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Cesário Verde
Biografia
➔ José Joaquim Cesário Verde,nasceu a 25 de fevereiro de 1855. Morreu a 19 de julho de 1886, vítima de
tuberculose.
➔ Em 1873 matriculou-se no curso superior de letras que abandonou passado alguns meses. No mesmo
ano começou a publicar os seus primeiros poemas.
➔ Em 1884 desenvolveu os negócios da família e começou a frequentar os meios literários e reuniões
(tertúlias) intelectuais. Fez parte de um grupo que se reunia no Café Martinho da Arcada, em Lisboa,
que era composto por estudiosos portugueses como Guerra Junqueiro (jornalista e poeta), Gomes Leal
(poeta e crítico), João de Deus (poeta lírico), Fialho de Almeida (jornalista e escritor).
➔ Em 1887, um ano após a sua morte, o seu amigo Silva Pinto publicou em livro uma compilação dos
seus poemas. Cesário acreditava que o campo era fonte de alegria, amor e vida enquanto a cidade para
ele era símbolo de melancolia, doentia e tristeza. A sua inteligência, imaginação e escrita, levavam-no a
passar para o papel o que via enquanto passeava pela cidade. Na sua escrita deixava várias críticas
sociais.
“De Tarde”
Naquele pic-nique de burguesas, (A)
Houve uma cousa simplesmente bela, (B)
E que, sem ter história nem grandezas, (A)
Em todo o caso dava uma aguarela. (B)
Foi quando tu, descendo do burrico, (C)
Foste colher, sem imposturas tolas, (D)
A um granzoal azul de grão-de-bico (C)
Um ramalhete rubro de papoulas. (D)
AÇÃO
PERSONAGENS (poeta e uma mulher)
ESPAÇO (campo)
“De Tarde”
Pouco depois, em cima duns penhascos, (E)
Nós acampámos, inda o Sol se via, (F)
E houve talhadas de melão, damascos, (E)
E pão-de-ló molhado em malvasia. (F)
Mas, todo púrpuro a sair da renda (G)
Dos teus dois seios como duas rolas, (H)
Era o supremo encanto da merenda (G)
O ramalhete rubro das papoulas! (H)
AÇÃO
PERSONAGENS (poeta e uma mulher)
ESPAÇO (campo)
TEMPO (fim de tarde)
Este poema é composto por: quatro estrofes e cada estrofe é composta por quatro
versos (quadras).
Os versos são decassilábicos: Na|que|le pi|que-ni|que| de| bur|gue|sas (10
silabas)
As rimas são cruzadas: (ABAB); (CDCD); (EFEF); (GHGH)
As estrofes são: estrofes ricas (três primeiras estrofes) e uma pobre (última estrofe)
O poema pode ser dividido em três partes:
1ª parte: 1ª estrofe - Apresentação do acontecimento que dá lugar ao quadro
(aguarela)
2ª parte: 2ª e 3ª estrofe - Descrição dinâmica dos elementos do quadro,
observados no geral
3ª parte: 4ªestrofe - Direcionamento da atenção para o primeiro plano da
“pintura”
1ª e 2ª Estrofe
O sujeito poético tem capacidade descritiva, demonstra gosto pela natureza e
pelas coisas simples. O valor real das coisas para o poeta está na simplicidade.
Cesário Verde demonstra gosto pela mulher simples que não se dá a luxos e
que gosta da natureza e do campo como ele.
O poeta descreve o local onde a burguesa fora colher as papoulas, o que
demonstra a capacidade que ele tem de descrever o que observa. Quando a sua
poesia é lida, o leitor consegue imaginar com facilidade a cena. No 4º verso da
primeira estrofe o sujeito assume-se como um pintor. Podemos dizer que Cesário
Verde é um poeta-pintor porque ele pinta com as palavras os pormenores dos seus
poemas. (ex: sugestões de cor: “azul”, “rubro”, “púrpuro”)
3ª e 4ª Estrofe
Através de alguns substantivos e de enumerações ele descreve os elementos que compõem a merenda. Ele
menciona os frutos e o resto da comida, através de sensações visuais (sugestão visual: “inda o sol se via”) e gustativas.
(sugestões gustativas: “talhadas de melão, damascos/ e pão-de-ló molhado em malvasia”)
O sujeito poético apresenta vários elementos narrativos como uma ação. Apresenta acontecimentos no tempo e no
espaço, apresenta uma personagem principal e figurantes, narração e descrição.
A última quadra é iniciada por uma conjunção coordenativa adversativa (relação de oposição, contraste ou
compensação pela conjunção adversativa mas) que confere a ideia de que o poeta esqueceu o pic-nique por um instante e
concentra-se na mulher que lhe provoca sentimentos e que é portadora de uma grande sensualidade “Mas, todo o púrpuro
a sair da renda dos teus seios como duas rolas”, usando aqui uma comparação. Os dois seios remetem para a
sensualidade da mulher, destaca-se muito a cor vermelha “rubro” que nos leva para a vida sanguínea mas também para o
calor dos seios da figura feminina, criando uma relação de proximidade com as papoulas.
O poema termina com uma frase de exclamação que pretende transpor-nos aquilo que o poeta reteve no pic-nique,
ou seja, essencialmente a beleza daquela figura feminina que vai provocando um turbilhão de ideias na cabeça do poeta.
Figuras de Estilo
Aliteração: A aliteração é uma figura de linguagem que consiste na repetição de
fonemas de consoantes ou sílabas.
“A um granzoal azul de grão-de-bico”
“Um ramalhete rubro de papoulas”
“E pão-de-ló molhado em malvasia”
Anáfora: É a repetição da mesma palavra ou grupo de palavras no princípio de
frases ou versos consecutivos.
“E houve talhadas de melão, damascos
E pão-de-ló molhado em malvasia”
Figuras de Estilo
Sinestesia: É uma figura de linguagem que consiste na união de termos que
expressam diferentes percepções sensoriais.
Sensação visual - cores, elementos do cenário (melão, damascos), “inda o sol se
via”;
Sensação gustativa - referência aos alimentos (“E pão-de-ló molhado em malvasia”)
Comparação: Consiste na ideia de relacionar dois termos diferentes numa mesma
oração, com o intuito de reforçar ou enfatizar a mensagem a ser transmitida.
“Dos teus dois seios como duas rolas”

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Cesário Verde, o poeta-pintor

  • 2. Biografia ➔ José Joaquim Cesário Verde,nasceu a 25 de fevereiro de 1855. Morreu a 19 de julho de 1886, vítima de tuberculose. ➔ Em 1873 matriculou-se no curso superior de letras que abandonou passado alguns meses. No mesmo ano começou a publicar os seus primeiros poemas. ➔ Em 1884 desenvolveu os negócios da família e começou a frequentar os meios literários e reuniões (tertúlias) intelectuais. Fez parte de um grupo que se reunia no Café Martinho da Arcada, em Lisboa, que era composto por estudiosos portugueses como Guerra Junqueiro (jornalista e poeta), Gomes Leal (poeta e crítico), João de Deus (poeta lírico), Fialho de Almeida (jornalista e escritor). ➔ Em 1887, um ano após a sua morte, o seu amigo Silva Pinto publicou em livro uma compilação dos seus poemas. Cesário acreditava que o campo era fonte de alegria, amor e vida enquanto a cidade para ele era símbolo de melancolia, doentia e tristeza. A sua inteligência, imaginação e escrita, levavam-no a passar para o papel o que via enquanto passeava pela cidade. Na sua escrita deixava várias críticas sociais.
  • 3.
  • 4. “De Tarde” Naquele pic-nique de burguesas, (A) Houve uma cousa simplesmente bela, (B) E que, sem ter história nem grandezas, (A) Em todo o caso dava uma aguarela. (B) Foi quando tu, descendo do burrico, (C) Foste colher, sem imposturas tolas, (D) A um granzoal azul de grão-de-bico (C) Um ramalhete rubro de papoulas. (D) AÇÃO PERSONAGENS (poeta e uma mulher) ESPAÇO (campo)
  • 5. “De Tarde” Pouco depois, em cima duns penhascos, (E) Nós acampámos, inda o Sol se via, (F) E houve talhadas de melão, damascos, (E) E pão-de-ló molhado em malvasia. (F) Mas, todo púrpuro a sair da renda (G) Dos teus dois seios como duas rolas, (H) Era o supremo encanto da merenda (G) O ramalhete rubro das papoulas! (H) AÇÃO PERSONAGENS (poeta e uma mulher) ESPAÇO (campo) TEMPO (fim de tarde)
  • 6. Este poema é composto por: quatro estrofes e cada estrofe é composta por quatro versos (quadras). Os versos são decassilábicos: Na|que|le pi|que-ni|que| de| bur|gue|sas (10 silabas) As rimas são cruzadas: (ABAB); (CDCD); (EFEF); (GHGH) As estrofes são: estrofes ricas (três primeiras estrofes) e uma pobre (última estrofe) O poema pode ser dividido em três partes: 1ª parte: 1ª estrofe - Apresentação do acontecimento que dá lugar ao quadro (aguarela) 2ª parte: 2ª e 3ª estrofe - Descrição dinâmica dos elementos do quadro, observados no geral 3ª parte: 4ªestrofe - Direcionamento da atenção para o primeiro plano da “pintura”
  • 7. 1ª e 2ª Estrofe O sujeito poético tem capacidade descritiva, demonstra gosto pela natureza e pelas coisas simples. O valor real das coisas para o poeta está na simplicidade. Cesário Verde demonstra gosto pela mulher simples que não se dá a luxos e que gosta da natureza e do campo como ele. O poeta descreve o local onde a burguesa fora colher as papoulas, o que demonstra a capacidade que ele tem de descrever o que observa. Quando a sua poesia é lida, o leitor consegue imaginar com facilidade a cena. No 4º verso da primeira estrofe o sujeito assume-se como um pintor. Podemos dizer que Cesário Verde é um poeta-pintor porque ele pinta com as palavras os pormenores dos seus poemas. (ex: sugestões de cor: “azul”, “rubro”, “púrpuro”)
  • 8. 3ª e 4ª Estrofe Através de alguns substantivos e de enumerações ele descreve os elementos que compõem a merenda. Ele menciona os frutos e o resto da comida, através de sensações visuais (sugestão visual: “inda o sol se via”) e gustativas. (sugestões gustativas: “talhadas de melão, damascos/ e pão-de-ló molhado em malvasia”) O sujeito poético apresenta vários elementos narrativos como uma ação. Apresenta acontecimentos no tempo e no espaço, apresenta uma personagem principal e figurantes, narração e descrição. A última quadra é iniciada por uma conjunção coordenativa adversativa (relação de oposição, contraste ou compensação pela conjunção adversativa mas) que confere a ideia de que o poeta esqueceu o pic-nique por um instante e concentra-se na mulher que lhe provoca sentimentos e que é portadora de uma grande sensualidade “Mas, todo o púrpuro a sair da renda dos teus seios como duas rolas”, usando aqui uma comparação. Os dois seios remetem para a sensualidade da mulher, destaca-se muito a cor vermelha “rubro” que nos leva para a vida sanguínea mas também para o calor dos seios da figura feminina, criando uma relação de proximidade com as papoulas. O poema termina com uma frase de exclamação que pretende transpor-nos aquilo que o poeta reteve no pic-nique, ou seja, essencialmente a beleza daquela figura feminina que vai provocando um turbilhão de ideias na cabeça do poeta.
  • 9. Figuras de Estilo Aliteração: A aliteração é uma figura de linguagem que consiste na repetição de fonemas de consoantes ou sílabas. “A um granzoal azul de grão-de-bico” “Um ramalhete rubro de papoulas” “E pão-de-ló molhado em malvasia” Anáfora: É a repetição da mesma palavra ou grupo de palavras no princípio de frases ou versos consecutivos. “E houve talhadas de melão, damascos E pão-de-ló molhado em malvasia”
  • 10. Figuras de Estilo Sinestesia: É uma figura de linguagem que consiste na união de termos que expressam diferentes percepções sensoriais. Sensação visual - cores, elementos do cenário (melão, damascos), “inda o sol se via”; Sensação gustativa - referência aos alimentos (“E pão-de-ló molhado em malvasia”) Comparação: Consiste na ideia de relacionar dois termos diferentes numa mesma oração, com o intuito de reforçar ou enfatizar a mensagem a ser transmitida. “Dos teus dois seios como duas rolas”