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UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 1
Silvicultura
para Técnicos Agrícolas - 2015
Prof. Alex da Silva Barbosa (Org.)
Departamento de Agricultura, UFPB
Campus de Bananeiras
UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 2
UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, SOCIAIS E AGRÁRIAS
COLÉGIO AGRÍCOLA "VIDAL DE NEGREIROS"
Curso:
CURSO TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA
Componente Curricular:
SILVICULTURA
 Conceitos e Generalidades
 Exploração Florestal e
 Vegetação Brasileira
 Produção de Mudas Florestais
 Tratos Silviculturais
 Dendrometria Básica e
 Inventário Florestal
 Sistemas Agroflorestais
 Legislação Florestal Brasileira
Carga horária:
30 HORAS
Professor:
ALEX S. BARBOSA, D.Sc.
Departamento de Agricultura, UFPB
aldasibarbosa@gmail.com
https://sites.google.com/site/horticulturacavn/
Bananeiras, PB
Março de 2015
UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 3
1 INTRODUÇÃO
1.1 FITOTECNIA (Fito=planta): Refere-se à tecnologia aplicada à produção de plantas. É sinônimo de
produção vegetal.
A FITOTECNIA DIVIDE-SE EM 2 RAMOS:
1) AGRICULTURA - (Agris=campo; Colere=Cultivar): Refere-se à produção extensiva dos cereais,
oleaginosas, fibrosas, etc. São as consideradas grandes culturas.
2) HORTICULTURA - (Hortus=Jardins; Colere=Cultivar): Refere-se ao cultivo de jardins e hortas em
locais próximos às residências. Pode ser dividida em:
 Plantas utilizadas na alimentação humana:
FRUTICULTURA e OLERICULTURA
 Plantas com finalidade estética e decorativa:
FLORICULTURA EPAISAGISMO OU JARDINAGEM
 Plantas utilizadas na alimentação animal:
FORRAGICULTURA
 Plantas com finalidades florestais:
SILVICULTURA
A Silvicultura é um dos campos da ciência que se ocupa do cuidado, aproveitamento e manutenção
racional das florestas, com vistas aos aspectos ecológicos, científicos, econômicos e sociais. De natureza
multidisciplinar, a silvicultura interessa a várias áreas como a botânica e a ecologia, entre outras, e não
produz apenas matéria básica para o homem: é fundamental também para o equilíbrio do planeta, tanto pela
variedade de seres que as florestas abrigam, como por sua influência no clima e na conservação do solo e
dos recursos hídricos. Etimologicamente, o temo é originado do latim, sendo formado pelo radical “silva”=
selva ou floresta e o sufixo “culture” = cultivo, cultivar. Literalmente, silvicultura significa, portanto, cultivo
de árvores.
A silvicultura engloba a formação, a manutenção e o manejo de florestas nativas e plantadas. Já o
termo "setor florestal", mais amplo, inclui desde o segmento de máquinas e insumos agrícolas, passando pela
silvicultura em si, até o processamento e a comercialização de produtos que utilizam matéria-prima florestal.
Dentre esses produtos, destacam-se a madeira para atividades industriais, papel e celulose, carvão vegetal,
resina e essências, entre outros.
2 HISTÓRICO DA SILVICULTURA NO BRASIL
 Em 1926 foi Instalado o Serviço Florestal do Brasil;
 Em 1934 foi promulgado o Código Florestal e Criado o Conselho Florestal Federal;
 Em 1947 foi criada a Floresta Nacional do Araripe, no Estado do Ceará;
 Em 1965 foi promulgada a Lei 4.771 que instituiu o novo Código Florestal Brasileiro;
 Em 1967 foi criado o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal-IBDF, extinto pela Lei 7.732
de 14 de fevereiro de 1989;
 Em 1989 foi criado o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis –
IBAMA (Lei Nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989);
 Em 1998 foi sancionada a Lei 9605, chamada Lei de Crimes Ambientais, que trouxe nova
regulamentação para os crimes contra a flora;
 Em 2007 foi criado o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Lei 11.516, de 28
de agosto de 2007.
UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 4
A partir da década de 90, com a realização desses grandes eventos e com a consolidação de uma
legislação ambiental consistente, vem crescendo em ritmo cada vez maior a conscientização da sociedade
sobre a importância e o papel das florestas para a vida no planeta e para a espécie humana, em particular.
3 O CULTIVO DE FLORESTAS
No o início da nossa civilização, as florestas foram vistas como sendo apenas um componente das
paisagens, um estoque de caça, madeira e produtos derivados, ao qual se podia recorrer para suprir as
necessidades. Motivado pelo espírito desbravador, o homem passou a ver, também, nas florestas um
horizonte a ser transposto, que precisava ser conquistado, conhecido e dominado. Este pensamento perdurou
em muitos países por algumas décadas, alimentado pela ilusão de que os recursos naturais seriam infinitos e
ilimitados.
Com o passar dos anos, crescimento da população e a consagração da atividade agrícola como um
meio de proporcionar segurança e melhores condições de vida às comunidades, os recursos florestais
começaram a se tornar escassos, surgindo, pois, a necessidade de se buscar formas de produzi-los ou cultivá-
los. Daí surgiu a Silvicultura, aqui entendida como a ciência e a técnica do cultivo de florestas.
De acordo com Kimmins (1987) a evolução da atividade florestal no mundo apresenta seis estágios
que podem ser assim descritos:
a) A exploração desregulamentada e devastadora das florestas, desprovida de qualquer consciência
conservacionista;
b) A percepção de uma ameaça real quanto ao futuro dos estoques de recursos florestais;
c) Continuação da exploração das florestas intocadas, nos mais remotos locais do planeta;
d) Instituição das primeiras regulamentações, de cunho pouco ecológico, tratando do corte e do manejo das
florestas;
e) Conscientização de que atitudes meramente administrativas não assegurariam o suprimento de produtos
florestais;
f) Início de uma postura silvicultural, marcada pela preocupação ecológico-conservacionista, voltada para a
prática da implantação, do cultivo e do manejo de florestas.
Neste último estágio, cabe-nos a responsabilidade e o dever de dar às florestas sua devida importância,
fazendo-as ressurgir em muitos dos locais de onde foram indevidamente erradicadas. A eliminação das
florestas acresceu ao nosso vocabulário expressões que se tornaram corriqueiras como, por exemplo, “áreas
degradadas”. Cabe aos profissionais das ciências agrárias reverterem à degradação das terras e isto é possível
através da inserção das árvores nos espaços de onde nunca deveriam ter sido eliminadas, pelo menos nas
circunstâncias e com a intensidade com que o foram.
4 FUNÇÕES DAS FLORESTAS
São as influências, serviços ou benefícios que as florestas proporcionam ao meio biofísico,
socioeconômico e ou cultural, que resultam em melhorias na qualidade de vida, além de contribuírem para o
equilíbrio ambiental.
4.1 Funções ecológicas ou de proteção
O efeito das florestas em relação ao clima pode ser localizado, atuando sobre:
 A radiação solar: a radiação solar tem menos efeito sobre o aquecimento do ar e do solo, no interior
da floresta do que fora dela;
 As chuvas: é provável que uma combinação de fatores possa elevar localmente a pluviosidade. A
floresta tem influência direta sobre o ciclo hidrológico local e regional;
 Umidade Relativa: no interior da floresta a umidade relativa, é muito mais elevada do que em seu
exterior;
 O vento: a floresta promove a proteção contra a violência dos ventos e ressecamento dos solos;
 O ar: promovem o sequestro de carbono, melhorando a qualidade do ar.
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4.1.1 Solo
O efeito das florestas em relação ao solo pode ser localizado, atuando sobre:
 A Manutenção da fertilidade dos solos
As árvores geralmente possuem sistema radicular vigoroso e profundo, o que favorece a ciclagem de
nutrientes, particularmente a ciclagem biogeoquímica, que consiste na translocação de nutrientes do solo
para a planta. Dessa forma, os nutrientes oriundos das camadas mais profundas do solo são incorporados à
biomassa e posteriormente são disponibilizados na superfície, de onde seguem novas trajetórias da referida
ciclagem.
O papel das florestas sobre a fertilidade dos solos não se dá apenas no âmbito da ciclagem de
nutrientes, mas também pela melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas, quer seja pela
incorporação de matéria orgânica e promoção da vida microbiana no solo.
 Proteção da vida silvestre: As florestas servem como abrigo e refúgio para a fauna silvestre.
 Proteção e Manutenção de Recursos Hídricos.
 Efeito esponja.
A camada de galhos secos, de folhas e de material indiferenciado (serrapilheira), promove o acúmulo
de matéria orgânica sobre o solo, contribuindo para uma maior infiltração da água. A falta deste componente
causa diminuição no abastecimento subsuperficial, aumenta o escorrimento superficial, causando erosão e
perdas de solos;
 Mata ciliar
A preservação da mata ciliar é muito importante, uma vez que a vegetação e a matéria orgânica
acumulada sobre a superfície do solo impedem o escorrimento superficial da água, facilitam a infiltração e
controlam a vazão de córregos, rios e fontes, evitando o assoreamento dos mesmos;
 Controle da erosão
As modificações na cobertura vegetal podem acarretar a elevação do escorrimento superficial e a
consequente erosão laminar acelerada em primeiro momento, até o surgimento das voçorocas. A vegetação é
a melhor opção para a proteção dos solos.
4.2 Funções econômicas
Consideram-se como funções econômicas das florestas, os produtos, sub-produtos e serviços que estas
podem oferecer ao homem, destacando-se as seguintes (BRASIL,1986):
 Função de área
A existência da floresta implica na ocupação ou restrições do uso de sua área para outros fins
concorrentes, como no caso da agricultura, pecuária, infra-estrutura viária, cidades, represas etc.;
 Produção de bens
Diversos produtos originados nas florestas, sempre foram elementos básicos da vida humana e de sua
economia. Dentre estes produtos podemos destacar os seguintes a lenha, material para construção, carvão
vegetal, alimentos, remédios, biocidas, rendimentos, salários etc.
A atividade produtiva em uma floresta envolve um proprietário, arrendatários, prestadores de serviços,
trabalhadores etc., gerando empregos e salários, de forma direta. Indiretamente o recurso florestal, por ser
fonte de energia para muitas indústrias, contribui para a geração de milhares de empregos em cerâmicas,
olarias, siderúrgicas, padarias etc.;
 Capital
Função de capital (o estoque florestal e o seu incremento são um grande capital).
4.3 Funções sociais e culturais
Lazer e recreação;
Educação ambiental;
Manutenção de populações, culturas, hábitos e costumes, em determinadas regiões, como por exemplo:
castanheiros, seringueiros, povos indígenas, etc.
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5 TIPOLOGIAS VEGETACIONAIS DO BRASIL
O Brasil é um país rico em biodiversidade e também é detentor de uma flora exuberante que estão
relacionadas aos diversos tipos de clima, relevos e solos existentes no país. A vegetação brasileira, de acordo
com suas características, pode ser dividida em dez grandes grupos: Floresta Amazônica, Mata Atlântica
(Florestas Costeiras), Caatinga, Pantanal Mato-Grossense, Cerrado, Campos, Mata de Araucária, Mata de
Cocais, Mangue e Restinga.
5.1 Mata Atlântica
É uma floresta de clima tropical, quente e úmido. Predomina na costa brasileira, onde planaltos e
serras impedem a passagem da massa de ar, provocando chuva. Entre as florestas tropicais, é a que apresenta
a maior biodiversidade do mundo, com espécies como ipê, quaresmeira, cedro, palmiteiro, canela e imbaúba.
É a mais devastada das florestas brasileiras. Inicialmente estendia-se do litoral do Rio Grande do Norte ao de
Santa Catarina. Os 7% restantes da mata original que ocupa 1.290.692,4 km² encontram-se nas regiões Sul e
Sudeste, preservados graças à presença da Serra do Mar, obstáculo à ação humana.
5.2 Caatinga
Ocupa a maior parte da região, de clima semiárido, o que corresponde, aproximadamente, à décima
parte do território brasileiro. É composta de plantas xerófilas, próprias de clima seco, adaptadas a pouca
quantidade de água: os espinhos das cactáceas, por exemplo, têm a função de diminuir sua transpiração. O
solo da caatinga é fértil quando irrigado. Essas plantas podem produzir cera, fibra, óleo vegetal e,
principalmente, frutas. Por causa do baixo índice pluviométrico da região sertaneja, as plantas dependem de
irrigação artificial, possibilitada pela construção de canais e açudes.
5.3 Pantanal Mato-Grossense
É a maior planície inundável do mundo, ocupando uma área de 150.000 km², englobando do sudoeste
de Mato Grosso ao oeste de Mato Grosso do Sul até o Paraguai. Nessa formação podem ser identificadas três
diferentes áreas: as alagadas, as periodicamente alagadas e as que não sofrem inundações. Nas áreas
alagadas, a vegetação de gramíneas desenvolve-se no inverno e é usada para o gado bovino. Nas de
eventuais alagamentos encontram-se, além de vegetação rasteira, arbustos e palmeiras como o buriti e o
carandá, nas que não sofrem inundações predominam os cerrados e, em pontos mais úmidos, espécies
arbóreas da floresta tropical.
5.4 Cerrado
Formação típica de área tropical com duas estações marcadas, um inverno seco e um verão chuvoso.
Sua área de ocorrência é o Brasil central. O solo, deficiente em nutrientes e com alta concentração de
alumínio, dá à mata uma aparência seca. As plantas têm raízes capazes de retirar água e nutrientes do solo a
mais de 15m de profundidade. A vegetação caracteriza-se principalmente pela presença de pequenos
arbustos e árvores retorcidas, com cortiça (casca) grossa e folhas recobertas por pêlos. Encontram-se, ainda,
gramíneas e o cerradão, um tipo mais denso de cerrado que já abriga formações florestais.
5.5 Campos
Formados por herbáceas, gramíneas e pequenos arbustos, ocupam áreas descontínuas do País e
possuem características diversas. São denominados campos limpos quando predominam as gramíneas. Se a
estas se somam os arbustos, são denominados campos sujos. Quando ocupam áreas de altitude superior a
100m são chamados de campos de altitude, como na Serra da Mantiqueira e no Planalto das Guianas. Já os
campos da hiléia se referem às formações rasteiras que se encontram na Amazônia. Os campos meridionais,
quase sem espécie arbustiva, como a Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul, são ocupados
principalmente pela pecuária.
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5.6 Mata de Araucária
Própria do clima subtropical sendo encontrada na Região Sul e em trechos do Estado de São Paulo. É
uma floresta aciculifoliada (folhas em forma de agulha, finas e alongadas) e tem na Araucaria angustifolia,
ou pinheiro-do-paraná, a espécie dominante, cujo fruto é o pinhão. Atingem mais de 30m de altura e
possuem formação aberta, oferecendo certa facilidade à circulação. Seu principal produto, o pinho, tem
ampla e variada aplicação econômica na indústria de móveis, na construção civil e na indústria de papel e
celulose.
5.7 Mata de Cocais
Situada entre a floresta amazônica e a caatinga, a mata de cocais está presente nos estados do
Maranhão e do Piauí e norte do Tocantins. No lado oeste, onde a proximidade com o clima equatorial da
Amazônia a torna mais úmida, é frequente o babaçu e palmeiras que atingem de 15 a 20m de altura. Dos
cocos do babaçu extrai-se o óleo, muito utilizado pelas indústrias alimentícias e de cosméticos. No lado mais
seco, a leste, predomina a carnaúba, que pode atingir até 20m de altura. Das folhas da carnaúba é extraída a
cera.
5.8 Mangue
É uma formação vegetal composta de arbustos e espécies arbóreas que ocorrem em áreas de lagunas e
restingas ao longo de todo o litoral. Nessa formação vegetal predominam troncos finos e raízes aéreas e
respiratórias (ou raízes-escora), adaptadas à salinidade e a solos pouco oxigenados. Por ser rico em matéria
orgânica, tem papel muito importante na reprodução e no abrigo de espécies da fauna marinha.
5.9 Restinga
É uma vegetação própria de terrenos salinos, formada por ervas, arbustos e árvores. Predomina do
litoral da Bahia ao do Rio de Janeiro e no do Rio Grande do Sul. Os destaques são a aroeira-de-praia e o
cajueiro.
5.10 Floresta Amazônica
Ocupa cerca de 40% do território brasileiro (área que abrange a totalidade da Região Norte, o norte de
Mato Grosso e o oeste do Maranhão), estendendo-se ainda pelos países vizinhos (Suriname, Guiana,
Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia), além da Guiana Francesa. É uma floresta latifoliada (do
latim lati, que significa "largo"), ou seja, com predominância de espécies vegetais de folhas largas. Com
características próprias de clima equatorial, tipicamente quente e bastante úmido, é também conhecida como
hiléia. Apresenta grande heterogeneidade de espécies animais e vegetais e caracteriza-se por três diferentes
matas: de igapó, várzea e terra firme. A mata de igapó corresponde à parte da floresta onde o solo se
encontra inundado. Ocorre principalmente no baixo Amazonas e reúne espécies como liana, cipó, epífita,
parasita e vitória-régia. A mata de várzea é própria das regiões que são periodicamente inundadas,
denominadas terraços fluviais. Intermediárias entre os igapós e a terra firme, as espécies da mata de várzea
têm formações variadas, como seringueira, palmeira, jatobá e maçaranduba. A altura dessas espécies
aumenta à medida que se distanciam dos rios. As matas de terra firme correspondem à parte mais elevada do
relevo. Com solo seco, livre de inundação, as árvores podem chegar a 65m de altura. O entrelaçamento de
suas copas, em algumas regiões, impede quase totalmente a passagem de luz, o que torna seu interior muito
úmido, escuro e pouco ventilado. Em terra firme encontram-se espécies como o castanheiro, o caucho e o
guaraná. Os principais produtos extraídos da floresta são o guaraná, o látex e a castanha-do-pará.
5.11 Outras formações vegetais brasileiras
O Mapa de Vegetação do Brasil reconstitui a situação da vegetação no território brasileiro na época do
descobrimento pelos portugueses e mostra que no país ocorrem dois grandes conjuntos vegetacionais: um
florestal, que ocupa mais de 60% do território nacional, e outro campestre. As formações florestais são
constituídas pelas florestas ombrófilas (em que não falta umidade durante o ano) e florestas estacionais
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(em que falta umidade num período do ano), situadas tanto na região amazônica quanto nas áreas extra-
amazônicas, mais precisamente na Mata Atlântica. Na Amazônia, predominam as florestas ombrófilas
densas e abertas, com árvores de médio e grande porte, com ocorrência de cipós, bromélias e orquídeas. As
florestas extra-amazônicas coincidem com as formações florestais que compõem a Mata Atlântica, onde
predominam as florestas estacionais semideciduais (em que 20 a 50% das árvores perdem as folhas no
período seco do ano), e as florestas ombrófilas densas e mistas (com araucária). Em ambos os conjuntos
florestais ocorrem, em menor proporção, as florestas estacionais deciduais (em que mais de 50% das
árvores perdem folhas no período seco).
As formações campestres são constituídas pelas tipologias de vegetações abertas, mapeadas como:
savana, correspondente ao Cerrado que predomina no Brasil central, ocorrendo também em pequenas áreas
em outras regiões do país, inclusive na Amazônia; savana estépica que inclui a caatinga nordestina, os
campos de Roraima, o Pantanal mato-grossense e uma pequena ocorrência no extremo oeste do Rio Grande
do Sul; estepe que corresponde aos campos, do planalto e da campanha, do extremo sul do Brasil; e a
campinarana, um tipo de vegetação decorrente da falta de nutrientes minerais no solo e que ocorre na
Amazônia, na bacia do rio Negro.
O mapa traz ainda a indicação das áreas das formações pioneiras, que abrigam a vegetação das
restingas, dos manguezais e dos alagados, além das áreas de tensão ecológica, onde ocorrem os contatos
entre tipos de vegetação, e os chamados refúgios vegetacionais onde a vegetação em geral é constituída por
comunidades relíquias.
Estão assinaladas no mapa as formações remanescentes, que correspondem à vegetação que
permanece preservada ou pouco alterada, e os antropismos, ou seja, as áreas afetadas pelas atividades
humanas. Estas, mapeadas como vegetação secundária e atividades agrárias, estão representadas no mapa
por um pontilhado que recobre as cores que representam os tipos de vegetação original.
Há vários tipos de vegetação, que se desenvolvem de acordo com os fatores climáticos – sobretudo
umidade, temperatura e luz – fundamentais à realização de seus processos vitais. A maior diversidade de
formações vegetais ocorre em regiões de baixa latitude (próximas do Equador), onde a chuva abundante, a
alta temperatura e a luz intensas propiciam o aparecimento de milhares de espécies. À medida que se
aproxima dos pólos, onde há escassez de luz e baixa temperatura, a variedade diminui.
6 PRODUÇÃO DE MUDAS FLORESTAIS
As dimensões do viveiro dependem das espécies a serem cultivadas, do tempo que as mudas
permanecerão no viveiro e do número de mudas a ser produzido. Em geral, para espécies arbóreas,
considerando-se a produção em sacos de polietileno de 15 x30cm, tem-se a possibilidade de acomodar cerca
de 55 sacos (mudas) em 1m2
de canteiro.
Considerando a necessidade de reflorestamento, recomenda-se cerca de 50m2
de canteiro para cada
hectare a ser povoado, quando as mudas forem para o campo com idade igual ou inferior a 12 meses.
Considere-se neste cálculo as perdas por falta de germinação, as perdas por morte no viveiro e no campo, o
que exigirá replantios. Quando se trabalha com espécies pouco conhecidas, deve-se ampliar a área de
produção com vistas a compensar perdas e imprevistos que possam ocorrer.
6.1 Canteiros
Canteiro para raiz nua
Dentre os tipos de canteiro utilizados para a produção de mudas em raiz nua, os mais utilizados são
os diretamente no solo e os canteiros com anteparos laterais. A proteção lateral pode ser feita com vários
materiais, dependendo da disponibilidade de recursos e da facilidade de obtenção, podendo vir a ser
utilizados: madeira, bambu, tijolos, concreto etc.
Canteiros para embalagens
Devem apresentar uma largura que permita o manuseio das mudas centrais (1 metro de largura), o
comprimento pode variar sendo os mais adotados os de 10 a 20 metros. A instalação deve posicionar-se
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longitudinalmente no sentido leste-oeste para permitir uma insolação uniforme. O terreno deve ter um
rebaixamento para o acomodamento das embalagens. Outra possibilidade é a utilização do solo como
bordadura, ou ainda a montagem de molduras com materiais diversos, como tijolo, madeira, arame, taquara e
concreto.
Cobertura morta de canteiros
Visa conservar a umidade necessária, proporcionando emergência mais homogênea; proteger as
sementes de chuvas, fortes regas e oscilações de temperatura na superfície do canteiro após a semeadura. A
cobertura dos canteiros também protege as raízes novas e mais finas das plântulas logo após a emergência.
Os materiais mais utilizados para cobertura de canteiros são: Casca de arroz; Pó de carvão vegetal; Capim
picado; Folhas de palmeiras; Acícula seca picada; Vermiculita etc.
Deve-se evitar o uso de serragem ou outros materiais que possam conter tanino, resinas, terebentina,
ou outras substâncias tóxicas às mudas. Durante a decomposição dos derivados de madeira, parte do
nitrogênio do solo é capturada pelas bactérias decompositoras, prejudicando a nutrição das mudas.
Abrigo de canteiros
Entende-se por abrigo uma proteção colocada a uma altura variável, usualmente até 50 cm, sobre a
superfície de canteiros. A finalidade da proteção é estimular a percentagem de emergência, atuando contra
baixas temperaturas, no inverno, e também protegendo contra forte insolação e intempéries com granizo e
chuvas fortes no verão.
Podem ser utilizados ripados de taquara e folhas de palmeira, sendo mais usual a tela de poliolefina
(sombrite), que apresenta diferentes percentagens de sombreamento. Para espécies como o palmito (Euterpe
edulis), é muito utilizado o sombrite de 50%; para o jacarandá da Bahia (Dalbergia nigra), é recomendado
sombreamento entre 30 ou 50%; para a cupiúba (Goupia glabra), é recomendado o sombreamento de 30%.
6.2 Sementeiras
São os locais onde as sementes são postas para germinar e posteriormente serem transplantadas para
as embalagens (repicagem). Podem apresentar-se em duas formas: fixas ou móveis. As fixas são sementeiras
instaladas em locais definitivos, geralmente visando produção de um número grande de mudas. As
sementeiras móveis são montadas em recipientes com drenagem e volume compatível com as necessidades;
podem ser feitas de madeira, plástico ou metal; e tem a facilidade de serem transportáveis. Devido a esta
característica, a sementeira não pode ser muito grande, o que limita o número de mudas a serem produzidas.
A instalação de canteiros e sementeiras é acompanhada da necessidade da instalação de um abrigo
para a proteção das mudas recém repicadas ou plântulas. Deve-se deixar um intervalo entre os canteiros ou
sementeiras que permita o desenvolvimento das atividades de produção.
6.3 Superação de dormência de Sementes
Consiste em restituir às sementes a umidade que elas perderam durante o procedimento de sua
retirada de frutos, cones ou secagem com fins de adequação do teor de umidade para o armazenamento em
câmara fria.
Superação de dormência tegumentar
- Escarificação ácida
As sementes são imersas em ácido sulfúrico, por um determinado tempo, que varia em função da espécie, à
temperatura entre 19ºC e 25ºC, sendo, então, lavadas em água corrente e postas para germinar.
- Imersão em água quente
A imersão em água quente constitui-se num eficiente meio para superação da dormência tegumentar das
sementes de algumas espécies florestais. A água é aquecida até uma temperatura inicial, variável entre
espécies, onde as sementes são imersas e permanecem por um período de tempo também variável, de acordo
com cada espécie.
UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 10
- Imersão em água fria
Sementes de algumas espécies apresentam dificuldades para germinar, sem, contudo, estarem dormentes. A
simples imersão das sementes em água, à temperatura ambiente (25ºC) por 24 horas, elimina o problema,
que normalmente é decorrente de longos períodos de armazenamento, e que causa a secagem excessiva das
sementes, impedindo-as de absorver água e iniciar o processo germinativo.
- Escarificação mecânica
Este método tem se mostrado bastante eficaz para a superação da dormência de algumas espécies florestais,
em especial as leguminosas. O procedimento consiste, basicamente, em submeter às sementes a abrasão,
através de cilindros rotativos, forrados internamente com lixa o que irá desgastar seu tegumento,
proporcionando condições para que absorva água e inicie o processo germinativo. Para que se obtenham
resultados positivos na utilização do processo, são necessárias algumas precauções, como o tempo de
exposição das sementes à escarificação e a pureza do lote, pois sementes com impurezas comprometem a
eficiência do tratamento.
Superação de dormência embrionária
- Estratificação a frio
As sementes de algumas espécies florestais apresentam embrião imaturo, que não germina em condições
ambientais favoráveis, necessitando de estratificação para completar seu desenvolvimento. Para a
estratificação, o meio em que as sementes serão colocadas deve apresentar boa retenção de umidade e ser
isento de fungos. Normalmente utiliza-se areia bem lavada que apresente grãos em torno de 2,0mm de
diâmetro (média) para facilitar a posterior separação das sementes. O recipiente em que será colocado o
meio deve permitir boa drenagem evitando-se a acumulação de água no fundo o que causa o apodrecimento
das sementes.
A temperatura requerida para a estratificação a frio está entre 2ºC e 4ºC, que pode ser obtida em uma
geladeira ou câmara fria. As sementes são colocadas entre duas camadas de areia com 5cm de espessura. O
período de estratificação varia de 15 dias para algumas espécies, até 6 meses para outras. Uma vez encerrado
o período de estratificação, as sementes devem ser semeadas imediatamente, pois se forem secas poderão ser
induzidas à dormência secundária;
- Estratificação quente e fria
A maturação dos frutos de algumas espécies ocorre no final do verão e início do outono, com temperaturas
ambientais mais baixas. A estratificação quente e fria visa reproduzir as condições ambientais ocorridas por
ocasião da maturação dos frutos. O procedimento é exatamente o mesmo descrito para a estratificação a frio,
alterando-se temperaturas altas (25ºC por 16 horas e 15ºC por 8 horas) por um período, e temperaturas
baixas (2ºC a 4ºC) por outro período.
6.4 Substrato
Substrato é o meio em que as raízes se desenvolvem formando um suporte estrutural, fornecendo
água, oxigênio e nutrientes para que a parte aérea das mudas se desenvolva. Os substratos destinados à
produção de mudas devem atender a algumas exigências básicas:
- Não deve ser passível de fermentação;
- Deve ser passível de trituração;
- Deve ter boa aeração;
- Deve ser o mais amorfo possível;
- Deve suportar umedecimento sem compactação (ter boa drenagem);
- O pH deve ser de 4,5 a 5,5 para coníferas e de 6,0 a 6,5 para folhosas).
Na produção de mudas em recipientes, o substrato mais utilizado é uma mistura de materiais,
devidamente decompostos. Os principais componentes desta mistura são: turfa, cinza de caldeira,
vermiculita, cascas de árvores e de arroz. A adubação mineral é introduzida à mistura.
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6.5 Semeadura
Época de semeadura
O plantio é realizado principalmente no período das chuvas, para atingir altos índices de
sobrevivência. Outros fatores importantes a serem considerados na época do plantio são a rotação das
espécies no viveiro e a resistência das espécies.
Profundidade de semeadura
A semeadura não deve ser superficial, pois as sementes recebem intenso calor do sol, não absorvendo
umidade em quantidade adequada à germinação. Também não deve ser profunda, pelo fato de que o peso do
substrato constitui um fator físico inibidor da emergência de plântulas.
A profundidade ideal deverá variar com as dimensões e o vigor das sementes. Geralmente a
profundidade não deverá ultrapassar de duas a três vezes a espessura da semente.
Densidade de semeadura
O desenvolvimento do sistema radicular é diretamente proporcional ao espaçamento das mudas no canteiro;
O aumento da densidade diminui o padrão de qualidade das mudas;
Altas densidades facilitam a disseminação de pragas e doenças;
A densidade ideal varia conforme as espécies, o tamanho das sementes e a fertilidade do substrato;
A determinação da densidade ideal é aquela que permite produzir o maior número de mudas sem prejudicar
a qualidade das mesmas, isto deve ser determinado em cada caso.
6.6 Repicagem
A repicagem é o transplante de uma plântula de um local para outro no mesmo viveiro. Comumente,
aproveita-se a oportunidade para refugar as plântulas que apresentam algum tipo de deformação ou baixo
vigor. Esta operação é executada manualmente no Brasil, de um recipiente onde há duas plântulas para outro
recipiente onde nenhuma semente germinou. Não há tradição no país, do uso desta operação em viveiro de
mudas de raiz nua.
A repicagem não deve ser efetuada ao sol e deve seguir os seguintes procedimentos:
Após o umedecimento da sementeira, retira-se a muda com o auxílio de uma lâmina, evitando
ocasionar danos ao sistema radicular;
Enquanto não ocorre o transplante para a embalagem, as mudas devem ficar em recipiente com água
e à sombra;
Com o tarugo cônico, o trabalhador do viveiro realiza movimentos circulares, após introduzi-lo no
substrato que preenche a embalagem, formando um orifício para acomodar a muda;
Se necessário, as raízes devem ser podadas para reduzir o volume radicular, facilitando a
acomodação da muda no recipiente. Poderá ser utilizada uma lâmina afiada ou uma tesoura;
Coloca-se a muda no orifício do recipiente com substrato, cuidando-se para evitar a formação de
bolsa de ar.
6.7 Produção vegetativa de mudas
Dentre as técnicas usadas para a propagação de plantas, destacam-se aquelas em que se utilizam
partes vegetativas para produzir outros indivíduos a partir de uma determinada planta ou de um grupo
particular de indivíduos cujas características constituem objeto de interesse. Também chamada de assexuada
ou vegetativa este tipo de propagação de plantas tem a peculiaridade de produzir indivíduos geneticamente
idênticos àqueles que os originaram, razão pela qual essa técnica é também chamada de propagação clonal.
A produção de plantas geneticamente idênticas neste tipo de procedimento, deve-se ao fato do
processo reprodutivo não envolver a união de gametas e sim a multiplicação de células somáticas, as quais
encerram, em seus núcleos, as informações genéticas de cada indivíduo, que neste caso, são simplesmente
transferidas pelas partes vegetativas, que passam a constituir os novos indivíduos ou clones, como são mais
frequentemente denominados.
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A propagação clonal apresenta algumas características que têm contribuído para a sua popularização
entre as quais sobressaem-se:
 Facilidade operacional para um número considerável de espécies de plantas;
 Garantia de transferência das características desejáveis;
 Produção de um grande número de indivíduos a partir de poucas plantas-matrizes;
 Independência em relação à oferta de propágulos, à quantidade dessas estruturas (sementes) e a sua
capacidade de germinação;
 Crescimento mais rápido das mudas produzidas.
Em se tratando de espécies arbóreas essas vantagens são particularmente relevantes, pois implicam
principalmente em ganhos genéticos maiores, quando comparados àqueles proporcionados pela reprodução
sexuada, somados a uma maior eficiência em relação ao tempo, haja vista que com a propagação assexuada
eliminam-se diversas etapas do ciclo vegetativo, obtendo-se indivíduos geneticamente adultos. Além de
abreviar o tempo necessário para se obter plantas adultas, a propagação assexuada propicia uma maior
homogeneidade dos indivíduos, não apenas no que se refere ao genótipo, mas também aos aspectos de
interesse prático como porte dos indivíduos, produtividade, dentre outras.
Estaquia: Entende-se por estaquia a técnica de propagação de plantas que se utiliza de estacas
constituídas por ramos, folhas ou raízes destacados de uma determinada planta e colocados em um meio
adequado à emissão de raízes e ao desenvolvimento da parte aérea.
A estaquia é certamente o método de maior viabilidade para a propagação vegetativa de plantas
arbóreas e, particularmente, para as forrageiras nativas, pois proporciona a multiplicação de genótipos
selecionados em menor período de tempo e a custos mais baixos, em relação às outras técnicas existentes
para se proceder à multiplicação clonal de plantas.
Os tipos de estacas comumente empregados neste processo são estacas de ramos, de folhas e de
raízes. As estacas de ramos podem ser lenhosas, semilenhosas e herbáceas ou de ponteiros e constituem os
tipos mais empregados na propagação de árvores.
Mergulhia: Método de propagação utilizado pelo qual um ramo da planta é posto a enraizar quando
ainda faz parte dela, não sendo apartado antes de completar seu enraizamento (Figuras 1, 2 e 3).
Figura 1. Mergulhias contínua serpenteada e contínua chinesa ( MATTOS, 1976)
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Figura 2. Mergulhias contínua simples normal e simples invertida ( MATTOS, 1976)
Figura 3. Mergulhias de cepa e área - alporquia ( MATTOS, 1976)
Enxertia: É a operação que consiste em inserir partes de uma planta (Gema ou garfo) em outra que
lhe sirva de suporte e que posteriormente possam viver em comum.
Tipos:
 Garfagem: em fenda, em fenda dupla, em fenda incrustada, em fenda lateral, em meia-fenda, em
fenda e cavalo, a inglês simples, a inglês complicado (Figura 4);
 Borbulhia: T normal e invertido, em janela, em cascudo e anelar (Figura 5).
Figura 4. Métodos de enxertia por meio de garfagem ( MATTOS, 1976)
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Figura 5. Métodos de enxertia por meio de borbulhia ( MATTOS, 1976)
7 MÉTODOS DE PLANTIO DE ESPÉCIES FLORESTAIS
O plantio pode ser realizado através de dois métodos:
Plantio manual: consiste inicialmente de balisamento e alinhamento, abertura de covas, distribuição
de mudas e plantio propriamente dito;
Plantio mecanizado: consiste de um trator que transporta as mudas e abre a cova com um disco
sulcador enquanto um operário distribui as mudas. Ao mesmo tempo, duas rodas convergentes fecham o
sulco. As mudas mal plantadas são arrumadas por um operário que segue a máquina, sendo este processo
utilizado para mudas de raiz nua.
8 TRATOS SILVICULTURAIS
Limpeza
A limpeza é realizada até que as plantas atinjam um porte suficiente para dominar a vegetação invasora
e geralmente são feitas através de três métodos principais:
-Limpeza manual: através das capinas nas entrelinhas ou de coroamento e por roçadas na entrelinha;
-Limpeza mecanizada: utilização de grades, enxadas rotativas e roçadeiras;
-Limpeza química: utilização de herbicidas.
Combate às formigas
A prevenção ao ataque das formigas cortadeiras deve ser realizada constantemente, através da
vigilância e do combate na fase de preparo do solo, na qual a localização e o próprio combate são facilitados.
As espécies mais comuns na região Sul são as dos gêneros Atta e Acromyrmex, geralmente combatidas
com iscas granuladas distribuídas nos caminhos e olheiros.
Replantio
O replantio deverá ser realizado num período de 30 dias após o plantio, quando a sobrevivência deste é
inferior a 90%.
Poda ou desrama
Esta operação visa melhorar a qualidade da madeira pela obtenção de toras desprovidas de nós. O
controle do crescimento dos galhos, bem como sua eliminação, é uma prática aplicada às principais espécies
de madeira. Os nós de galhos vivos causam menores prejuízos que os deixados por galhos mortos. Estes
constituem sérios defeitos na madeira serrada.
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Ocasionalmente, as árvores também são podadas para prevenir a ocorrência de incêndios florestais e
para favorecer acesso aos povoamentos, durante as operações de desbastes, inventário e combate à formiga.
São dois os tipos de desrama:
-Desrama natural: é bastante eficiente em floresta de eucalipto, sendo que nenhuma medida especial
deve ser tomada a fim de promovê-la. O processo mais simples consiste em desenvolver e manter um
estoque inicial denso, o que, além de manter os galhos inferiores pequenos, causa-lhes também a morte.
-Desrama artificial: o objetivo mais tradicional desta prática é a produção de madeira limpa ou isenta
de nós em rotação mais curta que a exigida com desrama natural. A desrama artificial pode ser feita também
para prevenir os nós soltos, produzindo desta forma madeira com nós firmes. Este esforço pode não oferecer
recompensas muito valiosas, porém envolve um período de espera menor.
Desbaste
Os desbastes são cortes parciais realizados em povoamentos imaturos, com o objetivo de estimular o
crescimento das árvores remanescentes e aumentar a produção da madeira utilizável. Nesta operação,
removem-se as árvores excedentes, para que se possa concentrar o potencial produtivo do povoamento num
número limitado de árvores selecionadas.
Para determinar a intervenção, é preciso conhecer-se o incremento médio anual e corrente da floresta.
Quando o incremento do ano passar a ser menor que o médio até a idade correspondente a ultima medição,
tendendo, portanto a baixar a média geral da produção da floresta, este seria o ano para a sua intervenção.
Esta análise é possível mediante a realização de inventários contínuos.
Nos desbastes, as vantagens em consequência da competição devem ser, pelo menos em parte,
preservadas. Assim, num programa de desbaste, para rotações relativamente longas, o número de árvores
deve ser reduzido gradativamente, porém a uma taxa substancialmente mais rápida do que seria em
condições naturais.
A seleção das árvores a serem desbastadas é caracterizada da seguinte forma:
-Posição relativa e condições de copa (dominantes);
-Estado de sanidade e vigor das árvores;
-Características de forma e qualidade do tronco.
O principal efeito favorável do desbaste é estimular o crescimento em diâmetro das árvores
remanescentes. A variação no diâmetro das árvores induzidas pelos desbastes é muito ampla. Desbastes
leves podem não causar efeito algum sobre o crescimento, embora seja possível, em razão dos desbastes
pesados, conseguir uma produção constituída de árvores com o dobro do diâmetro que, durante o mesmo
tempo, elas teriam sem desbastes.
Os desbastes também tendem a desacelerar a desrama natural e a estimular o crescimento dos galhos.
A única vantagem disso é que os galhos permanecem vivos por mais tempo e, desse modo, reduz-se o
número de nós soltos na madeira.
Métodos de desbaste
-Desbaste sistemático: Aplicados em povoamentos altamente uniformes, onde as árvores ainda não se
diferenciaram em classes de copas. Aplicam-se em povoamentos jovens não desbastados anteriormente. É
mais simples e mais barato. Permite mecanizar a retirada das árvores.
-Desbaste seletivo: implica na escolha de indivíduos segundo algumas características, previamente
estabelecidas, variadas de acordo com o propósito a que se destina a produção. As árvores removidas são
sempre as inferiores, dominadas ou defeituosas. Este método é mais complicado, porém permite melhor
resultado na produção e na qualidade da madeira grossa.
9 EXPLORAÇÃO SILVÍCOLA
Idade de corte
A condução dos talhões de eucalipto geralmente é realizada para corte aos sete, 14, e 21 anos. São três
ciclos de corte para uma mesma muda original. De acordo com a região e o tipo de solo, o ciclo de corte
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poderá ser menor (a cada cinco ou seis anos). Tudo está ligado ao objetivo da plantação de eucalipto (lenha,
carvão, celulose, mourões, poste, madeira de construção ou serraria).
Limpeza da área para corte
Quando o povoamento de eucalipto de um talhão atinge a idade para o primeiro corte, deve-se efetuar
a limpeza do local. A eliminação do mato ralo e da capoeira existentes na área do eucalipto facilita os
trabalhos de corte e retirada de madeira. Depois da limpeza da área, mas antes de se efetuar o corte das
árvores, deve-se proceder uma vistoria para controle das formigas, pois estas são muito danosas e impedem a
rebrota das cepas de eucalipto.
Capacidade de rebrota das cepas de eucalipto
A rebrota do eucalipto é variável conforme a espécie. As espécies E. saligna, E. urophylla e E.
citriodora apresentam boa rebrota; já as espécies E. grandis e E. pilularis apresentam má brotação.
Época de corte
A capacidade de rebrota das cepas de eucalipto varia conforme a época. Geralmente a sobrevivência
dos brotos é maior quando se cortam as árvores na época chuvosa (primavera).
Altura de corte
A altura de corte em relação ao terreno define a percentagem de sobrevivência das brotações. Deve-se
cortar bem próximo do solo, deixando-se o mínimo de madeira na cepa da árvore. O corte deverá ser
chanfrado ou em bisel. As espécies com boa brotação devem ser cortadas a uma altura média de 5 cm acima
do solo. As espécies com baixa capacidade de rebrota deverão ser cortadas a uma altura de 10 a 15 cm da
superfície do solo. Poderá ser feito a machado ou com motosserra.
Diâmetro das cepas
O vigor das brotações do eucalipto está ligado com o diâmetro das cepas. O número de brotos aumenta
à medida que o diâmetro das cepas aumenta.
10 MANEJO DA BROTAÇÃO
Limpeza das cepas
Consiste em limpar-se ao redor das cepas de eucalipto, retirando-se a galhada, folhas, cascas, evitando
o abafamento da brotação. Deve-se evitar que a madeira cortada seja empilhada sobre as cepas. A entrada de
caminhão para retirada da madeira pode prejudicar as brotações. Não deve ser utilizado o fogo para limpeza
da área, pois este é inimigo das brotações do eucalipto.
Gradagem
O eucalipto é exigente em solo bem preparado. Por isso, nas áreas de eucalipto em brotação devem ser
realizadas gradagens entre as ruas de cepas. O uso da grade de discos elimina as ervas daninhas e poda as
raízes das cepas, aumentando-lhes o vigor.
Desbrota das cepas
Quando os brotos apresentarem de 2,5 a 3m de altura, ou seja, após 10 a 12 meses do corte das árvores,
efetua-se a desbrota. Isso deve ser feito no período quente e chuvoso, para garantir o crescimento da
brotação. Conforme o tamanho da cepa deixa-se a seguinte quantidade de brotos:
-Cepas menores que 8cm: apenas um broto;
-Cepas maiores que 8cm: de dois a três brotos;
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Adubação para brotação
Na véspera do corte das árvores, aplica-se de 100 a 150g de fertilizantes por cepa, da fórmula
10:30:10. A aplicação é feita nas entrelinhas do eucalipto, em sulco ou a lanço. As cepas têm melhor
brotação.
Interplantio
Consiste no plantio de mudas ao lado do tronco de eucalipto que não tenha brotação. Por isso, de dois
a três meses após o corte das árvores, efetua-se um levantamento das cepas não brotadas. Identifica-se os
locais para o plantio.
Plantam-se mudas bem desenvolvidas com seis a oito meses de idade, especialmente produzidas no
viveiro. Devem-se abrir covas bem grandes, durante a estação chuvosa, ao lado das cepas mortas. O ideal é
efetuar adubação de cova, a base de 150g da fórmula 10:30:10.
11 REFERÊNCIAS
*ANDRADE, L. A. Silvicultura (Curso de Agronomia). Departamento de Fitotecnia e Ciências
Ambientais, Centro de Ciências Agrárias – Campus II, Universidade Federal da Paraíba, 2010.
Documento de Trabajo sobre los Bosques y Árboles Plantados. N.º 37/S. Roma.
FAO. Ordenacíón Responsible de los Bosques Plantados: Directices Voluntárias, 2006.
FORD-ROBERTSON, F.C. (Ed.) Terminology of forest science, technology practice and products.
English-language version. Washington: Society of American Foresters, 1971. 349p.
GOLFARI,L. & CASE,R.L. Zoneamento ecológico da região nordeste para experimentação florestal.
Série Técnica PRODEPEF, Brasília,(10):1-115,1977.
LAMPRECHT, H. Silvicultura nos Trópicos. Cooperação Técnica-RFA. Eschborn, 1990, 343 p.
*Este material foi compilado com base no material do Prof. Dr. Leonaldo A. de Andrade do Centro de Ciências Agrária, Campus
II, Areia, PB.
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ANEXO 1: Espécies de eucaliptos potencialmente aptas para introdução nas regiões climáticas do Nordeste (GOLFARI & CASE, 1977).
Espécies Tipo Climático
Úmido Subúmido úmido Subúmido Seco Semiárido Árido
E. acmenioides - X x - -
E. alba - - x X x
E. brassiana X X x - -
E. camaldulensis - X x X x
E. citriodora - X x - -
E. cloeziana X X x - -
E. confertiflora - - x X -
E. crebra - X x X -
E. deglupta X - - - -
E. dichromophloia - - - X X
E. drepanophylla - X x X -
E. exserta - - x X X
E. grandis X X - - -
E. microtheca - - - X X
E. miniata - - x X -
E. nesophila X X x - -
E. papuana - - - X X
E. pellita X X x - -
E. phaeotricha X X - - -
E. polycarpa - - - X X
E. resinifera X X - - -
E. saligna - - - - -
E. tereticornis X X x - -
E. tessellaris - - x X X
E. tetrodonta - X x X -
E. torelliana X X - - -
E. urophylla X X x - -
* Vide regiões no mapa da publicação original de Golfari & Case (1977).
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ANEXO 2: Latifoliadas indicadas para experimentação florestal nas regiões climáticas do Nordeste (GOLFARI & CASE, 1977).
Espécies nativas Nome comum Clima
Úmido Subúmido úmido Subúmido seco Semiárido Árido
Alpeiba albiflora Pau de Jangada x x
Aspidosperma pirifolium Pereiro x x
Bagassa guianensis Tatajuba x x
Bixa arborea Urucu x x
Bowdichia virgilioides Sucupira x x x
Bumelia sartorum Quixabeira x X
Coesalpinia achinata Pau-brasil x x x
Coesalpinia ferrea Jucá x x x
Cassia excelsa Canafístula x x x
Cedrela angustifolia Cedro x x
Cordia goeldiana Freijó x x
Didymopanax morototoni Sambaquim x
Hancornia speciosa Mangabeira x X
Manilkara huberi Maçaranduba x x
Parkinsonia aculeata Turco x x x
Pithecellobium polycephalum Camondongo x x x
Schizolobium parahiba Guapuruvu x x x X
Byrsonima crassifolia Murici x x
Enterolobium contoticilicum Timbaúba
Espécies exóticas
Acacia albida
Acacia nilótica X
Acacia peuce X
Acacia Senegal X
Acrocarpos fraxinifolius x
Anthocephalus cadamba x
Cassia ciamea x x x
Casuarina oligodon x x
Dalbegia sissoo x
UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 20
Gmelina arbórea x x
Khayna ivorensis x x
Maesopsis eminij x x
Nauclea diderrichij x x x
Pterocarpus angolensis x
Schorea robusta x x
Swietenia mahogani x x
Tamarindus indica x x
Tectona grandis x x
UFPB/CAVN - Curso Técnico em Agropecuária - Silvicultura 21
12 DENDROMETRIA BÁSICA
Dendrometria tem por objetivo geral a determinação do volume das árvores e suas respectivas partes, bem
como as existências de madeira numa dada área. Pretende saber também, a grandeza e volume dos principais
produtos florestais.
Para a consegui usa métodos e técnicas que permitam a medição das dimensões das florestas, das árvores
e das suas partes. A palavra dendrometria é também conhecida como: dasometria, medição florestal,
mensuração florestal e silvimetria.
A dendrometria é aplicada com três principais objetivos:
Objetivos comerciais - visando estimar com precisão o que se retira das florestas na compra e venda de
material.
Objetivos de ordenamento - na exploração do produto florestal, deve-se ter em mente o rendimento
sustentado, onde o que se retira deve equivaler ao que cresce na mesma área. Para atingir este objetivo deve-se
elaborar planos de ordenamento florestal a longo prazo, e para isso é preciso conhecer o desenvolvimento da
floresta, por espécies e locais.
Objetivos de pesquisa - para se determinar com precisão o desenvolvimento de uma floresta usam-se
técnicas especiais que avançam sem parar em outras condições, o que exige a pesquisa detalhada sobre a sua
adaptabilidade ou a busca de novas técnicas de aplicação específica.
13 INVENTÁRIO FLORESTAL
RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO DO PATRIMÔNIO NATURAL: UM ESTUDO QUANTITATIVO
PARA SUBSIDIAR EMPRESAS QUE OPERAM COM ATIVIDADES FLORESTAIS
Com o uso da estatística, através de amostragem, ou seja, qualquer parte da população1
, se poderá se ter
a possibilidade de que a amostragem possibilitará conhecer melhor uma população, ou seja a partir de amostras
de árvores. A partir de análises entende-se seja possível obter-se informações que venham viabilizar um melhor
entendimento contábil sobre uma árvore, para que ela seja tratada como um componente capaz de ser ativado
pela entidade, e não ser apenas considerada como matéria prima (tora) por ocasião de sua comercialização ou
transformação.
O método de amostragem, nesse tipo de trabalho, pode ser viabilizado, considerando que normalmente
as florestas têm grande número de árvores que se diversificam de acordo com espécie, família, tamanho,
diâmetro etc., ou seja, podem produzir grande variedade de madeira destinada à comercialização.
Importância da amostragem
A amostragem tem sua importância, na medida em que irá possibilitar a que o trabalho seja realizado
com um menor custo, bem como pequeno número de indivíduos pesquisados, devendo estar preocupada com
três fatores considerados indispensáveis, ressalta MATTAR2
:
Precisão: buscando a exatidão dos resultados de medições obtidas na amostra em relação à população,
levando em consideração o erro amostral, sabendo-se que quanto menor o erro amostral, mais precisa será a
amostra;
1
Fauze Najib MATTAR. Pesquisa de marketing. 1999. p. 262.
2
Idem, p. 275.
UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 22
Eficiência: quando esta se refere à medida de comparação entre diversos projetos amostrais. Pode-se
dizer que um projeto é mais eficiente do que o outro se, sob condições específicas, trouxer resultados mais
confiáveis, ao mesmo tempo em que estará produzindo resultados com maior precisão e menor custo.
Correção: pela ausência de viés não amostrais na amostra. Uma amostra é dita correta se as medidas
superestimadas e as subestimadas forem compensadas entre os membros da amostra, possibilitando para que
não existam erros sistemáticos numa amostra correta.
Amostragem em inventários florestais
Um pressuposto necessário está relacionado ao conhecimento das diversas características qualitativas e
quantitativas de uma população florestais são de fundamental importância para se avaliar a produção madeireira
e para se obterem informações que permitam elaborar um adequado plano de manejo.
Numa floresta pequena, para que sejam conhecidas as espécies pertencentes à população, pode-se aplicar
a medição de todas as árvores, considerando que esta seja uma floresta de madeiras valiosas. A contabilidade
ainda não adentrou nesta linha de mensuração de florestas para poder avaliar o seu verdadeiro potencial de
comercialização. Sabe-se, entretanto, que uma floresta tem sua importância para o meio ambiente, sabe-se,
ainda, que a madeira extraída de uma floresta, em forma de toras, tem grande potencial de comercialização e,
dependendo do tipo de madeira seu valor assume diferentes posicionamentos nos mercados madeireiros.
Na botânica para um levantamento florestal, ou seja, um inventário florístico, todas as árvores da
população que interessam ao pesquisador devem ser medidas. Em inventários de grandes áreas, a medição
individual de todas s árvores é praticamente impossível.
O inventário florestal, que representa uma forma de conhecer a população, é um ramo da ciência
florestal que trata dos métodos para que sejam obtidas informações detalhadas a respeito da cobertura vegetal,
tais como: volume e crescimento das árvores, qualidade e quantidade das espécies distribuídas em florestas
naturais ou implantadas. Essas informações servem de base para a organização de planos de exploração e
formulação de uma política florestal regional ou nacional.
As informações obtidas através de um inventário florestal são necessárias para o perfeito conhecimento
dos recursos florestais e de suas potencialidades, contribuindo, portanto, para a elaboração de planos de
manejo.3
Isto se deve pelo fato de o nível do inventário depender de seus objetivos e da disponibilidade de
recursos financeiros existentes. Entretanto, de modo geral, os inventários florestais são classificados em três
níveis principais, objetivando sempre a obtenção de informações que permitam decidir sobre a utilização
econômica da floresta e desenvolver pesquisas científicas:
 Inventários: 1. exploratório; 2. reconhecimento; 3. detalhado.
Os inventários exploratórios têm como objetivos principais avaliar a cobertura vegetal e determinada
região, sua localização, extensão e caracterização de tipos florestais. Nos inventários de reconhecimento,
procura-se estudar a composição de espécies e a estimativa do volume total. Já nos inventários detalhados, as
informações sobre a floresta devem possibilitar a elaboração de planos de manejo e de exploração florestal.4
Normalmente os inventários detalhados são realizados empregando-se métodos de amostragem apropriados,
definidos pelas características da floresta, tais como: densidade, composição, homogeneidade ou
heterogeneidade da distribuição diamétrica.
O inventário florestal, feito por amostragem, é os meios mais apropriados de se obterem as estimativas
dos parâmetros de uma população, considerando a soma de todas as unidades de amostras que possuem as
características sobre as quais tem-se interesse e que podem ser qualificativas, como diâmetro, área basal,
3
J.A. SILVA. Inventário florestal. 1978.
4
Norfol Aristides RIOS. Amostragem com igual probabilidade de seleção e amostragem com probabilidade proporcional ao tamanho, em plantações
de eucaliptos. 1993.
UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 23
volume, peso ou qualquer característica mensurável; e qualitativas, como forma, espécie, tipo de defeito, classe
de copa ou qualquer observação descritível, porem não mensurável.
A população pode ainda ser finita, quando contém o número definido de unidade de amostras ou infinita
quando ocorrer o contrário.
Dentre as vantagens dos inventários por amostragem, sobre o censo ou inventário 100%, está o fato de o
primeiro ser mais barato, além de contar com o envolvimento de pessoal mais bem treinado, diminuindo, assim,
a possibilidade de erros. E pelo fato de se trabalhar com amostras, isto é, uma parte da população, obtém-se
maior rapidez na coleta e na análise dos dados.
O fato de se trabalhar com uma parte da população propicia uma das desvantagens principais do
inventário feito por amostragem, que é o erro de amostragem ou erro de estimação, relacionado com a precisão
da amostragem, no sentido estritamente estatístico.
Os métodos de amostragem probabilísticos com igual probabilidade de seleção empregam parcelas de
áreas fixas de diversas formas e tamanhos para selecionar as árvores a serem medidas. A freqüência da medição
das árvores de um dado tamanho nas parcelas de área fixa depende de sua ocorrência. Nos métodos de
amostragem probabilística com probabilidade variada de seleção, a probabilidade de uma árvore ser selecionada
é proporcional a alguma de suas características mensuráveis. Nesse método, as unidades amostra possuem
dimensões variáveis: a cada árvore corresponde um tamanho de parcela que é proporcional a uma característica
mensurável. Por isso, esse tipo de amostragem denomina-se, também, de amostragem com parcelas móveis ou
variáveis.
Entre os métodos não-probabilísticos podem-se citar a amostragem seletiva e a amostragem sistemática,
em que a amostra é selecionada segundo algum critério pessoal ou de forma sistemática, não tendo uma base
estatística para a comparação das estimativas.
Tipos de amostragens
Um método de amostragem é definido pelo tamanho da amostra, pela área das unidades de amostras,
pelo seu número e sua distribuição, pela forma do levantamento a ser feito em cada unidade e pelo
procedimento estatístico para se analisarem os resultados encontrados. O método de amostragem mais
conveniente é aquele que permite selecionar um número de unidades de amostra representativo da população.
Dessa forma pode-se obter conclusões sobre uma população, se as estatísticas obtidas na amostra
diferirem casualmente dos correspondentes parâmetros da população. Para que isso possa acontecer, a escolha
das unidades de amostra deve ser feita ao acaso, eliminando-se toda e qualquer interferência pessoal no processo
de seleção. A principal vantagem dos métodos aleatórios é que eles permitem um cálculo preciso do erro de
amostragem.
Os métodos de amostragem probabilísticos são aqueles em que as unidades amostrais têm uma
determinada probabilidade de serem incluídas na amostra. A probabilidade de uma unidade de amostra ser eleita
depende do método de amostragem e o grau de precisão desejado das estimativas. Uma probabilidade conhecida
não implica em igualdade de seleção para todas as unidades amostrais. Assim, têm-se métodos de amostragens
com igual probabilidade de seleção e métodos de amostragens com desigual probabilidade ou com
probabilidade variadas de seleção.
Os métodos de amostragens não-probabilísticas são estabelecidos por critérios outros de seleção da
amostra que não apresenta base estatística para comparação das estatísticas. Na amostragem seletiva, a escolha
da amostra faz-se de acordo com um julgamento subjetivo do observador, que tem um conjunto de normas e
referências, que de certo modo, ajudam-no a selecionar a amostra.
Com essa amostragem, pode-se obter uma boa estimativa dos parâmetros da população, mas que não é
expressa estatisticamente. Esse método tem sérias restrições quanto a seu emprego. A seleção subjetiva da
amostra, às vezes demasiado parcial, leva a obter estimativas exageradas. Os resultados obtidos não têm a
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confiabilidade daqueles obtidos com o emprego de métodos de amostragem que se baseiam na teoria das
probabilidades.
Quando não se tem necessidade do cálculo do erro de amostragem, a seleção causal das unidades de
amostras perde o sentido. Pode-se ter uma melhoria adicional na obtenção das estimativas, alocando as unidades
de amostras mais uniformemente distribuídas, quando comparadas com as obtidas de unidades alocadas na
forma casual.
A amostragem sistemática é muita empregada nos trabalhos de inventários florestal. Porém, não há
concordância a respeito da validade estatística das estimativas obtidas pelo método. Para que a estimativa do
erro de amostragem seja válida é preciso que, pelo menos, duas unidades de amostras sejam sorteadas
aleatoriamente.
Amostragem com igual probabilidade de seleção da amostra
A amostragem causal simples é o método básico de seleção probabilística em que, na seleção de uma
amostra composta de n unidades de amostra, todas as possíveis combinações das n unidades teriam iguais
oportunidades de serem selecionadas. Os métodos de amostragem são modificações desse e são elaboradas com
a finalidade de se conseguir maiores precisões e, ou, economia. Em qualquer estágio da amostragem, a seleção
de uma determinada unidade deve ser livre de escolha deliberada e inteiramente independente da seleção de
todas as outras unidades. Numa amostragem causal simples, a população florestal é considerada como única e
inteiramente composta pela N unidades de amostra espaciais de áreas fixas, que a cobrem. Quando se usam
pontos de amostragem, o tamanho N pode ser considerado infinito. Nesse caso, uma amostra com n unidades é
casualmente escolhida com igual probabilidade de seleção.
As unidades de amostras ou parcelas podem ser selecionadas com ou sem reposição. Sendo o sorteio
realizado com a reposição das parcelas, a população pode ser considerada infinita. Para essa prática, Stevenson5
,
recomenda a regra de que seja feita a reposição quando o tamanho da amostra exceda a 5% do tamanho da
população; caso contrário, a população é finita (...).
Exemplo: Calcular o número mínimo de parcelas para inventariar uma área de 30 ha de Floresta Estacional
(universo amostral) e respectivas estatísticas de erro de 10% numa probabilidade de confiança de 95%. Para o
inventário serão utilizadas parcelas de 20x20m.
1. Realizar o Inventário Piloto
2. Calcular a densidade e a área basal dos indivíduos em cada parcela (Felfili et al., 2011)
5
Idem, p. 159.
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3. Calcular a média e a variância da densidade e da área basal (Felfili et al., 2011)
4. Determinar se a população é finita ou infinita (Felfili et al., 2011)
5. Selecionar a equação adequada para as populações (Felfili et al., 2011)
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6. Substituir os valores da equação e calcular o número de parcelas (Felfili et al., 2011)
(...)
A amostragem causal sem restrições tem a vantagem de produzir estimativas não tendenciosas,
consistentes. Esse método de amostragem é aplicado nos inventários de pequenas áreas florestais, de fácil
acesso e homogêneo nas características de interesse. A possibilidade de um estudo na Estação Científica
Ferreira Penna tem peculiaridades que possibilitam a aplicação deste método, consideradas as necessárias
observações do ponto de vista botânicos que venham subsidiar estudos para a Contabilidade.
As principais restrições a esse método referem-se ao fato de que uma distribuição aleatória das unidades
de amostra, amplamente dispersa sobre áreas, requer tempo de caminhada entre as unidades de amostras e há
possibilidade de ocorrência de uma distribuição desigual das unidades de amostra sobre a população.
Adicionam-se a isso, a existência de se idealizar um sistema de seleção causal de parcelas ou pontos de
amostragem e a dificuldade de se locar, no campo, com posições dispersas, as unidades de amostra
selecionadas.
A amostragem estratificada é um método de amostragem com restrição quanto à eleição da amostra,
porque as unidades de amostras são selecionadas separadamente, dentro de cada estrato. Nesse tipo de
amostragem, a população é subdividida em subpopulações, denominados estratos, de tamanhos conhecidos.
Posteriormente, uma amostra aleatória independente, composta de, no mínimo, duas unidades de amostras, é
extraída de cada estrato. A justificativa teórica para a estratificação fundamenta-se na redução da variância da
amostragem estratificada quando comparada com a amostragem causal simples.
A seleção das unidades da amostras dentro de cada estrato pode ser feita de forma causal ou sistemática.
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A amostragem estratificada tem a vantagem de proporcionar estimativas independentes e precisas da
média e da variância para cada estrato. Considerando-se igual intensidade de amostragem, ela é mais eficiente
que a amostragem inteiramente causal, fornecendo estimativas mais precisas dos parâmetros da população;
exigindo-se, no entanto, um conhecimento prévio do tamanho de cada estrato e da sua relação com a área total
da população.6
Esses métodos utilizam parcelas de áreas fixas de diversas formas e tamanho. Essas parcelas podem ser
alocadas na população em estudo, de forma permanente ou temporária. No caso das parcelas de áreas fixas, a
seleção das árvores de um determinado tamanho depende da freqüência de sua ocorrência. Dessa forma, às
vezes, encontra-se uma amostra com muitas árvores pequenas e poucas árvores de maiores portes, quando são
estes os que mais interessam a determinados estudos.
(...)
(...) As florestas que são plantadas devem estar prontas para a comercialização de matéria prima num
futuro que poderá ser estimado dependendo do tipo de vegetação. Neste sentido, a este ativo deverão ser
incorporados o seu potencial de uso futuro, levando-se em consideração sua aceitação certa na comercialização
pelo mercado consumidor.
Essa mensuração da potencialidade do ativo para considerá-lo economicamente, tem relação diferente de
uma entidade para outra, entretanto, esses cálculos para se chegar ao valor econômico deverão ser feitos de
acordo com a relação que, por exemplo, uma floresta tenha para a entidade a qual ela pertença.
Isto significa que uma reserva florestal que pertença ao estado terá um valor para este diferente de uma
outra que pertença a uma empresa florestal, cuja sua atividade seja a de comercialização de toras de madeiras,
mas para ambas deverá ser considerada a potencialidade do ativo florestal, levando-se em conta, ainda, o fator
ambiental que para ambas deverá estar presente.
Para a composição patrimonial, no caso de uma empresa de reflorestamento, alguns itens deverão ser
considerados visando a avaliação patrimonial, ou seja:
1. Terreno, considerando sua potencialidade para a fertilidade florestal;
2. Tipo de árvores, considerando sua raridade, ocorrência, tipos de frutos;
3. Produtos que forem utilizados para garantir o florescimento e crescimento do vegetal de maneira
sadia e em tempo apropriado à comercialização da matéria prima que irá gerar;
4. Mão-de-obra empregada para a atividade de plantio;
5. Outros insumos que eventualmente sejam necessários utilizar para que se possa no futuro ter uma
floresta sadia e dotada de potencial para a comercialização.
Alguns itens que irão compor o valor de uma floresta, preliminarmente, poderão ser considerados como
intangíveis, entretanto, na medida em que as pesquisas relacionadas ao projeto forem sendo desenvolvidas esses
itens deverão ir consolidando seu potencial como ativo permitir que sejam valorados naturalmente.
Seria prematuro focalizar exatamente qual seja a forma de como esses valores possam ser retratados,
entretanto, a literatura e a própria identidade contábil com o patrimônio indicam a existência de ativos
intangíveis. A característica desses ativos para Martins7
, representam “[...] o grande grau de incerteza existente
na avaliação dos futuros resultados que por eles poderão ser proporcionados. A dificuldade de mensuração não
é, entretanto, restrição suficiente para uma definição”.
Essa conotação deverá ser um novo desafio para a contabilidade, considerando que esta ciência tem as
condições necessárias para poder avaliar uma situação e poder valorá-la. Portanto, as compatibilidades com as
possibilidades deverão estar presentes e incorporar as ferramentas de que dispõem as ciências Botânicas,
6
Amostragem com igual probabilidade de seleção e amostragem com probabilidade proporcional ao tamanho, em plantações de eucaliptos. p. 11,
1993.
7
Idem, p. 54
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Engenharia Florestal e outras que possam oferecer condições para que a contabilidade possa dar a informação
com maior precisão possível.
Conclusão
Cabe ressaltar que são duas realidades com as quais a contabilidade tem potencial tecnológico para
manipulá-las, ou seja,
1) As florestas que dispõe os recursos com grande riqueza natural e patrimonial, mas que não estão
devidamente valorizadas como deveriam, diante desta realidade os recursos disponibilizados pela
botânica poderão favorecer para que a contabilidade possa vir a reconhecer esse patrimônio
identificado, mas não mensurado contabilmente;
2) A estatística dispõe de recursos, através da amostragem para, com base em premissas, provocar que
seja objetivada a similaridade entre elementos de uma determinada população, dando margem para
que a partir de poucos elementos seja possível representar adequadamente as características de toda
a população. Um outro aspecto é a discrepância entre os valores das variáveis da população e os
valores dessas variáveis obtidos na amostra, de sorte que os parâmetros fiquem na média do
fenômeno observado, considerando que os dados amostrais tenham sido adequadamente obtidos
Com essas duas realidades, a contabilidade poderá realizar incursões para que sejam realizados
levantamentos em florestas nativas e poder chegar a uma informação patrimonial que possa dar um novo
enfoque no tratamento de florestas nativas, ou seja, reconhecer efetivamente o valor desse patrimônio,
considerando que as empresas que trabalham com a comercialização de matéria prima oriundas de florestas, as
tratam apenas pelas circunstâncias de seu potencial comercial, uma vez que a tora de madeira de lei tem
mercados consumidos garantido.
Neste sentido, acredita-se que com a introdução de um sistema de mensuração de florestas a entidade
possa ser mais valorizada, já que a ela poderá ser incorporada à própria floresta (árvores) como ativos potenciais
para gerar benefícios, além de a contabilidade poder dar um outro enfoque no que diz respeito às questões
relacionadas ao meio ambiente.
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Disponível em: www.dcc.uem.br/enfoque/new/enfoque/data/1195816868.doc
14 CÁLCULO PARA ESTIMAR O VOLUME COMERCIAL DA MADEIRA
O volume total de madeira existente em uma dada área (por exemplo, 1 hectare) é o resultado da soma
do volume de cada uma das árvores localizadas naquela área.
Para calcular o volume de cada árvore devem-se utilizar as informações sobre a circunferência à altura
do peito (CAP) ou diâmetro à altura do peito (DAP), altura comercial e qualidade do tronco (volume
efetivamente aproveitável de cada árvore) nas fórmulas:
V = Volume de madeira comercial expresso em metros cúbicos.
CAP = Circunferência à altura do peito expressa em centímetros.
DAP = Diâmetro à altura do peito expresso em centímetros.
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A = Altura comercial em metros.
FA = Fator de aproveitamento relacionado à proporção aproveitável do tronco apresentado na Tabela 1:
F = Fator de forma referente à conicidade da tora (relacionado com a curvatura), geralmente igual a 0,7.
0,00007854 e 125663,7 = constantes.
Exemplo: Veja como calcular o volume de uma árvore com 13 metros de altura comercial, 74 cm de DAP e um
fuste de qualidade boa (fator 0,9; Tabela 1).
V= 0,00007854 x (74)2
x 13,0 x 0,9 = 5,03 m3
(fórmula do diâmetro)
Para obter o volume total por hectare é só repetir o cálculo para todas as árvore e depois somar. O cálculo pode
ser feito em uma planilha eletrônica (por exemplo, Excel ou Access) ou mesmo com uma simples calculadora.
Disponível em: http://www.manejoflorestal.org/guia.cfm?cap=2
15 SISTEMAS AGROFLORESTAIS
Podemos entender sistemas agroflorestais como formas de uso e manejo da terra, nas quais árvores ou
arbustos são utilizados em conjunto com a agricultura e/ou com animais numa mesma área, de maneira
simultânea ou numa seqüência de tempo. Eles devem incluir pelo menos uma espécie florestal arbórea ou
arbustiva, a qual pode ser combinada com uma ou mais espécies agrícolas e/ou animais, isso porque esta espécie
florestal fornece produtos úteis ao produtor, além de preencher um papel importante na manutenção da
fertilidade dos solos.
Os SAFs são a imitação da cobertura vegetal da
floresta, sendo o aspecto diversificação a essência e seu
fundamento. Essa perspectiva favorece a recuperação da
produtividade de solos degradados através de espécies
arbóreas implantadas, que adubam naturalmente o solo,
reduzindo a utilização de insumos externos e, com isso, os
custos de produção e aumentando a eficiência econômica da
unidade produtiva. Além disso, a maior diversificação
representa mais produtos comercializáveis, favorecendo uma
geração de renda mais harmônica no tempo. Esse contexto é
muito adequado para a pequena produção familiar.
Os sistemas agroflorestais podem ser classificados em:
 Sistemas silvi-agrícolas - combinação de árvores ou arbustos com espécies agrícolas.
 Sistemas silvipastoris - combinação de árvores ou arbustos com plantas forrageiras herbáceas e
animais.
 Sistemas agrossilvipastoris - criação ou manejo de animais em consórcios silvi-agrícolas.
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Várias são as técnicas possíveis de se usar nos SAFs. Dentre as principais destacam-se: quebra-ventos,
abrigos de proteção, cercas-vivas, Taungya (plantio periódico de árvores e culturas agrícolas), aléias (árvores
permanentes nas curvas de nível), quintais agroflorestais, agroflorestas não sucessionais (árvores associadas
com cultivos agrícolas) e a agroflorestas sucessionais.
Aspectos biológicos
1) Otimização na utilização do espaço da propriedade pelo aproveitamento dos diferentes estratos verticais
(vegetação rasteira, arbustos, árvores altas), resultando em maior produção de biomassa (quantidade de matéria
orgânica gerada pelas plantas).
2) Melhoramento das características químicas, físicas e biológicas do solo. Isso ocorre graças à decomposição e
incorporação da matéria orgânica e penetração das raízes das árvores no solo. Os diferentes comprimentos de
raízes existentes no solo, com a presença de árvores, auxiliam também na redução potencial da erosão.
3) A produção total obtida de uma mistura de árvores e culturas agrícolas ou criações de animais é
freqüentemente maior que a produzida nas monoculturas.
4) Maior facilidade em se adaptar a um manejo agroecológico, à medida que a diversidade de espécies torna
todo o sistema mais vigoroso, dispensando o uso de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos.
5) Redução do risco de perda total da cultura principal, já que os possíveis ataques de pragas e doenças são
distribuídos entre várias espécies de plantas, diminuindo os danos à cultura de maior valor comercial.
6) Permite o uso econômico da sombra. O rebanho bovino e culturas como o palmito, a banana e a erva mate se
beneficiam da sombra de outras árvores.
Aspectos Econômicos e Sociais
1) Fornecimento de uma maior variedade de produtos e/ou serviços da mesma área de terra. Esses produtos
podem ser: alimentos, lenha, adubo verde, plantas medicinais e ornamentais, sombra, quebra-ventos e
embelezamento da paisagem.
2) Promove uma distribuição mais uniforme do serviço e da receita gerada, devido a um trabalho contínuo e à
obtenção de diversas colheitas.
3) A diversidade de produtos colhidos reduz dois tipos de risco: o de impacto econômico derivado da flutuação
de preços no mercado e o de perda total da colheita, quando se tem uma única cultura.
4) A associação de culturas anuais (como grãos) ou de ciclo curto (como hortaliças) juntamente com as árvores
reduz os custos de implantação do sistema agroflorestal. No longo prazo, o custo também é minimizado quando
as árvores começam a gerar produtos comercializáveis, como madeira e frutas, por exemplo.
Disponível em: http://www.apremavi.org.br/cartilha-planejando/como-fazer-sistemas-agroflorestais/
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ANEXO 3: Tabela trigonométrica
Disponível em: http://www.somatematica.com.br/emedio/tabtrig.php
Ângulo sen cos tg
1 0,017452 0,999848 0,017455
2 0,034899 0,999391 0,034921
3 0,052336 0,99863 0,052408
4 0,069756 0,997564 0,069927
5 0,087156 0,996195 0,087489
6 0,104528 0,994522 0,105104
7 0,121869 0,992546 0,122785
8 0,139173 0,990268 0,140541
9 0,156434 0,987688 0,158384
10 0,173648 0,984808 0,176327
11 0,190809 0,981627 0,19438
12 0,207912 0,978148 0,212557
13 0,224951 0,97437 0,230868
14 0,241922 0,970296 0,249328
15 0,258819 0,965926 0,267949
16 0,275637 0,961262 0,286745
17 0,292372 0,956305 0,305731
18 0,309017 0,951057 0,32492
19 0,325568 0,945519 0,344328
20 0,34202 0,939693 0,36397
21 0,358368 0,93358 0,383864
22 0,374607 0,927184 0,404026
23 0,390731 0,920505 0,424475
24 0,406737 0,913545 0,445229
25 0,422618 0,906308 0,466308
26 0,438371 0,898794 0,487733
27 0,45399 0,891007 0,509525
28 0,469472 0,882948 0,531709
29 0,48481 0,87462 0,554309
30 0,5 0,866025 0,57735
31 0,515038 0,857167 0,600861
32 0,529919 0,848048 0,624869
33 0,544639 0,838671 0,649408
34 0,559193 0,829038 0,674509
35 0,573576 0,819152 0,700208
36 0,587785 0,809017 0,726543
37 0,601815 0,798636 0,753554
38 0,615661 0,788011 0,781286
39 0,62932 0,777146 0,809784
40 0,642788 0,766044 0,8391
41 0,656059 0,75471 0,869287
42 0,669131 0,743145 0,900404
43 0,681998 0,731354 0,932515
44 0,694658 0,71934 0,965689
45 0,707107 0,707107 1
Ângulo sen cos tg
46 0,71934 0,694658 1,03553
47 0,731354 0,681998 1,072369
48 0,743145 0,669131 1,110613
49 0,75471 0,656059 1,150368
50 0,766044 0,642788 1,191754
51 0,777146 0,62932 1,234897
52 0,788011 0,615661 1,279942
53 0,798636 0,601815 1,327045
54 0,809017 0,587785 1,376382
55 0,819152 0,573576 1,428148
56 0,829038 0,559193 1,482561
57 0,838671 0,544639 1,539865
58 0,848048 0,529919 1,600335
59 0,857167 0,515038 1,664279
60 0,866025 0,5 1,732051
61 0,87462 0,48481 1,804048
62 0,882948 0,469472 1,880726
63 0,891007 0,45399 1,962611
64 0,898794 0,438371 2,050304
65 0,906308 0,422618 2,144507
66 0,913545 0,406737 2,246037
67 0,920505 0,390731 2,355852
68 0,927184 0,374607 2,475087
69 0,93358 0,358368 2,605089
70 0,939693 0,34202 2,747477
71 0,945519 0,325568 2,904211
72 0,951057 0,309017 3,077684
73 0,956305 0,292372 3,270853
74 0,961262 0,275637 3,487414
75 0,965926 0,258819 3,732051
76 0,970296 0,241922 4,010781
77 0,97437 0,224951 4,331476
78 0,978148 0,207912 4,70463
79 0,981627 0,190809 5,144554
80 0,984808 0,173648 5,671282
81 0,987688 0,156434 6,313752
82 0,990268 0,139173 7,11537
83 0,992546 0,121869 8,144346
84 0,994522 0,104528 9,514364
85 0,996195 0,087156 11,43005
86 0,997564 0,069756 14,30067
87 0,99863 0,052336 19,08114
88 0,999391 0,034899 28,63625
89 0,999848 0,017452 57,28996
90 1 0 -
UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 33
ANEXO 4: Tabela do teste t (Student)
Disponível em: http://www.somatematica.com.br/estat/tabelat.php
gl/P 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,05 0,02 0,01 0,001
1 0,158 0,325 0,51 0,727 1 1,376 1,963 3,078 6,314 12,706 31,821 63,657 636,619
2 0,142 0,289 0,445 0,617 0,816 1,061 1,386 1,886 2,92 4,303 6,965 9,925 31,598
3 0,137 0,277 0,424 0,584 0,765 0,978 1,25 1,638 2,353 3,182 4,541 5,541 12,924
4 0,134 0,271 0,414 0,569 0,741 0,941 1,19 1,533 2,132 2,776 3,747 4,604 8,61
5 0,132 0,267 0,408 0,559 0,727 0,92 1,156 1,476 2,015 2,571 3,365 4,032 6,869
6 0,131 0,265 0,404 0,553 0,718 0,906 1,134 1,44 1,943 2,447 3,143 3,707 5,959
7 0,13 0,263 0,402 0,549 0,711 0,896 1,119 1,415 1,895 2,365 2,365 3,499 5,408
8 0,13 0,262 0,399 0,546 0,706 0,889 1,108 1,397 1,86 2,306 2,896 3,355 5,041
9 0,129 0,261 0,398 0,543 0,703 0,883 1,1 1,383 1,833 2,262 2,821 3,25 4,781
10 0,129 0,26 0,397 0,542 0,7 0,879 1,093 1,372 1,812 2,228 2,764 3,169 4,587
11 0,129 0,26 0,396 0,54 0,697 0,876 1,088 1,363 1,796 2,201 2,718 3,106 4,437
12 0,128 0,259 0,395 0,539 0,695 0,873 1,083 1,356 1,782 2,179 2,681 3,055 4,318
13 0,128 0,259 0,394 0,538 0,694 0,87 1,079 1,35 1,771 2,16 2,65 3,012 4,221
14 0,128 0,258 0,393 0,537 0,692 0,868 1,076 1,345 1,761 2,145 2,624 2,977 4,14
15 0,128 0,258 0,393 0,536 0,691 0,866 1,074 1,341 1,753 2,131 2,602 2,947 4,073
16 0,128 0,258 0,392 0,535 0,69 0,865 1,071 1,337 1,746 2,12 2,583 2,921 4,015
17 0,128 0,257 0,392 0,534 0,689 0,863 1,069 1,333 1,74 2,11 2,567 2,898 3,965
18 0,127 0,257 0,392 0,534 0,688 0,862 1,067 1,33 1,734 2,101 2,552 2,878 3,922
19 0,127 0,257 0,391 0,533 0,688 0,861 1,066 1,328 1,729 2,093 2,539 2,861 3,883
20 0,127 0,257 0,391 0,533 0,687 0,86 1,064 1,325 1,725 2,086 2,528 2,845 3,85
21 0,127 0,257 0,391 0,532 0,686 0,859 1,063 1,323 1,721 2,08 2,518 2,831 3,819
22 0,127 0,256 0,39 0,532 0,686 0,858 1,061 1,321 1,717 2,074 2,508 2,819 3,792
23 0,127 0,256 0,39 0,532 0,685 0,858 1,06 1,319 1,714 2,069 2,5 2,807 3,767
24 0,127 0,256 0,39 0,531 0,685 0,857 1,059 1,318 1,711 2,064 2,492 2,797 3,745
25 0,127 0,256 0,39 0,531 0,684 0,856 1,058 1,316 1,708 2,06 2,485 2,787 3,726
26 0,127 0,256 0,39 0,531 0,684 0,856 1,058 1,315 1,706 2,056 2,479 2,779 3,707
27 0,127 0,256 0,389 0,531 0,684 0,856 1,057 1,314 1,703 2,052 2,473 2,771 3,69
28 0,127 0,256 0,389 0,53 0,683 0,856 1,056 1,313 1,701 2,048 2,467 2,763 3,674
29 0,127 0,256 0,389 0,53 0,683 0,854 1,055 1,311 1,699 2,045 2,462 2,756 3,659
30 0,127 0,256 0,389 0,53 0,683 0,854 1,055 1,31 1,697 2,042 2,457 2,75 3,646
40 0,126 0,255 0,388 0,529 0,681 0,851 1,05 1,303 1,684 2,021 2,423 2,704 3,551
60 0,126 0,254 0,387 0,527 0,679 0,848 1,046 1,296 1,671 2 2,39 2,66 3,46
120 0,126 0,254 0,386 0,526 0,677 0,845 1,041 1,289 1,658 1,98 2,358 2,617 3,373
i 0,126 0,253 0,385 0,524 0,674 0,842 1,036 1,282 1,645 1,96 2,326 2,576 3,291
UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 34
ANEXO 5: Planilha para inventário florestal e levantamento fitossociológico (Mata Nativa 2)
DATA PARCELA NUM. ÁRV. NOME VULGAR NOME CIENTÍFICO ALTURA CAP DAP
UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 35
16 LEGISLAÇÃO FLORESTAL BRASILEIRA
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4771compilado.htm
Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
LEI Nº 4.771, DE 15 DE SETEMBRO DE 1965.
Institui o novo Código Florestal.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a
seguinte Lei:
Art. 1° As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de
utilidade às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendo-se os
direitos de propriedade, com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem.
§ 1o
As ações ou omissões contrárias às disposições deste Código na utilização e exploração das florestas e
demais formas de vegetação são consideradas uso nocivo da propriedade, aplicando-se, para o caso, o
procedimento sumário previsto no art. 275, inciso II, do Código de Processo Civil. (Incluído pela Medida
Provisória nº 2.166-67, de 2001)
§ 2o
Para os efeitos deste Código, entende-se por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de
2001) (Vide Decreto nº 5.975, de 2006)
I - pequena propriedade rural ou posse rural familiar: aquela explorada mediante o trabalho pessoal do
proprietário ou posseiro e de sua família, admitida a ajuda eventual de terceiro e cuja renda bruta seja
proveniente, no mínimo, em oitenta por cento, de atividade agroflorestal ou do extrativismo, cuja área não
supere: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001)
a) cento e cinqüenta hectares se localizada nos Estados do Acre, Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia,
Amapá e Mato Grosso e nas regiões situadas ao norte do paralelo 13o
S, dos Estados de Tocantins e Goiás, e ao
oeste do meridiano de 44o
W, do Estado do Maranhão ou no Pantanal mato-grossense ou sul-mato-grossense;
(Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001)
b) cinqüenta hectares, se localizada no polígono das secas ou a leste do Meridiano de 44º W, do Estado do
Maranhão; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001)
c) trinta hectares, se localizada em qualquer outra região do País; (Incluído pela Medida Provisória nº
2.166-67, de 2001)
II - área de preservação permanente: área protegida nos termos dos arts. 2o
e 3o
desta Lei, coberta ou não
por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade
geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das
populações humanas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001)
III - Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de
preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos
processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído
pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001)
IV - utilidade pública: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001)
a) as atividades de segurança nacional e proteção sanitária; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67,
de 2001)
b) as obras essenciais de infraestrutura destinadas aos serviços públicos de transporte, saneamento e
energia e aos serviços de telecomunicações e de radiodifusão; (Redação dada pela Lei nº 11.934, de 2009)
UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 36
c) demais obras, planos, atividades ou projetos previstos em resolução do Conselho Nacional de Meio
Ambiente - CONAMA; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001)
V - interesse social: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001)
a) as atividades imprescindíveis à proteção da integridade da vegetação nativa, tais como: prevenção,
combate e controle do fogo, controle da erosão, erradicação de invasoras e proteção de plantios com espécies
nativas, conforme resolução do CONAMA; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001)
b) as atividades de manejo agroflorestal sustentável praticadas na pequena propriedade ou posse rural
familiar, que não descaracterizem a cobertura vegetal e não prejudiquem a função ambiental da área; e (Incluído
pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001)
c) demais obras, planos, atividades ou projetos definidos em resolução do CONAMA; (Incluído pela
Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001)
VI - Amazônia Legal: os Estados do Acre, Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia, Amapá e Mato Grosso e
as regiões situadas ao norte do paralelo 13o
S, dos Estados de Tocantins e Goiás, e ao oeste do meridiano de 44o
W, do Estado do Maranhão. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001)
Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de
vegetação natural situadas:
a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura
mínima será: (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela
Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de
largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de
largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros
de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos)
metros; (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais;
c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação
topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de
18.7.1989)
d) no topo de morros, montes, montanhas e serras;
e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior
declive;
f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues;
g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a
100 (cem) metros em projeções horizontais; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada
pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. (Incluído pela Lei nº 6.535, de 1978) (Vide Lei nº 7.803 de
18.7.1989)
Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos
definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território
abrangido, obervar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os
princípios e limites a que se refere este artigo.(Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
Art. 3º Consideram-se, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder
Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas:
a) a atenuar a erosão das terras;
b) a fixar as dunas;
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Apostila de silvicultura

  • 1. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 1 Silvicultura para Técnicos Agrícolas - 2015 Prof. Alex da Silva Barbosa (Org.) Departamento de Agricultura, UFPB Campus de Bananeiras
  • 2. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 2 UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, SOCIAIS E AGRÁRIAS COLÉGIO AGRÍCOLA "VIDAL DE NEGREIROS" Curso: CURSO TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA Componente Curricular: SILVICULTURA  Conceitos e Generalidades  Exploração Florestal e  Vegetação Brasileira  Produção de Mudas Florestais  Tratos Silviculturais  Dendrometria Básica e  Inventário Florestal  Sistemas Agroflorestais  Legislação Florestal Brasileira Carga horária: 30 HORAS Professor: ALEX S. BARBOSA, D.Sc. Departamento de Agricultura, UFPB aldasibarbosa@gmail.com https://sites.google.com/site/horticulturacavn/ Bananeiras, PB Março de 2015
  • 3. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 3 1 INTRODUÇÃO 1.1 FITOTECNIA (Fito=planta): Refere-se à tecnologia aplicada à produção de plantas. É sinônimo de produção vegetal. A FITOTECNIA DIVIDE-SE EM 2 RAMOS: 1) AGRICULTURA - (Agris=campo; Colere=Cultivar): Refere-se à produção extensiva dos cereais, oleaginosas, fibrosas, etc. São as consideradas grandes culturas. 2) HORTICULTURA - (Hortus=Jardins; Colere=Cultivar): Refere-se ao cultivo de jardins e hortas em locais próximos às residências. Pode ser dividida em:  Plantas utilizadas na alimentação humana: FRUTICULTURA e OLERICULTURA  Plantas com finalidade estética e decorativa: FLORICULTURA EPAISAGISMO OU JARDINAGEM  Plantas utilizadas na alimentação animal: FORRAGICULTURA  Plantas com finalidades florestais: SILVICULTURA A Silvicultura é um dos campos da ciência que se ocupa do cuidado, aproveitamento e manutenção racional das florestas, com vistas aos aspectos ecológicos, científicos, econômicos e sociais. De natureza multidisciplinar, a silvicultura interessa a várias áreas como a botânica e a ecologia, entre outras, e não produz apenas matéria básica para o homem: é fundamental também para o equilíbrio do planeta, tanto pela variedade de seres que as florestas abrigam, como por sua influência no clima e na conservação do solo e dos recursos hídricos. Etimologicamente, o temo é originado do latim, sendo formado pelo radical “silva”= selva ou floresta e o sufixo “culture” = cultivo, cultivar. Literalmente, silvicultura significa, portanto, cultivo de árvores. A silvicultura engloba a formação, a manutenção e o manejo de florestas nativas e plantadas. Já o termo "setor florestal", mais amplo, inclui desde o segmento de máquinas e insumos agrícolas, passando pela silvicultura em si, até o processamento e a comercialização de produtos que utilizam matéria-prima florestal. Dentre esses produtos, destacam-se a madeira para atividades industriais, papel e celulose, carvão vegetal, resina e essências, entre outros. 2 HISTÓRICO DA SILVICULTURA NO BRASIL  Em 1926 foi Instalado o Serviço Florestal do Brasil;  Em 1934 foi promulgado o Código Florestal e Criado o Conselho Florestal Federal;  Em 1947 foi criada a Floresta Nacional do Araripe, no Estado do Ceará;  Em 1965 foi promulgada a Lei 4.771 que instituiu o novo Código Florestal Brasileiro;  Em 1967 foi criado o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal-IBDF, extinto pela Lei 7.732 de 14 de fevereiro de 1989;  Em 1989 foi criado o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA (Lei Nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989);  Em 1998 foi sancionada a Lei 9605, chamada Lei de Crimes Ambientais, que trouxe nova regulamentação para os crimes contra a flora;  Em 2007 foi criado o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Lei 11.516, de 28 de agosto de 2007.
  • 4. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 4 A partir da década de 90, com a realização desses grandes eventos e com a consolidação de uma legislação ambiental consistente, vem crescendo em ritmo cada vez maior a conscientização da sociedade sobre a importância e o papel das florestas para a vida no planeta e para a espécie humana, em particular. 3 O CULTIVO DE FLORESTAS No o início da nossa civilização, as florestas foram vistas como sendo apenas um componente das paisagens, um estoque de caça, madeira e produtos derivados, ao qual se podia recorrer para suprir as necessidades. Motivado pelo espírito desbravador, o homem passou a ver, também, nas florestas um horizonte a ser transposto, que precisava ser conquistado, conhecido e dominado. Este pensamento perdurou em muitos países por algumas décadas, alimentado pela ilusão de que os recursos naturais seriam infinitos e ilimitados. Com o passar dos anos, crescimento da população e a consagração da atividade agrícola como um meio de proporcionar segurança e melhores condições de vida às comunidades, os recursos florestais começaram a se tornar escassos, surgindo, pois, a necessidade de se buscar formas de produzi-los ou cultivá- los. Daí surgiu a Silvicultura, aqui entendida como a ciência e a técnica do cultivo de florestas. De acordo com Kimmins (1987) a evolução da atividade florestal no mundo apresenta seis estágios que podem ser assim descritos: a) A exploração desregulamentada e devastadora das florestas, desprovida de qualquer consciência conservacionista; b) A percepção de uma ameaça real quanto ao futuro dos estoques de recursos florestais; c) Continuação da exploração das florestas intocadas, nos mais remotos locais do planeta; d) Instituição das primeiras regulamentações, de cunho pouco ecológico, tratando do corte e do manejo das florestas; e) Conscientização de que atitudes meramente administrativas não assegurariam o suprimento de produtos florestais; f) Início de uma postura silvicultural, marcada pela preocupação ecológico-conservacionista, voltada para a prática da implantação, do cultivo e do manejo de florestas. Neste último estágio, cabe-nos a responsabilidade e o dever de dar às florestas sua devida importância, fazendo-as ressurgir em muitos dos locais de onde foram indevidamente erradicadas. A eliminação das florestas acresceu ao nosso vocabulário expressões que se tornaram corriqueiras como, por exemplo, “áreas degradadas”. Cabe aos profissionais das ciências agrárias reverterem à degradação das terras e isto é possível através da inserção das árvores nos espaços de onde nunca deveriam ter sido eliminadas, pelo menos nas circunstâncias e com a intensidade com que o foram. 4 FUNÇÕES DAS FLORESTAS São as influências, serviços ou benefícios que as florestas proporcionam ao meio biofísico, socioeconômico e ou cultural, que resultam em melhorias na qualidade de vida, além de contribuírem para o equilíbrio ambiental. 4.1 Funções ecológicas ou de proteção O efeito das florestas em relação ao clima pode ser localizado, atuando sobre:  A radiação solar: a radiação solar tem menos efeito sobre o aquecimento do ar e do solo, no interior da floresta do que fora dela;  As chuvas: é provável que uma combinação de fatores possa elevar localmente a pluviosidade. A floresta tem influência direta sobre o ciclo hidrológico local e regional;  Umidade Relativa: no interior da floresta a umidade relativa, é muito mais elevada do que em seu exterior;  O vento: a floresta promove a proteção contra a violência dos ventos e ressecamento dos solos;  O ar: promovem o sequestro de carbono, melhorando a qualidade do ar.
  • 5. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 5 4.1.1 Solo O efeito das florestas em relação ao solo pode ser localizado, atuando sobre:  A Manutenção da fertilidade dos solos As árvores geralmente possuem sistema radicular vigoroso e profundo, o que favorece a ciclagem de nutrientes, particularmente a ciclagem biogeoquímica, que consiste na translocação de nutrientes do solo para a planta. Dessa forma, os nutrientes oriundos das camadas mais profundas do solo são incorporados à biomassa e posteriormente são disponibilizados na superfície, de onde seguem novas trajetórias da referida ciclagem. O papel das florestas sobre a fertilidade dos solos não se dá apenas no âmbito da ciclagem de nutrientes, mas também pela melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas, quer seja pela incorporação de matéria orgânica e promoção da vida microbiana no solo.  Proteção da vida silvestre: As florestas servem como abrigo e refúgio para a fauna silvestre.  Proteção e Manutenção de Recursos Hídricos.  Efeito esponja. A camada de galhos secos, de folhas e de material indiferenciado (serrapilheira), promove o acúmulo de matéria orgânica sobre o solo, contribuindo para uma maior infiltração da água. A falta deste componente causa diminuição no abastecimento subsuperficial, aumenta o escorrimento superficial, causando erosão e perdas de solos;  Mata ciliar A preservação da mata ciliar é muito importante, uma vez que a vegetação e a matéria orgânica acumulada sobre a superfície do solo impedem o escorrimento superficial da água, facilitam a infiltração e controlam a vazão de córregos, rios e fontes, evitando o assoreamento dos mesmos;  Controle da erosão As modificações na cobertura vegetal podem acarretar a elevação do escorrimento superficial e a consequente erosão laminar acelerada em primeiro momento, até o surgimento das voçorocas. A vegetação é a melhor opção para a proteção dos solos. 4.2 Funções econômicas Consideram-se como funções econômicas das florestas, os produtos, sub-produtos e serviços que estas podem oferecer ao homem, destacando-se as seguintes (BRASIL,1986):  Função de área A existência da floresta implica na ocupação ou restrições do uso de sua área para outros fins concorrentes, como no caso da agricultura, pecuária, infra-estrutura viária, cidades, represas etc.;  Produção de bens Diversos produtos originados nas florestas, sempre foram elementos básicos da vida humana e de sua economia. Dentre estes produtos podemos destacar os seguintes a lenha, material para construção, carvão vegetal, alimentos, remédios, biocidas, rendimentos, salários etc. A atividade produtiva em uma floresta envolve um proprietário, arrendatários, prestadores de serviços, trabalhadores etc., gerando empregos e salários, de forma direta. Indiretamente o recurso florestal, por ser fonte de energia para muitas indústrias, contribui para a geração de milhares de empregos em cerâmicas, olarias, siderúrgicas, padarias etc.;  Capital Função de capital (o estoque florestal e o seu incremento são um grande capital). 4.3 Funções sociais e culturais Lazer e recreação; Educação ambiental; Manutenção de populações, culturas, hábitos e costumes, em determinadas regiões, como por exemplo: castanheiros, seringueiros, povos indígenas, etc.
  • 6. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 6 5 TIPOLOGIAS VEGETACIONAIS DO BRASIL O Brasil é um país rico em biodiversidade e também é detentor de uma flora exuberante que estão relacionadas aos diversos tipos de clima, relevos e solos existentes no país. A vegetação brasileira, de acordo com suas características, pode ser dividida em dez grandes grupos: Floresta Amazônica, Mata Atlântica (Florestas Costeiras), Caatinga, Pantanal Mato-Grossense, Cerrado, Campos, Mata de Araucária, Mata de Cocais, Mangue e Restinga. 5.1 Mata Atlântica É uma floresta de clima tropical, quente e úmido. Predomina na costa brasileira, onde planaltos e serras impedem a passagem da massa de ar, provocando chuva. Entre as florestas tropicais, é a que apresenta a maior biodiversidade do mundo, com espécies como ipê, quaresmeira, cedro, palmiteiro, canela e imbaúba. É a mais devastada das florestas brasileiras. Inicialmente estendia-se do litoral do Rio Grande do Norte ao de Santa Catarina. Os 7% restantes da mata original que ocupa 1.290.692,4 km² encontram-se nas regiões Sul e Sudeste, preservados graças à presença da Serra do Mar, obstáculo à ação humana. 5.2 Caatinga Ocupa a maior parte da região, de clima semiárido, o que corresponde, aproximadamente, à décima parte do território brasileiro. É composta de plantas xerófilas, próprias de clima seco, adaptadas a pouca quantidade de água: os espinhos das cactáceas, por exemplo, têm a função de diminuir sua transpiração. O solo da caatinga é fértil quando irrigado. Essas plantas podem produzir cera, fibra, óleo vegetal e, principalmente, frutas. Por causa do baixo índice pluviométrico da região sertaneja, as plantas dependem de irrigação artificial, possibilitada pela construção de canais e açudes. 5.3 Pantanal Mato-Grossense É a maior planície inundável do mundo, ocupando uma área de 150.000 km², englobando do sudoeste de Mato Grosso ao oeste de Mato Grosso do Sul até o Paraguai. Nessa formação podem ser identificadas três diferentes áreas: as alagadas, as periodicamente alagadas e as que não sofrem inundações. Nas áreas alagadas, a vegetação de gramíneas desenvolve-se no inverno e é usada para o gado bovino. Nas de eventuais alagamentos encontram-se, além de vegetação rasteira, arbustos e palmeiras como o buriti e o carandá, nas que não sofrem inundações predominam os cerrados e, em pontos mais úmidos, espécies arbóreas da floresta tropical. 5.4 Cerrado Formação típica de área tropical com duas estações marcadas, um inverno seco e um verão chuvoso. Sua área de ocorrência é o Brasil central. O solo, deficiente em nutrientes e com alta concentração de alumínio, dá à mata uma aparência seca. As plantas têm raízes capazes de retirar água e nutrientes do solo a mais de 15m de profundidade. A vegetação caracteriza-se principalmente pela presença de pequenos arbustos e árvores retorcidas, com cortiça (casca) grossa e folhas recobertas por pêlos. Encontram-se, ainda, gramíneas e o cerradão, um tipo mais denso de cerrado que já abriga formações florestais. 5.5 Campos Formados por herbáceas, gramíneas e pequenos arbustos, ocupam áreas descontínuas do País e possuem características diversas. São denominados campos limpos quando predominam as gramíneas. Se a estas se somam os arbustos, são denominados campos sujos. Quando ocupam áreas de altitude superior a 100m são chamados de campos de altitude, como na Serra da Mantiqueira e no Planalto das Guianas. Já os campos da hiléia se referem às formações rasteiras que se encontram na Amazônia. Os campos meridionais, quase sem espécie arbustiva, como a Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul, são ocupados principalmente pela pecuária.
  • 7. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 7 5.6 Mata de Araucária Própria do clima subtropical sendo encontrada na Região Sul e em trechos do Estado de São Paulo. É uma floresta aciculifoliada (folhas em forma de agulha, finas e alongadas) e tem na Araucaria angustifolia, ou pinheiro-do-paraná, a espécie dominante, cujo fruto é o pinhão. Atingem mais de 30m de altura e possuem formação aberta, oferecendo certa facilidade à circulação. Seu principal produto, o pinho, tem ampla e variada aplicação econômica na indústria de móveis, na construção civil e na indústria de papel e celulose. 5.7 Mata de Cocais Situada entre a floresta amazônica e a caatinga, a mata de cocais está presente nos estados do Maranhão e do Piauí e norte do Tocantins. No lado oeste, onde a proximidade com o clima equatorial da Amazônia a torna mais úmida, é frequente o babaçu e palmeiras que atingem de 15 a 20m de altura. Dos cocos do babaçu extrai-se o óleo, muito utilizado pelas indústrias alimentícias e de cosméticos. No lado mais seco, a leste, predomina a carnaúba, que pode atingir até 20m de altura. Das folhas da carnaúba é extraída a cera. 5.8 Mangue É uma formação vegetal composta de arbustos e espécies arbóreas que ocorrem em áreas de lagunas e restingas ao longo de todo o litoral. Nessa formação vegetal predominam troncos finos e raízes aéreas e respiratórias (ou raízes-escora), adaptadas à salinidade e a solos pouco oxigenados. Por ser rico em matéria orgânica, tem papel muito importante na reprodução e no abrigo de espécies da fauna marinha. 5.9 Restinga É uma vegetação própria de terrenos salinos, formada por ervas, arbustos e árvores. Predomina do litoral da Bahia ao do Rio de Janeiro e no do Rio Grande do Sul. Os destaques são a aroeira-de-praia e o cajueiro. 5.10 Floresta Amazônica Ocupa cerca de 40% do território brasileiro (área que abrange a totalidade da Região Norte, o norte de Mato Grosso e o oeste do Maranhão), estendendo-se ainda pelos países vizinhos (Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia), além da Guiana Francesa. É uma floresta latifoliada (do latim lati, que significa "largo"), ou seja, com predominância de espécies vegetais de folhas largas. Com características próprias de clima equatorial, tipicamente quente e bastante úmido, é também conhecida como hiléia. Apresenta grande heterogeneidade de espécies animais e vegetais e caracteriza-se por três diferentes matas: de igapó, várzea e terra firme. A mata de igapó corresponde à parte da floresta onde o solo se encontra inundado. Ocorre principalmente no baixo Amazonas e reúne espécies como liana, cipó, epífita, parasita e vitória-régia. A mata de várzea é própria das regiões que são periodicamente inundadas, denominadas terraços fluviais. Intermediárias entre os igapós e a terra firme, as espécies da mata de várzea têm formações variadas, como seringueira, palmeira, jatobá e maçaranduba. A altura dessas espécies aumenta à medida que se distanciam dos rios. As matas de terra firme correspondem à parte mais elevada do relevo. Com solo seco, livre de inundação, as árvores podem chegar a 65m de altura. O entrelaçamento de suas copas, em algumas regiões, impede quase totalmente a passagem de luz, o que torna seu interior muito úmido, escuro e pouco ventilado. Em terra firme encontram-se espécies como o castanheiro, o caucho e o guaraná. Os principais produtos extraídos da floresta são o guaraná, o látex e a castanha-do-pará. 5.11 Outras formações vegetais brasileiras O Mapa de Vegetação do Brasil reconstitui a situação da vegetação no território brasileiro na época do descobrimento pelos portugueses e mostra que no país ocorrem dois grandes conjuntos vegetacionais: um florestal, que ocupa mais de 60% do território nacional, e outro campestre. As formações florestais são constituídas pelas florestas ombrófilas (em que não falta umidade durante o ano) e florestas estacionais
  • 8. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 8 (em que falta umidade num período do ano), situadas tanto na região amazônica quanto nas áreas extra- amazônicas, mais precisamente na Mata Atlântica. Na Amazônia, predominam as florestas ombrófilas densas e abertas, com árvores de médio e grande porte, com ocorrência de cipós, bromélias e orquídeas. As florestas extra-amazônicas coincidem com as formações florestais que compõem a Mata Atlântica, onde predominam as florestas estacionais semideciduais (em que 20 a 50% das árvores perdem as folhas no período seco do ano), e as florestas ombrófilas densas e mistas (com araucária). Em ambos os conjuntos florestais ocorrem, em menor proporção, as florestas estacionais deciduais (em que mais de 50% das árvores perdem folhas no período seco). As formações campestres são constituídas pelas tipologias de vegetações abertas, mapeadas como: savana, correspondente ao Cerrado que predomina no Brasil central, ocorrendo também em pequenas áreas em outras regiões do país, inclusive na Amazônia; savana estépica que inclui a caatinga nordestina, os campos de Roraima, o Pantanal mato-grossense e uma pequena ocorrência no extremo oeste do Rio Grande do Sul; estepe que corresponde aos campos, do planalto e da campanha, do extremo sul do Brasil; e a campinarana, um tipo de vegetação decorrente da falta de nutrientes minerais no solo e que ocorre na Amazônia, na bacia do rio Negro. O mapa traz ainda a indicação das áreas das formações pioneiras, que abrigam a vegetação das restingas, dos manguezais e dos alagados, além das áreas de tensão ecológica, onde ocorrem os contatos entre tipos de vegetação, e os chamados refúgios vegetacionais onde a vegetação em geral é constituída por comunidades relíquias. Estão assinaladas no mapa as formações remanescentes, que correspondem à vegetação que permanece preservada ou pouco alterada, e os antropismos, ou seja, as áreas afetadas pelas atividades humanas. Estas, mapeadas como vegetação secundária e atividades agrárias, estão representadas no mapa por um pontilhado que recobre as cores que representam os tipos de vegetação original. Há vários tipos de vegetação, que se desenvolvem de acordo com os fatores climáticos – sobretudo umidade, temperatura e luz – fundamentais à realização de seus processos vitais. A maior diversidade de formações vegetais ocorre em regiões de baixa latitude (próximas do Equador), onde a chuva abundante, a alta temperatura e a luz intensas propiciam o aparecimento de milhares de espécies. À medida que se aproxima dos pólos, onde há escassez de luz e baixa temperatura, a variedade diminui. 6 PRODUÇÃO DE MUDAS FLORESTAIS As dimensões do viveiro dependem das espécies a serem cultivadas, do tempo que as mudas permanecerão no viveiro e do número de mudas a ser produzido. Em geral, para espécies arbóreas, considerando-se a produção em sacos de polietileno de 15 x30cm, tem-se a possibilidade de acomodar cerca de 55 sacos (mudas) em 1m2 de canteiro. Considerando a necessidade de reflorestamento, recomenda-se cerca de 50m2 de canteiro para cada hectare a ser povoado, quando as mudas forem para o campo com idade igual ou inferior a 12 meses. Considere-se neste cálculo as perdas por falta de germinação, as perdas por morte no viveiro e no campo, o que exigirá replantios. Quando se trabalha com espécies pouco conhecidas, deve-se ampliar a área de produção com vistas a compensar perdas e imprevistos que possam ocorrer. 6.1 Canteiros Canteiro para raiz nua Dentre os tipos de canteiro utilizados para a produção de mudas em raiz nua, os mais utilizados são os diretamente no solo e os canteiros com anteparos laterais. A proteção lateral pode ser feita com vários materiais, dependendo da disponibilidade de recursos e da facilidade de obtenção, podendo vir a ser utilizados: madeira, bambu, tijolos, concreto etc. Canteiros para embalagens Devem apresentar uma largura que permita o manuseio das mudas centrais (1 metro de largura), o comprimento pode variar sendo os mais adotados os de 10 a 20 metros. A instalação deve posicionar-se
  • 9. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 9 longitudinalmente no sentido leste-oeste para permitir uma insolação uniforme. O terreno deve ter um rebaixamento para o acomodamento das embalagens. Outra possibilidade é a utilização do solo como bordadura, ou ainda a montagem de molduras com materiais diversos, como tijolo, madeira, arame, taquara e concreto. Cobertura morta de canteiros Visa conservar a umidade necessária, proporcionando emergência mais homogênea; proteger as sementes de chuvas, fortes regas e oscilações de temperatura na superfície do canteiro após a semeadura. A cobertura dos canteiros também protege as raízes novas e mais finas das plântulas logo após a emergência. Os materiais mais utilizados para cobertura de canteiros são: Casca de arroz; Pó de carvão vegetal; Capim picado; Folhas de palmeiras; Acícula seca picada; Vermiculita etc. Deve-se evitar o uso de serragem ou outros materiais que possam conter tanino, resinas, terebentina, ou outras substâncias tóxicas às mudas. Durante a decomposição dos derivados de madeira, parte do nitrogênio do solo é capturada pelas bactérias decompositoras, prejudicando a nutrição das mudas. Abrigo de canteiros Entende-se por abrigo uma proteção colocada a uma altura variável, usualmente até 50 cm, sobre a superfície de canteiros. A finalidade da proteção é estimular a percentagem de emergência, atuando contra baixas temperaturas, no inverno, e também protegendo contra forte insolação e intempéries com granizo e chuvas fortes no verão. Podem ser utilizados ripados de taquara e folhas de palmeira, sendo mais usual a tela de poliolefina (sombrite), que apresenta diferentes percentagens de sombreamento. Para espécies como o palmito (Euterpe edulis), é muito utilizado o sombrite de 50%; para o jacarandá da Bahia (Dalbergia nigra), é recomendado sombreamento entre 30 ou 50%; para a cupiúba (Goupia glabra), é recomendado o sombreamento de 30%. 6.2 Sementeiras São os locais onde as sementes são postas para germinar e posteriormente serem transplantadas para as embalagens (repicagem). Podem apresentar-se em duas formas: fixas ou móveis. As fixas são sementeiras instaladas em locais definitivos, geralmente visando produção de um número grande de mudas. As sementeiras móveis são montadas em recipientes com drenagem e volume compatível com as necessidades; podem ser feitas de madeira, plástico ou metal; e tem a facilidade de serem transportáveis. Devido a esta característica, a sementeira não pode ser muito grande, o que limita o número de mudas a serem produzidas. A instalação de canteiros e sementeiras é acompanhada da necessidade da instalação de um abrigo para a proteção das mudas recém repicadas ou plântulas. Deve-se deixar um intervalo entre os canteiros ou sementeiras que permita o desenvolvimento das atividades de produção. 6.3 Superação de dormência de Sementes Consiste em restituir às sementes a umidade que elas perderam durante o procedimento de sua retirada de frutos, cones ou secagem com fins de adequação do teor de umidade para o armazenamento em câmara fria. Superação de dormência tegumentar - Escarificação ácida As sementes são imersas em ácido sulfúrico, por um determinado tempo, que varia em função da espécie, à temperatura entre 19ºC e 25ºC, sendo, então, lavadas em água corrente e postas para germinar. - Imersão em água quente A imersão em água quente constitui-se num eficiente meio para superação da dormência tegumentar das sementes de algumas espécies florestais. A água é aquecida até uma temperatura inicial, variável entre espécies, onde as sementes são imersas e permanecem por um período de tempo também variável, de acordo com cada espécie.
  • 10. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 10 - Imersão em água fria Sementes de algumas espécies apresentam dificuldades para germinar, sem, contudo, estarem dormentes. A simples imersão das sementes em água, à temperatura ambiente (25ºC) por 24 horas, elimina o problema, que normalmente é decorrente de longos períodos de armazenamento, e que causa a secagem excessiva das sementes, impedindo-as de absorver água e iniciar o processo germinativo. - Escarificação mecânica Este método tem se mostrado bastante eficaz para a superação da dormência de algumas espécies florestais, em especial as leguminosas. O procedimento consiste, basicamente, em submeter às sementes a abrasão, através de cilindros rotativos, forrados internamente com lixa o que irá desgastar seu tegumento, proporcionando condições para que absorva água e inicie o processo germinativo. Para que se obtenham resultados positivos na utilização do processo, são necessárias algumas precauções, como o tempo de exposição das sementes à escarificação e a pureza do lote, pois sementes com impurezas comprometem a eficiência do tratamento. Superação de dormência embrionária - Estratificação a frio As sementes de algumas espécies florestais apresentam embrião imaturo, que não germina em condições ambientais favoráveis, necessitando de estratificação para completar seu desenvolvimento. Para a estratificação, o meio em que as sementes serão colocadas deve apresentar boa retenção de umidade e ser isento de fungos. Normalmente utiliza-se areia bem lavada que apresente grãos em torno de 2,0mm de diâmetro (média) para facilitar a posterior separação das sementes. O recipiente em que será colocado o meio deve permitir boa drenagem evitando-se a acumulação de água no fundo o que causa o apodrecimento das sementes. A temperatura requerida para a estratificação a frio está entre 2ºC e 4ºC, que pode ser obtida em uma geladeira ou câmara fria. As sementes são colocadas entre duas camadas de areia com 5cm de espessura. O período de estratificação varia de 15 dias para algumas espécies, até 6 meses para outras. Uma vez encerrado o período de estratificação, as sementes devem ser semeadas imediatamente, pois se forem secas poderão ser induzidas à dormência secundária; - Estratificação quente e fria A maturação dos frutos de algumas espécies ocorre no final do verão e início do outono, com temperaturas ambientais mais baixas. A estratificação quente e fria visa reproduzir as condições ambientais ocorridas por ocasião da maturação dos frutos. O procedimento é exatamente o mesmo descrito para a estratificação a frio, alterando-se temperaturas altas (25ºC por 16 horas e 15ºC por 8 horas) por um período, e temperaturas baixas (2ºC a 4ºC) por outro período. 6.4 Substrato Substrato é o meio em que as raízes se desenvolvem formando um suporte estrutural, fornecendo água, oxigênio e nutrientes para que a parte aérea das mudas se desenvolva. Os substratos destinados à produção de mudas devem atender a algumas exigências básicas: - Não deve ser passível de fermentação; - Deve ser passível de trituração; - Deve ter boa aeração; - Deve ser o mais amorfo possível; - Deve suportar umedecimento sem compactação (ter boa drenagem); - O pH deve ser de 4,5 a 5,5 para coníferas e de 6,0 a 6,5 para folhosas). Na produção de mudas em recipientes, o substrato mais utilizado é uma mistura de materiais, devidamente decompostos. Os principais componentes desta mistura são: turfa, cinza de caldeira, vermiculita, cascas de árvores e de arroz. A adubação mineral é introduzida à mistura.
  • 11. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 11 6.5 Semeadura Época de semeadura O plantio é realizado principalmente no período das chuvas, para atingir altos índices de sobrevivência. Outros fatores importantes a serem considerados na época do plantio são a rotação das espécies no viveiro e a resistência das espécies. Profundidade de semeadura A semeadura não deve ser superficial, pois as sementes recebem intenso calor do sol, não absorvendo umidade em quantidade adequada à germinação. Também não deve ser profunda, pelo fato de que o peso do substrato constitui um fator físico inibidor da emergência de plântulas. A profundidade ideal deverá variar com as dimensões e o vigor das sementes. Geralmente a profundidade não deverá ultrapassar de duas a três vezes a espessura da semente. Densidade de semeadura O desenvolvimento do sistema radicular é diretamente proporcional ao espaçamento das mudas no canteiro; O aumento da densidade diminui o padrão de qualidade das mudas; Altas densidades facilitam a disseminação de pragas e doenças; A densidade ideal varia conforme as espécies, o tamanho das sementes e a fertilidade do substrato; A determinação da densidade ideal é aquela que permite produzir o maior número de mudas sem prejudicar a qualidade das mesmas, isto deve ser determinado em cada caso. 6.6 Repicagem A repicagem é o transplante de uma plântula de um local para outro no mesmo viveiro. Comumente, aproveita-se a oportunidade para refugar as plântulas que apresentam algum tipo de deformação ou baixo vigor. Esta operação é executada manualmente no Brasil, de um recipiente onde há duas plântulas para outro recipiente onde nenhuma semente germinou. Não há tradição no país, do uso desta operação em viveiro de mudas de raiz nua. A repicagem não deve ser efetuada ao sol e deve seguir os seguintes procedimentos: Após o umedecimento da sementeira, retira-se a muda com o auxílio de uma lâmina, evitando ocasionar danos ao sistema radicular; Enquanto não ocorre o transplante para a embalagem, as mudas devem ficar em recipiente com água e à sombra; Com o tarugo cônico, o trabalhador do viveiro realiza movimentos circulares, após introduzi-lo no substrato que preenche a embalagem, formando um orifício para acomodar a muda; Se necessário, as raízes devem ser podadas para reduzir o volume radicular, facilitando a acomodação da muda no recipiente. Poderá ser utilizada uma lâmina afiada ou uma tesoura; Coloca-se a muda no orifício do recipiente com substrato, cuidando-se para evitar a formação de bolsa de ar. 6.7 Produção vegetativa de mudas Dentre as técnicas usadas para a propagação de plantas, destacam-se aquelas em que se utilizam partes vegetativas para produzir outros indivíduos a partir de uma determinada planta ou de um grupo particular de indivíduos cujas características constituem objeto de interesse. Também chamada de assexuada ou vegetativa este tipo de propagação de plantas tem a peculiaridade de produzir indivíduos geneticamente idênticos àqueles que os originaram, razão pela qual essa técnica é também chamada de propagação clonal. A produção de plantas geneticamente idênticas neste tipo de procedimento, deve-se ao fato do processo reprodutivo não envolver a união de gametas e sim a multiplicação de células somáticas, as quais encerram, em seus núcleos, as informações genéticas de cada indivíduo, que neste caso, são simplesmente transferidas pelas partes vegetativas, que passam a constituir os novos indivíduos ou clones, como são mais frequentemente denominados.
  • 12. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 12 A propagação clonal apresenta algumas características que têm contribuído para a sua popularização entre as quais sobressaem-se:  Facilidade operacional para um número considerável de espécies de plantas;  Garantia de transferência das características desejáveis;  Produção de um grande número de indivíduos a partir de poucas plantas-matrizes;  Independência em relação à oferta de propágulos, à quantidade dessas estruturas (sementes) e a sua capacidade de germinação;  Crescimento mais rápido das mudas produzidas. Em se tratando de espécies arbóreas essas vantagens são particularmente relevantes, pois implicam principalmente em ganhos genéticos maiores, quando comparados àqueles proporcionados pela reprodução sexuada, somados a uma maior eficiência em relação ao tempo, haja vista que com a propagação assexuada eliminam-se diversas etapas do ciclo vegetativo, obtendo-se indivíduos geneticamente adultos. Além de abreviar o tempo necessário para se obter plantas adultas, a propagação assexuada propicia uma maior homogeneidade dos indivíduos, não apenas no que se refere ao genótipo, mas também aos aspectos de interesse prático como porte dos indivíduos, produtividade, dentre outras. Estaquia: Entende-se por estaquia a técnica de propagação de plantas que se utiliza de estacas constituídas por ramos, folhas ou raízes destacados de uma determinada planta e colocados em um meio adequado à emissão de raízes e ao desenvolvimento da parte aérea. A estaquia é certamente o método de maior viabilidade para a propagação vegetativa de plantas arbóreas e, particularmente, para as forrageiras nativas, pois proporciona a multiplicação de genótipos selecionados em menor período de tempo e a custos mais baixos, em relação às outras técnicas existentes para se proceder à multiplicação clonal de plantas. Os tipos de estacas comumente empregados neste processo são estacas de ramos, de folhas e de raízes. As estacas de ramos podem ser lenhosas, semilenhosas e herbáceas ou de ponteiros e constituem os tipos mais empregados na propagação de árvores. Mergulhia: Método de propagação utilizado pelo qual um ramo da planta é posto a enraizar quando ainda faz parte dela, não sendo apartado antes de completar seu enraizamento (Figuras 1, 2 e 3). Figura 1. Mergulhias contínua serpenteada e contínua chinesa ( MATTOS, 1976)
  • 13. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 13 Figura 2. Mergulhias contínua simples normal e simples invertida ( MATTOS, 1976) Figura 3. Mergulhias de cepa e área - alporquia ( MATTOS, 1976) Enxertia: É a operação que consiste em inserir partes de uma planta (Gema ou garfo) em outra que lhe sirva de suporte e que posteriormente possam viver em comum. Tipos:  Garfagem: em fenda, em fenda dupla, em fenda incrustada, em fenda lateral, em meia-fenda, em fenda e cavalo, a inglês simples, a inglês complicado (Figura 4);  Borbulhia: T normal e invertido, em janela, em cascudo e anelar (Figura 5). Figura 4. Métodos de enxertia por meio de garfagem ( MATTOS, 1976)
  • 14. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 14 Figura 5. Métodos de enxertia por meio de borbulhia ( MATTOS, 1976) 7 MÉTODOS DE PLANTIO DE ESPÉCIES FLORESTAIS O plantio pode ser realizado através de dois métodos: Plantio manual: consiste inicialmente de balisamento e alinhamento, abertura de covas, distribuição de mudas e plantio propriamente dito; Plantio mecanizado: consiste de um trator que transporta as mudas e abre a cova com um disco sulcador enquanto um operário distribui as mudas. Ao mesmo tempo, duas rodas convergentes fecham o sulco. As mudas mal plantadas são arrumadas por um operário que segue a máquina, sendo este processo utilizado para mudas de raiz nua. 8 TRATOS SILVICULTURAIS Limpeza A limpeza é realizada até que as plantas atinjam um porte suficiente para dominar a vegetação invasora e geralmente são feitas através de três métodos principais: -Limpeza manual: através das capinas nas entrelinhas ou de coroamento e por roçadas na entrelinha; -Limpeza mecanizada: utilização de grades, enxadas rotativas e roçadeiras; -Limpeza química: utilização de herbicidas. Combate às formigas A prevenção ao ataque das formigas cortadeiras deve ser realizada constantemente, através da vigilância e do combate na fase de preparo do solo, na qual a localização e o próprio combate são facilitados. As espécies mais comuns na região Sul são as dos gêneros Atta e Acromyrmex, geralmente combatidas com iscas granuladas distribuídas nos caminhos e olheiros. Replantio O replantio deverá ser realizado num período de 30 dias após o plantio, quando a sobrevivência deste é inferior a 90%. Poda ou desrama Esta operação visa melhorar a qualidade da madeira pela obtenção de toras desprovidas de nós. O controle do crescimento dos galhos, bem como sua eliminação, é uma prática aplicada às principais espécies de madeira. Os nós de galhos vivos causam menores prejuízos que os deixados por galhos mortos. Estes constituem sérios defeitos na madeira serrada.
  • 15. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 15 Ocasionalmente, as árvores também são podadas para prevenir a ocorrência de incêndios florestais e para favorecer acesso aos povoamentos, durante as operações de desbastes, inventário e combate à formiga. São dois os tipos de desrama: -Desrama natural: é bastante eficiente em floresta de eucalipto, sendo que nenhuma medida especial deve ser tomada a fim de promovê-la. O processo mais simples consiste em desenvolver e manter um estoque inicial denso, o que, além de manter os galhos inferiores pequenos, causa-lhes também a morte. -Desrama artificial: o objetivo mais tradicional desta prática é a produção de madeira limpa ou isenta de nós em rotação mais curta que a exigida com desrama natural. A desrama artificial pode ser feita também para prevenir os nós soltos, produzindo desta forma madeira com nós firmes. Este esforço pode não oferecer recompensas muito valiosas, porém envolve um período de espera menor. Desbaste Os desbastes são cortes parciais realizados em povoamentos imaturos, com o objetivo de estimular o crescimento das árvores remanescentes e aumentar a produção da madeira utilizável. Nesta operação, removem-se as árvores excedentes, para que se possa concentrar o potencial produtivo do povoamento num número limitado de árvores selecionadas. Para determinar a intervenção, é preciso conhecer-se o incremento médio anual e corrente da floresta. Quando o incremento do ano passar a ser menor que o médio até a idade correspondente a ultima medição, tendendo, portanto a baixar a média geral da produção da floresta, este seria o ano para a sua intervenção. Esta análise é possível mediante a realização de inventários contínuos. Nos desbastes, as vantagens em consequência da competição devem ser, pelo menos em parte, preservadas. Assim, num programa de desbaste, para rotações relativamente longas, o número de árvores deve ser reduzido gradativamente, porém a uma taxa substancialmente mais rápida do que seria em condições naturais. A seleção das árvores a serem desbastadas é caracterizada da seguinte forma: -Posição relativa e condições de copa (dominantes); -Estado de sanidade e vigor das árvores; -Características de forma e qualidade do tronco. O principal efeito favorável do desbaste é estimular o crescimento em diâmetro das árvores remanescentes. A variação no diâmetro das árvores induzidas pelos desbastes é muito ampla. Desbastes leves podem não causar efeito algum sobre o crescimento, embora seja possível, em razão dos desbastes pesados, conseguir uma produção constituída de árvores com o dobro do diâmetro que, durante o mesmo tempo, elas teriam sem desbastes. Os desbastes também tendem a desacelerar a desrama natural e a estimular o crescimento dos galhos. A única vantagem disso é que os galhos permanecem vivos por mais tempo e, desse modo, reduz-se o número de nós soltos na madeira. Métodos de desbaste -Desbaste sistemático: Aplicados em povoamentos altamente uniformes, onde as árvores ainda não se diferenciaram em classes de copas. Aplicam-se em povoamentos jovens não desbastados anteriormente. É mais simples e mais barato. Permite mecanizar a retirada das árvores. -Desbaste seletivo: implica na escolha de indivíduos segundo algumas características, previamente estabelecidas, variadas de acordo com o propósito a que se destina a produção. As árvores removidas são sempre as inferiores, dominadas ou defeituosas. Este método é mais complicado, porém permite melhor resultado na produção e na qualidade da madeira grossa. 9 EXPLORAÇÃO SILVÍCOLA Idade de corte A condução dos talhões de eucalipto geralmente é realizada para corte aos sete, 14, e 21 anos. São três ciclos de corte para uma mesma muda original. De acordo com a região e o tipo de solo, o ciclo de corte
  • 16. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 16 poderá ser menor (a cada cinco ou seis anos). Tudo está ligado ao objetivo da plantação de eucalipto (lenha, carvão, celulose, mourões, poste, madeira de construção ou serraria). Limpeza da área para corte Quando o povoamento de eucalipto de um talhão atinge a idade para o primeiro corte, deve-se efetuar a limpeza do local. A eliminação do mato ralo e da capoeira existentes na área do eucalipto facilita os trabalhos de corte e retirada de madeira. Depois da limpeza da área, mas antes de se efetuar o corte das árvores, deve-se proceder uma vistoria para controle das formigas, pois estas são muito danosas e impedem a rebrota das cepas de eucalipto. Capacidade de rebrota das cepas de eucalipto A rebrota do eucalipto é variável conforme a espécie. As espécies E. saligna, E. urophylla e E. citriodora apresentam boa rebrota; já as espécies E. grandis e E. pilularis apresentam má brotação. Época de corte A capacidade de rebrota das cepas de eucalipto varia conforme a época. Geralmente a sobrevivência dos brotos é maior quando se cortam as árvores na época chuvosa (primavera). Altura de corte A altura de corte em relação ao terreno define a percentagem de sobrevivência das brotações. Deve-se cortar bem próximo do solo, deixando-se o mínimo de madeira na cepa da árvore. O corte deverá ser chanfrado ou em bisel. As espécies com boa brotação devem ser cortadas a uma altura média de 5 cm acima do solo. As espécies com baixa capacidade de rebrota deverão ser cortadas a uma altura de 10 a 15 cm da superfície do solo. Poderá ser feito a machado ou com motosserra. Diâmetro das cepas O vigor das brotações do eucalipto está ligado com o diâmetro das cepas. O número de brotos aumenta à medida que o diâmetro das cepas aumenta. 10 MANEJO DA BROTAÇÃO Limpeza das cepas Consiste em limpar-se ao redor das cepas de eucalipto, retirando-se a galhada, folhas, cascas, evitando o abafamento da brotação. Deve-se evitar que a madeira cortada seja empilhada sobre as cepas. A entrada de caminhão para retirada da madeira pode prejudicar as brotações. Não deve ser utilizado o fogo para limpeza da área, pois este é inimigo das brotações do eucalipto. Gradagem O eucalipto é exigente em solo bem preparado. Por isso, nas áreas de eucalipto em brotação devem ser realizadas gradagens entre as ruas de cepas. O uso da grade de discos elimina as ervas daninhas e poda as raízes das cepas, aumentando-lhes o vigor. Desbrota das cepas Quando os brotos apresentarem de 2,5 a 3m de altura, ou seja, após 10 a 12 meses do corte das árvores, efetua-se a desbrota. Isso deve ser feito no período quente e chuvoso, para garantir o crescimento da brotação. Conforme o tamanho da cepa deixa-se a seguinte quantidade de brotos: -Cepas menores que 8cm: apenas um broto; -Cepas maiores que 8cm: de dois a três brotos;
  • 17. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 17 Adubação para brotação Na véspera do corte das árvores, aplica-se de 100 a 150g de fertilizantes por cepa, da fórmula 10:30:10. A aplicação é feita nas entrelinhas do eucalipto, em sulco ou a lanço. As cepas têm melhor brotação. Interplantio Consiste no plantio de mudas ao lado do tronco de eucalipto que não tenha brotação. Por isso, de dois a três meses após o corte das árvores, efetua-se um levantamento das cepas não brotadas. Identifica-se os locais para o plantio. Plantam-se mudas bem desenvolvidas com seis a oito meses de idade, especialmente produzidas no viveiro. Devem-se abrir covas bem grandes, durante a estação chuvosa, ao lado das cepas mortas. O ideal é efetuar adubação de cova, a base de 150g da fórmula 10:30:10. 11 REFERÊNCIAS *ANDRADE, L. A. Silvicultura (Curso de Agronomia). Departamento de Fitotecnia e Ciências Ambientais, Centro de Ciências Agrárias – Campus II, Universidade Federal da Paraíba, 2010. Documento de Trabajo sobre los Bosques y Árboles Plantados. N.º 37/S. Roma. FAO. Ordenacíón Responsible de los Bosques Plantados: Directices Voluntárias, 2006. FORD-ROBERTSON, F.C. (Ed.) Terminology of forest science, technology practice and products. English-language version. Washington: Society of American Foresters, 1971. 349p. GOLFARI,L. & CASE,R.L. Zoneamento ecológico da região nordeste para experimentação florestal. Série Técnica PRODEPEF, Brasília,(10):1-115,1977. LAMPRECHT, H. Silvicultura nos Trópicos. Cooperação Técnica-RFA. Eschborn, 1990, 343 p. *Este material foi compilado com base no material do Prof. Dr. Leonaldo A. de Andrade do Centro de Ciências Agrária, Campus II, Areia, PB.
  • 18. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 18 ANEXO 1: Espécies de eucaliptos potencialmente aptas para introdução nas regiões climáticas do Nordeste (GOLFARI & CASE, 1977). Espécies Tipo Climático Úmido Subúmido úmido Subúmido Seco Semiárido Árido E. acmenioides - X x - - E. alba - - x X x E. brassiana X X x - - E. camaldulensis - X x X x E. citriodora - X x - - E. cloeziana X X x - - E. confertiflora - - x X - E. crebra - X x X - E. deglupta X - - - - E. dichromophloia - - - X X E. drepanophylla - X x X - E. exserta - - x X X E. grandis X X - - - E. microtheca - - - X X E. miniata - - x X - E. nesophila X X x - - E. papuana - - - X X E. pellita X X x - - E. phaeotricha X X - - - E. polycarpa - - - X X E. resinifera X X - - - E. saligna - - - - - E. tereticornis X X x - - E. tessellaris - - x X X E. tetrodonta - X x X - E. torelliana X X - - - E. urophylla X X x - - * Vide regiões no mapa da publicação original de Golfari & Case (1977).
  • 19. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 19 ANEXO 2: Latifoliadas indicadas para experimentação florestal nas regiões climáticas do Nordeste (GOLFARI & CASE, 1977). Espécies nativas Nome comum Clima Úmido Subúmido úmido Subúmido seco Semiárido Árido Alpeiba albiflora Pau de Jangada x x Aspidosperma pirifolium Pereiro x x Bagassa guianensis Tatajuba x x Bixa arborea Urucu x x Bowdichia virgilioides Sucupira x x x Bumelia sartorum Quixabeira x X Coesalpinia achinata Pau-brasil x x x Coesalpinia ferrea Jucá x x x Cassia excelsa Canafístula x x x Cedrela angustifolia Cedro x x Cordia goeldiana Freijó x x Didymopanax morototoni Sambaquim x Hancornia speciosa Mangabeira x X Manilkara huberi Maçaranduba x x Parkinsonia aculeata Turco x x x Pithecellobium polycephalum Camondongo x x x Schizolobium parahiba Guapuruvu x x x X Byrsonima crassifolia Murici x x Enterolobium contoticilicum Timbaúba Espécies exóticas Acacia albida Acacia nilótica X Acacia peuce X Acacia Senegal X Acrocarpos fraxinifolius x Anthocephalus cadamba x Cassia ciamea x x x Casuarina oligodon x x Dalbegia sissoo x
  • 20. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 20 Gmelina arbórea x x Khayna ivorensis x x Maesopsis eminij x x Nauclea diderrichij x x x Pterocarpus angolensis x Schorea robusta x x Swietenia mahogani x x Tamarindus indica x x Tectona grandis x x
  • 21. UFPB/CAVN - Curso Técnico em Agropecuária - Silvicultura 21 12 DENDROMETRIA BÁSICA Dendrometria tem por objetivo geral a determinação do volume das árvores e suas respectivas partes, bem como as existências de madeira numa dada área. Pretende saber também, a grandeza e volume dos principais produtos florestais. Para a consegui usa métodos e técnicas que permitam a medição das dimensões das florestas, das árvores e das suas partes. A palavra dendrometria é também conhecida como: dasometria, medição florestal, mensuração florestal e silvimetria. A dendrometria é aplicada com três principais objetivos: Objetivos comerciais - visando estimar com precisão o que se retira das florestas na compra e venda de material. Objetivos de ordenamento - na exploração do produto florestal, deve-se ter em mente o rendimento sustentado, onde o que se retira deve equivaler ao que cresce na mesma área. Para atingir este objetivo deve-se elaborar planos de ordenamento florestal a longo prazo, e para isso é preciso conhecer o desenvolvimento da floresta, por espécies e locais. Objetivos de pesquisa - para se determinar com precisão o desenvolvimento de uma floresta usam-se técnicas especiais que avançam sem parar em outras condições, o que exige a pesquisa detalhada sobre a sua adaptabilidade ou a busca de novas técnicas de aplicação específica. 13 INVENTÁRIO FLORESTAL RECONHECIMENTO E MENSURAÇÃO DO PATRIMÔNIO NATURAL: UM ESTUDO QUANTITATIVO PARA SUBSIDIAR EMPRESAS QUE OPERAM COM ATIVIDADES FLORESTAIS Com o uso da estatística, através de amostragem, ou seja, qualquer parte da população1 , se poderá se ter a possibilidade de que a amostragem possibilitará conhecer melhor uma população, ou seja a partir de amostras de árvores. A partir de análises entende-se seja possível obter-se informações que venham viabilizar um melhor entendimento contábil sobre uma árvore, para que ela seja tratada como um componente capaz de ser ativado pela entidade, e não ser apenas considerada como matéria prima (tora) por ocasião de sua comercialização ou transformação. O método de amostragem, nesse tipo de trabalho, pode ser viabilizado, considerando que normalmente as florestas têm grande número de árvores que se diversificam de acordo com espécie, família, tamanho, diâmetro etc., ou seja, podem produzir grande variedade de madeira destinada à comercialização. Importância da amostragem A amostragem tem sua importância, na medida em que irá possibilitar a que o trabalho seja realizado com um menor custo, bem como pequeno número de indivíduos pesquisados, devendo estar preocupada com três fatores considerados indispensáveis, ressalta MATTAR2 : Precisão: buscando a exatidão dos resultados de medições obtidas na amostra em relação à população, levando em consideração o erro amostral, sabendo-se que quanto menor o erro amostral, mais precisa será a amostra; 1 Fauze Najib MATTAR. Pesquisa de marketing. 1999. p. 262. 2 Idem, p. 275.
  • 22. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 22 Eficiência: quando esta se refere à medida de comparação entre diversos projetos amostrais. Pode-se dizer que um projeto é mais eficiente do que o outro se, sob condições específicas, trouxer resultados mais confiáveis, ao mesmo tempo em que estará produzindo resultados com maior precisão e menor custo. Correção: pela ausência de viés não amostrais na amostra. Uma amostra é dita correta se as medidas superestimadas e as subestimadas forem compensadas entre os membros da amostra, possibilitando para que não existam erros sistemáticos numa amostra correta. Amostragem em inventários florestais Um pressuposto necessário está relacionado ao conhecimento das diversas características qualitativas e quantitativas de uma população florestais são de fundamental importância para se avaliar a produção madeireira e para se obterem informações que permitam elaborar um adequado plano de manejo. Numa floresta pequena, para que sejam conhecidas as espécies pertencentes à população, pode-se aplicar a medição de todas as árvores, considerando que esta seja uma floresta de madeiras valiosas. A contabilidade ainda não adentrou nesta linha de mensuração de florestas para poder avaliar o seu verdadeiro potencial de comercialização. Sabe-se, entretanto, que uma floresta tem sua importância para o meio ambiente, sabe-se, ainda, que a madeira extraída de uma floresta, em forma de toras, tem grande potencial de comercialização e, dependendo do tipo de madeira seu valor assume diferentes posicionamentos nos mercados madeireiros. Na botânica para um levantamento florestal, ou seja, um inventário florístico, todas as árvores da população que interessam ao pesquisador devem ser medidas. Em inventários de grandes áreas, a medição individual de todas s árvores é praticamente impossível. O inventário florestal, que representa uma forma de conhecer a população, é um ramo da ciência florestal que trata dos métodos para que sejam obtidas informações detalhadas a respeito da cobertura vegetal, tais como: volume e crescimento das árvores, qualidade e quantidade das espécies distribuídas em florestas naturais ou implantadas. Essas informações servem de base para a organização de planos de exploração e formulação de uma política florestal regional ou nacional. As informações obtidas através de um inventário florestal são necessárias para o perfeito conhecimento dos recursos florestais e de suas potencialidades, contribuindo, portanto, para a elaboração de planos de manejo.3 Isto se deve pelo fato de o nível do inventário depender de seus objetivos e da disponibilidade de recursos financeiros existentes. Entretanto, de modo geral, os inventários florestais são classificados em três níveis principais, objetivando sempre a obtenção de informações que permitam decidir sobre a utilização econômica da floresta e desenvolver pesquisas científicas:  Inventários: 1. exploratório; 2. reconhecimento; 3. detalhado. Os inventários exploratórios têm como objetivos principais avaliar a cobertura vegetal e determinada região, sua localização, extensão e caracterização de tipos florestais. Nos inventários de reconhecimento, procura-se estudar a composição de espécies e a estimativa do volume total. Já nos inventários detalhados, as informações sobre a floresta devem possibilitar a elaboração de planos de manejo e de exploração florestal.4 Normalmente os inventários detalhados são realizados empregando-se métodos de amostragem apropriados, definidos pelas características da floresta, tais como: densidade, composição, homogeneidade ou heterogeneidade da distribuição diamétrica. O inventário florestal, feito por amostragem, é os meios mais apropriados de se obterem as estimativas dos parâmetros de uma população, considerando a soma de todas as unidades de amostras que possuem as características sobre as quais tem-se interesse e que podem ser qualificativas, como diâmetro, área basal, 3 J.A. SILVA. Inventário florestal. 1978. 4 Norfol Aristides RIOS. Amostragem com igual probabilidade de seleção e amostragem com probabilidade proporcional ao tamanho, em plantações de eucaliptos. 1993.
  • 23. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 23 volume, peso ou qualquer característica mensurável; e qualitativas, como forma, espécie, tipo de defeito, classe de copa ou qualquer observação descritível, porem não mensurável. A população pode ainda ser finita, quando contém o número definido de unidade de amostras ou infinita quando ocorrer o contrário. Dentre as vantagens dos inventários por amostragem, sobre o censo ou inventário 100%, está o fato de o primeiro ser mais barato, além de contar com o envolvimento de pessoal mais bem treinado, diminuindo, assim, a possibilidade de erros. E pelo fato de se trabalhar com amostras, isto é, uma parte da população, obtém-se maior rapidez na coleta e na análise dos dados. O fato de se trabalhar com uma parte da população propicia uma das desvantagens principais do inventário feito por amostragem, que é o erro de amostragem ou erro de estimação, relacionado com a precisão da amostragem, no sentido estritamente estatístico. Os métodos de amostragem probabilísticos com igual probabilidade de seleção empregam parcelas de áreas fixas de diversas formas e tamanhos para selecionar as árvores a serem medidas. A freqüência da medição das árvores de um dado tamanho nas parcelas de área fixa depende de sua ocorrência. Nos métodos de amostragem probabilística com probabilidade variada de seleção, a probabilidade de uma árvore ser selecionada é proporcional a alguma de suas características mensuráveis. Nesse método, as unidades amostra possuem dimensões variáveis: a cada árvore corresponde um tamanho de parcela que é proporcional a uma característica mensurável. Por isso, esse tipo de amostragem denomina-se, também, de amostragem com parcelas móveis ou variáveis. Entre os métodos não-probabilísticos podem-se citar a amostragem seletiva e a amostragem sistemática, em que a amostra é selecionada segundo algum critério pessoal ou de forma sistemática, não tendo uma base estatística para a comparação das estimativas. Tipos de amostragens Um método de amostragem é definido pelo tamanho da amostra, pela área das unidades de amostras, pelo seu número e sua distribuição, pela forma do levantamento a ser feito em cada unidade e pelo procedimento estatístico para se analisarem os resultados encontrados. O método de amostragem mais conveniente é aquele que permite selecionar um número de unidades de amostra representativo da população. Dessa forma pode-se obter conclusões sobre uma população, se as estatísticas obtidas na amostra diferirem casualmente dos correspondentes parâmetros da população. Para que isso possa acontecer, a escolha das unidades de amostra deve ser feita ao acaso, eliminando-se toda e qualquer interferência pessoal no processo de seleção. A principal vantagem dos métodos aleatórios é que eles permitem um cálculo preciso do erro de amostragem. Os métodos de amostragem probabilísticos são aqueles em que as unidades amostrais têm uma determinada probabilidade de serem incluídas na amostra. A probabilidade de uma unidade de amostra ser eleita depende do método de amostragem e o grau de precisão desejado das estimativas. Uma probabilidade conhecida não implica em igualdade de seleção para todas as unidades amostrais. Assim, têm-se métodos de amostragens com igual probabilidade de seleção e métodos de amostragens com desigual probabilidade ou com probabilidade variadas de seleção. Os métodos de amostragens não-probabilísticas são estabelecidos por critérios outros de seleção da amostra que não apresenta base estatística para comparação das estatísticas. Na amostragem seletiva, a escolha da amostra faz-se de acordo com um julgamento subjetivo do observador, que tem um conjunto de normas e referências, que de certo modo, ajudam-no a selecionar a amostra. Com essa amostragem, pode-se obter uma boa estimativa dos parâmetros da população, mas que não é expressa estatisticamente. Esse método tem sérias restrições quanto a seu emprego. A seleção subjetiva da amostra, às vezes demasiado parcial, leva a obter estimativas exageradas. Os resultados obtidos não têm a
  • 24. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 24 confiabilidade daqueles obtidos com o emprego de métodos de amostragem que se baseiam na teoria das probabilidades. Quando não se tem necessidade do cálculo do erro de amostragem, a seleção causal das unidades de amostras perde o sentido. Pode-se ter uma melhoria adicional na obtenção das estimativas, alocando as unidades de amostras mais uniformemente distribuídas, quando comparadas com as obtidas de unidades alocadas na forma casual. A amostragem sistemática é muita empregada nos trabalhos de inventários florestal. Porém, não há concordância a respeito da validade estatística das estimativas obtidas pelo método. Para que a estimativa do erro de amostragem seja válida é preciso que, pelo menos, duas unidades de amostras sejam sorteadas aleatoriamente. Amostragem com igual probabilidade de seleção da amostra A amostragem causal simples é o método básico de seleção probabilística em que, na seleção de uma amostra composta de n unidades de amostra, todas as possíveis combinações das n unidades teriam iguais oportunidades de serem selecionadas. Os métodos de amostragem são modificações desse e são elaboradas com a finalidade de se conseguir maiores precisões e, ou, economia. Em qualquer estágio da amostragem, a seleção de uma determinada unidade deve ser livre de escolha deliberada e inteiramente independente da seleção de todas as outras unidades. Numa amostragem causal simples, a população florestal é considerada como única e inteiramente composta pela N unidades de amostra espaciais de áreas fixas, que a cobrem. Quando se usam pontos de amostragem, o tamanho N pode ser considerado infinito. Nesse caso, uma amostra com n unidades é casualmente escolhida com igual probabilidade de seleção. As unidades de amostras ou parcelas podem ser selecionadas com ou sem reposição. Sendo o sorteio realizado com a reposição das parcelas, a população pode ser considerada infinita. Para essa prática, Stevenson5 , recomenda a regra de que seja feita a reposição quando o tamanho da amostra exceda a 5% do tamanho da população; caso contrário, a população é finita (...). Exemplo: Calcular o número mínimo de parcelas para inventariar uma área de 30 ha de Floresta Estacional (universo amostral) e respectivas estatísticas de erro de 10% numa probabilidade de confiança de 95%. Para o inventário serão utilizadas parcelas de 20x20m. 1. Realizar o Inventário Piloto 2. Calcular a densidade e a área basal dos indivíduos em cada parcela (Felfili et al., 2011) 5 Idem, p. 159.
  • 25. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 25 3. Calcular a média e a variância da densidade e da área basal (Felfili et al., 2011) 4. Determinar se a população é finita ou infinita (Felfili et al., 2011) 5. Selecionar a equação adequada para as populações (Felfili et al., 2011)
  • 26. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 26 6. Substituir os valores da equação e calcular o número de parcelas (Felfili et al., 2011) (...) A amostragem causal sem restrições tem a vantagem de produzir estimativas não tendenciosas, consistentes. Esse método de amostragem é aplicado nos inventários de pequenas áreas florestais, de fácil acesso e homogêneo nas características de interesse. A possibilidade de um estudo na Estação Científica Ferreira Penna tem peculiaridades que possibilitam a aplicação deste método, consideradas as necessárias observações do ponto de vista botânicos que venham subsidiar estudos para a Contabilidade. As principais restrições a esse método referem-se ao fato de que uma distribuição aleatória das unidades de amostra, amplamente dispersa sobre áreas, requer tempo de caminhada entre as unidades de amostras e há possibilidade de ocorrência de uma distribuição desigual das unidades de amostra sobre a população. Adicionam-se a isso, a existência de se idealizar um sistema de seleção causal de parcelas ou pontos de amostragem e a dificuldade de se locar, no campo, com posições dispersas, as unidades de amostra selecionadas. A amostragem estratificada é um método de amostragem com restrição quanto à eleição da amostra, porque as unidades de amostras são selecionadas separadamente, dentro de cada estrato. Nesse tipo de amostragem, a população é subdividida em subpopulações, denominados estratos, de tamanhos conhecidos. Posteriormente, uma amostra aleatória independente, composta de, no mínimo, duas unidades de amostras, é extraída de cada estrato. A justificativa teórica para a estratificação fundamenta-se na redução da variância da amostragem estratificada quando comparada com a amostragem causal simples. A seleção das unidades da amostras dentro de cada estrato pode ser feita de forma causal ou sistemática.
  • 27. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 27 A amostragem estratificada tem a vantagem de proporcionar estimativas independentes e precisas da média e da variância para cada estrato. Considerando-se igual intensidade de amostragem, ela é mais eficiente que a amostragem inteiramente causal, fornecendo estimativas mais precisas dos parâmetros da população; exigindo-se, no entanto, um conhecimento prévio do tamanho de cada estrato e da sua relação com a área total da população.6 Esses métodos utilizam parcelas de áreas fixas de diversas formas e tamanho. Essas parcelas podem ser alocadas na população em estudo, de forma permanente ou temporária. No caso das parcelas de áreas fixas, a seleção das árvores de um determinado tamanho depende da freqüência de sua ocorrência. Dessa forma, às vezes, encontra-se uma amostra com muitas árvores pequenas e poucas árvores de maiores portes, quando são estes os que mais interessam a determinados estudos. (...) (...) As florestas que são plantadas devem estar prontas para a comercialização de matéria prima num futuro que poderá ser estimado dependendo do tipo de vegetação. Neste sentido, a este ativo deverão ser incorporados o seu potencial de uso futuro, levando-se em consideração sua aceitação certa na comercialização pelo mercado consumidor. Essa mensuração da potencialidade do ativo para considerá-lo economicamente, tem relação diferente de uma entidade para outra, entretanto, esses cálculos para se chegar ao valor econômico deverão ser feitos de acordo com a relação que, por exemplo, uma floresta tenha para a entidade a qual ela pertença. Isto significa que uma reserva florestal que pertença ao estado terá um valor para este diferente de uma outra que pertença a uma empresa florestal, cuja sua atividade seja a de comercialização de toras de madeiras, mas para ambas deverá ser considerada a potencialidade do ativo florestal, levando-se em conta, ainda, o fator ambiental que para ambas deverá estar presente. Para a composição patrimonial, no caso de uma empresa de reflorestamento, alguns itens deverão ser considerados visando a avaliação patrimonial, ou seja: 1. Terreno, considerando sua potencialidade para a fertilidade florestal; 2. Tipo de árvores, considerando sua raridade, ocorrência, tipos de frutos; 3. Produtos que forem utilizados para garantir o florescimento e crescimento do vegetal de maneira sadia e em tempo apropriado à comercialização da matéria prima que irá gerar; 4. Mão-de-obra empregada para a atividade de plantio; 5. Outros insumos que eventualmente sejam necessários utilizar para que se possa no futuro ter uma floresta sadia e dotada de potencial para a comercialização. Alguns itens que irão compor o valor de uma floresta, preliminarmente, poderão ser considerados como intangíveis, entretanto, na medida em que as pesquisas relacionadas ao projeto forem sendo desenvolvidas esses itens deverão ir consolidando seu potencial como ativo permitir que sejam valorados naturalmente. Seria prematuro focalizar exatamente qual seja a forma de como esses valores possam ser retratados, entretanto, a literatura e a própria identidade contábil com o patrimônio indicam a existência de ativos intangíveis. A característica desses ativos para Martins7 , representam “[...] o grande grau de incerteza existente na avaliação dos futuros resultados que por eles poderão ser proporcionados. A dificuldade de mensuração não é, entretanto, restrição suficiente para uma definição”. Essa conotação deverá ser um novo desafio para a contabilidade, considerando que esta ciência tem as condições necessárias para poder avaliar uma situação e poder valorá-la. Portanto, as compatibilidades com as possibilidades deverão estar presentes e incorporar as ferramentas de que dispõem as ciências Botânicas, 6 Amostragem com igual probabilidade de seleção e amostragem com probabilidade proporcional ao tamanho, em plantações de eucaliptos. p. 11, 1993. 7 Idem, p. 54
  • 28. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 28 Engenharia Florestal e outras que possam oferecer condições para que a contabilidade possa dar a informação com maior precisão possível. Conclusão Cabe ressaltar que são duas realidades com as quais a contabilidade tem potencial tecnológico para manipulá-las, ou seja, 1) As florestas que dispõe os recursos com grande riqueza natural e patrimonial, mas que não estão devidamente valorizadas como deveriam, diante desta realidade os recursos disponibilizados pela botânica poderão favorecer para que a contabilidade possa vir a reconhecer esse patrimônio identificado, mas não mensurado contabilmente; 2) A estatística dispõe de recursos, através da amostragem para, com base em premissas, provocar que seja objetivada a similaridade entre elementos de uma determinada população, dando margem para que a partir de poucos elementos seja possível representar adequadamente as características de toda a população. Um outro aspecto é a discrepância entre os valores das variáveis da população e os valores dessas variáveis obtidos na amostra, de sorte que os parâmetros fiquem na média do fenômeno observado, considerando que os dados amostrais tenham sido adequadamente obtidos Com essas duas realidades, a contabilidade poderá realizar incursões para que sejam realizados levantamentos em florestas nativas e poder chegar a uma informação patrimonial que possa dar um novo enfoque no tratamento de florestas nativas, ou seja, reconhecer efetivamente o valor desse patrimônio, considerando que as empresas que trabalham com a comercialização de matéria prima oriundas de florestas, as tratam apenas pelas circunstâncias de seu potencial comercial, uma vez que a tora de madeira de lei tem mercados consumidos garantido. Neste sentido, acredita-se que com a introdução de um sistema de mensuração de florestas a entidade possa ser mais valorizada, já que a ela poderá ser incorporada à própria floresta (árvores) como ativos potenciais para gerar benefícios, além de a contabilidade poder dar um outro enfoque no que diz respeito às questões relacionadas ao meio ambiente. Bibliografia BORGER, Fernanda Gabriela. Valorização econômica do meio ambiente: aplicação da técnica avaliação contigente no caso da bacia do Guarapiranga. São Paulo, 1995. 142p. Tese (Mestrado) - Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. BRUCE, D, SCHUMACHER, F. Medicion florestal. México, DF: Editorial Herrero, 1965. BUSSAB, Wilton O., MORETTIN, Pedro A. Estatística básica. 4. ed. São Paulo: Atual, 1987. COUTO, Hilton Thadeu Z., MATISTA, João Luís Ferreira, RODRIGUES, Luiz Carlos E. Mensuração e gerenciamento de pequenas florestas. Documentos Florestais. Piracicaba (5):1-37, nov. 1989. ELYSEU, P.A. Pinto. TOULSON, L. A relascopia e o relascópio de espelho de bitterlich e um novo aparelho para medir altura das árvores. Lisboa: Blume Leiss, 1962, Secretaria de Agricultura. FERREIRA, Aracéli Cristina de Souza. Uma contribuição para a gestão econômica do meio ambiente - um enfoque de sistema de informação. São Paulo, 1998. 136p. Tese (Doutorado) - Faculdade de Economia, Administração e contabilidade da Universidade de São Paulo. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. - 3. ed. - totalmente revisada e ampliada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. GATTI, Bernardete A., FERES, Nagib Lima. Estatística Básica para Ciências Humanas. São Paulo: Alfa-Omega, 1975. HENDRIKSEN, Eldon S & BREDA, Michael F. Teoria da Contabilidade. - tradução de Antonio Zorato Sanvicente - 5. ed. - São Paulo: Atlas, 1999. HUSCH, B. MILLER, C.I., BEERS, T.W. Forest mensuration. - 2. ed. - New York: John Wiley & Sons, 1972. IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da contabilidade. - 5. ed. - São Paulo: Atlas, 1997. JENSEN, Robert E. Phantasmagoric Accounting: research and analysis of economic, social and environmental impact of corporate business. Sarasota/Florida: American Accounting Association, 1976. LAKATOS, Eva Maria, MARCONI, Marina de Andrade. Técnicas de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1999. LAKATOS, Eva Maria, MARCONI, Maria de Andrade. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1992. LAPPONI, Juan Carlos. Estatística usando Excel 5 e 7. São Paulo: Lapponi Treinamento e Editora, 1997.
  • 29. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 29 LISBOA, Pedro Luiz Braga, FERRAZ, Maria das Graças. Estação Científica “Ferreira Penna”: Ciência & Desenvolvimento sustentável na Amazônia. - Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, 1999. LISBOA, Pedro Luiz Braga. Caxiuanã. - Belém: Museu Paraense Emilio Goeldi, 1977 LOOMIS, John B. Measuring general public preservation values forest resources: evidence from contingent valuation surveys. In: ADAMOWICZ, W.L., BOXALL, P.C., LUCKERT, M.K., et. al. UK: Biddles, 1996. chapter six., p. 91-102. MATTAR, Fauze Najib. Pesquisa em marketing: metodologia, planejamento.- 5. ed. - São Paulo: Atlas, 1999. MARCONI, Marina de Andrade, LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisas, amostragem e técnicas de pesquisa, elaboração, análise e interpretação de dados. 4. Ed. ed. São Paulo: Atlas, 1999. MARTINS, Gilberto de Andrade, FONSECA, Jairo Simon da. Curso de estatística. 6. ed. São Paulo: Atlas, 1996. MOTTA, Ronaldo Seroa da. Manual para valorização econômica de recursos ambientais. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, 1998. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Conferência de las Naciones Unidas sobre comercio y desarrollo. Contabilidad y presentación de informes financieros sobre costos y responsabilidades ambientales. Genebra: ONU, 1999. PAULA, José Elias, ALVES, José Luiz de Hamburgo. Madeiras nativas: anatomia, dendrologia, dendrometria, produção e uso. Brasília: Fundação Mokite Okada-MOA, 1997. REIS, Antonio Esteves dos. Modelos de razão para estimar a biomassa de árvores individuais da floresta tropical úmida de terra-firme da amazônia brasileira. Minas Gerais, 1997, 74p. Tese (Magister Scientiae), Universidade Federal de Viçosa. RIBEIRO, Maisa de Souza. Contabilidade e o meio ambiente. Dissertação de mestrado. São Paulo: FEA/USP, 1992. RIOS, Norfol Aristides. Amostragem com igual probabilidade de seleção e amostragem com probabilidade proporcional ao tamanho, em plantações de eucaliptos. Minas Gerais, 1993, 154p. Dissertação (Magister Scientiae), Universidade Federal de Viçosa. SILVA, Edgar de Lima. Uma contribuição da contabilidade ao acompanhamento das atividades do setor madeireiro na Amazônia paraense. São Paulo: 2003, 208. Dissertação (Mestre), Universidade de São Paulo / Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade. SILVA, Elias. Avaliação técnica e sócio-econômica da atividade exploração florestal nas pequenas e médias propriedades rurais da zona da mata mineira. Minas Gerais, 1986. 96p. Tese (Magister Scientiae ) - Universidade Federal de Viçosa. SOUZA, Liêda Amaral de & RODRIGUES, Raimundo Nonato. Dificuldades na Contabilização dos efeitos Ambientais. - Portugal: CD-Ron - Anais do VI Congresso Internacional de Custos, 1999. STEVENSON, William J. tradução Alfredo Alves de Farias. Estatística aplicada à administração. São Paulo: Harbra, 1986. VIEIRA, Maria Gláucia Legaspe. Tamanho e número de parcelas para amostragem do estrato arbóreo num trecho de floresta secundária do Parque Estadual de Carlos Botelho. Piracicaba/SP. 1999. 69p. dissertação (Mestrado) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. ZEVALLOS, José Islas. El rol del proyecto especial pichis-palcazu en el desarrollo social y economico de la selva central. Seminario sobre extraccion y transformacion forestal. Pucallpa/Peru, Documento de trabajo n. 1, diciembre, 1981. (...) FELFILI, M. F.; EISENLOHR, P. V.; MELO, M. M. R. F.; ANDRADE, L. A.; MEIRA NETO, J. A. A. Fitossociologia no Brasil: Métodos e Estudos de Casos. vol. 1, Viçosa, MG, ed. UFV, 2011. Disponível em: www.dcc.uem.br/enfoque/new/enfoque/data/1195816868.doc 14 CÁLCULO PARA ESTIMAR O VOLUME COMERCIAL DA MADEIRA O volume total de madeira existente em uma dada área (por exemplo, 1 hectare) é o resultado da soma do volume de cada uma das árvores localizadas naquela área. Para calcular o volume de cada árvore devem-se utilizar as informações sobre a circunferência à altura do peito (CAP) ou diâmetro à altura do peito (DAP), altura comercial e qualidade do tronco (volume efetivamente aproveitável de cada árvore) nas fórmulas: V = Volume de madeira comercial expresso em metros cúbicos. CAP = Circunferência à altura do peito expressa em centímetros. DAP = Diâmetro à altura do peito expresso em centímetros.
  • 30. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 30 A = Altura comercial em metros. FA = Fator de aproveitamento relacionado à proporção aproveitável do tronco apresentado na Tabela 1: F = Fator de forma referente à conicidade da tora (relacionado com a curvatura), geralmente igual a 0,7. 0,00007854 e 125663,7 = constantes. Exemplo: Veja como calcular o volume de uma árvore com 13 metros de altura comercial, 74 cm de DAP e um fuste de qualidade boa (fator 0,9; Tabela 1). V= 0,00007854 x (74)2 x 13,0 x 0,9 = 5,03 m3 (fórmula do diâmetro) Para obter o volume total por hectare é só repetir o cálculo para todas as árvore e depois somar. O cálculo pode ser feito em uma planilha eletrônica (por exemplo, Excel ou Access) ou mesmo com uma simples calculadora. Disponível em: http://www.manejoflorestal.org/guia.cfm?cap=2 15 SISTEMAS AGROFLORESTAIS Podemos entender sistemas agroflorestais como formas de uso e manejo da terra, nas quais árvores ou arbustos são utilizados em conjunto com a agricultura e/ou com animais numa mesma área, de maneira simultânea ou numa seqüência de tempo. Eles devem incluir pelo menos uma espécie florestal arbórea ou arbustiva, a qual pode ser combinada com uma ou mais espécies agrícolas e/ou animais, isso porque esta espécie florestal fornece produtos úteis ao produtor, além de preencher um papel importante na manutenção da fertilidade dos solos. Os SAFs são a imitação da cobertura vegetal da floresta, sendo o aspecto diversificação a essência e seu fundamento. Essa perspectiva favorece a recuperação da produtividade de solos degradados através de espécies arbóreas implantadas, que adubam naturalmente o solo, reduzindo a utilização de insumos externos e, com isso, os custos de produção e aumentando a eficiência econômica da unidade produtiva. Além disso, a maior diversificação representa mais produtos comercializáveis, favorecendo uma geração de renda mais harmônica no tempo. Esse contexto é muito adequado para a pequena produção familiar. Os sistemas agroflorestais podem ser classificados em:  Sistemas silvi-agrícolas - combinação de árvores ou arbustos com espécies agrícolas.  Sistemas silvipastoris - combinação de árvores ou arbustos com plantas forrageiras herbáceas e animais.  Sistemas agrossilvipastoris - criação ou manejo de animais em consórcios silvi-agrícolas.
  • 31. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 31 Várias são as técnicas possíveis de se usar nos SAFs. Dentre as principais destacam-se: quebra-ventos, abrigos de proteção, cercas-vivas, Taungya (plantio periódico de árvores e culturas agrícolas), aléias (árvores permanentes nas curvas de nível), quintais agroflorestais, agroflorestas não sucessionais (árvores associadas com cultivos agrícolas) e a agroflorestas sucessionais. Aspectos biológicos 1) Otimização na utilização do espaço da propriedade pelo aproveitamento dos diferentes estratos verticais (vegetação rasteira, arbustos, árvores altas), resultando em maior produção de biomassa (quantidade de matéria orgânica gerada pelas plantas). 2) Melhoramento das características químicas, físicas e biológicas do solo. Isso ocorre graças à decomposição e incorporação da matéria orgânica e penetração das raízes das árvores no solo. Os diferentes comprimentos de raízes existentes no solo, com a presença de árvores, auxiliam também na redução potencial da erosão. 3) A produção total obtida de uma mistura de árvores e culturas agrícolas ou criações de animais é freqüentemente maior que a produzida nas monoculturas. 4) Maior facilidade em se adaptar a um manejo agroecológico, à medida que a diversidade de espécies torna todo o sistema mais vigoroso, dispensando o uso de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos. 5) Redução do risco de perda total da cultura principal, já que os possíveis ataques de pragas e doenças são distribuídos entre várias espécies de plantas, diminuindo os danos à cultura de maior valor comercial. 6) Permite o uso econômico da sombra. O rebanho bovino e culturas como o palmito, a banana e a erva mate se beneficiam da sombra de outras árvores. Aspectos Econômicos e Sociais 1) Fornecimento de uma maior variedade de produtos e/ou serviços da mesma área de terra. Esses produtos podem ser: alimentos, lenha, adubo verde, plantas medicinais e ornamentais, sombra, quebra-ventos e embelezamento da paisagem. 2) Promove uma distribuição mais uniforme do serviço e da receita gerada, devido a um trabalho contínuo e à obtenção de diversas colheitas. 3) A diversidade de produtos colhidos reduz dois tipos de risco: o de impacto econômico derivado da flutuação de preços no mercado e o de perda total da colheita, quando se tem uma única cultura. 4) A associação de culturas anuais (como grãos) ou de ciclo curto (como hortaliças) juntamente com as árvores reduz os custos de implantação do sistema agroflorestal. No longo prazo, o custo também é minimizado quando as árvores começam a gerar produtos comercializáveis, como madeira e frutas, por exemplo. Disponível em: http://www.apremavi.org.br/cartilha-planejando/como-fazer-sistemas-agroflorestais/
  • 32. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 32 ANEXO 3: Tabela trigonométrica Disponível em: http://www.somatematica.com.br/emedio/tabtrig.php Ângulo sen cos tg 1 0,017452 0,999848 0,017455 2 0,034899 0,999391 0,034921 3 0,052336 0,99863 0,052408 4 0,069756 0,997564 0,069927 5 0,087156 0,996195 0,087489 6 0,104528 0,994522 0,105104 7 0,121869 0,992546 0,122785 8 0,139173 0,990268 0,140541 9 0,156434 0,987688 0,158384 10 0,173648 0,984808 0,176327 11 0,190809 0,981627 0,19438 12 0,207912 0,978148 0,212557 13 0,224951 0,97437 0,230868 14 0,241922 0,970296 0,249328 15 0,258819 0,965926 0,267949 16 0,275637 0,961262 0,286745 17 0,292372 0,956305 0,305731 18 0,309017 0,951057 0,32492 19 0,325568 0,945519 0,344328 20 0,34202 0,939693 0,36397 21 0,358368 0,93358 0,383864 22 0,374607 0,927184 0,404026 23 0,390731 0,920505 0,424475 24 0,406737 0,913545 0,445229 25 0,422618 0,906308 0,466308 26 0,438371 0,898794 0,487733 27 0,45399 0,891007 0,509525 28 0,469472 0,882948 0,531709 29 0,48481 0,87462 0,554309 30 0,5 0,866025 0,57735 31 0,515038 0,857167 0,600861 32 0,529919 0,848048 0,624869 33 0,544639 0,838671 0,649408 34 0,559193 0,829038 0,674509 35 0,573576 0,819152 0,700208 36 0,587785 0,809017 0,726543 37 0,601815 0,798636 0,753554 38 0,615661 0,788011 0,781286 39 0,62932 0,777146 0,809784 40 0,642788 0,766044 0,8391 41 0,656059 0,75471 0,869287 42 0,669131 0,743145 0,900404 43 0,681998 0,731354 0,932515 44 0,694658 0,71934 0,965689 45 0,707107 0,707107 1 Ângulo sen cos tg 46 0,71934 0,694658 1,03553 47 0,731354 0,681998 1,072369 48 0,743145 0,669131 1,110613 49 0,75471 0,656059 1,150368 50 0,766044 0,642788 1,191754 51 0,777146 0,62932 1,234897 52 0,788011 0,615661 1,279942 53 0,798636 0,601815 1,327045 54 0,809017 0,587785 1,376382 55 0,819152 0,573576 1,428148 56 0,829038 0,559193 1,482561 57 0,838671 0,544639 1,539865 58 0,848048 0,529919 1,600335 59 0,857167 0,515038 1,664279 60 0,866025 0,5 1,732051 61 0,87462 0,48481 1,804048 62 0,882948 0,469472 1,880726 63 0,891007 0,45399 1,962611 64 0,898794 0,438371 2,050304 65 0,906308 0,422618 2,144507 66 0,913545 0,406737 2,246037 67 0,920505 0,390731 2,355852 68 0,927184 0,374607 2,475087 69 0,93358 0,358368 2,605089 70 0,939693 0,34202 2,747477 71 0,945519 0,325568 2,904211 72 0,951057 0,309017 3,077684 73 0,956305 0,292372 3,270853 74 0,961262 0,275637 3,487414 75 0,965926 0,258819 3,732051 76 0,970296 0,241922 4,010781 77 0,97437 0,224951 4,331476 78 0,978148 0,207912 4,70463 79 0,981627 0,190809 5,144554 80 0,984808 0,173648 5,671282 81 0,987688 0,156434 6,313752 82 0,990268 0,139173 7,11537 83 0,992546 0,121869 8,144346 84 0,994522 0,104528 9,514364 85 0,996195 0,087156 11,43005 86 0,997564 0,069756 14,30067 87 0,99863 0,052336 19,08114 88 0,999391 0,034899 28,63625 89 0,999848 0,017452 57,28996 90 1 0 -
  • 33. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 33 ANEXO 4: Tabela do teste t (Student) Disponível em: http://www.somatematica.com.br/estat/tabelat.php gl/P 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,05 0,02 0,01 0,001 1 0,158 0,325 0,51 0,727 1 1,376 1,963 3,078 6,314 12,706 31,821 63,657 636,619 2 0,142 0,289 0,445 0,617 0,816 1,061 1,386 1,886 2,92 4,303 6,965 9,925 31,598 3 0,137 0,277 0,424 0,584 0,765 0,978 1,25 1,638 2,353 3,182 4,541 5,541 12,924 4 0,134 0,271 0,414 0,569 0,741 0,941 1,19 1,533 2,132 2,776 3,747 4,604 8,61 5 0,132 0,267 0,408 0,559 0,727 0,92 1,156 1,476 2,015 2,571 3,365 4,032 6,869 6 0,131 0,265 0,404 0,553 0,718 0,906 1,134 1,44 1,943 2,447 3,143 3,707 5,959 7 0,13 0,263 0,402 0,549 0,711 0,896 1,119 1,415 1,895 2,365 2,365 3,499 5,408 8 0,13 0,262 0,399 0,546 0,706 0,889 1,108 1,397 1,86 2,306 2,896 3,355 5,041 9 0,129 0,261 0,398 0,543 0,703 0,883 1,1 1,383 1,833 2,262 2,821 3,25 4,781 10 0,129 0,26 0,397 0,542 0,7 0,879 1,093 1,372 1,812 2,228 2,764 3,169 4,587 11 0,129 0,26 0,396 0,54 0,697 0,876 1,088 1,363 1,796 2,201 2,718 3,106 4,437 12 0,128 0,259 0,395 0,539 0,695 0,873 1,083 1,356 1,782 2,179 2,681 3,055 4,318 13 0,128 0,259 0,394 0,538 0,694 0,87 1,079 1,35 1,771 2,16 2,65 3,012 4,221 14 0,128 0,258 0,393 0,537 0,692 0,868 1,076 1,345 1,761 2,145 2,624 2,977 4,14 15 0,128 0,258 0,393 0,536 0,691 0,866 1,074 1,341 1,753 2,131 2,602 2,947 4,073 16 0,128 0,258 0,392 0,535 0,69 0,865 1,071 1,337 1,746 2,12 2,583 2,921 4,015 17 0,128 0,257 0,392 0,534 0,689 0,863 1,069 1,333 1,74 2,11 2,567 2,898 3,965 18 0,127 0,257 0,392 0,534 0,688 0,862 1,067 1,33 1,734 2,101 2,552 2,878 3,922 19 0,127 0,257 0,391 0,533 0,688 0,861 1,066 1,328 1,729 2,093 2,539 2,861 3,883 20 0,127 0,257 0,391 0,533 0,687 0,86 1,064 1,325 1,725 2,086 2,528 2,845 3,85 21 0,127 0,257 0,391 0,532 0,686 0,859 1,063 1,323 1,721 2,08 2,518 2,831 3,819 22 0,127 0,256 0,39 0,532 0,686 0,858 1,061 1,321 1,717 2,074 2,508 2,819 3,792 23 0,127 0,256 0,39 0,532 0,685 0,858 1,06 1,319 1,714 2,069 2,5 2,807 3,767 24 0,127 0,256 0,39 0,531 0,685 0,857 1,059 1,318 1,711 2,064 2,492 2,797 3,745 25 0,127 0,256 0,39 0,531 0,684 0,856 1,058 1,316 1,708 2,06 2,485 2,787 3,726 26 0,127 0,256 0,39 0,531 0,684 0,856 1,058 1,315 1,706 2,056 2,479 2,779 3,707 27 0,127 0,256 0,389 0,531 0,684 0,856 1,057 1,314 1,703 2,052 2,473 2,771 3,69 28 0,127 0,256 0,389 0,53 0,683 0,856 1,056 1,313 1,701 2,048 2,467 2,763 3,674 29 0,127 0,256 0,389 0,53 0,683 0,854 1,055 1,311 1,699 2,045 2,462 2,756 3,659 30 0,127 0,256 0,389 0,53 0,683 0,854 1,055 1,31 1,697 2,042 2,457 2,75 3,646 40 0,126 0,255 0,388 0,529 0,681 0,851 1,05 1,303 1,684 2,021 2,423 2,704 3,551 60 0,126 0,254 0,387 0,527 0,679 0,848 1,046 1,296 1,671 2 2,39 2,66 3,46 120 0,126 0,254 0,386 0,526 0,677 0,845 1,041 1,289 1,658 1,98 2,358 2,617 3,373 i 0,126 0,253 0,385 0,524 0,674 0,842 1,036 1,282 1,645 1,96 2,326 2,576 3,291
  • 34. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 34 ANEXO 5: Planilha para inventário florestal e levantamento fitossociológico (Mata Nativa 2) DATA PARCELA NUM. ÁRV. NOME VULGAR NOME CIENTÍFICO ALTURA CAP DAP
  • 35. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 35 16 LEGISLAÇÃO FLORESTAL BRASILEIRA Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4771compilado.htm Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 4.771, DE 15 DE SETEMBRO DE 1965. Institui o novo Código Florestal. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1° As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendo-se os direitos de propriedade, com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem. § 1o As ações ou omissões contrárias às disposições deste Código na utilização e exploração das florestas e demais formas de vegetação são consideradas uso nocivo da propriedade, aplicando-se, para o caso, o procedimento sumário previsto no art. 275, inciso II, do Código de Processo Civil. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) § 2o Para os efeitos deste Código, entende-se por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) (Vide Decreto nº 5.975, de 2006) I - pequena propriedade rural ou posse rural familiar: aquela explorada mediante o trabalho pessoal do proprietário ou posseiro e de sua família, admitida a ajuda eventual de terceiro e cuja renda bruta seja proveniente, no mínimo, em oitenta por cento, de atividade agroflorestal ou do extrativismo, cuja área não supere: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) a) cento e cinqüenta hectares se localizada nos Estados do Acre, Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia, Amapá e Mato Grosso e nas regiões situadas ao norte do paralelo 13o S, dos Estados de Tocantins e Goiás, e ao oeste do meridiano de 44o W, do Estado do Maranhão ou no Pantanal mato-grossense ou sul-mato-grossense; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) b) cinqüenta hectares, se localizada no polígono das secas ou a leste do Meridiano de 44º W, do Estado do Maranhão; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) c) trinta hectares, se localizada em qualquer outra região do País; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) II - área de preservação permanente: área protegida nos termos dos arts. 2o e 3o desta Lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) III - Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) IV - utilidade pública: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) a) as atividades de segurança nacional e proteção sanitária; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) b) as obras essenciais de infraestrutura destinadas aos serviços públicos de transporte, saneamento e energia e aos serviços de telecomunicações e de radiodifusão; (Redação dada pela Lei nº 11.934, de 2009)
  • 36. UFPB/CAVN - SILVICULTURA para Técnicos Agrícolas 36 c) demais obras, planos, atividades ou projetos previstos em resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente - CONAMA; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) V - interesse social: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) a) as atividades imprescindíveis à proteção da integridade da vegetação nativa, tais como: prevenção, combate e controle do fogo, controle da erosão, erradicação de invasoras e proteção de plantios com espécies nativas, conforme resolução do CONAMA; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) b) as atividades de manejo agroflorestal sustentável praticadas na pequena propriedade ou posse rural familiar, que não descaracterizem a cobertura vegetal e não prejudiquem a função ambiental da área; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) c) demais obras, planos, atividades ou projetos definidos em resolução do CONAMA; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) VI - Amazônia Legal: os Estados do Acre, Pará, Amazonas, Roraima, Rondônia, Amapá e Mato Grosso e as regiões situadas ao norte do paralelo 13o S, dos Estados de Tocantins e Goiás, e ao oeste do meridiano de 44o W, do Estado do Maranhão. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (Redação dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. (Incluído pela Lei nº 6.535, de 1978) (Vide Lei nº 7.803 de 18.7.1989) Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo.(Incluído pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989) Art. 3º Consideram-se, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas;