EMcontro SPEM: Nutrição na Esclerose Múltipla - 3 outubro 2015 - Paula Pereira

735 visualizações

Publicada em

Realizado a 3 de Outubro, o EMcontro sobre Nutrição na Esclerose Múltipla reuniu 60 pessoas, para ouvir a nutricionista Prof Paula Pereira, do Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz.
Desmistificaram-se várias dietas, falou-se de vários alimentos benéficos para as pessoas com Esclerose Múltipla e foram tiradas centenas de dúvidas, em cerca de 2h de sessão. A todos, em especial à Prof Paula Pereira e aos voluntários presentes, um agradecimento especial. Os EMcontros regressam à SPEM, já a 24 de Outubro, com o tema "Direitos e Proteção Social na Esclerose Múltipla". Inscrições obrigatórias atrávés dos seguintes contactos:
218 650 480 | 934 386 910 | eventos@spem.pt

Publicada em: Saúde e medicina
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
735
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
16
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

EMcontro SPEM: Nutrição na Esclerose Múltipla - 3 outubro 2015 - Paula Pereira

  1. 1. Paula Pereira, Outubro 2015
  2. 2. O HOMEM EVOLUIU...
  3. 3. E CONTINUOU A EVOLUIR.
  4. 4. Desde a descoberta das vitaminas e outros nutrientes essenciais Decréscimo das doenças causadas por deficiência a nutrientes entre as populações humanas Actualmente acção dos alimentos e nutrientes nas doenças crónicas como o cancro, osteoporose e doenças cardiovasculares Optimização da saúde
  5. 5. ALIMENTOS FUNCIONAIS TAL COMO O HOMEM, TAMBÉM OS ALIMENTOS... ESTILO DE VIDA ALIMENTOS “LIGEIROS” ALIMENTOS “LIGHT” E ALIMENTOS “DIET”
  6. 6. Comemos para viver ou vivemos para comer?
  7. 7. Deveríamos comer para viver! Mas ..... O prazer que obtemos comendo ultrapassa apenas o simples objectivo de comermos unicamente uma quantidade suficiente para nos nutrirmos...
  8. 8. Obesidade Hipertensão Doenças cardiovasculares Cancro Diabetes Journal of Neuroscience Nursing 1999. 31(3): p. 152-158)
  9. 9. Então mas nada me serve? Tenho que fazer dieta! Ai! Quem me acode, pareço uma elefanta! Está decidido. A partir de amanhã só como alface.
  10. 10. Já ouviste falar da dieta do limão? Não! Então como é que é ? Olha, é muito fácil às 2ªs, 4ªs e 6ªs só comes coisas de limão, e o resto dos dias podes comer de tudo. Ai sim, e resulta? Não sei, mas a minha vizinha experimentou e deu um resultadão! Diálogo das dietas
  11. 11. toca a ler tudo quanto é dietas nas revistas ! Como se não bastasse .....
  12. 12. Todo o ganho ponderal envolve alguma síntese de massa muscular Toda a perda de peso faz sempre perder massa muscular O que importa é o predomínio de cada processo
  13. 13. Perdas muito rápidas Dietas selvagens Técnicas de desidratação Fármacos ..... CONSEQUÊNCIAS ....
  14. 14. Dietas na EM
  15. 15. “Dieta” Swank Redução da ingestão de gordura (<30g), em especial gordura saturada (<8-10g por dia)
  16. 16. Princípios gerais • Redução da ingestão de gorduras adicionadas • Preferência por alimentos de baixo teor lipídico • Sugestão de uma alimentação mais baseada em produtos de origem vegetal (quase vegetariano) • Suplementação com vitamina A, D e E • Óleo de fígado de bacalhau
  17. 17. Instruções gerais (fonte: Swank MS Foundation) 1. Não ingira alimentos processados que tenham óleos hidrogenados ou fontes de gordura saturada (por exemplo: manteiga) 2. Não deve ingerir mais de 15g de gordura saturada por dia e cerca de 20-50g de gordura insaturada 3. Pode ingerir indiscriminadamente frutas e verduras 4. Não coma carne vermelha no primeiro ano, depois desse período pode comer 1 vez por semana 90g de carne 5. Pode comer frango e outros cortes de carne magros e sem pele assim como peixe gordo mas não ingira mais de 50g de peixe gordo/dia. 6. Deve preferir leite e derivados com 1% ou menos de gordura 7. Aposte em cereais e derivados pouco processados 8. Snacks de fruta e frutos secos são uma boa opção para manter os níveis de energia ao longo do dia 9. Tome um suplemento de óleo de fígado de bacalhau e um multivitamínico diariamente
  18. 18. Base científica • Não existem resultados com evidência científica de doentes que tenham seguido este modelo durante tempo suficiente • É difícil encontrar marcadores de progressão de doença que possam avaliar a sua eficácia no prognóstico clínico • O modelo (e os seus conselhos) são meramente orientativos, não ajudam um indivíduo a encontrar uma solução personalizada, o que dificulta a adesão
  19. 19. “Dieta sem glúten” E se retirarmos os anti-nutrientes e alergéneos da alimentação?
  20. 20. Onde podemos encontrar o glúten?
  21. 21. Alguns pacientes de doenças do foro neurológico apresentam anticorpos anti-gliadina Neste estudo foram avaliados os valores de anticorpos anti-gliadina e anti-transglutaminase em 98 doentes de EM 7 pacientes com EM tinham os referidos anticorpos (não significativo) No entanto, esta análise pode ser fundamental para avaliar a possibilidade de aplicar a exclusão do glúten Gluten Sensitivity in Multiple Sclerosis Experimental Myth or Clinical Truth? Shor, D. et al. Annals of the New York Academy of Sciences
  22. 22. Vários estudos documentaram a presença de anticorpos antigliadinas em doentes de EM A doença celíaca apresenta algumas consequências neurológicas igualmente afetas à matéria branca no cérebro, tal como a EM, por exemplo a ataxia, a neuropatia periférica e a epilepsia. Paralelamente importa referir que alguns doentes de EM apresentam sintomas gastrointestinais comuns à doença celíaca como a obstipação e a deficiência crónica em ferro, sem razão aparente Neste artigo apresenta-se o caso de uma mulher, doente de EM, medicada com interferon que foi seguida durante 7 anos até lhe descobrirem a origem das complicações gastrointestinais: sensibilidade ao glúten tendo todos os sintomas melhorado quando adoptou uma alimentação isenta de glúten
  23. 23. 8 em 72 (11,1%) doentes tinham doença celíaca
  24. 24. Sem glúten = Saudável?
  25. 25. E a polémica do Leite...
  26. 26. • O Homem é o único animal que bebe leite na idade adulta • Também é o único que trabalha e faz as suas escolhas alimentares “conscientes” • Actualmente não bebemos leite produzido de forma “natural” • A ingestão de cálcio a partir do leite é sobrevalorizada • Podemos encontrar outros factores importantes no seu metabolismo • A massa óssea é formada sobretudo até aos 21 anos • Estamos geneticamente programados para deixar de tolerar a lactose... • Mas poderá um “açúcar” ser a causa de todos os problemas?
  27. 27. A falha do factor “Quantidade”
  28. 28. • Vários estudos da década de 90 documentaram uma prevalência aumentada de EM quanto maior fosse a ingestão de leite • No entanto, não existe evidência científica de que a ingestão de leite / derivados aumente o risco de EM • Acrescente-se também que os indivíduos que bebem leite ou consomem derivados tendem a ter uma alimentação e estilo de vida mais saudáveis o que pode contribuir para a redução do risco de doença MALOSSE, D. PERRON, H.; SASCO, A. et al. Neuroepidemiology; 11(4-6):304-12, 1992. MALOSSE, D.; PERRON, H. Neuroepidemiology; 12(1):15-27, 1993
  29. 29. Voltar às origens? É tão fácil que até o Homem das cavernas conseguia fazer...
  30. 30. Princípios • NO DAIRY • NO GRAINS • NO SUGAR (ADDED) • NO LEGUMES
  31. 31. Menu Paleo
  32. 32. Muito Paleo!
  33. 33. Uma controvérsia eterna...
  34. 34. Essencialmente... • Não existe evidência científica sobre a alimentação, a nível quantitativo e qualitativo dos primórdios da humanidade (dito pelo próprio Loren Cordain) • Existe uma clara tentativa de ignorar o factor quantidade e o estilo de vida, e suas mudanças no risco de doenças do século XXI • A alimentação do paleolítico, nos dias de hoje, é quase impraticável porque o Homem não caça e não tem ameaças prementes à sua vida
  35. 35. Conclusões • A maioria das dietas da moda tiveram origem na busca incessante... • Não existe qualquer evidência científica de que qualquer um destes modelos trate / atenue os sintomas da EM • Manter a humildade científica! No seu caso pode melhorar ou não, mas isso não é uma certeza para a população • Algumas exclusões e opções alimentares dificultam muito a vida nos tempos modernos • Outras pressupõem a compra de produtos especiais...
  36. 36. E há uma alimentação certa? • Preferir alimentos minimamente processados • Reduzir ingestão de gordura hidrogenada e açúcar • Incluir frutas e verduras em quantidade suficiente • Promover uma opção por fontes de hidratos de carbono ricas em fibra • Variar os cereais • Manter uma ingestão moderada de produtos de origem animal • Sobretudo com maior teor de gordura Inflamação Stress oxidativo Inflamação
  37. 37. Nutrientes potencialmente protectores • Vitamina D • Ácidos gordos ómega 3
  38. 38. Sobre a vitamina D O potencial efeito protector na EM foi sugerido por diversos dados • Distribuição geográfica da prevalência da doença Países com menor exposição solar apresentavam uma incidência mais elevada • Papel polivalente da Vitamina D • Imunomodulador • Anti-inflamatório • Resultados de estudos experimentais na EM J Neuroimmunol. 2008;194(1-2):7-17
  39. 39. BAIXO <50nmol/L INTERMÉDIO 50-100nmol/L ALTO >100nmol/LIntervalo óptimo 50 a 200nmol/L Mayo Clin Proc. 2010 Aug; 85(8): 752–758.
  40. 40. A deficiência em Vitamina D é um factor de risco para a EM e os doentes nem sempre têm a resposta esperada com a suplementação Parece haver um efeito menos significativo da suplementação nos níveis de vitamina D
  41. 41. Fontes alimentares de Vitamina D 1 copo (250ml) 2% MG 105 UI (26% DDR) 1 copo (250ml) 1% MG 127 UI (32% DDR) Valor médio 1 fatia (30g) 3,4 UI (1%) 100g Cogumelos Portobello 446 UI (74% DV) 100g Carne de porco (lombo) 93 UI (16% DV) 1 ovo 44 UI (7% DV) 100g Tofu 157 IU (26% DV) Fonte: USDA Nutrition Table
  42. 42. • Prática de actividade física ao ar livre • Ingestão de peixe gordo Associada a um menor risco de EM Journal of Neurology, 2007. 254(4): p. 471-477 Riscos da suplementação com vitamina D • Hipercalcémia • Falha renal
  43. 43. Ácidos gordos ómega 3 Papel protector polivalente • Anti-inflamatórios J Cardiol. 2015 Sep 7. pii: S0914-5087(15)00230-0 • Previnem a neurodegeneração Nutr Neurosci. 2011 Sep;14(5):216-25 • Imunomoduladores Prostaglandins Leukot Essent Fatty Acids. 2013 Nov-Dec;89(6):379-90 Equilibrar ratio ómega 3/ómega 6 para prevenir a inflamação Biomed Pharmacother. 2002 Oct;56(8):365-79
  44. 44. Não há uma diferença significativa mas parece haver uma tendência de melhoria no grupo com ácidos gordos ómega 3.
  45. 45. Não parece haver um efeito significativo nos outcomes clínicos mas os ómega 3 parecem reduzir a frequência de surtos no espaço de 2 anos. Uma das controvérsias associadas a estes resultados prende-se com a qualidade dos suplementos de ómega 3.
  46. 46. Suplementação: vantagens e riscos • Possibilidade de atingir doses consideradas terapêuticas (2-3g) • Facilidade de inclusão a longo prazo • Manipulação dos constituintes: EPA ou DHA • Qualidade dos suplementos • Legislação aplicável • Possibilidades de contaminação • Riscos da sobredosagem (hemorragia) Verifique análises de um laboratório isento: https://labdoor.com/rankings/fish-oil
  47. 47. Fontes alimentares de ómega 3 1 colher de sopa Linhaça (~7g) 1597mg 100g Sardinha ~320 a 4039 mg 100g Salmão do Atlântico ~5622 mg 100g Nozes ~9079 mg 28g (~14 metades) ~2565mg 1 colher de sopa Chia (~10g) 1790mg 1 colher de sopa Spirulina (~10g) 57mg
  48. 48. 100g Pescada ~527 mg 100g Atum conserva ~291 mg 100g Solha ~386 mg 100g Cavala ~683 mg 100g Carapau ~497-751 mg 100g Dourada ~2162 mg Fonte: USDA Nutrition Table e IPIMAR
  49. 49. Uma última palavra sobre ... Sementes Cânhamo Cacau cru Etc... Fornecem • Fibra • Minerais e oligoelementos essenciais (Mg, Mn, Zn,Cu) • Ácidos gordos essenciais (ALA)

×