Tcc 19.05. prontodocx

378 visualizações

Publicada em

tcc apresentado para o obtenção da graduação em pedagogia

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
378
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
2
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Tcc 19.05. prontodocx

  1. 1. FACULDADE JOAQUIM NABUCO PEDAGOGIA DIVERSIDADE SEXUAL NA ESCOLA MUNICIPAL DE OLINDA Quais as dificuldades enfrentadas pela população LGBT a permanecer na escola, no 4º e 5º ano? Alexsandro Ramos dos Santos Gabriela Alexandrina Cavalcante da Silva RECIFE, 2014 Artigo apresentado como exigência para obtenção do grau de Licenciatura em PEDAGOGIA da FACULDADE JOAQUIM NABUCO. ORIENTADOR: José Carlos Melo.
  2. 2. RESUMO: Este trabalho buscará a partir de um estudo de caso numa escola municipal de Olinda observar as dificuldades que a população LGBT enfrenta para permanecer na escola e como esta temática é abordada em sala de aula. Palavras chaves: dificuldades; LGBT; sala de aula. ABSTRACT: This paper aims from a case study in a public school in Olinda observe the difficulties that LGBT people face to stay in school and how this issue is addressed in the classroom. Key words: difficulties; LGBT; classroom.
  3. 3. INTRODUÇÃO A partir da necessidade de incluir uma minoria que se encontra em situação de vulnerabilidade, conhecida como população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) na escola municipal de ensino. Buscou-se identificar e analisar o que acontece para que estes/as cidadãos/ãs usufruírem o direito de frequentar a escola, visto que segundo a Lei de diretrizes e Bases (LDB) é um direito de todos/as, embora possamos perceber que por questão de orientação sexual e identidade de gênero lhes são negados, além do direito de estar inseridos/as na escola, o direito de existir. Através das observações realizadas, apresentaremos em nossas análises, sugestões de ações para diminuir a evasão escolar desta população e esperamos contribuir para a construção de uma escola igualitária para todos e todas. Pensamos que de fato esse, o espaço escolar, seja de mudança de paradigmas, onde possa existir a possibilidade de construir uma nova sociedade que acolha a todos sem distinção de orientação sexual, etnia, minimizando o preconceito e a discriminação, já que a escola deve ser laica. Contudo, para compreendermos a temática envolvendo a questão da população LGBT se faz necessário um resgate histórico. Quem em sua infância ou juventude não ouviu de um adulto que o homem nasceu para a mulher e vice e versa? Deixando claro que quem se perceber diferente, para existir precisa esconder-se dentro de si mesmo, ou seja, renunciar ao seu verdadeiro eu para satisfazer e se enquadrar neste modelo heteronormativo e binário, senão nem será visto como pessoa “normal”, assim sendo indigno de alguns direitos enquanto cidadão. Neste contexto ainda, pensamos que já podemos adentrar no âmbito escolar, pois este é o nosso propósito, de investigar quais as dificuldades enfrentadas pela população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) no 4º e 5º ano em permanecer na escola.
  4. 4. Para compreendermos melhor este fato, pensamos que é preciso continuar com o resgate histórico, como: conhecer melhor a luta dos movimentos desta população. Identificar o que leva os alunos LGBT a abandonar a sala de aula? O que a Lei de Diretrizes e Bases e a Constituição Federal de 1988 dizem sobre a educação como direito? E o que os PCN’S falam a respeito? Nosso trabalho, cujo objetivo geral é identificar e analisar os fatores que influenciam na evasão da população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) da escola. Tomaremos como objetivos específicos: identificar as causas da evasão escolar pelo público LGBT no 4º e 5º ano; conhecer como as escolas percebem e trabalham as questões que envolvem a população LGBT e, por fim, sugerir ações para diminuir a evasão escolar desta população.
  5. 5. 1. PROCESSO METODOLÓGICO Este artigo buscará a partir de uma abordagem qualitativa, responder a seguinte problemática: Quais as dificuldades enfrentadas pela população LGBT a permanecer na escola, no 4º e 5º ano? Pois acreditamos que para encontrar possíveis respostas a esta inquietação, precisaremos ir ao campo de pesquisa para vivenciar a realidade vivida por esses estudantes em sala de aula e no espaço escolar como um todo. Com base nos autores DENZIN & LINCOLN, os mesmos definem pesquisa qualitativa como sendo uma pesquisa multimetodológica quanto ao seu foco, envolvendo abordagens interpretativas e naturalísticas dos assuntos. Isto significa que o pesquisador qualitativo estuda coisas em seu ambiente natural, tentando dar sentido ou interpretar os fenômenos, segundo o significado que as pessoas lhe atribuem (DENZIN & LINCOLN, 1994, p.2). O método escolhido possibilita utilizar um leque de opções para alcançarmos nosso objetivo, através do uso multimetodológico, como: entrevistas, grupo focal, estudo de caso, observações, experiências pessoais, entre outros. Utilizaremos o estudo de caso no 4º e 5º ano. Vale ressaltar que a estratégia mais próxima do que buscávamos para alcançar nossos objetivos em responder a problemática acima citada foi o estudo de caso. Segundo Martins & Bicudo (1989): O estudo de caso envolve o estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento. Realizaremos este projeto em uma escola municipal da cidade de Olinda onde encontramos a presença da população LGBT, portanto percebemos a necessidade de realizar um estudo de caso com o intuito de perceber como se sentem e como são tratados. É interessante que o pesquisador faça parte do cotidiano escolar do entrevistado para ter uma melhor compreensão do que os mesmos vivenciam. Para Mann (1970:96), a observação participante é uma "tentativa de colocar o observador e o observado do mesmo lado, tornando-se
  6. 6. o observador um membro do grupo de molde a vivenciar o que eles vivenciam e trabalhar dentro do sistema de referência deles". Acreditamos ser necessário ouvir os professores/as e gestores/as com a finalidade de percebermos suas ideias sobre a população LGBT, e como os mesmos lidam com algumas situações em sala de aula quanto a este tema. Também pretendemos observar e analisar como seria sua postura se seus alunos fizessem parte desta população e como agiriam dentro da sala de aula para resolver situações de conflito e discriminação dos mesmos, que intervenções pedagógicas utilizariam em favor dos alunos/as LGBT. Vale ressaltar ainda que farão parte como sujeitos de nossa pesquisa tanto os alunos/as LGBT quanto os professores/as. Para conseguirmos obter dados relevantes e que assim possamos contribuir na construção de uma sociedade justa e igualitária. Buscaremos compreender como os alunos LGBT se percebem inseridos no mundo e o que os impedem de exercerem sua cidadania. 2. BREVE HISTÓRICO DO MOVIMENTO LGBT Segundo Regina Facchini (2005), antes de falarmos sobre o histórico do movimento LGBT, é preciso entender o que é LGBT. É uma sigla que designa lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Em alguns locais no Brasil, o T, que representa a presença de travestis e transexuais no movimento, também diz respeito à transgêneros, ou seja, pessoas cuja identidade de gênero não se alinha de modo contínuo ao sexo que foi designado no nascimento (crossdressers, drag queens, transformistas, entre outros). É bastante relevante deixar claro o que esse sujeito político tem como indignação para entendermos melhor o que motivou o movimento. Movimento é um grupo de pessoas que se unem em prol de lutar por algum ideal comum, isto implica dizer que ainda segundo Regina Facchini, 2007, este movimento
  7. 7. teve início no final de 1970 com a presença predominante por homens homossexuais, e algum tempo depois o mesmo foi se expandindo e envolvendo outros segmentos como: Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Os criminologistas também não deixam de propor relações entre uma sexualidade desviante “e a prática de delitos criminosos, sendo que a sexualidade dos sujeitos poderia ser sempre um agravante para a sua situação legal, mesmo que isso não fosse explícito”. Havia uma colaboração muito eficaz da polícia com a classe médica, que aplicava uma ciência de cunho positivista aos casos que lhe eram encaminhados pelos policias. Assim, os que escapassem à norma heterossexual eram muitas vezes internados em instituições psiquiátricas ou perseguidos pela polícia nas ruas. (FACCHINI, 2005, p. 2). Segundo a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT) a luta por direitos iguais surgiu em um bar chamado Stonewall em Nova York, onde lá era o único lugar em que Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais podiam se divertir sendo eles mesmos, ou seja, podemos comparar com as boates gays do nosso tempo, onde há shows de drags, gogo boy, na verdade as clientelas deste espaço são em maior frequência a população LGBT, queremos dizer com isso que lá em Stonewall, esse era o único espaço para esta população, sendo que sofriam batidas repentinas da polícia com a finalidade de reprimi-los, então no dia 28 de junho de 1969, Eles se reuniram e resistiram a essa repressão, durou três dias de protesto, claro que não pacífico, apanharam muito, porém, se uniram , mostrando assim que a união faz a força, a partir de então, esta data é referenciada como dia do orgulho LGBT, desde então surgiram às paradas da diversidade com a finalidade de dar visibilidade ao movimento LGBT.
  8. 8. 3. GÊNERO E IDENTIDADE DE GÊNERO Antes de nascermos, no ventre materno, aos nossos pais saberem nosso sexo biológico através da ultrassonografia, começam as expectativas e escolhas. Logo, se apresentar uma vagina, sabe-se instantaneamente que pertencerá ao gênero feminino, usará rosa, se relacionará com meninos, será dona de casa, sensível, submissa ao marido e ainda aceitará de bom grado que seu marido tenha várias mulheres porque isto é instinto masculino, ou seja, é natural do homem; por outro lado se for detectado um pênis, pertencerá ao gênero masculino, pertencerá ao mundo azul, sinônimo de machão, dono da verdade, valente, dominador, não pode chorar, vive na rua desde cedo, tem que trabalhar exercendo a força física, com a finalidade de afirmar sua masculinidade, se relacionar com várias mulheres e jogar futebol, porque isto é coisa de macho e está relacionado ao gênero masculino, em outras palavras, para ser considerado homem, têm que possuir todas estas características, comportamentos, caso não queira estar fora da sociedade heteronormativa. […] demonstrações de força, destemor e virilidade que constroem a honra de um homem perante a sociedade ou o grupo em que vive. A falta de um desses itens obviamente coloca em risco a honra masculina, construída em contraposição a determinadas características femininas que um “homem de verdade” jamais deve dar indícios de ter (SABINO, 2000:92). Isto posto, podemos compreender melhor nosso contexto histórico de sociedade, pode-se perceber que esta tem um padrão determinado referente ao gênero do indivíduo, onde bem antes de nascermos somos direcionados. Padrão, ou melhor, padrões: sexualidade, social, corpo, beleza, comportamento. Assim estamos inseridos numa sociedade heteronormativa, cuja sexualidade dominante, heterossexual que significa relacionar-se com o sexo oposto, onde quem se mostrar ou for diferente, será visto como um
  9. 9. transgressor da norma, já se sabe que este será estigmatizado, excluído da sociedade, porque fomos criados para, dependente do sexo assumir uma posição nesta sociedade e não há espaço para expressar o eu de cada ser, identidade de gênero, ou outras formas de viver e ser. Isto implica dizer que em todos os âmbitos desta sociedade: família, escola, religião, saúde, cito estas por pensa-las com básicas para o bem estar do indivíduo, preparou-se apenas para este modelo de ser na perspectiva da sexualidade, já que esta está vinculada ao poder, segundo Foucault (2010). Gênero refere-se à identidade adotada ou atribuída a uma pessoa de acordo com seus genitais, psicológico ou seu papel na sociedade. Chamamos de gênero o conceito que permite a compreensão, análise crítica e a superação dessas diferenças e contrastes entre homens e mulheres. Para Kotlinski (2007): Gênero não é um conceito biológico, é um conceito mais subjetivo, podemos dizer que é uma questão cultural, social. Gênero é um empreendimento realizado pela sociedade para transformar o ser nascido com vagina ou pênis em mulher ou homem. Nesse sentido, gênero é uma construção social, é preciso um investimento, a influência direta da família e da sociedade para transformar um bebê em 'mulher' ou 'homem'. Essa construção é realizada, reforçada, e também fiscalizada ao longo do tempo, principalmente, pelas instituições sociais, são elas: a igreja, a família e a escola (KOTLINSKl, 2007). Sexo refere-se às características específicas e biológicas dos aparelhos reprodutores femininos e masculino, ao seu funcionamento e aos caracteres sexuais secundários decorrentes dos hormônios. O sexo determina que as fêmeas tenham vagina/vulva e os machos têm pênis; apenas isso. O sexo não determina por si só, a identidade de gênero, e muito menos, a orientação sexual de uma pessoa. (KOTLINSKl, 2007). A sexualidade tem grande importância no desenvolvimento e na vida psíquica das pessoas, pois, além da sua potencialidade reprodutiva, relaciona-se com a busca do prazer, necessidade fundamental das pessoas. Manifesta-se desde o momento do nascimento até a morte, de formas diferentes a cada etapa do desenvolvimento humano, sendo construída ao longo da vida. Além disso, encontram-se necessariamente marcada pela história, cultura, ciência,
  10. 10. assim como pelos afetos e sentimentos, expressando-se então com singularidade em cada sujeito. (PCN, Orientação Sexual, p. 11). 4. A ESCOLA E OS ALUNOS LGBT: UMA DISCUSSÃO A escola deve informar problematizar e debater os diferentes tabus, preconceitos, crenças e atitudes existentes na sociedade, buscando não a isenção total, o que é impossível, mas um maior distanciamento das opiniões e aspectos pessoais dos professores para empreender essa tarefa. Isso porque na relação professor-aluno o professor ocupa lugar de maior poder, constituindo-se em referência muito importante para o aluno. (PCN- Orientação sexual, p.11). O espaço escolar deveria tratar melhor a diferença, pois lá é o espaço de mudança de paradigmas e de aprendizagem significativa para os alunos, deveria ser o tempo de discussão da realidade e apresentação da mesma, ou seja, momento de refletir sobre a diversidade como um todo existente no dia a dia dos alunos, assim como apresentar: as religiões, culturas, novos modelos de famílias, onde inclui o universo LGBT, mesmo sabendo que a sociedade não tenha sido formada para o diferente no sentido daqueles que não se enquadram dentro do padrão estipulado, terem um lugar reservado por não compactuar com este padrão definido, lugar esse, chamado de margem da sociedade, vulnerabilidade, estigma social, e que na verdade é uma punição por ser diferente, então, a escola enquanto espaço para todos, deve cumprir seu papel em acolher de fato essa diversidade existente e desconstruir essa ideologia social imposta de certa forma a todas as pessoas, ideologia tal que trata todos como igual na perspectiva da heterossexualidade, no entanto não trata do Brasil mestiço, multicultural, nem tampouco da igualdade de direitos enquanto ser humano, essa mesma sociedade dita onde às pessoas podem frequentar, de que modo se comportar para não ferir o que ela classifica como verdade única, pois não pode haver outro modo de viver e ser feliz, segundo seu padrão definidor e castrador, como se pudessem interferir a natureza de
  11. 11. cada ser, negando a possibilidade das pessoas viverem seu próprio eu, penso que dessa forma o mundo seria melhor para todos. O pensamento de Bento, 2008 nos ajuda a refletir sobre a escola como reprodutora dessa verdade absoluta imposta pela sociedade, quando na verdade seu papel é formar cidadãos críticos , reflexivos e capazes de lutar por seus objetivos, crenças, enfim, seria o único lugar em que se esperam todos serem aceitos, quando ela diz: […] a escola, que se apresenta como uma instituição incapaz de lidar com a diferença e pluralidade funciona como uma das principais instituições guardiãs das normas de gênero e produtora da heterossexualidade. Para os casos em que as crianças são levadas a deixar a escola por não suportarem o ambiente hostil é limitador falarmos em “evasão”. No entanto, não existem indicadores para medir a homofobia de uma sociedade e, quando se fala na escola, tudo aparece sob o manto invisibilizante da evasão. Na verdade há um desejo em eliminar e excluir aqueles que contaminam o espaço escolar. Há um processo de expulsão e não de evasão, (BENTO, 2008, p. 129). Pensando nesta sociedade onde a heterossexualidade determina o tipo de segurança, o modo como será abordado pelos policiais, em suma, que direito você tem para exercer sua cidadania, seu direito de ir e vir, por exemplo? Sendo assim esse mesmo processo é vivido na escola onde se pode pensar que quem assume o papel dos policiais são os professores, que ao invés de transformar esta realidade desconfortável para os alunos, apenas reproduzem, dizendo indiretamente que, quem tem direito a educação escolar são os tidos como “normais”, ou seja, os heterossexuais, que correspondem aqueles que se enquadram perfeitamente ao padrão desejado, assim sendo os que multiplicarão a sociedade, pois esta é a principal função esperada de alguém que carrega um pênis entre as pernas.
  12. 12. Na verdade este é o papel fundamental de alguém pertencente ao gênero masculino, à construção desse ser é fundamentada na sua orientação sexual padronizada, estereotipada, vale ressaltar que define caráter, senso de responsabilidade, ou seja, a sexualidade padronizada é a identidade humana do homem e não há ou não pode haver outra orientação sexual no campo da identidade de gênero, em outras palavras me refiro à população LGBT. [...] os sujeitos que, por alguma razão ou circunstância, escapam da norma e promovem uma descontinuidade na sequência sexo/ gênero/sexualidade serão tomados como minoria e serão colocados à margem das preocupações de um currículo ou de uma educação que se pretenda para a maioria. Paradoxalmente, esses sujeitos marginalizados continuam necessários, pois servem para circunscrever os contornos daqueles que são normais e que, de fato, se constituem nos sujeitos que importam (LOURO 2004b: 27). 5. EDUCAÇÃO NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA Segundo a Lei de Diretrizes e Bases o sistema educacional brasileiro é oferecido para todos os indivíduos, independente da sua orientação Sexual, religião e etc... Assim, podemos perceber que a realidade está totalmente diferente, pois, encontramos na escola um ambiente que não lida com a diferença e usa um termo muito bonito que se chama evasão, quando na verdade há um processo de exclusão e omissão, porém os artigos 2 e 3 nos diz: Dos Princípios e Fins da Educação Nacional Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 3º. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
  13. 13. II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância; Colaborando com o que dissemos anteriormente nos art. 2 e 3 da LDB, a constituição federal de 1988 é um forte argumento que possibilita aos indivíduos exigirem seus direitos enquanto cidadãos, inclusive garantir seu espaço na escola e na sociedade. Nos art. 205 e 206 podemos muito claramente obter essa garantia enquanto cidadãos críticos e atuantes. Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I – Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) – Orientação sexual: Antes, acreditava-se que as famílias apresentavam resistência à abordagem dessas questões no âmbito escolar, mas atualmente sabe-se que os pais reivindicam a orientação sexual nas escolas, pois reconhecem não só a sua importância para crianças e jovens, como também a dificuldade de falar abertamente sobre o assunto em casa. Uma pesquisa do Instituto Datafolha, realizada em dez capitais brasileiras e divulgada em junho de 1993, constatou que 86% das pessoas ouvidas eram favoráveis à inclusão de Orientação Sexual nos currículos escolares. (PCN – Orientação Sexual, p. 07).
  14. 14. Segundo os PCN’S podemos entender que a preocupação deste documento tão importante é no cuidado que o educador deve ter para tratar desta temática com seus alunos, ou seja, o mesmo precisa está seguro de sua sexualidade para poder falar sobre.
  15. 15. 6. ANÁLISE Ao realizar um estudo de caso numa escola municipal em Olinda, no turno da manhã e da tarde, 4º e 5º ano com o intuito de descobrir como os professores tratam à temática LGBT em sala e como os alunos X e Y são tratados pelos professores e alunos. Para nossa surpresa ambos os alunos X e Y interagem com todos, mas, tem maior afinidade com as meninas e dentro do processo em que vimos refletindo sobre o histórico da sociedade em que vivemos, onde há papéis a serem cumpridos de homens e mulheres, logo, ficou claro que os alunos em questão não estão dentro do padrão estipulado e assim fazem parte da população LGBT. Pois bem, os professores sentiram necessidade de dialogarem comigo, dizendo que não se achavam preparados para falar da temática para as crianças, e a justificativa era o que as mesmas iam dizer aos pais ao chegarem em casa, daí podemos comparar com a preocupação que tem os PCN’S em relação aos educadores de como abordarem esta temática em sala e que os mesmos precisam enfrentar suas dificuldades para assim conduzir com mais segurança essa discussão com crianças e adolescentes. É necessário que o educador tenha acesso à formação específica para tratar de sexualidade com crianças e jovens na escola, possibilitando a construção de uma postura profissional e consciente no trato desse tema. Os professores necessitam entrar em contato com suas próprias dificuldades diante do tema, com questões teóricas, leituras e discussões referentes à sexualidade e suas diferentes abordagens; (PCN, Orientação Sexual, p. 11). Certo dia na escola uma cena me chamou muito a atenção, foi na hora da correção da tarefa de matemática, foi exatamente assim: algo me chamou a atenção referente ao aluno y, na hora da correção a professora deu uma excelente explicação, em seguida perguntou a turma: quem tem dúvidas sobre o assunto? E alguns alunos levantaram a mão, inclusive o aluno Y. Foi justamente neste momento que prestei bastante atenção, porque o aluno y
  16. 16. “gritou” Eu Tia, e soou como se não fosse ouvido, então a professora chamou apenas duas meninas “brancas” para o quadro e novamente fez a mesma pergunta, o aluno Y, eu tia, pelo que observei, o mesmo gostaria de ir ao quadro, porém, foi ignorado pela professora. Interessante é que a professora sentiu necessidade de no recreio vim comentar comigo que não era homofóbica, fiquei pensando: porque ela precisa disso? Então só podemos concordar com Bento, quando ela diz: […] a escola, que se apresenta como uma instituição incapaz de lidar com a diferença e pluralidade funciona como uma das principais instituições guardiãs das normas de gênero e produtora da heterossexualidade. Nos leva a refletir que para onde quer que corramos chegamos ao mesmo ponto, a sociedade não está preparada para o diferente, especificamente quando se trata da população LGBT. O que ficou muito claro foi que a princípio não víamos homofobia em sala, porém, segundo Bento, 2008 quando não se fala sobre, é o mesmo que excluir e dizer que não existe, aí a escola usa o termo até bonito que é evasão, quando na verdade se a mesma estivesse preocupada no porque que o aluno/a evadiu, seu dever era de acionar a família para conversar, ou mandar chamar o conselho tutelar , mas não, fica por isso mesmo. Não queremos com isso delegar mais uma missão para o professor, mas, é preciso que o professor seja mais humano e perceba no mínimo o que acontece em sala com seus alunos, para que assim, possa de alguma forma contribuir com os mesmos, já que o professor representa o adulto e que possui maior conhecimento e experiência.
  17. 17. CONCLUSÃO Ao pesquisarmos este tema tão atual, percebemos a relevância de darmos mais valor ao outro, enquanto ser humano, independente de seu gênero e orientação sexual, até porque segundo Kotlinski, 2007, Gênero é um empreendimento realizado pela sociedade para transformar o ser nascido com vagina ou pênis em mulher ou homem. Mas pudemos observar através da Constituição e da LDB que independente de gênero tem direitos garantidos enquanto cidadão. Como já foi falado anteriormente, a educação é um direito de todos, e este, está assegurado na constituição de 1988, sabemos que essa educação deve ser oferecida no ambiente escolar de forma igualitária para todos/as alunos/as e sem nenhum tipo de discriminação ou preconceito. Estamos no século XXI, conhecido como a era da tecnologia e é inadmissível que o professor em sala de aula feche os olhos para os casos de homofobia e discriminação alegando que não está preparado para enfrentar essas situações. O educador aceitando ou não esses novos alunos LGTB, os mesmos estão presentes em nossas escolas. Foi observado dos documentos oficiais que embasaram nossa pesquisa, como os PCN´S entre outros, onde os mesmos podem e devem ser utilizados pelos professores como uma das ferramentas que podem ajudá-los a introduzirem a temática no cotidiano escolar. Vivemos numa sociedade que ainda predomina a discriminação e o preconceito com a população LGBT. Termino com um ditado popular que considero relevante para nossa reflexão: Aceitar é um direito seu. Respeitar é um dever de todos.
  18. 18. 7. REFERÊNCIA FOUCAULT, Michel. História da sexualidade, vol. 1: A vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1979. BENTO, Berenice Alves de Melo. O que é transexualidade. São Paulo; Brasiliense, 2008. DENZIN, N. K; Lincoln, Y.S. – Handbook of qualitative research.London, sage publication, 1994. P. 643. FACCHINI, Regina. Sopa de letrinhas? Movimentos homossexuais e produção de identidades coletivas nos anos 90. São Paulo: Garamond; Rio de janeiro: CLAM, 2005. GOODE, William J.; HATT, Paul K. Métodos em pesquisa social. 2. ed. São Paulo:Nacional, 1968. MANN, Peter H. Métodos de investigação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar, 1970. Ulysses Guimarães, Presidente e outros. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL - 1988. LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. – 5. ed. – Brasília : Câmara dos Deputados, Coordenação Edições Câmara, 2010. Diversidade Sexual na Educação: problematizações sobre a homofobia nas escolas Rogérios Dinis Junqueira (organizador) – Brasília: Ministério ad Educação, Secretaria de Continuada, Alfabetização e Diversidade, UNESCO, 2009. SABINO, César. Musculação: expansão e manutenção da masculinidade. In: GOLDENBERG, Mirian (Org.). Os novos desejos: das academias de musculação às agências de encontros. Rio de Janeiro: Record, 2000. Louro, um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer. Autêntica: Belo Horizonte, 2004.
  19. 19. ANEXOS
  20. 20. OBSERVAÇÕES: 1º dia de observação na Escola Mínima Ebenezer Gueiros, na sala do 4º ano – turma do professor Nilton, tarde. Wesley, aluno X. A escola encontra-se dentro do 1º Batalhão Duarte Coelho. A sala hoje está composta por dezesseis alunos, sendo cinco meninos e onze meninas. O aluno X tem provavelmente onze anos, o que foi possível observar é que o mesmo traz naturalmente consigo características comportamentais femininas, por exemplo: delicadeza, interage mais com meninas, mas a princípio não percebi nenhum tipo de preconceito entre eles. Interessante é que o professor foi bem receptivo, inclusive veio conversar comigo sobre a escola, pois a escola era estadual e há dois anos foi municipalizada. E me dizer que a prática dele é diferente, quando quer chamar a atenção de algum dos alunos (as), os/as chamam em particular, disse também que a turma é muito tranquila, enfim, ele conversou comigo sobre a educação e que não é tão simples desconstruir para as crianças o tema LGBT, mesmo levando em consideração que o professor verbalizou não estar preparado para falar da temática LGBT com a justificativa quão complexa é a escola. 2ª OBSERVAÇÃO: Hoje a turma está composta por dezoito alunos, sendo oito meninos e dez meninas. Autonomia, secretaria de educação, gestora, como é possível transformar? Quando o professor em sala não tem subsídio para trabalhar junto com ele o ensino aprendizagem dos alunos/as no sentido de transformação social? (desabafo do professor). Na correção da tarefa de casa, poucos alunos conseguem fazer a tarefa de casa, poucos alunos conseguem fazer a tarefa, o aluno X demonstra ter dificuldades na aprendizagem. Por quê?
  21. 21. Segundo o professor foi devido sua inclusão tardia na escola, sua mãe aparentemente o superprotege, pois todos os dias tomam dez minutos do seu tempo quando vem trazê-lo à escola, olhando a banca que o menino senta, recomendando que o mesmo faça as tarefas e se comporte. Sua mãe o tomou para criar, porque até certo tempo o mesmo morava com o pai. Durante o recreio pude observar ou reafirmar uma das características das pessoas LGBT que é ter mais afinidade com meninas. 1ª observação no horário da manhã – professora Isabel do 5º ano- aluno Brendo – Y A turma é composta, pelo menos hoje, por vinte e nove alunos, sendo quinze meninos e quatorze meninas. É possível perceber que a sala não comporta a quantidade de alunos, fui bem recebido tanto pela professora como pelos alunos, a primeira pergunta feita pelos alunos foi se iria ter palestra, o que me chamou a atenção é que não tiveram olhares homofóbicos, mas, pelo que pude perceber não esqueceram a palestra que participaram comigo ano passado. Os alunos mesmo com minha presença na sala, agiram normalmente, muitos perguntaram pelas pessoas que estiveram comigo na palestra. A professora passou uma tarefa de matemática do livro didático, deu 10 minutos para os alunos resolverem e foi conversar com outra professora na porta da sala, passado o tempo combinado algo me chamou a atenção referente ao aluno y, na hora da correção a professora deu uma excelente explicação, em seguida pergunto a turma: quem tem dúvidas sobre o assunto? E alguns alunos levantaram a mão, inclusive o aluno Y. Foi justamente neste momento que prestei bastante atenção, porque o aluno y “gritou” Eu Tia, e soou como se não fosse ouvido, então a professora chamou apenas duas meninas “brancas” para o quadro e novamente fez a mesma pergunta, o aluno
  22. 22. Y, eu tia, pelo que observei, o mesmo gostaria de ir ao quadro, porém, foi ignorado pela professora. Durante o recreio a professora conversou bastante comigo sobre os problemas recorrentes e fez um paralelo entre o ensino público e o privado, segundo a mesma não é diferente em relação a autonomia do professor em sala. Pude perceber que o aluno Y é muito comunicativo, delicado e interage mais com as meninas. Vale lembrar que a professora expressou não ter apoio da gestora. Parece realmente que Berenice Bento tem razão, quando diz que quando a escola prefere silenciar sobre o assunto, está excluindo a população LGBT. 2º DIA A turma hoje está composta por vinte e três alunos, sendo treze meninos e dez meninas. Hoje, a turma foi dividida em grupos para resolver problemas do livro didático de matemática. Na correção, o aluno Y foi ao quadro e acertou a continha, todos os demais alunos/as aplaudiram-no, o mesmo sentiu-se reconhecido e respeitado. Geison é um novo aluno – Z. Em conversa com a gestora pude ouvir que é preciso que todos respeitem a diversidade, inclusive a mesma relatou de uma avó de um dos alunos da escola se “tornou Lésbica”. Ouvi da professora que o aluno Y é autêntico, ou seja, ele age segundo a mesma sem medo do que as outras pessoas vão pensar, por exemplo: no carnaval todos estavam com vergonha de dançar, o aluno Y, pegou a sombrinha de frevo e começou a dançar, a partir de então, todos os demais foram dançar. A professora também confirmou que o Geison também se enquadra na temática porque interage mais com as meninas e tem trejeitos.

×