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  1. 1. 2 l O GLOBO Terça-feira 2 .9 .2014 Página 2 Conte algo que não sei _ ‘Voltar ao Brasil foi como retornar a uma prisão’ _ Michele Simões, designer de moda Criadora do blog Guia do Viajante Cadeirante, ela analisa cidades que visita e mostra que, com acessibilidade, é possível ter uma vida normal numa cadeira de rodas “Tenho 32 anos, sou designer de moda e sempre sonhei em fazer intercâmbios. Aos 24 anos, um acidente de carro me deixou paraplégica. Apesar das dificuldades que passei a ter, nunca desisti de estudar fora. No ano passado, realizei finalmente o meu sonho e viajei para os Estados Unidos” _ ENTREVISTA A: FÁTIMA FREITAS granderio@oglobo.com.br l Conte algo que não sei. Grande parte das pessoas ain-da acha que cadeirantes não sa-em de casa e, muito menos, via-jam. Quando decidi fazer meu primeiro intercâmbio em Bos-ton, no ano passado, percebi que até os serviços de viagem, de maneira geral, não estavam preparados para me atender. Foi dessa dificuldade para en-contrar referências e serviços que o blog Guia do Viajante Ca-deirante nasceu (http://guiado-viajantecadeirante. blogs-pot. com.br). Para minha sur-presa, descobri que eu não era a única que tinha vontade de co-nhecer o mundo sentada numa cadeira de rodas. l Qual seu principal objetivo com o blog? A proposta é mostrar que é totalmente possível fazer ativi-dades e realizar desejos quan-do há acessibilidade. Criei o blog uma semana antes de mi-nha viagem para Boston e con-videi as pessoas a me segui-rem. Todas as conquistas e frustrações vividas nos Estados Unidos foram postadas no blog. Ou seja, mostrando o que era viável ou não para um ca-deirante naquela cidade. l O blog, que existe há ape-nas um ano, já tem muitos se-guidores? São 1.160 seguidores. l Entre as cidades que já visi-tou, qual oferece melhor mo-bilidade para um cadeirante? No Brasil, infelizmente, ainda não consegui me aventurar muito, pela falta de acessibilida-de. Quando estive nos Estados Unidos, morei em Woburn, ci-dade vizinha a Boston, que pa-recia cenográfica, de tão limpa e acessível. Essa mesma boa im-pressão tive na Filadélfia. Nova York, que achei que seria um exemplo a ser seguido, foi uma decepção, pois não consegui me virar sozinha lá. Além disso, as pessoas não são muito hospi-taleiras. Portanto, não indicaria a um cadeirante que não tenha muitas habilidades na cadeira, como eu, ir sem acompanhante para lá. l Como é para um cadeirante viver no Brasil? Após a viagem para Boston, voltar ao Brasil foi como retor-nar a uma prisão. Em Boston, voltei a me sentir independen-te: pegava ônibus, metrô, anda-va com meus amigos pelas ruas sem precisar pedir ajuda. Pe-quenas coisas que me fizeram enxergar a deficiência de ma-neira completamente diferente. Num lugar acessível, os defici-entes transitam mais pelas ruas, as pessoas convivem com essas diferenças sem achar estranho ou sentir pena. No período em que estive por lá, visitei um grande hospital de reabilitação, uma ONG e um escritório de ar-quitetura especializado em acessibilidade. É impressionan-te MICHEL FILHO o cuidado que a cidade tem com seus cidadãos. l Alguma cidade brasileira tem boas condições para um cadeirante? Escrevo muito sobre São Paulo. Procuro lugares que se-jam acessíveis, mas não posso dizer que haja ótimas condi-ções de acessibilidade. Na se-mana passada, fiz um trajeto para pegar ônibus e metrô. O que encontrei: ruas esburaca-das, calçadas desniveladas, rampas impossíveis de serem usadas, falta de informação por parte dos funcionários dos coletivos, além de dois eleva-dores quebrados no metrô. l Quando e para onde será sua próxima viagem? Meu próximo destino será Montreal, no Canadá. Embar-carei em outubro, sozinha, com o propósito de desbravar a cidade e mostrar o que é e o que não é acessível por lá. Batidão A briga entre os funkeiros e A REVISTA DIGITAL PARA O SEU TABLET um erudito O GLOBO Por Dentro _ Um teste para o Enem A postos. Parte da equipe da editoria Sociedade que cobrirá o exame C om a proximidade do Exame Nacional do En-sino Médio (Enem), O GLOBO intensifica sua cober-tura sobre o processo de sele-ção que se tornou a maior por-ta de entrada para o ensino su-perior no Brasil. A edição 2014, em 8 e 9 de novembro, tem mais de 8 milhões de can-didatos confirmados. Para aju-dá- los a se preparar, o site do jornal lança hoje a primeira rodada de simulados on-line com questões elaboradas nos moldes do Enem. — Os simulados são uma das principais ferramentas de pre-paração em cursinhos e colégi-os, mas nem todos os estudan-tes têm acesso a questões de qualidade, elaboradas por pro-fessores experientes no teste do Enem. Os simulados on-li-ne são uma forma de levar isso a todos — diz o editor de Socie-dade, WILLIAM HELAL FILHO. Até a prova oficial, serão du-as rodadas de simulados. Ao longo desses dois meses, o jor-nal também aumenta a fre-quência de publicação de re-portagens sobre o exame. Ha-verá uma série com dicas de professores sobre cada seg-mento da prova, com destaque especial para a redação. Nos dias de Enem, O GLOBO organiza grande operação, que inclui a cobertura em locais de prova país afora, a publicação do gabarito extraoficial e a transmissão ao vivo de profes-sores comentando os testes. l GABRIEL DE PAIVA Rio Polonês que atuava como armeiro do tráfico em São Gonçalo era procurado pela Interpol e será deportado PÁGINA 15 Economia Com pesquisas eleitorais, ações sobem, e empresas da Bolsa têm valor de mercado recorde: R$ 2,59 tri PÁGINA 24 Mundo Ofensiva separatista expulsa tropas ucranianas de aeroporto de Luhansk e captura 680 soldados PÁGINA 30 Loterias l O leitor deve checar os resultados em agências oficiais e no site da CEF porque, com os horários de fechamento do jornal, os números aqui publicados, divulgados sempre no fim da noite pela CEF, podem eventualmente estar defasados. QUINA 3.576 l04 l21 l31 l62 l72 Leia também _ País Correção da tabela do IR prometida por Dilma no Dia do Trabalho não deve sair do papel PÁGINA 10 De 84 obras de Marcelo Crivella (PRB) como engenheiro civil, 75 são de templos da Igreja Universal PÁGINA 9 Grupo Inepar pede recuperação judicial. Principal credor é o BNDES, que tem R$ 850 milhões a receber PÁGINA 25 Sociedade Estudo com quase 500 mil pessoas conclui: quem come mais frutas tem menos problemas cardíacos PÁGINA 27 | Panorama político | _ ILIMAR FRANCO Ilima_r@bsb.oglobo.com.br O PMDB ri sozinho O principal aliado do PT, o PMDB, acredita que ganhou com a polarização entre Marina Silva e a presidente Dilma. Sua cúpula avalia que vai cair a votação na legenda petista e isso levará à redução de sua bancada. O PMDB já sonha em voltar a ser o maior na Câmara e continuar dominando o Senado. Entre seus líderes, há muito ressentimento contra o “hegemonismo petista”. Falta de sorte Na equipe de Aécio Neves (PSDB), há quem atribua ao sorteio a participação secundária do tucano no debate do SBT. Alegam que, pelas regras, sua intervenção ficou limitada. Ele não pôde, por exemplo, promover nenhum embate direto com Marina Silva (PSB). Quando chegou sua vez no primeiro bloco, ele não podia questionar Marina nem a presidente Dilma (PT). No segundo e no terceiro, ele teve breves confrontos com a presidente. Em dois blocos, Dilma e Marina deixaram Aécio de lado e se enfrentaram em perguntas e respostas. Os tucanos não gostaram daquilo a que assistiram e não esconderam sua frustração ao final do debate. _ “Na democracia, o povo sabe para onde aponta seu nariz, seu rumo. Não tem racionalidade. Mas temos que respeitar sua decisão” Geddel Vieira Lima Candidato (PMDB) ao Senado na Bahia e aliado de Aécio Neves (PSDB), sobre o fenômeno Marina Silva (PSB-Rede) _ Namoro na TV O senador Magno Malta (ES), do PSC do Pastor Everaldo, aproveitou o debate de ontem, no SBT, para conversar com o coordenador da campanha de Marina Silva, o deputado Walter Feldman (SP). Conversaram sobre o segundo turno. Bola fora Os aecistas têm esperança que Marina cometa um erro fatal. Citam Ciro Gomes, em 2002, e Celso Russomano, em 2012. Falando sobre a função de sua mulher na campanha, Ciro lascou: “Ela dorme comigo”. Russomano propôs aumentar o preço das passagens (ônibus) para trajetos mais longos, o que gerou reação na periferia de São Paulo. GUSTAVO MIRANDA/5-10-2010 Questão de estilo Os articuladores políticos de Marina não acham que ela cairá na tentação de repetir Ciro Gomes ou Celso Russomanno. Alegam que ela não tem o destempero de um e a inconsistência de outro. E que uma de suas qualidades é a humildade. Se a moda pega Na semana passada, o desembargador Carlos Tork (TRE-AP), nomeado pelo governador e candidato à reeleição, Camilo Capiberibe (PSB), decidiu tirar do ar, até 5 de outubro, 16 emissoras de rádio e uma de TV, por “excederam o limite da crítica e o direito de opinião”. No domingo, o juiz Vicente Gomes (TRE) suspendeu a decisão. Operação resgate Depois de jogar futebol na Barra, com artistas e atletas, Aécio Neves vai dar um mergulho em regiões de grande concentração de eleitores. Nos dias 10 e 18, vai ao bairro de Campo Grande e aos municípios de São Gonçalo e Nova Iguaçu. Omissão corporativa Depois de perder uma votação por 6 x 1, o ministro Gilmar Mendes (STF) acusou o TSE de ser um “tribunal nazista”. O presidente do TSE, Dias Toffoli (STF), não fez pronunciamento verbal ou por escrito em defesa do tribunal. _ O PRAZO LEGAL para a substituição de candidaturas acaba no dia 15. Podem ser substituídos os que renunciam ou quem tenha seu registro negado. _ Com Juliana Braga, sucursais e correspondentes panoramapolitico@oglobo.com.br

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