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proteção coletiva (EPC) ampliará 
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1) Ali, S. A. Dermatoses Ocupacionais. São 
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  1. 1. 108 Corte & Conformação de Metais – Julho 2012 Soldagem Exposição à radiação em processos a arco elétrico: consequências à saúde e formas de controle Dentre os métodos de união usados industrialmente, os processos de soldagem a arco elétrico têm vantagens como a versatilidade para atingir as condições almejadas em um projeto, fácil treinamento e custos acessíveis. No entanto, pelo uso do arco elétrico como fonte de calor (temperaturas superiores a 3.000°C), há o surgimento de um espectro de radiação eletromagnética que pode acarretar injúrias ocupacionais nos olhos e na pele do soldador. Este artigo aborda os mecanismos de formação e os tipos de radiação associados ao arco elétrico, seus efeitos sobre a saúde e as formas normatizadas existentes para seu controle (uso de equipamentos de proteção coletiva e individual). J. A. L. de Sousa, S. R. Barra q uando se fala da geração de radiação em soldagem, é importante que se tenha em mente não apenas o conceito e os diferentes tipos de radiação, mas também o que realmente é a soldagem. Em termos de con-ceituação, não fica bem claro para a comunidade a diferença entre solda e soldagem. É impor-tante enfatizar que “soldagem” refere-se ao processo de fabrica-ção, do grupo dos processos de união, que visa o revestimento, a manutenção e/ou a união de materiais, em escala atômica, com ou sem o emprego de pressão e com ou sem a aplicação de calor. Assim, sempre que a ideia se re-ferir à operação (preparação, execução e/ou avaliação), o termo correto a ser utilizado é soldagem. Por sua vez, “solda” corresponde ao resultado final da operação, ou seja, o depósito/cordão. Considerando as diferentes aplicações industriais do processo de fabricação por soldagem, os usuários têm a possibilidade de escolha de mais de 50 diferentes processos aplicáveis às condi-ções de fabricação. Destes, os processos de soldagem a arco elétrico (como, por exemplo, TIG, MIG/MAG, eletrodo revestido, entre outros), pela adequada combinação custo/facilidade de operação/gama de aplicação, correspondem à maior parcela de aplicação no Brasil. Para os processos de soldagem a arco elétrico, em razão da fonte de calor estar associada à for-mação e à manutenção do arco elétrico (temperaturas superiores a 3.000°C), decorre o fenômeno de ionização da coluna gasosa e, como consequência, há a produ- João Andrade Lopes de Sousa e Sérgio Rodrigues Barra são, respectivamente, pesquisadores do Departamento de Engenharia Mecânica e do Departamento de Engenharia de Materiais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal, RN (contato por e-mail: jlopesrn@yahoo.com.br; barra@ct.ufrn.br). Publicação autorizada pelos autores.
  2. 2. 110 Corte & Conformação de Metais – Julho 2012 Soldagem ção de energia térmica e energia luminosa. Dessa forma, a radia-ção eletromagnética emitida pela soldagem (arco elétrico) cobre os espectros das radiações ultravio-leta (UV) e infravermelha (IV). Segundo o Ministério da Saúde (MS), a radiação eletromagnéti-ca proveniente do arco elétrico pode ser prejudicial à saúde do soldador, causando problemas visuais e/ou cutâneos(9). Por isso, a Sociedade Americana de Sol-dagem (AWS, American Welding Society) e a Norma Regulamen-tadora 6 (NR6) do Ministério do Trabalho brasileiro recomendam a utilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) para evitar injúrias nas áreas do corpo citadas anteriormente. Um es tudo realizado pelo Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacionais dos Estados Unidos (NIOSH, Natio-nal Institute for Occupational Safety and Health) no ano de 2010 chegou à conclusão de que cerca de 6% dos danos Fig. 1 – Acidente de trabalho na região ocular x porcentagem de casos. Adaptado de Niosh(18). causados à visão dos trabalhado-res norte-americanos estão rela-cionados ao processo de solda-gem a arco elétrico, como pode ser visto na figura 1. Lombardi et al.(13), estudando a relação entre a operação de soldagem e a ocorrência de danos nos olhos, relatam que lesões traumáticas na região ocular caracterizam-se como um importante problema de saúde e segurança ocupacional para os trabalhadores que estão envolvidos na operação de solda-gem (soldadores e operários que trabalham na área em que a operação é realizada). No mesmo estudo, os autores mostram que, das lesões oculares relatadas, 5,1% foram em soldadores e 8,2% corresponderam aos de-mais operários que atuavam na região da operação. Radiação Em termos conceituais, a radia-ção eletromagnética pode ser
  3. 3. Corte & Conformação de Metais – Julho 2012 111 Fig. 2 – Representação esquemática da relação entre o espectro eletromagnético e suas respectivas fontes de emissão. Adaptado de Arpansa(5). definida como um conjunto de ondas elétricas e magnéticas irradiadas (7). Como forma de ilustrar o fenômeno, a figura 2 mostra que as radiações emitidas pelo processo de soldagem a arco elétrico situam-se nas faixas de radiação infravermelha, luz visível e, uma grande parte, na região
  4. 4. 112 Corte & Conformação de Metais – Julho 2012 Soldagem da radiação ultravioleta (UV). Tenkate(20), adotando o esque-ma fotobiológico para explicar o fenômeno, mostra que as fron-teiras que separam as regiões da radiação não são bem definidas, podendo variar de acordo com a aplicação. Analisando o espectro ele-tromagnético apresentado na figura 2, pode-se constatar que a faixa de luz visível é muito fina em comparação a outras regiões espectrais(7). Para facilitar o entendimento da formação, dos tipos e das formas de controle da radiação ultravioleta, a figura 3 apresenta um mapa conceitual sobre os diferentes espectros de radiação UV (UVA, UVB ou UVC), os quais aparecem com maior intensidade no processo de soldagem a arco elétrico e, como consequência, podem causar danos maiores ao trabalhador. Essa emissão é originada pelo choque dos íons, átomos e elétrons presentes no arco. Seu contato com o opera-dor pode causar doenças a curto (fotoqueratite, eritema cutâneo) ou longo prazo (catarata, câncer de pele, fotoenvelhecimento). Os problemas oriundos da ex-posição ao arco elétrico podem ser evitados com a seleção e a utilização correta dos equipa-mentos de segurança (individuais ou coletivos). O equipamento de proteção individual (EPI) protege-rá o soldador e/ou seu ajudante. Já a adoção do equipamento de Fig. 3 – Mapa conceitual sobre a radiação ultravioleta (tipo, origem, causas e forma de controle)
  5. 5. 114 Corte & Conformação de Metais – Julho 2012 Soldagem proteção coletiva (EPC) ampliará a proteção aos transeuntes e ao ambiente de trabalho vizinho à região da operação de soldagem. É interessante salientar que, além da radiação UV, existem outros efeitos físicos deletérios gerados no arco: exposição ao calor, aos respingos de metal, à luz visível e à radiação infravermelha. O mecanismo de radiação no arco elétrico Wainer(21) define o arco elétrico como “a descarga elétrica man-tida através de um gás ionizado, iniciada por uma quantidade de elétrons emitidos do eletrodo negativo (cátodo) aquecido e mantida pela ionização térmica do gás aquecido”. No arco elétrico (figura 4), considerado uma região eletri-camente “neutra”, observa-se a presença conjunta de cargas ne-gativas em constante movimento (elétrons livres – e-), cargas posi-tivas (prótons), vapores metálicos Fig. 4 – Representação do mecanismo de formação e manutenção do arco elétrico durante a soldagem: a) mecanismo comum para a abertura do arco; b) fenômenos observados na formação e manutenção do arco elétrico. e moléculas do gás de proteção. Ao realizar-se a abertura do arco (colisão de cargas elétricas e efeito Joule), ocorre a geração de energia térmica e energia luminosa. Em complemento, como mostrado na figura 4 (b), o arco elétrico caracteriza-se ainda pela formação de três distintas regiões: a região anódica (com caráter positivo decorrente do acumulo de carga +), a região catódica (acumulo de carga -) e a coluna do arco (região eletrica-mente neutra). Nesta linha, a região anódica adquire o caráter “-” pela locali-zação/ acúmulo dos elétrons que foram emitidos da região cató-dica. Em contrapartida, a região catódica adquire o caráter “+” pelo deslocamento e o ancora-mento de cargas positivas. Por fim, observa-se a coluna locali-zada entre as regiões anódicas e catódicas, denominada coluna do arco ou coluna de plasma, com característica de neutrali-dade elétrica (igualdade entre as cargas + e -). No processo de soldagem a arco elétrico, uma parte da energia que não se transforma em calor gera radiações eletro-
  6. 6. Corte & Conformação de Metais – Julho 2012 115 magnéticas, que são dissipadas para o meio exterior ao arco (figura 4b). Radiação infravermelha De acordo com Tenkate (20), a radiação infravermelha (IV) está compreendida no espectro ele-tromagnético na faixa de 7,7.10-7 até 1,00.10-3 m (figura 6). Ainda segundo o autor, a radiação IV Fig. 6 – Representação esquemática do espectro eletromagnético contendo tipos de radiação em função do comprimento de onda (l). Adaptado de Extruflex (2012). pode se dividir em três faixas: IVA (7,70.10-7 até 1,40.10-6 m), IVB (1,40.10-6 até 3,00.10-6 m) e IVC (3,00.10-6 até 1,00.10-3 m). Obser-va- se que a faixa de abrangência da radiação IV é significativamente mais ampla que a da ultravioleta. No entanto, em alguns casos, ela chega a ser considerada ausente em alguns processos de solda-gem. Assim, pode-se supor que no arco elétrico, a quantidade de radiação infravermelha emitida é muito menor, em comparação com a ultravioleta e a luz visível(20). Radiação ultravioleta No Brasil, o Ministério da Saúde enfatiza que, no processo de sol-dagem a arco elétrico, a radiação ultravioleta é a que mais pode causar danos ao operador. Adi-cionalmente, segundo a Agência Australiana de Proteção contra Fig. 5 – Fenômenos físicos associados ao arco elétrico – “distribuição de cargas”(21)
  7. 7. 116 Corte & Conformação de Metais – Julho 2012 Soldagem Tab. 1 – Duração da exposição máxima permissível para soldagem ao arco elétrico(20) Processo de soldagem a Radiação e Segurança Nuclear (Arpansa, Australian Radiation Protection and Nuclear Safety Agency)(5) e Faber(9), a radiação ultravioleta (UV) está compreen-dida no espectro eletromagnético com o comprimentos de onda entre 1,00.10-7 m e 4,00.10-7 m (figura 6). É importante ressaltar que a radiação UV não pode ser vista a olho nu, sendo somente detectada por equipamentos específicos para esse fim. Os raios UV podem ser classifi-cados em três faixas, considerando a ordem crescente de perigo ao ser humano: UVA – presente na faixa de 3,15.10-7 até 4,00.10-7 m; UVB – pre-sente na faixa de 2,80.10-7 até 3,15.10-7 m; e a faixa mais nociva ao soldador, denominada UVC, situada no espectro de 1,00.10-7 a 2,80.10-7 m(5, 9, 20). A emissão de radiação na região do arco elétrico pode ser influenciada por diversos fatores, tais como o tipo de eletrodo, o gás de proteção, o fumo gerado no processo, o metal de base, a corrente e a tensão de soldagem, entre outros. Essa condição pode ser visualizada na tabela 1, que demonstra o tempo máximo (tmax) de exposição à radiação (sem proteção de EPI, considerando uma distância de dois metros da fonte de radiação). Neste caso, a radiação ul-travioleta pode causar danos à saúde do soldador de acordo com o tempo de exposição. Os problemas ocasionados em curto prazo são a fotoqueratoconjun-tivite (fotoqueratite) e o eritema cutâneo. Já os efeitos em longo prazo podem ser a catarata, o fotoenvelhecimento e o câncer de pele, como mostrado no mapa conceitual da figura 3(1, 19, 20). Radiação ionizante A American Welding Society(4) cita que a radiação ionizante (radiação com energia suficiente para induzir íons e elétrons livres na matéria exposta “superfície”(átomos e/ou moléculas) é produzida no pro-cesso de soldagem por feixe de elétrons (imposição de um nível elevado de tensão elétrica) ou por partículas oriundas da ponta do eletrodo de tungstênio dopado com tório (Th).Outro exemplo des-se tipo de radiação são os raios-X e os raios gama(4, 7). Deve-se, portanto, definir dis-tâncias seguras em relação à fonte de radiação ionizante e, para o particulado, sistemas de exaustão e máscaras de proteção adequadas para impedir a inalação. Radiação não ionizante Na soldagem, a radiação não ionizante (nível de energia não suficiente para destacar elétrons dos átomos), como já mencio-nado anteriormente, tem sua intensidade e tamanho de onda variáveis de acordo com os parâ- Tab. 2 – Transmitância luminosa em função da tonalidade do filtro(2) Filtro: tonalidade “número” (visor) Transmitância luminosa na luz visível (valor nominal em %) Transmitância luminosa no ultravioleta distante (%) Exemplos de faixas de corrente associadas ao processo TIG* Incolor 100 - – 5 1,93 0,02 – 6 0,72 0,001 – 7 0,27 0,007 – 8 0,1 0,004 Até 30 A 9 0,037 0,002 30 até 70 A 10 0,0139 0,001 70 até 120 A 11 0,0052 0,0007 120 até 200A 12 0,0019 0,0004 200 até 300 A 13 0,00072 0,0002 300 até 350 A 14 0,00027 0,0001 – *Cada processo de soldagem terá relação adequada entre a tonalidade do filtro e a corrente regulada no equipamento de soldagem (fonte). Gás de proteção Metal de base Corrente de soldagem (A) Exposição permitida à radiação UV Tempo máximo tmax (s) TIG He Aço de baixo carbono 100 50 250 30 TIG Ar Aço de baixo carbono 100 700 250 110 TIG Ar Alumínio 50 4.000 100 1.000 MIG/MAG Ar Alumínio 150 26 300 12 MIG/MAG CO2 Aço de baixo carbono 150 100 350 16 MIG/MAG Ar/O2 Aço de baixo carbono 150 30 250 10
  8. 8. 118 Corte & Conformação de Metais – Julho 2012 Soldagem metros de soldagem, o tipo de eletrodo, o fluxo de material e o revestimento. O principal tipo de radiação não ionizante gerado no processo de soldagem a arco elétrico é a radiação ultravioleta (UV). Adi-cionalmente, é importante citar que também há a geração de luz visível (situada entre os espectros de UV e IV), que provoca incômo-do ao operador (soldador). É importante salientar que a ra-diação ultravioleta é independente do brilho visível, ou seja, os raios UV podem chegar ao soldador mesmo que aparentemente a lumi-nosidade não esteja associada. Essa observação reforça a importância da utilização de EPIs que garantam a segurança do trabalhador duran-te a exposição ao arco elétrico(4). Na soldagem a arco elétrico, a proteção coletiva (PC) pode ser feita por placas que avisam sobre os riscos associados à operação para aqueles que estão expostos às radiações. Esse tipo de prote-ção pode ser usado largamente em avisos com dizeres como: “Cuidado, ambiente submetido à radiação!” e “Perigo!”, entre ou-tros. Geralmente, esses avisos são posicionados na entrada do local ou em um ponto onde sua visua-lização seja fácil e rápida(14). Outra medida para proteger a integridade dos trabalhadores é o afastamento da fonte de radiação ou o seu enclausura-mento entre paredes, tapumes, cortinas, biombos ou cabines de soldagem(10). A proteção também pode ser feita pela pintura das Em operações de soldagem, os principais equipamentos para proteção contra a radiação do arco elétrico são as máscaras com lente protetora (filtros) no visor e as roupas especiais (avental, magote, touca, entre outras), que impedem que os raios atinjam a pele e os olhos do soldador(3, 19). Equipamento de proteção Equipamento de proteção coletiva Segundo Lyon(14), os equipamentos de proteção coletiva (EPCs) têm o objetivo de impedir que problemas ou injúrias possam ser causados a mais de um trabalhador ao mesmo tempo ou aos transeuntes em uma área de operação.
  9. 9. Corte & Conformação de Metais – Julho 2012 119 paredes e superfícies com tintas que diminuem a reflexão da ra-diação. Essa pintura é especial, pois possui componentes que têm alta absorção da radiação ultravioleta, como óxido de zinco ou óxido de titânio(14). Outra possibilidade de pro-teção são rotas demarcadas com distâncias seguras para os transeuntes e trabalhadores vizinhos. Equipamento de proteção individual Segundo a Norma Regulamen-tadora número 6 do Ministério do Trabalho (NR 6), considera-se equipamento de proteção indi-vidual (EPI) todo dispositivo ou produto de uso individual pelo trabalhador destinado à proteção contra riscos suscetíveis de amea­çar a segurança e a saúde no trabalho. No caso da soldagem, o EPI deve impedir que ocorram injúrias principalmente na pele e nos olhos do soldador (1, 4). Considerando o que foi exposto, a proteção da região de operação pode ser feita de duas maneiras, ou seja: individualmente (EPI) ou Fig. 7 – EPI básico usado durante a operação de soldagem a arco elétrico
  10. 10. 120 Corte & Conformação de Metais – Julho 2012 Soldagem coletivamente (EPC). Deve-se sempre aliar as duas modalidades de proteção, visto que uma pode com-plementar a outra. Assim, pode-se inferir que, antes do início da operação, é preciso fazer um estudo completo sobre os riscos que podem prejudicar o trabalhador alocado para a referida atividade(16). Tab. 3 – Levantamento de mercado do preço médio dos EPI utilizados pelo soldador Avental de raspa de couro 20,00 Luva de raspa de couro 15,00 Máscara de proteção (elmo) 30,00 Perneira de raspa de couro 20,00 Visor de policarbonato (filtro) 2,00 Equipamentos de proteção individual aplicados à soldagem Segundo a Norma Regulamenta-dora número 6, o EPI é recomen-dado para os profissionais que estejam diretamente ligados com a operação e também os seus ajudantes. No Brasil, por força de lei, o EPI deve ser fornecido gratuitamente aos trabalhadores, quando estes estão sujeitos ao risco de acidentes de trabalho ou de doenças profissionais. No processo de soldagem a arco elétrico, um dos EPIs mais lembrados é a máscara de sol-dagem (elmo) , que, além de impedir que níveis prejudiciais de radiação luminosa e ultra-violeta entrem em contato com os olhos e o rosto do soldador, não permitem que as partículas que se desprendem do processo (por exemplo, salpicos de metal) atinjam o rosto, o pescoço ou as orelhas do operário(14, 17, 19). O filtro presente nesse EPI (más-cara de soldagem) tem algumas tonalidades padronizadas pela entidade norte-americana Ame-rican National Standards Institute (ANSI), de acordo com a norma Z87.1(2). Esses tons têm como objetivo reduzir a quantidade de radiação (luz visível e radiação EPI (unidade) Valor médio (R$) Botas 70,00 Braceira 20,00 UV) que chega ao operador, ou seja, diminuir (controlar) a trans-missividade do visor (atuação sobre a transmitância luminosa) em função da corrente de solda-gem aplicada. Segundo Incropera et al.(11), considera-se a transmitância como a fração da radiação inci-dente transmitida pela matéria, ou seja, neste caso, a porcen-tagem de radiação que o filtro permite que chegue ao solda-dor. Geralmente, ela é dada em porcentagem. Alguns valores de transmitância para certas tonali-dades de filtros podem ser vistos na tabela 2 (pág. 116). Em relação ao restante da vestimenta, as roupas para pro-teção são compostas de perneira, braceira, avental e luvas (figura 7, pág. 119). Esses EPIs impedem que respingos de metal líquido em altas temperaturas provenien-tes do processo atinjam a pele do soldador ou que o operador, aci-dentalmente, se queime ao tocar uma superfície quente. Por fim, também impedem a penetração dos raios UV(16). Por gravidade, as partículas quentes provenientes da poça de fusão tendem a cair, podendo assim atingir o pé do operador. Nesse contexto está a função das botas. Além disso, esse EPI protege o trabalhador de impactos decor-
  11. 11. Corte & Conformação de Metais – Julho 2012 121 rentes da queda, sobre os pés, dos instrumentos e peças utilizados no processo de soldagem(16). É importante ressaltar que o uso correto dos equipamentos de pro-teção em questão é um acréscimo para evitar ou diminuir problemas ocasionados pelo trabalho(14, 16). Custo do EPI versus cultura de uso Para entender a importância do uso do EPI e os respectivos custos associados, a tabela 3 (pág. 120) mostra uma estimativa do custo médio, em reais, dos EPIs utilizados no processo de soldagem(N. E.). Para o cálculo da média foram levanta-dos no mercado (via pesquisa na Internet) os preços dos EPIs em três diferentes revendas. Pela análise dos preços expostos na tabela 3, pode-se chegar a um valor médio total por soldador (conjunto de EPI) na ordem de R$ 200,00(N.E.). Observa-se que o menor valor entre os EPIs listados na referida tabela está associado ao visor de policarbonato (filtro), que, em comparação com os ou-tros equipamentos, representa apenas 1% do valor total inves-tido na segurança do soldador. Portanto, constata-se que o valor associado ao filtro é inversamente proporcional ao valor da segurança proporcionada por este EPI, quando comparado, por exemplo, com os custos associados ao afastamento não programado do operário por queimadura nos olhos (tempo de afastamento de até 15 dias). Além disso, esse é o único dos equipa-mentos de proteção individual que, Nota dos editores: os preços informados correspondem a valores aferidos em no primeiro semestre de 2012, período em que foi elaborado o artigo.
  12. 12. 122 Corte & Conformação de Metais – Julho 2012 Soldagem quando adequadamente seleciona-do, permite a visualização da região do arco e mantém os olhos do soldador sob níveis de transmitância (radiações UV) previstos em norma (controle da penetração da intensa luminosidade e dos raios UV). Por fim, de acordo com Lyon(14), ressalta-se que o uso do equipa-mento de proteção não é o único fator responsável pela saúde do operador. Se o seu uso não for feito de maneira correta, o soldador po-derá sofrer com os efeitos nocivos da radiação emitida pelo arco elé-trico. Isso significa dizer que, além da disponibilidade dos EPI, é ne-cessário que haja um treinamento e o acompanhamento periódico e eficiente da mão de obra para que injúrias não venham a ocorrer. Conclusões Com base nos dados pesquisados e na normatização vigente, é possível afirmar que: a) O arco elétrico, por sua nature-za, emite dois tipos principais de radiação, ionizante e a não ionizante. Excetuando-se o processo de soldagem por feixe de elétrons e as partícu-las decorrentes da preparação do eletrodo de tungstênio dopado com tório (que geram radiação ionizante), a radiação predominante no arco elétrico é a não ionizante (UVA e IV). Esse tipo de radiação varia de acordo com uma série de fato-res (parâmetros de soldagem, tipo de eletrodo, metal de base e/ou revestimento); b) A radiação não ionizante é a responsável pela luminosidade emitida no processo de sol-dagem a arco elétrico e, tam-bém, pelos raios ultravioleta (UVA, UVB e UVC), sendo que os raios UVC são potenciais causadores de danos ao solda-dor (pele e olhos). Observa-se ainda que a radiação infraver-melha tem uma pequena faixa associada à soldagem (arco elétrico), muitas vezes nem sendo detectada; c) Para garantir condições de se-gurança, EPI e EPC são adota-dos como forma de permitir a visibilidade da região soldada (região do arco) e, ao mesmo tempo, controlar a exposição do soldador à radiação eletro-magnética gerada pelo arco elétrico (principalmente os raios UV – controle da trans-mitância luminosa); d) É necessário que haja o acom-panhamento e o treinamento periódico da mão de obra asso-ciada com a operação de solda-gem, como forma de garantir a verificação da certificação dos equipamentos e possibilitar seu emprego correto; e) Na soldagem, mesmo havendo normatização e órgãos fisca-lizadores indicando a obriga-toriedade do uso dos EPIs, observa-se que, por falta de conscientização do empresário e do soldador, o uso do EPI ainda é uma questão polêmica e pouco discutida no chão de fábrica.
  13. 13. Corte & Conformação de Metais – Julho 2012 123 Referências 1) Ali, S. A. Dermatoses Ocupacionais. São Paulo, Ed. Fundacentro, 2009. 2) ANSI – American National Standards Institute. Z87.1-2003 – Occupational and Educational Personal Eye and Face Protection Devices, 2003. 3) AWS – American Welding Society. Eye and Face Protection for Welding and Cutting Operations. Safety and Health Fact Sheet n. 31, 2006. 4) AWS – American Welding Society. Radiation. Safety and Health Fact Sheet n. 2, 2003. 5) Arpansa – Australian Radiation Protection and Nuclear Safety Agency. Occupational Exposure to Ultraviolet Radiation. Radiation Series n. 12, 2006; p. 5. 6) BS EN 379:2003. Personal eye-protection – Automatic welding filters. 7) Côcco, L. C. Previsão de Propriedades Fisico-Químicas e Composição Química da Gasolina a Partir de Espectros no Infravermelho. Tese (doutorado) – Universidade Federal do Paraná. Setor de Tecnologia. Programa de Pós-Graduação em Engenharia – PIPE, 2008. 8) Dixon, A. J.; Dixon, B. F. Ultraviolet radiation from welding and possible risk of skin and ocular malignancy. MJA, vol. 181, n. 3, 2004; p.155-157. 9) Faber, M. Ultraviolet Radiation, 2ª ed. Non-ionizing Radiation Protection. World Health Organization Regional Office for Europe. Copenhagen, Dinamarca, 1989. 10) Gomes, A. A.; Ruppenthal, J. E. Aspectos de Higiene e Segurança na Soldagem com Eletrodos Revestidos em Microempresas do Tipo Serralheria. In: XXII Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Paraná, 2002. 11) Incropera, F. P.; Dewitt, D. P.; Bergman, T. L.; Lavine, A. S. Fundamentos de Transferência de Calor e Massa. Rio de Janeiro, LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora, 2008. 12) International Commission on Non- Ionizing Radiation Protection (ICNIRP). Protecting Workers from Ultraviolet Radiation. ICNIRP 14/2007, ISBN 978-3- 934994-07-2, 2007. 13) Lombardi, D.A.; Pannala, R.; Sorock, G.S.; Wellman, H. Welding related occupational eye injuries: a narrative analysis. Inj. Prev. 11(3), 2005; p. 174-9. 14) Lyon, T. L. Knowing the Danger of Actinic Ultraviolet Emissions. Safety and Health Fact Sheet, n. 26, 2002. 15) Machado, I. G. Soldagem e Técnicas Conexas: Procesos, 1ª ed. Porto Alegre, editado pelo autor, 1996. 16) MS – Ministério da Saúde. Dermatoses Ocupacionais. Brasília, Editora do Ministério da Saúde, 2006. 17) MTE – Ministério do Trabalho e Emprego. NR 6 – Equipamento de Proteção Individual, 2010. 18) Niosh – National Institute for Occupational Safety and Health. Work-related Eye Injuries Treated in Emergency Departments by Injury Source. Healthy People 2010 Vision. Fact Sheet: Eye Safety at Work is Everyone’s Business. 19) Okuno, T.; OJIMA, J.; SAITO, H.Ultraviolet Radiation Emitted by CO2 Arc Welding. British Occupational Hygiene Society, vol. 45, n. 7, 2001; p. 597-601. 20) Tenkate, T. D. Optical Radiation Hazards of Welding Arcs. Reviews on Environmental Health, vol. 13, n. 3, 1998; p. 131-146. 21) Wainer et al. Soldagem: Processos e Metalurgia, 2ª ed. São Paulo, Edgard Blücher, 1992.

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