O Maior
Mistério Já
Revelado
Silvio Dutra
NOV/2015
2
A474
Alves, Silvio Dutra
O maior mistério já revelado/ Silvio Dutra
Alves. - Rio de Janeiro, 2015.
186p.; 14,8x21cm
1. T...
3
Sumário
Introdução........................................................................ 4
O mistério oculto até a man...
4
Introdução
Nenhum outro documento do Novo
Testamento e mesmo de toda a Bíblia contém
tantas revelações sobre o que seja ...
5
justificadora e santificadora que foi ensinada
diretamente por nosso Senhor Jesus Cristo ao
apóstolo, quando Paulo receb...
6
O mistério oculto até a manifestação de
Cristo
Nas epístolas aos Efésios e Colossenses, Paulo
se refere ao mistério que ...
7
efetivamente lavados e justificados por meio do
Sangue de Jesus Cristo (Ef 3.10).
Se como integrantes da Igreja fomos
co...
8
Não há justos de si mesmos aos olhos de
Deus
(Romanos 1)
No primeiro capítulo de Romanos o apóstolo
destaca especialment...
9
Esta repetição da Palavra “evangelho” logo no
primeiro capítulo é muito importante para
descobrirmos o propósito com o q...
10
Então, é somente pela justiça do evangelho, que
é segundo a fé, que a ira de Deus contra o pecado
daqueles que se conve...
11
que somos justificados, conforme prometido
desde os dias dos profetas do Velho Testamento
(Isaías 53.11).
Ser salvos pe...
12
Todas as pessoas são, portanto, indesculpáveis
perante o justo juízo de Deus que exige perfeita
santidade de todos, sem...
13
agradá-Lo, porque os seus olhos repousam
sobre os justos para abençoá-los, mas Ele é
contra aqueles que praticam males....
14
evangelho, uma vez que é assim que
comprovamos que somos de fato eleitos de
Deus.
Mas, nada desta vida vitoriosa pode s...
15
As exigências da lei se cumprem em
Cristo
(Romanos 2)
O apóstolo se esforça para demonstrar neste
segundo capítulo de R...
16
O principal alvo do evangelho é o de nos remir
do pecado, de nos transportar das trevas para a
luz, da potestade de Sat...
17
segundo a norma bíblica, por não mortificarem
a carne e andarem em novidade de vida no
Espírito.
Já não são inimigos de...
18
E sem Cristo na vida, habitando e operando em
nosso coração, isto não é possível.
Daí Paulo ter afirmado nos versos 9 e...
19
Assim não é pela sua bondade e afeto naturais
que o homem é livrado da condenação futura,
porque todos são pecadores de...
20
A resistência a Ele e a consequente rejeição ao
evangelho é o que resulta em juízo divino,
porque sem isto, ninguém est...
21
outro não são justificados por suas obras, mas
por uma real união com Cristo.
Não tem nenhum valor a mera ortodoxia do
...
22
aos seus mandamentos. Uma vez quebrada a Lei,
o homem se torna culpado e condenável a um
juízo eterno.
Todos pecaram ne...
23
A lei é estabelecida pela fé
(Romanos 3)
Tendo falado nos dois primeiros capítulos de
Romanos sobre a natureza pecamino...
24
Jesus que somos libertados da lei do pecado e da
morte (Rom 8.2).
Veja que é afirmado ser ela uma lei de liberdade.
E l...
25
glória, pela operação e instrução do Espírito
Santo.
A justiça do próprio Cristo lhe foi oferecida pelo
evangelho para ...
26
contra os pecadores, como se via nos dias do
Velho Testamento, pois desde que Jesus morreu
e ressuscitou, Ele tem dado ...
27
alimentando-a e dando-lhe um abrigo seguro no
aprisco.
É por este motivo que é ordenado aos cristãos
seguirem o exemplo...
28
pecado acabou no momento em que nos
rendemos por meio da fé em Jesus.
Vemos assim quão preciosa é a condição que
alcanç...
29
Pela exposição dos versos 3 a 8 Paulo
demonstrou que o fato de alguns judeus, na
verdade a maioria deles, não viver em
...
30
epístola é o da justificação pela graça mediante
a fé, sem o concurso das obras.
Paulo falou também de santificação a p...
31
convencer que somos pecadores e que
necessitamos, portanto, de um Salvador.
Deste modo, Paulo fechou este capítulo dize...
32
Justificados somente por fé
Paulo dedicou todo o quarto capítulo de
Romanos para explicar o significado da
justificação...
33
causa da nossa união espiritual com Cristo, por
meio da fé.
No capítulo 9º Paulo discorre sobre a
predestinação e eleiç...
34
nenhuma glorificação, nenhuma cura, nenhum
livramento da condenação, nenhuma herança
para o cristão no céu.
Então, ao a...
35
valer a própria justiça sempre nos deixará
desprovidos daquela Justiça que nos vem da
parte de Deus pelo evangelho.
Por...
36
8 Bem-aventurado o homem a quem o Senhor
não imputa o pecado.”
Então a justificação é uma declaração da parte
de Deus e...
37
Esta bênção da justificação, que nos dá a
salvação, não é somente para os judeus, uma vez
que Abraão foi justificado
pe...
38
Lembremos que o motivo alegado por Deus de
que não permaneceria mais atuando nos
homens nos dias de Noé, porque estes e...
39
Se a promessa fosse pelas obras da Lei todos
continuariam debaixo da ira e da maldição de
Deus, porque não há quem guar...
40
mas para que possamos ser efetivamente salvos
da mesma maneira como Ele salvou Abraão,
como se vê em Gên 15.6:
“E creu ...
41
da ressurreição futura de seus corpos no dia do
Arrebatamento.
42
O fundamento, o modo e os efeitos da
justificação
(Romanos 5)
Paulo não encerrou ainda o assunto da
justificação pela f...
43
perfeita de redenção que foi feita em seu favor
por Jesus.
Isto significa que ainda que ele venha a decair da
graça, pe...
44
evangélica é de plena e segura certeza do que
temos recebido em Cristo, pela testificação do
Espírito Santo.
De maneira...
45
"E a esperança não traz confusão, porquanto o
amor de Deus está derramado em nossos
corações pelo Espírito Santo que no...
46
muito mais podemos estar certos então de que
não nos deixará e desamparará depois que
fomos justificados pelo seu sangu...
47
Deus, isto é, tributar-Lhe toda honra e glória,
pelo que é em Si mesmo, uma vez que nos
permitiu alcançar a reconciliaç...
48
Foi a isto que o apóstolo quis se referir.
Ele pretendia que nós entendêssemos que a
salvação pela graça, a bênção da j...
49
segundo os homens, mas segundo a mente de
Cristo, que está sendo formada em nós.
Deus sujeitou toda a humanidade à cond...
50
Adão foi alertado sobre esta Lei Régia, pois Deus
fizera uma aliança com ele e com toda a sua
descendência, com a previ...
51
Então, se a morte reinou por causa da ofensa de
um só homem, a saber, Adão, Deus proveu um
meio para que a graça e o do...
52
porque a união com Cristo não é natural, mas
espiritual, e demanda a necessidade de
conversão para que possamos nos tor...
53
Esta graça está em Cristo, e portanto, é somente
na comunhão com Ele que podemos desfrutá-
la.
54
Justificados para ser santificados
(Romanos 6)
Após ter discorrido consistentemente sobre a
obra que Jesus realizou em ...
55
O vencedor ao qual Jesus se refere nos capítulos
2 e 3 do livro de Apocalipse, é sobretudo aquele
que venceu as suas pa...
56
verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que
é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável,
tudo o que é de boa f...
57
terá que se purificar de todos estes erros que nos
afastam da comunhão com Deus (II Tim 2.20-22).
Não basta ter a inten...
58
para Ele, e então Ele nos dará a graça e a força
necessárias para vencê-las. É assim que a nossa
fidelidade a Ele é pro...
59
Jesus morreu por causa dos nossos pecados, e é
pela sua morte que somos justificados, de
maneira que não faz qualquer s...
60
ser admitido o raciocínio de que já que Ele
justifica pecadores, não há, portanto, nenhum
mal em viver na prática do pe...
61
Nós já fomos limpos pela Palavra do Senhor na
nossa conversão, e com ela, recebemos uma
expressiva santificação pela Pa...
62
Temos aflições neste mundo, porque Ele
também padeceu terríveis sofrimentos e
perseguições por causa da justiça do evan...
63
mundo, de maneira que sabendo que o nosso
velho homem foi crucificado juntamente com
Cristo, não devemos viver mais ser...
64
Mas nada disso é possível, se não passarmos
antes pela mortificação da carne, com as suas
paixões, através da cruz, com...
65
terceiro capítulo, que devemos nos consagrar
depois de justificados.
Devemos saber que estamos numa nova
dispensação, a...
66
Isto não é apenas uma questão doutrinária, mas
uma verdade que se demonstra nas Escrituras e
na vida.
Aqueles que se co...
67
daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a
morte, ou da obediência para a justiça?”
Os homens que permanecem escravi...
68
santificação, porque afinal estava debaixo da ira
de Deus, por não ser justificado, como se lê no
verso 20.
Mas, o frut...
69
Como muito da força do velho homem foi
destruída na regeneração, isto comprova que
ele está destinado a desaparecer tot...
70
Quem em sã consciência gostaria de ver a sua
obra sendo queimada pelo fogo da provação de
Deus, por ter sido feita com ...
71
A graça tudo vencerá
(Romanos 7)
Neste sétimo capítulo de Romanos nós
veremos a terrível luta que há mutuamente
entre a...
72
O caráter da obediência completa exigida de
toda a humanidade da Lei Régia, que consiste na
exigência do perfeito amor ...
73
morte de Jesus na cruz fosse a nossa própria
morte.
Ele visitaria o seu próprio Filho Unigênito com o
castigo que era d...
74
de pecado e de desobediência em sua natureza
terrena que ainda carregam neste mundo, mas
sim, e exclusivamente pelo fat...
75
abusemos da liberdade que foi conquistada para
nós por um preço elevadíssimo de sangue, e não
de um sangue qualquer, se...
76
“Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que
está em Cristo Jesus.” (2 Tim 2.1)
E a todos os cristãos:
“Quanto ao ma...
77
transformação progressiva do nosso caráter e
coração.
É um poder para nos habilitar a sermos
obedientes aos mandamentos...
78
ao coração insensível de pedra às coisas
concernentes ao reino dos céus que tínhamos
antes da nossa conversão a Cristo....
79
Em Cristo eles estariam mortos para a exigência
de fidelidade àquela Primeira Aliança, de
maneira a poderem contrair nú...
80
eventualmente, porque não está mais casado
com a lei, mas com Cristo.
Assim, a Lei não pode pretextar que esteja
havend...
81
Pelo verso 7, nós vemos que Paulo não estava se
referindo apenas à lei cerimonial, mas também
à lei moral, mostrando qu...
82
e santa, e passamos a dar o devido valor à Lei,
apreciando os mandamentos de Deus;
entendendo que nos foram dados para ...
83
“Ou pensais que em vão diz a escritura: O
Espírito que ele fez habitar em nós anseia por
nós até o ciúme?”
E em Rom 7.1...
84
meio do qual possamos nos opor ao pecado e à
cobiça que conduz ao pecado.
Devemos saber que há uma permanente luta do
E...
85
As suas graças, como também os seus dons nos
são dados para serem usados e exercitados, e
não para serem, enterrados ou...
86
Este é o trabalho de se matar um terrível inimigo
que vive dentro de nós, com um golpe após
outro, de modo que não o de...
87
Paulo diz no verso 16 que ao fazer o que ele não
queria, ele consentia com a lei que é boa, a
saber, a sua vontade era ...
88
Vitórias eventuais sobre determinados desejos
não garantirão uma vitória plena e permanente
sobre todos eles.
Não que P...
89
lo, a ponto de dizermos que não somos nós, isto
é, o nosso homem consciente que o está
praticando, mas o pecado que hab...
90
A união indissolúvel do crente com
Cristo
(Romanos 8)
A temática central deste capítulo está
relacionada ao vínculo ind...
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
O maior mistério já revelado
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

O maior mistério já revelado

52 visualizações

Publicada em

Desvende nas páginas deste livro a revelação do mistério que nos trouxe muitas e preciosas riquezas, que de tantas não poderiam ser citadas numa breve sinopse.
São riquezas adquiridas por um altíssimo preço, mas que nos são concedidas gratuitamente.
Todavia, devemos ser inteiramente francos e honestos em dizer, que apesar de ter sido revelado, este mistério permanece em oculto para todo aquele que não o enxergar com os olhos da fé.

Publicada em: Espiritual
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

O maior mistério já revelado

  1. 1. O Maior Mistério Já Revelado Silvio Dutra NOV/2015
  2. 2. 2 A474 Alves, Silvio Dutra O maior mistério já revelado/ Silvio Dutra Alves. - Rio de Janeiro, 2015. 186p.; 14,8x21cm 1. Teologia. 2. Vida Cristã. 3. Eternidade. 4.Eleição I. Título. CDD 230.227
  3. 3. 3 Sumário Introdução........................................................................ 4 O mistério oculto até a manifestação de Cristo.................................................................................... 6 Não há justos de si mesmos aos olhos de Deus...................................................................................... 8 As exigências da lei se cumprem em Cristo... 15 A lei é estabelecida pela fé........................................ 23 Justificados somente por fé..................................... 32 O fundamento, o modo e os efeitos da justificação........................................................................ 42 Justificados para ser santificados......................... 54 A graça tudo vencerá................................................... 71 A união indissolúvel do crente com Cristo..... 90 A causa da justificação, da eleição e da filiação................................................................................. 107 O modo de proclamação e recepção do evangelho.......................................................................... 115 A conduta que convém aos salvos pelo evangelho.......................................................................... 125 Conclusão.......................................................................... 136
  4. 4. 4 Introdução Nenhum outro documento do Novo Testamento e mesmo de toda a Bíblia contém tantas revelações sobre o que seja a justificação pela graça, mediante a fé, do que a carta do apóstolo Paulo aos Romanos. Certamente, foi se referindo a ela, entre outras Escrituras do apóstolo Paulo, que Pedro disse haver nelas pontos difíceis de serem entendidos, que eram distorcidos pelos indoutos e inconstantes, para a própria perdição deles. São pontos difíceis de entender não por motivo de terem sido redigidos em linguagem de difícil compreensão, mas por haver neles verdades espirituais que dependem de iluminação e instrução do mesmo Espírito Santo que as inspirou, para serem devidamente interpretadas. Muitos que têm ousado nadar nestas águas profundas têm se afogado, como sucedeu no passado àqueles indoutos e inconstantes aos quais se referiu o apóstolo Pedro no final de sua segunda epístola. Mas, pela graça de Deus, temos alcançado, juntamente com outros mestres da Palavra, a interpretação autêntica relativa à graça
  5. 5. 5 justificadora e santificadora que foi ensinada diretamente por nosso Senhor Jesus Cristo ao apóstolo, quando Paulo recebeu dele o Evangelho, conforme afirma na epístola aos Gálatas: “Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo.” (Gál 1.12). Assim, nosso Senhor Jesus Cristo revelou o evangelho a Paulo, e este escreveu a revelação especialmente na epístola aos Romanos, que nos esforçaremos agora para apresentar de forma clara, concisa e direta, conforme sejamos ajudados pelo Espírito Santo.
  6. 6. 6 O mistério oculto até a manifestação de Cristo Nas epístolas aos Efésios e Colossenses, Paulo se refere ao mistério que esteve oculto em Deus, dos séculos e das gerações e que que foi manifestado com a inauguração da dispensação da graça ou do evangelho em e por nosso Senhor Jesus Cristo (Ef 3.8-12; Col 1.24-27). A revelação deste mistério que estivera oculto em Deus se manifestaria especialmente aos gentios, os quais não eram abrangidos pela Antiga Aliança, firmada exclusivamente com a nação de Israel (Col 1.27). Assim, aqueles que não tinham antes esperança da glória de Deus, poderiam participar desta glória juntamente com o remanescente judeu. Isto porque aprouve a Deus que toda a plenitude residisse em Cristo, de forma a reunir em um só rebanho ovelhas de todas as nações da Terra. E o meio de realização deste propósito divino é o evangelho que foi revelado por Cristo aos apóstolos para ser pregado e ensinado, para a conversão e santificação dos pecadores. A agência escolhida por Deus para esta divulgação do evangelho é a Igreja, não propriamente a instituição assim chamada, mas o corpo formado por todos aqueles que foram
  7. 7. 7 efetivamente lavados e justificados por meio do Sangue de Jesus Cristo (Ef 3.10). Se como integrantes da Igreja fomos comissionados para tão alta, sagrada e importante missão, então é nosso dever nos inteirarmos devidamente de qual seja de fato a mensagem do evangelho revelado aos apóstolos, e do qual dão testemunho as Escrituras, e a própria Lei e os Profetas. Como dissemos anteriormente, esta explicação relativa ao que seja o evangelho foi escrita por Paulo, especialmente na carta aos Romanos, sobre a qual discorreremos deste ponto em diante.
  8. 8. 8 Não há justos de si mesmos aos olhos de Deus (Romanos 1) No primeiro capítulo de Romanos o apóstolo destaca especialmente a condição de todas as pessoas diante de Deus. Ele quis enfatizar que a justiça do próprio homem é imperfeita e incompleta para poder satisfazer a exigência da santidade e justiça de Deus, que demanda absoluta perfeição moral e espiritual, sem qualquer pecado cometido ao longo do curso de toda a nossa existência, condição esta que, patentemente, ninguém possuiu ou possui neste mundo, senão apenas o próprio Senhor Jesus, e por isso pôde se apresentar como oferta de sacrifício em nosso lugar, para que morrendo a nossa morte, pudéssemos ter vida eterna juntamente com Ele diante de Deus, que é Deus de vivos e não de mortos. Esta epístola tem sido chamada por muitos de o evangelho segundo Paulo. Ele fez uso da palavra evangelho por quatro vezes somente neste primeiro capítulo, como se vê nos versículos 1, 9, 15 e 16, enfatizando que havia sido chamado para apóstolo, tendo sido separado de um modo especial por Deus, para ministrar o evangelho de Cristo.
  9. 9. 9 Esta repetição da Palavra “evangelho” logo no primeiro capítulo é muito importante para descobrirmos o propósito com o qual Paulo foi inspirado pelo Espírito Santo, a saber, o de ensinar aos cristãos de todos os tempos o que é o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo, e a importância dele para o cumprimento do propósito eterno de Deus de gerar pelo evangelho, muitos filhos semelhantes a Jesus entre os pecadores. O próprio apóstolo havia sido gerado pela palavra do evangelho e por isso declarou que servia a Deus em seu espírito, no evangelho de seu Filho. Que estava pronto para anunciar também o evangelho em Roma, porque não se envergonhava do evangelho, uma vez que é ele o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. A grande necessidade da humanidade, de um evangelho de Deus que a salve, repousa no fato de que Deus manifestou por várias vezes, especialmente no Velho Testamento, a sua ira contra o pecado, para que soubéssemos que há uma grande condenação final pairando sobre as cabeças de todas as pessoas, e é somente pelo evangelho que é possível escapar desta condenação decorrente do pecado.
  10. 10. 10 Então, é somente pela justiça do evangelho, que é segundo a fé, que a ira de Deus contra o pecado daqueles que se convertem a Ele pode ser afastada, pela satisfação da sua justiça em relação à punição eterna que se exige em relação ao pecado, conforme o apóstolo vai expor amplamente nesta epístola. Paulo diz que a justiça de Deus é revelada no evangelho de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé; porque esta justiça evangélica é a justiça de Deus; no sentido de que é a que Ele está aprovando e aceitando. E a justiça que está sendo oferecida para a remissão dos pecados é a do próprio Cristo. É portanto, somente por causa da fé em Jesus, que os pecadores são justificados, porque é o próprio Cristo que é a nossa Justiça, por estarmos unidos a Ele (I Cor 1.30). Deus nos vê em Cristo e fica satisfeito, porque estamos nAquele que é justo e santo, e que foi justificado pelo Pai por ter carregado os nossos pecados em sua morte, porque Ele não tinha qualquer pecado, de modo que isto foi comprovado, de que era Justo aos olhos de Deus em sua ressurreição e recepção na glória do céu em triunfo, depois de sua ascensão. Assim, é pelo conhecimento pessoal e real que temos deste que é perfeitamente Justo – Jesus –
  11. 11. 11 que somos justificados, conforme prometido desde os dias dos profetas do Velho Testamento (Isaías 53.11). Ser salvos pelo conhecimento de Jesus, conforme consta na profecia de Isaías 53.11 era de fato algo revolucionário para a mentalidade daqueles que estavam sob o Antigo Pacto no Velho Testamento, porque lá se falava numa justiça que seria decorrente das obras dos crentes, e não pelo conhecimento espiritual e pessoal de Cristo, que é mediante a fé. Esta coisa nova inerente à Nova Aliança instituída por Jesus em seu sangue, para substituir a Antiga, consiste na boa nova (evangelho) que deve ser pregada a toda criatura debaixo do céu, conforme ordenança de Jesus, e assim o apóstolo disse que estava pronto para pregar o evangelho também em Roma, apesar de não ter sido o fundador da Igreja naquela cidade. Não é por mérito de raça, de capacidade humana ou de qualquer outra qualificação ou capacitação que há salvação de pecadores, mas pela exclusiva graça que opera de fé em fé no evangelho, como Paulo afirma no verso 17. A ação do pecado no mundo é evidente de várias maneiras, e o apóstolo enumera algumas a título de ilustração, até o versículo 32.
  12. 12. 12 Todas as pessoas são, portanto, indesculpáveis perante o justo juízo de Deus que exige perfeita santidade de todos, sem exceção. Ora, ainda que a nossa salvação seja efetuada exclusivamente segundo a misericórdia e graça de Deus, mediante o nosso arrependimento e fé, está claro, que é por estes pecados relacionados até o verso 32 que a ira de Deus permanece sobre aqueles que não se arrependem e não creem em Cristo. Disto se infere que na vida cristã, há uma absoluta necessidade para a nossa santificação para o uso por Deus; de um real abandono de todas as práticas pecaminosas ali relacionadas e todas as demais que se refiram à nossa velha natureza decaída – o que faremos recorrendo ao auxílio da graça e do poder de Deus, por meio da vigilância e da oração. O pecado relativo a impureza sexual ou a qualquer outra, por exemplo, deve ser devidamente mortificado e abandonado. Enquanto os vícios nos dominarem não podemos ser instrumentos úteis e idôneos para o Senhor, porque se requer de nós uma posição firme contra todo e qualquer tipo de pecado, para cuja prática ou pensamento de atração estivermos naturalmente inclinados. Sem esta atitude de vigilância e combate contra os pensamentos e práticas pecaminosas não poderemos ser ajudados na hora da tentação, porque Deus dará graça ao que se esforça para
  13. 13. 13 agradá-Lo, porque os seus olhos repousam sobre os justos para abençoá-los, mas Ele é contra aqueles que praticam males. Jesus morreu em nosso lugar para que não vivêssemos mais em pecado. Há nesses dias de apostasia da Igreja uma visão muito errada e concessiva quanto a isto, por se julgar que por se estar na graça não há mais necessidade de se preocupar com nossos pecados presentes ou futuros, porque Deus não estaria levando em conta estes pecados por termos sido perdoados por Cristo. Todavia, não é este o ensino das Escrituras. É certo que toda a dívida de pecados foi paga para o que crê em Cristo, por nosso Senhor na cruz, tanto de pecados passados, presentes ou futuros, para efeito de nos livrar da condenação eterna, todavia, isto se refere à salvação, e não a um viver santo e vitorioso no presente, que demanda uma verdadeira santificação. Além disso, não podemos ter certeza da segurança da nossa salvação, a não ser pelo meio de confirmar a nossa real eleição, pela frutificação espiritual progressiva que é vista em nossas vidas. E isto, tanto no que se refere ao aspecto moral, quanto ao espiritual, uma vez que não basta ser virtuoso, é necessário também ser paciente e grato a Deus em todas as tribulações e sofrimentos que experimentamos neste mundo, por causa do nosso amor ao
  14. 14. 14 evangelho, uma vez que é assim que comprovamos que somos de fato eleitos de Deus. Mas, nada desta vida vitoriosa pode ser alcançado sem que haja comunhão com Jesus e recepção diária da sua própria vida e poder pelo Espírito Santo, uma vez que tudo o que somos e seremos, tudo o que fazemos para Deus e viermos a fazer, é sempre pela graça mediante a fé em Jesus. Se não tivéssemos necessidade dele para este viver em santificação, não haveria necessidade de ter morrido por nós e estar à direita do Pai intercedendo por nós dia e noite. Então é somente pela graça e justiça do evangelho que está sendo oferecida gratuitamente na dispensação da graça divina, que se pode escapar do Juízo condenatório em razão do pecado, e se obter um viver vitorioso espiritual em nossa jornada terrena. Todos necessitam de um Salvador eficaz, e este é somente Jesus Cristo, conforme o apóstolo Paulo argumenta em toda esta epístola aos Romanos.
  15. 15. 15 As exigências da lei se cumprem em Cristo (Romanos 2) O apóstolo se esforça para demonstrar neste segundo capítulo de Romanos que as boas obras exigidas pela Lei não podem ser praticadas de modo algum sem a assistência da graça que recebemos de Jesus. De modo que os judeus que se gloriavam na Lei não tinham realmente do que se gloriar, porque a Lei é norma, e a graça é poder, a norma não transforma o coração do pecador, o que pode ser realizado somente pelo poder da graça de Jesus. Como eles rejeitavam a Cristo, não podiam ter a sua graça, e por conseguinte, não podiam agradar a Deus de modo algum. Para que alguém seja justificado diante de Deus pela simples observância dos mandamentos da Lei, há necessidade que estes sejam cumpridos integralmente sem qualquer transgressão durante o curso de toda a vida. E quem é suficiente para isto? De modo que todos, sem uma única exceção, se encontram debaixo da maldição e condenação da Lei, do que podem ser resgatados somente por meio da fé em Cristo, e pela simples operação da sua graça justificadora.
  16. 16. 16 O principal alvo do evangelho é o de nos remir do pecado, de nos transportar das trevas para a luz, da potestade de Satanás para a de Deus, enfim, é a de nos apresentar santificados, inculpáveis perante Deus, para sermos úteis ao seu serviço. Então o apóstolo vai continuar descrevendo no segundo capítulo de Romanos, a terrível condição de miséria a que está sujeita a natureza humana em razão de se encontrar decaída no pecado. E nisto não há qualquer exceção, porque todos são pecadores, por possuírem tal natureza pecaminosa. Ele vai demonstrar o quão está o ser humano afastado daquela condição santa exigida pela Lei de Deus. O quanto a sua vida é oposta à mesma. E sem a graça do evangelho operando em sua vida o homem está irremediavelmente perdido na citada condição. A propósito, Jesus definiu como sendo seus amigos, somente aqueles que guardam os seus mandamentos. E a Bíblia nos ensina que amando o mundo, os prazeres carnais, o dinheiro e as riquezas terrenas, nos constituímos a nós mesmos inimigos de Deus. Vemos, portanto, a quantas condições de provocação da justiça, da santidade, da longanimidade e da comunhão com Deus estão sujeitos até mesmo os cristãos que não vivem
  17. 17. 17 segundo a norma bíblica, por não mortificarem a carne e andarem em novidade de vida no Espírito. Já não são inimigos declarados por causa da cruz, mas vivem como se fossem inimigos da verdade da Palavra que é o único meio pelo qual podem ser santificados pela operação do Espírito Santo, quando deixam de amar ao Senhor guardando os seus mandamentos, porque amam o mundo. Se a condição de toda pessoa é a de estar naturalmente inclinada ao pecado, então, qualquer um que julga o seu próximo e se compara a ele, pensando que está justificado pelo simples fato de ser religioso, é indesculpável e condena a si mesmo, conforme o apóstolo afirma logo no início deste segundo capítulo. Deus requer conversão, porque sem esta, não é possível atender à demanda da sua justiça, que não faz distinção de pessoas, condição de nascimento, ou religião. É somente por um coração convertido, circuncidado pelo despojamento da carne, que se pode estar habilitado a viver de modo que seja condizente com a justiça de Deus, tanto no que se refere a uma sadia moralidade bíblica, como também na expressão de culto, serviço e adoração a Deus, conforme lhe são devidos e instituídos em sua Palavra.
  18. 18. 18 E sem Cristo na vida, habitando e operando em nosso coração, isto não é possível. Daí Paulo ter afirmado nos versos 9 e 10: “9 Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego; 10 Glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego.” Então ao se falar na graça, na fé, na justiça do evangelho que são recebidas de Cristo, e que estão em Cristo, fala-se ao mesmo tempo de uma operação real na vida do cristão, convertendo-o das trevas para a luz, e da prática do mal para a prática da justiça evangélica. A pessoa que se converter realmente, será habilitada a amar a Palavra de Deus não somente para ouvi-la mas para praticá-la. Ela terá o seu coração corrompido pelo pecado transformado num coração sensível à vontade de Deus. Ela será capacitada pela graça a amar a Deus e a seus irmãos em Cristo, e a buscar viver em unidade espiritual com Deus e com seus irmãos na fé, porque tem agora a habitação do Espírito Santo, conforme Deus prometeu que o daria a todo que fosse feito discípulo de Cristo.
  19. 19. 19 Assim não é pela sua bondade e afeto naturais que o homem é livrado da condenação futura, porque todos são pecadores destituídos da glória de Deus, e necessitam serem justificados por Cristo, e serem regenerados e santificados pelo Espírito Santo, de maneira que não é a própria justiça da pessoa que a salvará, mas a justiça de Cristo que ela encontrou no evangelho. E todos os que forem transformados pela graça do evangelho, viverão eternamente, porque buscarão andar na prática da justiça que é ensinada na Bíblia, especialmente no evangelho. Por isso o apóstolo disse o seguinte nos versos 6 a 8: “6 O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: 7 A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; 8 Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade;” A desobediência à verdade aqui referida, é sobretudo uma rebelião contra a verdade do evangelho de Cristo.
  20. 20. 20 A resistência a Ele e a consequente rejeição ao evangelho é o que resulta em juízo divino, porque sem isto, ninguém está capacitado a viver do modo que é exigido pela Lei, ou pelo menos ser habilitado a caminhar por esta senda de obediência aos mandamentos do Senhor. Jesus falou claramente sobre a necessidade de se nascer de novo para se entrar no reino dos céus. Por isso foi logo ao ponto com Nicodemos lhe dizendo que não era o fato de ser um religioso sincero que lhe garantia o acesso ao reino de Deus, mas sim, caso tivesse uma experiência real de novo nascimento do Espírito Santo. Deus não faz distinção entre judeus e gentios, porque não faz acepção de pessoas. Os judeus não tinham, portanto, nada do que se gloriar em relação aos gentios, porque tanto estes que não estiveram debaixo da Lei de Moisés, quanto os judeus que estiveram debaixo da Lei, caso vivessem no pecado, pereceriam igual e eternamente, se não fossem justificados pela fé no evangelho de Cristo. Assim, o judeu não se encontrava em vantagem em relação aos gentios quanto à justiça do evangelho, e nem os gentios em vantagem em relação aos judeus, porque tanto um quanto
  21. 21. 21 outro não são justificados por suas obras, mas por uma real união com Cristo. Não tem nenhum valor a mera ortodoxia do judeu na defesa da Lei, porque não lhe ajudaria em nada quanto à salvação segundo o evangelho, pois não é por se ter a Lei e se gloriar em Deus, e saber a vontade de Deus e aprovar o que é prescrito na sua Palavra, ainda que seja um mestre da Lei, caso não se pratique aquilo que se defende, como Paulo diz nos versos 17 a 24. E sabemos que é impossível ser espiritual conforme Deus requer, sem a habitação do Espírito Santo, o qual é recebido somente por causa da fé em Cristo. Os que não conhecem a Lei escrita revelada por Deus também serão condenados caso não tenham sido justificados pela graça, uma vez que há uma lei escrita em seus corações, em suas consciências, ali colocada por Deus com o propósito de ensinar ao homem qual é o caminho pelo qual deve andar. Além disso, todos os homens estão debaixo da Lei original de Deus, do pacto de obras que fizera com toda a humanidade através de Adão, pois foi ordenado ao homem que seja perfeito em todos os sentidos (justiça, santidade, etc) diante de Deus. Esta é a Lei régia à qual se refere Tiago (2.8), resumindo-a no amor perfeito devido ao próximo. É a Lei do Rei. Do criador do homem e Juiz do universo. De Deus que fez o homem para amar e ser amado em perfeição de obediência
  22. 22. 22 aos seus mandamentos. Uma vez quebrada a Lei, o homem se torna culpado e condenável a um juízo eterno. Todos pecaram neste sentido. Todos quebraram a Lei régia de Deus e por isso serão condenados. Condenação esta da qual podemos nos livrar somente por meio da expiação e redenção do sangue de Jesus. Então, para aqueles que são salvos da condenação não há outro caminho senão o de viver para a justiça de Deus, na prática do bem. Assim, não é bastante conhecer o bem; falar bem, professar o bem; prometer o bem, porque é necessário acima de tudo fazer o bem. E segundo o apóstolo para praticar o bem conforme ele é definido por Cristo, é necessário viver na fé do evangelho, porque é por este meio que podemos comprovar para nós mesmos que fomos de fato salvos pela graça de Jesus.
  23. 23. 23 A lei é estabelecida pela fé (Romanos 3) Tendo falado nos dois primeiros capítulos de Romanos sobre a natureza pecaminosa universal de toda a humanidade, quer em todas as épocas ou lugares, e do juízo de condenação eterna que há da parte de Deus sobre aqueles que se encontram nesta condição, a saber, todas as pessoas sem exceção, Paulo passou a discorrer nos capítulos 3, 4 e 5, sobre a solução provida por Deus para perdoar e restaurar o homem caído, ao nos dar Jesus Cristo para ser tanto o nosso sacrifício expiatório, quanto o nosso sumo sacerdote intercessor, o nosso guia, rei e senhor, bem como a nossa própria nova vida espiritual e celestial. Tiago havia falado sobre a Lei Régia que condena todo homem, porque esta Lei não foi revogada ou substituída pela Nova Aliança feita no sangue de Jesus, senão apenas a Lei cerimonial e civil que foi dada através de Moisés para vigorar para a nação de Israel no período do Antigo Testamento, que durou de Moisés (1.440 a.C.), até a morte de nosso Senhor Jesus Cristo na cruz. Tiago falou também de uma Lei da Liberdade sob a qual se encontram todos os que creem em Jesus. E por que ele se referiu a ela deste modo? Por que é pela lei do Espírito e da vida em Cristo
  24. 24. 24 Jesus que somos libertados da lei do pecado e da morte (Rom 8.2). Veja que é afirmado ser ela uma lei de liberdade. E liberdade do pecado e da morte espiritual eterna. Não se trata, portanto, de uma simples lei de liberdade de vícios, de práticas imorais, ou de toda forma de pecado que se possa nomear, mas é sobretudo uma liberdade de uma condição de morte para a de vida eterna; de prisão em ignorância e em trevas, para o verdadeiro conhecimento de Deus e de luz. É liberdade da escravidão a Satanás e a todos os espíritos das trevas. É liberdade da condenação da Lei. É liberdade para ter poder e capacidade para viver de maneira santa e agradável a Deus e em comunhão com Ele por toda a eternidade. Tudo isto nos foi trazido pela graça e verdade que estão em Jesus Cristo, e que nos foram reveladas pelo seu evangelho. O injusto pecador, estando sob o evangelho, será visto por Deus como sendo justo, porque além de ter sido justificado pela fé no evangelho, terá também a justiça de Cristo sendo implantada nele progressivamente até a perfeição em
  25. 25. 25 glória, pela operação e instrução do Espírito Santo. A justiça do próprio Cristo lhe foi oferecida pelo evangelho para poder ser perdoado e justificado por Deus. Veja que esta justiça do evangelho não é em primeira instância uma justiça que seja requerida de nós, mas é a justiça de Cristo que nos está sendo oferecida gratuitamente por meio do evangelho. De modo que estando em Cristo somos participantes da sua justiça, pela qual nos tornamos aceitáveis a Deus. Deus não mais condenará eternamente aquele que foi justificado pela fé em Jesus. Ele não o fará porque prometeu isto desde os dias dos profetas do Velho Testamento (Jeremias 31.31-35). Por isso nosso Senhor afirmava que não veio para condenar o mundo, mas para salvá-lo, pois veio inaugurar uma nova dispensação – a da graça, a do Espírito Santo, a da longanimidade e paciência de Deus, até que Ele volte para julgar os vivos e os mortos. Esta é a razão para não serem vistos nesta dispensação, tantos juízos imediatos de Deus
  26. 26. 26 contra os pecadores, como se via nos dias do Velho Testamento, pois desde que Jesus morreu e ressuscitou, Ele tem dado a oportunidade para que todos os pecadores se arrependam e alcancem a vida eterna. E para que não houvesse qualquer dúvida em nós quanto ao que havia prometido acrescentou um juramento por Si mesmo de que jamais anularia o que nos prometeu (Hebreus 6.17). É por isso que vemos o caráter deste perdão e justificação sendo ilustrado por Jesus em tantas passagens dos evangelhos, especialmente nas parábolas da dracma perdida, do filho pródigo e da ovelha perdida. Não temos tempo e espaço para aprofundar aqui todo o ensino que há nestas parábolas, mas podemos destacar pelo menos este aspecto da busca de Deus pelos perdidos, e que deve haver também nos que estão perdidos, uma busca de Deus para que possam ser acolhidos por Ele. Todavia, ninguém deve pensar que ao buscar a sua ovelha fujona e extraviada, que o Pastor teve da parte dela uma efusiva recepção. É bem provável que ela tenha tentado escapar de seus braços imaculados, de tão suja que estava pelo pecado, envergonhada de sua condição, mas ainda assim ele insistiu em pegá-la e obteve êxito ao pegá-la e colocá-la sobre os seus ombros, para poder cuidar dela, lavando-a,
  27. 27. 27 alimentando-a e dando-lhe um abrigo seguro no aprisco. É por este motivo que é ordenado aos cristãos seguirem o exemplo do seu Pastor e Mestre, buscando também as ovelhas desviadas do rebanho. Ainda que haja uma resistência natural nelas ao serem assim procuradas, mas isto não deve ser motivo de deixarmos de orar por elas e de procurarmos abordá-las com exortações amorosas de encorajamento para retornarem ao redil. Ainda que algumas tenham sido tratadas com a disciplina da Aliança prescrita pelo próprio Senhor Jesus Cristo, não nos é dado desprezá-las e deixar de amá-las e de interceder em favor delas para a sua futura restauração pela via do arrependimento. E por que tudo isto? Porque são filhos de Deus. Adotados por Deus como filhos em Jesus Cristo. São amados de Deus. Reconciliados com Deus, ainda que estejam com sua comunhão presente arruinada por uma vida carnal e pecaminosa, porque o preço exigido para a justificação deles foi pago integralmente por Jesus, que nada deixou para que fosse pago por eles para poderem ser reconciliados com Deus. A inimizade que havia foi desfeita, porque “justificados pela graça mediante a fé temos paz com Deus por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo”. A guerra de inimizade por causa do
  28. 28. 28 pecado acabou no momento em que nos rendemos por meio da fé em Jesus. Vemos assim quão preciosa é a condição que alcançamos por meio da fé do evangelho. Uma graça maravilhosa e poderosa nos está sendo oferecida para que possamos por meio dela viver de modo agradável a Deus. Somente por ela poderíamos ser livrados da condição de completa miséria em que nos encontrávamos por causa do pecado, conforme o apóstolo descreve no terceiro capítulo de Romanos. Então, ainda que o fato de ser judeu tenha em si alguma vantagem, porque foi aos israelitas que Deus revelou a sua Palavra, e por meio deste povo que trouxe Cristo ao mundo e com Ele a sua salvação, no entanto, quanto ao que diz respeito à condição de escravidão por causa do pecado original, os judeus se encontram nas mesmas condições em que se encontram os gentios aos olhos de Deus. Todos que são libertos, o são, portanto, somente pelo modo descrito pelo apóstolo, sobretudo nos versos 9 a 18, das coisas que são condenadas pela Lei, de maneira que toda boca se feche diante de Deus, quanto à tentativa de alegar diante dele qualquer tipo de justiça ou mérito pessoal.
  29. 29. 29 Pela exposição dos versos 3 a 8 Paulo demonstrou que o fato de alguns judeus, na verdade a maioria deles, não viver em conformidade com a vontade de Deus, por não serem convertidos, não demonstrava que a fidelidade de Deus havia sido aniquilada, ao contrário, comprovava que Ele é fiel em cumprir o que prometeu, porque apesar de toda a infidelidade deles quanto à antiga aliança, por cerca de 14 séculos, deu-lhes ainda assim um Salvador. Assim, a injustiça deles trouxe à luz a bondade e a misericórdia de Deus, na pessoa de Jesus. Deus permitiu e tem permitido a longa existência do pecado no mundo, para exibir o quanto é longânimo, perdoador, misericordioso, justo e bondoso. Todavia, aqueles que afirmam que é bom praticar o pecado porque a graça tudo perdoa, demonstram com esta sua atitude que não conhecem de fato a Cristo, porque caso fossem convertidos, saberiam que os que assim pensam encontram-se condenados por permanecerem na prática deliberada do pecado, como Paulo afirma em Rom 3.8, pois os que têm sido de fato convertidos pela graça detestam o pecado e amam a santidade que há em Jesus. É importante lembrar que já a partir deste capítulo o grande tema dominante desta
  30. 30. 30 epístola é o da justificação pela graça mediante a fé, sem o concurso das obras. Paulo falou também de santificação a partir do sexto capítulo. É muito importante ter sempre isto em vista ao estudar esta epístola para que não se faça uma confusão entre justificação e santificação, porque a justificação e a regeneração são instantâneas e acontecem no momento em que a pessoa se converte e passa a ter a habitação do Espírito Santo. E isto ocorre de uma vez para sempre, sem ser anulado. São atos irrevogáveis de Deus. Já a santificação é um processo de negar-se a si mesmo e carregar a cruz seguindo a Jesus dia a dia. É o ato que dura toda a vida, e que consiste no despojamento do velho homem e do crescimento na graça e no conhecimento de Jesus. Então ao dizer que por obras da lei ninguém pode ser justificado, o apóstolo não estava negando a importância da lei, mas mostrando que ela não tem nenhuma participação no trabalho que é realizado para a nossa justificação e regeneração, senão somente auxiliar o Espírito Santo no seu trabalho de nos
  31. 31. 31 convencer que somos pecadores e que necessitamos, portanto, de um Salvador. Deste modo, Paulo fechou este capítulo dizendo que a fé do evangelho não está destinada a remover a lei, mas confirmar a lei, isto é, tanto sabemos pela fé o quanto a lei de Deus é perfeita em mostrar o seu caráter e a nossa miséria, e o quanto podemos viver de modo que satisfaça as exigências da lei, somente quando somos convertidos pelo evangelho da graça de Cristo. Por isso Paulo afirma no verso 32: “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.”.
  32. 32. 32 Justificados somente por fé Paulo dedicou todo o quarto capítulo de Romanos para explicar o significado da justificação que é por meio da fé em Jesus. É importante que seja destacado que aqui neste capítulo, o apóstolo não está explicando o que é a santificação, mas somente a justificação, ou seja, o ato judicial declarativo de Deus pelo qual somos considerados justos por Ele. Paulo demonstrou como é que a nossa justificação, que nos traz a salvação, é realizada somente pela graça, mediante a fé. É importante observar como ele ordenou os argumentos nesta epístola aos Romanos, uma vez que primeiro apresentou a condição decaída no pecado e sujeita à condenação (cap 1 e 2); depois a forma como se é livrado da condenação pela justificação, que é o ato declarativo de Deus que nos torna seus filhos para sempre (cap 3 a 5); depois o significado da expiação e a consequente consagração pelo processo da nossa santificação (cap 6); depois apresentou a posição firme na qual todo crente se encontra diante de Deus por causa da sua união com Jesus, a par da sua luta interior (cap 7), e das provações externas (cap 8), e em tudo isto, sempre mostrando como somente é possível ser vitorioso sobre a carne, o diabo e o mundo, por
  33. 33. 33 causa da nossa união espiritual com Cristo, por meio da fé. No capítulo 9º Paulo discorre sobre a predestinação e eleição que foram a causa desta justificação e santificação referidas nos capítulos anteriores; no 10º sobre o dever e o modo de se proclamar o evangelho; no 11º sobre a condição do povo de Israel perante Deus; do 12º ao 16º discorre principalmente sobre qual deve ser a conduta dos que foram salvos pelo evangelho. Lembremos, portanto, ao estudarmos agora o quarto capítulo de Romanos, que ele se refere exclusivamente à justificação. Na verdade, nem na justificação, nem na santificação, temos motivo para nos gloriar em nós mesmos, tal como Abraão não tinha motivos para se gloriar, pois foi também justificado pela fé. Não somente por causa do argumento de que esta justificação é por pura graça e misericórdia de Deus, excluindo qualquer mérito do homem, como também pela verdade que toda a glória é devida ao Senhor, porque somente Ele é o Criador e o Salvador. Sem Ele nada existiria. Sem Ele não haveria nenhuma salvação, nenhuma eleição, nenhuma justificação, nenhuma santificação,
  34. 34. 34 nenhuma glorificação, nenhuma cura, nenhum livramento da condenação, nenhuma herança para o cristão no céu. Então, ao afirmar que se Abraão tivesse sido justificado por obras, teria motivo de se gloriar, mas não diante de Deus, Paulo queria dizer que ele teria realmente motivo de se gloriar em si mesmo, caso fosse possível alguém ser justificado por suas obras. Mas, como isto é impossível, então ninguém deve se gloriar em si mesmo, senão somente no próprio Deus, que tudo opera em todos, e por meio de quem são todas as coisas. Deste modo, não está sendo enfocado por Paulo que haja alguma obrigação de Deus em dar a salvação a qualquer pessoa como uma espécie de salário, de pagamento de uma dívida, por alguma boa obra que tenha sido praticada por aquele a quem Ele salvou. Como Deus sabia que não haveria no homem nenhum modo de salvar a si mesmo do pecado, Ele deliberou, desde a eternidade, salvar pela graça mediante a fé. Então se uma pessoa insiste em ser salva por obras, ela permanecerá sob a condenação de Deus, porque está sendo desobediente à sua ordenação, de que aquele que for salvo, o será pela sua graça, e mediante a fé. Tentar fazer
  35. 35. 35 valer a própria justiça sempre nos deixará desprovidos daquela Justiça que nos vem da parte de Deus pelo evangelho. Por isso é necessário o trabalho de convencimento do nosso pecado, pelo Espírito Santo, para que possamos nos arrepender e com isto ser justificados por depositarmos nossa confiança total e exclusivamente em Jesus. As boas obras devem ser praticadas, mas não com o fim de sermos salvos por Cristo, porque isto ocorre somente pela graça e por meio da fé. Estas boas obras se referem em primeiro lugar à transformação progressiva e gradual do cristão à imagem de Jesus, e depois se manifestam em atos de justiça, amor e bondade em relação ao próximo, porque esta é a consequência imediata daquele que tem caminhado com Deus, por ter sido reconciliado com Ele por meio da fé em Jesus. É pela fé no sangue que Jesus derramou na cruz que somos lavados e perdoados dos nossos pecados. Deus revelou esta verdade pelo Espírito ao rei Davi, a qual lemos no Sl 32.1,2, cujas palavras Paulo usou em Rom 4.7 e 8: “7 Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados são cobertos.
  36. 36. 36 8 Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa o pecado.” Então a justificação é uma declaração da parte de Deus em relação a quem se converte, de que esta pessoa é agora justa diante dele, ou seja, está justificada do pecado, por causa da obra realizada por Jesus em seu favor. Esta justiça que é atribuída ao homem é decorrente da justiça do próprio Cristo. É a veste de Cristo com a qual ele agora está vestido. Uma vez justificado, ele é chamado a ser justo em todo o seu procedimento, e assim há uma justiça procedente de Deus que deve ser nele implantada pelo Espírito, de maneira que seja aperfeiçoado na justiça evangélica, mas isto não faz parte do ato da justificação, que como vimos antes, é uma declaração feita por Deus de que somos agora justos aos seus olhos por causa de Cristo, e não uma implantação da sua justiça em nós. Esta implantação da justiça é feita pela regeneração e santificação do Espírito Santo, sendo que a santificação é um processo progressivo, e não instantâneo tal como se dá com a justificação e a regeneração, quando do nosso encontro pessoal com Jesus na nossa conversão.
  37. 37. 37 Esta bênção da justificação, que nos dá a salvação, não é somente para os judeus, uma vez que Abraão foi justificado pela fé, quando ainda era um gentio em Ur dos caldeus; e foi circuncidado em seu prepúcio somente depois de ter crido em Deus e ter sido justificado, de maneira que não é a circuncisão do prepúcio que justifica uma pessoa conforme os judeus costumavam ensinar, porque não foi por ter sido circuncidado que Abraão foi justificado. Aconteceu justamente o contrário: ele foi circuncidado porque foi justificado, isto é, ele recebeu a circuncisão como um sinal comprobatório da justificação que é pela fé. De maneira que os cristãos que são justificados devem trazer em si este sinal comprobatório que também foram circuncidados por terem crido, já não mais no prepúcio, mas no coração. A circuncisão dos judeus era um ato de despojamento da carne do prepúcio. Então a circuncisão do cristão na Nova Aliança com Cristo consiste no despojamento da carne, não do prepúcio, mas do princípio operativo do pecado, que a Bíblia chama de carne; e que consiste em tudo aquilo que nos impeça de ter uma vida de comunhão no espírito com Deus.
  38. 38. 38 Lembremos que o motivo alegado por Deus de que não permaneceria mais atuando nos homens nos dias de Noé, porque estes eram carnais, significava que eles haviam se tornado insensíveis, e completamente endurecidos à ação do Espírito Santo que procurava conduzi- los ao arrependimento, conforme lemos em Gên 6.3. Deve ser levado em conta também que a promessa da Nova Aliança foi feita a Abraão, mais de quatrocentos anos antes da Lei ter sido dada a Moisés no Sinai. Isto significa que ao dizer que no Descendente de Abraão, que é Cristo, seriam benditas, todas as nações da terra, Deus estava mostrando que o modo de alguém ser salvo não seria por causa da Lei, mas pela promessa que fez a Abraão, de salvar também a muitos do mesmo modo como fizera com Abraão, a saber, somente pela fé. Se a herança prometida a Abraão, de uma pátria celestial, para ele e aqueles que seriam considerados seus descendentes, tivesse sido feita pela Lei, a promessa de Deus teria sido aniquilada, mas isto é impossível, porque não foi pela Lei, mas pela justiça que é pela fé, que os homens são salvos, como Paulo afirma nos versos 13 e 14 deste quarto capítulo de Romanos, conforme a promessa feita a Abraão.
  39. 39. 39 Se a promessa fosse pelas obras da Lei todos continuariam debaixo da ira e da maldição de Deus, porque não há quem guarde perfeitamente todos os mandamentos, durante todos os dias da sua vida. De modo que se alguém pretendesse ser salvo pela Lei e não pela fé, esta seria a única maneira de ser salvo, a saber, pela guarda perfeita da Lei. Ainda que a Lei não deva ser desconsiderada e descumprida, mas amada e obedecida, não há quem possa cumpri-la perfeitamente, porque o princípio do pecado permanece operando na carne e exigindo que seja mortificado diariamente pela operação da cruz. Então, todos os homens, de todas as épocas, quer antes da Lei, como foi o caso de Abraão, quer depois da Lei, depois de Moisés, sempre foram e continuarão sendo justificados somente pela fé, de maneira que sendo por fé, a justificação será pela graça do Senhor, conforme Ele estabeleceu, para que ninguém se glorie diante dele por suas próprias obras, como Paulo afirma no verso 16. Assim, o registro da justificação de Abraão pela fé, não se encontra em Gên 12, somente por causa dele, mas também por nós que temos sido justificados pela mesma fé com a qual ele foi justificado, para que não somente estejamos convictos sobre o modo pelo qual Deus salva,
  40. 40. 40 mas para que possamos ser efetivamente salvos da mesma maneira como Ele salvou Abraão, como se vê em Gên 15.6: “E creu Abrão no Senhor, e o Senhor imputou- lhe isto como justiça.” A grande prova que a justificação que dá vida eterna é pela fé no Filho de Deus reside na ressurreição de Jesus. Portanto, pela sua ressurreição Ele comprovou que possui o poder de dar vida eterna aos que estão mortos em seus pecados, a saber todos os homens, e dentre os quais se encontrava o próprio Abraão. A ressurreição de Jesus foi também o sinal confirmatório de que a justiça divina havia sido plenamente satisfeita. É importante saber que não há nenhum resto mortal de Jesus na terra; assim como também não há de Elias e Enoque, porque foram arrebatados. Mas, nenhum dos dois ressuscitou dos mortos como Jesus havia ressuscitado antes de Ele ter subido ao céu, num corpo glorificado, depois de ter experimentado a morte por todos os homens, para dar vida aos que creem no seu nome, de modo que somente o Senhor Jesus é primícia dos que dormem, quanto à promessa
  41. 41. 41 da ressurreição futura de seus corpos no dia do Arrebatamento.
  42. 42. 42 O fundamento, o modo e os efeitos da justificação (Romanos 5) Paulo não encerrou ainda o assunto da justificação pela fé, mas começou este quinto capítulo mostrando que já havia apresentado uma ampla definição sobre o modo da salvação que é mediante a justificação. Agora ele vai começar a falar dos efeitos desta justificação pela graça, mediante a fé. O primeiro deles é que por meio dela fomos resgatados da maldição da Lei, que afirma que é maldito de Deus todo aquele que não cumpre perfeitamente todos os seus mandamentos, e por conseguinte, somos livrados também da ira de Deus contra o pecado. Enquanto o homem não é justificado, Deus permanece em guerra com ele. Mas uma vez justificado, a guerra termina, porque é reconciliado com Deus por meio de Jesus, de maneira que se diz que agora desfruta de paz com Ele, em vez de se encontrar sujeito à sua ira que se manifestaria certamente no dia do juízo, sujeitando-o a uma condenação eterna. Por meio da justificação o cristão passa a participar da graça do evangelho, na qual ele estará firmemente seguro por causa da obra
  43. 43. 43 perfeita de redenção que foi feita em seu favor por Jesus. Isto significa que ainda que ele venha a decair da graça, pela prática de pecados eventuais, esta queda nunca será numa forma final e definitiva, porque foi transformado em filho de Deus, por meio da justificação. É a justificação que abre também para nós a esperança firme e segura de que participaremos da glória de Deus, como Paulo afirma no verso 2. Mas os efeitos da justificação não param por aí, porque uma vez sendo transformados em filhos de Deus, passamos a contar com a assistência da graça, a qual nos fortalece e ampara nas tribulações pelas quais a nossa fé é colocada à prova, para que possa crescer. De maneira que isto não é para motivo de tristeza, mas para se dar glória a Deus, porque prova que de fato nos tornamos seus filhos, e que agora estamos sendo aperfeiçoados por Ele através das tribulações, para que aprendamos a perseverança, a experiência e a esperança (v. 2,3). Quando Paulo diz no verso 5 que a esperança não traz confusão porque o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado na justificação, o significado disto é que esta esperança
  44. 44. 44 evangélica é de plena e segura certeza do que temos recebido em Cristo, pela testificação do Espírito Santo. De maneira que quando alguém se converte de fato a Cristo, sendo justificado, tal pessoa não estará mais confusa acerca firmeza eterna da sua união com Deus, porque isto será aprendido através da sua paciência nas tribulações, que por fim lhe confirmarão na experiência e na esperança cristã. E como Paulo disse nos versos 3 e 4, esta esperança será fortalecida e aperfeiçoada pelas próprias tribulações, porque veremos o poder operante de Deus em meio a elas, nos conduzindo em triunfo em Cristo, porque a fé verdadeira que salva não pode ser destruída, e não recuará diante das aflições, porque é o próprio Deus quem fortalece aqueles que são agora seus filhos. De modo que o apóstolo nos assegura no v. 5 que, como efeito da paciência que podemos ter pelo Espírito, nas tribulações, depois de variadas experiências disto, seremos confirmados na fé, e com esta esperança inabalável da certeza do que temos alcançado em Cristo, quanto à segurança eterna da nossa salvação, toda dúvida e confusão de mente serão eliminadas de nós, pela certeza do amor de Deus por nós e em nós, em toda e qualquer circunstância.
  45. 45. 45 "E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado." (v.5) Mas o apóstolo acrescentou argumentos ao que havia falado antes, para demonstrar que de fato a nossa esperança não é algo incerto, mas algo a respeito do qual podemos ter a plena certeza de que jamais será frustrada. O grande argumento que Ele apresentou é que quando Cristo morreu por nós, ainda éramos fracos e ímpios. Não foi por pessoas santas, e perfeitas na fé, que Ele morreu, mas por pecadores fracos e ímpios (não piedosos), como éramos todos nós antes da conversão. Então se Jesus fez isto quando estávamos nesta condição de fraqueza para fazer a vontade Deus, e de impiedade, quanto mais não garantirá a nossa salvação depois de termos sido tornados santificados pela sua Palavra e pelo Espírito Santo, e fortalecidos pela sua graça? Deste modo, Jesus não morreu por justos, mas por injustos. E se demonstrou o seu amor por nós quando éramos ainda pecadores que nada ou pouco conheciam e viviam da santidade de Deus,
  46. 46. 46 muito mais podemos estar certos então de que não nos deixará e desamparará depois que fomos justificados pelo seu sangue e adotados como filhos de Deus. Podemos então ter a certeza da esperança que seremos salvos por Ele da ira vindoura, no Dia do Grande Juízo de Deus. Outro grande argumento é o de que Deus nos reconciliou consigo mesmo através da morte de Jesus quando éramos seus inimigos, porque vivíamos transgredindo os seus mandamentos e indiferentes quanto ao modo como deveríamos andar na sua presença. Esta condição de inimizade com Deus, é decorrente da natureza pecaminosa que possuímos. Portanto, se fomos reconciliados quando éramos inimigos, muito mais permaneceremos reconciliados depois que nos tornamos seus amigos por meio de Jesus. Então podemos estar certos da segurança da nossa salvação por causa da vida de Jesus, que vive para interceder por nós e garantir plenamente aquilo que obtivemos como herança, por meio da fé nele. Mas além destes argumentos Paulo destacou no verso 11 que é um dever nos gloriarmos em
  47. 47. 47 Deus, isto é, tributar-Lhe toda honra e glória, pelo que é em Si mesmo, uma vez que nos permitiu alcançar a reconciliação que dá vida eterna por meio de Jesus. A partir do verso 11 deste quinto capítulo, Paulo discorreu sobre o pecado original, para demonstrar que a causa da condenação é decorrente principalmente dele, e não somente das transgressões que cometemos diariamente. Aqui cabe abrir um parêntesis para refletirmos devidamente, por que teria o apóstolo se referido ao trabalho das tribulações no nosso aperfeiçoamento espiritual, no nosso crescimento na graça na qual estamos firmes. Certamente, ele não o fizera nesta passagem, simplesmente com o intuito de nos confortar em nossas provações e aflições, mas para demonstrar que o fato de estar em Jesus, a par de termos agora paz com Deus, de não sermos mais inimigos de Deus, por causa da paz obtida pela justificação que é pela graça e pela fé, abriu uma nova frente de guerra que tem em vista subjugar o nosso ego, a nos despojar do corpo de pecado - para que nos acheguemos cada vez mais à íntima comunhão com Jesus - e isto será feito sobretudo pelas tribulações, nas quais Deus, em sua providência, provará a cada um de seus filhos, conforme as suas necessidades respectivas de transformação, para implantar neles o caráter do próprio Jesus Cristo.
  48. 48. 48 Foi a isto que o apóstolo quis se referir. Ele pretendia que nós entendêssemos que a salvação pela graça, a bênção da justificação, nos foram dadas gratuitamente por Deus, mas com o propósito de santificar as nossas vidas, de maneira que sejamos cada vez mais desmamados do mundo, por não nos conformarmos (tomar a forma) a ele, por meio da apresentação de nossos corpos como sacrifício vivo e santo no altar de Deus (Rom 12.1,2); e principalmente para nos tornar participantes da sua santidade (Heb 12.10). O que herdamos de Adão foi crucificado na cruz, e devemos nos despojar deste "Adão" que resiste bravamente à morte, e que pretende permanecer no controle e domínio de sua própria vontade. Assim Deus interpõe as provações para que sejamos quebrados e dependentes de estarmos unidos a Ele para que sejamos vencedores, sujeitando-nos à sua vontade, e não mais procurando fazer com que seja a nossa própria vontade pecaminosa que prevaleça, porque por ela, somos mantidos escravizados às coisas que são terrenas, e não apreciamos as que são celestiais, espirituais e divinas. Não há outra maneira, portanto, para que as nossas mentes carnais sejam renovadas em mentes espirituais, para que não julguemos
  49. 49. 49 segundo os homens, mas segundo a mente de Cristo, que está sendo formada em nós. Deus sujeitou toda a humanidade à condenação por causa da transgressão de Adão. A Bíblia diz que todos foram encerrados debaixo do pecado por causa da transgressão de Adão. A morte entrou no mundo por causa do pecado de Adão, porque Deus lhe disse que caso comesse do fruto proibido da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele morreria, e com ele, toda a sua descendência. Esta morte ocorreu simultaneamente ao ato da desobediência - a morte do espírito, que ficou separado da comunhão com Deus. Assim, debaixo da cabeça desobediente que é Adão todos morrem, mas os que estiverem debaixo da cabeça obediente e justa de Cristo viverão eternamente. Não se pense que não somos culpados por nossos próprios pecados, ou que somos castigados porque estamos respondendo pelo pecado de Adão, porque, afinal, não há quem não peque. E a Lei Régia do grande Juiz e Legislador afirma expressamente que qualquer ato de desobediência gera a morte.
  50. 50. 50 Adão foi alertado sobre esta Lei Régia, pois Deus fizera uma aliança com ele e com toda a sua descendência, com a previsão desta pena capital que exige a morte física, espiritual e eterna de todo aquele que transgredir qualquer um dos seus mandamentos. Como o pecado entrou no mundo através de Adão, por isso todos os homens estão mortos em delitos e pecados, porque desde então o pecado passou a reinar sobre todos; mas por meio da graça de Jesus muitos são justificados para a vida eterna no Espírito, porque os efeitos do dom da graça foram concedidos por Deus de maneira muito mais abundante do que a sentença de morte por causa da transgressão de Adão. Porque a condenação entrou no mundo por causa de uma só ofensa, a saber, a de Adão no Éden. Mas, a justificação é imputada individualmente a cada pessoa que se converte, perdoando-lhe todas as suas muitas ofensas, como Paulo afirma nos versos 15 e 16. De maneira que quando somos perdoados por Deus o que está sendo perdoado não é o pecado que Adão cometeu no Éden, mas os nossos próprios pecados.
  51. 51. 51 Então, se a morte reinou por causa da ofensa de um só homem, a saber, Adão, Deus proveu um meio para que a graça e o dom da justiça sejam muito mais abundantes, porque por meio de Cristo está perdoando muitas transgressões, de muitos pecadores, como Paulo afirma no verso 17. Mas, a base da justificação está relacionada a uma só ofensa, a saber, a de Adão no Éden; e a um só ato de justiça, a saber, Cristo guardando toda a Lei e morrendo por nós na cruz. Especificamente este um só ato de justiça significa que a justificação é atribuída de uma única vez para sempre; do mesmo modo que a imputação do pecado e da morte que lhe é consequente, foram imputados de uma vez para sempre desde a transgressão de Adão. Então, se a desobediência de Adão fez com que todos se tornassem pecadores, e estes não são poucos, porque são muitos, uma vez que diz respeito a toda a humanidade, de igual modo, a obediência de Jesus é a causa da justificação de muitos, a saber de todos os que estão unidos a Ele pela fé. Então, na justificação há uma diferença em relação à condenação quanto ao modo de imputação, porque se todos os homens são herdeiros de Adão, e estão ligados a Ele por descendência, nem todos estão ligados a Cristo,
  52. 52. 52 porque a união com Cristo não é natural, mas espiritual, e demanda a necessidade de conversão para que possamos nos tornar co- herdeiros com Ele. Daí ser ordenado por Deus que se pregue o evangelho a todos, de modo que tenham a oportunidade de alcançarem a vida eterna que está em nosso Senhor Jesus Cristo. Um dos propósitos da Lei foi para que a ofensa ficasse bem patente aos olhos dos pecadores; revelando que há abundância de pecado no mundo. Mas, pelo seu plano de salvação Deus tem feito com que a graça seja muito mais abundante do que este pecado abundante, porque em Cristo todas as transgressões são apagadas e esquecidas, por causa da justificação. Isto porque como o pecado reinava na vida do pecador gerando a morte, Deus estabeleceu o grande contraste fazendo com que a graça que se opõe ao pecado reine agora no lugar do princípio operativo do pecado, por meio da justificação, para a vida eterna, por meio de Jesus Cristo; de modo que quem reina agora na vida do crente é a graça, e não mais o pecado, que foi destronado da sua antiga condição de senhor absoluto no coração do cristão.
  53. 53. 53 Esta graça está em Cristo, e portanto, é somente na comunhão com Ele que podemos desfrutá- la.
  54. 54. 54 Justificados para ser santificados (Romanos 6) Após ter discorrido consistentemente sobre a obra que Jesus realizou em nosso favor para sermos justificados somente pela graça e mediante a fé nele, nos capítulos 3 a 5 de Romanos, o apóstolo vai nos revelar adiante, se por uma lado esta justificação nos trouxe paz, reconciliação com Deus, por outro, ela abriu uma verdadeira e contínua guerra contra o pecado que habita em nossa própria natureza terrena, que apesar de já não reinar como um senhor absoluto sobre a nossa vontade, pois quem reina agora é a graça por meio de Cristo Jesus, todavia, não resta qualquer alternativa para quem foi justificado senão a de ser imitador de Deus como seu filho amado. Foi para este propósito de nos purificar do pecado que Jesus morreu no nosso lugar, carregando sobre Si mesmo os nossos pecados e culpa, no madeiro. É aqui, pela negligência desta verdade, que podemos entender a atual apostasia da Igreja, justamente por fazer concessões a tantas formas de pecado, pela incompreensão do fato de que por se estar debaixo da graça de Cristo, e não mais condenado pela Lei, não somos autorizados por Deus a continuar na prática do pecado.
  55. 55. 55 O vencedor ao qual Jesus se refere nos capítulos 2 e 3 do livro de Apocalipse, é sobretudo aquele que venceu as suas paixões carnais por trazê-las constantemente crucificadas, por meio da vigilância e oração contínuas e perseverantes, num procedimento inteiramente santo, ou então que esteja aplicado na busca sincera deste objetivo. Alguém indagará: “mas como viver uma vida de pureza num mundo tão poluído como este chamado mundo pós-moderno no qual temos vivido? Como viver uma vida de fé em verdades absolutas num mundo em que quase tudo é considerado como verdades ocasionais e relativas?” Mas é justamente nisto que consiste a profecia bíblica de que este tempo do fim, seria de dias difíceis para se viver a vida cristã conforme ela convém ser vivida, porque são múltiplas e variadas as formas de tentação que guerreiam contra a alma do crente. Contudo, ele não será aprovado por Deus se não lutar e prevalecer contra toda forma de pecado, quer em pensamentos, atos ou palavras, porque Deus não muda, e a sua vontade e Palavra também são imutáveis. As ordenanças bíblicas para que se tenha um coração puro, uma vida casta, um pensamento que se fixe somente em “tudo o que é
  56. 56. 56 verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Fp 4.8) Sobre nós soa constantemente a advertência do Senhor quanto ao uso que fazemos dos nossos sentidos que nos colocam em contato com o mundo em que vivemos. “Mat 6:22 São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; Mat 6:23 se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!” Especialmente os que são jovens, devem ter uma particular atenção e cuidado em relação a isto, fugindo sempre das paixões que são mais inerentes à mocidade. Então, não é nada fácil ter uma vida consagrada a Deus nestes dias, pois somos chamados a ser sal e luz neste mundo de trevas, sem que nos deixemos contaminar por ele. Assim, como no dizer do apóstolo, quem quiser ser vaso de honra e idôneo para uso do Senhor,
  57. 57. 57 terá que se purificar de todos estes erros que nos afastam da comunhão com Deus (II Tim 2.20-22). Não basta ter a intenção de vencer o pecado para que se possa servir a Deus de modo frutífero e aprovado, porque é possível estar bem- intencionado e continuar sendo vencido pelas paixões que guerreiam contra a alma. É recorrendo a Jesus e nos esforçando para atuar no seu Reino que é de justiça, amor, paz, e santidade, que achamos graça e auxílio para vencermos nossas inclinações carnais, pois Ele as mortificará pelo Espírito Santo, que em nós habita, e colocará em nossos lábios uma canção de louvor ao nosso Deus, gratidão e paz nos nossos corações, e disposições santas para servi-Lo. Ninguém se iluda, portanto, que seja possível ser eficazmente usado por Deus, e viver de modo que lhe seja inteiramente agradável, quando se vive ainda na prática do pecado. Ninguém pense também que achará graça e auxílio para vencer o pecado aguardando que venha um poder inesperado do céu, sem que o busquemos, que nos vacine contra todo tipo de tentação e de inclinação carnal, pois não é assim que funciona a ação da graça de Jesus. Nós devemos caminhar na direção das coisas de Deus nos esforçando em rejeitar e evitar aquelas coisas e comportamentos que são abomináveis
  58. 58. 58 para Ele, e então Ele nos dará a graça e a força necessárias para vencê-las. É assim que a nossa fidelidade a Ele é provada. Se porventura nos encontramos ainda endurecidos e com os nossos olhos vendados, de maneira a não sabermos o que é lícito ou não, o que nos convém ou não, devemos orar para que o Senhor nos revele estes pecados que ainda estão ocultos aos nossos olhos espirituais, e Ele certamente nos levará não somente a enxergá- los como também a ter verdadeiro horror desses pecados, dos quais fugiremos como quem foge de uma serpente venenosa. É basicamente nisto que consistem as exortações do apóstolo no sexto capítulo de Romanos. Tendo falado da justificação, ele iria argumentar agora a favor da consagração e da santificação, que devem se seguir ao ato da justificação. Ele começou afirmando a necessidade da mortificação do pecado, em face de termos sido justificados, porque foi para este propósito que Deus nos justificou em Cristo, a saber, para que pudéssemos permanecer diante dele, santos e inculpáveis; condição esta que, a propósito já foi conquistada para nós por Jesus na cruz, e na qual convém que andemos.
  59. 59. 59 Jesus morreu por causa dos nossos pecados, e é pela sua morte que somos justificados, de maneira que não faz qualquer sentido permanecermos na prática do pecado, sendo vencidos por pecados, depois de termos sido justificados, porque isto corresponde a agir contra o propósito eterno de Deus relativo à nossa salvação, e contra a própria nova natureza que recebemos do alto, quando formos regenerados pelo Espírito Santo no dia da nossa conversão a Cristo. A morte de Jesus na cruz é considerada por Deus como sendo a morte do próprio cristão, porque foi uma morte substitutiva. Afinal aquela morte estava destinada a nós pecadores. Jesus não tinha pecado, havia guardado perfeitamente toda a Lei, e, portanto, não era digno de morrer. Então, pôde carregar sobre Si os nossos pecados, colocando-se no nosso lugar. Foram os nossos pecados a verdadeira causa da sua morte, e não simplesmente a perseguição que sofreu por parte dos principais sacerdotes, escribas e fariseus. Como Ele morreu por causa do pecado e para nos livrar da prática do pecado, como poderia
  60. 60. 60 ser admitido o raciocínio de que já que Ele justifica pecadores, não há, portanto, nenhum mal em viver na prática do pecado, porque afinal a graça nos perdoará? Esta forma de pensar é induzida pelo fato de o pecado ser tão comum na sociedade, e tão inerente à velha natureza terrena, que ainda trazemos conosco enquanto vivermos neste mundo, que parece a muitos que Deus não se importa com a prática do pecado. Não podemos esquecer, no entanto, que não há um só pecado em nenhum dos seres que vivem no céu. E que Adão e Eva foram criados perfeitos sem qualquer pecado. Então, a vinda de Jesus a este mundo, encarnando num corpo como o nosso para morrer no nosso lugar, teve por propósito principal nos livrar da prática do pecado, e nos restaurar àquela condição inicial sem pecado com a qual o homem foi criado. Isto equivale a dizer que a vontade de Deus em relação a seus filhos é que sejam verdadeiramente santos, e que se santifiquem cada vez mais, através do processo da santificação pelo Espírito, mediante aplicação da sua Palavra, como Jesus intercedeu em favor dos cristãos em João 17.17.
  61. 61. 61 Nós já fomos limpos pela Palavra do Senhor na nossa conversão, e com ela, recebemos uma expressiva santificação pela Palavra que foi implantada em nós, mas importa que nossos pés espirituais sejam continuamente purificados das contaminações que recebemos por termos que viver e andar neste mundo de trevas espirituais; além da necessidade que temos de prosseguir no crescimento na graça e no conhecimento de Jesus. Deste modo, Deus considera todo cristão morto para o pecado, e é assim, portanto, que cada cristão deve considerar a Si mesmo, para que esteja em acordo com a visão de Deus relativamente a ele, conforme Paulo afirma no verso 2. Os que foram batizados em Cristo, não propriamente nas águas do batismo, mas no próprio Cristo, pela comunhão espiritual com Ele, foram batizados também na sua morte, como Paulo afirma no verso 3. Na verdade, quando somos justificados, passamos a ser identificados com tudo que há em Cristo, porque o Pai planejou que fôssemos co-herdeiros com Ele em todas as coisas, inclusive nos seus sofrimentos. Por isso temos uma cruz, porque Ele também teve a sua.
  62. 62. 62 Temos aflições neste mundo, porque Ele também padeceu terríveis sofrimentos e perseguições por causa da justiça do evangelho. Mas, assim como Ele tem um trono no céu, nós também teremos um trono. Assim como Ele ressuscitou, também seremos ressuscitados. Enfim, somos chamados a participar juntamente com Ele de todas as coisas que Lhe pertencem. Assim, a vida que temos neste mundo deve ser a que Ele viveu, isto é, uma vida no poder do Espírito Santo, e mortificando o pecado de nossa natureza terrena, para que Deus possa ser glorificado, como Paulo diz no verso 4. Fomos batizados tanto na semelhança da morte quanto da ressurreição de Jesus. Então é morrendo para o pecado, pelo ato de carregar voluntariamente a nossa cruz, que poderemos experimentar também o poder da vida ressurreta que Ele experimentou depois da morte, como se vê no verso 5. O corpo do pecado deve ser desfeito, a saber, o nosso velho modo de vida, e tudo aquilo que pertence à carne, ao diabo e a tudo que se opõe à vontade de Deus, que a Bíblia chama de
  63. 63. 63 mundo, de maneira que sabendo que o nosso velho homem foi crucificado juntamente com Cristo, não devemos viver mais servindo ao pecado, como se lê no verso 6. A justificação do pecado aconteceu exatamente por causa do fato de estarmos mortos em relação ao nosso velho homem. Jesus veio para que tenhamos vida abundante, espiritual e eterna. O diabo veio para roubar, matar e destruir. Então esta morte não é o grande alvo da vida cristã, porque vem chegando o dia em que já não existirá mais morte, nem mortificação do pecado, senão a nova vida que obtivemos em Cristo. Então o propósito de mortificar o pecado é para que tenhamos, a verdadeira vida celestial, espiritual e divina. O alvo do evangelho é trocar a tristeza pela alegria. Dar-nos uma grinalda em vez de cinzas. Trocar o espírito angustiado pelo louvor, conforme vemos em Isaías 61.2,3.
  64. 64. 64 Mas nada disso é possível, se não passarmos antes pela mortificação da carne, com as suas paixões, através da cruz, como lemos no verso 8. Era precisamente isto que o Espírito Santo pretendeu ensinar através de Paulo neste sexto capítulo de Romanos. Assim como Cristo morreu e ressuscitou e já não pode morrer mais, de igual modo nós, ainda que morramos fisicamente, viveremos para sempre com Ele em espírito. Isto é verdadeiro tanto em relação à morte espiritual por causa do pecado, quanto à morte física, porque se morrermos para o pecado pelo despojamento do velho homem, com a crucificação das obras da carne, nós viveremos espiritualmente, porque acharemos a vida poderosa do Espírito do outro lado da cruz, e o nosso corpo será ressuscitado por ocasião da segunda vinda do Senhor. De maneira que em Cristo temos vida e não morte. O que morre é o pecado. A velha criatura. Mas a nova criatura vive, e viverá eternamente por causa de Jesus. É àquela mesma justiça evangélica à qual nos referimos anteriormente, no comentário do
  65. 65. 65 terceiro capítulo, que devemos nos consagrar depois de justificados. Devemos saber que estamos numa nova dispensação, a saber, a da graça, a do Espírito, a da justiça evangélica, a do tempo da paciência de Deus, que tem colocado à nossa disposição todos os dons e graças necessários para a nossa santificação. Falamos justiça evangélica porque temos por meio dela um Deus que é misericordioso e longânimo para com as nossas iniquidades e transgressões conforme prometeu que faria neste tempo da dispensação da graça (Jer 31.31- 35). De modo que nesta justiça do evangelho também está o incluído o perdão de Deus que nos é concedido por meio do nosso arrependimento, uma vez que Jesus já sofreu no nosso lugar e pagou inteiramente a nossa dívida de pecados. Deste modo, o cristão que não estiver se consagrando a Deus pela santificação, está vivendo de modo contrário à sua vontade; pois todos os meios necessários a esta consagração já foram providos por Ele em Jesus Cristo e na obra que realizou em nosso favor. A confissão dos pecados é um deles, para que possamos prosseguir em nossa comunhão com o Senhor.
  66. 66. 66 Isto não é apenas uma questão doutrinária, mas uma verdade que se demonstra nas Escrituras e na vida. Aqueles que se consagrarem a Deus experimentarão o poder santificador da Palavra e do Espírito Santo, porque o próprio Deus efetuará neles tanto o querer quanto o realizar para o desenvolvimento da salvação deles, em crescimento espiritual. O fato de não se estar mais debaixo de uma Antiga Aliança, a da Lei de Moisés, e de se estar debaixo de uma Nova Aliança, a da graça, não é nenhum salvo conduto que estamos recebendo da parte de Deus para permanecermos no pecado, como Paulo afirma no verso 15; sob a alegação de que afinal o sangue de Jesus cobrirá todo e qualquer pecado que pratiquemos, ainda que deliberadamente. Aqueles que entristecem e apagam o Espírito Santo deliberadamente, não podem contar com o seu consolo e companhia, enquanto endurecidos pelo pecado. Apesar de Paulo não detalhar todas as consequências de uma desobediência voluntária de cristãos, neste capítulo, ele colocou tudo de forma resumida no verso 16: “Não sabeis vós que a quem vos apresentardes por servos para lhe obedecer, sois servos
  67. 67. 67 daquele a quem obedeceis, ou do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?” Os homens que permanecem escravizados ao pecado, por não terem sido libertados por meio da conversão a Jesus, caminham inexoravelmente para a morte eterna, porque este é o pagamento que o pecado lhes dará ao final da sua jornada nesta vida; mas os que obedecem ao evangelho e creem em Jesus para ser o seu Salvador e Senhor, são justificados, por isso diz o apóstolo: "da obediência para a justiça". Por isso ele se apressou em esclarecer que no caso de autênticos cristãos, é de se esperar que obedeçam de coração à forma de doutrina à qual foram entregues em decorrência de terem sido tornados participantes de Cristo, porque devem ser santos assim como Ele é santo, como se lê no verso 17. E uma vez que, foram libertados do pecado, não devem viver mais em servidão ao pecado, mas como servos da justiça evangélica, à qual foram submetidos por causa da justificação, como lemos no verso 18. Então ele falou no verso 19 sobre santificação em termos de usar os membros do corpo não mais para servir à impureza e à maldade, mas para servirem à justiça evangélica, com vistas à santificação. Antes da sua conversão, o cristão estava isento da disciplina da aliança, e da exigência da
  68. 68. 68 santificação, porque afinal estava debaixo da ira de Deus, por não ser justificado, como se lê no verso 20. Mas, o fruto daquelas ações passadas, anteriores à conversão, são agora, motivo de vergonha, porque o fim delas culminaria na morte, como se afirma no verso 21. Deste modo, uma vez que foi libertado do poder do pecado, pela justificação, em Jesus Cristo, e tendo sido feito servo de Deus, o cristão deve ser diligente em seu viver visando ao fruto da santificação, e por fim à vida eterna, porque é preciso perseverar até o fim para a plena certeza da salvação, e santificar-se, porque sem santificação ninguém verá o Senhor. É pela evidência da perseverança que provamos para nós mesmos que pertencemos de fato a Cristo, pois todo aquele que foi justificado e regenerado perseverará. Se a paga que receberíamos do pecado seria com certeza a morte eterna, devemos considerar que a vida eterna é um dom gratuito por meio de Jesus Cristo, como se lê no verso 23. Então deveríamos nos aplicar às coisas que dizem respeito a esta vida, pela santificação, e não às que são relativas à morte espiritual, e que se manifestam quando se vive na prática deliberada do pecado, negligenciando-se a necessidade da santificação da vida.
  69. 69. 69 Como muito da força do velho homem foi destruída na regeneração, isto comprova que ele está destinado a desaparecer totalmente pelo trabalho da santificação que consiste pelo seu lado negativo neste despojamento do velho homem, e pelo lado positivo no ato de revestir- se do próprio Cristo. O conhecimento e a vivência desta verdade é de crucial importância, especialmente nestes últimos dias de apostasia da Igreja, porque o Arrebatamento está às portas, e aqueles que não estiverem santificados, seguindo o exemplo das cinco virgens imprudentes da parábola, correm o risco de serem deixados para trás para enfrentarem a Grande Tribulação e entrarem no milênio sem o corpo glorificado que receberão todos os crentes que forem arrebatados pelo Senhor. Jesus e os apóstolos nos fazem sérias e repetidas advertências na Palavra para que nos preparemos em santificação para o encontro com o Senhor entre nuvens. Ainda que o fato de alguns não serem arrebatados não signifique a perda da salvação para aqueles que não estiverem se santificando, todavia será uma grande desonra e dano para eles não participarem juntamente com seus irmãos das Bodas do Cordeiro no céu.
  70. 70. 70 Quem em sã consciência gostaria de ver a sua obra sendo queimada pelo fogo da provação de Deus, por ter sido feita com restolho e madeira, e não com prata e ouro? Quem gostaria de deixar de ouvir no céu dos lábios do próprio Senhor o “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.”?
  71. 71. 71 A graça tudo vencerá (Romanos 7) Neste sétimo capítulo de Romanos nós veremos a terrível luta que há mutuamente entre a carne e o Espírito Santo, ainda que não seja este o tema central deste capítulo, senão o da nova aliança que temos com Jesus, e pela qual somos libertados da condenação de uma aliança segundo a lei. Deus como o Grande Legislador e Juiz de todo o universo, criou o homem e fez com que ele fosse responsável perante Ele segundo a norma da lei moral que ele inscreveu em sua consciência, instalando ali um tribunal que age no próprio homem condenando-o naquilo que é reprovável e aprovando-o naquilo que é louvável. Mas, como já vimos anteriormente, segundo a Lei Régia há a exigência da perfeita obediência, conforme foi revelado a Adão, e que a penalidade para qualquer ato de desobediência é a morte, e todo homem responde à referida Lei até hoje. Posteriormente, nos dias de Abraão, Deus acrescentou novos mandamentos para serem guardados pelas pessoas da descendência do patriarca, com as quais formaria um povo para Si, para se revelar ao mundo através do mesmo, e principalmente para que por este povo nos fosse dado o Messias.
  72. 72. 72 O caráter da obediência completa exigida de toda a humanidade da Lei Régia, que consiste na exigência do perfeito amor a Deus e ao próximo, foi ainda mais detalhado com os mandamentos que foram dados através de Moisés. E desde então, até que viesse o Messias, o modo de agradar a Deus, passava obrigatoriamente pelo cumprimento dos mandamentos da Lei. A pena de morte para os desobedientes foi mantida porque se afirma na Lei de Moisés que é maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas da Lei, para cumpri-las. Isto descreve a condição de miséria espiritual e de condenação que paira sobre toda a humanidade, porque todos são pecadores, e não têm em si mesmos a condição e o poder para obedecerem perfeitamente a todos os mandamentos da Lei. Como poderia então Deus se prover de filhos semelhantes a Cristo? Se todos estão obrigados à Lei, como poderão ter vida, estando mortos; como poderão ser livres, estando condenados? Só havia um modo de Deus nos libertar da condenação da Lei e nos dar vida eterna, permanecendo Justo, por não remover ou contrariar a Lei. Isto Ele fez nos considerando como mortos para a Lei, por ter feito com que a
  73. 73. 73 morte de Jesus na cruz fosse a nossa própria morte. Ele visitaria o seu próprio Filho Unigênito com o castigo que era destinado a nós pecadores. Ele executaria a sentença de morte exigida pela Lei nele, fazendo com que fosse feito pecado e maldição no nosso lugar. Assim, a Lei não seria removida, mas nós seríamos resgatados por meio de Cristo de debaixo da sua condenação e maldição. É basicamente isto que Paulo expõe no sétimo capítulo de Romanos; de modo que toda a argumentação que ele fizera quanto à condição de não se fazer o bem que queremos, e fazer o mal que não queremos, pelo pecado que opera na nossa carne, é sobretudo uma condição que explica sobretudo a condição em que se encontram aqueles que permanecem debaixo da Lei e não da graça do evangelho, a saber as pessoas que não foram regeneradas pelo Espírito Santo. Eles podem dizer: "miserável homem que sou" porque não têm a Cristo que é o único que pode nos livrar do corpo desta morte. Este livramento que se obtém somente por Cristo e em Cristo, não é decorrente do fato de que agora os próprios crentes são perfeitos segundo a Lei, porque sempre haverá resquícios
  74. 74. 74 de pecado e de desobediência em sua natureza terrena que ainda carregam neste mundo, mas sim, e exclusivamente pelo fato de que foram resgatados da condenação da Lei por terem morrido para a Lei em Cristo. Uma Lei não tem autoridade sobre quem já está morto. Assim, os crentes já não são julgados ou condenados por Deus com base na Lei, porque não estão mais debaixo da Lei, quanto ao que se refere ao seu poder de condenação daqueles que pecam contra os seus mandamentos. Eles são julgados agora pela lei da liberdade, respondendo, livres que são, não mais a um Juiz, mas a um Pai de amor, que os corrige e dirige como filhos amados, por causa de Jesus Cristo. Haverá ainda um grande conflito entre o Espírito e a carne, entre a velha e a nova natureza, em todos os crentes, mas juntamente com Paulo eles podem dizer em uníssono: "Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor." Não serão mais condenados por não serem tão bem-sucedidos nesta guerra contra as suas almas, quanto gostariam de ser. Contudo, sabem que são amigos de Deus, que amam a Deus, que odeiam o diabo e o pecado, e que por fim serão transformados à perfeita imagem de Jesus, ainda que isto ocorra somente na glória. Todavia, esta grande verdade central do evangelho não deve servir de motivo para que
  75. 75. 75 abusemos da liberdade que foi conquistada para nós por um preço elevadíssimo de sangue, e não de um sangue qualquer, senão o puro e imaculado sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Preço este que foi pago para que livres do pecado, pudéssemos viver em novidade de vida santificada perante Deus. Afinal, foi para isto que fomos chamados e justificados. Para vivermos esta vida santa sem a qual não podemos manter nossa comunhão com Deus, necessitamos de poder do alto. Veja que quando os apóstolos viram todos os sinais que Jesus havia realizado, sua ressurreição e ascensão, a uma mente carnal pareceria que isto seria o suficiente para que eles saíssem pelo mundo afora dando testemunho das coisas que haviam visto e ouvido. Todavia, nosso Senhor lhes falou da necessidade de permanecerem em oração, e aguardando em Jerusalém o batismo do Espírito Santo, para que fossem revestidos de poder, pois quem dá e sustenta o testemunho de Cristo em nós é o poder do Espírito Santo. Por este motivo vemos o apóstolo Paulo dirigindo a Timóteo as seguintes palavras, para o cumprimento adequado do seu ministério:
  76. 76. 76 “Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus.” (2 Tim 2.1) E a todos os cristãos: “Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder.” (Ef 6.10) Vemos assim a nossa necessidade vital de estarmos permanentemente fortalecidos na graça de Jesus, mediante o poder do Espírito Santo que em nós opera. Muitos pensam erroneamente que quando se fala em batismo do Espírito Santo, revestimento de poder do Espírito, ou enchimento do Espírito, que isto signifique simplesmente receber um poder sobrenatural que operará em nossas vidas independentemente das condições morais e espirituais em que nos encontremos. Todavia, se examinarmos com mais cuidado não somente o texto bíblico, mas a nossa própria experiência prática em relação a este assunto, verificaremos que é muito mais do que isto o significado do poder da graça e do Espírito Santo atuando em nossas vidas. Antes de tudo, devemos lembrar que este poder nos é dado para sermos cheios do fruto do Espírito Santo, que tem a ver com as nossas atitudes, com o nosso comportamento, com a
  77. 77. 77 transformação progressiva do nosso caráter e coração. É um poder para nos habilitar a sermos obedientes aos mandamentos de Deus, para aprendermos a ser mansos e humildes de coração, a sustentarmos um bom testemunho de comportamento em nossa vida cristã, de modo a nos tornarmos exemplo para ser seguido por outros. Trata-se de ser cônjuges exemplares, filhos exemplares, servos exemplares, líderes exemplares, cidadãos exemplares, enfim, sermos achados em todas as áreas de relações humanas como homens e mulheres de Deus, que trazem estampada em suas vidas a imagem de Jesus Cristo, conforme veremos no estudo do oitavo capítulo de Romanos, no qual se afirma que fomos predestinados por Deus para tal propósito. Nada disto poderá existir sem que haja uma transformação do nosso coração. E por isso necessitamos crucialmente deste poder do alto, porque como o próprio Senhor Jesus afirmou, sem Ele nada podemos fazer, notadamente no que tange às coisas que são celestiais, espirituais e divinas. Em cumprimento à promessa que nos fez em relação à Nova Aliança (Jeremias 31.31-35) Deus já nos deu um coração de carne em substituição
  78. 78. 78 ao coração insensível de pedra às coisas concernentes ao reino dos céus que tínhamos antes da nossa conversão a Cristo. Tendo falado sobre a necessidade de santificação no sexto capítulo, Paulo apresentaria agora algumas razões que explicam a necessidade desta santificação. A primeira delas é que ao termos sido justificados, nós entramos automaticamente numa relação de caráter matrimonial com Cristo. Na verdade, não é apenas cada cristão individualmente que tem a Cristo por seu noivo, mas toda a Igreja. Os judeus que estavam presos aos termos da Antiga Aliança por dever de obediência para com Deus, seriam tidos como adúlteros e infiéis se abandonassem aquela aliança que lhes foi determinada pelo Senhor para ser guardada por eles. Mas, estando em Cristo, já não estão mais debaixo do compromisso da Antiga Aliança, porque ela não somente foi revogada pela morte de Cristo, para que os que são justificados pela fé nele, pudessem abandonar o primeiro pacto, a primeira aliança, o primeiro compromisso, para poderem assumir um segundo, de caráter muito diferente do primeiro.
  79. 79. 79 Em Cristo eles estariam mortos para a exigência de fidelidade àquela Primeira Aliança, de maneira a poderem contrair núpcias com Ele nos termos de uma Nova Aliança, instituída no seu sangue. Paulo queria falar de morte para a Lei não no sentido de estarmos desobrigados da Lei moral, pelo fato de sermos cristãos, mas pela mudança de alianças, porque logo no primeiro versículo deste capítulo ele deixou claro que estava falando estas coisas àqueles que conheciam a lei. Então, para se fazer melhor entendido no que estava dizendo ele se valeu de uma ilustração, dizendo que se dá em relação a esta nova contração de núpcias com Cristo, para os que estavam debaixo do regime da lei do Velho Testamento, o mesmo que se dá com o casamento de um homem com uma mulher, pois que morrendo uma das partes, a outra fica livre para contrair novas núpcias. Então, em Cristo, o cristão morreu para a condenação da Lei, que diz, que está debaixo de maldição todos os que transgredissem a quaisquer dos seus mandamentos. Já não vale mais, portanto, esta regra para um cristão que tenha sido justificado e se unido a Cristo pela fé, porque ele já não pode mais ser considerado maldito pela lei, caso venha a pecar
  80. 80. 80 eventualmente, porque não está mais casado com a lei, mas com Cristo. Assim, a Lei não pode pretextar que esteja havendo infidelidade para com ela, porque estamos casados com um outro, porque morremos para ela e para a sua condenação, ao termos sido crucificados juntamente com Cristo. O casamento com a Lei não nos ajudou em nada quanto à nossa salvação, porque em vez de nos ajudar ela nos condenava, e nos acusava, ainda que justamente, por causa dos nossos pecados, que consistiam na transgressão das suas ordenanças. E o resultado destas transgressões era a morte. Mas, em Cristo nenhum judeu estava mais obrigado a cumprir os mandamentos civis e cerimoniais da Lei, porque foram revogados pelo Senhor. Além disso, o modo de se agradar a Deus não incluiria mais a necessidade de se guardar também todos os mandamentos da Lei cerimonial de Moisés, porque a dispensação da graça não é um serviço a Deus segundo a letra dos mandamentos do Velho Testamento, mas em novidade de espírito, segundo a justiça do evangelho, não mais no regime da Lei, mas no regime do Espírito, conforme Paulo o detalhou no terceiro capítulo de II aos Coríntios.
  81. 81. 81 Pelo verso 7, nós vemos que Paulo não estava se referindo apenas à lei cerimonial, mas também à lei moral, mostrando que o nosso casamento, mesmo com esta lei, não poderia nos capacitar a viver de modo agradável a Deus e muito menos nos justificar do pecado, e até mesmo nos santificar. A lei não é pecado. Ao contrário, é santa, justa, perfeita, espiritual e boa. Mas nós somos pecadores que transgridem naturalmente a lei, caso não sejamos capacitados pelo próprio poder de Deus operando em nós pela graça para que possamos viver de tal modo, que sejamos irrepreensíveis diante de todas as exigências da Lei. Por isso, apesar de a lei nos ajudar a compreender que somos pecadores, a força do pecado nos torna completamente incapacitados para atender por nós mesmos às suas santas exigências. A lei sozinha em vez de vencer o pecado, serve ao contrário para colocá-lo ainda mais em realce; porque comprova que somos de fato pecadores, porque transgredimos os mandamentos da lei de Deus, caso não sejamos habilitados pelo Espírito Santo a vencer a fonte do pecado que opera na carne. No entanto, ao sermos salvos por Cristo, passamos a entender que a Lei é espiritual, boa
  82. 82. 82 e santa, e passamos a dar o devido valor à Lei, apreciando os mandamentos de Deus; entendendo que nos foram dados para serem amados e cumpridos. No entanto, tal é a força do pecado que ele usa o próprio mandamento para nos enganar e matar, como Paulo afirma no verso 11. Queremos fazer a vontade de Deus. Não queremos fazer aquilo que a Lei condena, antes queremos fazer o que ela aprova, mas sem a força da graça operando em nós, o pecado há de se revelar mais forte do que a nossa própria vontade, e acabamos derrotados. Sabendo que não é possível a aniquilação definitiva de qualquer tipo de pecado enquanto vivermos neste mundo, será sábio estarmos sempre prevenidos contra eles, porque a condição citada em Rom 7.22,23 é uma condição permanente enquanto estivermos neste corpo: “Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei guerreando contra a lei do meu entendimento, e me levando cativo à lei do pecado, que está nos meus membros.” Mas também é verdade que este prazer interior que temos agora na lei de Deus vem da habitação do Espírito Santo, como lemos em Tg 4.5:
  83. 83. 83 “Ou pensais que em vão diz a escritura: O Espírito que ele fez habitar em nós anseia por nós até o ciúme?” E em Rom 7.18,19: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; com efeito o querer o bem está em mim, mas o efetuá-lo não está. Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico.” Nisto não há qualquer paradoxo, mas a confirmação de que o pecado necessita de fato ser vencido, mortificado, para que se possa cumprir as ordenanças do Senhor. É possível praticar o bem, é possível viver em santidade, é possível ter comunhão com Deus, ainda que estejamos sujeitos à ação do pecado. Enquanto no corpo estamos sujeitos ao pecado, por maior que seja a nossa consagração, e dizemos isto não para justificar um viver segundo a carne, mas exatamente para se viver de modo santo, sabendo nós de antemão, que enquanto neste mundo, isto nunca significará uma aniquilação total e permanente do pecado, e que por isso devemos ser diligentes quanto ao assunto da sua mortificação. Esta é a razão principal porque o Espírito Santo e a nova natureza são doados pela graça a nós, para que tenhamos um princípio interior por
  84. 84. 84 meio do qual possamos nos opor ao pecado e à cobiça que conduz ao pecado. Devemos saber que há uma permanente luta do Espírito Santo contra a carne, e da carne contra o Espírito, apesar de a carne ficar cada vez mais fraca, e a graça cada vez mais forte em nós, à medida que progredimos na nossa santificação. Há uma tendência no Espírito, na nova natureza espiritual, para estar agindo contra a carne, como também na carne para estar agindo contra o Espírito Santo. Como vemos em II Pe 1.4, 5 é nossa participação da natureza divina que nos dá uma fuga das corrupções que estão no mundo pela cobiça; e, vemos em Rom 7.23 tanto uma lei da mente, quanto uma lei dos membros do corpo. Esta competição é pelas nossas vidas e almas. Não estar empregando o Espírito Santo e a nova natureza diariamente para mortificar o pecado, é negligenciar aquele socorro excelente que Deus nos tem dado contra nosso maior inimigo. Se nós negligenciarmos fazer uso do que nós recebemos, Deus pode reter a sua mão privando-nos de nos dar mais.
  85. 85. 85 As suas graças, como também os seus dons nos são dados para serem usados e exercitados, e não para serem, enterrados ou jogados fora. Não estar mortificando o pecado diariamente, é pecar contra a bondade, sabedoria, graça, e amor de Deus, que os tem fornecido a nós para tal propósito. No dizer de Rom 7.24 nós temos um corpo de morte. Porque está sujeito continuamente à morte espiritual que é operada pelo pecado. Este corpo só será livrado desta humilhação quando nós formos transformados no arrebatamento da igreja, quando receberemos um corpo glorificado que não está sujeito ao pecado. Como lemos em Fp 3.21: “que transformará o corpo da nossa humilhação, para ser conforme ao corpo da sua glória, segundo o seu eficaz poder de até sujeitar a si todas as coisas.”. Então não há outra forma de ser livrado da ação do pecado senão pela sua morte. Por isso é nosso trabalho enquanto estivermos neste corpo, o de estar matando continuamente o pecado.
  86. 86. 86 Este é o trabalho de se matar um terrível inimigo que vive dentro de nós, com um golpe após outro, de modo que não o deixemos viver. A relação entre a vontade que reside na mente, e a lei do pecado ou a lei do Espírito Santo, que operam no homem todo, a saber, no corpo, alma e espírito, são realidades que transcendem a própria vontade do homem, e por conseguinte de todas as faculdades da sua mente. Paulo se referiu a isto em Romanos 7:15 a 25. O cristão, de si mesmo, com a sua mente deseja servir à lei de Deus, mas isto não é tudo quanto ele necessita para poder servir de modo aprovado a Deus, pois precisa também que a lei do Espírito de vida em Cristo Jesus o capacite a fazer o que deseja, e a não fazer o que não deve e não deseja fazer, porque somente esta lei espiritual pode vencer a lei do pecado que opera na carne, e que é mais forte do que a própria vontade humana. Por isso, nossa mente deve ser renovada e sujeitada à Palavra de Deus. Ainda que a vontade resista, nós devemos treinar a mente neste exercício de tal maneira, que a mantenhamos nos ajudando a meditar na Palavra, a orar, e a nos concentrarmos na busca do Senhor, até que Ele se manifeste a nós e fortaleça o nosso espírito.
  87. 87. 87 Paulo diz no verso 16 que ao fazer o que ele não queria, ele consentia com a lei que é boa, a saber, a sua vontade era a de não pecar, mas o pecado que habita na carne o levava a praticar o mal, e nisto a lei comprovava que ela é boa, porque testifica ao homem que ele é pecador por natureza, porque apesar da sua vontade ser a de fazer somente o que é aprovado por Deus, o pecado pode operar com um poder superior à sua própria vontade, ensinando-lhe que não será ali, isto é, na sede da vontade, que a batalha será vencida pela graça, mas no seu coração. Assim, o cristão se esforça e escolhe ter uma vida de devoção e virtude porque Deus lhe deu um novo coração, uma nova natureza. Mas, se não andar no Espírito quem prevalecerá sobre o coração do cristão será a carne, ativando ali toda sorte de cobiças e pensamentos que o levarão a produzir as obras da carne. Paulo se refere em Rom 7.17 que já que o pecado é superior à sua própria vontade então já não é mais ele, ou seja, voluntariamente, que está buscando o mal, uma vez que a sua vontade deseja tão somente fazer o que é agradável a Deus, mas é a força do pecado que nele habita, em sua natureza, que o conduz à pratica do mal que não deseja, e a não praticar o bem que ele quer.
  88. 88. 88 Vitórias eventuais sobre determinados desejos não garantirão uma vitória plena e permanente sobre todos eles. Não que Paulo vivesse pecando, mas ele quis nos ensinar que há somente um modo de se vencer o pecado, e isto é pelo poder do Espírito Santo, mediante a fé em Cristo. É se sujeitando efetivamente a Cristo, que o pecado é vencido. Assim, temos visto que o pecado não pode ser vencido pelo simples exercício da vontade. Não há na natureza terrena qualquer poder para combater o pecado, e ainda que desejemos fazer o bem, buscando ter um uso correto da nossa vontade, não temos em nós mesmos o poder de efetuá-lo em perfeição. Por isso somos convocados a orar e a vigiar incessantemente para podermos vencer a carne (o princípio do pecado que opera em nossa natureza) que é fraca. De maneira que neste caso, querer não significa de nenhum modo, poder. Mais uma vez o apóstolo vai afirmar nos versos 19 e 20 que é a lei do pecado que opera na nossa carne que nos leva a praticar o mal, embora todo o desejo de nossa vontade seja o de não praticá-
  89. 89. 89 lo, a ponto de dizermos que não somos nós, isto é, o nosso homem consciente que o está praticando, mas o pecado que habita em nós. Mais uma vez lembramos que ao falar em bem e em mal, o apóstolo não está se referindo especificamente a atos morais, mas à presença ou falta de santificação no poder do Espírito Santo, em nossas vidas – à falta de poder para conhecer e obedecer à vontade de Deus. Somente o poder da graça de Deus pode vencer a força do pecado. Deste modo, Paulo vai explicar melhor no capítulo seguinte como é que o Espírito Santo vence a natureza terrena decaída no pecado, e qual é o dever dos cristãos de se consagrarem inteiramente a Ele, para que possa realizar o seu trabalho de mortificação do pecado. E quanto os cristãos dependem inteiramente de seguirem o pendor do Espírito Santo, inclusive contando com Ele em suas intercessões, para que possam sair vencedores na luta que têm que travar contra a velha natureza, o diabo e o fascínio do mundo.
  90. 90. 90 A união indissolúvel do crente com Cristo (Romanos 8) A temática central deste capítulo está relacionada ao vínculo indestrutível que há entre Cristo e o crente, porque este é parte de sua vida, alguém que é membro de um corpo que está ligado à Cabeça; um ramo na Videira verdadeira; uma pedra viva do edifício espiritual do qual Jesus é o Fundamento e Pedra de Esquina; uma esposa unida ao seu Esposo. A razão desta união é que em Cristo o crente não é mais um ser exclusivamente natural, um ser carnal, senão alguém que recebeu a vida sobrenatural do céu, alguém que é agora espiritual, capaz de responder ao propósito de Deus de ser adorado em espírito e em verdade, porque Deus é espírito perfeito e santo. O início deste oitavo capítulo apresenta a continuação do argumento de Paulo no final do capítulo sétimo, anterior a este. Ele havia dito no fechamento daquele capítulo o seguinte: "Rom 7:14 Porque bem sabemos que a lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado.

×