou comer tudo que vier pela frente”; o pensamento supersticioso emque acredita-se que há relação de causa e efeito entre eventos não contingentes “ir aoshopping significa sair da dieta” (BRITO, 2005, p. 3). 15
  16. 16. PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 9-19, abr.-maio 2011Na prevenção de recaídas os pacientes são orientados a identificar as situações dealto risco que poderiam dificultar o controle da alimentação no futuro, e com auxílio doterapeuta, são elaborados modos de lidar com essas situações. Deve ser organizadoum plano de manutenção por escrito, em conjunto com o paciente, contendo uma listadas técnicas que se mostraram úteis ao longo do tratamento, as situações queoferecem maior risco para recaídas e as possíveis soluções para lidar com elas(NUNES; DUCHESNE, 2008).5. CONSIDERAÇÕES FINAISO tratamento de pacientes com transtornos alimentares e/ou obesidade obtém melhores resultados quando realizado por uma equipe multiprofissional, formada por médicos, nutricionistas, educadores físicos e psicoterapeutas.Deve se ressaltar que a participação do psicólogo é imprescindível, pois a sua atuaçãoé direcionada ao paciente, considerando sua singularidade e favorecendo oautoconhecimento.Estudos que comparam a terapia cognitivo comportamental a outros tipos de terapiamostram que a TCC apresenta maior eficácia como terapia de apoio, devido avariedade de técnicas utilizadas, objetividade e orientações prioritariamente para opresente e o futuro.Percebe-se que é necessário efetuar mais pesquisas para alcançar melhorcompreensão sobre os transtornos alimentares. Obter mais informações sobre acomplexa interação biológico-ambiental é fundamental para melhor compreender aetiologia e o tratamento dos transtornos alimentares. São necessários mais estudospara investigar os fatores biológicos, psicológicos e ambientais, envolvidos nostranstornos alimentares e empenhar-se na avaliação dos tratamentos, seus resultadose prognóstico.Espera-se que futuros estudos direcionados especificamente para jovens, possamfavorecer a inclusão de futuros programas, com dispositivos para ajudar noenfrentamento das mudanças físicas, sociais e emocionais durante a puberdade,como as provocações por colegas acerca da forma e aparência do corpo, dasexualidade e das súbitas mudanças de humor que caracterizam essa fase dodesenvolvimento.Acredita-se que uma das chaves para pesquisas futuras esteja na colaboração deequipes interdisciplinares, reunindo especialistas com abordagens diferentes, porémefetivas, no manejo destes transtornos.AGRADECIMENTOSAgradecemos ao Professor Eustáquio José de Souza Júnior pelo apoio, atenção eincentivo durante a elaboração do artigo.REFERÊNCIASAmerican Psychiatric Association. de Transtornos Mentais. 4 ed.Manual Diagnóstico e Estatístico Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. 16
  17. 17. PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 9-19, abr.-maio 2011 Standard Brasileira. Vol. VII. Rio deAPPOLINÁRIO, José Janeiro: Imago, 1996.C. BACALTCHUK, Josué. Tratamentofarmacológico dos transtornos FRÜHBECK, Gema. Nutriçãoalimentares. Rev. Brasileira de Excessiva. In: GIBNEY, Michel J. et al.Psiquiatria. 2002, vol.24, p. 54-59. Nutrição Clínica. 1 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. p. 27-56.AZEVEDO, Alexandre Pinto de;SANTOS, Cimâni Cristina dos; GERUDE, Maurício. MANNARINO, IdaFONSECA Dulcinéia Cardoso da. Cristina. Obesidade. In: AUGUSTO,Transtorno da Compulsão Alimentar Ana Lúcia Pires et al. TerapiaPeriódica. Rev. Brasileira de Nutricional. São Paulo: Atheneu,Psiquiatria Clínica. Vol. 31. São 2002. Cap. 30, p. 240-252.Paulo, 2004. GRILO, C. M. Transtorno de compulsãoBECK, A. T. Terapia Cognitiva da Alimentar. In: FAIRBUN, C. G.Depressão. Porto Alegre: Artmed, BROWNELL, K. D. Distúrbios Alimentares e Obesidade: um2005. manual abrangente. 2. ed, 2002.BRITO, C. L. S. et al. Obesidade: KATZUNG, B. G. FarmacologiaTerapia Cognitivo-Comportamental. Básica e Clínica. 8. ed. Rio de Janeiro:Projeto Diretrizes. Sociedade Guanabara Koogan. 2003. p. 1054.Brasileira de Endocrinologia eMetabologia. Ago. 2005. LAPLANCHE, J; PONTALIS, J. B. Vocabulário da Psicanálise. 9. ed.CROVELLI, Marcel. Sob o peso da São Paulo: Martins Fontes. 1986. p.obesidade. Revista Mente e Cérebro, 707.São Paulo. Ed. Especial, n. 11, p.46-53, out. 2002. MORGAN, C. M.; VECCHIATTI, I. R.; NEGRÃO, A. B. Etiologia dosDALGALARRONDO, Paulo. Transtornos Alimentares: aspectosPsicopatologia e Semiologia dos biológicos, psicológicos e sócio-Transtornos Mentais. 2 ed. Porto culturais. Rev. Brasileira deAlegre: Artmed, 2008. Psiquiatria. Vol. 24, supl. III, São Paulo, 2002.DUCHESNE, Mônica et al. Evidênciassobre a Terapia Cognitivo NUNES, Maria Angélica. DUCHESNE,Comportamental no tratamento de Mônica. Abordagens psicoterápicasobesos com transtorno da compulsão nos transtornos alimentares: Terapiaalimentar periódica. Rev. Brasileira de Cognitivo Comportamental. In:Psiquiatria. Vol. 29, n.1, Porto Alegre, CORDIOLI, Aristides Volpato e Cols.2007. Psicoterapias Abordagens Atuais. 3 ed. Porto Alegre: Artmed, 2008. p. 530-DUCHESNE, Mônica. ALMEIDA, Paola 548.Espósito de Moraes. Terapia CognitivoComportamental dos Transtornos OLIVEIRA, Andrea Ramos de. et al.Alimentares. Rev. Brasileira de Anorexia Nervosa. In: WAITZBERG,Psiquiatria. Vol. 24, supl.III (49-53). Dan L. (Org.) Nutrição oral, enteral eSão Paulo, 2002. parenteral na prática clínica. 4.ed. São Paulo: Atheneu, 2009. p. 1293-FREUD, S. (1905) Três Ensaios sobre 1304.a teoria da Sexualidade. In: ObrasPsicológicas Completas. Edição Organização Mundial de Saúde. 17
  18. 18. PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 9-19, abr.-maio 2011Classificação de transtornos mentais e SALZANO, Fábio Tapia; CORDÁS,de comportamento da CID 10. Táki Athanássios. TratamentoDescrições Clínicas e Diretrizes farmacológico de transtornosDiagnósticas. Porto Alegre: Artes alimentares. Rev. Psiquiatria clínica.Médicas, 1993. p. 351. 2004, vol.31, n.4, p. 188-194.RANGÉ, Bernard. (Org.) Psicoterapias TREASURE, Janet; MURPHY, Tara.Cognitivo-comportamentais: um Transtornos Alimentares. In: GIBNEY,Diálogo com a Psiquiatria. Porto Michel J. et al. Nutrição Clínica. 1 ed.Alegre: Artmed. 2001. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. p. 78-90.ANEXOSTabela 1 - Critérios diagnósticos para Anorexia Nervosa e Bulimia Nervosa pelo DSM-IV e pela CID-10. Critérios diagnósticos do DSM-IV e CID-10 para Anorexia Nervosa DSM-IV CID-10Perda de peso e recusa em manter o peso Perda de peso e manutenção abaixo dodentro da faixa normal (≥85% do esperado). normal (IMC ≤17,5 kg/m2).Medo mórbido de engordar mesmo estando Perda de peso auto-induzida pela evitação deabaixo do peso. alimentos que engordam.Perturbação na forma de vivenciar o baixo Medo de engordar e percepção de estar muitopeso, influência indevida do peso sobre a gorda(o).auto-avaliação e negação do baixo peso. Distúrbio endócrino envolvendo o eixoAmenorréia por 3 ciclos consecutivos. hipotálamo-hipofisário-gonadal (amenorréia) e atraso desenvolvimento puberal.Subtipos:1.restritivo (dieta e exercícios apenas) *vômitos auto-induzidos, purgação e uso de2.compulsão periódica/purgativo (presença de inibidores do apetite e/ou diuréticos podemepisódios de compulsão e/ou purgação além estar presentes.da dieta, exercícios) Critérios diagnósticos do DSM-IV e CID-10 para Bulimia Nervosa DSM-IV CID-10Episódios recorrentes de compulsão alimentar Episódios recorrentes de hiperfagia (duas(excesso alimentar + perda de controle). vezes/semana por três meses), preocupaçãoMétodos compensatórios para prevenção de persistente com o comer e desejo irresistívelganho de peso: indução de vômitos, uso de de comida.laxantes, diuréticos, enemas, jejum, exercícios Uso de métodos compensatórios paraexcessivos ou outros. neutralizar ingestão calórica: vômitos, abusoFreqüência dos episódios compulsivos e de laxantes, jejuns ou uso de drogascompensatórios: em média pelo menos duas (anorexígenos, hormônios tireoidianos ouvezes/semana por três meses. diuréticos)*Influência indevida do peso/forma corporal Medo de engordar que leva a busca de umsobre a auto-avaliação. peso abaixo do limiar ótimo ou saudável.Diagnóstico de AN ausenteSubtipos: *diabéticas podem negligenciar o tratamento1. Purgativo – vômitos induzidos, abuso de insulínico (evitando a absorção da glicose 18
  19. 19. PINTO, D.T.; DE LACERDA, R.F. O auxílio psicológico no processo de emagrecimento eprevenção da obesidade. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, p. 9-19, abr.-maio 2011laxantes, diuréticos ou enemas sanguínea)2. Não-purgativo –apenas jejum e exercíciospara compensar ingestão calórica Tabela 2 - Outros transtornos alimentares e critérios diagnósticos para TCAP Critérios diagnósticos do DSM-IV e CID-10 para Transtornos Alimentares sem outra especificação DSM-IV CID-101. Preenche critérios para AN exceto 1. AN Atípica – um ou mais aspectos-chaveamenorreia. da AN está ausente ou tem todos em grau2. Preenche critérios para AN com perda de mais leve.peso, mas ainda dentro da faixa normal. 2. BN Atípica – um ou mais aspectos-chave3. Preenche critérios para BN exceto pela da BN pode estar ausente. Ex. Bulimia defrequência e cronicidade. peso normal - episódios de hiperfagia e4. Comportamento purgativo após ingestão de purgação em indivíduos de peso normal oupequena quantidade de comida. excessivo.5. Mastiga e cospe fora os alimentos. 3. Hiperfagia associada a outros distúrbios psicológicos (levando a obesidade). 4. Vômitos associados a outros distúrbios psicológicos. 5. Pica em adultos, perda de apetite psicogênica. Critérios diagnósticos do DSM-IV (apêndice B) para Transtorno de Compulsão Alimentar PeriódicaEpisódios recorrentes de compulsão alimentar periódica (excesso alimentar + perda decontrole)Comportamentos associados à compulsão alimentar: (pelo menos 3)1. Comer rapidamente2. Comer até sentir-se cheio3. Comer grandes quantidades de comida mesmo sem estar com fome4. Sentir repulsa por si mesmo, depressão ou demasiada culpa após a compulsãoAcentuada angústia pela compulsão alimentar.Frequência e duração da compulsão alimentar: média de dois dias/semana por seis meses.Não se utiliza de métodos compensatórios inadequados (ex. purgação).O auxílio psicológico no processo de emagrecimento e prevenção da obesidadeDaniela Tamires PintoPsicóloga pela Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC)Bom Despacho, MGE-mail: danielatamires@yahoo.com.brRosana Fernandes de LacerdaPsicóloga pela Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC)Bom Despacho, MGE-mail: rosanalacerdacorrea@hotmail.com 19
  20. 20. PEREIRA, C.E.G. As diretrizes do ensino médio no Brasil. Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 20-25, abr.-maio, 2011 As diretrizes do ensino médio no BrasilCarlos Eduardo Gomes PereiraPedagogo e Pós-Graduado no Curso Lato-sensu “Ensino de História e CiênciasSociais” pela Universidade Federal Fluminense (UFF)São Gonçalo, RJE-mail: kadu_gomez@yahoo.com.brBreve HistóricoP ara o século XXI, a educação social desta época. No Período Pré- cria novos paradigmas devido às Getulista, da República Velha (1889- transformações mundiais da 1930), o Estado Nacional brasileirosociedade que provocaram uma nova desperta uma luz de interesse peloorientação da educação a nível ensino médio com a criação dasmundial; a qual afetou sensivelmente a Escolas de Artífices, em 1909, nomodificação da estrutura e dos governo de Nilo Peçanha, que tinhaobjetivos da educação brasileira em função moralizante, educativa enível de currículo, afetando todas as profissionalizante.escalas da etapa de ensino escolar,mas enfatizo como pode ser sua Na primeira fase do governo de Getúliorepercussão para o ensino médio. Vargas (1930-1945), devido à transferência de monopólio das forçasNo entanto, estas orientações pautadas de poder das elites rurais cafeeiraspelos pilares do aprender a ser, do para a elite urbana burguesa, aaprender a fazer, do aprender a sociedade passa por radicaisconhecer e do aprender a viver modificações, dentre as, a Revoluçãocoordenadas pela Unesco e a Educacional, que criou uma política dereintrodução da Sociologia e da estruturação geral da educaçãoFilosofia no ensino médio não podem brasileira.ser problematizadas caso sem fazerum pequeno histórico do ensino médio O ensino ficaria dividido em ginasial deno Brasil. quatro anos com os cursos secundário, comercial, industrial, agrícola e normalO ensino médio possui uma história e em colegial de três anos comercial,descontínua e oscilante, uma vez que, agrícola e normal e ensino superior.no Período Imperial e no RepublicanoPré-Getulista, nunca houve um mínimo Ao longo de alguns anos, a função dode preocupação de universalização do ensino médio oscilou entre oensino médio. propedêutico e o profissionalizante. Desta forma, a indefinição do perfil doNo Período Imperial, as escolas de ensino médio comprometeu, em certoensino médio existentes; em parte, sentido, uma expansão mais concisaeram particulares; públicas, poucas, do ensino médio e a formação desendo modelo de excelência; o D. políticas centralizadoras no maiorPedro II, celeiro da elite intelectual e amadurecimento deste nível de ensino. 20
  21. 21. PEREIRA, C.E.G. As diretrizes do ensino médio no Brasil. Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 20-25, abr.-maio, 2011Agora, o ensino médio apresenta novos Quanto a Sociologia, há um granderumos, pois adequação desta etapa às dilema em trabalhar a desnaturalizaçãodiretrizes curriculares (aprender a ser; e o estranhamento dos fatos sociais, sea fazer; a viver e a conhecer) e a a leitura não é um hábito corriqueiroreinserção da Filosofia e Sociologia no entre a população brasileira ou ainda aquadro de suas disciplinas o desafia forte dependência da juventude acriar novos horizontes para o futuro da linguagem da mídia. Além destaseducação e a chance de alunos mais questões, a transposição didática dosaptos a se tornarem indivíduos mais teóricos da Sociologia e da Filosofiacompletos e autônomos, além de para o currículo do ensino médio sempermitir a formação de profissionais que os ensinamentos destescompetentes, sensíveis. pensadores passem num trânsito rápido, quase ilustrativo, sem coerênciaAssim, o ensino médio tenta corrigir a com a realidade do aluno.perpetuação de suas fragilidades emazelas, também diminuir os impactos Desta maneira, este olhar deda herança da dualidade estrutural do estranhamento e de desnaturalizaçãoensino e conciliar os aspectos de uma da realidade deve partir dosreforma educacional que fortaleça a professores e dos outros profissionaisaliança entre as finalidades da educação de terem este parâmetrohumanísticas e preparatórias- sobre sua conduta profissional e sobreprofissionais da educação do ensino os novos mandamentos curricularesmédio. para o ensino médio. Quando conscientizamos deste horizonte, oNovos rumos para o ensino médio trabalhar do conhecimento sociológico; no ensino médio, ganha um valoroso1º rumo: a inclusão da Sociologia e sentido porque entendemos que aFilosofia no currículo do ensino Sociologia pode ser um excelentemédio veículo de aprofundar nossa visão da realidade; contribuindo para umaNa nossa atualidade, o ensino médio profissionalização humanística e umaapresenta o desafio da inclusão da educação emancipatória queSociologia e da Filosofia em seus ultrapasse uma orientação utópica ecurrículos, além dos aspectos ilusória das exigências textuaisestruturais, também se apresentam, os curriculares para este nível de ensino.aspectos da natureza destesconhecimentos. Quanto aos aspectos Em relação à inclusão da Filosofia, aestruturais, o período de adequação natureza do seu conhecimento, dadas escolas de nível médio às radicalidade da visão crítica naexigências deste currículo e a formação interpretação da realidade auxilia tantode profissionais-docentes aptos para para o profissional e o discenteministrarem estes dois conhecimentos entender o porquê da sua atuaçãoao nível de disciplina. Quanto à dentro daquela realidade pertencente anatureza destes conhecimentos eles; além de ajudar a entender esociológicos e filosóficos, a forma como conviver com a pluralidade e aestas naturezas são trabalhadas dentro diversidade de pessoas e de situações.da sala de aula, temos, por exemplo, Assim, a Filosofia fomenta o espíritona Sociologia, cuja sua natureza de investigativo e crítico das ciênciasconhecimento trabalha a sociais.desnaturalização e o estranhamentodos fatos sociais; na Filosofia, a Então, os profissionais da educaçãoradicalidade da visão crítica ao em geral (os especialistas dainterpretar os fatos sociais. educação) e os professores 21
  22. 22. PEREIRA, C.E.G. As diretrizes do ensino médio no Brasil. Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 20-25, abr.-maio, 2011vislumbram que complexidade da 2º rumo: A inserção dos novosFilosofia não está somente na sua pilares da educação no cotidiano daexistência, mas na sua interlocução escolacom a realidade, logo esta disciplina;no ensino médio, pode ser ensinada de Para o século XXI, novos pilares foramum modo menos enfadonho e estruturados para educação por causahermenêutico para os alunos do ensino da reforma da educação mundial quemédio. uniu os países dos principais continentes com interlocução daA Filosofia serve de elo entre os Unesco que promoveu a discussãoprofissionais da escola e os destes pilares nos encontrosacontecimentos intra e extra-escolares promovidos através da Reuniãoporque quanto mais nós ficarmos na Internacional sobre Educação para ocondição de sábio e muito menos de Século XXI, durante a década de 1990;aprendiz, nada sabemos, portanto e a elaboração do Plano decenal depouco nosso conhecimento servirá educação para todos, também no iníciopara atuar em conjunto, cada um, com da década de 1990.sua forma de interpretar a vida, podeajudar na construção mais produtiva da Estes pilares são o aprender a ser; orealidade, além de saber interconectar aprender a conhecer; o aprender aa escola com o mundo para termos fazer e o aprender a viver. Estessujeitos críticos e participantes e não recentes mandamentos educacionaisdogmáticos e doutrinários. para serem transpostos à realidade escolar necessitam de uma grandeO conhecimento da Filosofia no ensino sensibilidade e coerência teórica emédio caso não seja bem aplicado e prática dos professores em relação àestruturado no currículo estará na realidade da interioridade esituação de mais um adendo, pois exterioridade da escola.servirá apenas para contar queaparentemente o ensino médio evoluiu, Desta forma, analisando cada umporém a idéia de evolução ficará destes pilares, temos uma melhorestacionada na idealização das linhas dimensão destes conceitos curricularesdo currículo; e não resulta em efeitos para a realidade da escola. O primeiropráticos para o cotidiano dos pilar; aprender a ser, convida o cidadãoprofessores e alunos. aliar os três pilares restantes na sua personalidade, ou seja, formar umA reintrodução da Sociologia e da sujeito capaz de trabalhar aFilosofia; no currículo do ensino médio, sensibilidade e a criticidade nos seusindica uma transformação positiva atos; então a construção do estudanteporque sinaliza que a complexidade da de ensino médio passa pelaevolução da sociedade exige uma observância deste na interpretação-maior construção do conhecimento; prática da realidade onde o fazer doalém de perceber que a luta sujeito corresponde a sua plenapedagógica e política pelas disciplinas coletivização as novas circunstânciasquanto seu maior reconhecimento de apresentadas ao geral contextoimportância pela escola e pela regulador da sociedade.sociedade pode ajudar, de uma formasalutar, quando estes conhecimentos; Enquanto o aprender a conhecer seno nível de disciplina escolar, situa na inserção da diversidade dopossibilitam o amadurecimento crítico conhecimento para que possa entenderdo professor e do aluno, sem nenhuma a multiplicidade da realidade devido opieguice ideológica. aumento da heterogeneidade cultural; logo estimulando o senso crítico e a não-padronização do conhecimento, 22
  23. 23. PEREIRA, C.E.G. As diretrizes do ensino médio no Brasil. Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 20-25, abr.-maio, 2011tendo mais capacidade em enfrentar e A vigilância do aprender a conhecerresolver problemas, assim fomente permite a nós questionar o enxame dediscentes adaptáveis a mudanças e informação que é largada para oscom crescente respeito à diversidade. jovens atualmente e se estão sabendo fazer bom uso desta avalanche deExplorando o pilar do aprender a fazer, conhecimento e como a escola senovos desafios são empreendidos ao comporta diante desta realidade. Alémestudante, uma vez que a prática de pensarmos se professores e osmediada por este pilar embolsa a demais profissionais da educaçãopreocupação do cidadão em conhecer estão estimulando mais onovas categorias de trabalho individualismo do que a individualidade(principalmente numa época do e caso o respeito à diversidade daaumento da informalidade do trabalho); cultura nas escolas preserva acomunicar-se com os inéditos grupos tolerância à identidade do aluno, porprofissionais modernos e não entender exemplo, o estímulo ao respeito dao aprendizado como um simples pluralidade de religião nas escolas.começo ou fim, mas uma contínuaforma de obter conhecimento para Quando atentamos para o aprender aefetuar nos círculos sociais que as fazer, refletimos a maneira como apessoas se envolvem. escola estimula os alunos a prosseguirem nos estudos e aEm relação, ao aprender a viver, o ambicionarem uma perspectivadiscente necessita trabalhar a questão profissional, também os reflexos dasda sociabilidade, da alteridade e condições políticas e sociais do ensinointeragir a variação do contexto global e da construção do currículo nointerconectado, principalmente com o cotidiano de aprendizado dosmega-avanço das formas dos meios de discentes.comunicação e de informação. No tocante a aprender a viver,Estes parâmetros atuais para a pensamos nas condições de existênciaeducação, perguntamo-nos, será de um clima favorável para os valorespossível mesmo empreendê-los a de sociabilidade e de respeitabilidaderealidade das nossas escolas? , a fim nas escolas; além da observação dede responder a esta pergunta, basta que se o Estado e a sociedade dãoproblematizá-los no contexto das espaço para a escola estimular oscircunstâncias escolares. alunos a terem intimidade e convivência com as modernas práticasA observância do aprender a ser na de tecnologia da comunicação e deescola apresenta uma densa informação.complexidade porque como seorganiza mediante aos outros três Apresentando este provável quadro dapilares (aprender a viver; a fazer e a educação que pode servir paraconhecer); no caso das escolas qualquer escola, poderemos terpúblicas, uma parte do público dos possíveis respostas para a nossaalunos desta rede de ensino indagação; entretanto apesar dasexperimenta todo o tipo de adversidades escolares responderem aprecariedades semelhantes em seus ocorrência de uma barreira entre o quelares nas escolas, são apresentados e é proposto para educação nosparticipam do aumento do cenário de currículos e a realidade vivida porviolência nas escolas e se habitam a alunos e professores do ensino médio,carência de laboratórios de informática os educadores podem usar estase de bibliotecas. novas prerrogativas gerais para os currículos; em destaque, o ensino médio, na avaliação e na expiação de 23
  24. 24. PEREIRA, C.E.G. As diretrizes do ensino médio no Brasil. Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 20-25, abr.-maio, 2011que maneira suas práticas no cotidiano vinte anos, procuram se reestruturarda escola contribuem para a possível em classe profissional forte.barreira entre a proposta de currículo ea vivência cotidiana do professor e do Desta maneira, o ajustamento daaluno. educação de ensino médio as novas propostas curriculares deste nível deConclusão ensino pautadas nos pilares (aprender a ser; aprender a fazer; aprender aAs transformações do ensino médio conhecer e aprender a viver) dependesão uma das respostas da necessidade de um conjunto de fatores coligadosde mudança da sociedade, entretanto o férteis para este intento, senão passaránosso mergulho nestas mudanças da de uma idealização qual pelo osociedade, por exemplo, da educação, imediatismo da urgência dadeve ser guiado por nossa implantação causará um remendo deresponsabilidade teórica e normas para serem mal digeridas peloscompromisso em despertar o que há de professores e pelos alunos no seumelhor na pessoa pelos caminhos da cotidiano de escola.educação. Estes pilares, de algum modo,No caso do ensino médio, no Brasil, sinalizam a emergência da educaçãoeste nível de ensino sofre as escolar sair do seu pedestalconsequências de um retardo do nosso enciclopedista, para atentar as reaispaís (débil e lento) em ultrapassar de competências e necessidades dos seusuma mentalidade feudal ruralista em alunos, como também associar seuenxergar o desenvolvimento da patrimônio de conhecimento asociedade para uma mentalidade modernidade de construção eprocessual capitalista industrial; que aquisição do conhecimento semtrouxe efeito de transmutação para a desprezar sua criticidade e o bom-parca visão de educação e um senso teórico.progresso em outros setores dasociedade. A escola precisa se comunicar melhor com os novos tempos e com aEste efeito teve representações na realidade dos seus alunos do nossodificuldade e demora da efetivação país para abrir margem para a cura daspermanente da Sociologia e da fragilidades e feridas do processoFilosofia no currículo, devido à falta de escolar brasileiro; mas estauma corporação intelectual forte para o preocupação não deve seramadurecimento destes conhecimentos resolucionada com uma acomodação edurante o século XIX e a dilapidação aceitação das novidades na construçãoprogressiva da auto-estima da classe das novidades na construção dode professores que; durante os últimos conhecimento.REFERÊNCIASDELORS, Jacques. Educação para o Populares: a democratização do ensinoSéculo XXI. Ed: Cortez, São Paulo, médio. UFF. RJ, 2006.2006, 10º edição. Parâmetros Curriculares NacionaisGOMES, Pereira Silva Carlos Eduardo. (Ciências Humanas): ensino médio.Trabalho de Conclusão de Curso de Ministério da Educação. Secretaria dePedagogia. Pré-Vestibulares Educação Média e Tecnológica. Brasília: Ministério da Educação, 2006. 24
  25. 25. PEREIRA, C.E.G. As diretrizes do ensino médio no Brasil. Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 20-25, abr.-maio, 2011QUELUZ, Leandro Gilson. Concepções SILVA JÚNIOR, João dos Reis.de Ensino Técnico na República Velha Reforma do Estado e da Educação (No(1909-1930). Publicação do Programa Brasil de FHC). Ed: Xamã, São Paulo,de Pós-Graduação em Tecnologia, 2002.2002.As diretrizes do ensino médio no BrasilCarlos Eduardo Gomes PereiraPedagogo e Pós-Graduado no Curso Lato-sensu “Ensino de História e CiênciasSociais” pela Universidade Federal Fluminense (UFF)São Gonçalo, RJE-mail: kadu_gomez@yahoo.com.br 25
  26. 26. GUIMARÃES, R.N.L. Democracia de verdade só na mãe natureza! Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 26-29, abr.-maio, 2011 Democracia de verdade só a mãe natureza!Rodrigo N. Lacerda GuimarãesLicenciado em Matemática, Bacharel em Segurança Pública, Pós-graduado emDocência do Ensino Superior, em Política e Estratégia e em Planejamento e Gestãode Projetos SociaisPalmas, TOE-mail: lacerda703@gmail.comBlog: http://lacerda703.blogspot.com/A s recentes catástrofes naturais que acometeram algumas nações do mundo fazem pensar...Pensar que está evidente que a natureza não fez diferença entre países ricos oupobres. E acho mesmo que somente ela (a natureza) é que não vê essa diferença.A mídia inclusive foi taxativa em afirmar que não havia nenhuma outra nação maispreparada para enfrentar catástrofes naturais como o Japão. Todos viram o tamanhodo estrago.Pensar que quando Rosseau falou que a democracia era praticável somente numacidade de deuses, talvez tivesse razão.No caso do Haiti, um país dos mais pobres do planeta, a ONU foi obrigada até asuspender o envio de recursos para sua reconstrução, por causa da corrupção. "Nossa sociedade é realmente melhor do que a de nossos ancestrais?"Parece até coisa de filme ou de jogo. Quem é que pode acreditar nisso?Fico a imaginar como é que pessoas que são chamadas de “autoridades” conseguemdesviar dinheiro numa situação tão miserável como a que se encontram aquelescoitados.Pensar que a noção do que seja humano e do que seja direito se perdeucompletamente na história.Chega a ser estúpido versar sobre outra coisa que não a busca por uma identidadehumana para os seres humanos. Por mais estúpido que isso possa parecer. 26
  27. 27. GUIMARÃES, R.N.L. Democracia de verdade só na mãe natureza! Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 26-29, abr.-maio, 2011Li numa monografia, um dia desses, que se costuma referir à Idade Média como “anoite dos tempos” ou como o “tempo da barbárie”. Mas, será que evoluímos? Nossasociedade é realmente melhor do que a de nossos ancestrais? A escravidão foirealmente abolida?Pensar ainda que o socialismo ou o comunismo ruíram e com ele milhares de boasintenções. Mesmo assim, aparentemente o que estragou tudo foram, de novo, oshomens.Alguém já dissera que a norma nada mais é do que um conjunto de regras morais queimpõem sua existência pela possibilidade de sua infração.Assim, estupidez por estupidez, parecia ter razão o filósofo, pois quando olhamos paranossos políticos e para o quadro de “desenvolvimento” que se desenha para o país,não dá para dizer que somos de fato um Estado Democrático de Direito, a não ser nopapel, que aceita tudo mesmo.Tem gente que ainda acredita que somos uma das democracias mais desenvolvidasdo mundo. Acho que estes têm que assistir menos Rede Globo.Talvez estejamos precisando mesmo é passar pelo julgamento da natureza.Se no Japão os reatores nucleares andaram explodindo, o que aconteceria com Agra Ie Angra II?A mídia já andou “investigando” e, conforme disseram, podemos viver em paz.Acredite quem quiser! Incluindo aí quem acredita em Papai Noel.Mas fico a me perguntar qual seria a reação das nossas autoridades? Será que odinheiro ia chegar mesmo?Tivemos aqui casos recentes também de inundações e desabamentos. Ouvi dizer quetem um monte de coisa estragada em alguns depósitos públicos por aí. A justificativaseria a falta de meios para enviar a ajuda.Enquanto isso, nossas autoridades dispõem de verbas significativas para visitaremsuas “bases eleitorais”. O custo anual de um Deputado Federal ou de um Senadordaria para comprar caminhões e aviões na casa das dezenas. E ainda dava parapensar em construir ou melhorar estradas e aeroportos. Acho até que sobrava umpouquinho para quem quisesse “levar algum por fora”.Especulações a parte, talvez precisemos entender que “ter direitos” e “ser humano”não são condições naturais de todos aqueles que habitam o planeta. Provavelmenteisso poderia nos levar inventar novas práticas e novos mundos. Se não entendemos os direitos e o humano como objetos naturais, obedecendo a determinados modelos que lhes seriam inerentes, podemos produzir outros direitos humanos: não mais universais, absolutos, contínuos e em constante evolução, mas a afirmação de direitos locais, descontínuos, fragmentários, processuais, em constante movimento e devir, múltiplos como as forças que os atravessam e os constituem (COIMBRA, LOBO e NASCIMENTO, 2008). 27
  28. 28. GUIMARÃES, R.N.L. Democracia de verdade só na mãe natureza! Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 26-29, abr.-maio, 2011Gostei muito desse trecho, pois no impulsiona a pensar por um outro lado. Quem já viuo vídeo “Ilha das Flores” tem que concordar que os protagonistas não se assemelhamem nada à “imagem e semelhança” de Deus.Ser humano não consiste apenas em aceitar a equação jusnaturalista e ficar bradandoaos quatro ventos que todos têm direito a isso ou aquilo. Homossexualismo,prostituição, crimes, divergências de gênero, e tudo quanto é bandeira de grupos deminorias são temas que configuram a própria existência da humanidade. Nunca vaideixar de existir e é exatamente o que faz sermos humanos.Ser humano é, antes de tudo, compreender que somos sujeitos de nossa autonomia ede nossa própria história. O genial Paulo Freire já tentou alertar para isso há muitotempo. Engraçado que ainda tem intelectual por aí que tem coragem de dizer que elenão era tanta coisa assim.Sou “freireano”! Principalmente pelo fato de que suas contribuições de fato mudaram avida das pessoas, oferecendo uma possibilidade de tornarem-se humanas de verdade.Negar o mínimo acesso ao letramento e à alfabetização é o mesmo que negar comida.Se for verdade que a norma é uma previsão daquilo que não deveria existir, porquenunca foi aprovada, ou mesmo proposta, alguma lei que proíba não ser humano? "A história mostra que não podemos cristalizardeterminadas condutas e acreditar que está tudo resolvido."Certamente seja porque ter direito também é algo que precisa ser conquistado. Nãotemos direitos simplesmente porque nos deram ou porque nascemos. Temos direitosporque os conquistamos. Lutamos e adquirimos o direito de manifestar nossasindividualidades e diferenças no contexto coletivo.Se aceitarmos que já nos foi dado o direito e pronto, iremos esquecer que todas asnossas ações possuem por delimitação os outros seres humanos. Logo não seremoshumanos, tampouco teria sentido falar em direitos.Viver é fazer e não poder fazer!Ninguém vive só de idéias e de documentos. Se a permissão, ou objetivação, de umaconduta fosse suficiente para ela se materializar em direito, não teríamos maisnenhuma desgraça no mundo desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos.Ou mesmo de antes dela. Talvez desde as duas tábuas entregues a Moisés, no monteSinai. Ou dos grandes pensadores dos tempos anteriores ao nascimento de JesusCristo.A história mostra que não podemos cristalizar determinadas condutas e acreditar queestá tudo resolvido. No Brasil mesmo isso é muito latente, afinal nãodescriminalizamos o adultério? 28
  29. 29. GUIMARÃES, R.N.L. Democracia de verdade só na mãe natureza! Rev. Esp. Cient. Livre,Brasil, v. 1, n. 1, p. 26-29, abr.-maio, 2011Acredito que o direito canônico, assim como todas as outras manifestações daquiloque pode interessar aos estudiosos e observadores do Direito e da sociedade, parteexatamente dessa necessidade de valorizar, respeitar e incentivar a diferença, o novo,o desafio.Segundo a bíblia, até Deus espera de nós uma ação antes de nos abençoar, mesmosendo o detentor de todo o poder.Considerar tais aspectos conduz à conclusão de que para ser humano e para terdireito, parece estarmos intimados a reinventar diversas práticas e repensar algunsdos valores que estão no centro daquilo que configura todo o arcabouço cultural ejurídico da atualidade.Ou, podemos deixar a natureza fazer isso por nós, já que ela parece ser a única capazde realmente não fazer nenhuma distinção entre as pessoas.REFERÊNCIASCOIMBRA, C.M.B.; LOBO, L.F.; NASCIMENTO, M.L. Por uma invenção ética para osDireitos Humanos. Psicol. clin. Rio de Janeiro, vol. 20, n. 2, p. 89-102, 2008.Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pc/v20n2/a07v20n2.pdf>. Acesso em: 25 mar.2011.Democracia de verdade só a mãe natureza!Rodrigo N. Lacerda GuimarãesLicenciado em Matemática, Bacharel em Segurança Pública, Pós-graduado emDocência do Ensino Superior, em Política e Estratégia e em Planejamento e Gestãode Projetos SociaisPalmas, TOE-mail: lacerda703@gmail.comBlog: http://lacerda703.blogspot.com/ 29
  30. 30. CURSOS ON LINERev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011 COM CERTIFICADO http://www.buzzero.com/veranocd.html 30
  31. 31. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011 31
  32. 32. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011 32
  33. 33. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011 33
  34. 34. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011 34
  35. 35. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011 ‘ FIGURA: SXU.HU Divulgue seu evento acadêmicoA Revista Espaço Científico Livre abreespaço para divulgação de congressos, semanas acadêmicas, seminários,simpósios e afins ligados a instituições de ensino. Para divulgação de eventos acadêmicos envie um e-mail para espacocientificolivre@yahoo.com.br para receber maiores informações. 35
  36. 36. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011 Envie seus artigos, FIGURA: SXU.HU resumos e ideiasOs trabalhos aprovados serão distribuídos para mais de 15000 alunos deescolas técnica, graduação e profissionais de diversas áreas de todo Brasil.As referências bibliográficas devem seguir as normas da ABNT.O número total de ilustrações (se houver) não deve exceder seis.Sugere-se que o número de referências seja no máximo de 30. Recomenda-sequando for pertinente que o artigo seja estruturado com: resumo (com até 300palavras), palavras-chave, introdução, metodologia, resultados, discussão,conclusão e referências.Os textos devem ser digitados no programa Word (Microsoft) ou Writer(BrOffice) e entregues para o e-mail: espacocientificolivre@yahoo.com.brObservações de envio:1. Assunto: título abreviado do artigo ou resumo;2. Corpo da Mensagem:Deve conter o título do artigo ou resumo e nome do autor(es) responsável(is)pela pré-publicação e contatos seguido por uma declaração na qual os autoresgarantem que: o artigo é original e nunca foi publicado e, caso seja aceito parapublicação, que todos os autores tenha participado na construção e elaboraçãodo trabalho.Deve-se afirmar que todos os autores leram e aprovaram a versão que estásendo enviada e que nenhuma informação tenha sido omitida sobre instituiçõesfinanceiras ou acordos entre os autores e as empresas ou pessoas quepossam ter interesse material na matéria tratada no artigo.Agradecimentos às pessoas que fizeram contribuições substanciais para oartigo devem ser citadas. 36
  37. 37. Anuncie na Revista Espaço Científico LivreRev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011 A Revista Espaço Científico Livre é uma publicação eletrônica bimestral de distribuição nacional e gratuita, cujo objetivo é ser um local para divulgação de pesquisas, ideias, resumos e artigos científicos de alunos de cursos técnicos, graduação e profissionais de diferentes áreas de todo Brasil. Para anunciar envie um e-mail para espacocientificolivre@yahoo.com.br, colocando no assunto “anúncio”. Cuidado com a AIDSJ á passaram mais de vinte anos desde o início da epidemia da AIDS, e apesar dos avanços no tratamento e na qualidade de vida dos portadores do vírus HIV, a prevenção não deve ser esquecida.É importante sempre lembrar que a AIDS é transmitida pelo sangue, sêmen, secreçãovaginal e pelo leite materno. AIDS mata.Então é possível a contaminação pelo HIV através:  Sexo (vaginal, anal e oral) sem camisinha;  Uso da mesma seringa ou agulha por mais de uma pessoa;  Mãe contaminada pode passar o vírus para o filho durante a gravidez, no parto e na amamentação;  Instrumentos que furam ou cortam, não esterilizados.Em 2004, cerca de 593 mil pessoas, entre 15 a 49 anos, tinham AIDS no Brasil.Sendo, cerca de 208 mil mulheres e 385 mil homens com vírus HIV. Portanto, o maisimportante sempre é prevenir. É possível prevenir a AIDS e outras doençassexualmente transmissíveis (DST) através:  Uso de camisinha (preservativo) nas relações sexuais;  Seringas e agulhas não devem ser compartilhadas;  Toda mulher grávida deve fazer o teste do vírus da AIDS (o HIV) e, em caso de resultado positivo, deve receber os cuidados recomendados pelo Ministério da Saúde, antes, durante e após o parto, para controlar a doença e prevenir a transmissão do HIV para o seu filho;Saiba que todo cidadão tem o direito ao acesso gratuito aos medicamentosantirretrovirais (usados no tratamento a AIDS). Serviço gratuito do DISQUE AIDS:0800 61 1997 ou 0800 16 2550. 37
  38. 38. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011 “O importante é não parar de questionar.” Albert Einstein (1879-1955) 38
  39. 39. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011 39
  40. 40. Rev. Esp. Cient. Livre, Brasil, v. 1, n. 1, abr.-maio, 2011ANUNCIE NA 40

×