Dinâmica da Vida Cristã - Apostila maturidade

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Apostila Maturidade - Dinamica da Vida Cristã

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Dinâmica da Vida Cristã - Apostila maturidade

  1. 1. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 1 INTRODUÇÃO O que vem depois da salvação? Certamente é o crescimento espiritual. Assim como uma criança vai crescendo até chegar a sua maturidade, a vida espiritual também precisa deste desenvolvimento. Paulo rogou aos colossenses que “... como pessoas maduras e plenamente convictas, continuem firmes em toda a vontade de Deus” (Colossenses 4:12b). E este deve ser também o nosso desejo. Esta é a segunda classe de desenvolvimento espiritual para novos membros de nossa igreja. Na primeira classe você estudou sobre o que é uma igreja batista, sua história, visão e formação. Viu como nossa igreja pensa e os princípios de nossa salvação, bem como o significado do batismo e da ceia. Após o batismo o que devemos fazer? Continuar crescendo! O apóstolo Paulo declara: “O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Efésios 4:14,15). Não podemos nos acomodar muito menos achar que basta freqüentar a igreja. É necessário crescer e crescer dói. E quais são os instrumentos de Deus para nosso crescimento? Neste estudo veremos a importância da maturidade espiritual e do discipulado, sobre a oração, a Bíblia. Veremos também a importância da disciplina cristã como meio de desenvolver uma vida espiritual forte e saudável. Portanto, aproveite as próximas semanas. Certamente Deus o levará a caminhos novos e maravilhosos, mas certamente você não será mais o mesmo. Crescer dói, mas é bom; dá trabalho, mas colheremos os seus frutos e seremos grandemente abençoados. Por isso não desista! Boa caminhada e bom estudo! “Todos nós que alcançamos a maturidade devemos ver as coisas dessa forma, e, se em algum aspecto vocês pensam de modo diferente, isso também Deus lhes esclarecerá” (Filipenses 3:15)
  2. 2. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 2 CLASSE DE MATURIDADE AULA 01 – O QUE É “MATURIDADE ESPIRITUAL”? O que queremos dizer com maturidade espiritual? Será que é algo místico, impossível aos meros mortais? Será algo apenas para pastores e missionários? Ou representa o desejo de Deus para todos os Seus filhos? O apóstolo Paulo escrevendo aos Efésios declarou: “até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo” (Efésios 4:13). O objetivo da vida cristã é crescer, e a Bíblia chama isso de maturidade espiritual. Esta maturidade não é medida pelos anos de igreja muito menos por aquilo que você sabe. Maturidade Espiritual é ser semelhante a Jesus. Diz a Bíblia: “Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Romanos 8:29). ENGANOS E FATOS SOBRE A MATURIDADE ESPIRITUAL Há muitas vozes que nos dizem diversas coisas acerca do crescimento espiritual, mas na verdade são enganos. O que acontece? Muitos crentes vivem enganados e mirrados em sua vida cristã. Abaixo damos alguns enganos comuns acerca da maturidade: Crescimento espiritual é apenas para Gigantes da fé. Geralmente muitos pensam assim. Falar de crescimento espiritual, uma vida mais perto de Deus para muitos é o mesmo que algo que está fora do alcance. Ou para outros, oração e devoção são coisas para pessoas mais contemplativas. Na verdade, o crescimento espiritual e as disciplinas que o envolvem, são para pessoas comuns. Não há na Bíblia nenhuma visão de torná-lo um ermitão ou um monge numa montanha. As disciplinas espirituais estão acessíveis para pessoas que estão trabalhando, cuidando de casa e de filhos, lavando pratos ou cozinhando. A verdade é que as disciplinas espirituais são melhores praticadas quando envolvidas com as tarefas comuns da vida. Se elas vão transformar alguma coisa, então que seja nas conjunturas comuns da existência. Crescimento espiritual é uma tarefa ingrata e monótona. Há alguns outros que pensam que as disciplinas espirituais têm como objetivo acabar com a alegria pessoal. Imaginam aquelas imagens dos heróis da fé como pessoas carrancudas, que nunca se divertiam e que estavam sempre compenetrados em viver uma vida de crescimento espiritual. Essa idéia está mais para um estoicismo1 , que anula qualquer alegria, do que para cristianismo. Na verdade, quando falamos de crescimento espiritual, de disciplinas espirituais, então falamos da alegria como um fator importantíssimo. As disciplinas espirituais nos livram da sufocante escravidão ao auto-interesse e ao medo. Crescimento espiritual é para quem possui conhecimento doutrinário. A verdade é que os recém-convertidos e até mesmo aqueles que não conhecem a Jesus deveriam praticar estas disciplinas. Qual é a exigência para se praticar estas disciplinas espirituais? A exigência é uma só: Suspirar por Deus. O salmista declarou: “Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por ti, ó Deus. A minha alma tem sede de 1 O estoicismo é uma doutrina filosófica que propõe viver de acordo com a lei racional da natureza e aconselha a indiferença (apathea) em relação a tudo que é externo ao ser. O homem sábio obedece à lei natural reconhecendo-se como uma peça na grande ordem e propósito do universo.
  3. 3. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 3 Deus, do Deus vivo. Quando poderei entrar para apresentar-me a Deus?” (Salmo 42:1,2). Por isso precisamos compreender três fatos importantes sobre a maturidade: Não é automática. Sim, crescimento não é da “noite para o dia”. A Bíblia nos diz: “Embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido! Quem se alimenta de leite ainda é criança, e não tem experiência no ensino da justiça” (Hebreus 5:12,13). Os crentes hebreus já tinham um bom tempo de fé, mas ainda eram imaturos. Há muitos que estão anos na igreja e continuam infantis e imaturos. É um processo. A Bíblia conclama: “Vocês, inexperientes, adquiram a prudência...” (Provérbios 8:5). Ninguém alcança a maturidade sem desenvolvê-la num processo lento e gradativo. O apóstolo Pedro nos diz: “Cresçam, porém, na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo...” (2Pedro 3:18). O vocábulo “cresçam” aqui está no imperativo presente ativo, ou seja, é uma ordem que deve ser seguida constantemente. Por isso compreenda algo importante: Não há atalhos! Precisa de disciplina. Paulo pede a Timóteo: “... exercite-se na piedade” (1Timóteo 4:7b). Disciplina tem a mesma visão como a do atleta que se prepara para uma competição. As disciplinas espirituais são fundamentais se quisermos experimentar mais de Deus. A verdade é que muitos cristãos insistem em caminhar por outra estrada. Muitos acham que podem por esforços próprios crescer espiritualmente e desenvolver uma vida mais próxima de Deus. Mas para que serve a disciplina? Temos que compreender que o pecado abre seu caminho através “dos membros do corpo”; isto é, os hábitos enraizados do corpo (Romanos 7:5). E nada se compara a escravidão de hábitos pecaminosos enredados. O profeta Isaías diz: “Mas os ímpios são como o mar agitado, incapaz de sossegar e cujas águas expelem lama e lodo” (Isaías 57:20). Não é nada difícil para o mar expelir lama e lodo. Faz parte dos seus movimentos naturais. Assim também conosco quando nos achamos sob a condição de pecado. O pecado é parte da estrutura interna de nossas vidas e, sendo assim, não há nenhuma necessidade de algum esforço especial para produzirmos lama e lodo em nossa vida. Por isso não é de admirar que nos sintamos enredados. O que a grande maioria das pessoas faz? Geralmente pensam que, para vencer o pecado é necessário fazer um ataque frontal. Muitos crentes confiam em suas forças pessoais, numa vontade e determinação pessoal. Qualquer que seja o problema – ira, glutonaria, orgulho, medo, incontinência sexual – decidimos nunca mais repeti-lo, e assim oramos contra ele, lutamos contra ele e dispomos nossa vontade contra ele. Tudo, porém é em vão. Por quê? Porque estamos moralmente falidos, ou pior, estamos tão orgulhosamente confiantes em nossa justiça pessoal que na verdade somos como sepulcros caiados. A verdade é que não podemos purificar nosso coração através da nossa vontade. O apóstolo Paulo escrevendo aos Colossenses mostra a inoperância desta ação quando diz: “Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que, como se ainda pertencessem a ele, vocês se submetem a regras: ‘Não manuseie!’, ‘Não prove!’, ‘Não toque!’?... Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne” (Colossenses 2:20,21,23). Infelizmente, muitos acabam por acreditar na grande mentira de que podem vencer o pecado por meio de sua vontade. É por isso que Paulo fala da “pretensa religiosidade” ou como diz outra tradução, “culto de si mesmo”. Portanto, há um princípio fundamental que
  4. 4. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 4 precisamos aprender: A força da vontade nunca terá êxito no trato com os hábitos profundamente arraigados do pecado. É possível conseguir algum êxito inicial e por algum tempo, mas nas brechas e fendas de nossa vida sempre há de revelar a nossa condição interior. E a nossa condição é uma só: Não temos força alguma porque somos seres caídos. A nossa vontade tem a mesma deficiência da lei – ela pode lidar apenas com as exterioridades. Não é suficiente para operar a transformação necessária da disposição interior. Precisamos destruir a ilusão de uma transformação interior através do esforço humano; necessitamos compreender que a justiça interior é um dom de Deus que deve ser graciosamente recebido. A imperiosa necessidade de mudança dentro de nós é uma obra de Deus, não nossa. É necessário um trabalho interno e só Deus pode operar a partir do interior de nosso ser. Não podemos alcançar ou merecer esta justiça do reino de Deus; ela é uma graça concedida ao homem. O apóstolo Paulo declara: “Se pela transgressão de um só a morte reinou por meio dele, muito mais aqueles que receberam de Deus a imensa provisão da graça e a dádiva da justiça reinarão em vida por meio de um único homem, Jesus Cristo” (Romanos 5:17). Perceba que Paulo destaca que a justiça é uma dádiva, um dom de Deus. Isso significa que o êxito da justiça não é atingido pelo esforço humano. Em toda a Bíblia encontramos este ensinamento. Por isso precisamos crescer. Como disse o autor de Hebreus: “Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal” (Hebreus 5:14). Portanto, vivamos em busca da maturidade, pois este é o desejo de Deus: “Portanto, deixemos os ensinos elementares a respeito de Cristo e avancemos para a maturidade, sem lançar novamente o fundamento do arrependimento de atos que conduzem à morte, da fé em Deus” (Hebreus 6:1).
  5. 5. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 5 CLASSE DE MATURIDADE AULA 02 – PIEDADE COMO ESTILO DE VIDA A piedade (euvse,beiaeuvse,beiaeuvse,beiaeuvse,beia; eusebéia) significa “temor da divindade”, mas também tem o sentido básico da atitude certa para com Deus e para com a santidade, a majestade e o amor de Deus. Por isso alguns vão traduzir eusébeia (euvse,beuvse,beuvse,beuvse,beiaeiaeiaeia) como sendo a religião verdadeira que vem através do poder divino de Jesus Cristo: “Seu divino poder nos deu tudo de que necessitamos para a vida e para a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude” (2Pedro 1:3). Sem a visão de Jesus, sem a ajuda de Jesus, sem a presença de Jesus, a religião verdadeira é impossível. A eusébeia (euvse,beiaeuvse,beiaeuvse,beiaeuvse,beia) faz parte da busca de todo discípulo de Cristo: “Você, porém, homem de Deus, fuja de tudo isso e busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão. Combata o bom combate da fé...” (1Timóteo 6:11,12a). Ou seja, a piedade faz parte de uma grande batalha, em que deixamos de lado práticas e modelos do mundo para seguir os princípios de Deus em nossa vida. Em que consiste a piedade segundo a Bíblia? Vejamos: A eusébeia (euvse,beiaeuvse,beiaeuvse,beiaeuvse,beia) é produto de uma vida que vive à luz da eternidade: “Visto que tudo será assim desfeito, que tipo de pessoas é necessário que vocês sejam? Vivam de maneira santa e piedosa” (2Pedro 3:11). Cristo voltará para instaurar Seu Reino. A esperança de Seu retorno move o coração do cristão a viver nesta santa expectativa de ser achado como um servo pronto. Mas por que tem que ser assim? Porque a piedade é a marca da vida cristã. A eusébeia (euvse,beiaeuvse,beiaeuvse,beiaeuvse,beia) é a origem de toda teologia verdadeira e de todo pensamento verdadeiro: “Se alguém ensina falsas doutrinas e não concorda com a sã doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino que é segundo a piedade, é orgulhoso e nada entende...” (1Timóteo 6:3,4a). Paulo escrevendo a Tito também disse: “Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo para levar os eleitos de Deus à fé e ao conhecimento da verdade que conduz à piedade” (Tito 1:1). Portanto, piedade não é ficar recluso num mosteiro, se afastar do mundo e das pessoas. Piedade não é prosperidade material, “... os quais pensam que a piedade é fonte de lucro. De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos” (1Timóteo 6:5b,6-8). Ou seja, qualquer um que veja a religião como o caminho para o sucesso material, ou que emprega a religião para isso, tem um conceito errado do que seja a piedade. A verdadeira piedade aponta tanto para Deus como para o próximo, pois alia a piedade à fraternidade e ao amor (2Pedro 1:6,7). ENTENDENDO O DISCIPULADO Portanto a piedade é mais que dar esmolas, orar e jejuar. É mais que cantar, cultuar ou fazer qualquer outra atividade dita “espiritual”. A piedade é a marca do discípulo que vive para agradar a Deus e servir ao próximo, sem esperar nada em troca. Mas o que significa ser discípulo? • Crentes maduros são chamados discípulos. • Não posso ser um discípulo sem ser disciplinado. • Quanto mais disciplinado eu me torno mais Deus me usa. • A marca do discípulo é tomar a cruz. Jesus disse: “E aquele que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:27). • Com que freqüência devo fazer isso? Diariamente.
  6. 6. Jesus disse aos que O seguiam: mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga • O que está envolvido em “tomar a cruz”? devo COMO POSSO ME TORNAR UM DISCIPULO? O discipulado começa aos pés de Jesus. Na conversão fomos transformados em seguidores do Senhor Jesus. O discipulado começa ali; mas para que ele prossiga com sucesso precisamos de algo fundamental: O apóstolo Paulo nos diz: “ do velho homem com suas práticas conhecimento, à imagem do seu Criador Discípulo é aquele que anda nos passos do Mestre. Ou seja, é um aprendizado constante e diário onde aquilo que não serve é abandonado e aquilo que é importante e valioso vai sendo trabalhado até tornar conosco. E quais são os hábitos do discípulo? São quatro hábitos: Certamente Deus tem muito a nos ensinar com estes hábitos. Abra seu coração e deixe que o Senhor lhe ensine uma nova postura. LIBERALIDADE Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril Jesus disse aos que O seguiam: “... Se alguém quiser acompanhar-me, negue mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me” (Lucas 9:23). O que está envolvido em “tomar a cruz”? Em qualquer situação eu dar a Cristo o primeiro lugar em minha vida. COMO POSSO ME TORNAR UM DISCIPULO? O discipulado começa aos pés de Jesus. Na conversão fomos transformados em seguidores do Senhor Jesus. O discipulado começa ali; mas para que ele prossiga com sucesso precisamos de algo fundamental: Desenvolver os hábitos do discípulo. O apóstolo Paulo nos diz: “Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram do velho homem com suas práticas e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em conhecimento, à imagem do seu Criador” (Colossenses 3:9,10). Discípulo é aquele que anda nos passos do Mestre. Ou seja, é um aprendizado constante e diário onde aquilo que não serve é abandonado e aquilo que é importante e valioso vai sendo trabalhado até tornar-se parte fundamental. É assim que Deus tra conosco. E quais são os hábitos do discípulo? São quatro hábitos: Certamente Deus tem muito a nos ensinar com estes hábitos. Abra seu coração e deixe que o Senhor lhe ensine uma nova postura. Discípulo TEMPO COM A PALAVRA DE DEUS ORAÇÃO COMUNHÃO LIBERALIDADE Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 6 me, negue-se a si Em qualquer situação eu O discipulado começa aos pés de Jesus. Na conversão fomos transformados em seguidores do Senhor Jesus. O discipulado começa ali; mas para que ele prossiga com sucesso Não mintam uns aos outros, visto que vocês já se despiram e se revestiram do novo, o qual está sendo renovado em Discípulo é aquele que anda nos passos do Mestre. Ou seja, é um aprendizado constante e diário onde aquilo que não serve é abandonado e aquilo que é importante e se parte fundamental. É assim que Deus trabalha Certamente Deus tem muito a nos ensinar com estes hábitos. Abra seu coração e deixe ORAÇÃO
  7. 7. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 7 CLASSE DE MATURIDADE AULA 03 – COMO A BÍBLIA FOI FORMADA? “A erva seca, e a flor cai, mas a palavra de nosso Deus dura para sempre” Isaías 40:8 Para nós a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática. É muito importante para todo aquele que deseja seguir a Cristo ter um conhecimento profundo das Escrituras Sagradas. É na Palavra de Deus que encontramos a orientação necessária para a nossa vida e nossos conflitos emocionais e espirituais. Nela podemos encontrar a vontade de Deus e Seu plano para que a nossa vida seja feliz e abençoada. Mas se a Bíblia é um rico tesouro dado por Deus aos homens, então como ela foi formada? Como ela chegou até nós? Como posso aprender mais das Escrituras e desenvolver uma vida espiritual que agrade ao Senhor? Vejamos como se deu todo este processo. A BÍBLIA NÃO SURGIU DE UMA HORA PRA OUTRA É de suma importância entendermos que a Bíblia não surgiu de uma hora para outra. Imagine você escrever um livro. Depois de 500 anos outras pessoas escreverem outros livros e após mais 500 anos outras ainda deixarem registrados outros livros. Vendo pelo lado humano estes livros juntos fariam sentidos? Pela lógica não, porque foram escritos por diferentes pessoas, épocas e culturas. Nessa estrutura percebemos realmente a mão de Deus, pois esses livros, com tanto tempo de distância se completam trazendo uma mensagem central: Jesus Cristo. Assim foi formada a Bíblia, dentro de um período de aproximadamente 1600 anos e escrita mais ou menos por 40 pessoas. Deus que inspirou homens e mulheres a escreverem uma nova história, deixando para nós exemplos maravilhosos de fé, esperança e devoção ao Senhor. O apóstolo Pedro escreveu o seguinte: “Acima de tudo, porém, lembrem disso: ninguém pode explicar, por si mesmo, uma profecia das Escrituras Sagradas. Pois nenhuma mensagem profética veio da vontade humana, mas as pessoas eram guiadas pelo Espírito Santo quando anunciavam a mensagem que vinha de Deus” (2Pedro 1:20,21). A Bíblia é o livro mais vendido, mais criticado e mais estudo do mundo inteiro. Nela há duas divisões: o Antigo e o Novo Testamento. O Antigo Testamento contém 39 livros e o Novo Testamento 27. Antigo Testamento O Antigo Testamento não foi formado de uma hora para outra, mas foi desenvolvido num espaço de aproximadamente 1000 anos. Por isso é muito importante compreendermos que o Antigo Testamento não foi formado na ordem que temos hoje. Alguns livros surgiram ao mesmo tempo, outros foram sendo trabalhados aos poucos, chegando a sua forma final posteriormente. Embora o Antigo Testamento tenha sido formado num espaço de tempo tão longo, podemos observar de modo maravilhoso que a soberania de Deus manteve o texto de forma quase que intocável. Deus utilizou homens para escrever a Sua mensagem, e embora estes fossem homens falhos e pecadores, Deus os inspirou, usando-os como instrumentos de Sua mensagem no tempo deles. Além do mais Deus não anulou a personalidade de nenhum deles, isto é, cada um escreveu no seu estilo, linguagem e perspectiva histórica própria. O Antigo Testamento foi escrito em hebraico. Os hebreus são descentes de Abraão. Este patriarca nasceu em Ur dos Caldeus (atual Iraque) e foi chamado por Deus com uma
  8. 8. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 8 promessa: Ser uma bênção a todas as nações (Gênesis 12:1-3). Abraão2 significa “Pai de muitos povos” (~h'r'b.a;; ´abrähäm), e de fato ele o foi. Dele descendem os árabes por meio de Ismael3 e os judeus por meio de Isaque. Além de Sara, sua primeira esposa, Abraão teve uma segunda esposa após a morte de Sara, Quetura. Com ela ele teve outros filhos que formaram pequenas tribos no Oriente antigo. Isaque, herdeiro de Abraão, teve Jacó e Esaú. Jacó teve seu nome mudado pelo próprio Deus e passou a chamar-se de Israel. Ele teve doze filhos que deram origem às tribos de Israel. Após 430 anos no Egito os israelitas saíram liderados por Moisés. Essa saída foi chamada de Êxodo e os hebreus passaram quarenta anos no deserto. Josué liderou junto com Calebe a conquista de Canaã, a terra prometida por Deus a Abraão. Após a morte de Josué os hebreus foram liderados por juízes, que eram líderes carismáticos e militares. Esse sistema tribal durou 200 anos, mas por causa da ameaça dos filisteus, surgiu a necessidade de um novo sistema: a monarquia. O primeiro rei de Israel foi Saul, da tribo de Benjamim. Ele foi ungido a pedido do povo e Deus ordenou que Samuel, o último juiz de Israel fizesse isso. Mas por causa de seu espírito inquieto e desobediente Deus retirou seu reinado e deu a Davi. Davi também foi ungido por Samuel. Deus disse que ele era um homem segundo o coração dEle. Ele era pastor de ovelhas e pertencia a tribo de Judá. Após a vitória contra Golias, um gigante filisteu, Davi casou-se com a filha de Saul. Mas teve que fugir de Saul por causa dos ciúmes deste. No deserto formou um exército de 300 homens, mas nunca confrontou Saul, respeitando-o todos os dias de sua vida. Após a morte de Saul, o reino de Israel viveu dois anos divididos: O Norte liderado por Isbaal (filho de Saul) e Abner (irmão de Saul) e a tribo de Judá liderada por Davi que foi coroado rei de Judá. Após o assassinato de Isbaal, os anciãos de Israel foram até Davi e o coroaram rei de todo Israel. Davi firmou-se no trono, conquistou Jerusalém (que desde a conquista de Canaã estava nas mãos dos jebuseus) e a transformou em sua capital. Ele reinou quarenta anos e deixou seu filho no trono, Salomão. Salomão expandiu o reino de seu pai. No seu governo houve paz e o comércio foi expandido com todo oriente. Deus deu a Salomão uma sabedoria admirável a ponto de compor três mil provérbios e mil e cinco cânticos, descrevendo “... as plantas, desde o cedro do Líbano até o hissopo que brota nos muros. Também discorreu sobre os quadrúpedes, as aves, os animais que se movem rente ao chão e os peixes” (1Reis 4:30-34). Ele foi responsável pela construção do templo de Jerusalém, idealizado por seu pai. No final de seu reinado, por 2 Seu nome anterior era Abrão (~r'b.a;; ´abräm) ou “Pai exaltado”. 3 Ismael foi filho de Abraão com Agar, a serva de Sara. Era costume no antigo Oriente que a mulher que não desse filho ao marido deveria prover uma concubina para prover-lhe um filho. Mas se a esposa gerasse um filho, então esse se tornaria o herdeiro e não o filho da concubina. Isso de fato aconteceu com Ismael.
  9. 9. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 9 causa de suas mulheres pagãs caiu na idolatria. Por causa disso Deus prometeu que iria tirar dez tribos da descendência de Davi. Após a morte de Salomão (931 a.C.) o reino de Israel foi dividido: O Norte ou Israel e o Sul ou Judá. Abaixo damos uma síntese destes reinos: Reino do Sul ou Judá Reino do Norte ou Israel - Durou 344 anos; - Teve 19 reis; - Todos da mesma dinastia, a de Davi; - Quatro morreram assassinados; - Centro religioso e político permanente: Jerusalém; - Vários reis piedosos que fizeram reformas religiosas: Asa, Josafá, Joás, Ezequias e Josias. - Principais profetas: Semaías, Hanani, Isaías, Miquéias,Sofonias, Habacuque e Jeremias. - Durou 209 anos; - Teve 19 reis; - Teve nove dinastias; - Aproximadamente a metade dos reis teve morte violenta; - Centro religioso e político estavam separados; - Exceto Jeú, que fez uma reforma religiosa parcial, não houve nenhum rei piedoso. - Principais profetas: Aías de Siló, Elias, Eliseu, Joel, Jonas, Amós e Oséias. O reino do Norte durou de 931 a 722 a.C. O império assírio destruiu a cidade de Samaria e levou os habitantes para o exílio. Da mistura racial entre assírios e israelitas surgiram os samaritanos. O reino do Sul durou de 931 a 587 a.C. e foi destruído pelos babilônios que após a destruição de Jerusalém, levou ao exílio boa parte dos judeus (principalmente a classe mais instruída). No exílio os judeus ficaram em guetos e em 539 a.C. receberam a permissão do rei persa Ciro, o grande, para voltarem à sua terra. Durante o exílio os judeus tiveram a mensagem profética de Ezequiel, que tinha sido exilado em 597 a.C.4 , e Daniel que viveu na corte babilônica e foi influente por causa de sua vida. Esse retorno marcou um novo momento para os judeus que passaram a viver sob o domínio Persa. Eles tiveram que reconstruir a cidade de Jerusalém e o Templo. Neste período Deus usou Neemias para reorganizar os judeus, política e administrativamente; usou Esdras para reorganizar os judeus na questão religiosa, principalmente no ensino da Lei de Moisés. Usou profetas tais como Ageu e Zacarias para reconstruírem o templo e Malaquias, o último dos profetas, que pregou contra a falta de piedade dos judeus. Período Interbíblico Houve um período que Deus não inspirou mais profetas e as profecias cessaram. Esse tempo é chamado de “silêncio profético”, ou, “período interbíblico”, o qual durou aproximadamente 400 anos. Para as pessoas, Deus estava em silêncio, porém na Sua Soberania, Ele estava preparando a hora certa para a chegada de Jesus no mundo. Essa “hora certa” a Bíblia chama de “plenitude dos tempos” ou “tempo certo” (Gálatas 4:4; Efésios 1:10). A plenitude dos tempos inclui as conquistas realizadas por Alexandre, o Grande (séc. IV a.C.). À medida que Alexandre conquistava as províncias persas, a língua, os costumes e a civilização grega tomaram espaço e ganharam influência. Este processo é conhecido como helenização e continuou após a morte de Alexandre. Com isso surgiu o grego koinê (grego 4 No ano de 597 a.C. o rei Joaquim reinou três meses e foi exilado com a corte e alguns dos melhores homens e profissionais de Judá. Ezequiel, que era sacerdote estava junto. Dez anos depois Nabucodonosor II destruiu Jerusalém.
  10. 10. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 10 comum), uma língua universal5 . Percebemos Deus agindo na história secular, pois dois importantes documentos foram escritos neste grego: A Septuaginta (LXX)6 , que é a versão grega do Antigo Testamento hebraico e foi produzido em Alexandria, no Egito no século III a.C. e se tornou a Bíblia dos primeiros cristãos; e o Novo Testamento foi escrito no I século d.C. entre os anos 60 a 90 d.C. Essa língua foi essencial para a rápida expansão do cristianismo. Outro fator importante desta ação de Deus na história foi o surgimento do Império Romano. As legiões romanas desde ano 200 a.C. já vinham se engajando no Oriente. Nos últimos anos do primeiro século a.C. os romanos passaram como um rolo compressor no que restava do reino selêucida7 e dos pequenos estados, bem como o reino hasmoneu8 . No ano 64 a.C. Pompeu Magno apareceu na Síria e em 63 a.C. entrou em Jerusalém, sitiou e conquistou a área do Templo, provocou um banho de sangue, adentrou e profanou o Santo dos Santos e assumiu a Judéia como um Estado vassalo de Roma sob a fraca autoridade do sumo sacerdote Hircano II, do qual tirou o título de rei9 . Finalmente os romanos usaram um de seus mais fervorosos e inescrupulosos admiradores, o idumeu10 judaizado Herodes, filho de Antípater. Em 40 a.C., no Senado romano, ele foi nomeado formalmente rei da Judéia. Com o apoio militar dos romanos, sob o comando do supremo procurador da província da Síria, Herodes foi imposto como rei. Ao conquistar Jerusalém no ano 37 a.C., Herodes logo pôs de forma enérgica uma estrutura estatal autônoma, embora dependente dos romanos. Ele era dentro do Império 5 Quatro fatores foram imprescindíveis para tornar o grego koinê numa língua universal: A extensa colonização, grande união política e comercial das diversas tribos gregas, intercâmbio religioso entre as tribos gregas e as conquistas de Alexandre. Essa língua era usada no dia a dia, por isso, comum. Essa língua durou do ano 330 a.C. até 330 d.C. quando surge o grego bizantino. 6 Essa versão foi realizada possivelmente no reinado de Ptolomeu II (285-247 a.C.). Segundo uma lenda o rei Ptolomeu II deu uma ordem para a tradução do texto hebraico. Essa tarefa foi realizada por 72 anciões, que realizaram esta tradução separados uns dos outros e produziram resultados precisamente semelhantes. Por isso essa versão se chama Septuaginta ou Versão dos Setenta. Para alguns estudiosos a Septuaginta nada mais é que um Targum, ou seja, uma paráfrase das Escrituras Hebraicas na língua do povo, para ajudar aqueles que não mais entendiam a língua hebraica. 7 Após a morte de Alexandre o império foi dividido entre os generais Ptolomeu, Selêuco, Antígono e Lisímaco. Destes surgiram duas dinastias, os Ptolomeus e os Selêucidas. Ptolomeu ficou com o Egito e fez de Alexandria sua capital; Selêuco tomou a Babilônia em 312 a.C. e estendeu seu reino da Síria até à leste da Pérsia. As capitais de seu reino foram Selêucia e Antioquia. 8 Esse reino corresponde ao tempo em que os judeus foram dirigidos pelos descendentes de Judas Macabeus. Josefo (Ant. XII, VI, 1) vai nos informar que o bisavô de Matatias, pai dos Judas Macabeu, era conhecido como Asmonaios (Hashmon). Seus descendentes formaram a dinastia Hasmonéia. Esses sacerdotes-reis tornaram a Judéia livre entre os anos 152 a.C. a 63 a.C. 9 Flávio Josefo descreve com minúcias este evento no 14º livro das Antiguidades Judaicas. 10 Os idumeus representavam o antigo reino de Edom. Iduméia é a forma grega de Edom. Eles eram descendentes de Esaú, filho de Isaque.
  11. 11. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 11 Romano um “rei aliado” (rex socius), ou seja, estava subordinado ao Senado, não respondendo ao procurador da Síria. Foi Herodes quem reconstruiu o Templo de Jerusalém em que Jesus pregou. Novo Testamento O Novo Testamento foi escrito na língua grega durante um período de aproximadamente sessenta anos. O tema geral do Novo Testamento é a pessoa bendita de Nosso Senhor Jesus Cristo e inicia com os Evangelhos que retratam a vida, os ensinos, a morte e a ressurreição de Jesus. Jesus nasceu entre o ano 5 e 4 a.C., pois Herodes o Grande ainda era rei da Judéia. Ele nasceu conforme as Escrituras Sagradas mostravam (cf. Gênesis 3:15; 22:18; Deuteronômio 18:14-19; Salmo 16:10; 68:18-20; 69:21; 118:22; 132:11; Isaías 2:4; 7:14; 9:6,7; 11:1-10;). Ele veio como o 28:26; 42:11; 53; 59:16; 61:1-3; Miquéias 5:2; Zacarias 9:9; 11:12; 12:10; 13:7; Malaquias 3:1). Como Deus Encarnado, tomou a nossa natureza, mas sem pecado. Seu ministério terreno durou por volta de três anos e aos trinta e três anos foi morto crucificado durante a festa da Páscoa. Neste período o Governador romano era Pôncio Pilatos. Mas Jesus morreu “... pelo conselho determinado e pela presciência de Deus...” (Atos 2:23), ressuscitando ao terceiro dia. Ele ainda passou quarenta dias (Atos 1:3) ensinando aos discípulos. Após a ascensão de Jesus ao céu, os discípulos ficaram em Jerusalém conforme a orientação de Jesus. Na festa de Pentecostes veio um derramamento do Espírito Santo sobre os discípulos, que eram cerca de cento e vinte irmãos. Ali a Igreja teve seu início. Na pregação de Pedro quase três mil judeus foram batizados. Mas logo iniciou a perseguição. Primeiramente os judeus, por meio dos saduceus e fariseus, que tentavam impedir o desenvolvimento dos cristãos. Estevão foi martirizado por volta de 32 d.C. A perseguição fez com que os cristãos de Jerusalém fossem espalhados. Dentre eles, Filipe o evangelista, foi até os samaritanos. As muitas conversões entre os samaritanos fizeram com que João e Pedro fossem até eles e os batizassem (Atos 8). Ali os samaritanos tiveram a mesma experiência que os judeus tiveram no Pentecostes, confirmando a ação de Deus sobre eles. Nesse período Saulo de Tarso era o grande perseguidor da Igreja. Mas por volta do ano 37 d.C. ele teve um encontro com Jesus a caminho de Damasco. Ele ficou cego por três dias e depois da oração de Ananias, é batizado. Após uma demonstração de sua conversão, judeus de Damasco tentam matá-lo. Ele foge e vai para a Arábia onde fica por alguns anos (cf. Gálatas 1:17). Uma nova perseguição começa em Jerusalém e Tiago, irmão de João é morto por Herodes Agripa I em 43 d.C. Pedro também foi preso, mas um anjo o libertou (Atos 12:1-18) e ele fugiu da Judéia. Neste período começam a ser escritos os livros do Novo Testamento. Entre 45 e 48 d.C. Tiago, o irmão do
  12. 12. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 12 Senhor Jesus, escreve a sua carta aos cristãos. Barnabé, um cristão de Chipre, apresentou Saulo aos discípulos. Neste meio tempo Pedro vai à casa de Cornélio (Atos 10), um centurião romano de Cesaréia, onde ele e toda a sua família e os convidados, ao ouvirem a pregação de Pedro, receberam o Espírito Santo à semelhança do Pentecostes. Os judeus que estavam com Pedro ficaram admirados. Essa situação gerou uma inquietação entre os judeus de Jerusalém e Pedro lhes explicou como Deus o tinha guiado à casa de Cornélio. Ao ouvirem o que aconteceu eles louvaram a Deus (Atos 11:18). Logo após começaram as primeiras viagens missionárias. Em 46 d.C. aconteceu a Primeira Viagem Missionária em que Barnabé e Paulo foram enviados pela Igreja de Antioquia (Atos 13:1-3). O sucesso da viagem foi à crescente conversão dos gentios foi discutido no Concílio apostólico em Jerusalém (48 d.C.), se eles deviam ou não se submeter à Lei de Moisés (Atos 15). Depois disso Paulo inicia sua Segunda Viagem Missionária, acompanhada por Silas e Timóteo. Entre 50/51 d.C. Paulo chega a Corinto. Paulo escreve a 1 e a 2ª Carta aos Tessalonicenses, abordando sobre a Segunda Vinda de Cristo. Em 55 d.C. Paulo iniciou a Terceira Viagem Missionária. Ele escreve entre 55 a 58 d.C. as seguintes cartas: 1 e 2Coríntios, Gálatas e Romanos. No ano 58 d.C. Paulo foi detido pela guarnição romana que o livrou de ser morto pelos judeus em Jerusalém (Atos 21:17-22:29). Entre 59/60 d.C. Paulo foi levado a Cesaréia e esteve preso por dois anos. Como apelou para César, foi enviado para Roma (Atos 23:23-28:16). Entre os anos 60 a 62 d.C. Paulo escreveu as “cartas da prisão”: Colossenses, Filemom, Efésios e Filipenses. Essas cartas foram escritas enquanto ele estava preso em Roma (Atos 28:30,31). Tiago, irmão do Senhor Jesus, foi morto por apedrejamento em 62 d.C. Entre 63 a 67 d.C. Paulo escreveu as cartas pastorais: 1Timóteo, Tito e 2Timóteo. Segundo a tradição Paulo foi decapitado em Roma por volta do ano 67 d.C. Em 64 d.C. Marcos escreve o seu Evangelho em Roma com o auxílio de Pedro. O apóstolo Pedro escreveu sua 1ª Carta aos cristãos da Ásia Menor (63 d.C.) e a 2ª Carta entre 65-67 d.C. Segundo a tradição, Pedro foi crucificado de cabeça para baixo em Roma. A Carta aos Hebreus é escrita neste período (64-70 d.C.). A autoria é anônima, sendo atribuída a Barnabé, Priscíla, Lucas ou Apolo. Entre os anos de 66 a 70 aconteceu a Guerra dos Judeus contra Roma. Jerusalém e o Templo foram destruídos e os judeus espalhados pelo mundo (Dispersão) no ano 70 d.C. pelo general Tito. Lucas escreve seu Evangelho (70 d.C.) e o livro de Atos dos Apóstolos. Entre os anos de 75 a 85 é escrita a Carta de Judas. O Evangelho de Mateus foi escrito entre os anos 80- 85 d.C. E entre os anos de 90 a 100 d.C. Os escritos de João foram produzidos: O Evangelho, as cartas de João e Apocalipse. João escreveu o livro de Apocalipse após ter sido levado para o exílio na ilha de Patmos. Depois de obter a liberdade, morreu de morte natural. Essa visão histórica nos mostra como Deus agiu usando homens inspirados para escrever a Sua Palavra, deixando-a como um registro da ação divina entre os homens. Por isso
  13. 13. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 13 a Escritura nos diz: “Porque tudo o que foi escrito no passado foi escrito para nossa instrução, para que tenhamos esperança por meio da perseverança e do ânimo que provêm das Escrituras” (Romanos 15:4. Diz também o apóstolo Pedro: “Pois a profecia nunca foi produzida por vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, conduzidos pelo Espírito Santo” (2Pedro 1:21). Quanto mais conhecemos a Bíblia, mais conhecemos da vontade de Deus para a nossa vida.
  14. 14. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 14 CLASSE DE MATURIDADE AULA 04 – COMO A BÍBLIA SE DIVIDE? Muitas pessoas se perguntam por que há diferenças entre as Bíblias católicas e protestantes. Outros perguntam qual a melhor tradução e por que há mudanças em alguns versículos. É muito importante sabermos como Deus agiu dentro da história para nos dar Sua Palavra como se encontra hoje. As Línguas A Bíblia foi escrita em três idiomas: Hebraico e Aramaico (Antigo Testamento) e Grego helenístico ou Koinê (Novo Testamento). O hebraico e aramaico são línguas semíticas, enquanto que o grego é uma língua indo-européia. O texto acima está escrito em hebraico e representa Gênesis 1:1-3. O texto que está escrito no segundo quadro é Esdras 7:12 e corresponde a um dos poucos textos escritos no Antigo Testamento em aramaico11 . E neste terceiro quadro podemos ver a língua grega no escrito de João 3:16. Por que existem diferenças entre as Bíblias? Como falamos a Bíblia foi escrita em três idiomas. A principal diferença nas Bíblias se dá na parte mais antiga, ou seja, no Antigo Testamento. Isso aconteceu principalmente após o período Persa, quando a maioria dos judeus vivia fora da Judéia. Depois a morte de Alexandre o Grande o mundo começou a usar a língua grega como idioma comercial e político. Isso é conhecido na história como helenismo, que nada mais era que difusão dos costumes e valores 11 Somente pequenas partes foram escritas em aramaico (Gênesis 31:47; Esdras 4:8-6:18; 7:12-26; Jeremias 10:11; Daniel 2:4-7:28). tyviÞareB. `#r,a'(h' taeîw> ~yIm:ßV'h; taeî ~yhi_l{a/ ar'äB' tyviÞareB. ~yhiêl{a/ x;Wråw> ~Ah+t. ynEåP.-l[; %v,xoßw> Whboêw" ‘Whto’ ht'îy>h' #r,a'ªh'w> `~yIM")h; ynEïP.-l[; tp,x,Þr;m. `rAa*-yhiy>w:) rAa= yhiäy> ~yhiÞl{a/ rm,aYOðw: at'øD" rp;’s' an"h]k'û ar"äz>[,l. aY"+k;l.m; %l,m,Þ aT.s.v;êx.T;r>a;’ `tn<[<)k.W rymiÞG> aY"±m;v. Hl'óa/-yDI( ou[twj ga.r hvga,phsou[twj ga.r hvga,phsou[twj ga.r hvga,phsou[twj ga.r hvga,phsen o` qeo.j to.n ko,smon( w[ste to.n ui`o.n to.n monogenh/ e;dwken( i[naen o` qeo.j to.n ko,smon( w[ste to.n ui`o.n to.n monogenh/ e;dwken( i[naen o` qeo.j to.n ko,smon( w[ste to.n ui`o.n to.n monogenh/ e;dwken( i[naen o` qeo.j to.n ko,smon( w[ste to.n ui`o.n to.n monogenh/ e;dwken( i[na pa/j o` pisteu,wn eivj auvto.n mh. avpo,lhtai avllV e;ch| zwh.n aivw,nionÅpa/j o` pisteu,wn eivj auvto.n mh. avpo,lhtai avllV e;ch| zwh.n aivw,nionÅpa/j o` pisteu,wn eivj auvto.n mh. avpo,lhtai avllV e;ch| zwh.n aivw,nionÅpa/j o` pisteu,wn eivj auvto.n mh. avpo,lhtai avllV e;ch| zwh.n aivw,nionÅ
  15. 15. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 15 gregos. Os judeus não escaparam dessa influência e as Escrituras Sagradas foram alvo desse tempo. Os judeus helênicos, ou seja, aqueles que moravam fora da Palestina e que falava grego sentiram a necessidade de se ter uma versão grega dos textos hebraicos; isso motivou uma tradução, que foi realizada por volta do século III a.C. Esta versão grega chamada Septuaginta (LXX) começou a ser produzida no reinado de Ptolomeu II Filadelfo (285-246 a.C.), na cidade de Alexandria. Sua redação final se dá no final do primeiro século a.C. Segundo uma lenda, 72 sábios judeus foram chamados para traduzir o texto hebraico e depois de estarem numa ilha, separados uns dos outros, eles fizeram a mesma tradução. Esta lenda queria dar a LXX um fator espiritual. A LXX é uma das mais importantes traduções do Antigo Testamento hebraico12 e foi de fundamental importância para a posterior expansão do cristianismo. Como os judeus helênicos eram menos ortodoxos que os judeus palestinos, a nova versão passou a incluir os livros apócrifos e os acréscimos. Os judeus palestinos, ou seja, aqueles que moravam na Palestina e falava aramaico, não aceitavam o texto grego. Em 90 d.C., na cidade de Jâmnia, um sínodo rabínico determinou os livros que deveriam ser usados, pois eram inspirados. Desta forma, rejeitaram os livros apócrifos e suas adições. É certo que a distinção entre o Antigo Testamento Hebraico e a sua versão grega (LXX) logo foi percebida entre os cristãos. No fim do século IV alguns concílios provinciais – Hipona (393 d.C.) e Cartago (397 d.C.) – passaram a aceitar os apócrifos rejeitados pelos hebreus. Entretanto, alguns dos pais da Igreja, tanto no Oriente como no Ocidente, aceitavam apenas a versão hebraica. Podemos citar dentre estes Atanásio, Cirilo de Jerusalém, Gregório Nazienzo, Rufino e o próprio Jerônimo, que fez a tradução para o latim13 . A partir do IV século d.C. o mundo se dividia em Ocidente de fala latina, e o Oriente de fala grega. Com a queda de Roma em 476 d.C. a Igreja Cristã tornou-se a única instituição do Ocidente14 ; a tradução de Jerônimo, portanto, ganhou força no Ocidente sendo a Bíblia principal dos católicos romanos. Mas com o passar dos tempos a Bíblia foi sendo esquecida; isso aconteceu porque o latim deixou de ser falado e passaram a existir as chamadas línguas neolatinas (italiano, francês, espanhol, português, catalão, romeno). O povo não compreendia mais a Bíblia e a decadência espiritual marcou a Idade Média. Muitos reformadores tentaram devolver a Bíblia ao povo, mas foram massacrados pela estrutura do Vaticano. Até que em 1517 veio a Reforma Protestante por meio do monge 12 Embora ainda hoje seu valor seja discutido é inegável sua importância. É fato que em muitos textos a tradução é muito ruim e em outros é muito fraca. Entretanto, é inegável sua influência na Era cristã, pois muitas traduções em outras línguas partiram dela. 13 Jerônimo produziu a Vulgata Latina por volta do ano 400 d.C. Ele usou o Antigo Testamento em hebraico e num prólogo reconhece que os judeus não utilizavam os apócrifos. Ele traduziu e incluiu os apócrifos por causa de pressões de amigos, fazendo uma tradução rápida e sem cuidados. Esta versão latina se tornou a versão do mundo ocidental e posteriormente a versão oficial da Igreja Católica Romana a partir do Concílio de Trento. 14 No Oriente o Império Romano, também conhecido como Império Bizantino, durou até a conquista de Constantinopla em 1453. A Igreja do Oriente de língua grega ficou conhecida depois do grande Cisma (1054) de Igreja Católica Ortodoxa. GENESISGENESISGENESISGENESIS 1 evn avrch/| evpoi,hsen o` qeo.j to.n ouvrano.n kai. th.n gh/n 21 evn avrch/| evpoi,hsen o` qeo.j to.n ouvrano.n kai. th.n gh/n 21 evn avrch/| evpoi,hsen o` qeo.j to.n ouvrano.n kai. th.n gh/n 21 evn avrch/| evpoi,hsen o` qeo.j to.n ouvrano.n kai. th.n gh/n 2 h` de. gh/ h=n avo,ratoj kai.h` de. gh/ h=n avo,ratoj kai.h` de. gh/ h=n avo,ratoj kai.h` de. gh/ h=n avo,ratoj kai. avavavavkataskeu,astoj kai. sko,toj evpa,nw th/j avbu,ssou kai. pneu/ma qeou/ evpefe,reto evpa,nwkataskeu,astoj kai. sko,toj evpa,nw th/j avbu,ssou kai. pneu/ma qeou/ evpefe,reto evpa,nwkataskeu,astoj kai. sko,toj evpa,nw th/j avbu,ssou kai. pneu/ma qeou/ evpefe,reto evpa,nwkataskeu,astoj kai. sko,toj evpa,nw th/j avbu,ssou kai. pneu/ma qeou/ evpefe,reto evpa,nw tou/ u[datoj 3tou/ u[datoj 3tou/ u[datoj 3tou/ u[datoj 3 kai. ei=pen o` qeo,j genhqh,tw fw/j kai. evge,neto fw/jkai. ei=pen o` qeo,j genhqh,tw fw/j kai. evge,neto fw/jkai. ei=pen o` qeo,j genhqh,tw fw/j kai. evge,neto fw/jkai. ei=pen o` qeo,j genhqh,tw fw/j kai. evge,neto fw/j
  16. 16. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 16 Martinho Lutero. Ele iniciou a tradução da Bíblia e demorou dois anos para traduzir o Novo Testamento e dez anos para traduzir o Antigo Testamento. A Bíblia de Lutero foi impressa pela primeira vez em 1534 e deu origem a moderna língua alemã15 . Ao traduzir o Antigo Testamento para o alemão Lutero, a priori, deixou os apócrifos num apêndice. Mas a partir de 1560 os protestantes adotaram o cânon judaico-palestinense, pois tinham a mesma visão dos judeus quanto à inspiração. Os apócrifos tinham um valor histórico e não espiritual16 . Já a Igreja Católica tomou por base a Vulgata Latina de Jerônimo. Somente no Concílio de Trento que os católicos vão definir o cânon. No dia 18 de abril de 1546, o Concílio definiu solenemente: “... Julga oportuno acrescentar ao presente decreto o elenco de livros sagrados, para que ninguém possa duvidar quais sejam reconhecidos como sagrados pelo mesmo Concílio.”. Nesta ocasião é feita a descrição do cânon mais extenso, ou seja, acrescentando os apócrifos. O Concílio ainda ressaltou: “... E se alguém não acolher como sagrados e canônicos os mesmos livros, com todas as suas partes, como se costuma lê-los na Igreja católica e se encontram na antiga Vulgata latina, e conscientemente desprezar as mencionadas tradições, seja excomungado” (EB 57-60; CE 525,526; FC 59,60). Isso era uma forma de combater a idéia do Sola Scriptura que Lutero defendeu. Nossa divisão é a protestante17 , por isso não contém alguns livros que a bíblia católica tem, os quais são: Tobias, Judite, Baruque, Eclesiástico, Sabedoria de Salomão, 1 e 2Macabeus, Adições a Daniel Capítulo 13 e 14 e no capítulo 3:31-90 cântico dos três jovens na fornalha e adições no livro de Ester. Tais livros são chamados de apócrifos (grego: apocrypha; e significa “oculto” ou “difícil de entender”). A Igreja Romana aprovou estes livros em 08 de Abril de 1546 para combater a Reforma Protestante chamando-os de deutero-canônicos ou “Segundo Cânon” (gr. deu,terojdeu,terojdeu,terojdeu,teroj = segundo). Os apócrifos (gr. avpo,krufojavpo,krufojavpo,krufojavpo,krufoj = oculto, secreto) são chamados também de não- canônicos por conterem ensinos errados e heréticos, eles jamais estarão de acordo com o cânon bíblico, pois não possuem a altura espiritual dos livros aceitos (grego: kanón, significa “regra”, “norma” ou “vara ou instrumento de medir”). A divisão cristã da Bíblia: Para o crescimento espiritual, é importante que saibamos todos os nomes dos livros da Bíblia. Isso também nos auxiliará nas leituras devocionais. ANTIGO TESTAMENTO PENTATEUCO (5) Gênesis; Êxodo; Levítico; Números; Deuteronômio. HISTÓRICOS (12) Josué; Juízes; Rute; 1 e 2Samuel; 1 e 2Reis; 1 e 2Crônicas; Esdras; Neemias; Ester. POÉTICOS (5) Jó; Salmos; Provérbios; Eclesiastes; Cantares de Salomão. PROFETAS MAIORES (5) Isaías; Jeremias; Lamentações de Jeremias; Ezequiel; Daniel. PROFETAS MENORES (12) Oséias; Joel; Amós; Obadias; Jonas; Miquéias; Naum; Habacuque; Sofonias; Ageu; Zacarias; Malaquias. 15 A tradução de Lutero, além de dar acesso ao povo às Escrituras, contribuiu para o desenvolvimento do idioma alemão e se tornou base para as seguintes traduções: sueca, holandesa, finlandesa, dinamarquesa e outras. 16 Na verdade a Igreja Cristã não chegou a uma conclusão facilmente. No Oriente, o Concílio de Laodicéia da Frigia (c. 360 d.C.), defendeu o cânon restrito hebraico. Já no Ocidente, a carta do papa Inocêncio I a Exupério de Tolosa (405 d.C.) cita o cânon mais extenso. Depois, no Concílio de Trullo (692 d.C.) os dois modelos de cânon – tanto o de Laodicéia como o de Cartago – são sancionados lado a lado. No século XV, no Concílio de Florença (1441) o cânon grego é citado. 17 Os livros apócrifos estão todos no Antigo Testamento. Os protestantes seguem o Antigo Testamento segundo a visão judaica que não aceitou os livros apócrifos. O catolicismo adotou os livros porque estes constavam na Vulgata Latina e na Septuaginta (versão grega do A.T.).
  17. 17. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 17 NOVO TESTAMENTO EVANGELHOS (4) Mateus; Marcos; Lucas; João HISTÓRICO (1) Atos dos apóstolos CARTAS DE PAULO (13) Romanos; 1 e 2Coríntios; Gálatas; Efésios; Filipenses; Colossenses; 1 e 2Tessalonicenses; 1 e 2Timóteo; Tito; Filemom. CARTAS GERAIS (8) Hebreus; Tiago; 1 e 2Pedro; 1, 2 e 3João; Judas. PROFÉTICO (1) Apocalipse. “Guardo a tua palavra no meu coração para não pecar contra ti” Salmo 119:11 “Guia-me pelo caminho dos teus mandamentos, pois neles encontro a felicidade” Salmo 119:35
  18. 18. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 18 CLASSE DE MATURIDADE AULA 05 – COMO OBTER O MÁXIMO DE SUA BÍBLIA? A Bíblia é fundamental para o crescimento espiritual. Através da Bíblia conhecemos a vontade de Deus, Seus propósitos para a nossa vida e para a Igreja. Pela Bíblia encontramos palavras de conforto, repreensão, orientação e direção. Por ela compreendemos todo o plano de Deus, desde a criação do mundo, passando pela obra redentora de Jesus Cristo até o fim de todas as coisas quando Deus julgará a humanidade. Enfim, ela é o manual de vida do cristão. Mas o que faz da Bíblia um livro diferente dos outros? Três palavras podem sintetizar: 1. Revelação. Significa que Deus escolheu revelar Sua natureza e Sua vontade a nós através da Bíblia, nos mostrando quem Ele é e como Ele deseja que sejamos. Diz Deus: “E assim mostrarei a minha grandeza e a minha santidade, e me farei conhecido de muitas nações. Então eles saberão que eu sou o SENHOR” (Ezequiel 38:23). Há dois vocábulos na Bíblia para revelar. No Antigo Testamento temos a palavra hebraica Galâ (hl'G") e pode significar “descobrir, tirar, ou até mesmo partir, ir para o exílio18 ”. Dependendo do grau do verbo pode ser revelar empregado aos órgãos do sentido: orelha (1Samuel 9:15) e o olho (Números 24:4)19 . Amós usa este verbo para mostrar a revelação de Deus (Amós 3:7). Esta palavra também pode expressar a idéia de “expor”: a nudez (Êxodo 20:26; Isaías 47:3), as roupas íntimas (Jeremias 13:22) e os fundamentos do mundo (2Samuel 22:16; Salmo 18:16). Sendo assim também pode significar “ser conhecido” (Isaías 23:1) e “ser revelado”, referindo-se a uma palavra de Deus a Daniel (Daniel 10:1). Também pode ser traduzido como “desnudar-se, mostrar-se, revelar-se” (2Samuel 6:20; 1Samuel 14:8). Durante a infância de Samuel a palavra aprece três vezes para mostrar Deus se revelando (1Samuel 2:27; 3:7,21). E também pode ser traduzida como “abrir os olhos”. Neste caso revelar traz a idéia de mostrar algo que estava oculto: para ver um anjo (Números 22:31) ou mostrar as coisas maravilhosas da lei (Salmo 119:18). No Novo Testamento revelação vem do grego apokalypsis (avpoka,luyijavpoka,luyijavpoka,luyijavpoka,luyij) e pode significar também “exposição”. Diferente do Antigo Testamento o vocábulo grego parece ser um termo teológico definido, não aparecendo em um uso profano. Outras palavras expressam no à idéia de revelação no sentido de: “manifestar-se, deixar claro” (phaneroô = fanero,wfanero,wfanero,wfanero,w, cf. Marcos 4:22); “exibir” (epiphneia = evpifa,neiaevpifa,neiaevpifa,neiaevpifa,neia, cf. 2Tessalonicenses2:8); “desdobrar, explicar por narração” (exêgeomai = evxhge,omaievxhge,omaievxhge,omaievxhge,omai, cf. João 1:18); “instruir, admoestar, advertir” (chrematizo = crhmati,zwcrhmati,zwcrhmati,zwcrhmati,zw, cf. Mateus 2:12,22). Por isso apokalypsis é usado mais no sentido de revelar algo que estava em oculto para que possa ser visto e conhecido. Segundo Langston, “revelação é a manifestação que Deus faz de Si mesmo e a compreensão, parcial embora, da mesma manifestação por parte dos homens. Este modo de definir a revelação acentua que o que se revela é o próprio Deus, e não apenas alguma coisa a respeito de Deus”20 . Ainda segundo Langston Deus se faz conhecido dos homens na sua “personalidade e nas suas relações”21 . Isto nos mostra que Deus tem se revelado aos homens, mostrando Sua pessoa e Seu relacionamento com a criação (Salmo 103:7). O objetivo da 18 O maior número de vezes que aparece esta palavra é no sentido de indicar atividade sexual proscrita. Geralmente é traduzido como “descobrir a nudez” e ocorre 24 vezes em Levítico 18 e 20, indicando relações sexuais proibidas. Era usada também como metáfora, e geralmente ocorria na queixa profética contra Israel, indicando que atirou fora sua lealdade para com o Senhor. Em reação a isso, o Senhor ou os antigos amantes “descobrirão a nudez” da nação infiel, ou seja, vão envergonhá-la (Os. 2:12; Ez. 16:36). E também ocorre como tirar, ir para o exílio (Am. 1:5; 5:5,27; 6:7; 7:11,17). 19 No caso de Balaão os olhos dele foram “abertos”, “desvendados”, e assim ele viu algo que, de outro modo não estaria vendo. 20 Esboço de Teologia Sistemática, A.B. Langston, Ed. Juerp, pg. 15. 21 Idem.
  19. 19. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 19 revelação não é somente informar o homem acerca de Deus, mas também fazer com que o homem venha ter com Ele um relacionamento. Podemos ver a revelação de Deus na natureza (Salmo 19:1-4), na história do povo de Deus escrito nas Escrituras, mas sem sombra de dúvida, a revelação tem o seu ápice na pessoa de Jesus Cristo. Ele disse: “... Quem me vê, vê o Pai...” (João 14:9). 2. Inspiração. É o processo através do qual Deus nos deu a Bíblia. Deus trabalhou no coração dos escritores humanos, inspirando-os a escrever Suas palavras. Isso significa que posso confiar plenamente na Bíblia, pois ela me mostra com clareza à vontade de Deus, não de homens. Diz Paulo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça...” (2Timóteo 3:16). Há detalhes importantes que devem ser observados por nós e que nos mostram a razão de ser da Bíblia. Paulo fala que a Escritura é inspirada porque é “útil para o ensino”. No grego “útil” é o vocábulo ophelimos (wvfe,limojwvfe,limojwvfe,limojwvfe,limoj) e significa “benéfico, vantajoso, útil.”. A Bíblia não visa satisfazer a curiosidade especulativa do homem e sim para ser aplicada à vida diária. Depois Paulo afirma que a Escritura serve “...para o ensino”, que no grego é didaskalia (didaskali,adidaskali,adidaskali,adidaskali,a), que nas epístolas pastorais vai se revestir do sentido formal de “doutrina”. Isto significa dizer que a Bíblia é vantajosa para prover o ensino doutrinário correto. Paulo também diz que a Escritura é “para a repreensão”, e no grego este vocábulo é elegmos (evlegmo,jevlegmo,jevlegmo,jevlegmo,j). Esta palavra só aparece duas vezes no texto do N.T., aqui e em Hebreus 11:1 no sentido de “prova, evidência”. A palavra pode significar também “convicção, condenação de um criminoso, ou então reprimenda, punição ou ainda refutação do erro”. Aqui mostra que a Bíblia tem uma função corretiva pretendendo corrigir nossos pecados. Ela também serve “para a correção”, que no original é epanorthôsis (evpano,rqwsijevpano,rqwsijevpano,rqwsijevpano,rqwsij) que significa “correção, aprimoramento”. Esta palavra ocorre somente aqui e mostra que a Bíblia nos convence dos nossos erros e nos coloca novamente no caminho certo. E finalmente Paulo diz que a Escritura é “para a instrução na justiça”. No grego a palavra para “instrução” é paideia (paidei,apaidei,apaidei,apaidei,a), e significa “educação de crianças, criação, treinamento, disciplina, instrução”. A palavra “justiça” é dikaiosynê (dikaiosu,nhdikaiosu,nhdikaiosu,nhdikaiosu,nh|), e dá a idéia do que é reto. A Bíblia é importante, pois ela ajuda o cristão a praticar o que é correto, a cultivar o caráter moral de Cristo. A partir disso poderíamos traduzir este texto de Paulo da seguinte forma: “Toda Escritura é dada por inspiração de Deus e é útil para doutrinar, para convencer dos pecados, para aprimorar nossa vida e nos educar naquilo que é reto.”. A Bíblia é fruto da revelação de Deus à humanidade. A inspiração divina garante que a Bíblia diz aquilo que Deus deseja para nós. Mas devemos entender algo muito importante. Não adianta ler a Bíblia apenas. Para que ela faça o seu trabalho é importante entendermos a obra do Espírito Santo, pois Ele ilumina e dá entendimento para que entendamos o significado da vontade de Deus. Sendo a expressão da vontade de Deus, a Bíblia possui o direito de definir em que devemos crer no campo das questões religiosas e como devemos nos comportar. Portanto, existe uma leve diferença entre revelação e inspiração. Revelação foi o ato divino em manifestar ao homem Sua natureza e pessoa. A inspiração foi o veículo desta revelação. Hoje não há mais revelação pois ela está contida na Bíblia. Podemos encontrar nas Sagradas Escrituras tudo o que precisamos saber sobre Deus e Sua ação. Mas a inspiração permanece. A Escritura é inspirada para levar o homem ao conhecimento de Deus. O Senhor pode nos mostrar a Sua vontade e nos inspirar a fazer o Seu querer. 3. Iluminação. É o trabalho do Espírito Santo de trazer luz e compreensão através da leitura da Bíblia. Como diz Lucas: “Então lhes abriu o entendimento, para que pudessem compreender as Escrituras” (Lucas 24:45). Sem esta ação do Espírito Santo não conseguimos compreender a direção do Senhor. O salmista disse: “Sou teu servo; dá-me discernimento para compreender os
  20. 20. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 20 teus testemunhos” (Salmo 119:125). A compreensão da Escritura não depende do ser humano. Por isso “... o nosso evangelho está encoberto, para os que estão perecendo é que está encoberto” (2Coríntios 4:3); mas aqueles que são iluminados por Deus “... ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” (2Coríntios 4:6). FIGURAS QUE EXEMPLIFICAM A IMPORTÂNCIA DA BÍBLIA Na Bíblia encontramos algumas figuras que ilustram a importância da Palavra de Deus: • Semente “Vocês foram regenerados, não de uma semente perecível, mas imperecível, por meio da palavra de Deus, viva e permanente” 1Pedro 1:23 • Espada “Usem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” Efésios 6:17 “Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir a alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração” Hebreus 4:12 • Alimento “Quando as tuas palavras foram encontradas, eu as comi; elas são a minha alegria e o meu júbilo, pois pertenço a ti, SENHOR Deus dos Exércitos” Jeremias 15:16 • Fogo e Martelo “Não é a minha palavra como o fogo, pergunta o SENHOR, e como um martelo que despedaça a rocha?” Jeremias 23:29 • Espelho “Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência. Mas o homem que observa atentamente a lei perfeita, que traz a liberdade, e persevera na prática dessa lei, não esquecendo o que ouviu mas praticando-o, será feliz naquilo que fizer” Tiago 1:23-25 COMO POSSO COMPREENDER A BÍBLIA? Há duas verdades fundamentais. O Espírito Santo nos faz capazes de entender a Bíblia (João 16:13; 1Coríntios 2:12-15). Sem a iluminação do Espírito fica impossível ao ser humano a correta compreensão das verdades bíblicas. Mas também o Espírito nos torna responsável por entender a Bíblia (1João 2:20,27). Ou seja, a partir do momento que Cristo torna-se nosso Senhor recebemos Seu Espírito (Romanos 8:11; 2Coríntios 1:22; Efésios 2:22; 1João 4:13). Temos a unção do Espírito, mas isso não significa que devemos deixar de estudar e buscar com zelo compreender a vontade do Senhor. Diz a Escritura: “Pois Esdras tinha decidido dedicar-se a estudar a Lei do Senhor e a praticá-la, e a ensinar os seus decretos e mandamentos aos israelitas” (Esdras 7:10). Paulo orientou a Timóteo: “Até a minha chegada, dedique-se à leitura pública da Escritura, à exortação e ao ensino” (1Timóteo 4:13). A direção do Espírito não elimina nossa responsabilidade de aprender e estudar a Escritura Sagrada. QUATRO PASSOS PARA ESTUDAR A BÍBLIA COM ZELO • Compromisso “Seja diligente nessas coisas; dedique-se inteiramente a elas, para que todos vejam o seu progresso. Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres,
  21. 21. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 21 pois, agindo assim, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem” (1Timóteo 4:15,16) • Interesse “Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo” (Atos 17:11) • Ensine “Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; ensinem e aconselhem-se uns aos outros com toda a sabedoria, e cantem salmos, hinos e cânticos espirituais com gratidão a Deus em seu coração” (Colossenses 3:16) • Pratique “Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos” (Tiago 1:22) APLICANDO O PRINCÍPIO DA PONTE Uma das grandes dúvidas das pessoas é: Como fazer uma aplicação correta do texto bíblico? Abaixo ensinamos o Princípio da Ponte. Ela é divida em três partes: Interpretação, Implicação e Personalização. INTERPRETAÇÃO IMPLICAÇÃO PERSONALIZAÇÃO Precisamos fazer três perguntas cruciais: Primeira pergunta: O que o verso significa para quem o ouviu naquela época? Segunda pergunta: O que está nas entrelinhas deste princípio eterno? Terceira pergunta: Onde ou como eu posso praticar esse princípio? O foco é compreender os princípios de Deus para a nossa vida e aplicá-los em nosso dia-a-dia. A Bíblia é o manual de vida do cristão e se aplica a todas as necessidades da existência humana. Antes Agora PRINCÍPIOS ETERNOS
  22. 22. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 22 CLASSE DE MATURIDADE AULA 06 – O HÁBITO DA ORAÇÃO A oração arremessa-nos à fronteira da vida espiritual. É a pesquisa num território inexplorado. A meditação nos introduz na vida interior; o jejum é um recurso concomitante, mas a disciplina da oração é que nos leva à obra mais profunda e elevada do espírito humano. A oração verdadeira cria e transforma a vida. Como disse William Carey22 : “A oração – a oração secreta, fervorosa, de fé – jaz à raiz de toda piedade pessoal”. Tiago disse: “Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres” (Tiago 4:3). Pedir corretamente envolve paixões transformadas, renovação total. Na oração, na verdadeira oração, começamos a pensar pensamentos de Deus à sua maneira: desejamos as coisas que Ele deseja, amamos as coisas que Ele ama. Progressivamente, aprendemos a ver as coisas da perspectiva divina. Jesus orava e isso era um estilo de vida. Marcos destaca isso no seu Evangelho: “De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando” (Marcos 1:35). Lucas diz que, antes de escolher os doze discípulos, Jesus orou: “Num daqueles dias, Jesus saiu para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus” (Lucas 6:12). Isso nos mostra que o Senhor não tomava decisões precipitadas, antes colocava diante de Deus as opções e pedia direção sobre o que fazer. Alguém poderia questionar: Não era Jesus Deus? Por que Ele orava? Porque Ele estava na condição humana, experimentando nossas limitações. Além do mais, como Filho e um com o Pai, Ele jamais faria algo que estivesse fora da vontade de Deus. Jesus disse duas coisas que, não somente respondem estas dúvidas, mas nos levam a uma profunda reflexão. Ele disse: “... Eu lhes digo verdadeiramente que o Filho não pode fazer nada de si mesmo; só pode fazer o que vê o Pai fazer, porque o que o Pai faz o Filho também faz. Pois o Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que faz...” (João 5:19,20). Jesus orava porque seu objetivo era fazer o que o Pai faz. É uma pena que nós, como filhos de Deus, muitas vezes agimos de acordo com nossos objetivos e nossos conceitos. Se o Pai mostrou a Jesus como agir, e diz o texto que Ele ama o Filho, não teria o Senhor o mesmo amor e o mesmo prazer em nos ensinar o melhor caminho? Outra coisa que Jesus disse foi: “... nada faço de mim mesmo, mas falo exatamente o que o Pai me ensinou” (João 8:28). Ou seja, Ele era obediente ao Pai, procurando observar o ensino do Pai. A Bíblia nos mostra outra situação na vida de Jesus: “Certa vez Jesus estava orando em particular, e com ele estavam seus discípulos; então lhes perguntou: ‘Quem as multidões dizem que eu sou?’” (Lucas 9:18). Era uma reunião de oração. Jesus sabia que seu tempo estava acabando e que existiam muitas expectativas sobre Sua pessoa. Ele faz a pergunta, não porque estivesse preocupado com sua popularidade, mas para saber como os discípulos estavam em relação a Ele. Foi por causa deste exemplo de vida que os discípulos pediram a Jesus que os ensinassem a orar: “Certo dia estava Jesus orando em determinado lugar. Tendo terminado, um dos seus discípulos lhes disse: ‘Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou aos discípulos dele’” (Lucas 11:1). Foi neste contexto que Jesus ensinou o Pai Nosso. 22 Nasceu em 1761 na Inglaterra. Aos 18 anos abandonou a Igreja anglicana e se uniu a uma Igreja Batista. Entendendo que o mundo era maior, decidiu em seu coração fazer missões. Juntamente com um grupo de pastores fundou a Sociedade Missionária Batista e se ofereceu como primeiro missionário. Ele foi para a Índia. Durante mais de trinta anos, William Carey foi professor de línguas orientais no Colégio de Fort Williams. Fundou, também, o Serampore College para ensinar os obreiros. Sob a sua direção, o colégio prosperou, preenchendo um grande vácuo na evangelização do país. Os seus esforços, inspiraram a fundação de outras missões, dentre elas: a Associação Missionária de Londres, em 1795; a Associação Missionária da Holanda, em 1797; a Associação Missionária Americana, em 1810; e a União Missionária Batista Americana, em 1814. Morreu com 73 anos, respeitado por todos como o Pai de um grande movimento missionário.
  23. 23. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 23 UM HÁBITO FUNDAMENTAL Um crente que não ora é uma contradição de termos. Tal como um aborto é uma criança morta, assim também o crente professo que não ora está destituído de vida espiritual. A oração é como que a respiração da nova vida dos santos, do mesmo modo que a Palavra de Deus é o seu alimento. Quando o Senhor quis assegurar ao Seu discípulo de Damasco que Saulo de Tarso verdadeiramente se convertera, disse-lhe: “... Ele está orando” (Atos 9:11). Em muitas ocasiões anteriores aquele fariseu, tão justo a seus próprios olhos, tinha dobrado os joelhos diante de Deus em suas “devoções”; mas aquela era a primeira vez em que ele realmente orava. Essa importantíssima distinção precisa ser frisada nesta nossa época de formalidades externas, mas sem poder (2Timóteo 3:5). Aqueles que se contentam em dirigir-se formalmente a Deus, na realidade não o conhecem; e isso porque “... um espírito de ação de graças e de súplicas” (Zacarias 12:10) jamais poderão ser separados. Deus não possui filhos mudos em Sua família de regenerados: “Acaso Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite? Continuará fazendo-os esperar?” (Lucas 18:7). Sim, os escolhidos “clamam” ao Senhor, e não meramente “rezam”. Ora, a Palavra de Deus deveria ser o nosso manual de orações. Infelizmente, porém, com quanta freqüência as nossas próprias inclinações carnais servem de regra para as nossas petições. As Sagradas Escrituras nos foram outorgadas a fim de que “... o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Timóteo 3:17). Visto que de nos é requerido orar “... no Espírito Santo...” (Judas 20), segue-se que as nossas orações deveriam seguir o padrão das Escrituras, já que Ele é o Seu autor do princípio ao fim. Portanto, segundo a medida que estiver habitando em nós ricamente a Palavra de Deus (Colossenses 3:16) – ou a pobreza – as nossas orações estarão mais ou menos em harmonia com a mente do Espírito, porquanto “... a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12:34). Na proporção em que nos enriquecemos da Palavra, em nossos corações, e na medida em que ela limpar, amoldar e regulamentar nosso homem interior, assim também as nossas orações serão aceitáveis aos olhos de Deus. E então seremos capazes de dizer, conforme fez Davi em outra conexão: “... Tudo vem de ti, e nós apenas te demos o que vem das tuas mãos” (1Crônicas 29:14). O EXEMPLO DE ANA Em 1Samuel 1:12-15 encontramos um texto que fala de uma mulher chamada Ana. Ela era estéril e sua angústia foi tão profunda que ela, diante do Tabernáculo do Senhor, orou de um modo singelo e simples. Enquanto ela pedia um filho ao Senhor e fazia um voto de que este filho seria totalmente dedicado a Deus, Eli, o sumo sacerdote a observava. Ana orava silenciosamente. Diz o texto: “Como Ana orava silenciosamente, seus lábios se mexiam mas não se ouvia sua voz...” (v.13). Eli pensou que ela estivesse embriagada (v.13b,14), mas ela respondeu: “... Não se trata disso, meu senhor. Sou uma mulher muito angustiada. Não bebi vinho nem bebida fermentada; eu estava derramando minha alma diante do SENHOR” (v.15). No hebraico temos um vocábulo para oração, é hL'ªpiT. (Tüpillâ). Esta palavra vem do verbo ll;P' (Pälal) que significa “intervir, julgar, ponderar, meditar, ou ainda imaginar”. Este verbo significa orar quando está na forma reflexiva23 . Etimologicamente o conceito hebraico da oração é mais amplo e mais profundo que uma simples prece ou súplica, clamor ou louvor a Deus. Na verdade, orar é um ato de introspecção e auto-análise. Eis porque Ana diz a Eli: “eu estava derramando minha alma diante do SENHOR”. Uma obra chamada Mishnê Torah diz o seguinte: “A prece sem devoção não é prece... Aquele cujos pensamentos são divagantes ou dedicados a outras atividades, não deve orar... Antes de se dedicar à prece, o fiel deverá conscientizar-se, assumindo uma postura de devoção 23 No hebraico esta forma reflexiva chama-se hitpallel , que significa “invocar Deus como juíz”.
  24. 24. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 24 e então, deverá orar silenciosamente e com devoção, não como aquele que carrega um fardo, o descarrega e parte”24 . A visão de Ana nos chama atenção mais uma vez: “Como Ana orava silenciosamente, seus lábios se mexiam mas não se ouvia sua voz...”. Ou seja, uma atitude inicial da oração deve ser o silêncio respeitoso, buscando compreender a dimensão deste exercício. Podemos, assim, chegar a uma definição sobre o que significa oração: “Oração é o momento da entrega incondicional, onde eu sou levado a meditar na grandeza de Deus e adorá-lo. Oração é o tempo da confrontação do Deus Santo e do homem pecador, é o tempo da dependência e do milagre, onde o impossível é possível, onde encontramos o conforto em meio à dor, a alegria em meio à tristeza, a força em meio à fraqueza. Oração é mais que falar com Deus; é Deus falando conosco. Oração é o momento da comunhão íntima com o Pai”. Perguntas para reflexão: 1. Como você classificaria sua vida de oração? 2. Quais as barreiras que o impedem de orar com mais fervor? 3. O que precisaria ser mudado na sua vida para se ter uma vida de oração mais dinâmica? 24 Mishné Torá (do hebraico hryt hnvm - Repetição da Torá ), chamada de Yad ha-Chazaka (hqzxh dy), é um código da lei judaica escrita pelo rabino Moshe ben Maimon, também conhecido como Maimônides ou Rambam. Compilada entre 1170 e 1180 enquanto Maimônides vivia no Egito é considerada a obra magna do escritor e uma das mais importantes e completas codificações da Halachá.A obra é escrita no hebraico mishnáico já que Maimônides relutava em escrever no aramaico talmúdico. Ainda que tenha sofrido duras críticas na época de sua composição, hoje a obra é utilizada para estudo por diversas ramificações judaicas particularmente os do ramo Chabad que realizam um ciclo anual de estudos da obra.
  25. 25. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 25 CLASSE DE MATURIDADE AULA 07 – COMO REVITALIZAR SEU HÁBITO DE ORAÇÃO? O apóstolo Paulo declara: “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração” (Romanos 12:12). A vida de oração é fundamental para a vida cristã, mas nem sempre estamos cientes disso. Para muitos falta o hábito de buscar ao Senhor por meio da oração. O que fazer? Nossa lição hoje visa responder essa questão. COMO REVITALIZAR SEU HÁBITO DA ORAÇÃO? A primeira coisa que precisamos é Ter uma atitude correta a respeito da oração. Jesus nos ensina três coisas importantes em relação a oração (Mateus 6:5-8): • Seja sincero. “E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam sua recompensa” (v. 5). Não tente impressionar os outros e não tente impressionar a Deus. Jamais devemos orar para transparecer ao outro que somos pessoas devotas a Deus. A oração não serve para impressionar ninguém, nem mesmo a Deus. Quem caminha por este caminho acaba recebendo a “sua plena recompensa”. Tudo se dá apenas no domínio da competência humana, e assim Deus fica de lado por causa de um ego inflado. O resultado disso é que Deus não ouve a oração. Temos que aprender que as inquietações do ego devem ser simplesmente abandonadas quando estamos orando. • Escolha o lugar correto. “Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê o que é secreto, te recompensará” (v. 6). Nada destrói mais uma oração do que olhares para os espectadores humanos, como também nada a enriquece mais do que o senso da presença de Deus. Pois ele não vê a nossa aparência externa, apenas o coração; não a pessoa que está orando, apenas o motivo por que o faz. A essência da oração cristã é buscar a Deus. Nós O buscamos para reconhecê-lo tal como ele é, Deus, o Criador; Deus, o Senhor; Deus, o Juiz; Deus, nosso Pai celestial através de Jesus Cristo, nosso Salvador. Desejamos encontrá-lO no lugar secreto a fim de nos ajoelharmos diante dele em humilde adoração, amor e confiança. A palavra grega para “quarto” no qual devemos nos retirar para orar (tameion; tamei/o,ntamei/o,ntamei/o,ntamei/o,n) era empregada para designar a sala-depósito onde podiam guardar-se os tesouros. A implicação pode ser, então, que "já existem tesouros à sua espera" quando for orar. Naturalmente, as recompensas secretas da oração são tantas, que não se poderiam enumerar. Nas palavras do apóstolo Paulo, quando clamamos “Aba, Pai” (Romanos 8:15), o Espírito Santo dá testemunho ao nosso espírito de que realmente somos filhos de Deus, e recebemos forte certeza de sua paternidade e amor (Romanos 8:16). • Seja transparente. Jesus advertiu: “E, quando orardes, não useis de repetições inúteis, a exemplo dos gentios; pois eles pensam que serão ouvidos pelo muito falar. Não vos assemelheis a eles; pois vosso Pai conhece de que necessitais, antes de o pedirdes a ele” (v.7,8). Jesus está condenando a verbosidade, especialmente daqueles que “falam sem pensar”. Isto quer dizer: “não amontoem palavras vazias”. A palavra descreve toda e qualquer oração que só contenha palavras e nenhum significado, que só venha dos lábios e não do pensamento ou do coração. Mas como devemos orar? Vamos examinar a Oração Modelo que Jesus ensinou aos discípulos. AS SEIS PARTES DA ORAÇÃO BASEADO NA ORAÇÃO DO PAI NOSSO (Mateus 6:9-15) Os discípulos viam que os discípulos de João oravam; eles também queriam aprender
  26. 26. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 26 (Lucas 11:1). Jesus diz: “... então orareis assim...” (Mateus 6:9). Isso nos mostra que o nosso Senhor deseja também nos ensinar a conversar com o Pai. Primeira parte - LOUVOR: “... Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome” (v 9). Há dois tipos de oração: ADORAÇÃO, ou seja, louvar a Deus pelo que Ele é. AÇÃO DE GRAÇAS, isto é, louvar a Deus pelo que Ele faz. Ao ler a sua Bíblia, faça uma lista sobre as qualidades e o caráter de Deus que você percebe e então faça uma revisão enquanto ora. O caráter de Deus é à base de nossa coragem em fazer petições a Deus. Deus responde às orações que reconhecem quem Ele é! Depois se lembre das promessas que Deus fez e estão contidas nos significados do seu nome. Faça uma lista de tudo que você tem para agradecer e ore agradecendo. Segunda Parte - PROPÓSITO: “venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (v.10). Nesta parte nos alinhamos aos propósitos de Deus e de sua vontade para nossa vida. Devemos orar para que à vontade de Deus seja feita em nossa família, igreja, ministério, trabalho, no seu futuro, na cidade, nação e no mundo. Diz Paulo: “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês” (Romanos 12:1). Terceira Parte – PROVISÃO: “o pão nosso de cada dia nos dá hoje” (v. 11). Aqui pedimos que Deus supra nossas necessidades. Sobre que necessidades devemos orar? Todas. Diz a Bíblia: “O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus” (Filipenses 4:19); diz também: “Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará juntamente com ele, e de graça, todas as coisas?” (Romanos 8:32); “... Nada tendes, porque não pedis” (Tiago 4:2). Qual o segredo da resposta: Seja específico no pedir. Escreva seus pedidos. A Bíblia nos dá a garantia em promessa. Então, espere a resposta de Deus! Diz a Bíblia: “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus” (Filipenses 4:6). Quarta Parte - PERDÃO: “e perdoa-nos as nossas dívidas...” (v 12). Pedimos a Deus para perdoar nossos pecados. Há quatro passos para o perdão. • Peça ao Espírito Santo para revelar todos os pecados: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno” Salmo 139:23,24 • Confesse cada pecado especificamente: “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia” Provérbios 28:13 • Faça restituição aos outros quando necessário: “Portanto, se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro reconciliar-se com seu irmão; depois volte e apresente sua oferta” Mateus 5:23,24 • Pela fé, aceite o perdão de Deus: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” 1João 1:9 Quinta parte - PESSOAS: “... assim como também temos perdoado aos nossos devedores” (v.12b). Oramos por outras pessoas. Paulo orienta, dizendo: “Antes de tudo,
  27. 27. recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens” (1Timóteo 2:1). Se você quer saber como orar pelo Colossenses 1:3-12; 1Timóteo pessoas por quem você quer orar. Você pode orar por diferentes pessoas em dias diferentes da semana. Sexta parte - PROTEÇÃO: (v. 13). Pedimos pela proteção espiritual de Deus. Os crentes enfrentam batalhas espirituais todo o dia. Satanás que derrotar adquirimos confiança para enfrentar qualquer situação. João vai dizer: “ Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo” (1João 4:4). Uma vida de oração nos ajuda a manter a comunhão apenas começar, pois o acesso está livre. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os Se você quer saber como orar pelos outros: faça uma lista de nomes 1Timóteo 1:2,3; Tiago 1:11-12). Faça uma lista de oração com o nome das pessoas por quem você quer orar. Você pode orar por diferentes pessoas em dias diferentes PROTEÇÃO: “e não nos deixes entrar em tentação; mas livra pela proteção espiritual de Deus. Os crentes enfrentam batalhas espirituais todo o dia. Satanás que derrotar-nos através da tentação e do medo. Orando pe confiança para enfrentar qualquer situação. João vai dizer: “Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no Uma vida de oração nos ajuda a manter a comunhão com o Senhor. Precisamos apenas começar, pois o acesso está livre. Louvor Propósito Provisão Perdão Pessoas Proteção Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 27 recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os faça uma lista de nomes (Efésios 1:15-19; 12). Faça uma lista de oração com o nome das pessoas por quem você quer orar. Você pode orar por diferentes pessoas em dias diferentes e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal” pela proteção espiritual de Deus. Os crentes enfrentam batalhas espirituais nos através da tentação e do medo. Orando pela proteção, Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no com o Senhor. Precisamos
  28. 28. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 28 CLASSE DE MATURIDADE AULA 08 – BASE BÍBLICA DA ORAÇÃO Qual seria a base bíblica para orarmos com confiança? É muito importante sabermos o que diz a Escritura sobre este hábito do discípulo de Cristo. Por isso vamos alistar alguns versículos para nos dar a base necessária para a oração: 1. A oração é uma necessidade universal. A Bíblia nos exorta sobre esta necessidade. O salmista Davi nos diz: “Ó tu que ouves a oração, a ti virão todos os homens” (Salmos 65:2). Diante das dificuldades o ser humano tem uma necessidade natural de suplicar ajudar a alguém maior que ele. Infelizmente nem todos pedem socorro ao Senhor. Mas isso é algo que está inserido no ser humano desde o início. E Deus, sabendo desta necessidade, declarou por meio do profeta: “esses eu trarei ao meu santo monte e lhes darei alegria em minha casa de oração. Seus holocaustos e demais sacrifícios serão aceitos em meu altar; pois a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos” (Isaías 56:7). 2. Na oração os crentes têm a ajuda do Espírito Santo. Esta é uma verdade maravilhosa. Nem sempre estamos bem para orar. Podemos estar desanimados, aflitos, cercados de dúvidas e medos. É natural que, em alguns momentos tenhamos receio até de pedir alguma coisa. Mas veja o que diz a Bíblia: “Da mesma forma o Espírito Santo nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus” (Romanos 8:26,27). Encontramos aqui algumas verdades importantes acerca da oração: • Somos limitados. Nossa fraqueza faz com que, muitas vezes nossa oração seja ineficiente. Quando Paulo afirma que “não sabemos como orar” está querendo afirmar que, muitas vezes nos encontramos na superfície, não temos idéia de onde podemos chegar. Por isso precisamos da ajuda do Espírito Santo para nos aprofundarmos. É o Espírito que supre a nossa deficiência; • Temos um intercessor maravilhoso. Paulo nos fala do Espírito que “Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis”. No grego a palavra nos fala de alguém que intercede por outra pessoa com gemidos ou suspiros que substituem as palavras. Você consegue imaginar o poder desta intercessão? Não é uma oração qualquer, como muitas vezes ouvimos de alguém que ora: “Deus essa pessoa precisa de Ti”, mas uma intercessão tão profunda que não há palavras que descrevam esta ação. • Uma intercessão em conexão com a vontade do Pai. Há algumas pessoas que podem pensar que o Espírito Santo pega a nossa oração e, quando chega ao céu, diz a Deus: “Essa é a oração, vou interceder por ela”. Não é bem assim que o texto nos diz. Paulo começa dizendo: “E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito...”. Quem é este que sonda os corações? É com certeza Deus Pai. O Pai e o Espírito conhecem muito bem um ao outro. Deus conhece as intenções humanas (ver Sl. 7:10; Pv. 15:11), mas conhece o Espírito. O Pai reconhece os “gemidos” do Espírito na Sua intercessão. Mas há o outro lado da moeda: “porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus”. O Espírito intercede por qualquer oração? Não, apenas por aquelas que estão de acordo com a vontade
  29. 29. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 29 do Pai. E são estas que recebem a resposta. No grego a expressão “vontade de Deus” não aparece, mas sim kata. qeo.n (kata theon), ou seja, “segundo Deus”. A preposição denota o padrão. Desta forma, o Espírito intercede em conformidade com Deus, com Sua natureza. Como disse Calvino: “Portanto, aprendamos daqui, por igual modo, que aquilo que deve ocupar o primeiro lugar na oração é o consentimento com a vontade do Senhor, para quem os nossos desejos de forma alguma são obrigatórios. Por conseguinte, se quisermos que nossas orações sejam aceitáveis para Deus, devemos orar para que ele as regule de acordo com a sua vontade”. 3. Nossas orações são preciosas. Alguém poderia pensar que Deus não se interessa por nossas orações, por nosso clamor. Isso não é verdade. Cada oração é importante, mesmo que seja imperfeita ou não esteja de acordo com a Vontade soberana de Deus. Você deixa de ouvir seu filho por causa de alguma coisa tola que ele lhe pede? Claro que não! Você procura corrigir a visão dele acerca do que está pedindo. Você apenas não atende ao pedido, mas o escuta, e muitas vezes têm pena dele por estar pedindo algo tão sem nexo. Deus age da mesma forma conosco. Dois textos no livro de Apocalipse nos mostram a importância da oração dos santos. Veja o que diz a Bíblia: “Ao recebê-lo, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro. Cada um deles tinha uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos” (Apocalipse 5:8). Que visão linda! Nossas orações chegam à presença do Cordeiro que vive para sempre. Elas não estão dispersas, mas tem um endereço certo. Depois a Bíblia diz: “Outro anjo, que trazia um incensário de ouro, aproximou- se e se colocou em pé junto ao altar. A ele foi dado muito incenso para oferecer com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro diante do trono” (Apocalipse 8:3). Este versículo é bem interessante. Antes das trombetas soarem, João descreve isto, semelhantemente a abertura dos selos. Em Ap. 5:8 as orações dos santos são colocadas diante do trono e do Cordeiro. Aqui a visão é bem parecida. O anjo parece oficiar como um sacerdote. No A.T. o sacerdote tomava fogo no altar de cobre, fora do tabernáculo, e com ele queimava incenso sobre o altar de ouro, perto do Santo dos Santos, mas não dentro do recinto. Por esta razão é bem possível entender que João vê uma réplica do culto no Templo. O incenso representa a oração. O anjo leva as orações dos santos diante da presença de Deus (v.4). Portanto, toda vez que estiver orando, saiba, ela está na presença de Deus. O que você precisa é suplicar a Deus que lhe mostra se sua oração está de acordo com a Vontade dEle. Pois como diz Tiago: “... Não têm, porque não pedem. Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres” (Tiago 4:2b,3). 4. Orar é um imperativo da vida cristã. Há vários versículos que demonstram esta necessidade. Quem não entendeu esta necessidade com certeza está deixando de investir na sua vida espiritual. Encontramos o clamor que Davi faz: “Olhem para o SENHOR e para a sua força; busquem sempre a sua face” (1Crônicas 16:11). Buscar a face equivale a orar, clamar, estar na presença. Jesus enfatizou várias vezes a necessidade de orar. No sermão do Monte Ele disse: “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta” (Mateus 7:7,8). Temos aqui uma clara indicação de que o caminho está acessível a cada um de nós. Deus tem prazer em ouvir nossas orações. A única limitação é pedirmos mal. Temos que aprender que o desenvolvimento da oração acompanha o desenvolvimento da vida espiritual. Quem possui uma vida espiritual desenvolvida evita “pedir mal”. Encontramos uma importante lição: Não há portas trancadas que a diligência na oração não possa abrir: a resposta é certa se a oração e a vida forem certas.
  30. 30. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 30 Jesus, antes de ser preso, estava com os discípulos no Monte das Oliveiras. Ele chamou seu pequeno grupo para orar. Infelizmente Pedro, Tiago e João dormiram no ponto (literalmente). Jesus fez uma séria advertência: “Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26:41). Isso aqui está longe de ser uma sugestão, embora muitos cristãos imaginem – erroneamente – que seja. Por que às vezes somos desleais com Cristo? Porque não vigiamos. Não buscamos o poder de Deus para nossas vidas. Por que caímos em certos pecados? Porque sem a vigilância necessária ficamos sem defesa. A oração é o momento em que deixamos de confiar em nós mesmos e nos submetemos à direção de Deus. É o momento em que a nossa debilidade carnal cede lugar ao espírito que se rende ao Espírito do Senhor. Veja a orientação do apóstolo Paulo: “Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos” (Efésios 6:18). Eu vi uma frase que dizia assim: “Satanás treme quando vê o mais fraco santo de joelhos”. No texto de Efésios Paulo nos dá algumas orientações interessantes: • Em qualquer circunstância devemos orar segundo a orientação do Espírito. Ou seja, a comunhão com Deus é imprescindível para que haja orações corretas e poderosas. A oração não é meramente um exercício humano, e sim um trabalho conjunto entre nós e o Espírito Santo. • A oração precisa ser perseverante. Paulo diz: “com toda oração e súplica”. Aqui encontramos uma expressão enfática, que indica uma vida de oração plena, intensa, perseverante e ampla. A palavra grega para “oração” é proseuch/j (proseuchês), que quer dizer “votar, implorar, anelar por”. Significa o desejo sincero da alma, em que o crente depende de Deus, entregando-lhe a alma. E a palavra “súplica” vem do grego deh,sewj (deêseôs), que significa “rogo, petição”25 . Estas palavras juntas nos apontam para a necessidade de não desistirmos facilmente. Temos que “orar sempre, sem jamais esmorecer” (Lucas 18:1). • A oração é companheira de dois elementos imprescindíveis. Que elementos são estes? Atenção e intercessão. A atenção (estejam atentos) do grego avgrupnou/ntej (agrypnuntes) aponta para a idéia de “ficar acordado, vigiar, ficar sem dormir, ficar de guarda, ser vigilante”. A oração precisa estar atenta para aquilo que Deus está realizando. Muitas vezes perdemos de vista a ação de Deus e acabamos orando por coisas que Deus não está interessado. A pergunta é: Você sabe o que Deus está fazendo agora? E a intercessão (perseverem na oração por todos os santos) está ligada à perseverança26 . Geralmente gostamos de orar pelos nossos pedidos e pouco pelos outros. Mas a oração dirigida pelo Espírito com certeza nos fará interceder pelos nossos irmãos. Jamais podemos nos esquecer que os nossos irmãos “em todo o mundo estão passando pelos mesmos sofrimentos” (1Pedro 5:9). Queremos terminar com a orientação de Tiago. Ele diz: “Entre vocês há alguém que está sofrendo? Que ele ore...” (Tiago 5:13a). A palavra grega kakopathei (Kakopaqei/) é traduzida por sofrimento27 , mas também significa sofrer infortúnios, ter problemas, tribulação, aperto, necessidade, privação ou enfermidade. Vemos aqui uma das razões porque devemos orar. A oração não é uma catarse em que lanço para fora todas as pressões da minha alma, mas o momento certo onde expresso minha tristeza àquele que me pode salvar. 25 Geralmente esta palavra denota uma petição em busca de benefícios pessoais ou que surge de uma necessidade particular. 26 Do grego proskarte,rhsij (proskarterêsis). Essa palavra era usada nos papiros antigos no sentido de esperar, esperar até que chegue o dia do julgamento ou permanecer diligentemente no trabalho. 27 É o mesmo vocábulo que aparece no versículo 10, quando Tiago se refere aos sofrimentos passados pelos profetas.
  31. 31. Classe de Maturidade Igreja Batista do Estoril 31 Encontramos na Bíblia exemplos de pessoas que buscaram a Deus na tristeza e no sofrimento. Vemos por exemplo, Jacó (Gênesis 28:16-22), Ana (1Samuel 1:9-20), Ezequias (2Reis 20:5; Isaías 38:5), Neemias (Neemias 1:6,11), Jó (Jó 42:9), os salmistas (Salmo 4:1; 5:3; 6:9; 17:1; 39:12; 42:8; 54:2; 55:1; 61:1; 65:2; 66:19,20; 69:13; 72:15; 84:8), Daniel (Daniel 9:3), Jonas (Jonas 2:7), Habacuque (Habacuque 3:1), Zacarias (Lucas 1:13) e tantos outros que encontraram na oração o momento certo para abrirem o coração. Por isso os cristãos devem buscar mais ao Senhor por meio da oração. Ele realmente ouve a nossa oração e atende ao nosso clamor. Mas um grande aliado da oração é o louvor. Tiago continua no verso 13: “... Há alguém que se sente feliz? Que ele cante louvores.”. Encontramos no grego a palavra euthymei (euvqumei/), que significa “ser feliz, sentir-se bem, alegre”. Esta palavra não se refere a circunstâncias externas, mas à felicidade e alegria de coração que se pode ter, tanto em tempos maus quanto bons. Nunca podemos nos esquecer que a nossa alegria vem de Deus, e, portanto, ela não depende do nosso humor, nem tampouco do que está acontecendo ao nosso redor. Esta alegria nos faz cantar cânticos de exaltação ao Senhor. Mas por que o louvor deve estar ligado à oração? Paulo escreveu o seguinte: “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus.” (Filipenses 4:6). A oração não se resume apenas num discurso do cristão para Deus. Nossa oração deve estar cheia de louvor, de gratidão por aquilo que Deus já fez e fará por nós. Depois de uma base destas duvidamos que você queira orar do mesmo jeito. Ouse viver segundo a Palavra. Ouse orar segundo a direção do Espírito. Saia da superfície e mergulhe mais fundo. Com certeza veremos coisas impressionantes que Deus pode realizar.

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