~ 1 ~
~ 2 ~
O silêncio é apenas superficial. Daniel Colton, de dezenove anos de
idade, é o cara que todas as meninas querem namo...
~ 3 ~
Silêncio.
Sob sua janela carros estavam dirigindo, bicicletas pedalando,
as pessoas passeando, cães andando - o mund...
~ 4 ~
— Não se foda.
Daniel sorriu.
— Não prometo nada.
~ 5 ~
Quando Lisanne tropeçou na sala de aula com Kirsty agarrada a
seu braço, já havia um número de alunos espalhados por...
~ 6 ~
— Isso é péssimo - Kirsty disse. — Mas, você nunca sabe, pode
conhecer um cara bonito que vai passar a ser o próximo...
~ 7 ~
— Qual é o seu tipo? —Kirsty perguntou, curiosamente. Todos
os homens bonitos eram do tipo de Kirsty.
Lisanne encolh...
~ 8 ~
Ele era bem diferente. Na verdade, Lisanne tinha certeza de que
ele entrou na sala de aula errada por engano. De jei...
~ 9 ~
Professor Walden marchou na sala e imediatamente a conversa
leve acalmou, e todos começaram a puxar os cadernos e la...
~ 10 ~
Porém, ela tinha que admitir que Kirsty estava certa sobre uma
coisa: ele era um idiota bonito. Seu cabelo era tão ...
~ 11 ~
realmente se dariam bem. Tinha lhe dado algumas dicas sobre como
ela poderia melhorar a sua reverência, e isso ajud...
~ 12 ~
cinzentos, cabelo castanho reto comum, e, apesar de que sua figura
ser decente, não era nada especial. Nada de espe...
~ 13 ~
Mesmo quando ela disse as palavras, elas pareciam estranhas
em sua boca. Racionalmente, sabia que ele não tinha fei...
~ 14 ~
—Mmmhmm — Murmurou Shawna. — Gostoso, definitivamente
gostoso.
— Louco, mau e perigoso para conhecer — Disse Kirsty...
~ 15 ~
banheiros comuns, e usar chinelos no chuveiro, irritada que teria que
esperar até o segundo ano para os dormitórios...
~ 16 ~
última pessoa que esperava ver em uma biblioteca, e muito menos em
um fim de semana – o cara Anel na Sobrancelha.
E...
~ 17 ~
Ela esperava que ele olhasse para longe, mas ele não fez. Ele
sustentou seu olhar, seu rosto impassível. Para seu a...
~ 18 ~
01:00 da manhã. As palmas de suas mãos estavam raspadas cruas e
seus joelhos estavam pretos e azuis.
Mas, pior do q...
~ 19 ~
Lisanne não teve coragem de dizer a Kirsty sobre sua desventura
na biblioteca, ou melhor, nos degraus da biblioteca...
~ 20 ~
parecia o tipo de lugar que ela queria entrar sem um guarda armado.
Sujo: essa era a palavra. Degradável: era outra...
~ 21 ~
realmente queria que tivesse deixado uma mensagem com alguém
para dizer para onde estava indo - para que eles soube...
~ 22 ~
Eles olhavam com diversão, mas apesar de sua aparência
assustadora, o seu comportamento não era ameaçador. Ela para...
~ 23 ~
Ele foi surpreendido quando a última vítima tinha aparecido. Ela
não se parecia em nada com o tipo de garota que ir...
~ 24 ~
tanto quanto possível na faculdade. Infelizmente, parecia significar
evitar as pessoas, também.
Ele estava ciente d...
~ 25 ~
procurando, mas não estava em posição de julgar qualquer um. E
esse pensamento lhe chateou o inferno fora.
Ele envi...
~ 26 ~
Daniel suspirou e desviou o olhar. Ela não estaria interessada se
soubesse o verdadeiro eu dele. Além disso, ele pr...
~ 27 ~
O rosto da menina brilhou.
— Bem, ok, isso parece ótimo. Sou Terri.
— Daniel.
Ela deu uma risadinha. — Eu sei.
Ele ...
~ 28 ~
Quando ele terminou, envolveu uma toalha ao redor de sua
cintura fina e voltou para seu armário.
— Ei, cara.
Daniel...
~ 29 ~
— Claro. Estúdio de tatuagem do TJ vai fazer isso por você. Eles
fazem qualquer tipo de piercings.
O cara maior fic...
~ 30 ~
Quando ele dirigiu para sua casa, a estrada estava alinhada com
motos e carros - parecia que era uma open house5 de...
~ 31 ~
— Outra vez, linda.
Daniel suspirou. Uma coisa que as festas de Zef tinham feito
para eles - ele nunca teve qualque...
~ 32 ~
— Eu disse para você ficar bem longe de lá.
— Sério? Você vai fazer a coisa de pai aqui?
— Não me irrite, Dan.
— Pu...
~ 33 ~
Lisanne flutuou de volta para seu quarto no dormitório nas
nuvens. Na verdade, ela se sentia tão bem que provavelme...
~ 34 ~
clube na terça-feira para ouvir outra banda tocar. Eles queriam sua
companhia.
Tinha sido fantástico, exceto por um...
~ 35 ~
depois de sua ressaca desesperada, Kirsty a olhou avaliando e
Lisanne teve que desviar o olhar.
— Nossa, parece que...
~ 36 ~
olho. — Tudo bem. Eu vou. Eu vou enviar para Shawna uma
mensagem para ver se ela tem planos.
Lisanne reprimiu uma r...
~ 37 ~
— Ohmedeus!! Isso é tão legal! Você é totalmente incrível — Ela
gritou. — Eu sabia que você estava escondendo algum...
~ 38 ~
— Que parte de 'calar a boca' você não entendeu?— Rosnou
Kirsty.
Lisanne ficou quieta. Ela não queria deixar escapa...
~ 39 ~
— Você vai ficar bem. Você parece quente pra caralho. Minha
pequena diva — Ela disse com carinho e beijou sua boche...
~ 40 ~
— Desculpe-me?— Lisanne engasgou.
— Sério, Shawna está certa — Solicitou Kirsty. — Nós vamos
ficar aqui a noite tod...
~ 41 ~
Lisanne estava em choque completo. Shawna apenas olhou
irritada.
— Este lugar está balançando! — Gritou Kirsty, sob...
~ 42 ~
Lisanne estava irritada por seu próprio monólogo interior mal-
intencionado. Parecia tão injusto que ela estava tod...
~ 43 ~
— Se você vier assim para shows, seremos imparáveis — Ele
disse, sorrindo para sua expressão.
— Eu não sei. Minha c...
~ 44 ~
Daniel finalmente conseguiu tirar a língua ávida de Terri de sua
boca. Ela praticamente o agrediu no momento em que...
~ 45 ~
Era o que Daniel tinha estado esperando que ela dissesse - bem,
na expectativa realmente, pela da forma como ela es...
~ 46 ~
Olhando ao redor, ela não parava de procurar o cara Anel na
Sobrancelha, mas ele parecia ter desaparecido. Ele esta...
~ 47 ~
exausta - principalmente as partes conectadas com os pés - mas a
parte romântica dela, o que era, de longe, a maior...
~ 48 ~
fazer alguns amigos, especialmente com os outros alunos da
orquestra, seu professor de violino continuou a surpreen...
~ 49 ~
Ela bateu a mão sobre sua boca enquanto ela bocejou alto.
Kirsty olhou para ela com simpatia.
— Está sentindo a lon...
~ 50 ~
— Ainda cobiçando Daniel Colton?— Sussurrou Kirsty, com um
olhar compreensivo.
— O quê? Não! Eu... Ele é amigo de R...
~ 51 ~
Em seguida:
— Senhorita Maclaine e Sr. Colton.
Kirsty deu uma risadinha.
— Tenha cuidado com o que deseja!
Daniel v...
~ 52 ~
Eles ficaram olhando um para o outro. Lisanne não pode deixar
de notar que ele tinha cílios incrivelmente longos, e...
~ 53 ~
Ele franziu a testa. — Eu não sei do que você está falando. Eu vi
você estudando - isso é tudo.
— Ah, claro! Eu est...
~ 54 ~
Ela olhou para ver que Kirsty ainda estava curtindo as atenções
do cara Camisa Vermelha.
Lisanne suspirou e esfrego...
~ 55 ~
— Um, você se importa se eu sentar aí? — Ele disse, apontando
para o assento de Lisanne.
— Desculpe-me? — Ela bufou...
~ 56 ~
Ele soltou um longo suspiro e Lisanne arriscou um olhar para
ele. Mesmo quando ele estava chateado e irritado, ela ...
~ 57 ~
explicar alguns dos conceitos com que ela estava lutando - inércia
industrial, fluxo de produção – claro, sem lingu...
~ 58 ~
Lisanne estreitou os olhos, perguntando se ele estava sugerindo
que ela não estava ao nível do curso atual, mas não...
~ 59 ~
Irritada e preocupada, ela correu, batendo seus livros em sua
bolsa.
— O que foi? — Ele disse, claramente confuso c...
~ 60 ~
Daniel encolheu os ombros.
— Nós apenas transamos.
— Oh.
Lisanne não estava acostumada com as pessoas falando com
t...
~ 61 ~
E então ela percebeu algo. — Você não está ouvindo seu iPod.
Ele parecia confuso.
— Hum, não.
— Você não estava usa...
~ 62 ~
— Daniel!
Ele não quebrou o ritmo.
— Daniel!
Nenhuma reação.
Seu ritmo lento até que ela estava andando atrás dele,...
~ 63 ~
Suas mãos caíram para os lados e ela sentiu como se estivesse
com falta de ar.
— Você não pode me ouvir!— Ela sussu...
~ 64 ~
Daniel sentiu seu sangue congelar enquanto ele estava olhando
para o rosto confuso de Lisanne.
— Não... Por favor, ...
~ 65 ~
Ele estava aliviado por ela ter concordado imediatamente. Ele
acenou com a cabeça, e começou a voltar pelo campo, s...
~ 66 ~
Seu corpo estava quente e muito sólido quando Lisanne o
agarrou com força, apertando os olhos fechados quando o mot...
~ 67 ~
em silêncio, em seguida, seguiu para a lanchonete. Ela ficou surpresa
quando ele lhe abriu a porta. Esse pequeno at...
~ 68 ~
Ele repetiu as palavras que ele cuspiu nela no campus, mas
agora sua voz era um frio monótono.
Lisanne estremeceu.
...
~ 69 ~
— Eu costumo me sentar de costas para a parede para que
possa ver o que todo mundo está fazendo — Ele disse, por fi...
~ 70 ~
— Então... Você pode ler lábios? — Ela disse, finalmente.
Ele balançou a cabeça, olhando seu rosto.
— É que... É po...
~ 71 ~
Foi a primeira vez que qualquer um deles disse a palavra, e
Lisanne empalideceu.
— Eu não quis soar dessa forma! Si...
~ 72 ~
vantagem. Outras pessoas têm que gritar para ser ouvido - eu posso
ler seus lábios.
Seu tom de voz estava mordendo....
~ 73 ~
Lisanne o olhou nos olhos.
— Se não fosse o alarme de incêndio, não tenho certeza se teria
notado. — Ela lhe deu um...
~ 74 ~
— O que você quer - a história da minha vida de merda?
— Sim, se você puder se controlar para não xingar com qualqu...
~ 75 ~
Lisanne revirou os olhos. — Tão clichê! Você acha que só porque
eu não gosto de palavrões devo ser uma cristã pente...
~ 76 ~
— Então, como foi sua escolha por esta escola? — Ela disse,
tentando puxar conversa.
Ele deu de ombros.
— Ela tem u...
~ 77 ~
Lisanne balançou a cabeça, confusa.
— A sua mãe não compra os mantimentos?
Assim que ela fez a pergunta percebeu qu...
~ 78 ~
Ele esticou os braços acima da cabeça, e sua camiseta levantou
e apertou sobre o peito. As bochechas de Lisanne com...
~ 79 ~
—Você tem cartazes de quem em sua parede de casa? — Ela
brincou com ele.
— Por quê? Você quer ver o meu quarto? — E...
~ 80 ~
— Não, eu não tenho uma namorada. Qualquer coisa mais que
você quer saber?
Lisanne mordeu o lábio.
— Pergunte-me — ...
~ 81 ~
A garganta de Lisanne fechou, e ela se sentia responsável por
fazê-lo se sentir assim. E ela tinha a responsabilida...
~ 82 ~
minhas professoras foi a primeira a adivinhar o que estava
acontecendo. Fui enviado para testes... Quando eu tinha ...
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  1. 1. ~ 1 ~
  2. 2. ~ 2 ~ O silêncio é apenas superficial. Daniel Colton, de dezenove anos de idade, é o cara que todas as meninas querem namorar, e o homem que todos os caras querem ser. Mal-humorado, fechado e com um temperamento explosivo, ele também é bonito, tatuado de maneiras deliciosas, com um piercing na sobrancelha e cabelo preto espetado. Há rumores de que ele tem piercings em outros lugares também. Ele é realmente louco, mau e perigoso de se conhecer? Daniel mora com seu irmão mais velho, Zef, e sua casa é a central das festas. Você quer drogas, um bom tempo, licor, sem perguntas? Colton é o lugar para ir. Quando Daniel e a boa menina Lisanne Maclaine têm que trabalhar juntos em uma tarefa, Lisanne descobre que há muito mais por trás da reputação de bad boy. Ele é inteligente, engraçado e uma boa companhia. E então ela descobre seu segredo, por que ele se fecha para todo mundo, e é tão determinado a manter as pessoas sempre a um braço de distância. Mas ser a pessoa a manter seus segredos é mais difícil do que ela jamais imaginou...
  3. 3. ~ 3 ~ Silêncio. Sob sua janela carros estavam dirigindo, bicicletas pedalando, as pessoas passeando, cães andando - o mundo passando. Cada atividade com o seu próprio conjunto de ações, uma orquestra de ruídos: pneus, freios, conversas, latidos. Nenhum dos sons penetrando. Ele sentiu uma presença atrás, e virou-se para ver os olhos preocupados de seu irmão olhando para ele. — Hoje é o dia, Menino da Faculdade. Daniel sorriu e deu de ombros. — Eu acho. Zef estendeu a mão e apertou rapidamente, antes de puxar Daniel para um abraço apertado. — Eu estou orgulhoso de você, mano — Ele sussurrou. — Mamãe e papai teriam ficado orgulhosos também. Então ele se afastou e bateu seu irmão no ombro.
  4. 4. ~ 4 ~ — Não se foda. Daniel sorriu. — Não prometo nada.
  5. 5. ~ 5 ~ Quando Lisanne tropeçou na sala de aula com Kirsty agarrada a seu braço, já havia um número de alunos espalhados por toda a sala. Era muito cedo no semestre para muitos grupinhos terem sido formados, mas algumas meninas estavam sentadas em grupos confortáveis, rindo nervosamente. Os meninos eram muito legais para isso, e sentaram-se em glorioso isolamento. Lisanne lançou um olhar sobre os exemplos variados de pessoas. A maioria parecia na média, como ela, vestidos de jeans e camisa, mas havia um cara que estava usando uma camisa de botão e gravata. Chocante! Lisanne fez uma aposta com ela mesma que ele tinha uma cópia do Wall Street Journal em sua mochila. Ela só estava surpresa por ele não estar carregando uma maleta. Por que diabos ela tinha concordado em ter aulas de 'Introdução aos Negócios 101'? Oh sim, porque seus pais não pensavam que especialização em música levaria qualquer grande oportunidade de carreira. A resposta de sua nova companheira de quarto tinha sido para olhar para o lado positivo.
  6. 6. ~ 6 ~ — Isso é péssimo - Kirsty disse. — Mas, você nunca sabe, pode conhecer um cara bonito que vai passar a ser o próximo Mark Zuckerberg. — O que, baixo, com mau gosto para roupas? Kirsty riu. — Não, bobinha: brilhante e podre de rico! Lisanne suspirou. — Ei, Lis! Coloque sua cabeça no jogo! Sua cabeça se levantou, afastando o Sr. Big Time, e sua expressão apurou quando Kirsty piscou para ela e tirou seus sapatos. — Estou surpresa por você poder andar nesses. - oh certo, você não pode. Kirsty levantou as sobrancelhas. — Olá! São Manolos! Eles foram feitos para serem vistos - não para serem confortáveis de andar. — Claro. Boba eu. Kirsty riu. — Sim, tanto faz. Ok, falando sério – com qual desses caras você se conectaria? — Seus braços varreram para indicar todos na sala de aula. Lisanne riu. — Nenhum deles para nada disso. — Não? Você não acha que o cara com a camisa vermelha é bonito? Lisanne esticou o pescoço. — Ele está bem, eu acho. Não é realmente o meu tipo.
  7. 7. ~ 7 ~ — Qual é o seu tipo? —Kirsty perguntou, curiosamente. Todos os homens bonitos eram do tipo de Kirsty. Lisanne encolheu os ombros. A verdade era que ela não tinha namorado muito na escola. Ok, ela nunca fez isso, a menos que ela contasse o baile e o fiasco do não encontro. Como o não encontro poderia ser um desastre completo permaneceu um mistério para ela, mas tinha sido uma das piores e mais humilhantes noites de sua vida, envolvendo vômito - de outra pessoa - e... Não, ela não queria pensar sobre isso. Isso definitivamente não contava. — Vamos lá, Lis — Disse Kirsty, encorajando. — E aquele cara que você estava conversando no Facebook na noite passada? — Rodney? Não, ele é apenas um amigo de escola. — Então ele não é...? — Ugh, não! Eu o conheço desde o jardim de infância - seria apenas... Estranho. — Então você está disponível? Lisanne estava muito disponível. Ela só não tinha visto ninguém que gostava dessa maneira. — Bem, diga-me o que você está procurando - no caso, você sabe. — Oh, eu não sei: alguém diferente. Alguém... — Como ele? — Disse Kirsty, balançando a cabeça para o cara que tinha acabado de entrar.
  8. 8. ~ 8 ~ Ele era bem diferente. Na verdade, Lisanne tinha certeza de que ele entrou na sala de aula errada por engano. De jeito nenhum alguém como ele estava tomando a aula de Introdução aos Negócios. Todos os olhares, masculinos e femininos, giraram em sua direção quando ele passeou na sala de aula olhando como se fosse dono dela. Ele caiu em um assento na segunda fila, escorrendo arrogância, tirando seus óculos Ray Ban enquanto fazia isso. Ele era alto e magro, com cabelo preto curto, espetado. Ele tirou a jaqueta de couro, e até mesmo a essa distância Lisanne podia ver que ele tinha costas largas e braços fortes, musculosos com redemoinhos de tatuagens vermelha, dourada e preta descendo deles. Ele virou-se para examinar o salão atrás dele, e Lisanne não pôde deixar de notar um pequeno anel de prata perfurando sua sobrancelha esquerda. Sem falar com uma alma ou fazer contato visual com ninguém, ele jogou o casaco sobre uma cadeira e sua mochila para o outro lado. Certamente havia uma lei que todas as crianças legais sentavam na fileira de trás? Mas não, não ele. Lisanne sentiu suas sobrancelhas reunirem em uma carranca. — Ugh, não, eu não suporto caras como esse — Ela disse. — Todo emo, e pensando que são melhores que todos os outros. — Sim, mas ele é atraente — Disse Kirsty, lambendo os lábios. — Esse garoto é bonito. Eu vou descobrir quem ele é. — Definitivamente não é meu tipo — Lisanne disse, com uma nota de finalidade.
  9. 9. ~ 9 ~ Professor Walden marchou na sala e imediatamente a conversa leve acalmou, e todos começaram a puxar os cadernos e laptops, prontos para tomarem notas. Todos, exceto o cara com anel na sobrancelha. Ele não se mexeu. Ele nem sequer pegou um bloco de notas para rabiscar. Lisanne se sentiu exageradamente irritada com ele. Seus pais pagaram um bom dinheiro para ela frequentar a faculdade, e perdedores como esse cara iam apenas para passeio. Lisanne não aguentava pessoas assim - pessoas que eram falsas. Ela percebeu que já havia passado tempo demais olhando para o 'cara Anel na Sobrancelha' e a aula tinha começado. Mas de vez em quando, seus olhos eram atraídos de volta para ele. Ela meio que esperava que ele adormecesse, ou brincasse com seu iPod, mas seus olhos estavam treinados no Professor Walden, mal piscando durante todos os 50 minutos. Foi estranho. Talvez ele estivesse chapado? Mesmo que fosse apenas nove horas da manhã, parecia a resposta mais provável. No final da palestra, Sr. Big Time fez várias perguntas, e até puxou a cópia do Wall Street Journal para ilustrar seu ponto de vista. Lisanne deu-se um balanço de punho interno: ela se orgulhava de ler bem as pessoas. Quando a sala de aula começou a esvaziar, ela não pôde deixar de notar que o cara Anel na Sobrancelha não falou com ninguém, ainda sem fazer contato visual com qualquer das pessoas que compartilharam sua classe. E ele estava usando seus óculos de sol novamente. Do lado de dentro. Que idiota.
  10. 10. ~ 10 ~ Porém, ela tinha que admitir que Kirsty estava certa sobre uma coisa: ele era um idiota bonito. Seu cabelo era tão preto que era quase azul, e sua pele clara carregava um bronzeado dourado. Pelo que tinha visto em seus olhos, eles eram de uma cor avelã claro, emoldurados por longos cílios sobre as maçãs do rosto, lábios perfeitos e carnudos beijáveis. Beijáveis? Onde estava a verdadeira Lisanne Maclaine, e quem no inferno estava tendo esses pensamentos? Com uma irritação, visando a injustiça do mundo onde pessoas bonitas podem ficar longe de serem idiotas, Lisanne foi direto para as salas de prática para seu um-a-um1 com seu professor de violino. Enquanto ela se apressava em todo o caminho, ela não podia deixar de se perguntar por que um menino tão bonito gostaria de profanar o que Deus lhe tinha dado, cobrindo seu corpo com tatuagens, e empurrando um pedaço de metal por meio de sua sobrancelha. Na verdade, ela tinha as orelhas furadas, mas isso era diferente. Obviamente. Ela realmente não entendia por que as meninas da escola estavam tão em cima de caras tatuados. Lisanne simplesmente não via o ponto, e ela certamente não tinha a intenção de obter uma para si mesma. Isso só pareceria estranho quando ela tivesse quarenta anos. Ela suspirou, perguntando-se por que tinha nascido tão malditamente sensata. A manhã passou rapidamente depois disso, e Lisanne esqueceu tudo sobre o cara Anel na Sobrancelha. Seu tutor de violino, Professor Crawford, acabou por ser surpreendente, e Lisanne pensou que eles 1 Aula particular
  11. 11. ~ 11 ~ realmente se dariam bem. Tinha lhe dado algumas dicas sobre como ela poderia melhorar a sua reverência, e isso ajudou imediatamente. Então, ela estava de bom humor quando esbarrou em Kirsty novamente no refeitório. — Hey colega de quarto! — Veio em voz alta. — Sente a sua bunda para cá. Kirsty estava caída em seu assento em uma mesa com três meninas que Lisanne não conhecia. Ela se divertiu ao ver que os pés de Kirsty estavam nus e apoiados no assento ao lado dela. — O que aconteceu com os Manolos? — Perguntou Lisanne, com um sorriso. — Vamos apenas dizer que vou guardá-los para uma noite onde estarei indo de limusine — Bufou Kirsty. Lisanne levantou uma sobrancelha. — Fiquei impressionada que você até tentou usá-los. Eu teria quebrado meu pescoço. Kirsty riu alto, e vários caras olharam em sua direção, olhando pra ela. Pelos olhares em seus rostos, eles obviamente aprovavam. Bem, não havia nada para reprovar: Kirsty tinha cabelos cor de trigo que enrolavam em cachos quase até a cintura, com curvas perfeitas, um rosto de boneca e enormes olhos azuis. Se ela fosse mais alta, ela poderia ter sido uma modelo. Lisanne era simples, por comparação, embora, para ser justa, a maioria das meninas eram quando comparadas com Kirsty. Seu próprio rosto era muito quadrado, queixo muito pesado, os olhos
  12. 12. ~ 12 ~ cinzentos, cabelo castanho reto comum, e, apesar de que sua figura ser decente, não era nada especial. Nada de especial em tudo. Parte de Lisanne, a parte chata, da qual ela não era muito orgulhosa, teria realmente gostado de não gostar de Kirsty, - mas a menina era muito agradável. Ugh. Kirsty a apresentou as outras garotas na mesa: Trudy, Shawna e Holly. Eram todas estudantes de moda como Kirsty. Não que Lisanne precisasse de apresentação para descobrir isso - as roupas gritavam 'designer' á meia milha. — Como foram suas outras classes esta manhã? — Disse Kirsty. — Muito boas. Meu professor de violino é incrível. — Violino? — Zombou Shawna. — Isso soa tão deprimente. Kirsty riu, mas disse rapidamente: — Não da maneira que Lisanne o toca. — Ela sorriu e piscou para sua companheira de quarto, mas sua atenção foi distraída e seus olhos acenderam para o outro lado da sala. — Confira Sr. Moreno Alto e Deliciosamente Perigoso! — Disse Shawna, lambendo os lábios, enquanto ela seguia a direção do olhar de Kirsty. Lisanne viu o cara Anel na Sobrancelha fazendo o seu caminho através da cafeteria. Ele ainda usava os óculos de sol. Ele ainda estava sozinho. — Oh, ele — Ela bufou. — Ele está em nossa classe Introdução aos Negócios. Ele é um idiota.
  13. 13. ~ 13 ~ Mesmo quando ela disse as palavras, elas pareciam estranhas em sua boca. Racionalmente, sabia que ele não tinha feito nada especificamente para irritá-la. Foi o jeito que ele ficou lá, sem tomar quaisquer anotações, como se estivesse acima de tudo. Shawna sorriu de um modo superior. — Para sua informação, Daniel Colton é seu nome. Ele é um local, e tem uma reputação - pelo o que eu ouvi. — Que tipo de reputação? — Disse Kirsty, ansiosamente. — Ele já esteve em duas lutas esta semana — Disse Shawna, o prazer de ser a única a dar a notícia. — Foi contra algum estudante de graduação sem nenhum motivo. — Então ela baixou a voz. — Dizem que ele é o cara cer-to se você quiser algo extracurricular. Você sabe, erva, álcool, coca, speed 2 - o cara tem isso. Eu não me importaria de passar algum tempo extracurricular com ele, se você sabe o que quero dizer. Ouvi dizer que ele é uma aberração entre os lençóis. Os lábios de Lisanne enrolaram em desgosto, e não apenas pela expressão vidrada no rosto de Shawna. Como na terra poderia aquele cara tão evidente ser vendedor de drogas no campus? Isso se encaixava com sua baixa opinião sobre ele, que tinha tomado outra queda livre. Porém, novamente, se as pessoas sabiam sobre ele na primeira semana, não demoraria muito que as autoridades da faculdade ouvissem falar sobre isso também. Em toda a probabilidade, ele não faria isso até o final do primeiro semestre. — Ele certamente tem a vibe bad boy — Concordou Kirsty. 2 Anfetamina
  14. 14. ~ 14 ~ —Mmmhmm — Murmurou Shawna. — Gostoso, definitivamente gostoso. — Louco, mau e perigoso para conhecer — Disse Kirsty, sorrindo. — O que você acha, Lisanne? Tem uma coisa por meninos maus? Lisanne sacudiu a cabeça com tanta força que ela podia jurar que seu cérebro agitou. Kirsty riu, e começou a falar sobre os planos para o fim de semana. Irritada consigo mesma, Lisanne colocou todos os pensamentos do cara Anel na Sobrancelha fora de sua cabeça. Algumas pessoas simplesmente não sabiam de sua sorte. A primeira semana de Lisanne longe de casa tinha sido difícil, para dizer o mínimo. Ela sentia falta de sua família. Ela sentia falta de ser capaz de falar com a mãe dela, que também era sua melhor amiga. Claro, elas se falavam por telefone toda noite, mas não era a mesma coisa. Ela sentia falta das piadas ruins de seu pai e de sua presença silenciosa e forte - a sensação de que qualquer problema que ela tivesse, ele resolveria. Lisanne até sentia falta de seu irmão mais novo, Harry, que, aos 13 anos, não era tão pequeno, e uma verdadeira dor na bunda. Ainda assim, ela sentia falta de todos eles. E na faculdade era tão diferente. Para começar, ela estava dividindo um quarto pela primeira vez em sua vida, o que significava que havia pouca privacidade, apesar de Kirsty ser bastante agradável. Havia essa palavra de novo. Ela teve que se acostumar com os
  15. 15. ~ 15 ~ banheiros comuns, e usar chinelos no chuveiro, irritada que teria que esperar até o segundo ano para os dormitórios femininos serem renovados com banheiros privativos. Ela sentia falta de ser capaz de cozinhar para si mesma, em vez de ter que comer toda as suas refeições no refeitório. E a quantidade de trabalho que seus professores estavam acumulando tinha sido esmagadora. Sentiu-se um pouco em pânico quando percebeu quanto pesada seria sua agenda, e o fato de que, até o final de uma semana, ela já estava para trás em duas classes - especialmente a de negócios, o que poderia ter sido Grego Clássico que teria entendido. Porém, era sexta à noite, e Kirsty a convenceu a ir ao centro para uma pizza com algumas das meninas. Apesar do fato de Shawna estar lá, foi mais divertido do que Lisanne esperava. Elas passaram sábado de manhã estudando e à tarde foram às lojas e, por insistência de Kirsty, Lisanne gastou mais do que deveria em um novo par de jeans para usar na boate naquela noite. No domingo, Lisanne estava tão preocupada com o seu dever de casa que ela estava determinada a passar a tarde e a noite na biblioteca. Jesus, quão triste era isso? Não surpreendentemente, a biblioteca estava quase vazia, a área de estudo principal ecoando ruidosamente quando ela raspou sua cadeira ao longo do chão. Três caras que pareciam ser sênior de medicina, debruçados sobre livros de anatomia, jogaram os olhares irritados e surpresos com sua intromissão - e um par de pessoas vagavam sem rumo pelas pilhas. Ela desligou o iPod com um suspiro, deixando as últimas notas de Love and Theft's de Runnin' out of Air desaparecerem, então os olhos surpresos de Lisanne caíram sobre a
  16. 16. ~ 16 ~ última pessoa que esperava ver em uma biblioteca, e muito menos em um fim de semana – o cara Anel na Sobrancelha. Ele estava sentado em uma mesa sozinho, com o seu livro de estudos de negócio aberto na frente dele. De vez em quando ele digitava algumas notas em seu laptop. Lisanne deixou-se cair em uma mesa que só tinha a mesa dele em vista. Ela decidiu que lá era mais provável para encontrar um de seus contatos drogados, e se isso acontecesse, ela diria ao bibliotecário. Provavelmente. Talvez. Mas ela encontrou-se hipnotizada com os dedos longos que de forma aleatória varriam seu cabelo, ou puxavam o anel da sobrancelha. Depois de meia hora, ela teve que admitir que ele não estava fazendo nada mais sinistro do que estudar, mesmo que ele parecesse o tipo de cara que iria estar se recuperando de noitadas em um sábado à noite. Eventualmente, ela voltou os olhos para a sua própria pilha de lição de casa, que não tinha diminuído durante os seus 30 minutos de olhar estúpido. Depois de quase quatro horas de estudo, os olhos de Lisanne sentiam-se cansados e corajosos - como se as páginas de seus livros tivessem sido cobertas com uma lixa enquanto ela os lia, e ela não queria nada mais do que voltar para o seu quarto e dormir. Ela realmente esperava que Kirsty não voltasse hiper-ruidosa, embora as chances estivessem contra ela. Ela esfregou o rosto e olhou para cima - em linha reta para os olhos cor de avelã do cara Anel na Sobrancelha.
  17. 17. ~ 17 ~ Ela esperava que ele olhasse para longe, mas ele não fez. Ele sustentou seu olhar, seu rosto impassível. Para seu aborrecimento, Lisanne sentiu sua pele aquecer com um rubor. Não, não, não! Não na frente dele! Mas seu rubor foi mal comportado e ignorou o pedido dela. Ela foi salva pelo bibliotecário, que anunciou que a biblioteca estava fechando. Até o momento que Lisanne olhou para trás, o cara Anel na Sobrancelha já tinha empurrado seu laptop e livros em uma mochila de lona preta, e estava em seu caminho para fora. Apressadamente, Lisanne pegou seus livros e correu atrás dele, dizendo a si mesma que ela não queria ficar sozinha no antigo edifício assustador. Tinha vinte metros à frente dela quando Lisanne tropeçou no limiar da biblioteca, e foi rolando através dos degraus frios. Ela gritou quando arranhou suas mãos e caiu dolorosamente sobre os joelhos. O cara Anel na Sobrancelha nem sequer quebrou o ritmo, e muito menos se virou para ajudá-la. Embora ele deva ter ouvido seu grito, ele a ignorou completamente, caminhando para a escuridão. Magoada e humilhada, Lisanne reuniu seus livros, silenciosamente amaldiçoando o rapaz de cabelo preto que tinha a distraído tão desastrosamente. Na manhã seguinte, Lisanne arrastou-se para fora da cama muito cedo para alguém que tinha sido acordada, como previsto, às
  18. 18. ~ 18 ~ 01:00 da manhã. As palmas de suas mãos estavam raspadas cruas e seus joelhos estavam pretos e azuis. Mas, pior do que isso, ela se sentiu machucada por dentro. Como ele poderia simplesmente ignorá-la quando ela se machucou desse jeito? Lisanne sabia que ela não deixaria um estranho deitado no chão, sem tentar ajudar. Que tipo de pessoa se comportava assim? Ela definitivamente não queria descobrir. — É muito cedo — Lamentou Kirsty. — E quem permite que uma equipe de construção faça rodovias na segunda-feira de manhã fora de um dormitório? Lisanne olhou para fora. Não, nenhum grupo da estrada. O bater era tudo na cabeça de Kirsty. Lisanne revirou os olhos, mas não pôde evitar um sorriso simpático quando viu sua companheira de quarto numa ressaca nota- A. — Parece que você teve uma boa noite? Kirsty se levantou inclinando-se contra a cabeceira, ajuntando o edredom ao redor dela. — Você deveria ter estado lá, Lisanne, foi incrível. Nossas identidades falsas eram totalmente legais. Shawna estava bebendo tequila - ela estava uma bagunça. Lisanne não poderia evitar um pequeno sorriso superior, e Kirsty olhou para ela com curiosidade. — O que você fez? — Não muito. Estudei.
  19. 19. ~ 19 ~ Lisanne não teve coragem de dizer a Kirsty sobre sua desventura na biblioteca, ou melhor, nos degraus da biblioteca. E ela certamente não mencionaria a parte do cara Anel na Sobrancelha nela. Bem, isso não era uma história gigante de qualquer maneira. Kirsty gemeu e Lisanne não podia deixar de estremecer, também. Ela tinha bebido uma vez, e não tinha gostado da sensação. Tinha sido no casamento de seu primo, e não era uma sensação de que ela queria lembrar. Nunca. Especialmente a parte onde ela vomitou na frente de seu vestido novo. Ela pegou uma garrafa de água da sua pequena geladeira, e a colocou com dois Advil na mesa de cabeceira de Kirsty. — Você é uma salva-vidas — Lamentou Kirsty, os dedos arranhando para os comprimidos. Ela olhou para cima quando Lisanne começou a abrir a porta. — Onde você está indo? — Aulas — Lisanne disse, erguendo as sobrancelhas. — Ok, vejo você mais tarde? Nós seremos italianas esta noite. — Hum, não, obrigada. Eu tenho algumas coisas para fazer — Lisanne disse, evasivamente. — Vejo você. Kirsty gemeu, e deu um pequeno aceno. Não parecia uma boa ideia, agora que Lisanne estava parada do lado de fora do prédio. Ela mordeu o lábio e verificou o folheto novamente. Sim, este era definitivamente o endereço, mas ele não
  20. 20. ~ 20 ~ parecia o tipo de lugar que ela queria entrar sem um guarda armado. Sujo: essa era a palavra. Degradável: era outra. Vergonhoso. Assustador. Um antro. Mesmo do lado de fora, ela podia sentir o cheiro de cerveja velha, e a calçada estava cheia de bitucas de cigarro. Pelo menos era plena luz do dia. Não que alguém do lado de dentro teria sabido disto - as janelas do lado da rua haviam sido pintadas de preto. Ela se sentia um pouco enjoada, e percebeu que as palmas das mãos suavam enquanto as esfregava contra seus novos jeans. Esta foi uma má ideia. Ela deveria voltar para o dormitório antes que fizesse de si mesma uma idiota ainda maior. Lisanne tinha acabado de se convencer a se virar e sair quando a porta de aço se abriu. O maior homem que já tinha visto olhou para ela. Puxa, ele era enorme. Parecia que ele poderia ter esmagado suas costelas com uma mão, se quisesse. Sua cabeça era ou careca ou raspada, e seus braços e pescoço estavam completamente cobertos de tatuagens. Ele sorriu para Lisanne, e ela tomou automaticamente um passo para trás. — Hey, menina, você está aqui para o teste? — Hum, sim? — Lisanne disse hesitante. — Venha, querida. Lisanne queria dizer não. Ela queria virar e correr, mas de alguma forma os seus pés não obedeceram a seu corpo. O homem ainda a estava olhando, então ela respirou fundo e entrou. Ela
  21. 21. ~ 21 ~ realmente queria que tivesse deixado uma mensagem com alguém para dizer para onde estava indo - para que eles soubessem onde encontrar seu cadáver mutilado. Talvez seu celular tivesse rastreamento via satélite. Talvez ela devesse escondê-lo em algum lugar no clube antes de... — Nessa direção, querida. O gigante a levou para as entranhas do edifício, as paredes escuras saturadas com cheiro de suor e bebidas destiladas, ou possivelmente álcool que tinha sido suado pelos corpos cada fim de semana. A iluminação era fraca, e nenhuma luz do dia tinha sido autorizada a entrar na cripta. Lisanne tentou se convencer de que a mancha no chão não poderia ser sangue. Em seguida, ela ouviu o som ecoando de alguém rindo. Era um riso feliz, despreocupado - não como ela imaginava que um serial killer soaria. Inesperadamente, ela sentiu seu corpo relaxar. Espiando através da escuridão, ela viu um grupo de homens que estavam em um pequeno palco. De uma vez só, eles se voltaram para olhá-la, e o riso se extinguiu. — Outra cordeira no matadouro — Veio uma voz baixa, e, vários deles riram baixinho. Lisanne ingeriu, então endireitou os ombros e caminhou para frente com um ar determinado, desmentida pela maneira como seu estômago revirou e cambaleou.
  22. 22. ~ 22 ~ Eles olhavam com diversão, mas apesar de sua aparência assustadora, o seu comportamento não era ameaçador. Ela paralisou quando viu que um deles era o cara Anel na Sobrancelha. Por que ele tinha que estar aqui para testemunhar sua ainda maior humilhação? Ele olhou para ela, sem reconhecimento, e Lisanne sentia-se ridícula por pensar que ele a reconheceria - ou mesmo se lembraria dela. Ele estava encostado ao piano, com um pé apoiado atrás dele, seu joelho dobrado, sua postura relaxada e à vontade. Quando Lisanne se aproximou, ele pulou do palco. — Eu estou fora daqui – fodam-se as audições — Ele disse em uma voz entediada. — Claro, Dan. — Um dos homens falou em voz baixa. — Não seja um estranho — Mas o cara Anel na Sobrancelha ignorou, passou por ela, e continuou a andar, balançando um capacete de moto em uma das mãos. Lisanne sentia-se indignada por seu comportamento rude. Ele era um idiota. Daniel estava irritado consigo mesmo por ir ao clube. Ele sabia que só iria provocar uma tempestade de merda de memórias, e ele realmente não precisava do sermão que seu irmão lhe daria quando ele descobrisse, mas de alguma forma não tinha sido capaz de ficar longe também. Mesmo assim, não havia nenhuma maneira na terra que ele ia esperar por outro teste coxo3. Ele tinha seus limites. 3 Lame, cuja tradução é coxo, também é uma gíria com significado como “chato, estúpido”
  23. 23. ~ 23 ~ Ele foi surpreendido quando a última vítima tinha aparecido. Ela não se parecia em nada com o tipo de garota que iria para o seu clube. Ele amava o lugar, mas tinha que ser honesto: era um poço terrível de merda. Ela parecia muito jovem, para começar, e muito fresca. Porém, Daniel sabia que as aparências podem enganar. Ele estava muito bem ciente de como as pessoas o julgavam no momento em que o viam. As reações eram previsíveis. Ainda sim, ele não se importava com o que as pessoas pensavam. Não, isso não era verdade. Ele não se importava com o que as pessoas pensavam sobre a maneira como ele parecia. Ele sabia que suas tatuagens, seus piercings, a maneira como ele estava vestido, davam às pessoas uma merda gigante de mensagem, e que lhe convinha muito bem. Essa merda era deliberada. Ele aprendeu a ter cuidado com as pessoas em geral, e começar a faculdade foi um grande negócio para ele. Ele já teve que colocar para fora um par de idiotas, e Zef lhe tinha dado o inferno quando ele chegou em casa com os nós dos dedos machucados com dois dias consecutivos. Que era muito engraçado quando você pensava sobre isso. Talvez 'irônico' era a palavra. Ele estava acostumado com a maneira como as pessoas reagiam a ele: meninas o verificavam, até mesmo algumas mais velhas, o que era legal, caras ou evitavam ou tentavam provar que eles eram mais do que ele era. Eles raramente eram. A maioria dos adultos apenas o rotulava como um delinquente e passavam pelo outro lado. Seus professores não pareciam se importar, o que Daniel estava agradecido: tatoos, piercings, roupas estranhas e penteados - eles tinham visto tudo isso antes. Mas Daniel queria evitar problemas
  24. 24. ~ 24 ~ tanto quanto possível na faculdade. Infelizmente, parecia significar evitar as pessoas, também. Ele estava ciente de que sua reputação já o estava seguindo por perto. Isso o enfurecia, mas quando você era irmão de Zef Colton, não havia muita coisa que pudesse fazer sobre a má reputação. E foi por isso que ele bateu nesses dois babacas semana passada: eles tinham feito a dolorosa suposição que Daniel e seu irmão eram iguais- doloroso para eles, de qualquer maneira. Essa menina tinha olhado para ele do jeito como todo mundo fazia: ela o verificou, mas pensou que ele era lixo, também. Vadia. Foi só quando ele passou por ela em seu caminho para fora do clube, e viu o brilho de raiva em seus olhos, que ele a reconheceu: A Garota da Biblioteca. Ele a tinha visto lá na noite de domingo. Na verdade, ele estava certo de que ela tinha estado olhando para ele por pelo menos 20 minutos. Ela começou a assustá-lo, e ele tinha acabado de decidir dizer algo quando ela finalmente começou a se concentrar em seu próprio trabalho, e ele foi capaz de relaxar. Ela estava lendo o mesmo livro de estudo do negócio que ele, o que significava que eles deviam compartilhar pelo menos uma classe. Mas ela também tinha estado cercada por partituras orquestrais, o que fazia dela uma estudante da música. O que era a porra de um desperdício de tempo. Daniel não tinha qualquer espaço em seu mundo para pessoas como ela. Apesar de sua insistência de que ele não tinha interesse em quem seja a Garota da Biblioteca, ele encontrou-se se perguntando como sua audição tinha ido. Ele não podia imaginar que ela teria o que os caras estavam
  25. 25. ~ 25 ~ procurando, mas não estava em posição de julgar qualquer um. E esse pensamento lhe chateou o inferno fora. Ele enviaria uma mensagem para Roy depois para descobrir. Daniel teria gostado de ir para casa, uma vez que ele deixou o clube, mas Zef lhe tinha dito para se perder por toda a noite, com alguns negócios para cuidar em casa. Daniel estava acostumado com isso e realmente não o incomodava. Zef era muito legal a maior parte do tempo. Então, ao invés de ir para casa e para seus livros, Daniel pilotou para academia do campus. Ele estacionou sua motocicleta, trancou o capacete, e caminhou para dentro. Jogando alguns pesos em volta e correndo 10 milhas na esteira iria queimar um pouco de sua, sempre presente, energia nervosa. No vestiário, Daniel mudou para calças e uma camiseta, e levou a sua toalha e uma garrafa de água na sala de musculação. Dois caras do time de futebol já estavam lá, mas eles o ignoraram e continuaram com seus exercícios. Depois de quase uma hora, ele foi para a sala de treinamento onde a esteira, aparelhos de remo e bicicletas de fitness estavam dispostas em fileiras. Havia um pequeno grupo de meninas já lá, todas vestindo minúsculos shorts e crop tops4. Elas olharam para Daniel com fome, e ele verificou-as automaticamente. A única com cabelo vermelho era quente e definitivamente interessada nele. 4 Blusa também chamada de Cropped Top
  26. 26. ~ 26 ~ Daniel suspirou e desviou o olhar. Ela não estaria interessada se soubesse o verdadeiro eu dele. Além disso, ele preferia conexões anônimas com as alunas. Era mais fácil. Ele se concentrou na esteira e começou a bater de distância, somando milhas. Ele estava na zona durante 25 minutos, quando sentiu alguém tocar em seu braço, e ele pulou. Era a ruiva. — Oh, uau, desculpe! — Ela riu. — Eu disse 'oi' três vezes! Você deve ter estado realmente concentrado. Daniel sorriu sem jeito, retardando a máquina e saltando para baixo. — Sim, algo assim. — Então, eu estava pensando: quer tomar um café? Minhas amigas tem que ir e eu odeio beber café sozinha. Daniel estava avaliando internamente como responder. — Eu tenho que estar em algum lugar agora — Ele respondeu, pensando rapidamente. Ele descobriu que não queria afastá-la completamente, mas precisava de tempo para pensar sobre como jogar. — Que tal a gente se encontrar amanhã à noite, em vez disso? Na Blue Note em West River Street, você conhece isso? Traga as suas amigas. — Hum, não é aquele lugar, como, perigoso? Daniel sorriu. — Não, esse é legal. Meu amigo trabalha lá.
  27. 27. ~ 27 ~ O rosto da menina brilhou. — Bem, ok, isso parece ótimo. Sou Terri. — Daniel. Ela deu uma risadinha. — Eu sei. Ele franziu a testa um pouco, se perguntando se não era com ele que ela queria se ligar, mas com o que seu irmão poderia oferecer. Bem, se ela estava atrás de qualquer outra coisa, ela ficaria desapontada. — Então, hum, Daniel, que horas eu vou vê-lo lá? — Eu vou estar lá após as 9:00. — Sua jogada, bonita. — Legal! Vejo você lá. Ela se afastou, balançando os quadris, e Daniel lambeu os lábios. Como regra geral, ele não tinha encontros. O que não dizia que ele não tinha mulheres, porque isso seria uma mentira bunda gorda. Mas talvez fosse hora de virar a página e tentar esse encontro de merda. Talvez. Parecia que ele estava assumindo um risco enorme, com tudo o que queria manter oculto. Mas este ano era tudo sobre novos começos. Certo? O relaxamento que tinha encontrado durante seu treino evaporou quando sua incerteza cresceu. Irritado consigo mesmo, ele bateu os chuveiros e deixou o calor da água quente cair na sua pele, acalmando-o.
  28. 28. ~ 28 ~ Quando ele terminou, envolveu uma toalha ao redor de sua cintura fina e voltou para seu armário. — Ei, cara. Daniel olhou para os dois atletas com cautela, avaliando mentalmente quanto espaço ele teria para balançar um soco se eles começassem alguma coisa. Nenhum deles era mais alto que ele, mas ambos eram mais pesados por cerca de 10 kg. A expressão no rosto de Daniel deve ter alertado o atleta, que levantou as mãos. — Whoa, calma, cara! Eu só, hum, queria te perguntar uma coisa. Daniel respirou fundo. — O quê? — Bem, hum, só me perguntando se, hum... Ouvimos meninas realmente falando sobre isso. Ele apontou para o peito de Daniel. — Algumas, sim — Daniel disse, segurando um sorriso, sabendo exatamente o que o cara iria lhe perguntar depois. — Cara, isso deve ter realmente doído! — Disse o outro atleta. Daniel encolheu os ombros. — Valeu a pena — E desta vez ele não pôde evitar um sorriso enorme escorregar para fora. Os jogadores de futebol levantaram as sobrancelhas e sorriram de volta. — Você fez isso na cidade?
  29. 29. ~ 29 ~ — Claro. Estúdio de tatuagem do TJ vai fazer isso por você. Eles fazem qualquer tipo de piercings. O cara maior ficou branco, e Daniel perguntou se ele iria desmaiar. — Sério, cara? Daniel riu. — Sim, anéis de mamilo são coisas normais para TJ. Eles furam praticamente qualquer coisa, se você pedir a eles. Em qualquer lugar. — Cara, eu tenho que me sentar — Disse o grandalhão, batendo em um dos bancos. Daniel balançou a cabeça e sorriu para si mesmo. Bicha. Puxando a roupa sobre o corpo ainda úmido, Daniel olhou para o celular. Zef tinha mandado uma mensagem clara - ele poderia ir para casa. Ele entrou no estacionamento e não pôde deixar de sorrir ao ver sua moto. Ela era uma Harley Davidson 1969 que ele havia comprado como sucata e restaurado. Levou dois anos economizando dinheiro de fins de semana e verões em uma garagem de trabalho, mas ele tinha feito isso. Quando ele montou na máquina elegante, viu Terri rindo com as amigas. Ela acenou e ele acenou de volta para ela, sentindo um arrepio de antecipação misturado com ansiedade.
  30. 30. ~ 30 ~ Quando ele dirigiu para sua casa, a estrada estava alinhada com motos e carros - parecia que era uma open house5 de Zef Colton. Novamente. Era um segredo bem conhecido que você podia obter praticamente qualquer coisa que queira em uma das festas de Zef. E Daniel tinha feito um monte de festas durante o verão. Felizmente, as células do cérebro que ele tinha perdido depois de tudo o que tinha fumado de maconha e de toda a bebida que tinha bebido, parecia estar em boas condições de funcionamento. Suas aulas da faculdade não lhe apresentaram qualquer problema. Ele olhou com inveja para o baseado que estava sendo passado ao redor, mas preso pela promessa que fizera a si mesmo de não ficar alto ou desperdiçar uma noite de escola. Faculdade custava um bom dinheiro, e ele não estava prestes a mijar fora o seu futuro. Ele sentiu alguém puxando seu braço. Uma menina bonita loira estava encostada nele para manter o equilíbrio. Parecia que ela tinha a mesma idade que ele e Daniel se perguntou se era uma estudante. Ele esperava que eles não fossem para a mesma faculdade - ele estava tentando manter a vida em casa, tal como era, separada da escola. — Ei, bonitão! Você quer festejar? Ela ergueu um pequeno saco plástico de pílulas e passou a mão em seu peito convidativa. Ele hesitou, depois sorriu e balançou a cabeça. 5 Festas em casa, geralmente para inaugurações.
  31. 31. ~ 31 ~ — Outra vez, linda. Daniel suspirou. Uma coisa que as festas de Zef tinham feito para eles - ele nunca teve qualquer dificuldade para obter sexo. Ele piscou para a menina e subiu as escadas antes que seus encantos óbvios mudassem sua mente. Pelo menos o quarto era privado. Ele estava feliz por Zef concordar que era necessário colocar um cadeado na porta. Retirando a chave, ele passou por cima de um par de corpos que estavam caídos no corredor. A música estava pulsando através das paredes da casa tão alta que Daniel podia sentir as vibrações em seus ossos. Isso não o incomodava: ele estava acostumado. Seu quarto, por comparação, era um oásis de calmaria. Ele trancou a porta atrás dele e se jogou para trás em sua cama. Ele tinha algum trabalho de casa para fazer antes das aulas no período da manhã e depois, bem, ele estaria saindo com Terri. Ele tentou ignorar o endurecimento de seu pênis enquanto pensava sobre a boca rosa e as coisas que ela poderia fazer com a boca - tentar estudar com um tesão era uma má ideia. Ele precisava se concentrar. Porém, antes que ele pudesse abrir seus livros, o telefone de Daniel vibrou em seu bolso. Seu irmão. Cansado, ele se levantou e abriu a porta. Ele sabia o que estava por vir e não tinha vontade de lutar. — Que diabos você está fazendo, Dan? Você estava no clube! Daniel encolheu os ombros. — Sim, e daí? O rosto de seu irmão estava apertado com raiva.
  32. 32. ~ 32 ~ — Eu disse para você ficar bem longe de lá. — Sério? Você vai fazer a coisa de pai aqui? — Não me irrite, Dan. — Puxa, eu estava apenas relaxando... Não fique irritado. — Quero dizer isso: fique longe. — Você não pode me dizer o que fazer, Zef. — É melhor acreditar na porra que eu posso. — Além disso, eu tenho um encontro lá amanhã. Seu irmão fez uma pausa, sua expressão mudando para uma surpresa. — Um encontro? Tipo... Um encontro? Daniel concordou. — Huh. Ela é quente? Daniel levantou uma sobrancelha. — Ok, irmãozinho. Mas da próxima vez, leve o seu encontro para um clube diferente. Entendeu? — Tanto faz. Zef o empurrou com força no centro do peito e Daniel caiu com um estrondo em sua cama. — Idiota! — Daniel tossiu, esfregando seu peito. Seu irmão sorriu e acenou para ele trancar a porta atrás dele novamente. Bem, isso foi melhor do que ele esperava.
  33. 33. ~ 33 ~ Lisanne flutuou de volta para seu quarto no dormitório nas nuvens. Na verdade, ela se sentia tão bem que provavelmente estava completamente nas nuvens. Ela certamente não estava ciente do chão sob seus pés. A audição tinha corrido bem. Não, a audição tinha sido ótima. Ela tinha sido espetacular. Ela tinha certeza que surpreendeu esses caras. Eles admitiram que tinham sido surpreendidos. Nenhum deles esperava uma voz tão cheia sair daquele pequeno exterior tímido. Ela nem sequer se importou que eles a chamaram de 'tímida': era verdade. — Bem-vinda ao 32° Norte — Disse um olhar assustador chamado Roy. E eles lhe deram o trabalho. Ela estava dentro Os ensaios começavam em poucos dias com seu primeiro show previsto para três semanas. Eles até mesmo lhe deram um apelido com o argumento de que 'Lisanne' tinha 'muitas malditas letras'. Para eles, ela era LA, e ela era uma delas. Eles a convidaram de volta ao
  34. 34. ~ 34 ~ clube na terça-feira para ouvir outra banda tocar. Eles queriam sua companhia. Tinha sido fantástico, exceto por uma coisa: ela queria que o cara Anel na Sobrancelha tivesse ficado depois de tudo. Ela gostaria de ter visto o olhar em seu rosto quando ele descobrisse, junto com seus amigos, que ela poderia realmente cantar. O pensamento dela era confuso, principalmente porque ele se comportou como um idiota em praticamente todas as ocasiões em que eles se cruzaram. Porém, todos os seus amigos tinham sido muito legais, apesar da forma como eles a olharam. Eles a ouviram com respeito, e não tinham tentado dar em cima dela. Bem, ela estava acostumada com isso, mas o respeito era novo, e ela descobriu que gostava. Muito. Ela não podia esperar para contar para Kirsty sua notícia. Mas então, ela hesitou. Uma coisa era cantar alguns padrões de blues em uma sala vazia durante uma audição, mas era um jogo totalmente diferente cantar material original de outra pessoa na frente de um público pagante. Ela decidiu que iria esperar até depois do primeiro ensaio antes dela transmitir a sua felicidade. Até então ela teria uma ideia melhor de como isso iria funcionar. Se funcionasse, além disso. Eles podem decidir que tinham cometido um erro, ou encontrar alguém melhor. Kirsty estava sentada de pernas cruzadas em sua cama olhando para seu laptop, com pelo menos seis conversas diferentes, se o ping de mensagens era qualquer referência. Apesar do cansaço que veio
  35. 35. ~ 35 ~ depois de sua ressaca desesperada, Kirsty a olhou avaliando e Lisanne teve que desviar o olhar. — Nossa, parece que você está em um bom humor. Com quem você fez, Maclaine? Lisanne corou, tanto com a linguagem grosseira e a implicação. — Deus, Kirsty! Ninguém! Eu apenas tive uma boa noite. Olha, hum, alguns... Dos meus amigos me convidaram para este clube amanhã à noite, e eu queria saber se você gostaria de vir. Kirsty deu um olhar azedo. — Alguns amigos seus te convidaram para um clube na noite passada, mas você estava muito ocupada fazendo sua lição de casa. Oh. — Ok, eu mereço isso — Lisanne admitiu — e sinto muito, mas você vai? Por favor, Kirsty? Eu não quero ir sozinha. Kirsty bufou um pouco mais, em seguida, disse: — Quem são estes amigos? Eu nunca vi você falar com ninguém. — Apenas alguns caras que eu conheci. — Caras? Que caras? — Kirsty retrucou, os olhos subitamente alerta. — Um... Kirsty fez uma pausa dramática, inspecionou as unhas e, em geral, fez Lisanne nervosa o suficiente para iniciar um tic atrás de seu
  36. 36. ~ 36 ~ olho. — Tudo bem. Eu vou. Eu vou enviar para Shawna uma mensagem para ver se ela tem planos. Lisanne reprimiu uma resposta que Shawna era uma cadela e não era bem-vinda. Mas ela também sabia que seria uma maneira rápida de perder a amizade de Kirsty se tentasse fazê-la escolher entre elas. Pelo resto da noite, ela respondeu perguntas de Kirsty sobre quem eram os 'caras' que elas estavam indo encontrar. Lisanne respondeu o mais vagamente possível. — Eu nem sequer os conheço muito bem. Eles são moradores locais, mas parecem muito bons. — Como você conheceu moradores locais? Hmm, você é uma coisinha discreta, não é? Agora, jogue bonito e diga a Tia Kirsty tudo sobre isso. — Não, realmente. Nós apenas, hum, começamos a conversar sobre parte do mesmo tipo de música. Isso é tudo. — Tudo bem, não me diga. Vou perguntar quando vê-los. Lisanne encolheu. — Okay! Eu vou te dizer! Mas, por favor, por favor, por favor, não conte a ninguém. — Especialmente Shawna. — Vamos, diga-me já! Relutantemente, Lisanne contou toda a história, observando com algum prazer como a mandíbula de Kirsty se abriu em surpresa.
  37. 37. ~ 37 ~ — Ohmedeus!! Isso é tão legal! Você é totalmente incrível — Ela gritou. — Eu sabia que você estava escondendo alguma coisa Lisanne, embora não tenha ideia do porquê você iria querer esconder algo tão incrível. — Porque eu não sei se vai dar certo. — Mas eles devem gostar de você se está indo cantar com eles. — Hum, talvez. — E eles convidaram você para amanhã à noite. — Sim, mas... — Bem, primeiro de tudo nós temos arrumá-la - e isso vai levar algum trabalho. — Desculpe-me? — Precisamos fazer você parecer deslumbrante, então eles saberão que fizeram a escolha certa. — Eles se importam que eu posso cantar - eles não se importam como eu pareço. Kirsty revirou os olhos. — Eles são caras. É claro que eles se importam como você parece! Como diabos você terminou o ensino médio sem saber desse fato elementar, minha cara colega de quarto? Bem, não se preocupe - Kirsty, rainha do estilo cafona, Big Mama da reforma está no caso. Você vai ter que aturar, calar a boca, e aproveitar o passeio. — Ok, mas sem salto alto.
  38. 38. ~ 38 ~ — Que parte de 'calar a boca' você não entendeu?— Rosnou Kirsty. Lisanne ficou quieta. Ela não queria deixar escapar que talvez ser a rainha do estilo cafona não era realmente o que Kirsty pensava que significava, tendo em conta que ela estava se formando em moda... Sim, é melhor colocar-se e calar a boca. Depois de jantar na noite seguinte, Kirsty arregaçou as mangas metafóricas e foi trabalhar. Duas horas, duas excruciantes horas depois, Lisanne olhou para o reflexo que ela mal reconheceu. — Você se arruma bem, menina — Disse Kirsty encorajadora. — Hum — Respondeu Lisanne, olhando fixamente para seus olhos marcados, lábios de rubi escuro e cabelo brilhante. — Agradeça-me mais tarde, quando todos os caras no clube estiverem dando em cima de você — Disse Kirsty com uma piscadela. Lisanne fechou os olhos e fez uma oração em silêncio, esperando que isso nunca fosse acontecer. Ela se acalmou com o pensamento de que, se isso acontecesse, era apenas por que Kirsty a tinha vestido em uma de suas minissaias (muito) escandalosamente curtas e botas de couro até o joelho. A maioria dos caras não iria olhar para nada além disso. Ou talvez um pouco para a camisa justa. Certamente não acima disso. Ela sentiu a mão suave de Kirsty em seu ombro.
  39. 39. ~ 39 ~ — Você vai ficar bem. Você parece quente pra caralho. Minha pequena diva — Ela disse com carinho e beijou sua bochecha. Uma batida na porta as interrompeu. — Deve ser Shawna — Disse Kirsty, pulando para a porta. Shawna caminhou para o quarto, em seguida, parou e olhou para Lisanne, totalmente chocada. — Ela parece boa - pode dizer isso — Sorriu Kirsty. — Hum, sim — Sufocou Shawna. — Para uma estudante de música. Kirsty revirou os olhos. — Só admita que sou brilhante e ela está uma boneca. — Que seja — Disse Shawna, dando de ombros, e olhando para Lisanne. Lisanne cruzou os braços sobre o peito e revirou os olhos. Comece o jogo. Quando chegaram ao clube, a fila estava do outro lado do quarteirão. — Eu não quero esperar aqui — Retrucou Shawna, jogando um olhar irritado em Lisanne como se ela tivesse causado pessoalmente o atraso. — Vá e diga a eles na porta quem você é — Disse Kirsty, impaciente.
  40. 40. ~ 40 ~ — Desculpe-me?— Lisanne engasgou. — Sério, Shawna está certa — Solicitou Kirsty. — Nós vamos ficar aqui a noite toda. — Eu não posso! Quero dizer, eles não... — Lisanne!— Kirsty insistiu — Apenas faça isso. Marche a sua linda bundinha para lá e exija que eles nos deixem entrar — Ou vamos para outro lugar — Sorriu Shawna. Com um sentimento de pavor e se preparando para a humilhação, o coração batendo forte através de suas costelas, Lisanne cambaleou até a entrada. — A fila é lá atrás — Entoou o porteiro. — Sim, eu sei — Tossiu Lisanne — mas você poderia dizer a Roy que Lisanne... Hum, que LA está aqui. O porteiro olhou para baixo, seus olhos a varrendo da cabeça aos pés. — É uma amiga de Roy? Ok, você pode ir dentro. Lisanne quase caiu em estado de choque, mas Kirsty cutucou e piscou sugestivamente. — Hum, e as minhas amigas? — Claro, querida. Vá em frente. Kirsty puxou seu cotovelo, levando-a pela porta. — Uau! Quão legal é isso? — Ela riu. — Ele nem sequer pediu por ID!
  41. 41. ~ 41 ~ Lisanne estava em choque completo. Shawna apenas olhou irritada. — Este lugar está balançando! — Gritou Kirsty, sobre a música alta. Lisanne teve de admitir que o clube parecia muito melhor à noite, e cheio de gente. Ele não parecia tão degradado. Talvez não tão acolhedor para assassinos em série, embora ainda tivesse uma vibração nervosa, perigosa - como muitos da clientela. Ela nunca tinha visto tantas tatuagens – inclusive em meninas. Apesar de sua reforma glamourosa, Lisanne ainda se sentia como a caloura lerda que ela realmente era - e completamente fora de sua zona. — Vamos pegar algumas bebidas — Gritou Kirsty, ignorando o fato de que menos de 24 horas atrás, ela estava lidando com uma grande ressaca. Enquanto caminhavam em direção ao bar, Lisanne viu o cara Anel na Sobrancelha. Ele tinha alguma ruiva caída sobre ele, e ele estava rangendo os quadris contra ela de uma forma que provavelmente era ilegal em 51 estados. Ele não estava dançando no sentido estrito da palavra: mais como transar em seco durante a música. Mas era definitivamente quente. Ela estava quase surpresa que a pista de dança não tinha queimado abaixo deles. As mãos da ruiva estavam nos bolsos de trás dele, apertando uma muito agradável bunda. Talvez você não precise ser um bom de papo quando se passa a noite com a língua na garganta de alguém.
  42. 42. ~ 42 ~ Lisanne estava irritada por seu próprio monólogo interior mal- intencionado. Parecia tão injusto que ela estava toda arrumada, parecendo mais quente do que tinha o direito de parecer, e ele estava completamente inconsciente de sua existência. Ele é um idiota. Lembra-se? Você quer ser apenas mais um ponto em sua cabeceira? Sentindo-se ridícula, ela seguiu Kirsty até o bar e pediu água gelada. Shawna olhou para ela com desdém, então passou a envolver toda a atenção de Kirsty para si mesma. Kirsty tentou corajosamente incluir Lisanne, mas com o modo vadia natural de Shawna, o número de pessoas que lotavam a sala superaquecida, e o volume da música, era uma batalha perdida. Lisanne estava sozinha, sentindo-se patética e miserável, quando Roy caminhou até ela. — Eu estou vendo isso, mas não estou acreditando! Uau,olhe para você, garota! Eu, com certeza, estou feliz que você não se vestiu assim para a sua audição. Lisanne olhou para ele, perplexa e mais do que um pouco magoada. — Por que não? — Porque eu nunca teria sabido se a estava contratando pelo seu canto... Ou não. Quando Lisanne entendeu o que ele estava dizendo, sua pele aqueceu em um rubor. — Hum — Ela gaguejou, olhando para baixo.
  43. 43. ~ 43 ~ — Se você vier assim para shows, seremos imparáveis — Ele disse, sorrindo para sua expressão. — Eu não sei. Minha companheira de quarto fez isso — Lisanne disse, estendendo as mãos, impotente. — Apresente-me — Ordenou Roy, varrendo os olhos para cima e para baixo nas inegavelmente deliciosas curvas de Kirsty. — Eu quero agradecer a ela. Lisanne sentiu-se perdida. Já tinha começado. Tudo o que tinha para ela mesma eventualmente era tirado. Cantar era a única coisa que ela era realmente boa, e agora estava sendo estragada. Pela primeira vez, teria gostado de ser apenas sobre ela. Então, ela se deu uma rápida surra e admitiu para si mesma que ela estava se comportando como um moleque - Kirsty nunca tinha sido nada, exceto boa para ela. Shawna... Bem, isso era uma história diferente. Lisanne fez as apresentações, e ficou surpresa quando Roy colocou a mão em torno de seu ombro, puxando-a para um abraço. Os olhos de Shawna quase saltaram para fora de sua cabeça, quando o homem montanha tatuado levantou Lisanne fora de seus pés. — Qualquer amiga da menininha é uma amiga minha — Ele ressoou.
  44. 44. ~ 44 ~ Daniel finalmente conseguiu tirar a língua ávida de Terri de sua boca. Ela praticamente o agrediu no momento em que ele entrou pela porta. Não que ele tivesse qualquer objeção em particular para isso - simplesmente significava que ele não tinha que se preocupar em manter uma conversa com ela depois de tudo. Ele estava aliviado por ela não ter lhe perguntado sobre seu irmão - ou pelas drogas - mas estava excessivamente desapontado que ela não parecia interessada em conhecê-lo também. Embora ele tivesse que admitir que ela tinha chegado a conhecer o seu corpo muito bem, e seu pau parecia que estava tentando escalar através de seu jeans para chegar até ela pela última hora. Se ele não se colocasse lá hoje à noite, suas bolas seriam mais tristes do que a música.6 Ele sentiu a mudança no ritmo da multidão quando o DJ terminou seu set, e a banda estava pronta para tocar. Ele olhou para cima a tempo de ver Roy maltratando uma menina bonita, com cabelo castanho claro, e sorriu para si mesmo. Quando Roy finalmente a colocou no chão e ela virou, obviamente, envergonhada, Daniel quase engasgou com o Bourbon. Era a Garota da Biblioteca - parecendo surpreendentemente quente. Roy tinha dito a ele que sua nova vocalista estaria aqui esta noite - parecia que a Garota da Biblioteca tinha conseguido o show, afinal. Ele sentiu Terri correr as mãos sob sua camiseta, arranhando as unhas em suas costas para chamar sua atenção. — Você quer voltar para o meu lugar? Minha companheira de quarto não vai estar lá. 6 No original “Bluer than the music”: Blue em inglês também tem um significado relativo à tristeza.
  45. 45. ~ 45 ~ Era o que Daniel tinha estado esperando que ela dissesse - bem, na expectativa realmente, pela da forma como ela estava sobre ele. Sua carteira estava bem abastecida com preservativos e ele estava procurando a chance de experimentar as novas nervuras7 - ver se elas faziam o que alegavam. Talvez ele a fizesse chupá-lo antes8. Quando a banda subiu ao palco, ele olhou para ver Roy aplaudindo e gritando. Próximo a ele, com os olhos brilhando de emoção, estava a Garota da Biblioteca. Daniel sentiu uma pontada de ciúme antes de Terri arrastá-lo para fora. Lisanne estava quase pulando para cima e para baixo, quando se lembrou do que Kirsty tinha feito. Seus pés estavam matando-a, mas ela não se importava. A banda era incrível e foi emocionante e apavorante pensar que em apenas três semanas, ela estaria lá em cima. O pensamento a deixou se sentindo um pouco enjoada. Olhando ao redor, ela podia ver Roy pulando com tal violência que temia que vidas seriam perdidas. Pessoas se afastavam dele, quando 150kg batiam para cima e para baixo, punhos erguidos acima da cabeça. Lisanne riu. Roy era um docinho - nada a ter medo. O homem era um ursinho de pelúcia e ela se sentia segura com ele. 7 Uma variedade especial de um preservativo projetada especificamente para o prazer dele. 8 No original “to blow him first” Sendo to blow, ou blowjob é o ato de sexo oral no homem.
  46. 46. ~ 46 ~ Olhando ao redor, ela não parava de procurar o cara Anel na Sobrancelha, mas ele parecia ter desaparecido. Ele estava, provavelmente, com a sua linda namorada, beijando-a no sétimo céu, ou outras dimensões - e outras coisas. Lisanne não era uma puritana completa - ela tinha uma boa ideia do que podia constituir 'outras coisas', ela simplesmente nunca havia experimentado nenhuma delas. Ela, no entanto, tinha uma imaginação fértil. Ela suspirou: parecia que a imaginação era tudo o que teria. As previsões de Kirsty de que seria atingida estavam muito fora da marca. Ninguém tinha chegado perto dela. Ela não parou para considerar que a proximidade e o tamanho de Roy faziam dele um guarda-costas e tanto, querendo ou não. Kirsty, no entanto, teve mais sorte, e estava fazendo um pouco de sua própria dança suja com um dos amigos de Roy. Lisanne achava que o reconheceu do começo do dia, mas desde que ele não era um dos membros da banda, ela não podia ter certeza. Mesmo a careta desagradável de Shawna, que a fazia parecer um bulldog mordendo uma vespa, havia desaparecido por agora. Milagre dos milagres, ela parecia estar se divertindo. Eles festejaram até o clube fechar às 4 da manhã, e Lisanne sentiu-se culpada de estar fora tão tarde em uma noite de aula. Mas caramba, tinha sido divertido! Então Roy as colocou depressa em um táxi e ordenou Lisanne a colocar sua bunda de volta lá depois da escola na quinta-feira. Quando Kirsty e Lisanne tropeçaram de volta para o seu quarto, o céu no leste estava começando a clarear. Parte de Lisanne estava
  47. 47. ~ 47 ~ exausta - principalmente as partes conectadas com os pés - mas a parte romântica dela, o que era, de longe, a maior parte, queria ficar para assistir o amanhecer. Kirsty vetou a ideia, alegando que a) ela estava tão cansada que estava sonâmbula pela última hora e, b) ela nunca tinha ouvido uma ideia tão idiota em toda a sua vida jovem. Ao mesmo tempo, em outro quarto do outro lado do campus, Daniel estava tirando as botas e fechando o zíper da calça jeans. Terri estava dormindo e roncando suavemente. A pele dela estava corada e seus cabelos espalhados pelo travesseiro como fogo. Tinha sido uma boa noite e mutuamente agradável, embora ele não tivesse sido capaz de notar qualquer diferença apreciável de usar o preservativo com nervuras. Terri tinha parecido que estava gritando muito, então talvez... Daniel não tinha certeza se iria vê-la novamente. Eles não tinham trocado números de telefone, então ela provavelmente se sentia da mesma maneira. Ele hesitou brevemente, olhando para a figura dormindo, em seguida, à esquerda, fechando a porta atrás de si silenciosamente. O ronco de seu motor soou alto no ar da manhã ainda. Ele ergueu o rosto para o alvorecer rastejando, em seguida, bateu o acelerador e dirigiu-se para casa. Apesar da exaustão com que Lisanne terminou sua segunda semana na faculdade, foi muito melhor do que a primeira. Por um lado, ela estava começando a reconhecer as pessoas em suas aulas e
  48. 48. ~ 48 ~ fazer alguns amigos, especialmente com os outros alunos da orquestra, seu professor de violino continuou a surpreender e inspirá- la, e o melhor de tudo – os ensaios da banda estavam indo muito bem. Ela tinha aprendido quase todas as músicas que Roy lhe havia dado, e os outros membros da banda estavam muito satisfeitos com a forma como o primeiro ensaio tinha ido. Roy tinha um estilo meio bluegrass9 em sua guitarra, JP mantinha o ritmo, Carlos tocava tanto guitarra baixo e contrabaixo, e Mike era o baterista. O som era algo entre blues e rock indie, e Lisanne esperava que pudesse levá-los a experimentar alguns covers de bandas de que gostava. Ela assumiu que Roy havia escrito as músicas, mas ele lhe disse que eram de um amigo. Desde a aparência que os outros membros da banda trocaram, Lisanne percebeu que havia uma história lá - e eles não iriam compartilhar com ela. Mas eles eram muito amigáveis em geral, a provocavam como se ela fosse sua irmã, e eles eram o pacote rebelde de irmãos mais velhos que ela nunca teve. O único ponto baixo da semana veio na sexta-feira de manhã, na forma de sua aula de negócios. Lisanne sabia que lutaria com o assunto - principalmente devido à sua completa falta de interesse e o fato de que somar dois mais dois dava-lhe uma dor de cabeça - ela se ressentia do fato de que estava levando isso para agradar seus pais. Tentar ler o livro atribuído fazia seus olhos vidrados, e estava apenas lendo o título do livro. 9 Bluegrass é uma forma de música popular e tradicional americana, com raízes na música tradicional das ilhas britânicas, na música rural dos negros e no jazz e blues.
  49. 49. ~ 49 ~ Ela bateu a mão sobre sua boca enquanto ela bocejou alto. Kirsty olhou para ela com simpatia. — Está sentindo a longa semana? — Você poderia dizer isso — Lisanne assentiu cansada. — Eu não parei - as rodas ainda estão girando. Eu estou pensando em dormir um monte neste fim de semana. — Peso leve — Bufou Kirsty. — Aposto que posso convencê-la a sair amanhã. Lisanne balançou a cabeça, mas não tomou a aposta. De repente, ela endireitou-se. O cara Anel na Sobrancelha largou-se na sala e sentou-se no mesmo lugar na segunda fila. Ele jogou a bolsa de mensageiro em um assento, e sua jaqueta para o outro lado dele, uma mensagem clara de que não queria que ninguém sentasse nas proximidades. Que idiota! Obviamente, o cara não tinha nenhum amigo. Não há surpresa nisso. Mas então Lisanne se lembrou de quão fácil ele pareceu com os caras da banda - e muito à vontade com a puta do clube. Era confuso. Ele parecia exatamente o mesmo da primeira vez que Lisanne tinha visto, exceto que hoje estava vestindo uma camisa cinza. Ela não pôde deixar de notar esse fato, embora não fosse importante. Ela estava desapontada por não vê-lo em qualquer lugar no campus durante os dias anteriores. Ela, no entanto, viu a ruiva, rindo com as amigas no café.
  50. 50. ~ 50 ~ — Ainda cobiçando Daniel Colton?— Sussurrou Kirsty, com um olhar compreensivo. — O quê? Não! Eu... Ele é amigo de Roy, isso é tudo. Sério, não. Quero dizer, ele é bonito. Obviamente. Mas... ele totalmente sabe disso, também. Não. Não é meu tipo. Kirsty sorriu. — Você está balbuciando. Você deve estar realmente mal por ele. Lisanne gemeu, mas foi salva de responder quando o professor Walden entrou. Como antes, o cara Anel na Sobrancelha - Daniel - não escreveu uma palavra solitária, nem uma única nota. Ele apenas ficou lá, sem tirar os olhos do professor durante toda a palestra. Estranho. — Agora, para seus exames semestrais e para o resto do semestre — Anunciou o professor, olhando por cima dos óculos, no final da palestra, e antes que todos pudessem desaparecer — Em vez de um exame, eu vou distribuir tarefas para que vocês possam trabalhar em pares. Então, aqueles de vocês que não fazem bem testes padronizados terão a chance de me mostrar o que mais vocês podem fazer. As duplas serão arbitrárias: se você não está feliz com o seu parceiro - bem, isso é muito ruim. Nos negócios, é sobre fazer o melhor com a equipe que você tem; Encontrar pontos fortes de todos, compensando as fraquezas, suas próprias incluídas nisso. Enquanto começou a ler os nomes, e os alunos foram se conectando, a sala gradualmente esvaziou. Kirsty fez dupla com o cara Camisa Vermelha, e os dois pareciam muito felizes com isso.
  51. 51. ~ 51 ~ Em seguida: — Senhorita Maclaine e Sr. Colton. Kirsty deu uma risadinha. — Tenha cuidado com o que deseja! Daniel virou-se para descobrir quem sua parceira seria, examinando as fileiras de estudantes, à espera de alguém para pegar seu olhar. — Vá em frente — Sussurrou Kirsty, dando a Lisanne um empurrãozinho. O movimento chamou a atenção de Daniel, e ele pareceu surpreso quando Lisanne acenou para ele, suas bochechas já aquecidas. Vários outros estudantes do sexo feminino jogaram seus olhares furiosos, mas Lisanne nem percebeu. Muito. Hesitante, ela desceu os degraus em direção a ele. — Oi — Ela disse timidamente, sentindo-se tonta. Ele lhe estendeu a mão e ela balançou rapidamente. Sua pele estava quente e seca, a palma da mão um pouco áspera. — Você é Lisanne — Ele disse. — Amiga de Roy. Eu sou o Daniel. — Hum, sim — Foi sua resposta de gênio.
  52. 52. ~ 52 ~ Eles ficaram olhando um para o outro. Lisanne não pode deixar de notar que ele tinha cílios incrivelmente longos, e suas íris eram uma avelã leve, salpicada de verde e dourado. — Então — Ele disse calmamente, olhando nos olhos dela — Eu posso ter minha mão de volta? Eu poderia precisar dela. — Oh, desculpe — Ela suspirou, soltando a mão, como se tivesse sido eletrocutada. Ela poderia dizer que ele estava tentando conter um sorriso, mas ela não achava que era possível que pudesse corar ainda mais. Ele levantou uma sobrancelha e ela esperou que ele fizesse um comentário inteligente, mas ele não fez. — Como você quer fazer isso? — O quê?— Ela gaguejou. — A atribuição. Você quer trabalhar na biblioteca? — Hum, sim, com certeza. Tanto faz. — Ok, o quando é bom para você? Domingo à noite? Ela olhou para cima para encontrar seus olhos, e desta vez ela viu um sorriso definitivo. — Então você me viu lá — ela atirou de volta. Ele deu de ombros. — Mas você não se viu apto para parar e me ajudar quando eu estava esparramada por todos os degraus da biblioteca!
  53. 53. ~ 53 ~ Ele franziu a testa. — Eu não sei do que você está falando. Eu vi você estudando - isso é tudo. — Ah, claro! Eu estava apenas a alguns metros atrás de você quando caí. Você deve ter me ouvido gritar. Um olhar de pura raiva tomou conta dele e Lisanne instintivamente deu um passo para trás, ansiosa. — Bem, eu não ouvi — Ele respondeu. Não houve resposta para isso. Lisanne simplesmente adicionou 'mentiroso' à sua lista de falhas. Tinha a sensação de que seria uma lista bastante longa. — De qualquer forma, estou ocupada no domingo à noite — Ela disse, tentando soar desdenhosa. Só porque ele era bonito não significava que poderia ficar longe de ser um babaca. Não com ela. Ele continuou a olhar para ela, seu rosto apertado com raiva. — O quê? — Ela disse, irritada. — Então, quando você quer trabalhar? Eu não quero que as minhas notas comecem a cair por sua causa. O queixo de Lisanne se fechou com um clique alto. — Eu estou livre domingo à tarde — Ela cuspiu. — Duas horas — Ele disse. — Não se atrase. Em seguida, ele pegou sua jaqueta de couro e bolsa de mensageiro, e se afastou. — Que idiota — Ela murmurou, mais para si mesma.
  54. 54. ~ 54 ~ Ela olhou para ver que Kirsty ainda estava curtindo as atenções do cara Camisa Vermelha. Lisanne suspirou e esfregou a testa, cansada. Às 13:55 na tarde de domingo, Lisanne estava correndo pelo campus em direção à biblioteca, determinada a não se atrasar. Ela não queria dar a Daniel qualquer desculpa para ser ainda mais idiota. Só faltava a grande porta giratória da biblioteca, quando o viu correr em todo o campo. Ele tomou os passos para a biblioteca, os dois ao mesmo tempo, um olhar sério sobre o seu rosto. — Com medo de atrasar? — Ela disse irritada, quando se encontrou com ele. — Não. Seu tom era brusco. Lisanne piscou. Talvez ela merecesse isso. — Olha, eu sinto muito — Ela disse. — Precisamos trabalhar nisso juntos, então... Vamos tentar e nos dar bem, ok? Ele deu de ombros. — Que seja. Lisanne pegou de volta o ramo de oliveira10, e marchou para a biblioteca, o vapor saindo de suas orelhas em sua grosseria. Ela pegou uma mesa para o fundo da sala e atirou-se em uma cadeira. Daniel ainda estava de pé, mudando de um pé para outro. 10 Ramo de oliveira tem como significado paz. Neste caso é como se ela retirasse a trégua que propôs.
  55. 55. ~ 55 ~ — Um, você se importa se eu sentar aí? — Ele disse, apontando para o assento de Lisanne. — Desculpe-me? — Ela bufou. — Eu... Hum, eu gosto de sentar-me de costas para a parede, para que eu possa ver... Tudo... — Fique à vontade — Ela disse em um tom cortante — mas eu não estou me movendo. Ele fez uma careta para ela e, finalmente, puxou uma cadeira em frente a Lisanne, que o deixou com as costas voltadas para o resto da sala. Do jeito que ele se contorceu, puxou as pernas para cima e para baixo, e continuou puxando seu anel de sobrancelha, Lisanne não precisava adivinhar que estava se sentindo desconfortável. Ela sorriu presunçosamente para si mesma - ela gostava de tê-lo com um pé atrás, o que a fazia se sentir como se pudesse ter uma chance de manter os seus. Ele coçou a barba fina cobrindo suas bochechas e queixo, e caiu para trás em sua cadeira. — Por onde você quer começar? — Ele desafiou. Lisanne teve uma boa ideia, que ela orgulhosamente colocou para ele. — Isso é um pouco básico — Ele zombou. Ela corou, envergonhada de que sua ideia era tão obviamente coxa.
  56. 56. ~ 56 ~ Ele soltou um longo suspiro e Lisanne arriscou um olhar para ele. Mesmo quando ele estava chateado e irritado, ela ainda não podia deixar de querer olhá-lo. Para sua surpresa, sua expressão era simpática. — Você não é realmente para isso, é? Ela balançou a cabeça, o rosto ainda corado. — Roy, disse que está se formando em música? — Hum, sim. Ela ficou surpresa ao saber que ele tinha falado sobre ela para Roy. — Então você está tomando Introdução aos Negócios, porque... — Meus pais. Eles pensam que... Eu deveria ter algo para voltar se cair. Daniel balançou a cabeça lentamente. — Eles estão certos. Seus pais. Nada está garantido. É bom ter um plano B. Aqueles não eram os sentimentos que ela esperava ouvir de alguém como ele - ele tinha essa indiferença, uma atitude eu não dou a mínima. — Olha, é muito simples, se você pensar nisso dessa forma — Ele disse, apontando para o segundo capítulo do livro. Para sua surpresa, ele veio preparado e tinha algumas ideias realmente boas. Ainda mais surpreendente, ele tinha sido capaz de
  57. 57. ~ 57 ~ explicar alguns dos conceitos com que ela estava lutando - inércia industrial, fluxo de produção – claro, sem linguagem arrogante. Parecia tão simples! Lisanne não pôde deixar de rir em voz alta, e Daniel sorriu de volta para ela. — Sim, eu sou um cara engraçado. — Na verdade, eu pensei que você fosse um idiota. — Foda-se — Ele disse solenemente. Lisanne riu. — Você é bem-vindo. Ela decidiu que preferia muito mais o seu sorriso a que sua cara feia. Ambas eram quentes, mas seus olhos eram suaves e felizes quando ele sorria. Então ela percebeu que a risada que tinha ouvido em sua audição tinha sido sua. Ela esperava que ela pudesse ouvi-la novamente. Muito. Ele esticou as costas de fora, puxando os braços sobre a cabeça. Lisanne não podia deixar de olhar para o pedaço de estômago que ela vislumbrou acima de sua cintura, e os músculos tensos de seu peito que ela podia ver debaixo de sua camisa. Ela desviou os olhos quando percebeu que ser pega o verificando não seria legal, e poderia liberar seu idiota interior. — Há um livro que eu usei na escola que pode ajudá-la — Ele disse, distraindo-a de sua cobiça. — Eu podia ver se eles têm uma cópia aqui, se você quiser.
  58. 58. ~ 58 ~ Lisanne estreitou os olhos, perguntando se ele estava sugerindo que ela não estava ao nível do curso atual, mas não viu nada exceto sinceridade em seu rosto. Ela se sentiu envergonhada de seus pensamentos rabugentos. — Não, está tudo bem, obrigada Eu vou encontrá-lo nas estantes. Qual é o título e autor? Ele anotou os detalhes para ela, e continuou a folhear o livro para mais ideias. Lisanne passou pelas linhas de pilhas altas, até que ela encontrou a prateleira certa. Ela puxou o livro e folheou as páginas. Ele estava certo: iria realmente ajudá-la. De repente, um alarme sonoro, estridente soou em toda a biblioteca, fazendo Lisanne saltar. Em todos os lugares, os alunos estavam jogando livros em malas e indo para as saídas de incêndio. Ela correu de volta para sua mesa e ficou surpresa ao ver Daniel ainda sentado calmamente, a cabeça inclinada sobre seus livros. — Daniel — Ela gritou. — O alarme de incêndio! Ele não se mexeu. — Daniel! Nada. — Daniel! Ainda sem reação. Caramba, ele devia estar ouvindo seu iPod.
  59. 59. ~ 59 ~ Irritada e preocupada, ela correu, batendo seus livros em sua bolsa. — O que foi? — Ele disse, claramente confuso com suas ações. — O alarme! Por um momento, incompreensão lavou em seu rosto, então ele olhou para trás e viu os outros alunos partindo rapidamente. Murmurando para si mesmo e xingando baixinho, ele varreu os livros na mochila e seguiu Lisanne para fora da biblioteca. Os alunos estavam amontoados na frente do prédio, e espalhando pelo campus. Todo mundo estava se perguntando se era um fogo real, ou apenas um teste. Havia alguma fumaça? Tinham chamado o corpo de bombeiros? — Devemos esperar na grama?— Daniel disse, casualmente. — Claro. Eles encontraram um espaço livre, enquanto Lisanne tentava ignorar os olhares incrédulos de outras alunas porque o Daniel Colton estava saindo com uma nerd. Uma delas era a ruiva com quem ela o tinha visto no clube. Ela estava franzindo o cenho para Lisanne e murmurando alguma coisa para a amiga. — Hum, sua namorada está lá — Lisanne disse, apontando rapidamente sobre o ombro de Daniel. Ele franziu a testa e olhou em volta, em seguida, deu um pequeno sorriso. — Ela não é minha namorada. — Mas... Eu vi você com ela no clube.
  60. 60. ~ 60 ~ Daniel encolheu os ombros. — Nós apenas transamos. — Oh. Lisanne não estava acostumada com as pessoas falando com tanta naturalidade sobre, bem, sexo. — Ela não parece muito feliz. — Não é problema meu — Respondeu ele, franzindo a testa novamente. — Ela conseguiu o que queria. Lisanne não sabia como responder a isso. Ele deitou-se na grama, apoiando-se nos cotovelos e esticando suas longas pernas para fora na frente dele. Em seguida, ele puxou um maço de cigarros esmagado fora do bolso da calça e acendeu um, sugando a fumaça com apreciação. — Fumar é muito ruim para você — Lisanne falou, desaprovando. Daniel parecia estar se divertindo. — É? Eu não acho que ninguém nunca mencionou isso para mim antes. Lisanne revirou os olhos e ele piscou para ela, em seguida, deu outra tragada. Preguiçosamente, ele soprou a fumaça de suas narinas, e Lisanne observou as plumas girarem em torno antes da brisa leve puxá-las.
  61. 61. ~ 61 ~ E então ela percebeu algo. — Você não está ouvindo seu iPod. Ele parecia confuso. — Hum, não. — Você não estava usando fones de ouvido na biblioteca. — Não — Ele disse, de repente, parecendo tenso - defensivo, mesmo. — O alarme... — O que tem isso? — Ele retrucou. Lisanne foi pega de surpresa pela raiva em seu tom. Ela hesitou. — Nada — Ela murmurou. Seus olhos se estreitaram, mas, em seguida, olhou para longe dela. — Tanto faz. Eu tenho que ir agora. — Mas nós não terminamos de estudar... Ele não respondeu, apenas apagou seu cigarro na grama e o atirou com os dedos. — Hey! No lixo! Aves poderiam tentar comer isso. Ele nem sequer olhou para ela quando se levantou e se afastou. Lisanne ficou se perguntando o que diabos tinha acontecido. Não, ele estava fugindo com essa porcaria - não depois de terem ficado tão bem. Ela arrastou-se e correu atrás dele.
  62. 62. ~ 62 ~ — Daniel! Ele não quebrou o ritmo. — Daniel! Nenhuma reação. Seu ritmo lento até que ela estava andando atrás dele, e chamando o nome dele, mas ele não se virou, ele não olhou para ela. Ela agarrou o braço dele e ele girou tão rápido, com os punhos levantados, que Lisanne saltou para trás. Ele relaxou uma fração quando a viu, mas apenas uma fração. — Daniel? — O quê? — Ele cuspiu nela. — Eu estava chamando seu nome. Você não me ouviu. Ele deu de ombros. — Eu estava pensando em outra coisa. — Não. Quer dizer que você não me ouviu. Seu temperamento explodiu, seus olhos escuros e furiosos. — O que você quer de mim? — Você não me ouviu, não é? Ele tentou se livrar dela, mas ela não deixou ir, agarrando os dedos em torno de seu braço com força. — Você não me ouviu! — Sai fora! — Ele rosnou, empurrando-a para longe com força.
  63. 63. ~ 63 ~ Suas mãos caíram para os lados e ela sentiu como se estivesse com falta de ar. — Você não pode me ouvir!— Ela sussurrou. Ele se virou, mas não antes de Lisanne ver a dor desesperada em seu rosto. — Você não pode ouvir nada.
  64. 64. ~ 64 ~ Daniel sentiu seu sangue congelar enquanto ele estava olhando para o rosto confuso de Lisanne. — Não... Por favor, não conte a ninguém — Ele disse, sacudindo seus olhos para longe dela para os alunos em frente à biblioteca. — Eu não entendo — Sussurrou Lisanne. — Você parece tão... As palavras dela sumiram. — Normal? — Ele terminou por ela, num tom amargo. Sua pele avermelhou, e ela teve que admitir que ele acertou. — Como você... Como você faz isso? Ele lambeu os lábios, olhando ao redor dele novamente. Ele não podia falar com ela aqui, não com todo mundo vendo, talvez ouvindo. — Podemos ir a algum lugar - sair daqui — Ele perguntou, seu tom de súplica. — Sim, claro.
  65. 65. ~ 65 ~ Ele estava aliviado por ela ter concordado imediatamente. Ele acenou com a cabeça, e começou a voltar pelo campo, sua mandíbula apertada, a tensão saindo dele em ondas. Lisanne teve que praticamente correr para acompanhar enquanto Daniel caminhava rapidamente em todo o campus. — Para onde estamos indo? — Perguntou ela, sem fôlego. Ele não respondeu, mas ela logo percebeu que a estava levando para o estacionamento dos alunos. Ela quase perdeu a coragem, quando ele caminhou em direção a uma brilhante motocicleta preta. Chegando em um dos alforjes, tirou o capacete e passou para ela sem comentários. — Hum, eu nunca fiz isso antes — Ela disse, acenando com a mão impotente para a máquina, e mordendo o lábio. Ele não sorriu. — Alguma vez você já andou de bicicleta? — Claro! — É assim. Apenas segure. Ele passou a perna sobre a moto graciosa e estendeu a mão. Aceitando, ela colocou sua mão na dele, colocando sua confiança nele, Lisanne subiu na garupa. Ela tateou em volta, procurando a barra de agarrar. Não existia, e para fazer o ponto claro, Daniel prendeu suas mãos sobre os pulsos dela, e puxou os braços dela ao redor de sua cintura.
  66. 66. ~ 66 ~ Seu corpo estava quente e muito sólido quando Lisanne o agarrou com força, apertando os olhos fechados quando o motor fez um rugido gutural. Ela gritou quando ele chutou o pé e se afastou para a estrada, com os olhos abertos. Ele acelerou forte e Lisanne o agarrou, tonta com a velocidade, alegria e um pouco de medo. Rodaram por cerca de 15 minutos, Daniel tecendo de forma imprudente dentro e fora do semáforo. Apesar do assalto a seus sentidos, Lisanne gradualmente começou a se acostumar com a sensação e começou a gostar de estar perto de Daniel. Então, a memória das circunstâncias que os levaram a isso bateram de volta, e sua garganta fechou. Talvez ela estivesse horrivelmente errada. Mas então por que ele olhou para ela assim? Por que ele implorou para ela não contar a ninguém? Como se ela fosse fazer isso! Por que ele estava tão chateado? A moto começou a desacelerar, e Daniel parou ao lado de uma lanchonete de aparência barata que tinha sido projetada para assemelhar-se a um vagão de trem antigo. O repentino silêncio quando ele desligou o motor foi surpreendente. Lisanne respirou fundo e relutantemente abriu as mãos de sua cintura. Sem dizer uma palavra, ele desmontou e tirou o capacete. Lisanne tentou engolir, mas a raiva e a dor no rosto dele haviam sido substituídas por uma máscara de frieza. Passou-lhe o capacete
  67. 67. ~ 67 ~ em silêncio, em seguida, seguiu para a lanchonete. Ela ficou surpresa quando ele lhe abriu a porta. Esse pequeno ato de polidez ajudou a aliviar o aperto que estava crescendo em seu peito. Ele caiu em uma cabine na parte de trás, e Lisanne seguiu relutante para o próximo confronto, mas ansiosa pela verdade sobre este belo menino complicado. A garçonete de meia idade imediatamente se aproximou com uma jarra de café que parecia forte o suficiente para enrolar os cabelos no peito de um búfalo, e serviu dois copos sem perguntar. — Obrigado, Maggie — Daniel disse, cansado. — Qualquer coisa para você, bonito — Ela disse, com um sorriso carinhoso e uma piscadela para Lisanne. Ela se afastou antes que Lisanne tivesse coragem de pedir creme. Ela assistiu com fascinação quando Daniel acrescentou três pacotes de açúcar para o café, mexendo a bebida fumegante melancolicamente. Ela pegou sua própria caneca e tomou um gole. O café era forte, mas não tão desagradável quanto ela esperava. Daniel recostou-se na cabine e fechou os olhos. Ele parecia tão perdido e vulnerável, mas, em seguida, seus olhos se abriram e ele olhou para ela, sua expressão mais uma vez gelada. — O que você quer de mim?
  68. 68. ~ 68 ~ Ele repetiu as palavras que ele cuspiu nela no campus, mas agora sua voz era um frio monótono. Lisanne estremeceu. — Eu só quero saber... Se estava certa. — Por que você se importa? — Eu só... Pode ser perigoso... Se as pessoas não sabem sobre... Vê. Ele ergueu as sobrancelhas para ela em descrença. — Perigoso? — Sim — Lisanne disse tentando manter a coragem. — Na biblioteca, você não ouviu o alarme de incêndio, não é? — Você está me perguntando ou me dizendo? — Hum, perguntando? Ele suspirou, e estudou a mesa com interesse excessivo. Precisando de algo para fazer com as mãos, ele derramou uma pequena pilha de sal na mesa e começou a desenhar padrões com o dedo. Ele tentou juntar seus pensamentos, imaginando o quanto poderia dizer a ela, o quanto podia confiar nela. Lisanne conteve as palavras triviais que teria dito a ele para parar de fazer bagunça na mesa. Daniel falaria com ela - ela sabia - e não queria interrompê-lo.
  69. 69. ~ 69 ~ — Eu costumo me sentar de costas para a parede para que possa ver o que todo mundo está fazendo — Ele disse, por fim. — Isso geralmente me dá pistas. Ele olhou para ela. — Você não ia se mover, e eu tive que me sentar à sua frente para que pudesse ler seus lábios quando você falava. — Ele encolheu os ombros. — Eu sou mais cuidadoso quando estou sozinho. Lisanne sentiu-se horrível. Sua recusa em trocar de lugar, seu modo vadia, todos os pensamentos injustos que ela tinha sobre ele. Ele não era um mentiroso. Ele não era um idiota. Mas ela, Lisanne, era uma puta de primeira classe com uma presunçosa raia egoísta de um quilômetro de extensão. — Sinto muito — Ela sussurrou. Ele balançou a cabeça e suspirou novamente. — Sim, eu entendo isso. Ele olhou para baixo, e empurrou a pilha de sal em outra direção. Lisanne colocou a mão sobre a dele, forçando-o a olhar para ela. — Eu sinto muito porque fui uma cadela com você. Ele deu um pequeno sorriso, e suavemente deslizou a mão livre, deixando-a cair em seu colo. Envergonhada, ela puxou sua mão para trás, também, e ambos tomaram um gole de seu café para ter algo para fazer - algo que iria aliviar o silêncio medonho.
  70. 70. ~ 70 ~ — Então... Você pode ler lábios? — Ela disse, finalmente. Ele balançou a cabeça, olhando seu rosto. — É que... É por isso que você não toma notas durante as aulas? Ele acenou com a cabeça novamente. — Se eu tentasse tomar notas perderia metade da palestra. — Mas isso não é realmente difícil? Ele deu de ombros. — Eu sou muito bom em lembrar coisas: Eu escrevo as notas mais tarde. Eles me ofereceram legendas em tempo real, assistida por computador, mas... Eu prefiro fazer isso do meu jeito. — Então seus tutores sabem? — Sim. — Alguém mais? — Na escola? Só você. — Eu não entendo - por que você está tentando manter isso em segredo? Não é algo para se envergonhar? Eu quero dizer, o que você já fez para chegar até aqui é incrível... — Não — ele rosnou. — Não me padronize, porra! — Eu não estava! Eu... — Sim, você estava porra. Você é como todo o resto. O que eu ‗fiz é incrível' é isso o que você disse? Por que deveria ser mais 'incrível' por eu ir para a faculdade? Eu sou surdo, não estúpido.
  71. 71. ~ 71 ~ Foi a primeira vez que qualquer um deles disse a palavra, e Lisanne empalideceu. — Eu não quis soar dessa forma! Sinto muito, eu... Ela olhou para sua xícara de café e sentiu lágrimas picarem a parte de trás de seus olhos. Ela não conseguia dizer nada sem torná- lo pior. Ela não podia imaginar o quão difícil deve ter sido para ele. Sabia o quanto duro ela estava achando a faculdade, mas pelo menos ela era normal. Em seguida, ela se odiou por pensar assim. Mesmo assim, seus desafios devem ser muito mais difíceis do que os dela. E então ela percebeu o quão terrivelmente deve ser - não ser capaz de participar de uma conversa em grupo, não ser capaz de falar sobre as últimas músicas ou bandas, não ouvir as observações engraçadas ou estranhas que as outras pessoas fizeram, não ser capaz tocar seu violino, não ser capaz de ouvir a própria voz, seu próprio canto. Ela não podia imaginar a vida sem a música dela, sem sons. Mas essa era a realidade da vida de Daniel. Não admira que ele se envolveu em uma fachada de hostilidade, tentando manter todo mundo longe dele. — Eu vi você dançando no clube — Ela disse, de repente, lembrando a dança suja, e sentindo-se confusa — com sua nam... com aquela garota. Como você...? Ele sorriu com força. — Eu posso sentir isso — Ele disse. — Eu posso sentir a batida da música através do chão, as vibrações. Ninguém nunca percebe que... Que eu sou surdo... Quando estou em um clube - ninguém pode ouvir uma merda nesses lugares. Eu me encaixo dentro. É o único lugar que você poderia dizer que tenho uma
  72. 72. ~ 72 ~ vantagem. Outras pessoas têm que gritar para ser ouvido - eu posso ler seus lábios. Seu tom de voz estava mordendo. — Você pode... Hum... Você pode ouvir alguma coisa? Eu só estava me perguntando porque você parece tão... — Você ia dizer 'normal' de novo, não é? — Ele disse, acusador. Lisanne mordeu o lábio e assentiu com a cabeça lentamente. — Desculpe — Ela murmurou. — E você ainda me pergunta por que eu não quero que ninguém saiba? Ela olhou para cima, vendo apenas dor e frustração em seus olhos. — Porque eu não quero ser definido por isso — Ele disse, sua voz suave. — Quando as pessoas sabem que você tem... Uma deficiência - Cristo, eu odeio essa palavra - eles tratam você de forma diferente. Metade do tempo eles nem sequer sabem que estão fazendo isso. Eu odeio todos os malditos estereótipos. — Ele baixou a cabeça em suas mãos. — Eu odeio isso. Eu realmente odeio isso. Lisanne não sabia o que dizer ou como se comportar. Era difícil assumir que ele tinha essa vida... problema, questão, invalidez... O que ela deveria chamá-lo? — Eu sou tão fodidamente patético — Ele murmurou. — Duas semanas: eu consegui por... Apenas duas semanas antes que alguém - antes que você – adivinhasse.
  73. 73. ~ 73 ~ Lisanne o olhou nos olhos. — Se não fosse o alarme de incêndio, não tenho certeza se teria notado. — Ela lhe deu um pequeno sorriso. — Eu teria apenas teria pensado que você era um idiota por ter me ignorado, às vezes. Seu rosto suavizou um pouco e tentou sorrir, mas parecia ficar preso em torno dos cantos de sua boca. — Mas Daniel: Eu não entendo por que você prefere que as pessoas pensem que é um idiota a... Pensar que você é surdo. Ele deu de ombros. — Idiotas são normais. Ser surdo... Me faz diferente. Eu não quero ser diferente. Lisanne correu os olhos para cima e para baixo suas tatuagens e fixou seu olhar em seu piercing na sobrancelha. — Eu acho que você quer. — O quê? — Eu acho que você quer ser diferente. A maneira como você parece. Ele olhou para ela e balançou a cabeça lentamente. — Você não entende. — Estou tentando. — Sim, eu acho que você está. — Será que você... Você vai me dizer sobre isso? Quando começou? Quero dizer, você não nasceu surdo, nasceu?
  74. 74. ~ 74 ~ — O que você quer - a história da minha vida de merda? — Sim, se você puder se controlar para não xingar com qualquer outra palavra. Ele olhou para ela com espanto, em seguida, soltou uma gargalhada. — Você é engraçada! — Estou feliz por fazer você rir! — Ela resmungou, embora não estivesse realmente brava. Era bom vê-lo sorrindo novamente. Mas seu sorriso desapareceu rapidamente. — Eu não quero que ninguém saiba. Quero dizer isso: ninguém — Eu prometo, Daniel. Além disso, é o seu segredo para contar- Não meu. Ele balançou a cabeça lentamente. — Acho que vou ter de confiar em você. — Acho que você vai. — Tudo bem, mas eu vou precisar de outro maldito café. — Hey - sem palavrões! Você prometeu! — Eu não posso nem dizer 'maldito'? — Eu prefiro que você não diga. — Seu velho é pregador, por acaso?
  75. 75. ~ 75 ~ Lisanne revirou os olhos. — Tão clichê! Você acha que só porque eu não gosto de palavrões devo ser uma cristã pentecostal? Agora, quem está estereotipando? Ele foi salvo de uma resposta quando Maggie veio para encher suas canecas de café. — Você quer alguma coisa para comer, com isso, Danny? Ou sua amiga? Daniel olhou para Lisanne. — Está com fome? — Na verdade não, mas obrigada. — Nós estamos bem aqui, obrigado, Maggie. — Eu vou pegar o seu habitual — Ela disse — e não de revire os olhos para mim Danny Colton. Eu sei que você nunca tem comida em casa. — Obrigado, Maggie — Ele murmurou, parecendo castigado quando a garçonete se afastou. Lisanne levantou as sobrancelhas. — Danny, é? Ele fez uma careta. — Sim, bem, ela me conhece desde que eu era criança. Ela é a única pessoa que me chama assim. — Eu não sei - eu acho que combina com você, Danny. — Continue assim, filha do pastor. Lisanne fez uma careta e Daniel não pôde deixar de rir com ela novamente.
  76. 76. ~ 76 ~ — Então, como foi sua escolha por esta escola? — Ela disse, tentando puxar conversa. Ele deu de ombros. — Ela tem um programa de negócios ótimo, bom para economia. E eu consegui uma bolsa de estudos parcial. Você? — Foi mais uma escolha dos meus pais. Eu sabia que queria fazer música e aqui há um programa de educação musical, por isso estou treinando para ser uma professora de música. — É isso que você quer? — Não na verdade, mas é perto o suficiente. Quando Maggie chegou com um prato de ovos, bacon e grãos, Daniel o dilacerou como um homem faminto. — Uau, eu acho que você realmente está com fome — Lisanne disse, seus olhos arregalados, espantada com a rapidez com a qual ele estava ingerindo tudo à vista. — Mmm — Ele disse, durante um bocado de ovos e bacon. — Não comi desde ontem. — O quê? Nem um pouco. — Uh-uh — Ele murmurou, balançando a cabeça. — Por que não? Ele engoliu o último pedaço e pegou seu café. — Não fizeram qualquer compra de supermercado. Além disso, nunca dura muito tempo, então não há muito sentido.
  77. 77. ~ 77 ~ Lisanne balançou a cabeça, confusa. — A sua mãe não compra os mantimentos? Assim que ela fez a pergunta percebeu que ela colocou de novo seu pé gigante nisso. — Ambos os meus pais morreram - mais de dois anos atrás, agora — Ele disse, olhando para um ponto na parede atrás dela. — Agora somos só eu e Zef - meu irmão. A respiração gaguejou fora dos pulmões de Lisanne. — Como? — Acidente de carro. Tudo o que ela podia fazer era acenar com simpatia horrorizada. Daniel tinha nascido com inteligência e boa aparência, mas dentro de alguns anos, ele tinha perdido seus pais, sua audição, um pedaço enorme de orgulho e dignidade, juntamente com esperança, o que parecia. Lisanne ainda não entendia como ele funcionava em tudo, muito menos como levantava pela manhã e chegava à escola para estudar. Ele devia ser forte, ela decidiu. Muito forte. Seu coração se encheu de admiração por ele, em seguida, queimou com a dor pelo modo que a vida havia o tratado. — Sinto muito — Ela repetiu, impotente. Ele deu de ombros. — A vida é uma merda.
  78. 78. ~ 78 ~ Ele esticou os braços acima da cabeça, e sua camiseta levantou e apertou sobre o peito. As bochechas de Lisanne começaram a esquentar, e então ela se sentiu horrível por ter pensamentos levemente lascivos enquanto ele lhe estava desnudando sua alma. Ela era uma pessoa terrível. — E você? — Disse. — Qual é a sua história? — Nada de interessante — Ela disse rapidamente. — Diga-me de qualquer maneira. — Não há realmente nada a dizer. Ele franziu a testa. — Então você me põe na fogueira sobre a minha vida, mas não vai dizer nada de volta. — Não, eu quis dizer... É só chata. O que você quer saber? — Conte-me sobre sua família. — Ela suspirou. — Meus pais são Monica e Ernie. Ambos são professores do ensino médio - matemática. Eu tenho um irmão mais novo, Harry: ele tem 13 anos. Ele é uma dor completa na... Bem, uma dor, mas eu sinto falta dele de qualquer maneira. Ele é o material usual: Futebol, jogos de computador, e apenas começando com as meninas. — Ela estremeceu. — Ele tem um cartaz de Megan Fox em sua parede. Minha mãe disse que ele estava objetivando as mulheres, mas eu acho que papai meio que gosta. - do cartaz, eu quero dizer. — Sim, bem, ela é gostosa! — Ugh! Você é um cara — Ela zombou. Ele piscou para ela, e ela não pôde deixar de sorrir para ele.
  79. 79. ~ 79 ~ —Você tem cartazes de quem em sua parede de casa? — Ela brincou com ele. — Por quê? Você quer ver o meu quarto? — Ele perguntou, levantando uma sobrancelha, aquela com o anel por ela. — Porque eu tenho que dizer, não achei que você era esse tipo de garota. Lisanne olhou para ele, totalmente sem palavras. Ele sorriu, concluindo que ganhou a rodada de duelos verbais. — Você já foi beijada, LA? — Ele disse, inclinando-se para frente e olhando em seus olhos, um sorriso escondido por trás deles. — Não seja um idiota — Ela retrucou. — Pensei que não — Ele disse presunçosamente. — Eu fui beijada — Ela gaguejou. — Muito. Era uma mentira maldita, mas não havia nenhuma maneira que ela iria admitir isso para ele. — É bom saber — Ele disse, sentando-se, sorrindo. — Bem, o que dizer de você? — Sim, eu fui beijado. Muito. Ela revirou os olhos. — Eu quis dizer se você tem uma namorada? — Por quê? Você está se oferecendo? — Eu não sei por que me incomodo — Ela bufou. Ele sorriu de volta para ela.
  80. 80. ~ 80 ~ — Não, eu não tenho uma namorada. Qualquer coisa mais que você quer saber? Lisanne mordeu o lábio. — Pergunte-me — Ele solicitou. — Eu não vou responder se eu não quero. — Tudo bem. — Ela fez uma pausa. — Bem, eu estava pensando... Quando, hum, quando você... Quando... Sinto muito, não importa. Sua expressão brincalhona desapareceu, e Lisanne poderia ter chutado a si mesma. — Continuamos a voltar a esta merda, não é — Ele disse, sua voz irritada. — É por isso que eu estou cansado disso, por isso que odeio falar sobre isso. É tão fodidamente fascinante para todos os outros, mas esta é a minha vida e eu sei o que perdi. Todo santo dia eu sei o que perdi. Eu vejo você indo para os ensaios com Roy e os rapazes e isso porra me mata. Eu nunca vou ter isso de novo, eu nunca vou ouvir essa música. E você sabe o quê? Estou começando a esquecer. Às vezes eu acho que ouço a música na minha cabeça, mas não tenho mais certeza. Ele fechou os olhos, e então falou novamente. — Você acha que é assim para as pessoas cegas? Quero dizer, se eles costumavam ser capaz de ver... Eles podem se lembrar das cores? Será que eles pensam na cor, sonham em cores? Às vezes eu acho que posso ouvir música em meus sonhos...
  81. 81. ~ 81 ~ A garganta de Lisanne fechou, e ela se sentia responsável por fazê-lo se sentir assim. E ela tinha a responsabilidade de responder- lhe. — Sim, eu acho que eles fazem. Quero dizer, acho que eu faria. Você sabe, Beethoven continuou compondo mesmo depois que ele ficou surdo. — Sim, como ninguém nunca me disse isso antes — Ele disse, sarcasticamente. — Isso não torna menos verdadeiro — Ela disse, em voz baixa. Ele suspirou. — Minha... Condição... É chamada de perda auditiva neurossensorial idiopática - o que significa que eles não têm a menor ideia. Eles pensam que talvez foi um vírus, mas realmente não sabem. Tudo começou depois que eu comecei o ensino médio. A primeira coisa é que eu tive problemas: as professoras disseram que eu não estava concentrado, ou estava sendo um espertinho e não as respondendo. Uma professora realmente tinha rancor de mim, senhorita Francis. Ela tinha uma daquelas malditas e irritantes vozes estridentes, e eu não podia ouvir uma coisa maldita que ela estava dizendo. Você perde os sons altos primeiro – tom de baixa recepção demora um pouco mais. Eu era burro demais para dizer a alguém que estava tendo problemas. Ele fez uma pausa e olhou para baixo. — Então, minhas notas começaram a cair. Eu me envolvia em brigas e meus pais foram chamados uma tonelada de vezes. Uma das
  82. 82. ~ 82 ~ minhas professoras foi a primeira a adivinhar o que estava acontecendo. Fui enviado para testes... Quando eu tinha 15 anos, tive perda auditiva moderada a severa. — Ele esfregou as mãos sobre o rosto. — A escola disse que não poderia 'lidar' comigo. Então... Meus pais me mandaram para uma escola especial. Quando eles... Quando eles morreram, eu tinha pouco menos de dois anos restantes, então... Eu me formei, e jurei que nunca iria viver assim. Eu não queria essa tag 'deficiente' - 'diferentemente capaz' a porra da questão. Eu odeio isso. — Ele fez uma pausa. — Perdi quase toda a minha audição então. Eu tenho alguma audição no meu ouvido esquerdo, mas não tenho certeza sobre isso mais. Eu não ouvi essa porra de alarme de incêndio. Talvez eu pudesse ouvir uma bomba maldita explodir - não sei. Lisanne não percebe