Revista Encontro 01 - Dezembro de 2011

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Revista da Coordenação Arquidiocesana de Pastoral da Arquidiocese de Campinas. Sobre o Processo do 7º Plano de Pastoral Orgânica.

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Revista Encontro 01 - Dezembro de 2011

  1. 1. Editorial Prezados irmãos e irmãs. Participaram repre- Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! sentantes de todas as forças vivas de nossa No dia 1º de abril de 2010, Quinta-feira Santa, na Igreja ArquidiocesanaMissa do Crisma celebrada na Catedral Metropolitana, que, na convivênciaDom Bruno Gamberini, nosso Arcebispo, entregou à fraterna de irmãos eArquidiocese a publicação do 7º Plano de Pastoral irmãs em Cristo Jesus,Orgânica. Na apresentação, Dom Bruno nos dizia que partilharam experiências“unidos ao Bispo desta Igreja trabalharemos numa nesse processo devinha fértil e abençoada, desejosos de evangelizar e implantação do Plano, na busca de concretizar a missãoimplantar neste chão a justiça, a verdade, o amor e a de anunciar o Evangelho como autênticos discípulospaz do Reino de Deus”. missionários. Pouco mais de um ano após a promulgação do Nosso objetivo, com essa primeira publicação, éPlano, Dom Bruno partiu para a Casa do Pai. que toda a Arquidiocese partilhe das indicações deConscientes da nossa missão, continuamos unidos no nossos assessores e dos trabalhos dos grupos e a usemtrabalho que nos foi confiado de construir a sociedade como mais uma luz que ajuda a iluminar os nossossonhada por Deus e anunciada por Jesus. caminhos na concretização do 7º PPO. Essa revista que publicamos hoje, na Festa de Nossa Que Deus Pai, Filho e Espírito Santo continue aSenhora da Conceição, Padroeira da Arquidiocese de nos abençoar, sob a proteção materna de Nossa SenhoraCampinas, é mais um instrumento valioso no processo da Conceição.de implementação do nosso Plano de Pastoral. Aqui está contida toda a riqueza que foi o Encontro Padre Bruno Alencar Alexandronide Formação realizado no Mosteiro de Itaici, na cidade Coordenador de Pastoralde Indaiatuba, nos dias 16 a 18 de setembro passado. 08 de dezembro de 2011 Expediente Esta é uma publicação especial da Coordenação de Pastoral da Arquidiocese de Campinas, sobre o Encontro Arquidiocesano realizado no Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba. Esta publicação está disponível no site da Arquidiocese de Campinas, www.arquidiocesecampinas.com. Administrador Diocesano Liturgia e Animação Eliana Carvalho Paes Monsenhor João Luiz Fávero Comissão Arquidiocesana de Liturgia Sem. Emerson Ginetti Sem. Fábio Fernandes dos Santos e Silva Coordenador de Pastoral Cronometrista Sem. Fábio Luís Fernandes Padre Bruno Alencar Alexandroni José Alberto Macedo Nogueira Sem. Fernando Marçola Neves Sem. Jefferson de Oliveira Marques Responsáveis pelo Encontro Filmagem e fotos Sem. João Henrique C. Stabile Coordenação Colegiada de Pastoral Assessoria de Comunicação Sem. João Henrique de Oliveira Bento Coordenação Arquidiocesana de Pastoral Maurício Aoki (voluntário) Padre Leonardo Henrique Piacente Sem. Luan Flávio de Oliveira Assessores Infra estrutura Sem. Marcel Fabiano Prado Padre Luiz Roberto Benedetti Nadir Gonçalves de Castro Márcia Carvalho Padre João Augusto Piazza Rosilene Montagner Márcia Signorelli Diácono Sebastião Roberto de Abreu. Maria Inês Gonçalves Equipe Dinamizadora do 7º PPO Maria Lourdes Santucci Monsenhor João Luiz Fávero Médica Sem. Maurício Inácio da Silva Padre Bruno Alencar Alexandroni Drª. Maria Emília S. Oliveira Messias Rabetti Carmem Silvia Ventura Sem. Nilo C. de Oliveira Júnior Diácono Jamil Cury Sawaya Secretários e facilitadores nos grupos Sem. Paulo César Nascimento dos Santos Padre João Augusto Piazza Sem. Adilson José Ribeiro Sem. Rafael Queiroz Pereira Padre Jonas Barbosa da Silva Sem. Amauri Thomazzi Sem. Renato de Moura Petrocco Márcia Carvalho Sem. André Ulisses da Silva Vera Úrsula Gadioli Casarin Nadir Gonçalves de Castro Antonio Pereira Júnior Wanda Conti Rosilene Montagner Sem. Antonio Rodrigues Alves Sem. Wladimir Quintino da Costa Diácono Sebastião Roberto de Abreu Aparecida Palmeira da Silva Wanda Conti Carlos Roberto Cecílio Assessoria de Comunicação Sem. Carlos Roberto de Oliveira Jesus Assessor: Padre Rodrigo Catini Flaibam Vivência (dinâmicas) Cícero Palmeira da Silva Jornalista: Wilson A. Cassanti (MTb 32.422) Carmem Silvia Ventura Claudemir Batista de Campos Apoio: Nathália Trindade Sem. Claudiney Ferreira de Almeida Arte: João Costa Secretários no Encontro Sem. Cleber Rogerio Rosa Fotos: Bárbara Beraquet e Maurício Aoki Felipe M. Zangari Flor Sem. Diego Fernandes dos Santos Maria Aparecida V. Duarte Sem. Diego Nogueira Scarano2
  2. 2. ApresentaçãoA realização de um evento do 7º PPO: Acolhimento, Renovação e 1. Que experiência pastoral temos para como o Encontro Serviço, com 10 diferentes temas: compartilhar e como ela está Arquidiocesano que aconteceu acontecendo? Palavra de Deus: o nascer dano Mosteiro de Itaici, em Indaiatuba, 2. Como aprofundar o nosso viver e a comunidade;no período de 16 a 18 de setembro de nossa ação evangelizadora? Acolher para ser Igreja. Povo de2011, foi o resultado de um longo Deus; Pa ra esta atividade houve aperíodo de preparação. É importante Eucaristia: comunhão com Deus, indicação de que fossem levados emdestacar que este Encontro não foi um com o próximo e partilha com todos; conta o subsídio enviado previamenteacontecimento isolado, mas parte do Rede de Comunidades / Igreja aos inscritos no Encontro (Diretrizesprocesso de implementação do 7º Comunhão / Partilha; Gerais da Ação Evangelizadora 2011-Plano de Pastoral Orgânica, em Missão / Discipulado em uma Igreja 2015, de 30 a 36) e a reflexão dosvigência na Arquidiocese de Campinas. toda Ministerial; assessores. Sentiu-se a necessidade de Formação / Itinerário Catequético = Os frutos do trabalho referente àrefletirmos sobre como estamos uma nova atitude; segunda questão foram partilhados nosvivendo a missionariedade da Igreja. Comunicação: realidade e desafios; miniplenários organizados por Eixo e aFoi uma oportunidade para conhecer e Pobre: Opção Evangélica e Solidária reflexão foi então apresentada nopartilhar experiências. da Igreja; Plenário, assessorado pelo Monsenhor Considerando esse contexto, foi Ecologia: Vivência, Educação, João Luiz Fávero, no domingo, dia 18importante a proposição do Objetivo Profecia; de setembro, pela manhã.do Encontro, que refletido e aprovado Misericórdia: Vida em abundância Durante a realização do Encontropela Coordenação Colegiada de para todos, em especial as situações foram propostas algumas vivênciasPastoral - CCP, ficou assim definido: de sofrimento. com o objetivo de fa vorecer o“Aprofundar e compartilhar as entrosamento entre os participantes eexperiências pastorais, na vivência do Nos grupos foi solicitado aos houve a exibição do filme “Homens e7º PPO, na perspectiva de uma Igreja participantes que respondessem a duas Deuses”, após o momento de AdoraçãoDiscípula, Missionária e Profética, questões: do Santíssimo.alimentada pela Palavra e Eucaristia”.O tema escolhido foi DiscípulosMissionários de Jesus Cristo. Uma vez definido o Objetivo, foinecessário pensar que estratégias usarque favorecessem sua concretização.A Equipe Dinamizadora do 7º PPOpropôs então que o Encontro seorganizasse em torno de Assessorias,trabalho em grupos, miniplenários eplenário, intermeados e sustentadospelos momentos de Espiritualidade,Adoração do Santíssimo e Eucaristia. As Assessorias estiveram a cargodos Padres Luiz Roberto Benedetti eJoão Augusto Piazza que abordaram atemática do Discipulado e daMissionariedade, levando em conta arealidade urbana onde acontece, defato, a ação evangelizadora. A propósito do trabalho nosgrupos, vale destacar que foramorganizados em torno dos três eixos 3
  3. 3. DiscipuladoO nosso encontro tem como hoje, nem mesmo pelo trabalho, pela discutido nos vários níveis. Existem objetivo analisar o profissão, como no tempo do constatações comuns, como a andamento do 7º Plano de capitalismo industrial. Isso pode ser dificuldade de se confrontar com o Pastoral e, ao mesmo tempo, sentido até no linguajar cotidiano das novo religioso-cultural, o cansaço dosbuscar novos passos, criar novas pessoas, constituído de pequenas cristãos engajados (quase sempre osenergias, abrir perspectivas e corrigir narrativas ligadas a fatos como a mesmos há muito tempo) e a ausênciapossíveis erros de rota. casinha em que se mora, a vida dos de perspectivas, de horizontes novos, Lembro-me de ter colocado, no filhos, suas conquistas mais a repetição do mesmo, a persistentetexto preparatório, que um plano significativas, as suas aquisições, que volta ao passado e o apego a umdificilmente pode ser elaborado nos são referências ao que se tem e não passado-modernizado.seus mínimos detalhes, em razão da Nessa realidade há uma grandecomplexidade crescente da situação ideia-força, a missionariedade. Éem que vivemos como região metro- Há tempos que a preciso evangelizar, ser discípulopolitana. E mais, que era necessário missionário num mundo que se tornoucriar linhas de força, ideias-progra- identidade dos indivíduos terra de missão. A expressão discípulomáticas a serem operacionalizadas nos missionário, que pode acabar sendovários níveis institucionais. não é dada pela religião. esvaziada se repetida e transformada Gostaria que todos tivessem num bordão, vem acompanhada depresente esta afirmação por duas outra, a mudança de época.razões. De um lado, a exigência de Seria muita pretensão de minhaação conjunta em torno de desafios ao que se é, mesmo profissionalmente. parte analisar tão brevemente essacomuns, de um objetivo comum, o que, Isso é um sintoma das mudanças pelas mudança de época. Mesmo porque asaliás, o 7º Plano contempla; de outro, quais passamos. Na época em que análises seriam conflitantes entre si.há que se ter claro, que há uma perda estamos, a do capitalismo financeiro, O sociólogo polonês Zygmunt Bauman,crescente e incessante da capacidade as identidades mudam e podemos um arguto observador da realidadepor parte das instituições de forjarem dizer, de maneira radical, que o atual, nos fala em tempo líquido, amore imporem aos indivíduos padrões de consumo condiciona e, até certo ponto, líquido, modernidade líquida, medosconduta, visões de mundo, de dar a determina a identidade dos indivíduos. líquidos. Para ele, acontece a quebraeles uma identidade. Procuro acompanhar a vida da de qualquer solidez, firmeza, coesão, Há tempos que a identidade dos Igreja e, no caso específico de fidelidade e as relações se tornamindivíduos não é dada pela religião e, Campinas, todo o material enviado e passageiras, efêmeras, vagando ao sabor do gosto pessoal. Todas as insti- tuições estão em crise, a começar pela família. Mas, ao mesmo tempo, há a busca da comunidade, lugar de refúgio, de salvação e perigo ao mesmo tempo. O perigo é claro com as comunidades virtuais ou fundamentalistas e fechadas sobre si mesmas, constituídas por indivíduos desnorteados que buscam no apego ao mundo “pronto” e murado uma fortaleza que é preciso defender, e não importa como. O filósofo francês Gilles Lipovetsky, no livro A sociedade da decepção, diz que “Numa era de racionalização, de descrença e de desinstitucionalização da religiosidade, nada mais normal que o aparecimento de seitas, movimentos de fanatismo, fundamentalismo e integrismo. A falta geral de referência levaria uma parte das populações de todos os cantos do mundo a apostar em referências extremas e dogmáticas. Faz sentido. O medo do vazio quase sempre leva à busca do excesso de presença”.4
  4. 4. Como não dá para analisar essa Então, o Cardeal Lehmannmudança exaustivamente, aponto diz que “a fé se apresentaalgumas características e chamo a sempre mais como umaatenção para as chances que tornam realidade baseada naurgente, amplo e inclusivo o apelo decisão do indivíduo” emissionário . O e vangelizador é, Lucien Febvre contrapõe-se àtambém, um destinatário da missão e situação do século XVI,experimenta na carne esse mundo. É quando “tudo isso se fazpreciso dizer sem subterfúgios que o sem que se pense”.próprio evangelizador está em crise e As Diretrizes Gerais datende a se refugiar na instituição, na Ação Evangelizadora dafórmula pronta e na receita. Igreja no Brasil mencionam esta mudança radical e A decisão pessoal dizem no nº 88: “As pessoas, em um mundo pronto hoje, ciosas de sua liberdade e autonomia, querem se Começo com uma citação do convencer pessoalmente,Cardeal Karl Lehmann, até pouco desejam discutir, refletir,tempo Presidente da Conferência avaliar, ponderar osEpiscopal da Alemanha, em uma argumentos a favor e contra em uma única direção, dizendo queentrevista publicada no site IHU. Diz o determinada visão, doutrina ou norma”. somos consumistas, individualistas,Cardeal que “...na situação atual, Esta passagem não afeta apenas indiferentes, fundamentalistas e sairconvergem desdobramentos que estão a religião católica. Pouca gente se deu tirando conclusões de cunho moralistaem curso há anos. A ‘Igreja do povo’ conta da pesquisa do IBGE, ainda não ou exortações piedosas.como existia até agora, está mudando publicada oficialmente, que apresenta O indivíduo é livre para fazer o quee adquire novas dimensões. A fé se um dado novo, o do surgimento de quiser, como nunca antes teve estaapresenta sempre mais como uma evangélicos não praticantes, de cerca liberdade. Mas, ao mesmo tempo, elerealidade baseada na decisão do de 4 milhões de pessoas, em um está frustrado. Nós somos sempre oindivíduo. Algumas das dificuldades se percentual que subiu de 0,7 para 2,9%. mais e o menos ao mesmo tempo.devem ao fato de que se esfacelaram Isso só é possível porque o universo Cada um é livre mais que antes paraos ambientes religiosos e culturais expressar desejos e nunca houve tantadentro dos quais foi possível viver até depressão. Nunca se buscou tanto oagora a própria fé”. prazer e nunca se sofreu tanto por não Ele falava, é claro, da situação de Não temos mais a se conseguir uma vida feliz. Nunca noscrise da Igreja europeia. Concluía comunicamos tanto e nunca nosdizendo que a crise de confiança, na obrigação de buscar o paraíso sentimos tão sós. Criamos blogs paraIgreja, é uma crise de fé. O Cardeal e fugir do inferno. contar nossa vida, interagir sobrefalava, então, que a fé se apresenta coisas que antes só falávamos àsempre mais como uma realidade família, amigos, vizinhos e mesmo aobaseada na decisão do indivíduo. padre. O historiador francês Lucien espiritual está tomado por gente que É preciso ser bem sucedido e feliz.Febvre, em seu livro O problema da constrói sua fé sem seguir a cartilha Mas não temos mais a obrigação deincredulidade no século XVI - a religião da denominação religiosa. Se outrora buscar o paraíso e fugir do inferno. Ode Rabelais, após descrever com o padre ou pastor produziam sentido à pesadelo do pecado e das imposiçõesminúcias o universo religioso medieval, vida das pessoas de muitas morais cada vez nos atormentam menos.diz que “tudo isso mostra a Igreja comunidades, atualmente celebri- A grande infelicidade, hoje, é aestabelecida em pleno coração da vida dades, empresários e esportistas, só imposição de ser feliz, em um mundodos homens, de sua vida sentimental, para citar três exemplos, dividem esse no qual a decepção é diretamentede sua vida profissional, de sua vida espaço com essas lideranças. proporcional ao desejo. É preciso serestética, se se pode empregar esta A pergunta que surge para nós é: feliz aqui e agora, esquecendo ogrande palavra: de tudo o que os onde as pessoas buscam sentido para passado e não vivendo em função doultrapassa e de tudo o que os liga, de a sua vida e, ainda, como isso afeta a futuro. É viver o presente, o agora, osuas grandes paixões, de seus religião? “instante eterno”, título de um livro dopequenos interesses, de suas Antes de responder a esta sociólogo francês Michel Maffesoli, queesperanças e de seus sonhos... Tudo questão, é preciso olhar o mundo e nos diz que é viver o “instante eterno”isso se faz sem que se pense. Sem que entender as suas contradições no é “Empunhar a vida, o que ela nosninguém nem sequer levante a questão cotidiano da vida. As grandes teorias oferece, o que se apresenta.de saber se é possível, se deve ser de explicativas da realidade, da história, Exuberância pagã que se aproxima dosoutra maneira. As coisas são assim. deram lugar a análises do cotidiano gozos do presente, levando a uma vidaDesde tempos imemoriais”. vivido. Não podemos ver a realidade audaz, intrépida, a uma vida 5
  5. 5. didade. E isso, para os críticos da sociedade de consumo, anula va qualquer ímpeto transformador da realidade. Acomodava, anestesiava, entorpecia. A própria classe operária americana aderia a esse sistema e o reforçava, no dizer do sociólogo e filósofo alemão, naturalizado norte-atravessada pela frescura do instante, termos bíblico-teológicos, mas difícil americano, Herbert Marcuse. O con-no que este tem de provisório, de em termos operacionais. forto, garantido pelo consumo, geravaprecário e, portanto, de intenso”. Feita esta lembrança voltemos ao acomodação. Havia a contestação, mas Ser feliz aqui e agora! Esquecer a tema do individualismo consumista. não era orientada por um projeto“sociedade do adiamento”! Esquecer o Quanto mais as sociedades político claro. A defesa das drogas, o“adiamento do gozo”, da fruição da enriquecem, mais aparecem novas “faça amor não faça a guerra” ligavam-felicidade. Adiamentos presentes na ação “vontades” de consumir. Podemos se à liberação de direitos individuais.política, ou mesmo, no projeto consumir para viver ou, no outro Então, há uma fase em que seprofissional. A felicidade é, num certo extremo, viver para consumir. Hoje, consome o necessário para viver, ondesentido, substituída pela “arte de viver”. quanto mais se consome mais se quer dá-se importância aos objetos queA própria ideia de liberdade se minimaliza, consumir. A esfera das satisfações se devem ser úteis e duráveis. Numpois é preciso ser livre nas pequenas alarga cada vez mais e a saturação leva segundo momento, eles devem serliberdades, presentes nas brechas das a novas procuras. sinais distintivos de classe social.imposições sociais; relativas, efêmeras, A explicação do consumo teve Hoje, estaríamos vivendo umexpressas em verbos como surfar, como modelo as ideias do crítico social terceiro momento, que é o domarolar, “ficar”, zapear... Thorstein Veblen, presentes no livro “A consumo privatizado. As neces- Fica claro que tudo isso implica, teoria da classe ociosa”. Ele procurava sidades obedecem a fins, gostos eo u c a racteriza, duas marcas da mostrar como o consumo sesociedade que estão na raiz da urgência desprendia cada vez mais dado empenho do discípulo missionário: necessidade do uso, dao individualismo e o consumismo. utilidade dos produtos paraDuas faces da mesma moeda, dois tornar-se sinal de distinçãoaspectos da mesma realidade social e social. Servia para mostrarindividual. Para entender isso é preciso a superioridade enquantovoltar um pouco atrás no tempo. classe social. Os “carrões” americanos, cheios de itens Individualismo e Consumismo de gosto duvidoso, não tinham “utilidade”. Sua As contradições a que me referi função era mostrar umocorrem em uma sociedade cuja status superior, um lugardesigualdade social e econômica social distinto. Um consumogritante ameaça destrui-la. Uma ostentatório. Segundo ele,sociedade na qual grupos financeiros as pessoas que se livram davivem de produzir dívida e ganhar com linha de subsistência nãoela, no dizer do sociólogo espanhol buscam propósitos úteis,Manuel Castells. Quem falará pelos expandir sua vida, viver compobres quando sobrevivem e crescem mais sabedoria, compre-os especuladores financeiros e o mundo ensão, mas querem impres-se ordena em função deles, ou melhor, sionar as outras pessoaseles “ordenam” o mundo de acordo mostrando que tem essecom seus interesses e sua força se excesso, que tem mais quesobrepõe a todas as instituições os outros. Dava como exem-políticas, mesmo o Estado? plo o fato de famílias que se É esta sociedade que nos põe face privavam do leite para asàs exigências evangélicas. E é bom crianças a fim de comprarlembrar disso quando falar dos pobres gasolina para o carro.na Igreja é quase heresia ou motivo Mas os anos 60-70de troça ou ocasião para desencargo puseram em cheque essade consciência... Nessa sociedade, teoria. Consumia-se para termais que nunca, a Igreja encontra o uma vida melhor. Buscava-seu lugar e deve buscar como exercer se conforto, prazer, satis-sua missão específica, que é clara em fação, facilidade, como-6
  6. 6. critérios individuais. Uma lógica E a religião? O enfraquecimento das instituiçõesdesinstitucionalizada, subjetiva e religiosas, de suas capacidadesemocional. Quero ser eu mesmo. Quero A religião permanece, com dois organizativas com estruturas pesadas,viver, não me exibir. Olhemos as frases aspectos principais. imóveis e imobilizadoras, levam a uma“tô na minha”; “ele se acha”... O Primeiro, ela permanece como individualização crescente do crer e doconsumo obedece a uma lógica de substrato profundo da cultura. Ela é agir. É a relativização das crenças.“felicidades privadas, otimização de e vocada até para aquilo que a Naturalmente, crer não énossos recursos corporais e relacionais, transgride, até para sua profanação. consumir. Há toda uma tradição vivida,a saúde ilimitada, a conquista de Uma propaganda de motel ilustra bem. uma busca do essencial, do divino, doespaços-tempos personalizados”, diz O outdoor, presente nas entradas da sentido profundo do mundo e daLipovetsky. cidade de Campinas e em pontos história que marca o espírito de fé e A dinâmica do consumo é a estratégicos, como entra d a d e isso nada tem a ver com o espírito dosatisfação subjetiva, pessoal e universidades, começa com uma consumismo. Mas isso não pode nosindividual. Ela sobrepuja a necessidade pergunta: Pecado? E mostra dois cegar para o fato de que o renascerde competir com os outros. Buscamos jovens seminus, corpos perfeitos, religioso contemporâneo não deve seralgo “que tenha nossa cara”, que se altamente erotizados. Depois de passar marcado pelos sinais dopareça conosco. Castells diz que o os olhos pelos corpos vemos a turboconsumidor experiencial, descritomodelo consumista busca o sentido da resposta: Pecado é não conhecer o por Lipo vetsky: “participaçãovida, comprando-a a prestações. motel X. temporária, incorporação comunitária Os objetos são padronizados, os O segundo aspecto é que a religião livre, comportamentos a la carte,gostos são criados, há a moda, mas sofre uma mutação interna, não primado do bem-estar subjetivo e dasempre em nome da satisfação e de apenas na escolha individual, mas nas experiência emocional”.sentir sendo “eu mesmo”. O filósofo e raízes da escolha. Ela se situa no quesociólogo francês Jean Baudrillard diz A Comunidadeque a sociedade de consumo é aquelana qual na vitrine o individuo se Um manifesto de 240 professorescontempla a si mesmo. Mas mesmo os A religião sofre uma de teologia da Alemanha, publicado noobjetos padronizados da moda tem que site IHU, fala sobre o assunto: “Aster um toque pessoal, ser mutação interna, não apenas comunidades cristãs devem ser espaços“customizados”, isto é, afirmar o nos quais as pessoas partilham bensindivíduo enquanto indivíduo, na na escolha individual, mas espirituais e materiais. Mas atualmentemedida que o padronizado deve ser a vida das comunidades se desfaz. Sobpersonalizado, adaptado ao gosto e nas raízes da escolha. a pressão da escassez de sacerdotes,características individuais. Tem que ter constroem-se unidades administrativasum registro de “diferencialidade”. Eu cada vez maiores - paróquias nas quaistenho que sentir que eu sou eu, Lipovetsky chama de “mercado da já não se pode experimentar amesmo quando obedeço à última alma” e “farmácia da felicidade”. Menos proximidade e a pertença. Identidadesmoda. que propor um ideal, um projeto de históricas e redes sociais construídas As lojas, mais do que oferecer vida, um sistema expressivo (crer, são abandonadas”.objetos úteis, devem provocar uma viver, celebrar) a religião busca dar Causa espanto pensar que umaexperiência sensorial total, uma respostas às decepções com relação às experiência pioneira como as das Vilasemoção diferente, ter uma cenografia promessas não cumpridas pela Planejadas, aqui em Campinas naprópria. Fazer o indivíduo viver o gosto sociedade secular ou, então, de década de 80, tendo como marca ode uma aventura pessoal, de ter uma proporcionar elementos e experiências colégio presbiteral, o envolvimento dasimagem positiva de si mesmo, que possibilitem o desabrochar do religiosas(os), leigos em clima degostando cada vez mais de si que dos indivíduo, na forma de autoajuda. Ela igualdade e respeito à própria vocaçãooutros. não se contrapõe à sociedade de e função ministerial na vida da Igreja, Eu exagerei um pouco para consumo. Amolda-se a ela. Pode-se nunca tenha sido objeto de umaenfatizar que o novo individualismo gostar de paramentos luxuosos... de avaliação de toda a Igreja local.consumista é radical: o outro não conta missa em latim! Ainda mais, até Absorvidas pelas paróquias, asnem para competir. Amar: sim, mas mesmo a espiritualidade é comprada e religiosas(os) voltaram para seussem compromisso. vendida. conventos, ou equivalentes, os leigos 7
  7. 7. Questões dos participantes O Padre Benedito Ferraro Alguém se referiu ao movimento apresentou números, dolorosos, que carismático. Eu disse que o risco era que corroboram o que foi apenas acenado se ficasse num plano puramente por mim na questão da desigualdade. emocional e que com o fim da emoçãoe sua missão no mundo cada vez mais Além desse enriquecimento lembrou tudo acabasse. É preciso reconhecer,entregues a ministérios em torno do que os “pied noirs”, assim chamados de entretanto, que para muitos foi o inícioaltar. É um retrato impressionista, maneira discriminatória, não são de uma caminhada de fé cada vez maistalvez subjetivo demais, mas, de violentos. Respondem, sim, a uma consciente e participante. E é precisoqualquer forma, é expressão de umaperda. Passados mais de trinta anos, violência de que são vitimas. reconhecer que nas paróquias eos laços comunitários criados são Realmente, o termo violência para me comunidades são generosos erevividos, por nós que participamos, referir a eles, foi mal empregado. Na dedicados nas tarefas que lhe sãoem jubileus, hospitais, velórios, realidade, o que quis dizer, nesse pedidas. E, mais ainda, emoção éaniversários. Ao encontrar pessoas, exemplo que me ocorreu durante a necessária como componente dedistantes umas das outras no tempo e comunicação, foi que a ação dos “pés humanidade. Eu falei, também, de riscosno espaço, unidas novamente pelasolidariedade de alegrias e dores, ao negros” (descendentes de imigrantes como tantos que valorizam o grupo departicipar de celebrações coletivas em africanos das ex-colônias francesas) era oração, que gostam, sentem-se bem,plano diocesano, como não pensar emchances perdidas? Talvez pensemos em comunicaçãoquando falamos da missionariedade daIgreja. Comunicar necessariamentenão significa env olve r. Pode setransformar em pura forma de expandire dar a conhecer atos e medidasadministrativas. Chamou-me muito aatenção uma entrevista do pensadorRegis Debray. Ele estabelece umaoposição entre transmissão ecomunicação. A comunidade brota e necessitade uma transmissão. A comunicaçãoconsiste em faz er circular umainformação no espaço em ummomento. A transmissão é portar umainformação no tempo, isto é, construiruma duração, uma tradição, umamemória... Além disso, umacomunidade humana sempre supõe umponto de coerência, um ponto criadorde laços, que pode ser um texto, uma uma reação instintiva. Na realidade, porém a missa é obrigação a que muitosfigura heroica, um evento, enfim algo queria contrapô-la às formas de reação se desobrigam.que reúne vivencialmente. E o quereúne é chamado de sagrado. Não organizada e com certo patamar de O Padre Eugênio Pessato apresentouresisto à tentação de citar o tríduo permanência. Quanto à explicação da dados de uma pesquisa, limitada ao seupascal “aqui nos reuniu o amor de desigualdade, concordamos. Sua raiz é território de atuação paroquial, queCristo, alegremo-nos e n´Ele econômica (a sociedade de classes). O comprova o que foi dito na colocação.rejubilemos... E amemo-nos na grande drama é que a teoria das classes Aqui, é necessária uma referência ao valorlealdade do coração”. Aliás, que sociais já não dá conta da desse gesto: é parte da ação missionáriadistância entre essas maravilhas e ossentimentalismos modernosos pós- complexidade da situação atual. Sem o conhecimento da realidade.comunhão. Intermináveis!!! perder validade, ela não dispõe de O Padre José Arlindo de Nadai Sim, há perigos e aqui sociólogos e instrumentos analíticos que permitam pergunta sobre a conveniência de dividir apastoralistas convergem. O risco de operacionalizar uma ação organizada paróquia por setores. Acredito que anossas comunidades se transformarem em níveis cada vez mais abrangentes. tentativa de criar grupos, de animarem guetos, de caráter étnico, religioso, Os próprios especuladores (sob o convivência e partilha, é necessária noou duas coisas juntas. As Diretrizesalertam: “Contradiz profundamente a eufemismo de investidores), como ambiente burocrático-administrativodinâmica do Reino de Deus e de uma George Soros, dizem que sem paroquial. Mas se o critério for puramenteIgreja em estado permanente de missão mecanismos de controle é a sociedade geográfico, ainda ficamos na mesma.a existência de comunidades cristãs toda que corre riscos. Estão naquela Grupos em torno de “interesses”, nofechadas em torno de si mesmas, sem situação de dar os anéis para não sentido sociológico do termo, que vai muitorelacionamento com a sociedade emgeral” (nº 80). “Comunidade implica perder os dedos. Quanto à organização além do campo puramente material. Incluinecessariamente convívio, vínculos da classe operária, é, sim, indispensável aspirações, desejos, emoções, estilos deprofundos, afetividade, interesses e necessária. Só que mais difícil que vida, numa palavra, modo decomuns, estabilidade e solidariedade nos nunca, face à situação. “experimentar” o mundo e viver a História.sonhos, nas alegrias e nas dores” (nº 59).8
  8. 8. EntrevistaAssessoria: Quais são as mudanças sociaisque desafiam hoje a Igreja?Padre Benedetti: Primeiro é constatar que aIgreja enfatiza quase que em todas as linhas,palavras e momentos, públicos e particulares,a necessidade da evangelização, traduzidaagora como ser discípulo missionário. Hojenós não vivemos mais em uma sociedadecristã, no sentido que as estruturas moldavamo cristão e pertencer à sociedade e à religiãodessa sociedade era a mesma coisa. Hoje areligião, como tudo, é uma escolha individual.Mas é uma escolha feita por um indivíduo quese redefine. Não é um indivíduo que se pensacomo indivíduo a partir de esquema de mundo,de sentido, visões da história, teorias sobre omundo, religiosas ou não. É um indivíduo quebusca sentir-se bem consigo mesmo. Issoatinge diretamente a religião, porque se ela coloca a felicidade como obrigação, ela se depois, porque eu seria injusto com muitasnão responde a essa necessidade individual torna uma imposição a mais porque ela não pessoas e comunidades. Mas eu não possoou se o questiona, o indivíduo vai buscar outra tolera a decepção. negar que, pessoas que me procuram, seque dê a resposta que ele espera ou, também, queixam porque foram apresentar algum tipouma religião que o ajude a ser rico, como tem, Assessoria: Como podemos conviver com a de problema e o padre disse que a Igrejapor exemplo, alguns grupos evangélicos, ou, realidade do consumismo desenfreado? determina isso e acabou e se não quiserainda, como grupos que se defendem desse Padre Benedetti: Há a necessidade de aceitar, que vá buscar outra religião. Isso,mundo, são fieis e firmes, como a conviver, mas tendo o senso e o timing da evidentemente, não é resposta e isso existe.Congregação Cristã do Brasil. Temos esse história pessoal de cada um e, principalmente, Dizer que a Igreja diz isso ou aquilo é fácil,universo do mundo que precisa ser quanto às crianças, tem que ter o exemplo dos mas ela o faz com alguma finalidade buscandoevangelizado desde as raízes porque o pais. Se o pai e a mãe alimentam o a vivência do evangelho, assim como ohomem, hoje, é outro. Não há uma mudança consumismo, não tem saída. Eles têm que ter evangelho questiona o que a Igreja diz.extemporânea dentro de uma situação de a capacidade de perceber e colocar umpermanência, mas é uma mudança de época questionamento no meio, sem imposição, Assessoria: O que deve ser feito a partire não uma época que ocorre mudança. sobre a real necessidade disso ou daquilo. Um dessa realidade que o senhor apresenta? exemplo. Uma criança vai a um supermercado Padre Benedetti: Eu penso que, primeiro, nósAssessoria: O princípio das religiões não é e faz birra, quer a coisa mais cara. Cabe aos temos que pensar as estruturas da Igreja, quebuscar a felicidade? Que mal há nisso? pais mostrarem que não têm condições de são pesadas e impõem pesos, são imóveis ePadre Benedetti: A felicidade é aquilo que comprar o mais caro, mas que pode comprar, imobilizam. As estruturas de formação dosmove toda a ação humana. Aristóteles tem até por exemplo, dois mais baratos e dar um para seminaristas se reproduzem depois nasa afirmação clara, a da harmonia, a felicidade quem não tem possibilidade de comprar nem paróquias. Esse eixo estruturado e estruturantecomo a razão de ser de toda a ação humana. o mais barato. Desde pequena, a criança vai precisa começar a mudar em uma perspectiva,O problema é que se busca a felicidade aprendendo a ter algo mais simples e está por exemplo, de repensar a questão ministerial.refugiando-se em si mesmo, desconhecendo sendo questionada sobre a situação que Não no sentido de desaparecer o padre quea sociedade e os outros. Quando você deseja estamos vivendo. Mas existirão momentos que eu sou ou o tipo de padres que nós somos,ser feliz de uma maneira que não corresponde isso vai ser fonte de frustração e vai levantar mas começar a pensar em uma forma de padreà humanidade da qual você faz parte, você novas perguntas. Por isso é preciso ter o diferente. Segundo, é bom setorizar, criarse transforma em um sujeito que, quanto mais timing do momento e não moralizar ou impor, relações, porque a situação que estamosbusca a felicidade, mais se decepciona. Eu mas ter sensibilidade para questionar. vivendo não preocupa só os cristãos. A imagemleio muito o filósofo francês Lipovetsky, que de que os jovens são felizes, por exemplo, édiz que não podemos ser negativos quando Assessoria: A nossa Igreja, muitas vezes, falsa, porque eles estão em uma cultura queanalisamos a sociedade, mas temos que ver falha no acolhimento ao ter respostas prontas favorece os grupos econômicos, mas háas contradições. E ele deixa isso muito claro. para muitas solicitações dos fieis, deixando frustrações pessoais, há buscas pessoais... EVocê tem, sim, que buscar a felicidade, que de atender com a caridade. Isso também é a Igreja tem que se preparar para dar umaprocurar um nível de consumo que responda uma realidade que estamos vivendo? resposta a essa ansiedade da juventude, nãoàs suas necessidades, mas, ao mesmo tempo, Padre Benedetti: Eu não posso afirmar ou uma resposta em nível de padre somente,você tem que pensar que tudo isso convive generalizar esta afirmação, primeiro porque apenas, mas em uma discussão coletiva, emcom possibilidades de decepção. Quando nunca estudei ou pesquisei sobre isso, e, grupos dentro da paróquia. 9
  9. 9. MissionariedadeF oi com grande alegria que acolhi o convite para refletir neste encontro de estudos da nossa Arquidiocese de Campinas,compartilhando um pouco daquilo quetenho lido e estudado junto àComunidade que presido. A Igreja tem sempre uma palavra,uma direção, um chamado e um desejode posicionar-se, de não se esconderou se acomodar, mas de ser e estarpresente no mundo para realizar a suamissão. É assim que o documento deAparecida deve ser visto por nós, comoIgreja, como um momento em que osnossos pastores da América Latina, soba luz do Espírito Santo, orientaram acaminhada da Igreja, inspirando oObjetivo Geral da Ação Evangelizadorada Igreja no Brasil, que traz, na suaintrodução, a razão de ser da Igreja,que é Evangelizar a partir doencontro com Jesus Cristo. a ação de Deus já está acontecendo. A começava a subir a escada, um Nós, em Campinas, assumimos o transmissão da fé nos lança não apenas dispositivo automático fazia jogar águaObjetivo Geral da Igreja do Brasil, que para a ação presente, mas com gelada sobre os outros macacos.têm a sua riqueza desenvolvida ao perspectiva de futuro. É essa a razão Passado certo tempo, toda vez quelongo do 7º Plano de Pastoral Orgânica, pela qual esta verdade precisa ser qualquer um dos macacos esboçavacom preciosas orientações, aos moldes resgatada na nossa vivência subir a escada, os demais odo Documento de Aparecida. Além do evangelizadora. espancavam, evitando, assim, a águaencontro com a pessoa de Jesus Cristo, Ser Missionária é a grande marca gelada. Obviamente, após certo tempoo próprio objetivo já determina a da Igreja nesses dois mil anos, que foi nenhum dos macacos se arriscava amaneira como devemos nos colocar. se enfraquecendo com os subir a escada, apesar da tentação. OsSomos chamados a estar constan- contratempos e as acomodações dos cientistas, então, substituíram um dos tempos. E nós temos a tentação de macacos. A primeira coisa que o novo fazer as outras pessoas iguais a nós, macaco fez, foi tentar subir a escada. A razão de ser da Igreja de fazer o quê e da forma que fazemos, Imediatamente os demais começaram de se organizarem como estamos a espancá-lo e, após várias surras, o é Evangelizar a partir do organizados. Tudo está pronto e novo membro aprendeu a não subir a acomodado e vai se repetindo, se escada, embora jamais soubesse a encontro com Jesus Cristo. reproduzindo e se mantendo, porque razão. Um segundo macaco foi esta é a nossa segurança. substituído e ocorreu com ele o mesmo A Conferência de Aparecida e a que com o primeiro, que tambémtemente em processo de diálogo, como nossa caminhada pastoral a partir do participou com os demais doquem quer aprender, em uma relação 7º PPO, nos interpelam a uma nova espancamento. Um terceiro macaco foipermanente de interlocução. postura. Para entender esse processo, trocado, e o mesmo aconteceu. Assim, Já o Documento do Diretório peço que vocês prestem atenção em foram todos substituídos, um de cadaNacional de Catequese, no seu capítulo como se forma um paradigma (modelo, vez, e a cada troca repetia-se osexto, trabalha este sentido novo que padrão ou exemplo a ser seguido) para espancamento dos novatos, quandodeve estar na relação catequética, na termos como referência na nossa faziam suas tentativas de subir arelação evangelizadora. O destinatário reflexão. escada. No final, o grupo de cincoé um interlocutor, não é alguém que Um grupo de cientistas colocou macacos, que embora nunca tivessemsó recebe, porque antes mesmo de cinco macacos em uma gaiola e no recebido uma ducha fria, continuava achegarmos à relação evangelizadora e meio dela uma escada com bananas espancar todo macaco que tentassecatequética, o Espírito Santo já chegou, no alto. Cada vez que um dos macacos subir a escada. Se fosse possível10
  10. 10. conversar com os macacos eperguntar-lhes porque espancavam osque tentavam subir a escada,certamente não saberiam dizer a razão. Em muitas circunstâncias é assimque procedemos em nossascomunidades. E as pessoas podemestar se questionando sobre a razão repensar a nossa prática e não não é simplesmente mais um plano quede continuarmos a fazer o que sempre simplesmente fazer coisas. O Padre a gente faz, mas é uma grandefizemos da mesma maneira, se existem Benedetti nos disse que a religião tem oportunidade para repensarmos aoutras formas para isso. Por isso, tudo organizado, está tudo pronto, os nossa ação evangelizadora.somos convidados a ter presente a livros, os esquemas estão É arrepiante imaginarmos quepossibilidade de “romper paradigmas” estabelecidos e é só continuar a muita coisa na nossa Igreja funcionanão nos enganando com as aparências prática. Mas o mistério da Igreja tem com plano ou sem plano, com padrede normalidade. Tudo parece estar uma outra referência e não é ou sem padre, com leigo ou sem leigo,bem: a Paróquia, a Comunidade, a simplesmente uma entidade enfim, caminha por si mesma. Nós, dePastoral... Sempre está tudo muito organizada onde os fieis vão fazendo protagonistas passamos a merosbem... Nós continuamos participando coisas. reprodutores das coisas. O nosso Planoporque está tudo bem, e vamos Repensar exige a capacidade de de Pastoral, no Espírito de Aparecida,mantendo o que fazemos porque envolver-se e de questionar, com é uma riquíssima oportunidade que oolhamos para nós mesmos. maturidade, não simplesmente de Senhor nos dá para repensarmos e Diante desta constatação, o repetir, manter e fazer algo. Aparecida relançarmos as nossas ações. O nossoDocumento de Aparecida, no número diz que a Pastoral deve ser repensada Plano não é de resultados, mas de11, faz um chamado para a Igreja com audácia para que seja uma grandes indicações e pistas a serem“repensar profundamente e a relançar presença de qualidade, que faz a construídas. Nada está pronto, mas sãocom fidelidade e audácia sua missão diferença onde está presente, onde indicações que orientam e direcionamnas novas circunstâncias latino- atua, e não para adequar-se às a nossa atenção para aspectosamericanas e mundiais”. conveniências. Nesse momento difícil fundamentais da vida da Igreja, que É um chamado feito para todo o e conturbado somos chamados a ser precisamos ter presentes para que aPovo de Deus, para todos nós, padres, audaciosos, fieis ao evangelho, com a nossa missão se realize neste contextoleigos, representantes das Paróquias, audácia do discípulo que segue Jesus e momento.das Comunidades, lideranças dos Cristo e que é capaz de criar novas Pa ra isso, o Documento dediversos Organismos eclesiais. O coisas, pois o Espírito faz novas todas Aparecida, no número doze, nos diz:momento que estamos vivendo exige as coisas. Por isso, o nosso 7º Plano “A todos nos toca recomeçar a partir de Cristo, reconhecendo que ‘não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma direção decisiva’”. Parece óbvio que Cristo é o ponto de partida, mas a maioria de nossas ações não partem dessa experiência de encontro com o Senhor, mas sim de regras que temos estabelecidas, nos costumes enraizados, que vamos simplesmente repetindo. Penso que essa é uma das razões, não única, porque muitos de nós estamos cansados e saturados. As inúmeras exigências e “coisas” para fazer vão pesando no nosso cotidiano e não temos mais a alegria de dar a vida, de morrer, de carregar a cruz, de se cansar por causa do Reino. Faz-se muito, mas não saímos do lugar. Aparecida chama a atenção para o que parece óbvio. É preciso recolocar 11
  11. 11. Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma direção decisiva.esse recomeço a partir de Cristo, a tudo de Jesus Cristo. O caminho que não com a pessoa, com o mistério quepartir do encontro com o Ressuscitado, os bispos em Aparecida nos indicaram é dado na nossa relação. Por isso arazão fundamental de sermos cristãos. para relançar a missão evangelizadora missão começa a partir de cada um deNós não podemos ser cristãos porque no nosso Continente é a iniciação à vida nós.é bonito ser cristão, nem porque a cristã, com a inspiração do processo Não devemos nos preocupar comIgreja tem valores éticos e morais. A catecumenal. a diminuição percentual dos católicos,nossa experiência de fé é de encontro, As estruturas que temos hoje em mas sim com o que temos oferecidoque sempre se renova e que precisa nossas Comunidades são baseadas para os que nos procuram e para arecomeçar constantemente. O demasiadamente no discurso. Temos nossa sociedade, que está confusa,Documento de Aparecida, portanto, cursos para todas as necessidades: cheia de outras referências. A Igrejatrata a fé como evento existencial, a batismo, comunhão, casamento... E não é lugar onde se consome, masexperiência de encontro com Deus e cursos dentro de uma pedagogia onde se faz uma experiência que mudacom o irmão. “Ele está no meio de nós” terrível, onde as pessoas vão, por a vida. Na Iniciação Cristã, uma dasé o que proclamamos solenemente, necessidade, “aguentar” os exigências é a disposição para anão como um refrão decorado, mas profissionais que ministram os cursos, conversão, para a mudança de vida.como expressão dessa experiência que que ensinam e você aprende e repete. O documento aponta que oqualifica e determina todo modo de ser Pouco importa se esses cursos trazem processo de iniciação cristã, no modeloda Igreja e da Comunidade. algo para vida das pessoas, o que do catecumenato, seja assumido em A fé, entendida dessa maneira, é importa é que você faça o discurso todo continente, como uma maneirauma descoberta decisiva da adequado. O padre quer assim, o ordinária de formação dos discípulosConferência de Aparecida, que, professor ensinou isso e nós vamos missionários. A Igreja assume umaaparentemente, parece óbvio. É repetindo e reproduzindo essas postura desafiadora que faz repensarjustamente a partir desse sentido da fórmulas. a ação pastoral e convida a nosexperiência existencial da fé, que nós Os Bispos, em Aparecida, nos relançarmos em missão.superamos a ideia dela como aceitação, chamam para uma nova postura e A nossa postura é de acolheropção ética ou mera tradição cultural, apontam o caminho da iniciação cristã aquilo que o Espírito vai apontandocomo é em grande parte do nosso como método e processo catecumenal, através da Igreja.catolicismo. É a partir dessa onde somos chamados a aprender. O Para concretizar este processo deexperiência que compreendemos a Documento constata que na Igreja iniciação em nossa prática catequética,nossa missão, não como tarefa que muitos agentes atuam sem consciência somos ajudados pelo Diretório Nacionalprecisamos realizar, mas como modo da sua missão, com a identidade cristã de Catequese que aponta para ade organizar a nossa vida a partir dessa fraca e vulnerável. Isso nos desafia a “catequese por idades”, isto é, aexperiência, dessa espiritualidade que organizar e imaginar novas formas de Catequese deve respeitar a idade dosdetermina as nossas relações, a nossa aproximação de tantos irmãos e irmãs catequizandos; com crianças, conversapostura e também os nossos costumes. batizados e não evangelizados. Quando de criança; com adolescente, conversa O nosso grande referencial é Jesus se fala em missão, temos uma de adolescente; com jovens, conversaCristo, portanto, partir sempre e em preocupação moral, com a doutrina e de jovens; com adultos, conversa de adultos.12
  12. 12. Entrevista Assessoria: A Missão da Igreja sempre foi não é aluno de um curso e a Igreja não é o a de anunciar Jesus Cristo. Qual a diferença segmento do Ministério da Educação, que dá para os dias de hoje? curso e depois um certificado, mas é o lugar Padre Piazza: A missão é exatamente a de da experiência permanente de encontro, de Anunciar Jesus Cristo. Porém hoje se aprofundamento do Cristo Senhor para redescobre que esse Jesus Cristo que chegarmos, como diz São Paulo, à largura, devemos anunciar precisa ser a base e o comprimento, altura e à profundidade do ponto de partida da nossa ação, que não está Cristo Senhor (Ef 3,18). Hoje, o grande desafio que o reduzida à instituição. O objetivo não éDiretório aponta é a catequese para agregar pessoas para o nosso grupo, mas Assessoria: Qual é o Jesus Cristo que nósadultos, não apenas como uma anunciar Jesus para que a Vida, em plenitude, vamos anunciar?preparação para o sacramento, mas que Ele nos dá, esteja presente na vida das Padre Piazza: É aquele de quem fiz umapara um chamado à caminhada da fé.São tantos batizados não pessoas. Para isso é preciso que nós experiência de encontro que modificou aevangelizados! tenhamos a experiência dessa vida plena. minha vida. Não anunciamos uma teoria sobre A Missão da Igreja é anunciar Hoje nós somos uma Igreja cansada, cheia alguém, mas alguém que dá todo o sentido àJesus, ajudando as pessoas a conhecê- de pessoas que estão buscando outras minha vida. Portanto, a primeira experiênciaLo e a fascinarem-se por Ele e fazer a formas, um pouco no espírito do tempo que de Jesus é na relação de encontro com alivre opção por segui-Lo. A primeira vivemos, do individualismo, daquilo que é pessoa. Jesus está onde dois ou maismissão é o anúncio do querigma:aquele que morreu, está vivo em nosso conveniente, gostoso, interessante, e não estiverem reunidos em seu nome. Por isso, omeio; ressuscitou! O anúncio vai além uma busca do evangelho. Quando se fala de anúncio de Jesus parte de uma relação dedo discurso, pois é preciso testemunhar cruz, ninguém quer. Mas o próprio Jesus disse encontro e isso se dá na comunidade, queo mistério do Cristo vivo para os que quem quiser segui-lo, deve tomar a vai discernir constantemente o que é e o queiniciantes, orientando-os a olhar para própria cruz, a cada dia, e segui-lo. A grande não é fiel ao evangelho. A Comunidade sea Comunidade, os trabalhos, arealidade, as pessoas e descobrir nas diferença e redescoberta do Documento de abre para a universalidade da Igreja, que tempequenas coisas e nos momentos Aparecida é recolocar essa base, fundamento o Papa como a visibilidade, o carisma davivenciados, os sinais de Deus. A e ponto de partida. A Missão já não é mais unidade, da comunhão e da fidelidade aomissão tem esse grande sentido de uma tarefa, entre outras, que temos a fazer, evangelho. A comunidade não é apenas umdespertar a pessoa para algo mais, com mas o nosso próprio ser é missionário. Por agregamento social, mas é essa experiênciaprofundas implicações para a sua vida. isso o discipulado não é apenas uma relação de comunhão de vida. Por isso é o Jesus que A Conferência de Aparecida suscitaatitudes práticas. A primeira é a de aprendizado, mas é uma relação de nos leva à comunhão com as pessoas, queconversão pessoal. Somos nós os testemunho, de anúncio, de manifestar para não se reduz aos nossos maneirismos echamados a uma mudança de os outros a razão da própria esperança, e por limitações, mas que se abre para a grandementalidade, não nos esquecendo que isso o discipulado é missionário. comunhão universal. Desse modo, nãoo cristão é o discípulo que está anuncio o meu Jesus, o seu Jesus, ou outroaprendendo sempre e, portanto, vai Assessoria: Como nós vamos fazer essa qualquer, mas aquele que é experimentadofazendo essa transformação da vida.Depois, a renovação de nossas mudança, já que vivemos uma pastoral mais pela Igreja como seu Senhor, sua cabeça;estruturas eclesiais, que também de manutenção, de cursos? aquele que nos congrega e nos envia: “Ide...”.necessitam de uma conv ersão, Padre Piazza: Foi o que os Bisposprincipalmente as estruturas apontaram em Aparecida, ou seja, retomarparoquiais. O documento fala que a o processo da iniciação cristã. Refazer!Paróquia deve passar por um processode renovação e reestruturação, para Inclusive nós! A iniciação cristã não é umque seja um lugar da experiência da processo que foi feito no passado, mas algoiniciação cristã, um lugar do encontro que se repete e se renova constantementecom Deus. O Documento de Aparecida em nossa vida. É um processo que nos levaaponta treze lugares de encontro com a uma experiência de encontro com oo Senhor. Senhor, uma experiência que não se fecha O 7º Plano de Pastoral Orgânica éa oportunidade que temos para tentar em uma vivência, mas que está aberta anovas experiências, partilhar, dividir... muitas vivências. Cada momento éÉ preciso arriscar e compartilhar. Ele oportunidade para uma nova experiência,não é um Plano fechado e delimitado, para um crescimento maior. A fé é ummas tem as referências que nos processo permanente de crescimento, deajudam nessa ousadia, na audácia de amadurecimento, que nos coloca nessarelançar a ação evangelizadora naArquidiocese de Campinas. dinâmica de crescimento permanente; não Lembremo-nos sempre que: é algo isolado, acabado e pronto. Então, é“Conhecer a Jesus Cristo pela fé é retomar, através da iniciação cristã, essenossa alegria; segui-lo é uma graça, e processo de crescimento que não pode sertransmitir este tesouro aos demais é dado por acabado. O discípulo de Jesusuma tarefa que o Senhor nos confiouao nos chamar e nos escolher” (DA 18). 13
  13. 13. Trabalhos em grupos - pergunta 1 Esta pergunta teve como objetivo fazer uma avaliação da Já existe uma experiência de caixa único para as finanças,implementação do 7º PPO e servir de motivação para todos. embora seja apenas um começo. As respostas mostram os esforços comuns na implementação A presença das capelanias nos hospitais; os agentes dado 7º PPO e nos impulsionam com os resultados positivos já pastoral da saúde foram citados como fator positivo, mas tambémobtidos. Foram apresentadas, também, algumas dificuldades. como grande dificuldade devido à demanda. Foi mencionado o serviço da Legião de Maria na visita às pessoas enfermas. Pontos mais significativos A participação dos cristãos leigas e leigos e a pastoral da Formação, incluindo a iniciação cristã, com crianças e educação foram apontados como pontos muito positivos.adultos. Houve menção das Escolas da Fé e a formação nos Outro item foi a presença da Igreja nas regiões mais distantes,âmbitos da Paróquia, Forania e Arquidiocese, com agentes ainda longe do que necessitamos, mas já temos um início.já engajados na ação pastoral. Formação foi o item mais Para a maioria dos participantes o Plano, no geral, estáapontado como experiência a partilhar. Foi mencionado o caminhando bem, seja nas paróquias e comunidades comoesforço para desenvolver o itinerário catequético tendo a nas Foranias.paróquia como ponto de referência. A formação deve ser Dificuldades a serem vencidasentendida em seu sentido amplo e integral. Outro item bastante mencionado foi a renovação das Falta de conhecimento do 7º PPO e, portanto, poucapastorais e mesmo a criação de outras pastorais e integração motivação na implantação. Alguns disseram que não veementre as pastorais afins como, por exemplo, família e catequese. na Forania os frutos do 7º PPO.Um destaque para as pastorais ligadas à administração de Temos resistência e pouca abertura ao novo.Sacramentos com a valorização da Iniciação Cristã. Falta de formação para atender às necessidades do A missão, incluindo visitas e reflexão, teve grande acolhimento e da missão.destaque e está sendo desenvolvida. Houve menção específica A catequese tem dificuldade na perseverança das criançasda metodologia das visitas populares. após a primeira Eucaristia. Quanto às questões relacionadas à família, foi mencionada É preciso renovar a formação de agentes, ressaltou-se osa necessidade de reestruturação da Pastoral Familiar. Ministros da Palavra. Também foi apontada a necessidade deDestacou-se também o trabalho com casais de segunda união, uma reestruturação das paróquias. Existem dificuldades nacom os filhos e mesmo um atendimento às famílias enlutadas. organização e em ampliar a dimensão do serviço. Foi apontadaFoi também solicitada uma formação mais aprofundada para a dificuldade no relacionamento entre Comunidades e Matriz.o trabalho com as famílias. Precisamos de uma articulação com os jovens, tanto na O acolhimento foi mencionado como item positivo, mas Área como nas Pastorais.também como dificuldade a ser vencida. Ficou evidenciada a Dificuldade de continuidade nos trabalhos pastorais,importância de respeito às diferenças e de sair das “portas quando o pároco é religioso e é transferido.do Templo” e ir em busca das pessoas. Necessitamos de uma Indicações e propostasmaior formação nesse item. Outro ponto que sobressai é a formação de grupos de 1. Implantar as sugestões da CF 2011, mudando atitudesvivência e atividades relacionadas à Ação Social. da Comunidade em vista do meio ambiente. Existe também um trabalho com jovens, embora 2. Buscar uma melhor integração entre as paróquias. Pormencionado poucas vezes. Está também como dificuldade. exemplo, quanto à Administração dos Sacramentos, deve- Houve menção quanto à ação positiva dos Movimentos se estabelecer normas comuns de preparação dosna implementação do 7º PPO. Uma menção especial ao TLC sacramentos, principalmente na preparação dos noivos.no acolhimento aos jovens. Foi mencionado também o 3. Elaborar Plano de Pastoral Paroquial. Realizar umatrabalho dos Pequeninos do Senhor, em várias paróquias. reestruturação nas Paróquias e Comunidades. Foi ressaltada a importância da Comunicação, sendo 4. Fortalecer a divulgação do 7ºPPO nas paróquias.enfatizado o papel dos informativos paroquiais. Também o 5. Aprofundar um estudo sobre a pastoral urbana.trabalho feito pela PASCOM tem ajudado principalmente os 6. Incentivar os cristãos e cristãs para a formação de umajovens. A organização do site foi elogiada e a participação consciência crítica e o comprometimento com aem rádios comunitárias. transformação social. Sugerir participação em projetos e Embora pequena, existe a formação de uma consciência Associações da Sociedade Civil.ecológica. Com atividades de reciclagem, existe uma busca de 7. Publicar os projetos apresentados para a Coordenaçãoconscientizar as pessoas, sejam da Comunidade ou do bairro. Arquidiocesana de Pastoral pelos diferentes segmentos Foi mencionada a Campanha da Fraternidade (CF) que da ação pastoral, favorecendo assim a troca desempre tem ações de abrangência na Sociedade e foi experiências em todas as ações.fortalecida com o 7º PPO. Foi lembrada também sua ação 8. A Pastoral Operária fez a sugestão de que toda a igrejaalém do tempo quaresmal. lute pelos trabalhadores, nessa realidade de desemprego, Uma ajuda foi o trabalho de forma colegiada e a definição sub-emprego e condições precárias de trabalho. Enfatizoude pontos comuns na Forania. a importância da luta pela transformação da Sociedade.14
  14. 14. Trabalhos em grupos - pergunta 2 Nesta questão, foram distribuídos os dez temas presentes “Formação, Itinerário Catequético: uma nova atitude”no 7º PPO, em seus três eixos. Cada tema foi trabalhado por Sobre uma nova atitude diante da formação, entendidadois grupos. Veja as sínteses dos grupos, com os temas em como itinerário catequético, foi colocada a pessoa de Jesuscada um dos eixos. como ponto de partida, no diálogo com a diversidade de Eixo Igreja que Acolhe linguagens. Foi frisada a importância de investimento na formação, partilhando as experiências e mantendo os agentes “A Palavra de Deus: o nascer da Comunidade” motivados, testemunhos da alegria do Reino de Deus. Destacou-se a importância de acolher e promover a Palavra “Comunicação: realidade e desafios”de Deus, que gera a comunidade e ilumina o diálogo com asociedade. A Palavra promove o encontro com Jesus, que provoca A pessoa de Jesus é a referência para a Comunicação. Ele éa conversão, estimula a formação permanente, na vivência da o comunicador do Pai e envia a Igreja para anunciar a Boa Notíciacomunhão eclesial, tendo em vista o testemunho do Reino. do Reino. Assim, a Comunicação é missão da Igreja. É importante comunicar com a linguagem que contemple todas as realidades, “Acolher para ser Igreja Povo de Deus” valorizando o diálogo como uma das melhores expressões de O Acolhimento foi destaque na discussão sobre o ser Igreja, comunicação. Foi destacada a importância da Pastoral Familiar,Povo de Deus. É no encontro pessoal com Jesus que se toma a como “eixo transversal” de evangelização permanente e aconsciência do que é ser Igreja, para ir ao encontro do outro, necessidade de se implantar e valorizar a Pastoral da Comunicaçãodando testemunho da alegria do Reino. Para isso, o ser cristão Paroquial como instrumento de evangelização.pressupõe preparar-se na oração, caminhar juntos, criando Eixo Igreja do Serviço Solidáriovínculos, tendo compaixão e escutando o próximo. Reconheceu-se a graça de ser Igreja acolhedora e testemunhar Jesus Cristo, “Pobres: Opção Evangélica e Solidária da Igreja”pois é um despertar para a missão e anúncio da Palavra. A Comunidade é convocada para ir ao encontro e acolher “Eucaristia: comunhão com Deus com o próximo as pessoas, sensibilizando-se com o sofrimento do outro, ter e partilha com todos” compaixão com os presos, dependentes químicos, pessoas com deficiências, mulheres, migrantes, pessoas em situação de rua. Sobre a Eucaristia no sentido de comunhão com Deus e Foi lembrada a fragilidade das políticas públicas e reconhecidacom o próximo e partilha com todos, foi levantada a questão a importância da parceria da Igreja no atendimento aossobre o como ela se expressa na prática, já que ela não é o necessitados. A vivência do Plano de Pastoral deve motivar afim da participação, mas é vivência. Sendo um dom, é Pão participação efetiva na transformação da sociedade, na saúde,partilhado e Vida compartilhada, é a Palavra de Deus que se educação, cultura, conselhos municipais, etc. A Comunidadefaz carne, partilhada com todos. Foi sugerido que, a partir do deve ter no seu calendário ações de inclusão dos sofredores.7º PPO, os grupos de reflexão, onde as famílias e comunidades Cabe a ela motivar a criação de Grupos de Vivência, Grupos detrabalham temas, aprofundem as exigências da Eucaristia. O Fé e Política, Pastorais Sociais em vista da transformação social.mesmo se aplica aos grupos de rua, às CEBs, através do Foi dada também a importância da conscientização sobre atrabalho na catequese, liturgia, em mutirões solidários em realidade social e política. Foi lembrado do cuidado que se devebenefício da sociedade. Os trabalhos da evangelização de às homilias, para que contribuam para uma conversão pessoaladultos têm dado frutos e a dinâmica é crescente, mesmo e de ação pastoral, propondo ações concretas para viver a opçãoquando existe uma diferença social econômica. evangélica e preferencial pelos pobres. Eixo Igreja que se Renova “Ecologia: Vivência, Educação, Profecia” “Rede de Comunidades, Igreja Comunhão, Partilha” O tema foi reconhecido como um olhar alargado de fé da Para consolidar a rede de comunidades eclesiais de Igreja sobre o mundo, a partir do encontro com Jesus. No dia-comunhão e partilha, foi dada a importância de se retomar a a-dia, pequenas ações para promover a Ecologia e, com maiorpaixão por Jesus Cristo, procurar nele a força para o abragência, a conscientização e condições para a participaçãoseguimento na obediência e radicalidade. Assim, é possível em conferências, assembleias, votações, conselhos e demaisuma Igreja que testemunha vivência fraterna e caridade, manifestações. Que se divulguem as leis sobre o Meio Ambientecontra os padrões que o mundo impõe à vida humana. e Ecologia. É necessário promover coleta seletiva de lixo e de óleo, limpeza dos córregos, visitas monitoradas, utilização de “Missão, Discipulado em uma Igreja toda Ministerial” materiais recicláveis e divulgação das cooperativas. Para formar uma Igreja toda ministerial, foram lembrados “Misericórdia: Vida em abundância para todos,trabalhos que podem colaborar, como a formação intensiva das em especial as situações de sofrimento”Escolas da Fé, a Catequese de Adultos com a aplicação do métodocatecumenal de Iniciação Cristã, a Pastoral Familiar. A experiência O tema trouxe sugestões de ações para que haja vida parade missões poderá ser mais fecunda se puder ser realizada por todos, em especial aos que sofrem. O ponto de partida é Jesuspequenos grupos. A própria comunidade deve vencer seus que assumiu nossas dores e desperta o “ser samaritano”, fazendo-obstáculos, buscando o diálogo e integração entre as pastorais, se missionário, saindo ao encontro do outro, na atenção àsmovimentos e foranias. Ao mesmo tempo que forma seus famílias, na presença misericordiosa de escuta e de generosidademultiplicadores, ela se apresenta como indicadora de caminhos; junto aos que sofrem. Foi lembrado o sofrimento provocado pelasdaí a importância de ser acolhedora, de promover o sentido de drogas e o dos encarcerados e a necessidade de maior presençaentrega e formar agentes para o anúncio do Evangelho. da Pastoral Carcerária. Esta busca de defesa, promoção e testemunho de vida deve acontecer no diálogo inter-religioso. 15
  15. 15. Miniplenários As propostas apresentadas pelos instrumento necessário para ouvir e Água e Esgoto para se conhecer e entendersecretários dos miniplenários foram ricas comunicar o Evangelho, priorizando o a real necessidade de evitar o desperdíciode conteúdo e desafios a serem diálogo dos diferentes grupos, realidades da água, bem mais precioso que Deus nossuperados. Para esta publicação, e formas de discussão presentes em deu. Todos os cristãos devem estar atentosobedecemos como método a divisão entre nossos dias. Valorizar cada vez mais a à criação de projetos que promovam aos três grandes eixos de evangelização Pastoral Familiar será o grande desafio coleta seletiva nos condomínios, nosdo 7º Plano de Pastoral Orgânica. para enfrentar o relativismo e o prédios, nas ruas, assim como a coleta do individualismo presentes na sociedade, de óleo. Também será importante incentivar Igreja que Acolhe modo especial no campo da moral, criando projetos maiores como a limpeza dos A Igreja de Campinas se compromete uma cultura de valorização da vida. córregos e preservação de matas ciliares.em promover a partilha da Palavra a partir Portanto, é necessário cada vez mais Como povo de Deus no mundo,da vida comunitária e do encontro pessoal uma conversão pessoal e eclesial, construindo a civilização do amor já aquicom Jesus Cristo, sendo testemunho da buscando uma Igreja que esteja em em nossa querida Mãe Terra, devemoscomunhão fraterna e solidária. constante renovação das estruturas, nos comprometer com políticas públicas para incentivar a missão, superando uma que promovam a vida em todos os níveis Igreja que de Renova visão só geográfica da evangelização. e apóiem a edificação e preservação de Abastecidos em Cristo, através de toda a Obra criada por Deus. Assimuma contínua experiência cristã, somos Igreja do Serviço Solidário poderemos conhecer e divulgar as leisconvidados a ser uma Igreja missionária sobre a ecologia e preservação da vida, 1. Opção evangélica e preferenciale testemunhal, anunciando Jesus e sua como as leis sobre resíduos sólidos e pelos pobres.missão salvífica, a partir de uma contínua tóxicos (baterias, componentes dosconversão pessoal e pastoral. Os pobres são sujeitos históricos e computadores), criando uma alternativa Com o exemplo das primeiras eclesiais que contribuem para a transfor- social e pastoral para cada problemacomunidades, poderemos nos empenhar mação da sociedade e da Igreja (Puebla). como a criação de cooperativas deem renovar a comunidade, seguindo os Nossa Igreja particular deve valorizar reciclagem.valores evangélicos, para sermos um povo a formação de grupos de vivência que Misericórdia: vida em abundânciaem constante missão no mundo. A se organizem na transformação da para todos, em especial nasEvangelização deve ser reflexo da unidade sociedade, participando das lutas por situações de sofrimentoeclesial em prol da construção do Reino. políticas públicas através dos conselhosO Missionário não pode se acomodar com de cidadania, como saúde, educação, A opção preferencial pelos pobres nosas exigências do mundo, mas ser moradia, transporte e cultura. impulsiona a procurar caminhos novos“fermento na massa”, testemunho a partir Devemos motivar a criação de grupos e criativos, afim de responder aos efeitosdo dom que Deus ofereceu a cada um. de Fé e Política em vista de formar da pobreza. Todo cristão deve despertar Devemos estabelecer e fortalecer cristãos para atuar na transformação para a generosidade e a compaixão juntovínculos com os “batizados não social e fortalecer as pastorais sociais àqueles que sofrem, na linha daevangelizados”, preparando os agentes de através da área sócio-transformadora, construção de uma Igreja Samaritana.pastoral para esta árdua “missão dialética”, como meta para a construção de uma Será preciso promover o diálogopartilhar recursos humanos e testemunhar sociedade mais justa e fraterna. ecumênico e inter-religioso, através deo aprendizado de verdadeiros discípulos Os ministros ordenados e extra- ações conjuntas com outras Igrejas edo Mestre. A alegria manifestada na ordinários da Palavra devem cuidar para Religiões, que trabalham no atendimentocomunidade que celebra a Palavra de Deus que as homilias contribuam com uma aos excluídos, principalmente nae partilha o pão da Eucaristia está sensibilização para com o sofrimento dos promoção humana em diversos níveis.relacionada diretamente com o outros: presidiários, dependentes químicos,compromisso da construção do Reino, pessoas com deficiência, mulheres Outras questõesatravés de uma pastoral catequética e marginalizadas, migrantes e pessoas emmissionária atenta à realidade de cada situação de rua, jovens, etc. A formação Ao final da apresentação doscomunidade e aberta ao diálogo entre dos estudantes de filosofia e teologia deve miniplenários, foram apresentadasministros ordenados e agentes de pastoral. estar atenta à realidade em que vivemos algumas questões que exigiam respostas. Somos convocados a assumir a missão para que possam se preparar melhor para Sobre a divulgação do material produzidoevangelizadora, condição fundamental o exercício do ministério ordenado. no processo de elaboração do 7º PPO, foipara guardar e reviver os frutos do Espírito lembrado que todo o conteúdo já havia 2. Ecologia: vivência, educação,em nossas comunidades. Isto animou a sido apresentado em encontros anteriores profecia.Igreja em seu nascimento e em todos os e disponibilizado no site da Arquidiocese.momentos de sua caminhada histórica. A preservação da vida em todos os Sobre a necessidade de se buscar projetosPara isso é importante valorizar a meios é prioridade de nossa Igreja e, comuns, diferentemente de como estáformação contínua, visando o empenho para tal, firmamos o compromisso de elaborado o Plano, foi explicado que ono diálogo e comunhão. educar na linha da consciência ecológica Plano, como se encontra, é fruto da Uma Igreja toda missionária, que leva e planetária na catequese, nas escolas, metodologia participativa assumida desdea Palavra de Deus, principalmente aos que nos grupos de pastoral e de base. o início do processo de elaboração. Sobreainda não tiveram o encontro pessoal com São importantes ações nesse processo a destinação da coleta da Campanha daJesus Cristo, vivo e ressuscitado, contará de educação ambiental, como visitas Fraternidade, a sugestão foi encaminhadacom uma Pastoral da Comunicação como monitoradas às Estações de Tratamento de para a Comissão Arquidiocesana da CF.16

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