Barbosa Ferraz, novembro de 1993. Já há algum tempo tenho desejo de escrever e resolvi fazer agorapara contar um pouco da ...
Meu pai era um homem trabalhador evivíamos no sitio. Papai adorava cuidar  das criações e tínhamos de tudo nesse sítio ond...
Éramos pequenas e às vezes    chorávamos, pois asformigas nos ferroavam e lá  vinha meu pai correndo    para ver o que hav...
O tempo foi se passando... crescemos emum lar de felicidade, eu me casei tive meustrês filhos, Sonia também se casou e tem...
Começou a tomar remédios caseiros, chás, gargarejos enada de melhorar. Passadosvários meses ele relutava em  ir médico, ma...
Mas um pequeno calo? Não acreditávamos naquilo... Mas meu  pai confiava no medico e passado   vários meses meu pai começou...
Ele estava totalmente tomado      pela doença, embora não  quiséssemos acreditar, era essa arealidade, com os médicos prev...
Meu pai pediu para que nós fossemos morar com eles, mesmo eu  já estando casada, pois ele queria   toda família junto. Eu ...
Pobre papai; tanto sofrimento!! Gritavadia e noite de dor chegou à situação de nãopoder engolir nem mesmo água, minha mãem...
Perguntávamos em nossas orações a   Deus sobre o que adiantaria ter tudoisso, minha mãe e meu pai que tiveram de    tudo, ...
Meu pai recebia muitas visitas, muito amigos e parentes; as pessoas vinham vê-lo, visitá-lo e   ele passou dessa quinta pa...
Minha avó saiu e já não tinha maislágrimas, eram só sofrimentos e lutandocom a doença do marido e vendo o filho           ...
Ele não queria morrer e lutou pela vida até o ultimo momento. Foi muito triste     para todos nós, que passamos pordificul...
Hoje estão juntos de Deus. A    gente jamais vai esquecer e os meus filhos falam muito no avô,meu pai, que faleceu no dia ...
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Minha mãe mora comigo aqui emBarbosa Ferraz. Essa é a história   de nossas vidas. Hoje 2006 a nossa vida continua, e o meu...
Saiba paizinho, que seus netos estão      lindos... o Fabrício já terminou a  faculdade e se formou... Lembra como o    se...
Eu paizinho, to bem e estou trabalhando,    estudando, fiz Magistério... Lembraquando dizia para o senhor que eu sonhava  ...
CRÉDITOS  Formatação: Prado Slides         E-mail:jprado_amador@yahoo.com.brTexto: Lembranças do meu pai         Sirley de...
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  1. 1. Barbosa Ferraz, novembro de 1993. Já há algum tempo tenho desejo de escrever e resolvi fazer agorapara contar um pouco da vida de minha família. Meus pais se conheceram ainda crianças e brincaram, viveram a infância, cresceram juntos se casaram naregião de Floresta. Dessa união, nasceram três filhos: Eu, Sirley, a mais velha, Sonia a do meio e Marina a caçula; enfim, uma família feliz.
  2. 2. Meu pai era um homem trabalhador evivíamos no sitio. Papai adorava cuidar das criações e tínhamos de tudo nesse sítio onde também moravam os irmãos de meu pai, que seriam meus tios e ospais deles, meus avôs. Ele trabalhava odia inteiro na roça e quando chegava em casa, no final da tarde, ele ainda ia cuidar das criações. Minha mãe fazia todo serviço de casa, e à noite, deixava tudo arrumado para que no outro dia bem cedinho, pudéssemos todos sair para a roça, sendo que eu e as minhas irmãs ficávamos em um ranchinho que meu pai construiu no meio dela.
  3. 3. Éramos pequenas e às vezes chorávamos, pois asformigas nos ferroavam e lá vinha meu pai correndo para ver o que haviaacontecido. Meu pai era um homem muito bom, amigo de todos e jamais levantou a mão sequer para nos dar um tapinha, ainda que fosse.
  4. 4. O tempo foi se passando... crescemos emum lar de felicidade, eu me casei tive meustrês filhos, Sonia também se casou e tem 2 filhos, Marina casou-se também, teve 2 filhos e ganhou mais um há pouco tempo. Houve uma época que meu pai bebiamuito, bebia e fumava, mas era um homem muito carinhoso e sempre comentávamoscom ele sobre o mal que o cigarro e o álcool faziam, mas ele dizia que não que tinhauma saúde de ferro, - E na verdade, tinha sim - só que ninguém é de ferro. Ele aparentava ter essa saúde perfeita; mas um dia, quando estava fazendo silagem para alimentar o gado, ele sentiu que nãoestava bem. Atribuiu o mal estar ao calor, e perdeu a voz.
  5. 5. Começou a tomar remédios caseiros, chás, gargarejos enada de melhorar. Passadosvários meses ele relutava em ir médico, mas de tanto a minha mãe insistir ele acabou cedendo. Ao serexaminado, o medico disse a ele: – “Seu” João, o senhor tem um pequeno calo na garganta!
  6. 6. Mas um pequeno calo? Não acreditávamos naquilo... Mas meu pai confiava no medico e passado vários meses meu pai começou a emagrecer, não comia direito,alimentava-se mais de sopas até que,de tanto a gente insistir, ele resolveu fazer outros exame e ouvir uma outra opinião médica. Eu morava em Barbosa e o levei para Maringá onde foram feitos vários exames, inclusive uma endoscopia; e nesseexame foi constatado que o meu pai estava com câncer na gargantaevoluído para o esôfago, estomago e pulmão.
  7. 7. Ele estava totalmente tomado pela doença, embora não quiséssemos acreditar, era essa arealidade, com os médicos prevendoque ele teria mais seis meses de vida no máximo. Justo ele, um homem forte de 52 anos que amava osnetos e a vida estava ali, com data marcada para nos deixar. Eu vi estampada no rosto da minha mãe à dor no momento em que ela recebeu essa notícia tão dura, de que o seu marido e companheiro teria somente mais seis meses de vida...
  8. 8. Meu pai pediu para que nós fossemos morar com eles, mesmo eu já estando casada, pois ele queria toda família junto. Eu morava mais longe e não levamos a mudança, mas atendemos ao seu pedido e fomos viver com ele; eu, meu marido e os meus filhos. Meu marido o levava todos os dias para fazer aplicações e ele tinhaesperança de se curar e todos os dias nos chamava para rezarmos junto com ele e pedia para que Deus tivesse piedade e que o deixasse viver para ver seus netinhos crescerem...
  9. 9. Pobre papai; tanto sofrimento!! Gritavadia e noite de dor chegou à situação de nãopoder engolir nem mesmo água, minha mãemolhava o algodão e colocava em sua boca para aliviar a sede e ainda nos corta o coração até hoje quando lembramos dele vendo a chuva, e ele, olhando para forachorava ao ver tanta água sem poder beber nada, nem um golinho como ele dizia, e,quando sentia o cheiro da comida, chorava de fome, mas não conseguia e nem podia comer nem um caldo que fosse. Nós também, diante daquele sofrimento comíamos direito, fazíamos comida sem temperos para ele não sentir o aroma,vivíamos em lagrimas em prantos em ver osofrimento dele ali se definhando cada vez mais e ele ainda falava e dizia que tinha tanta comida e tanta fartura sem poder usufruir dela.
  10. 10. Perguntávamos em nossas orações a Deus sobre o que adiantaria ter tudoisso, minha mãe e meu pai que tiveram de tudo, o melhor para vê-lo reclamar e dizer a nós sobre a sua situação de estar morrendo de fome sem que lhe tivesse dado a graça de desfrutar. Mas meu pai foi um homem muito bom, que sempreajudou as pessoas, uma pessoa temente a Deus e nós crescemos num seio familiar sólido e santo. Meu pai pesava mais desetenta quilos, e em pouco tempo, pesava somente trinta. Minha mãe o pegava no colo. Numa quinta feira, 20 de janeiro,meu pai passou muito mal não dormimos sequer um minuto, da mesma forma emque vínhamos dormindo há muito tempo.
  11. 11. Meu pai recebia muitas visitas, muito amigos e parentes; as pessoas vinham vê-lo, visitá-lo e ele passou dessa quinta para a sexta feiracompletamente desacordada, vindo a despertar no sábado de madrugada. Ele estava muito mal e a sua mãe, minha avó veio vê-lo. Nãopodemos esquecer a emoção quando minha avó, nos seus 80 anos de vida vendo ali o sofrimento do filho, ela que havia perdido umoutro filho em um acidente há exatamente um ano e vendo ali a luta do meu pai para sobreviver; e vendo também meu avô, maridodela, em uma outra cama, olhando por um lado meu pai acamado com câncer e na mesma propriedade, meu avô com a mesma doença,minha avó veio ali conversando, presenciando os sofrimento dos dois, viu que meu pai começou a chorar e dizer não queria que ela o visse naquele estado, pedindo-lhe que saísse,pois não suportava que sua mãe o visse sofrer.
  12. 12. Minha avó saiu e já não tinha maislágrimas, eram só sofrimentos e lutandocom a doença do marido e vendo o filho com o mesmo mal.Ao mesmo tempo, minha irmã mais nova olhou e a gente percebeu que era uma hora e trinta minutos da tarde e estávamos nós ali, meu pai evidentemente que não estava bem e estávamos sentados ao pés da cama.Olhei e vi que meu pai puxou a cortina. Eu percebi e disse a todos que ele está morrendo, e ali foi seu ultimo ederradeiro suspiro, partindo dessa vida e deixando a todos nós ali, numsofrimento, numa angustia que somente quem passa por ela, poderia avaliar.
  13. 13. Ele não queria morrer e lutou pela vida até o ultimo momento. Foi muito triste para todos nós, que passamos pordificuldades e pelas dores insuportáveis e não desejamos a ninguém que passe por um testemunho desses em ver ali, derrotado pela doença, um homem lutador, um homem de ferro,consumido por esse terrível mal. 25 dias após a morte de papai foi a vez do meuavô, que também com câncer, sendo eles,meu pai meu avô muito amigos, tiveram um fim parecido. Nós todos sentimos muito que pai e filho ficassem doentesquase que ao mesmo tempo, pois eles não se largavam um instante e trabalhavam juntos.
  14. 14. Hoje estão juntos de Deus. A gente jamais vai esquecer e os meus filhos falam muito no avô,meu pai, que faleceu no dia 30 de janeiro de 1993. Temos que prosseguir lutando, pois a vidacontinua embora diferente do que era antes. Minha irmã, a caçula, teve um menino colocou o nome de meu pai e do avô. Meu pai tinha um jeito todo especial denos dar a sua bênção e sempre nos dizia: “-Deus te abençoe minhafilha, e cuide bem das crianças...”.
  15. 15. Nós, Papai, não o esquecemos e jamais iremos esquecer. Ficou para nós a saudade, a sua lembrança do homemsaudável, caminhando e mexendo com o gado... Agora a outra imagem, numa cama chorando de fome e de sede ondetínhamos ali na nossa propriedade tudo para oferecer a ele, mas infelizmente a doença o impossibilitava de ingerir sólidos ou líquidos. São fatos da vida que marcam e que chocam e são passagens que a gente nunca esquecer, em ver uma pessoa que amamos e que gente gostamos sofrer como ele sofreu.Peço desculpas, pois estou emocionada etremula. Demorou muito tempo para eu escrever esse depoimento.
  16. 16. Minha mãe mora comigo aqui emBarbosa Ferraz. Essa é a história de nossas vidas. Hoje 2006 a nossa vida continua, e o meu paique eu sei que está no céu olhando por nós, eu ainda o vejo em sonhos, sadio e feliz, cuidando das criações que tanto amava e ainda ouço sua voz quando me ligava e a quem pedia a benção meu pai e o ouvia responder “... -Deus te abençoe minha filha!...”.
  17. 17. Saiba paizinho, que seus netos estão lindos... o Fabrício já terminou a faculdade e se formou... Lembra como o senhor o adorava e comprou até uns cabritinhos para alegrar a ele porque ele não queria ir morar ai no sitio.. A Daya está cursando Enfermagem e será umalinda enfermeira... Ela iria cuidar muito do senhor, acho que até melhor que eu. A Dani, paizinho, está linda!! Lembra como a Dani dizia para o senhor, quando ela tinha só 2 aninhos e meio e levavabolachinha Mirabel para o senhor na cama numa bandejinha, lembra? “E dizia...” -Vozinho como essa bolachinha é molinha o senhor consegue engolir..” e até hoje paizinho ela vai ao mercado e compra a bolachinha do vô João como ela apelidou.
  18. 18. Eu paizinho, to bem e estou trabalhando, estudando, fiz Magistério... Lembraquando dizia para o senhor que eu sonhava em ser professora? Estou fazendo um curso; mas vou fazer pedagogia, pois é o meu sonho. A Sonia também está bem,apesar da bronquite dela tadinha, mas está bem. A Marina também esta bem, emboraque eu não deva mentir, não é, pai? Tenho certeza de que o senhor deve saber mais de nossas vidas do que nós mesmas, não é assim, paizinho?? Tenho certeza de que o senhor está aí, olhando por nós. A nossa vida continua e vamos viver até quandoDeus quiser e um dia vamos nos encontrar; e então o senhor e nós vamos rir muito juntos!! Obrigada, meu Pai, por tudo que nos ensinou.
  19. 19. CRÉDITOS Formatação: Prado Slides E-mail:jprado_amador@yahoo.com.brTexto: Lembranças do meu pai Sirley de Sá Música: What A Wonderful World Imagens: Internet / Cadê

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