Interações medicamentosas em pediatria e neonatologia

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  • Eu gosstei, fantastico. Gostaria de ter esse trabalho na integra. Como proceder? Grato Ednil
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  • Importante que cada profissional saiba como deve se organizar metodologicamente e seja capaz de identificar suas especificidades técnicas, que são próprias de cada profissão
  • Interações medicamentosas em pediatria e neonatologia

    1. 1. Farm. Sandra Brassica São Paulo, 2014 Interações medicamentosas em pediatria e neonatologia II Workshop de segurança da medicação em pediatria e neonatologia
    2. 2. Fatos: •Reações adversas a medicamentos são causa de hospitalização, sendo as interações medicamentosas as maiores contribuintes. Sessenta e oito a 70% das interações potenciais demandam atenção clínica (KOHLER, 2000). •Pacientes críticos em UTIs recebem em média 15 medicamentos/ dia. A polifarmácia, embora indispensável em certas circunstancias, pode predispor a ocorrência de IMs. •Estudos demonstram frequência variável de IMs na população adulta, 3 a 5% nos pacientes em uso de até 6 fármacos, chegando a 20% nos pacientes em uso de 10 a 20 fármacos. •Não há muitos dados para a população infantil, mas sabe-se que esta é mais suscetível a ocorrência de EAMs por suas características peculiares. •Estudos demonstram a baixa disponibilidade e qualidade das informações sobre compatibilidade entre medicamentos. Desafio: Como evitar a ocorrência de IMs e assegurar uma farmacoterapia segura e eficaz? Como garantir acesso a informação atualizada e de qualidade no ponto de cuidado? Estamos preparados para o reconhecimento rápido de EAMs?
    3. 3. Mecanismos das interações medicamentosas: •Físico-químicas •Farmacocinéticas •Farmacodinâmicas Um retorno a teoria... Quando as ações de um medicamento são alteradas por outro, ou ainda por um alimento produzindo: •Alteração dos efeitos farmacodinâmicos/ farmacocinéticas •Diminuição ou ineficácia terapêutica •Toxicidade
    4. 4. Interações Físico-Químicas Mecanismos físico-químicos frequentemente observados: • óxido-redução, hidrólise, foto decomposição, • fenômenos de adsorção, • precipitação e formação de complexos, • neutralização ácido básica. São indicativos de sua ocorrência: • precipitação • turvação, • floculação, • alterações na cor da mistura. Obs: a ausência dessas alterações não garante a inexistência de interação.
    5. 5. Os medicamentos considerados de alerta estão geralmente envolvidos nas interações físicas ou químicas Exemplos: amiodarona, cisatracurio, digoxina, dopamina, dobutamina, eletrólitos , fenitoína, fenobarbital, fentanil, furosemida, haloperidol, heparina, insulina, midazolan, morfina, nitroglicerina, noradrenalina, pancurônio, propofol e soluções de glicose hipertônicas. •A incompatibilidade medicamentosa está relacionada com as interações físico-químicas que ocorrem externamente durante o preparo e administração dos medicamentos. • Pode ocorrer entre medicamento-medicamento, medicamento-solução, medicamento- material de embalagem, medicamento-recipiente e medicamento-impureza.
    6. 6. RNPT, PN 650g, Patual 700 g, 20ddv. Acessos: AVCDL + AVP. Recebe: 1)Jejum 2)NPP 70 mL ev por acesso central em 24 horas 3)Ranitidina 3,5 mg ev 12/12h 4)Vancomicina 7 mg ev 24/24 horas 5)Meropenen 28 mg ev 12/12 horas 6)Anfotericina B lipossomal 3,5 mg em SG5% 2 mL em 2 horas 7)Fenobarbital 2,8 mg ev 24/24 horas 8)Fentanila 50 mcg em SF 2,4 ml ev por BIC 0,1 ml/h ou acm 9)Midazolam 5 mcg em SF 2,4 ml ev por BIC 0,1 ml/h ou acm 10)Dobutamina 12 mcg em SF 2,4 ml ev por BIC 0,1 ml/h ou acm 11) Dopamina 12 mg em SF 4,8 ml ev por BIC 0,2 ml/h ou acm 12) Albumina 3,5 g ev em 4 horas 13) Furosemida 0,4 mg ev após item 12 14) Controle de dextro 4/4 horas 15) Controle de diurese 16) Diluir medicamentos em menor volume possível 17) CCG Análise do problema: 3 vias para administrar 11 medicamentos 2 necessitam de acesso central 5 são de infusão contínua Como resolver???
    7. 7. AVP: Ranitidina, Vancomicina, Meropenen, Fenobarbital, Albumina e Furosemida Possíveis soluções AVCDL: 1 via: NPP + Fentanila + Dobutamina 2 Via: Midazolam + Anfotericina B lipossomal + Dopamina a) Determinar a quantidade e o tipo de acessos disponíveis. b) Verificar todos os medicamentos que necessitam de acesso central para administração e entre estes parear os que são compatíveis. c) Reservar o acesso periférico para medicamentos que não necessitam de acesso central, adminstrando-os em horários diferentes em caso de interação físico-química.
    8. 8. a ceftriaxona foi introduzida no mercado em 1984... Por quantos anos ignoramos tal EAM?
    9. 9. Há protocolos em nossas instituições que alertam para esta interação? São conhecidos? Estão ao alcance dos colaboradores?
    10. 10. Concentrações usuais em nossas UTIs Concentrações usuais em nossas UTIs Comparação com 66 medicamentos utilizados com frequencia
    11. 11. A compatibilidade variou em função da concentração dos medicamentos... A compatibilidade variou em função da concentração dos medicamentos... Risco na utilização de fontes de informação que não trazem referência das concentrações consideradas estáveis Risco na utilização de fontes de informação que não trazem referência das concentrações consideradas estáveis
    12. 12. Lembrar que as NPs para pediatria e neonatologia são personalizadas, ou seja, visam atender asnecessidadesespecíficas desses pacientes e que portanto possuem composiçãovariável Lembrar que as NPs para pediatria e neonatologia são personalizadas, ou seja, visam atender asnecessidadesespecíficas desses pacientes e que portanto possuem composiçãovariável
    13. 13. Risco na padronização de fontes que não refletem reais condições dos pacientes Risco na padronização de fontes que não refletem reais condições dos pacientes
    14. 14. Necessidade de atenção em relação a qualidade metodológica dos trabalhos analisados
    15. 15. Casos como esses ocorrem em nossas instituições? Qual a melhor alternativa para evitar este EAM?
    16. 16. Interações Farmacodinâmicas • Seus efeitos finais são resultantes das ações farmacodinâmicas próprias de cada agente terapêutico. • Podem ocorrer em nível de receptores e estruturas intimamente associadas a eles, ou ainda quando os fármacos agem em sistemas diferentes, mas o efeito de um deles é alterado pelo efeito do outro.
    17. 17. • Podem ser sinérgicas ou antagônicas. • Geralmente são previsíveis. Ex: • lamotrigina x carbamazepina (↑ toxicidade da carbamazepina sem aumentar seu Ns ou de seu metabólito). • furosemida x digoxina (↑ toxicidade da digoxina pela hipocalcemia provocada pelo diurético de alça) • rocurônio x amicacina (efeito bloqueador do aminoglicosídeo por efeito aditivo)
    18. 18. Interações Farmacocinéticas • Interações em que um dos fármacos modifica a cinética de outro administrado concomitantemente.
    19. 19. • São mais frequentes e promovem, muitas vezes, influência significativa sobre a terapêutica medicamentosa. • Podem ser classificadas baseando-se no seu mecanismo, ou seja, na fase farmacocinética em que ocorre a interação. • As interações de maior relevância clínica são aquelas relacionada às fases de distribuição e metabolismo. Alterações de pH (Inibidores de bomba de prótons), esvaziamento gástrico (procinéticos), motilidade intestinal (opíóides) Alterações de pH (Inibidores de bomba de prótons), esvaziamento gástrico (procinéticos), motilidade intestinal (opíóides) Farmacos que competem com as proteínas plasmáticas (fenitoína) Farmacos que competem com as proteínas plasmáticas (fenitoína) Indução (antiepiléticos: fenobarbital, fenitiína e carbamazepina; benzodiazepínicos etc) e inibição enzimática (amiodarona, ARVs etc) Indução (antiepiléticos: fenobarbital, fenitiína e carbamazepina; benzodiazepínicos etc) e inibição enzimática (amiodarona, ARVs etc) Alterações de pH por fármacos ácidos ou básicos Alterações de pH por fármacos ácidos ou básicos
    20. 20. a) Absorção acelerada. b) Absorção retardada. c) Absorção diminuída. d) Absorção aumentada. Adaptado de FLEISHER, 1999.
    21. 21. Extraído de: Cullen Taniguchi & Peter Guengerich. Metabolismo dos fármacos. Cap. 4. p 46-57. Na maioria dos casos (exceto pró-fármacos) estas reações são responsáveis pela transformação dos medicamentos em compostos inativos que serão eliminados. Medicamentos que alteram (inibam ou induzam) as enzimas do citocromo P-450 acarretarão em maior ou menor biodisponibilidade dos medicamentos.
    22. 22. Extraído de: Cullen Taniguchi & Peter Guengerich. Metabolismo dos fármacos. Cap. 4. p 46-57.
    23. 23. Extraído de: Cullen Taniguchi & Peter Guengerich. Metabolismo dos fármacos. Cap. 4. p 46-57.
    24. 24. a) recém-nascidos pré – termo (RNPT) = < 37 semanas IG até 28 ddv; b) recém-nascidos a termo (RNT) = ≥37 semanas IG até 28 ddv; c) lactentes e crianças de 29 dias a 23 meses de idade; d) crianças de 2 a 11 anos; e) adolescentes de 12 a 18 anos (OMS, 2007) Período onde ocorrem diversas alterações fisiológicas (função da maturidade dos processos) e características de cada fase
    25. 25. O que sabemos sobre o potencial de interação dos novos fármacos?
    26. 26. Fonte: Kearns GL, Rahman SM, Alander SW, Blowey DL, Leeder JS, Kauffman R. Developmental pharmacology drug disposition, action, and therapy in infants and children. N Engl Jmed. 2003; 349(12):1157-67.
    27. 27. Distribuição hídrica nos compartimentos corporais Neonato Criança Adulto Peso (kg) 3,4 10,8 70 Água total (%) 78 60 58 (mL) 2650 6500 41000 Água extracelular (%) 45 27 17 (mL) 1530 2900 12000 Plasma sanguíneo (%) 4-5 4-5 4-5 (mL) 140 430 3000 Água intracelular (%) 34 35 40 (mL) 1160 3800 28400 RN prematuro: água total 85%.
    28. 28. Impacto na administração de medicamentos: Necessidades de maiores doses (mg/Kg) para alguns fármacos, devido ao maior volume de distribuição. Ex: aminoglicosídeos Menor distribuição de fármacos lipossolúveis. •> parte do peso corpóreo é constituído de água (75% RN termo; 85% RNPT), ↑ de relação extracelular/ intracelular (40:60 neonato x 20:80 adulto). • gordura representa cerca de 3% do peso corpóreo.
    29. 29. Função fisiológica Neonato Lactente Criança Secreção ácida Redução Redução Normal Esvaziamento gástrico Redução Aumento Aumento Trânsito intestinal Redução Normal Normal Área de superfície intestinal Redução Redução Normal F(x) pancreática e biliar Redução Próximo à normalidade Normal Atividade enzimática Não definida Próximo à normalidade Normal Flora bacteriana Não definida Normal Normal Efeito de primeira passagem Redução Próximo à normalidade Normal
    30. 30. • pH do estômago é praticamente neutro ao nascimento, ↓ para ± 3 cerca de 48 h após o nascimento e retorna a neutralidade nas próximas 24 h, permanecendo neutro pelos próximos 10 dias. • Após esse período ele ↓ até alcançar valores iguais aos dos adultos por volta dos 2 anos de idade. • Essas alterações não ocorrem nos prematuros que quase não apresentam secreção ácida nos primeiros 14 dias de vida. • pH mais básico do estômago (imaturidade das células parietais) até 32 semanas de idade gestacional). • > pH do estômago (imaturidade das células parietais) até 32 semanas de idade gestacional). ↓ atividade das enzimas amilase, lipase e ácidos bilares. ↓ motilidade intestinal, ↑ do tempo de esvaziamento gástrico. • imaturidade da mucosa intestinal (↑ da permeabilidade). Impacto na administração de medicamentos: Diminuição da absorção de fármacos ácidos (fenobarbital/ fenitoína), ↓ da solubilidade de fármacos lipossolúveis, retardo do início de ação.
    31. 31. • ↓concentração, qualidade e afinidade da ligação das proteínas plasmáticas ; > fração de droga livre plasmática, que é farmacologicamente ativa (digoxina, fenitoína e fenobarbital) • bilirrubina (produto final do catabolismo do grupo heme) ligada de forma reversível a albumina; possibilidade de deslocamento da bilirrubina pelo uso de fármacos com alta afinidade à proteína plasmática. Obs. A bilirrubina atravessa a BHE e pode ocasionar o Kernicterus.
    32. 32. Limitação de metabolismo hepático e da biotransformação Fase I - ↓ reações de oxidação, redução, hidrólise, metilação e hidroxilação (polar => apolar; + -OH, -COOH, -NH2; perda da atividade farmacológica) até por volta do sexto mês de idade; Fase II - ↓ reações de glucoronidação, sulfatação e acetilação (=> hidrossolúvel) até por volta do terceiro ou quarto anos de vida. • ↓ Ligação as proteínas plasmáticas, já que só a fração livre chega ao hepatócito; • Fluxo sanguíneo hepático; • Atividade enzimática dos hepatócitos
    33. 33. Faixa etária RFG (média) (ml/min/1,73m2 ) Intervalo (ml/min/1,73m2 ) Neonatos < 34 s IG 2-8 dias 11 11-15 4-28 dias 20 15-28 30-90 dias 50 40-65 Neonatos > 34 s IG 2-8 dias 39 17-60 4-28 dias 47 26-68 30-90 dias 58 30-86 1 -6 meses 7 39-114 6 – 12 meses 103 49-157 12-19 meses 127 62-191 2 anos - adulto 127 89-165
    34. 34. Impacto das interações na fase de excreção: •Risco de piora na função renal pela coadministração de medicamentos nefrotóxicos: vancomicina, amicacina, anfotericina etc. •Útil para facilitar a eliminação de medicamentos e substancias tóxicas: NaHCO3 para a alcalinização urinária e eliminação de fármacos ácidos como barbitúricos.
    35. 35. a)Seleção criteriosa de medicamentos com base em evidências b)Participação do farmacêutico na visita médica c)Revisão das prescrições d)Orientações sobre preparo e administração de medicamentos (integração com a equipe de enfermagem e disponibilização no ponto de cuidado de orientações escritas) e)Farmacêutico presente 24 horas f)Farmacovigilância “Nenhuma ferramenta é capaz de substituir a discussão criteriosa do caso concreto e o julgamento profissional apropriado “ Estratégias adotadas no HU-USP para diminuir a incidência de EAMs por Ims:
    36. 36. Obrigada! sbrassica@hu.usp.br Tel: (11) 3091-9465 Que as pedras do caminho sejam sempre oportunidades...

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