Exegese do segundo testamento prof sandro valentin

586 visualizações

Publicada em

Exegese do Novo Testamento

Publicada em: Educação
  • Seja o primeiro a comentar

Exegese do segundo testamento prof sandro valentin

  1. 1. PROF SANDRO VALENTIN Valentin.sandro@gmail.com (31) 8353-9579 / 9581-6544
  2. 2. ORIENTAÇÕES O Diácono Sandro Valentin é Pregador, Palestrante e Conferencista. Congrega na Assembléia Deus Min. Belo Horizonte Região da Pampulha (Sta Mônica), Bacharel em Theologia pela Faculdade Unida de Vitória ES, Professor de Theologia na Escola de Theologia Minas Gerais, Casado com Suliane Camila, exerce seu ministério Denominado Voando Como Águia, onde Ministra a Palavra De Deus em Todo o Brasil.
  3. 3. SOBRE O PROFESSOR  O Professor Sandro Valentin é Diácono da Assembléia Deus Min. Belo Horizonte região da Pampulha (Sta Mônica), Bacharel em Theologia pela Faculdade Unida de Vitória ES,  Professor de Theologia na Escola de Theologia Minas Gerais,  Casado com Suliane Camila, exerce seu ministério Denominado Voando Como Águia, onde Ministra a Palavra De Deus em Todo o Brasil.
  4. 4. INTRODUÇÃO Comentando Exegese, o professor Sandro Valentin Costa da Silva afirma que a mesma refere-se ao estudo sistemático e crítico, mui especialmente histórico- literário, da Bíblia conforme princípios hermenêuticos, com o propósito imediato de determinar, com o máximo de precisão, mediante o emprego de certos recursos e instrumentos técnicos, qual o sentido primitivo que o escritor original tencionou dar ao seu texto, isto é, o que o texto quer dizer ou comunicar por si mesmo. 1
  5. 5. Exegese, sob uma perspectiva de conceituação elementar, é também definida como comentário para esclarecimento ou interpretação detalhada de um texto ou palavra - especialmente da Bíblia, leis ou gramática. 2
  6. 6. Em nenhuma doutrina frisamos nossas idéias particulares, mas usamos a Palavra para acurar a mais límpida verdade. Acreditamos que existem verdades cristãs que devem estar na mente e coração de cada autêntico servo de Deus. 3
  7. 7. A palavra exegese tem sua origem no termo grego exegesis, que tanto pode significar narração, guiar, dirigir, governar, descrição ou apresentação, como explicação e interpretação, que, por sua vez, origina-se de exegeomai. Egeomai significa “conduzir” e ex, respectivamente ek, expressa a idéia de “para fora”. Etimologicamente, o significado proposto para exegese seria “conduzir para fora”. 4
  8. 8. 5 Exegese e hermenêutica Tênue é a linha limítrofe entre a exegese e a hermenêutica. Haja vista que ambas possuem uma intrínseca relação. Todavia, apesar dessa íntima relação, é necessário serem feitas as devidas distinções entre exegese e hermenêutica.
  9. 9. 6 Exegese e hermenêutica O vocábulo hermenêutico se origina da palavra grega Hermeneutike que por sua vez, é derivada do verbo ermeneuein, que possui significado similar ao de exegese, isto é, “interpretar”. Ordinariamente trata-se dos princípios que dita as regras gerais ou específicas a serem aplicadas na busca e na determinação do sentido dos textos. E, por sua vez, a exegese, como já fora supracitado, trata-se da aplicação concreta de regras hermenêuticas; portanto, ela consiste na explicação propriamente dita do texto.
  10. 10. 7 Exegese e hermenêutica A Hermenêutica pertence ao grupo de estudos Bibliológicos, isto é, aos estudos centrados na Bíblia. Ela é naturalmente a Filosofia Sacra, e precede imediatamente a Exegese. A Hermenêutica e a Exegese se relacionam na mesma forma que a teoria se relaciona com a prática, pois a exegese é a aplicação metodológica dos princípios técnicos hermenêuticos.
  11. 11. 8 Exegese e hermenêutica Portanto, a hermenêutica é a ciência da interpretação, e a exegese a extração dos pensamentos que assistiam ao escritor sagrado quando este redigia determinada porção da Escritura. A exegese como ciência da correta interpretação das Sagradas Escrituras possui suas próprias leis de interpretação, que devem ser entendidas e aplicadas corretamente para se descobrir o sentido exato de determinada passagem bíblica.
  12. 12. 9 O Exegeta Os dicionários comumente definem o termo “exegeta” como “aquele que se dedica a fazer exegese”. Partindo de uma perspectiva técnica de conceituação, e sabendo que exegese é uma ação de explicação interpretativa, o “exegeta” pode ser conceituado como a pessoa que interpreta e explica o sentido de um texto. Essa conceituação evidencia que todo aquele que interpreta e explica um texto pode ser classificado como exegeta, todavia o questionamento é se o indivíduo é um bom ou mau, exegeta.
  13. 13. 10 O objetivo da Exegese A exegese tem como objetivo o estudo cuidadoso e sistemático da Escritura para descobrir o significado original que foi pretendido. A exegese é praticamente uma tarefa histórica. É a tentativa de escutar a Palavra conforme os destinatários originais devem tê-la ouvido; descobrir qual era a intenção original das palavras da Bíblia.
  14. 14. 11 O objetivo da Exegese Esta é a tarefa que freqüentemente exige a ajuda do “perito”, aquela pessoa cujo treinamento a ajudou a conhecer bem o idioma e as circunstâncias dos textos no seu âmbito original. Não é necessário, no entanto, ser perito para fazer boa exegese.
  15. 15. 12 Historicidade Desde que Deus revelou as Escrituras, tem havido diversos métodos de estudar a Palavra de Deus. Os intérpretes mais ortodoxos têm encarecido a importância de uma interpretação literal, outros têm empregado um método alegórico, e ainda outros têm examinado letras e palavras tomadas individualmente como possuindo significado secreto que precisa ser decifrado.
  16. 16. 13 Escolas Exegéticas Exegese Patrística (100-600 d.C.) A despeito da prática dos apóstolos, uma escola de interpretação alegórica dominou a igreja nos séculos que se sucederam. Esta alegorização derivou-se de um propósito digno - o desejo de entender o Antigo Testamento como documento cristão. Contudo, o método alegórico segundo praticado pelos pais da igreja muitas vezes negligenciou por completo o entendimento de um texto e desenvolveu especulações que o próprio autor nunca teria reconhecido.
  17. 17. 14 Escolas Exegéticas Os autores do segundo século que, acima de tudo, procuraram defender o cristianismo de acusações em voga na época, de procedência grega e judaica são, em geral, conhecidos como os apologistas. Para estes homens o cristianismo era a única verdadeira filosofia, substituto perfeito para a filosofia dos gregos e a religião dos judeus, que nada mais podiam fazer do que apresentar respostas insatisfatórias às perguntas cruciais do homem.
  18. 18. 15 Escolas Exegéticas A exegese patrística é fortemente marcada por três escolas, as quais são: “Escola Alexandrina; Escola Antioquiana; e a Escola Ocidental”.
  19. 19. 16 Escolas Exegéticas Exegese Medieval (600-1500 d.C.) Durante a Idade Média, muitos, até mesmo do clero, viviam em profunda ignorância quanto à Bíblia. E os que conheciam era devido apenas à tradução da Vulgata e aos escritos dos Pais. A Bíblia era, geralmente, considerada como um livro cheio de mistérios, os quais só poderiam ser entendidos de uma forma mística.
  20. 20. 17 Escolas Exegéticas Nesse período, o sentido quádruplo da Escritura (literal, tropológico, alegórico e analógico) era geralmente aceito, e o princípio de que a interpretação da Bíblia tinha de se adaptar à tradição e à doutrina da Igreja tornou-se estabelecido. Reproduzir os ensinos dos Pais e descobrir os ensinos da Igreja na Bíblia eram considerados o ápice da sabedoria.
  21. 21. 18 Escolas Exegéticas A regra de São Benedito foi sabiamente aplicada nos monastérios, e decretado que as Escrituras deveriam ser lidas e, com elas, como explicação final, a exposição dos Pais. Hugo de São Vítor chegou a dizer: “Aprenda primeiro as coisas em que você deve crer e, então, vá à Bíblia para encontrá-las. Nem um único princípio hermenêutico foi desenvolvido nessa época, e a exegese estava de mãos e pés atados pela tradição oral e pela autoridade da Igreja”.
  22. 22. 19 O Período da Reforma A Renascença foi de grande importância para o desenvolvimento dos princípios sadios da Hermenêutica. Nos séculos XIV e XV, a ignorância densa prevaleceu quanto ao conteúdo da Bíblia. Houve doutores de divindade que nunca a haviam lido inteira. E a tradução de Jerônimo era a única forma pela qual a Bíblia era conhecida. A Renascença chamou a atenção para a necessidade de se voltar ao original. Reuchlin publicou uma Gramática Hebraica e um Léxicon Hebraico; e Erasmo publicou a primeira edição crítica do Novo Testamento em Grego.
  23. 23. 20 O Período da Reforma Os Reformadores criam na Bíblia como sendo a Palavra Inspirada de Deus. Mas, por mais estrita que fosse sua concepção de inspiração, concebiam-na como orgânica ao invés de mecânica. Em certos particulares, revelaram até mesmo uma liberdade notável ao lidar com as Escrituras. Ao mesmo tempo, consideravam a Bíblia como a autoridade suprema e como coorte final de apelo em disputas teológicas.
  24. 24. 21 Exegese Gramatical No estudo do texto, o intérprete pode proceder da seguinte maneira. Começar com a sentença, com a expressão do pensamento do escritor como uma unidade e, então, descer aos particulares, à interpretação das palavras isoladas e dos conceitos. Três coisas pedem consideração aqui.
  25. 25. 22 A Etimologia das Palavras O significado etimológico das palavras merece atenção em primeiro lugar, porque precede todos os outros significados. Como regra, não é aconselhável que o intérprete deva entregar-se muito às investigações etimológicas. Esse trabalho é extremamente difícil e pode, ordinariamente, ser deixado para especialistas. Ao mesmo tempo, é aconselhável que o expositor da Escritura note a etimologia estabelecida de uma palavra, uma vez que isso pode ajudar a determinar seu significado real e pode iluminá-lo de uma maneira surpreendente.
  26. 26. 23 Uso corrente das palavras Para interpretar corretamente a Bíblia, o intérprete deve ter conhecimento dos significados que as palavras adquiriram no curso do tempo e do sentido em que os autores bíblicos as usaram. Se o intérprete tem alguma razão para duvidar do significado de uma palavra, como apresentado no Léxico, ele terá de investigar por si mesmo.
  27. 27. 24 Uso corrente das palavras a) A maioria das palavras tem muitos significados, alguns literais e outros figurados; b) O estudo comparativo de palavras análogas em outras línguas requer uma discriminação cuidadosa e nem sempre ajuda a fixar o significado exato de uma palavra, uma vez que palavras correspondentes em Línguas diferentes nem sempre têm, exatamente, o mesmo significado original e derivativo;
  28. 28. 25 Uso corrente das palavras c) No estudo das palavras do Novo Testamento, é imperativo que a avaliação do koiné escrito e também do falado, seja considerada; d) Não é sempre seguro concluir o significado de uma palavra do Novo Testamento a partir do seu significado no grego clássico, uma vez que o Cristianismo acrescentou um novo conteúdo a muitas palavras.
  29. 29. 26 O uso figurado das palavras Na relação presente, não estamos preocupados com as figuras de sintaxe ou de pensamento, mas com as figuras de linguagem que são comumente chamadas de tropos, nas quais uma palavra ou expressão é usada em um sentido diferente daquele que lhe é próprio. Os principais tropos são a metáfora, a metonímia e a sinédoque.
  30. 30. 27 O uso figurado das palavras A metáfora pode ser chamada de comparação não expressa. Ela é uma figura de linguagem na qual um objeto é assemelhado a outro afirmando ser o outro, ou falando dele como se fosse o outro. As metáforas ocorrem freqüentemente na Bíblia. No Sl 18.2, seis delas são encontradas em um único versículo. Jesus usou essa figura de linguagem quando disse aos fariseus: “Ide dizer a essa raposa”, Lc 13.32.
  31. 31. 28 O uso figurado das palavras As metonímias também são numerosas na Bíblia. Essa figura, assim como a sinédoque, é baseada em relações em vez de em semelhanças. No caso da metonímia, essa relação é mais mental do que física. Ela indica relações como causa e efeito, progenitor e posteridade, sujeito e atributo, sinal e objeto assinalado. Paulo diz em 1Ts 5.19, “Não apagueis o Espírito”, quando se refere às manifestações especiais do Espírito.
  32. 32. 29 O uso figurado das palavras A sinédoque assemelha-se, de alguma forma, à metonímia, mas a relação na qual é encontrada é mais física do que mental. Nessa figura, há uma certa identidade entre o que é expresso e o que se quis dizer. Uma parte é expressa pelo todo ou o todo por uma parte; um gênero pela espécie, ou uma espécie por um gênero; um indivíduo pela classe ou uma classe pelo indivíduo; um plural pelo singular ou um singular pelo plural.
  33. 33. 30 A interpretação do pensamento A explicação do pensamento é algumas vezes chamada de “interpretação lógica”. Ela procede da suposição de que a linguagem da Bíblia é, como qualquer outra linguagem, um produto do espírito humano, desenvolvida sob direção providencial.
  34. 34. 31 A interpretação do pensamento As parábolas merecem uma atenção especial. A palavra “parábola” é derivada do grego paraballo (jogar ou colocar ao lado de), e sugere a idéia de colocar alguma coisa ao lado de outra para comparação. Ela denota um método simbólico de linguagem, no qual uma verdade moral ou espiritual é ilustrada pela analogia da experiência comum. Ela mantém os dois elementos da comparação distintos como “interno e externo”, e não atribui qualidades e relações de um ao outro.
  35. 35. 32 Interpretação Histórica Outro instrumento de trabalho do intérprete bíblico é a exegese histórica. Aqui o autor deve ser interpretado de acordo com o seu contexto histórico. Devemos aplicar ao texto os conhecimentos da época do autor, fornecidos pela arqueologia, geografia, cronologia e história geral. Somente assim seremos capazes de entrar no cenário do texto. Não será necessário recorrer à história da exegese.
  36. 36. 33 Interpretação Histórica “Na interpretação histórica de um livro, a pergunta ‘quem é o autor? ’ é sempre a primeira. Alguns livros da Bíblia mencionam seus autores outros não. Mesmo tendo o conhecimento do nome do autor, isso não proporciona ao exegeta todo o material de que necessita. Terá de familiarizar-se com o próprio autor como homem. Isto é, seu caráter, seu temperamento, sua disposição e modo habitual de pensar...
  37. 37. 34 Interpretação Histórica O conhecimento íntimo do autor do livro facilitará a compreensão de suas palavras; habilitará o intérprete a entender, e quiçá a estabelecer, de um modo conclusivo, como as palavras e expressões nasceram na alma do autor”.
  38. 38. 35 Interpretação Histórica Segundo Berkhof há uma outra questão a levantar e é de suma importância no que toca à interpretação bíblica, é que, antes de qualquer coisa, o exegeta bíblico deve procurar saber quem são os personagens que aparecem no livro, pois, conforme opina Berkhof, os autores bíblicos costumam introduzir personagens em seus escritos e é da maior importância que o expositor distinga escrupulosamente as palavras do autor das daquelas pessoas que intervêm na narração.
  39. 39. 36 Exegese Teológica Os elementos que podem ajudar o expositor na interpretação teológica são compostos de duas partes: (1) Paralelos Reais ou Paralelos de Idéias; e (2) Analogia da Fé ou da Escritura. Ambos procedem do pressuposto de que a Palavra de Deus é uma unidade orgânica na qual todas as partes são mutuamente relacionadas e, juntas, subservientes ao todo da revelação de Deus; e que, em última análise, a Bíblia é a sua própria intérprete.
  40. 40. 37 Exegese dos Evangelhos No estudo dos Evangelhos, a exegese se torna mais difícil que nas epístolas, pela simples razão de que a maior parte de sua substância antecipa a Cruz e a ressurreição de Cristo, sem que este glorioso ato chave seja ainda manifesto.
  41. 41. 35 Exegese dos Evangelhos Em nossa exegese temos de evitar um dispensacionalismo com demasiada rigidez, que ignore a unidade da revelação divina, e ao mesmo tempo compreender que, de fato, Deus opera por “tempos e estações”, e que os Evangelhos indicam a importantíssima transição do regime preparatório à idade do cumprimento em Cristo, o Prometido.
  42. 42. Duas razões justificam as dificuldades de interpretar os Evangelhos: A primeira é que Jesus não escreveu nenhum evangelho. Todos os quatro Evangelhos que temos são provenientes de outras pessoas. A Segunda é justamente o fato de termos quatro Evangelhos. Os Evangelhos são livros biográficos que contém, além da biografia de Jesus, os seus ensinos e profecias. São livros acerca de Jesus. EXEGESE DO SEGUNDO TESTAMENTO
  43. 43. O CONTEXTO DOS EVANGELHOS Na exegese dos Evangelhos temos de analisar os contextos: 1: HISTORICO Devemos procurar ter o máximo de informações sobre o judaísmo do primeiro século antes e depois de Jesus. Isto é importante para entender a forma de ensino de Jesus. Jesus era mestre em usar parábolas, provérbios (Mt 6.21), símiles e metáforas (Mt 10.16), poesia (Mt 7.7-8), perguntas (Mt 17.25), ironia (Mt 16.2-3), etc. Por outro lado, temos de entender que cada evangelista escreveu com um interesse de explicar um aspecto da vida e do ministério de Jesus.
  44. 44. 2: LITERARIO Temos que levar em consideração que as narrativas foram escritas primeiramente em aramaico, enquanto nossa interpretação é no texto grego. Por outro lado, é impossível que duas pessoas contem a mesma história com as mesmas palavras. Tomando por exemplo a narrativa da multiplicação dos pães para 5.000, Gordon Fee e Douglas Stuart (1) fizeram a seguinte estatistica:
  45. 45. a) Número de palavras: Mateus - 157Lucas - 153 Marcos - 194João - 199 b) Nos sinóticos há 53 palavras comuns. c) João tem 8 palavras em comum com os sinóticos. d) Os quatro Evangelhos concordam em: Mateus com Marcos - 59% Mateus com Lucas - 44% Lucas com Marcos- 40% João com Mateus- 8,5% João com Marcos- 8,5% João com Lucas- 6,5%
  46. 46. 3: AS PARABOLAS As parábolas são estórias da vida cotidiana da época, levavam uma carga cultural da época em que foram escritas, e eram usadas para ensinar verdades espirituais. Para interpretarmos as parábolas temos que levar em consideração a descoberta do público original para quem foram contadas. A exegese das parábolas deve ser, em princípio, ouvir o que eles ouviram. Mas, para isso, devemos observar as seguintes considerações:
  47. 47. a) A variedade dos tipos de parábolas: 1) Históricas - Estória simples com começo e fim - O Bom Samaritano; A Ovelha Perdida; O Filho Pródigo; A Grande Ceia; Os Trabalhadores da Vinha; O Rico e Lázaro; As Dez Virgens. 2) Símile - O Fermento e a Massa. 3) Metáfora - O Semeador. 4) Alegoria - Os Lavradores Maus.
  48. 48. b) A função das parábolas - As parábolas funcionam como uma evocação de uma resposta pelo ouvinte. Elas cativavam os ouvintes fazendo-os pensar em suas ações, levando-os a dar alguma resposta a Jesus e seu ministério. Os pontos de referência eram identificados facilmente pelos ouvintes originais, captando a lição. Desta forma, mesmo que venham captar os pontos de referência, as parábolas nunca irão funcionar como funcionaram para os primeiros ouvintes. Entretanto, podemos fazer exegese tentando captar o que eles captaram, mesmo levando em conta que não podemos captar o impacto que elas causaram naqueles que as ouviram da boca de Jesus. c) A interpretação das parábolas - Para interpretarmos as parábolas devemos considerar: 1) Os pontos de referência - a chave da interpretação ou compreensão são os pontos de referência, isto é, as várias partes da história que faz relação entre o ouvinte e a história. Os pontos de referência criam as expectativas e prendem o ouvinte na estória. Por exemplo: Parábola de Lc 7.40-42 - Os pontos de referência: O Rei = Jesus; Os devedores = Simão e a prostituta.
  49. 49. 2) O auditório - para identificar o auditório original iremos procurar o significado das parábolas. Para isso devemos ouvir as parábolas tantas vezes quando necessário, procurar identificar os pontos de referência que os ouvintes originais captaram e procurar determianr a impressão tal como eles o fizeram. Exemplo: Lc 10.25-37. 3) Falta de Contexto - Há parábolas que não possuem contexto histórico para que possamos identificar os pontos de referência com facilidade. Entretanto, se procurarmos ler várias vezes, poderemos, aos poucos, fazer distinção dos pontos de referência. Exemplo: Mt 18.12-14 - A Ovelha Perdida. 4) Parábolas que Ilustram o Reino - Para interpretarmos as parábolas do Reino, devemos considerar o seguinte: (a) Não interpretar o primeiro ponto de referência como ilustração do Reino e sim toda a parábola; (b) As parábolas são veículos da mensagem de Jesus que as usa para chamar o ouvinte à responder o seu apelo ao discipulado.
  50. 50. A EXEGESE DOS ATOS A dificuldade na exegese do livro dos Atos dos Apóstolos, se dá por três razões: a) Algumas pessoas procuram estudar o livro dos Atos interessadas apenas nos pormenores históricos acerca da Igreja Primitiva; b) Algumas pessoas estudam o livro dos Atos visando comprovar a veracidade da Bíblia, demonstrando a exatidão histórica de Lucas; c) Uma grande parte das pessoas buscam no livro satisfazer o desejo religioso e devocional, procurando saber como eram os primeiros cristãos para usá-los como modelos para os dias atuais. Os interesses pessoais levar as pessoas encarar o livro dos Atos de uma forma seletiva. Entretanto, nosso estudo do livro deverá levar-nos a olhá-lo segundo o interesse de Lucas ao escrevê-lo. Para isso, devemos lê-lo fazendo interrogações ao texto.
  51. 51. A HISTORICIDADE DOS ATOS Lucas é o único escritor bíblico gentio. Era um médico grego, daí a influência helenistica em seus escritos. A narrativa histórica era escrita para entreter, informar, moralizar, encorajar, oferecer uma apologética, além de consumar registros ou fazer uma crônica do passado. A interpretação dos Atos além de incluir a história com questões tais como o que aconteceu, inclui também questões teológicas tais como o propósito de Lucas ao escrever da maneira que escreveu e o que escreveu. Se pudermos provar que a intenção de Lucas era estabelecer um padrão universal e atemporal, então ele teria estabelecido uma norma para todos os cristãos. Mas, se ele teve outro objetivo ao escrever, então devemos descobrir qual era esse objetivo.
  52. 52. Uma das dificuldades enfrentadas é descobrir quem era Teófilo e qual era o interesse real de Lucas ao escrever-lhe. Devemos, ao interpretar a Bíblia, ter o interesse de saber primeiro o que foi escrito para depois procurara saber o porque. Na interpretação do livro dos Atos devemos em primeiro lugar ler, e ler bastante. De preferência ler todo o livro de uma só vez. Enquanto se lê, deve-se ter um bloco de notas para anotar os assuntos, pessoas e lugares chaves, bem como as divisões naturais do livro. Em seguida, devemos voltar a ler o livro fazendo referência às anotações anteriores e, por fim, fazer a pergunta: Por que lucas escreveu o livro dos Atos? Devemos procurar esboçar o livro de Lucas observando suas divisões naturais.
  53. 53. OBSERVAÇÕES SOBRE OS PROPOSITOS DOS ATOS 1. Devemos declarar sempre que um dos principais propósitos de Lucas, em Atos, é relatar o papel do Espírito Santo na missão aos gentios. 2. Lucas não se preocupa em relatar detalhes sobre a vida particular, ou biografia dos personagens, tampouco pela organização e pela política da Igreja Primitiva, ou ainda pela expansão do evangelho para o oriente, limitando-se ao eixo Jerusalém-Roma. 3. Será que o que está narrado em Atos serve de norma ou modelo para delinear a vida da Igreja em todos os tempos?
  54. 54. ATOS E A HERMENEUTICA 1. Só podemos considerar como norma, aquilo que a narração quis ensinar, pois o precedente histórico, para ter valor normativo, deve relacionar-se com a intenção. 2. Não devemos usar analogia bíblica para normatizar nossas ações hoje. Somente podemos ter como norma aquilo que é amparado por uma ordem universal. As vezes, certas práticas são obrigatórias, mas o modo de praticá-las não.
  55. 55. A EXEGESE DAS EPISTOLAS Excetuando os Evangelhos, Atos e Apocalipse, a totalidade do Novo Testamento é constituído pelas epístolas. Adolf Deissman(1) faz distinção entre carta e epístola da seguinte forma: a) Cartas - Não eram literárias, mas eram destinadas à uma pessoa ou um grupo de pessoas para quem foram endereçadas. b) Epístolas - Era uma forma literária destinada para o público em geral. Esta distinção pode ser vista com a forma padronizada das cartas neo-testamentárias:
  56. 56. a) O nome do autor; b) O nome do destinatário; c) Saudação; d) Oração, desejo ou ação de graças; e) O desenvolvimento ou corpo; f) Saudação final e despedida. Os escritos do Novo Testamento que não têm os itens a, b, c e f são consideradas epístolas. Tanto as cartas como as epístolas não são tratados teológicos ou compêndios de teologia, mesmo que haja teologia subtendida. Isto é, mesmo que contenham teologia, mas foram escritas para fazer uma exposição da teologia cristã.
  57. 57. A INTERPRETAÇÃO DAS EPISTOLAS Ao interpretarmos as epístolas devemos considerar o seguinte: 1. Reconstruir a situação para a qual o autor está escrevendo. Para isso devemos consultar dicionários, enciclopédias ou outros livros para reproduzir o contexto histórico-geográfico daquela situação. Isto antes de começar o trabalho interpretativo. 2. Ler a carta inteira, do começo ao fim, de uma só vez, para se ter uma visão geral do assunto, fazendo anotações. 3. Procurar extrair o contexto literário. Isto é, seguir o argumento do autor como resposta à situação para a qual escreveu.
  58. 58. A HERMENEUTICA DAS EPISTOLAS É indiscutível a importância do uso das regras hermenêuticas na interpretação da Bíblia Sagrada. Com as epístolas não é diferente. Vejamos duas regras primárias na interpretação das epístolas: 1. “Um texto não pode ter significado diferente daquele dado por seu autor e seus leitores originais”. Esta regra ajuda, pelo menos, ao intérprete a descobrir o que o texto não diz, limitando sua significação. 2. “Quando as circunstâncias do século I são semelhantes às vivenciadas no século XX, a palavra de Deus para nós é a mesma que foi para eles”.
  59. 59. PROBLEMAS HERMENEUTICOS DAS EPISTOLAS Ao interpretarmos as epístolas nos deparamos com quatro problemas básicos: 1. O problema da extensão da aplicação. Será que a aplicação do texto para as circunstâncias do primeiro século pode ser extendido aos dias atuais? 2. O problema de situação em que não se pode comparar com situações atuais. Como tais textos dizem respeito a nós? Será que têm algo a nos dizer? 3. O problema da relatividade cultural. Como interpretar e aplicar para nós do século XX, textos condicionados pela linguagem e cultura dos Século I? 4. O problema da teologia aplicada. Na prática da teologia das epístolas vemos que muitos textos não nos dão total informação sobre um determinado assunto, apenas menciona-o. É o exemplo de I Co 6.2,3 onde Paulo afirma que iremos julgar os anjos, mas não diz como e quando isso se dará.
  60. 60. A EXEGESE DO APOCALIPSE O livro do Apocalipse é o livro mais mal interpretado entre os cristãos. O Apocalipse (Revelação) possui três tipos de literatura: As cartas, a profecia e o apocalíptico, este último não existente em nossos dias.
  61. 61. A HERMENEUTICA DO APOCALIPSE 1. Procurar a intenção original do autor (João). 2. Estar aberto à possibilidade de um sentido secundário, por ser profético, não percebido por seu autor ou leitores. 3. Não abusar da “analogia da escritura”. Isto é, não usar outros textos bíblicos abusivamente como chave para a interpretação do Apocalipse. 4. Ser sensível ao pano de fundo da composição do livro. 5. Observar os vários tipos de linguagem figurada do apocalipse. 6. Observar quando o próprio João define as suas figuras de linguagem servindo de partida para a compreensão das outras. 7. Ver as visões como um todo e não forçar alegoricamente todos os pormenores.
  62. 62. 8. Lembrar-se que as narrativas apocalípticas raras vezes pretendem oferecer uma narrativa detalhada e cronológica do futuro. A preocupação de João é revelar que, apesar das aparências, Deus está no controle da história e da Igreja. 9. Aprender que os quadros acerca do futuro são exatamente isso - quadros, não sendo confundidos com a realidade (Exemplo: as trombetas). 10. Levar em consideração que, as vezes, a literatura escatológica somente será esclarecida quando os fatos ocorrerem.
  63. 63. ATIVIDADES : FAÇA A CONCILIAÇÃO DOS SEGUINTES TEXTOS: 1. Atos 7.16 com Josué 24.32 2. I Coríntios 10.8 com Números 25.9 3. Efésios 4.8 com Salmo 68.18 4. Mateus 1.1-17 com Lucas 3.23-38 5. I Samuel 21 com Marcos 2.26 6. Romanos 3.21-4.25 com Tiago 2.14-26 7. Mateus 27.36,37; Marcos 15.26; Lucas 23.36-38; João 19.17-21 8. I Coríntios 12.1-11 com Efésios 4.7-14 9. Hebreus 5.1-14 com Hebreus 7.1-10

×