Aprendizado Pais e Professores

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Aprendizado Pais e Professores

  1. 1. AprendizadoPais e professores, uma relação difícilSão comuns os conflitos acerca da responsabilidade decada um na formação das crianças. A solução está naaproximação entre as partesNathalia Goulart(Thinkstock)A relação entre pais e professores inclui, já faz algum tempo, boa dose de tensão. Oassunto voltou à tona com força no fim do ano passado, quando um professor americanochamado Ron Clark resumiu as reclamações de boa parte dos mestres da seguintemaneira: professores não são babás de alunos, ao contrário do que pensam seus pais. Eleacusa os pais de repassar à escola suas responsabilidades, recusando, contudo, as regrasimpostas pela instituição educadora. Seu artigo, chamado "O que os professoresrealmente querem dizer aos país", tornou-se o segundo mais compartilhado noFacebook em 2011 (o primeiro trata do desastre da usina de Fukushima, no Japão),trocado mais de 630.000 vezes – prova de que a discussão é, no mínimo, pertinente. Otexto ecoou em outros países e também no Brasil. "Por aqui, os pais perderam ahabilidade de impor limites a seus filhos. Agora, tentam impor limites à escola,interferindo na atividade dos professores", diz a educadora Tânia Zagury, autora dolivro Escola sem Conflito: Parceria com os Pais. De acordo com uma pesquisarealizada pela escritora, 44% dos professores apontam a ausência de limites como causaprincipal da indisciplina em sala de aula: um quinto dos profissionais responsabiliza afamília pelo problema.
  2. 2. Leia também:O que pais e professores devem fazer para evitar conflitosRon Clark: Professores são educadores, não babásDo outro lado da linha, os pais também reclamam de intromissões da escola emdisposições que acreditam justas. É o que vive a empresária Marcela Ulian, de 34 anos,mãe de um garoto de 6 anos – o nome dele, assim como o da instituição, um renomadocolégio privado paulistano, serão omitidos a pedido da empresária. Há alguns meses,Marcela contesta uma determinação da escola que proíbe alunos de portar dispositivoseletrônicos, como celular ou tablet, no interior da instituição. "As crianças não podemficar alheias às novas tecnologias. Acho inclusive que os professores podem ensinar queaqueles aparelhos podem servir como material educativo", diz Marcela. Não houveacordo. Para a escola, é em casa que as crianças devem aprender a fazer uso dosaparelhos. "Continuo não concordando com a escola e seguirei tentando provar queestou certa."Não raro, as queixas de um lado e de outro são mais severas; outras revelam exagerosflagrantes. Há, por exemplo, relatos de professores contestados por pais porqueatribuíram uma nota baixa a um aluno, ou por tê-lo repreendido por comportamentoinadequado. Preocupados com as reclamações de parte a parte, educadores sedebruçaram sobre a questão. Descobriram duas razões principais para osdesentendimentos. A primeira é uma transformação sofrida pela engrenagem familiar,fruto das mudanças sociais dos últimos 50 anos. Um exemplo disso: nesse período, asmulheres, tradicionalmente encarregadas de acompanhar o crescimento das crianças emcasa, ganharam definitivamente o mercado de trabalho, distanciando-se da antigafunção. "A consequência disso é que as escolas passaram a ser responsáveis tambémpela educação moral das crianças. A família moderna demandou isso delas", diz MariaAlice Nogueira, educadora e especialista em sociologia da educação.A segunda razão envolve um movimento em sentido oposto: a intromissão dos pais emassuntos sobre os quais as escolas antes mantinham monopólio. À medida que asfamílias perceberam que a ascensão nos bancos escolares é sinônimo de ascensão sociale econômica, passaram a cobrar mais de instituições e professores, que antes davam ascartas na sala de aula – não por acaso, "mestre" é uma designação que quase não seaplica mais a professores. "O êxito proveniente da educação formal levou a família ainterferir nos assuntos escolares", diz Maria Alice.Excetuados os exageros, os educadores de olho na questão alertam que a nova realidadeexige nova atitude. "O que ouço dos docentes em momentos como esse é aquela velhahistória de que, antigamente, eles eram mais respeitados", diz a educadora ElaineBueno. "Esse é um discurso velho, pois os tempos mudaram: os pais não enxergam maiso professor e a escola como autoridades inquestionáveis. Eles precisam aceitar isso eprestar contas de seu trabalho."O caminho da convivência harmoniosa exige trabalho intenso de pais e professores,garantem escolas que já o perseguem. Entre as lições aos professores (confira o quadroabaixo), estão orientações como jamais desqualificar ações dos pais diante dos filhos. Éo que prega Sylvia Figueiredo, sócia-fundadora do colégio Castanho Lourenço, de SãoPaulo. Certa vez, ela descobriu que uma mãe fazia o dever de casa do filho. "Emnenhum momento, desmereci a atitude da mãe diante do menino, apesar de estar certa
  3. 3. de que a conduta dela interferia negativamente no desempenho dele", conta. O assuntofoi tratado em uma conversa a portas fechadas, cara a cara, entre a educadora e a mãe."É preciso muito treinamento para lidar com os pais. A relação é uma bomba-relógio epode explodir a qualquer momento se você puxa o fio errado na hora de desarmá-la."Aos pais, em situações como essa, cabe a lição de ao menos ouvir atentamente a posiçãodo educador.O esforço vale a pena. A harmonia entre as partes é valiosa para a educação – é o queapontam estudos na área. Uma pesquisa encabeçada pela Fundação Getulio Vargas, porexemplo, mostra que os efeitos da presença dos pais na vida escolar se fazem notar portoda a vida adulta. Na infância e na adolescência, a participação da família estáassociada a notas até 20% mais altas e riscos de evasão até 64% inferiores. "Gostamosde deixar claro aos pais que a interferência deles no processo educativo é saudável. Masambas as partes precisam estar abertas ao diálogo", diz Celina Cattini, diretora geral doColégio Visconde de Porto Seguro. "Muitos professores sentem saudade do tempo emque os pais respeitavam a autoridade da escola. Mas é preciso lembrar que aqueles eramtempos em que havia respeito, mas não havia interação entre escola e família: isso não ébom para as crianças." Celina tem razão.Com reportagem de Renata Honoratohttp://veja.abril.com.br/noticia/educacao/pais-e-professores-uma-relacao-dificil

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