Argumentação

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Argumentação

  1. 1. ARGUMENTAÇÃOARGUMENTAÇÃO““Mil e uma noites”Mil e uma noites”Cosette AlvesCosette Alves
  2. 2. ARGUMENTOARGUMENTO• (...) razão, raciocínio que conduz à indução ou(...) razão, raciocínio que conduz à indução oudedução de algo;dedução de algo;• prova que serve para afirmar ou negar um fato;prova que serve para afirmar ou negar um fato;• recurso para convencer alguém, para alterar-lhe arecurso para convencer alguém, para alterar-lhe aopinião ou o comportamentoopinião ou o comportamento (...)(...)Fonte: Dicionário HouaissFonte: Dicionário HouaissVem do latimVem do latim argumentumargumentum, onde a raiz, onde a raiz arguargu-- significasignificafazer brilharfazer brilhar,, iluminariluminar..
  3. 3. PROCESSO DE COMUNICAÇÃOPROCESSO DE COMUNICAÇÃOEMISSOR RECEPTORAlguém quefala/escreve(1ª pessoa)Alguém queescuta/lê(2ªpessoa)MENSAGEM(O diálogo, texto)Traz uma idéia, visão demundo que o emissor querque o receptor faça ouacredite.
  4. 4. Construção ArgumentativaConstrução Argumentativa
  5. 5. ANÁLISE DE UM TEXTOANÁLISE DE UM TEXTOARGUMENTATIVOARGUMENTATIVOAuditório: PARTICULARAuditório: PARTICULAR (leitores do jornal “A folha de São Paulo”)(leitores do jornal “A folha de São Paulo”)Palavras chave:Palavras chave: imprensa e corrupçãoimprensa e corrupção..Determinação do pressuposto:Determinação do pressuposto:““A imprensa tem de ser mais séria ao denunciar osA imprensa tem de ser mais séria ao denunciar oscasos de corrupção”.casos de corrupção”.
  6. 6. Detecção dos ArgumentosDetecção dos ArgumentosPressuposto inicial:Pressuposto inicial: Por que a imprensa não pode serPor que a imprensa não pode serleviana quando denuncia casosleviana quando denuncia casosde corrupção?,de corrupção?,1º parágrafo: Informação de como surgiu a história1º parágrafo: Informação de como surgiu a históriadasdas mil e uma noites.mil e uma noites.““Era uma vez um sultão que descobriu que sua mulher o traía. Cortou-Era uma vez um sultão que descobriu que sua mulher o traía. Cortou-lhe a cabeça. Triste e infeliz, dedicou o resto da vida à vingança. Todaslhe a cabeça. Triste e infeliz, dedicou o resto da vida à vingança. Todasas noites, dormia com uma mulher diferente, que mandava matar noas noites, dormia com uma mulher diferente, que mandava matar nodia seguinte. Sherazade, jovem princesa, se oferece para dormir com odia seguinte. Sherazade, jovem princesa, se oferece para dormir com ocruel sultão. Caprichosa, garante que tem um plano infalível que acruel sultão. Caprichosa, garante que tem um plano infalível que alivraria da morte. Assim aconteceu. Passa mil e uma noites com o rei,livraria da morte. Assim aconteceu. Passa mil e uma noites com o rei,contando histórias de traições. O sultão enganado mudou seu destino.contando histórias de traições. O sultão enganado mudou seu destino.Esquece da vingança, ouvindo muitos outros casos iguais ao seu.”Esquece da vingança, ouvindo muitos outros casos iguais ao seu.”
  7. 7. 2º parágrafo: Cosette pergunta o que teria acontecidocom o sultão.“O que aconteceu com o sultão? Conformou-se, pois a traição faz parte da vida?Sossegou ao saber que muitos outros também eram enganados? Perdeu a invejados homens felizes? Ou simplesmente ficou entretido com as histórias deSherazade?”3º parágrafo: Afirma que ninguém sabe o fim dele oude Sherazade.“Não se sabe como termina a história. O rei voltou a acreditar nas mulheres oumandou matar Sherazade ao fim das mil e uma noites? Histórias emendadasumas às outras distraem, divertem e não fazem pensar. Anestesiam. As históriastêm certa magia”.Os três primeiros parágrafos têm importânciafundamental na estruturação do texto, colaborandode forma precisa para sua coerência.
  8. 8. 4º parágrafo: Vemos com clareza o assunto a sertratado – o descaso da imprensa nos casos decorrupção.“Tenho pensado sobre os inúmeros casos de corrupção contados por jornais erevistas. Emendados uns aos outros, parecem histórias das mil e uma noitesbrasileiras”.5º parágrafo: Trata do papel da imprensa aodenunciar os casos de corrupção.“A denúncia da imprensa é o instrumento mais importante de que dispõe ademocracia para combater a corrupção e saber o que acontece por trás dosbastidores. O caso Watergate foi o resultado de exaustivas investigações dosjornalistas do Washington Post. Coletaram dados levaram até o fim as suassuspeitas e correram o risco de suas acusações. Não foram notícias baseadas emdiz-que-diz ou espalhadas nas páginas dos jornais por adversários políticos.Notícias divulgadas sem investigação jornalística mais profunda acabam sendobanalizadas”.
  9. 9. 6º parágrafo: com a alusão às mil e uma corrupções brasileirasé que se cria um elo entre os três parágrafos introdutórios e otema do artigo.“A sociedade precisa ter acesso a fatos que a convençam. A esperada e saudávelindignação não vão surgir com denúncias feitas sem provas. Histórias decorrupção em cores, fotos cruéis, denúncias vazias levam a quê? Será que comcomédia e piadas é que se pretende apresentar fatos de tal relevância? Não hálugar para tanto sense of humor em um país onde a miséria seja tão grande como anossa. Infelizmente, a hora não é para brincadeiras. Do contrário, as pessoasesperarão os jornais e revistas apenas ansiosas para o próximo capítulo da noveladas mil uma corrupções brasileiras”.7º parágrafo: As mesmas perguntas feitas em relação aosultão, Sherazade e às histórias contadas, ela as faz agora emrelação aos brasileiros, à imprensa (nossa Sherazade) e àshistórias de corrupção.“O que vai acontecer com os brasileiros? Vão se conformar com a corrupçãopois faz parte da vida? Sossegar ao saber que existem casos iguais em outrospaíses? Perder a admiração pelos homens honestos? Ou ficar simplesmenteentretidos com histórias de Sherazade?”
  10. 10. 8º parágrafo: Afirmação que serve de transição entreo sétimo e o nono parágrafos. Constituído de uma sófrase, serve, ao mesmo tempo, de pausa e ganchopara a retomada do assunto.“A corrupção não pode se tornar mais uma distração entre os brasileiros”.9º parágrafo: A história de Sherazade entra como umrecurso de argumentação. A autora faz uma analogiaentre seu breve resumo de As mil e uma noites e opapel da imprensa brasileira. Fecha, desta forma, oartigo, retomando ao parágrafo inicial, dandocoerência ao seu texto argumentativo.“Corrupção faz parte da natureza humana. Para controlar, a imprensa deveapresentar a denúncia com o máximo possível de provas. Só assim a sociedadepode reagir e a Justiça atuar. Os casos são contados muitas vezes apenas cominsinuações e sem fatos. Muitos são esquecidos e substituídos por outros maisnovos. Confundem as pessoas e levantam dúvidas sobre a veracidade da notícia.Não há tempo para se perder em histórias de mil e uma noites”.
  11. 11. Retomemos a pergunta:Por que a imprensa não pode ser leviana quando denuncia casos decorrupção?Teremos como resposta:1 – A denúncia da imprensa é o instrumento maisimportante de que dispõe a democracia para combater acorrupção e saber o que acontece por trás dos bastidores;2 - a sociedade precisa ter acesso a fatos que convençam;3 – A corrupção não pode se tornar mais uma distraçãopara brasileiros como acontece com as histórias contadasem As mil e uma noites.
  12. 12. Recorrendo a uma conjunção conclusiva, fica mais fácilver como isso acontece:1° argumento: A denúncia da imprensa é o instrumento mais importante de quedispões a democracia para conhecer a corrupção e saber o que acontece por trásdos bastidores,Por isso a imprensa deve apresentar a denúncia com o máximo possível deprovas.2° argumento: A sociedade precisa ter acesso a fatos que a convençam,Por isso a imprensa deve apresentar a denúncia com o máximo possível deprovas.3° argumento: A corrupção não pode se tornar mais uma distração para brasileiroscomo acontece com as histórias contadas em As mil e uma noites,Por isso a imprensa deve apresentar a denúncia com o máximo possível deprovas.
  13. 13. TIPOS DE ARGUMENTOTIPOS DE ARGUMENTO1) Argumento Dedutivo:1) Argumento Dedutivo:• Se todas as premissas são verdadeiras, aSe todas as premissas são verdadeiras, aconclusão deve ser verdadeira.conclusão deve ser verdadeira.• Toda a informação ou conteúdo factual daToda a informação ou conteúdo factual daconclusão já estava, pelo menos implicitamente,conclusão já estava, pelo menos implicitamente,nas premissas.nas premissas.
  14. 14. Ex: Por que a imprensa não pode ser leviana quando denunciaEx: Por que a imprensa não pode ser leviana quando denunciacasos de corrupção?casos de corrupção?R: A denúncia da imprensa é o instrumento maisR: A denúncia da imprensa é o instrumento maisimportante de que dispõe a democracia para combater aimportante de que dispõe a democracia para combater acorrupção e saber o que acontece por trás doscorrupção e saber o que acontece por trás dosbastidores;bastidores;• R: A sociedade precisa ter acesso a fatos queR: A sociedade precisa ter acesso a fatos queconvençam;convençam;• R: A corrupção não pode se tornar mais uma distraçãoR: A corrupção não pode se tornar mais uma distraçãopara brasileiros como acontece com as históriaspara brasileiros como acontece com as históriascontadas emcontadas em As mil e uma noitesAs mil e uma noites..
  15. 15. 2) Argumento de Autoridade:2) Argumento de Autoridade:• Citar autores renomados, autoridades num certoCitar autores renomados, autoridades num certodomínio do saber.domínio do saber.• Usar citações mostra que o falante conhece bemUsar citações mostra que o falante conhece bemo assunto que está discutindo, porque já leu oo assunto que está discutindo, porque já leu oque sobre este assunto já pensaram outrasque sobre este assunto já pensaram outraspessoas.pessoas.Ex: “Ex: “O caso Watergate foi o resultado de exaustivas investigações dos jornalistas doO caso Watergate foi o resultado de exaustivas investigações dos jornalistas doWashington Post. Coletaram dados levaram até o fim as suas suspeitas e correram o riscoWashington Post. Coletaram dados levaram até o fim as suas suspeitas e correram o riscode suas acusações. Não foram notícias baseadas em diz-que-diz ou espalhadas nas páginasde suas acusações. Não foram notícias baseadas em diz-que-diz ou espalhadas nas páginasdos jornais por adversários políticos. Notícias divulgadas sem investigação jornalística maisdos jornais por adversários políticos. Notícias divulgadas sem investigação jornalística maisprofunda acabam sendo banalizadas”profunda acabam sendo banalizadas”
  16. 16. 3)3) Argumentos por Analogia:Argumentos por Analogia:• Estabelecem uma semelhança entre dois casos eEstabelecem uma semelhança entre dois casos einferem da semelhança de certos atributos que os doisinferem da semelhança de certos atributos que os doiscasos serão também semelhantes noutro. A premissacasos serão também semelhantes noutro. A premissaimplícita é que serem semelhantes numas coisas implicaimplícita é que serem semelhantes numas coisas implicaque serão na outra.que serão na outra.Ex: “Ex: “O que vai acontecer com os brasileiros? Vão se conformarO que vai acontecer com os brasileiros? Vão se conformarcom a corrupção pois faz parte da vida? Sossegar ao saber quecom a corrupção pois faz parte da vida? Sossegar ao saber queexistem casos iguais em outros países? Perder a admiração pelosexistem casos iguais em outros países? Perder a admiração peloshomens honestos? Ou ficar simplesmente entretidos com históriashomens honestos? Ou ficar simplesmente entretidos com históriasde Sherazade?”de Sherazade?”
  17. 17. 3)3) Argumentos por Analogia:Argumentos por Analogia:• Estabelecem uma semelhança entre dois casos eEstabelecem uma semelhança entre dois casos einferem da semelhança de certos atributos que os doisinferem da semelhança de certos atributos que os doiscasos serão também semelhantes noutro. A premissacasos serão também semelhantes noutro. A premissaimplícita é que serem semelhantes numas coisas implicaimplícita é que serem semelhantes numas coisas implicaque serão na outra.que serão na outra.Ex: “Ex: “O que vai acontecer com os brasileiros? Vão se conformarO que vai acontecer com os brasileiros? Vão se conformarcom a corrupção pois faz parte da vida? Sossegar ao saber quecom a corrupção pois faz parte da vida? Sossegar ao saber queexistem casos iguais em outros países? Perder a admiração pelosexistem casos iguais em outros países? Perder a admiração peloshomens honestos? Ou ficar simplesmente entretidos com históriashomens honestos? Ou ficar simplesmente entretidos com históriasde Sherazade?”de Sherazade?”
  18. 18. 3)3) Argumentos por Valoração:Argumentos por Valoração:• Verdades que são de consenso geral. É o argumentoque utiliza conceitos e idéias respeitados e consideradosinquestionáveis, aceitos universalmente.• Temáticas que são representadas por esse tipo deargumento: paz, harmonia, respeito, liberdade,direitode ir e vir,coragem, bondade,etc. Ex: “A denúncia da imprensa é o instrumento maisimportante de que dispõe a democracia para combater acorrupção e saber o que acontece por trás dos
  19. 19. Figuras de RetóricaFiguras de Retórica1) Antonamásia: “O caso Watergate foi resultado...”2) Citação: “...investigações dos jornalistas do Washington Post.”3) Prosopopéia: “História de corrupção em cores, fotos cruéis...”4) Sinonímia: “Será que com comédias e piadas...”5) Perífrase: “...a história de um país com 130 milhões de habitantes.”Exemplos de figuras retiradas do texto:
  20. 20. 1)1) InvençãoInvenção (heuresis) – Uso do Conto “As mil e uma noite” e das(heuresis) – Uso do Conto “As mil e uma noite” e dascitações presentes no texto.citações presentes no texto.2)2) DisposiçãoDisposição (taxis) – A autora optou por começar pelos argumentos(taxis) – A autora optou por começar pelos argumentos“mais fracos” e terminar com os “mais fortes”.“mais fracos” e terminar com os “mais fortes”.3)3) ElocuçãoElocução (lexis) – figuras de estilo presente no texto como a(lexis) – figuras de estilo presente no texto como acomparação, que é a base do mesmo.comparação, que é a base do mesmo.4)4) AçãoAção (hypocrisis) – Proferição do discurso com tudo o que ele pode(hypocrisis) – Proferição do discurso com tudo o que ele podeimplicar em termos de efeitos de voz, mímicas e gestos, como veremos aimplicar em termos de efeitos de voz, mímicas e gestos, como veremos aseguir:seguir:As Quatro Partes da Retórica
  21. 21. Exemplo de argumentação, o filme, que traz já noExemplo de argumentação, o filme, que traz já notítulo a ironia como figura de linguagem,título a ironia como figura de linguagem,agradecendo às pessoas por fumarem, apresenta –agradecendo às pessoas por fumarem, apresenta –em níveis diferentes – a força do discurso.em níveis diferentes – a força do discurso.““Obrigado por fumar”Obrigado por fumar”(Thank You for Smoking)(Thank You for Smoking)Ano de lançamento ( EUA ) : 2006Ano de lançamento ( EUA ) : 2006Direção: Jason reitmanDireção: Jason reitman
  22. 22. Cena I““Isso é negociar, não argumentar”Isso é negociar, não argumentar”
  23. 23. ““ Se argumentar corretamente, nunca estará errado”Se argumentar corretamente, nunca estará errado”Cena II
  24. 24. Cena IIICena final – O julgamentoCena final – O julgamento
  25. 25. • VIANA, Antonio Carlos; VALENÇA, Ana; CARDOSO, Denise;MACHADO, Sônia Maria. Roteiro de redação; lendo e argumentando.Universidade Federal de Sergipe, 1998.• Extratos do texto “Discurso e argumentação” de Ingedore Villaça Koch.BIBLIOGRAFIA

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